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Ao pé da letra
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Sem papas na língua
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escritor João Ubaldo Ribeiro, que
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representa um fato, situação ou modo de agir
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Telas e telinhas
Vale a pena abrir mão de tudo por um amor?
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Entrevista com Mariana Domitila - Jornal da Casa - Uruguai 2014

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Entrevista realizada com Mariana Domitila em julho de 2014 pelo jornal Uruguaio da Casa do Brasil.

Jornaldacasa 43 0814

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Entrevista com Mariana Domitila - Jornal da Casa - Uruguai 2014

  1. 1. # 43 – agosto 2014 Conversafiada com Mariana Domitila “Nossa principal doença é espiritual e intelectual” ariana Domitila é jornalista, mestre em Comunicação e Cultura, técnica em Moda e especialista em Programação Neurolinguística. Em sua última viagem por Montevidéu, ministrou duas palestras na Casa do Brasil e teve este franco diálogo com o JornalDaCasa. - Você nasceu em Sorocaba, mas já morou em São Paulo. Que influências daqueles lugares reconhece em você mesma? - Nasci em Itu – outra cidade do Estado de São Paulo. Fui para Sorocaba aos 14, quando meu pai começou a trabalhar numa empresa situada lá. Desde então Sorocaba também faz parte do meu coração, pois nela fiz grandes amigos, trabalhos e escrevi belas e significativas histórias! Nunca morei em São Paulo, mas faço vários trabalhos por lá. Treinamentos em empresas, escolas e agencias de recursos humanos. Também tive algumas clientes de consultoria de imagem pessoal lá. - O que é que a São Paulo Fashion Week tem, e só ela tem? - O São Paulo Fashion Week é um evento Nacional, realizado desde 1996 (no início era chamado de Morumbi Fashion) , organizado pelo produtor de moda Paulo Borges. É considerado o maior evento de Moda do Brasil e o mais importante da América Latina. Esse evento trouxe transformações significativas para o mercado da moda brasileira, uma vez que apresentou e disseminou marcas famosas como Chanel, Versace e Gucci. - O uruguaio entende de moda? - Sim! Percebo que o país tem eventos, revistas, blogs e marcas de muito bom gosto! Em minha opinião, os uruguaios sabem fazer um belo e especial mix de tendências de moda internacional com estilos derivados da cultura uruguaia e suas regionalidades. JornalDaCasa é uma publicação de CasaDoBrasil | Editor: Leonardo Moreira Web: www.casadobrasil.com.uy | Mail: jornal@casadobrasil.com.uy | M
  2. 2. # 41 – julho 2014 Ou seja, sabem seguir e brincar com as tendências de moda, de forma criativa e ousada, sem perder ou deixar de lado o estilo forte e marcante uruguaio. Basta dar uma olhada pelas ruas de Montevideo, por exemplo, para deparar-se com mulheres e homens bem arrumados e descolados indo e vindo trabalhar, estudar e passear. Gosto das echarpes e dos lenços uruguaios – eles têm estampas maravilhosas que seguem o estilo uruguaio de forma exemplar. Quando vou à Montevideo rendo-me ao consumo e trago vários para casa! Uso um em cada dia e ocasião. Muitos amigos percebem a diferença e sempre me questionam – Onde comprou essa echarpe? Onde encontro dessa estampa? Nossa que legal é diferente! Enfim, chama a atenção. Também gosto dos sapatos que são confortáveis e exóticos. - Analisando a imagem pessoal de nossos presidentes, Dilma Rousseff e José Mujica, quais você considera que são seus atributos mais poderosos e quais você mudaria neles? - Dilma Rousseff segue o estilo e imagem já construída e fortalecida pelo presidente anterior, Lula – formal flexível (formalidade sem excesso). Percebemos que o estilo é formal buscando gerar credibilidade. O vermelho é predominante nas roupas e detalhes. A postura dela é muito similar a de Lula, porém, traz a característica feminina diferenciada, revolucionaria, mas infelizmente ora ou outra, neutra demais em determinadas situações. O Brasil tinha uma imagem da Dilma diferente no passado. Sua história na política é marcante e justamente isso influencia no que ela é e procura ser e mostrar hoje. Já José Mujica, diferente de Dilma e Lula, manteve a imagem de simples, sem ser despreocupado, na aparência e na postura. Procurou não alterar hábitos antigos devido à posição da presidência. Também não mexeu no visual encaixando-se naquele padrão formalizado que estamos tão acostumados a ver. Ele procura mostrar que não mudou seus pensamentos e atitudes. Mesmo que ora ou outra, os uruguaios percebam que sim! Ambos trabalham suas imagens pessoais de forma estratégica. Isso não se pode negar. Ambos têm assessores. Atualmente em política tudo tem um porquê. Toda e qualquer fala ou gesto ou atitude. Toda e qualquer vestimenta ou expressão. - Na sua primeira palestra na Casa do Brasil, você dissertou sobre as 8 saúdes fundamentais para o desenvolvimento pessoal e profissional. Em qual você acha que a maioria está mais doente e como “curar-se”? - As oito saúdes fundamentais são na verdade as dimensões de nossas vidas. Uma vida saudável precisa equilibrar cada uma dessas dimensões. Não tem como estar bem realmente, se sua dimensão, ou saúde familiar, por exemplo, não vai bem. O que importará ser um profissional de sucesso se a saúde física não estiver em dia também? O que adiantará estar bem emocionalmente, se financeiramente não consegue se sustentar? Enfim, se uma das dimensões estiver descuidada teremos ora ou outra problemas no dia a dia e principalmente nos projetos de vida e seus andamentos. Temos objetivos e metas. Precisamos traça-los, mas de forma flexível e reflexiva. Organizar-se entre atividades pessoais e profissionais. Reservar um tempo para você e você. Ficar e gostar de ficar com você. Conhecer-se. A chave está aí. No autoconhecimento. Quanto mais nos conhecemos, mais entendemos como funcionamos diante tantas situações e mais dominamos as diversas e possíveis formas de lidar bem com elas. Sobre as saúdes mais descuidadas ou doentes em nossa sociedade, ou seja, aquelas que geralmente estão descuidadas ou doentes na vida da maioria das pessoas, seriam a saúde espiritual e intelectual. A saúde espiritual, aquela que é Independente da crença religiosa, busca cuidar da espiritualidade, o que é sempre bom. Ansiedade e angústia são sintomas de que algo não anda bem e que um pouco mais de atenção está sendo cobrada. Atualmente as pessoas estão sempre correndo, trabalhando, consumindo, descartando, tentando poupar tempo para ter mais tempo e sempre se encontram sem tempo. Ou seja, a sociedade pós-moderna e sua era da informação estão a cada dia cobrando mais e
  3. 3. # 41 – julho 2014 mais das pessoas sem que elas percebam. Assim, doenças emocionais, como depressão, síndrome do pânico e toques são os mais frequentes, justamente pelo fato de muitas pessoas não saberem quem são, onde estão e para onde vão! Algo que deveria ser claro dentro de cada um de nós. Que tal passar um tempo cuidando disso todos os dias? Meditar, praticar ioga ou até mesmo tirar um tempo para refletir sobre a vida são maneiras de cuidar dessa saúde. Quanto à saúde intelectual, aquela onde o sujeito está com excesso de cansaço, preguiça, falta de concentração e escassez de ideias; percebo como professora acadêmica, que ao mesmo tempo em que temos uma grande oferta de cursos profissionalizantes, superiores e livres, ainda são poucas as pessoas que realmente gostam de aprender! Aprender, estudar, conhecer e reconhecer temas, assuntos gerais ou específicos e principalmente refletir sobre eles. Acredito que muitas não aprenderam a refletir, e isso pode não ser culpa delas, mas sim do sistema, governo, mídia, etc. O problema é quando se reconhece a falta do conhecimento e não o busca! O habito de leitura, por exemplo, ainda é baixo na maioria dos países. O nível de escolaridade também. A educação e reflexão sobre temas e produtos midiáticos não é ativa. Ou seja, as pessoas parecem, na maioria das vezes ter preguiça de pensar, e parecem associar estudo, leitura, conhecimento a chatice! Eis uma saúde descuidada em muitos países ainda. Para reequilibrar essa área bastaria se manter informado por vontade própria: praticar uma boa leitura, buscar por coisas novas que deem motivação e estímulo; ter tempo e vontade de refletir sobre as coisas que nos rodeiam! - Quando você veio para Montevidéu pela primeira vez, com que cidade você esperava encontrar e com que você se encontrou realmente? - Confesso que minha primeira vez em Montevideo foi surpreendente. Não esperava tanto quanto vi e senti! Na época, mais ou menos há 4 anos, a imagem que se tinha do Uruguai no Brasil era uma, hoje percebo que é outra. Em pouco tempo a curiosidade pela cultura uruguaia cresceu. Quando me deparei com a arquitetura e o charme da mistura da cidade velha, por exemplo, senti-me em casa! A cidade tem muitos símbolos e gosto disso! Vejo que ela tem muitas histórias pra contar e aos poucos, conhecendo cada parte da cidade, sentindo cada cheiro, cada textura, ouvindo cada voz, cada cor, pude entender porque me sinto tão bem por ali! Cada pedacinho de simbologia e história reveladas. - Que você gostaria que o Uruguai tivesse do Brasil e vice-versa? - Hum... (risos)... Queria o charme da arquitetura da Cidade Velha no Brasil e o clima quente e tropical do Brasil no Uruguai! Mistura perfeita.
  4. 4. 43 – agosto 2014 Ao pé da letra Como uma onda (Zen-surfismo) processo de composição da dupla Lulu Santos e Nelson Motta é marcado por uma peculiaridade: os dois nunca se encontraram para fazer canções. Nelson não gostava, preferia que o parceiro gravasse suas novidades em uma fita cassete para depois, sozinho, ir engendrando versos que se conformassem aos contornos melódicos e as dimensões harmônicas da música. Aos 38 anos, Nelson Motta vivia, segundo o próprio relato, o paraíso e o inferno na terra por ser dono da histórica casa de shows Noites Cariocas, no morro da Urca, no Rio de Janeiro. Em meio aos excessos da geração yuppie, o jornalista e produtor musical buscava equilíbrio espiritual, um contraponto ao hedonismo que seduzia os frequentadores do Posto 9, trecho mais cult da praia de Ipanema. Imerso em livros de Jorge Luis Borges e em textos sobre zen-budismo, Nelson fez a letra inspirado no poema O Dia da Criação, de Vinicius de Moraes. A música também tinha características que a distanciavam do que vinham fazendo Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso e outros protagonistas daquela geração do pop-rock nacional. Lulu, que havia despontado como grande revelação do gênero após seu primeiro LP, enveredava por uma musicalidade mais influenciada pela tradição brasileira, um estilo definido por Nelson Motta como “bolero-havaiano-pop”. Para o lançamento do segundo disco, O Ritmo do Momento, a gravadora WEA-Warner queria que a música de trabalho fosse Adivinha o quê, mas Lulu insistiu em Como uma Onda como a faixa que deveria capitanear o álbum, contra a resistência geral, inclusive do produtor Liminha, que achava a canção “muito Roberto Carlos”. Lulu passou uma semana ouvindo rádio para acompanhar a execução da canção na qual apostava. Deitado na cama e girando o dial, escutou Como uma Onda tocar oito vezes em apenas três horas. Era o ponto de partida para a carreira de uma canção que alcançaria a marca de 3 milhões de cópias. Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa Tudo sempre passará A vida vem em ondas Como um mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente Viu há um segundo Tudo muda o tempo todo No mundo Não adianta fugir Nem mentir Pra si mesmo agora Há tanta vida lá fora Aqui dentro sempre Como uma onda no mar Discos onde ouvir Lulu Santos – O Ritmo do Momento (1983) Leila Pinheiro – Coisas do Brasil (1993) Wanda Sá & Roberto Menescal – Eu e a Música (1995) Caetano Veloso – Noites do Norte Ao Vivo (2001) O
  5. 5. # 43 – agosto 2014 Sem papas na língua O legado de João Ubaldo Ribeiro escritor João Ubaldo Ribeiro, que nasceu em Itaparica (BA) em 1941 e faleceu no último dia 18 de julho no Rio de Janeiro, além de romancista e cronista, foi advogado (embora nunca tenha chegado a advogar), jornalista, roteirista, professor e mestre em Administração Pública e Ciência Política. Era o 7º ocupante da cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras (ABL) e, em 2008, recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa, pelo “alto nível de sua obra literária, especialmente densa das culturas portuguesa, africanas e dos habitantes originais do Brasil”. Publicado em 1968, com prefácio do colega Glauber Rocha e apadrinhamento de Jorge Amado, o primeiro romance Setembro não tem sentido se passa durante as comemorações do Sete de Setembro, contando duas histórias em paralelo: a do beberrão Tristão e a do jornalista aposentado Orlando, um homem amargo que vai perdendo a sanidade. Como pano de fundo, Ubaldo abordou as tensões políticas do início dos anos 1960. Lançado em 1971, Sargento Getúlio deu a João Ubaldo prestígio e popularidade. O livro, inspirado em histórias que o pai do autor lhe contava quando garoto, ganhou o Prêmio Jabuti de 1972 na categoria revelação. Ele narra em primeira pessoa a história de um homem de confiança de um coronel de Sergipe, que recebe uma missão e faz de tudo para cumpri-la. A narrativa está centrada num monólogo, quebrado por alguns diálogos, do sargento da polícia militar de Sergipe, Getúlio Santos Bezerra. Ele recebera, como última incumbência antes da aposentadoria, a ordem de prender um adversário de um importante chefe político e levá-lo de Paulo Afonso para Aracaju. Inicialmente, o monólogo se dirige ao prisioneiro, mas em seguida torna-se monólogo interior e, mais tarde, fluxo de consciência de Getúlio, que expõe não apenas os acontecimentos presentes, mas também seu passado, suas impressões e fantasias de macho. Outras técnicas sofisticadas utilizadas pelo autor são a não- linearidade temporal dos episódios, o emprego de redundâncias, neologismos, regionalismos, frases incompletas e retorcidas que buscam reproduzir a linguagem oral, além de elementos da sátira menipeia e do dialogismo. Assim, apesar do enredo dessa obra ser simples, trata-se de leitura sutil e complexa. Em 1983, foi adaptado para o cinema, pelo diretor Hermano Penna, com Lima Duarte no papel de Getúlio. Abordando os conflitos rurais e a miséria do sertão nordestino, Vila Real foi lançado por João Ubaldo em 1979: o livro trata da luta de camponeses contra uma empresa mineradora que tenta os expulsar de suas terras. Provavelmente o romance mais conhecido de João Ubaldo e um dos mais celebrados da literatura brasileira, Viva o povo brasileiro foi lançado em 1984 e ganhou os prêmios Jabuti e Golfinho de Ouro. O livro é uma saga que recria os séculos da história do país a partir de personagens populares, anônimos que percorrem a narrativa do escritor. Apesar de o título aludir a uma exaltação do povo brasileiro o livro conta a trajetória do Brasil de forma crítico-satírica com muitos momentos de comicidade e escracho. Com personagens negros e índios, portugueses e holandeses, cada acontecimento do romance O
  6. 6. # 43 – agosto 2014 representa um fato, situação ou modo de agir que contribuiu para a construção da identidade brasileira. A miscigenação baseada no estupro, a crueldade com os escravos e a consequente mentalidade casa- grande senzala que se enraizou nas elites brasileiras, a luta do povo negro pela sua libertação e sobrevivência, a hipocrisia, a devassidão e o jeitinho brasileiro são temas retratados de forma fidedigna na trama. Como ocorreu com vários livros de João Ubaldo, a tradução para o inglês foi feita pelo próprio autor. A obra foi escolhida como samba-enredo da escola Império da Tijuca para o Carnaval do Rio de Janeiro de 1987. Lançado em 1989, O sorriso do lagarto parte de um crime para tratar de romance, corrupção, ambição, misticismo e até mesmo experiências genéticas que criariam uma raça híbrida entre o homem e o lagarto. Pelo grande sucesso alcançado com os leitores, foi adaptado por Walter Negrão para uma minissérie da TV Globo em 1991, que protagonizaram Tony Ramos, Maitê Proença e José Lewgoy. Criada pela imaginação de João Ubaldo, a Ilha do Pavão fica na costa da Bahia e serve como um microcosmo da sociedade brasileira no período colonial: sua população é formada por índios produtores de cachaça, brancos traficantes de escravos e um quilombo com ares de tirania. O feitiço da Ilha do Pavão foi lançado em 1997. Em 1999 juntamente com Cacá Diegues, escreveu o roteiro de Deus é Brasileiro, em cima de seu conto O santo que não acreditava em Deus. Cansado de tantos erros cometidos pela humanidade, Deus (Antônio Fagundes) resolve tirar umas férias dela, decidindo ir descansar em alguma estrela distante. Para tanto precisa encontrar um substituto para ficar em seu lugar enquanto estiver fora. Deus resolve então procurá-lo no Brasil, país tão religioso que ainda não tem um santo seu reconhecido oficialmente. Seu guia em sua busca é Taoca (Wagner Moura), um esperto pescador que vê em seu encontro com Deus sua grande chance de se livrar dos problemas pessoais. Juntos eles rodarão o Brasil em busca do substituto ideal. O filme, dirigido por Diegues, foi lançado em 2003. Escrito sob encomenda para a coleção "Plenos pecados", da Editora Objetiva, em que cada autor teve que se debruçar sobre um pecado original, João Ubaldo Ribeiro escolheu um que sempre percorreu sua obra: a luxúria. A Casa dos Budas Ditosos, lançado em 1999, narra as memórias de uma baiana de 68 anos, um tanto devassa e misteriosa, falando de sua própria vida, e de como jamais se furtou a viver -com todo o prazer e sem respingos de culpa- as infinitas possibilidades do sexo. Foi adaptado para o teatro por Domingos de Oliveira em 2004, em forma de monólogo e encenado por Fernanda Torres. Miséria e grandeza do amor de Benedita foi lançado em 2000, como o primeiro e-book brasileiro: o livro permaneceu durante cinco meses disponível apenas na internet e só depois foi publicado em papel. O romance conta a história de um Don Juan nordestino, um homem conquistador com filhos bastardos espalhados pela região, e de sua mulher, a compreensiva Benedita. Narrado em primeira pessoa por um ex-padre exilado numa ilha, que a todo tempo dialoga e prova o leitor, Diário do farol aborda a maldade extrema: com direito a perversões familiares e torturas durante a ditadura. O livro foi lançado em 2002. Publicado em 2009, O albatroz azul narra a história de um homem muito velho que busca algum sentido na vida. Trata-se de uma abordagem de João Ubaldo Ribeiro sobre a velhice. "Ele não vinha sempre, mas quando vinha era uma festa, com aquela voz de barítono, aquela alegria. Ubaldo era um escritor voltado para o povo brasileiro, a realidade brasileira, com a justiça social”, diz Domício Proença Filho, professor e secretário geral da ABL, lamentando no dia de sua morte. “Tinha personagens que retratavam bem essa realidade. Tenho certeza que Zecamunista deve estar muito triste hoje."
  7. 7. # 43 – agosto 2014 Telas e telinhas Vale a pena abrir mão de tudo por um amor? streou nas telinhas uruguaias Amor à Vida (Teledoce, de segunda a quinta- feira, às 21:15h), dirigida por Mauro Mendonça Filho. A trama trata dos irmãos Félix (Mateus Solano) e Paloma (Paola Oliveira), que vão disputar a herança do pai, César Khoury (Antônio Fagundes), dono do hospital San Magno, em São Paulo. Com esse objetivo, Félix não medirá esforços pra tentar tirar sua irmã do caminho. César é quem rege as regras no hospital. Clínico geral e casado com Pilar (Susana Vieira) desde os tempos de faculdade, procura sempre na filha o seu sucesso na vida. Parece que ele projeta seu próprio futuro nela. Já a matriarca morre de amores pelo filho mais velho, por quem o pai não tem tanto apreço. Félix é considerado a "ovelha-negra" da família por César e acaba ganhando uma superproteção exclusiva de Pilar. Incapaz de se formar como médico, Félix acabou enveredando pelos caminhos da administração para conseguir uma patente plausível para pôr em prática suas tramoias dentro do hospital. Frio e ambicioso, desvia dinheiro, se aproveita de informações privilegiadas e planeja sempre a execução de seu maior plano: tomar a frente dos negócios da família. O que ninguém sabe é que ele próprio vive um grande dilema: é homossexual não assumido. Casado com Edith (Bárbara Paz), tem um filho adolescente, Jonathan (Thalles Cabral). Durante uma viagem de família ao Peru, Paloma se apaixona pelo aventureiro Ninho (Juliano Cazarré), com quem acaba fugindo para se ver livre das pressões da família Khoury. Ela engravida, mas a relação dos dois desmorona. De volta ao Brasil, Paloma acaba dando à luz no banheiro de um bar do centro de São Paulo, com a ajuda de Márcia (Elizabeth Savalla), uma ex-chacrete que dedica sua vida a instruir a filha, Valdirene (Tatá Werneck), a encontrar um marido rico. Félix vai atrás da irmã e, ao encontrá-la desfalecida e sozinha após o parto, sequestra sua sobrinha sem piedade e joga a recém- E
  8. 8. # 42 – julho 2014 nascida numa caçamba de lixo. No mesmo instante, no Hospital San Magno, Bruno (Malvino Salvador) está arrasado por ter perdido a esposa grávida e seu filho no momento do parto. Abalado, ele anda desorientado pelas ruas até que escuta um choro de criança. Bruno acaba encontrando o bebê jogado no lixo por Félix e decide adotar a criança, comovido e fragilizado. Doze anos depois, Paloma e Bruno se conhecem ao acaso no hospital. Os dois se apaixonaram por conta de Paulinha (Klara Castanho), filha dele, que tem consultas periódicas com a pediatra, sem que ela saiba que a menina é sua cria. Uma forte ligação une os três, inexplicavelmente. No entanto, ao descobrir o paradeiro da filha e a identidade da menina, Paloma fará de tudo pra recuperá-la na justiça e assim baterá de frente com Bruno. O amor à vida colocará o casal em lados opostos, provocando uma disputa entre eles, à medida em que vão ruindo os segredos da família Khoury, na qual Félix é o principal personagem. A trama tem ainda outras famílias especiais. Como os Rodrigues, cujo patriarca é Amadeu (Genézio de Barros). Irmão de Pilar, ele é casado com Neide (Sandra Corveloni) e tem três filhos: Leila (Fernanda Machado), Daniel (Rodrigo Andrade) e Linda (Bruna Linzmeyer), que nasceu autista e mudou tudo nesta casa. Os Vianna, comandados por Ordália (Eliane Giardini) e Denizard (Fúlvio Stefanini) têm quatro filhos: Bruno, Gina (Carolina Casting), Carlito (Anderson di Rizzi) e Luciano (Lucas Romano). Honestos, eles dão duro para que, no final do mês, a curta renda esteja garantida. Eron (Marcello Antony) e Niko (Thiago Fragoso) vivem uma relação estável. Bem- sucedidos, eles formam um modelo familiar que se sustenta em pilares como o respeito e o afeto. Mas nem tudo é fácil para esses dois, especialmente porque eles pretendem dar um grande passo no relacionamento: ter um filho. Primeira novela de Walcyr Carrasco no horário das nove da Globo, o autor abordou barriga solidária, adoção, racismo, amor na terceira idade, incentivo à leitura, virgindade, bigamia, assédio moral, a questão palestinos x judeus, além de toda uma gama de doenças (lúpus, câncer, aids, autismo, alcoolismo etc.). Se a intenção era informar, didaticamente, até conseguiu a contento. Mas a maioria desses temas foi abordada de forma superficial, sem se aprofundar ou concluir. Mesmo com muitas críticas ao seu estilo narrativo ou à sua história -que pecou em várias incoerências-, Amor à Vida foi bem no Ibope e teve repercussão. Com ótimos ganchos, alguns capítulos-chave e sequências de impacto, o novelista conseguiu manter o interesse de seu público cativo por oito meses seguidos. Nunca a homossexualidade foi discutida de forma tão abrangente e clara dentro de um folhetim. Este, talvez, tenha sido o maior feito e contribuição de Amor à Vida. Se Carrasco tratou vários temas de interesse social de forma rasa, ao abordar a homossexualidade, através de Félix, o autor acertou em cheio e conseguiu levantar uma discussão importante. Um dos principais cenários da novela era o fictício hospital San Magno, da família Khoury, construído na cidade cenográfica no Projac. Ele reunia, além da recepção e salas dos médicos, uma entrada de emergência, o pátio de ambulâncias, lojas de conveniências, livraria, refeitório e floricultura. Na trama, o hospital estava localizado na Avenida Paulista. O hospital fictício foi construído no mesmo local onde foi construída a mansão da família Tufão da novela Avenida Brasil, e foi considerado o maior cenário já criado pela emissora até então. Eram 8 mil metros quadrados no total, o que equivalia a uma cidade cenográfica por si só. Por meio de computação gráfica, foram inseridos 30 andares.

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