Euripedes

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Euripedes

  1. 1. EURÍPEDES BARSANULFO ea PEDAGOGIA ESPÍRITA 1CICLO DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS www.pedagogiaespirita.org
  2. 2. PLANO DA OBRA1. Eurípedes Barsanulfo e a Pedagogia Espírita.2. Mensagem de Eurípedes Barsanulfo aos Evangelizadores - 1990 -médium Dr. Tomaz Novelino3. Vida e Obra de Eurípedes Barsanulfo4. Bibliografia e Sugestões de Leitura CICLO DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS www.pedagogiaespirita.org 1. ESTUDOS PEDAGÓGICOS E-Books (livros em PDF) - WebConferência ` Introdução: Eurípedes Barsanulfo e a Pedagogia Espírita Filosofia e História da Educaçao: Sócrates, Platão, Aristóteles, Comenius, Rousseau, Pestalozzi, Froebel, Decroly e outros. Psicologia de Educaçao - Piaget, Vygotsky, Luria, Wallon e outros Educação do Espírito - Modelo Pedagógico Espírita 2. ARTE E EDUCAÇÃO E-Books - Online com especialistas na área A importância da arte na educação do Espírito ` Música, dança, teatro, artes plásticas, literatura 3. PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EVANGELIZAÇÃO E-Books e outras atividades online - Webconferências ` Didática - Conteúdo e metodologia A educação do Espírito: criança, jovem adulto e desencarnado. A família na educaçaoCoordenadores: Walter Oliveira Alves - pedagogo, professor de psicologia da educação, filosofia da educação e didática. Juliana Hypólito Silva - professora de música. Daniela Pereira Soares - Professora, bailaria e coreógrafa. Enis Rissi. - Pedagoga, professora do ensino fundamental. Gustavo Lussari - Diretor Departamento de Artes - IDE Luiz André Silva - Coordenador Oficina Literatura - IDE. Equipe de educadores/evangelizadores de vários núcleos Espíritas do Brasil e dos Estados Unidos.Promoção: Revista Pedagógica Espírita - www.pedagogiaespirita.org Instituto de Difusão Espírita - www.ide.org.br
  3. 3. Eurípedes Barsanulfo e a Pedagogia Espírita Iniciamos nossos estudos pedagógicos com EurípedesBarsanulfo, por ser ele um dos mais destacados representan-tes, tanto de uma Pedagogia Espírita, quanto da prática pe-dagógica numa escola genuinamente espírita. O Colégio Allan Kardec É Corina Novelino quem nos fala de Eurípedes e do Colégio AllanKardec, na obra Eurípedes, o Homem e a Missão: “Na frontal da porta modesta, lia-se Liceu Sacramentano (...)Acrescentara, corajosamente, o ensino da Doutrina Espírita ao currículo,o que suscitara o descontentamento dos pais católicos. A maioria levou a Eurípedes a ameaça de retirar os filhos do Liceu,caso mantivesse o Professor a decisão de lecionar Espiritismo. - “Que retirem os filhos, mas a finalidade salvadora do aprendizadoespírita será mantida.” Um dia, porém, ele se entristecera profundamente. Achava-seabandonado quase, no vazio da sala de aulas. Pusera-se a chorar, nosilêncio de ardorosa prece. (...) Eis que uma força superior toma-lhe o braço e, mecanicamente,transmite pequena mensagem, mais ou menos nestes termos: ”Não feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denominação Liceu Sacramentano - que é um resquício do orgulho humano. Em substituição coloque o nome - Colégio Allan Kardec. Ensine o Evangelho de meu filho às quartas-feiras e institua um curso de Astronomia. Acobertarei o Colégio Allan Kardec sob o manto do meu Amor.” Maria, Serva do Senhor Assim, em 1907, Eurípedes Barsanulfo inaugurava o primeirocolégio genuinamente espírita do mundo com o nome de Colégio AllanKardec, sob a égide de Maria, a mãe de Jesus. O ensino da Doutrina Espírita era parte integrante do currículo daescola, ensinando o Evangelho de Jesus, e um curso de astronomia,conforme as recomendações de Maria. A verdade triunfava dopreconceito, do orgulho e do fanatismo religioso.
  4. 4. EURÍPEDES E A PEDAGOGIA ESPÍRITA Diante da coragem de Eurípedes de incluir o ensino da DoutrinaEspírita no currículo de sua escola é preciso rever o conceito de escolalaica e definir corretamente o que é Pedagogia Espírita. A proposta pedagógica de Eurípedes é essencialmente espírita,ou seja, totalmente embasada na Doutrina Espírita. A Doutrina Espírita, base, alicerce e fundamento da PedagogiaEspírita, possui três aspectos inseparáveis: científico, filosófico ereligioso. O Espiritismo é “obra do Cristo que o preside, como igualmenteanunciou, a regeneração que se opera, e prepara o reino de Deus sobrea Terra.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. I). O Planeta Terra passa, hoje, por momentos graves e grandestransformações, onde o homem é levado a rever seus valores. A necessidade leva o homem a buscar respostas a antigasperguntas, já esquecidas: - Quem sou, de onde vim, para onde vou? A Doutrina Espírita, como obra do Cristo, vem atender àsnecessidades humanas mais prementes, como um farol que ilumina emostra o caminho, sem tirar a responsabilidade do timoneiro. Mesmo diante de todo o respeito que deve existir em nossoscorações por toda e qualquer religião do Planeta, é preciso convir queJesus não criou nenhuma religião. Apenas aceitou o título de Mestre.Mestre é o que ensina, educa. Como Mestre, por excelência, ensinouverdades de caráter Universal, necessárias ao processo evolutivo doEspírito. Religião, para nós, é o que nos liga ou religa ao Criador. Nessesentido é necessário para elevar o ser da horizontalidade do mundomaterial para a verticalidade da vida espiritual, que pulula por todo oUniverso. É, nesse sentido, o aspecto mais elevado da educação. Hoje sabemos que Jesus é o Diretor Espiritual de nosso Planeta,o diretor de nossa Escola Planetária, nosso Mestre por excelência. Todo o conhecimento, seja científico, filosófico ou religioso, vieramdas esferas do Cristo, sob a supervisão dos Espíritos Superiores quecoordenam todo o processo evolutivo de nosso Planeta. Portanto, a Doutrina Espírita, e como consequência, a PedagogiaEspírita, é trabalho gigantesco de legiões imensas de trabalhadores deJesus, através de séculos de atividades em todo o nosso planeta. Dentreesses trabalhadores, ao lado de outros de elevado valor, figuraEurípedes Barsanulfo. Assim, pois, todo o conteúdo da Doutrina Espírita, tendo comoalicerce fundamental as obras de Kardec, cuja coluna mestra é O Livrodos Espíritos, conteúdo esse que se espalha por centenas de outrasobras, especialmente as recebidas por Francisco Candido Xavier, dentreoutros, - esse conteúdo deve ser ensinado, desde tenra idade, a todosos que buscam qualquer instituição que leva o nome de espírita.
  5. 5. Isso não é fazer proselitismo, como proclamam alguns, é transmitirverdades de caráter universal, tal qual fez Eurípedes Barsanulfo, noColégio Allan Kardec, sob a égide de Maria de Nazareth. O conteúdo presente nas obras Espíritas, a partir das obras deAllan Kardec, não é propriedade de uma Doutrina, mas verdade decaráter universal, necessário ao “conhecimento de si mesmo” e,portanto, ao progresso do Espírito. “Poderoso é o sol da verdade” afirma Eurípedes. Como já é previsto pelos Espíritos superiores, brevemente aciência comprovará a existência do Espírito, e, portanto, a imortalidadeda Alma, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação e a Lei deCausa e efeito, por ser ensinamentos verdadeiros. A Doutrina Espírita esta na Terra, como trabalho gigantesco demilhares de Espíritos, com o objetivo de auxiliar o progresso e a evoluçãohumana, especificamente, a entrada do homem num patamar evolutivode nível superior, o nível espiritual da vida. Assim, pois, toda Instituição que se intitula Espírita, seja umpequeno e humilde Centro Espírita ou uma escola, tem por dever como Cristo e os Espíritos superiores, espalhar essas verdades, tanto decaráter científico, filosófico e religioso. Assim o fez Eurípedes Barsanulfo no Colégio Allan Kardec, emSacramento, Minas Gerais. PEDAGOGIA ESPÍRITA E INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS Não restam dúvidas que o Espiritismo é um fato histórico marcandouma época de transição e, na linguagem dos Espíritos, a entrada naEra do Espírito. Também percebemos que a Pedagogia Espírita esta entranhadanas obras espíritas e representada nos Centros e Instituições Espíritas. Se o Espiritismo é obra do Cristo, sendo a Terra nosso planeta-escola, o Centro Espírita, seja humilde casa de quatro paredes ouenorme instituição de vários departamentos, representa uma escola doEspírito, a esclarecer a razão e iluminar o coração de quantos chegamàs suas portas. A própria estrutura das casas Espíritas, com as falhas naturais detodo processo educacional em evolução, contribui para uma educaçãovoltada para todos, em todas as idades e fases evolutivas. Com seusetor de infância e juventude até os cursos e grupos de estudos,atendimento fraterno, assistência espiritual, reuniões mediúnicas,assistência social, departamentos de artes, corresponde a uma escolaativa, onde os alunos, que somos todos nós, aprendem ativamente,estudando e trabalhando, agindo, participando ativamente de váriosmódulos educacionais.
  6. 6. A escola de Eurípedes Barsanulfo foi um modelo desse dinamismotodo, como veremos nos próximos itens. Utilizava da arte, especialmentedo teatro, do trabalho de assistência, inclusive a enfermos. Utilizavaabertamente de seu potencial mediúnico, recebendo publicamentemensagens e elevadas lições de Espíritos superiores, após as aulasde quarta-feira. Os alunos utilizavam O Livro dos Espíritos e OEvangelho Segundo o Espiritismo em seus estudos às quartas-feiras.Os maiores chegavam a assistir as reuniões mediúnicas no GrupoEspírita, conforme afirma Corina Novelino na obra Eurípedes, o Homeme a Missão. A PEDAGOGIA ESPÍRITA ESTÁ PRESENTE NO MOVIMENTO DE EVANGELIZAÇÃO INFANTO-JUVENIL O movimento de evangelização infanto juvenil, independente donome que utilize, representa os primeiros passos da Pedagogia Espíritaque cresce em teoria e prática. As mocidades e grupos de música,dança, teatro e todas as demais artes, são formas de operacionalizar aprópria Pedagogia Espírita. Isso é um fato histórico inegável. Podemos, pois, afirmar com segurança que o movimento deInfância e Juventude é parte integrante da Pedagogia Espírita. Afirmaro contrário seria tentar mutilar este movimento gigantesco que ocorreem todo o Brasil e em vários outros países do mundo. O movimento de educação da criança e do jovem, nas casasEspíritas, bem como os grupos de artes em geral, ai estão com o avaldos Espíritos Superiores. O movimento de evangelização da infância teve início porinspiração do próprio Jesus a Ignácio de Antioquia no ano 75, emApollônia Pôntica, sendo Blandina (conhecida atualmente como Meimei)uma das primeiras evangelizadoras, conforme relatado na obra Ignáciode Antioquia, de Theophorus, psicografado por Geraldo Lemos Neto. Eurípedes Barsanulfo tem sido o grande inspirador destemovimento, em terras brasileiras, atualmente. A prova disso, dentreoutras, está na mensagem de Eurípedes Barsanulfo, transcrita naspróximas páginas, recebida em reunião de evangelizadores realizadaem Sacramento, no mesmo prédio do antigo Colégio Allan Kardec,através do médium Dr. Tomas Novelino, ex-aluno de Eurípedes. O leitor amigo, ao ler a mensagem, perceberá a importância destemovimento, principalmente neste momento evolutivo que vivemos. Na mensagem endereçada aos evangelizadores, Eurípedes afir-ma que Espíritos ligados ao Cristo se preparam para descer ao planoterreno. Ao mesmo tempo afirma: “sejais habilitados nesta tarefa que vósmesmos vos propondes, de desenvolver os trabalhos do esclarecimentoda verdade espiritual do Evangelho do Cristo em todos os corações”.
  7. 7. O movimento de evangelização infanto-juvenil, ou evangelizaçãodo Espírito ou ainda Educação do Espírito, é obra eminentementeeducativa, e corresponde a uma educação de nível superior que auxiliao processo de evolução do Espírito, despertando as qualidades superi-ores que permanecem ainda adormecidas. Essa educação desperta o imenso potencial interior que traze-mos, como filhos e herdeiros de Deus, o Reino interior. Através do co-nhecimento superior esclarece a razão com a verdade de nós mes-mos, como seres espirituais que somos. Através das atividades decooperaçao, prática da caridade e amor ao próximo, bem como atra-vés das atividades artísticas, eleva nosso padrão vibratório, nos per-mitindo sintonizar com vibrações sutis que emanam de mentes superi-ores que se espalham pelo Universo de Deus. Assim, pois, a educação do Espírito, está em perfeita sintoniacom Pestalozzi que define educação como sendo “o desenvolvimentogradual e progressivo de todas as qualidades interiores do ser...” É natural e compreensível que o movimento da Infância e Juven-tude tenha falhas, seja de natureza teórica quanto prática. Mas isso sódemonstra o quanto ainda temos que trabalhar em função de uma Pe-dagogia Espírita, começando pelos milhares de núcleos espíritas es-palhados por todo mundo. São, sem dúvida, sementes lançadas peloMundo Maior, a germinar num futuro quiçá não muito distante. Se tens dúvida quanto a isso, irmão querido, leia a mensagem deEurípedes Barsanulfo, transcrita nas próximas páginas e, vamos “arre-gaçar as mangas” nos dar as mãos e cooperar com Jesus e seusprepostos na imensa obra de regeneração de todo o nosso Planeta. A partir desta mensagem, iniciou-se o chamado movimento deEvangelização do Espírito, sob forte inspiração de Eurípedes. Anos depois, por sugestão de amigos espirituais, denominamosEducação do Espírito à obra de mesmo nome, lançada dentro dosparâmetros da proposta. A educação do Espírito corresponde à edu-cação integral do ser, avançando ao seu aspecto espiritual, compreen-dendo que todos somos, em essência, Espíritos em evolução, filhos eherdeiros de Deus, dotados do germe da perfeição, ou seja, de umpotencial elevado a ser desenvolvido, em todos os seus aspectos.
  8. 8. O QUE É PEDAGOGIA ESPÍRITA Assim, podemos afirmar com segurança, que a Pedagogia Espí-rita corresponde a um movimento imenso onde milhares de Espíritossuperiores, nas mais diversas épocas da humanidade, colaboram paraa sua concretização. Corresponde à elevação do processo pedagógico ao seu nívelespiritual, compreendendo a criança como Espírito imortal, “serperfectível e que traz em si o gérmen do seu aperfeiçoamento”, emprocesso evolutivo de desenvolvimento de suas qualidades superio-res. Corresponde ao projeto do Cristo, referente à construção do Rei-no de Deus na Terra, que se inicia no íntimo de cada um. Corresponde ao fruto do trabalho gigantesco de milhares de Es-píritos, sob a égide de Jesus, diretor espiritual de nosso Planeta, den-tre eles destacando-se Sócrates, Platão, Aristóteles, Comenius,Rousseau, Pestalozzi, Kardec, Decroly, Freinet e tantos outros pensa-dores que, nas mais diversas áreas da cultura humana, contribuírampara esse momento evolutivo de nosso Planeta Terra. Continua, em sua última etapa, presente nas casas Espíritas, nosmovimentos de educação do Espírito, da criança, do jovem, do adulto,nos grupos de artes que crescem e se espalham por toda parte, noatendimento aos nossos irmãos que necessitam, enfim, na prática doamor ao próximo, porque, essencialmente, a pedagogia Espírita é apedagogia do amor em ação, construindo a mente superior do ser quepensa, sente e age com amor. E todos aqueles que trabalham, em prol desse movimento gigan-tesco, nos seus mais variados setores, são, historicamente falando,participantes desta pedagogia do amor, que se desenvolve em teoria eprincipalmente na prática superior, atendendo ao apelo dos Espíritossuperiores: “Espíritas! Amai-vos e instruí-vos” A grande obra de Jesus, da construção do reino dos Céus, quese inicia dentro de cada um de nós segue em frente. Sigamos, pois, nós outros, com Jesus, com Eurípedes e com essalegião de Espíritos que estão por toda parte, disseminando as verda-des de caráter universal que representa o conteúdo intelecto-moral quedeverá atingir todas as áreas da cultura humana, seja na educação, namedicina, na sociologia, e principalmente, no coração humano, quepassara a vibrar em maior sintonia com o Pai e com os trabalhadoresda Seara Divina.
  9. 9. “Então, o que é Pedagogia Espírita? - É a ciência e arte da educação, o processo através do qual sedesenvolve o “germe” da perfeição no íntimo de cada um, Espíritos imortaisque somos, filhos e herdeiros de Deus. É o desenvolvimento gradual eprogressivo das potências da alma, através do exercício do amor e do“conhecimento de si mesmo” que faz germinar essa essência Divina e daros frutos do amor e da sabedoria. - É o retorno do amor e da verdade Universal ao cenário pedagógicoda humanidade através da coragem de expressar essa verdade sempreconceitos, sem meias verdades, como o fez Eurípedes Barsanulfo. O conhecimento da verdade universal é indispensável aoconhecimento de si mesmo e, portanto, ao desenvolvimento das qualidadesinteriores da alma, das potências do Espírito. Na verdade, não existem duas pedagogias. O que chamamos de Pe-dagogia Espírita, representa pois, a Pedagogia por excelência, iluminadapelos conhecimentos que a Doutrina Espírita nos oferece hoje. Suas raízesremontam aos primórdios da Humanidade e possui, em sua retaguarda,milhares de Espíritos, trabalhadores do Cristo, na iluminação intelectual emoral do Planeta. A Pedagogia Espírita esta presente hoje na mente e nos coraçõesdos educadores que enfrentam todos os preconceitos por amor à verdade,independente do título de professor, mestre ou doutor, que são resquíciosda vaidade humana. Esta presente nos jovens e adultos que labutam naevangelização infanto-juvenil, que palestram nas casas Espíritas, queparticipam nos grupos de estudos, nas atividades assistenciais exercitandoe exemplificando o amor ao próximo. Esta presente no jovem que atua noteatro, que canta e dança fazendo da arte sublime escada de elevação doEspírito. A Casa Espírita representa hoje a Escola Espírita em toda a suasimplicidade, beleza e dinamismo espiritual, vivendo o amor, iluminando ocoração e a mente das crianças, dos jovens, dos adultos e mesmo do Espíritodesencarnado, pois somos todos, em essência, Espíritos em evolução. Não existe educação em seu significado profundo, sem o exercíciodo amor e sem o conhecimento de si mesmo, ou seja, sem que o educandose reconheça como Espírito imortal, filho de Deus, dotado do germe daperfeição, sujeito às leis de causa e efeito e, portanto, responsável pelosseus pensamentos e atos, a nascer e renascer num aperfeiçoamentogradual, mas contínuo, rumo à perfeição. Não existe escola espírita, se não incluir em seu currículo esseconhecimento libertador da verdade espiritual de nossas vidas, dessaverdade Universal contida na Doutrina Espírita, como o fez EurípedesBarsanulfo. Auxiliar o Espírito com a verdade absoluta de nossa existênciaespiritual é nossa tarefa prioritária. É nosso compromisso com Jesus, com Kardec, com Eurípedes e comnossa própria consciência. “ (Revista Pedagógica Espírita, jan/fev/2008.)
  10. 10. Mensagem de Eurípedes Barsanulfo aos evangelizadores A paz seja com todos aqui reunidos, nesta hora tão propícia, em que temos o ensejo de dirigir, de maneira direta, a nossa palavra aos nossos queridos amigos. Oh! Que alegria, que prazer, que contentamento imenso expe- rimentamos por esta situação feliz! Amigos queridos, familiares, companheiros em crença, aqui estamos presentes para vos dar as boas-vindas, para vos aconche- gar ao nosso coração, num gesto de carinho, de amizade e de amor. Sim, amigos, fomos testemunhas do conclave que hoje realizastes; sabei que está chegando a hora do preparo para a re- cepção dos prepostos da Espiritualidade, que vêm descer ao plano terreno, no desempenho de tarefas nas lides do Espírito de Verdade. Estai a postos, amigos; desenvolvei por toda parte, à luz da Doutrina, essas instruções às crianças, aos moços, aos homens, a fim de que as hostes do Senhor desçam ao plano terreno num ambi- ente onde possam receber instruções, luzes e conhecimento para o preparo de sua tarefa, da sua responsabilidade e até da sua missão na Terra! Eia, pois, amigos! Nada de desânimo, nada de receios; aqui estamos todos presentes. Sabei que a falange do Bem está ativa no mundo espiritual, neste anseio de que mui próximo possa dar-se esta descida de Espíritos prepostos, sob a égide do Cristo na dire- ção deste trabalho de reestruturação, de transformação e de reno- vação das inteligências. Alistai-vos, amigos de bom coração! Alistai-vos na Doutrina; vivei em fraternidade; abri os vossos corações à dor, à necessidade do seu semelhante. Orai ao Pai com fervor, quotidianamente, for- mando ambiente de serenidade, de união e fraternidade. E, com o pensamento preso à figura sacrossanta do Cristo, sejais habilitados nesta tarefa que vós mesmos vos propondes, de desenvolver os tra- balhos do esclarecimento da verdade espiritual do Evangelho do Cris- to em todos os corações. Agradecido. Mil vezes agradecido pelos pensamentos fervoro- sos dirigidos à nossa direção. Que a paz do Mestre amado seja em todos os corações! Eurípedes Barsanulfo. Mensagem recebida pelo Dr. Tomás Novelino, ex-aluno deEurípedes, em 28 de janeiro de 1990, durante a realizaçao de uma reuniãode evangelizadores, na cidade de Sacramento-MG, na qual o Dr. Tomástomou parte ativa, proferindo uma maravilhosa palestra exaltando a impor-tância do trabalho da Evangelização. Mais de duas centenas de participantes estiveram presentes na reuniãoe na recepçao da mensagem.
  11. 11. VIDA E OBRA DE EURÍPEDES BARSANULFO Por intermédio de diversas obras, citadas à frente, ficamos sa-bendo de váriass encarnações anteriores de Eurípedes Barsanulfo. No livro A Grande Espera, de Eurípedes Barsanulfo, psicografiade Corina Novelino, ed. IDE, consta que ele viveu na época de Je-sus, como o jovem Marcos, num povoado essênio, ao sul da Pales-tina, tendo, nesta ocasião, se encontrado com Jesus ainda naadolescencia. Chico Xavier relatou que os personagens do livro A GrandeEspera são: Lisandro, o Dr. Bezerra de Menezes, o jovem Marco,Eurípedes Barsanulfo e Josafá seria Cairbar Schutel. Os essênios, segundo se sabe, correspondem a uma seita ju-dia fundada, provavelmente, 150 anos antes de Jesus. Segundo opróprio O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, eles “dis-tinguiam-se pelos costumes brandos e por austeras virtudes, ensi-navam o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acre-ditavam na ressurreição. Viviam em celibato, condenavam a escra-vidão e a guerra, punham em comunhão os seus bens e se entrega-vam à agricultura.” Assemelhavam-se muito com os primeiros cris-tãos, o que justifica a elevação intelectual e moral de Eurípedes. No romance Ave Cristo, ditado por Emmanuel ao médium Fran-cisco Cândido Xavier, Eurípedes aparece na figura de Rufus, umescravo que, no século II, na cidade de Lyon, deu um tremendo tes-temunho de fé, quando optou por morrer e ver sua esposa e filhosvendidos a um mercador de escravos, a negar sua fé e confiançaem Jesus. Corina Novelino, na obra Eurípedes, O Espírito e oCompromisso, nos informa também, que Eurípedes teria sido umdos colaboradoradores de Francisco de Assis, na regiáo da Umbria,na Itália, e nao o próprio Francisco, como afirmam alguns autores. Na obra Tormentos da Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, temos a informação que Eurípedes, em anterior encarnação nasceu em Zurique, no ano de 1741, com o nome de Johann Kaspar Lavater, tendo sido amigo pessoal de Pestalozzi quando frequentaram a Sociedade Helvética. Lavater foi filósofo, poeta e teólogo suiço, entusiasta do magnetismo animal.
  12. 12. PEQUENA BIOGRAFIA DE EURÍPEDES BARSANULFO Eurípedes Barsanulfo nasceu em 1o de maio de 1880, em Sa-cramento, Minas Gerais. Terceiro filho de Hermógenes Ernesto deAraújo, também conhecido como Mogico, e de Jerônima Pereira deAlmeida, também chamada de Meca. O casal Mogico e Meca tive-ram treze filhos. A infância de Eurípedes e seus irmãos foi dificil, sempre en-frentando grandes dificuldades financeiras. "Meca apegara-se muito ao caçula, talvez por ser franzino.Quantas vezes não teria ela ido aos extremos do sacrifício para ga-rantir a sobrevivência do filho querido? "A situação financeira da família não progredira. As lutas conti-nuavam. Eurípedes crescia mal nutrido e, conseqüentemente,enfermiço. A alimentação ordinária da família era deficiente. Houveum tempo em que Mariquinhas buscava no quintal folhas de "ora-pro-nobis", que cozia em água e sal para os irmãos". (Eurípedes, oHomem e a Missão - Corina novelino) Meca sofria, desde o nascimento da primogênita MariaNeomísia, de insidiosas crises que a atormentariam por muitos anos.
  13. 13. Avenida Municipal, na década de 1920, hoje Benedito Valadares. Ve-se o postoda Texaco, a revendedora Chevrolet, o casarão onde funcionou o LiceuSacramentano, a estreita ponte sobre o ribeirão Borá e, no alto da colina, a Igrejado Rosário. (Foto de João Bianchi) Os primeiros estudos Fez seus primeiros estudos na escola primária do Sr. JoaquimVaz de Melo Júnior, conhecido por Tatinho Em 1889 instala-se na cidade o Colégio Miranda, dirigido peloprof. João Derwil de Miranda, que mais tarde, teria colaborado comEurípedes no Liceu Sacramentano. No Colégio Miranda foi encaminhado à classe adiantada, cor-respondente ao ginário, assumindo muitas vezes a função de monitore assistente dos professores, iniciando suas primeiras atividadespedagógicas. Eurípedes permaneceu no Colégio Miranda até 1901. No iníciode 1902 o pai o leva para o Rio de Janeiro, com o objetivo de conse-guir matrícula numa escola de medicina e, também, conseguir umemprego para Eurípedes. Conseguiram a matrícula na Escola de Medicina da Marinha eretornaram após vinte dias de permanência no Rio. No entanto, às vésperas de sua partida, Meca teve uma dascrises que sempre preocupava a todos. Eurípedes e seus irmãoscorrem ao encontro da mãe, sentindo que seu sofrimento e tristezatinha por motivo a separação próxima. Meca, sempre muito sensí-vel, não resistiria a um choque emocional. Eurípedes desfaz as malas desistindo da faculdade.
  14. 14. Foto de Sacramento no início dos anos 30. (Foto de João Bianchi) Eurípedes auto-didata. Eurípedes Barsanulfo não possuia curso superior. Era auto-didata. Lia havidamente sobre os mais diversos assuntos. As leituras acordavam em seu íntimo o Espírito culto e nobreque era. Anos antes lera com grande interesse os livros sobre as-suntos médicos do Dr. Onofre Ribeiro que passara uma temporadacomo hóspede da família Mogico. Seu objetivo era a cura de suamãe. Foi um dos fundadores do Grêmio Dramático de Sacramento(com doze ou treze anos), participando como protagonista de diver-sas peças teatrais. Foi também co-fundador da Gazeta de Sacra-mento, o primeiro jornal da cidade. Estudou homeopatia nos livros de um amigo de nome Ormênio,no início, procurando na homeopatia a cura para sua mãe. "Graças à sua inteligência privilegiada e ao seu próprio esfor-ço, chegou a possuir tal cultura, que os seus biógrafos a consideramverdadeirametne assombrosa. Tinha profundos e largos conhecimen-tos de Medicina e Direito. Dissertava sobre astronomia, filosofia,matemática, ciências físicas e naturais, literatura, com a mais extra-ordinária segurança, sem possuir nenhum diploma de escola superi-or." (Grandes Espíritas do Brasil - Zêus Wantuil) A famácia homeopática Após seus estudos e anotações dos livros de Ormênio, com ospróprios recursos, criou uma pequena Farmácia Homeopática, que
  15. 15. atendia prioritariamente aos necessitados da periferia da cidade, semdeixar de atender a qualquer pessoa que o procurasse. Todas as manhãs saia para os recantos mais afastados da ci-dade, atendendo dedicadamente aos necessitados. O jovem Eurípedes adquiria a confiança e admiração de todos,tornando-se a Providência dos sofredores. Pouco a pouco, revela-va-se o profundo amor pelos semelhantes que vibrava na alma po-derosa e nobre deste jovem. Eurípedes trabalhava, nesta ocasião, na casa comercial do pai,auxiliando no balcão e efetuando a escrituração do movimento co-mercial, mas encontrava tempo para as leituras e o trabalho de as-sistência aos necessitados. O Liceu Sacramentano Em 31 de janeiro de 1902, por iniciativa do jovem EurípedesBarsanulfo, então com 22 anos, era fundado o Liceu Sacramentano.Eurípedes cercou-se de competente equipe para compor o quadrode sócios da nova entidade educacional. O jovem professor do Liceu, mesmo antes de conhecer a Dou-trina Espírita, já revelava seu profundo amor pela educação e pelosemelhante. Guiando-se pela sabedoria inata que revelava, condu-zia o Liceu para uma educação sem par, na época. Com o salário que recebia por seus serviços na casa comercialdo pai garantia seu sustento pessoal bem como os recursos quedestinava aos serviços assistenciais, não retirava, para si, recursosda escola. Inspirados no próprio professor, os alunos criaram um serviçode assistência, a Sociedade dos Amiguinhos dos Pobres, que pro-movia leilões com prendas doadas, aplicando a renda na assistên-cia com gêneros alimentícios, agasalhos e enterros de indigentes. * Em pouco tempo a fama do Liceu atingia outras cidades, queenviaram seus filhos para estudar em Sacramento.Eurípedes espírita No inicio de 1903, Mariano da Cunha, o tio Sinhô, de SantaMaria, visita a família de Eurípedes, como o fazia periodicamente.Por ocasião dessas visitas, o hospede ficava no quarto de Eurípedes,que travava longos debates com o tio, a respeito das sessões espí-rita que ocorriam em Santa Maria. Tio Sinhô, irmão de Meca, era médium e participava das ses-sões realizadas na fazenda Santa Maria, localizada a quatorze lé-guas de Sacramento, onde residiam alguns familiares de Eurípedes.Santa Maria, na verdade, era um "foco de médiuns".
  16. 16. Mariano da Cunha nunca encontrava argumentos contra Eurípedes,que aspirava anular aquelas idéias do Tio. Não entendia como pes-soas tão honestas e equilibradas empenhavam-se tanto na difusãodaquela "Doutrina do demônio". Neste dia, porém, Tio Sinhô viera preparado. Trouxera um livroque entrega a Eurípedes dizendo: "- O que não posso explicar a você, este livro vai fazer, emparte, por mim. Eurípedes tomou o volume e abriu-o na primeira página. Era atocante dedicatória do autor - o filósofo francês Léon Denis - paraentidades benfeitoras que o haviam inspirado, no esquema e na es-trutura do livro. -Isto é muito bonito e profundo - diz Eurípedes - espelhando noolhar brando indisfarçavel interesse. Tio Sinhô acomodara-se, algo cansado. No outro lado, o sobri-nho começara a leitura, já à luz frouxa de um lampião a querosene.O tio acordara, algumas vezes, e surpreendera o sobrinho ainda aler. Ao dealbar do dia imediato, o moço brindou o coração do bomMariano da Cunha com alegre exclamação: - Muito obrigado, meu tio! Isto é um monumento!" (Eurípedes -o Homem e a Missão - Corina Novelino) O livro trazia o título: Depois da Morte, de Léon Denis. Desse dia em diante, Tio Sinhô trazia a Eurípedes o reduzidomaterial de propaganda da Doutrina Espírita, então existente. Em 1904, na sexta-feira da Paixão, Eurípedes convida seuamigo José Martins Borges para assistirem a uma sessão espíritaem Santa Maria. É nesse dia que Eurípedes ouve, pelo médium Aristides a mais"extraordinária dissertação filosófico-doutrinária, que jamais conhe-cera, em toda sua vida, sobre o luminescente discurso de Jesus" *,respondendo a uma pergunta feita mentalmente por Eurípedes, comrespeito a dúvidas que possuia sobre as Bemaventuranças, de Je-sus. Na saudação final, a Entidade revela sua identidade: - Paz! João, o Evangelista. Eurípedes retorna, dias depois a Santa Maria. Desta vez, TioSinhô, como médium inconsciente, transmite a mensagem de AdolfoBezerra de Menezes. À seguir comunica-se Vicente de Paulo, reve-lando para Eurípedes que era o seu "guieiro" espiritual, desde o ber-ço, dizendo: "Abandone, sem pesar e sem mágoa o seu cargo nacongregação. Convido-o a criar outra instituição, cuja base será Cristoe cujo diretor espritual serei eu e você o comandante material. Afas-te-se de vez da Igreja." (...)
  17. 17. "Meu filho, as portas de Sacramento vão fechar-se para você. Osamigos afastar-se-ão. A própria família revoltar-se-á. Mas, não seimporte. Proclame sempre a Verdade. Porque, a partir desta hora,as responsabilidades de seu Espírito se ampliaram ilimitadamente."(Eurípedes - o Homem e a Missão - Corina Novelino) Eurípedes retorna a Sacramento e corta os laços que o prendi-am à Irmandade de São Vicente de Paulo, causando enorme cons-trangimento no meio católico da época. Pedem a Eurípedes umaexplicação para sua conduta e o jovem narra os últimos aconteci-mentos que mudaram o rumo de sua vida, declarando-se espírita. O moço experimenta a incompreensão e hostilidades por todaparte. Os companheiros do magistério, no Liceu Sacramentano, aban-donam seus cargos. O prédio onde funcionava o Liceu foi requeridopelos proprietários e o mobiliário foi retirado. Eurípedes, no entanto, era muito procurado pelas pessoas sim-ples, para atendimento gratuito. Com a ajuda do pai, transfere suaresidência para a Rua Principal, hoje Avenida Visconde do Rio Bran-co, no local onde, mais tarde, foi erguido o Colégio Allan Kardec. Aliele acolhia os sofredores e necessitados que o buscavam. Ali foramrealizados os primeiros trabalhos mediúnicos, mantendo estreito con-tato com o grupo de Santa Maria. Meca, cujo irmão já era espírita, foi a primeira a converter-se,colaborando com o filho nos serviços assistencias, despertando suasfaculdades curadoras. Depois vieram o pai e os irmãos. Em 27 de janeiro de 1905 fundava-se o Grupo Espírita Espe-rança e Caridade. O Colégio Allan Kardec Tendo que abandonar o antigo prédio do Liceu Sacramentanoe sem colaboradores, o jovem Eurípedes estava abatido, mas conti-nuando firme nas tarefas espíritas. Os alunos, por sua vez, não se conformavam à idéia de perdero professor e amigo. Numerosos pais o procuram e lhe pedem paracontinuar as aulas. Todos o estimavam como professor e como cida-dão. Alugam uma sala no antigo Colégio da Profa. Ana Borges, fe-chado desde 1885 e, com mobiliário improvisado reiniciam as aulas. Na fachada lia-se Liceu Sacramentano. O currículo era o mes-mo, mas sem os colegas de magistério, Eurípedes se desdobra paraministrar as aulas do programa. Mas de maneira surpreendente, acrescentara o ensino da Dou-trina Espírita ao currículo, causando enorme descontentamento dospais católicos.
  18. 18. Foto antiga do prédio onde funcionou o Colégio Alan Kardec A maioria ameaça tirar os filhos do Liceu caso o professor man-tivesse a sua decisão de lecionar Espiritismo. - Que retirem os filhos, mas a finalidade salvadora do aprendi-zado espírita será mantida. Após a firme decisão, muitos alunos tiveram suas matrículascanceladas por seus pais. O que aconteceu em seguida, transcrevemos do livro Eurípedes- O Homem e a Missão: "Um dia, porém, ele se entristecera profundamente. Achava-seabandonado quase, no vazio da sala de aulas. Pusera-se a chorar,no silêncio de ardorosa prece. Sentiu insinuante vontade de escrever, enquanto todo o ser selhe banhava em magnetismo suave, muito suave, de fluidez radiosadesconhecida. Um nome de elevado destaque das esferas superiores impu-sera-se-lhe aos canais intuitivos. Ele reage. Não pode ser, não me-rece receber o beneplácito direto da Entidade anunciada. Deixa o papel, julgando-se vítima de um embuste. Eis que uma força superior toma-lhe do braço e,mecânicamente, transmite pequena mensagem, mais ou menosnestes termos: Não feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denomi-nação Liceu Sacramentano - que é um resquício do orgulho huma-no. Em substituição coloque o nome - Colégio Allan Kardec. Ensineo Evangelho de meu filho às quartas-feiras e institua um curso deAstronomia. Acobertarei o Colégio Allan Kardec sob o manto do meuAmor. No final, firma o documento precioso: Maria, Serva do Senhor.
  19. 19. Foto recente do prédio onde funcionou o Colégio Alan Kardec Eurípedes seguiu à risca as instruções espirituais de MariaSantíssima." (Eurípedes - o Homem e a Missão - Corina Novelino) Assim, em 1907, nasce o Colégio Allan Kardec, sob a égide deMaria, a primeira escola Espírita, com um currículo eminentementeespírita. Sem preconceitos, Eurípedes ensinava o Espiritismo, comoverdade esclarecedora que ilumina a razão e eleva o coração. Com-preendeu que a Doutrina Espírita é obra de Jesus, parte integrantede seu Evangelho, currículo de uma nova etapa evolutiva de todo oplaneta Terra. Antigos alunos do Liceu Sacramentano retornam ao novo colé-gio e mais de duas centenas de outros alunos são recebidos noColégio Allan Kardec. Novos professores surgem como colaborado-res de Eurípedes. As quartas-feiras eram consagradas inteiramente ao estudo deO Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, de AllanKardec. Assistiam as aulas os alunos do Colégio e numerosos visi-tantes. No final da aula, era o instante da prece de encerramento, quan-do, às vezes, a voz de Eurípedes mudava de timbre. Celina vemtrazer palavras de estímulos da própria Mãe de Jesus. De outrasvezes comparecem Jeanne D’Arc, Paulo de Tarso, Pedro, Felipe eoutros discípulos do Cristo. Incluiu também no currículo o estudo da Astronomia, conformeo pedido de Maria, baseando-se no livro Astronomia Popular, deCamille Flammarion.
  20. 20. Utilizava também da arte, especialmente do teatro, promoven-do festivais artísticos que ficaram na lembrança dos alunos e dopúblico da época. Os desdobramentos de Eurípedes Eram comuns os desdobramentos do professor e os alunos jáestavam familiarizados com suas "viagens". Dr. Tomaz Novelino, um de seus alunos assim descreve: "Desprendia-se facilmente, transportando-se, em espírito, à dis-tância. Quantas vezes, em aulas, ele pendia a cabeça, caia em sonoe permanecia assim por alguns minutos. Era por ocasião da primeiragrande guerra e, com horrror, descrevia os combates de que tinhasido testemunha. Desprendia-se outras vezes, visitando donetes àdistância, prsença muitas ezes sentida e notada por alguns de seusenfermos. Sentia a ação dos pensameneot s de muitos de seus ami-gos e enfermos, que o chamavam de longe, em certas arremetidasinsistentes e importunas." Os alunos permaneciam em silêncio aguardando o retorno.Quando regressava, Eurípedes narrava o que acontecera, quando,geralmente pretava assistência a algum enfermo. No livro “A Vida Escreve”, escrito através da psicografia de ChicoXavier, o espírito Hilário Silva dá-nos a conhecer o episódio maissublime da sua vida: uma noite, após adormecer, Eurípedesdesdobrou-se espontâneamente e sentiu-se a subir, a subir, a subir,notando uma atmosfera cada vez mais límpida e ténue. Viu-se entãonuma paisagem linda e, olhando à sua volta, reparou que, ao longe,havia alguém sentado que parecia meditar. Aproximou-se, viu queera Jesus, e que estava a chorar. Perguntou-Lhe então porque ofazia, e o Senhor disse-lhe que era por causa daqueles queconheciam o Evangelho, mas que não o praticavam. Desde essanoite e até ao fim da sua vida, nunca mais deixou de trabalhar comJesus. A Famácia Espírita Esperança e Caridade Sob a assistência carinhosa do Dr. Bezerra de Menezes, que oacompanhou durante todo o trabalho, Eurípedes inaugura a Farmá-cia Espírita Esperança e Caridade. Eurípedes já tinha iniciado uma pequena farmácia homeopáti-ca onde atendia gratuitamente os enfermos, durante os trabalhosassistenciais. Agora, sob a égide do Dr. Bezerra o trabalho atingiaenormes proporções.
  21. 21. Nesta época, Eurípedes retorna para a casa de seus pais, ins-talando a farmácia num cômodo improvisado, ao lado de seu quarto.O quarto de Eurípedes também dava acesso à loja comercial do pai,em cujo balcão recolhida os vidros que as pessoas ali depositavamdiariamente. Familiares, amigos e alunos colaboravam nos diversos seto-res, incluindo embalagem, despacho e arquivo. D.Meca colaboravanos curativos e afirmava-se que "ferida que Da. Meca punha mão,sarava logo". "O dia-a-dia de Eurípedes assinalou-se marcadamente por umaconstante: o trabalho convergente para diferentes pontos importan-tes, relacionados com a Educação, com os Serviços assistencia sdo Grupo Espírita, com as tarefas da Farmácia e as obrigações noescritório da casa comercial do pai, de onde ele auferia os proventospara as suas despsas pessoais e sobretudo, para os anônimos auxí-lios diários a irmãos, solicitantes ou não. Mas o seu dia tinha iníuciopela madrugada, q2uando efetuava o receituário de fora, cuja mani-pulação deveria dar-se pela manhã. (...) Efetivamente, o Espírito de Bezerra de Menezes fora o compa-nheiro dedicadíssimo, o colaborador da Missão esplendorosa, ondeambos grangearam uma folha de serviços na Seara de Jesus, cujovalor dimensional não podemos aquilatar. O doce e querido "Médico dos Pobres" manifestava-se aEurípedes por diferentes mecanismos, de acordo com as circuns-tâncias, no transcurso do abençoado programa de assistência aossofredores. (...) Como intérprete fiel de Bezerra, Eurípedes atuava tambémcomo cirurgião e parteiro. Centenas de intervenções se efetivaramcom pleno êxito. Nenhum caso se perdera, por mais grave se afigu-rasse." "Dentre os recursos caseiros, destacava-se a tintura de folhade laranjeira, muito comum na farmácia... Tinturas diversas extraí-das de raizes medicinais eram consumidas na manipulação das fór-mulas. O trabalho de seleção dessas raizes, nos campos da cidade,Eurípedes o confiava apenas a dois eméritos conhecedores do as-sunto: os Srs. Miguel Bento e Martim Terra, que anos-a-fio desem-penharam com devotamento a tarefa anônima de amor. Na Farmá-cia jamais faltava o xarope de açúcar, previamente refinado e prepa-rado pelas mãos carinhosas de D. Meca. No quarto de Eurípedes, com dimensões aproximadas de 8m x3m (...) instalava-se o médium e sua equipe de serviço. Eurípedessentado à sua escrivaninha ampla, era o intérprete do Espírito do Dr.Adolfo Bezerra de Menezes, no receituário. Em torno Zenon Borges,
  22. 22. Alfredo Fernandes e outros cumpriam a delicada tarefa de transcri-ção das receitas, que eram recebidas nas próprias cartas, para osrótulos da Farmácia. Enquanto outros alunos os colavam nos vidrose os encaminhavam ao laboratório, onde as devotadas Sinhazinha eEdirith - e às vezes Edalides - encarregavam-se da manipulaçãoescrupulosa da formulagem mediúnica. ...(Eurípedes - o Homem e aMissão - Corina Novelino) "Em abril de 1917, chegou a Sacramento, de Igarapava, o Co-ronel Azarias Arantes, acometido de grave enfermidade, a qual foiradicalmente curada pelo Espírito de Bezerra de Menezes, servindode médium Barsanulfo. A retumbância dessa cura levou algumaspessoas, interessadas no combate ao Espiritismo, a morevem con-tra o médium um indecoroso processo penal por exercício ilegal daMEdicina. Esse processo acabou por ser arquivado, econsequentemente prescrito, porque juiz algum quis pronunciar ocaridoso Barsanulfo." ( Grandes Espíritas do Brasil - Zêus Wantuil) A desencarnação O próprio Eurípedes preve sua próxima desencarnação, du-rante a epidemia da chamada "gripe espanhola", que se alastrou porvárias localidades. Em meio ao atendimento dos enfermos, no dia 24 de outubrode 1918, quinta-feira, Eurípedes aparece febril, mas continua aindajunto aos enfermos, inclusive membros de sua família. Somente buscao leito por insistência de Meca e D.Amália. No final de outubro, anun-cia a sua desencarnação para as seis horas da manhã do dia 1o denovembro. Eurípedes desencarnou às 5,30 daquela manhã. Choviabrandamente nesse dia. O enterro ocorreu às 17:00 horas do mes-mo dia, 1o de novembro de 1918, uma sexta-feira. "Eurípedes Barsanulfo não se fazia esperar onde sua presen-ça era necessária - sublime personificação da Caridade na sua for-ma perfeita... esquecido de si mesmo, ele aconselhava, reconforta-va, animava, ia levar ao enfermo desvalido além da receita, do re-médio, do conforto moral, o óbulo material arrancado aos seus pró-prios recursos, produto de seus labores. Foi assim que a doençasorrateiramente invadiu o seu próprio organismo". (Jornal do Triân-gulo - Uberaba - 17 de novembro de 1918) "Foi o apóstolo do Bem: ao seu lado nenhuma lágrima ficousem consolo e, sem bálsamo, dor nenhuma." (Jornal Lavoura e Co-mércio, de Uberaba)
  23. 23. Bibliografia e sugestões para leitura:Eurípedes, o Homem e a Missão - Corina Novelino - Ed.: IDEOs Grandes Vultos do Espiritismo - Paulo Alves GodoyGrandes Espíritas do Brasil - Zêus Wantuil - Ed.: FEBEurípedes O Espírito e o Compromisso - Corina Novelino - Ed.: ANova EraEurípedes Barsanulfo o Apostolo da Caridade - J.Rizzini - Ed.:C.FraternoA Grande Espera, Eurípedes Barsanulfo / Corina Novelino - Ed.: IDEA Vida Escrever, de Hilário Silva / Chico Xavier - ed. FEBTormentos da Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda / DivaldoP.Franco, Ed.: LEALAve Cristo, de Emmanuel / Chico Xavier, ed. FEB

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