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Design de Louça de Mesa

  1. 1. Design de louça de mesa: Levantamento de campo da produção nos mercados asiáticos e europeus Table ware design: Field research upon Asian and European markets FERNANDES, Dulce Maria Paiva Doutora, Universidade Federal do Paraná KISTMANN, Virgínia Borges Doutora, Universidade Federal do Paraná LAZZARI, Maria Paula de Graduanda em Design de Produto, Universidade Federal do Paraná OLIVEIRA, Alexandre Antonio de Graduando em Design de Produto, Universidade Federal do Paraná Palavras-chave: Design Cerâmico; Gestão do Design; Louça de mesa Este artigo apresenta o resultado de uma investigação do tipo levantamento de campo, com base na técnica da observação simples, no intuito de estabelecer suporte teórico para uso estratégico pelas empresas produtoras de louça de mesa nacionais. Foram analisados produtos de 62 empresas, observando matéria prima, processos, qualidade e inovação. Key-words: Ceramic Design; Design Management; Tableware products This article presents the result of a field research using the observation technique, upon present situation of European and Asian ceramic table ware products. It aimed to establish the external forces in terms of quality, novelties, materials and processes, to help on defining competitive strategies for the Brazilian manufactures. 1 - Introdução A indústria cerâmica tem importante participação na economia brasileira. Estima-se que 1% da renda anual do Produto Interno Bruto-PIB do país seja oriunda do setor cerâmico, equivalendo a um montante de aproximadamente seis bilhões de dólares, segundo a Associação Brasileira de Cerâmica- ABC (2007), fazendo com que pesquisas que se voltem para melhor competitividade sejam de grande importância para o fortalecimento do setor a que elas pertencem. Segundo a ABC (2009), ele está dividido em: cerâmica vermelha, materiais de revestimento, materiais refratários, louça sanitária, isoladores elétricos de porcelana, louça de mesa, cerâmica artística (decorativa e utilitária), filtros cerâmicos de água para o uso doméstico, cerâmica técnica e isolantes térmicos, com a maior concentração de indústrias no Sul e Sudeste do país, fato que pode ser explicado pela maior densidade demográfica, maior atividade industrial, melhor infra-estrutura, aliados a uma maior concentração de matéria prima. Também a existência de centros de pesquisa, universidades e escolas técnicas contribuem para sua concentração nestas regiões. Com respeito à produção da louça de mesa, avalia-se que o mercado nacional consuma cerca 12 milhões de peças/mês, sendo que a participação das empresas nacionais no mercado interno é da ordem de cinco milhões de peças/mês, considerando que embora produzam cerca de 9,5 milhões de peças/mês exportam cerca de 4,5 milhões de peças (FERNANDES, 2006). No entanto, conforme dados empíricos, estima-se que a parcela de peças que são vendidas no mercado interno, que não são produzidas pelas empresas nacionais, é oriunda de fabricantes asiáticos ou empresas européias, bem como, de empresas produtoras de utilitários de mesa em vidro e plástico, tomados como substitutos do material cerâmico. Este cenário tem causando o fechamento de empresas nacionais. De dez empresas investigadas em Campo Largo-PR em 2003, apenas sete continuam ativas (PELANDA Jr. et alli, 2004; KISTMANN, 2005).
  2. 2. Esse espaço, perdido ou não preenchido pelas indústrias nacionais de louça, pode ser justificado tanto pela busca dos consumidores da classe A11 por produtos da alta qualidade, geralmente importados da Europa, quanto pela falta de competitividade com produtos asiáticos, decorrentes de preço final, influindo na aquisição de produtos dessa origem pela classe C1. Portanto, segundo Porter (1997), a concorrência se opera segundo o fator custo, junto à classe C, enquanto que na concorrência na classe A, a diferenciação e a segmentação são os pontos em que a concorrência opera junto aos fabricantes nacionais. A competitividade com base no custo, de um modo geral, se não são disponibilizados processos que consigam reduzi-lo, acaba por levar a confecção de produtos com baixa qualidade e ao uso da estratégia da cópia. A partir do momento em que o custo não pode ser mais reduzido, apenas o design aparece como diferenciador, sendo esta estratégia hoje pouco utilizada por alguns fabricantes nacionais, em especial, no caso das micro e pequenas e médias empresas nacionais (FERNANDES, 1998; KISTMANN, 2001). Empresas de médio porte tendem a apresentar linhas de estilos tradicionais populares ou com a introdução de alguns aspectos contemporâneos para uso diário. Elas apresentam algum investimento em design, porém descontinuado (FERNANDES, 2008). Analisando seus produtos verifica-se que, as grandes empresas de capital nacional, apresentam linhas diversificadas, que atendem tanto o consumidor de estilo tradicional quanto de estilo contemporâneo, seguindo as tendências internacionais, apresentadas geralmente nas feiras anuais do setor e com pouco investimento em design (FERNANDES, 2008). Entretanto, cabe destacar que algumas empresas que tradicionalmente fizeram uso de cópias, começam a apresentar criações próprias, embora discretamente (ibid). Já as empresas de pequeno porte ainda não demonstram nenhuma propensão a inserir o design como estratégia e a aprimorar sua massa e tecnologia, para garantir um melhor resultado. Em muitos casos, essa limitação pode ser explicada pelo fato de as pequenas empresas serem, geralmente familiares, oriundas de ex-funcionários de uma grande empresa, em que ocupavam uma determinada função que passa a ser o ponto de foco na nova empresa que eles criam, restringindo a sua visão estratégica (KISTMANN, 2005). Com respeito às matérias primas e processos empregados, conforme Fernandes (2008), em empresas de grande e médio porte nacionais, cuja matéria prima é a faiança feldspática (conhecida popularmente como “louça de maior resistência”), verifica-se investimento em qualidade de seus produtos, identificada na qualidade da massa utilizada, que já apresenta cor extremamente próxima ao branco, além de terminações de peças mais delgadas, decorrentes de sua resistência mecânica similar a da porcelana. Já as empresas que utilizam faiança dolomítica (conhecida popularmente como “louça”) apresentam acabamentos menos elaborados, paredes espessas e possuem menor resistência mecânica e elevada porosidade. Quanto ao tipo de produtos, destacam-se os conjuntos de louça de mesa, compostos por pratos, xícaras e travessas, decorrente da maior demanda do mercado de peças dessa categoria, nas empresas de grande e médio porte. Dentre as empresas de pequeno porte destacam-se aquelas que focam a produção em objetos decorativos, como vasos, centro de mesa, castiçais, entre outros. Isto decorre do fato de que o controle de qualidade neste produto é menos importante, sendo que as diferenças eventuais são desconsideradas, pois as peças são vendidas uma a uma. Também são peças que não exigem o cumprimento de normas e legislação reservado às louças de mesa, assim como muitas vezes não requerem processos produtivos complexos (PELANDA Jr et alli, 2004; FERNANDES, 2008). Sobre os lançamentos, nota-se, em alguns casos, a aplicação de texturas e tons claros, como o bege combinado com branco. O formato predominante dos pratos é o redondo, mas muitas empresas aderiram à fabricação do prato quadrado, que foi tendência de consumo nos anos de 1998/2000 em países europeus. Como anteriormente mencionado, a linguagem das decorações transita entre temas tradicionais e contemporâneos, sendo os motivos com arabescos e padrões florais os mais difundidos. É importante ressaltar que as empresas de médio e pequeno porte já expõem em feiras nacionais e apresentam lançamentos anuais.
  3. 3. Para aumentar a competitividade, as estratégias de diferenciação e segmentação são, segundo Porter (op cit), as formas em que as empresas podem competir, identificando novos nichos de mercado, que tanto podem ser atingidos pela diferenciação com base na função, como nos aspectos simbólicos dos produtos. Por outro lado, para Baxter (2000), o estabelecimento de políticas de design deve ser fundamentado no panorama da concorrência e pela observação de tendências. Além disso, dentre as técnicas utilizadas para o estabelecimento das estratégias a serem adotadas no campo do design, a análise SWOT2 , com respeito aos entrantes externos, podemos claramente dizer que a participação no mercado interno de produtos oriundos de empresas européias e asiáticas vem se destacando ao longo dos últimos anos. Isto decorre da abertura dos mercados e das novas possibilidades oferecida pela Internet. A empresa portuguesa Vista Alegre, adquiriu a Porcelana Renner, localizada no Rio Grande do Sul, passando a comercializar mais intensamente suas linhas de produtos no mercado nacional, competindo diretamente com empresas tais como Germer Porcelanas Finas e Porcelanas Schmidt. No mercado de menor poder aquisitivo, o Sindilouças do Paraná (PARANÁ ONLINE, 2009) demonstra sua preocupação, pela falta de legislação que regule a comercialização de produtos, no intuito de impedir a participação no mercado de produtos fora de normas internas de comercialização. Desta forma, este trabalho teve como origem a pergunta orientada quanto à identificação da situação atual dos fabricantes de louça de mesa com respeito à novidade2, qualidade, custo, materiais e processos no mercado externo. Os objetivos pretendidos na pesquisa visavam possibilitar estabelecer aspectos relevantes com respeito ao comportamento das concorrentes estrangeiras, no intuito de oferecer dados para um melhor posicionamento das empresas locais, tanto no mercado nacional quanto internacional. Com isso, pretende-se com a conclusão obtida definir parâmetros de melhoria nas questões relacionadas aos fatores competitivos de mercado, isto é, esclarecer e pontuar quais aspectos de design, acabamento, matéria-prima e tendências de consumo podem promover maior rentabilidades às empresas, bem como alimentar a participação do design no desenvolvimento de novos produtos. 2 - Louça de mesa e objetos decorativos produzidos no mercado externo: Europa e Ásia Os dados abaixo apresentados refletem um estudo realizado, por meio de uma pesquisa de campo, com a utilização da técnica de observação simples, também chamada de observação-reportagem, em visita à feira Tendence de 2008, na Alemanha, que acontece anualmente na cidade de Frankfurt. Esta feira é considerada um dos principais pontos comerciais e de divulgação de produtos para o ambiente da casa e em particular da louça de mesa. Apesar da produção de louça de mesa estar presente em todos os continentes do mundo, nesta pesquisa destacamos a dos países do oeste da Europa e da Ásia, se constituindo como os principais concorrentes hoje enfrentados pelos produtores nacionais, conforme Fernandes (2008). Assim o controle dos dados observados deu-se pela seleção de 62 empresas Européias e Asiáticas, participantes da feira Tendence 2008. Da Europa, foram estudadas empresas da Alemanha, Áustria, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Inglaterra, França, Itália, Espanha e Portugal, totalizando 39 fabricantes. Para a análise do perfil geral das louças provindas da Ásia, foram levantadas ao todo 23 empresas da China, Japão, Singapura, Tailândia, Turquia, Indonésia e Srilanka. Para a sua realização foram utilizados registros em cadernos de campo, fotografias e coletas de material de divulgação. Posteriormente, estes dados foram tratados, com a realização de tabelas, para a análise posterior. A seguir, os dados da conclusão deste levantamento são apresentados, tomando por base os critérios considerados na análise. Eles foram: novidade, qualidade, fator de competitividade, tipo de produtos. Atualmente, pode-se considerar a Europa Ocidental como a principal lançadora de “tendências de design” no mercado de louça de mesa e objetos decorativos em cerâmicos, além de produzir peças de altíssima qualidade e acabamento. A Ásia, por sua vez, apesar do investimento em qualidade de seus produtos, ainda apresenta na maior parte das vezes um design seguidor de tendências européias. A grande vantagem competitiva dos produtos asiáticos no mercado internacional e nacional é a qualidade aliada ao baixo custo de venda se comparado aos produtos europeus ou mesmo os nacionais.
  4. 4. Dentre as empresas européias, pode-se dizer que para cada determinada região predominam peças com características semelhantes quanto ao design e matéria-prima. Neste sentido, é possível agrupar as empresas alemãs, austríacas, dinamarquesas, suecas e finlandesas já que as louças oriundas desses países, em sua grande maioria, possuem um design bastante limpo, funcional e com uma forma diferente das usuais, além do uso da porcelana como matéria-prima predominante, apesar da diversidade formal. O rigor quanto a qualidade e acabamento das peças é fator primordial, característica facilmente notada no produto final. Essas empresas lideram o mercado de louça fina por oferecerem produtos de extrema qualidade (Fig. 01). Figura 01. Louças Européias com design limpo, funcional e com inovação formal. Fonte: Catálogos das empresas ASA. Catálogo. Disponível em: http://www.asa-selection.com. Acesso em: 25.05.2008 e 23.10.2008; EGO. Catálogo. Disponível em: www.ego.dk. Acesso em: 18.09.2008; KAHLA. Catálogo. Disponível em: www.kahlausa.com. Acesso em 22.04.2008 e 23.10.2008; LEONARDO. iCon by Sebastian Conran – in Love with nature!. Bad Driburg, 2008. Catálogo; ROSENTHAL. Catálogo. Disponível em: www.rosenthalusa.com. Acesso em 22.04.2008 e 23.10.2008. Nesses mesmos aspectos, com respeito às empresas portuguesas, nota-se o uso freqüente de faiança e o resultado são peças de acabamento menos refinado, destinadas ao uso diário, embora, existam fabricantes em Portugal de produtos em porcelana fina, com elevado padrão de acabamento. O design segue as tendências do centro europeu (Fig. 02). Figura 02. Louças portuguesas com design limpo, funcional e com inovações formais. Fonte: Catálogo das empresas PORCEL S/A. Catálogo. Disponível em: http://www.porcel.pt/. Acesso em: 17.06.2008 e 15.12.2008; MATCERAMICA – CERAMICS MANUFACTURE . Catálogo. Disponível em: http://www.matceramica.com/. Acesso em: 17.05.2008 e SÃO BERNARDO. Catálogo. Disponível em: http://www.s-bernardo.pt/. Acesso em: 15.07.2008. A Inglaterra destaca-se pela presença de peças com características mais tradicionais, tanto na forma quanto nas decorações. A qualidade observada é elevada utilizando a bone china3 como material (Fig03).
  5. 5. Figura 03. Louças inglesa, com características tradicionais. Fonte: Catálogo das empresas ROYAL DOULTON. Catálogo. Disponível em: http://www.royaldoulton.com/GB/Home. Acesso em: 08.04.2009; e THE ROYAL CROWN DERBY. Catálogo. Disponível em: http://www.royalcrownderby.co.uk/. Acesso em: 25.05.2008 e 03.11.2008. França, Itália e Espanha se destacam pela apresentação de louças mais coloridas, voltadas para o uso diário. Também utilizam mais a faiança devido à tradição local do uso dessa massa que apresenta elevada qualidade, tanto na cor extremamente branca quanto no acabamento (Fig 04). Figura 04. Louças da França, Itália e Espanha voltadas para o uso diário. Fonte: Associação ASSOCIAÇÃO VALENCIANA DE CERAMICA AVEC-GREMIO. Catálogo. Disponível em: http://www.avec.com/en/. Acesso em: 02.11.2008; e catálogo das empresas ALESSI. Catálogo. Disponível em: http://www.alessi.com/en/. Acesso em: 13.07.2008; e PHILIPPE DESHOULIÉRES. Catálogo. Disponivel em: http://www.ph-deshoulieres.com/. Acesso em:12.08.2008. De modo geral, quanto ao tipo de produto, pratos e travessas e xícaras e pires são os itens de maior destaque, porém produtos relacionados ao ambiente de cozinha e decoração, tais como vasos, centro de mesa, castiçais, porta-guardanapo, bibelôs, entre outros também estão presentes. Estas peças são adicionadas a fim de complementar o conceito de “mesa-posta”. Com respeito à produção da Ásia, apesar de sua constante contribuição para o universo de louças em termos mundiais, este continente vem chamando atenção, em virtude da sua participação geral no processo de globalização e no crescimento econômico que alguns de seus países têm demonstrado. Atualmente, seus produtos têm participação expressiva no mercado nacional em virtude do baixo custo explicado pela mão-de-obra barata encontrada nesses países orientais. Em conseqüência, as empresas asiáticas tornam-se concorrentes no mercado nacional tanto de produtos internacionais quanto nacionais. Cabe salientar que dentre os produtos dos países estudados, destacaram-se na Feira Tendence 2008 os produzidos pela China. Contradizendo o rótulo de produtores de louças de mesa de baixa qualidade e de peças copiadas (PELANDA Jr. et al, 2004), a China atualmente apresenta produtos de excelente qualidade e design bastante atual e próprio (Fig 05).
  6. 6. Figura 05. Louças e vasos chineses. Fonte: TOPCHOICE. Catálogo. Disponível em: http://www.topchoice.com.hk/. Acesso em: 11.07.2008; SHEN ZHEN ALWAYS. Catálogo. Shen Zhen, 2008. MIRACLE DYNASTY. Catálogo. Disponível em: http://www.miracle-dynasty.com.cn/en/index.asp. Acesso em: 30.09.2008. Destacam-se neste caso os aspectos de custo baixo, facilidades de fabricação inerentes à tradição chinesa e a produção em elevada escala. Em alguns casos, observa-se a prática da cópia, mas estes passaram a ser a minoria das situações encontradas. Além disso, um dos aspectos de grande competitividade encontrado nos produtos chineses é o baixo custo de venda por produtos de boa qualidade que, mesmo produzidos em série, vêm apresentando detalhes feitos à mão. Sendo assim, passaram a concorrer com empresas de países tradicionalmente estabelecidos no mercado externo e interno. Por isso, como conseqüência do aprimoramento dessas louças, muitas empresas européias de renomada tradição matem hoje unidades fabris em países como China e Singapura. Sobre as empresas japonesas, pode-se afirmar que seguem o mesmo padrão de qualidade dos produtos chineses, com destaque para a utilização do grés, matéria prima tradicional japonesa. Neste caso, a linguagem predominante nas louças é referente principalmente à cultura e à culinária japonesas, com acréscimo de linguagens da cultura ocidental. Outro país que vêm apresentando aprimoramento em seus produtos é a Tailândia, cujas empresas desenvolvem design próprio, com qualidade de acabamento evidente (Fig 06). Figura 06. Louças tailandesas. Fonte: SANG ARUN CERAMICS. Catálogo. Disponível em: http://www.sangarunceramic.com/index.php. Acesso em: 01. 10.2008. A grande maioria dos fabricantes possui em seu portfólio utensílios para mesa, bem como objetos decorativos e utilitários relacionados a outros ambientes domésticos, como cozinha e banheiro. É interessante mencionar que as empresas asiáticas estão investindo em páginas para a web, com visual e navegação atualizados, bem como imagens de melhor qualidade e até mesmo opção de compra on-line. As principais tendências observadas no material estudado destacam formatos orgânicos e irregulares, tanto no corpo das peças como também nas bordas. Observa-se que apresentam espessuras delicadas, como se fossem produzidas por uma massa fina, como o paper clay, em que o formato não segue uma configuração única, parecendo ser trabalhado livremente (Fig 07).
  7. 7. Figura 07: Uso de formas diversas nas composições de conjuntos de mesa. Fonte: DECOR REZEPT – Catálogo de Tendência. Frankfurt, 2008. A presença destacada do branco, sendo ele tratado com texturas, relevos suaves tanto em louças como em objetos decorativos e a aplicações de decalques em branco sobre branco, às vezes tão sutis que aparentam terem sido feitos apenas no vidrado. Também se apresentam como tendência as aplicações de elementos delicados em relevo, adicionados ao corpo das peças, como flores e borboletas. Quanto às cores, é possível afirmar que o “creme claro” e o “cinza claro” têm ganho destaque até mesmo em peças feitas em porcelana, nos vidrados e decorações. Nas poucas decorações em cores, verifica-se a predominância dos arabescos bem como decalques com temas florais, listras irregulares ou somente riscas, aparentando desenhos obtidos por xilogravura. As decorações também podem ter uma linguagem mais clássica, tradicional, seguindo o estilo tradicional inglês, ou uma linguagem mais provençal. Outros elementos florais também presentes são os agapantos, e as cores verde claro e azul, com tons arroxeados. 3 - Conclusão Os dados levantados demonstram que os fabricantes asiáticos estão se deslocando da estratégia centrada no custo, inicialmente adotada, para uma estratégia em que a novidade e a qualidade passam mais e mais a serem destacadas. As formas ainda seguem em alguns casos as tendências das empresas européias, mas também começam a se diferenciar por aspectos culturais particulares, como no caso das louças japonesas, e pela novidade formal, atuando no plano da tendência sob o ponto de vista estético, como estratégia competitiva. Com respeito aos fabricantes europeus, observa-se uma divisão do mercado em segmentos independentes, com as empresas mediterrâneas atuando com foco na produção de louça de mesa em faiança, com os aspectos formais centrados no uso de cor, mas também apresentando desenhos e formas irregulares. A louça inglesa, como as alemãs, austríacas, dinamarquesas, suecas e finlandesas se apóiam nos aspectos da qualidade e foco na louça em porcelana. No entanto, diferentemente da louça inglesa, cuja forma e decoração se apóiam em elementos mais clássicos, as demais empresas exploram em maior grau as formas de difícil produção, com formas irregulares e delicadas. Com base nestes dados, verifica-se que as empresas nacionais, para poder se manter no mercado, precisam intensificar seus esforços, no sentido da melhoria da qualidade de seus produtos, estratégia já dominada pelas empresas concorrentes. Além disso, com respeito ao design, a busca pelo acompanhamento das tendências observadas, com a oferta de produtos cujas formas tratem os objetos de modo mais elaborado, com o uso de mão-de-obra intensivo, pode ser uma estratégia competitiva. Neste sentido, a formação de pessoal especializado deve ser buscada, para que em paralelo a esta estratégia, a qualidade seja atingida. Da mesma forma, a matéria prima e os processos precisam ser mais bem controlados, visando obter produtos em que as espessuras de paredes, recortes, apliques possam ser obtidos. As cores a serem trabalhadas devem de modo imediato seguir as tendências que se apresentam, atuando ao nível de estabilidade da onda, no caso dos micro, pequenos e médios produtores, enquanto que os produtores de maior
  8. 8. porte poderiam investir em novos produtos que possam atuar como geradores de tendências, apoiando-se em pesquisas mais profundas sobre o tema, que poderiam ser financiados por instituições de apoio como a ABC ou de fomento como a FINEP ou CNPq. No momento atual, as tendências apontam para o uso de tons claros, diferenciando a louça dos produtos em materiais plásticos, tradicionalmente bastante coloridos. 1 Considera-se classe A1 a faixa de consumo com poder aquisitivo de R$ 9.733,47 e a classe C de poder aquisitivo de R$1.194,53, segundo o artigo LSE 2005 do Ibope Mídia. 2 Entende-se aqui por novidade, produtos que apresentem formas não encontradas anteriormente no mercado. ³ Em português FOFA: Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças. 4 Bone china: em português, porcelana de ossos, cuja aparência é muito delgada e translúcida. Referências Bibliográficas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CERÂMICA. Cerâmica no Brasil: Introdução. Disponível em:< http://www.abceram.org.br/asp/abc_21.asp>. Acesso em: 26/10/2007. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CERÂMICA. Informações técnicas: definição e classificação. Disponível em: http://www.abceram.org.br/asp/abc_51.asp. Acesso em:17/04/2009. BAXTER, Mike. Projeto de produto: Guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São Paulo: Edgard Blücher, 2000. FERNANDES, Dulce Maria de Paiva. Florianópolis. 1998. Design e Tecnologia Aplicados a Produtos Domésticos em Grês Cerâmico. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1998. _______. Tecnologia e Design nas Empresas Nacionais de Louça de Mesa: Palestra proferida no Simpósio Brasileiro de Cerâmica e no Fórum de Desenvolvimento da Indústria Paranaense – FIEP – Federação das Indústrias do Estado do Paraná, novembro 2006 FERNANDES, Dulce Maria de Paiva; LAZZARI, Maria Paula. Levantamento do Ambiente Macro e Micro: Louça de Mesa e Objetos Decorativos em Cerâmica. Curitiba, 2008 Notas de pesquisa de campo do projeto de pesquisa Design de Louça de Mesa, Departamento de Design, Universidade Federal do Paraná. INSTITUTO BRASILEIRO DE PESQUISA E ESTATÍSTICA- IBOP. Metodologia de Levantamento Socioeconômico (LSE) Disponível em: Acesso em: 17.04.2009. KISTMANN, Virginia Borges. A caracterização do produto nacional em um mercado globalizado: uma abordagem com base na decoração da porcelana de mesa. Tese (Doutorado) Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2001. _______. Levantamento junto aos micro, pequenos e médios empresários produtores de louça de mesa e objetos de adorno de Campo Largo –PR. Curitiba, 2005. Notas de pesquisa de campo do projeto de pesquisa A louça de mesa na Grande Curitiba, Departamento de Design, Universidade Federal do Paraná. PARANÁ ON LINE. Setor de porcelana pode estar ameaçado. Disponível em: http://www.parana- online.com.br/editoria/economia/news/83365/. Acesso em:17/04/2009. PELANDA JR, Ranilson et al. Design cerâmico e médias, pequenas e micro empresas: um estudo de caso com base na produção de louça de mesa e adornos de Campo Largo-PR. In: Congresso Brasileiro de Cerâmica, 48, 2004, João Pessoa. Anais do 48 Congresso Brasileiro de Cerâmica Congresso Brasileiro de Cerâmica. ABCERAM, 2003. CD. PORTER, Michael. E. Estratégia competitiva: Técnicas para análise de indústrias e da concorrência. São Paulo: Campus, 1997. Dulce Maria de Paiva Fernandes dulcefernandes@onda.com.br Virginia Borges Kistmann vkistmann@ufpr.br Maria Paula de Lazzari mariapaula88@gmail.com Alexandre Antonio de Oliveira emailproalexandre@gmail.com

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