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ILUSTRAÇÕESTabela 1. Diagnóstico antropométrico segundo os indicadores P/A e P/I entre os diferentes grupos da creche estu...
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Adequação alimentar e seu impacto no estado nutricional de crianças assistidas em uma Creche Universitária no Estado da Bahia. Autores: Maria Helena Gonçalves Lima ¹ Lílian Portela Pereira da Silva² Kely Sousa Ma

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Adequação alimentar e seu impacto no estado nutricional de crianças assistidas em uma Creche Universitária no Estado da Bahia.
Autores:
Maria Helena Gonçalves Lima ¹
Lílian Portela Pereira da Silva²
Kely Sousa Matos²
¹Nutricionista responsável pela UAN da Creche da Universidade Federal da Bahia, Salvador – BA, Brasil.
² Graduanda em Nutrição da Universidade Federal da Bahia, Salvador- BA, Brasil.

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Adequação alimentar e seu impacto no estado nutricional de crianças assistidas em uma Creche Universitária no Estado da Bahia. Autores: Maria Helena Gonçalves Lima ¹ Lílian Portela Pereira da Silva² Kely Sousa Ma

  1. 1. Adequação alimentar e seu impacto no estado nutricional de crianças assistidas em umacreche universitária no Estado da Bahia.Fitness food and its impact on the nutritional status of children in a day care assisted in the Stateuniversity of Bahia.RESUMOObjetivo:Avaliar a adequação alimentar e seu reflexo no estado nutricional, em crianças de ambos os sexoscom idades entre 4 meses a 3 anos e 11 meses assistidas em uma creche universitária na cidade deSalvador, Bahia.Método:A avaliação antropométrica foi realizada utilizando os parâmetros peso e altura/estatura dascrianças. Para mensurar o peso do grupo do berçário utilizou-se a balança digital e para os demaisgrupos a balança mecânica, ambas da marca Filizola®. A estatura foi aferida com o infantômetroda marca Bandeirante®, e estadiômetro da marca Tonelli® para o berçário e os grupos 1, 2 e 3respectivamente. Os dados socioeconômicos foram coletados através da anamnese realizada no atoda matricula da criança na unidade. A análise dos macronutrientes e a dos micronutrientes, ferro,cálcio e as vitaminas A e C, foram avaliadas com o auxílio do programa Nutwin®.Resultados:Dos nutrientes avaliados, o cálcio foi aquele que apresentou maior discrepância em relação à nãoadequação, fato esperado já que, as refeições ofertas nesta instituição não são fontes destemicronutriente.Conclusão:Os resultados demonstram que a variação no percentual de adequação em torno do que érecomendado pelo FNDE, refletiu um impacto adequado no estado nutricional das criançasassistidas favorável ao crescimento e desenvolvimento destas.Palavras-chave: Estado nutricional; pré-escolares; alimentação infantil.
  2. 2. 2ABSTRACTObjective:Assess the adequacy food and its effects on nutritional status in children of both sexes aged 4months to 3 years and 11 months attended day care in a university in the city of Salvador, Bahia.Method:The anthropometric parameters were performed using height and weight / height of children. Tomeasure the weight of the nursery group used the digital scale and other groups for the mechanicalbalance, both by Filizola ®. Height was measured with the Bandeirante® infantometer brand, andbrand Tonelli® stadiometer to the nursery and groups 1, 2 and 3 respectively. The socioeconomicdata were collected through the interview held at the time of enrolling the child in the unit.Analysis of macronutrients and micronutrients, iron, calcium and vitamins A and C were evaluatedwith the aid of the NutWin ®.Results:Of nutrients, calcium was the one that showed the greatest discrepancy in relation to theinadequacy, indeed expected since, this institution offers meals are not sources of thismicronutrient.Conclusion:The results show that the variation in the percentage of adequacy around what is recommended bythe ENDF, reflected an appropriate impact on nutritional status of children attending favorable togrowth and development of these.Keywords: Nutritional status; Preschool; Infant feeding.
  3. 3. 3INTRODUÇÃOÉ essencial, nos primeiros anos de vida, uma alimentação equilibrada no aspecto quantitativo equalitativo para a promoção do crescimento e desenvolvimento adequados da criança, pois umaboa alimentação proporciona o aporte nutricional e energético necessários para o organismodesempenhar bem suas funções e assim permitir um bom estado de saúde. Portanto, a alimentaçãona infância é de suma importância, pois é nesta fase, que a incorporação de hábitos alimentaressaudáveis contribui para a saúde do indivíduo¹.As práticas alimentares são adquiridas durante toda a vida, destacando-se os primeiros anos comoum período muito importante para o estabelecimento de hábitos alimentares que promovam o bem-estar do sujeito ². A idade pré-escolar se caracteriza por um período de crescimento lento, porémcontínuo, de alta vulnerabilidade e susceptibilidade à má nutrição ³. Assim carências nutricionaisnesta fase da vida, levam ao crescimento deficiente, aumentam o risco de infecções, promovemalterações no processo de maturação do sistema nervoso, no desenvolvimento mental e intelectual,provocando desequilíbrios morfológicos e funcionais, os quais, dependendo da intensidade eduração, podem ser irreversíveis, ou até mesmo resultar em mortalidade precoce ³. Oacompanhamento da situação nutricional das crianças constitui um instrumento de grandeimportância para aferição das condições de saúde da população infantil 4.A avaliação do consumo alimentar em pesquisas destinadas a estabelecer condições de saúdetorna-se necessária, pois permite caracterizar o nível de risco e a vulnerabilidade da população àsdeficiências nutricionais, assim como adequar ou propor medidas de intervenção que garantam asaúde, particularmente no segmento da população menor de cinco anos, idade na qual a dietaconstitui um dos fatores determinantes da velocidade de crescimento e desenvolvimento, bemcomo construção dos hábitos alimentares saudáveis ³.A antropometria é utilizada na avaliação das dimensões físicas do individuo, sendo um métodobastante aproveitado no diagnóstico nutricional pela facilidade de aplicação, baixo custo e por setratar de medidas não invasivas.
  4. 4. 4O acompanhamento da situação nutricional das crianças constitui um instrumento fundamentalpara a aferição das condições de saúde da população infantil e monitoramento da evolução daqualidade de vida da população em geral5.Segundo Guimarães e Barros6, o uso de índices antropométricos tem sido considerado uma es-tratégia válida para gerar indicadores sensíveis do estado nutricional e, inclusive, das condições devida dos grupos populacionais estudados.Para a interpretação dos dados de avaliação antropométrica em crianças, pode-se utilizar asrelações entre: peso/idade (P/I), peso/estatura (P/E) e idade/estatura (I/E). Comparando-se então, asinformações obtidas com as curvas de referência recomendadas pela World Health Organization(WHO)7.As crianças beneficiadas pela creche permanecem a maior parte de seu tempo nessa instituição, amaioria em regime integral, com isso a creche é responsável por promover hábitos alimentaressaudáveis e de educação infantil por se tratar de um ambiente de socialização e educação.Analisando a importância da alimentação escolar, principalmente na idade pré-escolar, é defundamental importância que se conheça o valor nutricional da alimentação oferecida pela creche afim de averiguar a repercussão da mesma no estado nutricional das crianças nela atendidas.MÉTODOSO presente estudo é de caráter transversal constituído de levantamento dos dados antropométricos,quanti-qualitativo e observacional, onde foi realizada a análise da adequação alimentar quanto àenergia, macronutrientes, vitaminas A e C e os minerais ferro e cálcio. Nessa instituição, sãoservidas quatro refeições diárias, divididas em: 1° lanche às 9h, o almoço 11h e 30 min., o 2°lanche às 14h, e o jantar às 16h. Sendo escolhido como refeição padrão o almoço do cardápio deuma semana, por ser a refeição que atende a um maior número de crianças assistidas.Foi utilizada a balança de precisão Welmy®, com capacidade máxima de três quilos esensibilidade de 1g para mensurar a quantidade de alimentos que compõem uma refeição padrão
  5. 5. 5(almoço). Para análise da adequação dos nutrientes foi utilizado o programa Nutwin®.Qualitativamente, verificou-se a diversidade dos diferentes gêneros alimentícios e a combinaçãodos mesmos em nutrientes e propriedades sensoriais tais como cores, texturas e sabores.Optou-se por analisar a adequação dos micronutrientes supracitados, dada a sua importância nosprocessos de crescimento e desenvolvimento de crianças, haja vista a maior vulnerabilidade dospré-escolares a deficiência dessas vitaminas e minerais conforme consta na literatura.O universo amostral do estudo é constituído de 50 crianças de ambos os sexos, sendo elasagrupadas em 4 categorias que são:Berçário – crianças entre 4 meses e 1 ano de idadeGrupo I – crianças entre 1 ano a aproximadamente 2 anosGrupo II – crianças entre 2 anos a aproximadamente 3 anosGrupo III – crianças entre 3 anos a aproximadamente 4 anosO trabalho foi realizado durante o período letivo de 2010, as crianças atendidas na instituição sãofilhos (as) de estudantes de graduação e pós-graduação e servidores da própria universidade.Foram excluídas do estudo as crianças que não estiveram presentes em todas as etapas dasmedidas.Foram utilizadas medidas como peso e altura para realizar a avaliação antropométrica das crianças.Para aferir o peso das crianças do berçário, utilizou-se a balança digital da marca Filizola® comcapacidade máxima de 15 kg e precisão de 5g e para medir o comprimento usou-se o infantômetroda marca Bandeirante® de madeira e alumínio, com comprimento máximo de 1m. Para as criançasdos demais grupos, foi utilizada a balança mecânica Filizola® com capacidade máxima de 150 kge precisão de 100g, já as medidas de altura foram aferidas com o auxílio do estadiômetro da marcaTonelli®, fixado em parede plana sem rodapé.As crianças do berçário e do grupo I foram avaliadas três vezes durante o período do estudo, poisentende-se que essas crianças passam por um crescimento linear mais rápido durante esse período.
  6. 6. 6Enquanto que as crianças dos grupos II e III foram avaliadas duas vezes, por acreditar que ocrescimento linear nessa faixa etária acontece mais lentamente.Através das medidas peso e estatura, calculou-se os três índices antropométricos comumenteutilizados na avaliação nutricional do infante. Peso/Idade – Massa corporal relativa à idade cronológica. Indicador de mudança recente depeso relacionado com a idade. Estatura/Idade – Reflete o crescimento linear. Indicando se houve ou não comprometimento docrescimento durante todo o seu desenvolvimento. Peso/ Estatura – Evidencia se o individuo apresenta massa corporal adequada para a altura.O diagnóstico nutricional foi obtido através da análise dos resultados dos índices por meio dosgráficos da WHO7 e classificados de acordo com os percentis da mesma organização.Serviu também como instrumento do estudo a anamnese realizada com os pais durante a admissãoda criança na creche por entender que são dados importantes que podem esclarecer os possíveisresultados do estado nutricional da criança.Todos os fatores descritos acima podem influenciar no estado nutricional da criança sendovariáveis importantes para a discussão do estudo. Após a análise dos macronutrientes:carboidratos, proteínas e lipídios e dos micronutrientes: cálcio, ferro, vitaminas A e C, foirealizado a percentagem de adequação dos macros e micronutrientes através da fórmula: média dosvalores encontrados/média dos valores recomendados x 100. Foi considerado que o almoço perfaz30% das necessidades diárias das crianças assistidas, a partir da recomendação do FNDE 8 pôde-seestabelecer a comparação entre o ofertado e o recomendado para a faixa etária em estudo.
  7. 7. 7RESULTADOSPerfil antropométricoDo total de crianças avaliadas 47,62 % eram do sexo masculino e 52,38 % do feminino. Pôde-seobservar a partir do presente estudo que a maioria das crianças encontra-se com o peso adequadotanto para o indicador altura quanto para a idade (72% e 66% respectivamente).Apenas 2% das crianças apresentaram isoladamente, diagnósticos de grave, moderado déficit depeso para a idade e, excesso de peso relacionado à idade. 4% das crianças apresentaram leve riscopara déficit, 16% com risco para excesso e 8% com excesso de peso relacionado à altura (Tabela1).Análise da adequação alimentarPara análise da adequação dos macros e micronutrientes, confrontou-se os achados com os dadospreconizados pelo FNDE 8. Assim, o valor calórico médio do almoço de uma semana, no berçárioe no grupo 1 é considerado aceitável, apesar de não ter atingido o recomendado pelo FNDE8. Nogrupo 2 e 3 o percentual médio obtido foi relativamente adequado (104,1%).Quanto as proteínas, observou-se percentual médio de adequação aceitável no berçário (84,13%)enquanto que nos grupos 1, 2 e 3 os valores foram elevados.A adequação dos carboidratos está elevada no berçário e no grupo 2 e 3, enquanto no 1 o valor foi70,6%, não alcançando os valores preconizados pelo FNDE8. Salienta-se a necessidade deadequação do valor de carboidrato, por ser um nutriente indispensável ao crescimento vez que,constitui um componente primordial como fonte energética.Em relação aos lipídios, verifica-se que a quantidade servida foi inferior à recomendada, em todosos grupos.O aporte médio de ferro excedeu as recomendações do FNDE8 no grupo 2 e 3, no grupo 1 o valorobtido é aceitável (90%), mas não atingiu o valor preconizado. O berçário alcançou apenas 59,70%de adequação.
  8. 8. 8O cálcio obteve um percentual médio de adequação no berçário e grupos 1, 2 e 3 de 34,1%, 32,1%e 36,7% respectivamente.Os minerais zinco e magnésio e a vitamina A apresentaram um percentual médio de adequaçãoelevados em todos os grupos, exceto o percentual médio de adequação do zinco no berçário, cujovalor alcançado (84,44%) não atingiu o preconizado pelo FNDE 8, apesar de ser aceitável.As tabela 1 e 2 sugerem melhor visualização da discussão supracitada, fornecendo umacomparação entre os valores preconizados pelo FNDE 8e o alcançado no almoço, em todos osgrupos do estudo (ANEXO).Características socioeconômicasA partir da análise da anamnese feita com os pais ou responsáveis da criança no ato de ingresso àCreche pôde-se verificar que todas as crianças assistidas possuíam moradia com saneamento básico, e amaioria possuía renda salarial ≥ 1 salário mínimo*. As mães das crianças eram em sua maioriaestudantes tinham no mínimo o curso superior incompleto (Tabela 3).DISCUSSÃOO perfil antropométrico das crianças avaliadas é similar aos achados de Alves et al.5 onde avalioupré-escolares com idades entre 4 a 6 anos, em creches filantrópicas da cidade de Umuarama, Para-ná. Entre as crianças analisadas 81,14% encontravam-se na faixa de eutrofia para o escore z 9estatura/idade. Já um estudo realizado por Martino et al. onde avaliou, dentre outras coisas, oestado nutricional de pré-escolares assistidos em Centros Educacionais Municipais de Alfenas(MG) os percentuais para crianças eutróficas foram apenas de: 58,3 % para o índice P/I, 68,2 %para P/E e 43,7% para E/I. Observou-se ainda desnutrição crônica ou pregressa caracterizada pelabaixa estatura em 20,5% das crianças e desnutrição aguda, por baixo peso, em 4% destas.Os valores encontrados nesta instituição que se referem ao excesso de peso estão em acordo comuma variedade de estudos realizados no país que confirmam o fenômeno conhecido como transiçãonutricional.
  9. 9. 9 10Tuma et al. , realizaram um trabalho em três creches de Brasília, e encontraram a ocorrência de6,1% de excesso de peso e 4,8 % de déficit de estatura, de acordo com os índices P/E e E/I,respectivamente. Corso et al.11 encontraram a ocorrência de 6,8 % de obesidade em criançasmenores de seis anos em Florianópolis Santa Catarina; Uma pesquisa realizada por Lima eGrillo12, em escolas e creches públicas do Município de Bombinhas, Santa Catarina, encontrou13% de sobrepeso entre as crianças avaliadas; E o trabalho de Gigante et al.13 realizado emPelotas, onde acompanharam 1.273 crianças e detectaram cerca de 10% de sobrepeso, Todos estestrabalhos permitem mostrar que existe de fato, uma tendência de aumento das prevalências desobrepeso e obesidade nas crianças brasileiras. A prevalência de sobrepeso e obesidade em pré-escolares reflete a transição epidemiológica e nutricional, pela qual o país está passando e queexige planejamento de intervenções nutricionais adequadas que possam contemplar também aprevenção da obesidade entre as crianças institucionalizadas5.Sobre a análise da adequação alimentar os achados do teor protéico na creche em estudo, tiveram 14resultados semelhantes aos encontrados por Abranches et al. onde mostram que o conteúdoprotéico oferecido por creches públicas e privadas no contexto do programa da alimentaçãoescolar, em São Paulo, havia ultrapassado as necessidades estimadas para crianças.A maioria dos trabalhos que avaliaram a oferta de proteínas na alimentação do infante encontrouresultados semelhantes 15,16. O consumo de uma alimentação hiperprotéica poderia ser um fator deproteção para a desnutrição, desde que atendida as recomendações de energia15. Como os lipídiossão nutrientes destinados a função energética, as proteínas excedentes poderiam estar sendomobilizadas para este fim, visto que o cardápio do almoço apresentou-se hipolipídico.As quantidades inferiores de lipídios em relação à recomendação, estão em acordo com os achadosde Carvajal et al. 17 onde ao analisar a adequação da merenda escolar de uma escola da 1º a 4º sériede Maringá-PR, obteve o percentual de adequação (42,58%) também inferior, ainda quecomparado ao recomendado pelo PNAE.Quanto a inadequação do ferro salienta-se que o almoço representa a principal refeição do dia demuitas crianças na creche e nessa fase as recomendações de ferro que estão elevadas precisam ser
  10. 10. 10supridas em função da expansão do volume sanguíneo e do crescimento dos tecidos, além dafreqüente ocorrência de anemia nessa faixa etária.Assim como o ferro, é necessário enfatizar a importância da adequação da vitamina C que nãoatingiu o percentual de adequação em todos os grupos. É sabido que a vitamina C aumenta abiodisponibilidade do ferro da dieta, sendo um aspecto importante a ser destacado, visto que aanemia ferropriva na faixa etária em estudo é freqüente. Sendo considerada uma carêncianutricional endêmica conforme relata Abranches et al. 14. Esses achados refletem, possivelmente, anão consideração da sobremesa oferecida às crianças, a qual comumente é constituída por frutas,fontes dessa vitamina. Ainda assim, enfatiza-se a necessidade de atentar-se aos resultados, poissendo uma vitamina fotossensível e não termoresistente, os valores contabilizados pelo softwarepassam a não refletir a quantidade real de vitamina servida, os quais certamente estão menoresainda dos observados.Os valores encontrados de cálcio são resultados esperados, já que ao considerar apenas o almoçona presente pesquisa, esta refeição geralmente não oferta fontes de cálcio. É importante considerarque poderá haver uma maior oferta desse micronutriente nas demais refeições realizadas no larpodendo atingir sua recomendação diária. Ainda assim, deve-se atentar aos altos valoresencontrados de proteínas no almoço, uma vez que em excesso propicia efeito hipercalciuréticocomprometendo a biodisponibilidade de cálcio na dieta18. Alves et al.5 ao observar o consumoalimentar verificou que o cálcio também foi nutriente menos ofertado com 14,93% de adequação,muito abaixo do preconizado. Diante dos achados, ressalta-se a necessidade de garantir a ingestãomínima do cálcio, pois é sabida sua importância para a formação dos ossos e dentes na infância.O expressivo resultado dos minerais zinco e magnésio configura-se num aspecto positivo para ascrianças, haja vista a atuação dos mesmos como cofatores de enzimas responsáveis tanto pordiversas atividades metabólicas como na resposta imune inata e adquirida, além do papelimportante na maturação dos tecidos e células linfóides. Sua deficiência acarreta neutropenia elinfopenia, comprometendo a imunocompetência 19.
  11. 11. 11A presença de alimentos como abóbora e cenoura possibilitou o elevado percentual médio davitamina A. Estando em harmonia como os resultados encontrados por Spinelli et al.15 quandoobservou o consumo alimentar de crianças de 6 a 18 meses em creches obteve oferta razoável deadequação de vitamina A (92,2% e 98%), reflexo da freqüência de alimentos como abóbora,cenoura, mamão e outros no cardápio desse estudo. Adicionalmente, Abranches et al.14 obteve 17resultados similares, por outro lado, o trabalho realizado por Carvajal et al. não atingiu arecomendação dessa vitamina sendo obtido apenas 14,04% de percentual médio de adequação.Os valores elevados dessa vitamina se tornam significantemente positivos, pois a maiorvulnerabilidade dos pré-escolares a essa carência nutricional é justificada pelo rápido crescimentoe desenvolvimento nessa fase da vida, com conseqüente aumento das necessidades de vitamina A,além das múltiplas doenças a que estão expostos, principalmente, as infecções gastrointestinais erespiratórias20. As quais reduzem a absorção e elevam consideravelmente a utilização biológica e aexcreção desse micronutriente21.No que diz respeito às características socioeconômicas avaliadas no estudo é importante salientarque o meio ambiente, permeado pelas condições materiais de vida e pelo acesso aos serviços desaúde e educação, determina padrões característicos de saúde e doença na criança. Variáveis comorenda familiar, escolaridade, entre outras, estão condicionadas, à forma de inclusão das famílias noprocesso de produção, refletindo na aquisição de alimentos e, conseqüentemente, no estadonutricional dessas crianças22. Os achados do presente estudo está em consonância com osencontrados por Castro et al.22 onde as condições sanitárias dos domicílios eram satisfatórias, umavez que a maioria das famílias das crianças possui saneamento básico em suas moradias. É fácilverificar, especificamente sobre a saúde infantil, que um maior nível de escolaridade dos paispoderá, por exemplo, levar a um melhor entendimento dos mecanismos etiológicos das doençasinfantis e a uma maior eficiência nos cuidados higiênicos com as crianças. Poderá tambémcontribuir para melhor identificação e utilização de serviços públicos de assistência à criança quedesenvolvem atividades como puericultura e vacinação. O saneamento básico tem grandeinfluência sobre o estado nutricional das crianças, pois a desnutrição infantil e infecções
  12. 12. 12geralmente estão relacionadas à baixa condição de moradia e saneamento básico, interferindo noestado nutricional da criança 23.CONCLUSÃOOs dados apresentados demonstram que a maior discrepância da não adequação, foi de cálcio, emtodos os grupos, aspecto este esperado já que não há oferta de refeições que incluam fontes destemicronutriente na creche. Assim é recomendável a observância sistemática de oferta domiciliar deuma refeição láctea, fonte de cálcio, na primeira e última refeição(ceia e desjejum).para que seconsiga atingir as recomendações. Apesar do percentual de adequação não ter atingindo 100% nosgrupos analisados, com variação para mais ou para menos de macro e micronutrientes, pôde-seobservar que, este não foi um indicador que refletisse negativamente no estado nutricional dascrianças assistidas, já que a maioria encontra-se em adequado estado nutricional no que dizrespeito ao peso relacionado à altura e idade.
  13. 13. 13REFERÊNCIAS1. Vargas PR, Bleil RAT. Consumo alimentar estado nutricional de crianças atendidas em crechefilantrópica na região oeste do Paraná. [dissertação]. Cascavel: Escola de Nutrição da FaculdadeAssis Gurgacz; 2007.2. Philippi ST, Cruz ATR, Colucci ACA. Pirâmide alimentar para crianças de 2 a 3 anos. Rev.Nutr. 2003. Campinas, v.16, n.1, p.5-19, jan./mar.,3. Barbosa RMS, Soares EA, Lanzillotti HS. Avaliação da ingestão de nutrientes de crianças deuma creche filantrópica: aplicação do Consumo Dietético de Referência. Rev. Bras. Saúde Matern.Infant., Recife, v.7,n.2, p.159-166, abr. / jun., 2007.4. Cruz ATR, Souza JMP de, Philippi ST. Avaliação da concordância dos métodos de pesagemdireta de alimentos em creches - São Paulo - Brasil Rev. bras. epidemiol., São Paulov.6, n.3, Set., 2003.5. Alves G, Colauto EV, Fernandes JK, Zabine L, Nienow RC. Avaliação antropométrica econsumo alimentar de pré-escolares em creches de Umuarama, Paraná. Arq. Ciênc. Saúde Unipar,Umuarama, v. 12, n. 2, p. 119-126, maio/ago. 2008.6. Guimarães LV, Barros MB. A. As diferenças de estado nutricional em pré-escolares de redepública e a transição nutricional. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 77, n.5,p. 381-386, 2001.7. WHO (World Health Organization). The WHO Child Growth Standards, 2006. [online- acessoem: 26 ago. 2010]. Disponível em: http://www.who.int/childgrowth/standards/en/ .8. FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Referências Nutricionais para oPrograma Nacional de Alimentação Escolar, 2009. [online- acesso em: 5 out. 2010]. Disponívelem: http://www.fnde.gov.br .9. Martino HSD, Ferreira AC, Pereira CNA, Silva RR. Avaliação antropométrica e análisedietética de pré-escolares em centros educacionais municipais no sul de Minas Gerais. Ciência &Saúde Coletiva, 15 (2):551-558, 2010.10. Tuma RCFB, Costa THM, Schmitz BAS. Avaliação antropométrica e dietética de pré-escolares em três creches de Brasília. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., v. 5, n. 4, p. 419-428,2005.
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  16. 16. ILUSTRAÇÕESTabela 1. Diagnóstico antropométrico segundo os indicadores P/A e P/I entre os diferentes grupos da creche estudada. TOTAL BERÇÁRIO GRUPO 1 GRUPO 2 GRUPO 3 Diagnóstico (Total – 06) (Total - 11) (Total -19) (Total -14) P/A P/I P/A P/I P/A P/I P/A P/I P/A P/I n........% n.......% n......% n......% n......% n........% n........% n........% % %Grave - 1........16,7 - - - - - - - 02Moderado - - - - - - - 1.......7,1 - 02Leve (risco de 1.......16, 7 2.......33,3 - 4......36,4 - 5........27, 1.......7,1 3......21,4 04 28déficit) 8Adequado 4......66,7 3........50 10......90,9 7.......63,6 13.....68,4 13......68, 9.......64,3 10......71, 72 66 4 4Risco de excesso 1.......16,7 - 1.......7,1 - 3......15,8 - 3......21,4 - 16 -Excesso - - - - 3......15,8 1........5,6 1.......7,1 - 08 02Obesidade grave - - - - - - - - - -Tabela 2. Percentual médio de adequação do almoço servido na creche no período de uma semana. GRUPOS BERÇÁRIO GRUPO 1 GRUPO 2 e 3 GRUPO 2 e 3 Nutrientes/ Energia R E PA(%) R E PA(%) R** E PA(%) R*** E PA(%) Energia (cal) 200 185,75 92,88 300 267,42 89,1 300 312,38 104,1 400 312,4 78,10 PTN (g) 6,3 5,3 84,13 9,4 13,58 144,5 9,4 14,57 155 12,5 14,6 116,8 CHO (g) 32,5 37,02 113,91 48,8 34,45 70,6 48,8 56,44 115,7 65,0 56,4 86,8 LIP (g) 5,0 1,78 35,6 7,5 2,03 27,1 7,5 3,14 41,9 10,0 3,1 31,0 Fe (mg) 3,3 1,97 59,70 2,1 1,89 90,0 2,1 2,83 134,8 3,0 2,8 93,3 Ca (mg) 81,0 27,62 34,10 150,0 48,21 32,1 150,0 55,10 36,7 240,0 55,1 23,0 Vit C (mg) 15,0 9,94 66,27 5,0 1,93 38,6 5,0 2,88 57,6 8,0 2,9 36,3 Vit A (µg)* 150,0 469,32 312,88 90,0 478,19 531,3 90,0 622,98 692,2 120,0 623,0 519,2 Mg (mg) 23,0 26,64 115,83 24,0 38,17 159,1 24,0 57,36 239,0 39,0 57,4 147,2 Zn (mg) 0,9 0,76 84,44 0,9 1,26 140,0 0,9 1,81 201,1 1,5 1,8 120,0
  17. 17. LEGENDA:Tabela 2. Percentual médio de adequação do almoço servido na creche no período de uma semana. R: RECOMENDADO E: ENCONTRADO PA: PERCENTUAL DE ADEQUAÇÃO *Forma de Retinol **Recomendado para 3 anos de idade *** Recomendado para 4 anos de idade

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