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Portos secos, desafios e potencialidades

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Monteiro, M.F. (2012) “Portos Secos, Desafios e Potencialidades”. Revista APAT 76 (JUL-AGO), 24–26

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Portos secos, desafios e potencialidades

  1. 1. artigo PORTOS SECOS, DESAFIOS E / Feliciana Monteiro POTENCIALIDADES / Assistente Académica e Doutoranda na Uni. Antuérpia Becon, MEng, MSc / feliciana.monteiro@ua.ac.be Neste artigo irei abordar a temática dos Portos Secos, principais vantagens, desafios e razões pelas quais não têm tido em Portugal o mesmo sucesso que noutras regiões da Europa. 24 Conceito de Porto Seco Um Porto Seco é um terminal intermodal, situado longe de uma infra-estrutura portuária (daí o seu nome) servindo uma região conectada com um ou vários portos por via férrea e/ ou rodoviária e oferece serviços de logística especializados. Geralmente o Porto Seco é considerado um nó importante numa cadeia logística. Frequentemente, o Porto Seco é orientado para servir carga contentorizada e pode fornecer um portfolio completo de serviços logísticos e infra-estruturas necessárias aos diversos tipos de operadores, bem como serviços de desalfandegamento de cargas. Porto Seco como solução para problemas nas cadeias logísticas O Porto Seco surge essencialmente como potencial solução para problemas que afectam as cadeias logísticas, nomeadamente congestionamento (na rodovia), problemas de capacidade e armazenamento (geralmente dos portos), provisão de serviços logísticos, e impactes ambientais. Existem vários tipos de terminais intermodais semelhantes a um Porto Seco, pelas suas funções e serviços, por exemplo, portos fluviais, terminais terrestres de despacho aduaneiro, terminais intermodais convencionais, etc. No entanto, o Porto Seco é uma evolução de todos estes, porque inclui, pelo menos, as seguintes funções: transbordo de carga de modo ferroviário para o rodoviário (e vice-versa), armazenamento temporário de mercadoria, actividades de consolidação e distribuição, uma variedade de serviços de valor acrescentado e serviços de desalfandegamento. Um aspecto importante a salientar é a questão dos serviços de valor acrescentado tais como: • capacidade de movimentação de diferentes tipos de carga, • capacidade de manuseamento de cargas perigosas, • suporte da logística 3PL (Third Party Logistics) e 4PL (Fourth Party Logistics), e • serviços de desalfandegamento. De acordo com projecto de investigação da Comissão Europeia Inloc (2007), as vantagens associadas a um Porto Seco são múltiplas, nomeadamente a redução de despesas totais de transporte; a mudança do modo rodoviário para ferroviário; reforço do papel dos portos na cadeia de transporte; APAT 76 | JUL·AGO 2012 | www.apat.pt |
  2. 2. fortalecimento de soluções multimodais; redução do uso de terrenos situados em zonas centrais do porto e por isso mais dispendiosos; redução dos problemas ambientais nas cidades; potencial para criação de emprego; potencial para tornar desalfandegamento mais eficaz. O conceito de Porto Seco está ligado ao desenvolvimento de zonas logísticas no hinterland Europeu, e o conceito é aceite em todos os países. É conhecido como Zonas de Actividades Logísticas (ZAL) em Espanha e Portugal, Plataformes Logistiques em França, Freight Villages no Reino Unido, Interporti em Itália e Güterverkehszentren (GVZ) na Alemanha, os Distriparks ou Distriports na Bélgica e Holanda e Luxemburgo. Na figura abaixo identifica-se o potencial para a criação destas zonas: a existência de uma zona logística (preferencialmente longe da costa) associada a uma zona de grande actividade económica como é o caso da Banana Azul, um corredor de transporte e a existência de um porto de mar (ou vários). Considerando que Portos Secos funcionam como apoio à intermodalidade, a implementação deste tipo de terminal de transporte deve ajudar a reduzir o transporte rodoviário e os seus efeitos nocivos para o meio ambiente. Os Portos Secos permitem aos seus utilizadores expandir o seu hinterland para as zonas do interior e terceirizar alguns dos serviços a outro terminal, por exemplo, armazenamento de contentores, distribuição e ou desalfandegamento. Com essa solução, os utilizadores são capazes de despachar a mercadoria proveniente de um navio mais rapidamente e, assim, criar mais espaço no porto para a carga recém-entrada. De referir ainda que os impactos negativos da infra-estrutura portuária sobre o meio ambiente por vezes impedem a possibilidade de expansão física de determinados portos devido a restrições ambientais, pelo que os Portos Secos podem ser uma solução. Figura 1: Identificação das principais zonas logísticas na Europa e respectivos “portos de entrada” 25 Fonte: Notteboom, 2010 Desafios Actualmente, o sector da logística na Europa está a enfrentar desafios importantes relacionados com estrangulamentos de infra-estruturas, que reduzem a possibilidade de fluxos de mercadorias eficientes e consequências ambientais da sua actividade. É importante realçar que os diferentes agentes do sector estão activamente a tentar ultrapassar este problema. Neste contexto, a integração de Portos Secos nas cadeias de transporte pode trazer benefícios significativos. Quando os portos marítimos enfrentam problemas de congestionamento, expansão e surgem problemas de eficiência, o Porto Seco surge como alternativa. Pode-se afirmar que a saída de certos serviços e da carga da zona dos portos é por vezes um second best motivada por congestionamento, estrangulamento do porto pela cidade, necessidade de mais espaço e mesmo por motivos ambientais.
  3. 3. artigo continuação PORTOS SECOS, DESAFIOS E POTENCIALIDADES Importa mencionar que o Porto Seco acaba por ser um ponto extra de transferência de carga entre modos de transporte, o que acarreta custos extra. Estes custos adicionais incluem: custos monetários, tempo e de risco (manuseamento). Assim, a atractividade do Porto Seco diminui. Esta questão pode ser superada com elevados volumes de carga manuseada ou com a presença de serviços que não sejam oferecidos nos portos (ou oferecidos a um preço superior). 26 Conclusões O conceito de Porto Seco baseia-se num porto marítimo directamente conectado por ferrovia e/ou rodovia com terminal intermodal terrestre onde a carga, nomeadamente contentores, pode ser lidada de modo idêntico ao que seria num porto marítimo. Em suma, os portos secos são terminais intermodais, nós em cadeias logísticas que complementam o porto de mar. O seu sucesso depende do seu posicionamento nas cadeias logísticas como elemento que gera valor, nomeadamente caso haja congestionamento forte no porto, os serviços e funções morosas podem ser terceirizados para o Porto Seco. Deste modo o porto alivia o congestionamento e a cadeia logística torna-se mais eficiente. Para além disso as condições geográficas existentes na Península Ibérica não são ideais para o sucesso dos portos secos: • Não existem actividades logísticas significativas longe do mar (à excepção de Madrid que tem competição de diversos portos na península); • Existe um número significativo de portos em Portugal (em proporção à actividade económica do país); • Os portos nacionais não apresentam grandes problemas de congestionamento operacional, nem de armazenamento; • Os corredores de transporte intermodais para o interior da Península (ferrovia) são lentos e ineficientes. APAT 76 | JUL·AGO 2012 | www.apat.pt | Figura 2: Identificação das principais zonas logísticas na Península Ibérica e respectivos “portos de entrada” em Portugal Fonte: CP Carga Para além disso, em Portugal as empresas de transporte tendem a interiorizar os serviços que poderiam ser prestados pelos Portos Secos, o que diminui consideravelmente a sua procura. Na minha opinião, o sucesso em Portugal dependerá da capacidade de diálogo e trabalhar em conjunto dos vários intervenientes nas cadeias logísticas. Não temos grande tradição de cooperação, em contraste com os países do Norte da Europa, e para o sucesso de determinado Porto Seco, é fundamental um bom relacionamento entre Administração Portuária, Operadores de Terminais, Transitários, e demais intervenientes no porto e na cadeia logística. No Norte da Europa, muitos dos portos secos têm uma vocação de importação/ exportação e estão fortemente ligados a regiões logísticas e industriais. De qualquer forma, para provar a utilidade de um porto seco, poderá ser útil divulgar ou comparar os menores custos da transacção de mercadoria através dos Portos Secos do que através de cadeias logísticas concorrentes. Esse será sem dúvida um dos melhores argumentos para convencer a indústria. n

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