Canto V, Gigante Adamastor questionário

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Gigante Adamastor, questionário resolvido, caracterização, narrativa principal, narrativa secundária, Canto V, Raiz editora

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Canto V, Gigante Adamastor questionário

  1. 1. Os Lusíadas Plural 9, Raiz Ed., p. 219 Canto IV
  2. 2.  1. Introdução  1.1. Antes de apresentar o Gigante, o narrador considera útil e importante transmitir em que ponto do percurso se encontravam (tinham partido há cinco dias da baía de Santa Helena); como estava a decorrer a viagem; quando e como surgiu a nuvem que escureceu os ares; e como reagiram os homens perante esta súbita mudança.
  3. 3.  1.2. O poeta faz essa introdução com a intenção de situar no espaço a aparição do Gigante e mostrar o clima de medo que precede essa aparição, dada a mudança súbita que se opera no ambiente quando a estranha nuvem surge.
  4. 4.  1.3. “Bramindo, o negro mar de longe brada…” (est.38)  Os sons nasais de “bramindo” e “longe” dão a ideia de um som que se prolonga, como um eco. O verbo bramir, tratando-se do mar, sugere que as águas estão a encrespar-se, a ficar em “fúria”.  1.4. É Vasco da Gama que profere as palavras de inquietação dirigidas à “Potestade sublimada”. É ele quem está a narrar este episódio ao Rei de Melinde e, ao reproduzir o seu discurso, insere-se “disse” (entre parênteses), subentendendo-se o sujeito “eu”.
  5. 5.  2. O Gigante tem um aspeto aterrador – muito grande, disforme, com pernas e braços imensos. Os olhos encovados, a barba suja, a cor estranha da pele, os cabelos crespos e cheios de terra, a boca negra e os dentes amarelos, tudo isto lhe confere um ar medonho. O rosto sombrio e a postura agressiva completam esta figura aterradora, cuja voz horrenda parece sair do mar profundo.
  6. 6.  3.1. A sonoridade dos adjetivos “horrendo” e “grosso” torna mais clara a noção do tom de voz do Gigante, pois os sons nasais e fechados e a sucessão de consoantes duplas (ho rr endo, gro sso) estão de acordo com o tom cavernoso da sua fala.  3.2. Quando faz a sua aparição, pelo tom de voz e pelas palavras que profere depreende-se que o Gigante está furioso.
  7. 7.  3.3. O seu estado de espírito justifica-se pelo atrevimento dos portugueses em navegar nos seus mares, a ousadia de vir desvendar os segredos até então vedados a qualquer humano.  3.4. O Gigante não desconhece quem são os seus interlocutores. Ele não refere o nome, mas sabe que são “uma gente” que cometeu grandes feitos, “uma gente” guerreira e incansável.
  8. 8.  3.5. O Gigante nutre pelos Portugueses admiração e ódio. Pelo que se depreende do seu discurso, por um lado, admira o atrevimento, a coragem, a determinação da “gente ousada”, mas, por outro lado, odeia essa mesma gente que veio descobrir os segredos dos seus mares.
  9. 9.  4. O Gigante, como é um ser dotado de poderes sobrenaturais, pode antecipar o futuro, por isso é ele que narra esses naufrágios, apresentando-os como a sua vingança.  Narrativa de naufrágios (posteriores a esta viagem de Vasco da Gama)
  10. 10.  5.1. Segundo o narrador, ao ver e ouvir o Gigante “Arrepiam-se as carnes e o cabelo, / A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!”. Todos ficaram, como é natural, apavorados.  5.2. Vasco da Gama é um Herói porque apesar do medo não fugiu. Enfrentou o próprio medo, ao interromper o Gigante e ao perguntar-lhe “Quem és tu?”, correndo o risco de o enfurecer ainda mais.
  11. 11.  6. O Gigante Adamastor participou com os seus irmãos na guerra contra Júpiter. A sua participação centrou-se no Oceano em busca da armada do deus dos mares, Neptuno, e meteu-se em tal empresa por amor de Tétis, filha de Nereu e Dóris. Consciente de que com a sua figura assustadora seria impossível despertar o amor da ninfa, resolveu conquistá-la à força e informou Dóris dos seus intentos. Esta pôs a filha ao corrente do que se passava e Thétis, a quem o amor do Gigante não despertava senão troça, marcou, através da mesma intermediária, um encontro com o Adamastor, procurando com isso serenar a guerra no Oceano.
  12. 12.  Na noite combinada, o apaixonadíssimo Gigante viu a bela ninfa despida, bela, única e louco de amor corre a abraçá-la e beijá-la. Só depois se apercebeu que tinha nos seus braços um penedo e que o que vira fora uma miragem preparada por Tétis. Além desta profunda humilhação, sofreu ainda as consequências de Júpiter ter vencido a guerra contra os Gigantes. Foi convertido naquele Cabo remoto, banhado pelo mar e, portanto, pela permanente recordação da sua adorada ninfa.
  13. 13.  7. O Gigante aparece perante os Portugueses furioso, impondo o seu poder pelo medo que despertava nos humanos.  No final, desaparece com um medonho choro, triste e humilhado. O que deu origem à mudança foi a recordação do seu sofrimento e talvez a consciência da sua incapacidade de impedir que os seus segredos fossem desvendados.
  14. 14.  8. O Gigante Adamastor, que fisicamente é aterrador, psicologicamente aproxima-se do comum dos mortais. É um ser solitário que procura esconder o seu fracasso e o seu sofrimento no isolamento total. Apesar de admirar quem ousa enfrentá-lo, não esconde a sua fúria vingativa por ver os seus domínios invadidos. Acima de tudo quer preservar o seu esconderijo. Mas, tendo sido descoberto, conta a sua história.
  15. 15.  Revela-se então como um ser que, essencialmente, foi vencido por amor. Mais do que a rejeição da amada, dói-lhe a humilhação a que ela o sujeitou e dói-lhe, mais ainda, ter perdido a capacidade de sonhar. Preferia ter continuado na doce ilusão de um dia conseguir o amor inalcançável de Tétis. É o que se depreende da interpelação que lhe faz: “Ó Ninfa, a mais fermosa do Oceano, / Já que minha presença não te agrada, / Que te custava ter-me neste engano, / Ou fosse monte, nuvem, sonho ou nada?”.
  16. 16.  O Gigante é um sentimental que, tendo perdido tudo, até a esperança, se refugia na solidão.  O desvendar dos seus segredos vem tirar-lhe o pouco que tinha. Daí o temível gigante reagir como qualquer humano em desespero – desaparecer para chorar sozinho as suas mágoas.
  17. 17.  1. 1. Formação de palavras : “cova”, derivada por parassíntese; “terra” derivada por sufixação; “jugo” derivada por parassíntese.  1.2. “encovados” – metidos para dentro, como se estivessem numa cova; “terreno” – referente à terra; “subjugados” – debaixo de jugo, dominados.  2. Discurso indireto: (perguntei-lhe) quem era ele cujo corpo assombroso me tinha surpreendido.
  18. 18.  3. “Em penedos os ossos se fizeram” (sujeito)  3.1. Os ossos fizeram-se em penedos. (sujeito)  3.2. “em penedos” desempenha a função sintática de complemento oblíquo.  4. Forma passiva: Minha grandíssima estatura foi convertida neste remoto Cabo pelos Deuses.
  19. 19.  O Gigante Adamastor é a representação simbólica do maior de todos os perigos que o Homem tem de enfrentar – o medo do desconhecido. Com que “armas” se luta contra o que se desconhece? Como preparar o confronto com não se sabe o quê? Foi esse problema que os navegadores portugueses tiveram de resolver no momento preciso. Perante o desconhecido, enfrentaram o terror e, ao desvendar os seus mistérios, o desconhecido deixou de o ser.  Através do Gigante representa-se a vitória sobre os perigos ignorados do mar e sobre o medo.

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