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05
Avaliação da qualidade da informação
em sites de aleitamento materno:
notas sobre uma experiência
André Pereira Neto
FIOCRUZ
Silvia Braña López
FIOCRUZ
João Aprígio Almeida
FIOCRUZ
Rafaela Luzia
Colégio Pedro II
Rodolfo Paolucci
FAETEC
Leticia Barbosa
FIOCRUZ
Joaquim Teixeira Netto
FIOCRUZ
10.37885/210705236
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
75
Palavras-chave: Internet, Estudos de Avaliação Como Assunto, Informação de Saúde ao
Consumidor, Aleitamento Materno, Pesquisa Participativa Baseada na Comunidade.
RESUMO
Introdução: A internet disponibiliza inúmeras formas de acesso, produção e compartilha-
mento de informação, inclusive de saúde. Mães e mulheres têm recorrido à internet para
pesquisar informação, sobretudo visando apoiar sua prática de amamentação. Embora
apresente inúmeras vantagens para a saúde materno-infantil, a prevalência do aleitamento
materno no Brasil ainda não se encontra em um patamar ideal. Objetivo: Considerando
esse cenário, esse artigo descreve e analisa uma avaliação da qualidade da informa-
ção em sites de aleitamento materno. Métodos: A partir de uma pesquisa participante,
orientada pelo referencial Translação do Conhecimento, 19 sites foram avaliados por
profissionais da saúde, especialistas e moradores da comunidade de Manguinhos. Foram
utilizados cinco critérios consagrados pela literatura e experiências internacionais, a saber:
Técnico, Interatividade, Abrangência, Legibilidade e Acurácia. Resultados: Apenas três
dos dezenove sites atingiu 70% de conformidade com os indicadores e critérios estipu-
lados. Conclusão: É necessário observar a qualidade de sites de aleitamento materno.
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
76
INTRODUÇÃO
As mídias digitais têm promovido uma série de transformações nas atividades coti-
dianas. Elas disponibilizam ilimitadas informações on-line sobre qualquer assunto a todos
que tenham acesso e competência para utilizá-las (PEREIRA NETO; FLYNN, 2019). Nesse
contexto, a busca por informações sobre saúde nas mídias digitais ocupa um lugar de
destaque. No Brasil, em 2019, a saúde foi o segundo tópico de informação mais buscado
on-line (CGI.BR, 2020).
O acesso à informação de saúde de baixa qualidade pode fazer com que o cidadão
tome decisões que afetem negativamente sua qualidade de vida e bem-estar (KUENZEL
et al., 2018). Por outro lado, a informação de qualidade pode propiciar o desenvolvimento
de habilidades que conferem maior poder de decisão ao indivíduo sobre sua saúde, pro-
movendo seu empoderamento e facilitando o autocuidado. Ela pode, ainda, contribuir para
reduzir os custos dos sistemas de assistência médica, promover a saúde, prevenir doenças e
aumentar a adesão a determinados tratamentos(PARK et al., 2015; BARBARA et al., 2019;
PEREIRA NETO; FLYNN, 2019).
Desde o final do século XX, alguns esforços têm sido empreendidos no campo acadê-
mico a fim de avaliar a qualidade da informação de saúde nas mídias digitais. Três revisões
sistemáticas reúnem esses estudos e apresentam os critérios e métodos empregados e os
resultados obtidos. A primeira delas foi realizada por Eysenbach et al. (2002) em 2002. Alguns
anos depois, Zhang et al. (2015) publicaram uma revisão sistemática analisando apenas
artigos em inglês. No mesmo ano, Paolucci (2015) defendeu sua dissertação de Mestrado
apresentando uma revisão sistemática semelhante à de Zhang et al. (2015), embora seja
mais abrangente, pois incluiu títulos em diferentes idiomas. Este artigo se inscreve no debate
metodológico disponível nessas revisões sistemáticas sobre como realizar uma avaliação da
qualidade da informação de sites de saúde, abordando o caso específico das informações
disponíveis em sites de aleitamento materno no Brasil.
O aleitamento materno foi escolhido neste estudo por diferentes razões.
Em primeiro lugar, cabe destacar os inúmeros benefícios que aleitamento materno
pode promover para a saúde infantil e materna a curto, médio e longo prazo e na redução da
morbidade e mortalidade neonatal e infantil (WHO, 2017; Victora et al., 2016). A Organização
Mundial da Saúde (OMS)recomenda que a amamentação seja iniciada dentro de uma hora
após o nascimento e que continue sem outros alimentos ou líquidos durante os primeiros
seis meses de vida (WHO, 2017).
Apesar de tais recomendações, a prática do aleitamento materno não é predominan-
te. O estudo de Victora et al..
(2016) indica que apenas metade dos recém-nascidos ama-
mentados recebem leite materno na primeira hora de vida.
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
77
A revisão sistemática publicada por Kavle et al. (2017) identificou na literatura as
principais barreiras para o aleitamento exclusivo em países de baixa e média, a saber: o
trabalho e a nutrição da mãe; a percepção materna de que o leite materno é insuficiente; a
falta de orientação sobre a importância e o papel do aleitamento; o descaso da família e da
comunidade com essa prática; e a publicidade de substitutos do leite materno.
Em relação ao Brasil, Boccolini et al. (2017) fizeram uma pesquisa sobre a prevalên-
cia dos indicadores de aleitamento materno abrangendo 27 anos (entre 1986 e 2013). Foi
identificada uma tendência crescente favorável ao aleitamento até 2006, apresentando nos
anos seguintes uma relativa estabilização. Nesse contexto, os autores apontam que Brasil
ainda não atingiu um cenário ideal em relação à adoção do aleitamento materno.
Desse modo, é possível observar que a adoção efetiva dessa prática é uma ação es-
tratégica a ser alcançada (BOCCOLINI et al., 2017).
A escolha do aleitamento materno também está associada à questão da informação.
Kayle et al. (2017) destacam a importância da informação e conhecimento no incentivo
às práticas de aleitamento materno. Nessa perspectiva, Alianmoghaddam et al. (2019) se
referem especificamente às informações disponíveis e compartilhadas nas mídias digitais,
ratificando sua importância na promoção desta prática. Esses autores concluíram que mu-
lheres têm utilizado a Internet e dispositivos correlatos para apoiar amamentação, recorrendo
a aplicativos, pesquisas no Google, participação em grupos de apoio e plataformas voltadas
para mães e pais (ALIANMOGHADDAM et al., 2019).
Assim, é possível considerar que o acesso a informações de qualidade na Internet
sobre aleitamento materno pode contribuir para a elevação das taxas de amamentação e,
consequentemente, melhorar a saúde da população infanto-juvenil.
Considerando esse cenário, este trabalho visa contribuir para o preenchimento de uma
lacuna científica relacionada com a baixa produção acadêmica sobre avaliação de sites de
aleitamento materno, onde só foram identificados dois artigos nacionais(MONTEIRO et al.,
2016; SILVA; GUBERT, 2010). Assim, seu objetivo é apresentar os resultados de uma
avaliação de sites brasileiros sobre essa temática. Além disso, pretendemos inscrever este
estudo no debate metodológico internacional sobre avaliação da qualidade das informações
em sites de saúde.
MÉTODOS
O método de avaliação desenvolvido na pesquisa que se transformou neste artigo está
amparado em três revisões sistemáticas publicadas sobre o tema, mencionadas anteriormen-
te. Elas definiram cinco critérios de avaliação, a saber: critério Técnico, que avalia como as
informações foram apresentadas ou que metainformações foram fornecidas; Design, que se
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
78
dedica ao aspecto visual do site; Abrangência, que se preocupa com o escopo da informação
oferecida; Acurácia, que aprecia o grau de concordância das informações fornecidas com
a melhor evidência ou com a prática médica geralmente aceita; e Legibilidade, que verifica
o grau de compreensão texto. Em relação a esse último critério, Eysenbach et al. (2002)
constataram que todos os estudos realizaram testes de compreensão utilizando ferramentas
tecnológicas e sem contar com a participação de usuários finais.
A pesquisa que realizamos utilizou os mesmos critérios mapeados nas três revisões
sistemáticas citadas (EYSENBACH et al., 2002; ZHANG et al., 2015; PAOLUCCI, 2015) e
buscou enfrentar duas lacunas identificadas, a saber: envolver os usuários finais na avaliação
e construir um processo de avaliação de legibilidade da informação em sites de aleitamento
materno, baseado em uma pesquisa participante envolvendo usuários e profissionais de
saúde, ao invés da utilização ferramentas tecnológicas.
A pesquisa e os pesquisadores
Visando sanar a primeira lacuna, foram criados dois grupos de avaliadores representan-
do os usuários finais: um com usuários do Sistema Único de Saúde e outro com profissionais
de atenção primária e especialistas em aleitamento materno.
Para compor o primeiro grupo, foram selecionados 10 moradores das comunidades de
Manguinhos, na cidade do Rio de Janeiro.
Para participar na pesquisa, os residentes de Manguinhos deveriam atender aos se-
guintes critérios de inclusão: ter noções básicas de informática e frequentar o serviço de
atenção primária oferecido pelo Centro de Saúde Escola Germano Sinval de Faria (CSEGSF).
Além disso, eles deveriam estar interessados e envolvidos, de alguma forma, com o tema
do aleitamento. Nosso objetivo foi criar um grupo heterogêneo de usuários, com diferentes
faixas etárias, capaz de abarcar distintas situações, percepções e interesses de busca de
informação sobre a amamentação.
Ao total, foram selecionados 10 participantes: dois homens com 20 anos; duas mulheres
com 18 anos, quatro com 21 anos e duas com 52. Contamos com a participação de dois
homens, um com filho sendo amamentado e outro fora dessa condição. Duas jovens com
menos de 19 anos – uma amamentado, outra não. Duas jovens com mais de 19 anos – uma
amamentado, outra não. Duas avós, com mais de 45 anos: uma com um neto/a amamentado
e outra que tenha convivido com a filha gestante.
O grupo de profissionais da atenção primária e especialistas em aleitamento materno da
Fiocruz foi constituído também por 10 participantes. Cinco eram profissionais que atuavam
na área de Nutrição no CSEGSF. Outros cinco eram especialistas no tema, pois integravam
a equipe do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Fernandes Figueiras (IFF/Fiocruz) da
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
79
Fundação Oswaldo Cruz - reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, pela UNICEF
e pelo Ministério da Saúde como ‘Hospital Amigo da Criança’. Os profissionais que compu-
seram o grupo de avaliadores apresentaram um perfil heterogêneo no que diz respeito à
formação e à experiência profissional com aleitamento materno. No total, participaram sete
nutricionistas, uma engenheira do alimento, uma enfermeira e um veterinário, sendo nove
mulheres e um homem, todos com aproximadamente 50 anos.
Os dois grupos participaram da construção dos indicadores presentes em cada um
dos cinco critérios. Durante nove meses, foram realizados encontros semanais a fim de
construir os indicadores. Nessa perspectiva, este trabalho pode ser considerado, portanto,
uma pesquisa participante (BORGES et al., 2019).
Além disso, esta pesquisa foi acrescida do referencial metodológico da Translação do
Conhecimento. Essa metodologia visa facilitar, incentivar e organizar a troca de diversas
formas de conhecimento. O encontro entre o conhecimento científico e o conhecimento
fruto da experiência permite o desenvolvimento da compreensão e do discernimento entre
universos inicialmente estranhos, que, por sua vez, reconfiguram-se gradualmente por meio
de interações compartilhadas (ABREU et al., 2017).
Os critérios e indicadores
Cada critério foi composto por um número distinto de indicadores. Cada indicador
aborda um aspecto específico de cada um dos critérios. Cabia ao avaliador ler a pergunta
ou a afirmação presente no indicador, pesquisar no site e verificar se existe ou não aquela
informação. O conjunto de respostas ideais dos indicadores compõe as características que
o site de saúde precisaria ter para prover informações com qualidade em cada um dos cinco
critérios. Ao todo foram construídos e utilizados 71 indicadores na avaliação.
O processo de Translação do Conhecimento levou à construção de quatro eixos temá-
ticos, utilizados nos critérios acurácia, abrangência e legibilidade.
O primeiro eixo foi denominado “importância do leite materno para o bebê”. Nele foi
verificado se existem informações no site que enfatizem qualidades essenciais do leite ma-
terno para a saúde do bebê, incluindo a proteção contra infecções no intestino, estômago
e pulmões. O segundo foi denominado “cuidado com as mamas”. Ele descreve as práticas
que deveriam ser adotadas antes e depois de amamentar. O terceiro foi denominado “ama-
mentação: importância para a saúde da mãe/mulher e outros aspectos que podem facilitar
ou dificultar o aleitamento materno”. O quarto aborda a “extração, armazenamento e doação
do leite materno e a continuidade da amamentação após o retorno ao trabalho”. Os indica-
dores de abrangência, acurácia e legibilidade foram distribuídos entre esses quatro eixos
temáticos conforme quadro abaixo.
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
80
Os indicadores de cada critério foram compilados em um questionário eletrônico on-line,
formando a ferramenta de avaliação, com 5 critérios e 71 indicadores (Quadro 1).
Quadro 1. Indicadores de qualidade por critério.
Critério Indicador Resposta Ideal
TÉCNICO
Constam informações sobre o responsável/instituição? SIM
Há quanto tempo foi feita a última atualização? ATÉ 60 DIAS
O site tem alguma propaganda comercial? NENHUMA
Tem a fonte de informação sobre as características do leite materno? SIM
Tem a fonte de informação sobre os cuidados com a mama? SIM
Tem a fonte de informação para a alimentação da gestante/nutriz? SIM
Tem a fonte de informação sobre as doenças e medicamentos que contra indicam a ama-
mentação?
SIM
Tem a fonte de informação sobre os bicos artificiais? SIM
Tem a fonte de informação sobre a frequência e duração das mamadas? SIM
Tem a fonte de informação sobre o direito da mãe à licença maternidade? SIM
INTERATIVIDADE
Existe algum canal de comunicação para contato? SIM
O site participa de alguma rede social? SIM
Existe ferramenta de busca (pesquisa)? SIM
Existe um menu principal? SIM
A primeira página do site é atraente? SIM
ABRANGÊNCIA
1
Constam informações sobre as características do leite materno? SIM
ABRANGÊNCIA
2
Constam informações sobre o cuidado com a mama? SIM
ABRANGÊNCIA
3
Constam informações sobre a alimentação da gestante/nutriz ? SIM
Constam informações sobre doenças e medicamentos que contra indicam a amamenta-
ção?
SIM
Constam informações sobre o uso de bicos artificiais? SIM
Constam informações sobre a frequência e duração das mamadas? SIM
ABRANGÊNCIA
4
Constam informações sobre o direito da mãe à licença maternidade? SIM
ACURÁCIA
1
Não existe leite materno fraco! COMPLETA
O leite materno é um alimento completo que fornece ao bebê todos os componentes ne-
cessários ao seu desenvolvimento, protegendo-o contra infecções no intestino, estômago
e pulmões.
COMPLETA
O leite materno não deve ser complementado com outros líquidos (água, chá ou outros
leites) nos primeiros 6 meses de vida do bebê.
COMPLETA
Aos 6 meses de vida, devemos adicionar outros alimentos ao aleitamento materno, que
deve ser mantido até os 2 anos de vida ou mais.
COMPLETA
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
81
Critério Indicador Resposta Ideal
ACURÁCIA
2
Não há necessidade de preparo das mamas durante a gravidez para a amamentação; não
se deve usar qualquer objeto, não espremer e não utilizar cremes ou loções nas mamas.
COMPLETA
Mastite é uma infecção da mama, associada a rachaduras (fissuras) e machucados nos
mamilos e endurecimento da mama por dificuldade da saída ou por excesso de produção
do leite.
COMPLETA
A mastite pode ser evitada com o esvaziamento das mamas através das mamadas e tam-
bém com massagens seguidas de ordenhas; não se devem fazer compressas quentes nas
mamas e, caso a infecção persista, a mulher deve buscar ajuda de um médico para trata-
mento.
COMPLETA
A massagem das mamas deve começar na região ao redor do bico, em direção ao corpo da
mulher, com os dedos da mão espalmados, sempre em movimentos circulares.
COMPLETA
A massagem das mamas favorece a ordenha manual (retirada do leite com as mãos). COMPLETA
Para ordenhar o leite a mulher deve lavar muito bem as mãos com água e sabão, cobrir
os cabelos, boca e nariz com um pano limpo, desprezando os primeiros jatos que saírem
de seu peito.
COMPLETA
A ordenha manual das mamas deve ser feita colocando o polegar acima da linha onde
acaba a parte escura da mama (aréola) e os dedos indicador e médio abaixo dessa parte,
firmando bem os dedos e empurrando a mama para trás em direção ao corpo da mulher.
Ainda com a mama recolhida, apertar o polegar em direção aos outros dedos (indicador e
médio) até sair o leite.
COMPLETA
ACURÁCIA
3
O bebê saudável deve ser colocado para sugar o peito da mãe na primeira meia hora de
vida; este estímulo favorece a descida do leite.
COMPLETA
O bebê faz uma boa pega quando ele abocanha a aréola (parte mais escura da mama) e
não apenas o bico do peito da mãe. Observa-se que a boca do bebê está bem aberta (“boca
de peixinho”), lábios virados para fora, o queixo encosta no peito da mãe, as bochechas
ficam arredondadas e o bebê demonstra estar satisfeito no final da mamada;
COMPLETA
Não utilizar bicos artificiais (chupetas, mamadeiras, bicos de silicone, etc), pois eles podem
atrapalhar a sucção do bebê e provocar o abandono da amamentação antes do tempo
indicado.
COMPLETA
Os bicos artificiais podem alterar a estrutura facial do bebê, facilitar a respiração pela boca
e alterar o posicionamento de sua língua e de seus dentes, dificultando o desenvolvimen-
to da fala; também podem se tornar veículo de infecção no bebê por micro-organismos,
quando contaminados.
COMPLETA
O bebê deve mamar sempre que quiser (livre demanda) e pelo tempo que quiser, de dia
e de noite.
COMPLETA
Antes de tomar qualquer medicamento, procure um médico e informe que está amamen-
tando.
COMPLETA
A alimentação da gestante deve acompanhar os hábitos alimentares de sua família, evitan-
do excessos de sal, açúcar, gorduras e álcool.
COMPLETA
É contra indicada a amamentação quando a mãe é portadora do vírus do HIV. COMPLETA
Só a própria mãe deve amamentar o seu bebê, porque muitas doenças graves podem pas-
sar pelo leite materno.
COMPLETA
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
82
Critério Indicador Resposta Ideal
ACURÁCIA
4
O leite materno excedente pode ser doado para um banco de leite humano ou um posto
de coleta credenciado, basta acessar o site www.redeblh.fiocruz.br para você conhecer a
lista de locais que recebem leite humano de mães doadoras.
COMPLETA
A manutenção da produção do leite pela mãe que está separada de seu bebê pode ser
estimulada através de uma rotina de massagens e ordenhas para que o bebê receba o leite
de sua mãe assim que possa ser amamentado.
COMPLETA
As mulheres que estejam com dificuldades em amamentar ou que desejem manter sua
produção e guardar seu leite para oferecê-lo ao seu bebê devem buscar apoio e orientação
junto a um banco de leite humano ou a uma unidade de saúde mais próxima.
COMPLETA
O leite humano ordenhado para ser armazenado deve ser guardado em frascos de vidro
com tampa de plástico, lavados e esterilizados, por até 12 horas na geladeira ou, por até 15
dias, em freezer ou congelador.
COMPLETA
O leite humano ordenhado e armazenado para ser oferecido ao bebê deverá ser desconge-
lado ou aquecido em banho-maria e servido ao bebê em xícara ou copinho.
COMPLETA
O banho-maria deve ser realizado com a colocação do frasco a ser aquecido ou desconge-
lado dentro da água já aquecida, em ponto de borbulha, com o fogo já desligado. O nível
da água de dentro da panela deve ficar acima do nível do leite dentro do frasco (ou o frasco
deverá ficar mergulhado dentro da panela sem chegar na altura da rosca de sua tampa) e,
durante o descongelamento ou aquecimento do leite, o frasco deverá ser agitado de cinco
em cinco minutos.
COMPLETA
Mães que estão amamentando e retornam ao trabalho podem manter e armazenar sua
produção de leite para garantir a amamentação exclusiva até os 6 meses de vida de seu
bebê e, a seguir, garantir a amamentação complementada até os dois anos ou mais.
COMPLETA
A licença maternidade, por pelo menos 120 dias corridos, é um direito da mãe garantido
por lei para os cuidados de seus filhos, incluindo a amamentação.
COMPLETA
LEGIBILIDADE
1
Você teve dificuldade de entender a informação sobre as características do leite materno? NÃO
Você encontrou palavras que não conhecia na página de características do leite materno? NÃO
As imagens da página de características do leite materno ajudam a entender o texto? SIM
LEGIBILIDADE
2
Você teve dificuldade de entender a informação sobre cuidados com a mama? NÃO
Você encontrou palavras que não conhecia na página de cuidados com a mama? NÃO
As imagens da página de cuidados com a mama ajudam a entender o texto? SIM
LEGIBILIDADE
3
Você teve dificuldade de entender a informação sobre a alimentação da gestante/nutriz? NÃO
Você encontrou palavras que não conhecia na página de alimentação da gestante/nutriz? NÃO
As imagens da página de alimentação da gestante/nutriz ajudam a entender o texto? SIM
Você teve dificuldade de entender a informação sobre as doenças e medicamentos que
contra indicam a amamentação?
NÃO
Você encontrou palavras que não conhecia na página de doenças e medicamentos que
contra indicam a amamentação?
NÃO
As imagens da página de doenças e medicamentos que contra indicam a amamentação
ajudam a entender o texto?
SIM
Você teve dificuldade de entender a informação sobre o uso dos bicos artificiais? NÃO
Você encontrou palavras que não conhecia na página de bicos artificiais? NÃO
As imagens da página de bicos artificiais ajudam a entender o texto? SIM
Você teve dificuldade de entender a informação sobre a frequência e duração das mama-
das?
NÃO
Você encontrou palavras que não conhecia na página de frequência e duração das mama-
das?
NÃO
As imagens da página de frequência e duração das mamadas ajudam a entender o texto? SIM
LEGIBILIDADE
4
Você teve dificuldade de entender a informação sobre o direito da mulher a licença ma-
ternidade?
NÃO
Você encontrou palavras que não conhecia na página de licença maternidade? NÃO
As imagens da página de licença maternidade ajudam a entender o texto? SIM
Legenda: 1 – Eixo Importância do leite materno para o bebê; 2 – Eixo Cuidado com as mamas; 3 - Amamentação: Importância para a
saúde da mãe/mulher e outros aspectos; 4 - Extração, armazenamento e doação do leite materno/Continuidade da amamentação após
o retorno ao trabalho.
Fonte: Os autores.
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
83
Assim, a pesquisa estabelece um debate com a literatura internacional em duas dire-
ções. Por um lado, ela envolveu profissionais e usuários da atenção primária na construção
dos indicadores e na avaliação das informações. Esse procedimento não foi observado
nas avaliações presentes nas revisões sistemáticas analisadas. Além disso, a legibilida-
de foi avaliada por usuários finais dos serviços e dos sites de aleitamento materno, e não
por ferramentas.
Os sites de aleitamento materno avaliados nessa experiência foram encontrados com o
auxílio do Google - um motor de busca on-line. Foi realizada uma pesquisa em 40 computado-
res localizados em residências e escolas das comunidades de Manguinhos e intermediações.
Esse procedimento se justifica na medida em que alguns sites aparecem em determinados
computadores e em outros, não. Foram utilizadas as palavras de busca “amamentação” e
“aleitamento”. Os 19 sites mais recorrentes foram selecionados para serem avaliados.
A amostra dos sites identificados foi heterogênea em relação ao produtor do conteúdo.
Foram avaliados sites de iniciativas privadas, órgãos públicos, organizações do terceiro setor
e projetos coletivos. Cabe destacar que, em relação ao setor público, foram avaliadas as
páginas do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde da Bahia e da Rede BLH/Fiocruz.
Depois dos 9 meses em que construíram os indicadores foram necessários outros três
meses para a realização da avaliação. Por questões operacionais, o grupo de profissionais
da atenção primária e especialistas avaliou apenas a acurácia das informações nos sites
de aleitamento. Os demais critérios foram avaliados exclusivamente pelo grupo de usuários
da atenção primária.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Cada um dos cinco critérios adotados nesta avaliação detém sua devida singularidade
e importância. Um site ideal sobre aleitamento materno necessita atendê-los igualmente de
forma satisfatória. Isto é, deve ser ao mesmo tempo interativo e de fácil legibilidade. Além
disso, a informação disponibilizada deve estar de acordo com o conhecimento reconhecido
cientificamente, disposta de forma técnica e abranger as diferentes dimensões do aleitamento.
Os indicadores foram construídos por usuários, profissionais de saúde e especialistas
em aleitamento materno. Eles revelam que informações um site de aleitamento materno
deveria ter e como elas deveriam estar dispostas. Analisando os resultados obtidos na ava-
liação (Tabela 1), pode ser observado o grau de conformidade que cada site teve em cada
um dos critérios, depois de ter sido avaliado por usuários, profissionais da atenção primária
e especialistas em aleitamento materno.
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
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Tabela 1. Resultado da Avaliação dos Sites em Relação aos Critérios Adotados.
Site i Técnico Interatividade Abrangência Acurácia Legibilidade Média
Mamãe e Bebê PR 72% 84% 79% 59% 63% 71%
Guia do Bebê CO 58% 92% 86% 65% 51% 70%
Aleitamento.com PR 64% 92% 81% 54% 61% 70%
Unicef Brasil PR 47% 88% 77% 64% 64% 68%
Amamentar é tudo de bom PR 57% 98% 76% 51% 57% 68%
Revista Abril PU 56% 92% 77% 60% 41% 65%
Pastoral da Criança PR 54% 92% 64% 53% 54% 63%
Baby Center PR 54% 88% 70% 48% 43% 61%
Rede BLH PR 51% 82% 57% 49% 63% 60%
ABC da Saúde PU 58% 92% 63% 52% 16% 56%
De mãe para mãe PR 42% 96% 61% 51% 25% 55%
Ministério da Saúde PR 43% 92% 56% 35% 38% 53%
Leite Materno PR 57% 44% 67% 46% 52% 53%
SOS Amamentação PR 41% 96% 57% 40% 30% 53%
Dr. Drauzio Varella PR 47% 82% 61% 45% 31% 53%
Senac SP PU 38% 92% 40% 30% 61% 52%
Pampers PU 32% 90% 57% 40% 14% 47%
Sec. de Saúde Bahia CO 42% 88% 60% 38% 9% 47%
Wikipédia PR 45% 62% 50% 42% 19% 44%
Legenda: i - Interesses associados ao site. PR – Privados; PU – Públicos; Co – Coletivos.
Fonte: Elaboração Própria.
De forma geral, os resultados desta avaliação indicam que apenas três dos dezenove
sites de aleitamento materno avaliados conseguiram obter 70% ou mais de conformidade
com os critérios utilizados. Se esse fosse o índice mínimo de conformidade aceito, a maior
parte dos sites analisados não poderia ser recomendado.
Uma avaliação como esta não tem a finalidade de aprovar ou reprovar uma determi-
nada mídia digital. Sua função primordial é apresentar um diagnóstico da situação encon-
trada. A partir do diagnóstico resultante da avaliação, os gestores dos sites poderiam fazer
as alterações indicadas e, assim, aumentar seus índices de conformidade.
Os resultados obtidos são preocupantes se levarmos em consideração a centralidade
que a Internet desempenha na busca por informações em saúde. Eles confirmam a relevância
e a pertinência da realização de avaliações como esta.
Em relação à Acurácia e à Legibilidade, nenhum site atingiu índice maior que 70%
de conformidade. Isso indica que o conteúdo sobre aleitamento materno da maioria dos
sites avaliados não está em conformidade com o conhecimento científico vigente e que
os moradores de Manguinhos, que exerceram o papel de avaliadores de legibilidade, não
compreenderam a maior parte das informações disponíveis.
Cabe destacar os resultados obtidos pelo site do Ministério da Saúde na avaliação.
Esse site apresentou um índice geral de 53%, obtendo apenas 35% de conformidade no
critério Legibilidade - o menor percentual entre os sites avaliados. Esses resultados parecem
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
85
preocupantes, considerando o papel desse órgão nos processos de comunicação e infor-
mação em saúde e as taxas de aleitamento materno no país.
Os outros dois sites de órgãos públicos avaliados também apresentaram desempe-
nho aquém do esperado. A página sobre aleitamento materno da Secretaria de Saúde da
Bahia ficou na penúltima posição, com uma média geral de 45%, obtendo 38% no critério de
Legibilidade e 9% no critério de Acurácia – o segundo menor percentual de todos os sites
avaliados. O site Rede BHL, da Fiocruz, apresentou um desempenho melhor que os demais
sites públicos avaliados, sendo atribuído uma média 60% de conformidade aos critérios.
Porém, o índice de Legibilidade desse site é mediano (49%), podendo ser melhorado para
que a informação disponibilizada seja mais legível para os usuários que acessam o conteúdo.
Dois estudos nacionais realizaram uma avaliação da qualidade da informação em sites
de aleitamento materno. Um foi publicado por Silva e Gubert (2010). Ele se limitou a analisar
o conteúdo das informações de sites sobre aleitamento materno e alimentação complemen-
tar de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde do Brasil. Outro foi publicado
por Monteiro et al. (2016). Este trabalho não aborda exclusivamente o aleitamento materno,
mas as informações nutricionais para crianças menores de 2 anos. As autoras identificaram
que a maior parte dos sites avaliados apresentava conteúdo informativo dissonante das
recomendações do Ministério da Saúde. Os dois trabalhos não utilizaram nem mencionam
na bibliografia a revisão sistemática de Eysenbach et al. (2002), que serviu de base para a
experiência descrita e analisada neste artigo.
Consideramos importante reconhecer que a pesquisa on-line sobre aleitamento materno
tem se popularizado entre mulheres (ALIANMOGHADDAM et al., 2019). Desse modo, pare-
ce-nos relevante que a informação on-line sobre esse tema tenha origem técnica, apresente
abrangência e seja cientificamente precisa, interativa e compreensível para que a prática da
amamentação seja adequadamente promovida e apoiada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pesquisas conduzidas nas últimas décadas reiteram que a promoção e a adoção do
aleitamento materno podem trazer inúmeros benefícios tanto para a saúde materna quanto
para a saúde infanto-juvenil. No Brasil, embora tenham apresentado um crescimento ao longo
do final do século XX, as taxas de amamentação estagnaram na primeira década dos anos
2000, apresentando uma situação considerada razoável. Desse modo, ainda é necessário
disseminar amplamente a importância dessa prática. Ainda que o Ministério da Saúde tenha
realizado nas últimas décadas campanhas em meios massivos sobre aleitamento materno,
é necessário considerar o papel fundamental que as Novas Tecnologias de Informação e
Comunicação desempenham no acesso à informação sobre saúde. Estudos apontam que
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
86
mães utilizam a Internet para conhecer e apoiar sua prática de amamentação. Desse modo,
torna-se imprescindível que as políticas públicas de saúde voltada para o aleitamento con-
siderem a centralidade que a informação on-line sobre saúde possui no cenário atual.
Para apoiar e promover a amamentação, não basta que a informação esteja disponível:
é necessário que ela possua qualidade, apresente sua fonte, seja interativa, tenha acurácia
científica e seja compreensível. O trabalho que se transformou neste artigo contou com a
participação de diferentes grupos de avaliadores, e identificou que a maioria dos sites ava-
liados apresentara menos de 70% de conformidade com os critérios adotados. Embora a
maior parte dos endereços seja interativa, o escopo da informação sobre o tema é mediano,
assim como a atualização e a fonte do conteúdo não foram identificadas de modo satisfa-
tório. Os sites avaliados também apresentam deficiência na acurácia e na legibilidade da
informação. Mesmo quando estava presente no endereço, o conteúdo não possuía neces-
sariamente precisão científica ou era de difícil compreensão. Além disso, os sites públicos
avaliados apresentaram desempenho aquém do esperado, sendo que um deles obteve o
menor índice de legibilidade.
Assim, os resultados deste artigo apontam para a necessidade da realização de ou-
tras avaliações da qualidade da informação de sites de aleitamento materno, sobretudo em
endereços eletrônicos de órgãos públicos.
Esta avaliação apresenta uma abordagem metodológica inovadora e resultados impor-
tantes para o debate sobre a qualidade da informação on-line sobre aleitamento materno.
Entretanto ela possui alguns limites importantes. Um deles está associado a fato da amostra
ter englobado apenas 19 sites. Se ela fosse ampliada, os resultados obtidos em relação
ao dados quantitativos poderiam ser diferentes. Outra limitação refere-se à distribuição dos
avaliadores em relação aos critérios. Por uma dificuldade logística, profissionais de saúde e
especialistas analisaram apenas o critério Acurácia. Se eles tivessem sido envolvidos na ava-
liação dos demais critérios, o resultado poderia ter diferente. Finalmente cabe um destaque
ao perfil dos usuários avaliadores. Como mencionamos anteriormente, todos são oriundos
da mesma localidade e compartilham perfis socioeconômicos semelhantes. Se tivessemos
envolvido usuários com outros perfis, os achados poderiam diferir.
Finalmente, cabe ressaltar que os resultados deste artigo guardam todas as condições
de participar de forma crítica e inovadora do debate internacional sobre os critérios de ava-
liação de sites de saúde e incentivar a produção cientifica dessa área.
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
87
REFERÊNCIAS
1.	 ABREU, D. M. F. et al. Usos e influências de uma avaliação: translação de conhecimento?
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3.	 BARBARA, N. et al. EveryBody–Tailored online health promotion and eating disorder prevention
for women: Study protocol of a dissemination trial. Internet Interventions, v. 16, p. 20-25, 2019.
4.	 BOCCOLINI, C. S. et al. Tendência de indicadores do aleitamento materno no Brasil em três
décadas. Rev. Saúde Pública, v. 51, p. 1-9, 2017.
5.	 BORGES, C. et al. Pesquisa participante baseada na comunidade: fundamentos, requisitos e
desafios ao pesquisador. Rev. Enferm. UFSM, 2019, v. 9, p. e48.
6.	 COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. TIC Domicílios: Pesquisa sobre o Uso das
Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros. São Paulo: CGI.BR,
2020.
7.	 EYSENBACH, G. et al. Empirical studies assessing the quality of health information for consu-
mers on the world wide web: a systematic review. JAMA, v. 287, n. 20, p. 2691–2700, 2002.
8.	 KAVLE, J. A. et al. Addressing barriers to exclusive breast-feeding in low- and middle-income
countries: a systematic review and programmatic implications. Public Health Nutr., v. 20, n.
17, p. 3120-3134, 2017.
9.	 KUENZEL, U. et al. Evaluation of the Quality of Online Information for Patients with Rare Can-
cers: Thyroid Cancer. J Cancer Educ., v. 33, n. 5, p. 960-966, 2018.
10.	 MONTEIRO, G. S. G. et al. Avaliação das informações nutricionais referentes às crianças de
até dois anos disponíveis em sites populares. Rev. paul. pediatr., v. 34, n. 3, p. 287-292, 2016.
11.	 PARK, H. et al. Can a health information exchange save health care costs? Evidence from a
pilot program in South Korea. Int J Med Inform., v. 84, n. 9, p. 658-666, 2015.
12.	 PAOLUCCI R. Métodos para avaliação da qualidade de informação em sites de saúde:
revisão sistemática (2001-2014). 2015. Dissertação (Mestrado em Informação e Comunicação
em Saúde) - Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2015.
13.	 PAOLUCCI, R.; PEREIRA NETO, A.; LUZIA, R. Avaliação da qualidade da informação em
sites de tuberculose: análise de uma experiência participativa. Saúde debate, v. 41, n. spe,
p. 84-100, 2017.
14.	 PEREIRA NETO, A.; FLYNN, M. The Internet and health in Brazil: challenges and trends.
Cham: Springer, 2019.
15.	 PEREIRA NETO, A. et al. Avaliação participativa da qualidade da informação de saúde na
internet: o caso de sites de dengue. Ciênc. saúde coletiva, v. 22, n. 6, p. 1955-1968, 2017.
16.	 SILVA, R. Q.; GUBERT, M. B. Qualidade das informações sobre aleitamento materno e ali-
mentação complementar em sites brasileiros de profissionais de saúde disponíveis na internet.
Rev. Bras. Saude Mater. Infant., v. 10, n. 3, p. 331-340, 2010.
Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2
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17.	 VICTORA, C. G. et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and
lifelong effect. Lancet., v. 387, n. 10017, p. 475-490, 2016.
18.	 WHO - WORLD HEALTH ORGANIZATION. Nurturing the health and wealth of nations: the
investment case for breastfeeding Global breastfeeding collective - executive summary. New
York: United Nations Children’s Fundation, 2017.
19.	 ZHANG, Y. et al. Quality of health information for consumers on the web: A systematic review
of indicators, criteria, tools, and evaluation results. Journal of the Association for Information
Science & Technology, v. 66, n. 10, p. 2071–2084, 2015.

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Sites de Aleitamento: avaliação da qualidade da informação / pesquisa

  • 1. 05 Avaliação da qualidade da informação em sites de aleitamento materno: notas sobre uma experiência André Pereira Neto FIOCRUZ Silvia Braña López FIOCRUZ João Aprígio Almeida FIOCRUZ Rafaela Luzia Colégio Pedro II Rodolfo Paolucci FAETEC Leticia Barbosa FIOCRUZ Joaquim Teixeira Netto FIOCRUZ 10.37885/210705236
  • 2. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 75 Palavras-chave: Internet, Estudos de Avaliação Como Assunto, Informação de Saúde ao Consumidor, Aleitamento Materno, Pesquisa Participativa Baseada na Comunidade. RESUMO Introdução: A internet disponibiliza inúmeras formas de acesso, produção e compartilha- mento de informação, inclusive de saúde. Mães e mulheres têm recorrido à internet para pesquisar informação, sobretudo visando apoiar sua prática de amamentação. Embora apresente inúmeras vantagens para a saúde materno-infantil, a prevalência do aleitamento materno no Brasil ainda não se encontra em um patamar ideal. Objetivo: Considerando esse cenário, esse artigo descreve e analisa uma avaliação da qualidade da informa- ção em sites de aleitamento materno. Métodos: A partir de uma pesquisa participante, orientada pelo referencial Translação do Conhecimento, 19 sites foram avaliados por profissionais da saúde, especialistas e moradores da comunidade de Manguinhos. Foram utilizados cinco critérios consagrados pela literatura e experiências internacionais, a saber: Técnico, Interatividade, Abrangência, Legibilidade e Acurácia. Resultados: Apenas três dos dezenove sites atingiu 70% de conformidade com os indicadores e critérios estipu- lados. Conclusão: É necessário observar a qualidade de sites de aleitamento materno.
  • 3. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 76 INTRODUÇÃO As mídias digitais têm promovido uma série de transformações nas atividades coti- dianas. Elas disponibilizam ilimitadas informações on-line sobre qualquer assunto a todos que tenham acesso e competência para utilizá-las (PEREIRA NETO; FLYNN, 2019). Nesse contexto, a busca por informações sobre saúde nas mídias digitais ocupa um lugar de destaque. No Brasil, em 2019, a saúde foi o segundo tópico de informação mais buscado on-line (CGI.BR, 2020). O acesso à informação de saúde de baixa qualidade pode fazer com que o cidadão tome decisões que afetem negativamente sua qualidade de vida e bem-estar (KUENZEL et al., 2018). Por outro lado, a informação de qualidade pode propiciar o desenvolvimento de habilidades que conferem maior poder de decisão ao indivíduo sobre sua saúde, pro- movendo seu empoderamento e facilitando o autocuidado. Ela pode, ainda, contribuir para reduzir os custos dos sistemas de assistência médica, promover a saúde, prevenir doenças e aumentar a adesão a determinados tratamentos(PARK et al., 2015; BARBARA et al., 2019; PEREIRA NETO; FLYNN, 2019). Desde o final do século XX, alguns esforços têm sido empreendidos no campo acadê- mico a fim de avaliar a qualidade da informação de saúde nas mídias digitais. Três revisões sistemáticas reúnem esses estudos e apresentam os critérios e métodos empregados e os resultados obtidos. A primeira delas foi realizada por Eysenbach et al. (2002) em 2002. Alguns anos depois, Zhang et al. (2015) publicaram uma revisão sistemática analisando apenas artigos em inglês. No mesmo ano, Paolucci (2015) defendeu sua dissertação de Mestrado apresentando uma revisão sistemática semelhante à de Zhang et al. (2015), embora seja mais abrangente, pois incluiu títulos em diferentes idiomas. Este artigo se inscreve no debate metodológico disponível nessas revisões sistemáticas sobre como realizar uma avaliação da qualidade da informação de sites de saúde, abordando o caso específico das informações disponíveis em sites de aleitamento materno no Brasil. O aleitamento materno foi escolhido neste estudo por diferentes razões. Em primeiro lugar, cabe destacar os inúmeros benefícios que aleitamento materno pode promover para a saúde infantil e materna a curto, médio e longo prazo e na redução da morbidade e mortalidade neonatal e infantil (WHO, 2017; Victora et al., 2016). A Organização Mundial da Saúde (OMS)recomenda que a amamentação seja iniciada dentro de uma hora após o nascimento e que continue sem outros alimentos ou líquidos durante os primeiros seis meses de vida (WHO, 2017). Apesar de tais recomendações, a prática do aleitamento materno não é predominan- te. O estudo de Victora et al.. (2016) indica que apenas metade dos recém-nascidos ama- mentados recebem leite materno na primeira hora de vida.
  • 4. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 77 A revisão sistemática publicada por Kavle et al. (2017) identificou na literatura as principais barreiras para o aleitamento exclusivo em países de baixa e média, a saber: o trabalho e a nutrição da mãe; a percepção materna de que o leite materno é insuficiente; a falta de orientação sobre a importância e o papel do aleitamento; o descaso da família e da comunidade com essa prática; e a publicidade de substitutos do leite materno. Em relação ao Brasil, Boccolini et al. (2017) fizeram uma pesquisa sobre a prevalên- cia dos indicadores de aleitamento materno abrangendo 27 anos (entre 1986 e 2013). Foi identificada uma tendência crescente favorável ao aleitamento até 2006, apresentando nos anos seguintes uma relativa estabilização. Nesse contexto, os autores apontam que Brasil ainda não atingiu um cenário ideal em relação à adoção do aleitamento materno. Desse modo, é possível observar que a adoção efetiva dessa prática é uma ação es- tratégica a ser alcançada (BOCCOLINI et al., 2017). A escolha do aleitamento materno também está associada à questão da informação. Kayle et al. (2017) destacam a importância da informação e conhecimento no incentivo às práticas de aleitamento materno. Nessa perspectiva, Alianmoghaddam et al. (2019) se referem especificamente às informações disponíveis e compartilhadas nas mídias digitais, ratificando sua importância na promoção desta prática. Esses autores concluíram que mu- lheres têm utilizado a Internet e dispositivos correlatos para apoiar amamentação, recorrendo a aplicativos, pesquisas no Google, participação em grupos de apoio e plataformas voltadas para mães e pais (ALIANMOGHADDAM et al., 2019). Assim, é possível considerar que o acesso a informações de qualidade na Internet sobre aleitamento materno pode contribuir para a elevação das taxas de amamentação e, consequentemente, melhorar a saúde da população infanto-juvenil. Considerando esse cenário, este trabalho visa contribuir para o preenchimento de uma lacuna científica relacionada com a baixa produção acadêmica sobre avaliação de sites de aleitamento materno, onde só foram identificados dois artigos nacionais(MONTEIRO et al., 2016; SILVA; GUBERT, 2010). Assim, seu objetivo é apresentar os resultados de uma avaliação de sites brasileiros sobre essa temática. Além disso, pretendemos inscrever este estudo no debate metodológico internacional sobre avaliação da qualidade das informações em sites de saúde. MÉTODOS O método de avaliação desenvolvido na pesquisa que se transformou neste artigo está amparado em três revisões sistemáticas publicadas sobre o tema, mencionadas anteriormen- te. Elas definiram cinco critérios de avaliação, a saber: critério Técnico, que avalia como as informações foram apresentadas ou que metainformações foram fornecidas; Design, que se
  • 5. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 78 dedica ao aspecto visual do site; Abrangência, que se preocupa com o escopo da informação oferecida; Acurácia, que aprecia o grau de concordância das informações fornecidas com a melhor evidência ou com a prática médica geralmente aceita; e Legibilidade, que verifica o grau de compreensão texto. Em relação a esse último critério, Eysenbach et al. (2002) constataram que todos os estudos realizaram testes de compreensão utilizando ferramentas tecnológicas e sem contar com a participação de usuários finais. A pesquisa que realizamos utilizou os mesmos critérios mapeados nas três revisões sistemáticas citadas (EYSENBACH et al., 2002; ZHANG et al., 2015; PAOLUCCI, 2015) e buscou enfrentar duas lacunas identificadas, a saber: envolver os usuários finais na avaliação e construir um processo de avaliação de legibilidade da informação em sites de aleitamento materno, baseado em uma pesquisa participante envolvendo usuários e profissionais de saúde, ao invés da utilização ferramentas tecnológicas. A pesquisa e os pesquisadores Visando sanar a primeira lacuna, foram criados dois grupos de avaliadores representan- do os usuários finais: um com usuários do Sistema Único de Saúde e outro com profissionais de atenção primária e especialistas em aleitamento materno. Para compor o primeiro grupo, foram selecionados 10 moradores das comunidades de Manguinhos, na cidade do Rio de Janeiro. Para participar na pesquisa, os residentes de Manguinhos deveriam atender aos se- guintes critérios de inclusão: ter noções básicas de informática e frequentar o serviço de atenção primária oferecido pelo Centro de Saúde Escola Germano Sinval de Faria (CSEGSF). Além disso, eles deveriam estar interessados e envolvidos, de alguma forma, com o tema do aleitamento. Nosso objetivo foi criar um grupo heterogêneo de usuários, com diferentes faixas etárias, capaz de abarcar distintas situações, percepções e interesses de busca de informação sobre a amamentação. Ao total, foram selecionados 10 participantes: dois homens com 20 anos; duas mulheres com 18 anos, quatro com 21 anos e duas com 52. Contamos com a participação de dois homens, um com filho sendo amamentado e outro fora dessa condição. Duas jovens com menos de 19 anos – uma amamentado, outra não. Duas jovens com mais de 19 anos – uma amamentado, outra não. Duas avós, com mais de 45 anos: uma com um neto/a amamentado e outra que tenha convivido com a filha gestante. O grupo de profissionais da atenção primária e especialistas em aleitamento materno da Fiocruz foi constituído também por 10 participantes. Cinco eram profissionais que atuavam na área de Nutrição no CSEGSF. Outros cinco eram especialistas no tema, pois integravam a equipe do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Fernandes Figueiras (IFF/Fiocruz) da
  • 6. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 79 Fundação Oswaldo Cruz - reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, pela UNICEF e pelo Ministério da Saúde como ‘Hospital Amigo da Criança’. Os profissionais que compu- seram o grupo de avaliadores apresentaram um perfil heterogêneo no que diz respeito à formação e à experiência profissional com aleitamento materno. No total, participaram sete nutricionistas, uma engenheira do alimento, uma enfermeira e um veterinário, sendo nove mulheres e um homem, todos com aproximadamente 50 anos. Os dois grupos participaram da construção dos indicadores presentes em cada um dos cinco critérios. Durante nove meses, foram realizados encontros semanais a fim de construir os indicadores. Nessa perspectiva, este trabalho pode ser considerado, portanto, uma pesquisa participante (BORGES et al., 2019). Além disso, esta pesquisa foi acrescida do referencial metodológico da Translação do Conhecimento. Essa metodologia visa facilitar, incentivar e organizar a troca de diversas formas de conhecimento. O encontro entre o conhecimento científico e o conhecimento fruto da experiência permite o desenvolvimento da compreensão e do discernimento entre universos inicialmente estranhos, que, por sua vez, reconfiguram-se gradualmente por meio de interações compartilhadas (ABREU et al., 2017). Os critérios e indicadores Cada critério foi composto por um número distinto de indicadores. Cada indicador aborda um aspecto específico de cada um dos critérios. Cabia ao avaliador ler a pergunta ou a afirmação presente no indicador, pesquisar no site e verificar se existe ou não aquela informação. O conjunto de respostas ideais dos indicadores compõe as características que o site de saúde precisaria ter para prover informações com qualidade em cada um dos cinco critérios. Ao todo foram construídos e utilizados 71 indicadores na avaliação. O processo de Translação do Conhecimento levou à construção de quatro eixos temá- ticos, utilizados nos critérios acurácia, abrangência e legibilidade. O primeiro eixo foi denominado “importância do leite materno para o bebê”. Nele foi verificado se existem informações no site que enfatizem qualidades essenciais do leite ma- terno para a saúde do bebê, incluindo a proteção contra infecções no intestino, estômago e pulmões. O segundo foi denominado “cuidado com as mamas”. Ele descreve as práticas que deveriam ser adotadas antes e depois de amamentar. O terceiro foi denominado “ama- mentação: importância para a saúde da mãe/mulher e outros aspectos que podem facilitar ou dificultar o aleitamento materno”. O quarto aborda a “extração, armazenamento e doação do leite materno e a continuidade da amamentação após o retorno ao trabalho”. Os indica- dores de abrangência, acurácia e legibilidade foram distribuídos entre esses quatro eixos temáticos conforme quadro abaixo.
  • 7. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 80 Os indicadores de cada critério foram compilados em um questionário eletrônico on-line, formando a ferramenta de avaliação, com 5 critérios e 71 indicadores (Quadro 1). Quadro 1. Indicadores de qualidade por critério. Critério Indicador Resposta Ideal TÉCNICO Constam informações sobre o responsável/instituição? SIM Há quanto tempo foi feita a última atualização? ATÉ 60 DIAS O site tem alguma propaganda comercial? NENHUMA Tem a fonte de informação sobre as características do leite materno? SIM Tem a fonte de informação sobre os cuidados com a mama? SIM Tem a fonte de informação para a alimentação da gestante/nutriz? SIM Tem a fonte de informação sobre as doenças e medicamentos que contra indicam a ama- mentação? SIM Tem a fonte de informação sobre os bicos artificiais? SIM Tem a fonte de informação sobre a frequência e duração das mamadas? SIM Tem a fonte de informação sobre o direito da mãe à licença maternidade? SIM INTERATIVIDADE Existe algum canal de comunicação para contato? SIM O site participa de alguma rede social? SIM Existe ferramenta de busca (pesquisa)? SIM Existe um menu principal? SIM A primeira página do site é atraente? SIM ABRANGÊNCIA 1 Constam informações sobre as características do leite materno? SIM ABRANGÊNCIA 2 Constam informações sobre o cuidado com a mama? SIM ABRANGÊNCIA 3 Constam informações sobre a alimentação da gestante/nutriz ? SIM Constam informações sobre doenças e medicamentos que contra indicam a amamenta- ção? SIM Constam informações sobre o uso de bicos artificiais? SIM Constam informações sobre a frequência e duração das mamadas? SIM ABRANGÊNCIA 4 Constam informações sobre o direito da mãe à licença maternidade? SIM ACURÁCIA 1 Não existe leite materno fraco! COMPLETA O leite materno é um alimento completo que fornece ao bebê todos os componentes ne- cessários ao seu desenvolvimento, protegendo-o contra infecções no intestino, estômago e pulmões. COMPLETA O leite materno não deve ser complementado com outros líquidos (água, chá ou outros leites) nos primeiros 6 meses de vida do bebê. COMPLETA Aos 6 meses de vida, devemos adicionar outros alimentos ao aleitamento materno, que deve ser mantido até os 2 anos de vida ou mais. COMPLETA
  • 8. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 81 Critério Indicador Resposta Ideal ACURÁCIA 2 Não há necessidade de preparo das mamas durante a gravidez para a amamentação; não se deve usar qualquer objeto, não espremer e não utilizar cremes ou loções nas mamas. COMPLETA Mastite é uma infecção da mama, associada a rachaduras (fissuras) e machucados nos mamilos e endurecimento da mama por dificuldade da saída ou por excesso de produção do leite. COMPLETA A mastite pode ser evitada com o esvaziamento das mamas através das mamadas e tam- bém com massagens seguidas de ordenhas; não se devem fazer compressas quentes nas mamas e, caso a infecção persista, a mulher deve buscar ajuda de um médico para trata- mento. COMPLETA A massagem das mamas deve começar na região ao redor do bico, em direção ao corpo da mulher, com os dedos da mão espalmados, sempre em movimentos circulares. COMPLETA A massagem das mamas favorece a ordenha manual (retirada do leite com as mãos). COMPLETA Para ordenhar o leite a mulher deve lavar muito bem as mãos com água e sabão, cobrir os cabelos, boca e nariz com um pano limpo, desprezando os primeiros jatos que saírem de seu peito. COMPLETA A ordenha manual das mamas deve ser feita colocando o polegar acima da linha onde acaba a parte escura da mama (aréola) e os dedos indicador e médio abaixo dessa parte, firmando bem os dedos e empurrando a mama para trás em direção ao corpo da mulher. Ainda com a mama recolhida, apertar o polegar em direção aos outros dedos (indicador e médio) até sair o leite. COMPLETA ACURÁCIA 3 O bebê saudável deve ser colocado para sugar o peito da mãe na primeira meia hora de vida; este estímulo favorece a descida do leite. COMPLETA O bebê faz uma boa pega quando ele abocanha a aréola (parte mais escura da mama) e não apenas o bico do peito da mãe. Observa-se que a boca do bebê está bem aberta (“boca de peixinho”), lábios virados para fora, o queixo encosta no peito da mãe, as bochechas ficam arredondadas e o bebê demonstra estar satisfeito no final da mamada; COMPLETA Não utilizar bicos artificiais (chupetas, mamadeiras, bicos de silicone, etc), pois eles podem atrapalhar a sucção do bebê e provocar o abandono da amamentação antes do tempo indicado. COMPLETA Os bicos artificiais podem alterar a estrutura facial do bebê, facilitar a respiração pela boca e alterar o posicionamento de sua língua e de seus dentes, dificultando o desenvolvimen- to da fala; também podem se tornar veículo de infecção no bebê por micro-organismos, quando contaminados. COMPLETA O bebê deve mamar sempre que quiser (livre demanda) e pelo tempo que quiser, de dia e de noite. COMPLETA Antes de tomar qualquer medicamento, procure um médico e informe que está amamen- tando. COMPLETA A alimentação da gestante deve acompanhar os hábitos alimentares de sua família, evitan- do excessos de sal, açúcar, gorduras e álcool. COMPLETA É contra indicada a amamentação quando a mãe é portadora do vírus do HIV. COMPLETA Só a própria mãe deve amamentar o seu bebê, porque muitas doenças graves podem pas- sar pelo leite materno. COMPLETA
  • 9. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 82 Critério Indicador Resposta Ideal ACURÁCIA 4 O leite materno excedente pode ser doado para um banco de leite humano ou um posto de coleta credenciado, basta acessar o site www.redeblh.fiocruz.br para você conhecer a lista de locais que recebem leite humano de mães doadoras. COMPLETA A manutenção da produção do leite pela mãe que está separada de seu bebê pode ser estimulada através de uma rotina de massagens e ordenhas para que o bebê receba o leite de sua mãe assim que possa ser amamentado. COMPLETA As mulheres que estejam com dificuldades em amamentar ou que desejem manter sua produção e guardar seu leite para oferecê-lo ao seu bebê devem buscar apoio e orientação junto a um banco de leite humano ou a uma unidade de saúde mais próxima. COMPLETA O leite humano ordenhado para ser armazenado deve ser guardado em frascos de vidro com tampa de plástico, lavados e esterilizados, por até 12 horas na geladeira ou, por até 15 dias, em freezer ou congelador. COMPLETA O leite humano ordenhado e armazenado para ser oferecido ao bebê deverá ser desconge- lado ou aquecido em banho-maria e servido ao bebê em xícara ou copinho. COMPLETA O banho-maria deve ser realizado com a colocação do frasco a ser aquecido ou desconge- lado dentro da água já aquecida, em ponto de borbulha, com o fogo já desligado. O nível da água de dentro da panela deve ficar acima do nível do leite dentro do frasco (ou o frasco deverá ficar mergulhado dentro da panela sem chegar na altura da rosca de sua tampa) e, durante o descongelamento ou aquecimento do leite, o frasco deverá ser agitado de cinco em cinco minutos. COMPLETA Mães que estão amamentando e retornam ao trabalho podem manter e armazenar sua produção de leite para garantir a amamentação exclusiva até os 6 meses de vida de seu bebê e, a seguir, garantir a amamentação complementada até os dois anos ou mais. COMPLETA A licença maternidade, por pelo menos 120 dias corridos, é um direito da mãe garantido por lei para os cuidados de seus filhos, incluindo a amamentação. COMPLETA LEGIBILIDADE 1 Você teve dificuldade de entender a informação sobre as características do leite materno? NÃO Você encontrou palavras que não conhecia na página de características do leite materno? NÃO As imagens da página de características do leite materno ajudam a entender o texto? SIM LEGIBILIDADE 2 Você teve dificuldade de entender a informação sobre cuidados com a mama? NÃO Você encontrou palavras que não conhecia na página de cuidados com a mama? NÃO As imagens da página de cuidados com a mama ajudam a entender o texto? SIM LEGIBILIDADE 3 Você teve dificuldade de entender a informação sobre a alimentação da gestante/nutriz? NÃO Você encontrou palavras que não conhecia na página de alimentação da gestante/nutriz? NÃO As imagens da página de alimentação da gestante/nutriz ajudam a entender o texto? SIM Você teve dificuldade de entender a informação sobre as doenças e medicamentos que contra indicam a amamentação? NÃO Você encontrou palavras que não conhecia na página de doenças e medicamentos que contra indicam a amamentação? NÃO As imagens da página de doenças e medicamentos que contra indicam a amamentação ajudam a entender o texto? SIM Você teve dificuldade de entender a informação sobre o uso dos bicos artificiais? NÃO Você encontrou palavras que não conhecia na página de bicos artificiais? NÃO As imagens da página de bicos artificiais ajudam a entender o texto? SIM Você teve dificuldade de entender a informação sobre a frequência e duração das mama- das? NÃO Você encontrou palavras que não conhecia na página de frequência e duração das mama- das? NÃO As imagens da página de frequência e duração das mamadas ajudam a entender o texto? SIM LEGIBILIDADE 4 Você teve dificuldade de entender a informação sobre o direito da mulher a licença ma- ternidade? NÃO Você encontrou palavras que não conhecia na página de licença maternidade? NÃO As imagens da página de licença maternidade ajudam a entender o texto? SIM Legenda: 1 – Eixo Importância do leite materno para o bebê; 2 – Eixo Cuidado com as mamas; 3 - Amamentação: Importância para a saúde da mãe/mulher e outros aspectos; 4 - Extração, armazenamento e doação do leite materno/Continuidade da amamentação após o retorno ao trabalho. Fonte: Os autores.
  • 10. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 83 Assim, a pesquisa estabelece um debate com a literatura internacional em duas dire- ções. Por um lado, ela envolveu profissionais e usuários da atenção primária na construção dos indicadores e na avaliação das informações. Esse procedimento não foi observado nas avaliações presentes nas revisões sistemáticas analisadas. Além disso, a legibilida- de foi avaliada por usuários finais dos serviços e dos sites de aleitamento materno, e não por ferramentas. Os sites de aleitamento materno avaliados nessa experiência foram encontrados com o auxílio do Google - um motor de busca on-line. Foi realizada uma pesquisa em 40 computado- res localizados em residências e escolas das comunidades de Manguinhos e intermediações. Esse procedimento se justifica na medida em que alguns sites aparecem em determinados computadores e em outros, não. Foram utilizadas as palavras de busca “amamentação” e “aleitamento”. Os 19 sites mais recorrentes foram selecionados para serem avaliados. A amostra dos sites identificados foi heterogênea em relação ao produtor do conteúdo. Foram avaliados sites de iniciativas privadas, órgãos públicos, organizações do terceiro setor e projetos coletivos. Cabe destacar que, em relação ao setor público, foram avaliadas as páginas do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde da Bahia e da Rede BLH/Fiocruz. Depois dos 9 meses em que construíram os indicadores foram necessários outros três meses para a realização da avaliação. Por questões operacionais, o grupo de profissionais da atenção primária e especialistas avaliou apenas a acurácia das informações nos sites de aleitamento. Os demais critérios foram avaliados exclusivamente pelo grupo de usuários da atenção primária. RESULTADOS E DISCUSSÃO Cada um dos cinco critérios adotados nesta avaliação detém sua devida singularidade e importância. Um site ideal sobre aleitamento materno necessita atendê-los igualmente de forma satisfatória. Isto é, deve ser ao mesmo tempo interativo e de fácil legibilidade. Além disso, a informação disponibilizada deve estar de acordo com o conhecimento reconhecido cientificamente, disposta de forma técnica e abranger as diferentes dimensões do aleitamento. Os indicadores foram construídos por usuários, profissionais de saúde e especialistas em aleitamento materno. Eles revelam que informações um site de aleitamento materno deveria ter e como elas deveriam estar dispostas. Analisando os resultados obtidos na ava- liação (Tabela 1), pode ser observado o grau de conformidade que cada site teve em cada um dos critérios, depois de ter sido avaliado por usuários, profissionais da atenção primária e especialistas em aleitamento materno.
  • 11. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 84 Tabela 1. Resultado da Avaliação dos Sites em Relação aos Critérios Adotados. Site i Técnico Interatividade Abrangência Acurácia Legibilidade Média Mamãe e Bebê PR 72% 84% 79% 59% 63% 71% Guia do Bebê CO 58% 92% 86% 65% 51% 70% Aleitamento.com PR 64% 92% 81% 54% 61% 70% Unicef Brasil PR 47% 88% 77% 64% 64% 68% Amamentar é tudo de bom PR 57% 98% 76% 51% 57% 68% Revista Abril PU 56% 92% 77% 60% 41% 65% Pastoral da Criança PR 54% 92% 64% 53% 54% 63% Baby Center PR 54% 88% 70% 48% 43% 61% Rede BLH PR 51% 82% 57% 49% 63% 60% ABC da Saúde PU 58% 92% 63% 52% 16% 56% De mãe para mãe PR 42% 96% 61% 51% 25% 55% Ministério da Saúde PR 43% 92% 56% 35% 38% 53% Leite Materno PR 57% 44% 67% 46% 52% 53% SOS Amamentação PR 41% 96% 57% 40% 30% 53% Dr. Drauzio Varella PR 47% 82% 61% 45% 31% 53% Senac SP PU 38% 92% 40% 30% 61% 52% Pampers PU 32% 90% 57% 40% 14% 47% Sec. de Saúde Bahia CO 42% 88% 60% 38% 9% 47% Wikipédia PR 45% 62% 50% 42% 19% 44% Legenda: i - Interesses associados ao site. PR – Privados; PU – Públicos; Co – Coletivos. Fonte: Elaboração Própria. De forma geral, os resultados desta avaliação indicam que apenas três dos dezenove sites de aleitamento materno avaliados conseguiram obter 70% ou mais de conformidade com os critérios utilizados. Se esse fosse o índice mínimo de conformidade aceito, a maior parte dos sites analisados não poderia ser recomendado. Uma avaliação como esta não tem a finalidade de aprovar ou reprovar uma determi- nada mídia digital. Sua função primordial é apresentar um diagnóstico da situação encon- trada. A partir do diagnóstico resultante da avaliação, os gestores dos sites poderiam fazer as alterações indicadas e, assim, aumentar seus índices de conformidade. Os resultados obtidos são preocupantes se levarmos em consideração a centralidade que a Internet desempenha na busca por informações em saúde. Eles confirmam a relevância e a pertinência da realização de avaliações como esta. Em relação à Acurácia e à Legibilidade, nenhum site atingiu índice maior que 70% de conformidade. Isso indica que o conteúdo sobre aleitamento materno da maioria dos sites avaliados não está em conformidade com o conhecimento científico vigente e que os moradores de Manguinhos, que exerceram o papel de avaliadores de legibilidade, não compreenderam a maior parte das informações disponíveis. Cabe destacar os resultados obtidos pelo site do Ministério da Saúde na avaliação. Esse site apresentou um índice geral de 53%, obtendo apenas 35% de conformidade no critério Legibilidade - o menor percentual entre os sites avaliados. Esses resultados parecem
  • 12. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 85 preocupantes, considerando o papel desse órgão nos processos de comunicação e infor- mação em saúde e as taxas de aleitamento materno no país. Os outros dois sites de órgãos públicos avaliados também apresentaram desempe- nho aquém do esperado. A página sobre aleitamento materno da Secretaria de Saúde da Bahia ficou na penúltima posição, com uma média geral de 45%, obtendo 38% no critério de Legibilidade e 9% no critério de Acurácia – o segundo menor percentual de todos os sites avaliados. O site Rede BHL, da Fiocruz, apresentou um desempenho melhor que os demais sites públicos avaliados, sendo atribuído uma média 60% de conformidade aos critérios. Porém, o índice de Legibilidade desse site é mediano (49%), podendo ser melhorado para que a informação disponibilizada seja mais legível para os usuários que acessam o conteúdo. Dois estudos nacionais realizaram uma avaliação da qualidade da informação em sites de aleitamento materno. Um foi publicado por Silva e Gubert (2010). Ele se limitou a analisar o conteúdo das informações de sites sobre aleitamento materno e alimentação complemen- tar de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde do Brasil. Outro foi publicado por Monteiro et al. (2016). Este trabalho não aborda exclusivamente o aleitamento materno, mas as informações nutricionais para crianças menores de 2 anos. As autoras identificaram que a maior parte dos sites avaliados apresentava conteúdo informativo dissonante das recomendações do Ministério da Saúde. Os dois trabalhos não utilizaram nem mencionam na bibliografia a revisão sistemática de Eysenbach et al. (2002), que serviu de base para a experiência descrita e analisada neste artigo. Consideramos importante reconhecer que a pesquisa on-line sobre aleitamento materno tem se popularizado entre mulheres (ALIANMOGHADDAM et al., 2019). Desse modo, pare- ce-nos relevante que a informação on-line sobre esse tema tenha origem técnica, apresente abrangência e seja cientificamente precisa, interativa e compreensível para que a prática da amamentação seja adequadamente promovida e apoiada. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisas conduzidas nas últimas décadas reiteram que a promoção e a adoção do aleitamento materno podem trazer inúmeros benefícios tanto para a saúde materna quanto para a saúde infanto-juvenil. No Brasil, embora tenham apresentado um crescimento ao longo do final do século XX, as taxas de amamentação estagnaram na primeira década dos anos 2000, apresentando uma situação considerada razoável. Desse modo, ainda é necessário disseminar amplamente a importância dessa prática. Ainda que o Ministério da Saúde tenha realizado nas últimas décadas campanhas em meios massivos sobre aleitamento materno, é necessário considerar o papel fundamental que as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação desempenham no acesso à informação sobre saúde. Estudos apontam que
  • 13. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 86 mães utilizam a Internet para conhecer e apoiar sua prática de amamentação. Desse modo, torna-se imprescindível que as políticas públicas de saúde voltada para o aleitamento con- siderem a centralidade que a informação on-line sobre saúde possui no cenário atual. Para apoiar e promover a amamentação, não basta que a informação esteja disponível: é necessário que ela possua qualidade, apresente sua fonte, seja interativa, tenha acurácia científica e seja compreensível. O trabalho que se transformou neste artigo contou com a participação de diferentes grupos de avaliadores, e identificou que a maioria dos sites ava- liados apresentara menos de 70% de conformidade com os critérios adotados. Embora a maior parte dos endereços seja interativa, o escopo da informação sobre o tema é mediano, assim como a atualização e a fonte do conteúdo não foram identificadas de modo satisfa- tório. Os sites avaliados também apresentam deficiência na acurácia e na legibilidade da informação. Mesmo quando estava presente no endereço, o conteúdo não possuía neces- sariamente precisão científica ou era de difícil compreensão. Além disso, os sites públicos avaliados apresentaram desempenho aquém do esperado, sendo que um deles obteve o menor índice de legibilidade. Assim, os resultados deste artigo apontam para a necessidade da realização de ou- tras avaliações da qualidade da informação de sites de aleitamento materno, sobretudo em endereços eletrônicos de órgãos públicos. Esta avaliação apresenta uma abordagem metodológica inovadora e resultados impor- tantes para o debate sobre a qualidade da informação on-line sobre aleitamento materno. Entretanto ela possui alguns limites importantes. Um deles está associado a fato da amostra ter englobado apenas 19 sites. Se ela fosse ampliada, os resultados obtidos em relação ao dados quantitativos poderiam ser diferentes. Outra limitação refere-se à distribuição dos avaliadores em relação aos critérios. Por uma dificuldade logística, profissionais de saúde e especialistas analisaram apenas o critério Acurácia. Se eles tivessem sido envolvidos na ava- liação dos demais critérios, o resultado poderia ter diferente. Finalmente cabe um destaque ao perfil dos usuários avaliadores. Como mencionamos anteriormente, todos são oriundos da mesma localidade e compartilham perfis socioeconômicos semelhantes. Se tivessemos envolvido usuários com outros perfis, os achados poderiam diferir. Finalmente, cabe ressaltar que os resultados deste artigo guardam todas as condições de participar de forma crítica e inovadora do debate internacional sobre os critérios de ava- liação de sites de saúde e incentivar a produção cientifica dessa área.
  • 14. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 87 REFERÊNCIAS 1. ABREU, D. M. F. et al. Usos e influências de uma avaliação: translação de conhecimento? Saúde debate, v. 41, n. spe, p. 302-316, 2017. 2. ALIANMOGHADDAM, N. et al. “I did a lot of Googling”: A qualitative study of exclusive breas- tfeeding support through social media. Women Birth., v. 32, n. 2, p. 147-156, 2019. 3. BARBARA, N. et al. EveryBody–Tailored online health promotion and eating disorder prevention for women: Study protocol of a dissemination trial. Internet Interventions, v. 16, p. 20-25, 2019. 4. BOCCOLINI, C. S. et al. Tendência de indicadores do aleitamento materno no Brasil em três décadas. Rev. Saúde Pública, v. 51, p. 1-9, 2017. 5. BORGES, C. et al. Pesquisa participante baseada na comunidade: fundamentos, requisitos e desafios ao pesquisador. Rev. Enferm. UFSM, 2019, v. 9, p. e48. 6. COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. TIC Domicílios: Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros. São Paulo: CGI.BR, 2020. 7. EYSENBACH, G. et al. Empirical studies assessing the quality of health information for consu- mers on the world wide web: a systematic review. JAMA, v. 287, n. 20, p. 2691–2700, 2002. 8. KAVLE, J. A. et al. Addressing barriers to exclusive breast-feeding in low- and middle-income countries: a systematic review and programmatic implications. Public Health Nutr., v. 20, n. 17, p. 3120-3134, 2017. 9. KUENZEL, U. et al. Evaluation of the Quality of Online Information for Patients with Rare Can- cers: Thyroid Cancer. J Cancer Educ., v. 33, n. 5, p. 960-966, 2018. 10. MONTEIRO, G. S. G. et al. Avaliação das informações nutricionais referentes às crianças de até dois anos disponíveis em sites populares. Rev. paul. pediatr., v. 34, n. 3, p. 287-292, 2016. 11. PARK, H. et al. Can a health information exchange save health care costs? Evidence from a pilot program in South Korea. Int J Med Inform., v. 84, n. 9, p. 658-666, 2015. 12. PAOLUCCI R. Métodos para avaliação da qualidade de informação em sites de saúde: revisão sistemática (2001-2014). 2015. Dissertação (Mestrado em Informação e Comunicação em Saúde) - Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2015. 13. PAOLUCCI, R.; PEREIRA NETO, A.; LUZIA, R. Avaliação da qualidade da informação em sites de tuberculose: análise de uma experiência participativa. Saúde debate, v. 41, n. spe, p. 84-100, 2017. 14. PEREIRA NETO, A.; FLYNN, M. The Internet and health in Brazil: challenges and trends. Cham: Springer, 2019. 15. PEREIRA NETO, A. et al. Avaliação participativa da qualidade da informação de saúde na internet: o caso de sites de dengue. Ciênc. saúde coletiva, v. 22, n. 6, p. 1955-1968, 2017. 16. SILVA, R. Q.; GUBERT, M. B. Qualidade das informações sobre aleitamento materno e ali- mentação complementar em sites brasileiros de profissionais de saúde disponíveis na internet. Rev. Bras. Saude Mater. Infant., v. 10, n. 3, p. 331-340, 2010.
  • 15. Saúde Coletiva: avanços e desafios para a integralidade do cuidado - Volume 2 88 17. VICTORA, C. G. et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. Lancet., v. 387, n. 10017, p. 475-490, 2016. 18. WHO - WORLD HEALTH ORGANIZATION. Nurturing the health and wealth of nations: the investment case for breastfeeding Global breastfeeding collective - executive summary. New York: United Nations Children’s Fundation, 2017. 19. ZHANG, Y. et al. Quality of health information for consumers on the web: A systematic review of indicators, criteria, tools, and evaluation results. Journal of the Association for Information Science & Technology, v. 66, n. 10, p. 2071–2084, 2015.