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  1. 1. AtualidadesAtualidades2011 vestibular+enem Glauco e a história 35 anos de Brasil nas tiras do cartunista Crise na Grécia O país ameaça a economia europeia Petróleo no mar Um desastre ambiental sem precedentes nas profundezas do Golfo do México e mais: k Usina Belo Monte k Obama e a saúde k Evolução humana k Negócios da China k Educação no Brasil k Discriminação k Censo de 2010 PREPARE-SE 50 resumos para você estudar × Como construir uma boa redação Aprenda a ler mapas, tabelas e gráficos × Simulado com 47 questões e d i ç ã o 1 2 k R $ 1 9 , 9 5 www.guiadoestudante.com.br nuclear Energia dossiê Com o Irã no centro do debate, o mundo discute as usinas atômicas e os riscos dos arsenais nucleares 118 temas que caem na prova Explosão atômica no atol de Bikini, no oceano Pacífico, feita pelos EUA, em 1946
  2. 2. 2011 AtualidadesAtualidades vestibular+enem
  3. 3. 4 atualidades vestibular + enem 2011 52011 atualidades vestibular + enem robertgauthier/losangelestimesmagazine/wpp2010/divulgação Todo mundo de olho N o período em que a gente se prepara para o vestibular e o Enem, às vezes se sente como a bolinha da foto: todos estão de olho em cima. São os pais, os amigos, os professores. Acontece que a cobrança, às vezes, pode prejudicar. Na imagem acima, premiada no World Press Photo 2010, o que ocorre realmente é que a torcida do time de beisebol New York Yankees berra e atrapalha o jogador adversário, do Los Angeles Angels (do qual aparece apenas a mão), para que deixe a bola escapulir. Se ele pegá-la no ar, elimina um rebatedor da equipe da casa. Contra essa tremenda pressão humana, o jogador só tem uma arma: manter a calma, o foco e a determinação. Mas,noseucaso,comoconseguirisso?Nãoadiantaseangustiar:atranquilidadepara osexamesvemdoestudometódico,dacompreensãodostemasescolares,daampliação gradativa do conhecimento. Nada acontece por acaso, nem do dia para a noite. Nesta edição, nós nos sentimos como treinadores de um time. Pesquisamos os vestibulares para levantar os temas mais pedidos e os trazemos explicados em TENSÃO MÁXIMA Jogo de beisebol entre Yankees e Angels (imagem premiada no World Press Photo 2010) Carta ao leitor detalhes, num rico panorama do mundo atual. Além disso, para que, na hora certa, você tenha um bom desempenho, é importante: × desenvolveracapacidadedeapreenderinformações,quechegamdediversasformas.Por isso, nossa revista traz fotos, gráficos e mapas, sempre vinculados a um contexto; × ampliar o conhecimento geral dos temas. Uma boa dica é ver filmes, ler quadrinhos ou visitar museus nas horas de folga, pois reforça um repertório que faz diferença; × melhorar a capacidade de expressão por escrito. Nessa área, chamamos um professor para analisar bons textos e explicar como se responde a questões dissertativas. Estamos entregando a você nosso trabalho – e esperamos que seja bem útil para ajudar em seus desafios. Boa sorte e um abraço. Paulo Zocchi, editor (pzocchi@abril.com.br)
  4. 4. 6 atualidades vestibular + enem 2011 72011 atualidades vestibular + enem Divirta-se 8 Horadolazer Indicamos bons filmes, documentários, programas de TV e histórias em quadrinhos que divertem e ensinam 14 WorldPressPhoto Veja imagens premiadas em 2010 16 GrafiteepichaçãoA arte das ruas chega aos museus Ponto de Vista 18 SançõesdaONU A visão de quatro revistas sobre as sanções ao Irã 20 GuerranoAfeganistão Documentos secretos vazam para a imprensa Destrinchando 22 EducaçãonoBrasilVeja um amplo painel dos avanços e das deficiências no Ensino Fundamental, Médio e Superior Dossiê Nuclear 28 PressãosobreoIrãPrograma de enriquecimento de urânio no país dos aiatolás leva a ONU a aplicar sanções pela quarta vez 35 O queéoTNPComo funciona o Tratado de Não Proliferação Nuclear 36 Desarmamento Ainda está longe um mundo sem bombas atômicas 38 DesastresAs lições dos acidentes em Chernobyl e Three Mile Island 41 EnergiaPaíses reavaliam alternativa nuclear para gerar eletricidade 46 Brasil O país investe na ampliação do número de usinas atômicas e no domínio da tecnologia de produção do combustível nuclear Internacional 50 Conflitos Um painel dos principais confrontos armados no mundo atual, duas décadas depois de terminada a Guerra Fria 58 ONU Os emergentes querem mudar o Conselho de Segurança 62 IsraelO ataque a navios de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza causa desgaste internacional e provoca uma crise com a Turquia 68 Estados Unidos O presidente Barack Obama aprova seu plano para reformar e ampliar o atendimento à saúde dos norte-americanos 72 China O gigante da Ásia resiste à crise econômica global e prossegue com sua produção crescendo num ritmo notável 78 RússiaRedução do arsenal nuclear reaproxima o país dos EUA 84 AméricaLatinaA ditadura militar no banco dos réus 88 UniãoEuropeiaA crise da Grécia põe o bloco europeu em xeque Descubra 92 Grécia Grave crise econômica atinge o país no qual nasceram a filosofia ocidental e os conceitos de república e democracia 94 Portugal Potênciamarítimanopassado,hojeéumdospaísesmais pobresdaEuropaesenteoimpactodasturbulênciasnomercadomundial 96 EspanhaUma das nações mais visitadas da Europa enfrenta as dificuldades da recessão global e alto índice de desemprego 98 IrlandaÚltimo país a aprovar o Tratado de Lisboa da União Europeia, enfrenta forte recessão desde 2008 e alta taxa de desemprego Brasil 100 Glauco AhistóriarecentedoBrasilnoscartunsedesenhosdoartista 108 EraVargasHá 80 anos, Getúlio Vargas chegou ao poder 112 ÍndiosCrescem o número de reservas e a população indígena 116 Amazônia O polêmico projeto da hidrelétrica de Belo Monte 120 Concentraçãode rendaA desigualdade diminui no Brasil 122 A RevoltadaChibata100 anos do motim contra o chicote na Marinha Economia 124 O Brasil e oBricCresce o poder das economias emergentes 130 GlobalizaçãoA economia global enfrenta forte recessão em 2009 134 EnergiaAumentaraproduçãoéograndedesafiodoséculoXXI 140 TrabalhoA crise global provoca a perda de 34 milhões de empregos 144 ProdutoInternoBruto A economia diminui 0,2%, mas podia ser pior 146 BalançacomercialApesardasdificuldades,osaldoexternovoltaasubir 148 IndústriasElasserecuperam,depoisdeum2009muitoruim 152 TransportesUmamatrizequilibrada éessencialaodesenvolvimento Questões Sociais 156 MigraçõesDiferenças econômicas explicam o vaivém pelo Brasil 164 UrbanizaçãoAs cidades enfrentam desafios para encarar o futuro 172 Censo de 2010 Saiba qual é a importância do recensamento deste ano 180 Desigualdade racial O país adota um estatuto para a igualdade Ciências e Meio Ambiente 186 Biodiversidade O vazamento de petróleo no Golfo do México é um trágico exemplo do impacto humano sobre a vida das espécies 192 Água Umrecursosobameaçadeescassezporcausadesuamáutilização 198 TransgênicosO Brasil já é o segundo produtor mundial de culturas agrícolas com base em organismos geneticamente modificados 202 OrigemdohomemNovas descobertas sobre os nossos antepassados 206 Galileu Há400anos,elecomeçouaobservarouniversopelotelescópio Redação 210 Fuvest Professor analisa redações do vestibular de 2010 e orienta como redigir as respostas para questões dissertativas Fichas-resumo 220 Pararelembrar 20 fichas de temas de nossas edições anteriores Simuladão 224 Teste seusconhecimentos 47 questões sobre atualidades escolhidas em vestibulares de todo o país, com respostas e comentários De Olho na História 242 Viniciusde Moraes30 anos da morte de um dos grandes poetas do modernismo – e também compositor e letrista da bossa nova Sumário k ATUALIDADES VESTIBULAR + ENEM 2011 sol inclemente Girafa morta no leito seco de um rio no nordeste do Quênia, na África, vítima da prolongada falta de chuvas (premiada no World Press Photo) stefanodeluigi/viinetworkforlemondemagazine/wpp2010/divulgação
  5. 5. 8 atualidades vestibular + enem 2011 Divirta-seFilmes e quadrinhos que divertem e ensinam. São obras que falam do mundo atual e nos levam a vivenciar os dramas contemporâneos k F i l m e s 92011 atualidades vestibular + enem O Grande Desafio Direção | Denzel Washington ANO | 2007 Aprender a pesquisar um tema, desen- volver sua capacidade de analisar uma questão, argumentar e expressar-se ver- balmente para debates em equipe entre faculdades. A cada competição, um júri escolherá a equipe vencedora. Puxa, um desafio e tanto! Principalmente porque a faculdade é exclusivamente para estu- dantesnegrosenuncahaviaformadouma equipe de debates para competir, de igual para igual, com universitários brancos de universidades consagradas dos Estados Unidos como Yale ou Harvard. E é isso que o novo professor Melvin Tolson propõe aos alunos da Faculdade Wiley, numa cidade rural do Texas, em 1935. Nessa época, os debates universi- tários são institucionalizados e bastante concorridos. Tolson é voluntarioso, al- tivo e progressista, características que o levam a confrontar-se com pessoas de referência na comunidade. O professor educa alunos receosos e inseguros e procura reavivar neles o ânimo, o brio e a coragem. Para isso, en- sina-lhes o sentido racista de palavras como “denegrir” e “linchamento” e, ao mesmo tempo, é rígido em disciplina. A equipe de Wiley se sai bem e passa a receber sucessivos convites para debates sobre temas controversos. Por exemplo: o seguro-desemprego é uma política de assistência social válida?; ou é apenas uma esmola de governo, um tapa-buraco eleitoreiro custeado com os impostos do cidadão, uma medida que pretende ocul- tar o desemprego? É justo e moralmente aceitável que as pessoas deflagrem um movimento pacífico de desobediência ci- vil a uma lei que elas considerem injusta, mesmo que essa lei tenha sido aprovada por uma câmara de vereadores ou pelo Congresso nacional? É interessante relembrar que as polí- ticas racistas nos Estados Unidos eram adotadas pelos governos dos estados, que têm maior autonomia em relação ao governo federal do que no Brasil. Elas vigoraram até décadas atrás, e o mo- vimento político que definitivamente iria derrotá-las foi liderado pelo pastor Martin Luther King Júnior, na década de 1960. Assim, é relevante notar a impor- tância de que existisse uma faculdade só para negros já em 1935. O filme também ajuda a entender outro aspecto. Na clan- destinidade, Tolson está organizando os agricultores meeiros, brancos e negros, em um sindicato, para que se defendam da superexploração dos proprietários. Além de dirigir o filme, Denzel Wa- shington atua como o professor Tolson e contracena com o ator Forest Whitaker. fotos:divulgação O Solista Direção | Joe Wright Ano | 2009 O cotidiano e a situação dos moradores deruadacidadedeLosAngeles,nolitoral oestedosEstadosUnidos,éocenáriodeste drama, no qual um repórter descobre um moradorderuaqueéumtalentosomúsico. Comovido com a situa­ção, o jornalista, interpretado pelo ator Robert Downey Jr. (o mesmo dos recentes O Homem de Ferro e Sherlock Holmes – O Filme), passa apublicaremumjornaldacidadecrônicas regulares sobre sua relação com o músico de rua, textos que depois serão reunidos e publicados em um livro. Infelizmente, o músicoNathanielAyerssofredeesquizo- frenia,eofilmemostratambémestaeou- trasdoençasmentaiscomunsaossem-teto, que moram nas ruas ou em abrigos. Bem-Vindo Direção | Philippe Lioret Ano | 2009 Bilal é um jovem iraquiano que quer ir àInglaterraparareencontrarasuanamo- rada. O garoto tenta entrar no país ilegal- mente – dentro de um caminhão de carga –, mas acaba sendo pego na França, onde consegue exílio político. No país, Bilal faz aulasdenatação,naesperançadeconseguir entrarnaInglaterrapelomar,atravessando anadoocanaldaMancha.Apartirdahis- tóriadojovemiraniano,Bem-Vindomostra arealidadedemilhõesdeimigrantesilegais que saem do país à procura de melhores condições de vida. Flor do Deserto Direção | Sherry Hormamm Ano | 2010 Flor do Deserto conta a história real da modelosomaliWarisDirie.Comapenas13 anos,Warisfogedeumcasamentoarranja- doevaiparaLondrestentarumanovavida. Consegueumempregoemumalanchone- te, até ser descoberta por um fotógrafo e virarmodelo.Emumaentrevista,elaconta tersofrido,ao3anos,umamutilaçãogeni- tal,comaextirpaçãodoclitóris.Omundo ficasabendodesuahistória,eWarispassa a ser uma das principais defensoras da erradicação dessa prática, que continua a existir em muitos países africanos. Território Restrito Direção| Wayne Kramer Ano | 2009 Perigos,chantagensementirassãofatores quepassamafazerpartedavidadaspessoas que imigram ilegalmente para os Estados Unidos. Este filme é um painel dramático dessesedeoutrosaspectoshumanos,mo- rais e éticos, tanto dos imigrantes pobres ou com renda baixa quanto de diferentes profissionais que se relacionam com eles, comoospoliciaisdefronteira,advogadose assistentessociais.Ofilmedenunciaocom- portamentoxenófoboepreconceituosoque eclodiuapósosatentadosde11desetembro de2001,exemplificadonolongapelareação de uma classe do Ensino Médio contra uma colega islâmica. O filme é protagoni- zado por Harrison Ford, com Ray Liotta, Ashley Judd e a brasileira Alice Braga. O Grupo Baader Meinhof Direção | Uli Edel Ano | 2008 Baseadonolivrohomônimodajornalista alemãStefanAust,olongarelataaorigeme asaçõesdogrupoguerrilheirodeesquerda FacçãoArmadaVermelha(RAF),quelutou contraoEstadoalemãoduranteadécadade 1970. O filme, assim como o livro, começa em1967.Emumamanifestaçãoestudantil contraaguerradoVietnã,háumconfronto comapolícia,eumestudanteacabasendo baleado.Apartirdaí,desenrolam-semuitas manifestações. Unem-se à causa a jorna- lista Ulrike Meinhof e o casal extremista Andreas Baader, que fundam o RAF. O longa mostra uma sequência de eventos que culmina no sequestro de um avião comturistasalemães,quelevaàmortedos principais líderes do grupo guerrilheiro. M a i s d i c a s As Melhores Coisas do Mundo Direção | Laís Bodanzky Ano | 2010 O filme conta a história de Mano, um estudantede15anosqueenfrentaproble- mas próprios da idade: as dificuldades da escolaedorelacionamentocomamigos,os conflitoscomospaiseaconvivênciacom o irmão. Trata-se da entrada aos poucos no mundo adulto, da difícil construção deumaidentidade.Manoestudaemuma escola privada de São Paulo. Mas os pro- blemasqueaflingemeleeseuscolegassão universais. As Melhores Coisas do Mundo é um longa instigante e verdadeiro sobre as “questões” dos adolescentes.
  6. 6. 10 atualidades vestibular + enem 2011 Divirta-se 112011 atualidades vestibular + enem Divirta-se k d o c u m e n t á r i o s Restrepo Direção|SebastianJungereTimHetheringtonAno|2010 Restrepoéumdocumentárioquemostra aguerranoAfeganistãopelopontodevista dos soldados norte-americanos. O filme aborda um ano (entre 2007 e 2008) na vidadeumpelotãodesoldadosnovaledo Korengal,umlocalcomcombatesbastante violentos no período. Diferentemente de outrosfilmesdogênero,quecostumamse basear em depoimentos, os diretores da películadecidiramligarascâmeraseregis- trarascoisasqueestavamacontecendono local.Assim,opúblicopodeverossoldados enfrentando diferenças culturais, tédio e cansaço, antes de entrar de fato em ação, lutando contra o ataque inimigo. Cidadão Boilesen Direção | Chaim Litewski Ano | 2009 Diversos membros das Forças Armadas brasileiras são acusados de torturar pre- sos políticos na época da ditadura militar, que se estendeu no Brasil de 1964 a 1985. Há também evidências do envolvimento de civis na prática desse crime. Isso é o que nos mostra o documentário do dire- tor brasileiro Chaim Litewski. Resultado de 15 anos de pesquisa, o filme, por meio de depoimentos de ex-militantes políti- cos e de militares, afirma que a tortura no Brasil foi financiada por empresários e banqueiros. O caso mais emblemático foi o do dinamarquês naturalizado brasileiro Henning Boilesen, assassinado em 1971 por militantes políticos. Ex-presidente da Ultragaz, Boilesen – que gostava de assistir a sessões de torturas – partici- pou da criação da Operação Bandeirante (Oban) – um esquema de organização de informações, investigações e tortura montado pelo Exército brasileiro no fim dos anos 1960. Enron – Os Mais Espertos da Sala Direção |  Alex Gibney Ano | 2005 Em 2001, a multinacional Enron, um gigantenorte-americanodosetordeener- gia,pediuconcordata.Maisde20milpes- soas ficaram sem emprego e acionistas perderam dinheiro, numa manobra que favoreceu os executivos da companhia. O documentário Enron – Os Mais Esper- tos da Sala faz uma análise detalhada de um dos maiores escândalos empresariais da história norte-americana. Por meio de gravações e depoimentos de analistas econômicos e ex-empregados da empre- sa, o filme, baseado no livro homônimo dos jornalistas Bethany McLean e Peter Elkind, mostra como funcionava a Eron e comofoipossívellevarasfraudesadiante, apontodeenganaromercadodeações,os funcionários e o governo. A Corporação Direção | Mark Achbar e Jennifer Abbott Ano | 2002 Baseado no livro A Corporação: a Busca Patológica por Lucro e Poder, do escritor canadense Joel Bakan, o documentário fala sobre as grandes empresas norte- americanas. O filme traça um histórico dessas companhias e mostra que, de acor- do com a lei, as firmas têm as mesmas prerrogativas legais que os indivíduos, mas conseguem usá-las melhor, em razão dos recursos financeiros. Por meio de de- poimentos de 40 empresários, jornalistas e cineastas, entre outros, A Corporação mostra que, em busca do lucro, há em- presas que adotam posturas eticamente questionáveis. Um dos pontos marcantes da fita é o depoimento do negociador em bolsa de commodities (matérias-primas) Carlton Brown. Ele declara que, ao saber dos ataques às torres gêmeas, nos Estados Unidos, que matou milhares de pesso- as, o mundo empresarial só pensava em quanto dinheiro se havia perdido com o ataque terrorista. i t e l e v i s ã o Almanaque Brasil TV Cultura e TV Brasil Você sabe quem foi Carmem Miranda? Ou o que o cartunista Henfil escrevia no exílio? As respostas para essas e muitas outras perguntas curiosas estão no pro- grama Almanaque Brasil, uma versão eletrônica da revista impressa produzida pelo artista gráfico Elifas Andreatto. O programa é apresentado pela cantora Luciana Mello e pelo ator Robson Nunes, intérprete do personagem Almanaquias, que faz testes, brincadeiras e conta curio- sidades. As informações, adaptadas de mais de 6 mil verbetes, são típicas de almanaques populares, caracterizados por grande diversidade de textos e re- pertórios num estilo bem-humorado. Os assuntos do Almanaque Brasil são essen- cialmente referentes à cultura brasileira, com variedades, curiosidades e eventos históricos, tratados num tom educativo e descontraído. A valorização da cultura nacional, que pauta todo o programa, pode ser percebido nos vários quadros que o compõem, como Ilustres Brasilei- ros, Cantos do Brasil e Brasiliômetro, que contam com a participação de nomes de destaque, como a atriz Fernanda Monte- negro e o músico Paulinho da Viola. TV Cultura Horário| domingo, 19h30 TV Brasil Horário| sábado, 19h Reprise| segunda, 20h A’Uwe TV Cultura, Rede Minas e TV Brasil Em língua xavante, A’Uwe quer dizer “povo indígena”. O programa é dedicado à divulgação da cultura, do modo de vida e dos problemas das nações indígenas brasileiras, com apresentação do ator Marcos Palmeira. A’Uwe traz ao especta- dor vídeos realizados por documentaris- tas e também pelos próprios índios, que nos aproximam das tradições, rituais, conflitos e histórias dos diferentes povos nativos do território brasileiro, visando a ampliar o conhecimento e suscitar o debate sobre esses povos. Nos documentários internacionais, o programa dá um giro por diversas partes do globo para mostrar os povos nativos de outras regiões, reportando sua cultura, tradições, mostrando como são tratados pelo governo do país onde fica seu ter- ritório e como ocorre a convivência do moderno com o ancestral. Já foram exi- bidos documentários como Nas Trilhas de Makunaima, sobre o mitológico herói indígena, e Katxá Nawá, dirigido por Zezinho Yube, da nação Hunikuin, que lhe valeu o Prêmio Culturas Indígenas Ângelo Kretã. TV Cultura Horário| domingo, 18h Reprise| quarta, 20h Rede Minas Horário| domingo, 18h30 TV Brasil Horário| domingo, 16h Sem Fronteiras Globo News No programa Sem Fronteiras, os jor- nalistas Sílio Boccanera, Jorge Pontual e Tonico Ferreira fazem reportagens sobre assuntos que foram destaque durante a semananoBrasilenomundo.Asmatérias dão um novo enfoque a temas variados. Alguns exemplos: k a crise econômica na Espanha e o mo- vimento separatista da região da Cata- lunha, que tomou as ruas de Barcelona após a vitória da seleção da Espanha na Copa do Mundo; k as medidas que a Agência Nacional do Petróleo(ANP)planejatomarparaevi- tar vazamentos em poços no pré-sal, como ocorreu no Golfo do México; k a discussão sobre o que é a liberda- de de expressão na atual era digital, sobretudo depois de a China impor censura ao Google. Para atualizar e dar mais profundidade às reportagens, os jornalistas contam com análises de entrevistados e a par- ticipação de especialistas nos assuntos abordados, tanto do Brasil quanto de outros países. Horário| quinta, 23h30 Reprises| sexta, 6h30; sábado, 4h05 e 14h05; domingo, 23h30; segunda, 12h30
  7. 7. 12 atualidades vestibular + enem 2011 Divirta-se 132011 atualidades vestibular + enem Divirta-se T q u a d r i n h o s Uma incrível viagem ao Afeganistão O fotógrafo francês Didier Lefèbre mistura fotos com quadrinhos para narrar sua ida ao território em guerra O Afeganistão, país escondido em remotas montanhas da Ásia Cen- tral, chama a atenção do mundo nos últimos anos. Em 2001, os Estados Unidos entraram em guerra contra o seu governo, do grupo fundamentalista islâmico Taliban, por dar abrigo aos ter- roristas responsáveis pelos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington. Tropas norte-americanas e de outros países da Otan (aliança militar ocidental) derrubaram o Taliban e hoje tentam estabilizar a situação, em apoio ao atual presidente, Hamid Karzai. Diante das dificuldades, o atual presidente dos EUA,BarackObama,decidiuampliarain- da mais o número de soldados. Até agora, nada indica que estão tendo sucesso. Mas que país é este? Como vive seu povo? Como é o cotidiano de sua po- pulação? Nada como saber de alguém que já esteve lá. O Fotógrafo, obra em três vo- lumes do francês Didier Lefèvre, é um espetacular relato de viagem. Ele mes- mo é o fotógrafo e acompanhou uma expedição humanitária da organização Médicos sem Fronteiras que viajou pelo território afegão por quatro meses em 1986. Apesar de os fatos terem ocorrido há mais de vinte anos, quase nada mudou por lá, desde então. Na verdade, o Afeganistão é um ter- ritório em guerra há 31 anos, quando as tropas da União Soviética invadiram o país. Naquele momento, as potências ocidentais ajudaram a armar os grupos islâmicos, que enfrentavam o exérci- to comunista. Os soviéticos saíram em 1989, e diversos clãs, facções e grupos de diversas etnias entraram em confli- to, com o Taliban subindo ao governo em 1995. Os conflitos jamais cessaram completamente. Não dá para dizer simplesmente que O Fotógrafo é uma história em quadrinhos, pois a espinha dorsal do relato é baseada nas fotos de Lefèvre. Os quadrinhos en- tram preenchendo a parte da ação para a qual não há imagens fotográficas. Temos então um livro híbrido, que funciona muito bem: as fotos dão o realismo e a veracidade a tudo o que é relatado, os quadrinhos dinamizam a história. Nela, vemos os dramas da população em guer- ra, o trabalho dos médicos com os feridos, a miséria e a falta de quase tudo nos lo- cais visitados, a religiosidade severa dos afegãos, as diferenças culturais com os franceses. Auxiliado na montagem do álbum por Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier, Lefèvre faz uma narrativa ao mesmo tempo verdadeira, despojada e muito bem-humorada. Com a publicação do terceiro e último volume, que acaba de sair, a editora Conrad completa esta excelente obra. É uma leitura muito útil para quem quer conhecer melhor o mun- do em que vivemos. O Fotógrafo AUTORES | Didier Lefèvre, Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier editora | CONRAD EDITORA – 3 volumes (288 páginas no total) – 69,00 reais o conjunto Chibata! AUTORES | Hemetério e Olinto Gadelha Neto Um marcante episódio da história brasileira, embora pouco conhecido, é retratado nesta belíssima história em quadrinhos. Trata-se da Revolta da Chibata, motim de 2,3 mil marujos dos principais navios de guerra da Marinha brasileira, em novembro de 1910, pelo fim dos castigos físicos à tripulação (veja na pág. 122). Duas décadas após a Lei Áurea (1888), o uso da chibata para punir marinheiros, negros em sua grande maioria, era ainda uma expressão da mentalidade escravocrata existente no país. Nos seis dias da revolta, os amotinados apontaram os canhões para o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, a sede da Presidência da República na época. O recém-empossado presidente, marechal Hermes da Fonseca, aceitou a demanda, prometeu anistia aos rebeldes e a revolta foi encerrada. AobradoscearensesHemetérioeOlintoGadelhaNeto,porém, vaialém,eacompanhaavidadeJoãoCândidoFelisberto,onotá- vellíderdomotim,chamadodeAlmiranteNegro,quesobrevive à perseguição brutal que se abate sobre os ex-revoltosos. Preso em condições desumanas, internado em um hospício, e depois relegado à miséria, João Cândido ainda vive por décadas no Rio de Janeiro, ganhando a vida na estiva e na pesca. História humana, de grande apelo so- cial, colocada em quadrinhos de maneira magnífica, Chibata! é uma excelente lei- tura para quem se interessa pelas “lutas inglórias” de nosso país, como diz a mú- sica a respeito dela, de João Bosco e Aldir Blanc (O Mestre-Sala dos Mares). Editora | CONRAD EDITORA – 224 páginas – 41 reais Mafalda AUTOr | Joaquim Salvador Lavado Quino Criada pelo argentino Quino, Mafalda é uma campeã de vestibulares, pois seus quadrinhos aparecem com frequência em questões nas provas. O motivo para isso é sua ironia, com frases e situações cheias de duplo sentido. Criada na dé- cada de 1960, Mafalda é uma menina contestadora, que questiona o mundo à sua volta, os pais, as guerras e as desi- gualdades sociais. Editora | MARTINS FONTES EDITORA – 420 páginas – 83,60 reais Persépolis AUTORA | MARJANE SATRAPI Marjane Satrapi é uma iraniana que, quando tinha cerca de 10 anos, viveu a Revolução Islâmica de 1979 em seu país, que derrubou uma ditadura. O novo re- gime, porém, passou a impor a todos os cidadãos os preceitos do Islã, criando uma sociedade sufocante e repressiva. A história, embora contada sob uma forma pessoal,temumapelouniversal.AHQfez tanto sucesso que virou filme e DVD. Editora | COMPANHIA DAS LETRAS – 352 páginas – 43,50 reais Maus AUTOR | ART SPIEGELMAN Maus é uma obra-prima. É a primei- ra história em quadrinhos a ganhar o Prêmio Pulitzer, o mais importante do jornalismo mundial. Em Maus, Art Spie- gelman narra a II Guerra Mundial, vis- ta pela história particular de seus pais. No livro, como forma de amenizar os horrores da narrativa e dar um certo tom alegórico, os personagens assumem formas de animais. Editora | COMPANHIA DAS LETRAS – 296 páginas – 45,50 reais
  8. 8. 14 atualidades vestibular + enem 2011 Divirta-se 152011 atualidades vestibular + enem A foto destaspáginasparececomum.Masfoiagrandeven- cedora do World Press Photo 2010, o principal concurso internacionaldefotojornalismo,poismostraummomento extraordináriodoanopassado:osprotestosrealizadospelopovo iranianocontraoresultadooficialdaeleiçãopresidencial,naqual foi reeleito o atual governante do país, o conservador Mahmoud Ahmadinejad,contraocandidatodeoposiçãoHosseinMousavi. Multidõessaíramàsruasparacontestaraapuração,denunciada comofraudulenta,epediraanulaçãodoresultado.Asmanifesta- çõesduraramsemanas,masforamparticularmenteintensasnos dias imediatamente após a votação, em 12 de junho de 2009. Aimagemaoladofoicapturadaem24dejunho.Paraentender sua importância, é preciso saber que, nesse período, multidões desciamàsruasparaprotestar,àluzdodia,enfrentandoumadura repressão. À noite, os protestos continuavam... de outra forma. Note os detalhes da fotografia: o primeiro é que ela é escura. O localnoqualsepassaaaçãonãoédiretamenteiluminado.Asluzes vêm das janelas dos apartamentos e de uma certa luminosidade indiretaexistentenoscéusdeTeerã.Osegundodetalheéquehá diversosimovéisnocampodevisão,oqueindicaumazonaurbana densa. O terceiro é que a ação ocorre no topo de um prédio, em primeiro plano. Mas o que se passa exatamente? Podemos dis- tinguir,comcertoesforço,trêsfigurashumanas.Naverdade,três mulheres com lenço na cabeça. A escuridão as protege, pois, se forempegas,vãoparaaprisão.Podemosimaginarquesuasvozes ecoamnasparedesdosprédiospróximos,tornandosualocalização difícil. Além disso, não é uma ação solitária. Ao mesmo tempo, muitas outras vozes se fazem ouvir de locais próximos, ou mais distantes, dando a todos a confiança de que, por maior que seja a repressão, ela não conseguirá calar todos os descontentes. Esta foto integra um conjunto de autoria do italiano Pietro Masturzo, que passou noites registrando a resistência anônima da população iraniana aos abusos do regime. Para quem está estudando atualidades, vale a pena olhar as fotos premiadas no site www.worldpressphoto.org. Terá um panorama do mundo contemporâneo. Na edição 2010, foram inscritas101.960fotografias,enviadaspor5.847profissionaisde 128países.Nasimagens,estãoaguerranoAfeganistão,adisputa entre Israel e os palestinos, conflitos no continente africano, a violêncianaColômbia,apossedeBarackObama...Masagaleria vaialémdetemaspolíticos:hálindasfotosdeassuntoscomoes- portes, meio ambiente, moda, retratos e questões cotidianas. Veja as vencedoras do World Press Photo 2010 publicadas nesta edição Jogo de beisebol, págs. 4-5; Girafa morta em seca no Quênia, págs. 6-7; Protesto no Irã, págs. 14-15; Guerra no Afeganistão, págs. 50-51; Atentado no Afeganistão, págs. 52-53; Golpe de estado em Madagáscar, págs. 55; Faixa de Gaza após bombardeio, págs. 62-63. T F O T O G R A F I A GRITOS NA NOITE No teto de um edifício residencial, em Teerã, a capital do Irã, três mulheres protestam contra o resultado eleitoral, em 24/6/2009 (foto vencedora do World Press Photo) pietromasturzo/wpp2010/divulgação Um protesto nos telhados
  9. 9. 16 atualidades vestibular + enem 2011 A R T E S Divirta-se 172011 atualidades vestibular + enem V ocê sabia que tanto os grafites quanto as pichações estão che- gando aos museus? Como não podia deixar de acontecer, tudo está cer- cado de muita polêmica. A presença do grafite em espaços no- bres de galerias e museus já ocorre há alguns anos. As críticas a esse movimento têm por base o apego a padrões estéticos estabelecidos. Coloca-se em discussão o valor artístico do grafite. Há também uma preocupação contrária: a de que o aparato institucional possa retirar do grafite sua vitalidade como forma de intervenção urbana transgressora. Mas o debate fica mais acirrado quan- do o assunto é a pichação. O anúncio da participação de pichadores na 29ª Bienal Internacional de São Paulo, que ocorrerá em outubro e novembro de 2010, provoca acaloradas discussões. Muitos devem se lembrar de que, em 2008, pichadores invadiram a 28ª Bienal para protestar e picharam espaços da exposição, chegando a ser presos. Agora, algumas pessoas desse mesmo grupo foram convidadas a integrar o trabalho Pixação SP (assim mesmo, com “x”, em grafia consagrada entre os pichadores), com um conjunto de fotografias, vídeos e debates. Para a curadoria do evento, a decisão está em sintonia com o tema desta Bienal, que se propõe a abordar a relação entre arte e política. Diferenças Mas pichação e grafite não são a mesma coisa? Não há consenso entre asfronteirasdessas duas formas de intervenção urbana. Do ponto de vista estético, algumas diferen- ças podem ser destacadas. Enquanto a pichação é uma escrita ou um rabisco monocromático, o grafite aproxima-se da pintura, da gravura, dos quadrinhos e é, em geral, colorido e bem elaborado. Espalhados em vias movimentadas das grandes cidades, ambos podem ser vistos por amplas camadas da população. Mas,comoseustatusdeartevemsendo legitimado por instituições políticas e culturais, como universidades, museus e galerias, o mais interessante agora é discutir como essas manifestações se relacionam com cidadania e inclusão social, marginalidade e vandalismo. A arte das ruas chega aos museus Grafites e pichações ganham valorização e são reconhecidos como expressão estética contemporânea divulgação/masp ENTRE 4 PAREDES Exposição no Masp, em 2009: os grafites saem dos muros e ganham status de arte inusitado O grafiteiro Titi Freak prepara seu trabalho em painel para a exposição do Masp agora é oficial Grafite de Osgemeos em muro da av. 23 de Maio, em São Paulo: trabalho feito a convite Origens As pichações surgiram no fim dos anos 1960, nos Estados Unidos, com a propaga- ção de mensagens de rebeldia e protesto escritas em spray em paredes, muros e trens de metrô. No Brasil, essas manifes- tações ganharam força nas décadas de 1970 e 1980, como um canal de expres- são para questões políticas e sociais da juventude nos grandes centros urbanos. Formou-se uma geração de artistas de rua, da qual faziam parte Alex Vallauri, Matuk e Zaidler, convidados a expor seus trabalhos já em 1985, na Bienal Interna- cional de Arte de São Paulo. Embora grande parte dos grafi- teiros permaneça anônima, muitos tiveramonomere- conhecidoeingres- saram em ambien- tes institucionais. A mostra Street Art: do GraffitiàPintura,feitapeloMuseudeArte Contemporânea(MAC)daUSP,em2008, reuniu grafiteiros brasileiros e italianos, quetranspuseramparapainéisdemadeira cenas que haviam sido pintadas em mu- rosurbanos.NaexposiçãoDeDentropara Fora/DeForaparaDentro(2009/2010),no Museu de Arte de São Paulo Assis Chate- aubriand(Masp)–retratadanafotoacima –, os artistas Carlos Dias, Daniel Melim, Ramon Martins, Stephan Doitschinoff, TitiFreakeZezãoforamchamadosacriar enormesmuraisdemadeira–numtotalde 1.500 metros quadrados de área pintada –, que ao final foram apagados, caracteri- zando a ideia própria dos grafites, de que são efêmeros. Parte do impulso para que o grafite alcançasse esse patamar veio do desta- que alcançado por grafiteiros brasileiros no exterior, como a dupla Osgemeos, formada pelos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, que já fizeram mostras indivi- duais no Brasil, em países da Europa e nos Estados Unidos. De volta à rua Osgemeos protagonizaram, em 2008, movimento inverso ao que caracteriza o grafite:foramconvidados,comosartistas deruaNunca,Nina,FinókeZéfix,apintar umimensopainelnamovimentadaavenida 23 de Maio, em São Paulo, mostrado ao lado. Demostrando que esse reconheci- mentonãoocorresemtensão,opainelfoi, tempos depois, pichado por grupos que condenam arte de rua feita sob enco- menda. Em boa parte alheios à discus- são sobre o valor artístico de suas criações, picha- dores e grafiteiros disputam os espaços livres das ruas. Foi por força de seu caráter clandestino e transgressor que essa produção sobrevi- veu a diversas legislações municipais que buscavam proibi-la no espaço público. Nosúltimosanos,metrópolescomoSão Paulo e Rio têm adotado políticas para regulamentaressasintervenções,fazendo surgir o grafite autorizado. Governo e se- tores da sociedade civil defendem a ideia dequeografitepossa,sobretudoemáreas urbanas degradadas, cumprir uma função revitalizadora, conferindo dignidade e identidade à sua vizinhança. fernandomoraes fernandomoraes
  10. 10. 18 atualidades vestibular + enem 2011 Pontodevistaum mesmo fato pode ser noticiado de maneiras variadas por diferentes veículos de comunicação. uma leitura crítica é fundamental 192011 atualidades vestibular + enem Diferentes abordagens para as sanções da ONU ao Irã Quatro revistas semanais noticiam com enfoque bem diferente a aprovação de sanções ao Irã pela ONU O FATO E mjunhode2010,oConselhodeSe- gurança da ONU aprovou sanções contra o Irã, para pressioná-lo a pararseuprogramadeenriquecimentode urânio (veja na pág. 28). Elas foram apro- vadas por 12 votos a favor e 1 abstenção, do Líbano. Brasil e Turquia, que haviam conseguido um acordo com o Irã (rejei- tado pelas potências), votaram contra a resolução. As revistas semanais Veja, IstoÉ, Época e Carta Capital noticiaram o fato, mas deram enfoque bem distinto. m Veja Em uma reportagem de duas páginas, a revista avalia de forma negativa a posição do Brasil em votar contra as sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU. O título da matéria, “Quem é contra o Irã atômico levante a mão”, está totalmente integrado à foto utilizada, que mostra o voto a favor das sanções de três embai- xadores, sendo a embaixadora do Brasil a única a não levantar a mão. O subtítulo da reportagem afirma que a diplomacia brasileira agiu “irresponsavel- mente”. A matéria sustenta que o Brasil não tinha “nenhum interesse direto em q IstoÉ A revista aborda a aprovação das sanções interna- cionaiscontrao Irã em seu editorial – um espaço nobre den- tro da publicação, em que os editores ex- pressam de forma explícita suas opiniões sobre fatos do Brasil e do mundo. Além disso, deu uma nota noticiosa no corpo de uma matéria sobre as usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ). No editorial, IstoÉ utilizouamesmafotodarevistaVejapara ilustrar o fato, dando porém um enfoque oposto, expresso pelo título: “O mundo não quer acordo”. A revista analisa as sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas de forma negativa. Afirma que a medida é conservadora e serviu, basica- mente, para dar uma imagem de firmeza ao presidente norte-americano Barack Obama. Paraarevista,aresoluçãoaprova- da pode trazer consequências ruins, como a radicalização de lado a lado. IstoÉ apoia a posição do Brasil de tentar chegar a um acordo com o Irã na questão do enrique- cimento de urânio e afirma que esta é a melhor alternativa, pois o diálogo entre as nações seria a forma adequada para chegar a um acordo. erro brasileiro Vejaavalioucomo irresponsávelaposição doBrasildevotarcontra assançõesaoIrã sim ao diálogo IstoÉ defende a posição brasileira em editorial e dá um boxe em matéria interna q Época Época publica uma reportagem de duas páginas em que o título, “Sem a mãozi- nha brasileira”, faz uma brincadeira com a foto, em que se vê o trecho da bancada doConselhode SegurançadaONUnoqual a representante do Brasil se destaca por não votar a favor das sanções ao Irã. No subtítulo da matéria, a revista expressa suaposiçãocríticaàdiplomaciabrasileira, dizendo que “o voto contrário às sanções ao Irã na ONU isola ainda mais o Brasil, causa novo atrito com os Estados Unidos e cria um ambiente bom... para Ahmadi- nejad [presidente iraniano]”. Arevistanarraasnegociaçõesanteriores àdecisãodoConselhodeSegurança:Obama ligou para o primeiro-ministro turco para tentarconvencê-loa,pelomenos,abster-se daproposta,comoumaformamaisamena deexplicitarasdivergências. Nofim,com ovotocontráriodeBrasileTurquia,ama- téria avalia que houve um “estrago” nas relaçõesentreBrasíliaeWashington,oque nãoseriabomparanenhumdosdoispaíses. ParaÉpoca,aexplicaçãoparaovotoéque “oBrasilsesentiudesprestigiadopelofato de o acordo comTeerã ter sido ignorado”. Paraarevista,“oIrãbuscaacapacidadede produzir bombas nucleares” e “considera o Brasil seu aliado”. m Carta Capital ParaabordaravotaçãonaONU,arevista Carta Capital optou por publicar um arti- go analítico, de quatro páginas, feito por um cientista político. O título em latim “Si vis pacem...” é o início da expressão clássica “Se queres paz, prepara-te para a guerra”. O autor faz uma avaliação po- sitiva do comportamento da diplomacia brasileira, afirmando que o acordo obtido por Brasil e Turquia com o Irã foi um “sig- nificativoêxitodiplomático”ealçouopaís àcondiçãode“potênciapolíticaglobal”. A fotoqueabreamatériafazumareferência a esse argumento. A imagem mostra os presidentes dos países emergentes, entre eles Lula, com uma legenda que termina dizendo: “O quarteto ganha poder”. Para contextualizar a análise, o autor recupera a história do Programa Nuclear Brasileiro desde o início, no governo Var- gas, afirmando que o programa sempre foi combatido pelos Estados Unidos. Com base na ideia de que os países se armam para garantir a paz e a soberania, o texto detalha o histórico de resistência do Bra- sil a abdicar de ter um programa nuclear próprio. Para o autor, ao se contrapor às sançõesdoConselhodeSegurançadaONU ao Irã, o Brasil “está a defender seus pró- prios interesses nacionais”. fiasco diplomático Para a revista Época, o voto brasileiro causou um novo atrito com o governo dos EUA acordo positivo Para Carta Capital, a posição da diplomacia brasileira fez do Brasil uma potência política defender o Irã” e que a posição bra- sileira acabou por consolidar “a con- vicção do governo americano de que, por enquanto, o Brasil não é um parceiro confiável”. Esse último argumento se re- laciona à outra foto da reportagem, que mostraumaconversaentraasecretáriade Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o pre- sidente do Equador, Rafael Correa, com a legendaterminandoassim: “Quemprecisa do Brasil?”. Na América do Sul, o governo do Equador é um dos mais próximos ao do Brasil, mas não acompanhou seu voto.
  11. 11. 20 atualidades vestibular + enem 2011 Ponto de vista 212011 atualidades vestibular + enem20 atualidades vestibular + enem 2011 Ponto de vista Site divulga papéis secretos sobre guerra no Afeganistão O FATO E m 25 de julho, um domingo, o site Wikileaks divulgou cerca de 92 mil documentos secretos do governo dos Estados Unidos a respeito da guerra em curso no Afeganistão. O fato teve grande repercussão, pois tor- nou públicos vários fatos que se busca- va esconder, como a morte de civis em diversas operações militares, as dificul- dades das tropas ocidentais no país e a desconfiança dos norte-americanos sobre a lealdade das tropas tanto do governo afegão quanto do aliado Paquistão. A guerra no Afeganistão começou em 2001, quando tropas dos Estados Uni- dos (EUA) e dos países da Otan (aliança militar ocidental) entraram no país para derrubar o governo do Taleban, acusado de dar guarida ao grupo terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden (após os Mais de 90 mil documentos do governo dos EUA sobre o conflito vêm a público: órgãos de impresa dão enfoques diferentes para a notícia Folha de S.Paulo Traz uma chamada na parte de baixo da primeira página, com o título: “EUA veem ameaça em vazamento sobre Afe- ganistão”. Publica duas páginas internas para o assunto, mostrando o governo dos Estados Unidos na defensiva, explicando- se sobre as denúncias de assassinatos de civis e a manipulação dos dados sobre a guerra, e afirmando que o vazamento ameaça as tropas e os colaboradores norte-americanos no país. Numa análise com menos destaque, afirma-se que o site Wikileads, que divulgou os documentos, pode ser processado. O jornal foi o único que havia publica- do as primeiras notícias já na véspera (o vazamento tornou-se público na noite de domingo), com um tom factual: “Papéis secretos indicam ações ilegais dos EUA no Afeganistão”. O Estado de S. Paulo Na parte de baixo da primeira página, o jornal dá a chamada: “Papéis secretos vazam e Casa Branca se irrita”. O foco da notícia está na acusação do governo norte-americano de que o site Wikileaks foi “irresponsável” ao divulgar os docu- mentos sigilosos, entregues a ele por uma fonte anônima. Nasduaspáginasinternasquededicaao tema, a abertura segue na mesma linha: “EUA tratam como ‘ato criminoso’ o vaza- mento de documentos secretos”. O texto detalha as principais revelações. Só que, no ato da segunda página, dá destaque para a posição do responsável pelo site, o australiano Julian Assange: “Ativista vê ‘crimes de guerra’ em ações”. Uma análise aoladoenfraqueceessepontodevista,ao afirmarqueosdocumentosnãotrouxeram grandes novidades. O Globo Com chamada no alto da primeira pá- gina, foi o jornal que deu mais destaque ao fato. Seu título “Documentos põem Obama sob pressão”, destaca o fato de que, às vésperas da votação no Congresso daspropostasdopresidenteparaaguerra, a divulgação dos documentos tornou-se um grande problema, pois trouxe vários questionamentos à eficácia do governo na condução do conflito. Suas duas páginas internas começam com “Estratégia de Obama em xeque”, o que mantém a ideia da primeira página. O noticiário dá um tom de impasse na situação. “Não há solução militar para o conflito”, diz um entrevistado. Na página seguinte, o significado do vazamento das informações pelo site Wikileaks é analisa- do de maneira ampla, com a reportagem “Escândalos online atacam governos”. Istoé A revista opta, em reportagem de duas páginas, por enfocar exclusivamente as denúncias contidas nos documentos em relação à ação militar dos EUA no Afega- nistão. Sob o título “Crimes secretos”, vem o texto: “Documentos mostram que os EUA cometeram atrocidades no Afe- ganistão e esconderam estas ações de todo o mundo. Mataram civis, crianças e exterminaram vilas inteiras”. Ográfico“Osnúmerosdaguerra”mostra que o número de mortes de soldados da Otan no país vem crescendo de maneira constante desde 2001, e, de janeiro a ju- nho de 2010, já chegou a 402. A matéria detalha as principais revelações contidas nos documentos – como a morte de cente- nas de civis sem o conhecimento público e asmanipulaçõesdosdadosoficiais–etraz duas fotos dos combates no país. Carta Capital A revista traz uma pequena chamada na capa: “Afeganistão – 90 mil documentos provam o vexame da guerra”. Em sua ma- téria de quatro páginas sobre o assunto, sob o título “Vexame completo”, o eixo é mostrar que os documentos vazados indi- cam “fragilidade, falhas e ineficácia” das forças militares dos Estados Unidos e da Otan em território afegão. No início, a reportagem traz fotos de Obama com as tropas e de JulianAssange, responsávelpelositeWikileaks.Amatéria explica as principais revelações contidas nos documentos, analisa as dificuldades de Obama para aprovar seus planos de ação militar, explica o que é o Wikileaks e dizquecresceaoposiçãoàparticipaçãona guerraentreapopulaçãonorte-americana e que o vazamento dos documentos deve reforçar essa tendência. Época Também coloca o assunto em chamada de capa: “Wikileaks – O poder do site que vazou segredos militares americanos”. Neste caso, o foco é a discussão das novas formasdemídia,poisoWikileaksnãoéum órgão noticioso tradicional, mas um site para postagem de documentos sigilosos vazados por anônimos. A reportagem de quatro páginas, com o título “As bombas e o jornalismo”, traz uma grande foto de Julian Assange. Um destaque de texto explica que “o gover- no americano tentou, em vão, diminuir a importância do vazamento”. A matéria relata os principais fatos revelados pelos documentos, mostra a ofensiva da Casa Branca contra o site e destaca a investiga- ção interna para descobrir quem passou os documentos ao Wikileaks – o principal suspeito será julgado. atentados terroristas de 11 de setembro de 2001). Desde então, deu-se posse ao atual presidente afegão, Hamid Karzai, que governa com o apoio dos EUA. O presidente norte-americano, Barack Oba- ma, anunciou no fim do ano passado que iria dar prioridade militar para o conflito no Afeganistão e ampliar o contingente militar no país, para tentar acelerar o desfecho do conflito. O vazamento dos documentos secretos foinoticiado,em27dejulho,pelosjornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, bem como por três revistas de in- formação naquela semana. Note que cada veículo de comunicação deu um enfoque diferente para a mesma notícia: desde o simples relato das informações vazadas até a análise das mudanças na mídia, to- mando por base o site Wikileaks.
  12. 12. Isso corresponde a apenas 18% das crianças dessa faixa etária. Em todo o país, faltam cerca de 8 milhões de vagas em creches. Nessa idade, em que todos já deveriam ter trocado o Ensino Fundamental pelo Médio, mais de 1,5 milhão de estudantes no Brasil ainda estavam no Fundamental. Um terço dos estudantes não consegue terminar o Fundamental aos 14 anos. Só 47% dos estudantes acabam o Ensino Médio até os 18 anos, e a maioria destes encerra a vida escolar nesse momento. 22 atualidades vestibular + enem 2011 232011 atualidades vestibular + enem O Brasil que estuda Estudantes no ensino formal (em milhões de pessoas) 0 2 milhões 4 milhões 6 milhões 8 milhões 10 milhões 30 anos ou mais 25 a 29 anos 20 a 24 anos 18 a 19 anos 16 a 17 anos 14 a 15 anos 12 a 13 anos 10 a 11 anos 7 a 9 anos 5 a 6 anos 4 anos0 a 3 anos 57 milhões de brasileiros de todas as idades, cerca de 30% da população, estudavam em 2008. Quase tanta gente quanto a população da Itália Avanços e deficiências da educação brasileira O Brasil chega perto de universalizar a educação fundamental, mas ainda vai mal em qualidade educacional e no acesso às outras etapas do ensino Por William Taciro e MKanno/MultiSP Quase todas as crianças a partir dos 7 anos estão matriculadas na escola, e, pela primeira vez na história nacional, a taxa de alfabe- tização passa dos 90%. No entanto, paraqueaeducaçãobrasileiraalcan- ce grau pleno de desenvolvimento, o Ensino Infantil, Médio e Superior também precisa ser universalizado, eaqualidadetemdemelhorarmuito em todos os níveis. A Organização das Nações Unidas paraaEducação,aCiênciaeaCultura (Unesco),emrelatóriode2010,elogia ações do Brasil para universalizar a educaçãobásicaeprogramascomoo acompanhamento escolar das crian- çasdoBolsaFamília. Masapontaque as taxas de repetência e de atraso escolar estão bem acima da média mundial, e o desempenho dos bra- sileiros nas provas internacionais é baixíssimo. Por isso, a Unesco classifica o Bra- sil como um país com Índice de De- senvolvimento Educacional (IDE) médio, que caminha na direção cer- ta, mas ainda precisa andar muito para alcançar o primeiro grupo dos países com bom nível de educação. Fontes: IBGE e ONU Ensino Infantil Essa oscilação no fim da linha está relacionada à adoção gradual da atual escolaridade obrigatória dos 6 aos 14 anos de idade no Ensino Fundamental. Melhora acentuada Como explicar que, no Ensino Fundamental, a taxa é tão alta, e cai para 50% no Ensino Médio? Não se trata só de evasão (alunos que saem da escola), mas também de atraso. Um aluno de 14 anos na 5ª série, neste gráfico, é considerado na idade adequada (para o Ensino Fundamental). No ano seguinte, porém, ele não vai aparecer mais, porque com 15 anos já deveria estar no Ensino Médio. Alfabetização de jovens e adultos Creche Maternal Alfabetização pré-escolar Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior Em 2008, a idade de matrícula obrigatória ainda era de 7 anos. Aprovação Taxa de aprovação, reprovação e abandono, em 2008 Reprovação Abandono 83,1 74,1 12,1 12,7 4,8 13,2 Ensino Fundamental Ensino Médio 1940 2008 O Ensino progride de forma desigual A escolarização avançou em todos os níveis, mas grande parte dos alunos ainda não consegue estudar na série correta para a sua idade O avanço em três gerações Quando se consideram os estudantes independentemente de sua série, 97,9% da população de 7 a 14 anos estava matriculada em 2008 progresso difícil Garantir escola para todos é uma questão; outra é manter os alunos estudando nas etapas adequadas à sua idadeTaxa de frequência líquida (% de estudantes da faixa etária esperada em cada etapa de escolarização) Fontes: IBGE e Unicef, com dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio (Pnad). A pesquisa não foi realizada em 1994 e 2000 * Até 2008, a 1ª série do Ensino Fundamental começava aos 7 anos de idade Fonte: Ipea Educação Infantil (até 6 anos) Ensino Fundamental (7 a 14 anos) Ensino Médio (15 a 17 anos) Ensino Superior (18 a 24 anos) 1992 1995 1997 1999 2002 20062004 2008 100 80 60 40 20 0 98,2 41,2 Sul 97,8 20,5 C.-Oeste 97,0 35,9 Norte 97,6 18,8 Nordeste Taxa de escolarização das pessoas de 7 a 14 anos de idade (%) Quase lá? Se colocamos os dados por região e os confrontamos, parece que as desigualdades acabaram; mas compare este gráfico com os da próxima página. Desestímulo O impacto das taxas de reprovação é cumulativo, pois cresce a inadequação da idade do estudante, e o desestímulo pode levá-lo a abandonar a escola. 50,4 13,8 94,9 81,3 45,8 4,6 13,9 18,2 Destrinchando No estudo e no dia a dia, gráficos, mapas e tabelas trazem muitas informações. ajudar a entendê-los é o objetivo desta seção 98,4 36,6 Sudeste
  13. 13. Fonte: Ipea indígena é O mais desassistidO População de 7 a 14 anos fora da escola e sua participação no total do segmento (por cor/raça, em 2007) NO ENSINO SUPERIOR Quase todas as mulheres brancas que concluíram o Ensino Médio sem nenhuma repetência estavam em um curso superior dois anos depois, mas pouco menos da metade das estudantes negras pôde realizar essa passagem. BRANCOS NEGROS 24 atualidades vestibular + enem 2011 Destrinchando 252011 atualidades vestibular + enem NO ENSINO FUNDAMENTAL Aos 10 ou 11 anos, apenas um terço dessa geração estava na 4ª série. 12% das crianças negras ainda estavam na 1ª série, assim como 4% das brancas. NO ENSINO MÉDIO Além dos repetentes e dos que abandonaram a escola regular, há os estudantes que, aos 17/18 anos, estão no Ensino Superior – cerca de 7% dos brancos e 1,7% dos negros. Crianças pardas e pretas Dois terços das crianças que ficaram sem escola são negras (soma de pretas e pardas). No Nordeste A porcentagem dos sem-escola nos estados do semiárido é de cerca de 3,4%. No Norte Acre e Rondônia têm a maior porcentagem de crianças fora da escola. O Ministério da Educação calcula que 12,4% dos que entraram na escola em 2005 repetiram de ano ou abandonaram os estudos antes da 4ª série, e que cerca de 46% não devem terminar a 8ª série. Em 2007, 2,4% da população de 7 a 14 anos ficou fora da escola. Pode parecer pouco, mas isso representa cerca de 680 mil crianças e adolescentes em todo o país. Desigualdades regionais Taxa esperada de conclusão da 4ª e da 8ª série do Ensino Fundamental (em % dos que ingressaram na escola, em 2005/2006) OS SEM-ESCOLA Porcentagem da população de 7 a 14 anos fora da escola DesIgualdade de renda Porcentagem da população de 15 a 17 anos no Ensino Médio (por quintos do rendimento mensal familiar per capita, em 2008) Fonte: IBGE e Unicef Fonte: IBGEFonte: UnicefFonte: Cedes/Unicamp, com dados do MEC, Inep e DTDIE Diferença evidente Ao dividir os adolescentes em cinco grupos iguais, conforme a renda, a pesquisa do IBGE mostra que a baixa renda é um fator de exclusão educacional. Entre a parcela mais pobre (1º quinto), os que estão no Ensino Médio na idade adequada são apenas 30%, contra quase 80% entre a parcela mais rica da sociedade (5º quinto). De cada dez, uma fora Quase 10% das crianças indígenas não chegam ao banco escolar. 8ª série Fundamental (2002) 3ª série Médio (2005) Ensino Superior (2007) 4ª série Fundamental (1998) Desigualdades educacionais persistem no país Na fórmula para calcular o Índi- ce de Desenvolvimento Humano (IDH), a educação é um ingrediente tão importante quanto a esperança de vida e a renda. Impulsionada pelas ma- trículas no Ensino Fundamental e pela alfabetização, a educação é o item que mais contribuiu para o avanço do Brasil no IDH nos últimos anos. No entanto, ainda há milhões de brasileiros com pouca ou nenhuma formação escolar, concentrados na parcela mais pobre da sociedade. Esse contingente reúne os analfabetos e os menos escolarizados, bem como aqueles com menor acesso ao Ensino Infantil e com maior proba- bilidade de repetência na escola. Os adolescentes pobres são os que mais têm de ajudar no sustento da casa. Ainda que sua família seja a que mais pode se beneficiar do sucesso educacio- nal dos filhos, esses são os jovens com a menor chance de concluir o Ensino Médio e entrar em uma universidade. É possível traçar um perfil dessa ca- mada sem acesso à educação: crianças e jovens do Norte e Nordeste, princi- palmente homens, os pobres de todo o país, negros e índios. Não por acaso, quando encontramos a população sem acesso à educação, achamos as pesso- as que também se veem privadas de outros direitos básicos, como acesso à assistência de saúde, ao trabalho, à renda e à moradia. Isso é o que torna a exclusão educacional mais cruel: ela atingeaquelesquemaisteriamaganhar com uma boa formação escolar. Os buracos da educação revelam a face dos que têm sido deixados para trás no processo de desenvolvimento social Erros que se repetem Porcentagem da geração nascida em 1987-1988 que frequentava determinada série/nível de ensino nos anos assinalados Para os nascidos em 1987 e 1988, o ideal é terem feito a 4ª série em 1998, a 8ª série em 2002, e assim por diante. Acompanhando a trajetória dessa geração de estudantes em uma década, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) mostrou como as desigualdades entre brancos e negros se acumulam durante o processo educacional. HomensMulheres 8,43 17,34 12,74 23,44 18,26 28,09 23,93 5,7 36,85 30,24 35,37 22,63 26,7 18,37 26,32 38,02 Até 1,9% 2% a 3% 3,1% a 4% Mais de 4,1% 1º quinto 2º quinto 3º quinto 4º quinto 5º quinto MaispobresMaisricos 30,5% 100%0% 42,7% 54,7% 68,0% 78,4% Números absolutos Branca Indígena Amarela Preta Parda 1,8% 219.060 6.119 2.545 58.682 395.509 9,8% 2,1% 3,3% 2,8% 4ª série Em % 8ª série Norte SudesteNordeste Sul C.-Oeste 81 79,4 94,5 95 88,9 40,5 38,7 66,6 69,1 54,2
  14. 14. 100% 100%02040 402060 6080 80 Coreia do Sul Alemanha Portugal Chile Rússia Uruguai México Argentina Brasil Colômbia Fonte: Unesco No nível 1 estão aqueles que só conseguem achar uma informação explícita dentro de um texto. No nível mais desenvolvido, os estudantes avaliam criticamente os textos, elaboram hipóteses e lidam com conceitos que contrariam suas expectativas. 26 atualidades vestibular + enem 2011 Destrinchando 272011 atualidades vestibular + enem Esforço conjunto A população analfabeta só parou de crescer, em termos absolutos, nos anos 1980, com a ampliação da rede pública de ensino, os programas de alfabetização de adultos, a urbanização e a redução da taxa de natalidade. Relativos x absolutos Veja a diferença entre números relativos e absolutos: apesar da redução da porcentagem de analfabetos em relação ao total da população, o número de pessoas que não sabiam ler triplicou entre 1900 e o fim dos anos 1970 O que é um analfabeto? Nas pesquisas do IBGE, das quais sai boa parte dos números oficiais sobre educação, incluindo mais da metade do que você lê aqui, a taxa de analfabetismo entre adultos é a porcentagem de gente, na população com 15 anos ou mais, que declara não saber ler nem escrever um bilhete. OIBGEtambémcalculaataxade analfabetosfuncionais,ouseja deadultosquetêmníveldeinstrução equivalenteaodetrêsanosdo EnsinoFundamental.Supõe-seque essaspessoasnãotenhamcondições delernemdecompreendertextos relativamentesimples Resto do mundo 218 milhões Marrocos 10 milhões Indonésia 13 milhões 9º Brasil 14 milhões 8º Egito 17 milhões China 71 milhões 2º Mais que 97% 90% a 97% 80% a 90% 70% a 80% 60% a 70% 50% a 60% Menos que 50% Dados não disponíveis Ensino Médio toma bomba no Pisa O Programa Internacional de Acompanhamento de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) avalia o conhecimento e a capacidade de leitura de estudantes dos ensinos Fundamental e Médio População mundial alfabetizada com 15 anos ou mais (1995-2004) Os países com oS maiores números de analfabetos 10% Taxa de analfabetismo no Brasil 21% Taxa de analfabetismo funcional no Brasil Bangladesh 49 milhões 3º Paquistão 47 milhões 4º Etiópia 27 milhões 5º Nigéria 23 milhões 6º Meio a meio Considera-se que o mínimo ideal para a educação de um país é ter metade dos estudantes acima do nível 3. Veja que Portugal atinge no máximo esse desempenho. Só 20% bom Um quarto das provas brasileiras do Pisa nem sequer alcançou o nível 1. Cerca de 80% dos avaliados passaram pelo Ensino Médio sem aprender o que se considera internacionalmente um letramento razoável. Nível 1 Abaixo do nível 1 Desempenho escolar de alguns países, por porcentagem de estudantesNíveis de leitura PiorMELHOR Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5 1900 1940 1960 1980 20001920 1950 1970 1991 2008 0 30 60 90 120 150 0 20 40 60 80 100 Taxa de analfabetismo (%) População de 15 anos ou mais (em milhões de pessoas) Total Analfabeta 65,3% 10,0% 6,3 14,2 19,3 74,6 9,7 142,9 Fontes: Ministério da Educação/Inep e IBGE Fonte: OCDE A lenta redução do analfabetismo no século XX O número de analfabetos aumentou até os anos 1980 e depois só caiu Pondo a leitura em dia Aprimeira Constituição do Império do Brazil – escrito com z, em 1824 – garantia educação primária gratuita a todos os cidadãos. Essa definição, porém, excluía os negros escravos, pois a cidadania não se aplicava a eles. No entanto, a lei promulgada por dom Pe- dro I ficou no papel. Meio século depois, 85% dos súdi- tos de dom Pedro II eram analfabetos. Encontraram-se nesse reino tropical iletrado os escravos (15% da popula- ção) e oito a cada dez brasileiros livres. Educar-se continuou um privilégio das elites depois da proclamação da Repú- blica, em 1889. Passado mais de meio século, no dia seguinte à derrota do Brasil para o Uru- guai na Copa do Mundo de 1950, menos dametadedapopulaçãoeracapazdeler as manchetes sobre a desastrosa final noMaracanã.Aescolarizaçãoemmassa Os brasileiros estão superando quatro séculos e meio de analfabetismo, mas ainda precisam aprender a ler com competência, ou seja, entender bem o que leem 1º Índia 270 milhões ANALFABETOS No mundo 750 milhões de adultos não sabem ler nem escrever Entre os dez mais Ainda que a taxa de analfabetismo tenha sido reduzida a 10%, ela continua atingindo uma população tão grande quanto nos anos 1940, o que mantém o Brasil entre os dez países com o maior número de analfabetos. só tomou impulso nos anos 1970. Ainda não completamos três décadas desde queopaíscomeçouareduzirotamanho da população que não sabe ler. O Brasil está perto de universalizar a alfabetização entre os jovens, mas continuamos tendo uma das maiores populações analfabetas do mundo, e es- tamos entre os países que pior leem. 7º 10º
  15. 15. 292011 atualidades vestibular + enem Dossiê nuclear Irã no centro da polêmica nuclearPrograma de enriquecimento de urânio no país dos aiatolás é alvo de sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU Por Cláudio Soares Infografia Yuri Vasconcelos e Multi/SP alta tensão Em meio à intensa pressão contra seu programa nuclear, o Irã testa mísseis, em 2009 AFP PHOTO/SHAIEGAN/FARS NEWS 28 atualidades vestibular + enem 2011
  16. 16. 30 atualidades vestibular + enem 2011 Dossiê nuclear 312011 atualidades vestibular + enem O programanucleardoIrãmantém- seháanosnocentrodeumagran- de polêmica mundial. Em junho de 2010, o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou o quarto conjunto de sanções contra o país, em virtude de sua recusa em paralisar o seu programa de enrique- cimento de urânio. Os Estados Unidos (EUA) e as demais potências ocidentais acusam o Irã de utilizar essa tecnologia comaintençãodefabricarbombasatômi- cas, embora o governo iraniano garanta que sua atividade tem fins pacíficos. No mundo contemporâneo, a questão nuclear é das mais sérias e complicadas. A humanidade vive sob a ameaça de uso de armamentos desse tipo desde que, em agosto de 1945, os EUA despejaram bombas atômicas sobre as cidades japo- nesas de Hiroshima e Nagasaki, matando ou incapacitando centenas de milhares de pessoas. Pela primeira vez na histó- ria, artefatos com tal poder mortífero foram lançados sobre populações civis. Nas décadas seguintes, negociações di- plomáticas procuraram regulamentar a utilização dessas armas. Tratado de Não Proliferação O Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que entrou em vigor em 1970, permite que apenas cinco países – EUA, Rússia, China, Reino Unido e França – mantenham seu arsenal, desde que não repassem a tecnologia para fins bélicos a outras nações. Ao mesmo tempo, proíbe todos os demais países signatários de desenvolver armas atômicas (leia na pág. 35). Na polêmica atual, tanto o Irã, que faz parte do TNP, quanto as potências oci- dentais buscam reforçar seus argumentos com base em pontos do tratado. O presidente iraniano Mahmoud Ah- madinejad afirma que seu país tem o “di- reito inalienável” de produzir tecnologia nuclear para fins pacíficos, e por isso de- senvolve o enriquecimento do urânio. Em níveis baixos, esse enriquecimento é empregado para fins pacíficos, como a geração de energia elétrica. Apenas o enriquecimento em nível alto pode ser usado para produzir armas nucleares. O índice de enriquecimento já obtido pelo Irã, de 3,5%, é suficiente para a produção deenergiaelétrica,masestálongedos90% necessários para a fabricação de bombas atômicas (veja na pág. 42). O governo iraniano afirma que o enri- quecimento de urânio no nível realizado pelopaísépermitidopeloTNP,desdeque oprocessosejainspecionadopelaAgência InternacionaldeEnergiaAtômica(AIEA), organismo vinculado à ONU. Segundo Ahmadinejad, isso vem sendo feito, e as acusaçõesdoOcidentesãosóbaseadasem desconfiança política, sem base em fatos. Do lado dos EUA, existe a pressão para que o Irã dê um passo a mais e, além do TNP, ratifique também o protocolo adi- cional ao tratado, de 1997, que amplia em muito as possibilidades de fiscalização. Essa questão afeta também o programa nuclear brasileiro. Revolução Islâmica As pressões internacionais contra o Irã, na realidade, começaram há muito mais tempo. Desde a vitória da Revo- lução Islâmica de 1979, que derrubou a ditadura do xá Reza Phalevi, aliado dos norte-americanos, os EUA colocam-se contra o regime iraniano (leia na pág. 33). Maisrecentemente,oex-presidentenorte- americano George W. Bush, que lançou a “guerra contra o terror”, acusou o Irã de apoiar terroristas. O governo do Irã posiciona-se frontal- mentecontraIsrael,oqueatraiasimpatia de palestinos e muçulmanos em geral. Mantém relações estreitas com a Síria – que tem uma disputa de território com IsraeleéconsideradohostilpelosEUA–e exerce influência sobre partidos xiitas do governo do Iraque. Além disso, dá apoio a grupos fundamentalistas islâmicos, como o libanês Hezbollah e o palestino Hamas, considerados terroristas pelos EUA. A eleição de Ahmadinejad, em 2005, só acirrou as divergências, pois o governante é considerado radical. Suas declarações violentas pelo fim do Estado de Israel contribuem para elevar a temperatura na conturbada região do Oriente Médio. O presidente causou indignação interna- cional ao pôr em dúvida a ocorrência do Holocausto – a execução, por parte dos nazistas, de 6 milhões de judeus durante a II Guerra Mundial. Programa nuclear iraniano O início do programa nuclear iraniano ocorreu nos anos 1970, ainda durante o regime do xá. Naquela época, a iniciativa tinha o apoio dos EUA e da Europa. De- pois, veio a Revolução Islâmica. Em 1982, o governo anunciou a criação, em Isfahan, de um centro de tecnologia nuclear. Três anos depois, foram descobertas minas de urânio em seu território. O Irã justifica as pesquisas na área pela necessidade de diversificar as fontes de energia. O país tem grandes reservas de gásedepetróleo,doqualéumdosmaiores exportadoresmundiais,massuacapacida- de de refino é pequena. Por isso, importa 40%docombustívelqueconsome.OsEUA e os países europeus, porém, contestam essaexplicação.AlegandoqueoIrãpossui muito petróleo, afirmam que o programa nuclear tem na verdade objetivos milita- res. Em 2003, a AIEA informou que o Irã ocultara, durante 18 anos, um programa paralelo de pesquisas atômicas. Nos últimos anos, a questão nuclear tornou-se um elemento de afirmação na- cional no Irã, e não apenas por parte dos setoresgovernistas.Atéosmaioresoposi- toresinternosdeAhmadinejaddefendem oprogramadeenriquecimentodourânio. Essa situação, avaliam os analistas, con- tribuiu para evitar até o momento planos de ataques dos EUA ou de Israel contra as instalações nucleares iranianas. A negativa do Irã em paralisar o pro- grama nuclear já havia levado a ONU a aprovar três pacotes de sanções – em de- zembro de 2006, março de 2007 e março de2008.Entreasmedidasadotadas,estão a proibição ao Irã de comercializar armas e o veto a negociações com determinadas autoridades e instituições iranianas. Após as primeiras sanções, em 2006, o Irã não permitiu mais visitas de técnicos da AIEA a locais não vinculados a ativi- dadesatômicas.Atéentão,opaísaceitava voluntariamenteafiscalização,previstano protocolo adicional (não ratificado pelo Irã),masquenãofazpartedasexigências básicas do TNP – o tratado define visitas periódicas só a instalações nucleares. Nova usina Em setembro de 2009, os governos dos EUA, do Reino Unido e da França acusaram o Irã de construir secretamente uma segunda usina de enriquecimento de urânio, além da de Natanz, já conhecida. A nova unidade fica próxima à cidade de Qom, ao sul de Teerã, a capital iraniana. As potências suspeitam de que essa usi- na tenha sido projetada com finalidade militar. Isso elevou ainda mais as pres- sões contra o programa nuclear irania- no. Ahmadinejad respondeu que o Irã comunicara à AIEA, na mesma semana, a construção da nova unidade. Em outubro de 2009, buscando nego- Mesmo que o Irã planeje construir bombas atômicas, esse objetivo ainda demorará anos para ser alcançado, di- zemosespecialistas.Oenriquecimento do urânio é apenas o primeiro passo. Depoisdedominartodasasfasesdesse processo,ostécnicosiranianosprecisa- rão aprender como iniciar uma explo- são nuclear e deverão ser capazes de produzir uma ogiva nuclear que possa ser transportada por míssil. Dois altos oficiais militares norte- americanos, ouvidos pelo Senado dos Estados Unidos em abril de 2010, avaliaram que o Irã poderá produzir combustível para uma arma atômica no prazo de um ano, mas precisará de dois a cinco anos para viabilizar uma bombaatômicacomcondiçõesefetivas de ser utilizada. Construção da bomba leva anos ciar alguma solução para o problema, EUA, França e Rússia apresentaram uma proposta, por intermédio da AIEA, de que o Irã enviasse cerca de 75% de suas reservas de urânio de baixo enriqueci- mento (o equivalente a 1,2 mil quilos) para ser enriquecidas até 20% em usinas russas, para ser posteriormente usadas pelos iranianos em aplicações médicas. A quantidade de urânio que ficaria em poder do Irã seria insuficiente para um enriquecimento nos níveis exigidos para a fabricação de bombas. O governo iraniano sinalizou que con- cordaria com a proposta, mas depois desconversou e anunciou planos para a construção de outras dez usinas de enriquecimento de urânio. Em feverei- ro de 2010, respondeu negativamente à proposição e iniciou pesquisas para desenvolver o enriquecimento de urânio a 20%, para produzir radioisótopos de uso médico. Acordo Brasil e Turquia Aqui, é preciso explicar que, hoje, o enriquecimento de urânio é uma ativida- de comercial, que envolve setores civis, como medicina, engenharia e sobretudo energia, num momento em que se busca ampliar o uso de energias limpas. Logo, a possibilidade de que vários países dete- nham essa tecnologia, além da questão de segurança, também engloba um aspecto econômico.Nesseponto,BrasileIrãcom- partilham interesses comuns, pois ambos enriquecem urânio e podem, num futuro próximo, tornar-se exportadores nessa área. Por essa razão, temem que as inspe- ções ilimitadas previstas pelo protocolo adicional possam camuflar espionagem industrial. Na linguagem diplomática, defendem a soberania de seus países de realizar as atividades previstas nas regras do TNP sem interferências externas. Paraogovernoiraniano,casoaceitemas pressões, os países em desenvolvimento correm o risco de perder o direito de con- trolar a indústria nuclear quando não são considerados “confiáveis” pelos governos dos países que já dominam a tecnologia iraniano em ação Ahmadinejad visita usina nuclear (acima) e festeja acordo ao lado de Lula e do premiê turco Erdogan AslonArfa/Reduxap/vahidsalemi
  17. 17. 32 atualidades vestibular + enem 2011 Dossiê nuclear 332011 atualidades vestibular + enem País-chave do Oriente Médio, o Irã pas- sou por uma transformação radical com aRevolução Islâmicade1979. Atéentão, era um dos principais aliados dos Esta- dosUnidos na região,ao lado deIsrael.A vitóriadarevolução,comainstalaçãodo regime teocrático, afastou-o dos EUA. OIrãatualdefine-secomoumarepúbli- ca islâmica, cuja autoridade máxima é o líder religioso supremo, um posto vita- lício. O primeiro a ocupá-lo foi o aiatolá RuhollahKhomeini.Comasuamorte,em 1989, Ali Khamenei assumiu o cargo, no qual se mantém até hoje. O regime sofreu sério abalo em 2009, com as mobilizações de protesto contra a reeleição do presidente Mahmoud Ah- madinejad. Nas eleições presidenciais, em junho, muitos acreditavam na vi- tória do candidato oposicionista e ex- primeiro-ministroMirHosseinMousavi. A expectativa se baseava nos grandes comícios realizados por Mousavi e nas demonstrações entusiasmadas de apoio no período eleitoral. Mas o vi- toriosofoiAhmadi- nejad,com63%dos votos, contra 34% para Mousavi. Oanúncioprovocouumaexplosãodere- volta, com a oposição acusando o gover- nodefraudaroresultado.Manifestantes passaram a enfrentar milícias leais ao governo, e a repressão foi violenta, com dezenas de mortos. Mas o líder religio- so supremo, Ali Khamenei, condenou os atos,deuapoioaAhmadinejadeafirmou que as eleições foram justas. Há um confronto entre posições dife- rentes no interior do regime iraniano. O presidente lidera a ala radical, chamada pelaimprensadeconservadora.Éosetor queseopõedemaneiraenfáticaàinfluên- ciadasgrandespotências.Deoutrolado, estãoosmoderadosoureformistas,como osex-presidentesHashemi Rafsanjanie MohammadKhatami,alémdocandidato Mousavi, interessados em reaproximar o país do Ocidente. Ambos os lados, po- rém, têm como referência a Revolução Islâmica,nãopretendemmudaroregime e defendem o programa nuclear. Existem várias evidências de fraudes nas eleições, mas observadores isentos nãoexcluemapossibilidadedevitóriade Ahmadinejad,jáqueeletinhaorespaldo deumenormecontingentedapopulação rural, que não se manifestou de forma ruidosanemteveamplacoberturademí- dia, como os apoiadores de Mousavi. de enriquecimento de urânio. O Brasil, embora não enfrente a desconfiança que pesa sobre os iranianos, travou uma dura polêmica com a AIEA quando da insta- lação, em Resende (RJ), de uma fábrica de enriquecimento de urânio (leia na pág. 49). Como o Brasil, a exemplo do Irã, não ratificou o protocolo adicional, setores conservadores dos EUA propagam a des- confiança sobre as intenções pacíficas do programa brasileiro, mesmo com a Cons- tituição brasileira proibindo atividades nucleares com fins militares. OsgovernosdoBrasiledaTurquiabus- caram intermediar um acordo que possi- bilitasseanãoaprovaçãodaquartarodada desançõescontraoIrã.Nocasobrasileiro, a tentativa pode ser interpretada como uma manifestação em defesa da própria atuaçãonucleardoBrasil.Referindo-seao Irã,opresidenteLuizInácioLuladaSilva afirmou: “Aquilo que defendemos para nós, defendemos para os outros”. Além disso, a iniciativa de buscar um papel de destaque na resolução de um problema internacional faz parte da ofensiva para conquistar uma vaga de membro perma- nentedoConselhodeSegurançadaONU, meta da diplomacia brasileira. Protestos de 2009 abalaram o regime iranianoA posição do Brasil no caso do Irã pode ser entendida como defesa de sua atuação revolta nas ruas Manifestantes fazem protesto em Teerã, em 16 de junho de 2009, contra o resultado das eleições presidenciais OAVANÇODATECNOLOGIANUCLEAR Conheça a trajetória da tecnologia nuclear no mundo, das primeiras pesquisas ao estágio atual, passando pelo uso da bomba atômica 1898 Marie Curie elabora o conceito de radioatividade. 1905 E=mc². Albert Einstein desenvolve a teoria segundo a qual uma pequena quantidade de matéria pode ser convertida em uma enorme quantidade de energia. 1934 Surge a ideia de usar a fissão em cadeia para gerar energia. 1942 Na Universidade de Chicago, Enrico Fermi constrói o primeiro reator nuclear, obtendo a reação de fissão em cadeia. 1949 A União Soviética detona seu primeiro artefato atômico. 1952 Os EUA testam a bomba de hidrogênio. × O Brasil funda seu primeiro centro de pesquisa nuclear. 1954 Os EUA lançam ao mar o primeiro submarino nuclear. 1957 Na Inglaterra, um acidente em um reator nuclear militar provoca o vazamento de uma nuvem contaminada. × Criada a Agência Internacional de Energia Atômica. 1964 A China testa sua bomba atômica. A essa altura, França e Reino Unido também possuem ogivas nucleares. 1974 A Índia detona sua primeira bomba atômica. 1979 Em segredo, militares e cientistas brasileiros iniciam o programa para desenvolver a tecnologia de enriquecimento de urânio. × Acidente na usina de Three Mile Island (EUA). 1986 Acidente de Chernobyl (URSS) 1975 O Brasil assina um acordo para construir Angra I com a Alemanha. 1955 Inicia-se o fornecimento de eletricidade de origem nuclear nos EUA. 1932 A primeira fissão nuclear é obtida em laboratório. Os resultados comprovam a teoria de Einstein. 1938 Cientistas alemães demonstram a fissão nuclear do urânio por nêutrons. 1945 Hiroshima e Nagasaki são arrasadas por duas bombas atômicas, que matam 170 mil pessoas. 1953 A União Soviética explode sua bomba de hidrogênio. A permanente tensão entre as potências nucleares alimenta a Guerra Fria. 1956 É instalado, na Universidade de São Paulo, o primeiro reator nuclear de pesquisas do Hemisfério Sul. 1962 OsEUAflagram mísseisnucleares soviéticosem Cuba. Acrisepõeo mundo sobameaçade guerra atômica. Nofim,os mísseissaemdailha. 1968 Lançado o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). 1981 Início do funcionamento de Angra I. 1987 O governo brasileiro anuncia que o país tem tecnologia para o enriquecimento de urânio. × Acidente radioativo de Goiânia, com césio-137. 1994 Entrada em vigor do Tratado para a Proscrição de Armas Nucleares na América Latina e Caribe. 2005 A Coreia do Norte afirma ter fabricado armas nucleares. 2009 Novo teste nuclear da Coreia do Norte eleva tensão no Extremo Oriente. 1998 Índia e Paquistão medem forças, realizando uma série de testes com bombas nucleares. 2006 Início das operações brasileiras de enriquecimento de urânio na fábrica de Resende (RJ). × Coreia do Norte realiza seu primeiro teste nuclear. 2000 Angra II entra em operação. 1930 1950 1970 1980 1990 20001940 1960 2010 k A Eletrobras obtém licença para a construção de Angra III. k A ONU realiza conferência sobre o Tratado de Não- Proliferação Nuclear. k Os Estados Unidos e a Rússia anunciam redução de seus arsenais atômicos. k O Conselho de Segurança da ONU aprova sanções contra o Irã por descumprimento de orientações da Agência Internacional de Energia Atômica. afp/gettyimages [1] [2] biblioteca do congresso.eua [3] divulgação [4] claudio rossi [1] [2] [3] [4]
  18. 18. 34 atualidades vestibular + enem 2011 Dossiê nuclear 352011 atualidades vestibular + enem Em maio de 2010, Lula, o primeiro- ministro turco Recep Tayyp Erdogan e Ahmadinejad assinaram um acordo pelo qual o governo iraniano se comprometia a enviar 1,2 mil quilos de seu urânio de baixo enriquecimento (3,5%) para ficar sob a guarda da Turquia. Em troca, depois de um ano, o Irã receberia 120 quilos de combustível nuclear para uso em pes- quisas médicas (urânio enriquecido a 20%). O acordo tinha como base o plano anteriordaAIEAecorrespondiatambém, em linhas gerais, à proposta apoiada em carta do presidente norte-americano Barack Obama, enviada a Lula. Apesar disso, um dia depois do anún- cio do entendimento entre Irã, Brasil e Turquia, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, informou que as princi- pais potências estavam de acordo em im- porsançõesaoIrã.Asmaioresresistências contra a adoção das medidas vinham da China e da Rússia, que mantêm relações comerciais estreitas com os iranianos. OsEUAprecisavamdoapoiodeambos, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, ao lado dos EUA, da França e do Reino Unido. Isso porque os membrospermanentestêmpoderdeveto sobre as resoluções do organismo – ou seja,sóéaprovadooquecontacomoapoio dos cinco. As sanções foram aprovadas em junho, com o voto de 12 dos 15 países- membrosdoCS.BrasileTurquiavotaram contra, enquanto o Líbano se absteve. Ao justificar sua negativa em apoiar o acordo negociado com o Irã por Brasil e Turquia, os norte-americanos afirma- ram que o Irã já teria, naquele momento, muito mais urânio enriquecido do que em outubro de 2009, quando a proposta havia sido feita. Como o 1,2 mil quilos que se dispunha a enviar para a Turquia representariam apenas metade do total, isso permitiria aos técnicos iranianos trabalhar no enriquecimento da outra metade, com vistas à fabricação de uma bomba. De acordo com a AIEA, o Irã acu- mulou, até maio, 2.427 quilos de urânio enriquecido a 3,5%. Apesar do acordo fechado com Brasil e Turquia, a ONU impôs novas sanções ao Irã O CLUBE ATÔMICO Conheça os países que possuem usinas nucleares, ogivas atômicas e fábricas de enriquecimento de urânio País Estados Unidos Rússia França China Reino Unido* Israel Índia Paquistão Coreia do Norte Usinas atômicas Países com armas nucleares signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear Países com fábricas de enriquecimento de urânio Países com armas nucleares que não assinam o tratado País suspeito de possuir armas nucleares França Reino Unido Rússia Irã Japão China Holanda Alemanha Estados Unidos Brasil Argentina África do Sul Canadá México Israel Coreia do Norte Índia Paquistão Arsenal atômico estimado 300 a 350 250 a 320 225 100 a 200 50 40 a 70 5 a 12Fonte: Eletrobrás/Nucleonica Week, março de2009 32% 17% País Estados Unidos França Japão Alemanha Rússia Brasil Geração de energia nuclear no mundo 9% 6% 6% 0,52% % do total 7.200 5.113 O que é o TNP OTratadodeNãoProliferaçãoNuclear (TNP), acordo de 1968, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1970, consi- dera as nações divididas em dois blocos: k deumlado,oscincoEstadosqueexplo- diram alguma bomba atômica antes de 1º de janeiro de 1967 – Estados Unidos, UniãoSoviética(sucedidapelaRússia), China, Reino Unido e França; k de outro, todos os demais países, que devem se comprometer a não tentar obter armas nucleares. Essa divisão tem como base a situação geopolítica mundial ao término da II Guerra Mundial (1939-1945). Os cinco países do primeiro bloco foram os ven- cedores da guerra e, não por acaso, são os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, os únicos com poder de veto sobre as decisões. De acordo com o TNP, os cinco podem manter suas armas atômicas, mas não transferi-las nem repassar a tecnologia para a sua fabricação a outra nação. O acordo, que entrou em vigor em 1970, permite que os demais países desenvol- vam a tecnologia nuclear para a geração de energia elétrica e outros fins pacíficos, sujeitando-se às inspeções da Agência InternacionaldeEnergiaAtômica(AIEA). No âmbito do TNP, as potências nuclea­ res se comprometeram a avançar para o desarmamento nuclear, o que, de fato, praticamente não andou até hoje. Se a AIEAconstataqueumEstadodesrespeita o tratado, encaminha o caso ao Conselho de Segurança da ONU, única instância que pode adotar medidas a respeito. Protocolo adicional OTNPestipulaqueasvisitasperiódicas deinspeçãotêmdesernegociadasprevia- mente com cada país e há limites para as verificações.Porexemplo,ostécnicospo- dem averiguar o grau de enriquecimento do urânio, mas não o funcionamento das centrífugas que enriquecem o material (segredo industrial). Mas a AIEA apro- vou,em1997,umprotocoloadicional,que dá aos inspetores da agência poderes de Outras nações O Irã reclama pelo fato de ser pres- sionado e hostilizado, mesmo fazendo parte do TNP, enquanto Israel – que não é signatário do tratado – dispõe de armas nucleares e não sofre retaliações, por ser um aliado dos EUA e dos europeus. Israel nunca admitiu nem negou a posse de armamentos atômicos, mas se sabe que o país mantém um arsenal nuclear. Essa política de dois pesos e duas me- didas se aplica também às três outras nações que, comprovadamente, fizeram testes com explosões atômicas: Coreia do Norte, Índia e Paquistão. Enquanto a primeira, que integrava o TNP e se reti- rou, é alvo de sanções e ameaças, a Índia e o Paquistão, que jamais fizeram parte do tratado, são tolerados e não precisam submeter-se ao controle internacional. Coreia do Norte A Coreia do Norte retirou-se do TNP em2003eanunciou,depois,quepossuíaa bombaatômica.Desdeentão,váriasroda- dasdenegociaçãoforamfeitasentreopaís, aCoreiadoSul,osEUA,aChina,oJapãoea Rússia,comoobjetivodedeteroprograma nuclear da nação, sem sucesso. Em outubro de 2006, ignorando apelos da comunidade internacional, a Coreia do Norte explodiu sua primeira bomba atômica. Em maio de 2009, realizou um segundo teste nuclear. Analistas acredi- tamque,comessasiniciativas,odirigente norte-coreanoKimJongIl–quecomanda um dos regimes mais fechados do mundo – tenta aumentar seu poder de barganha para obter conces- sões econômicas dos países ricos. A ONU aprovou sanções contra o país, mas o perigo continua de pé. Índia e Paquistão No caso da Índia, o governo dos EUA assinou um pacto nuclear com o país em 2006, ao mesmo tempo em que liderava a ofensiva contra o governo iraniano. Pelos termos do acordo, os EUA voltam a vender aos indianos combustível nu- clear e componentes de reator. A Índia comprometeu-se a separar seu programa nuclear civil do militar, abrindo as insta- lações civis para inspeções da AIEA. O texto possibilita também que o governo indiano mantenha seu programa de ar- mas nucleares. Políticos dos próprios EUA criticaram a iniciativa, argumen- tando que a fiscalização de usinas civis terá pouco efeito, já que a Índia possui um programa militar secreto. Em 2010, a China anunciou um acor- do com o Paquistão para construir dois reatores nucleares no país para produ- zir energia elétrica. Analistas acreditam que se trata da resposta paquistanesa ao acordo entre EUA e Índia, país frontei- riço com o qual o Paquistão disputa a Caxemira. Embora igualmente aliado dos norte-americanos, que ajudam o país a proteger seu arsenal nuclear, o Paquistão busca apoio também nos chineses para reforçar sua posição na região. mais um no clube A Coreia do Norte testa mísseis em maio de 2009, causando preocupação entre os países vizinhos, sobretudo o Japão Número de ogivas afp/kns *declaração do governo em 2010
  19. 19. 36 atualidades vestibular + enem 2011 Dossiê nuclear 372011 atualidades vestibular + enem SIM | Adesão não contraria interesse nacional Rubens Ricupero (*) Da mesma forma que a democracia, segundo Churchill, é a pior forma de governo, exceto todas as demais, o Tra- tadodeNãoProliferaçãoNuclear(TNP) é desigual e injusto, mas superior às alternativas existentes. (...) Brasil e Argentina tomaram juntos a decisão de abandonar seus programas nucleares rivais, desarmando perigosa corrida armamentista. (...) O processo culminou, em 1991, com a assinatura do acordo entre o Brasil, a Argentina, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Agência Argentino-Brasileira de Controle, pelo qual os dois países aceitaram as inspe- ções da agência da ONU. AadesãoaoTNPconstituiuaconsequên­­ cia natural, pois a proibição da arma nuclear já constava da Constituição de 1988 e o acordo de 1991 havia criado para o país todas as obrigações que decorreriam do tratado. Quandoaadesãosedeu,em1997-1998, osúnicosquenãohaviamassinadoeram Índia, Paquistão e Israel, que tinham para isso uma razão: queriam adquirir abomba(oquartoeraCuba,queaderiu logodepois).Quesentidoteriatidopara oBrasilficardefora,emcompanhiados trêsbelicistas,sejáhavíamosassumido na prática as obrigações do TNP? O mesmo argumento se aplica ao Pro- tocolo Adicional, que não é mais que a aceitação de fiscalização reforçada. O Brasil é dos raros países que permitem à agência acesso até a suas instalações militares. O que teríamos a temer se nada temos a esconder? (...) (*)Diretor da Faculdade de Economia da Faap, foi secretário-geral da Unctad NÃO | Instrumento desnecessário e humilhante Samuel Pinheiro Guimarães (*) O centro da questão é o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), cujo objetivo é evitar uma guerra nuclear. A possibilidadedetalconflitonãoestános paísesquenãodetêmarmasnucleares, mas, sim, naqueles que as detêm. Por- tanto, o principal objetivo do TNP deve ser a eliminação das armas dos países nuclearmentearmados:EstadosUnidos, Rússia, China, França e Inglaterra. Há42anosessespaísessecomprome- teram a eliminar suas armas, e há 42 anos não cumprem esse compromisso. Ao contrário, aumentaram a eficiência desuasarmasnucleares.Apesardenão teremsedesarmado,essespaísesinsis- tememforçarospaísesnãonuclearesa aceitar obrigações crescentes, criando crescentesrestriçõesàdifusãodetecno- logia, inclusive para fins pacíficos. (...) AAIEA,porpropostaamericanaeapre- texto do programa do Iraque, elaborou um modelo de protocolo adicional aos acordos de salvaguardas, permitindo a visita de inspetores, sem aviso prévio, aqualquerlocaldoterritóriodospaíses não nucleares para verificar suspeitas sobrequalqueratividadenuclear,desde pesquisa acadêmica e usinas nucleares atéaproduçãodeequipamentos,como ultracentrífugas e reatores. OProtocoloAdicionalconstituiriauma violação inaceitável da soberania dian- te da natureza pacífica das atividades nucleares no Brasil, uma suspeita in- justificadasobrenossoscompromissos constitucionais e internacionais e uma intromissão em atividades brasileiras na área nuclear. (...) (*)Diplomata e ministro de Assuntos Estratégicos Saiu na imprensa O Brasil deve assinar o protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear? Folha de S.Paulo, 10 de abril de 2010 Um mundo livre de armas nucleares ainda está distante Em setembro de 2009, durante ses- são dirigida pelo presidente norte- americano Barack Obama, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução contra a proliferação de armas nucleares. Obama defende “um mundo livre de armas nucleares” como um dos eixos da atividade de seu governo, conforme dis- cursouemPraga,naRepúblicaTcheca,em abrilde2009.Esseobjetivo,porém,ainda está distante de ser alcançado. A nova es- tratégiamilitardosEstadosUnidos(EUA), anunciadaem2010,definequeopaísnão usaráarmamentosatômicoscontranações que cumprirem as diretrizes do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). De acordo com o governo norte-americano, Irã e Coreia do Norte não se enquadram nesse perfil e podem ser atacados. Passados 65 anos das primei- ras bombas atômi- cas lançadas pelos Estados Unidos sobre populações civis, em Hiroshi- ma e Nagasaki, as potências nucleares mantêm arsenais com capacidade para devastar o planeta. Essas armas foram acumuladas principalmente pelos EUA e pela então União Soviética (URSS) no período da Guerra Fria. Com o fim da URSS, em 1991, surgiu a preocupação quanto ao destino do enorme arsenal soviético. Belarus, Cazaquistão e Ucrânia, repúblicas da ex-URSS que mantinham armas nucleares em seu território, trans- feriram esses armamentos para a Rússia, que controla atualmente os artefatos. Desde os anos 1970, as potências vêm negociando a diminuição dos arsenais, o que resultou em vários acordos, entre os quais o Salt 1 e 2 (1972 e 1979), Start 1 e 2 (1991 e 1993). Em 2002, ao assinarem o Tratado de Moscou, EUA e Rússia se comprometeram a reduzir, até 2012, de 6 mil para até 2,2 mil o número de suas ogivas nucleares operacionais. Acordo de redução Em abril de 2010, Estados Unidos e Rússia – que detêm, juntos, 95% do ar- senal nuclear mundial – assinaram um acordo bilateral para substituir o Start 1, expirado em dezembro. Pelo novo enten- dimento, cada um reduzirá, até 2020, seu número de ogivas nucleares posicionadas para 1.550. O total de mísseis balísticos ou bombas capazes de transportar as ogivas cairá para no máximo 800 em cada país. Haverá também um mecanis- mo de verificação do cumprimento do acordo. As deliberações ainda precisam ser aprovadas pelos parlamentos norte- americano e russo. Ficaram de fora do acordo, entretanto, milhares de ogivas estratégicas mantidas na reserva em depósitos militares. O De- partamento de Defesa norte-americano anunciou oficialmente que o tamanho de seuarsenalnuclearéde5.113ogivas,entre posicionadaseemreserva.Existemainda milharesdearmasforadeutilização,mas quenãoforamdesmontadas.Especialistas afirmam que há, nesse último caso, entre 4,5 mil e 9 mil artefatos, o que totalizaria, na menor estimativa, quase 10 mil ogivas em mãos dos Estados Unidos. A Federação Russa, segundo analistas, disporia de arsenal total de 15 mil a 17 mil ogivas, das quais 7,2 mil posicionadas ou em reserva. Boa parte está deteriorada e sem condições efetivas de uso. O Reino Unido, por sua vez, informou oficial- mente, em maio de 2010, dispor de 225 ogivas nucleares. No mesmo mês em que assinou o acor- do com a Rússia, Obama patrocinou, em Washington, capital norte-americana, a Cúpula sobre Segurança Nuclear, com a participação de quase 50 países. Um dos objetivos foi discutir ações conjuntas para evitar que material nuclear caia nas mãos de organizações terroristas. O governo russo anunciou, também em abril de 2010, a desativação de seu último reator de produção de plutônio – mate- rial que pode ser utilizado para fabricar armas nucleares. O Brasil não concorda em assinar o protocolo adicional, que amplia as inspeções internacionais devastação Explosão da primeira bomba atômica de hidrogênio, em 1952, feita pelos EUA em um atol no oceano Pacífico investigaçãomaisamplos.Oobjetivoéde- tectar a existência de atividades secretas. O protocolo adicional prevê que a AIEA tenha o direito de fiscalização sem aviso prévio e sem restrições. Esse protocolo não se aplica a nenhum dos cinco Estados dotados de armas, o que cria uma situação assimétrica. Para a enorme maioria das nações do mundo, que não possuem bombas, impõe-se um controle rigoroso. Aos detentores dos armamentos, exige-se o compromisso do desarmamento, sem prazos. Por esse motivo, os principais atingi- dos pelas determinações do protocolo adicional são os países com condições de desenvolvertecnologianoâmbitonuclear, como é o caso do Brasil e da Argentina, alémdoIrã.Muitoscientistasdaáreanu- cleardizemqueoprotocolobuscadefatoa nãoproliferaçãotecnológica,emproveito das nações que já detêm o controle do processo nuclear. No Brasil, há posições divergentessobreapropostadeadesãoao protocolo (leia na página ao lado). Na mais recente conferência inter- nacional para reexaminar o TNP, em maio de 2010, os EUA pressionaram pela adesão do Brasil e de outros países ao protocolo adicional, além de defender a ideia de bancos internacionais para enriquecimento de urânio, para evitar que novos países desenvolvam programas nucleares. O Brasil se opôs à proposta, pois cogita tornar-se, no futuro, expor- tador de urânio enriquecido – já que tem a sétima maior reserva do minério. Os países em desenvolvimento, por seu lado, defenderam metas para o desarmamento das nações com arsenal atômico. Odocumentofinaldoencontroregistra ocompromissodascincopotênciasnucle- aresdereduziremseuarsenaleprevêpara 2012 uma conferência que discutirá “um Oriente Médio livre de armas nucleares”. Esse último ponto foi introduzido pelos paísesdaLigaÁrabe,visandoapressionar Israel a assinar o TNP. O governo israe- lense já anunciou, porém, que não irá à conferência de 2012. divulgação/departamentodeenergiadoseua

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