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Experimentos de baixo custo quimica

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Experimentos de baixo custo quimica

  1. 1. ESPAÇO ABERTO + + + + Eduardo de Campos Valadares Neste artigo é apresentada uma proposta de inserção de experimentos de baixo custo no ensino de ciências centrado no aluno e na comunidade. São salientados o seu potencial de ampliar a motivação, o entusiasmo e o interesse pela ciência e suas aplicações práticas. experimentos de baixo custo, criatividade, comunidade Recebido em 20/3/01, aceito em 12/4/01 U m dos grandes desafios atuais logia de ensino de ciências simples, pequenos desafios que permitam avan- do ensino de ciências nas factível e de baixo custo e, mais impor- ços graduais. É de se esperar que tais38 escolas de nível fundamental e tante ainda, que leve em conta a parti- mudanças levem algum tempo. A inclu- médio é construir uma ponte entre o cipação dos alunos no processo de são de protótipos e experimentos conhecimento ensi- aprendizado. Esta pro- simples em nossas aulas tem sido um nado e o mundo co- A inclusão de protótipos e posta tem sido testada fator decisivo para estimular os alunos tidiano dos alunos. experimentos simples em com sucesso em cur- a adotar uma atitude mais empreende- Não raro, a ausência nossas aulas tem sido um sos de física básica vol- dora e a romper com a passividade que, deste vínculo gera fator decisivo para tados para as licencia- em geral, lhes é subliminarmente apatia e distancia- estimular os alunos a turas em ciências da imposta nos esquemas tradicionais de mento entre os alunos adotar uma atitude mais UFMG e em oficinas de ensino. Os projetos que temos priori- e atinge também os empreendedora e a criatividade oferecidas zado utilizam basicamente materiais próprios professores. romper com a passividade a professores do ensi- reciclados e de baixo custo. Isto torna Ao se restringirem a que, em geral, lhes é no médio e fundamen- os projetos acessíveis a todas as uma abordagem es- subliminarmente imposta tal e ao público em ge- escolas, especialmente aquelas caren- tritamente formal, eles nos esquemas tradicionais ral, incluindo crianças e tes de recursos financeiros. acabam não contem- de ensino adolescentes. Nesta Uma idéia dominante em nossa pro- plando as várias pos- perspectiva, uma maior posta é o uso de protótipos e expe- sibilidades que existem para tornar a aproximação da escola com a comuni- rimentos como instrumentos de desco- ciência mais “palpável” e associá-la dade é também contemplada. berta, que permitem a alunos e profes- com os avanços científicos e tecno- sores desenvolver atitudes científicas em lógicos atuais que afetam diretamente Por um ensino mais participativo contextos relevantes ao nosso dia-a-dia. a nossa sociedade. O nosso ponto de partida é a cons- Temos observado que quanto mais Embora a falta de recursos financei- trução do conhecimento pelos alunos e simples e conceitual é o experimento ou ros e o pouco tempo que os educado- para os alunos, no qual o papel do pro- protótipo, tanto mais instrutivo e atraente res dispõem para conceber aulas mais fessor seja essencialmente o de um faci- ele se torna. Nesta linha de atuação, o atraentes e motivadoras sejam fatores litador do processo pedagógico. Para professor pode e deve instigar seus que contribuam para o cenário do- tanto ele deve ser capaz de gerar um alunos a simplificar os experimentos e minante nas escolas, talvez o obstáculo ambiente favorável ao trabalho em protótipos até reduzi-los a um mínimo mais decisivo seja de natureza cultural. equipe e à manifestação da criatividade em termos de materiais empregados, Neste contexto, propomos uma metodo- dos seus alunos por intermédio de minimizando custos e maximizando o valor pedagógico de cada projeto es- A seção “Espaço aberto” visa abordar questões sobre educação, de um modo geral, que sejam de interesse dos pecífico. Esta estratégia permite aos professores de química. alunos desenvolver novas habilidades e QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Experimentos de baixo custo N° 13, MAIO 2001
  2. 2. a capacidade de buscar soluções mo, desvinculado de sua dimensão so-alternativas e mais baratas, que é a ba- cial. A proposta de disponibilizar para ase de grande parte da pesquisa e comunidade experiências pedagógicasdesenvolvimento realizados nos labora- inovadoras, desenvolvidas no âmbito datórios tecnológicos. Deste modo, a es- escola, visa justamente aproximar a es-cola dá uma oportu- cola das necessida-nidade única a seus As feiras de ciências des do público leigo,alunos de vivenciar constituem um bom extremamente curiosoconcretamente o co- exemplo de atividades e ávido por conheci-nhecimento “construí- voltadas para aumentar a mentos científicos edo” por eles próprios e motivação dos alunos. tecnológicos, desdede internalizar o signi- Entretanto, além de que traduzidos de for-ficado dos conceitos esporádicas, elas são, quase ma lúdica e divertidacientíficos aplicados a sempre, desvinculadas das (Valadares, 1999).contextos bem-defi- práticas pedagógicas Além disso, o contatonidos. Tudo isso em um adotadas em sala de aula e com o grande públicoambiente favorável ao vice-versa contribui de forma mui-desenvolvimento so- to positiva para a auto-cial, científico, tecnológico e pessoal dos estima dos alunos e para o crescimentoalunos. cultural da comunidade como um todo, Uma etapa fundamental de nossa contribuindo também para a valorizaçãoproposta é a apresentação em sala de social da escola.aula dos trabalhos desenvolvidos pelasequipes de alunos. Com isso eles po- Exemplos de experimentos de baixodem aperfeiçoar a sua capacidade de custo Figura 1: Redemoinhos de água.se expressar de forma clara, sucinta e Abaixo apresentamos três exem- 39objetiva, ressaltando o que é essencial, plos de experimentos de baixo custotendo à mão dispositivos que lhes per- envolvendo materiais reciclados que a posição das garrafas.mitem visualizar as idéias e os concei- ilustram o espírito de nossa proposta. Este experimento permite visualizartos subjacentes. Vários outros experimentos, incluindo a ocupação do espaço por gases. Ao Um passo posterior é a organização protótipos de robôs, aquecimento so- se criar o redemoinho a vazão dade exposições interativas do acervo lar, foguetes e “discos voadores” garrafa superior para a inferior aumen-desenvolvido no âmbito da escola, (hovercrafts) podem ser encontrados ta, pois o ar pode agora passar de umavoltadas para o grande público. em Valadares (2000). garrafa para a outra, cedendo espaçoDa sala de aula para a comunidade para a água. Redemoinhos de água (vórtices): As feiras de ciências constituem um explorando os redemoinhos das pias Átomos em movimentobom exemplo de atividades voltadas pa- Uma analogia macroscópica quera aumentar a motivação dos alunos. En- Material Duas garrafas PET (Poli Tereftalato permite visualizar o comportamento detretanto, além de esporádicas, elas são, um gás “ideal”, no qual as interaçõesquase sempre, desvinculadas das de Etileno) de 2 L com tampa, 1 caixi- nha plástica de filme fotográfico entre moléculas são desprezíveis (dis-práticas pedagógicas adotadas em sala tância média entre as moléculas muitode aula e vice-versa. Exposições interati- (encontrada aos montes nas lojas que revelam fotos; converse com o gerente grande, ou seja, gases com baixasvas realizadas em locais públicos, como concentrações) e as colisões são fron-praças, centros comerciais, parques e de uma loja e peça algumas caixas) e canudinhos de refrigerantes. tais, com conservação de energia eeventos sócio-culturais, proporcionam momento linear.aos alunos e à comunidade uma oportu- Passo a passonidade única de popularizar a ciência e Faça um furo no centro das duas Materialsuas aplicações de forma lúdica. Nossa tampas, de 1,5 cm a 1,8 cm de diâme- Cinqüenta bolinhas de isopor de 2,5experiência tem demonstrado que tais tro. Pique uns dois ou três canudinhos, cm de diâmetro, lixeira de plástico comexposições encontram grande recepti- coloque os pedaços dentro de uma furos na parede lateral (de 1,5 cm avidade junto ao grande público, além de das garrafas e encha-a de água. Ros- 2 cm), através dos quais é possívelcontribuir para o crescimento pessoal da queie bem as tampas nas duas garra- acompanhar as bolinhas de isoporequipe de alunos e professores envol- fas. Serre o fundo da caixa de filme e (“moléculas”) em movimento, papelão,vida na sua organização. encaixe-a até a metade na tampa da secador de cabelo. Em nosso meio escolar, é muito co- garrafa com água. Encaixe a tampa da Passo-a-passomum haver uma super-valorização do garrafa vazia na caixa de filme, até que Recorte um disco de papelão umconhecimento, como um fim em si mes- as duas tampas se encostem. Inverta pouco menor que a lixeira (cerca deQUÍMICA NOVA NA ESCOLA Experimentos de baixo custo N° 13, MAIO 2001
  3. 3. de leite ou suco, pedaço de canudinho de onda e a mesma freqüência da luz (2 cm), adesivo instantâneo universal incidente). A origem do céu azul pode (por exemplo, cola Superbonder® ou ser atribuída ao espalhamento Rayleigh, Araldite® super-rápida®). que é mais intenso para comprimentos Passo a passo de onda menores, e à sensibilidade do Faça um furo na caixa, a uns 2 cm olho humano, maior para o azul do que do fundo, com um diâmetro um pouco para o violeta, cujo comprimento de menor que o do canudinho. Introduza onda é ainda menor que o do azul. 0,5 cm de canudinho no furo e use cola Esfregando o balão de festas nos para vedação. Faça uma abertura na cabelos secos (veja experimento an- parte de cima da caixa, o suficiente para terior) você pode atrair o filete d’água encaixar a lanterna. Tampe o canudinho com a luz confinada nele por reflexão com o dedo e encha a caixa com água. total (o princípio da fibra óptica). Em um ambiente escuro, encaixe a lan- Considerações finais terna acesa na abertura superior da cai- xa e tire o dedo do canudinho. Deixe o As idéias aqui expostas têm sido filete de água bater na palma de sua testadas sistematicamente com suces- Figura 2: Átomos em movimento. so. Temos recebido um número cres- mão. Você está demonstrando o prin- cípio de uma fibra ótica (mangueira de cente de convites para organizar ofici- 2 cm de diferença). Faça uma alça de luz), usada cada vez mais em telefonia, nas de criatividade, tanto em escolas papelão e fixe-a no disco (êmbolo). substituindo os fios de cobre. Repita a privadas, que dispõem de infra-estru- Coloque as bolinhas de isopor dentro experiência misturando umas gotas de tura e recursos financeiros, como em da lixeira e tampe-a com o disco. Dire- leite na água e veja o que acontece com escolas públicas, com poucos recur- cione o jato de ar do secador de cabelo a intensidade da luz (espalhamento sos e alunos oriundos de famílias de como indicado e veja o que acontece Rayleigh de luz, produzido por partícu- baixa renda. Isso mostra que, indepen-40 com as bolinhas. Diminua o volume las de dimensões bem menores que o dentemente da situação econômica e disponível para elas empurrando o comprimento de onda da luz incidente social das escolas, há um nítido inter- êmbolo para dentro. – no caso da atmosfera terrestre, as esse em valorizar o papel da criativi- Este “experimento” permite visuali- moléculas que a compõem são muito dade na educação básica em ciências. zar a pressão como resultado dos vá- menores do que o comprimento de rios choques das bolinhas com as “pa- Agradecimentos onda da luz do Sol na faixa do visível). redes “ do recipiente. Com o “êmbolo” No espalhamento Rayleigh, a intensi- Sinceros agradecimentos ao Prof. fixo em diferentes posições e aumen- dade da luz espalhada varia com o in- Luiz Otávio Fagundes Amaral pelas tando-se a intensidade do jato de ar, é verso da quarta potência do compri- sugestões e leitura crítica do texto. possível verificar o que acontece com mento de onda da luz incidente (a luz As ilustrações, gentilmente cedidas o “gás” quando a sua temperatura é espalhada tem o mesmo comprimento pela Editora UFMG, foram retiradas do aumentada. livro do autor, Física mais que divertida. Desviando filetes d’água: explorando Eduardo de Campos Valadares (ecampos@dedalus. o caráter polar das moléculas de água lcc.ufmg.br), bacharel em física pela UFMG, mestre em física pela UNICAMP e doutor em ciências pelo Material Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), é Balão de festas e filete d’água docente do Departamento de Física da UFMG. (torneira). Para saber mais Passo a passo VALADARES, E.C. Ciência e diversão. Esfregue o balão nos cabelos (se- Ciência Hoje das Crianças, n. 97, p. 23, cos). Aproxime o balão do filete. nov 1999. As moléculas da água, devido ao VALADARES, E.C. Física mais que seu caráter polar, serão atraídas pelo divertida. Inventos eletrizantes baseados balão eletrizado. Além do balão pode- em materiais reciclados e de baixo custo. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2000. se usar uma régua esfregada em uma Na internet: www.fisica.ufmg.br/divertida flanela, ou ainda um canudinho de re- fresco atritado. Abstract: Proposals of Low-Cost Experiments Centered on the Student and the Community – A proposal for the intro- Um passo além: o princípio das fibras duction of low-cost experiments centered on the student and ópticas - controle da luz com eletricidade the community is presented in this paper. Their potential to amplify the motivation, the enthusiasm and the interest for science and its practical applications is highlighted. Material Keywords: low-cost experiments, creativeness, commu- Lanterna, embalagem de papelão, Figura 3: Princípio das fibras óticas. nity QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Experimentos de baixo custo N° 13, MAIO 2001

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