CAPÍTULO IV                                    A cidadeCidade e urbe não eram palavras sinônimas no mundo antigo. Cidade e...
Os deuses da cidadeNos tempos antigos, o culto era o vínculo de toda e qualquer sociedade.O altarda cidade ficava dentro d...
cidadãos contra o culto, o responsável para realizar essa festa chamava-seCensor.Para isso exigia-se que nenhum estrangeir...
CAPÍTULO IX                          O governo da cidade. O rei1o AUTORIDADE RELIGIOSA DO REIA religião prescrevia que o l...
A cidade exigia que o magistrado fosse de família pura, se asseguravam que ocandidato estava apto ao para desempenhar as f...
A grande pátria era a cidade, com seu pritaneu, seus heróis e territóriodemarcado pela religião. Estado, Cidade e Pátria r...
As confederações; as colôniasAlgumas cidades se agruparam numa espécie de confederação, essas tambémtiveram seu templo e c...
AS REVOLUÇÕESA primeira transformação foi no campo das idéias como conseqüência naturaldo desenvolvimento do espírito huma...
4o A MESMA REVOLUÇÃO EM ROMAA aristocracia assume o poder, porém as classes inferiores reclamam e arealeza é restabelecida...
da família. Via existir fora da família uma sociedade, regras, leis, altares,templos e deuses. No coração desses homens pe...
sua primeira reforma foi dar terás à plebe. Promulgou leis que até então não astinha tido. Foi um início de direito comum ...
A eleição não pertence mais aos deuses, mas ao povo.São os homens queescolhem.                                CAPITULO X  ...
Atenas sabia bem que a democracia só podia sustentar-se pelo respeito ásleis.Os tesmótetas apresentavam seus projetos ao s...
Quando a oligarquia levou as coisas aos últimos limites do possível, tornou-senecessário uma revolução, e a democracia con...
potências incomparavelmente maiores que encontrava na natureza, atéenlevar-se na concepção de outro ser quem estivesse aci...
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  1. 1. CAPÍTULO IV A cidadeCidade e urbe não eram palavras sinônimas no mundo antigo. Cidade era aassociação religiosa e política das famílias e tribos, Urbe era o santuário dessasociedade.Quando as tribos decidiam se unir e terem o mesmo culto, era necessáriofundar a Urbe para representar o santuário do culto comum, assim a fundaçãoda Urbe foi era sempre um ato religioso.O primeiro cuidado fundador era escolher o local da nova cidade, essa escolhasempre fica entregue a decisão dos deuses. Chegado o dia da fundaçãoprimeiramente é oferecido um sacrifício, após a cerimônia cava-se um pequenofosso e lança o torrão de terra trazido da cidade anterior, a religião proibiadeixar a terra onde os antepassados repousavam, com esse ato julgavamtrazer para ali a alma dos seus ancestrais da antiga pátria. Acende-se o fogo eao redor desse ergue-se a cidade.Esses costumes nos mostra como foi a urbe, dentro dos limites sagrados, aoredor do altar, a cidade foi domicílio religioso que abrigava os deuses e acolhiaos homens da cidade.Como os deuses sempre estavam ligados a cidade, o povo jamais devia deixa-la. Havia um acordo entre deuses e homens, todas as cidades foramconstruídas para serem eternas. CAPÍTULO V O culto do fundador: a lenda de EnéiasO fundador era o homem que realizava o culto religioso, sem o qual a cidadenão podia se estabelecer.Pode-se imaginar o respeito que as pessoas tinham por esse homem, pois erao pai da cidade. Depois de morto era cultuado como um deus e passava serum antepassado comum para todas as pessoas da cidade.Consideram Enéias, o fundador de Roma. Na destruição de Tróia, graças aEnéias o fogo sagrado não se extinguiu, o povo e os deuses fogem com Enéiasa procura de um novo local onde possam se estabelecer. Mas a escolha desselocal está sempre ligada aos deuses, então Enéias consulta os oráculos e sedeixa conduzir pela divindade. CAPÍTULO VI
  2. 2. Os deuses da cidadeNos tempos antigos, o culto era o vínculo de toda e qualquer sociedade.O altarda cidade ficava dentro do prédio, os gregos davam o nome de pritaneu e osromanos de vesta.Cada cidade possuía seus próprios deuses e eram comumente da mesmanatureza que os da religião primitiva. Todo homem que prestara algum serviçoà cidade, desde aquele que fundara tornava-se um deus para essa cidade.Os mortos fossem quem fossem eram guardas do país sob condição de lherenderem o culto, as cidades possuíam divindades políadas, entre eles Zeus,Atena e Hera.Cada cidade possuía o seu corpo de sacerdotes, entre os sacerdotes de duascidades não havia nenhum vínculo, pois cada um possuía seus dogmas, suasorações, livros litúrgicos sempre mantido em segredo.Os homens rendiam o culto a seus deuses em troca de proteção da cidade,quando uma cidade era conquistada atribuíam a culpa aos deuses, atiram-lhepedras e destruíam seus templos. Em tempos de guerra procuravam seapoderar dos deuses das cidades conquistadas através de cerimônias, tantopara passar para o seu lado como para destruí-lo. CAPÍTULO VII A religião da cidade1o Os Banquetes PúblicosA principal cerimônia da cidade era o banquete comum, em honra a suasdivindades, com toda a população presente. Em algumas pessoas faz obanquete comum todos os dias.2o As Festas e o CalendárioDo tempo que o homem tem para viver, deve dar um quinhão aos deuses.Tudo que era sagrado havia festa, festa dos muros da cidade, território,fundador, dos campos de trabalho, toda cidade tinha a sua festa para cadadivindade adotada como protetora, em dia de festa o trabalho era proibido. Ocalendário era a sucessão de festas religiosas regulado pela pelas leis dareligião e só conhecido pelos sacerdotes.3o O Censo e a LustraçãoUma das cerimônias mais importante na religião da cidade chamava-se festada puruficação, tinha por finalidade o resgate das faltas cometidas pelos
  3. 3. cidadãos contra o culto, o responsável para realizar essa festa chamava-seCensor.Para isso exigia-se que nenhum estrangeiro pode estar presente e todos oscidadãos devem estar presentes. A perda do direito de cidadania era o castigopara o homem que não se inscrevesse no censo.O censor era o senhor absoluto naquele dia , determinava o lugar de cadahomem, se colocado entre os senadores seria senador, assim sucessivamente.4o A Religião na Assembléia, No Senado, No Tribunal e No exército; O TriunfoA assembléia iniciava-se sempre com um ato religioso, a Tribuna era lugarsagrado, olocal de reunião do senado sempre foi o templo.Na guerra a religião se mostrou mais poderosa que na paz, o exércitoostentava a insígnia da cidade, levava consigo as estátuas de suas divindades,os deuses indicavam o início das batalhas.Assim tanto em tempo de paz como de guerra, religião intervinha em todos osatos dos homens, envolvendo o homem, alma, corpo, vida privada, vidapública, assembléias, tribunais, tudo estava sob o julgo da religião. Governavao homem com autoridade absoluta que coisa alguma permanecia fora do seupoder. CAPÍTULO VIII O ritual e os anais.A religião era um vínculo que matinha o homem em escravidão, deixava-segovernar por ela, temiam seus próprios deuses e passavam a vida inteira aapazigua-los.Cada família tinha um livro onde estavam condensadas suas fórmulas, a menorfalta convertia o ato sagrado em sacrilégio. Mas o mais importante é que asfórmulas nunca fosse esquecida e os ritos jamais se alterassem.Os ritos nunca eram mostrados aos estranhos, revelar um rito ou uma fórmulaera trair a religião, no pensamento desse povo tudo que fosse antigo seconsiderava sagrado, a cidade não podia esquecer coisa alguma, pois tudoestava ligado ao culto.Na história se inscreviam todos os acontecimentos referente a religião paralição e piedade dos descendentes, isso era prova material da existência dosdeuses. Os anais da cidade eram rudes, esses documentos nunca saiam dosantuário e apenas os sacerdotes podiam ler.Mais tarde esses anais se divulgaram e Roma publicou o seu.
  4. 4. CAPÍTULO IX O governo da cidade. O rei1o AUTORIDADE RELIGIOSA DO REIA religião prescrevia que o lar tivesse um sacerdote supremo, de modo igual acidade possuía o sacerdote do lar público que chamamos de rei, sendo o cultodo lar público a fonte de sua dignidade e poder, a principal função do rei era arealização de cerimônias religiosa.Preocupados com muitas guerras criou-se os flâmines, para substituir o reiquando este estava ausente de Roma.2o AUTORIDADE POLÍTICA DO REIAssim como família, a cidade tinha o seu chefe político, era colocado entre osdeuses e o homem. Era o sacerdote que velava pelo fogo sagrado, como areligião se envolvia com o governo, justiça e guerra, resultou que o rei era aomesmo tempo magistrado, juiz e militar, o sacerdócio foi hereditário assimcomo o próprio poder.Entre essas populações a sociedade foi se formando pouco a pouco, não foiIdea pela ambição de alguns, nasceu da necessidade coletiva. Os reis nãotinham necessidade a força material , sua autoridade em poder era mantidapela crença. Os povos estabeleceram o regime republicano mas o rei continuoua ser venerado. CAPÍTULO X O magistradoO magistrado que substituiu o rei foi, como este, sacerdote e chefe político. Ocaráter do magistrado se assemelha aos de Estado das sociedades modernas.Sacerdócio justiça e comando confundem-se numa mesma pessoa. Omagistrado representa a cidade, associação tão religiosa quanto política.Não havia magistrado que não realiza-se algum ato sagrado, para os antigosqualquer forma de autoridade de algum modo era religiosa.Quando as revoluções suprimiram a realeza, os homens procuram uma formade eleição aprovada pelos deuses. O magistrado recebia um pressagio dosdeuses, ele indicava a pessoa para que fosse votada, a participação do povonão ia além de retificar o candidato indicado. Todos acreditavam que a escolhado candidato era feita pelos deuses.
  5. 5. A cidade exigia que o magistrado fosse de família pura, se asseguravam que ocandidato estava apto ao para desempenhar as funções religiosas, ficando acidade compreendida em suas mãos. CAPÍTULO XI A LeiA lei surgiu a principio como uma parte da religião. Durante muito tempo só ospontífices eram os jurisconsultos.Todas as contestações relativas aocasamento, divórcio, direitos civis e religiosos eram levados ao seu tribunal.As leis não foram feitas pelos homens, surgiu como conseqüência direta enecessária da crença, era a própria religião, aplicada nas relações dos homensentre si. Para os antigos obedecer a lei era obedecer aos deuses.A princípio a lei era imutável porque era divina, nunca se revogavam as leis.Esse princípio foi causa de uma grande confusão, as leis opostas de diferentesépocas, achavam-se associadas e todas tinham o direto de serem igualmenterespeitadas.As leis antigas nunca tiveram considerações, não se explicava suas razões eos homens a obedeciam porque crêem nela. O Direito não era nada mais queuma das faces da religião. CAPÍTULO XII O cidadão e o estrangeiroReconhecia-se como cidadão, todo homem que participa do culto religioso dacidade, dessa participação vinha seus direitos civis e políticos, pelo contrário oestrangeiro é aquele que não tem acesso ao culto, aquém os deuses da cidadenão protegem nem sequer tem direto de invoca-los.Facultar o direito de cidadania a um estrangeiro era uma verdadeira violaçãodos princípios fundamentais do culto religioso. As leis da cidade não existiampara eles.O escravo de certa maneira era mais bem tratado que o estrangeiro, para quepudesse ter algum valor era necessário tornar-se cliente de qualquer cidadão,desta forma adquiria alguns direitos civis e a proteção das leis. CAPÍTULO XIII O patriotismo O exilo.
  6. 6. A grande pátria era a cidade, com seu pritaneu, seus heróis e territóriodemarcado pela religião. Estado, Cidade e Pátria representavam todo umconjunto de divindades locais que tinham grande poder sobre as almas.Somente na sua pátria, ele tem dignidade de homem e seus deveres, ocidadão não pode ser homem em outro lugar.A posse da pátria era muito importante, pois a punição pelos grandes crimesera o exílio. O exilado ao abandonar a pátria deixava ali seus deuses, nãoconseguia encontrar uma religião que pudesse consola-lo e protege-lo. Oexilado perdendo a religião de sua pátria perdia tudo. CAPÍTULO XIV Do espírito municipalCada cidade tinha sua própria religião, seus códigos , suas festas. O calendáriode uma não podia ser igual a outra.A natureza física exerce uma certa influência, mas as crenças era algo muitomais forte. Por essa razão não puderam estabelecer nenhuma outraorganização social que não fosse a cidade.O espírito da cidade está fundamentado na religião, de forma que não épossível a união de duas cidades. CAPÍTULO XV Relações entre as cidades; a guerra; a paz a aliança dos deusesQuando as cidades estavam em guerra, não era apenas os homens quecombatiam, também os deuses.Antes da batalha o soldado profere contra o exército inimigo uma maldição,depois duelavam com uma fúria selvagem bem própria de quem julgava ter osdeuses a seu lado. O vencedor podia usar sua vitória como melhor lheaprouvesse. Quando o vencedor não exterminava o vencido, tinha o direito dedestruir sua associação religiosa e política.O tratado de paz era feito através de ato religioso, essa cerimônia religiosaatribuía às convenções internacionais de caráter sagrado e inviolável, assimcomo nas guerras os deuses estavam presentes. Estipulava-se que haveriauma aliança entre os deuses e o homem. CAPITULO XVI
  7. 7. As confederações; as colôniasAlgumas cidades se agruparam numa espécie de confederação, essas tambémtiveram seu templo e cultos religiosos.Essas anfictionias e confederaçõesexerceram pouca ação política.Uma colônia não era anexo ao Estado, era independente, todavia possuía umvínculo de natureza particular e isso provinha de um pacto de quando forafundada. CAPÍTULOXVII O romano; o atenienseA religião com seus dogmas e práticas outorgou aos romanos e gregos seumodo de pensar e de agir.O romano ou patrício era o homem nobre, poderoso e rico. Todo o dia oferecesacrifício em sua casa, todo momento consulta os deuses, só corta cabelo nalua cheia, carrega amuletos. É valente mas com a condição que os auspícioslhe tenham assegurado a vitória. Acredita-se que há mais deuses em Roma doque cidadãos, por temerem os deuses vieram o a ser senhor da terra.O ateniense afastava-se do romano pelo caráter de espírito, mas seassemelhava pelo temor aos deuses, concebido como incosntante, caprichosoe tão livre pensador.O ateniense tem suas coleções de antigos oráculos, não começa nenhumafrase sem antes invocar a boa forma. CAPÍTULO XVIII Da onipotência do Estado; os antigos não conheceram a liberdade individualEm sociedade estabelecida sobre tais princípios, a liberdade individual nãoexistia, a vida privada não fugia da onipotência do Estado, tal era o seu poderque ordenava a inversão dos sentimentos naturais e era obedecido.Os antigos não conheciam a liberdade de vida privada, nem a de educação,nem a religiosa, o homem não tinha sequer a mais ligeira concepção do quefosse a liberdade. LIVRO QUATRO
  8. 8. AS REVOLUÇÕESA primeira transformação foi no campo das idéias como conseqüência naturaldo desenvolvimento do espírito humano fazendo desaparecer as antigascrenças. O segundo encontra-se na classe que está a margem dessaorganização, que sofria e querendo destruí-la declarou uma guerra semtréguas. CAPÍTULO I Patrícios e ClienteOs patrícios eram os chefes das famílias, eles compunham o senado e asassembléias deliberativas, tinham o comando da cidade. Os clientes como jávimos, eram as pessoas que se submetiam a outras para poderem ter acesso aalgum culto e proteção. CAPÍTULO II Os plebeusO povo era compreendido de patrícios e clientes, a plebe estava fora. Umaclasse muito numerosa que provavelmente fossem remanescentes de povosconquistados e subjulgados.Três palavras caracterizavam os plebeus: "Não tem culto", não tendo culto, nãotinha aquilo que autorizava o homem a ter um pedaço de terra, fazendo delasua propriedade. Não tendo religião todo plebeu era impuro, dessa religiãoproveio a distinção de classes. CAPÍTULO III Primeira revolução1o A AUTORIDADE POLÍTICA É TIRADA AOS REISSurge uma aristocracia formada pelos patres, que ganha força e promove aluta contra os reis. A Realeza é despojada do seu antigo poder, tornou-seapenas um sacerdócio.2o A HISTÓRIA DESSA REVOLUÇÃO EM ESPARTAA realeza foi deposta do seu poder pela aristocracia, que entregou para osmagistrados anuais denominados éforos. Para os reis restou apenas osacerdócio3o A MESMA REVOLUÇÃO EM ATENASTeseu transformou o governo de monárquico em republicano, onde o corpopolítico era composto pela aristocracia.
  9. 9. 4o A MESMA REVOLUÇÃO EM ROMAA aristocracia assume o poder, porém as classes inferiores reclamam e arealeza é restabelecida sob forma de eleição.Numa, foi mais sacerdócio queguerreiro. O terceiro rei foi mais guerreiro que sacerdócio, foi morto, com isso osenado se restitui com toda sua autoridade.O quinto rei, voltou-se contra o senado e foi assassinado, o sexto rei tomou opoder com um golpe de Estado apoiado pelas classes inferiores, foi degolado.A cidade fica momentaneamente sem o rei, a aristocracia se aproveita, toma opoder definitivamente, para realeza só restou o sacerdócio. CAPÍTULO IV A aristocracia governa as cidadesA religião hereditária era para essa aristocracia título de domínio absoluto. EmRoma esse regime durou pouco tempo, já na Grécia teve um longo período.Essa aristocracia permaneceu absoluta no poder, conservando título deproprietário, não tendo as classes inferiores direito sobre o solo. CAPÍTULO V Segunda revolução; Transformações na constituição da família; desaparece o direito de primogenitura; a gens se desmembraAs velhas instituições começaram a fraquejar. Pouco a pouco foi-se deixandode lado a regra da indivisão, desaparece o direito de primogenitura.Esse desmembramento da gens enfraqueceu a antiga família sacerdotal, o quetornou mais fáceis as outras transformações. CAPÍTULO VI Libertam-se os clientesA família antiga compreendia, sob a autoridade de um único chefe, duasclasses de categoria desigual: de um lado os ramos mais novos, isto é oindivíduo naturalmente livre; de outro servos ou clientes, inferiores pelonascimento, mas aproximados do chefe pela sua participação no cultodomésticoO cliente não tinha direito a nada, nem mesmo sua vida lhe pertencia. Maistarde, o olhar do cliente começou a estender-se para além do acanhado círculo
  10. 10. da família. Via existir fora da família uma sociedade, regras, leis, altares,templos e deuses. No coração desses homens penetrou o ardente desejo deliberdade.Houve uma guerra entre cliente e patronos, que preencheu logo período daexistência de Roma.O cliente começou a alcançar o direito de propriedade, no início o Che da gensdemarca-lhe um lote de terra para cultivar. Não muito depois ele se tornapossuidor vitalício desse lote, contanto que contribua para todas as despesasdo antigo patrono.O cliente faz am seguida novo: consegue o direito de ao morrer, transmitir oque possui ao filho.Pouco a pouco os vínculos da clientela afrouxam-se e o cliente vai seafastando do patrão. CAPÍTULO VII Terceira revolução. A plebe passa a fazer parte da cidadeA classe inferior, em sua fraqueza, não lobrigou de início outro meio decombater a aristocracia senão apondo-lhe na monarquia.O povo conseguiu eleger chefes entre os seus; e não podendo dar-lhes umnome de reis chamou-os de tiranos.O povo na Grécia e em Roma, procurava restaurar a monarquia, mas não porpreferir esse regime, a monarquia era para o povo um meio de vencer e de sevingar.A classe inferior cresceu pouco a pouco em poderio. No século VI, a Grécia e aItália viram brotar nova fonte de riquezas, aterra já não bastava para todas asnecessidades do homem: nasciam as artes, a indústria e o comércio. Pouco apouco formou uma riqueza mobiliária, cunhou-se moeda e o dinheiro apareceu.Tudo mudou; os maus foram colocados acima dos bons. A justiça foi alterada,leis antigas deixaram de ter vigência e leis de estranha inovação ássubstituíram. A riqueza tornou-se o único objetivo dos desejos dos homens,porque apenas esta lhes reconheceu o poderio. Assim a cidade antiga foi setransformando gradualmente.Muitos estrangeiros afluíram a Roma, onde a localização se tornava propíciapara o comércio, o cliente que conseguia escapar da gens tornava-se plebeu. Aambição da plebe era destruir as antigas barreiras que a excluíam dasassociações religiosa e política. Os reis protegeram a plebe e a plebe apoiouos reis. Os primeiros progressos dos plebeus deram-se no reinado de Sérvio,
  11. 11. sua primeira reforma foi dar terás à plebe. Promulgou leis que até então não astinha tido. Foi um início de direito comum as duas classes, e para plebe umcomeço de igualdade.A plebe constituída em sociedade quase regular teria chefes escolhidos entreseus próprios membros, essa é a origem do tribuno. Assim que a plebeencontrou seus chefes, não tardou em reunir também as suas assembléiasdeliberativas.Escolhido esse caminho, começou por reclamar um código deleis.Decidiu-se que os legisladores seriam todos patrícios, mas o seu código, antesde ser promulgado e posto em vigor, devia ser exposto ao público e submetidoa aprovação prévia de todas as classes. O patriciado usou de todas as suasforças e habilidades para afastar os plebeus das magistraturas.A plebe tomou armas e iniciou a guerra civil. O patriciado vencido promulgouum senatus consulto, pelo qual aprovava e confirmava de ante mão todos osdecretos que o povo apresentasse naquele ano.Restava o sacerdócio. Com o transcorrer do tempo, a religião dos plebeustornou-se coisa séria, chegando esses a crer que era mesmo sobre o ponto devista do culto e relativamente a seus deuses, iguais aos patrícios. A plebepercebeu que não teria igualdade civil ou política se não tivesse também osacerdócio. CAPÍTULO VIII Modificações no direito privado; Código das Doze Tábuas; Código de SolonNos novos códigos o legislador não representa mais a tradição religiosa, mas avontade popular. A lei doravante tem por princípio o interesse dos homens, epor fundamento o assentimento da maioria..Um dos pontos onde ás doze tábuas não se afasta do direito antigo, é aconservação do poder do pai.O código de Sólon corresponde a uma grande revolução social, as leis são asmesmas para todos. Tanto em Atenas como em Roma o direito começou atransformar-se. CAPÍTULO IXO princípio que dali em diante, se fundou o governo das cidades, passou a ser o interesse público A religião deixara de governar os homens.
  12. 12. A eleição não pertence mais aos deuses, mas ao povo.São os homens queescolhem. CAPITULO X Tenta-se constituir uma aristocracia da riqueza, estabelecimento da democracia 4o revoluçãoNão foi a democracia o regime que sucedeu á dominação da aristocracia.Vimos no exemplo de Atenas e de Roma, que a revolução efetuada não foraobra das classes humildes.Os direitos políticos que na época precedente eram inerentes ao nascimento,passaram a estar durante algum tempo, inerentes a fortuna.A aristocracia não baseou unicamente sua superioridade na riqueza, procuroutambém ser da classe militar. A nobreza sacerdotal da época precedenteprestara grande serviço, porque foi ela quem pela primeira vez estabeleceu leise fundou governos regulares.A classe rica não manteve o domínio por tanto tempo. Diante da riqueza osentimento mais vulgar no homem não é o respeito, mas a inveja. Adesigualdade política que resultava da desigualdade de fortunas, dentro empouco lhes pareceu iniqüidade, e os homens trabalharam por faze-ladesaparecer.As cidades da Grécia e Itália viviam em estado de guerra. Um dos efeitos daguerra, era ou ficarem as cidades quase sempre obrigadas a conceder armasas classes inferiores. A guerra preencheu o espaço que a aristocracia deriqueza interpusera entre si e as classes inferiores.O regime democrático foi necessário para que o pobre tivesse amparo e o ricoum freio, concedeu-se direitos a todos os homens livres. CAPÍTULO XI Normas do governo democrático; exemplo da democracia atenienseÀ medida que as revoluções seguiam o seu curso, os povos se afastavam doregime antigo.Superior ao próprio senado estava a assembléia do povo. Era verdadeira esoberana. Como nas monarquias bem constituídas, a democracia tambémtinha normas invariáveis às quais se submetia.
  13. 13. Atenas sabia bem que a democracia só podia sustentar-se pelo respeito ásleis.Os tesmótetas apresentavam seus projetos ao senado, em caso de aprovaçãoconvocavam a assembléia para comunicar-lhes. Numa outra estância, reunia-se o povo que devia votar, se aprovado se transformava em lei.A lei nova sempre vinha com o nome do seu autor, que mais tarde podia serperseguido judicialmente e punido. O povo como verdadeiro soberano eraconsiderado impecável, mas orador, com tudo, continuava sempre comoresponsável pelo conselho que dera.Essas eram as regras às quais a democracia prestava obediência. Qualquerque seja a forma de governo, monarquia, aristocracia ou democracia, a dias emque a razão governa, mas também a outros que sobrevem a paixão.Um desastre para a pátria seria igualmente para cada cidadão a diminuição dasua dignidade pessoal, da sua segurança e da sua riqueza.O dever do cidadão limitava-se ao voto, quando chegava a sua vez ele setornava magistrado de seu demo ou de sua tribo. CAPÍTULO XII Ricos e pobres; desaparecem a democracia; os tiranos popularesÀ medida que se afastavam do antigo regime, formava-se uma classe pobre.Antes, quando cada homem pertencia a uma gens e tinha um chefe, a misériaera quase desconhecida. O homem era alimentado pelo seu chefe; aquele aquem prestava obediência. Devia, em troca, atender a todas as suasnecessidades.A democracia não suprimiu a miséria; tornou-a mais acentuada. A igualdadenos direitos políticos tornou mais evidente ainda a desigualdade de condições. CAPÍTULO XIII Revolução em EspartaNa sociedade espartana encontramos uma hierarquia de classes sobrepostasumas as outras.O que salvou Esparta foi a excessiva distinção estabelecida ente as classesinferiores.
  14. 14. Quando a oligarquia levou as coisas aos últimos limites do possível, tornou-senecessário uma revolução, e a democracia contida e reprimida portanto temporompesse finalmente os seus diques. Supõe –se também que depois de tãolonga compressão, a democracia não devia limitar-se a reformas políticas, masir imediatamente ás reformas sociais.Na Itália e Grécia, só se viam dois grupos de homens, a classe aristocrática e opartido popular; a primeira pedia a dominação de Roma, o segundo a rejeitava.Venceu a aristocracia e Roma adquiriu um império.A liberdade municipal e o império de Roma eram inconciliáveis; a primeira sópodia ser uma mera aparência, uma mentira.Roma enviava um dos seus cidadãos a um país e fazia deste país a provínciadeste homem, ao mesmo tempo conferia a esse cidadão o impérium,renunciando em favor desse homem, por tempo determinado a soberania quepossuía sobre esse país.Era deplorável a condição de súdito de Roma, enquanto que a condição decidadão romano causava inveja, quem não fosse cidadão romano, não erareputado como marido nem como pai, não podendo legalmente ser nemproprietário nem herdeiro.Uns cem anos se passaram e Roma mudou de política.Decidiu-se dar as diferentes cidades seu governo municipal, suas leis, suasmagistraturas. Roma abriu uma porta que permitiu ao súditos a entrada nasociedade.A guerra que se seguiu, foi a chamada guerra social, os aliados de Romatomavam armas para deixar de ser aliados e tornar-se romanos.A Grécia também entrou pouco a pouco no Estado romano.Depois de oito ou dez gerações terem anciados pelo direito de cidadaniaromana e de o ter obtido todo homem que tivesse algum valor, apareceu umdecreto imperial a concede-lo a todos os homens livres, sem distinção LIVRO QUINTO Desaparece o regime municipal CAPÍTULO I Novas crenças: a filosofia altera as normas da políticaO conceito de divindade modificou-se. A idéia atribuída primeiramente pelohomem, a força invisível que sentia em si próprio transportou-a ele, para as
  15. 15. potências incomparavelmente maiores que encontrava na natureza, atéenlevar-se na concepção de outro ser quem estivesse acima e para além danatureza. Então os deuses Lares e os Heróis deixaram de ser adorados peloseres racionais.O homem não mais quis crer sem conhecer suas crenças, nem deixar-segovernar sem discutir suas instituições. CAPÍTULO II A conquista romanaA sabedoria de Roma consistiu, como toda sabedoria em saber aproveitar-sedas circunstancias.A população romana era um cruzamento de várias raças, seu culto uma uniãomuitos cultos, seu lar nacional uma associação de diferentes lares. Roma eraquase a única cidade cuja religião municipal não isolava das demais. Estavaligada a toda Itália a toda Grécia. Poucos povos havia que roam não pudesseadmitir em seu lar.Roma foi a única cidade que com a guerra soube aumentar sua população;juntou a si todos o quanto venceu; ao mesmo tempo enviava colonos para ospises conquistados. CAPÍTULO III O cristianismo muda as condições de governoA vitória do cristianismo assinala o fim da sociedade antiga.O cristianismo transformou no homem a natureza e a forma de adoração. Otemplo passou a ficar aberto a quem quer que crê em deus. O sacerdóciodeixou de ser hereditário, porque religião já não era um patrimônio.Quanto ao governo de Estado, podemos dizer que cristianismo, transformouem sua essência precisamente porque não se ocupou dele. Jesus Cristoensina que seu reino não é desta mundo. Separa a religião do Estado. Eacrescenta: "daí a César o que é de César e a Deus o que de Deus". Proclamaque a religião não é mais do Estado, e obedecer a César já não é o mesmoque obedecer a Deus.Apresentamos a história de uma crença. Estabelece-se a crença: constitui-se asociedade humana. Modifica-se a crença: a sociedade atravessa uma série derevoluções. A crença desaparece: a sociedade muda de aspecto. Esta foi a leidos tempos antigos.

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