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FACULDADES INTEGRADAS DA TERRA DE BRASÍLIA 
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS 
Uso de plantas nos cultos Afro-brasileiros no 
Distrito Federal e Entorno. 
Jonathan Vieira Novais 
Recanto das Emas 
2006.
Faculdades Integradas da Terra de Brasília – FTB 
Curso de Ciências Biológicas 
Uso de plantas nos cultos Afro-brasileiros no Distrito Federal e Entorno. 
Jonathan Vieira Novais 
Monografia de Conclusão de Curso, como 
requisito parcial para obtenção do título de 
Licenciado em Ciências Biológicas. 
Recanto das Emas 
2006
Trabalho realizado junto à coordenação de Ciências Biológicas das Faculdades Integradas da 
Terra de Brasília. Sob a orientação da Professora MsC. Renata Corrêa Martins. 
Aprovado por: 
_____________________________________________ 
MsC. Renata Corrêa Martins 
Universidade de Brasília – UNB / Jardim Botânico de Brasília 
Orientadora e Presidente da Banca 
_____________________________________________ 
Professor MSc. Alberto Jorge da Rocha Silva 
Faculdades Integradas da Terra de Brasília – FTB 
Co - Orientador 
_____________________________________________ 
Prof.ª Dra. Kátia Regina Ferraz Vicentini 
Faculdades Integradas da Terra de Brasília – FTB 
Membro titular da Banca
A todos os tripulantes da oikos nave Terra, 
em especial aos divinos e completos vegetais, 
aos ancestrais, 
a todos belos irmãos inorgânicos...
AGRADECIMENTOS 
Seria impossível agradecer somente a uma pessoa, começo então dizendo que não há 
nada melhor do que acordar com alguém que participe arduamente com você de todos os 
episódios das vivências terrenas, e este trabalho realmente ensinou-me o valor do 
companheirismo, então digo um obrigado especial a minha linda esposa Cláudia e ao filhote 
Christian. 
Meus amorosos, apoiadores e sonhadores pais Imaculada e Juarez, ao meu sogro 
Mario e sogra Eni, pelo carinho e sobre tudo a confiança em mim depositada. As minhas 
irmãs Dolores e Danielle. 
A faculdade, digo aos grandes empresários do ensino, por favor, façam algo para 
melhorar o ensino deste país, se empenhem mais, em ajudar estas pequenas moléculas de 
carbono que somos os sonhadores homens. 
Deixo aqui meus votos de amizade a todos os companheiros de sala e professores do 
curso, adorei trocar tantas experiências com vocês, estes anos foram sementes, e a colheita 
está por vir. 
Deixo meus votos de agradecimento e felicidade aos orientadores Renata Martins e 
Alberto Silva que foram ativos em me oferecer à sabedoria que já possuem, compartilhando 
comigo o tempo, que muitas vezes acredito eu, se absteram de exercer outras atividades. A 
querida Carolyn Proença por dispor o seu sempre requisitado tempo para me esclarecer e 
proporcionar um pouco da luz do seu conhecimento e professora Kátia Vicentini pela 
referência e o bom exemplo, obrigado por participar da banca. 
Finalizo, agradecendo a todos os entrevistados, estes me proporcionaram momentos 
de grande aprendizado ao lado deles e sem eles não teria construído todo este trabalho, 
aprendi com eles a agradecer dizendo assim: “Que Olorum e todos Orixás abençoe, todos 
vocês e que a felicidade inunde o coração de todos”.
SUMÁRIO 
RESUMO ..................................................................................................................... 7 
INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 8 
OBJETIVOS .............................................................................................................. 12 
MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................... 13 
RESULTADOS E DISCUSSÃO .............................................................................. 17 
CONCLUSÃO ........................................................................................................... 79 
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO: .................................................................... 80 
GLOSSÁRIO DE NOMES OU TERMOS AFRO-BRASILEIROS ................................................................ 84 
APÊNDICE - A – ANUÊNCIA PREVIA ....................................................................................................... 87 
APÊNDICE B – QUESTIONÁRIOS ............................................................................................................... 88 
C- LEVANTAMENTO DAS ESPÉCIES VEGETAIS ÚTEIS, NOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS NO 
DISTRITO FEDERAL E ENTORNO. ............................................................................................................. 91 
ANEXO I – OSSAIM O ORIXÁ DAS FOLHAS ........................................................................................... 93
RESUMO 
O conhecimento tradicional das culturas de origem africana, possui num contexto uma 
valorização direta aos vegetais e este conhecimento pode ser evidenciado pela pesquisa 
etnobotânica. Este estudo foi conduzido no Distrito Federal e Entorno. O levantamento 
etnobotânico teve como alvo os sacerdotes das casas de santo (Candomblé). Foram realizadas 
entrevistas semi-estruturadas, com o uso de questionários, buscando informações sobre os 
empregos dados as plantas, voltando a entrevita para quais plantas são utilizadas e suas 
indicações de uso. Observou-se que as espécies vegetais são em sua maioria exóticas ao 
bioma Cerrado. O emprego de espécies nativas do Cerrado reflete que houve a adaptação ou 
a inclusão destas plantas nos cultos afro brasileiros no DF e entorno. Evidenciou-se 
considerável utilização dos vegetais. Os usos foram categorizados em dez formas distintas de 
aplicação, são elas: amaci, banho, defumador, sacudimento, culinária, assentamento, 
iniciação e ornamental. As partes vegetais utilizadas são; folhas, frutos, flores e raízes, 
predominando o uso das folhas. A categoria com maior citação foram banhos. Foram citados 
114 espécies, 88 gêneros e 50 famílias, sendo 102 indentificadas e 12 indetermindas. Com 
este estudo pode se perceber a necessidade de se ampliar às pesquisas nos cultos de matriz 
africana principalmente nas casas de santo presentes nas regiões, onde o bioma cerrado é a 
vegetação nativa. 
Palavras-chave: etnobotânica, uso tradicional, cerrado, cultos afro-brasileiros.
8 
INTRODUÇÃO 
O termo Etnobiologia é relativamente recente. Essa terminologia surgiu como um 
braço da etnociência que vem ganhando impulso nestes últimos anos com o aumento dos 
trabalhos publicados, e a necessidade de se conhecer como os homens lidam com os 
recursos naturais tradicionalmente. 
Segundo Posey (1987), entende-se etnobiologia como sendo o estudo do 
conhecimento e das conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito da 
biodiversidade e do meio ambiente; em outras palavras, é o estudo do papel da natureza 
no sistema de crenças e de adaptação do homem a determinados ambientes. Neste sentido, 
a Etnobiologia relaciona-se com a ecologia humana, mas enfatiza as categorias e 
conceitos cognitivos utilizados pelos povos em estudo (Posey, 1987). 
Partindo então da visão compartimentada da ciência sobre o mundo natural, surge 
o termo "Etnobotânica", citado pela primeira vez por Harshberger em 1895 (Amorozo, 
1996). Em etnobotânica, são analisadas as relações entre os seres humanos e os vegetais, 
procurando responder questões como: quais plantas são conhecidas, quais plantas estão 
disponíveis, quais plantas são reconhecidas como recursos, como o conhecimento 
etnobotânico tradicional está distribuído na população, como os indivíduos diferenciam e 
classificam a vegetação, como esta é utilizada e manejada e quais os benefícios derivados 
das plantas (Alcorn, 1995). 
Atualmente o aproveitamento botânico feito pelas diversas culturas vem sendo 
amplamente pesquisado, despertando interesses de vários segmentos da comunidade 
científica; toda essa necessidade baseia-se no fato de que o conhecimento tradicional 
possui, em seu contexto prático, uma base eficiente e de grande sucesso para os muitos 
fins que as plantas são destinadas.
A utilização dos recursos oriundos da biodiversidade e a produção de 
conhecimento sobre eles não é privilégio exclusivo de nenhum grupo social ou cultural. 
Os dados da Organização Mundial da Saúde destacam que, em decorrência da pobreza e 
da falta de acesso à medicina moderna, 65 – 80 % da população mundial que vive em 
países em desenvolvimento, depende essencialmente das plantas para o cuidado primário 
9 
à saúde (Vasconcellos, 2003). 
Os vegetais possuem valores de extrema abrangência no contexto de seu uso. Das 
diversas culturas que utilizam as plantas para tratamentos terapêuticos, ritualísticos, 
alimentares, decorativos, aromáticos e dentre outros, incluem-se as religiões de matriz 
africana. 
Os usos litúrgicos, mitológicos e ritualísticos das plantas dentro dos cultos afro– 
brasileiros estão presentes fortemente dentro de sua essência, ou seja, no que tange a 
aspectos básicos do conhecimento, aquilo que é tido pelos praticantes como fundamentos 
tradicionais da religião, as plantas manifestam-se como sendo a base para todo o culto 
religioso. 
Acredita-se que em média, mais de quatro milhões de africanos foram obrigados a 
cruzar o oceano, amontoados nos porões infectos e sufocantes dos navios negreiros, em 
direção a uma vida desumana de escravidão no chamado ‘novo mundo’. Este número 
estima-se que seja equivalente à cerca de 40% do contingente de negros que 
desembarcaram nas Américas entre o final do século XV e o século XIX (A cor da 
cultura, 2006). 
Uma quantidade significativa de africanos que aportaram no país veio da Bacia do 
rio Congo, de Moçambique, do Golfo da Guiné e de Angola e foram distribuídos por 
quase todo o território brasileiro para realizar o trabalho braçal nos engenhos e nas usinas 
de cana, nas minas e nas plantações de café. Ainda hoje é possível identificar a herança da
diversidade cultural africana em estados como Maranhão, Bahia, Pernambuco e Rio de 
Janeiro por onde passaram centenas de negros do antigo Daomé, e Bahia, conhecida pela 
10 
influência iorubá (A cor da cultura, 2006). 
As nações de origem dos cultos afros praticados no Brasil desrespeitam a origem 
africana, ou seja, os bantus são negros que tiveram origem de uma região que vai de 
Camarões até a África do Sul, existem cerca de 400 grupos étnicos nessa região. O povo 
Ketu é proveniente do reino Yorubá que compreende o sul e o centro da atual Republica 
do Benin, parte da Republica do Togo e sudoeste da Nigéria. 
O povo Yorubá ou Iorubas estão distribuídos numa vasta região que abrange a Nigéria, o Nigér, o Togo e parte do Benin, os 
Yorubá costumavam deslocar-se em grupos reduzidos, formando núcleos familiares, nos quais era comum a presença de um 
sacerdote, os povos Yorubá compunham-se por tribos, como exemplo, temos os Ijexás junto do rio Òsun (Oxum). 
A distribuição aleatória dos grupos africanos pelo país originou diferentes tradições religiosas, como o candomblé de nação 
“ketu”, “oyó” e “ijexá” nos terreiros baianos, o batuque gaúcho, o xangô pernambucano e a mina maranhense. Muitas destas 
linhas mesclam elementos iorubas, bantos e jejes, assim como suas variadas línguas, culturas e crenças religiosas num fenômeno 
que passou a ser conhecido como a diáspora africana (A cor da cultura, 2006). 
Com a criação e construção de Brasília na região Centro-Oeste, surge entre outras 
tantas manifestações religiosas, os cultos afro-brasileiros na região do DF e entorno. 
Em geral as casas de santo localizam-se nas áreas rurais, por estas proporcionarem 
maiores extensões de terra e em alguns casos cursos d’água. 
A adaptação das plantas nativas para somatizar, ou substituir o conjunto de 
espécies usadas nos cultos, fortaleceu a aproximação dos praticantes com a vegetação do 
Cerrado, o que proporciona uma valorização e uma busca constante em preservar as 
espécies nativas. 
A diversidade de paisagens determina uma grande florística, que coloca a flora do 
bioma Cerrado como a mais rica entre as savanas do mundo, com 6.429 espécies já 
catalogadas (Mendonça et al. 1998). 
O Cerrado foi eleito com um dos mais ricos e ameaçados ecossistemas do mundo. Sabe-se que atualmente de um total de 
1.783.200 Km² originais de Cerrado, restam intactos somente 356.630 km², ou apenas 20 % do bioma original, justificando a 
preocupação que se tem sobre este bioma (Scariot et al., 2005). 
Muitas espécies nativas do bioma Cerrado possuem usos tradicionais, incluindo 
diversas categorias de uso tais como alimentícias, medicinais, construção, artesanato e
ritualísticas. Entretanto, o usuário comum ainda é a população regional cuja atividade é 
11 
essencialmente extrativista (Ribeiro et al., 1994). 
Os cultos afros aqui tratados desrespeitam ao Candomblé, este possui distintas 
origens e consolidações de acordo com a nação, neste trabalho tem-se as nações Angola, 
Ketu, Nagô, Jejê. Sabe-se que atualmente alguns cultos são de origem ou de influência 
dos cultos africanos como é o caso da Santeria Cubana, os Voduns, a Umbanda dentre 
outros. 
Consoante ao baixo número de trabalhos envolvendo a diversidade do 
conhecimento tradicional dentro nas religiões de matriz africana, no contexto do 
aproveitamento das plantas, o presente trabalho é o resultado do levantamento das plantas 
utilizadas nos cultos afro-brasileiros no Distrito Federal e entorno.
12 
OBJETIVOS 
Estudar o uso das plantas dentro dos cultos de matriz africana no Distrito Federal e entorno e considerar as plantas nativas do 
bioma cerrado utilizadas, identificar o uso dos vegetais e as formas de empregos através de identificar informantes e localizá-los, 
utilizando como critério a distribuição deles na área de estudo; identificar as categorias de uso e a distribuição das espécies nas 
mesmas; realizar coleta, herborização e identificação do material botânico coletado; elaborar lista das espécies e descrição de uso. 
Sabendo da proximidade e da significância das plantas aos cultos, o presente 
trabalho busca dentro das casas de santo, conhecer os vegetais utilizados e aumentar o 
conhecimento que se tem das plantas empregadas nos cultos afros inseridos na região do 
Centro-Oeste.
13 
MATERIAL E MÉTODOS 
A - IDENTIFICAÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO E INFORMANTES 
- Área De Estudo “Figura 1 – Mapa Das Áreas Visitadas” 
Figura 1 – Mapa de áreas visitada (fonte: Maplink, 2006). 
A área de estudo escolhida foi o Distrito Federal (DF) e o Entorno. 
O DF possui aproximadamente 5.822,1 km², está localizado na região Centro-Oeste e 
possui como limites, Planaltina de Goiás (Norte), Formosa (Nordeste e Leste), Minas 
gerais (Leste), Cristalina e Luziânia (Sul), Santo Antônio do Descoberto (Oeste e 
Sudoeste), Corumbá de Goiás (Oeste) e Padre Bernardo (Noroeste). Suas características 
são: planalto de topografias suaves e vegetação de cerrados, com altitude média de 1.172 
metros, clima tropical e os rios principais são o Paranoá, Preto, Santo Antônio do 
Descoberto e São Bartolomeu.
O Entorno deve ser entendido como sendo os municípios próximos ao Distrito Federal 
e que pertencem ao Estado de Goiás e Minas Gerais. Os municípios do entorno visitados 
foram: Santo Antônio do Descoberto, Valparaíso e Luziânia todos municípios do Estado 
14 
de Goiás, todos possuindo como vegetação típica o Cerrado. 
A Constituição brasileira veda a divisão do DF em municípios, logo então cria-se no 
DF as regiões administrativas ou popularmente conhecidas como cidades satélites, que 
possuem administradores locais e que são subordinadas ao governo do DF. 
A flora do DF tem um promissor potencial econômico com espécies forrageiras, 
medicinais, alimentícias, corticeiras, taníferas, melíferas e ornamentais. 
As regiões administrativas do DF visitadas foram: Gama e Park Way. 
· Gama: Região Administrativa criada em 12/10/1960 
· Park Way: Região Administrativa criada em 29/12/2003 
· Santo Antônio do Descoberto localiza-se no leste goiano, possui 
aproximadamente 938,309 km² e esta à 200 Km de Goiânia e 45 Km do centro do 
centro do DF. 
· Valparaíso de Goiás fundado em 15 de junho de 1995, localiza-se no leste goiano, 
possui aproximadamente 60.000 km² e esta à 190 Km de Goiânia e 35 Km do 
centro do DF. 
· Luziânia possui fundação em 13 de dezembro de 1746 localiza-se no leste goiano, 
possui aproximadamente 3.961,536 km² e esta à 214 Km de Goiânia e 62,80 Km 
do centro do DF. 
As casas escolhidas foram previamente selecionadas a partir de uma lista de casas de 
santo fornecida pela Srª Luciana V. P. Gonçalves da Fundação Palmares do Ministério da 
Cultura e por contados diretos com as casas de santo.
Em todas as casas contatadas o projeto foi apresentado aos sacerdotes responsáveis. 
As casas que aceitaram participar do trabalho receberam a “Anuência prévia” (Apêndice 
15 
A), respeitando assim a integridade do conhecimento de cada informante. 
Os locais selecionados e as respectivas casas visitadas foram: 
A. Gama, “Inzo Hamba Ua Maza Hangolo”, Núcleo Rural Monjolo, Chácara Inaê 
11/13. 
B. Luziânia, “Ilé Axé Oyâ Bamilá”, Avenida – 10, Parque Estrela Dalva, Quadra 54, 
Chácara – 11. 
C. Park Way, “Ilê Axé Iji Dan”, Quadra – 13 Conjunto – 02 Chácara – 44. 
D. Santo Antônio do Descoberto, “Ilê Axé Bará leji”, Mansões Bittencourt Quadra 40c. 
E. Valparaíso de Goiás, Etapa – E. Casa da Vô Onofra. Quadra 05 Casa 16 CEP: 72876 - 
525. 
B – LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS 
Efetuou-se entrevistas semi-estruturadas com cinco informantes (Apêndice A). As 
entrevistas foram preparadas atendendo ao cotidiano das comunidades trabalhadas, 
oferecendo liberdade de descrever o uso, aplicação das plantas e acompanhar a coleta dos 
vegetais. 
Todas as plantas foram coletas na presença do entrevistado, que comentavam durante 
a coleta as formas de aplicações, as características de uso, as variações do uso, as 
experiências vividas com a planta. As informações coletadas foram descritas no 
preenchimento dos questionários. Durante o processo de apresentação das plantas, 
descreviam-se o nome popular e o nome que algumas plantas possuem religiosamente, ou 
seja, no dialeto da nação de origem.
Para avaliar a importância relativa de uso, utilizou-se o critério analítico de Friedman 
16 
(Albuquerque, 1995), adaptado para este trabalho: 
Nº de entrevistados que citaram usos principais 
CUP= ______________________________________________ x 100 
Nº de entrevistados que citaram a espécies 
Nº de entrevistados que citaram uso da espécie 
FC= ____________________________________________________ 
Nº de entrevistados que mencionaram a espécie mais citada 
CUPc = CUP X FC 
Onde: 
CUP = percentagem de concordância de usos principais 
FC = fator de correção 
CUPc = percentagem de concordância de usos principais corrigidos 
C – COLETA, HERBORIZAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DE MATERIAL 
BOTÂNICO. 
As plantas foram coletadas, herborizadas e identificadas. A identificação foi realizada 
no Herbário da Universidade de Brasília (UB), por comparação e consulta de 
especialistas, com a colaboração da professora Drª Carolyn Elinore Barnes Proença, 
curadora do herbário da UnB (UB). Também se utilizou de literatura especializada. 
Foi elaborada ficha descritiva (Apêndice B) para cada vegetal, obedecendo a uma 
seqüência alfabética por nome popular, e cada planta esta distribuída em uma categoria. 
As categorias foram criadas com base nos dados coletados.
17 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
A - INFORMANTES E ÁREA DE ESTUDO 
· Gama, “Inzo Hamba Ua Maza Hangolo”, Núcleo Rural Monjolo, Chácara 
Inaê 11/13. 
Na região administrativa Gama, encontra-se a casa da Mãe N’gua Carmem de 
Angorô, com 54 anos de idade, nascido no Estado de Pernambuco no município de 
Recife, residente há 22 anos no local. Com ensino superior completo em direito, atividade 
profissional e ocupação no serviço público, atualmente é aposentada e compartilha o local 
de moradia com mais cinco pessoas. 
Sua nação é Angola. Todo conhecimento adquirido sobre o uso de plantas é 
proveniente da prática religiosa, sua área é de aproximadamente 80.000 m. 
Importância das plantas para o entrevistado: “Não há nada sem a folha para o Orixá, não 
existe candomblé sem folha” (Mãe Carmem de Angorô). 
· Park Way, “Ilê Axé Iji Dan”, Quadra – 13 Conjunto – 02 Chácara – 44. 
Na região administrativa Park Way, encontra-se a casa Mãe Iracema de Obaluaê, com 
72 anos de idade, natural da Paraíba, do município de Campina Grande, residente há 21 
anos no local. Com primário completo, atividade profissional e ocupação exclusiva no 
Candomblé, compartilham o local de moradia com mais seis pessoas. 
Sua nação é Ketu, todo conhecimento adquirido sobre o uso de plantas é proveniente 
da prática religiosa, sua área é de aproximadamente 10.000 m. 
Importância das plantas para o entrevistado: “É muito importante, pois sem folha não 
tem como haver iniciação do filho, não há candomblé sem folha” (Mãe Iracema de 
Obaluaê).
· Município de Luziânia, “Ilé Axé Oyâ Bamilá”, Avenida – 10, Parque Estrela 
18 
Dalva, Quadra 54, Chácara – 11. Cep: 72800-000 
No município de Luziânia encontra-se a casa da Mãe Inalda, com 56 anos de idade, 
nascida no estado de Pernambuco, residente há 31 anos no local. Com 2º grau completo, 
compartilha o local de moradia com mais quatro pessoas. 
Na mesma área de sua residência encontra-se o Axé, local de culto e celebração de 
festas aos Orixás, sua nação é Nagô, e também à prática do culto a Jurema. Todo 
conhecimento adquirido sobre o uso de plantas é proveniente da prática religiosa, sua área 
é de aproximadamente 2.000 m² com grande diversidade de vegetais distribuídos por toda 
a chácara. 
Importância das plantas para o entrevistado: “As plantas são fundamentais para tudo, 
se não houver plantas não existe candomblé” (Mãe Inalda). 
· Município de Santo Antônio do Descoberto, “Ilê Axé Bará leji”, Mansões 
Bitencourt Quadra 40c. 
No município de Santo Antônio do Descoberto encontra-se a casa do Pai Uibacy 
Domingos D’ Ávila (Pai Tito de Omolu), com 62 anos de idade, nascido no estado do Rio 
Grande do Sul, residente há 34 anos no local. Com ensino superior completo em 
Administração de empresas, atividade profissional e ocupação exclusivamente dedicada à 
religião e ao culto a Ifá, compartilham o local de moradia com mais 42 pessoas, sendo 
estas, filhos de santo vinculados a casa, caseiro e cônjuge. 
Sua nação é Ketu, e também à prática do Candomblé de Caboclo, todo conhecimento 
adquirido sobre o uso de plantas é proveniente da prática religiosa. Sua área é de 
aproximadamente 30.000 m² com grande diversidade de vegetais distribuídos por toda a 
chácara.
Importância das plantas para o entrevistado: “Fundamental, não há Orixá sem folha. É 
19 
um símbolo da ancestralidade do indivíduo” (Pai Tito de Omolu). 
· Município de Valparaíso de Goiás, Casa da Vó Onofra Etapa – E Quadra 05 
Casa 16 CEP: 72876 - 525. 
No município de Valparaíso de Goiás encontra-se a casa da Vó Onofra Maria da 
Silva, com 67 anos de idade, nascido no estado de Minas Gerais, do município de Araxá, 
residente há 10 anos no local. Não possui escolaridade concluída, atividade profissional e 
ocupação no serviço público, compartilha o local de moradia com mais seis pessoas. 
Sua nação é Angola, todo conhecimento adquirido sobre o uso de plantas é 
proveniente da prática religiosa, sua área é de aproximadamente 20 m² . 
Importância das plantas para o entrevistado: “Muito importante para o culto, à folha 
ajuda as pessoas” (Vó Onofra).
20 
B – ESPÉCIES UTILIZADAS E FORMAS DE USO 
Durante as entrevistas foram citadas 114 plantas pelo seu nome popular, que possuem 
aplicações litúrgicas e medicinais. Os vegetais são empregados em amacís, banhos, 
defumação, sacudimento, culinária, medicinal, iniciação, assentamento. 
O estudo constatou que as plantas são utilizadas em dez categorias de uso ritualístico, 
na figura 2, as categorias estão separadas pela seqüência de ”A” a “J”, as plantas 
indicadas para cada categoria estão agrupadas. 
Numero de plantas citadas por categoría 
A= Amaci 
B= Banho 
C= Defumador 
D= Medicinal 
E= Sacudimento 
F= Culinária 
G= Assentamento 
H= Iniciação 
I= Ornamental 
J= Ebós e Cerimônias 
20 
Figura 2 – Número de citações por categoria de uso. 
74 
6 
46 
5 
14 
49 
28 
9 
14 
0 10 20 30 40 50 60 70 80 
J 
I 
H 
G 
F 
E 
D 
C 
B 
A 
Categorías 
Número de citação
21 
As categorias são; 
A) amací: compreende um preparado especial à base de ervas maceradas em água. É 
usado para banhar os iniciados. Uma grande variedade de ervas pode entrar na 
composição dos amacís. A seleção das espécies é feita pelo pai ou mãe de santo, 
respeitando o Orixá regente. Nesse sentido, as plantas que são empregadas no 
amací são aquelas que pertencem à divindade. A utilização do amací visa conferir 
maior interação entre o orixá e o iniciado, fortalecendo os laços. (Albuquerque, 
1995). 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Abre caminho, Algodão e Colônia. 
B) banho: consiste de um ritual que visa fortalecer, limpar e proteger os adeptos 
(iniciados), ou visitantes que buscam ajuda nas casas de santo. O banho de 
limpeza possui grande popularidade cultural, por ser de fácil manipulação. 
Comumente são feitos com ervas indicadas pelos pais e mães de santo, maceradas 
com água fria e jogadas sobre o corpo. É importante ressaltar que não são todos os 
banhos indicados que podem ser usados para lavar a cabeça, sendo necessário à 
orientação direta dos pais e mães de santo. Vale ressaltar que há os banhos de 
atração, que são banhos relacionados a processo de conquista voltado para auxiliar 
relacionamentos. 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Comigo ninguém pode, Laranjeira e 
Manacá. 
C) defumador: é um preparado de ervas secas, com propriedades curativas e de 
proteção, sendo muito usado nesta categoria o Fumo (Nicotiana tabacum), 
associado á outras ervas. Representa traço marcante da cultura ameríndia adaptada 
aos cultos africanos no Brasil (Albuquerque, 1995).
22 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Acóco, Alecrim e Cravo da Índia. 
D) medicinal: as plantas e seus empregos dentro dos cultos não se limitam ao uso 
ritualístico, sendo difundido o uso medicinal de algumas espécies. Comumente 
são plantas indicas na medicina popular. 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Canela, Guaco e Jenipapo. 
E) sacudimento: processos ritualísticos de limpeza, visando aliviar tensões locais e 
psicológicas, causadas por energias negativas acumuladas no individuo. Chamado 
de sacudimento por ser uma forma de balançar as energias, muito parecido com a 
popular “Benzedura”. 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Pequi, Mangueira espada e Espada de 
São Jorge. 
F) culinária: as comidas preparadas nas casas de santo possuem um valor sacral, ou 
seja, cada orixá possui sua comida, e tanto nas celebrações como nos rituais 
cotidianos, estes preparados culinários levam diversas plantas. Estas podem ser 
usadas para temperar, decorar e outros. 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Dendê, Folha da fortuna e 
Manjericão. 
G) assentamento e fundamento: objetos, símbolos e elementos necessários para 
estabelecer e representar o Orixá, é onde está assentado a sua força dinâmica, 
ficando depositado em locais específicos do terreiro; cada orixá possui seu espaço, 
sua casa, dentro do terreiro. Os fundamentos são as obrigações feitas para o orixá. 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Jaqueira, Louquinho miúdo e Erva 
vintém. 
H) iniciação: os rituais de iniciação possuem uma total complexidade de 
fundamentos, que são as bases da liturgia dos cultos afro-brasileiros. No processo
de iniciação do filho de santo diversas plantas são utilizadas. São exemplos do 
emprego dos vegetais na iniciação; cama de folha do orixá, esteira, pós, entre 
23 
outros. 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Capeba, Graviola e Inhame. 
I) ornamental: esta categoria é destinada às plantas que são usadas na decoração da 
casa em dias de festa, celebrações, como também para a proteção da casa. As 
plantas são distribuídas em pontos estratégicos, em portas e na entrada do terreiro. 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Iroko, Jurema preta e Obi/ Noz de 
cola. 
J) ebós e Cerimônias: Nesta categoria, enquadram-se as plantas que são empregadas 
em Ebós. Os Ebós são trabalhos de complexa manipulação em locais fora do 
terreiro, popularmente chamados de “Despacho”. As plantas também são usadas 
em Celebrações ou ocasiões especiais, como por exemplo, as celebrações 
fúnebres. Há também bebidas que são preparadas para cerimônias com 
ingredientes de procedência vegetal e que possuem propriedades curativas. 
Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Maracujá selvagem / ewe dan, 
Obò/Odán e Timbó. 
As plantas usadas nos cultos afros são empregadas nas preparações de amácis; 
banhos de defesa, de limpeza, de purificação. Em preparações de ambientes; de comidas; 
bebidas e remédios. Nas cremações em incensários, aromatizantes, e nos ritos e cultos 
diretos aos Orixás.
24 
Dentre as dez categorias de uso, a mais citada foi o “Banho” (B), registrando 74 espécies destinadas a este emprego como 
mostrado na figura 2. A categoria que menos foi citada foi o “Sacudimento” (E) com um total de cinco plantas. 
Há também dentre as citações, plantas que são destinadas exclusivamente para a 
mesma aplicação, como é o caso do “Abre Caminho, Tira Teima ou Quebra Demanda”, 
da Família Lamiaceae, que foi indicada pelos cinco informantes para o mesmo uso. 
Temos outras que possuem uma aplicação diversificada, sendo citadas em mais de 
uma categoria, até preencher um total de seis aplicações como foi o caso do “Akokô” 
(Newbouldia laevis), que possui uma importância muito grande dentro do culto, pois os 
informantes relataram a necessidade de tê-la, para praticamente todos os tipos de 
trabalhos. 
A maioria das plantas é exótica ao bioma Cerrado ou ao Brasil. No presente 
levantamento pode-se verificar a presença de aproximadamente 14 plantas estão 
distribuídas no bioma Cerrado. 
São exemplos de espécies nativas que possuem aproveitamento nos cultos afro-brasileiros, 
o Pequi (Caryocar brasiliense), a Quaresmeira (Tibouchina granulosa), a 
Canela de Velho (Miconia albicans), o São Gonsalino (Casearia sylvestris) e o Jatobá 
(Hymenaea courbaril). 
O Pequi, além de sua importância e apreço alimentar, é utilizado em sacudimentos, 
assentamento e em banhos. É considerada uma planta com ligação ao Orixá Exu e é tida 
como quente e forte. 
A Quaresmeira é aplicada para se fazer cama de folha dos Orixás Omolu e Nanã. A 
Canela de Velho é muito utilizada em banhos de limpeza. O fruto do Jatobá possui 
funções ritualísticas, sendo utilizado em fundamentos do Orixá Xangô, como também o 
chá das folhas e a polpa do fruto possuem propriedades medicinais voltadas para 
problemas de anemia.
As plantas exóticas são de origem africana como é o caso do Iroko (Chlorophora 
excelsa), que é considerada árvore sagrada pelos praticantes das religiões de matriz 
25 
africana. 
O uso de espécies originárias da África como a Noz de cola ou Obi (Cola acuminata), 
é de grande significado etnobotânico, pela permanência como planta tradicional e de uso 
obrigatório em algumas situações ritualísticas (Albuquerque, 1995). 
Segundo Albuquerque (1997) a família Lamiaceae apresenta grande aceitação para 
usos ritualísticos, principalmente em banhos, devido ao seu potencial aromático. 
Para 12 nomes citados na Tabela - 2, não foi possível identificar as espécies 
correspondentes devido à dificuldade em encontrar material botânico. 
Verificaram-se casos em que o mesmo nome popular é utilizado para plantas distintas, 
em outros casos as plantas recebem o mesmo nome popular, talvez pela semelhança 
botânica, como é o caso do (Piper arboreum) e o (Piper aromaticum) “Pimenta de 
Macaco”. As duas são de mesma família (Piperaceae) e são em comum utilizadas para 
banhos 
As plantas que obtiveram maior importância relativa de uso foram: Boldo ou Tapete 
de Oxalá (Plectranhtus barbatus) (100), Abre Caminho (indeterminada) (100), Colônia 
(Alpinia zerumbet) (80), Folha da fortuna (Bryophyllum pinnatum) Oken) (80), Alecrim 
(Rosmarinus officinalis)(80), Acocô (Newbouldia laevis) (80), Boldo do Chile 
(Plectranthus neochilus) (60), todas espécies exóticas cultivadas, o que demonstra a 
conservação das espécies nos cultos. 
A preservação do conhecimento sobre o uso dessas plantas, leva a crer que mesmo as 
migrações dos praticantes e dos sacerdotes para outros estados como o DF e Entorno, 
comparando estes aos historicamente mais tradicionais como Bahia e Recife, mostra que 
o processo de consolidação do culto no contexto do uso de plantas vem sendo mantido.
A família Lamiaceae (Labiatae) foi a que apresentou maior diversidade, com dez 
espécies e sete gêneros; seguida de Asteraceae (Compositae) com sete espécies e seis 
gêneros; Piperaceae com cinco espécies e dois gêneros; Moraceae, Anacardiaceae e 
Euphorbiaceae com quatro espécies e quatro gêneros; Dracaenaceae com três espécies e 
dois gêneros; Lauraceae com três espécies e três gêneros; Leguminosae com três espécies 
e dois gêneros; Solanaceae com três espécies e três gêneros; as demais com um registro 
26 
de espécie (Tabela - 1). 
Albuquerque (1999) relata que a freqüência de algumas espécies nos estudos feitos 
em casas de santo no Brasil se mostra constante, como o Kalanchoe brasiliensis (Saião ou 
Folha-da-costa), Rosmarinus officinalis (Alecrim) e a Cola acuminata (Obi ou Noz de 
cola). 
Muitas das espécies vegetais utilizadas nos cultos afros são também utilizadas 
popularmente em diversas regiões do país. Segundo Silva & Andrade (2006) em estudo 
etnobotânico com comunidades da região litorânea de Pernambuco, estas utilizam 372 
espécies, alguns destas, como é o caso do Urucum (Bixa orellana), o Melão de São 
Caetano (Mormodica charantia ), Pinhão roxo (Jatropha gossypiifolia), Liamba (Vitex 
agnus-castus) dentre outras, são citadas no presente trabalho. 
Outros trabalhos elaborados dentro do contexto de plantas empregadas nos cultos 
afros, descrevem o uso terapêutico, como Camargo (1998), que cita este emprego para 
espécies como a Liamba (Vitex agnus-castus), a Jurema (Mimosa hostilis Benth.) e a 
Arruda (Ruta graveolens). 
Segundo Azevedo (2006), o uso de algumas espécies é bem difundido pelos 
praticantes dos cultos afros em cidades como a do Rio de Janeiro. Comparado o uso de 
algumas espécies neste trabalho, vimos que espécies como a Colônia (Alpinia zerumbet),
a Aroeira (Schinus terebinthifolius) e o Alecrim (Rosmarinus officinalis) são 
27 
freqüentemente citadas para o uso religioso (Azevedo, 2006). 
Embora algumas espécies nativas de cerrado não tenham atingido os índices mais 
altos de importância relativa de uso, o fato de estarem presentes nos cultos e de serem 
citadas, para usos diversificados, pode indicar que estas plantas foram adaptadas ou 
absorvidas pelos cultos, seja pela ausência de outras plantas ou pela incorporação destas 
aos mesmos. Exemplos destas plantas são: a Quaresmeira (Tibouchina granulosa), a 
Canela de Velho (Miconia albicans) e o Jatobá (Hymenaea courbaril). 
De acordo com Trindade et al. (2000), os vegetais cultivados têm um emprego sacro 
no candomblé, entretanto afirmam que a utilização de vegetais colhidos em área não 
cultivada é indispensável ao culto religioso.
Tabela 1 – Famílias botânicas, nome científico e respectivo nome popular das 
plantas utilizada nos cultos afro-brasileiros no DF e Entorno; 
28 
Família Nome cientifico Nome popular 
Aloaceae Aloe arborescens Mill. Babosa 
Amaranthaceae Alternanthera dentata (Moench) Stuchl. Terramicina, Penicilina ou Ewe lebo 
Anacardiaceae Astronium fraxinifolium Schott 
Mangifera indica L. 
Schinus terebinthifolius Raddi 
Spondias mombin L. 
São Gonsalino 
Mangueira 
Aroeira 
Cajá 
Annonaceae Annona muricata L. 
Xylopia aromatica Mart. 
Graviola 
Pindaíba ou Lelecum 
Apiaceae Foeniculum vulgare Mill. Erva doce 
Apocynaceae Allamanda puberula A.DC. 
Peltastes isthmicus Woodson 
Ewe seré 
Inhame 
Araceae Dieffenbachia amoena Hort. ex Gentil 
Pistia stratiotes L. 
Comigo ninguém pode 
Alface d’ água / Ojouri 
Arecaceae Elaeis guineensis Jacq. Dendê 
Asteraceae Bidens pilosa L. 
Melampodium divaricatum DC. 
Mikania glomerata Spreng. 
Vernonia brasiliana (L.) Druce 
Vernonia condensata Baker 
Artemisia absinthium L. 
Centratrerum Cass. 
Carrapicho 
Oripepé 
Guaco 
Assa peixe 
Alumã / Ewe oro 
Absinto 
Balaio de velho 
Bignoniaceae Newbouldia laevis Seem. 
Tecoma stans (L.) H.B. & K. 
Akokô 
Trombeta 
Bixaceae Bixa orellana L. Urucum 
Caesalpinaceae Hymenaea courbaril L. Jatobá 
Caprifoliaceae Caprifoliaceae Sambucus L. 
Sambucus australis Cham. & Schltdl. 
Pararraio 
Sabugueiro 
Caryocaraceae Caryocar brasiliense St.Hil. Pequi 
Caryophyllaceae Drymaria cordata Willd. ex Schult. Erva Vintém 
Cecropiaceae Cecropia peltata L. Embaúba ou Pau Polvora 
Chrysobalanaceae Licania tomentosa Kuntze Oiti 
Costaceae Costus spicatus Sw. Cana-do-Brejo 
Crassulaceae Bryophyllum pinnatum Kurz 
Kalanchoe brasiliensis Cambess. 
Folha da fortuna 
Sião 
Cucurbitaceae Momordica charantia L. Melão de São Caetano 
Dracaenaceae Dracaena fragrans Ker Gawl.. 
Dracaena Vand. ex L. 
Sansevieria trifasciata Hort. ex Prain 
Peregum Amarelo 
Peregum Branco ou Pau D’ água 
Espada de São Jorge 
Euphorbiaceae Croton perdicipes St.Hil. 
Euphorbia tirucalli L. 
Jatropha gossypiifolia L. 
Ricinus communis L. 
Pé de Perdiz 
Aveloz ou Gravetinho 
Pinhão Roxo 
Mamona 
Flacourtiaceae Carpotroche brasiliensis Endl. 
Casearia sylvestris Sw. 
Mata Piolho 
São Gonsalino 
Geraniaceae Geranium moschatum Burm.f. Malva Rosa, Malva Cheirosa, Malva 
Lamiaceae Lavandula officinalis Chaix 
Melissa officinalis L. 
Ocimum basilicum L. 
Ocimum gratissimum L. 
Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng. 
Plectranthus barbatus Andrews 
Plectranthus neochilus Schltr. 
Pogostemon cablin Benth. 
Rosmarinus officinalis L. 
Lavanda do Campo 
Melissa 
Manjericão 
Alfavaca, Ewe kiiobis 
Hortelã da Folha Grossa 
Boldo ou Tapete de Oxalá 
Boldo do Chile 
Pacthuli 
Alecrim
29 
Vitex agnus-castus L. Liamba 
Lauraceae 
Cinnamomum zeylanicum Blume 
Laurus nobilis L. 
Persea americana Mill. 
Canela 
Louro 
Abacate 
Leguminosae Caesalpinia ferrea Mart. 
Mimosa hostilis Benth. 
Mimosa L. 
Jucá ou Pau Ferro 
Jurema Preta 
Jurema Branca 
Liliaceae Cordyline terminalis Kunth Peregum Vermelho ou Peregum Roxo 
Loranthaceae Struthanthus flexicaulis Mart. Erva de passarinho 
Malvaceae Gossypium hirsutum L. Algodão 
Melastomataceae Miconia albicans Steud. 
Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. 
Canela de Velho 
Quaresmeira 
Moraceae Artocarpus integrifolius L.f. 
Chlorophora excelsa Benth. & Hook.f. 
Ficus doliaria Mart. 
Morus nigra L. 
Jaqueira 
Iroko 
Guameleira 
Amora 
Musaceae Musaceae Musa L. Bananeira Branca 
Myrtaceae Eugenia uniflora L. 
Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L.M.Perry 
Pitanga 
Cravo da Índia 
Nyctaginaceae Boerhavia diffusa L. Bredo de Santo Antônio ou Pega Pinto 
Oxalidaceae Averrhoa carambola L. Carambola 
Passifloraceae Passiflora edulis Sims 
Passiflora L. 
Maracujá 
Maracujá Selvagem 
Phytolaccaceae Petiveria alliacea L. Guiné ou Tipi 
Piperaceae Piper aduncum L. 
Piper arboreum Aubl. 
Piper aromaticum Willd. 
Piper tuberculatum Jacq. 
Pothomorphe umbellata (L.) Miq. 
Bete fêmea / Pimenta de macaco 
Bete cheiroso / Bete macho 
João Barandi/ Pimenta de macaco 
Jaborandi (Falso - Jaborandi) 
Capeba 
Plumbaginaceae Plumbago scandens L. Louquinho Miúdo 
Poaceae Saccharum officinarum L. Cana de Exu 
Punicaceae Punica granatum L. Romã 
Rosaceae Rosa alba L. Rosa Branca 
Rubiaceae Coffea arabica L. 
Genipa americana L. 
Café 
Jenipapo 
Rutaceae Ruta graveolens L. Arruda 
Solanaceae Brunfelsia uniflora D.Don 
Nicotiana tabacum L. 
Solanum lycocarpum A.St.-Hil. 
Manacá 
Fumo ou Tabaco 
Lobeira 
Sterculiaceae Cola acuminata Schott & Endl. Noz de cola ou Obi 
Verbenaceae Lippia alba (Mill.) N.E.Br. ex Britton & P.Wilson Erva Cidreira 
Vitaceae Cissus verticillata (L.) Nicolson & C.E.Jarvis Insulina 
Zingiberaceae Alpinia zerumbet (Pers.) B.L.Burtt & R.M.Sm. 
Hedychium coronarium J.Koenig 
Colônia 
Lírio Branco
30 
Tabela 2 - Plantas utilizadas tradicionalmente nos cultos afro-brasileiros no Distrito Federal e Entorno, e seus respectivos usos; 
Convenção para categoria de uso: 
A= Amaci, B = Banho, C= Defumador, D= Medicinal, E= Sacudimento, F= Culinária, G= Assentamento, H= Iniciação, I= Ornamental, J= Ebós e Cerimônias Nº de usos = Número de uso citado. 
Nome popular ou ritualístico Nome científico Família A B C D E F G H I J 
Nº de 
usos 
CUP Fc CUPc 
Abacateiro Persea americana Miller Lauraceae X 1 100 0,2 20 
Abre caminho / Quebra demanda / 
Tira teima 
Indeterminada Lamiaceae X 1 100 1,0 100 
Acóco Newbouldia laevis Seem Bignoniaceae X X X X X X 6 66,6 0,8 53,28 
Afomã/ Erva de passarinho Struthanthus flexicaulis Mart Loranthaceae X 1 100 0,2 20 
Alecrim Rosmarinus officinalis L. Lamiaceae X X X X 4 100 0,8 80 
Alecrim do Campo Indeterminada Indeterminada X X X 3 100 0,2 20 
Alumã / Ewe oro Vernonia condensata Baker Asteraceae X 1 100 0,2 20 
Alface d’ água / Ojouri Pistia stratiotes L. Araceae X X 2 100 0,2 20 
Alfavacão / Alfavaca de caboclo/ 
Ocimum gratissimum L. Lamiaceae X X X X 4 100 0,6 60 
Ewe kiiobis 
Alfazema Indeterminada Indeterminada X X X 3 100 0,2 20 
Alfazema do Campo Lavandula officinalis Chaix Lamiaceae X 1 100 0,2 20 
Algodão Gossypium hirsutum L. Malvaceae X X X X 4 100 0,4 40 
Amora Morus nigra L. Moraceae X X X 3 100 0,4 40 
Aroeira Schinus terebinthifolius Raddi Anacardiaceae X X X X 4 100 0,8 80 
Arruda Ruta graveolens L. Rutaceae X X 2 100 0,2 20 
Artemísia Artemisia absinthium L. Asteraceae X X 2 100 0,2 20 
Assa peixe Vernonia brasiliana (L.) Druce Asteraceae X X 2 100 0,2 20 
Aveloz / Gravetinho Euphorbia tirucali L. Euphorbiaceae X 1 100 0,2 20 
Babosa / Flor da babosa Aloe arborescens Mill. Aloaceae X 1 100 0,4 40 
Balaio de velho Centrathrerum Cass. Asteraceae X X X 3 100 0,6 60 
Bananeira Branca Musa sp. Musaceae X 1 100 0,2 20 
Bete cheiroso / Bete macho Piper arboreum Aubl. Piperaceae X X X 3 100 0,4 40 
Bete fêmea / Pimenta de macaco Piper aduncum L. Piperaceae X X X 3 66,6 0,2 53,68 
Boldo ou Tapete de Oxalá Plectranhtus barbatus Andrews Lamiaceae X X X X 4 100 1,0 100 
Boldo do Chile Plectranthus neochilus Schltr. Lamiaceae X X X X 4 100 0,6 60 
Bredo de santo Antonio / Pega pinto Boerhavia diffusa L. Nyctaginaceae X X 2 100 0,2 20 
Café Coffea arabica L. Rubiaceae X X X 3 100 0,4 40 
Cajá Spondias mombin L. Anacardiaceae X X X X 4 100 0,2 20 
Cana de exu Saccharum officinarum L. Poaceae X X 2 100 0,2 20 
Cana do Brejo / Canela de índio Costus spicatus (Jacq.) Sw. Costaceae X X X X 4 100 0,6 60
31 
Nome popular ou ritualístico Nome científico Família A B C D E F G H I J 
Nº de 
ind. 
CUP Fc CUPc 
Câncerosa Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 
Candeia branca Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 
Canela Cinnamomum zeylanicum Breyn. Lauraceae X X X X X 5 100 0,6 60 
Canela de velho Miconia albicans Steud. Melastomataceae X 1 100 0,4 40 
Capeba Pothomorphe umbellata (L.) Miq. Piperaceae X X X X 4 100 0,4 40 
Carambola Averrhoa carambola L. Oxalidaceae X X 2 100 0,2 20 
Carrapicho Bidens pilosa L. Asteraceae X X 2 100 0,4 40 
Chega até mim Indeterminada Indeterminada X 1 100 0,2 20 
Colônia 
Alpinia zerumbet (Pers.) B.L.Burtt & 
R.M.Sm. 
Zingiberaceae X X X X X 5 100 0,8 80 
Comigo ninguém pode Dieffenbachia amoena Hort. ex Gentil Araceae X 1 100 0,6 60 
Corredeira branca Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 
Cravo da Índia 
Syzygium aromaticum ( L. ) Merr. & 
L.M.Perry 
Myrtaceae X X X X 4 100 0,2 20 
Dama da noite Indeterminada Indeterminada X 1 100 0,2 20 
Dandá d’ água Indeterminada Indeterminada X 1 100 0,2 20 
Dandá d’ terra Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 
Dendê Elaeis guineensis Jacq. Arecaceae X X 2 100 0,2 20 
Embaúba / pau polvora Cecropia peltata Trecúl Cecropiaceae X X 2 100 0,2 20 
Erva cidreira 
Lippia alba (Mill.) N.E.Br. ex Britton & 
P.Wilson 
Verbenaceae X X 2 100 0,6 60 
Erva doce Foeniculum vulgare Mill. Apiaceae X X 2 100 0,2 20 
Erva tostão Boerhavia diffusa L. Nyctaginaceae X 1 100 0,2 20 
Erva vintém Drymaria cordata (L.) Roem. & Schult. Caryophyllaceae X X X 3 100 0,2 20 
Espada de São Jorge Sansevieria trifasciata Hort. ex Prain Dracaenaceae X 1 100 0,4 40 
Ewe seré Alamanda puberula A.DC. Apocynaceae X X 2 100 0,2 20 
Folha da fortuna Bryophyllum pinnatum (Lam.) Oken Crassulaceae X X X X X 5 100 0,8 80 
Fumo Nicotiana tabacum L. Solanaceae X 1 100 0,2 20 
Gameleira Ficus doliaria Mart. Moraceae X X 2 100 0,4 40 
Graviola Annona muricata L. Annonaceae X 1 100 0,2 20 
Guaco Mikania glomerata Spreng. Asteraceae X X 2 100 0,2 20 
Guiné / Tipi Petiveria alliacea L. Phytolaccaceae X 1 100 0,4 40 
Hortelã da folha grossa Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng. Lamiaceae X 1 100 0,2 20 
Inhame Peltaste isthmicus Woodson Apocynaceae X 1 100 0,2 20 
Insulina 
Cissus verticillata (L.) Nicolson & 
C.E.Jarvis 
Vitaceae X 1 100 0,4 40
32 
Nome popular ou ritualístico Nome científico Família A B C D E F G H I J 
Nº de 
ind. 
CUP Fc CUPc 
Iroko Chlorophora excelsa Benth. & Hook.f. Moraceae X X 2 100 0,2 20 
Jaborandi (Falso - Jaborandi) Piper tuberculatum Jacq. Piperaceae X X X 3 100 0,4 40 
Jambo Indeterminada Indeterminada X 1 100 0,2 20 
Jaqueira Artocarpus integrifolius L.f. Moraceae X 1 100 0,2 20 
Jatobá Hymenae courbaril L. Caesalpinaceae X X 2 100 0,2 20 
Jenipapo Genipa americana L. Rubiaceae X X X 3 100 0,2 20 
João Barandi/ Pimenta de macaco Piper aromaticum Willd. Piperaceae X 1 100 0,4 40 
Jucá / pau ferro Caesalpinia ferrea Mart. Leguminosae X X 2 100 0,4 40 
Jurema branca Mimosa sp. Mimosaceae X X 2 100 0,2 20 
Jurema preta / Jurema sagrada Mimosa hostilis Benth. Mimosaceae X X X X 4 100 0,6 60 
Laranjeira Citrus sinensis L. Rutaceae X 1 100 0,2 20 
Liamba Vitex agnus-castus L. Lamiaceae X X 2 100 0,4 40 
Lírio branco Hedychium coronarium J.Koenig Zingiberaceae X X 2 100 0,4 40 
Lobeira Solanum lycocarpum A.St.-Hil. Solanaceae X X 2 100 0,4 40 
Louquinho miúdo Plumbago scandens L. Plumbaginaceae X 1 100 0,2 20 
Louro Laurus nobilis L. Lauraceae X X X 3 100 0,2 20 
Malva Cheirosa / Malva Rosa Geranium moschatum Burm.f. Geraniaceae X X X 3 100 0,6 60 
Mamona Ricinus communis L. Euphorbiaceae X 1 100 0,2 20 
Manacá Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don Solanaceae X 1 100 0,2 20 
Mangueira Espada Mangifera indica L. Anacardiaceae X X X X 4 100 0,4 40 
Manjericão / Manjericão Miúdo Ocimum basilicum L. Lamiaceae X X X 3 100 0,4 40 
Maracujá Passiflora edulis Sims. Passifloraceae X 1 100 0,2 20 
Maracujá selvagem / ewe dan Passiflora sp. Passifloraceae X X X 3 100 0,2 20 
Mata piolho Carpotroche brasiliensis Endl. Flacourtiaceae X X 2 100 0,2 20 
Melão de São Caetano Momordica charantia L. Cucurbitaceae X X 2 100 0,2 20 
Melissa Melissa officinalis L. Lamiaceae X X X 3 100 0,2 20 
Obi/ Noz de cola Cola acuminata Schott & Endl. Sterculiaceae X X X X X X 6 100 0,2 20 
Obò/Odán Peltastes isthmicus Woodson Apocynaceae X X X X X X 6 100 0,6 60 
Oiti Licania tomentosa Kuntze ou Fritsch Chrysobalanaceae X 1 100 0,2 20 
Onda do mar Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 
Oripepé Melampodium divaricatum DC. Meliaceae X X 2 100 0,2 20 
Pacthuli Pogostemon cablin Benth. Lamiaceae X X 2 100 0,2 20 
Pararraio Melia azedarach L. Caprifoliaceae X X 2 100 0,2 20 
Pé de perdiz Croton perdicipes A. St.-Hil. Euphorbiaceae X X 2 100 0,2 20
33 
Nome popular ou ritualístico Nome científico Família A B C D E F G H I J 
Nº de 
ind. 
CUP Fc CUPc 
Pequi Caryocar brasiliense St.Hil. Caryocaraceae X X X X 4 100 0,4 40 
Peregum Amarelo Dracaena fragans Ker Gawl. Dracaenaceae X 1 100 0,2 20 
Peregum Branco / Peregum / 
Pau d’água / peregum verde 
Dracaena sp. Dracaenaceae X X X X X X 6 66,6 0,6 53,28 
Peregum Vermelho / Roxo Cordyline terminals (L.) Kunth Liliaceae X X X X X 5 100 0,4 40 
Pindaíba / lelecum Xylopia aromatica Mart. Annonaceae X X 2 100 0,2 20 
Pinhão roxo Jatropha gossypiifolia L. Euphorbiaceae X X X 3 100 0,4 40 
Pitanga Eugenia uniflora L. Myrtaceae X X 2 100 0,2 20 
Quaresmeira Tibouchina granulosa Cogn. ex Britton Melastomataceae X 1 100 0,2 20 
Romã Punica granatum L. Punicaceae X X 2 100 0,2 20 
Rosa branca Rosa alba L. Rosaceae X X 2 100 0,2 20 
Sabugueiro Sambucus australis Cham. & Schltdl. Caprifoliaceae X X X X 4 100 0,4 40 
Saião Kalanchoe brasiliensis Camb. Crassulaceae X X 2 100 0,2 20 
São Gonçalinho Casearia sylvestris Sw. Flacourtiaceae X X X 3 100 0,2 20 
São Gonsalinho Astronium fraxinifolium Schott Anacardiaceae X X 2 100 0,2 20 
Terramicina/ Penicilina vegetal / 
Alternanthera dentata (Moench) Stuchlik Amaranthaceae X X X 1 100 0,4 40 
Ewe lebo 
Timbó Serjania lethalis 
Sapindaceae 
X 1 100 0,2 20 
Trombeta Tecoma stans (L.) H.B. & K. Bignoniaceae X X 2 100 0,2 20 
Urucum Bixa orellana L. Bixaceae X X X 3 100 0,4 40
34 
C - LISTA DAS ESPÉCIES E DESCRIÇÃO DE USO 
1. Abacateiro 
Família: Lauraceae 
Nome científico: Persea americana Miller 
Parte usada: Folha e fruto. 
Restrição de uso: Não foi informada. 
Uso ritualístico: Não indicado 
Outros empregos: Folha usada em forma de cataplasma na cabeça, para dores na mesma e os 
frutos são considerados bons para os rins. 
Categoria: D 
2. Abre caminho / Quebra demanda / Tira teima 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Indeterminada 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, e utilizada em banhos de limpeza. Ebós e 
assentamento. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B 
3. “Acocô” 
Família: Bignoniaceae 
Nome científico: Newbouldia laevis Seem. 
Parte usada: Folha
35 
Restrição de uso de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Assentamento de todos os Orixás, iniciação e matança. 
Utilizada junto ao “Óbó”, em “Ebós” para atrair dinheiro. 
Planta macerada com água fria, e utilizada em banhos de limpeza junto ao “Óbó”. 
Folha seca usada como defumador. 
Outros empregos: Enfeitar pratos. 
Categoria: B, C, F, G, H, J. 
4. Afomã ou Erva de passarinho 
Família: Loranthaceae 
Nome científico: Struthanthus flexicaulis Mart. 
Parte usada: Folha e flores. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada e cozida, utilizada em banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B. 
5. Alecrim 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Rosmarinus officinalis L. 
Parte usada: Folha e caule. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Folha usada como 
defumador.
Outros empregos: O chá é usado como calmante e cicatrizante. A folha cozida combate à 
36 
queda de cabelo. A planta também é utilizada como tempero. 
Categoria: B, C, D, F. 
6. Alecrim do campo 
Família: Indeterminada 
Nome científico: Indeterminada 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Folha usada como 
defumador. Cama de folha para o Orixá Ogum. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B, C, G. 
7. Alface d’água / “Ojuori” 
Família: Araceae 
Nome científico: Pistia stratiotes L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e de atração. 
Outros empregos: Usada para lavar os olhos em casos de inflamações. 
Categoria: B, D. 
8. Alfavaca / Alfavacão / Alfavaca de Caboclo / “Ewé Kiiobis” 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Ocimum gratissimum L.
37 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, e no assentamento 
para o Orixá Oxossi. 
Outros empregos: O chá é usado contra gripe, pode ser usado associado ao manjericão. Folha 
usada como tempero para carne. 
Categoria: B, G, D, F. 
9. Alfazema 
Família: Indeterminada 
Nome científico: Indeterminada 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, Amaci e atração. 
Folha usada como defumador. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: A, B, C. 
10. Alfazema do campo 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Lavandula officinalis Chaix 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado. Não informado.
38 
Categoria: B. 
11. Algodão 
Família: Malvaceae 
Nome científico: Gossypium hirsutum L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e Amacis. Cama de 
folha de Orixá. 
Associada a folha da Aroeira e Alfazema, maceradas e cozidas em banhos de limpeza. 
Outros empregos: O chá é usado para combater infecções uterinas. 
Categoria: A, B, D, G. 
12. Alomã / Ewé oro 
Família: Asteraceae 
Nome científico: Vernonia condensata Baker 
Parte usada: Folhas 
Restrição de uso: Não indicado 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do 
Orixá Omolu. 
Outros empregos: O chá é usado para combater cólicas intestinais, problemas de estomago, 
fígado e dores de barriga. 
Categoria: D 
13. Amora 
Família: Moraceae
39 
Nome científico: Morus nigra L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não indicado 
Uso ritualístico: Utilizado em fundamentos para Eguns, sacudimento, limpeza do lar e 
obrigação fúnebre. 
Outros empregos: O chá é usado como regulador hormonal para menopausa e insônia. 
Categoria: E, G, J. 
14. Aroeira 
Família: Anacardiaceae 
Nome científico: Schinus terebinthifolius Raddi 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Colher antes do nascer do sol. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Iniciação, Amaci, 
sacudimento, cama de folha e assentamento do Orixá Ogum. 
Outros empregos: Não informado. Não indicado. 
Categoria: A, B, H, E, G. 
15. Arruda 
Família: Rutaceae 
Nome científico: Ruta graveolens L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não lavar a cabeça durante o banho e o chá possuí propriedades abortivas. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Chá para gargarejo contra infecções na boca.
40 
Categoria: B, D. 
16. Artemísia 
Família: Asteraceae 
Nome científico: Artemisia absinthium L. 
Parte usada de uso: Folha 
Restrição de uso: Planta abortiva e tóxica, quantidade máxima de três xícaras de chá por dia. 
(Lorenzi, 2002). 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento para 
o Orixá Oxum e Iemanjá. 
Outros empregos: Não informado. Não indicado. 
Categoria: B, G. 
17. Assa peixe 
Família: Asteraceae 
Nome científico: Vernonia brasiliana (L.) Druce 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não indicado 
Uso ritualístico: Limpeza da casa em celebrações fúnebres. 
Outros empregos: Usada na elaboração de xarope para gripe. 
Categoria: D, J. 
18. Aveloz / Gravetinho 
Família: Euphorbiaceae 
Nome científico: Euphorbia tirucali L. 
Parte usada: Folha
41 
Restrição de uso: Planta tóxica 
Uso ritualístico: Utiliza em assentamento para o Orixá Exu. 
Outros empregos: Não informado. Não indicado. 
Categoria: G. 
19. Babosa 
Família: Aloaceae 
Nome científico: Aloe arborescens Mill. 
Parte usada: Folha e Flor 
Restrição de uso: Não indicado 
Uso ritualístico: 
Outros empregos: É usada a baba que há entre as folhas para o cabelo, faz –se banho de 
assento para problemas de hemorróida, e o chá das flores é usado para combater pneumonia. 
Categoria: D 
20. Balai de velho, Balaim de velho e Balaio. 
Família: Asteraceae 
Nome científico: Centratherum sp. 
Parte usada: Folha, raiz e flores. 
Restrição: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, em assentamentos e 
fundamentos. 
Outros empregos: É utilizado o chá da raiz, das flores e das folhas para curar problemas 
orgânicos. 
Categoria: B, D, G.
42 
21. Bananeira Branca 
Família: Musaceae 
Nome científico: Musa sp. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Uso ritualístico: 
Outros empregos: A folha é utilizada para enrolar a comida chamada de Acaçá. 
Categoria: F. 
22. Bete Cheiroso, Bete Macho e Abranda Mundo. 
Família: Piperaceae 
Nome científico: Piper arboreum Aubl. 
Parte usada: Folha 
Restrição: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento e 
iniciação para todos os orixás. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G, H. 
23. Bete Fêmea ou Pimenta de Macaco 
Família: Piper aduncum L. 
Nome científico: Piperaceae 
Parte usada: Folha e fruto. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
Uso ritualístico: A folha da planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
43 
Assentamento e iniciação para Iemanjá. Os frutos são utilizados em fundamentos. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G, H. 
24. Boldo ou Tapete de Oxalá 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Plectranhtus barbatus Andrews 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria para banhos de limpeza e dor de cabeça, 
assentamentos, fundamentos e iniciação de filhos de Oxalá. 
Outros empregos: O chá é utilizado para combater problemas de fígado e estômago. 
Categoria: B, D, G, H. 
25. Boldo do Chile 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Plectranthus neochilus Schltr. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, cama de Orixá para 
Nanã, Oxalá e Oxumaré. 
Outros empregos: O chá é utilizado para combater problemas de fígado e estômago. 
Categoria: B, G, H. 
26. Bredo de Santo Antonio Pega Pinto ou Ewé Tipola
44 
Família: Nyctaginaceae 
Nome científico: Boerhavia diffusa L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do 
Orixá Ogum. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G. 
27. Café 
Família: Rubiaceae 
Nome científico: Coffea arabica L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em cerimônias 
fúnebres. Também utilizada em rituais para Ossanha. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G, H. 
28. Cajá 
Família: Anacardiaceae 
Nome científico: Spondias mombin L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, entra em todos os 
45 
banhos, fundamentos e Amacís. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: A, B, G, H. 
29. Cana de Exú 
Família: Poaceae 
Nome científico: Saccharum officinarum L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento e 
Ebós para o Orixá Exu. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, J. 
30. Cana do Brejo ou Canela de índio. 
Família: Costaceae 
Nome científico: Costus spicatus (Jacq.) Sw. 
Parte usada: Folha, raiz, frutos e galhos. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, cama de folha para 
Nanã, Oxumaré e Oxalá. 
Utilizada no Amací do Candomblé de Jurema. 
Outros empregos: O chá da folha combate problemas renais. 
Categoria: A, B, D, H.
46 
31. Câncerosa 
Família: Indeterminada 
Nome científico: Indeterminada 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos, é uma planta 
tóxica. 
Uso ritualístico: Planta utilizada em Ebós para o Orixá Omolu. 
Outros empregos: Faz-se remédio para câncer. 
Categoria:D, J. 
32. Candeia Branca 
Família: Indeterminada 
Nome científico: Indeterminada 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do 
Orixá Oxalá e Exu. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G. 
33. Canela 
Família: Lauraceae 
Nome científico: Cinnamomum zeylanicum Breyn. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, fundamentos, 
47 
Amaci e também é usada para forrar o chão em dias de festivos. 
Outros empregos: O chá é muito apreciado usado para Problemas de estômago. 
Categoria: A, B, D, G, I. 
34. Canela de velho 
Família: Melastomataceae 
Nome científico: Miconia albicans Steud. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado. Não informado 
Categoria: B. 
35. Capeba 
Família: Piperaceae 
Nome científico: Pothomorphe umbellata (L.) Miq. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento, 
iniciação e em cerimônias fúnebres. 
Outros empregos: Não informado. Não informado 
Categoria: B, G, H, J. 
36. Carambola 
Família: Oxalidaceae
48 
Nome científico: Averrhoa carambola L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e cerimônias. 
Outros empregos: Chá utilizado para problemas renais. 
Categoria: B, J. 
37. Carrapicho ou Carrapicho Rasteiro 
Família: Asteraceae 
Nome científico: Bidens pilosa L. 
Parte usada: Folha, raiz e flor. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do 
Orixá Omolu. 
Outros empregos: Chá é utilizado para dar banhos em crianças com icterícia e para combater 
infecções uterinas. 
Categoria: B, D. 
38. Chega até mim 
Família: Indeterminada 
Nome científico: Indeterminada 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de atração. 
Outros empregos: Não informado.
49 
Categoria: B. 
39. Colônia 
Família: Zingiberaceae 
Nome científico: Alpinia zerumbet (Pers.) B.L.Burtt & R.M.Sm. 
Parte usada: Folha, raiz e flor. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, Amací e iniciação. 
Cama de folha para o Orixá Oxum. Assentamento dos Orixás Oxalá e Nanã. 
Outros empregos: O chá da raiz e folhas é usado para problemas renais, como tônico cardíaco 
e calmante. O chá das flores é usado para diabetes. 
Categoria: A, B, D, G, H. 
40. Comigo ninguém pode 
Família: Araceae 
Nome científico: Dieffenbachia amoena Hort. Ex Gentil 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Pode causar irritação na pele, coletar antes do nascer do sol, quando usada 
para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B. 
41. Corredeira branca 
Família: Indeterminada 
Nome científico: Indeterminada
50 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento de 
Omolu. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G. 
42. Cravo da Índia 
Família: Myrtaceae 
Nome científico: Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L.M.Perry 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, defumador, cama 
de folha para Orixá Omolu. 
Outros empregos: Chá utilizado para cólicas menstruais e para diminuir o fluxo da 
menstruação. 
Categoria: B, C, D, H. 
43. Dandá d' terra 
Família: Indeterminada 
Nome científico: Indeterminada 
Parte usada: Raiz 
Restrição de uso: Não informado 
Uso ritualístico: Fundamento usando a batata ralada para o Orixá xangô. 
Outros empregos: Não informado
51 
Categoria: G 
44. Dandá d' água 
Família: Indeterminada 
Nome científico: Indeterminada 
Parte usada: Raiz 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Fundamento e banho usando a batata ralada para o Orixá Oxalá. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G. 
45. Dama da noite 
Família: Indeterminada 
Nome científico: Indeterminada 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banha de atração. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B. 
46. Dendê 
Família: Arecaceae 
Nome científico: Elaeis guineensis Jacq. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não indicado.
Uso ritualístico: As folhas são utilizadas para decorar a casa nos dias festivos. O azeite é 
52 
apreciado no preparo de alguns pratos, podendo ou não ser usado de acordo com o Orixá. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: F, I. 
47. Embaúba ou Pau Pólvora 
Família: Cecropiaceae 
Nome científico: Cecropia peltata Trecúl 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banha de limpeza, assentamento para os 
Orixás Xangô e Obá. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G. 
48. Erva Doce 
Família: Apiaceae 
Nome científico: Foeniculum vulgare Mill. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Defumador 
Outros empregos: O chá é utilizado como calmante. 
Categoria: C, D 
49. Erva Cidreira 
Família: Verbenaceae
53 
Nome científico: Lippia alba (Mill.) N.E.Br. Ex Britton & P.Wilson 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Amaci. 
Outros empregos: O chá é utilizado como calmante e alívio em problemas cardíacos, 
combater gripe e o mal-estar. 
Categoria: A, D. 
50. Erva Tostão 
Família: Nyctaginaceae 
Nome científico: Boerhavia diffusa L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Amaci 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: A. 
51. Erva Vintém 
Família: Caryophyllaceae 
Nome científico: Drymaria cordata (L.) Roem. & Schult. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento e 
Ebós ao Orixá Xangô. 
Outros empregos: Não informado
54 
Categoria: B, G, J. 
52. Espada de São Jorge 
Família: Dracaenaceae 
Nome científico: Sansevieria trifasciata Hort. Ex Prain 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Sacudimento 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: E 
53. Ewe sere 
Família: Apocynaceae 
Nome científico: Alamanda puberula A.DC. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento para o 
Orixá Xangô. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G. 
54. Folha da Fortuna 
Família: Crassulaceae 
Nome científico: Bryophyllum pinnatum (Lam.) Oken 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, enfeitar comidas de 
Orixá, cama de folha para os Orixás Xangô e Oxalá, assentamento dos Orixás Ifá e Exu, em 
55 
Amaci e Iniciação. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: A, B, F, G, H. 
55. Fumo ou Tabaco 
Família: Solanaceae 
Nome científico: Nicotiana tabacum L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
O uso indicado como presente no culto a Jurema. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B. 
56. Gameleira 
Família: Moraceae 
Nome científico: Ficus doliaria Mart. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: Amaci e em assentamento. É considerada uma folha sagrada do Orixá Iroko. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: A, G. 
57. Graviola
56 
Família: Annonaceae 
Nome científico: Annona muricata L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: Utilizada para preparar cama de folha, para o Orixá Iroko. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: H. 
58. Guaco 
Família: Asteraceae 
Nome científico: Mikania glomerata Spreng. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado 
Uso ritualístico: Planta utilizada para preparar cama de folha. 
Outros empregos: O chá para combater gripe e problemas respiratórios. 
Categoria: D, H. 
59. Guiné ou Tipi 
Família: Phytolaccaceae 
Nome científico: Petiveria amboinicus 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B.
57 
60. Hortelã da folha graúda ou Hortelã da folha grossa 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Não informado 
Outros empregos: O chá é utilizado para combater gripe, resfriados. É indicado para ser 
utilizado junto ao mel, como um xarope. 
Categoria: D. 
61. Inhame 
Família: Apocynaceae 
Nome científico: Peltaste isthmicus Woodson 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Planta utilizada para cama de folha do Orixá Ogum. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: H. 
62. Insulina 
Família: Vitaceae 
Nome científico: Cissus verticillata (L.) Nicolson & C. E. Jarvis 
Parte usada: Folha e gavinha. 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Não informado.
58 
Outros empregos: Chá é utilizado para problemas de diabete 
Categoria: D. 
63. Iroko 
Família: Moraceae 
Nome científico: Chlorophora excelsa Benth. & Hook. F. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: Planta utilizada para decoração e como cama de folha para o Orixá Iroko. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: H, I. 
64. Jaborandi, Falso Jaborandi ou Pimenta de Macaco 
Família: Piperaceae 
Nome científico: Piper tuberculatum Jacq. 
Parte usada: Folha e flor. 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e para assentamento 
do Orixá e Oxossi. 
Outros empregos: A planta macerada com água fria é utilizada para os cabelos. 
Categoria: D, B, G. 
65. Jambo 
Família: Planta não identificada. 
Nome científico: Planta não identificada 
Parte usada: Folha
59 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Planta utilizada para fundamentos de Orixá. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: G. 
66. Jaqueira 
Família: Moraceae 
Nome científico: Artocarpus integrifolius L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Planta utilizada para fundamentos e assentamento dos Orixás Iroko e Exu. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: G. 
67. Jatobá 
Família: Caesalpinaceae 
Nome científico: Hymenae courbaril L. 
Parte usada: Folha e fruto 
Restrição de uso: Coletar as folhas antes do nascer do sol. 
Uso ritualístico: O fruto da planta é utilizado em fundamentos para o Orixá Xangô. 
Outros empregos: O chá e o fruto são indicados para problemas de anemia. 
Categoria: D, G. 
68. Jenipapo 
Família: Rubiaceae 
Nome científico: Genipa americana L.
60 
Parte usada: Folha e fruto 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: A folhas da planta é utilizada em fundamentos do Orixá Omolu. 
Outros empregos: O fruto associado com mel é indicado para combater anemia, quando 
usado pela manha em jejum. O fruto é muito apreciado na culinária como doce. 
Categoria: D, F, G. 
69. João Barandi ou Pimenta de Macaco 
Família: Piperaceae 
Nome científico: Piper aromaticum Willd. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: Planta cozida em água, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B. 
70. Jucá ou Pau Ferro 
Família: Leguminosaceae 
Nome científico: Caesalpinia ferrea Mart. 
Parte usada: Folha e casca. 
Restrição de uso: Coletar as folhas antes do nascer do sol. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza destinados ao Orixá 
Ogum. 
Outros empregos: O chá da casca é utilizado para diabetes. 
Categoria: B, D.
61 
71. Jurema Branca 
Família: Mimosaceae 
Nome científico: Mimosa sp. 
Parte usada: Casca 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol. 
Uso ritualístico: A casca da planta é utilizada para elaborar bebida sagrada utilizada no 
Candomblé de Caboclo. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: D, J. 
72. Jurema Preta 
Família: Mimosaceae 
Nome científico: Mimosa hostilis Benth. 
Parte usada: Casca e entre casca e raiz 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol. 
Uso ritualístico: A casca da planta é utilizada para elaborar bebida sagrada utilizada no 
Candomblé de Caboclo. 
A folha é utilizada no Amaci do Catimbó Jurema. 
Outros empregos: Planta ornamental. A entrecasca é utilizada para aliviar dor de dente, e 
para elaborar beberagem de propriedades curativas chamada "Jurema". 
Categoria: A, D, I, J. 
73. Laranjeira 
Família: Rutaceae 
Nome científico: Citrus sinensis Osbeck
62 
Parte usada: Flor 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Flor da planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B. 
74. Liamba 
Família: Verbenaceae 
Nome científico: Vitex agnus-castus L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de atração. 
Outros empregos: A folha da planta é utilizada na elaboração da beberagem "Jurema". 
Categoria: B, D. 
75. Lírio Branco 
Família: Zingiberaceae 
Nome científico: Hedychium coronarium J. Koenig 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza destinado ao Orixá 
Oxalá. Cama de folha do Orixá Oxalá. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, H. 
76. Lobeira
63 
Família: Solanaceae 
Nome científico: Solanum lycocarpum A. St. Hil. 
Parte usada: Folha, flor, raiz e fruto. 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: Planta utilizada em assentamento para o Orixá Exu. 
Outros empregos: O chá da folha é utilizado para fazer banho de assento para hemorróida. O 
fruto cozido é utilizado para diabete e o chá da flor para resfriado. 
Categoria: D, G. 
77. Louquinho miúdo ou loquinho 
Família: Plumbaginaceae 
Nome científico: Plumbago scadens L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado 
Uso ritualístico: Assentamento do Orixá Exu. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: G. 
78. Louro 
Família: Lauraceae 
Nome científico: Laurus nobilis L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Cama de folha o 
Orixá Iansã.
Outros empregos: O chá da folha é utilizado para dores de cabeça. As folhas são usadas na 
64 
culinária como tempero. 
Categoria: B, D, H. 
79. Malva, Malva Cheirosa ou Malva Rosa 
Família: Geraniaceae 
Nome científico: Geranium moschatum Burn. F. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e atração. Amaci. 
Outros empregos: O chá é utilizado para gripes e para infecções uterinas. 
Esta planta também é utilizada no culto Catimbó-Jurema. 
Categoria: A, B, D. 
80. Mamona 
Família: Euphorbiaceae 
Nome científico: Ricinus communis L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: As folhas são utilizadas para enrolar acaçá do Orixá Exu. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: F. 
81. Manacá 
Família: Solanaceae 
Nome científico: Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don
65 
Parte usada: Folha e flor. 
Restrição de uso: Não informado 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B. 
82. Mangueira Espada 
Família: Anacardiaceae 
Nome científico: Mangifera indica L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Amací, 
sacudimento e cama de folha para o Orixá Ogum. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: A, B, E, H. 
83. Manjericão miúdo 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Ocimum basilicum L. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: O chá é utilizado para gripe e pode ser associado com alfavaca, às folhas 
também são usadas como tempero. 
Categoria: B, D, F.
66 
84. Maracujá 
Família: Passifloraceae 
Nome científico: Passiflora edulis Sims. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Não informado 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B. 
85. Maracujá selvagem ou Ewe dan 
Família: Passifloraceae 
Nome científico: Passiflora sp. 
Parte usada: Folha e galhos. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banho destinado ao Orixá Oxumaré. 
Ebós e assentamentos. 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G, J. 
86. Mata piolho 
Família: Flacourtiaceae 
Nome científico: Carpotroche brasiliensis Endl. 
Parte usada: Folha 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos destinados ao Orixá 
67 
Omolu.Assentamento 
Outros empregos: Não informado 
Categoria: B, G. 
87. Melão de São Caetano 
Família: Cucurbitaceae 
Nome científico: Mormodica charantia L. 
Origem: 
Parte usada: Folha e galho. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: O chá pode ser usado como banho para aliviar irritações na pele e cabeça. 
Categoria: B, D. 
88. Melissa, Ewe Cerim ou Folha de Ifá 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Melissa officinalis L. 
Parte usada: Folha, flor e galho. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Assentamento. 
Outros empregos: O chá é utilizado para problemas cardíacos. 
Categoria: B, D, G. 
89. Obí ou Noz de Cola 
Família: Sterculiaceae
68 
Nome científico: Cola acuminata Schott Endl. 
Parte usada: Folha e fruto. 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: As sementes possui propriedades curativas, acreditam que elas sejam 
rejuvenescedoras. O fruto é utilizado em todos os rituais para os Orixás. 
Outros empregos: As folhas são maceradas com água fria, para diminuir queda de cabelo. 
Categoria: A, D, G, H, I, J. 
90. Obò ou Odán 
Família: Apocynaceae 
Nome científico: Peltastes isthmicus Woodson. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, cama de folha e 
para os Orixás Xangô e Oxum, utilizada em Ebós para chamar dinheiro, associada ao Acóco. 
Enfeitar pratos de oferenda. Assentamento do Orixá Xangô. 
Outros empregos: . 
Categoria: B, F, G, H, I, J. 
91. Oiti 
Família: Chrysobalanaceae 
Nome científico: Licania tomentosa Kuntze 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos destinados ao Candomblé de 
69 
Caboclo. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B. 
92. Onda do mar 
Família: Não identificada. 
Nome científico: Não identificada. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em assentamento 
do Orixá Iemanjá. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B, G. 
93. Oripepe 
Família: Asteraceae 
Nome científico: Melampodium divaricatum DC. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do 
Orixá Oxum. 
Outros empregos: relatado que a planta possui propriedades anestésicas. 
Categoria: B, D. 
94. Pacthuli
70 
Família: Lamiaceae 
Nome científico: Pogostemon cablin Benth. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, atração e 
assentamento do Orixá Oxum. 
Outros empregos: A planta macerada com água libera forte aroma, que é utilizado como 
aromatizante de roupas. 
Categoria: B, G. 
95. Pararraio 
Família: Caprifoliaceae 
Nome científico: Melia azedarach L. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Não indicado. 
Uso ritualístico: Amací do Orixá Iansã. 
Outros empregos: O chá pode ser usado como banho para aliviar irritações na pele e cabeça. 
Categoria: A 
96. Pé de perdiz 
Família: Euphorbiaceae 
Nome científico: Croton perdicipes A. St. Hill. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Amací do Orixá Iansã.
Outros empregos: O chá pode ser usado como banho para aliviar irritações na pele e cabeça. 
71 
Categoria: A 
97. Piqui ou Pequi 
Família: Caryocaraceae 
Nome científico: Caryocar brasiliense St.Hil 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Sacudimento e assentamento do Orixá Exu. 
Outros empregos: O chá pode ser usado como banho para aliviar irritações na pele e cabeça. 
Categoria: B, E, F, G. 
98. Peregum amarelo 
Família: Dracaenaceae 
Nome científico: Dracaena fragans Ker Gawl. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Não informado. 
Uso ritualístico: Cama de folha para o Orixá Oxumaré. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: H. 
99. Peregum, Pau D' água, Peperegum ou Peregum Branco 
Família: Dracaenaceae 
Nome científico: Dracaena sp. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Não informado.
Uso ritualístico: Cama de folha para o Orixá Oxalá, sacudimento, a folha da planta macerada 
com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do Orixá Oxossi e Ogum. Utilizada 
72 
em Ebós e como ornamental para proteção do terreiro. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B, E, G, H, I, J. 
100. Peregum vermelho, Peperegum roxo ou Peregum roxo 
Família: Liliaceae 
Nome científico: Cordyline terminalis (L.) Kunth 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Usada para 
sacudimento. Banhos para Egum. Utilizada como ornamental para proteção do terreiro, para 
fazer cama ou esteira de Orixá. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B, E, G, H, I. 
101. Pindaíba ou Lelecum 
Família: Annonaceae 
Nome científico:Xylopia aromatica Mart. 
Parte usada: Folha e sementes. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: A folha e o pó da semente é utilizado em assentamento. 
Outros empregos: Utilizada como tempero. 
Categoria: F, G.
73 
102. Pinhão roxo ou Pião roxo 
Família: Euphorbiaceae 
Nome científico:Jatropha gossypiifolia L. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Planta tóxica não 
pode ser ingerida. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em assentamento 
do Orixá Ogum e Exu. Amaci. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: A, B, G. 
103. Pitanga 
Família: Myrtaceae 
Nome científico:Eugenia uniflora L. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Amací. Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: A, B. 
104. Quaresmeira 
Família: Melastomataceae 
Nome científico: Tibouchina granulosa Cogn. Ex Britton 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Não informado.
74 
Uso ritualístico: Cama de folha do Orixá Omolu e Nanã. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: H. 
105. Romã 
Família: Punicaceae 
Nome científico:Punica granatum L. 
Parte usada: Folha e fruto 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Cama de folha para o Orixá Oxalá e Oxum. 
Outros empregos: O chá da casca do fruto é utilizado para inflamação na garganta, e contra 
gripe. A poupa que envolve a semente é utilizada para anemia. 
Categoria: D, H. 
106. Rosa Branca 
Família: Rosaceae 
Nome científico: Rosa alba L. . 
Parte usada: Flor. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Flores da planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: O chá das flores pode ser tomado como calmante. 
Categoria: B, D. 
107. Sabugueiro 
Família: Caprifoliaceae 
Nome científico: Sambucus australis Cham. & Schltdl.
75 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Amací. Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Assentamento. 
Outros empregos: O chá é recomendado para gripe, resfriado, febre e sarampo. Também 
utilizar a planta macerada para cabelos, catapora. 
Categoria: A, B, D, G. 
108. Saião 
Família: Crassulaceae 
Nome científico:Kalanchoe brasiliensis Camb. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 
Outros empregos: Chá é recomendado para cicatrização. 
Categoria: B, D. 
109. São Gonsalinho 
Família: Flacourtiaceae 
Nome científico:Casearia sylvestris Sw. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em fundamentos. 
Outros empregos: As folhas cozidas são recomendadas para deixar o cabelo liso. 
Categoria: B, D, G.
76 
110. São gonsalino 
Família: Anacardiaceae 
Nome científico: Astronium fraxinifolium Schott 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em assentamento 
de Ogum e Oxossi. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B, G. 
111. Terramicina/ Penicilina vegetal / 
Ewe lebo 
Família: Amaranthaceae 
Nome científico: Alternanthera dentata (Moench) Stuchlik 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Restrição de uso: 
Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento para o 
Orixá Oxum. 
Outros empregos: Chá é recomendado para infecção por possuir propriedades 
antiinflamatórias. 
Categoria: B, D, G. 
112. Timbó 
Família: Sapindaceae
77 
Nome científico: Serjania lethalis A.St.-Hil. 
Parte usada: Folha, flor, fruto, galho, raiz. 
Restrição de uso: Planta tóxica, não pode ser ingerida. 
Uso ritualístico: Planta utilizada em Ebós. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: J. 
113. Trombeta 
Família: Bignoniaceae 
Nome científico: Tecoma stans (L.) H.B. & K. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em cama de folha 
para os Orixás Oxossi e Oxum. 
Outros empregos: Não informado. 
Categoria: B, H. 
114. Urucum 
Família: Bixaceae 
Nome científico:Bixa orellana L. 
Parte usada: Folha. 
Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. 
Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Assentamento e 
fundamento do Orixá Exu. 
Outros empregos: O fruto é utilizado como tempero.
78 
Categoria: B, F, G.
79 
CONCLUSÃO 
Foram estudadas 114 plantas, sendo 102 identificadas e 12 indeterminadas, 
pertencentes a 50 famílias botânicas, utilizadas em cinco casas de santo, distribuídas no 
Distrito Federal e Entorno. Isso demonstra uma grande diversidade de conhecimento e usos 
de plantas. Dentre as famílias botânicas, Lamiaceae, por suas propriedades aromáticas e seu 
fácil cultivo, foi a mais representativa, com 10 espécies registradas. 
Os vegetais utilizados foram enquadrados nas seguintes categorias de uso: amaci, 
banho, defumador, medicinal, sacudimento, culinária, assentamento, iniciação, ornamental, 
ebós e cerimônias, sendo que a categoria com maior número de indicação foi “Banhos”, na 
qual o uso dos vegetais para banhos de limpeza é muito difundido, por ser de fácil 
manipulação e podendo ser freqüentemente usado. 
A maior parte das espécies são exóticas cultivadas, sendo que grande parte destas 
foram trazidas pelos negros, isso demonstrando que os aspectos tradicionais da cultura afro 
nos cultos de matriz africana, vem conservando estas espécies, fortalecendo o processo da 
transmissão do conhecimento e, conseqüentemente, garantindo a importância das plantas nos 
cultos. 
A utilização de espécies nativas do bioma Cerrado reflete uma adaptação ou inclusão 
destas plantas nos cultos afro-brasileiros no DF e entorno, demonstrando a substituição de 
determinados recursos vegetais exóticos não disponíveis, por plantas nativas, o que pode 
estar determinando a constituição de um vínculo entre os cultos e o bioma, gerando novos 
conhecimentos e novas práticas. As plantas empregadas nos cultos são fundamentais e 
possuem um valor sagrado, sendo a elas dadas o título de possuidoras de energia (Axé) 
necessária para toda a variedade de trabalhos dentro dos cultos.
80 
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO: 
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84 
GLOSSÁRIO DE NOMES OU TERMOS AFRO-BRASILEIROS 
A 
Acaçá – bolinho de amido embrulhado em folha de bananeira 
Akokô ou Acóco – Planta usada na coroação de reis e sagração de sacerdotes de alta 
hierarquia. 
Aroni – duende de uma perna só que habita a floresta e conhece o uso das ervas. 
Angola - Culto afro-brasileiro de origem banto. 
Ariaxé - banho ritual realizada no período iniciático. 
Abô - preparado feito com folhas sagradas maceradas em água, visa conferir proteção. 
Assentamento - objetos, símbolos e de elementos da natureza que representam o orixá e 
onde está assentada sua força dinâmica, ficando depositados em locais apropriados no 
terreiro. 
Axé - força mágica, dinâmica e vitalizadora dos orixás; local sagrado; fundamento 
terreiro, força vital que transforma o mundo. 
B 
Babaojê - sacerdote do culto aos Eguns. 
Babalaô - Sacerdote de Ifá 
Babalorixá - Chefe do terreiro, o mesmo que Pai de Santo. 
Bori – sacrifício à cabeça; primeiro rito de iniciação no candomblé. 
C 
Caboclos - Espíritos cultuados nos candomblés de caboclo, Catimbós, Umbanda, e 
outros de influência ameríndia representam indígenas brasileiros que alcançaram uma 
certa posição espiritual. 
Casa de santo - Equivalente a terreiro ou casa de candomblé 
Catimbó - Culto afro-brasileiro de influência indígena 
Comida de santo - Alimentos votivos preparados especialmente para os Orixás. 
D 
Despacho - Oferenda aos Orixás. 
E 
Ebós – Sacrifício, oferenda, despacho.Ver despacho. 
Egum - Espírito de morto; ancestral. 
Exu – orixá mensageiro; dono das encruzilhadas e guardião da porta de entrada da 
casa; sempre o primeiro ser homenageado. 
Euê ou Ewé – Folha 
Eua ou Yèwá – orixá das fontes; dona dos cemitérios.
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  • 1. FACULDADES INTEGRADAS DA TERRA DE BRASÍLIA CIÊNCIAS BIOLÓGICAS Uso de plantas nos cultos Afro-brasileiros no Distrito Federal e Entorno. Jonathan Vieira Novais Recanto das Emas 2006.
  • 2. Faculdades Integradas da Terra de Brasília – FTB Curso de Ciências Biológicas Uso de plantas nos cultos Afro-brasileiros no Distrito Federal e Entorno. Jonathan Vieira Novais Monografia de Conclusão de Curso, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Ciências Biológicas. Recanto das Emas 2006
  • 3. Trabalho realizado junto à coordenação de Ciências Biológicas das Faculdades Integradas da Terra de Brasília. Sob a orientação da Professora MsC. Renata Corrêa Martins. Aprovado por: _____________________________________________ MsC. Renata Corrêa Martins Universidade de Brasília – UNB / Jardim Botânico de Brasília Orientadora e Presidente da Banca _____________________________________________ Professor MSc. Alberto Jorge da Rocha Silva Faculdades Integradas da Terra de Brasília – FTB Co - Orientador _____________________________________________ Prof.ª Dra. Kátia Regina Ferraz Vicentini Faculdades Integradas da Terra de Brasília – FTB Membro titular da Banca
  • 4. A todos os tripulantes da oikos nave Terra, em especial aos divinos e completos vegetais, aos ancestrais, a todos belos irmãos inorgânicos...
  • 5. AGRADECIMENTOS Seria impossível agradecer somente a uma pessoa, começo então dizendo que não há nada melhor do que acordar com alguém que participe arduamente com você de todos os episódios das vivências terrenas, e este trabalho realmente ensinou-me o valor do companheirismo, então digo um obrigado especial a minha linda esposa Cláudia e ao filhote Christian. Meus amorosos, apoiadores e sonhadores pais Imaculada e Juarez, ao meu sogro Mario e sogra Eni, pelo carinho e sobre tudo a confiança em mim depositada. As minhas irmãs Dolores e Danielle. A faculdade, digo aos grandes empresários do ensino, por favor, façam algo para melhorar o ensino deste país, se empenhem mais, em ajudar estas pequenas moléculas de carbono que somos os sonhadores homens. Deixo aqui meus votos de amizade a todos os companheiros de sala e professores do curso, adorei trocar tantas experiências com vocês, estes anos foram sementes, e a colheita está por vir. Deixo meus votos de agradecimento e felicidade aos orientadores Renata Martins e Alberto Silva que foram ativos em me oferecer à sabedoria que já possuem, compartilhando comigo o tempo, que muitas vezes acredito eu, se absteram de exercer outras atividades. A querida Carolyn Proença por dispor o seu sempre requisitado tempo para me esclarecer e proporcionar um pouco da luz do seu conhecimento e professora Kátia Vicentini pela referência e o bom exemplo, obrigado por participar da banca. Finalizo, agradecendo a todos os entrevistados, estes me proporcionaram momentos de grande aprendizado ao lado deles e sem eles não teria construído todo este trabalho, aprendi com eles a agradecer dizendo assim: “Que Olorum e todos Orixás abençoe, todos vocês e que a felicidade inunde o coração de todos”.
  • 6. SUMÁRIO RESUMO ..................................................................................................................... 7 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 8 OBJETIVOS .............................................................................................................. 12 MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................... 13 RESULTADOS E DISCUSSÃO .............................................................................. 17 CONCLUSÃO ........................................................................................................... 79 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO: .................................................................... 80 GLOSSÁRIO DE NOMES OU TERMOS AFRO-BRASILEIROS ................................................................ 84 APÊNDICE - A – ANUÊNCIA PREVIA ....................................................................................................... 87 APÊNDICE B – QUESTIONÁRIOS ............................................................................................................... 88 C- LEVANTAMENTO DAS ESPÉCIES VEGETAIS ÚTEIS, NOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS NO DISTRITO FEDERAL E ENTORNO. ............................................................................................................. 91 ANEXO I – OSSAIM O ORIXÁ DAS FOLHAS ........................................................................................... 93
  • 7. RESUMO O conhecimento tradicional das culturas de origem africana, possui num contexto uma valorização direta aos vegetais e este conhecimento pode ser evidenciado pela pesquisa etnobotânica. Este estudo foi conduzido no Distrito Federal e Entorno. O levantamento etnobotânico teve como alvo os sacerdotes das casas de santo (Candomblé). Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, com o uso de questionários, buscando informações sobre os empregos dados as plantas, voltando a entrevita para quais plantas são utilizadas e suas indicações de uso. Observou-se que as espécies vegetais são em sua maioria exóticas ao bioma Cerrado. O emprego de espécies nativas do Cerrado reflete que houve a adaptação ou a inclusão destas plantas nos cultos afro brasileiros no DF e entorno. Evidenciou-se considerável utilização dos vegetais. Os usos foram categorizados em dez formas distintas de aplicação, são elas: amaci, banho, defumador, sacudimento, culinária, assentamento, iniciação e ornamental. As partes vegetais utilizadas são; folhas, frutos, flores e raízes, predominando o uso das folhas. A categoria com maior citação foram banhos. Foram citados 114 espécies, 88 gêneros e 50 famílias, sendo 102 indentificadas e 12 indetermindas. Com este estudo pode se perceber a necessidade de se ampliar às pesquisas nos cultos de matriz africana principalmente nas casas de santo presentes nas regiões, onde o bioma cerrado é a vegetação nativa. Palavras-chave: etnobotânica, uso tradicional, cerrado, cultos afro-brasileiros.
  • 8. 8 INTRODUÇÃO O termo Etnobiologia é relativamente recente. Essa terminologia surgiu como um braço da etnociência que vem ganhando impulso nestes últimos anos com o aumento dos trabalhos publicados, e a necessidade de se conhecer como os homens lidam com os recursos naturais tradicionalmente. Segundo Posey (1987), entende-se etnobiologia como sendo o estudo do conhecimento e das conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito da biodiversidade e do meio ambiente; em outras palavras, é o estudo do papel da natureza no sistema de crenças e de adaptação do homem a determinados ambientes. Neste sentido, a Etnobiologia relaciona-se com a ecologia humana, mas enfatiza as categorias e conceitos cognitivos utilizados pelos povos em estudo (Posey, 1987). Partindo então da visão compartimentada da ciência sobre o mundo natural, surge o termo "Etnobotânica", citado pela primeira vez por Harshberger em 1895 (Amorozo, 1996). Em etnobotânica, são analisadas as relações entre os seres humanos e os vegetais, procurando responder questões como: quais plantas são conhecidas, quais plantas estão disponíveis, quais plantas são reconhecidas como recursos, como o conhecimento etnobotânico tradicional está distribuído na população, como os indivíduos diferenciam e classificam a vegetação, como esta é utilizada e manejada e quais os benefícios derivados das plantas (Alcorn, 1995). Atualmente o aproveitamento botânico feito pelas diversas culturas vem sendo amplamente pesquisado, despertando interesses de vários segmentos da comunidade científica; toda essa necessidade baseia-se no fato de que o conhecimento tradicional possui, em seu contexto prático, uma base eficiente e de grande sucesso para os muitos fins que as plantas são destinadas.
  • 9. A utilização dos recursos oriundos da biodiversidade e a produção de conhecimento sobre eles não é privilégio exclusivo de nenhum grupo social ou cultural. Os dados da Organização Mundial da Saúde destacam que, em decorrência da pobreza e da falta de acesso à medicina moderna, 65 – 80 % da população mundial que vive em países em desenvolvimento, depende essencialmente das plantas para o cuidado primário 9 à saúde (Vasconcellos, 2003). Os vegetais possuem valores de extrema abrangência no contexto de seu uso. Das diversas culturas que utilizam as plantas para tratamentos terapêuticos, ritualísticos, alimentares, decorativos, aromáticos e dentre outros, incluem-se as religiões de matriz africana. Os usos litúrgicos, mitológicos e ritualísticos das plantas dentro dos cultos afro– brasileiros estão presentes fortemente dentro de sua essência, ou seja, no que tange a aspectos básicos do conhecimento, aquilo que é tido pelos praticantes como fundamentos tradicionais da religião, as plantas manifestam-se como sendo a base para todo o culto religioso. Acredita-se que em média, mais de quatro milhões de africanos foram obrigados a cruzar o oceano, amontoados nos porões infectos e sufocantes dos navios negreiros, em direção a uma vida desumana de escravidão no chamado ‘novo mundo’. Este número estima-se que seja equivalente à cerca de 40% do contingente de negros que desembarcaram nas Américas entre o final do século XV e o século XIX (A cor da cultura, 2006). Uma quantidade significativa de africanos que aportaram no país veio da Bacia do rio Congo, de Moçambique, do Golfo da Guiné e de Angola e foram distribuídos por quase todo o território brasileiro para realizar o trabalho braçal nos engenhos e nas usinas de cana, nas minas e nas plantações de café. Ainda hoje é possível identificar a herança da
  • 10. diversidade cultural africana em estados como Maranhão, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro por onde passaram centenas de negros do antigo Daomé, e Bahia, conhecida pela 10 influência iorubá (A cor da cultura, 2006). As nações de origem dos cultos afros praticados no Brasil desrespeitam a origem africana, ou seja, os bantus são negros que tiveram origem de uma região que vai de Camarões até a África do Sul, existem cerca de 400 grupos étnicos nessa região. O povo Ketu é proveniente do reino Yorubá que compreende o sul e o centro da atual Republica do Benin, parte da Republica do Togo e sudoeste da Nigéria. O povo Yorubá ou Iorubas estão distribuídos numa vasta região que abrange a Nigéria, o Nigér, o Togo e parte do Benin, os Yorubá costumavam deslocar-se em grupos reduzidos, formando núcleos familiares, nos quais era comum a presença de um sacerdote, os povos Yorubá compunham-se por tribos, como exemplo, temos os Ijexás junto do rio Òsun (Oxum). A distribuição aleatória dos grupos africanos pelo país originou diferentes tradições religiosas, como o candomblé de nação “ketu”, “oyó” e “ijexá” nos terreiros baianos, o batuque gaúcho, o xangô pernambucano e a mina maranhense. Muitas destas linhas mesclam elementos iorubas, bantos e jejes, assim como suas variadas línguas, culturas e crenças religiosas num fenômeno que passou a ser conhecido como a diáspora africana (A cor da cultura, 2006). Com a criação e construção de Brasília na região Centro-Oeste, surge entre outras tantas manifestações religiosas, os cultos afro-brasileiros na região do DF e entorno. Em geral as casas de santo localizam-se nas áreas rurais, por estas proporcionarem maiores extensões de terra e em alguns casos cursos d’água. A adaptação das plantas nativas para somatizar, ou substituir o conjunto de espécies usadas nos cultos, fortaleceu a aproximação dos praticantes com a vegetação do Cerrado, o que proporciona uma valorização e uma busca constante em preservar as espécies nativas. A diversidade de paisagens determina uma grande florística, que coloca a flora do bioma Cerrado como a mais rica entre as savanas do mundo, com 6.429 espécies já catalogadas (Mendonça et al. 1998). O Cerrado foi eleito com um dos mais ricos e ameaçados ecossistemas do mundo. Sabe-se que atualmente de um total de 1.783.200 Km² originais de Cerrado, restam intactos somente 356.630 km², ou apenas 20 % do bioma original, justificando a preocupação que se tem sobre este bioma (Scariot et al., 2005). Muitas espécies nativas do bioma Cerrado possuem usos tradicionais, incluindo diversas categorias de uso tais como alimentícias, medicinais, construção, artesanato e
  • 11. ritualísticas. Entretanto, o usuário comum ainda é a população regional cuja atividade é 11 essencialmente extrativista (Ribeiro et al., 1994). Os cultos afros aqui tratados desrespeitam ao Candomblé, este possui distintas origens e consolidações de acordo com a nação, neste trabalho tem-se as nações Angola, Ketu, Nagô, Jejê. Sabe-se que atualmente alguns cultos são de origem ou de influência dos cultos africanos como é o caso da Santeria Cubana, os Voduns, a Umbanda dentre outros. Consoante ao baixo número de trabalhos envolvendo a diversidade do conhecimento tradicional dentro nas religiões de matriz africana, no contexto do aproveitamento das plantas, o presente trabalho é o resultado do levantamento das plantas utilizadas nos cultos afro-brasileiros no Distrito Federal e entorno.
  • 12. 12 OBJETIVOS Estudar o uso das plantas dentro dos cultos de matriz africana no Distrito Federal e entorno e considerar as plantas nativas do bioma cerrado utilizadas, identificar o uso dos vegetais e as formas de empregos através de identificar informantes e localizá-los, utilizando como critério a distribuição deles na área de estudo; identificar as categorias de uso e a distribuição das espécies nas mesmas; realizar coleta, herborização e identificação do material botânico coletado; elaborar lista das espécies e descrição de uso. Sabendo da proximidade e da significância das plantas aos cultos, o presente trabalho busca dentro das casas de santo, conhecer os vegetais utilizados e aumentar o conhecimento que se tem das plantas empregadas nos cultos afros inseridos na região do Centro-Oeste.
  • 13. 13 MATERIAL E MÉTODOS A - IDENTIFICAÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO E INFORMANTES - Área De Estudo “Figura 1 – Mapa Das Áreas Visitadas” Figura 1 – Mapa de áreas visitada (fonte: Maplink, 2006). A área de estudo escolhida foi o Distrito Federal (DF) e o Entorno. O DF possui aproximadamente 5.822,1 km², está localizado na região Centro-Oeste e possui como limites, Planaltina de Goiás (Norte), Formosa (Nordeste e Leste), Minas gerais (Leste), Cristalina e Luziânia (Sul), Santo Antônio do Descoberto (Oeste e Sudoeste), Corumbá de Goiás (Oeste) e Padre Bernardo (Noroeste). Suas características são: planalto de topografias suaves e vegetação de cerrados, com altitude média de 1.172 metros, clima tropical e os rios principais são o Paranoá, Preto, Santo Antônio do Descoberto e São Bartolomeu.
  • 14. O Entorno deve ser entendido como sendo os municípios próximos ao Distrito Federal e que pertencem ao Estado de Goiás e Minas Gerais. Os municípios do entorno visitados foram: Santo Antônio do Descoberto, Valparaíso e Luziânia todos municípios do Estado 14 de Goiás, todos possuindo como vegetação típica o Cerrado. A Constituição brasileira veda a divisão do DF em municípios, logo então cria-se no DF as regiões administrativas ou popularmente conhecidas como cidades satélites, que possuem administradores locais e que são subordinadas ao governo do DF. A flora do DF tem um promissor potencial econômico com espécies forrageiras, medicinais, alimentícias, corticeiras, taníferas, melíferas e ornamentais. As regiões administrativas do DF visitadas foram: Gama e Park Way. · Gama: Região Administrativa criada em 12/10/1960 · Park Way: Região Administrativa criada em 29/12/2003 · Santo Antônio do Descoberto localiza-se no leste goiano, possui aproximadamente 938,309 km² e esta à 200 Km de Goiânia e 45 Km do centro do centro do DF. · Valparaíso de Goiás fundado em 15 de junho de 1995, localiza-se no leste goiano, possui aproximadamente 60.000 km² e esta à 190 Km de Goiânia e 35 Km do centro do DF. · Luziânia possui fundação em 13 de dezembro de 1746 localiza-se no leste goiano, possui aproximadamente 3.961,536 km² e esta à 214 Km de Goiânia e 62,80 Km do centro do DF. As casas escolhidas foram previamente selecionadas a partir de uma lista de casas de santo fornecida pela Srª Luciana V. P. Gonçalves da Fundação Palmares do Ministério da Cultura e por contados diretos com as casas de santo.
  • 15. Em todas as casas contatadas o projeto foi apresentado aos sacerdotes responsáveis. As casas que aceitaram participar do trabalho receberam a “Anuência prévia” (Apêndice 15 A), respeitando assim a integridade do conhecimento de cada informante. Os locais selecionados e as respectivas casas visitadas foram: A. Gama, “Inzo Hamba Ua Maza Hangolo”, Núcleo Rural Monjolo, Chácara Inaê 11/13. B. Luziânia, “Ilé Axé Oyâ Bamilá”, Avenida – 10, Parque Estrela Dalva, Quadra 54, Chácara – 11. C. Park Way, “Ilê Axé Iji Dan”, Quadra – 13 Conjunto – 02 Chácara – 44. D. Santo Antônio do Descoberto, “Ilê Axé Bará leji”, Mansões Bittencourt Quadra 40c. E. Valparaíso de Goiás, Etapa – E. Casa da Vô Onofra. Quadra 05 Casa 16 CEP: 72876 - 525. B – LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS Efetuou-se entrevistas semi-estruturadas com cinco informantes (Apêndice A). As entrevistas foram preparadas atendendo ao cotidiano das comunidades trabalhadas, oferecendo liberdade de descrever o uso, aplicação das plantas e acompanhar a coleta dos vegetais. Todas as plantas foram coletas na presença do entrevistado, que comentavam durante a coleta as formas de aplicações, as características de uso, as variações do uso, as experiências vividas com a planta. As informações coletadas foram descritas no preenchimento dos questionários. Durante o processo de apresentação das plantas, descreviam-se o nome popular e o nome que algumas plantas possuem religiosamente, ou seja, no dialeto da nação de origem.
  • 16. Para avaliar a importância relativa de uso, utilizou-se o critério analítico de Friedman 16 (Albuquerque, 1995), adaptado para este trabalho: Nº de entrevistados que citaram usos principais CUP= ______________________________________________ x 100 Nº de entrevistados que citaram a espécies Nº de entrevistados que citaram uso da espécie FC= ____________________________________________________ Nº de entrevistados que mencionaram a espécie mais citada CUPc = CUP X FC Onde: CUP = percentagem de concordância de usos principais FC = fator de correção CUPc = percentagem de concordância de usos principais corrigidos C – COLETA, HERBORIZAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DE MATERIAL BOTÂNICO. As plantas foram coletadas, herborizadas e identificadas. A identificação foi realizada no Herbário da Universidade de Brasília (UB), por comparação e consulta de especialistas, com a colaboração da professora Drª Carolyn Elinore Barnes Proença, curadora do herbário da UnB (UB). Também se utilizou de literatura especializada. Foi elaborada ficha descritiva (Apêndice B) para cada vegetal, obedecendo a uma seqüência alfabética por nome popular, e cada planta esta distribuída em uma categoria. As categorias foram criadas com base nos dados coletados.
  • 17. 17 RESULTADOS E DISCUSSÃO A - INFORMANTES E ÁREA DE ESTUDO · Gama, “Inzo Hamba Ua Maza Hangolo”, Núcleo Rural Monjolo, Chácara Inaê 11/13. Na região administrativa Gama, encontra-se a casa da Mãe N’gua Carmem de Angorô, com 54 anos de idade, nascido no Estado de Pernambuco no município de Recife, residente há 22 anos no local. Com ensino superior completo em direito, atividade profissional e ocupação no serviço público, atualmente é aposentada e compartilha o local de moradia com mais cinco pessoas. Sua nação é Angola. Todo conhecimento adquirido sobre o uso de plantas é proveniente da prática religiosa, sua área é de aproximadamente 80.000 m. Importância das plantas para o entrevistado: “Não há nada sem a folha para o Orixá, não existe candomblé sem folha” (Mãe Carmem de Angorô). · Park Way, “Ilê Axé Iji Dan”, Quadra – 13 Conjunto – 02 Chácara – 44. Na região administrativa Park Way, encontra-se a casa Mãe Iracema de Obaluaê, com 72 anos de idade, natural da Paraíba, do município de Campina Grande, residente há 21 anos no local. Com primário completo, atividade profissional e ocupação exclusiva no Candomblé, compartilham o local de moradia com mais seis pessoas. Sua nação é Ketu, todo conhecimento adquirido sobre o uso de plantas é proveniente da prática religiosa, sua área é de aproximadamente 10.000 m. Importância das plantas para o entrevistado: “É muito importante, pois sem folha não tem como haver iniciação do filho, não há candomblé sem folha” (Mãe Iracema de Obaluaê).
  • 18. · Município de Luziânia, “Ilé Axé Oyâ Bamilá”, Avenida – 10, Parque Estrela 18 Dalva, Quadra 54, Chácara – 11. Cep: 72800-000 No município de Luziânia encontra-se a casa da Mãe Inalda, com 56 anos de idade, nascida no estado de Pernambuco, residente há 31 anos no local. Com 2º grau completo, compartilha o local de moradia com mais quatro pessoas. Na mesma área de sua residência encontra-se o Axé, local de culto e celebração de festas aos Orixás, sua nação é Nagô, e também à prática do culto a Jurema. Todo conhecimento adquirido sobre o uso de plantas é proveniente da prática religiosa, sua área é de aproximadamente 2.000 m² com grande diversidade de vegetais distribuídos por toda a chácara. Importância das plantas para o entrevistado: “As plantas são fundamentais para tudo, se não houver plantas não existe candomblé” (Mãe Inalda). · Município de Santo Antônio do Descoberto, “Ilê Axé Bará leji”, Mansões Bitencourt Quadra 40c. No município de Santo Antônio do Descoberto encontra-se a casa do Pai Uibacy Domingos D’ Ávila (Pai Tito de Omolu), com 62 anos de idade, nascido no estado do Rio Grande do Sul, residente há 34 anos no local. Com ensino superior completo em Administração de empresas, atividade profissional e ocupação exclusivamente dedicada à religião e ao culto a Ifá, compartilham o local de moradia com mais 42 pessoas, sendo estas, filhos de santo vinculados a casa, caseiro e cônjuge. Sua nação é Ketu, e também à prática do Candomblé de Caboclo, todo conhecimento adquirido sobre o uso de plantas é proveniente da prática religiosa. Sua área é de aproximadamente 30.000 m² com grande diversidade de vegetais distribuídos por toda a chácara.
  • 19. Importância das plantas para o entrevistado: “Fundamental, não há Orixá sem folha. É 19 um símbolo da ancestralidade do indivíduo” (Pai Tito de Omolu). · Município de Valparaíso de Goiás, Casa da Vó Onofra Etapa – E Quadra 05 Casa 16 CEP: 72876 - 525. No município de Valparaíso de Goiás encontra-se a casa da Vó Onofra Maria da Silva, com 67 anos de idade, nascido no estado de Minas Gerais, do município de Araxá, residente há 10 anos no local. Não possui escolaridade concluída, atividade profissional e ocupação no serviço público, compartilha o local de moradia com mais seis pessoas. Sua nação é Angola, todo conhecimento adquirido sobre o uso de plantas é proveniente da prática religiosa, sua área é de aproximadamente 20 m² . Importância das plantas para o entrevistado: “Muito importante para o culto, à folha ajuda as pessoas” (Vó Onofra).
  • 20. 20 B – ESPÉCIES UTILIZADAS E FORMAS DE USO Durante as entrevistas foram citadas 114 plantas pelo seu nome popular, que possuem aplicações litúrgicas e medicinais. Os vegetais são empregados em amacís, banhos, defumação, sacudimento, culinária, medicinal, iniciação, assentamento. O estudo constatou que as plantas são utilizadas em dez categorias de uso ritualístico, na figura 2, as categorias estão separadas pela seqüência de ”A” a “J”, as plantas indicadas para cada categoria estão agrupadas. Numero de plantas citadas por categoría A= Amaci B= Banho C= Defumador D= Medicinal E= Sacudimento F= Culinária G= Assentamento H= Iniciação I= Ornamental J= Ebós e Cerimônias 20 Figura 2 – Número de citações por categoria de uso. 74 6 46 5 14 49 28 9 14 0 10 20 30 40 50 60 70 80 J I H G F E D C B A Categorías Número de citação
  • 21. 21 As categorias são; A) amací: compreende um preparado especial à base de ervas maceradas em água. É usado para banhar os iniciados. Uma grande variedade de ervas pode entrar na composição dos amacís. A seleção das espécies é feita pelo pai ou mãe de santo, respeitando o Orixá regente. Nesse sentido, as plantas que são empregadas no amací são aquelas que pertencem à divindade. A utilização do amací visa conferir maior interação entre o orixá e o iniciado, fortalecendo os laços. (Albuquerque, 1995). Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Abre caminho, Algodão e Colônia. B) banho: consiste de um ritual que visa fortalecer, limpar e proteger os adeptos (iniciados), ou visitantes que buscam ajuda nas casas de santo. O banho de limpeza possui grande popularidade cultural, por ser de fácil manipulação. Comumente são feitos com ervas indicadas pelos pais e mães de santo, maceradas com água fria e jogadas sobre o corpo. É importante ressaltar que não são todos os banhos indicados que podem ser usados para lavar a cabeça, sendo necessário à orientação direta dos pais e mães de santo. Vale ressaltar que há os banhos de atração, que são banhos relacionados a processo de conquista voltado para auxiliar relacionamentos. Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Comigo ninguém pode, Laranjeira e Manacá. C) defumador: é um preparado de ervas secas, com propriedades curativas e de proteção, sendo muito usado nesta categoria o Fumo (Nicotiana tabacum), associado á outras ervas. Representa traço marcante da cultura ameríndia adaptada aos cultos africanos no Brasil (Albuquerque, 1995).
  • 22. 22 Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Acóco, Alecrim e Cravo da Índia. D) medicinal: as plantas e seus empregos dentro dos cultos não se limitam ao uso ritualístico, sendo difundido o uso medicinal de algumas espécies. Comumente são plantas indicas na medicina popular. Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Canela, Guaco e Jenipapo. E) sacudimento: processos ritualísticos de limpeza, visando aliviar tensões locais e psicológicas, causadas por energias negativas acumuladas no individuo. Chamado de sacudimento por ser uma forma de balançar as energias, muito parecido com a popular “Benzedura”. Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Pequi, Mangueira espada e Espada de São Jorge. F) culinária: as comidas preparadas nas casas de santo possuem um valor sacral, ou seja, cada orixá possui sua comida, e tanto nas celebrações como nos rituais cotidianos, estes preparados culinários levam diversas plantas. Estas podem ser usadas para temperar, decorar e outros. Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Dendê, Folha da fortuna e Manjericão. G) assentamento e fundamento: objetos, símbolos e elementos necessários para estabelecer e representar o Orixá, é onde está assentado a sua força dinâmica, ficando depositado em locais específicos do terreiro; cada orixá possui seu espaço, sua casa, dentro do terreiro. Os fundamentos são as obrigações feitas para o orixá. Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Jaqueira, Louquinho miúdo e Erva vintém. H) iniciação: os rituais de iniciação possuem uma total complexidade de fundamentos, que são as bases da liturgia dos cultos afro-brasileiros. No processo
  • 23. de iniciação do filho de santo diversas plantas são utilizadas. São exemplos do emprego dos vegetais na iniciação; cama de folha do orixá, esteira, pós, entre 23 outros. Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Capeba, Graviola e Inhame. I) ornamental: esta categoria é destinada às plantas que são usadas na decoração da casa em dias de festa, celebrações, como também para a proteção da casa. As plantas são distribuídas em pontos estratégicos, em portas e na entrada do terreiro. Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Iroko, Jurema preta e Obi/ Noz de cola. J) ebós e Cerimônias: Nesta categoria, enquadram-se as plantas que são empregadas em Ebós. Os Ebós são trabalhos de complexa manipulação em locais fora do terreiro, popularmente chamados de “Despacho”. As plantas também são usadas em Celebrações ou ocasiões especiais, como por exemplo, as celebrações fúnebres. Há também bebidas que são preparadas para cerimônias com ingredientes de procedência vegetal e que possuem propriedades curativas. Exemplos de plantas citadas nesta categoria: Maracujá selvagem / ewe dan, Obò/Odán e Timbó. As plantas usadas nos cultos afros são empregadas nas preparações de amácis; banhos de defesa, de limpeza, de purificação. Em preparações de ambientes; de comidas; bebidas e remédios. Nas cremações em incensários, aromatizantes, e nos ritos e cultos diretos aos Orixás.
  • 24. 24 Dentre as dez categorias de uso, a mais citada foi o “Banho” (B), registrando 74 espécies destinadas a este emprego como mostrado na figura 2. A categoria que menos foi citada foi o “Sacudimento” (E) com um total de cinco plantas. Há também dentre as citações, plantas que são destinadas exclusivamente para a mesma aplicação, como é o caso do “Abre Caminho, Tira Teima ou Quebra Demanda”, da Família Lamiaceae, que foi indicada pelos cinco informantes para o mesmo uso. Temos outras que possuem uma aplicação diversificada, sendo citadas em mais de uma categoria, até preencher um total de seis aplicações como foi o caso do “Akokô” (Newbouldia laevis), que possui uma importância muito grande dentro do culto, pois os informantes relataram a necessidade de tê-la, para praticamente todos os tipos de trabalhos. A maioria das plantas é exótica ao bioma Cerrado ou ao Brasil. No presente levantamento pode-se verificar a presença de aproximadamente 14 plantas estão distribuídas no bioma Cerrado. São exemplos de espécies nativas que possuem aproveitamento nos cultos afro-brasileiros, o Pequi (Caryocar brasiliense), a Quaresmeira (Tibouchina granulosa), a Canela de Velho (Miconia albicans), o São Gonsalino (Casearia sylvestris) e o Jatobá (Hymenaea courbaril). O Pequi, além de sua importância e apreço alimentar, é utilizado em sacudimentos, assentamento e em banhos. É considerada uma planta com ligação ao Orixá Exu e é tida como quente e forte. A Quaresmeira é aplicada para se fazer cama de folha dos Orixás Omolu e Nanã. A Canela de Velho é muito utilizada em banhos de limpeza. O fruto do Jatobá possui funções ritualísticas, sendo utilizado em fundamentos do Orixá Xangô, como também o chá das folhas e a polpa do fruto possuem propriedades medicinais voltadas para problemas de anemia.
  • 25. As plantas exóticas são de origem africana como é o caso do Iroko (Chlorophora excelsa), que é considerada árvore sagrada pelos praticantes das religiões de matriz 25 africana. O uso de espécies originárias da África como a Noz de cola ou Obi (Cola acuminata), é de grande significado etnobotânico, pela permanência como planta tradicional e de uso obrigatório em algumas situações ritualísticas (Albuquerque, 1995). Segundo Albuquerque (1997) a família Lamiaceae apresenta grande aceitação para usos ritualísticos, principalmente em banhos, devido ao seu potencial aromático. Para 12 nomes citados na Tabela - 2, não foi possível identificar as espécies correspondentes devido à dificuldade em encontrar material botânico. Verificaram-se casos em que o mesmo nome popular é utilizado para plantas distintas, em outros casos as plantas recebem o mesmo nome popular, talvez pela semelhança botânica, como é o caso do (Piper arboreum) e o (Piper aromaticum) “Pimenta de Macaco”. As duas são de mesma família (Piperaceae) e são em comum utilizadas para banhos As plantas que obtiveram maior importância relativa de uso foram: Boldo ou Tapete de Oxalá (Plectranhtus barbatus) (100), Abre Caminho (indeterminada) (100), Colônia (Alpinia zerumbet) (80), Folha da fortuna (Bryophyllum pinnatum) Oken) (80), Alecrim (Rosmarinus officinalis)(80), Acocô (Newbouldia laevis) (80), Boldo do Chile (Plectranthus neochilus) (60), todas espécies exóticas cultivadas, o que demonstra a conservação das espécies nos cultos. A preservação do conhecimento sobre o uso dessas plantas, leva a crer que mesmo as migrações dos praticantes e dos sacerdotes para outros estados como o DF e Entorno, comparando estes aos historicamente mais tradicionais como Bahia e Recife, mostra que o processo de consolidação do culto no contexto do uso de plantas vem sendo mantido.
  • 26. A família Lamiaceae (Labiatae) foi a que apresentou maior diversidade, com dez espécies e sete gêneros; seguida de Asteraceae (Compositae) com sete espécies e seis gêneros; Piperaceae com cinco espécies e dois gêneros; Moraceae, Anacardiaceae e Euphorbiaceae com quatro espécies e quatro gêneros; Dracaenaceae com três espécies e dois gêneros; Lauraceae com três espécies e três gêneros; Leguminosae com três espécies e dois gêneros; Solanaceae com três espécies e três gêneros; as demais com um registro 26 de espécie (Tabela - 1). Albuquerque (1999) relata que a freqüência de algumas espécies nos estudos feitos em casas de santo no Brasil se mostra constante, como o Kalanchoe brasiliensis (Saião ou Folha-da-costa), Rosmarinus officinalis (Alecrim) e a Cola acuminata (Obi ou Noz de cola). Muitas das espécies vegetais utilizadas nos cultos afros são também utilizadas popularmente em diversas regiões do país. Segundo Silva & Andrade (2006) em estudo etnobotânico com comunidades da região litorânea de Pernambuco, estas utilizam 372 espécies, alguns destas, como é o caso do Urucum (Bixa orellana), o Melão de São Caetano (Mormodica charantia ), Pinhão roxo (Jatropha gossypiifolia), Liamba (Vitex agnus-castus) dentre outras, são citadas no presente trabalho. Outros trabalhos elaborados dentro do contexto de plantas empregadas nos cultos afros, descrevem o uso terapêutico, como Camargo (1998), que cita este emprego para espécies como a Liamba (Vitex agnus-castus), a Jurema (Mimosa hostilis Benth.) e a Arruda (Ruta graveolens). Segundo Azevedo (2006), o uso de algumas espécies é bem difundido pelos praticantes dos cultos afros em cidades como a do Rio de Janeiro. Comparado o uso de algumas espécies neste trabalho, vimos que espécies como a Colônia (Alpinia zerumbet),
  • 27. a Aroeira (Schinus terebinthifolius) e o Alecrim (Rosmarinus officinalis) são 27 freqüentemente citadas para o uso religioso (Azevedo, 2006). Embora algumas espécies nativas de cerrado não tenham atingido os índices mais altos de importância relativa de uso, o fato de estarem presentes nos cultos e de serem citadas, para usos diversificados, pode indicar que estas plantas foram adaptadas ou absorvidas pelos cultos, seja pela ausência de outras plantas ou pela incorporação destas aos mesmos. Exemplos destas plantas são: a Quaresmeira (Tibouchina granulosa), a Canela de Velho (Miconia albicans) e o Jatobá (Hymenaea courbaril). De acordo com Trindade et al. (2000), os vegetais cultivados têm um emprego sacro no candomblé, entretanto afirmam que a utilização de vegetais colhidos em área não cultivada é indispensável ao culto religioso.
  • 28. Tabela 1 – Famílias botânicas, nome científico e respectivo nome popular das plantas utilizada nos cultos afro-brasileiros no DF e Entorno; 28 Família Nome cientifico Nome popular Aloaceae Aloe arborescens Mill. Babosa Amaranthaceae Alternanthera dentata (Moench) Stuchl. Terramicina, Penicilina ou Ewe lebo Anacardiaceae Astronium fraxinifolium Schott Mangifera indica L. Schinus terebinthifolius Raddi Spondias mombin L. São Gonsalino Mangueira Aroeira Cajá Annonaceae Annona muricata L. Xylopia aromatica Mart. Graviola Pindaíba ou Lelecum Apiaceae Foeniculum vulgare Mill. Erva doce Apocynaceae Allamanda puberula A.DC. Peltastes isthmicus Woodson Ewe seré Inhame Araceae Dieffenbachia amoena Hort. ex Gentil Pistia stratiotes L. Comigo ninguém pode Alface d’ água / Ojouri Arecaceae Elaeis guineensis Jacq. Dendê Asteraceae Bidens pilosa L. Melampodium divaricatum DC. Mikania glomerata Spreng. Vernonia brasiliana (L.) Druce Vernonia condensata Baker Artemisia absinthium L. Centratrerum Cass. Carrapicho Oripepé Guaco Assa peixe Alumã / Ewe oro Absinto Balaio de velho Bignoniaceae Newbouldia laevis Seem. Tecoma stans (L.) H.B. & K. Akokô Trombeta Bixaceae Bixa orellana L. Urucum Caesalpinaceae Hymenaea courbaril L. Jatobá Caprifoliaceae Caprifoliaceae Sambucus L. Sambucus australis Cham. & Schltdl. Pararraio Sabugueiro Caryocaraceae Caryocar brasiliense St.Hil. Pequi Caryophyllaceae Drymaria cordata Willd. ex Schult. Erva Vintém Cecropiaceae Cecropia peltata L. Embaúba ou Pau Polvora Chrysobalanaceae Licania tomentosa Kuntze Oiti Costaceae Costus spicatus Sw. Cana-do-Brejo Crassulaceae Bryophyllum pinnatum Kurz Kalanchoe brasiliensis Cambess. Folha da fortuna Sião Cucurbitaceae Momordica charantia L. Melão de São Caetano Dracaenaceae Dracaena fragrans Ker Gawl.. Dracaena Vand. ex L. Sansevieria trifasciata Hort. ex Prain Peregum Amarelo Peregum Branco ou Pau D’ água Espada de São Jorge Euphorbiaceae Croton perdicipes St.Hil. Euphorbia tirucalli L. Jatropha gossypiifolia L. Ricinus communis L. Pé de Perdiz Aveloz ou Gravetinho Pinhão Roxo Mamona Flacourtiaceae Carpotroche brasiliensis Endl. Casearia sylvestris Sw. Mata Piolho São Gonsalino Geraniaceae Geranium moschatum Burm.f. Malva Rosa, Malva Cheirosa, Malva Lamiaceae Lavandula officinalis Chaix Melissa officinalis L. Ocimum basilicum L. Ocimum gratissimum L. Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng. Plectranthus barbatus Andrews Plectranthus neochilus Schltr. Pogostemon cablin Benth. Rosmarinus officinalis L. Lavanda do Campo Melissa Manjericão Alfavaca, Ewe kiiobis Hortelã da Folha Grossa Boldo ou Tapete de Oxalá Boldo do Chile Pacthuli Alecrim
  • 29. 29 Vitex agnus-castus L. Liamba Lauraceae Cinnamomum zeylanicum Blume Laurus nobilis L. Persea americana Mill. Canela Louro Abacate Leguminosae Caesalpinia ferrea Mart. Mimosa hostilis Benth. Mimosa L. Jucá ou Pau Ferro Jurema Preta Jurema Branca Liliaceae Cordyline terminalis Kunth Peregum Vermelho ou Peregum Roxo Loranthaceae Struthanthus flexicaulis Mart. Erva de passarinho Malvaceae Gossypium hirsutum L. Algodão Melastomataceae Miconia albicans Steud. Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. Canela de Velho Quaresmeira Moraceae Artocarpus integrifolius L.f. Chlorophora excelsa Benth. & Hook.f. Ficus doliaria Mart. Morus nigra L. Jaqueira Iroko Guameleira Amora Musaceae Musaceae Musa L. Bananeira Branca Myrtaceae Eugenia uniflora L. Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L.M.Perry Pitanga Cravo da Índia Nyctaginaceae Boerhavia diffusa L. Bredo de Santo Antônio ou Pega Pinto Oxalidaceae Averrhoa carambola L. Carambola Passifloraceae Passiflora edulis Sims Passiflora L. Maracujá Maracujá Selvagem Phytolaccaceae Petiveria alliacea L. Guiné ou Tipi Piperaceae Piper aduncum L. Piper arboreum Aubl. Piper aromaticum Willd. Piper tuberculatum Jacq. Pothomorphe umbellata (L.) Miq. Bete fêmea / Pimenta de macaco Bete cheiroso / Bete macho João Barandi/ Pimenta de macaco Jaborandi (Falso - Jaborandi) Capeba Plumbaginaceae Plumbago scandens L. Louquinho Miúdo Poaceae Saccharum officinarum L. Cana de Exu Punicaceae Punica granatum L. Romã Rosaceae Rosa alba L. Rosa Branca Rubiaceae Coffea arabica L. Genipa americana L. Café Jenipapo Rutaceae Ruta graveolens L. Arruda Solanaceae Brunfelsia uniflora D.Don Nicotiana tabacum L. Solanum lycocarpum A.St.-Hil. Manacá Fumo ou Tabaco Lobeira Sterculiaceae Cola acuminata Schott & Endl. Noz de cola ou Obi Verbenaceae Lippia alba (Mill.) N.E.Br. ex Britton & P.Wilson Erva Cidreira Vitaceae Cissus verticillata (L.) Nicolson & C.E.Jarvis Insulina Zingiberaceae Alpinia zerumbet (Pers.) B.L.Burtt & R.M.Sm. Hedychium coronarium J.Koenig Colônia Lírio Branco
  • 30. 30 Tabela 2 - Plantas utilizadas tradicionalmente nos cultos afro-brasileiros no Distrito Federal e Entorno, e seus respectivos usos; Convenção para categoria de uso: A= Amaci, B = Banho, C= Defumador, D= Medicinal, E= Sacudimento, F= Culinária, G= Assentamento, H= Iniciação, I= Ornamental, J= Ebós e Cerimônias Nº de usos = Número de uso citado. Nome popular ou ritualístico Nome científico Família A B C D E F G H I J Nº de usos CUP Fc CUPc Abacateiro Persea americana Miller Lauraceae X 1 100 0,2 20 Abre caminho / Quebra demanda / Tira teima Indeterminada Lamiaceae X 1 100 1,0 100 Acóco Newbouldia laevis Seem Bignoniaceae X X X X X X 6 66,6 0,8 53,28 Afomã/ Erva de passarinho Struthanthus flexicaulis Mart Loranthaceae X 1 100 0,2 20 Alecrim Rosmarinus officinalis L. Lamiaceae X X X X 4 100 0,8 80 Alecrim do Campo Indeterminada Indeterminada X X X 3 100 0,2 20 Alumã / Ewe oro Vernonia condensata Baker Asteraceae X 1 100 0,2 20 Alface d’ água / Ojouri Pistia stratiotes L. Araceae X X 2 100 0,2 20 Alfavacão / Alfavaca de caboclo/ Ocimum gratissimum L. Lamiaceae X X X X 4 100 0,6 60 Ewe kiiobis Alfazema Indeterminada Indeterminada X X X 3 100 0,2 20 Alfazema do Campo Lavandula officinalis Chaix Lamiaceae X 1 100 0,2 20 Algodão Gossypium hirsutum L. Malvaceae X X X X 4 100 0,4 40 Amora Morus nigra L. Moraceae X X X 3 100 0,4 40 Aroeira Schinus terebinthifolius Raddi Anacardiaceae X X X X 4 100 0,8 80 Arruda Ruta graveolens L. Rutaceae X X 2 100 0,2 20 Artemísia Artemisia absinthium L. Asteraceae X X 2 100 0,2 20 Assa peixe Vernonia brasiliana (L.) Druce Asteraceae X X 2 100 0,2 20 Aveloz / Gravetinho Euphorbia tirucali L. Euphorbiaceae X 1 100 0,2 20 Babosa / Flor da babosa Aloe arborescens Mill. Aloaceae X 1 100 0,4 40 Balaio de velho Centrathrerum Cass. Asteraceae X X X 3 100 0,6 60 Bananeira Branca Musa sp. Musaceae X 1 100 0,2 20 Bete cheiroso / Bete macho Piper arboreum Aubl. Piperaceae X X X 3 100 0,4 40 Bete fêmea / Pimenta de macaco Piper aduncum L. Piperaceae X X X 3 66,6 0,2 53,68 Boldo ou Tapete de Oxalá Plectranhtus barbatus Andrews Lamiaceae X X X X 4 100 1,0 100 Boldo do Chile Plectranthus neochilus Schltr. Lamiaceae X X X X 4 100 0,6 60 Bredo de santo Antonio / Pega pinto Boerhavia diffusa L. Nyctaginaceae X X 2 100 0,2 20 Café Coffea arabica L. Rubiaceae X X X 3 100 0,4 40 Cajá Spondias mombin L. Anacardiaceae X X X X 4 100 0,2 20 Cana de exu Saccharum officinarum L. Poaceae X X 2 100 0,2 20 Cana do Brejo / Canela de índio Costus spicatus (Jacq.) Sw. Costaceae X X X X 4 100 0,6 60
  • 31. 31 Nome popular ou ritualístico Nome científico Família A B C D E F G H I J Nº de ind. CUP Fc CUPc Câncerosa Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 Candeia branca Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 Canela Cinnamomum zeylanicum Breyn. Lauraceae X X X X X 5 100 0,6 60 Canela de velho Miconia albicans Steud. Melastomataceae X 1 100 0,4 40 Capeba Pothomorphe umbellata (L.) Miq. Piperaceae X X X X 4 100 0,4 40 Carambola Averrhoa carambola L. Oxalidaceae X X 2 100 0,2 20 Carrapicho Bidens pilosa L. Asteraceae X X 2 100 0,4 40 Chega até mim Indeterminada Indeterminada X 1 100 0,2 20 Colônia Alpinia zerumbet (Pers.) B.L.Burtt & R.M.Sm. Zingiberaceae X X X X X 5 100 0,8 80 Comigo ninguém pode Dieffenbachia amoena Hort. ex Gentil Araceae X 1 100 0,6 60 Corredeira branca Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 Cravo da Índia Syzygium aromaticum ( L. ) Merr. & L.M.Perry Myrtaceae X X X X 4 100 0,2 20 Dama da noite Indeterminada Indeterminada X 1 100 0,2 20 Dandá d’ água Indeterminada Indeterminada X 1 100 0,2 20 Dandá d’ terra Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 Dendê Elaeis guineensis Jacq. Arecaceae X X 2 100 0,2 20 Embaúba / pau polvora Cecropia peltata Trecúl Cecropiaceae X X 2 100 0,2 20 Erva cidreira Lippia alba (Mill.) N.E.Br. ex Britton & P.Wilson Verbenaceae X X 2 100 0,6 60 Erva doce Foeniculum vulgare Mill. Apiaceae X X 2 100 0,2 20 Erva tostão Boerhavia diffusa L. Nyctaginaceae X 1 100 0,2 20 Erva vintém Drymaria cordata (L.) Roem. & Schult. Caryophyllaceae X X X 3 100 0,2 20 Espada de São Jorge Sansevieria trifasciata Hort. ex Prain Dracaenaceae X 1 100 0,4 40 Ewe seré Alamanda puberula A.DC. Apocynaceae X X 2 100 0,2 20 Folha da fortuna Bryophyllum pinnatum (Lam.) Oken Crassulaceae X X X X X 5 100 0,8 80 Fumo Nicotiana tabacum L. Solanaceae X 1 100 0,2 20 Gameleira Ficus doliaria Mart. Moraceae X X 2 100 0,4 40 Graviola Annona muricata L. Annonaceae X 1 100 0,2 20 Guaco Mikania glomerata Spreng. Asteraceae X X 2 100 0,2 20 Guiné / Tipi Petiveria alliacea L. Phytolaccaceae X 1 100 0,4 40 Hortelã da folha grossa Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng. Lamiaceae X 1 100 0,2 20 Inhame Peltaste isthmicus Woodson Apocynaceae X 1 100 0,2 20 Insulina Cissus verticillata (L.) Nicolson & C.E.Jarvis Vitaceae X 1 100 0,4 40
  • 32. 32 Nome popular ou ritualístico Nome científico Família A B C D E F G H I J Nº de ind. CUP Fc CUPc Iroko Chlorophora excelsa Benth. & Hook.f. Moraceae X X 2 100 0,2 20 Jaborandi (Falso - Jaborandi) Piper tuberculatum Jacq. Piperaceae X X X 3 100 0,4 40 Jambo Indeterminada Indeterminada X 1 100 0,2 20 Jaqueira Artocarpus integrifolius L.f. Moraceae X 1 100 0,2 20 Jatobá Hymenae courbaril L. Caesalpinaceae X X 2 100 0,2 20 Jenipapo Genipa americana L. Rubiaceae X X X 3 100 0,2 20 João Barandi/ Pimenta de macaco Piper aromaticum Willd. Piperaceae X 1 100 0,4 40 Jucá / pau ferro Caesalpinia ferrea Mart. Leguminosae X X 2 100 0,4 40 Jurema branca Mimosa sp. Mimosaceae X X 2 100 0,2 20 Jurema preta / Jurema sagrada Mimosa hostilis Benth. Mimosaceae X X X X 4 100 0,6 60 Laranjeira Citrus sinensis L. Rutaceae X 1 100 0,2 20 Liamba Vitex agnus-castus L. Lamiaceae X X 2 100 0,4 40 Lírio branco Hedychium coronarium J.Koenig Zingiberaceae X X 2 100 0,4 40 Lobeira Solanum lycocarpum A.St.-Hil. Solanaceae X X 2 100 0,4 40 Louquinho miúdo Plumbago scandens L. Plumbaginaceae X 1 100 0,2 20 Louro Laurus nobilis L. Lauraceae X X X 3 100 0,2 20 Malva Cheirosa / Malva Rosa Geranium moschatum Burm.f. Geraniaceae X X X 3 100 0,6 60 Mamona Ricinus communis L. Euphorbiaceae X 1 100 0,2 20 Manacá Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don Solanaceae X 1 100 0,2 20 Mangueira Espada Mangifera indica L. Anacardiaceae X X X X 4 100 0,4 40 Manjericão / Manjericão Miúdo Ocimum basilicum L. Lamiaceae X X X 3 100 0,4 40 Maracujá Passiflora edulis Sims. Passifloraceae X 1 100 0,2 20 Maracujá selvagem / ewe dan Passiflora sp. Passifloraceae X X X 3 100 0,2 20 Mata piolho Carpotroche brasiliensis Endl. Flacourtiaceae X X 2 100 0,2 20 Melão de São Caetano Momordica charantia L. Cucurbitaceae X X 2 100 0,2 20 Melissa Melissa officinalis L. Lamiaceae X X X 3 100 0,2 20 Obi/ Noz de cola Cola acuminata Schott & Endl. Sterculiaceae X X X X X X 6 100 0,2 20 Obò/Odán Peltastes isthmicus Woodson Apocynaceae X X X X X X 6 100 0,6 60 Oiti Licania tomentosa Kuntze ou Fritsch Chrysobalanaceae X 1 100 0,2 20 Onda do mar Indeterminada Indeterminada X X 2 100 0,2 20 Oripepé Melampodium divaricatum DC. Meliaceae X X 2 100 0,2 20 Pacthuli Pogostemon cablin Benth. Lamiaceae X X 2 100 0,2 20 Pararraio Melia azedarach L. Caprifoliaceae X X 2 100 0,2 20 Pé de perdiz Croton perdicipes A. St.-Hil. Euphorbiaceae X X 2 100 0,2 20
  • 33. 33 Nome popular ou ritualístico Nome científico Família A B C D E F G H I J Nº de ind. CUP Fc CUPc Pequi Caryocar brasiliense St.Hil. Caryocaraceae X X X X 4 100 0,4 40 Peregum Amarelo Dracaena fragans Ker Gawl. Dracaenaceae X 1 100 0,2 20 Peregum Branco / Peregum / Pau d’água / peregum verde Dracaena sp. Dracaenaceae X X X X X X 6 66,6 0,6 53,28 Peregum Vermelho / Roxo Cordyline terminals (L.) Kunth Liliaceae X X X X X 5 100 0,4 40 Pindaíba / lelecum Xylopia aromatica Mart. Annonaceae X X 2 100 0,2 20 Pinhão roxo Jatropha gossypiifolia L. Euphorbiaceae X X X 3 100 0,4 40 Pitanga Eugenia uniflora L. Myrtaceae X X 2 100 0,2 20 Quaresmeira Tibouchina granulosa Cogn. ex Britton Melastomataceae X 1 100 0,2 20 Romã Punica granatum L. Punicaceae X X 2 100 0,2 20 Rosa branca Rosa alba L. Rosaceae X X 2 100 0,2 20 Sabugueiro Sambucus australis Cham. & Schltdl. Caprifoliaceae X X X X 4 100 0,4 40 Saião Kalanchoe brasiliensis Camb. Crassulaceae X X 2 100 0,2 20 São Gonçalinho Casearia sylvestris Sw. Flacourtiaceae X X X 3 100 0,2 20 São Gonsalinho Astronium fraxinifolium Schott Anacardiaceae X X 2 100 0,2 20 Terramicina/ Penicilina vegetal / Alternanthera dentata (Moench) Stuchlik Amaranthaceae X X X 1 100 0,4 40 Ewe lebo Timbó Serjania lethalis Sapindaceae X 1 100 0,2 20 Trombeta Tecoma stans (L.) H.B. & K. Bignoniaceae X X 2 100 0,2 20 Urucum Bixa orellana L. Bixaceae X X X 3 100 0,4 40
  • 34. 34 C - LISTA DAS ESPÉCIES E DESCRIÇÃO DE USO 1. Abacateiro Família: Lauraceae Nome científico: Persea americana Miller Parte usada: Folha e fruto. Restrição de uso: Não foi informada. Uso ritualístico: Não indicado Outros empregos: Folha usada em forma de cataplasma na cabeça, para dores na mesma e os frutos são considerados bons para os rins. Categoria: D 2. Abre caminho / Quebra demanda / Tira teima Família: Lamiaceae Nome científico: Indeterminada Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, e utilizada em banhos de limpeza. Ebós e assentamento. Outros empregos: Não informado. Categoria: B 3. “Acocô” Família: Bignoniaceae Nome científico: Newbouldia laevis Seem. Parte usada: Folha
  • 35. 35 Restrição de uso de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Assentamento de todos os Orixás, iniciação e matança. Utilizada junto ao “Óbó”, em “Ebós” para atrair dinheiro. Planta macerada com água fria, e utilizada em banhos de limpeza junto ao “Óbó”. Folha seca usada como defumador. Outros empregos: Enfeitar pratos. Categoria: B, C, F, G, H, J. 4. Afomã ou Erva de passarinho Família: Loranthaceae Nome científico: Struthanthus flexicaulis Mart. Parte usada: Folha e flores. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada e cozida, utilizada em banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado. Categoria: B. 5. Alecrim Família: Lamiaceae Nome científico: Rosmarinus officinalis L. Parte usada: Folha e caule. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Folha usada como defumador.
  • 36. Outros empregos: O chá é usado como calmante e cicatrizante. A folha cozida combate à 36 queda de cabelo. A planta também é utilizada como tempero. Categoria: B, C, D, F. 6. Alecrim do campo Família: Indeterminada Nome científico: Indeterminada Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Folha usada como defumador. Cama de folha para o Orixá Ogum. Outros empregos: Não informado. Categoria: B, C, G. 7. Alface d’água / “Ojuori” Família: Araceae Nome científico: Pistia stratiotes L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e de atração. Outros empregos: Usada para lavar os olhos em casos de inflamações. Categoria: B, D. 8. Alfavaca / Alfavacão / Alfavaca de Caboclo / “Ewé Kiiobis” Família: Lamiaceae Nome científico: Ocimum gratissimum L.
  • 37. 37 Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, e no assentamento para o Orixá Oxossi. Outros empregos: O chá é usado contra gripe, pode ser usado associado ao manjericão. Folha usada como tempero para carne. Categoria: B, G, D, F. 9. Alfazema Família: Indeterminada Nome científico: Indeterminada Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, Amaci e atração. Folha usada como defumador. Outros empregos: Não informado. Categoria: A, B, C. 10. Alfazema do campo Família: Lamiaceae Nome científico: Lavandula officinalis Chaix Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado. Não informado.
  • 38. 38 Categoria: B. 11. Algodão Família: Malvaceae Nome científico: Gossypium hirsutum L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e Amacis. Cama de folha de Orixá. Associada a folha da Aroeira e Alfazema, maceradas e cozidas em banhos de limpeza. Outros empregos: O chá é usado para combater infecções uterinas. Categoria: A, B, D, G. 12. Alomã / Ewé oro Família: Asteraceae Nome científico: Vernonia condensata Baker Parte usada: Folhas Restrição de uso: Não indicado Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do Orixá Omolu. Outros empregos: O chá é usado para combater cólicas intestinais, problemas de estomago, fígado e dores de barriga. Categoria: D 13. Amora Família: Moraceae
  • 39. 39 Nome científico: Morus nigra L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não indicado Uso ritualístico: Utilizado em fundamentos para Eguns, sacudimento, limpeza do lar e obrigação fúnebre. Outros empregos: O chá é usado como regulador hormonal para menopausa e insônia. Categoria: E, G, J. 14. Aroeira Família: Anacardiaceae Nome científico: Schinus terebinthifolius Raddi Parte usada: Folha Restrição de uso: Colher antes do nascer do sol. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Iniciação, Amaci, sacudimento, cama de folha e assentamento do Orixá Ogum. Outros empregos: Não informado. Não indicado. Categoria: A, B, H, E, G. 15. Arruda Família: Rutaceae Nome científico: Ruta graveolens L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não lavar a cabeça durante o banho e o chá possuí propriedades abortivas. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Chá para gargarejo contra infecções na boca.
  • 40. 40 Categoria: B, D. 16. Artemísia Família: Asteraceae Nome científico: Artemisia absinthium L. Parte usada de uso: Folha Restrição de uso: Planta abortiva e tóxica, quantidade máxima de três xícaras de chá por dia. (Lorenzi, 2002). Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento para o Orixá Oxum e Iemanjá. Outros empregos: Não informado. Não indicado. Categoria: B, G. 17. Assa peixe Família: Asteraceae Nome científico: Vernonia brasiliana (L.) Druce Parte usada: Folha Restrição de uso: Não indicado Uso ritualístico: Limpeza da casa em celebrações fúnebres. Outros empregos: Usada na elaboração de xarope para gripe. Categoria: D, J. 18. Aveloz / Gravetinho Família: Euphorbiaceae Nome científico: Euphorbia tirucali L. Parte usada: Folha
  • 41. 41 Restrição de uso: Planta tóxica Uso ritualístico: Utiliza em assentamento para o Orixá Exu. Outros empregos: Não informado. Não indicado. Categoria: G. 19. Babosa Família: Aloaceae Nome científico: Aloe arborescens Mill. Parte usada: Folha e Flor Restrição de uso: Não indicado Uso ritualístico: Outros empregos: É usada a baba que há entre as folhas para o cabelo, faz –se banho de assento para problemas de hemorróida, e o chá das flores é usado para combater pneumonia. Categoria: D 20. Balai de velho, Balaim de velho e Balaio. Família: Asteraceae Nome científico: Centratherum sp. Parte usada: Folha, raiz e flores. Restrição: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, em assentamentos e fundamentos. Outros empregos: É utilizado o chá da raiz, das flores e das folhas para curar problemas orgânicos. Categoria: B, D, G.
  • 42. 42 21. Bananeira Branca Família: Musaceae Nome científico: Musa sp. Parte usada: Folha Restrição de uso: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Uso ritualístico: Outros empregos: A folha é utilizada para enrolar a comida chamada de Acaçá. Categoria: F. 22. Bete Cheiroso, Bete Macho e Abranda Mundo. Família: Piperaceae Nome científico: Piper arboreum Aubl. Parte usada: Folha Restrição: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento e iniciação para todos os orixás. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G, H. 23. Bete Fêmea ou Pimenta de Macaco Família: Piper aduncum L. Nome científico: Piperaceae Parte usada: Folha e fruto. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
  • 43. Uso ritualístico: A folha da planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. 43 Assentamento e iniciação para Iemanjá. Os frutos são utilizados em fundamentos. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G, H. 24. Boldo ou Tapete de Oxalá Família: Lamiaceae Nome científico: Plectranhtus barbatus Andrews Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria para banhos de limpeza e dor de cabeça, assentamentos, fundamentos e iniciação de filhos de Oxalá. Outros empregos: O chá é utilizado para combater problemas de fígado e estômago. Categoria: B, D, G, H. 25. Boldo do Chile Família: Lamiaceae Nome científico: Plectranthus neochilus Schltr. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, cama de Orixá para Nanã, Oxalá e Oxumaré. Outros empregos: O chá é utilizado para combater problemas de fígado e estômago. Categoria: B, G, H. 26. Bredo de Santo Antonio Pega Pinto ou Ewé Tipola
  • 44. 44 Família: Nyctaginaceae Nome científico: Boerhavia diffusa L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do Orixá Ogum. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G. 27. Café Família: Rubiaceae Nome científico: Coffea arabica L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em cerimônias fúnebres. Também utilizada em rituais para Ossanha. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G, H. 28. Cajá Família: Anacardiaceae Nome científico: Spondias mombin L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
  • 45. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, entra em todos os 45 banhos, fundamentos e Amacís. Outros empregos: Não informado Categoria: A, B, G, H. 29. Cana de Exú Família: Poaceae Nome científico: Saccharum officinarum L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento e Ebós para o Orixá Exu. Outros empregos: Não informado Categoria: B, J. 30. Cana do Brejo ou Canela de índio. Família: Costaceae Nome científico: Costus spicatus (Jacq.) Sw. Parte usada: Folha, raiz, frutos e galhos. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, cama de folha para Nanã, Oxumaré e Oxalá. Utilizada no Amací do Candomblé de Jurema. Outros empregos: O chá da folha combate problemas renais. Categoria: A, B, D, H.
  • 46. 46 31. Câncerosa Família: Indeterminada Nome científico: Indeterminada Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos, é uma planta tóxica. Uso ritualístico: Planta utilizada em Ebós para o Orixá Omolu. Outros empregos: Faz-se remédio para câncer. Categoria:D, J. 32. Candeia Branca Família: Indeterminada Nome científico: Indeterminada Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do Orixá Oxalá e Exu. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G. 33. Canela Família: Lauraceae Nome científico: Cinnamomum zeylanicum Breyn. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
  • 47. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, fundamentos, 47 Amaci e também é usada para forrar o chão em dias de festivos. Outros empregos: O chá é muito apreciado usado para Problemas de estômago. Categoria: A, B, D, G, I. 34. Canela de velho Família: Melastomataceae Nome científico: Miconia albicans Steud. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado. Não informado Categoria: B. 35. Capeba Família: Piperaceae Nome científico: Pothomorphe umbellata (L.) Miq. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento, iniciação e em cerimônias fúnebres. Outros empregos: Não informado. Não informado Categoria: B, G, H, J. 36. Carambola Família: Oxalidaceae
  • 48. 48 Nome científico: Averrhoa carambola L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e cerimônias. Outros empregos: Chá utilizado para problemas renais. Categoria: B, J. 37. Carrapicho ou Carrapicho Rasteiro Família: Asteraceae Nome científico: Bidens pilosa L. Parte usada: Folha, raiz e flor. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do Orixá Omolu. Outros empregos: Chá é utilizado para dar banhos em crianças com icterícia e para combater infecções uterinas. Categoria: B, D. 38. Chega até mim Família: Indeterminada Nome científico: Indeterminada Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de atração. Outros empregos: Não informado.
  • 49. 49 Categoria: B. 39. Colônia Família: Zingiberaceae Nome científico: Alpinia zerumbet (Pers.) B.L.Burtt & R.M.Sm. Parte usada: Folha, raiz e flor. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, Amací e iniciação. Cama de folha para o Orixá Oxum. Assentamento dos Orixás Oxalá e Nanã. Outros empregos: O chá da raiz e folhas é usado para problemas renais, como tônico cardíaco e calmante. O chá das flores é usado para diabetes. Categoria: A, B, D, G, H. 40. Comigo ninguém pode Família: Araceae Nome científico: Dieffenbachia amoena Hort. Ex Gentil Parte usada: Folha Restrição de uso: Pode causar irritação na pele, coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado Categoria: B. 41. Corredeira branca Família: Indeterminada Nome científico: Indeterminada
  • 50. 50 Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento de Omolu. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G. 42. Cravo da Índia Família: Myrtaceae Nome científico: Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L.M.Perry Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, defumador, cama de folha para Orixá Omolu. Outros empregos: Chá utilizado para cólicas menstruais e para diminuir o fluxo da menstruação. Categoria: B, C, D, H. 43. Dandá d' terra Família: Indeterminada Nome científico: Indeterminada Parte usada: Raiz Restrição de uso: Não informado Uso ritualístico: Fundamento usando a batata ralada para o Orixá xangô. Outros empregos: Não informado
  • 51. 51 Categoria: G 44. Dandá d' água Família: Indeterminada Nome científico: Indeterminada Parte usada: Raiz Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Fundamento e banho usando a batata ralada para o Orixá Oxalá. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G. 45. Dama da noite Família: Indeterminada Nome científico: Indeterminada Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banha de atração. Outros empregos: Não informado Categoria: B. 46. Dendê Família: Arecaceae Nome científico: Elaeis guineensis Jacq. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não indicado.
  • 52. Uso ritualístico: As folhas são utilizadas para decorar a casa nos dias festivos. O azeite é 52 apreciado no preparo de alguns pratos, podendo ou não ser usado de acordo com o Orixá. Outros empregos: Não informado Categoria: F, I. 47. Embaúba ou Pau Pólvora Família: Cecropiaceae Nome científico: Cecropia peltata Trecúl Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banha de limpeza, assentamento para os Orixás Xangô e Obá. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G. 48. Erva Doce Família: Apiaceae Nome científico: Foeniculum vulgare Mill. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Defumador Outros empregos: O chá é utilizado como calmante. Categoria: C, D 49. Erva Cidreira Família: Verbenaceae
  • 53. 53 Nome científico: Lippia alba (Mill.) N.E.Br. Ex Britton & P.Wilson Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Amaci. Outros empregos: O chá é utilizado como calmante e alívio em problemas cardíacos, combater gripe e o mal-estar. Categoria: A, D. 50. Erva Tostão Família: Nyctaginaceae Nome científico: Boerhavia diffusa L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Amaci Outros empregos: Não informado Categoria: A. 51. Erva Vintém Família: Caryophyllaceae Nome científico: Drymaria cordata (L.) Roem. & Schult. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento e Ebós ao Orixá Xangô. Outros empregos: Não informado
  • 54. 54 Categoria: B, G, J. 52. Espada de São Jorge Família: Dracaenaceae Nome científico: Sansevieria trifasciata Hort. Ex Prain Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Sacudimento Outros empregos: Não informado Categoria: E 53. Ewe sere Família: Apocynaceae Nome científico: Alamanda puberula A.DC. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento para o Orixá Xangô. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G. 54. Folha da Fortuna Família: Crassulaceae Nome científico: Bryophyllum pinnatum (Lam.) Oken Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
  • 55. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, enfeitar comidas de Orixá, cama de folha para os Orixás Xangô e Oxalá, assentamento dos Orixás Ifá e Exu, em 55 Amaci e Iniciação. Outros empregos: Não informado Categoria: A, B, F, G, H. 55. Fumo ou Tabaco Família: Solanaceae Nome científico: Nicotiana tabacum L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. O uso indicado como presente no culto a Jurema. Outros empregos: Não informado Categoria: B. 56. Gameleira Família: Moraceae Nome científico: Ficus doliaria Mart. Parte usada: Folha Restrição de uso: Uso ritualístico: Amaci e em assentamento. É considerada uma folha sagrada do Orixá Iroko. Outros empregos: Não informado Categoria: A, G. 57. Graviola
  • 56. 56 Família: Annonaceae Nome científico: Annona muricata L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Uso ritualístico: Utilizada para preparar cama de folha, para o Orixá Iroko. Outros empregos: Não informado Categoria: H. 58. Guaco Família: Asteraceae Nome científico: Mikania glomerata Spreng. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado Uso ritualístico: Planta utilizada para preparar cama de folha. Outros empregos: O chá para combater gripe e problemas respiratórios. Categoria: D, H. 59. Guiné ou Tipi Família: Phytolaccaceae Nome científico: Petiveria amboinicus Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado Categoria: B.
  • 57. 57 60. Hortelã da folha graúda ou Hortelã da folha grossa Família: Lamiaceae Nome científico: Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Não informado Outros empregos: O chá é utilizado para combater gripe, resfriados. É indicado para ser utilizado junto ao mel, como um xarope. Categoria: D. 61. Inhame Família: Apocynaceae Nome científico: Peltaste isthmicus Woodson Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Planta utilizada para cama de folha do Orixá Ogum. Outros empregos: Não informado. Categoria: H. 62. Insulina Família: Vitaceae Nome científico: Cissus verticillata (L.) Nicolson & C. E. Jarvis Parte usada: Folha e gavinha. Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Não informado.
  • 58. 58 Outros empregos: Chá é utilizado para problemas de diabete Categoria: D. 63. Iroko Família: Moraceae Nome científico: Chlorophora excelsa Benth. & Hook. F. Parte usada: Folha Restrição de uso: Uso ritualístico: Planta utilizada para decoração e como cama de folha para o Orixá Iroko. Outros empregos: Não informado Categoria: H, I. 64. Jaborandi, Falso Jaborandi ou Pimenta de Macaco Família: Piperaceae Nome científico: Piper tuberculatum Jacq. Parte usada: Folha e flor. Restrição de uso: Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e para assentamento do Orixá e Oxossi. Outros empregos: A planta macerada com água fria é utilizada para os cabelos. Categoria: D, B, G. 65. Jambo Família: Planta não identificada. Nome científico: Planta não identificada Parte usada: Folha
  • 59. 59 Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Planta utilizada para fundamentos de Orixá. Outros empregos: Não informado Categoria: G. 66. Jaqueira Família: Moraceae Nome científico: Artocarpus integrifolius L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Planta utilizada para fundamentos e assentamento dos Orixás Iroko e Exu. Outros empregos: Não informado Categoria: G. 67. Jatobá Família: Caesalpinaceae Nome científico: Hymenae courbaril L. Parte usada: Folha e fruto Restrição de uso: Coletar as folhas antes do nascer do sol. Uso ritualístico: O fruto da planta é utilizado em fundamentos para o Orixá Xangô. Outros empregos: O chá e o fruto são indicados para problemas de anemia. Categoria: D, G. 68. Jenipapo Família: Rubiaceae Nome científico: Genipa americana L.
  • 60. 60 Parte usada: Folha e fruto Restrição de uso: Uso ritualístico: A folhas da planta é utilizada em fundamentos do Orixá Omolu. Outros empregos: O fruto associado com mel é indicado para combater anemia, quando usado pela manha em jejum. O fruto é muito apreciado na culinária como doce. Categoria: D, F, G. 69. João Barandi ou Pimenta de Macaco Família: Piperaceae Nome científico: Piper aromaticum Willd. Parte usada: Folha Restrição de uso: Uso ritualístico: Planta cozida em água, para banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado Categoria: B. 70. Jucá ou Pau Ferro Família: Leguminosaceae Nome científico: Caesalpinia ferrea Mart. Parte usada: Folha e casca. Restrição de uso: Coletar as folhas antes do nascer do sol. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza destinados ao Orixá Ogum. Outros empregos: O chá da casca é utilizado para diabetes. Categoria: B, D.
  • 61. 61 71. Jurema Branca Família: Mimosaceae Nome científico: Mimosa sp. Parte usada: Casca Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol. Uso ritualístico: A casca da planta é utilizada para elaborar bebida sagrada utilizada no Candomblé de Caboclo. Outros empregos: Não informado Categoria: D, J. 72. Jurema Preta Família: Mimosaceae Nome científico: Mimosa hostilis Benth. Parte usada: Casca e entre casca e raiz Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol. Uso ritualístico: A casca da planta é utilizada para elaborar bebida sagrada utilizada no Candomblé de Caboclo. A folha é utilizada no Amaci do Catimbó Jurema. Outros empregos: Planta ornamental. A entrecasca é utilizada para aliviar dor de dente, e para elaborar beberagem de propriedades curativas chamada "Jurema". Categoria: A, D, I, J. 73. Laranjeira Família: Rutaceae Nome científico: Citrus sinensis Osbeck
  • 62. 62 Parte usada: Flor Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Flor da planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado. Categoria: B. 74. Liamba Família: Verbenaceae Nome científico: Vitex agnus-castus L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de atração. Outros empregos: A folha da planta é utilizada na elaboração da beberagem "Jurema". Categoria: B, D. 75. Lírio Branco Família: Zingiberaceae Nome científico: Hedychium coronarium J. Koenig Parte usada: Folha Restrição de uso: Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza destinado ao Orixá Oxalá. Cama de folha do Orixá Oxalá. Outros empregos: Não informado Categoria: B, H. 76. Lobeira
  • 63. 63 Família: Solanaceae Nome científico: Solanum lycocarpum A. St. Hil. Parte usada: Folha, flor, raiz e fruto. Restrição de uso: Uso ritualístico: Planta utilizada em assentamento para o Orixá Exu. Outros empregos: O chá da folha é utilizado para fazer banho de assento para hemorróida. O fruto cozido é utilizado para diabete e o chá da flor para resfriado. Categoria: D, G. 77. Louquinho miúdo ou loquinho Família: Plumbaginaceae Nome científico: Plumbago scadens L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado Uso ritualístico: Assentamento do Orixá Exu. Outros empregos: Não informado Categoria: G. 78. Louro Família: Lauraceae Nome científico: Laurus nobilis L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Cama de folha o Orixá Iansã.
  • 64. Outros empregos: O chá da folha é utilizado para dores de cabeça. As folhas são usadas na 64 culinária como tempero. Categoria: B, D, H. 79. Malva, Malva Cheirosa ou Malva Rosa Família: Geraniaceae Nome científico: Geranium moschatum Burn. F. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e atração. Amaci. Outros empregos: O chá é utilizado para gripes e para infecções uterinas. Esta planta também é utilizada no culto Catimbó-Jurema. Categoria: A, B, D. 80. Mamona Família: Euphorbiaceae Nome científico: Ricinus communis L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Uso ritualístico: As folhas são utilizadas para enrolar acaçá do Orixá Exu. Outros empregos: Não informado Categoria: F. 81. Manacá Família: Solanaceae Nome científico: Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don
  • 65. 65 Parte usada: Folha e flor. Restrição de uso: Não informado Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado Categoria: B. 82. Mangueira Espada Família: Anacardiaceae Nome científico: Mangifera indica L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Amací, sacudimento e cama de folha para o Orixá Ogum. Outros empregos: Não informado Categoria: A, B, E, H. 83. Manjericão miúdo Família: Lamiaceae Nome científico: Ocimum basilicum L. Parte usada: Folha Restrição de uso: Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: O chá é utilizado para gripe e pode ser associado com alfavaca, às folhas também são usadas como tempero. Categoria: B, D, F.
  • 66. 66 84. Maracujá Família: Passifloraceae Nome científico: Passiflora edulis Sims. Parte usada: Folha Restrição de uso: Não informado Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado Categoria: B. 85. Maracujá selvagem ou Ewe dan Família: Passifloraceae Nome científico: Passiflora sp. Parte usada: Folha e galhos. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banho destinado ao Orixá Oxumaré. Ebós e assentamentos. Outros empregos: Não informado Categoria: B, G, J. 86. Mata piolho Família: Flacourtiaceae Nome científico: Carpotroche brasiliensis Endl. Parte usada: Folha Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
  • 67. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos destinados ao Orixá 67 Omolu.Assentamento Outros empregos: Não informado Categoria: B, G. 87. Melão de São Caetano Família: Cucurbitaceae Nome científico: Mormodica charantia L. Origem: Parte usada: Folha e galho. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: O chá pode ser usado como banho para aliviar irritações na pele e cabeça. Categoria: B, D. 88. Melissa, Ewe Cerim ou Folha de Ifá Família: Lamiaceae Nome científico: Melissa officinalis L. Parte usada: Folha, flor e galho. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Assentamento. Outros empregos: O chá é utilizado para problemas cardíacos. Categoria: B, D, G. 89. Obí ou Noz de Cola Família: Sterculiaceae
  • 68. 68 Nome científico: Cola acuminata Schott Endl. Parte usada: Folha e fruto. Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: As sementes possui propriedades curativas, acreditam que elas sejam rejuvenescedoras. O fruto é utilizado em todos os rituais para os Orixás. Outros empregos: As folhas são maceradas com água fria, para diminuir queda de cabelo. Categoria: A, D, G, H, I, J. 90. Obò ou Odán Família: Apocynaceae Nome científico: Peltastes isthmicus Woodson. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, cama de folha e para os Orixás Xangô e Oxum, utilizada em Ebós para chamar dinheiro, associada ao Acóco. Enfeitar pratos de oferenda. Assentamento do Orixá Xangô. Outros empregos: . Categoria: B, F, G, H, I, J. 91. Oiti Família: Chrysobalanaceae Nome científico: Licania tomentosa Kuntze Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos.
  • 69. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos destinados ao Candomblé de 69 Caboclo. Outros empregos: Não informado. Categoria: B. 92. Onda do mar Família: Não identificada. Nome científico: Não identificada. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em assentamento do Orixá Iemanjá. Outros empregos: Não informado. Categoria: B, G. 93. Oripepe Família: Asteraceae Nome científico: Melampodium divaricatum DC. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do Orixá Oxum. Outros empregos: relatado que a planta possui propriedades anestésicas. Categoria: B, D. 94. Pacthuli
  • 70. 70 Família: Lamiaceae Nome científico: Pogostemon cablin Benth. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, atração e assentamento do Orixá Oxum. Outros empregos: A planta macerada com água libera forte aroma, que é utilizado como aromatizante de roupas. Categoria: B, G. 95. Pararraio Família: Caprifoliaceae Nome científico: Melia azedarach L. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Não indicado. Uso ritualístico: Amací do Orixá Iansã. Outros empregos: O chá pode ser usado como banho para aliviar irritações na pele e cabeça. Categoria: A 96. Pé de perdiz Família: Euphorbiaceae Nome científico: Croton perdicipes A. St. Hill. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Amací do Orixá Iansã.
  • 71. Outros empregos: O chá pode ser usado como banho para aliviar irritações na pele e cabeça. 71 Categoria: A 97. Piqui ou Pequi Família: Caryocaraceae Nome científico: Caryocar brasiliense St.Hil Parte usada: Folha. Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Sacudimento e assentamento do Orixá Exu. Outros empregos: O chá pode ser usado como banho para aliviar irritações na pele e cabeça. Categoria: B, E, F, G. 98. Peregum amarelo Família: Dracaenaceae Nome científico: Dracaena fragans Ker Gawl. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Não informado. Uso ritualístico: Cama de folha para o Orixá Oxumaré. Outros empregos: Não informado. Categoria: H. 99. Peregum, Pau D' água, Peperegum ou Peregum Branco Família: Dracaenaceae Nome científico: Dracaena sp. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Não informado.
  • 72. Uso ritualístico: Cama de folha para o Orixá Oxalá, sacudimento, a folha da planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e assentamento do Orixá Oxossi e Ogum. Utilizada 72 em Ebós e como ornamental para proteção do terreiro. Outros empregos: Não informado. Categoria: B, E, G, H, I, J. 100. Peregum vermelho, Peperegum roxo ou Peregum roxo Família: Liliaceae Nome científico: Cordyline terminalis (L.) Kunth Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Usada para sacudimento. Banhos para Egum. Utilizada como ornamental para proteção do terreiro, para fazer cama ou esteira de Orixá. Outros empregos: Não informado. Categoria: B, E, G, H, I. 101. Pindaíba ou Lelecum Família: Annonaceae Nome científico:Xylopia aromatica Mart. Parte usada: Folha e sementes. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: A folha e o pó da semente é utilizado em assentamento. Outros empregos: Utilizada como tempero. Categoria: F, G.
  • 73. 73 102. Pinhão roxo ou Pião roxo Família: Euphorbiaceae Nome científico:Jatropha gossypiifolia L. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Planta tóxica não pode ser ingerida. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em assentamento do Orixá Ogum e Exu. Amaci. Outros empregos: Não informado. Categoria: A, B, G. 103. Pitanga Família: Myrtaceae Nome científico:Eugenia uniflora L. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Amací. Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Não informado. Categoria: A, B. 104. Quaresmeira Família: Melastomataceae Nome científico: Tibouchina granulosa Cogn. Ex Britton Parte usada: Folha. Restrição de uso: Não informado.
  • 74. 74 Uso ritualístico: Cama de folha do Orixá Omolu e Nanã. Outros empregos: Não informado. Categoria: H. 105. Romã Família: Punicaceae Nome científico:Punica granatum L. Parte usada: Folha e fruto Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Cama de folha para o Orixá Oxalá e Oxum. Outros empregos: O chá da casca do fruto é utilizado para inflamação na garganta, e contra gripe. A poupa que envolve a semente é utilizada para anemia. Categoria: D, H. 106. Rosa Branca Família: Rosaceae Nome científico: Rosa alba L. . Parte usada: Flor. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Flores da planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: O chá das flores pode ser tomado como calmante. Categoria: B, D. 107. Sabugueiro Família: Caprifoliaceae Nome científico: Sambucus australis Cham. & Schltdl.
  • 75. 75 Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Amací. Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Assentamento. Outros empregos: O chá é recomendado para gripe, resfriado, febre e sarampo. Também utilizar a planta macerada para cabelos, catapora. Categoria: A, B, D, G. 108. Saião Família: Crassulaceae Nome científico:Kalanchoe brasiliensis Camb. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Outros empregos: Chá é recomendado para cicatrização. Categoria: B, D. 109. São Gonsalinho Família: Flacourtiaceae Nome científico:Casearia sylvestris Sw. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em fundamentos. Outros empregos: As folhas cozidas são recomendadas para deixar o cabelo liso. Categoria: B, D, G.
  • 76. 76 110. São gonsalino Família: Anacardiaceae Nome científico: Astronium fraxinifolium Schott Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em assentamento de Ogum e Oxossi. Outros empregos: Não informado. Categoria: B, G. 111. Terramicina/ Penicilina vegetal / Ewe lebo Família: Amaranthaceae Nome científico: Alternanthera dentata (Moench) Stuchlik Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza, assentamento para o Orixá Oxum. Outros empregos: Chá é recomendado para infecção por possuir propriedades antiinflamatórias. Categoria: B, D, G. 112. Timbó Família: Sapindaceae
  • 77. 77 Nome científico: Serjania lethalis A.St.-Hil. Parte usada: Folha, flor, fruto, galho, raiz. Restrição de uso: Planta tóxica, não pode ser ingerida. Uso ritualístico: Planta utilizada em Ebós. Outros empregos: Não informado. Categoria: J. 113. Trombeta Família: Bignoniaceae Nome científico: Tecoma stans (L.) H.B. & K. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza e em cama de folha para os Orixás Oxossi e Oxum. Outros empregos: Não informado. Categoria: B, H. 114. Urucum Família: Bixaceae Nome científico:Bixa orellana L. Parte usada: Folha. Restrição de uso: Coletar antes do nascer do sol, quando usada para banhos. Uso ritualístico: Planta macerada com água fria, para banhos de limpeza. Assentamento e fundamento do Orixá Exu. Outros empregos: O fruto é utilizado como tempero.
  • 79. 79 CONCLUSÃO Foram estudadas 114 plantas, sendo 102 identificadas e 12 indeterminadas, pertencentes a 50 famílias botânicas, utilizadas em cinco casas de santo, distribuídas no Distrito Federal e Entorno. Isso demonstra uma grande diversidade de conhecimento e usos de plantas. Dentre as famílias botânicas, Lamiaceae, por suas propriedades aromáticas e seu fácil cultivo, foi a mais representativa, com 10 espécies registradas. Os vegetais utilizados foram enquadrados nas seguintes categorias de uso: amaci, banho, defumador, medicinal, sacudimento, culinária, assentamento, iniciação, ornamental, ebós e cerimônias, sendo que a categoria com maior número de indicação foi “Banhos”, na qual o uso dos vegetais para banhos de limpeza é muito difundido, por ser de fácil manipulação e podendo ser freqüentemente usado. A maior parte das espécies são exóticas cultivadas, sendo que grande parte destas foram trazidas pelos negros, isso demonstrando que os aspectos tradicionais da cultura afro nos cultos de matriz africana, vem conservando estas espécies, fortalecendo o processo da transmissão do conhecimento e, conseqüentemente, garantindo a importância das plantas nos cultos. A utilização de espécies nativas do bioma Cerrado reflete uma adaptação ou inclusão destas plantas nos cultos afro-brasileiros no DF e entorno, demonstrando a substituição de determinados recursos vegetais exóticos não disponíveis, por plantas nativas, o que pode estar determinando a constituição de um vínculo entre os cultos e o bioma, gerando novos conhecimentos e novas práticas. As plantas empregadas nos cultos são fundamentais e possuem um valor sagrado, sendo a elas dadas o título de possuidoras de energia (Axé) necessária para toda a variedade de trabalhos dentro dos cultos.
  • 80. 80 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO: AZEVEDO, S. K. S., SILVA, I. M. Plantas medicinais e de uso religioso comercializadas em mercados e feiras livres no Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Acta Bot. Bras., jan./mar. 2006, vol.20, no.1, ISSN 0102-3306. A Cor da Cultura. Disponível em http://www.acordacultura.com.br Acessado em 14 de agosto de 2006. Albuquerque, U. P. 1995. Formas de uso de espécies vegetais dos cultos Afro-brasileiros em Recife-PE. Biológica brasilica, 6(1/2):111-120. Albuquerque, U. P. 1999. Referências para o estudo da Etnobotânica dos descendentes culturais do africano no Brasil. Acta farmacêutica bonaerense. Vol. 18 Nº 4. Albuquerque, U. P. 1997. Levantamento das espécies vegetais empregadas nos cultos afro-brasileiros em Recife-PE. Biológica brasilica, V. 7. 14pp. Alcorn, J. B.1995. The scope and aims of ethnobotany in a developing world. In: Schultes, R.E.; Reis, S. V. (Ed.) Ethnobotany: evolution of a discipline. Portland: Dioscorides Press. 23 – 29pp.
  • 81. Amorozo, M.C.M. 1996. A abordagem etnobotânica na pesquisa de plantas medicinais. 81 In: Di Stasi, L. C (ed.) Plantas medicinais: arte e ciência. Ed. Unesp. Brasileirinho de Maria Bethânia. Disponível em www.mariabethania.com.br. Acessado em 20 de agosto de 2006. Camargo, M. T. L. de A., 1998. As plantas na medicina popular e nos rituais afro-brasileiros. Investigações folclóricas, Vol. 13, Buenos Aires, Argentina. Coelho, M. de A., 1996. Geografia do Brasil. 4. ed. Ver., atual. E ampl. –São Paulo: Moderna. 97 p. Fatumbi, P. V, 1995. Ewé: o uso das plantas na sociedade iorubá. São Paulo. Ed. Companhia das Letras. Conceição, M. 1980. As plantas medicinais no ano 2000. Brasília. Tao Livraria e Editora Ltda. Dias, B. F. S. 1990. Conservação da Natureza no Cerrado Brasileiro. In: Pinto, M. N., (org). Cerrado: Caracterização, ocupação e perspectiva. Brasília: UNB/SEMATEC.
  • 82. Machado, R.B., Ramos, Neto, M. B. Pereira, P.G.P., Caldas, E.F., Gonçalves, D.A., Santos, N.S. Tabor, K., Steininger, M. 2004. Estimativas de perda da área do Cerrado brasileiro. 82 Relatório Técnico. Conservação Internacional, Brasília, DF. Mendonça, R. C.; Felfili J. M.; Walter, B. M. T.; Silva Júnior, M. C.; Rezende A. V.; Figueiras T. S. & Silva, P. E. N., 1998. Flora vascular do cerrado. In: Sano, S. M., & Almeida, SD. P., (Eds). Cerrado: ambiente e flora. Planaltina, DF, Brasil: Embrapa- CPAC. Scariot, A., Souza-Silva, J. C., Felfili, J. M., (Org.) 2005. Cerrado: Ecologia, Biodiversidade e Conservação. Brasília: Ministério do Meio Ambiente. Silva, A. J. da R., Andrade, L. de H. C., 2006. Cultural significance of plantas in communities located in the coastal forest zone of the State of Pernambuco, Brazil. Human Ecology, Vol. 34, Nº 3, June 2006. Silva Júnior, M. C. da 2005. 100 Árvores do Cerrado: guia de campo. Brasília, Ed. Rede de Sementes do Cerrado. Posey, D. A. 1987. “Introdução – Etnobiologia: teoria e pratica”. In: Ribeiro, B. (org). SUMA Etnobiologia Brasileira. Vol. 1 (Etnobiologia) FINEP/Vozes, Petrópolis – RJ. Prandi, R. 2001. Mitologia dos Orixás. São Paulo. Ed. Companhia das Letras.
  • 83. Ribeiro, J. F., Silva, J. A. da Fonseca, C. E.I., Almeida, S.P., Proença, C.B., Silva, J.A., Sano, M. 1994. Espécies arbóreas de usos múltiplos na Região do Cerrado. In: Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais. Anais: EMBRAPA – CNPF, Porto Velho. v.1, p. 335- 83 356. Trindade, O.J.S.; Bandeira, F.B.; Rêgo, J.C.; Sobrinho, J.L.; Pacheco, L.M. & Barreto, M.M. 2000. Farmácia e Cosmologia: A Etnobotânica do Candomblé na Bahia. Etnoecológica 4(6): 11-32. Vasconcellos, A. G. 2003. Propriedade intelectual dos conhecimentos associados à biodiversidade, com ênfase nos derivados de plantas medicinais – desafio para a inovação biotecnologia no Brasil. Tese de Doutorado, Rio de Janeiro: Pós – Graduação do Programa de Biotecnologia Vegetal da Universidade Federal do Rio de Janeiro. P. 179 MapLink. Rotas entre cidades. Disponível em www.maplink.uol.com.br, acessado em 28 de outubro de 2006.
  • 84. 84 GLOSSÁRIO DE NOMES OU TERMOS AFRO-BRASILEIROS A Acaçá – bolinho de amido embrulhado em folha de bananeira Akokô ou Acóco – Planta usada na coroação de reis e sagração de sacerdotes de alta hierarquia. Aroni – duende de uma perna só que habita a floresta e conhece o uso das ervas. Angola - Culto afro-brasileiro de origem banto. Ariaxé - banho ritual realizada no período iniciático. Abô - preparado feito com folhas sagradas maceradas em água, visa conferir proteção. Assentamento - objetos, símbolos e de elementos da natureza que representam o orixá e onde está assentada sua força dinâmica, ficando depositados em locais apropriados no terreiro. Axé - força mágica, dinâmica e vitalizadora dos orixás; local sagrado; fundamento terreiro, força vital que transforma o mundo. B Babaojê - sacerdote do culto aos Eguns. Babalaô - Sacerdote de Ifá Babalorixá - Chefe do terreiro, o mesmo que Pai de Santo. Bori – sacrifício à cabeça; primeiro rito de iniciação no candomblé. C Caboclos - Espíritos cultuados nos candomblés de caboclo, Catimbós, Umbanda, e outros de influência ameríndia representam indígenas brasileiros que alcançaram uma certa posição espiritual. Casa de santo - Equivalente a terreiro ou casa de candomblé Catimbó - Culto afro-brasileiro de influência indígena Comida de santo - Alimentos votivos preparados especialmente para os Orixás. D Despacho - Oferenda aos Orixás. E Ebós – Sacrifício, oferenda, despacho.Ver despacho. Egum - Espírito de morto; ancestral. Exu – orixá mensageiro; dono das encruzilhadas e guardião da porta de entrada da casa; sempre o primeiro ser homenageado. Euê ou Ewé – Folha Eua ou Yèwá – orixá das fontes; dona dos cemitérios.