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No exame seletivo da Universidade Federal do Piauí em 2005, constatou-se 
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Acesso à universidade federal do piauí efeitos da desigualdade social no processo seletivo de 2005

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Aborda-se o acesso dos estudantes do ensino médio público à UFPI, baseando-se nos exames seletivos de 2005, últimos só com a ampla concorrência. Verificam-se os efeitos da igualdade vigente na seleção frente ao tipo de escola do ensino médio, compreendendo que o acesso ao ensino superior resulta “de uma seleção direta ou indireta que, ao longo da escolaridade, pesa com rigor desigual sobre os sujeitos das diferentes classes sociais” (BOURDIEU, 2002, p. 41). Os dados são do questionário preenchido na inscrição, submetidos à análise estatística. Os egressos do ensino médio público são 34,5% dos inscritos e 19% dos aprovados e a taxa de aprovação 7,2%. O êxito, só não verificado em Odontologia e Direito (noturno), foi maior nas licenciaturas, todavia, menor do que os da escola privada. Estes, já beneficiados econômica e culturalmente, também se beneficiam da igualdade do processo seletivo.

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  1. 1. 1 XV ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO NORTE E NORDESTE E PRÉ-ALAS BRASIL. 04 a 07 de setembro de 2012, UFPI, Teresina-PI. Grupo de Trabalho (27) – Políticas Públicas. Sessão 1 - Políticas de Educação ACESSO À UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ: EFEITOS DA DESIGUALDADE SOCIAL NO PROCESSO SELETIVO DE 2005 Marcelo Batista Gomes Universidade Federal do Piauí - UFPI (marcelobatista81@hotmail.com) Guiomar de Oliveira Passos Universidade Federal do Piauí - UFPI (guiomar@ufpi.edu.br)
  2. 2. 2 ACESSO À UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ: EFEITOS DA DESIGUALDADE SOCIAL NO PROCESSO SELETIVO DE 2005 Marcelo Batista Gomes1 Guiomar de Oliveira Passos2 RESUMO Aborda-se o acesso dos estudantes do ensino médio público à UFPI, baseando-se nos exames seletivos de 2005, últimos só com a ampla concorrência. Verificam-se os efeitos da igualdade vigente na seleção frente ao tipo de escola do ensino médio, compreendendo que o acesso ao ensino superior resulta “de uma seleção direta ou indireta que, ao longo da escolaridade, pesa com rigor desigual sobre os sujeitos das diferentes classes sociais” (BOURDIEU, 2002, p. 41). Os dados são do questionário preenchido na inscrição, submetidos à análise estatística. Os egressos do ensino médio público são 34,5% dos inscritos e 19% dos aprovados e a taxa de aprovação 7,2%. O êxito, só não verificado em Odontologia e Direito (noturno), foi maior nas licenciaturas, todavia, menor do que os da escola privada. Estes, já beneficiados econômica e culturalmente, também se beneficiam da igualdade do processo seletivo. Palavras chave: Ensino superior. Democratização. Desigualdades. 1 Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais – Mestrando em Políticas Públicas – PPGPP/UFPI (Bolsista CAPES). E-mail: marcelobatista81@hotmail.com 2 Doutora em Sociologia – Docente da Universidade Federal do Piauí – Departamento de Serviço social. E-mail: guiomar@ufpi.edu.br
  3. 3. 3 1 INTRODUÇÃO O texto parte dos resultados da pesquisa: “Acesso ao ensino superior púbico: democratização e desigualdades sociais na Universidade Federal do Piauí”, (PASSOS, 2008), que analisou a condição e posição de classe de inscritos e aprovados no exame seletivo de ingresso na UFPI em 2005, financiada pelo CNPq e integrante do Programa de Bolsa de Iniciação Científica PIBIC/CNPq e UFPI. A intenção é analisar o acesso de estudantes do ensino médio de escolas públicas à universidade Federal do Piauí, baseando-se nos processos seletivos de 2005, últimos em que vigorou apenas a ampla concorrência. Verificam-se os efeitos da igualdade vigente nos processos seletivos de ingresso frente à escola frequentada no ensino médio. Parte-se da compreensão de que o acesso ao ensino superior resulta “de uma seleção direta ou indireta que, ao longo da escolaridade, pesa com rigor desigual sobre os sujeitos das diferentes classes sociais” (BOURDIEU, 2002, p. 41). Isso, diz Bourdieu (2002, p. 41), explica porque um jovem da camada social superior tem oitenta vezes mais chances de ingressar no ensino superior que um filho de um assalariado agrícola e quarenta vezes mais que o filho de um operário. O objetivo é expor as chances de ingresso numa instituição federal de ensino dos que estudaram em escolas médias privadas e públicas quando vigora o princípio da igualdade nos processos seletivos. Com isso, examinam-se, na realidade nacional, os efeitos das diferenças de condições socioeconômicas no acesso ao ensino superior estatal, pois, como é de domínio público, as escolas sob essa jurisdição no Brasil atendem, majoritariamente, as classes com menores renda e escolaridade. Idêntica investigação realizada por Zago (2003; 2006) sobre aqueles que tiveram acesso à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) entre 2001 e 2003, constatou que a grande maioria dos aprovados “pertence aos estratos mais favorecidos da população [...]” (2003, p.3-4), em particular, constata a autora em outro estudo (ZAGO, 2006, p. 232), naquelas “carreiras mais prestigiosas”. Em outra direção, Vasconcelos e Lima (2005) examinaram o ingresso de alunos de escolas públicas de educação básica em universidades também públicas e constatou que este é “limitado”, pois os problemas que enfrentam reduzem a “competitividade” de seus alunos em relação aos egressos da rede privada. Em ambos, o que constatam,
  4. 4. 4 ao examinarem seja os que logram aprovação nos exames seletivos, sejam os destinos escolares dos egressos do ensino básico público, é que “os mais pobres estão, extraordinariamente sub-representados no nível superior” (CASTRO, 2001, apud VASCONCELOS, LIMA, 2005, p. 455). Borges e Carnielle (2007), em estudo sobre o processo de estratificação social no acesso à universidade pública, com base no Processo de Avaliação Seriada da Universidade de Brasilía (1996-2000), constataram que a estratificação social no Brasil se reflete no acesso ao curso superior. Para os autores, “o acesso ao ensino superior é influenciado pela origem social do estudante” (BORGES; CARNIELLE, 2007, p. 119), assim, afirmam que a educação pode não só constituir um “fator de mudança e mobilidade social” como também contribuir para a “manutenção das desigualdades”. Neste estudo, focaliza-se o princípio da igualdade, que norteava os processos seletivos, diante das desigualdades de condição. Pergunta-se: Será que a ação estatal contribui para a redução das desigualdades sociais, promovendo a democratização do ensino e da sociedade brasileira? Será que a igualdade, que tem norteado esse sistema de ensino, tem favorecido a diminuição das desigualdades sociais? Para a análise das diferenças de acesso ao ensino superior entre estudantes egressos de escolas do ensino médio público e privado na UFPI em 2005, utilizou-se os dados colhidos pela Comissão Permanente de Seleção (COPESE) através de questionário socioeconômico preenchido quando da inscrição no exame seletivo de ingresso à Universidade Federal do Piauí realizado em 2005. Esses dados foram submetidos à análise estatística com o auxílio dos Programas Startitical Package for the Social Siences (SPSS version 13.0) e Microsoft Office Excel 2003. A exposição está dividida em dois momentos. No primeiro, são feitas as comparações em relação ao acesso à UFPI em 2005, dos candidatos de escolas do ensino básico público e privado, explorando diferenças quanto às probabilidades de êxito e taxa de sucesso dos dois grupos no processo seletivo. No segundo, expõem-se as diferenças de acesso entre os cursos ofertados em 2005, destacando-se a distribuição dos egressos de escolas púbicas e privadas entre os 38 cursos ofertados em 2005 na UFPI. Na conclusão, expõem-se os efeitos da igualdade sobre o processo seletivo de acesso ao ensino superior público, identificando-se quem são
  5. 5. 5 os favorecidos pela ‘igualdade formal’, quando competem por uma vaga no ensino superior os egressos de escolas públicas e privadas. 2 ACESSO À UFPI EM 2005 DE EGRESSOS DE ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS As 2.345 vagas ofertadas pela Universidade Federal do Piauí em 2005 para 38 cursos de graduação foram disputadas por 17.948 candidatos, dos quais 8.708 (48,5%) eram egressos de escolas privadas e 6.190 (34,5%) de escolas públicas, outros 1.937 (10,8%) apenas concluíram o ensino médio em escola privada e 1.113 (6,2%) concluíram em escola pública. Gráfico 1: Inscritos na UFPI/2005 segundo o tipo de escola em que cursou o ensino médio. Os egressos da escola pública são em menor número já na inscrição, apesar de serem naquele ano 81% dos concludentes do ensino médio, conforme dados do INEP (2006). Na ocasião, concluíram o ensino médio no Piauí 36.105 alunos, dos quais 29.406 eram egressos da escola pública e 6.699 de escolas privadas. Enquanto é quase igual o número de inscritos e de concludentes egressos da escola privada, entre os da escola pública, a diferença é de 75% entre os que concluíram e os que se inscreveram. Há, por conseguinte, uma autoexclusão, isto é, uma espécie de ‘seleção natural social’ ou de que opera a “lei geral de eliminação” de que fala Bourdieu (1992).
  6. 6. 6 A relação candidato vaga diferia nos quatro grupos: eram 3,7 candidatos/vaga entre os da escola privada, 2,6 de escolas públicas, 0,8 que apenas concluíram na escola privada e 0,5 que concluíram em escola pública. Assim, há menos candidato por vaga entre os egressos do ensino público do que do privado, portanto, comparando com os egressos da escola privada, suas chances são menores. A probabilidade era que os da escola pública ocupassem 809 vagas, os da escola privada 1.138, os que concluíram na pública 145 e os que concluíram em escola privada 253 vagas. Os resultados mostram que a ocupação das vagas foi a seguinte: 1.615 (69%) por egressos da escola privada, 445 (19%) por ex-alunos da escola pública, 220 (9,4%) pelos que apenas concluíram em escolas privadas e 62 (2,6%) pelos que apenas concluíram em escolas públicas. Verifica-se que, comparativamente ao esperado, os primeiros conseguiram 141,9% das vagas que, estatisticamente, lhes eram previstas, enquanto os demais obtiveram menos do que poderiam: os da escola pública 55%, os que apenas concluíram nesse estabelecimento 42,6% e os que apenas concluíram na rede privada 86,9%. Gráfico 2: Aprovados na UFPI/2005 segundo o tipo de escola em que cursou o ensino médio. Por conseguinte, os primeiros não apenas preencheram as vagas que probabilisticamente lhes eram destinadas como utilizaram também aquelas não ocupadas pelos que estudaram em escolas públicas ou apenas ai concluiu ou nelas fizeram a maior parte dos estudos, isto é, apenas concluíram em escolas privadas. O melhor resultado, então, foi dos egressos do ensino básico privado e o pior dos alunos que apenas concluíram o ensino médio em escolas públicas. Isso se expressa na taxa de êxito, isto é, no percentual de aprovados entre os inscritos de
  7. 7. 7 cada tipo de escola. Dentre os que vieram dos estabelecimentos de ensino médio privado o êxito foi de 18,5% e aqueles que apenas concluíram em escolas privadas, 11,4%. Já entre todos aqueles que cursaram o ensino médio em estabelecimentos públicos ou apenas ai concluiu, o êxito foi de 12,8%, quase o mesmo percentual daqueles que apenas realizaram a última série na escola privada e 41% menos dos que aí estudaram todo o ensino médio. Gráfico 3: Percentual de aprovação dos inscritos por tipo de escola com taxa de aprovação por grupo. Tem-se, então, que o tipo de escola influencia no ingresso ao ensino superior público no Piauí, pois os que frequentaram escolas privadas, apenas no último ano, foram mais exitosos do que os estudantes das escolas públicas. A igualdade formal, portanto, acaba por excluir os estudantes egressos do ensino básico público. A seguir analisam-se quais foram os cursos em que os egressos de escolas básicas púbicas e privadas mais lograram êxito no processo seletivo de 2005 na UFPI.
  8. 8. 8 3 AS DIFERENÇAS DE ACESSO DOS GRESSOS DE ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS ENTRE OS CURSOS OFERTADOS NA UFPI EM 2005 Nos 38 cursos de graduação oferecidos pela Universidade Federal do Piauí no exame seletivo de 2005, os candidatos egressos do ensino médio público obtiveram aprovação em todos os cursos, exceto Direito (Noturno) e Odontologia em que 100% estudaram em estabelecimento privado. É verdade que estes eram minoria na disputa de uma vaga em 28 dos 38 cursos, sendo em maior número em, aproximadamente, 26% dos ofertados à época; todos de licenciatura. Em 5 deles são mais da metade — Pedagogia – CSHNB3 (60%), Letras – CSHNB (57,9%), Matemática (Noturno) (57%), Matemática (55,6%) e Pedagogia – CMPP4 (52,7%) — em 9 são mais numerosos — Lic. em Física (Not.), Lic. em Educação Artística, Lic. em Pedagogia – CMRV5, Língua Portuguesa e Língua Francesa, Lic. em Letras (Not.), Lic. em Química, Lic. em Letras (Diurno), Lic. em Pedagogia (Not.), Lic. em Física. Nos 74% dos cursos restante, estão em menor percentual. Além das duas exceções acima, são menos de um quarto dos concorrentes, em: Medicina (15,1%) Direito (18,3%), Direito (Noturno) (18,2%), Odontologia (20,3%) Arquitetura e Urbanismo (23,3%), Direito (Diurno) e Farmácia (23,6%). 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Medicina Odontologia Direito (Not.) Arquitetura e Urbanismo Direito Farmácia Medicina Veterinária Bach. em Ciências Biológicas Ciências Econômicas Comunicação Social Lic. em Química (Noturno) Engenharia Civil Ciências Sociais Ciências Contábeis Engenharia de Agrimensura Nutrição Bach. em Ciências da Computação Bach. em Química Ciê ncias Contábeis CMRV Bach. em Matemática Língua Inglesa Educação Física Bach. em Física Serviço Social Administração Enfermagem Administração CMRV Ciências Econômicas CMRV Lic. em Ciências Biológicas Lic. em Filosofia Em percentu ais iguais Agronomia Lic. em História Lic. em Geografia Lic. em Ciências Biológicas (Noturno) Lic. em Pedagogia (Diurno) Lic. em Física (Not.) Lic. em Educação Artística Lic. em Pe dagogia CMRV Língua Portuguesa e Língua Francesa Lic. em Letras (Not.) Lic. em Química Lic. em Letras (Diurno) Lic. em Pedagogia (Not.) Lic. em Física Lic. em Pedagogia (Vesp.) Lic. em Matemática Lic. em Matemática (Not.) Lic. em Letras CSHNB Lic. em Pedagogia CSHNB Todas em escola pública Todas em escola particular Concluiu em escola pública Concluiu em escola particular Maioria da escola privada maioria da escola pública Gráfico 4: Tipo de escola cursada no ensino médio pelos inscritos na UFPI/2005. 3 Campus “Senador Helvídio Nunes de Barros” – Picos/PI. 4 Campus “Ministro Petrônio Portella” – Teresina/PI. 5 Campus “Ministro Reis Velloso” – Parnaíba/PI.
  9. 9. 9 Nesse gráfico verifica-se que as preferências dos candidatos pelos cursos variam também conforme a escola frequentada. Os egressos de escolas privadas preferem os bacharelados, notadamente os mais prestigiados como Medicina, Direito, Odontologia e os da escola pública os cursos de licenciatura, que, por sinal, muitos deles figuravam entre os de menor concorrência nesse certame. Na aprovação, os egressos do ensino básico privado prevalecem nos 38 cursos de graduação oferecidos pela UFPI em 2005, sendo maioria em 94,7%, principalmente, entre os bacharelados e/ou aqueles cursos de maior prestígio social, com destaque para: Odontologia (100%), Direito (98%), Medicina (95%), Enfermagem (91,7%) e Direito (Noturno) (88%). Já os da escola básica pública, prevalecem em apenas dois cursos (5,3%), ambos de licenciatura – Língua Portuguesa e Língua Francesa (45%) e Licenciatura em Educação Artística (38,3%). Cumpre observar, que mesmo nesses cursos não representam a metade dos candidatos e a superioridade em relação aos da escola privada é de 5%. Ainda se destacaram nos cursos de Licenciatura em Química, Licenciatura em Pedagogia (Vespertino), Licenciatura em Matemática (Noturno), alcançando 40% das vagas, todavia, menos dos que os da escola privada. Nos 94,7% dos cursos restantes, em que estão em menor percentual entre os aprovados, além de Direito (Noturno) e Odontologia, em que não conseguiram lograr êxito, os egressos de escolas públicas são menos de um quarto dos aprovados em: Direito (2%), Medicina (5%), Enfermagem (6,7%), Bacharelado em Ciências Biológicas (6,7%), Educação Física (7,1%), Ciências Contábeis – CMRV (9,1%), Comunicação Social (10%), Medicina Veterinária (10%), Administração – CMRV (10,9%), Farmácia (11,4%), Nutrição (11,7%), Arquitetura e Urbanismo (12%), dentre outros.
  10. 10. 10 0 20 40 60 80 100 O d o n to lo gia D ire ito M e d icin a E n fe r m a g e m D ire ito (N o tu rn o ) B a ch . e m C iê n cia s B io ló g ic a s C o m u n ica ç ã o S o c ia l M e d icin a V e te r in á r ia F a r m á c ia N u triç ã o E n g e n h a ria C iv il A rq u ite tu ra e U r b a n ism o E d u c a çã o F ísic a C iê n cia s C o n tá b e is C M R V C iê n c ia s C o n tá b e is C iê n c ia s E co n ô m ic a s B a ch . e m C iê n cia s d a C o m p u ta ç ã o A d m in is tra ç ã o S e rv iço S o cia l L ic. e m C iê n cia s B io ló g ica s A d m in is tra çã o C M R V E n g e n h a ria d e A g rim e n s u r a B a ch . e m Q u ím ica L ic. e m G e o g ra fia L ic. e m C iê n c ia s B io ló g ica s … C iê n cia s S o cia is Lic . e m P e d a go gia (N o tu rn o ) Lín g u a In g le s a Lic. e m L e tra s C S H N B B a ch . e m F ís ica L ic. e m H is tó r ia Lic. e m P e d a g o g ia C M R V Lic. e m M a te m á t ica B a ch . e m M a te m á tic a L ic. e m F ísica L ic. e m F ilo s o fia Lic. e m F ísic a (N o tu rn o ) Lic. e m Le tra s ( D iu rn o ) Lic. e m M a te m á tica (N o tu r n o ) A g r o n o m ia C iê n cia s E c o n ô m ic a s C M R V Lic. e m P e d a go g ia (D iu rn o ) L ic. e m Q u ím ica Lic . e m Q u ím ic a ( N o t u rn o ) L ic. e m P e d a g o g ia (V e s p e r tin o ) Lic. e m P e d a go g ia C S H N B Lic . e m Le tra s (N o tu rn o ) Lín gu a P o r tu g u e s a e Lín g u a … Lic. e m E d u c a çã o A r tíst ica Todas em escola pública Todas em escola particular Concluiu em escola pública Concluiu em escola particular Maioria da escola privada maiori a da escola pública Gráfico 5: Tipo de escola cursada no ensino médio pelos aprovados na UFPI/2005. Verifica-se que mesmo nos cursos onde os egressos de escolas públicas mais se candidataram não ocuparam o maior número de vagas, sendo, em praticamente todos os cursos, o êxito maior daqueles que estudaram em escolas privadas, a exceção foi Licenciatura em Língua Portuguesa e Língua Francesa e Licenciatura em Educação Artística. As diferenças em relação ao acesso à UFPI em 2005 dos egressos de escolas públicas e privadas explicitam-se, também, quando observamos o percentual de aprovados entre os inscritos, ou seja, a taxa de êxito de cada tipo de escola segundo os cursos escolhidos pelos candidatos que disputavam vagas nesse processo seletivo. Em Pedagogia do CSHNB, em que 60% dos inscritos eram oriundos de escolas públicas o êxito foi obtido por 9,4%, os egressos de escolas privadas obtiveram 30,4%. No curso de Letras (CSHNB) os egressos de escolas públicas eram 57,9% dos candidatos e o êxito foi alcançado por apenas 6,8%, os alunos oriundos de escolas privadas obtiveram 41,9% de êxito nesse curso. Em Matemática (Noturno) dos 57% inscritos, o êxito foi de 18,5% para os egressos da escola pública e 40,5% para os da escola privada e dos 52,7% dos inscritos egressos do ensino público em Pedagogia – CMPP, o êxito foi de 12,4% enquanto os egressos de escolas privadas obtiveram 16,2%. Já entre aqueles 9 cursos em que os candidatos de escolas públicas estavam em maior número entre os inscritos, o êxito foi o seguinte: Lic. em Física (Not.) 3,5% para os egressos da escola pública e 20,6% para os da escola privada, Lic. em
  11. 11. 11 Educação Artística – 11,4% dos primeiros e 26,6% dos segundos, Lic. em Pedagogia (CMRV) – 8% contra 18,5%, Língua Portuguesa e Língua Francesa – 38,3% contra 48,5% da escola privada, o maior percentual de êxito, Lic. em Letras (Not.) – 17,5% contra 26,6%, Lic. em Química – 14,5% contra 21,9%, Lic. em Letras (Diurno) – 11,9% contra 21,2%, Lic. em Pedagogia (Not.) – 12,5% contra 34,2% e em Lic. em Física o êxito dos egressos de escolas públicas foi de 18,4% contra 55,2% dos ex-alunos de escolas privadas. Nos cursos em que os egressos de escolas públicas foram mais da metade dos inscritos, observa-se, todavia que o êxito maior foi dos alunos que estudaram em escolas da rede privada. Também, observa-se que naqueles cursos em que os candidatos do ensino básico público são maioria entre os inscritos, ocorre a mesma situação, o que evidencia a superioridade da escola básica privada nos processos seletivos de ingresso ao ensino superior público. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 L í ngua P ortug ues a e L íng ua F ranc es a C iênc ias E c onômic as C MR V E ngenha ria de A g rimens ura B ac harelado em Matemátic a L ic . em Matemática (Noturno) L ic . em F ís ic a L ic . em L etras (Noturno) L ic . em Q uímic a (Noturno) B ac harelado em F í s ic a L ic . em Q uímic a C iênc ias E c onômic as L ic . em P edag og ia (V es pertino) L í ngua Ing les a L ic . em P edag og ia (Noturno) L ic . em P edag og ia (D iurno) L ic . em L etras (D iurno) L ic . em E duc aç ão A rtí s tica A gronom ia A rquitetura e Urbanis mo E duc aç ão F ís ic a F armác ia L ic . em P edag og ia C S HNB C iênc ias S oc iais B ac harelado em Químic a L ic . em P edag og ia - C MR V L ic . em F ilos ofia L ic . em L etras C S HNB B ac h. em C iênc ias da C omputaç ão L ic . em Matemática C iênc ias C ontábeis L ic . em C iênc ias B iológ ic as A dminis traç ão Medic ina V eterinária L ic . em C iênc ias B iológ ic as (Not.) C iênc ias C ontábeis C MR V L ic . em His tória E ngenha ria C iv il A dminis traç ão C MR V L ic . em F ís ic a (Noturno) C omunic aç ão S oc ial N utriç ão L ic . em G eografia B ac h. em C iênc ias B iológ ic as S erv iç o S oc ial Medic ina E nfermagem D ireito O dontologia D ireito (Noturno) Todo em es cola públic a Todo em es cola partic ular C oncluiu em es c ola públic a C oncluiu em es c ola partic ular Gráfico 6: Percentual de aprovação dos inscritos em cada curso por tipo de escola frequentada no ensino médio. O êxito predominante entre os que estudaram em escola privada, total ou parcialmente, variou entre os cursos. Observa-se que entre os candidatos que estudaram o ensino básico totalmente na escola pública, obtiveram mais êxito em: Licenciatura em Língua Portuguesa e Francesa (38,3%), Ciências Econômicas – CMRV (27,9%), Engenharia de Agrimensura (21,1%), Bacharelado em Matemática (18,9%), Licenciatura em Matemática (Noturno) (18,5%) e Licenciatura em Física (18,4%).
  12. 12. 12 O êxito dos provenientes de escolas da rede privada foi maior nos seguintes cursos: Engenharia de Agrimensura (71,6% dos que se inscreveram para este curso), Licenciatura em Física (55,2%), Arquitetura e Urbanismo (54,1%), Lic. em Língua Portuguesa e Francesa (48,5%), Licenciatura em Filosofia (43,9%) e Licenciatura em Letras – CSHNB com (41,9%) de êxito dos egressos do ensino básico privado. Já os que apenas iniciaram em escolas da rede privada e concluíram na escola pública destacaram-se em: Bacharelado em Matemática (100% dos inscritos neste curso provenientes deste tipo de escola), Licenciatura em Química (noturno) (25%), Licenciatura em Matemática (noturno) (22,2%), Ciências Econômicas (20%) e Licenciatura em Pedagogia (Vespertino), Licenciatura em Letras (Noturno) com (18,2%) respectivamente. Os que fizeram o caminho inverso, iniciando em escola pública e concluindo na escola particular o êxito foi maior em: Bacharelado em Física (57,1%), Licenciatura em Física (Noturno) (42,9%), Licenciatura em Letras (Noturno) (38,9%), Ciências Econômicas CMRV (37,5%), Licenciatura em Matemática (Noturno) (33,3%) e Licenciatura em Química (Noturno) (31,8%). A taxa de êxito dos candidatos de escolas públicas e privadas entre os cursos ofertados na Universidade Federal do Piauí em 2005 demonstra que os egressos de escolas do ensino básico privado conseguiram mais êxito nesse certame do que os seus concorrentes da escola pública, evidenciando o peso do tipo de escola básica nos processos seletivos de ingresso ao ensino superior público. Os egressos do ensino público estão representados nesse espaço social, contudo, ainda são minorias, confirmando, assim, Bourdieu (1992), quando afirma que o livre jogo das leis de transmissão cultural, no qual se baseia o princípio de equidade, norteador dos processos seletivos, no período, faz com que o capital cultural retorne às mãos daqueles que já o possuem. A igualdade no acesso ao ensino superior público revela-se na verdade como um fator de desigualdade. Aqueles que podem arcar com os custos do ensino básico privado e podem se preparar melhor para enfrentar os exames seletivos de acesso ao ensino superior, quase sempre ocupam as posições dominantes, isto é, os cursos mais prestigiosos. Aos egressos de escolas públicas restam apenas àqueles cursos que no mercado dos bens sociais são caracterizados como dominados.
  13. 13. 13 4 CONCLUSÃO No exame seletivo da Universidade Federal do Piauí em 2005, constatou-se que os egressos de escolas públicas lograram êxito em praticamente todos os cursos, exceto em Odontologia e Direito (Noturno), destacando-se principalmente nas licenciaturas. Contudo, a supremacia foi dos alunos provenientes de escolas do ensino básico privado que ocuparam a maioria das vagas ofertadas pela UFPI em 2005 e tiveram as melhores taxas de aprovação. Isso deu-lhes resultados superiores mesmo naqueles cursos em que os da escola pública ocuparam maior número como em Licenciatura em Língua Portuguesa e Francesa e Licenciatura em Educação Artística – 7,2% contra 18,5%. Constatou-se que os egressos de escolas privadas ocuparam 141,9% das vagas que, estatisticamente, lhes eram previstas, enquanto os da escola pública obtiveram menos do que poderiam; apenas 55% das que tinham probabilidade de ocuparem e nos cursos de Licenciaturas menos concorridos. A escola pública, portanto, não favorece a aprovação nos processos seletivos em que vigora a igualdade. Isso, consequentemente, contribui para a conservação da estrutura social, em que aqueles já beneficiados ficam com as melhores vagas e oportunidades de acesso ao ensino superior público. A ação estatal, quando tem por base a igualdade, portanto, favorece a desigualdade. Assim, ao invés de promover a democratização do sistema de ensino e da sociedade, colabora com a manutenção dos privilégios daqueles que, por possuírem uma condição socioeconômica mais elevada, já são privilegiados. Desse modo, a igualdade nos processos seletivos de acesso ao ensino superior, não favorece a diminuição das desigualdades sociais, pelo contrário, age acentuando ainda mais essas desigualdades. A seletividade social, que já opera quando da escolha do estabelecimento de ensino básico e durante todo o cursus, tem no exame seletivo de ingresso apenas a legitimação da exclusão, na expressão de Bourdieu (1992, p. 234), sanciona a lei geral de eliminação, isto é, o que a seleção natural social já realizou: a escolha dos mais aptos e adaptados ao meio. Portanto, o sistema de ensino superior público é seletivo porque os favorecidos são os alunos de escolas privadas por estarem mais adaptados ao meio, com isso, está se perpetuando a desigualdade entre as classes.
  14. 14. 14 Desse modo, ainda que seja alvissareira a presença dos segmentos sociais historicamente excluídos, evidenciando recente fenômeno do prolongamento da escolaridade no Brasil, não altera a estrutura da relação entre as classes, porque mesmo assim ainda são minorias neste sistema de ensino e nos cursos menos privilegiados. Portanto, o livre jogo das leis de transmissão cultural, em que se baseia o princípio da igualdade que norteava os processos seletivos de ingresso na Universidade Federal do Piauí até 2005, faz a distribuição do capital cultural entre as classes sociais de modo que este retorne às mãos daqueles que já o possuem. Assim, os estudantes oriundos do ensino básico privado, que já são beneficiados econômica e culturalmente, também se beneficiam da igualdade do processo seletivo. REFERÊNCIAS BORGES, José Leopoldo das Graças. CARNIELLI, Beatrice Laura. Educação e estratificação social no acesso à universidade pública. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 35, n. 124, p. 113-139, jan./abr, 2005. BOURDIEU, Pierre. Reprodução cultural e reprodução social. In: ______. A economia das trocas simbólicas. Trad. Sérgio Micele. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1992, p.296-336. ______. Pierre. A Escola Conservadora: as desigualdades frente á escola e à cultura. In: NOGUEIRA, Maria Alice; CATANI, Afrânio (Orgs). Escritos de Educação. Trad. Aparecida Joly Gouveia. 4. ed. Petrópolis (RJ): Vozes 2002, p.39- 64. INEP. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Educação Superior Brasileira: 1991-2004. Brasília: INEP/MEC, 2006. PASSOS, Guiomar de Oliveira. Acesso ao ensino superior público: democratização e desigualdades sociais na Universidade Federal do Piauí. Teresina, 2008. Projeto de Pesquisa apresentado ao Programa de Bolsa de Iniciação Científica – PIBIC-UFPI/CNPq. VASCONCELOS, Simão Dias, SILVA, Ednaldo Gomes da. Acesso à universidade pública através de cotas: uma reflexão através da percepção dos alunos de um pré-vestibular inclusivo. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.13, n.49, p. 453-468, out./dez., 2005.
  15. 15. 15 ZAGO, Nadir. Do acesso à permanência no ensino superior: percursos de estudantes universitários de camadas populares. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 11 n. 32, p. 226-370, maio./ago., 2006. ______. Diferenças de acesso e de permanência no ensino superior: um estudo com estudantes universitários. II Seminário Internacional de Educação Intercultural, Gênero e Movimentos Sociais. Ceará: Nordeste Digital Line S/A, 2003, v. 01. p. 01-11.

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