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Artigo empreendedor por oportunidade x necessidade

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Artigo empreendedor por oportunidade x necessidade

  1. 1. EMPREENDER POR OPORTUNIDADE VERSUS NECESSIDADE: UM ESTUDO COM EMPREENDEDORES CATARINENSES Paulo da Cruz Freire dos Santos (UFSC) pcfs@ccsa.ufal.br Josiane Minuzzi (USFC) jominuzzi@hotmail.com Janaína Renata Garcia (UFSC) janaina@deps.ufsc.br Álvaro Guillermo Rojas Lezana (UFSC) lezana@eps.ufsc.br A visão tradicional do empreendedorismo é que empreendedores ocupam nichos de mercado, visualizam onde há espaços a serem preenchidos. A escassez de postos de trabalhos e a sensação de futuro incerto podem exercer uma pressão no indivíduo mmotivando-o a criar seu próprio negócio como forma de assegurar-se financeiramente. Um exemplo é o caso brasileiro, onde muitas vezes, o empreendedorismo é impulsionado por necessidades. No relatório do GEM 2006 (Global Entrepreneurship Monitor) o empreendedor é classificado em dois tipos: por necessidade e por oportunidade. No presente estudo buscou- se identificar qual é a maior incidência entre os dois tipos de empreendedores, em Santa Catarina; e se existem diferenças de acordo com a região onde os mesmos estão localizados. Foram utilizados os dados de uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Empreendedorismo do PPGEP/UFSC. Para a análise dos dados foi utilizado o teste de Kuskal-Wallis que mostrou diferenças regionais quanto ao motivo para empreender, segundo a percepção dos empreendedores pesquisados. No caso catarinense, em sua maioria, eles abrem seus negócios pela identificação de uma oportunidade e não por uma necessidade de sobrevivência, salvo os da região Oeste. Palavras-chaves: Empreendedor, empreendedorismo, necessidade, oportunidade, Santa Catarina.  ¡ £¢¡¤¥¤§¦©¨¡¨¨£¡¤ ¨£! #$#©%'#©%()£01 )2'#$3¡0'45'6')£4 798A@B8AC DFE GIHFPB8RQTSVUW8RGIXFC SVYFPB`bacSFdePBQfYFE gAh SFDFSpiASFqFC¥8RE @srt8cDFC¥Gc`baASFueXFC Swvx8yrtSp8RiAPBiyrt8A@srtGAqFE hEY FGAYF8 Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007
  2. 2. €©€©‚ƒ‚…„V†¡‡©ˆ‰†e’‘§ˆ$†e“‡©‚ƒˆ‰†e“'”p•‰–T–F—‰˜‰–V—‰™‰7©d‰e 7f•‰–Tg…d§h‰•‰i§jk7©h l9mwncmso pcqr'sutWm£vwtxBmyr£zWo wW{ctW|~}~wcctcv€{Wq~‚wcpWwƒ~wW„co myqny…¥mwpWo r~|u}~wW†bzco wy‡ˆm …xwmyƒstcƒx…¥mwnt…¥rw„cq ‚q{ cr~{Wm Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007 2 1. Introdução A visão tradicional do empreendedorismo é que empreendedores ocupam nichos de mercado, visualizam onde há espaços a serem preenchidos. Entretanto, Sarason; Dean Dillard (2006), sugerem que tanto o empreendedor como o sistema social co-evoluem. Assim, o empreendedor se apresenta como um agente que interpreta e influencia seu mundo, não sendo possível trabalhar o empreendedor sem analisar suas ações sobre as oportunidades. Diversas habilidades são exigidas dos indivíduos que empreendem, como planejar, formar equipes, liderar, negociar, resolver problemas, entre outras. Todas importantes, porém não asseguram o sucesso de uma organização. Para Nixdorff Solomon (2005), uma das habilidades que realçam a probabilidade de sucesso de novas organizações é o reconhecimento de oportunidades. Ao reconhecer uma oportunidade o empreendedor tende a sentir-se motivado a iniciar um negócio. De acordo com Benavides Espinosa Garcia (2004), outro fator motivador, de caráter sócio- cultural, quanto à necessidade de empreender, relaciona-se à busca de emprego. A escassez de postos de trabalhos e a sensação de futuro incerto, podem exercer uma pressão no indivíduo motivando-o a criar seu próprio negócio como forma de assegurar-se financeiramente. Como por exemplo, o caso brasileiro, onde muitas vezes, o empreendedorismo é impulsionado por necessidades. No rank do Global Entrepreneurship Monitor – GEM 2006 (BOSMA HARDING, 2007) – relatório mundial sobre empreendedorismo, coordenado pela London Business School (Inglaterra) e pelo Babson College (Estados Unidos), o país ocupa uma das maiores posições em número de empreendedores. Detém uma das mais elevadas relações de empreendedores (indivíduos que, na informalidade, empreendem ou trabalham por conta própria) versus população economicamente ativa. Na perspectiva de Nixdorff Solomon (2005), o campo do empreendedorismo ainda é jovem e há muito ainda que germinar nesta área. Afirmam ainda que, existem pouquíssimas pesquisas relativas ao reconhecimento de oportunidades e menos ainda, pesquisas empíricas relacionadas a tal fator. Frente à esta lacuna, buscou-se neste estudo comparar nas Micro e Pequenas Empresas (MPEs) em atividade do estado de Santa Catarina, a percepção de seus empreendedores quanto à importância de se iniciar uma organização pela identificação de uma oportunidade; e se a abertura das organizações por necessidade ou identificação de oportunidade varia de acordo com a região. Para isso, delinearam-se três hipóteses: − H1: A habilidade para perceber novas oportunidades independe da região onde vive o empreendedor; − H2: A motivação para a abertura de um empreendimento devido à necessidade de sobrevivência independe da região onde vive o empreendedor; − H3: Independe da região onde vive o empreendedor a sua percepção de que a abertura de sua empresa ocorreu devido à identificação de uma oportunidade. Para a elaboração deste artigo foi utilizada a base de dados de uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Empreendedorismo do Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Produção da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGEP/UFSC), cujo objetivo consistiu em descobrir as causas de mortalidade/sucesso das MPEs catarinenses. Tal base de dados
  3. 3. €©€©‚ƒ‚…„V†¡‡©ˆ‰†e’‘§ˆ$†e“‡©‚ƒˆ‰†e“'”p•‰–T–F—‰˜‰–V—‰™‰7©d‰e 7f•‰–Tg…d§h‰•‰i§jk7©h l9mwncmso pcqr'sutWm£vwtxBmyr£zWo wW{ctW|~}~wcctcv€{Wq~‚wcpWwƒ~wW„co myqny…¥mwpWo r~|u}~wW†bzco wy‡ˆm …xwmyƒstcƒx…¥mwnt…¥rw„cq ‚q{ cr~{Wm Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007 3 serviu ainda para uma tese de doutorado (ORTIGARA, 2006) e duas dissertações de mestrado (MINUZZI, 2007; GARCIA, 2007). 2. Referencial teórico O GEM consiste num instrumento que mensura os níveis de empreendimentos por oportunidade versus necessidade. Para Reynolds et al. (2005), o GEM foi idealizado com o objetivo principal de investigar diferenças em nível nacional de tipos de empreendedorismo e sua ligação com a criação de postos de trabalho e o crescimento econômico. Ainda na percepção desses autores, um fator importante que deve ser considerado são as decisões dos indivíduos relacionadas à busca por iniciativas empresariais. O relatório do GEM 2006 (BOSMA HARDING, 2007), indica que o empreendedorismo por necessidade é mais ocorrente nos países (ou regiões) em que apresentam rendas medianas. Portanto, os que empreendem por necessidade, são aqueles que localizam-se em regiões onde oportunidades de trabalho são insatisfatórias ou inexistentes. No grupo de países considerados de renda mediana, a motivação de empreender por ter identificado uma oportunidade apresentam as porcentagens mais baixas, com destaque para Croácia, Brasil e Filipinas, reafirmando a alta taxa de empreender por necessidade destes paises. 2.1 Empreender por necessidade As necessidades podem ser conceituadas como um desequilíbrio interno do indivíduo, ou a manifestação de um déficit, uma determinada carência; que ao surgir causa um estado de tensão, insatisfação, desconforto e desequilíbrio (LEZANA, 2004). Existem três formas de retomar o estado de equilíbrio, através da satisfação da necessidade, da compensação (quando a necessidade é transferida para outro objeto) ou ainda da frustração (neste caso, permanece no indivíduo, podendo ou não retomar o estado de equilíbrio). Abraham Maslow, um dos mais citados pesquisadores das necessidades humanas, propôs uma hierarquia das necessidades, um arranjo, que seriam responsáveis por ativar e direcionar o comportamento humano. Tais necessidades foram classificadas hierarquicamente em cinco níveis, capazes de justificar o comportamento humano. Maslow concluiu que cada pessoa nasce com as mesmas necessidades instintivas que nos concedem a sobrevivência; ao passar do tempo as necessidades vão se diferenciando e nos capacitam a crescer, nos desenvolver e a realizar nossos potencias (SCHULTZ SCHULTZ, 2002). Portanto, as necessidades são moldadas por características sociais, culturais e econômicas. Buscando descobrir as necessidades que motivam os empreendedores, mais de mil empresários em 11 países foram entrevistados quanto às necessidades que caracterizavam suas personalidades. Os resultados da pesquisa, para Birley Westhead apud Lezana Tonelli (2004), foram as seguintes necessidades: − Aprovação: busca a aprovação por seus comportamentos, com isso deseja conquistar alta posição na sociedade, ser respeitados pelos amigos, pela família, ser reconhecido; − Independência: o empreendedor busca na independência impor seu próprio enfoque no trabalho, flexibilidade na vida pessoal e profissional, controlar seu tempo, etc.; − Desenvolvimento pessoal: um novo empreendimento oferece inúmeras situações para que o empreendedor desenvolva seus conhecimentos e habilidades, inove, transforme idéias em produtos, aprenda continuamente; − Segurança: necessidades do empreendedor de se proteger de perigos reais ou imaginários, físicos ou psicológicos; geralmente espera que sua empresa lhe permita rendimentos
  4. 4. €©€©‚ƒ‚…„V†¡‡©ˆ‰†e’‘§ˆ$†e“‡©‚ƒˆ‰†e“'”p•‰–T–F—‰˜‰–V—‰™‰7©d‰e 7f•‰–Tg…d§h‰•‰i§jk7©h l9mwncmso pcqr'sutWm£vwtxBmyr£zWo wW{ctW|~}~wcctcv€{Wq~‚wcpWwƒ~wW„co myqny…¥mwpWo r~|u}~wW†bzco wy‡ˆm …xwmyƒstcƒx…¥mwnt…¥rw„cq ‚q{ cr~{Wm Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007 4 suficientes para manter uma vida digna para si e sua família; − Auto-realização: necessidade de maximizar seu potencial pessoal é o querer desenvolver a capacidade de superar seus próprios limites. Para este estudo, define-se operacionalmente, o empreender por necessidade como uma necessidade de segurança ou ainda de sobrevivência. Portanto, empreendedores por necessidade consistem naqueles que iniciam negócios motivados pela falta de alternativa satisfatória de ocupação e renda. Já os empreendedores por oportunidade, são motivados pela percepção de um nicho de mercado em potencial. 2.2 Empreender por oportunidade Segundo Shane (2003) o processo empreendedor é uma seqüência de passos a partir da existência de uma oportunidade. O empreendedor, por conta de suas características e habilidades pessoais, e de como ele atua no ambiente, decide pela exploração da oportunidade. Neste ponto, parte em busca dos recursos necessários, após o qual estabelece a sua estratégia empreendedora, organiza o processo e o executa. Para Saks Gaglio (2002), o reconhecimento de oportunidades de mercado é a principal ação do processo de empreendedorismo para alcançar o progresso econômico e seu desenvolvimento. Na visão de Sarason; Dean Dillard (p. 8, 2006), “oportunidades são um processo idiossincrático para o indivíduo”. Deste modo, os autores estruturam uma perspectiva de oportunidades visualizando-as não como a simples interpretação de um nicho social e econômico, mas como conceito idiossincrático entre o indivíduo e um sistema instanciado social e economicamente. Portanto, são os sistemas sociais que habilitam o empreendedor no processo de descoberta, avaliação e exploração de oportunidades, através de uma interdependência mutua entre agente e sistema. Assim, o que auxiliará o empreendedor a detectar oportunidades é o meio, o contexto onde ele está inserido. Nixdorff Solomon (2005), definem o reconhecimento de oportunidades como um processo cognitivo que pode ser realçado com treinamento, com educação. Para os autores, o reconhecimento de oportunidades parece estar recebendo uma atenção especial nos últimos anos. Entretanto, ainda não há um conceito claro sobre o assunto, há confusão quando se aborda características tais como intuição, consciência, intenção, criatividade. Para Sipilä (2006) o reconhecimento de oportunidades pode ser pensado como um processo, onde empreendedores buscam identificar oportunidades para explorá-las; entretanto, para ser capaz de visualizar uma oportunidade, é necessário reconhecê-la, o que não é uma habilidade muito fácil de desenvolver. Por fim, conceitua oportunidade como uma situação futura desejada que tem um potencial valor econômico. Baron (2004), argumenta que o reconhecimento de oportunidades está intimamente ligado as estruturas de conhecimento dos empreendedores. Tal reconhecimento demanda a percepção coerente entre fatores aparentemente desconexos, tais como: fatores tecnológicos, econômicos, políticos e sociais; e para isso, precisam de um conhecimento anterior que os possibilite realizar tais nexos. Também é o conhecimento que ao ser acessado permite, novas idéias de negócios originais e/ou mais práticos que os existentes. Para o autor, o conhecimento baseia o reconhecimento de oportunidades. A habilidade de identificar oportunidades se caracteriza pela capacidade de identificar novas oportunidades de produtos e/ou prestação de serviços; perceber o que os outros não percebem, visualizar além, é o famoso “faro” De acordo com Kantis (2002) em pesquisa realizada com 689 empresários de MPEs, mais de 70% dos entrevistados informaram que a chave para
  5. 5. €©€©‚ƒ‚…„V†¡‡©ˆ‰†e’‘§ˆ$†e“‡©‚ƒˆ‰†e“'”p•‰–T–F—‰˜‰–V—‰™‰7©d‰e 7f•‰–Tg…d§h‰•‰i§jk7©h l9mwncmso pcqr'sutWm£vwtxBmyr£zWo wW{ctW|~}~wcctcv€{Wq~‚wcpWwƒ~wW„co myqny…¥mwpWo r~|u}~wW†bzco wy‡ˆm …xwmyƒstcƒx…¥mwnt…¥rw„cq ‚q{ cr~{Wm Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007 5 identificar as oportunidades de negócios é a “interação com as pessoas” e a “experiência profissional prévia”. 2.3 Regiões do estado de Santa Catarina O IBGE divide o estado de Santa Catarina em 6 mesorregiões (Grande Florianópolis, Norte Catarinense, Oeste Catarinense, Serrana, Sul Catarinense e Vale do Itajaí) e 20 microrregiões (Araranguá, Blumenau, Campos de Lages, Canoinhas, Chapecó, Concórdia, Criciúma, Curitibanos, Florianópolis, Itajaí, Ituporanga, Joaçaba, Joinville, Rio do Sul, São Bento do Sul, São Miguel d'Oeste, Tabuleiro, Tijucas, Tubarão e Xanxerê). O Governo Estadual, por outro lado, provavelmente devido a razões de cunho administrativo, tem outra classificação com 36 regiões (Araranguá, Blumenau, Braço do Norte, Brusque, Caçador, Campos Novos, Canoinhas, Chapecó, Concórdia, Criciúma, Curitibanos, Dionísio Cerqueira, Ibirama, Itajaí, Itapiranga, Ituporanga, Jaraguá do Sul, Joaçaba, Joinville, Lages, Mafra, Maravilha, Palmitos, Quilombo, Rio do Sul, São Joaquim, São José, São Lourenço d'Oeste, São Miguel d'Oeste, Seara, Taió, Timbó, Tubarão, Videira e Xanxerê). Muitas vezes, por razões próprias, pesquisadores criam outras classificações visando atender a setorialização de seus estudos. Esse é o caso de Ortigara (2006) que desenvolveu uma nova classificação quando pesquisou os empreendedores catarinenses. Ortigara (2006) segmentou o estado em 6 regiões (Grande Florianópolis, Norte, Oeste, Sul, Planalto Serrano e Vale do Itajaí). Convém salientar que nessa classificação cada região comtempla apenas alguns dos municípios que ali poderiam constar. Para este artigo foram usados os dados primários de Ortigara (2006) e conseqüentemente segue-se sua classificação para regiões catarinenses e municípios nelas contidos. O estado de Santa Catarina está em segundo lugar no país em termos de qualidade de vida. Seu IDH em 2000 foi de 0,822, ou seja: alto. Segundo o PNUD (2003), o crescimento do IDH catarinense no período entre 1991 e 2000 foi da ordem de 9,89%, sendo que o destaque setorial foi para o IDH-Educação que teve um incremento de 43,7%. Na tabela 1 estão discriminados os vários IDHs para as regiões e municípios pesquisados por Ortigara (2006). IDH Municipal Educação Longevidade RendaREGIÕES 1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000 Grande Florianópolis 0,79 0,85 0,86 0,93 0,78 0,82 0,73 0,79 Florianópolis 0,82 0,88 0,90 0,96 0,77 0,80 0,80 0,87 São José 0,80 0,85 0,86 0,93 0,80 0,84 0,73 0,78 Palhoça 0,74 0,82 0,80 0,89 0,77 0,83 0,65 0,73 Norte 0,74 0,83 0,83 0,92 0,73 0,82 0,67 0,74 Joinville 0,78 0,86 0,85 0,94 0,76 0,86 0,73 0,78 Canoinhas 0,70 0,78 0,81 0,90 0,67 0,75 0,61 0,70 São Bento do Sul 0,76 0,84 0,84 0,93 0,76 0,85 0,68 0,74 Oeste 0,77 0,84 0,83 0,93 0,79 0,85 0,69 0,75 Chapecó 0,76 0,85 0,81 0,94 0,80 0,86 0,68 0,75 São Miguel do Oeste 0,76 0,84 0,83 0,91 0,79 0,88 0,66 0,73 Xanxerê 0,72 0,82 0,79 0,92 0,73 0,81 0,66 0,72 Joaçaba 0,82 0,87 0,88 0,95 0,81 0,86 0,75 0,79 Concórdia 0,77 0,85 0,82 0,93 0,81 0,86 0,69 0,77 Sul 0,76 0,83 0,83 0,91 0,75 0,81 0,68 0,75 Criciúma 0,77 0,82 0,84 0,92 0,74 0,77 0,71 0,78 Tubarão 0,78 0,84 0,86 0,92 0,78 0,84 0,69 0,77 Araranguá 0,73 0,81 0,80 0,89 0,73 0,83 0,64 0,72
  6. 6. €©€©‚ƒ‚…„V†¡‡©ˆ‰†e’‘§ˆ$†e“‡©‚ƒˆ‰†e“'”p•‰–T–F—‰˜‰–V—‰™‰7©d‰e 7f•‰–Tg…d§h‰•‰i§jk7©h l9mwncmso pcqr'sutWm£vwtxBmyr£zWo wW{ctW|~}~wcctcv€{Wq~‚wcpWwƒ~wW„co myqny…¥mwpWo r~|u}~wW†bzco wy‡ˆm …xwmyƒstcƒx…¥mwnt…¥rw„cq ‚q{ cr~{Wm Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007 6 Planalto Serrano 0,72 0,79 0,80 0,89 0,70 0,77 0,65 0,72 Curitibanos 0,70 0,77 0,78 0,86 0,70 0,75 0,63 0,70 Lages 0,73 0,81 0,82 0,91 0,70 0,78 0,67 0,74 Vale do Itajaí 0,78 0,84 0,85 0,92 0,75 0,81 0,73 0,78 Blumenau 0,81 0,86 0,87 0,95 0,81 0,82 0,76 0,80 Rio do Sul 0,76 0,83 0,84 0,92 0,74 0,80 0,71 0,77 Itajaí 0,76 0,83 0,85 0,91 0,71 0,80 0,71 0,77 Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. PNUD, 2003. Tabela 1 – IDH nas regiões pesquisadas Além de apresentar alto IDH Santa Catarina tem uma economia pujante. Seu PIB em 2004, segundo dados da secretaria de planejamento estadual, foi de R$ 47.987,61 milhões. Os municípios utilizados na classificação regional de Ortigara (2006) estão entre os 49 com melhor posição no ranking estadual, sendo que três deles (Joinville, Florianópolis e Blumenau) ocupam as primeiras posições. É provável que um dos fatores do crescimento de Santa Catarina seja o investimento que foi feito no setor educacional, com resultados visíveis na qualificação de sua mão-de-obra. Segundo dados do PNUD (2003) a taxa de analfabetismo entre pessoas de faixa etária até os 24 anos diminuiu em mais de 50%. Entretanto, os resultados desse crescimento não atingiram a toda a população. A desigualdade, medida pelo índice de Gini, passou de 0,5 para 0,6 (PNUD, 2003). Talvez como decorrência dessa desigualdade ainda exista discrepâncias no que se referem as razões pelas quais as pessoas empreendem: algumas por oportunidade e outras por necessidade. 3. Procedimentos Metodológicos Os dados utilizados para o processamento estatístico, cujos resultados são relatados neste artigo, foram obtidos no banco de dados da pesquisa realizada por Ortigara (2006) em uma amostra de 1393 empresas registradas na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (JUCESC), entre 2000 e 2004. Desses dados utilizaram-se apenas as empresas que se encontravam em atividade. Tal pesquisa segmentou o estado em 6 regiões e 19 municípios, conforme pode ser visto na tabela 1. O banco de dados resultante da pesquisa de Ortigara (2006) permitiu o seu tratamento gerando estatísticas descritivas das regiões estudadas; e a testagem de hipóteses relacionadas à oportunidade e necessidade no ato de empreender ou constituir uma empresa. Vale salientar que Ortigara (2006) utilizou uma escala tipo Likert, de 7 pontos, para levantar as percepções dos seus pesquisados. A técnica estatística utilizada para testar as hipóteses foi a análise de variância de amostras independentes, por postos de Kruskal-Wallis. O teste de Kuskal-Wallis é um teste não- paramétrico usado para a comparação de três ou mais amostras que podem ter o mesmo tamanho ou tamanhos diferentes (AYRES AYRES JR, 1987; SHESKIN, 2000; SIEGEL CASTELLAN JR., 2006; SPRENT SMEETON, 2001). Para a execução do teste os dados foram tratados como sendo ordinais e as hipóteses delineadas na introdução tomaram a forma das hipóteses nulas: H01: = = = = = H02: = = = = = H03: = = = = =
  7. 7. €©€©‚ƒ‚…„V†¡‡©ˆ‰†e’‘§ˆ$†e“‡©‚ƒˆ‰†e“'”p•‰–T–F—‰˜‰–V—‰™‰7©d‰e 7f•‰–Tg…d§h‰•‰i§jk7©h l9mwncmso pcqr'sutWm£vwtxBmyr£zWo wW{ctW|~}~wcctcv€{Wq~‚wcpWwƒ~wW„co myqny…¥mwpWo r~|u}~wW†bzco wy‡ˆm …xwmyƒstcƒx…¥mwnt…¥rw„cq ‚q{ cr~{Wm Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007 7 As hipóteses alternativas foram definidas como: H11: Não H01 H12: Não H02 H13: Não H03 Os dados foram processados utilizando-se o software SPSS e como nível de decisão foi estabelecido: = 0,05. 4. Análise dos Dados As duas primeiras hipóteses mostraram diferenças estatisticamente significativas para os escores obtidos dos empreendedores nas 6 regiões pesquisadas (Tabela 2) sendo portanto rejeitadas. Não existe uniformidade, entre as regiões pesquisadas, quanto as afirmativas que foram feitas. Na primeira questão, que abordou a habilidade das pessoas para perceberem novas oportunidades, e a sua influência para o início do negócio, em quatro das regiões pesquisadas observou-se maior freqüência de pessoas, por região, com escores mais baixos ou iguais a mediana (Tabela 3). Quanto a segunda questão que indagou sobre a razão para que o negócio fosse iniciado, especificamente se foi a necessidade de sobrevivência, o número de regiões com respondentes apresentando escores abaixo ou igual a mediana aumentou. No entanto não houve uniformidade para todas as regiões pesquisadas (Tabela 3). Hipóteses ‰ 2 gl sig. Minha habilidade para perceber novas oportunidades foi importante para abertura do negócio 13,112 5 0,022 A necessidade de sobrevivência fez com que eu iniciasse meu negócio 15,372 5 0,009 A abertura da empresa ocorreu pela identificação de uma oportunidade 5,065 5 0,408 Nota: Š = 0,05 Tabela 2 – Teste de Kruskal-Wallis A terceira hipótese não se mostrou estatisticamente significativa, sendo portanto aceita. Na tabela 3 pode ser visto que os escores obtidos com os pesquisados ficaram abaixo da mediana denotando uma maior similitude nas suas percepções. Discriminação Mediana GF Sul Oeste PS Norte VI Minha habilidade para perceber novas oportunidades foi importante para abertura do negócio 6,000 Mediana =Mediana 39 30 9 23 23 44 13 9 35 36 30 31 A necessidade de sobrevivência fez com que eu iniciasse meu negócio 4,000 Mediana =Mediana 22 47 16 16 37 32 8 14 32 39 21 40 A abertura da empresa ocorreu pela identificação de uma oportunidade 7,00 Mediana =Mediana 0 69 0 32 0 69 0 22 0 70 0 61 Nota: GF= Grande Florianópolis; PS = Planalto Serrano; VI = Vale do Itajaí Tabela 3 – Distribuição dos escores atribuídos pelos pesquisados acima e abaixo da mediana Ainda pela tabela 3 pode-se ver que a mediana da última questão foi igual ao valor mais alto da escala tipo Likert (1 a 7). Um total de 73,7% dos pesquisados atribuiu valores 6 e 7 mostrando que foi a identificação de uma oportunidade que possibilitou o início do empreendimento.
  8. 8. ‹©‹Œ©ƒ…ŽV¡©‘‰e’’“§‘$e”©ƒ‘‰e”'•p–‰—T—F˜‰™‰—V˜‰š‰›©œ‰ ›f–‰—Tž…œ§Ÿ‰–‰ §¡k›©Ÿ ¢9£w¤c£s¥ ¦c§¨'©uªW££«¬t­B£y¨£®W¥ ¬W¯cªW°~±~¬c²cªc«€¯W§³~´¬c¦W¬µ~¬W¶c¥ £y§¤y·¥£w¦W¥ ¨~°u±~¬W¸b®c¥ ¬y¹ˆ£ ·x¬£yµsªcµx·¥£w¤t·¥¨w¶c§ ´§¯ c¨~¯W£ Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007 8 Ressalta-se que a mediana da primeira hipótese foi considerada alta em relação a escala utilizada. Em uma distribuição de freqüência é possível observar que mais de 80% dos respondentes se avaliaram com notas no extremo da escala tipo Likert (5, 6 e 7), ou seja, consideram-se habilidosos para perceber oportunidades. Tal análise demonstra conexão entre o que foi observado nas tabelas 2 e 3, ou seja, há uma maior incidência de pessoas empreendendo por oportunidade e não por necessidade de sobrevivência. 5. Considerações finais Neste artigo procurou-se demonstrar a existência de diferenças quanto as razões que levam empreendedores catarinenses a iniciarem seus negócios. Os dados obtidos mostraram diferenças regionais quanto ao número de empreendedores que iniciam seus negócios por oportunidade ou por necessidade. Apesar de o GEM considerar o Brasil como um dos países com menor taxa de motivação de empreender por ter identificado uma oportunidade, no estado de Santa Catarina, os dados analisados, mostram outra realidade. Os empreendedores catarinenses objeto da pesquisa, em sua maioria, abrem seus negócios pela identificação de uma oportunidade e não por uma necessidade de sobrevivência, salvo os da região Oeste. Na interpretação dos autores deste artigo as razões pelas quais as questões pesquisadas apresentaram tais resultados podem ser decorrentes do alto IDH que o estado de Santa Catarina apresenta em relação aos outros estados brasileiros. Nas análises do GEM nas regiões que apresentam uma alta renda as pessoas tendem a empreender por oportunidade; nas que são consideradas de renda mediana, o que leva as pessoas a empreender é uma necessidade de sobrevivência, o que confirma os resultados deste estudo. Referências ALSOS, G. A. KAIKKONEN, V. Opportunities and prior knowledge: a study of experienced entrepreneurs. Frontiers of Entrepreneurship Research. Wellesley: Babson College, 2004. Available from: http://www.babson.edu/entrep/fer/FER_2004/web-content/Section%20XIII/P1/XIII-P1.html. Acesso em: 2 dec. 2006. ARDICHVILI, A.; CARDOZO, R. RAY, S. A theory of entrepreneurial opportunity identification and development. Journal of Business Venturing, v. 18, p. 105-123, 2003. AYRES, M. AYRES JR., M. Aplicações estatísticas em basic. São Paulo: McGraw-Hill, 1987 BARON, R. A. Opportunity Recognition: a cognitive perspective. Lally school of management technology, Academy of management best conference paper, 2004. BENAVIDES ESPINOSA, M. D. M. GARCIA, I. S. El estudiante universitario como emprendedor: un análisis cualitativo desde la perspectiva de los diferentes agentes implicados. 2004. Disponível em: http://www.uv.es/motiva/libromotiva/24BenavidesSanchez.pdf. Acesso em: 25 abr. 2007. BOSMA, N. HARDING, R. Global Entrepreneurship Monitor: GEM 2006 results. Wellesley/London: Babson College/London Business School, 2007. DE MORI, F.; TONELLI, A.; LEZANA, A. G. R GUILHON, P. T. Empreender: identificando, avaliando e planejando um novo negócio. Florianópolis: Escola de Novos Empreendedores, 2004. ECKHARDT, J. T. SHANE, S. A. Opportunities and entrepreneurship. Journal of Management, v. 19, n. 3, p. 333-349, 2003. GAGLIO, C. M. KATZ, J. The psychological basis of opportunity identification: entrepreneurial alertness. Small Business Economics, v. 16. p. 95-111, 2001. GARCIA, J. R. O comportamento estratégico do empresário das micro e pequenas empresas catarinenses sob a perspectiva da escola do empreendedor. 2007. 114 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) -
  9. 9. º©º»©¼ƒ¼…½V¾¡¿©À‰¾eÁ’§À$¾eÿ©¼ƒÀ‰¾eÃ'Äp–‰—T—F˜‰™‰—V˜‰š‰›©œ‰ ›f–‰—Tž…œ§Ÿ‰–‰ §¡k›©Ÿ ¢9£w¤c£s¥ ¦c§¨'©uªW££«¬t­B£y¨£®W¥ ¬W¯cªW°~±~¬c²cªc«€¯W§³~´¬c¦W¬µ~¬W¶c¥ £y§¤y·¥£w¦W¥ ¨~°u±~¬W¸b®c¥ ¬y¹ˆ£ ·x¬£yµsªcµx·¥£w¤t·¥¨w¶c§ ´§¯ c¨~¯W£ Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007 9 Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2007. KANTIS, H. Empreendedorismo em economias emergentes: criação e desenvolvimento de novas empresas na América Latina e no Leste Asiático. New York: BID, 2002. LEZANA, A. G. R. Fundamentos do empreendedorismo. Florianópolis: UFSC/PPGEP. Proferido em aula, out. 2004. LEZANA, A. G. R. TONELLI, A. O comportamento do empreendedor. In: DE MORI, F. (Org.). Empreender: identificando, avaliando e planejando um novo negócio. Florianópolis: ENE, 2004. MINUZZI, J. Habilidades e conhecimentos do empreendedor catarinense, que influenciam no sucesso dos negócios nas primeiras fases do ciclo de vida organizacional. 130 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2007. NIXDORFF, J. SOLOMON, G. Role of opportunity recognition in teaching entrepreneurship. Proceedings of the 2005 50th World Conference of ICSB. Crystal Gateway Marriott - Washington, DC - 15-18 June 2005. http://www.usasbe.org PARK, J. S. Opportunity recognition and product innovation in entrepreneurial hitech start-ups: a new perpective and suporting case study. Technovation, v. 25, p. 739-752, 2005. PNUD. Atlas do desenvolvimento humano no Brasil. Brasília: PNUD, 2003. REYNOLDS, P.; BOSMA, N.; AUTIO, E.; HUNT, S.; DE BONO, N.; SERVAIS, I.; LOPEZ-GARCIA, P. CHIN, N. Global entrepreneurship monitor: data collection design and implementation 1998–2003. Small Business Economics. 24: 205–231, 2005. SAKS, N. T. GAGLIO, C. M. Can opportunity identification be taught? Journal of Enterprising Culture, v. 10, n. 4, p. 313, 2002. SARASON, Y.; DEAN, T. DILLARD, J. F. Entrepreneurship as the nexus of individual and opportunity: a structuration view. Journal of Business Venturing, v. 21, p. 286–305, 2006. SCHULTZ, D. P. SCHULTZ, S. E. Teorias da personalidade. São Paulo: Pioneira Thomson, 2002. SHANE, S. A general theory of entrepreneurship: the individual-opportunity nexus. Cheltenham: Edward Elgar, 2003. SHESKIN, D. Handbook of parametric and nonparametric statistical procedures. Boca Raton: Chapman Hall/CRC, 2000. SPRENT, I. P, SMEETON, N. C. Applied nonparametric statistical methods. Boca Raton: Chapman Hall/CRC, 2001. SIPILÄ, M. Opportunity Recognition in Entrepreneurial Studies. Seminar in Business Strategy and International Business, 2006. Disponível em: http://www.tuta.hut.fi/studies/Courses_and_schedules/ Isib/TU- 91.167/seminar_papers_2006/Miika_Sipila.pdf. Acesso em: 14 nov. 2006. STUART, T. E. SORENSON, O. Social networks and entrepreneurship. In: ALVAREZ, S. A.; AGARWAL, R. SORENSON, O. (Ed.). Handbook of entrepreneurship research: disciplinary perspectives. New York: Springer, 2005. p.233-252.

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