Distribuição de insumos no agronegócio (texto) Marcelo A. Whately, jul-2011

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Pesquisa realizada sobre a distribuição de insumos no agronegócio. Panorama do mercado mundial e brasileiro, características desta distribuição e ações de melhoria encontradas para redução de conflitos.

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Distribuição de insumos no agronegócio (texto) Marcelo A. Whately, jul-2011

  1. 1. Marcelo Alcantara Whately Distribuição de Insumos no Agronegócio BrasileiroTema proposto para avaliação e seleção de novo associado na Markestrat. Julho/2011
  2. 2. Sumário1 - Introdução ............................................................................................................ 032 - Contextualização .................................................................................................. 04 2.1 – Fertilizante ...................................................................................................... 04 2.2 – Defensivo ....................................................................................................... 06 2.3 – Previsão mundial para o agronegócio .............................................................. 083 – Distribuição de insumos ...................................................................................... 09 3.1 – Conflitos na rede de distribuição de insumos.................................................. 11 3.2 – Soluções para os conflitos encontrados na distribuição de insumos ............... 134 – Ações de melhoria encontradas atualmente ....................................................... 14Referências Bibliográficas ........................................................................................ 14 2
  3. 3. 1) Introdução Este trabalho teve como objetivo a elaboração de uma análise do mercado deinsumos agropecuários no Brasil, com foco em sua cadeia de distribuição. Os insumosconsiderados foram os fertilizantes e corretivos, defensivos agrícolas, sementes einsumos veterinários. Uma análise mais profunda e detalhada foi feita em relação aosfertilizantes e defensivos agrícolas. O estudo justifica-se pelas dimensões e importância do setor agropecuário naeconomia nacional. Em 2010 a participação do agronegócio no PIB brasileiro foi de22,3%, com o valor de R$821 bilhões. Nos anos de 2003 e 2004, essa participaçãochegou a mais de 28%, com um valor ao redor de R$740 bilhões (CEPEA, 2010). Já a divisão de insumos agropecuários representou em 2010 2,42% do PIBnacional, representando 11% do PIB do setor agropecuário. Nos anos de 2003 e 2004 osinsumos agropecuários representaram cerca de 3% do PIB nacional (CEPEA, 2010). NaTabela 01 observa-se a evolução da PIB do agronegócio e dos insumos, assim comosuas respectivas participações no PIB nacional.Tabela 01: Valores e participação do Agronegócio e Insumos Agropecuários no PIBbrasileiro PIB Agronegócio PIB Insumos Agro ANO Milhões R$ - Agro % PIB - Agro Milhões R$ - Insumos % PIB Insumos 1994 597.309 28,4 53.257 2,5 1995 614.762 24,2 51.613 2,0 1996 604.785 22,1 52.172 1,9 1997 599.440 21,3 51.458 1,8 1998 602.914 21,3 54.519 1,9 1999 614.023 22,2 59.237 2,1 2000 614.626 22,9 61.030 2,3 2001 625.363 23,3 63.499 2,4 2002 680.443 25,3 72.797 2,7 2003 724.910 28,8 81.892 3,3 2004 743.428 28,3 83.029 3,2 2005 708.800 25,8 74.593 2,7 2006 712.008 23,9 72.590 2,4 2007 768.202 24,1 82.018 2,6 2008 821.560 25,2 96.744 3,0 2009 779.791 23,2 87.804 2,6 2010 821.060 22,3 88.853 2,4Fonte: CEPEA, 2010 3
  4. 4. 2) Contextualização Serão abordadas análises do mercado de fertilizantes, defensivos agrícolas e asituação atual do agronegócio mundial e brasileiro.2.1) Fertilizantes Conforme dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), noano de 2010 foram entregues ao consumidor 24,5 milhões de toneladas de fertilizantes,uma quantidade 9,4% maior comparada à de 2009. Desde 2006 a quantidade defertilizantes entregues ao consumidor cresceu 17%. O Brasil ocupa o quarto lugar entreos maiores países consumidores deste insumo, atrás da China, Índia e EUA. A produção nacional de fertilizantes permaneceu relativamente estável ao redorde 9,0 milhões de toneladas/ano desde 2006. A diferença entre a demanda pelosprodutores e a produção nacional do insumo tem que ser compensada através deimportações. Em 2010 o país importou 15,2 milhões de toneladas, 39% a mais do queem 2009. Tabela 02 apresentam-se os mesmos dados históricos desde 2006.Gráfico 01: Consumo mundial de fertilizantes (toneladas)Fonte: FAO (2008 apud SEAE, 2011)Tabela 02: Fertilizantes: entrega ao consumidor final, produção e importação.Acumulado de Janeiro a Junho e acumulado Anual.Fonte: ANDA (2011) 4
  5. 5. A safrinha 2011 e as antecipações de compras de insumos para a safra de verão2011/12, têm elevado a demanda de fertilizantes recentemente. As vendas no primeirosemestre de 2011 cresceram 30% em relação ao mesmo período de 2010. Somente emjunho de 2011 as vendas cresceram 50%. As importações também cresceram na ordemde 50% sobre junho de 2010 (Valor Econômico, 2011). Essa forte demanda por fertilizantes pode ser explicada pelos altos preços dascommodities agrícolas que incentivam maiores produções. De acordo com o Ministérioda Agricultura o faturamento das principais lavouras do Brasil deve crescer 10,4% emrelação a 2010, podendo alcançar R$119 bilhões em 2011 (Valor Econômico, 2011). OGráfico 02 demonstra esse crescimento no consumo de fertilizantes apresentado noprimeiro semestre de 2011 (dados acumulados de Janeiro a Junho).Gráfico 02: Entrega, produção e importação de fertilizantes no Brasil – dadosacumulados de janeiro a junho.Fonte: ANDA (2011). Observando valores históricos nota-se que o valor deste insumo e dascommodities agrícolas caminham juntos. Em 2007 e 2008 percebe-se a valorização dosfertilizantes (Gráfico 03) como consequência do aumento dessas commodities. E partirde 2008 houve queda dos preços das commodities agrícolas e minerais devido à criseeconômica ocorrida no final daquele ano, baixando assim os preços do insumo, que sãodiretamente relacionados ao preço de sua matéria-prima, as commodities minerais. Jáem 2010 percebe-se uma tendência ascendente dos preços de fertilizantes devido àretomada da demanda agrícola (SEAE – Min. Fazenda, 2011). Mais importante do que a análise apenas dos preços, é essencial observar arelação de troca (RT) entre a quantidade de produto agrícola e fertilizantes. Essarelação, geralmente descrita em quantidade de produto agrícola necessária para compraruma tonelada de fertilizante, indica o poder de compra do insumo. No Gráfico 04encontra-se o histórico dessa relação para diversos produtos agrícolas, onde é possívelidentificar o aumento da RT nos anos de 2007 e 2008. 5
  6. 6. Gráfico 03: Preço fertilizantes (Valores relativos à base 2002).Fonte: MDIC apud SCOT Consultoria (2010).Gráfico 04: Relação de troca. Quantidade* de produto X tonelada de fertilizante.Fonte: CONAB (2010).* A unidade de quantidade varia de cada produto. Algodão: 01 unidade corresponde auma arroba (15kg); arroz irrigado: uma saca (sc) de 50kg; demais produtos: uma sc de60kg. Em 2010, a RT estava em níveis equivalentes aos anos de 2006 e 2007basicamente devido à diminuição dos preços de fertilizantes no último ano. Em 2011,porém, a alta das commodities, que elevou a demanda dos produtores por insumos, deveser responsável por elevar o preço dos fertilizantes ao longo do ano. Segundo DaviRoquetti Filho, diretor executivo da ANDA, apesar do aumento atual dos preços defertilizantes, a relação ainda encontra-se em um bom patamar para os produtores (OEstado de São Paulo, 2011). Tomando a Uréia como exemplo, seu preço em junho de 2011 estava 16% maiscaro do que no mesmo período em 2010. Hoje se encontra a tonelada a US$525,00 e em2010 seu valor era US$451,00 (Rabobank apud Notícias Agrícolas, 2011).2.2) Defensivos agrícolas A necessidade do uso de defensivos agrícolas no Brasil é grande devido ao climatropical, favorável às doenças e pragas. Os principais defensivos agrícolas utilizados sãoo herbicida, o inseticida e o fungicida. Em 2009 foram comercializadas 725.000toneladas de defensivos no Brasil, ou US$6,6 bilhões. O comércio mundial de defensivos agrícolas gira hoje em torno de US$40,0bilhões. Em 1998 este valor chegou a U$45,0 bilhões. 6
  7. 7. Gráfico 08: Mercado mundial de defensivos (US$ bilhões).Fonte: Relatórios do setor (2011). Identifica-se uma queda no comércio crescente de defensivos agrícolas a partirde 1998. A principal explicação deste movimento foi o início do uso comercial datecnologia dos Transgênicos, ou Organismos Geneticamente Modificados (OGM), paraprodução agrícola. Sementes geneticamente modificadas, com resistência a herbicidasdiminuem a necessidade de uso de herbicidas específicos, que por sua vez são bem maiscaros que os não-seletivos. Também existem OGMs resistentes à pragas, o quecontribuiu para a diminuição da necessidade de uso de inseticidas. O crescimento do comércio mundial de defensivos a partir de 2008 éconsequência principalmente do crescimento de mercado nos países emergentes, queaumenta a demanda por insumos. No Gráfico 09 está exibida a comparação de uso dedefensivos entre países, onde o Brasil encontra-se em segundo lugar atrás dos EUA,com 15% da utilização mundial de defensivos (US$).Gráfico 09: Uso mundial de defensivos agrícolas em 2010 (US$).Fonte: Relatórios do setor (2011). Comparando-se a utilização mundial de defensivos e fertilizantes podem-sedestacar alguns pontos interessantes. A China é o maior consumidor de fertilizantes,enquanto a utilização de defensivos é relativamente pequena Já o Japão, não está na listados principais consumidores de fertilzantes, mas encontra-se entre os três maiores paísesconsumidores de defensivos (em US$). Isto explica-se devido ao fato do cultivo japonêsser bastante intensificado (devido sua pouca disponibilidade de área), o que aumenta anecessidade de uso de defensivos. E como a escala de produção no país é pequena, 7
  8. 8. comparada a países como Brasil e EUA, os preços de defensivos acabam sendo maisaltos. Há defensivos no Japão que são vendidos em embalagens de 250g, enquanto noBrasil, por exemplo, as embalagens chegam a 200 litros, sendo assim comercializadoscom um valor menor por unidade. Já na China, o consumo de defensivos não éexpressivo quando comparado com sua extensão territorial. Isso aconteceprincipalmente devido ao país ser fabricante de defensivos genéricos, com valor muitoabaixo da média mundial. Outro fator que explica a baixa utilização deste insumo, é queo nível tecnológico empregado na agricultura é relativamente baixo, principalmentequando comparado à países como o Japão. Em relação aos fertilizantes, a China égrande consumidora em quantidade, pois também é um país produtor deste insumo,tornando-o acessível aos produtores locais. No Brasil a cultura da soja é a maior consumidora de defensivos agrícolas, sendoresponsável por com 48% de todo o mercado. A cultura do milho fica em segundo lugarcom 11% dos defensivos utilizados na agricultura brasileira em 2010, conformedemonstrado no Gráfico 10.Gráfico 10: Uso de defensivo por cultura no Brasil em 2010 (US$).Fonte: Relatórios do setor (2011).2.3) Previsão Mundial para o Agronegócio Conforme dados atualizados e publicados pelo relatório de Estimativas deSuprimento e Demanda do Agronegócio Mundial (WASDE Report, sigla em inglês)citados pelo jornal Valor Econômico (14/07/2011), a previsão é que os estoquesmundiais da maioria das commodities agrícolas permaneçam baixos após a safra2011/12, mantendo os preços em níveis elevados, o que sinalizaria uma maior produçãoe conseqüentemente uma maior demanda por insumos. Mesmo com as estimativas de uma produção americana de milho recorde (342,0milhões de ton), a demanda crescente deve absorver toda a produção, sendo que boaparte deve ser destinada à produção de etanol, responsável por 131,0 milhões detoneladas. A produção americana de trigo também crescerá, porém será insuficientepara suprir o consumo. Os estoques mundiais devem diminuir ao redor de 4%. Quanto àsoja, as estimativas são que a produção americana deve cair pelo segundo anoconsecutivo, contribuindo para a diminuição dos estoques mundiais. 8
  9. 9. As previsões do USDA para o Brasil têm tendências parecidas com as mundiais.A produção de milho deve ficar estável em 55,0 milhões de toneladas, enquanto oconsumo deve aumentar por dois anos consecutivos. Em 2011/12 o consumo estáprevisto em 50,5 milhões de toneladas e o estoque deve diminuir 28%, permanecendocom 6,19 milhões de toneladas. Os estoques domésticos de soja devem recuar 10%,contribuindo para a queda dos estoques mundiais enquanto seu consumo internotambém é crescente. As previsões de estoques para o trigo no Brasil estão estáveis paraesta safra de 2011/12: consumo e importações devem se manter constantes e existe umaqueda prevista de 1,0 milhão de toneladas na produção nacional, o que deve reduzir asexportações. Na Tabela 03 encontram-se os dados selecionados do relatório WASDE/USDApublicado em julho de 2011.Tabela 03: Previsão de estoques mundiais e brasileiros de milho, soja e trigo para asafra 2011/12.Fonte: Adaptado de WASDE/USDA (2011). 3) Distribuição de insumos “Canais de distribuição são conjuntos de organizações interdependentesenvolvidas no processo de disponibilização de um produto ou serviço para uso ouconsumo” (AMA, apud Teixeira; Neves; Scare, 2004), portanto a cadeia de suprimentosde insumos agropecuários depende de seus canais de distribuição para ser bem-sucedida. Considerando o tamanho e a importância do agronegócio brasileiro e suatendência de crescimento devido à alta dos preços das commodities agrícolas, julga-seimportante o estudo da distribuição de insumos no Brasil, pois a pressão de utilizaçãosobre o setor tende a crescer devido à maior demanda por insumos vinda da maiorintenção de produção das commodities agrícolas por parte dos produtores rurais. A distribuição de insumos no Brasil pode ser exibida através de um fluxogramaconforme exibido na Figura 01. A indústria fabricante de insumos vende no atacado 9
  10. 10. para distribuidores e revendedores ou vende diretamente para o consumidor final, oprodutor rural. Os revendedores vendem no varejo, distribuem em demais lojas casoseja uma rede ou vendem diretamente ao produtor. As cooperativas também compraminsumos no atacado e revendem para seus produtores associados ou no varejo. Considerando somente a rede de distribuição de insumos veterinários, percebe-se que a estrutura é a mesma para os insumos agrícolas. Na Figura 02 há um exemplo darede de distribuição de insumos veterinários. Na Figura 03 encontra-se a visão do autor sobre a rede de distribuição deinsumos. No caso percebe-se a ausência da agroindústria após a produção agropecuária;os canais de distribuição são os mesmo dos apresentados na distribuição de insumosveterinários (revendas, cooperativas e vendas diretas) e nota-se a ausência dos canais devenda como internet e agentes externos. O canal de revendas não está dividido,demonstrando a existência de grandes revendas que possuem pequenas lojas regionais.Destaca-se o atacado e varejo e porção de cooperativas que não participam do varejo,por venderem somente para produtores associados em alguns casos. Percebe-se aatuação de vendedores por todos os canais da rede.Figura 01: Sistema de distribuição de insumos.Fonte: Neves e Castro (2003, apud Teixeira; Neves; Scare, 2004). 10
  11. 11. Figura 02: Rede de distribuição de insumos veterinários.Fonte: Waak e Moraes (1999).Figura 03: Rede de distribuição de insumos agropecuários.Fonte: Elaborado pelo autor. 3.1) Conflitos na rede de distribuição de insumos. Para aperfeiçoar essa cadeia de distribuição encontram-se estudos sobre clustersexclusivos do agronegócio, denominados agriclusters, como uma alternativa para acompetitividade de regiões que têm como principal sustentação a atividadeagroindustrial (Ostroski e Medeiros, 2003). 11
  12. 12. O conceito de cluster é o agrupamento de quaisquer atividades independente dotamanho de suas unidades produtivas e da natureza da atividade desenvolvida, com oobjetivo de manter sua sustentabilidade através das relações interdependentes entre osagentes do setor. Ou seja, cooperação vertical e horizontal entre os agentes docomplexo, sendo este de atividades industriais, de serviços ou inclusive de atividadesagropecuárias. Baseando-se nos conceitos de cluster, a Associação Brasileira doAgronegócio (ABAG) sugere o termo agricluster, criado para casos de complexosagroindustriais (Ostroski e Medeiros, 2003). Os mesmos autores citam que: No conceito de agricluster, o elemento central é a cadeia produtiva, em torno da qual se organizam os clientes e canais de distribuição, a indústria de insumos e fatores de produção. Soma-se ainda a infra-estrutura especializada, uma rede de prestadores de serviços, associações e entidades de apoio, universidades, instituições de pesquisa e serviços de treinamento para a capacitação de mão-de-obra. Esse conjunto de elementos deve se integrar para permitir o crescimento do agricluster e sua sustentabilidade (Ostroski e Medeiros, 2003). Portanto para esses complexos agroindustriais funcionarem de acordo com oagricluster proposto, a distribuição de insumos exerce grande importância e precisafuncionar sem conflitos para todos envolvidos serem beneficiados. No entanto, tanto a observação da prática quanto diversos trabalhos acadêmicos,têm mostrado a existência de conflitos entre fabricantes e revendedores que reduzem aeficiência dos canais de distribuição em geral. Os conflitos nas redes de distribuição deinsumos agropecuários também são comuns. Nas vendas diretas das empresasfornecedoras para produtores, as mesmas se beneficiam por evitar a redução de margensocorrida quando seus produtos são revendidos. Neste caso as revendas são prejudicadaspor não atuarem mais como canal de distribuição. Outra fonte de conflito com vendasdiretas é quando os critérios de atuação de vendedores diretos não ficam claros para asrevendas, causando sentimento de desconfiança das revendas em relação aosfornecedores, diminuindo a cooperação e parceria. A ausência de política territorialtambém é geradora de conflitos entre revendas, aumentando assim a competição pelosmesmos clientes que intensificam suas cotações (Castro; Neves; Scare, 2004). Essa concorrência entre múltiplos canais de venda (direta e revendas) tem suasvantagens e desvantagens e deve ser controlada pelas empresas fornecedoras, mediandoe cultivando a confiança e cooperação em todos os canais. É necessário destacar que osvários canais de vendas são importantes de acordo com o tamanho da linha de produtosdo fornecedor. Cada canal de venda é melhor para determinados produtos, explorandoassim maiores vendas pelo fornecedor (Castro; Neves; Scare, 2004). Outros pontos de conflito encontrados são que as revendas não querem diminuirsuas margens e os fornecedores vendem serviços para redução de custos dos produtores,através de tecnologia e financiamentos; ações de marketing devem ser negociadas para adeterminação de quem deve realizá-las. Além disso as revendas lidam com aconcentração de produtores para maior poder de negociação e também com aconcentração das empresas fornecedoras que proporciona maior poder sobre o mercado(Neves et al., 2001). A relação entre fornecedores e revendas é importante também para amanutenção de bom relacionamento com o consumidor final. A comunicação, osserviços prestados, os produtos oferecidos, a qualidade das informações e dos pedidosficam melhores quando todos os elos são interdependentes. Afinal todos dependem desuas marcas. 12
  13. 13. 3.2) Soluções para os conflitos encontrados na distribuição de insumos Atualmente, o comércio de defensivos gira em torno de US$4,0 bilhões e 60%dos defensivos são comercializados através de revendas (ANDAV, 2009) que sãoaproximadamente 8.000 unidades em todo o Brasil (Neves e Castro, 2003 apudTeixeira; Neves; Scare, 2004). Somente os insumos veterinários representam US$1,0bilhão do mercado insumos brasileiros (Waak e Moraes, 1999). Considerando a atuação das revendas de insumos agropecuários no agronegóciobrasileiro, soluções devem ser propostas e implantadas para diminuir os conflitospresentes na rede de distribuição. A ação conjunta entre fornecedores e revendedores deve ser estimulada e assimbeneficiar todos atuantes da cadeia. O revendedor estando mais próximo do consumidorfinal é quem carrega a reputação do fornecedor. Caso sua relação com o fornecedor sejainstável, o cliente perceberá, diminuindo o nível de confiança e aumentando o risco deperda de clientes, tanto para a revenda quanto para o fornecedor. Primeiramente a questão administrativa das revendas precisa estar em boascondições para o bom funcionamento deste canal de distribuição, o que não éencontrado em grande parte das revendas agropecuárias no país. A gestão empresarial eo nível de profissionalismo nas revendas agropecuárias deixam a desejar em 35% dasrevendas do país (Ferreira e Marino, 2008 apud Marino e Neves, 2008). Já os fornecedores que estruturam e aperfeiçoam sua distribuição, conseguemvantagem competitiva no mercado e também conseguem obter conhecimentosnecessários para construir uma estrutura de prestação de serviços, se diferenciandoainda mais dos concorrentes. Importante salientar que todos intermediários comerciais elogísticos também estão envolvidos e todos devem compartilhar os mesmos objetivos,evitando conflitos e rupturas nas relações de canal (Paz, 2000 apud Lemos, 2008). A prestação de serviços é um atrativo para clientes que também se aplica aosfornecedores e às revendas agropecuárias. Disponibilizar informações como websites,boletins sobre o setor, revistas e vendedores bem preparados; oferecer treinamento aosrevendedores e aos clientes; compartilhar estruturas das revendas com clientes comoestoque para grãos e sua equipe, disponibilizando bons técnicos aos clientes sãoserviços interessantes para serem oferecidos (Cônsoli; Neves; Rossi, 2008 apud Marinoe Neves, 2008). Como as revendas atuam regionalmente, podem e devem aproveitar sua força naregião disponibilizando mais serviços e informações customizadas aos clientes. Porexemplo, podem fazer um levantamento detalhado das características do solo da regiãoe oferecer análises de solo; realizar pesquisas e levantamento para determinar melhoresmétodos de prevenção e controle das doenças agropecuárias encontradas na região;conduzir experimentos com novos produtos e organizar dias de campo para os clientesconferirem na prática o potencial do produto; disponibilizar equipamentos para aluguelou formar grupos de clientes que desejam um mesmo equipamento e realizarem umacompra conjunta. Essas opções têm o objetivo de agregar escala às revendas, aumentarseu volume de vendas e alavancar assim as vendas do fornecedor, passando a ser umcanal de aumento de vendas para fornecedor e não somente um canal de escoamento. 13
  14. 14. 4) Ações de melhoria encontradas atualmente. Com o objetivo de melhorar a rede de distribuição de insumos agropecuários sãoencontrados diversos trabalhos em andamento no setor. Existem inúmeras associações de revendedores pelo país buscando a união eprofissionalização destes profissionais. A Associação Nacional dos Distribuidores deInsumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV) tem a função de unir e representar todas asrevendas, buscando a evolução do setor através da profissionalização dos distribuidorescom treinamentos, parcerias e assessorias. Hoje a ANDAV conta com 1.000 associados. A iniciativa privada para melhoria dessa distribuição também é notável. Indústriasfornecedoras de insumos investem em capacitação de seus revendedores, buscando orelacionamento ganha-ganha para conquistar maiores vendas, maior rapidez nadistribuição, profissionalização das revendas, aumento dos resultados das revendas edesta maneira oferecer melhores serviços aos consumidores finais. Alguns exemplosdessa iniciativa são as empresas BASF (Marino; Cônsoli; Neves, 2008 apud Marino;Neves, 2008) e FMC (Markestrat). Referências bibliográficasANDA – Associação Nacional para Difusão de Adubos. Estatísticas. Disponível em: <http://www.anda.org.br/estatisticas.aspx>. Acesso em 13 Julho de 2011.ANDAV – Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Pecuários.Disponível em: <www.andav.com.br>. Acesso em 13 Julho de 2011.CASTRO, Luciano Thomé e; NEVES, Marcos Fava; CONSOLI, Matheus Alberto;CAMPOS, Everton Molina. Relacionamento e conflitos em canais de distribuição:um estudo em insumos agrícolas. Revista de Administração, v.42, n.2, 2007.Disponível em: < http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/rausp/v42n2/v42n2a5.pdf>.Acesso em 14 Julho de 2011.CASTRO, Luciano Thomé e; NEVES, Marcos Fava; SCARE, Roberto Fava. Conflitosem Canais de Distribuição: O Caso dos Canais Múltiplos no Mercado de InsumosAgrícolas no Brasil. Anais... XLII Congresso da SOBER, 2004. Disponível em:<http://www.sober.org.br/conteudo.php?item_menu_id=6&mostra_congresso_realizado=1&id_realizado=12>. Acesso em 14 Julho de 2011.CEPEA - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada-ESALQ/USP. PIB doAgronegócio – Dados de 1994 a 2010. Disponível em: <http://www.cepea.esalq.usp.br/pib/>. Acesso em 13 Julho de 2011.CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Disponível em:<http://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=543&t=2 >. Acesso em 13 Julho de 2011.MARINO, Matheus Kfouri; NEVES, Marco Fava (organizadores). A revendacompetitiva no agronegócio: como melhorar sua rentabilidade. São Paulo, ed. Atlas,2008. 14
  15. 15. MARKESTRAT – Centro de Pesquisa e Projetos em Marketing e Estratégia. Disponívelem: <www.markestrat.org>. Acesso em 15 Julho de 2011.NEVES, Marco Fava; CASTRO, Luciano Thomé e; BOMBIG, Rodrigo Teixeira;FAZANARO, Karla. Mudanças no Ambiente de Vendas de Insumos Agropecuários.Anais do XXXIX Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural, SOBER,Recife, 2001. Disponível em: <http://www.favaneves.org/arquivos/pdf155.pdf>. Acessoem 14 Julho de 2011.NOTÍCIAS AGRÍCOLAS. Rabobank aposta em alta dos preços dos fertilizantes nospróximos meses. Disponível em:<http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/92167-rabobank-aposta-em-alta-dos-precos-dos-fertilizantes-nos-proximos-meses.html>. Acesso em 15 Julho de2011.O ESTADO DE SÃO PAULO, Jornal. Agricultor antecipa compra de insumos. Ano57, n.2904. Edição de 6 Julho de 2011.OSTROSKI, Diane Aparecida; MEDEIROS, Natálio Henrique. Dos complexosagroindustriais à ascensão dos agriclusters. In: ENCONTRO NACIONAL DEENGENHARIA DE PRODUÇÃO, Anais... Ouro Preto, 2003. Disponível em<http://www.ie.ufu.br/ix_enep_mesas/Mesa%2027%20-%20Economia%20agr%C3%A1ria%20e%20do%20meio%20ambiente%20II/Os%20Clusters%20agroindustriais.PDF>. Acesso em 14 Julho de 2011.PORTAL DO AGRONEGÓCIO. Alta de preço de insumo pode reduzir lucro dapróxima safra. Disponível em:<http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=17437>. Acesso em 15Julho de 2011.SCOT Consultoria. Relação de troca – cada um tem a sua! Carta Insumos, ano 4,edição 42, 2010.SEAE – Secretaria de Acompanhamento Econômico, Ministério da Fazenda.Panorama do mercado de fertilizantes – Maio/2011. Disponível em:<http://www.seae.fazenda.gov.br/central_documentos/panoramas-setoriais/?searchterm=panoramas>. Acesso em 16 Julho de 2011.TEIXEIRA, Lucas; NEVES, Marcos Fava; SCARE, Roberto Fava. Auditoria e sistemade informação em canais de insumos do agronegócio: proposta de uma ferramentade pesquisa. Gestão e Produção, vol.11, n.3, 2004. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/gp/v11n3/a12v11n3.pdf>. Acesso em 13 Julho de 2011.VALOR ECONÔMICO, Jornal. Vendas de fertilizantes sobem 30% no semestre.Edição de 13 Julho de 2011.USDA – United Sates Department of Agriculture. WASDE - World AgriculturalSupply and Demand Estimates. Disponível em:<http://www.usda.gov/oce/commodity/wasde/>. Acesso em 13 Julho de 2011. 15
  16. 16. WAAK, Roberto Silva; MORAES, Silvia. Gestão de contas especiais (key accounts)no mercado veterinário. Anais... IV SEMAD FEA/USP, 1999. Disponível em:<http://www.ead.fea.usp.br/semead/4semead/artigos/pnee/Waack_e_Moraes.pdf>.Acesso em 14 Julho de 2011. 16

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