Uma vaca de estimação

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Uma vaca de estimação

  1. 1. Obra Completa Uma ? faca ele Estírnarçãio Ilustrações de Paul Driver (w 'J e / Y V f) v, v ¡, ,4 4 Ó_ _ u ' _N A - 4' O _ C civilização * 4 Editora
  2. 2. o
  3. 3. Era uma vcz um professor que vivia sozinho no meio dc imensa livra- lhada. Tinha livros espalhados pelo chão, em cinm das cadeiras. debaixo da Canna, na banheira, no frigoríñco, no lava-loiça, dcntro do fogão. Até na sanita! Nenhuma nlulhcr estava para o aturar. Então resolveu arranjar um animal dc (stimaçfu) para lhe fazer companhia_ Que tal un¡ Cão? - pensou ele. Mas o cão podia ladrar dc noite e acorda-lo. Que tal um gato? - pensou ele. Mas o gato podia arranha-lo. Que tal um rato? - pensou ele. Mas o rato podia roer-lhe tanto papel. Foi então consultar um grosso volume, que afirmava logo na primeira página: A vaca ê o mais útil de todos os animais.
  4. 4. p n.
  5. 5. Não hesitou um momento porque achava que os livros falavam sempre verdade. Havia feira naquele dia e para lá se dirigiu a Em de comprar uma vaca. Escolheu, escolheu, escolheu. Finalmente decidiu-sc pela mais barata e levou-a para casa, presa por uma corda. Como hei-de chamar à minha vaquinha? - pôs-se a matutar longamente. Ati: que um nome, mesmo indicado, lhe veio à cabeça: CORNÊIJA. Pois não eram mesmo lindos e delicados os cornitos espetados na sua cabeça? o > _ _ _ '- 'l fêz É; -oornéhmQuerídaCox-nehal , HJ z: -- _' _às X Queridabicharoca. .. u É '- ' " N' . JA fz""
  6. 6. mam»agsxmuái; Ím-: uu-immqmumnwsimoxsmiwuvsxrzfcteñíüüífêílv spnguljtnituz gÍ-_klüpyltlVãllwgmtllllljljylãñüçjmlll um_ 1 Illñ mmioaajggcxv npmiílllliãlmlyâáiííyyígn¡. e-Ísííítu-YKE ; atuaramuJJIrl(o-«p¡n. uIitIM@atumníwgjtujmãu»ums-nLülúnmunuudíllih' _guqnxomgg ; da Lgláíxuniqq «imita-t su) 1 u¡ u ¡úgjnm i Quinn¡ I i Iogu- I m¡ guwílb ' 'il'), ›1_QÊEÍ| ͧn! -1'Íü~1~í§(! umllallâlltsilusíqaxtM: Iñxgnauíhtdnlnaklúlkâíu : A ; j " l a ¡fmn¡ítçlífggurcnnkuítwmito). maix. ñtqlnníixñíííls W-v ~ í / y t. , r í J Í X/ Ne
  7. 7. 0
  8. 8. Resolveu então aproveita-la como cabide. Nun¡ dos chifres pendurou o casaco comprido. no outro, o chapéu e o guarda-chuva. Só que a vaca não estava para ficar quieta. Abanou a cabeçorra e atirou tudo pelo ar. Por azar. o guarda-chuva aterrou num livro de arte e furou-o, de lado a lado.
  9. 9. . . ... ... .. ñriw. .,. ... ._l›, ..kuâ 1.513,1.. 11111.1! _z . , .umwurfs , . Em. .. . nzê . .
  10. 10. -o com creme, mais creme e começou a espalha-lo pela cara. Só que a vaca, justamente nessa altura, foi picada por uma mosca e desatou a dar ao rabo para a enxotar. Coitado do professor! Ficou todo píntalgado de branco! Como não pos- suía outro fato, lá foi obrigado a sair naquela figura. Envergonhado, trocado por toda a gente no meio da rua, acabou por ir para a escola em cuecas.
  11. 11. Na ¡nanhã seguinte, o animal ñcou fechado na varanda. Nun) instant(- comcu todas as plantas dos vasos. Depois, nlçou a cauda por cinna do gradcamcuto c foi lar-ganda as suas necessidades sobre a cabeça dc quctn passava. Prinlcíro acertou no chapéu dc um careca, depois no capacclc de un¡ gttarda-rcpublicano, cm seguida no véu dc uma noiva que ía a sair para o cnsanlcnto. A rapariga dcsmaiou, os convidados dçsataram aos gritos, ía sendo o ñm do mundo.
  12. 12. u. ? . / É ? L7
  13. 13. 1o r.
  14. 14. O professor ainda pensou ensinar a vaca a ler, visto ser essa a sua profissão. Se ela aprendcsse, podia levã-la para o circo e ganhar assim o sustento dos dois. Mas a Cornélia era mesmo burra, teimosa ou preguiçosa. A única letra que insistia em solctrar era o M. - Mu, mu, mu. .. - mugia irritada com o mestre, que nunca vira pior estu- dante. - Mu, mu, mu. .. - Mu, mu, mu. .. Foi obrigado a desistir.
  15. 15. A fome daquela criatura era espantosa. Não se contentava com o chazinho e as torradas que o dono, amorosatnente, lhe preparava. Deu em comer o fundo das cadeiras de palhinha. , os cortinados, as folhas onde os alunos faziam os trabalhos. Certa manhã, atirou-se à carteira do dono, devorando todas as notas que lá encontrou. Era preciso comprar-lhe sacos c sacos de ração.
  16. 16. ».4-
  17. 17. Quando a casa licou vazia, não teve outro remédio senão ir até ao campo, para ela pasta: - ervinhas frescas e flores do monte. Como mal se aguentava nas pernas, de tanta fome que passara para alimentar a bicha, lembrou-se de a montar. Ao menos passeava Triste ideia a sua pois logo a marota largou a correr, a pular, a escoicinhar, atirando-o pelos ares. Valeu-lhe pousar numañgtneira_ a *x A 'v 'F' . « . FH; 'gx » . . . . _. x t4 ¡ , _., _. . . _ x. x A A . _ _. ,v x A a _ x / “ *" “ ñ Í 4 l ai* _¡ ' mà' s « K 4'». . gw à_ V, A* - K . _ _D_ »_ f' t u' _ -. s«. __
  18. 18. K. , É Í u . an. .x : . . .Nx x .4 z J § , s _ . ,. Í m 3 . ,r x s. .. . y / ._. _
  19. 19. O dono desceu da árvore, aproximou-se : nas já ela dera o último suspiro. Que havia de fazer? 0 motorista da camioneta, homen¡ prático, ao ouvir a história disse-lhe assim: - Não fique triste nen¡ ciumento. De que estava à espera quando resolveu arranjar unna vaca como companheira? Faça como toda a gente! Aproveite a vaca para aquilo que ela serve. Eu ajudo-o a carrega-la para casa. Aí. o professor abriu o único livro que lhe restava, por ter ficado esque- cido dentro do penico. Era o tal que afirmava: A vaca é o mais útil de todos os animais.
  20. 20. __ _anuní . : «mu«. .aw. u.. H.. ... ___
  21. 21. Leu-o e seguiu à risca todos os ensinamentos sobre a utilidade de uma vaca depois de morta. Tirou-lhe a pele e transfortntru-a num belo tapete. Cortou a carne e guardou-a no congelador. Com as tripas encheu chouriços, que deixou pendurados na cozinha. Dos ossos fez colares, pulseiras. pentes e botões. Usou os chifres como cornetas para tocar nas festas. J/ i/
  22. 22. . . um, ... .du . .. »wtf f». r, ... c _. . . .mlk iu. a ; .. . c a . . . . O , z m1,,
  23. 23. Hoje é convidado para bailes e festanças e todos se riem com a sua alegre cancao: Vaca Cornêlia, 'Í ^ muito te amei, J ' i * tudo o que tinha a ti o dei. Mas esse amor logo se foi ao ser trocado, ai, por um boi. Passei vergonhas, fiquei sem cheta. Agora como-te a costeleta.

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