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22b) Sabem tomar decisões     São rápidos nas tomadas de decisão e são seguros quanto a elas.c) São indivíduos que fazem a...
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35particular as casadas e com filhos, a ingressar na força de trabalho buscandocomplementar o orçamento familiar. O Relató...
36       A falta de apoio seja por parte de seus familiares ou amigos (emocional), ouseja, por parte dos bancos que inviab...
37conseguem enfrentar suas dificuldades com um pouco mais de equilíbrio emocionale são mais cautelosas quanto às suas muda...
383 METODOLOGIA        A presente seção aborda os procedimentos metodológicos desenvolvidospara o estudo em questão, que, ...
39análises de conteúdo, através da transcrição das mensagens captadas dasentrevistadas. (ALVES, 2008).       A metodologia...
40de perfil empreendedor extraído do livro do Dornelas (2008) com um universo de oitoempreendedoras de Fortaleza.       A ...
41      1. Insuficiente      2. Fraco      3. Regular      4. Bom      5. Excelente        Ao final do teste, na análise d...
424 RESULTADOS         De acordo com o referencial teórico sobre a evolução do empreendedorismono Brasil e principalmente ...
43           Os itens 15 a 19 abordaram a relação com a criatividade, autoconfiança ehabilidade de adaptação; pode ser per...
44        O histórico dessas mulheres foram dentro da área do segmento atual,algumas iniciando como autônomas; outras em e...
45referencial teórico relata que a rede de contatos parece ser o fator mais influentepara explicar a evolução da visão. A ...
46       A amostra respondeu ao terceiro objetivo específico de forma bem clara quealgumas foram por oportunidade e outras...
47crescente, elas apostam no diferencial, seja ele: produto; tecnologia, qualidade noatendimento; e chegaram até contar co...
48       De acordo com os relatos acima percebe-se como as mulheresempreendedoras lidam com essas questões até mais pessoa...
EMPREENDEDORISMO FEMININO: UM ESTUDO DAS MULHERES EMPREENDEDORAS COM MODELO PROPOSTO POR DORNELAS
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EMPREENDEDORISMO FEMININO: UM ESTUDO DAS MULHERES EMPREENDEDORAS COM MODELO PROPOSTO POR DORNELAS

  1. 1. 0 FACULDADE SETE DE SETEMBRO – FA7 CURSO GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESASEMPREENDEDORISMO FEMININO: UM ESTUDO DAS MULHERESEMPREENDEDORAS COM MODELO PROPOSTO POR DORNELAS LUIZA DÉBORA JUCÁ DAMASCENO Fortaleza – 2010.1
  2. 2. 1 LUIZA DÉBORA JUCÁ DAMASCENOEMPREENDEDORISMO FEMININO: UM ESTUDO DAS MULHERESEMPREENDEDORAS COM MODELO PROPOSTO POR DORNELAS Monografia apresentada à Faculdade 7 de Setembro como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Administração. Orientador: Prof. Maiso Dias, Ms. Fortaleza – 2010.1
  3. 3. 2 EMPREENDEDORISMO FEMININO: UM ESTUDO DAS MULHERES EMPREENDEDORAS COM MODELO PROPOSTO POR DORNELASMonografia apresentada à Faculdade 7 de Setembro como requisito parcial para obtençãodo título de Bacharel em Administração. ________________________________________ Luiza Débora Jucá DamascenoMonografia aprovada em: ______ / ______ / ______ ___________________________________ Prof. Maiso Dias, Ms. (FA7)1º Examinador: ______________________________________Prof. ___________________________Instituição:__________2º Examinador: ______________________________________Prof. ___________________________Instituição:__________ ______________________________ Prof. Hercílio Brito, Ms. (FA7) Coordenador do Curso
  4. 4. 3Dedico este trabalho ao meu avô (pai), AlciMenezes Jucá, (in memoriam) que hojeestaria muito feliz por essa conquista esonho realizado. À minha mãe que semprelutou para que eu pudesse chegar até aqui eao marido pelo incentivo em todos essesanos de estudo, principalmente agora, emque estão todos muito orgulhosos e felizespor mais essa conquista.
  5. 5. 4 AGRADECIMENTOSEm primeiro lugar agradeço a Deus, fonte de todo amor e fortaleza, pelas bênçãosderramadas em minha vida, pela graça de estar cursando essa faculdade, quesempre foi um sonho, pela força e coragem durante esta longa jornada.À minha mãe, Ana Célia Sales Jucá, pela formação, pelo grande apoio que me deuem minha vida. E em especial ao meu esposo, Wladimir Damasceno Silva, quesempre me incentivou e apostou plena confiança em minha trajetória acadêmicaesperando esse grande dia.Aos amigos conquistados durante a jornada na faculdade e aqueles adquiridos aolongo da vida, pelos momentos de alegrias e tristezas compartilhados e por tudo queaprendemos e crescemos juntos.Ao meu primo e sócio, Walter Winner de Andrade, pelas palavras de incentivo epaciência nesse período difícil até a conclusão deste trabalho.Ao meu professor e orientador Maiso Dias, por ter sido mais que um professor,sendo um mestre e com certeza um grande amigo, que com seu incentivo e grandeconhecimento tornou este trabalho realizável, acreditando no meu potencial. Emespecial também, ao professor Teobaldo Mesquita, por toda a dedicação e paciênciapor me ajudar na construção desse trabalho.Às professoras Mariana Aguiar, Luciana Freire, Roseilda Nunes, Luciana Guilherme,Liliane Ramalho e Madalena Matos que me apoiaram no meu dia a dia nos estudosacadêmicos, nos momentos difíceis e principalmente nos momentos maisimportantes com palavras de incentivo que muito valeram à minha vida. Agradeçotambém ao professor Ricardo Coimbra por me ajudar a aprender matemática daforma mais simples da vida e a não temê-la. Aos demais professores e aocoordenador Hercílio Brito, pela dedicação que sempre tiveram. Irei levá-los comigo
  6. 6. 5em todos os seus ensinamentos.À Faculdade 7 de Setembro, por ser uma instituição séria que acredita em princípiosbásicos e faz valer todos eles, ajudando e apoiando seus alunos incessantementepara a edificação de um perfil profissional e ético, ideal para o mercado de trabalho.Agradeço a colaboração de todas as empreendedoras que puderam me ajudar comsuas experiências para que esta pesquisa fosse concluída.Por fim, agradeço a todos que acreditaram em mim e me incentivaram para que eupudesse chegar até aqui.
  7. 7. 6 RESUMODe acordo com os dados atuais da pesquisa internacional GEM – GlobalEntrepreneurship Monitor (2009) as mulheres pela primeira vez em dez anos dapesquisa no Brasil superaram em 53% e os homens em 47%, diante dessecrescimento eminente das mulheres como empreendedoras no Brasil, decidiu-seidentificar o perfil empreendedor da mulher em Fortaleza e saber qual o grau deadequação desse perfil às condições competitivas do mercado. Foi feita umapesquisa de natureza qualitativa e aplicado um roteiro de entrevista e um teste deperfil com uma amostra de micro e pequenas empresárias de Fortaleza. O objetivogeral da pesquisa foi analisar o perfil empreendedor das mulheres em Fortaleza deacordo com a visão da teoria de Dornelas (DORNELAS, 2008) e concluiu-se que asmulheres possuem muitas características similares de acordo com a visão do autor,e que encaram o mercado competitivo com muito otimismo, garra, paixão pelo quefazem e com o jeito feminino de ser. Visto que suas maiores dificuldades são suasculpas e cobranças por estarem ausentes na vida familiar, porém, mesmo assim,conseguem ser mulheres de sucesso como empreendedoras.Palavras-chave: Empreendedorismo. Mulheres Empreendedoras.
  8. 8. 7 ABSTRACTAccording to current data of the international research GEM – GlobalEntrepreneurship Monitor (2009) the women for the first time in ten years of theresearch in Brazil exceeded to 53% and men 47%, in face of this eminent growth ofwomen as entrepreneurs in Brazil, we decided to identify the profile of theenterprising women in Fortaleza and learn what degree of adequacy of this profile isin competitive market terms. A research of qualitative nature was created aninterview guide and a profile test with a sample of micro entrepreneurs from Fortalezawas applied. The main purpose of this research was to assess the entrepreneurshipprofile of women in Fortaleza according to Dornelas’s (DORNELAS, 2008) theoryoverview and we concluded that women have many similar features according to theauthor’s point of view and that they face the competitive market with a lot ofoptimism, vigor, passion for what they do and with a feminine touch. Really havingtheir greatest difficulties in their blames and demands for being absent from familylife, however still being successful women as entrepreneurs.KEY-WORDS: Entrepreneurship, Enterprising women.
  9. 9. 8 LISTAS DE ILUSTRAÇÕESQUADROS1 – Histórico do Empreendedorismo.........................................................................152 – Características de Acordo com Filion..................................................................233 – Oportunidade x Necessidade..............................................................................29FIGURAS1 – Evolução da Taxa de Empreendedores Iniciais (TEA) Brasileira em Comparaçãocom a Média dos Países Participantes do GEM de 2001 a 2008..............................262 – Evolução dos Empreendedores Iniciais, Empreendedores Nascentes eEmpreendedores Novos do Brasil de 2001 a 2008....................................................273 – Evolução das Proporções dos Empreendedores Nascentes e Novos do Brasil de2001 a 2008.............................................................................................................. ..27
  10. 10. 9 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO............................................................................................ 101.1 Objetivos..................................................................................................... 111.1.1 Objetivo Geral............................................................................................. 121.1.2 Objetivos Específicos.................................................................................. 121.1.3 Estrutura do Trabalho ................................................................................. 122 REFERENCIAL TEÓRICO.......................................................................... 142.1 Análise Histórica do Empreendedorismo.................................................... 142.2 Diferença entre Administrador e Empreendedor........................................ 182.3 Características do Empreendedor.............................................................. 212.4 O Perfil da Atividade Empreendedora do Brasil......................................... 242.5 Empreendedorismo: Oportunidade x Necessidade.................................... 282.6 Empreendedorismo Feminino.................................................................... 302.7 Dificuldades Enfrentadas pelas Mulheres Empreendedoras........................................................................................ 353 METODOLOGIA........................................................................................ 383.1 Pesquisa Qualitativa................................................................................... 383.2 Técnica de Coleta de Dados....................................................................... 394 RESULTADOS........................................................................................... 425 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................ 50 REFERÊNCIAS .......................................................................................... 52 APÊNDICES................................................................................................ 55
  11. 11. 101 INTRODUÇÃO O empreendedorismo, bem como o perfil empreendedor e as razões quelevam ao ato de empreender são assuntos de muitos pesquisadores na área deadministração. Estudos referentes aos tipos de empreendedor, as razões desucesso de alguns empreendimentos e as variáveis que influenciam o processo deempreender geram a cada dia novas variáveis e novos modelos a serem estudados. De acordo com algumas pesquisas realizadas em fontes de dados atuais emalguns sites, pode-se observar que as mulheres têm crescido consideravelmentecomo empreendedoras. Com o apoio do SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro ePequenas Empresas e a SOFTEX – Sociedade Brasileira para Exportação deSoftware, o empreendedorismo passou a ter visibilidade no Brasil. O SEBRAE e outras parcerias criaram o Prêmio SEBRAE Mulher deNegócios e obtiveram na última edição 3.060 inscrições; o Ceará ficou em 3º lugarno ranking do Nordeste, com 134 mulheres de negócios inscritas. Já a pesquisainternacional GEM – Global Entrepreneurship Monitor (2008) mostrou que elas járepresentam 46% do total de 14,6 milhões de empreendedores e em 2009 os dadosjá superaram em 53% para as mulheres e em 47% para os homens. Os resultadosdessa pesquisa são representativos para aqueles que trabalham com o fenômenoempreendedorismo e a grande novidade é que, pela primeira vez, as mulheresobtiveram um resultado superior. Em dez anos da pesquisa GEM no Brasil, muitacoisa mudou no perfil e na postura empreendedora dos brasileiros. Empreendedorese empresários de negócios de pequeno porte já entenderam que, para iniciar egerenciar um empreendimento com sustentabilidade, o melhor caminho é sempre odo conhecimento. Quanto mais informação o empresário tiver, mais competitiva seráa empresa. Outro detalhe é que as mulheres também superaram os homens comoempreendedoras por oportunidade, intensificando ainda mais o grau de capacitaçãoe responsabilidade. Diante desse crescimento intensificado das mulheres como empreendedorasno Brasil, decidiu-se identificar o perfil empreendedor das mulheres e saber como aselas enfrentam dificuldades para tornarem-se mulheres de sucesso. Foi escolhidopara esta pesquisa o livro “Empreendedorismo – Transformando Idéias emNegócios”, do Dornelas (2008) para ser feita uma análise comparativa de acordocom a teoria abordada.
  12. 12. 11 Como destacado anteriormente, o empreendedorismo feminino ganhaimportância para a economia nacional e desperta muitas curiosidades pelo tema. Opresente trabalho tem como objetivo analisar o perfil do empreendedorismofeminino, através de conceitos e fundamentos, do contexto do cenário nacional eexplorar um pouco mais o cenário de Fortaleza, onde a pesquisa será aplicada. Gil (2007) afirma que toda pesquisa se inicia com algum tipo de problema. Econceitua pesquisa como um procedimento racional e sistemático que tem comoobjetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. O problema de pesquisa é um assunto em forma de questionamento quecarece de uma resposta. De acordo com o que foi apresentado até aqui, foi definidocomo a problemática da pesquisa a seguinte pergunta: Como se caracteriza operfil empreendedor da mulher em Fortaleza e qual o grau de adequação desseperfil às condições competitivas do mercado? A pesquisa é de natureza qualitativa, bibliográfica e de campo com aaplicação de um roteiro estruturado através de uma entrevista com uma amostra porjulgamento de empresárias de segmentos diferentes, em Fortaleza. A escolha da amostragem de julgamento segundo Anderson (2008) équando o pesquisador escolhe seus elementos por julgar serem maisrepresentativos sobre o assunto. Esse método torna-se um pouco mais simples deselecionar a amostra. Quando se estuda uma amostra, pode-se obter melhorresultado fazendo um trabalho mais cuidadoso do que seria feito em uma populaçãointeira. É visto que o estudo de uma amostra, desde que seja de tamanho adequadoe que represente adequadamente uma população, pode proporcionar resultado. Caso se possa conhecer a mente do empreendedor, como ele pensa, age,executa e transforma a sua história abstrata em fato real, por meio de estudosaplicados, será possível criar atributos que permitam identificar semelhanças ediferenças entre os empreendedores pesquisados, estabelecendo índices que,quando analisados e comparados, contribuirão para a criação de parâmetros deanálise e interpretação do potencial empreendedor (TIMMONS, 1989). A pesquisa terá a seguir o objetivo geral e os específicos e posteriormente oreferencial teórico sendo dividido por seções sumarizadas.1.1 Objetivos Os objetivos a seguir são um resultado a ser alcançado no estudo, e é
  13. 13. 12através de sua definição que se comprovará o que será atingido e realizado durantea investigação. Segundo os autores pesquisados, o objetivo é dividido em doismomentos: o objetivo geral e os objetivos específicos.1.1.1 Objetivo Geral Analisar o perfil empreendedor das mulheres em Fortaleza de acordo com avisão da teoria de Dornelas.1.1.2 Objetivos Específicos  Identificar as principais características empreendedoras das mulheres no mercado de Fortaleza.  Identificar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres empreendedoras no mercado competitivo de Fortaleza.  Descobrir dentro do perfil das mulheres entrevistadas se houve empreendedorismo por necessidade ou por oportunidade.1.1.3 Estrutura do Trabalho A seção de número dois contextualiza sobre referencial teórico e asexplicações das escolhas quanto aos temas abordados na presente pesquisa.Descreve os fundamentos teóricos referentes ao tema tornando o discurso relevantepara a sua conceituação, em que são abordados e divididos em sete subseções. A primeira subseção abordará o empreendedorismo dentro do contextohistórico, da sua fase inicial até os dias de hoje. A segunda subseção irá mostrar as diferenças entre o administrador e oempreendedor. Onde esse tema vem se colocando e esclarecendo algumas dúvidasatravés do perfil de comportamento e como se deve esse processo. A terceira vem relatar as características do empreendedor abordando asprincipais de alguns autores e ainda mais detalhadamente do Dornelas que serámais aprofundado neste trabalho.
  14. 14. 13 A quarta subseção tratará sobre o perfil da atividade empreendedora noBrasil, como tem sido a evolução deste tema e os dados de acordo com pesquisas. A quinta subseção abordará um dos temas mais contemplados em váriasdiscussões que é o empreendedorismo por necessidade x o empreendedorismo poroportunidade. Como os empreendedores estão entendendo que não se deveempreender sem antes haver um planejamento mais adequado. A sexta subseção chegará ao tema da pesquisa, onde será tratado o que é oempreendedorismo feminino. Como as mulheres iniciaram seu espaço e como secomportam atualmente. A forma como reagem no estilo de acordo com suascaracterísticas particulares e como vêm alcançando novas taxas de crescimentovistas sobre o tema. Na sétima e última subseção será visto como as empreendedoras enfrentamdificuldades e superam o grande preconceito, às vezes, iniciado em casa. De queforma encararem os negócios e a vida pessoal, incluindo, principalmente, marido efilhos. A terceira seção será para a explanação da metodologia do presentetrabalho. Onde será vista a comparação com a teoria e a prática. A quarta seção será a análise dos resultados da pesquisa e em seguidaserão feitas as considerações finais, além de observações imprescindíveis sobre aspossíveis pesquisas no campo acadêmico, já que o tema é a cada momento movidoa mudanças de cenário. Para finalizar o presente trabalho estarão relacionadas as referênciasbibliográficas e os anexos contendo o roteiro de entrevista e o teste de perfilutilizados na pesquisa.
  15. 15. 142 REFERENCIAL TEÓRICO As seções a seguir foram escolhidas por terem sido avaliadas de formanecessária para que a pesquisa fundamente-se em uma base bibliográfica e assimpossa avaliar sua amostra e consiga obter as conclusões esperadas. A subseção seguinte resgatará a análise da história do empreendedorismo,como esse tema foi evoluindo e vem ganhando espaço dentro do cenárioempresarial.2.1 Análise Histórica do Empreendedorismo As transformações que o mundo vem sofrendo nos últimos períodos,principalmente no século XX, revolucionaram o estilo de vida das pessoas, nosentido da geração de técnicas e métodos ou mesmo do reaproveitamento do que jáexiste, mas que ninguém ousou olhar diferente. Para que essas inovações possamse tornar motivos de sucesso, existem pessoas ou grupos de pessoas comcaracterísticas que são consideradas visionárias, que querem algo diferenciado efazem acontecer, ou seja, empreendem. Alves (2008), fala que o termo "empreendedor" surgiu na França por voltados séculos XVII e XVIII. Em francês, significa: aquele que se compromete com umtrabalho ou uma atividade específica e significante. Desde então, o termo tem sidobasicamente utilizado através de um olhar meramente economista, com forte viés deuso para a geração de valor econômico e para a exploração das oportunidades demercado (MESQUITA, 2003). O quadro 1 relata de forma detalhada como seguiuessa evolução. Dornelas (2008) considera que é importante fazer uma análise histórica,desse processo, que é o desenvolvimento da teoria do empreendedorismo. Paraexemplificar, o primeiro uso do termo empreendedorismo, pode-se dizer que tudocomeçou com um empreendedor chamado Marco Pólo, que tentou estabelecer umarota comercial para o Oriente. Como empreendedor, Marco Pólo concordou emvender as mercadorias de um homem que possuía dinheiro (hoje chamado decapitalista). Enquanto o capitalista assumia os riscos de forma passiva, o
  16. 16. 15empreendedor aventureiro assumia o papel ativo, correndo riscos físicos eemocionais. (MOTA, 2004). Quadro 1- Histórico do Empreendedorismo De acordo com Dees (2008), um dos primeiros a utilizar o termoentrepreneur foi o economista francês Jean Baptiste Say, para referir-se aosindivíduos capazes de gerar valor ao estimular o progresso econômico através denovas e melhores maneiras de fazer as coisas. Empreendedorismo é umneologismo derivado da livre tradução da palavra entrepreneurship, utilizada paradesignar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seusistema de atividades e seu universo de atuação (MELO NETO; FROES, 2002). De acordo com os avanços tecnológicos surgiram mais empreendedores,dando ênfase a que o empreendedorismo tenha surgido de fato como consequênciadas mudanças tecnológicas e sua rapidez.
  17. 17. 16 Segundo alguns pesquisadores, o termo empreendedorismo é explicado eamplamente debatido quando entendido por economistas como Cantillon, Say eSchumpeter, citados por Filion (1999), e por comportamentalistas como Weber,McClelland, também citados por Filion (1999). Considera-se, então, que, por eles, oempreendedorismo teve início com seus primeiros pensadores, com suas ideias econtribuições para a ciência na área, destacando-se algumas abordagens por elesdesenvolvidas em campos específicos (ALVES, 2008). Porém, merece destaque o campo dos economistas, as ideias deSchumpeter, que realmente deram início ao empreendedorismo, através de suaassociação visível com a inovação, considerando que “[...] sempre tem a ver comcriar uma nova forma de uso dos recursos nacionais, em que eles sejam deslocadosde seu emprego tradicional e sujeitos a novas combinações” (SCHUMPETER,1942). Schumpeter também contribui para o desenvolvimento econômico, mostrandoa importância dos empreendedores nesse contexto, compreendendo o papel doempreendedor como motor do sistema econômico, sinalizador de oportunidades,idealizador de negócios, criador de empreendimentos, e como aquele que assumeriscos. (ALVES, 2008). Segundo Drucker (1987), na visão dos economistas modernos, todoempreendedor é importante para a economia e provoca impacto, a partir domomento em que a influencia e molda profundamente. Ressalta, ainda, a diferençaentre a administração empreendedora e a tradicional, ao defender que as novasiniciativas empresariais apresentam problemas, desafios e tendências distintosdaqueles apresentados pelas empresas já existentes. As primeiras precisamespecializar-se na administração dos novos negócios, para se manter no mercado,enquanto as segundas já sabem como administrar o seu ramo de negócio,precisando, contudo, aprender a empreender e inovar constantemente neste períodode rápidas mudanças (ALVES, 2008). Nesse período acreditava-se que não somente economistas poderiam serconsiderados empreendedores, já que apresentavam alguns comportamentos dequem não só se importavam com o dinheiro propriamente dito. Os mesmospassaram a ser criticados pelo ponto de vista ideológico, com relação àincapacidade de criar uma ciência do comportamento dos empreendedores, elesprecisavam, na realidade, quebrar seus paradigmas de racionalismo.
  18. 18. 17 No campo dos comportamentalistas, destacam-se os psicólogos,psicanalistas, sociólogos e outros profissionais da área do comportamento humano,que tentaram entender o empreendedorismo. Weber (1930) foi o precursor dasprimeiras contribuições ao assunto, em que procurava associar o sistema de valoresdos empreendedores como elemento explicativo dos seus comportamentos. Outrorelevante estudo desenvolvido por Weber foi a contribuição acerca dodesenvolvimento econômico do Brasil, marcadamente pelas análises evolucionistasdo Ocidente (VIANNA, 1999). Participando com suas teorias, baseadas em apenasdois fatores principais, no caso a necessidade de realização e a necessidade depoder dos empreendedores, McClelland consagrou-se como um grande idealizadordo empreendedorismo, aplicando seus estudos em certos setores de atividadeeconômica (FILION, 1999). McClelland (1972) coloca como principal característicado empreendedor a busca por seus objetivos, que em certa medida incluicomprometimento, definição de métricas de desempenho e controle de resultados.Suas ações nesse sentido são: analisar os riscos, buscar feedback a respeito de suaperformance, ser persistente e inovador. McClelland defendia, ainda, a necessidadede autorrealização como característica da personalidade empreendedora. Desdeentão, o campo tem examinado diferentes traços da personalidade, como oautocontrole, a propensão ao risco e os valores pessoais, numa variedade dediferentes estudos (MCCLELLAND, 1961). Embora nenhum perfil científico tenha sido traçado, algumas pesquisas têmsido fonte de várias linhas, ajudando futuros empreendedores a se situar melhor. Doponto de vista do comportamento empreendedor, o empreendedorismo parece serum fenômeno regional, determinado por culturas, necessidades e hábitos de dadaregião. (ALVES, 2008) Vale ressaltar, conforme Filion (1999), que mesmo não havendo um perfilpsicológico científico do empreendedor, as características empreendedoras sãodeterminadas quando se desenvolvem na prática, passam a ser parecidas de umaforma ou de outra, o que implica dizer que há diferentes características paradiferentes tipos de negócios e áreas de atuação, ratificando ainda a impossibilidadede se afirmar que uma pessoa será ou não bem-sucedida em seu negócio, poisalém de perfis para se poder garantir algo, implicam bem mais fatores do quesomente conjunto de características empreendedoras.
  19. 19. 18 Nos últimos anos o empreendedorismo no Brasil passou a ser um termobastante discutido, principalmente no final da década de 1990. Isso ocorreu devido àpreocupação com a criação de pequenas empresas que passaram a ter que inovarpara continuar no mercado. Assim encontraram diversas alternativas para reduzirseus custos e permanecer competitivas. Com a criação do SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e PequenasEmpresas e a SOFTEX – Sociedade Brasileira para Exportação de Software, oempreendedorismo passou a ter visibilidade no Brasil. Em 1997 foi criada a pesquisa internacional GEM – Global EntrepreneurshipMonitor, que tinha inicialmente como propósito apenas levar para o ambienteacadêmico o melhor sobre o empreendedorismo e o crescimento econômico emvários países, mas em 2000 o Brasil pode participar e levantaram a questão docapital de risco “venture capital” em cada país participante. Após todos esses anos, com incubadoras, palestras em universidades,consultoria para esses empreendedores, pesquisas detalhadas, o país hoje éconsiderado preparado para o movimento de empreendedores e despertou parasaber que não se resume apenas em abrir um negócio. Hoje se pode diferenciarclaramente um empreendedor do empresário e as causas de sucesso ou defracasso de ambos. A seguir, a subseção abordará um tema bastante comentado pelos livros epor pessoas em geral: as diferenças entre o administrador e o empreendedor. O quena realidade difere nas suas características que, ao mesmo tempo, tornam-seintrínsecas para a maioria.2.2 Diferença entre Administrador e Empreendedor Antes de surgirem objetos de estudo para o empreendedor, já existia sobre oadministrador, porém mesmo assim, ainda existem muitas dúvidas sobre o que oadministrador faz. O principal divulgador foi Fayol, no início do século XX e desse período emdiante os demais autores reformularam ou complementaram os seus conceitos.Fayol afirma que o administrador concentra-se nos atos de planejar, organizar, dirigire controlar. Ele ainda complementa que as organizações assumiram importânciasem precedentes na sociedade e na vida das pessoas, colocando assim que a
  20. 20. 19sociedade moderna é uma sociedade organizacional, em contraste com associedades comunitárias do passado. (MAXIMIANO, 2004). Na construção do século XXI, aconteceram muitas mudanças em todos ostipos de ambientes, sejam eles: competitivo, tecnológico, econômico e social e comisso levaram ao surgimento de novas técnicas para administrar as organizações.Essas mudanças foram chamadas de novos paradigmas da administração. Durantemuitos anos os paradigmas foram mudando constantemente, mas com a RevoluçãoIndustrial provocou uma mudança de grande magnitude, em tempo relativamentecurto que moldou inúmeras características da sociedade atual (MAXIMIANO, 2004). Com a globalização, quando aconteceu a passagem da era pós-industrial ea Revolução Digital provocou a mudança de muitos pensamentos tradicionais eassim dentre as mudanças surge, a Administração Empreendedora. Segundo Maximiano, (2004, p.42): Uma tendência do século XXI é o desemprego. A perda das perspectivas de emprego duradouro e de carreira nas grandes organizações estimulou muitas pessoas a procurarem ser seus próprios patrões. Com isso, a administração empreendedora (complementando a tradicional formadora de empregados) tornou-se uma tendência social importante. Ao mesmo tempo, as grandes empresas procuram estimular o espírito dos empreendedores internos, as pessoas capazes de descobrir e implementar novos negócios. Para Drucker (2003), o empreendedor é aquele que cria algo novo, algo quemude os valores, ou seja, algo diferente. O espírito empreendedor é umacaracterística distinta, seja de um indivíduo, ou de uma instituição. Não é um traçode personalidade, mas sim um comportamento, e suas bases são o conceito e ateoria, e não a intuição. Embora muitos autores definam o empreendedor de uma perspectiva umpouco distinta, todas possuem noções semelhantes, como novidade, organização,criação, riqueza e risco. Cada definição é um pouco restritiva, porque algunsempreendedores são de profissões distintas, mas normalmente constam tipos decomportamento semelhantes (HISRICH, 2004). O administrador se enquadra no mundo corporativo e está mais relacionadoaos processos gerenciais, à solução de conflitos e de circunstâncias desfavoráveispara a empresa. O empreendedor nem sempre se faz presente nas corporações,pois na grande parte do tempo está focado no mercado, nas oportunidades, nos
  21. 21. 20produtos, na inovação, na criatividade; pois é mais interessado no negócio presentee futuro. As diferenças entre os estilos empreendedores e os administrativos podemser vistos em cinco dimensões importantes, tais como: orientação estratégica,comprometimento com a oportunidade, comprometimento de recursos e estruturaadministrativa (HISRICH, 2004):  Orientação estratégica A orientação estratégica do empreendedor é mais voltada para percepção da oportunidade. Já com o administrador é voltada para a pressão gerencial.  Comprometimento com a oportunidade O domínio empreendedor é pressionado pela necessidade de ação, escassez de informações para a tomada de decisão, e muita disposição para assumir riscos e pouco especialista para tomada de decisões. O domínio administrativo não só é lento em agir com as oportunidades, como também quando as ações se concretizam, o comprometimento é geral e em alguns casos longo demais.  Comprometimento de recursos O empreendedor na maioria das vezes está acostumado a ver seus recursos comprometidos a intervalos periódicos que com frequência se baseiam em cumprimento de metas. Já o administrador responde à fonte de compensações oferecidas e se sentem pessoalmente gratificados ao administrar seus recursos sob seu controle.  Controle de recursos O administrador é recompensado pela eficiente administração de recursos, e na maioria das vezes ele acumula o máximo possível; porque na verdade existe a pressão pelo poder, pelo status e pela compensação financeira. O empreendedor é o oposto que luta para realizar qualquer tipo de transação, de acordo com a necessidade e não se importa em apenas acumular recursos e sim arriscar no que for mais viável.  Estrutura administrativa Na estrutura dentro do domínio administrativo, é formalizada e hierárquica por natureza, tem suas linhas claramente definidas e tem como base na
  22. 22. 21 teoria da recompensa. Na estrutura dentro do domínio empreendedor, como é fiel ao seu desejo de independência, emprega a estrutura plana com redes informais. Chegando à conclusão sobre essas diferenças e similaridades pode-seperceber que todo empreendedor precisa ser um bom administrador para podertomar as decisões mais adequadas. Já por outro lado, nem sempre o administradorpossui as habilidades de um empreendedor e isso pode fazer muita diferença dentrode uma empresa. É preciso extrair a criatividade e a ousadia do empreendedor paraque o aprendizado diário possa ser mais motivador. A próxima subseção mostrará as características do empreendedor de acordocom alguns autores e um pouco mais aprofundadas pelo autor Dornelas que foi oescolhido para a visão dessa pesquisa.2.3 Características do Empreendedor Em 1960, David McClelland, psicólogo da Universidade de Harvard,identificou nos empreendedores bem-sucedidos um elemento psicológico crítico,denominado por ele de motivação da realização. Segundo Dolabela (1991, p.70-71), O indivíduo portador das condições para empreender saberá aprender o que for necessário para criar, desenvolver e realizar sua visão. No empreendedorismo, o ser é mais importante do que o saber: este será conseqüência das características pessoais que determinam a metodologia de aprendizagem do candidato a empreendedor. De acordo com Dornelas (2008), o empreendedor possui característicasextras, que diferenciam do seu comportamento. Possuem atributos pessoais que sesomam a características sociológicas e do próprio cotidiano que eles acabaminovando. Normalmente as mais citadas pelos empreendedores de sucesso são: a) São visionários Têm habilidade de saber como será o futuro para o negócio e para a sua própria vida.
  23. 23. 22b) Sabem tomar decisões São rápidos nas tomadas de decisão e são seguros quanto a elas.c) São indivíduos que fazem a diferença São pessoas que sabem agregar valor aos serviços e produtos que se propõem a colocar no mercado.d) Sabem explorar ao máximo as oportunidades Eles identificam a oportunidade na hora certa, ficando sempre atentos a tudo e aproveitam as chances para adquirir conhecimento.e) São determinados e dinâmicos Sabem superar os obstáculos com vontade de fazer acontecer e não gostam da rotina.f) São dedicados Comprometem sua rotina e seus relacionamentos, pois dedicam-se 24 horas ao próprio negócio. Adoram trabalhar e amam o que fazem.g) São otimistas e apaixonados pelo que fazem O otimismo faz com que eles enxerguem o sucesso e não pensem no fracasso, pois adoram o que fazem.h) São independentes e constroem o próprio negócio Não querem ser empregados e querem criar algo novo, podendo assim ser mais independentes e gerar empregos.i) Ficam ricos Para eles não é o principal objetivo, pois acreditam que será uma consequência dos atos.j) São líderes e formadores de equipe Eles possuem um perfil de liderança, normalmente são adorados pelos seus colaboradores. Sabem recrutar pessoas competentes e formam um ótimo time.k) São bem relacionados Sabem criar uma rede de relacionamentos para servir de ajuda no ambiente externo.l) São organizados São racionais e assim conseguem gerenciar recursos da melhor forma de organização.m)Planejam, planejam, planejam
  24. 24. 23 Planejam desde o princípio tudo o que vão fazer no seu negócio e sabem apresentar aos seus investidores de forma ordenada. n) Possuem conhecimento Entendem que o conhecimento auxilia de forma importante para o sucesso, por isso buscam maior conhecimento em tudo que fazem no dia a dia como nas antigas experiências, como em cursos e livros. o) Assumem riscos calculados Essa é uma das principais características, pois eles sabem calcular o risco e fazem disso uma estimulante jornada para o sucesso. p) Criam valor para a sociedade Eles utilizam seu capital intelectual para gerar valor para a sociedade, gerando empregos e sempre buscando criatividade. Vale ressaltar também que a habilidade para desenvolver uma visão parececonferir liderança e esta, para o empreendedor, parece depender dodesenvolvimento da visão (FILION, 1991). De acordo com Filion (1991), a rede de contatos parece ser o fator maisinfluente para explicar a evolução da visão. A família, por exemplo, certamentemoldará os tipos de visão inicial que um empreendedor possa vir a ter. As relaçõesque o indivíduo vai estabelecendo durante a vida, visando fortalecer suas visõescomplementares, são de importância fundamental para o fortalecimento de sua visãocentral (FILION, 1991). No entanto, quanto mais articulada for a visão, maior serásua influência na escolha para o estabelecimento de um sistema de relações. Oquadro 2 extraído de Filion (1993) apresenta algumas das características atribuídasaos empreendedores: Inovadores Originais Líderes Otimistas Tomadores Moderados de Riscos Orientados por Resultados Independentes Flexíveis Criadores Engenhosos Enérgicos Uso de Recursos
  25. 25. 24 Sensibilidade com os Outros Tenacidade Necessidade de Realização Agressivos Autoconhecimento Tendência para Confiar nas Pessoas Autoconfiança Dinheiro com Medida de Desempenho Aprendizagem Envolvimento de Longo Prazo Tolerantes a Ambigüidade e Incertezas IniciativaFonte: adaptado de Filion (1993). Quadro 2 – Características de Acordo com Filion A subseção seguinte abordará o assunto sobre o perfil do empreendedor nopaís e suas taxas, onde tem crescido e quais suas quedas de acordo com pesquisasinternacionais desde 1999. Mostrará de forma mais sucinta se detendo não nosdetalhes e sim no contexto da atividade como um todo no Brasil.2.4 O Perfil da Atividade Empreendedora no Brasil Na Pesquisa GEM 2008, o Brasil, pela primeira vez, ficou fora do grupo dosdez países com maiores taxas de empreendedorismo, situação gerada por causa dainserção de países que não participaram em edições anteriores e que ocuparamposições entre os dez primeiros colocadas no ranking, por apresentarem taxas deempreendedorismo mais elevadas. Segundo a Pesquisa GEM 2007, a taxa deempreendedorismo do brasileiro foi sempre superior a 10, sendo considerada umadas mais dinâmicas do mundo. A pesquisa GEM é realizada no exterior desde 1999. Chegou ao Brasil em2000 por meio do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ). Em 2001,passou a contar com a participação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro ePequenas Empresas (SEBRAE). A GEM tem entre suas finalidades avaliar, divulgare influenciar as políticas de incentivo ao empreendedorismo no Brasil e no mundo. A Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial - TEA de 12,02% continuasuperior a 10%; portanto, ter ficado fora do grupo dos dez países com maior taxa deempreendedorismo não significa que o Brasil tenha piorado na última pesquisa. ATEA média brasileira de 2001 a 2008 é de 12,72% contra uma TEA média dos
  26. 26. 25demais países GEM de apenas 7,25%. Isso reforça que o Brasil é um país de altacapacidade empreendedora e que na média entre 2001 e 2008 o brasileiro é 75,58%mais empreendedor que os outros (SEBRAE, 2010). Na décima edição da pesquisa no país, a Taxa de Empreendedores emEstágio Inicial-TEA brasileira é a sexta maior entre os países com nível comparávelde desenvolvimento econômico, com 15,3%, o que equivale a 18,8 milhões depessoas (SEBRAE, 2010). A TEA é formada pela proporção de pessoas com idade entre 18 e 64 anosenvolvidas com empreendimentos em estágio inicial ou com menos de 42 meses deexistência. A taxa brasileira está acima da média histórica do país, que é de 13%.Em 2008, por exemplo, a taxa foi de 12%. Em 2009, o Brasil ficou na frente depaíses como Argentina, Uruguai e Irã (SEBRAE, 2010). De forma global, nota-se que o mercado de trabalho tem sofrido grandestransformações nas últimas décadas, refletindo-se na forma de organização dasempresas; essa é uma das razões que fazem os empreendedores iniciarem seusnegócios. A motivação para iniciar uma atividade empreendedora é um dos temasrelevantes para a pesquisa GEM, principalmente para se conhecer melhor anatureza do empreendedorismo em países em desenvolvimento. Para compor a pesquisa no Brasil, em 2009, foram entrevistados 2 milindivíduos de idade adulta, entre 18 e 64 anos, de todas as regiões brasileiras,selecionados por meio de amostra probabilística, e mais de 180 mil pessoas nomundo. A pesquisa, que tem nível de confiança de 95% e erro amostral de 1,47%,conta ainda com opiniões de 36 especialistas brasileiros. Entre os anos de 2000 a2009 foram entrevistados no Brasil, 21,9 mil adultos. A seguir são apresentadas as taxas de evolução dos empreendedoresiniciais entre 2001 a 2008, pois ainda não foram divulgadas todas as informações daedição de 2009.
  27. 27. 26FONTE: Pesquisa GEM 2001 a 2008.FIGURA 1 – EVOLUÇÃO DA TAXA DE EMPREENDEDORES INICIAIS (TEA) BRASILEIRA EMCOMPARAÇÃO COM A MÉDIA DOS PAÍSES PARTICIPANTES DO GEM DE 2001 A 2008 Considerando a evolução da taxa de empreendedorismo nascente emrelação à taxa de empreendedores novos (figura 2), no período de 2001 a 2008,observou-se uma inversão na proporção entre os empreendedores nascentes comrelação aos empreendedores novos, conforme a figura 3. Em 2001, se tinha 65% deempreendedores nascentes para 35% de empreendedores novos, e em 2008 há24% de empreendedores nascentes para 76% de empreendedores novos. Nessesentido, a atividade empreendedora demonstra um aumento do tempo de duraçãoque auxilia significativamente o conjunto da economia tanto do ponto de vista daatividade quanto o da renda. A seguir, as figuras 2 e 3 mostram a evolução dos empreendimentos iniciaise sua proporção dentro do período de 2001 a 2008.
  28. 28. 27 FONTE: Pesquisa GEM 2001 a 2008.FIGURA 2 – EVOLUÇÃO DOS EMPREENDEDORES INICIAIS, EMPREENDEDORES NASCENTESE EMPREENDEDORES NOVOS DO BRASIL DE 2001 A 2008FONTE: Pesquisa GEM 2001 a 2008.FIGURA 3 – EVOLUÇÃO DAS PROPORÇÕES DOS EMPREENDEDORES NASCENTES E NOVOSDO BRASIL DE 2001 A 2008 De acordo com a matéria da Revista Época (2010), para o presidente doSEBRAE, Paulo Okamotto, mais importante do que verificar isoladamente a taxa deempreendedorismo, o GEM também tem papel fundamental por analisar questões
  29. 29. 28como nível de inovação, motivação para empreender e recortes por gênero e faixaetária. “Observamos que em termos quantitativos o Brasil vai muito bem, mas aindaprecisamos melhorar em termos qualitativos”, avalia Okamotto. O presidente doSEBRE aproveita para destacar a evolução do empreendedorismo no Brasil nosúltimos anos. “Flagramos melhorias como a redução na mortalidade das empresas,o aumento das capacitações dos trabalhadores e o surgimento de um ambiente maispropício aos novos negócios a partir da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa”,assinala. A GEM 2009 demonstra também que a população empreendedora brasileiraestá concentrada entre os jovens, nas idades de 18 e 34 anos, atingindo 52,5%. Dototal de empreendedores, 20,8% estão na faixa de 18 a 24 anos enquanto 31,7%encontram-se entre 25 e 34 anos. Ao analisar isoladamente os números, esta últimataxa se mantém inalterada em toda a série histórica do estudo, demonstrando que énesta faixa que se concentra a maior parte dos empreendedores brasileiros. Amenor taxa ficou entre os adultos de 55 a 64 anos, com representatividade de 4,3%. A próxima subseção abordará o tema das diferenças entreempreendedorismo por oportunidade e empreendedorismo por necessidade. O quetem crescido mais atualmente e o que realmente motiva cada empreendedor poressa escolha.2.5 Empreendedorismo: Oportunidade x Necessidade Empreendedorismo por oportunidade ocorre quando o indivíduo identificauma oportunidade de negócio, ou seja, escolhe o empreendimento dentre asdiversas e possíveis opções existentes no mercado. Empreendedorismo por necessidade ocorre quando o indivíduo sente-seforçado a iniciar o próprio negócio por não haver outras opções de trabalho ou porestar insatisfeito com as condições do trabalho existentes. E, em geral, demandamenos recursos e um nível menor de serviços devido a sua baixa sofisticaçãooperacional e tecnológica. Através de dados de pesquisa, apenas no ano de 2002, oempreendedorismo por necessidade superou o índice de empreendedorismo poroportunidade. Nos outros anos, o empreendedorismo motivado por oportunidadeteve crescimento significativo em relação ao empreendedorismo motivado por
  30. 30. 29necessidade. Isso demonstra que o mercado brasileiro está possibilitando aimplementação de novos empreendimentos e o empreendedor brasileiro estáidentificando essa oportunidade e investindo em novos segmentos. O quadro 3 detalha um pouco mais as diferenças entre empreendedorismopor oportunidade e empreendedorismo por necessidade:OPORTUNIDADE NECESSIDADEUsam de habilidade para enxergar o Enxergam como a forma de sair danegócio atraente qualificação de empregadoTêm uma hora certa, oportuna Utilizam como forma de sustentoSão ideias que agregam valor a um Não procuram pesquisar um pouco maisproduto ou serviço se o negócio já existeÉ sempre analisado onde poucos Não procuram se capacitar antes deenxergam arriscaremFonte: elaboração da autora Quadro 3 – Oportunidade x Necessidade De acordo com Greco (apud IBQP, 2009): É impossível saltar, de um dia para o outro, do empreendedorismo por necessidade para o empreendedorismo por oportunidade. Para que isso ocorra, são necessárias medidas de caráter estrutural e, portanto, de longo prazo, relacionadas à educação, a capacitação gerencial, ao desenvolvimento tecnológico, econômico e inovativo. Um dos destaques da pesquisa GEM 2008, por exemplo, é a melhoriaobservada entre empreendedorismo por oportunidade e por necessidade. Em 2008,foram registrados dois empreendedores por oportunidade para cada empreendedorpor necessidade. Já foi a proporção inversa, e esse dado é extremamentepromissor. Especialistas consultados pelo GEM acreditam que a desoneração fiscale trabalhista, linhas adequadas de crédito, capacitação e apoio institucional e deinfraestrutura são fundamentais para o fortalecimento do empreendedorismo nopaís, em particular para as atividades associadas a processos de inovação, quenormalmente envolvem maior risco e requerem mais recursos. O principal alvo do SEBRAE está justamente no empreendedor poroportunidade, que, pela opção escolhida, pode ter mais persistência e segurança noque faz ou irá fazer. Os empreendedores por necessidade, no entanto, não podem
  31. 31. 30ser esquecidos e, na maioria das vezes, precisam ainda mais de apoio ecapacitação. O SEBRAE tem investido fortemente para disponibilizar conhecimento einformação a um número cada vez maior de empreendedores, e os resultados dessetrabalho são na grande maioria gratificantes. De acordo com Dornelas (2008), é comum ouvir jovens empreendedoresfalando que suas ideias são únicas e que não existem concorrentes. Esse tipo decomportamento pode levar o empreendedor a acreditar que possui algo espetaculare será levado pela paixão e não pela razão. Nunca poderão pensar racionalmente eprocurar ajuda para esclarecimento, pois envolvem riscos e precisarão de recursos.É muito importante que o empreendedor teste sua ideia ou fale sobre o seu negóciocom pessoas mais experientes ou com clientes em potencial, pois isso o levará aperceber a diferença de ideias e oportunidades. As brasileiras estão praticando um empreendedorismo cada vez maisplanejado e consistente. Sobre este aspecto, o estudo da pesquisa GEM 2009,constatou que dos empreendedores por oportunidade 53,4% são mulheres e 46,6%,homens, isso mostra como as mulheres estão identificando mais do quenormalmente querendo empreender por necessidade. A seguir a subseção detalhará um pouco desse fenômenoempreendedorismo feminino, como iniciou e como atualmente se comporta dentrode um cenário inicialmente feito para homens.2.6 Empreendedorismo Feminino Analisando a questão da independência da mulher, Raposo e Astoni (2007)ressaltam que foi importante a iniciativa das mulheres em reivindicar seus direitos,mas que através dessa atitude, vieram muitas responsabilidades: As condições de independência adquiridas pela mulher vão além da Revolução Feminista de 1969, quando várias mulheres protestantes queimaram peças íntimas em praça pública. A atual conjuntura econômica empurra a mulher a auxiliar nas questões financeiras da família, tornando- se, muitas vezes, a chefe da casa, como aponta a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (RAPOSO; ASTONI, 2007, p. 36).
  32. 32. 31 Ao longo da história da humanidade, o papel da mulher na sociedade foisempre bem definido: dona de casa, responsável pelo zelo e bem-estar dos filhos eda casa, invariavelmente submissa aos pais ou ao marido, não tendo direito deexpressar suas vontades ou de realizar seus sonhos. Mas a realidade hoje é outra:pode-se verificar uma mudança no comportamento das mulheres, não para seassimilarem aos homens, mas sim para competir em igualdade com os mesmos(CATARDO, 2005). Segundo Mussak (2004), a Revolução dos sexos está para amulher hoje, assim como a Revolução Industrial se deu para os homens no séculoXX. Qual foi o fator impulsionador daquela Revolução? Simples: a competência.Segundo dados do Endeavor Empreendedorismo (2004), durante os anos 1990,enquanto a renda média dos homens aumentou 19%, a das mulheres aumentou43%; afora isso, são vários os dados que endossam essa tendência de igualdade:54% dos médicos e 50% dos advogados são mulheres; 29% dos juízes tambémpertencem ao sexo feminino; entre outros. E, pode-se esperar, ainda, uma melhoranesses índices, visto que também a educação da parcela feminina vem,visivelmente, apresentando melhores indicadores, seja na expansão nos níveiseducacionais ou na maior oferta de cursos superiores, preparando-as e qualificando-as mais adequadamente para o mercado de trabalho (MUSSAK, 2004). A participação feminina no mercado de trabalho cresceu significativamentenas últimas décadas e dados estatísticos mostram que as mulheres estão presentesem todos os segmentos e classes empresariais, apesar de ainda existiremdesigualdades de oportunidades no mundo do trabalho, diferenciais de rendimentosentre os dois sexos, obstáculos aos planos de ascensão a cargos de chefia, etc. Mesmo as características de empreendedores e empreendedoras sejamsemelhantes, as mulheres diferem em termos de motivação, habilidadesempresariais e histórico profissional. O processo inicial de um negócio tambémdifere para homens e mulheres, especialmente em áreas como: sistema de apoio,fontes de recursos e problemas. Em geral, ambos possuem o mesmo interesse eexperiência no seu negócio, mas os empreendedores normalmente se inserem emalgo relacionado ao seu emprego anterior ou até mesmo complementam o mesmo;já as empreendedoras abandonam a antiga ocupação com alguma frustração eassim passa a ser uma busca pessoal e não apenas profissional. (HISRICH, 2004)
  33. 33. 32 As mulheres apontam seus maridos como primeira opção de grupos deapoio, em segundo os amigos e por ultimo os envolvidos no negócio. Agora oshomens escolhem como primeira opção, conselheiros externos como advogados oucontadores, em segundo lugar ficam suas esposas; com esse perfil pode-seperceber um pouco menos de confiança em aconselhamento dentro da própria casa,onde deveria obter-se maior lealdade. Com certeza, o empreendedorismo é uma alternativa de muita importânciapara as mulheres para a inserção no mercado de trabalho; mesmo sofrendodificuldades machistas, elas conseguem aos poucos um destaque na sociedadeatual. Vários autores costumam citar como exemplo a mulher enfrentandodificuldades no meio empresarial, a metáfora de teto ou parede de vidro, algo frágilque pode ser quebrado. Em termos de trabalho, alguns autores colocam as diferenças entre homense mulheres, mesmo tendo experiência no campo dos seus empreendimentos, oshomens possuem tendências em fabricação, finanças ou áreas técnicas; já a grandemaioria das mulheres tem experiência administrativa limitada ao nível deadministração intermediária, quase sempre em área de prestação de serviços. Mesmo as mulheres ficando em desvantagem quanto à parte administrativa,na maioria elas possuem uma habilidade bem distinta dos homens e vem a cadamomento ganhando mais espaço dentro das empresas. Quando elas passam a serempreendedoras, possuem uma forma de administrar com mais segurança, mesmosendo mais flexíveis e mais tolerantes quanto a comportamento do que os homens. O histórico de mulheres e homens geralmente é semelhante, sendo que amaioria das mulheres quando empreendem tem a faixa de 35 a 40 anos, ou seja, umpouco mais tardio devido à família e filhos, ou quando mais cedo, deixando a vidapessoal de lado e conciliando um pouco mais tarde. As novas análises mostram, entre outros aspectos, que as mulheres tendema não serem tão obsessivas com a carreira como os homens. Isso acontece porqueelas têm outras prioridades que podem ser tão ou mais importantes do que otrabalho. Segundo um estudo publicado em 2009 pelo National Bureau of EconomicResearch (ONG americana que realiza pesquisas no campo da economia), entretrabalhadores com alto nível de educação, elas ganham menos por trabalharemmenos horas e por interromper a carreiras mais vezes, por causa da família.
  34. 34. 33 Se a dedicação ao emprego for maior do que aos filhos e ao marido, atendência é de que a mulher se sinta culpada por isso. Normalmente quandodecidem trabalhar juntos, marido e mulher passam a se dedicar muito e isso torna amulher um pouco dividida entre o trabalho e os filhos. Existem também as que fazem parte de outra estatística, que diz respeito àsmulheres no comando de empresas. O Instituto Brasileiro de Qualidade eProdutividade (IBQP) estima que 40% dos micro e pequenos empreendimentos hojesão gerenciados por elas. Apesar de dividirem o comando às vezes com o marido, éSônia quem cuida da administração da empresa, enquanto ele se ocupa com acriação dos produtos. Durante o Fórum Econômico Mundial 2010, em Davos, na Suíça, foiapresentada a última edição do ranking que mede a desigualdade entre mulheres ehomens no mercado de trabalho. O estudo Global Gender Gap Report (RelatórioGlobal sobre a Diferença entre os Gêneros) é feito em 134 países. Neste ano, oBrasil perdeu nove posições e ocupa o 82º lugar. A queda na classificaçãorepresenta a discriminação, explícita ou velada, que permeia as relações de trabalhono país. As diferenças salariais é uma forma de medir o tamanho da desigualdadeentre homens e mulheres nas empresas. As trabalhadoras ainda ganham menos. Deacordo com um levantamento do banco Goldman Sachs, no mundo, elas ganham57% do que eles ganham. Essa porcentagem cai para 48% em onze grandes paísesem desenvolvimento. No Brasil, a remuneração das mulheres que têm nível superiorcompleto representou 57,9% da que os homens com o mesmo grau de escolaridade.O dado é referente ao ano de 2008 e foi divulgado pelo governo na Relação Anualde Informações Sociais (REVISTA ÉPOCA, 2010). Apesar de ganhar menos do que os homens, as mulheres são tãoindisciplinadas quanto eles quando o assunto é poupar. É o que mostra umapesquisa exclusiva encomendada à Sophia Mind, consultoria recém-criada cujaespecialização é o mundo feminino. O levantamento foi feito virtualmente com maisde 2 mil mulheres que moram em seis capitais brasileiras. Pouco menos que a metade, 40%, disseram não pensar na aposentadoriaainda. O número é ligeiramente menor entre a faixa dos 31 a 40 anos de idade -33% ainda não dedicaram algum tempo ao assunto. Entre as mulheres que têm
  35. 35. 34entre 41 e 50 anos, 43% ainda estão avaliando como vão se preparar para aaposentadoria. As mulheres gostam mais de trabalhar em grupo e isso vem sendo umgrande diferencial do comportamento feminino. Entre altos executivos, elas sãomuito mais assíduas a reuniões de conselho e tendem a participar mais de comitêsde monitoramento, controle e fiscalização. Com a presença de mulheres nessasinstâncias, os homens também se tornam mais assíduos, concluiu um estudopublicado em 2009 no Journal of Financial Economics da Universidade Rochester,nos EUA. Ou seja, um comportamento positivo das executivas contagia os colegasde trabalho. Entretanto, o resultado não é bom se a inclusão de mulheres no alto escalãofor forçada. O estudo alerta que os indicadores não melhoraram nas empresas emque elas são colocadas em determinados postos por meio de sistema de cotas. São vários os fatores que influenciaram nesse crescimento: importantedesempenho apresentado por empresas geridas por mulheres, representatividadeda força de trabalho feminino, bem como a intensificação da competitividadeeconômica e o constante aumento na taxa de desemprego (MACHADO, 2002). Segundo dados do SEBRAE (2010) as mulheres empreendedoras, quandoindagadas dos motivos que as levaram a abrir um negócio por conta própria,apontaram como principais as seguintes razões: identificação de uma oportunidadede negócios (62,1%), experiência anterior (30,3%), ou ainda por estardesempregada, ter sido demitida ou estar insatisfeita com a empresa em quetrabalhava (13%). Assim, pode-se classificá-las em empreendedoras por acaso,empreendedoras forçadas ou ainda empreendedoras criadoras, de acordo com omotivo pelo qual adentraram no ramo do empreendedorismo. Os negócios iniciados por homens e mulheres diferem em termos danatureza do empreendimento, levando as mulheres com empreendimentos demenor porte e consequentemente ao um menor lucro líquido. Mesmo com essasdiferenças as oportunidades para as mulheres são maiores do que para os homens,pois na área de crescimento mais acelerado na economia é na prestação deserviços e isso leva às empreendedoras femininas um melhor resultado. (HISRICH,2004). Devido a algumas transformações da estrutura familiar, mostra ocrescimento do desemprego dos chefes de família o que induz mais mulheres, em
  36. 36. 35particular as casadas e com filhos, a ingressar na força de trabalho buscandocomplementar o orçamento familiar. O Relatório GEM de 2007 mostra que, entre1996 e 2006, o número de mulheres indicadas como “chefe de família” aumentou79%, quando essa variação em relação aos homens foi de apenas 25%. De acordo com Jonathan (2005) as mulheres empreendedoras caracterizam-se por serem destemidas, autoconfiantes, apaixonadas e identificadas com seusempreendimentos. Em 2008, o empreendedorismo feminino do Brasil foi o décimo mais atuanteno mundo, com taxa de 9,61% das entrevistadas, o que representa cerca de 5,5milhões de mulheres empreendedoras em estágio inicial (IBQP, 2009). SegundoBarboza (apud IBQP, 2009), esse crescimento ocorre devido ao aumento daparticipação do setor de comércio e serviços no total do PIB brasileiro, setor em queas mulheres respondem por dois terços dos novos negócios. Reconhecida pela sua força, a mulher brasileira supera os homens nomundo dos negócios nos dados atuais. Dos 18,8 milhões de pessoas à frente deempreendimentos em estágio inicial ou com menos de 42 meses de existência nopaís, 53% são mulheres e 47%, homens. Esse é o resultado que mostra a mais novaedição da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, o GEM 2009. Uma dasnovidades do estudo é que pela primeira vez a proporção de mulheresempreendendo por oportunidade supera a de homens na mesma condição. Em 2009, além do Brasil, apenas outros dois países registraram taxas deempreendedorismo feminino mais elevadas que as dos homens: Tonga, com 61%, eGuatemala, com 54%. A subseção a seguir trará o que as mulheres enfrentam para tornarem-semulheres empreendedoras de sucesso.2.7 Dificuldades Enfrentadas pelas Mulheres Empreendedoras As dificuldades mencionadas pelas mulheres empresárias estão geralmenterelacionadas com os pais, maridos ou filhos. Pode-se dizer que um dos motivos paraque isso ocorra é porque as mulheres carregam consigo um peso adicional, que é apreocupação vinculada à constituição de uma família (ANDREOLI, 2007 apudMACHADO, 2002).
  37. 37. 36 A falta de apoio seja por parte de seus familiares ou amigos (emocional), ouseja, por parte dos bancos que inviabilizam a concessão de empréstimos(financeira), é a crítica mais argumentada por parte das mulheres. Logo em seguidavem a descrença ou falta de confiabilidade por parte de clientes, fornecedores eacionistas, ou ainda o desmerecimento e/ou menosprezo sofrido por colegas detrabalho. Percebe-se que essas dificuldades são oriundas de uma sociedademarcada por uma formação histórica predominantemente machista, exigindo damulher maior capacitação e um melhor empenho para a implementação egerenciamento de um novo negócio (ANDREOLI, 2007 apud MACHADO, 2002). Além dessas dificuldades mencionadas, as mulheres empreendedoras têmde lidar com vários mitos associados ao fato de serem mulheres. Um deles é acrença de que as mulheres apenas criam empresas em áreas que lhes parecemfamiliares, como as de produtos alimentícios, cosméticos, vestimentas, entre outras.Também se fala muito que as mulheres com o cargo de liderança da empresa só otêm porque o herdaram de seus pais ou maridos. De acordo com algumas pesquisas realizadas relacionadas com a liderançafeminina do Babson College, nos Estados Unidos, demonstram que 88% dasproprietárias de empresas foram suas fundadoras, e apenas 12% correspondem aempresas familiares. O terceiro e último mito é o de que as mulheres não criamempresas de alto potencial e boa rentabilidade, um mito no mínimo contraditório, jáque, segundo (ANDREOLI, 2007 apud NAN LANGOWITS, 2004), que existemincontáveis exemplos de sucesso na indústria da tecnologia norte-americana quemostram o contrário. As mulheres parecem trabalhar para buscar algo mais do que dinheiro. Em"The sexual paradox", a jornalista e psicóloga diz que elas querem recompensas nãoapenas financeiras, mas também "intrínsecas", tais como: satisfação, bem-estar esensação de colaborar com algo importante. Elas têm interesses mais amplos,gostam de ser úteis e se preocupam com o efeito que causam nos outros. Analisado o comportamento de um grupo de jornalistas, por especialistas,chegaram a concluir que as mulheres estão menos inclinadas a negociar o saláriocom a chefia em busca de aumento. No grupo de executivos estudados, o hábito denegociar, mais masculino, reduziu em média 17 meses o tempo de espera até opróximo aumento ou promoção. Na maioria, as mulheres avisam quando estãosaindo e homens esperam uma contraoferta. Assim mostra como as mulheres
  38. 38. 37conseguem enfrentar suas dificuldades com um pouco mais de equilíbrio emocionale são mais cautelosas quanto às suas mudanças, mostrando o porquê de seusempreendimentos serem mais suscetíveis a durabilidade e ao sucesso desejado. Quando trabalham como profissionais autônomas, as mulheres criamvínculos mais longos com seus clientes. Elas trocam de clientes com menorfrequência do que seus concorrentes homens, de acordo com uma pesquisapublicada no ano passado pela London Business School. No entanto, são nas trocasque surgem os aumentos de remuneração. Por isso, os homens profissionaisautônomos são mais propensos a trocar de clientes e ganham mais. Os estudos mostram que há, sim, um jeito de trabalhar feminino. Apesar deser uma tarefa mais árdua para mulheres conciliar a vida pessoal e profissional, asjovens acreditam cada vez mais que isso é possível. Segundo pesquisa realizadapela Accenture, com mil mulheres entre 22 e 35 anos, 94% afirmam que creempoder atingir uma vida profissional satisfatória e pessoal gratificante. E há exemplosde que elas estão certas. A seção seguinte abordará a metodologia escolhida para a realização destapesquisa e como será a amostragem para a escolha da fonte que melhor conseguiráextrair das suas entrevistadas.
  39. 39. 383 METODOLOGIA A presente seção aborda os procedimentos metodológicos desenvolvidospara o estudo em questão, que, por sua vez, segue uma construção orientada paraobtenção do máximo de confiabilidade da pesquisa científica. Primeiramente se faz importante que se conceituem métodos e técnicaspara poder ter um melhor entendimento sobre metodologia. Para Cervo e Bervian(2002, p.23) “nas ciências, entende-se por método o conjunto de processosempregados na investigação e na demonstração da verdade”. O objetivo do método científico é descobrir a realidade dos fatos, e oseventos ao serem desvendados devem guiar o uso do método. É através dainteligência e reflexão que se descobrem o que os fatos e os fenômenos realmentesão. O método é apenas um meio de acesso (CERVO; BERVIAN, 2002). Os dados podem ser classificados como quantitativos ou qualitativos. Osquantitativos necessitam de valores numéricos; os qualitativos incluem rótulos ounomes usados para identificar cada elemento. (ANDERSON, 2008). O método escolhido foi qualitativo e no decorrer desta subseção serádetalhado o método escolhido e todos os detalhes dessa construção.3.1 Pesquisa Qualitativa A pesquisa será de uma abordagem qualitativa. Ela costuma serdirecionada, ao longo do seu desenvolvimento, além disso, não busca enumerar oumedir eventos e, geralmente, não emprega instrumental estatístico para a análise dedados. Nas pesquisas qualitativas, é frequente que o pesquisador procure entenderos fenômenos, segundo a perspectiva dos participantes da situação estudada, e apartir daí situe sua interpretação dos fenômenos estudados. Essa investigação pode ser reforçada como uma pesquisa qualitativa por tersido fundamentada em análises das transcrições das falas das entrevistadas eminstrumentos de coleta de dados, utilizando-se um formulário de entrevista e umroteiro de entrevista. Para esta pesquisa, utilizaram-se algumas técnicas qualitativas,como, por exemplo, entrevistas estruturadas, técnicas de observação de campo e
  40. 40. 39análises de conteúdo, através da transcrição das mensagens captadas dasentrevistadas. (ALVES, 2008). A metodologia de pesquisa, para Minayo (2007), é o caminho dopensamento a ser seguido. Ocupa um lugar central na teoria e trata-se basicamentedo conjunto de técnicas a ser adotadas para construir uma realidade. A pesquisa éassim, a atividade básica da ciência na sua construção da realidade. A pesquisaqualitativa, no entanto, trata-se de uma atividade da ciência, que visa a construçãoda realidade, mas que se preocupa com as ciências sociais em um nível derealidade que não pode ser quantificado, trabalhando com o universo de crenças,valores, significados e outros construtos profundos das relações que não podem serreduzidos à operacionalização de variáveis. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas noprocesso de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicasestatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e opesquisador é o instrumento-chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem aanalisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focosprincipais de abordagem (LAKATOS, 1985). Na próxima subseção será abordada qual técnica escolhida para o resultadoda amostra.3.2 Técnica de Coleta de Dados A técnica escolhida para amostragem não probabilística foi a por julgamento.É uma maneira relativamente fácil, pois a seleção é feita quando a pessoa conhecemais sobre o tema abordado. (ANDERSON, 2008). Para a de coleta de dados em levantamentos são utilizadas as técnicas deinterrogação: o roteiro de entrevista e o formulário como teste de avaliação.Entrevista, por sua vez, pode ser entendida como uma técnica que envolve duaspessoas numa situação “face a face”, em que uma delas formula questões e a outraresponde. Formulário, por fim, pode ser definido como a técnica de coleta em que opesquisador formula questões previamente elaboradas e anota as respostas (GIL,1991). Nesta pesquisa foi utilizado o método de pesquisa através de um roteiro comperguntas, sendo desenvolvida uma entrevista estruturada e um teste de avaliação
  41. 41. 40de perfil empreendedor extraído do livro do Dornelas (2008) com um universo de oitoempreendedoras de Fortaleza. A preparação da entrevista é uma das etapas mais importantes da pesquisaque requer tempo e exige alguns cuidados, entre eles destacam-se: o planejamentoda entrevista, que deve ter em vista o objetivo a ser alcançado; a escolha doentrevistado, que deve ser alguém que tenha familiaridade com o tema pesquisado;a oportunidade da entrevista, ou seja, a disponibilidade do entrevistado em fornecera entrevista que deverá ser marcada com antecedência para que o pesquisador seassegure de que será recebido; as condições favoráveis que possam garantir aoentrevistado o segredo de suas confidências e de sua identidade e, por fim, apreparação específica que consiste em organizar o roteiro ou formulário com asquestões importantes (LAKATOS, 1996). A coleta de dados para esta pesquisa obedeceu a duas situações, conformesugere Leite (2004), porém em duas etapas: 1ª Etapa – Teste de Avaliação – em que foi aplicada para todos asempreendedoras com escala de importância relacionadas para atribuição de notasde 1 a 5, todas perguntas apenas de assinalar com um “X” na nota que mais seadequava a resposta, visando obter das entrevistadas o que elas consideram osaspectos mais relevantes de determinado problema; 2ª Etapa – Roteiro de Entrevista – que utilizou um roteiro também aplicado atodos os respondentes, explorado durante toda a entrevista. As perguntas forampreformuladas, sendo feitas durante o processo da entrevista. As entrevistasestruturadas são elaboradas mediante questionário totalmente estruturado, ou seja,é aquela onde as perguntas são previamente formuladas e tem-se o cuidado de nãofugir delas. O principal motivo deste zelo é a possibilidade de comparação com omesmo conjunto de perguntas e que as diferenças devem refletir diferenças entre osrespondentes e não diferença nas perguntas (LODI, 1974 apud LAKATOS, 1996). Será aplicado um teste de avaliação de perfil empreendedor extraído do livrodo Dornelas “Transformando idéias em negócios” – 2008 onde será feito um paralelode acordo com as características empreendedoras do livro com as dasentrevistadas. O teste contendo 30 perguntas, sendo divididas quanto a algumascaracterísticas onde as entrevistadas assinalavam a nota correspondente comapenas um “X”, sendo da seguinte forma:
  42. 42. 41 1. Insuficiente 2. Fraco 3. Regular 4. Bom 5. Excelente Ao final do teste, na análise de desempenho dos dados, (DORNELAS, 2008)é feita a avaliação de acordo com a soma das notas:120 a 150 pontos = considerado que já é uma empreendedora, pois possuicaracterísticas comuns aos empreendedores.90 a 119 pontos = considerado que possui características empreendedoras, masprecisa equilibrar os pontos ainda fracos com os pontos fortes.60 a 89 pontos = ainda não é muito empreendedora, mas pode melhorar comalgumas atitudes.Menos de 59 pontos = deve reavaliar sua carreira, pois não é empreendedor. As empreendedoras selecionadas foram de perfis de idade e classe sociaisdiferentes, para que assim se pudesse intensificar a existência de semelhança decaracterísticas que as tornaram empreendedoras de sucesso. A pesquisa obterá os dados primários através de entrevistas contendoquinze perguntas com uma amostra de oito mulheres microempresárias ouempresárias de vários segmentos no estado do Ceará. Será aplicado um teste deavaliação de perfil empreendedor extraído do livro do Dornelas “Transformandoidéias em negócios” – 2008 onde será feito um paralelo de acordo com ascaracterísticas empreendedoras do livro com as das entrevistadas. A seguir será explanado o resultado da coleta de dados e a análise quantoaos resultados da pesquisa.
  43. 43. 424 RESULTADOS De acordo com o referencial teórico sobre a evolução do empreendedorismono Brasil e principalmente nas diferenças entre o administrador e o empreendedoratravés dos dados analisados dentre a amostra pode ser avaliado que a grandemaioria já pode ser considerada empreendedora de fato e algumas que possuemmuitas características empreendedoras, mas precisam equilibrar alguns pontosfracos aos pontos fortes para serem consideradas empreendedoras de fato, deacordo com o autor Dornelas. Os negócios das empreendedoras foram todos bem diferentes:  Loja de material de construção  Indústria de lingerie  Indústria de roupas femininas  Rede de lojas de bijuterias  Rede de lojas de sapatos  Boutique de multimarcas femininas  Gráfica  Loja de variedades em bairro Primeiramente será explorado junto ao referencial teórico o resultado doteste de avaliação de perfil empreendedor de acordo com a visão do Dornelas. O resultado quanto às características de comprometimento e determinaçãoeram das perguntas 1 a 6 , obteve-se a metade das entrevistadas o resultado bom ea outra metade excelente. Mostra que elas realmente são apaixonadas pelo quefazem. Das perguntas 7 a 9 tratava-se da obsessão pelas oportunidades e quasepor unanimidade as entrevistadas obtiveram o resultado bom; no caso gostam deavaliar bem as oportunidade que surgem para elas. A próxima característica tratava da tolerância ao risco, ambiguidade eincertezas relacionadas às perguntas 10 a 14; esse resultado foi bem diferenciado,pois alguns deram regulares, outros bons e a minoria chegou a ser excelente. Pode-se perceber que é uma das características em que muito se divergiu.
  44. 44. 43 Os itens 15 a 19 abordaram a relação com a criatividade, autoconfiança ehabilidade de adaptação; pode ser percebido que a maioria obteve o resultado bome apenas duas das entrevistadas deram o resultado regular. Pode se concluir que asempreendedoras possuem autoconfiança e bastante criatividade para sereinventarem, caso seja necessário. O próximo perfil explorado no teste das perguntas 20 a 26 foi motivação esuperação, nesse as entrevistadas obtiveram o mesmo resultado com a nota 4 –bom. Esse perfil é muito importante, pois sendo empreendedoras, elas devem ser asprimeiras em motivação para que seus colaboradores sejam também. Nas cinco e últimas perguntas foi abordado o tema liderança e o resultadoobtido foi a maioria com a nota 4-bom e apenas duas entrevistadas com a nota 5-excelente. Esse perfil de liderança é de muita valia para que elas possamdesenvolver equipes e consigam o sucesso esperado, pois sozinhas não poderãocrescer. Da amostra das entrevistadas, quatro obtiveram a somatória abaixo de 119pontos e por coincidência, duas delas obtiveram a mesma de 113 pontos; as demaisobtiveram a somatória superior a 120 pontos. Com isso pode-se concluir que todasas entrevistadas são consideradas empreendedoras e possuem o perfil traçado porDornelas, respondendo ao primeiro objetivo específico da pesquisa. As principais características da amostra pesquisada através do teste e dasrespostas de algumas perguntas do roteiro da entrevista foram que asempreendedoras são:  Otimistas  Líderes  Apaixonadas pelo que fazem  Assumem riscos calculados  Autoconfiantes  Criativas  Determinadas  Comprometidas
  45. 45. 44 O histórico dessas mulheres foram dentro da área do segmento atual,algumas iniciando como autônomas; outras em empregos fixos; outras dentro donegócio familiar e depois aconteceu o “disparo” para se tornarem empreendedoras. Segue a exploração dos próximos dados de acordo com a análise daentrevista. A três primeiras perguntas foram importantes para se responder ao terceiroobjetivo da pesquisa, onde se questiona que fatores influenciaram para cada umatornar-se empreendedora e, de acordo com algumas respostas, sabe-se se foi pornecessidade ou oportunidade. Uma das respostas obtidas: Necessidade de aumentar a renda da família e incentivo de amigos e parentes. Entrevistada A Houve sim, na verdade eu fabricava as lingeries para aumentar a renda, como a procura aumentou, precisei sair do meu emprego fixo e dedicar-me completamente ao novo negocio. Entrevistada A A necessidade e o desejo de vencer, sempre batalhei muito para conseguir as minhas coisas, desde criança, nunca gostei de pedir nada nem a meus pais. Entrevistada B Dinamismo do meu pai; ele sempre foi um ícone para mim. Entrevistada C Eu penso que foi o histórico familiar de avô, pai que eram empresários. E desde pequena as minhas férias eram na empresa, então para mim aquilo sempre foi a minha visão de futuro. Entrevistada D A nossa empresa é familiar e desde pequena cresci na empresa, acompanhando o trabalho do meu pai. Entrevistada H A possibilidade de ter um horário mais flexível depois que me casei e tive filhos e a necessidade do meu marido em ter uma pessoa de confiança e que entendesse do financeiro na empresa. Entrevistada F A vontade de proporcionar uma vida mais confortável aos meus filhos. Entrevistada G Foi daí que houve o disparo, a mercadoria agradou e eu tive que pedir minhas contas para ajudar na produção das peças. Entrevistada B Pode ser percebido claramente que as entrevistadas A, B, F e G foram pornecessidade e as C, D e H por oportunidade. De acordo com Filion (1991) no
  46. 46. 45referencial teórico relata que a rede de contatos parece ser o fator mais influentepara explicar a evolução da visão. A família, por exemplo, certamente moldará ostipos de visão inicial que um empreendedor possa vir a ter. Sendo assim, asempreendedoras C e D mostram de forma precisa que desenvolveram a visãoempreendedora para enxergar a oportunidade da abertura do negócio. As entrevistadas A, B e G trazem a necessidade de abrir seu próprio negóciode acordo com o perfil abordado por Dornelas (2008) que são independentes econstroem o próprio negócio, não querem ser empregados e querem criar algo novo,podendo assim ser mais independentes e gerar empregos. A entrevistada relata que por necessidade de flexibilidade de horário enovamente se encontra a questão da independência, seja ela financeira ou mesmode horário de trabalho. Todas as entrevistadas possuem certo tempo de negócio variando de 10 a30 anos, mas todas não fizeram nenhum planejamento antes da abertura e nemuma pesquisa de mercado. Sendo que na pergunta 13, que pede a elas oaconselhariam as novas empreendedoras, todas colocaram que deveriam pesquisare entender mais do negócio, procurar conhecimento e etc. Como elas não abriram o negócio recentemente, se confirma de acordo comos dados sobre este aspecto, o estudo da pesquisa GEM 2009, constatou que dosempreendedores por oportunidade 53,4% são mulheres e 46,6%, homens, issomostra como as mulheres estão identificando mais do que normalmente, querendoempreender por necessidade. Um das entrevistadas colocou o seguinte conselho para quem querempreender: Confesso que não tenho muita habilidade em dar conselhos a esse respeito, pois com as oscilações em relação ao mercado não nos permite uma boa margem de acerto, mas aconselho que estude, pesquise, buscando inovações para criar negócios diferenciados, montando um plano de negócios, pois o empreendedor que montar seu negócio por oportunidade terá mais chance de permanecer no mercado. Entrevistada B Contrate uma ótima consultoria e faça um estudo completo de viabilidade do negócio (pesquisa de mercado, testes cegos); visite em várias cidades negócios semelhantes no Brasil e fora do Brasil; leia o livro Vendas 3.0 e faça todos os exemplos sugeridos em seus futuros produtos; e ainda assim questione com todos seus amigos e família. Entrevistada H
  47. 47. 46 A amostra respondeu ao terceiro objetivo específico de forma bem clara quealgumas foram por oportunidade e outras por necessidade e que em tempos atrás oempreendedorismo por necessidade tinha maiores taxas e que atualmente é queesses dados mudaram e as próprias já identificam isso como um fator muitoimportante. Que hoje quem tiver vontade de tornar-se empreendedora em Fortalezadeve fazer um bom plano de negócios para que não venha a falir, pois o mercadotornou-se mais exigente. Com o crescimento do Estado, o consumidor tornou-semais especialista e não é tolerante com a falta de capacitação em alguns aspectos. De acordo com o período que as mulheres passaram a ser empreendedorasse adéquam a alguns dados do referencial teórico, segundo dados do EndeavorEmpreendedorismo (2004), durante os anos 1990, enquanto a renda média doshomens aumentou 19%, a das mulheres aumentou 43%; afora isso, são vários osdados que endossam essa tendência de igualdade. No roteiro da entrevista consta uma pergunta sobre o grau de escolaridade,se houve ajuda ou não para a abertura do negócio. As que abriram por oportunidaderesponderam que sim, já as que foram por necessidade passaram a adquirirconhecimento posteriormente. Algumas destacaram da seguinte forma: Muito! Uso muito que aprendi na faculdade e em principal no MBA de gestão. Penso que todos os cursos que fiz complementares, me agregam sempre. Entrevistada D Não, nessa época, há 25 anos eu só tinha o primeiro grau, só depois concluí o segundo grau através de supletivo e em 2005 iniciei minha faculdade. Entrevistada B Através desses dados pode ser visto como a partir da evolução doempreendedorismo feminino elas tiveram a visão de se aperfeiçoarem para omercado atual. Em relação ao segundo objetivo específico, que precisa identificar asdificuldades enfrentadas pelas mulheres empreendedoras no mercado competitivode Fortaleza, foram analisadas através de três perguntas que fizeram com que asentrevistadas respondessem o que realmente enfrentaram ou até mesmo queenfrentam. Quando as entrevistadas abordaram sobre a competitividade do mercado deFortaleza, transpareceram com muito otimismo e apesar do Estado ser polo
  48. 48. 47crescente, elas apostam no diferencial, seja ele: produto; tecnologia, qualidade noatendimento; e chegaram até contar com a fé em Deus. Seguem abaixo alguns dos relatos: Com muito otimismo, pois o que nos motiva a melhorar como empreendedoras é a concorrência. Precisamos estar sempre atentos ao mercado, não só de Fortaleza, mas a nível Brasil e até internacional, principalmente quem trabalha com moda. Entrevistada B Já foi pior, quando a cidade ainda era meio provinciana. Tinha muito peixe grande que se aproveitava das influências e conseguia muita informação privilegiada. Hoje, com o crescimento da cidade e com a informatização, as coisas estão mais equiparáveis. Entrevistada F Ainda com algumas diferenças entre os homens, as empreendedoras deacordo com o referencial abordado: em geral, ambos possuem o mesmo interesse eexperiência no seu negócio, mas os empreendedores normalmente se inserem emalgo relacionado ao seu emprego anterior ou até mesmo complementam o mesmo;já as empreendedoras abandonam a antiga ocupação com alguma frustração eassim passa a ser uma busca pessoal e não apenas profissional. (HISRICH, 2004). Realmente passa ser algo muito pessoal, pois todas colocam que amam oque fazem, porém, quando foi visto quais pontos negativos ou o que afetou em suavida familiar, por serem empreendedoras. A maioria destacou: O lado positivo é ver suas ideias serem colocadas em práticas, e como negativo tem a questão do tempo que precisa ser dedicado, o que afeta muitas vezes o dia a dia da família. Entrevistada A Afeta em principal os meus filhos que precisam se adaptar à ausência e se tornarem mais cedo independentes. É exaustivo trabalhar mais que a carga horária, chegar a casa e verificar se as crianças comeram, fizeram o dever, brincar com elas e nisso tudo estar sempre disposta a ser companheira do esposo! Super mulher, tomando muita vitamina e fazendo atividade física (6:00) para ter condicionamento. Entrevistada D O positivo é que nos tornamos independentes, e o negativo é a falta de tempo para família. Entrevistada G De certa forma me afastou um pouco dos meus pais e irmãs, devido ao tempo que ficou pouco. Por outro lado, fez com que meu marido e eu nós tornássemos mais unidos e com objetivos em comum. Entrevistada F
  49. 49. 48 De acordo com os relatos acima percebe-se como as mulheresempreendedoras lidam com essas questões até mais pessoais do que profissionais.Como isso chega a afetar o convívio familiar e chega a gerar desconforto por partedos homens com relação às mulheres no mercado de trabalho. Já colocado noreferencial sobre como as mulheres encaram a questão da maternidade, que amaioria das mulheres quando empreende está na faixa de 35 a 40 anos, ou seja, umpouco mais tardio devido à família e filhos, ou quando mais cedo deixando a vidapessoal de lado e conciliando um pouco mais tarde. No caso da amostra coletada,apenas uma das empreendedoras não possui filhos, mas as demais tiveram nodecorrer do negócio e enxergaram de forma um pouco negativa essa ausência comos filhos. Foi percebido em alguns momentos da entrevista que algumas dasentrevistadas se sensibilizaram quando foi abordada essa questão. Porém, comoamam o que fazem, logo justificam com esse perfil. Conforme abordado no referencial sobre isso, de acordo com Jonathan(2005) as mulheres empreendedoras caracterizam-se por serem destemidas,autoconfiantes, apaixonadas e identificadas com seus empreendimentos. Todascolocaram que se identificam muito com os seus negócios e que lutam paracontinuarem a crescer. Outros tipos de dificuldades elas também enfrentaram e até hoje, algumasenfrentam dentro do mercado. Tais como: A principal dificuldade foi o crédito e o capital de giro, pois precisava esperar vender, receber para poder comprar novas matérias-primas e produzir novamente. Entrevistada A Foi quando o presidente Collor confiscou nosso dinheiro, ficamos desesperadas, mas nessa época a minha outra irmã já estava conosco e foi aí que ela mostrou sua habilidade com financeiro e negociação, acabou achando uma saída que nos tirou do aperto. Entrevistada B Financeira do mercado. Enfrentamos diminuindo os custos, se adequando à realidade do mercado, abrindo novos fornecedores e conseguindo prazos maiores.Entrevistada E No início eu não tinha noção do comércio, e fui aprendendo tudo no dia a dia, e após dois anos (depois) resolvi contratar uma consultoria. Entrevistada C

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