A fala dos quartéis e as outras vozes (Resumo Livro)

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Trabalho apresentado à disciplina de Análise do Discurso PPGL-UCPel (mestrado/2009)

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  • Trabalho em questão limita-se às formações imaginárias de A, ou seja, do sujeito de D1, pois trabalha apenas com discursos presidenciais. Tais imagens compõem as diferentes representações da figura do presidente dirigidas aos diferentes destinatários instituídos por tais discursos.
  • Trabalho em questão limita-se às formações imaginárias de A, ou seja, do sujeito de D1, pois trabalha apenas com discursos presidenciais. Tais imagens compõem as diferentes representações da figura do presidente dirigidas aos diferentes destinatários instituídos por tais discursos.
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  • Trabalho em questão limita-se às formações imaginárias de A, ou seja, do sujeito de D1, pois trabalha apenas com discursos presidenciais. Tais imagens compõem as diferentes representações da figura do presidente dirigidas aos diferentes destinatários instituídos por tais discursos.
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  • Trabalho em questão limita-se às formações imaginárias de A, ou seja, do sujeito de D1, pois trabalha apenas com discursos presidenciais. Tais imagens compõem as diferentes representações da figura do presidente dirigidas aos diferentes destinatários instituídos por tais discursos.
  • Esta segunda parte do livro é dedicada à análise multifacetada do funcionamento discursivo do corpus em questão. Primeiro estabelece as questões que determinam o sujeito presidencial, depois, em um segundo capítulo, examina a construção dou outro nesse espaço discursivo e, por fim, analisa o processo de interlocução discursiva que aí se trava.
  • Trabalho em questão limita-se às formações imaginárias de A, ou seja, do sujeito de D1, pois trabalha apenas com discursos presidenciais. Tais imagens compõem as diferentes representações da figura do presidente dirigidas aos diferentes destinatários instituídos por tais discursos.
  • Simulacro: uma cópia de cópia, um ícone infinitamente degradado, uma semelhança infinitamente afrouxada (...) A cópia é uma imagem dotada de semelhança, o simulacro uma imagem sem semelhança, mas que produz efeito de semelhança.
  • Tanto em CB quanto em em CS esta imagem do presidente democrata é extensiva ao regime: um regime é democrata à medida que seu presidente tb o é. A partir de Médici essa sobreposição é desfeita, marcando a transformação que FD1 sofreu após a edição do AI-5.
  • Castas: termo escolhido pela autora
  • 1. Num primeiro momento poder-se-ia pensar que a primeira é incompatível com a FD que afeta o sujeito desse discurso. Entretanto, após a análise a autora percebeu que de fato trata-se de um simples simulacro de presidente democrata, em consonância com a FD em que o sujeito de D1 inscreve-se.
  • 2. É a relação entre frustração e poder que explica as ocorrências singulares dessa imagem em CB e CS.
  •  Os processos de enunciação consistem em uma série de determinações sucessivas , realizadas por mecanismos sintáticos, através das quais o enunciado se constitui, colocando que foi dito e rejeitando o não-dito , ou seja, aquilo que poderia ter sido dito mas nào foi.  A enunciação estabelece uma fronteira entre o que o sujeito e constitui a materialidade de seu discurso e o que dele se configura excluído. Essa é uma concepção discursiva da determinação e constitui o trabalho discursivo da construção da determinação.
  •  Os processos de enunciação consistem em uma série de determinações sucessivas , realizadas por mecanismos sintáticos, através das quais o enunciado se constitui, colocando que foi dito e rejeitando o não-dito , ou seja, aquilo que poderia ter sido dito mas nào foi.  A enunciação estabelece uma fronteira entre o que o sujeito e constitui a materialidade de seu discurso e o que dele se configura excluído. Essa é uma concepção discursiva da determinação e constitui o trabalho discursivo da construção da determinação.
  •  Os processos de enunciação consistem em uma série de determinações sucessivas , realizadas por mecanismos sintáticos, através das quais o enunciado se constitui, colocando que foi dito e rejeitando o não-dito , ou seja, aquilo que poderia ter sido dito mas nào foi.  A enunciação estabelece uma fronteira entre o que o sujeito e constitui a materialidade de seu discurso e o que dele se configura excluído. Essa é uma concepção discursiva da determinação e constitui o trabalho discursivo da construção da determinação.
  • 4. O destinatário n é explicitado nem é unico, tendo um elevado grau de revezamento da figura do destinatário discursivo.
  • 2.2. parte III cap. 1
  • 2. É a relação entre frustração e poder que explica as ocorrências singulares dessa imagem em CB e CS.
  • A fala dos quartéis e as outras vozes (Resumo Livro)

    1. 1. Sobre a autora: Freda Indursky• Local de Nascimento: Porto Alegre;• Graduação em Letras na UFGRS (atualmente é professora no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas no Instituto de Letras);• Mestrado em Besançon – França;• Doutorado na Unicamp;• Atualmente trabalha no programa de pós-graduação em Letras, onde ministra disciplinas relacionadas à Análise do Discurso, bem como orienta trabalhos vinculados à mesma área.
    2. 2. Sobre o livro• O livro é resultado de uma pesquisa realizada no âmbito do Programa de Pós Graduação do Instituto de Estudos de Linguagem, na Unicamp, da qual resultou a tese de Freda Indursky, intitulada “A fala dos quartéis e as outras vozes: uma análise do discurso presidencial da Terceira República (196401984), apresentada e defendida em dezembro de 1992.
    3. 3. O tema Dentre as várias consequências do Golpe de Estado de 1964destaca-se a suspensão das formas constitucionais derepresentatividade, substituídas no exercício do poder pelasForças Armadas. Estas elaboraram a doutrina da segurança edo desenvolvimento militar que se perpetuou por vinte anos nopoder, instaurando o autoritarismo no Brasil. Neste contexto, o trabalho propõe-se a examinar o discursopresidencial da República Militar Brasileira à luz da Análise doDiscurso (AD).
    4. 4. Reflexão sobre o objetivo• “Espero contribuir para iluminar as práticas discursivas daquele período que não deve jamais ser esquecido. A esse propósito, vale lembrar que, no entendimento de Courtine, ‘memória e esquecimento são indissociáveis da enunciação do político’. Por isso, transcrevo aqui o poema de Maiakowski, que esclarece apropriadamente porque julguei que esse livro ultrapassa o limiar do interesse puramente acadêmico.” (Freda Insdursky)
    5. 5. MaikowskiNa primeira noiteeles se aproximame colhem uma florde nosso jardim e não dizemos nadaNa segunda noite,já não mais se escondem;pisam nas floresmatam o nosso cão e não dizemos nadaAté que um diao mais frágil delesentra sozinho em nossa casa,rouba-nos a lua e,conhecendo nosso medo,arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada já não podemos dizer nada.“Lembrar, neste caso, é a condição do dizer” (Freda Indursky. Porto Alegre, agosto de 1994)
    6. 6. Questionamentos iniciais• O discurso presidencial da República Militar Brasileira é único, uniforme e homogêneo, daí resultando um espaço hermeticamente fechado sobre si mesmo?• O discurso presidencial da República Militar Brasileira é heterogêneo, não constituindo um espaço discursivo impermeável a outros discursos do campo político?
    7. 7. Metodologia• Investigação do discurso autoritário e sua relação com o discurso da República Militar Brasileira;• Exame do corpus discursivo;• Relação dos discursos presidenciais da República Militar Brasileira com outros discursos;• Exame do corpus de acordo com o discurso-outro.
    8. 8. Estrutura do trabalho• Preparando a análise: questões teóricas e metodológicas que embasam o livro;• O funcionamento do discurso presidencial: construção do sujeito presidencial, construção discursiva do outro e processo de interlocução discursiva que se instaura nesse espaço discursivo;• A construção da homogeneidade imaginária e suas rupturas: análise das propriedades desse discurso.
    9. 9. Campo discursivo O discurso como objeto de estudo (ORLANDI)O objeto específico da AD é o discurso, e não a língua,e sua unidade de análise é o texto, e não o signo ou a frase. “Não em seu aspecto extensional, mas qualitativo, como unidade significativa da linguagem em uso, logo unidade de natureza pragmática” (Orlandi, 1986).A partir dessa concepção, o campo discursivo decorre de três regiões do conhecimento científico: materialismo histórico, linguística e teoria do discurso.
    10. 10. 1. Materialismo histórico• O discurso não reflete a ideologia como algo que lhe é exterior, mas a mostra, enquanto efeito de sentido, porque ela é constitutiva da prática discursiva. Vale dizer que o efeito de sentido funciona como indício da interioridade da ideologia.• Pensar ideologia no âmbito da AD consiste em deslocar a relação imaginária com o mundo real para o interior dos processos de significação.• A ideologia consiste na representação da relação imaginária com o mundo real no interior dos processos discursivos. O analista, ao debruçar-se sobre o discurso, depara-se com a materialidade discursiva que é concomitantemente linguística e ideológica.
    11. 11. ... Materialismo Histórico• A ideologia não promove “ocultação” ou “engano”, mas produz o “desconhecimento de sentidos” através de processos discursivos cuja materialidade linguística podemos discernir. Podemos compreender a ideologia como o fato de que os sentidos são fixados historicamente em uma direção determinada. (Orlandi, 1990). Tais sentidos resultam da produção de um certo imaginário, ou seja, de uma interpretação que aparece como necessária e que destina sentidos fixos para as palavras num certo contexto sócio-histórico. E a produção desse imaginário resulta das “relações entre poder e sentidos”
    12. 12. 2. Linguística• A linguística é entendida como o estudo dos mecanismos sintáticos e dos processos de enunciação;• Fenômenos linguísticos de dimensão superior à frase podem efetivamente ser concebidos como um funcionamento, desde que se tenha a clareza e que tal funcionamento não é integralmente linguistico. Pêcheux• O discurso não deve ser visto como veículo de transmissão de informação, mas como efeito de sentidos entre interlocutores, enquanto parte do funcionamento social geral. Orlandi
    13. 13. ... LinguísticaA ENUNCIAÇÃO se preocupa com quatro aspectos:• locutor: quem é o sujeito da enunciação• Interlocutor: pra quem o discurso é produzido• situação em que a enunciação é produzida: marcas espaço- temporais de produção do discurso• referente do discurso: sobre o que o discurso trata• “O enunciado tem por característica colocar o dito consequentemente rejeitar o não dito. Essa concepção estabelece fronteiras entre o que é selecionado e precisado pouco a pouco e o que dele é rejeitado”. Pêcheux & Fuchs
    14. 14. 3. Teoria do Discurso• Teoria da determinação histórica dos processos semânticos;• A teoria do discurso é o que irá produzir o corpo teórico necessário para que a AD possa instaurar e operar sobre esse objeto heterogêneo que é o discurso.• “A construção de meios de análise linguística e discursiva supõe uma reflexão sobre aquilo que opera na e sob a gramática, na margem discursiva da língua”. Pêcheux
    15. 15. Quadro teórico de referência Formação Discursiva (FD):• Um enunciado pertence a uma FD, como uma frase pertence a um texto. A regularidade de uma frase é definida pelas leis de uma língua, enquanto a regularidade dos enunciados é definida pela formação discursiva que estabelece, para os enunciados, uma lei de coexistência. Foucault• O sujeito é essencialmente é essencialmente representação, dependendo das formas de linguagem que ele enuncia e que de fato o enunciam.• Uma palavra ou uma expressão ou mesmo uma proposição não têm sentido próprio, literal. Seu sentido decorre das relações que tais elementos pertencentes à mesma FD. Pêcheux• Preconstruido: a FD é constitutivamente invadida por elementos que vêm de outro lugar (isto é, de outras FD) e se repetem nela. Pêcheux
    16. 16. Quadro teórico de referência• O sujeito de um enunciado é um lugar determinado e vazio que pode efetivamente ser ocupado por indivíduos diferentes. Foucault• O sujeito do discurso decorre da relação que se estabelece entre o discurso, a língua e a ideologia sendo, ao mesmo tempo, o sujeito ideológico. Courtine• Nos discursos autoritários “a relação com a referência é exclusivamente determinada pelo locutor: a verdade é imposta”. Orlandi• Em toda fala, sempre, sob nossas palavras, outras palavras se dizem. O discurso é constitutivamente atravessado pelo discurso do outro. Authier• A memória discursiva aqui é a memória social inscrita no seio das práticas discursivas.Ela decorre de uma relação entre a repetição de um enunciado discursivo e a regularização de seu sentido. Achard
    17. 17. Segunda Parte: O funcionamento do discurso presidencial1. A CONSTRUÇÃO DO SUJEITO PRESIDENCIAL 1.1. O imaginário do sujeito presidencial De acordo com Pêucheux (1969), o discurso produzido por um sujeito (A) sempre pressupões um destinatário (B) que se encontra em determinado lugar na estrutura social. Este lugar está representado nos processos discursivos a partir de uma série de formações imaginárias que designam o lugar que A e B se atribuem mutuamente, ou seja, a imagem que fazem do seu próprio lugar e do lugar do outro. Para examinar essas formações imaginadas, Pêcheux propõe quatro questões que lhe subjazem. Duas referentes a imagem de A e duas refentes a imagem de B.
    18. 18. Exames da imagem de A (sujeito do discurso presidencial - D1) IA(A) (imagem do lugar de A para o sujeito situado em A): « Quem sou eu para lhe falar assim? » IA(B) (imagem do lugar de B para o sujeito situado em A): « Quem é ele para que eu lhe fale assim? » As duas formações imaginárias presidem o funcionamento discursivo do corpus. A primeira sustenta a construção discursiva dos diferentes lugares enunciativos que representam lugares institucionais a partir dos quais o sujeito do discurso presidencial (D1) realiza sua prática discursiva, enquanto a segunda, consequência da primeira, decorre da construção discursiva das diferentes representações do destinário, presentes em D1. O exame de IA(A) permitiu identificar quatro diferentes imagens, a partir da auto-representação em primeira pessoa do singular: 1.) IA(A)1 - o presidente democrata. 2.) IA(A)2 - o presidente militar. 3.) IA (A) - o presidente autoritário. 4.) IA (A)4 – o presidente injustiçado.
    19. 19. IA(A)1 – A imagem do presidente democrata Esta imagem está presente nos cinco domínios discursivos emanálise. O que pode ser observado nos recortes das sequênciasdiscursivas seguintes:CB1 – Espero (...) possa entregar, ao iniciar-se o ano de 1966, aomeu sucessor legitimamente eleito pelo povo, em eleições livres,uma nação coesa (...). (CB1 – 11/04/64 – após ser eleito peloCongresso).CS1 – Meus intuitos democráticos e minha preocupação com oordem constitucional não podem ser postos em dúvida. (CS2 –03/10/66 – Congresso Nacional, após eleição).M1 – Neste momento, eu sou a oferta e a aceitação. Não sou apromessa. Quero ser verdade e confiança, ser coragem, a humildade,a união. A oferta de meu compromisso ao povo perante o congressode seus representantes, quero-a um ato de reverdecimentodemocrático. (M1 – 30/10/69 – Discurso de posse).G1 – Que Deus me dê forças a mim, e clarividência e energia, paralevar avante esse legado superior de consciência cívica e depragmatismo criado para o bem de nossa pátria e bem-estar de nossopovo. (G1 – 15/3/74 – Palácio do Planalto, posse).
    20. 20. IA(A)1 – A imagem do presidente democrataF1 – (...) Mas tenho também diante de mim um compromisso, queassumi antes mesmo de tomar posse a presidência da República. E,mais que compromisso um juramento que fiz após assumir apresidência da República: disse por mais de uma vez que iriatransformar este país numa democracia. (F2 – 04/10/79 –MG/Itajubá - improviso).O exame do recorte discursivo revela que no discurso presidencialda República Militar Brasileira, de um modo geral, é construída aimagem de um presidente democrata que acredita no jogo democráticoe em suas instituições. Esta imagem demonstra o desejo de ir aoencontro do imaginário da opinião pública para qual o presidente deveser um democrata. Tal procedimento mostra a busca de autenticidadepara o regime.Essa auto-representação consiste na construção de um simulacro apartir da imagem que o sujeito de D1 supõe ser a imagem que aopinião pública constrói de presidente.Nesse sentido a questão formulada por Pêcheux – “Quem sou eupara lhe falar?” – deve ser reformulada no dircurso político para:“Qual a imagem de presidente desejada pelos brasileirosdemocratas?”.
    21. 21. IA(A)1 – A imagem do presidente democrataÉ a partir daí que o simulacro do presidente democrata se constrói.Isso quer dizer: a imagem analisada anteriormente é construída sobrea suposta imagem que os brasileiros possuem de um presidentedemocrata.Já em M1 e F1, percebe-se nos recortes discursivos o desejo deinstaurar a democracia. Desejo esse que mostra que a imagem dedemocrata repousa sobre uma cópia destituída de semelhança, ouseja, sobre seu simulacro.
    22. 22. IA(A)2 – A imagem do presidente militarPresente nos cinco domínios discursivos do corpus da autora.Esta segunda imagem mostra como os presidentes se vêem edesejam ser vistos: “soldados” convocados para cumprirem umamissão militar. Esta imagem aponta para o assujeitamento do soldadode decisões hierarquicamente superiores. As pistas para suaidentificação decorrem da natureza do léxico empregado que remetepara o campo semântico militar. Exemplos: cumprir a missão, desertar,acatar, encargo, imposição, etc.A imagem em questão busca representar a presidência como missãoque não se postula, mas à qual é preciso sujeitar-se. Ela vem eivadade desprendimento, sacrifício, modéstia, buscando contrapor-se aofausto que a imagem presidencial costuma evocar, retirando daí suaautoridade e respeitabilidade.É daí que se constrói a doutrina da salvação nacional e embasa-se aa relação idealizada que o governante pretende manter com seusgovernados.Os governantes comandam (por direito) nos moldes militares e osgovernados devem obedecer (por dever), tal quadro fundamenta atomada do poder eo monopólio do governo por parte das castasmilitares.
    23. 23. IA(A)3 – A imagem do presidente autoritárioResultado do confronto entre as duas imagens anteriores.Do aparente conflito entre a imagem do presidente democrata e aimagem do presidente militar, instaura-se uma terceira imagem quemostra essa tensão.CB3 – Obrigado a usar dos poderes da legislação em vigor, queme autoriza a decretar o recesso do Congresso Nacional, cumpre-medirigir-me à nação.(CB3 – 20/10/66 – RJ – À nação).F3 – Porque cumpro o que prometo, não prometo milagres... Souhomem da ponderação e da prudência. Mas não hesitarei em aplicaras leis existentes diante de situações que ameacem atranquilidade da família brasileira ou possam conduzir à desordemsocial. (F2 – 01/5/79 – TV).A imagem do presidente autoritário mostra como o sujeito de D1percebe-se e deseja ser percebido por seus interlocutores.Para analisar a fusão das duas primeiras imagens é preciso partir desua característica comum: os deveres. Na primeira apresentam-secomo deveres cívicos e, na segunda, como deveres militares. Na fusãodessas duas imagens, os deveres transformam-se em poderes.Essa terceira imagem assume a forma de um presidente civil, marcaoriunda da primeira imagem, dotado de autoridade, força edesprendimento, características da segunda imagem.
    24. 24. IA(A)4 – A imagem do presidente injustiçadoEsta imagem foi observada pela autora em: Figueiredo (ocorrênciaabundante), Castelo Branco (um único registro por ocasião se suaúltima reunião ministerial) e em Costa e Silva (também uma únicaocorrência após a edição do AI-5).A análise em questão ateve-se às ocorrências singulares referentesaos dois últimos domínios supracitados, isso porque elas produzem umefeito de sentido diferente daquele produzido no discurso deFigueiredo.CB4 – Não quis nem usei o poder como instrumento de prepotência.Não quis nem usei o poder para a glória pessoal ou a vaidade dosfalsos aplausos. Dele nunca me servi. Use,i sim, para salvar asinstituições, defender o princípio da autoridade, extinguir os privilégios(...) E se não me foi permitido fazê-lo, pois jamais é penosocumprirmos o nosso dever, a verdade é que nunca faltam os queinsistem preferir sacrificar a segurança do futuro em troca de efêmerasvantagens do presente, bem como os que põem as ambições pessoaisacima dos interesses da pátria. De uns e de outros desejo esquecer-me. Pois a única lembrança que conservarei para sempre é a doextraordinário povo (...). (CB4 – 14/3/67 – Palácio do Planalto -Ministério).
    25. 25. IA(A)4 – A imagem do presidente injustiçadoCS4 – Valeram-se (...) todos os tipos de inimigos da democracia(...) cujas vozes se harmonizaram no coro formado para apresentá-los,inversamente, como defensores da liberdade e a nós, que de fato adefendíamos, como tiranos e usurpadores do poder (...) Derrubar a“ditadura”, que não existia, e “substituir o regime” eram palavras deordem que circulavam celeremente, ganhando adeptos entrecarreiristas, aventureiros, corruptos e subversivos de profissão quehabilmente compensavam a falta de apoio popular pela estridência dapropaganda e a ousadia da ação. (CS3 – 15/3/69 – Mensagem ao povo– TV – Segundo aniversário de governo).Ao contrário das imagens anteriores, que representam o modo comoo sujeito de D1 deseja ser visto pelos interlocutores, esta quartaimagem reflete o modo como o sujeito de D1 sente-se em função doefeito de sentido que seu discurso produziu e das reações discursivasque provocou.Ou seja, pode-se dizer que, em certo sentido, que a quarta imagem édecorrente do efeito perlocutório que o sujeito de D1 provocou em seusinterlocutores afetados por FD2. Trata-se de uma imagem que reflete amágoa, o sentimento de injustiça que invade D1.
    26. 26. Considerações finais das formações imaginárias do sujeito de D1 QUADRO SÍNTESE 1 Formações Imaginárias I1 I2 I3 I4 CB + + + * CS + + + * M + + + - G + + + - F + + + + (+) indica ocorrência da imagem; (-) assinala sua ausência; (*) aponta para as ocorrências únicas.
    27. 27. Considerações finais das formações imaginárias do sujeito de D1 SUJEITO DO DISCURSO PRESIDENCIAL Está ancorado em três imagens Presidente Autoritário: Presidente Militar: Resultante da tensão Mostra em que seu entre as outras duas perfil democrático imagens – corresponde distingue-se da ao que de fato é. Vale concepção vulgar de dizer que que entre a presidente democrata idealidade e o real Presidente Democrata: interpõe-se o poder. Modo como deseja ser visto
    28. 28. A construção discursiva do outro2. A construção discursiva do outroSe a dispersão do sujeito funciona para opacificar sua figura solo, adispersão do outro produz aí uma outra opacidade: enquanto o sujeitode D1 nega, em sua enunciação, a diferença de classe, seu discursoreinstaura, pelo viés da fragmentação do outro, tais diferenças que nãosão apenas de classe, mas que também o são.No corpus, quando o outro é costruído de modo consensual, érepresentado por diferentes itens lexicais genéricos como: brasileiros,povo e, muito raramente, cidadão. Enquanto cidadão, por ser dotadode conteúdo historicamente cristalizado, passou a representar um usoincômodo e, por isso, pouco frequente em D1. Pelo mesmo motivo e deforma diretamente proporcional, povo constituiu-se em um verdadeiroinstrumento político, pois seu sentido, construído historicamente, foi aoencontro do jogo ilusório que a enunciação de tal discurso produz.Assim, cidadão foi discursivamente apagado e povo passou a serexpressivamente empregado como forma de representação do outro.É assim que as difentes confugurações do outro apontam pararevolucionários, não-revolucionários, contra-revolucionários, classetrabalhadora, sociedade civil organizada, classes produtoras, dentreoutros estratos da sociedade.
    29. 29. A construção discursiva do outroQuando o outro é costruído no dissenso, é representado por itenslexicais como: adversário da revolução (CB), contra-revolucionários(CS), inimigo do regime (M), subversivo e corrupto (G), agitador (CB),etc.Assim sendo, no discurso presidencial o outro só tem duaspossibilidades extremas de representação: a primeira, com um outro queacata plenamente todas as decisões tomadas pela revolução (condiçãopara ser enquadrado como cidadão); a segunda representando um outrodesprovido de qulquer traço positivo de caráter, ou seja, o anticidadão,“subversivo”, “inimigo do regime”.3. A interlocução discursivaNo corpus em questão, a terceira-pessoa discursiva representa ooutro na qualidade de interlocutor indeterminado, o qual participa, a essetítulo, da interlocução discursiva.A interlocução discursiva não implica a presença do interlocutor, nemsua representação clara e objetiva. Mas, nem por isso, esse pólo dainterlocução desaparece ou deixa de ser determinado para o sujeito dodiscurso. Sua indeterminação é um efeito que se constrói através dotrabalho discursivo.
    30. 30. A interlocução discursivaNa interlocução discursiva o sujeito fragmenta-se, fica difuso e disperso.O mesmo ocorre com o outro , seu destinatário que, além defragmentado, difuso e disperso, se constrói sobre o modo daindeterminação.O cenário discursivo do corpus, localizado na esfera pública, também éconstruído na modalidade da indeterminação, resultando daí que umamesma sequência discursiva pode dirigir-se a vários destinatários,afetados por FD antagônicas, revestindo-se de um efeito deperformatividade que articula promessa e ameaça a um só tempo, porexemplo.O discurso presidencial da República Militar Brasileira caracteriza-sepelo trabalho da prática discursiva que conduz da determinação àindeterminação.
    31. 31. Terceira Parte: A constituição da homogeneidade imaginária e suas rupturas 1. Da determinação a sobredeterminação Objetivo: Examinar o trabalho discursivo de construção da determinação do discurso presidencial. O processo de determinação discursiva instaurado em D1 é descrito pela autora como o trabalho de construção discursiva da delimitação do que pode/deve ser dito, bem como do que pode, mas não convém ser dito em um discurso. Tal determinação é decorrente da relação que o sujeito do discurso estabelece com a FD que o afeta. A determinação discursiva trabalha com a individualização imaginária do espaço discursivo, produzindo o efeito de discurso único, homogêneo. 2. Sobre a heterogeneidade do discurso presidencial Objetivo: estudar a heterogeneidade do discurso em análise e os efeitos por ela produzidos. Um discurso é heterogêneo porque sempre comporta constitutivamente em seu interior outros discursos.
    32. 32. Terceira Parte: A constituição da homogeneidade imaginária e suas rupturas Parte-se da ideia de que o sujeito, ao construir seu discurso, incorpora enunciados preconstruídos que, uma vez inseridos no discurso provocam o esque cimento de sua incorporação e produzem o efeito de ali se originarem. Para isso, é preciso que o discurso esteja dotado do efeito de homogeneidade. No corpus, Indursky, observa o discurso relatado, a negação e as incisas discursivas como funcionamentos para remontar ao exterior e escapar da ilusória homogeneidade.
    33. 33. Terceira Parte: A constituição da homogeneidade imaginária e suas rupturas QUADRO SÍNTESE 7 Heterogeneidade Topologia da Heterogeneidade Domínio Discurso Negação Incisas Relatado Discursivas + + + + CB - + + - + + + CS - - + - - + + + M - - - - + + + + G + + + - + + + + + F - + + +
    34. 34. CONCLUSÃOContribuições para o estudo linguístico:- O trabalho propôs o exame de fatos linguísticos em seu duplofuncionamento, visando compreender a diferença entre ofuncionamento linguístico e o funcionamento discursivo.- Procurou analisar como a língua em seu funcionamento concorrepara que o sujeito do discurso possa representar a si e ao outro,examinando as relações que esse sujeito estabelece com o queenuncia e com aqueles a quem enuncia.- Considerando o conjunto das análises, Freda Indursky, entretanto,centra suas últimas considerações sobre os dois trabalhosdiscursivos que atravessam todo o corpus e que apontam para asmodalidades de representação determinada e indeterminada.7.Das definiçõesOs processos de enunciação constroem uma fronteira entre o ditoe o não-dito, mas este dito não apenas sofre sucessivasdeterminações, mas tais determinações estão na base da construçãodiscursiva da inderteminação.
    35. 35. CONCLUSÃO A determinação discursiva consiste no trabalho discursivo de determinação do que pode/deve ser dito, bem como do que pode, mas não convém ser dito e ainda do que não pode ser dito, devendo ser refutado pelo sujeito do discurso. Ou seja, a determinação discursiva decorre de sucessivas determinações que vão dede o nível linguístico, passam pelo fio do discurso, projetam-se no processo discursivo e afetam as propriedades do discurso. Sendo assim, constrói as fronteiras discursivas que fecham imaginariamente o espaço discursivo, promovendo sua ilusória individuação, responsável pelo efeito de homogeneidade de um discurso. Já a indeterminação discursiva promove o trabalho discursivo de opacificação do indizível. É resultado de sucessivas operações de indeterminação que vão do nível linguístico, passam pelo fio do discurso, projetam-se no processo discursivo e afetam as propriedades do discurso. Sendo assim, constrói a opacificação do que não pode/não deve ser dito pelo sujeito, tornando-se a modalidade discursiva que promove a travessia do indizível pelas fronteiras imaginariamente fechadas do espaço discursivo, instaurando o imperceptível heterôgeneo em seu interior.
    36. 36. CONCLUSÃO “(...) Tanto a construção discursiva da determinação como a da indeterminação representam diferentes relações que o sujeito do discurso político estabelece com o que enuncia e com aqueles para quem enuncia aquilo que enuncia” (INDURSKY, 1997, p.254).2. O entrelaçamento interdiscursivo da determinação e da indeterminaçãoDeterminações e indeterminações são as duas faces do mesmo trabalho discursivo de construção do discurso. De tal modo que quanto mais fortemente é rejeitado o indizível, mais ele reflui nas dobras da construção discursiva da indeterminação. De sorte que estas construções, aparentemente excludentes, são necessariamente complementares. Algumas evidências do entrelaçamento promovido pelo trabalho discursivo (observadas nas análises):
    37. 37. CONCLUSÃO2.1 Determinação e indeterminação no funcionamento discursivo A segunda parte do trabalho da autora (funcionamento do discurso presidencial) apresenta-se claramente determinado no primeiro nível do processo de interlocução discursiva – a interlocução enunciativa. Nela sabe-se quem enuncia, para quem enuncia e o que enuncia. Ou seja, está no nível da determinação discursiva. No entanto, sobre esta construção ancora-se um outro nível de interlocução – a interlocução discursiva – em que a determinação cede lugar a indeterminação. Para observá-la é preciso passar dispersão do sujeito do discurso que, ao representar-se como nós, simula o efeito da palavra comum que é estancada quando, esse mesmo sujeito, representa-se como se fosse o outro por meio da quarta-pessoa discursiva. Tal processo culmina com o apagamento da estrutura dialógica: onde não há sujeito, não há interlocutor. É o domínio do monologismo, obtido pelo trabalho de indeterminação discursiva do sujeito e e da interlocução. Também o outro da interlocução discursiva é, igualmente, indeterminado. O grau máximo que sua indeterminação é alcança é quando o outro é representado pela terceira pessoa discursiva: simulando referir-se ao outro, de fato, a ele se dirige. Onde não há interlocutor, não há diálogo.
    38. 38. CONCLUSÃO2.2 A indeterminação no processo de determinação discursiva O processo de determinação discursiva, que trabalha para construir os limites e a extensão do dizível, acaba por instaurar uma zona de opacidade no interior do formulável: “os bons brasileiros”, “os brasileiros de responsabilidade” correspondem ao que pode ser dito. Já “os maus brasileiros” pode, mas não convém ser formulado. Pelo recalcamento do que poderia ser dito, cria-se uma zona de indeterminação no interior do próprio processo discursivo. Ou seja, a indeterminação é fruto de um processo de determinação.2.3 Determinação e indeterminação na negação discursiva A negação instaura um processo de delimitação de dois espaços discursivos diversos. De modo que, mesmo que indiretamente, por seu viés acaba-se por determinar o dizível de um discurso. Por outro lado, a negação do discurso do outro constrói o não-dito do discurso presidencial pelo viés do discurso transverso, o que quer dizer que o discurso-outro penetra no discurso presidencial como um implícito, caracterizando sua natureza indeterminada.
    39. 39. CONCLUSÃO2.4 Determinação e indeterminação nas incisas discursivas Para que o discurso do outro possa instalar-se na formulação do sujeito do discurso, é preciso laborar discursivamente para que essa presença seja invisível. Esse trabalho de apagamento dos vestígios pode ser visto como a determinação do discurso do sujeito ou como a indeterminação do discurso do outro. Por outro lado, a negação do discurso do outro constrói o não-dito do discurso presidencial pelo viés do discurso transverso, o que quer dizer que o discurso-outro penetra no discurso presidencial como um implícito, caracterizando sua natureza indeterminada.Esse trabalho discursivo de naturalização do discurso-outro subentende sua determinação e incorporação. Ao mesmo tempo, pode-se entender o apagamento de vestígios e das condições de produção do discurso-outro como um trabalho discursivo de indeterminação do discurso do outro.
    40. 40. SÍNTESE FINAL3 Síntese final Determinação e indeterminação não possuem limites excludentes, embora produzam efeitos opostos. São processos em inter- relação. Não separação entre os dois processos em um discurso, um está no outro. Os discursos interpenetram-se constantemente, instaurando espaços privilegiadamente heterogêneos. O que existe são efeitos de homogeneidade ou de heterogeneidade, produzidos em função do modo como a linguagem é mobilizada pelo sujeito do discurso em seu trabalho de construção da sua representação, da representação que faz do outro e da relação que estabelece com o discurso-outro. Tais representações são determinadas e/ou indeterminadas em função do imaginário do sujeito do discurso.
    41. 41. Trabalho baseado no livro:

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