Indignados, resignados e mediados

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19-22 de junho de 2012: Brites, M. J., Menezes, I. & Ponte, C. Indignados, resignados e mediados. VII Congresso Português de Sociologia, Porto.
http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt

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  • Capital Social

    Capital
    Cívico
    e auto-empoderamento
    Rodrigo, Mafalda

    Capitais
    Cultural, económico, social



  • Indignados, resignados e mediados

    1. 1. Indignados, resignados e mediados Maria José Brites (FCT, CIMJ, ULP) – britesmariajose@gmail.com Isabel Menezes (FPCEUP) – imenezes@fpce.up.pt Cristina Ponte (FCSH-UNL) – cristina.ponte@fcsh.unl.pt VII Congresso Português de Sociologia 19 e 22 de Junho de 2012 | UP-FL 1
    2. 2. Indignação, global? • Stephane Hessel sugere aos jovens para olharem em redor e encontrarem motivos de indignação, designadamente no que respeita aos direitos humanos (2011: 30). • “Os media são um pré-requisito – embora não sejam de modo algum uma garantia – para esculpir o carácter democrático da sociedade; eles são os portadores da comunicação política democrática para além do que é definido face-a-face” (Dahlgren, 2009a: 2). Serão esses os motivos que têm emocionado e levado à indignação? Quais são as implicações da mediação desta participação, tendo em conta as oportunidades que as redes sociais proporcionam? Isto tendo em conta que a internet é um conceito integrante da cultura cívica (Dahlgren, 2009). 2
    3. 3. Indicações metodológicas • A mostra principal composta por seis grupos de foco realizados entre Setembro e Novembro de 2011 (15 jovens=8F; 7M). - investigação longitudinal, iniciada em 2010 com a realização de 35 entrevistas aprofundadas com jovens (32: 15-18 anos; 2: 21 anos; 1: 14 anos). • Amostra secundária composta por um conjunto de comentários alargados, que o Público publicou a propósito da manifestação Geração à Rasca (12/03/11). Estes comentários tinham como base a justificação do motivo da ida ou não à manifestação. • Até 25 anos – 13 = 8M; 5F (3 “Não vou”/”Não posso”; 10 “Vou”) . – Total de cerca de 110 comentários, sobretudo faixa 30-40 anos; Portugal, Emiratos Árabes Unidos, Madrid (informáticos, médicos, investigadores, desempregados, professores, estudantes, quadros superiores de empresas, comunicação, marketing, engenheiros). 3
    4. 4. Indignação, global/local? Da conjugação das duas amostras pretendemos contribuir para o debate sobre as emoções entendidas, mais do que as razões, como condicionantes da ação cívica e política. No caso concreto português como são entendidos estes processos, são mais nacionais ou globais? Que intuitos servem? O que leva à indignação? 4
    5. 5. Limitações no empoderam ento Internet há menos tempo em casa Media associados a risco: “Comentamos, a minha mãe quando são os perigos, a minha mãe diz: vês? Ainda no outro dia falavam dos perigos das piscinas e no dia seguinte eu ia e a minha mãe disse: vês não te atires assim coma a cabeça. A minha mãe alerta-me tanto a mim como ao meu irmão” (rapariga, bairro social) Capital Cívico e auto-empodera-mento Historial familiar de acção em partidos políticos ou acções políticas : “Um tema que me interessou foi o da festa do Avante. A minha tia falou-me, ela e os meus pais costumavam ir, mas agora que eu e os meus primos nascemos deixaram de ir… mas é uma festa em que um dia mais tarde eu vou querer ir” (rapariga, bairro social) Notícias : “Comecei desde cedo a ver notícias por influência da minha avó. Depois comecei a gostar e a ter a minha opinião” (rapaz, Parlamento dos Jovens) Mesmo quando há uso recente da internet, é positivo : “Não porque a Internet em minha casa entrou para aí há dois anos. É recente. [a mãe era apreensiva. Só mudou com o e-escolas]” (rapariga, Parlamento dos Jovens) Capitais Cultural, económico, social Pais usam internet (trabalho, mas também em casa): “Lá em casa há mais computadores do que pessoas. Só por ai já se percebe o incentivo que será [ri-se]. É um exagero! É o portátil o fixo, o que a mãe leva para o emprego, o que o padrasto usa para aquilo. Usamos todos, por vezes no mesmo espaço” (rapariga, juventude partidária) Acesso à informação, bens culturais e económicos
    6. 6. Limitações no empoderamento “B: produto nacional. • V: o que é nosso! […] • B: claro, porque sabemos o que compramos. Sabemos que é qualidade. • D: Por Portugal. • M: sabemos que se consumirmos o que é nosso vamos fazer mais exportações e menos importações. Isso a longo prazo é melhor para o País. • V: Pois… […] • M: se consumirmos mais maçãs portuguesas é melhor! E compramos mais, o preço pode baixar.” cinco participantes do 1º grupo de foco no bairro social” (diálogo no 1º grupo de foco - bairro) 6
    7. 7. Capital Cívico e auto-empoderamento • “RO: voluntariadDepois com a UNICEF, colaboro com eles para recolha de fundos para crianças em África, ir às casas de porta a porte. o ao banco alimentar, faço sempre 3 a 4 horas no supermercado. Depois, um dia, como colegas da minha turma [secundária] fomos passar o dia a um lar, de idosos, eles contaram-nos as histórias de vida deles. Através da associação de estudantes fizemos uma recolha de bens alimentares no Natal e na Páscoa e distribuímos por uma associação de crianças em risco e contribuo mensalmente para a UNICEF. • N: … isto é complicado de falar, porque nós [com colega do mesmo partido], fazemos parte da mesma organização. Em relação às imagens das crianças e das reformas, existem organização autónomas que tratam desses assuntos.” (3º grupo de foco) 7
    8. 8. Capitais cultural, económico, social • “L: … as pessoas sentem-se altamente afastadas da política, essa é que é a questão […]. Os indignados julgo que são exactamente isso. Uma oportunidade para falar. […] • C: nesse sentido, tenho uma opinião completamente contrária. Eu vou ser frontal e dizer o que penso. Eu acho que isto [aponta para as fotos das manifestações] é um bocado palhaçada.” (diálogo entre rapariga direita e rapaz esquerda, 2º grupo de foco) • “J: Uma questão é o aproveitamento e uma questão é a influência da manifestação em si. • A: exactamente… • J:… e a questão que eu acho que a C estava a referir era se houve ou não uma influencia do Bloco de Esquerda na manifestação de 12 Março. • L: não. O 12 de Março foram três pessoas que a organizaram […] A cultura do Bloco é uma cultura de movimentos” (diálogo entre rapariga direita e rapaz esquerda, 2º grupo de foco) • “hoje em dia a internet nos últimos cinco anos deixou de ser um aditivo à informação que aparece nas televisões. É quase um espaço paralelo de outra informação. De outra infamação. Por exemplo, se nós hoje queremos saber o que é o OcupayWall Street temos de ir à internet. Isso passou anteontem dois minutos na televisão! Mas grandes pensadores foram ao Ocupay Wall Street falar” (6º grupo de foco) 8
    9. 9. Não vou/Não Posso participar Não Vou participar: “Desde os 18 anos que não falho uma ida às urnas […]. Suporto a diferença... não suporto é a hipocrisia.” (M, 21 anos) “Quero é que me convençam com argumentos e soluções para sairmos do buraco em que estamos (não com petições no Facebook ou "show-off's" como os de Viseu).” (M, 21 anos) 9 “Mas recuso-me a participar em algo que para além de não ir ter efeitos práticos, ainda por cima banaliza o conceito de manifestação.” (M, 21 anos) “Quando acabei o meu curso, Gestão, em duas semanas estava a trabalhar para a empresa na qual tinha sido mecânico em 2006. Entrei como estagiário para um lugar de gestão, que já não ocupo de momento visto que trabalhei no duro para chegar a onde estou hoje. “ (M, 22 anos) “Está na moda ser contra a classe política, aliás, está na moda ser contra tudo, é uma pena, ideias construtivas faltam ao nosso país ao invés de demagogismos.” (M, 24 anos)
    10. 10. Vou participar “Dou por mim a lutar para conseguir uma excelente média, dou por mim a preparar (já), estágios para um final de curso, assim que terminar a licenciatura (que ainda nem comecei).” (F, 16 anos) 10 “Quero ter uma casa, mas não tenho dinheiro para pagar um empréstimo a um banco. Quero viajar, mas não tenho dinheiro. Quero ter um contrato de trabalho, mas só me dão recibos verdes. Foi isto que os meus pais acharam que seria a minha juventude? Não foi. Nem eu achei que seria assim. “ (M, 25 anos) “Porque arrisquei em iniciativas ousadas quando poderia ter percorrido caminhos bem mais cómodos junto das jotas” (M, 25 anos) “Vou pelo meu pai, que depois de 35 anos de trabalho árduo se viu desempregado, aos 48 anos no mesmo mês em que eu entrei para a Universidade. Vou pela minha mãe, de 53 anos, a quem foi vendido o logro das Novas Oportunidades e que hoje continua sem trabalho. […] Vou pela minha amiga Mafalda, de 29 anos, que em 2008, depois de uma licenciatura em Filosofia, depois de uma licenciatura em Direito, viu negada a sua entrada numa cadeia de supermercado: “Menina, como você temos às dezenas”. [….] Vou por mim. Mas vou por cada um deles.” (F, 25 anos)
    11. 11. Notas finais • Os indicadores apontam para uma sobreposição dos interesses pessoais em relação à indignação pelo bem comum e que as identidades políticas são preditores das intenções de participar ou não participar. • O capital acumulado é importante, mas há um capital cívico que extrapola o económico que tem grande relevância. • Em ambos os casos, a emoção prevalece sobre a razão. 11
    12. 12. Obrigada pela atenção! 12

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