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*MÓDULO 1*
Noções de variação linguística
Introdução
Em boa parte dos vestibulares atualmente, há ênfase
em verificar se o candidato conhece os diferentes usos
possíveis de nossa língua. Discutiremos este assunto
partindo da leitura do texto abaixo.
No texto acima, notamos que os dois ladrões
conhecem tanto as diferentes formas de falar o
português como as implicações que cada forma traz.
Eles sabem que certas formas são mais valorizadas que
outras, por isso alteram o modo de falar na presença do
guarda.
Há diferentes formas de usar a língua portuguesa, por
isso não podemos dizer que ela é homogênea. Assim, o
importante para o falante será perceber em que contexto
ele deve usar cada uma de suas variantes. Em uma
entrevista de emprego, por exemplo, espera-se que o
falante opte por uma variante diferente daquela que ele
usa para bater papo com seus amigos.
A concepção moderna de língua, segundo Celso
Cunha em sua Nova gramática do português
contemporâneo, coloca-a “como instrumento de
comunicação social, maleável e diversificado em todos
os seus aspectos, meio de expressão de indivíduos que
vivem em sociedades também diversificadas social,
cultural e geograficamente”. Essa diversificação na
sociedade faz com que surja na língua a variação
linguística, ou seja, pode-se perceber que a situação
(formal ou informal), o grupo social a que o falante
pertence, a região e a época em que vive caracterizam o
modo de um brasileiro expressar-se em português.
De maneira bastante simplificada, podemos
considerar a existência de três tipos gerais de variação,
conforme mostra o quadro:
TIPO ASPECTO AO QUAL
SE RELACIONA
Variação sociocultural
idade, sexo, escolaridade,
condições econômicas do
falante e grupo social do qual
ele faz parte
Variação geográfica
região em que o falante vive
durante um certo tempo
Variação histórica
tempo (época) em que o
falante vive
Adão Iturrusgarai. Aline. Folha de S. Paulo, 31/8/2000.
 O emprego das palavras vosmecê (você) e parvoíce (besteira),
que estão totalmente fora de uso hoje em dia, evidencia que o
personagem realmente é mais velho (bem mais velho...) que a filha do
outro personagem.
Variação sociocultural
A maneira como utilizamos a linguagem (como nos
expressamos) é formada no convívio com outras pessoas
que fazem parte do nosso grupo social. Assim,
normalmente nos expressamos de acordo com nossa
formação sociocultural. Nossa linguagem será adequada
ao meio em que fomos criados e à nossa classe social. É
claro que, assim como existe uma certa mobilidade social
no mundo em que vivemos, ao longo de nossa vida
podemos incorporar modos de expressão diferentes, à
medida que vamos mudando de ambiente e
reconstruindo nossa história de vida.
A variante social mais notável é a que existe entre
pessoas de classes socioeconômicas distintas. Uma
pessoa da classe A não falará como alguém da classe C.
Aliás, normalmente, quanto mais elevada estiver na
escala econômica, mais próxima a linguagem da pessoa
estará do que conhecemos por norma culta. Isto se
explica: no mundo em que vivemos, é claro que é a
linguagem dos mais ricos e mais poderosos que é
considerada a de maior “prestígio”..., concorda?
Relacionada a esse tipo de variação está aquela que
diz respeito ao grau de instrução do falante. É lógico que
pessoas de classe social mais alta, do ponto de vista
Sketch - Dois homens tramando um assalto
— Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis
vamo rendê o caixa bonitinho. Engrossou, enche o
cara de chumbo. Pra arejá.
— Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e
pegá.
— Tá com o berro aí?
— Tá na mão.
Aparece um guarda.
— Ih, sujou. Disfarça, disfarça...
O guarda passa por eles.
— Discordo terminantemente. O imperativo
categórico de Hegel chega a Marx diluído pela
fenomenologia de Feurbach.
— Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer
que Kierkegaard não passa de um Kant com
algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do
século 18...
O guarda se afasta.
— O berro, tá recheado?
— Tá.
— Então vamlá!
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Estado de S. Paulo, 8/3/1998.
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financeiro, terão mais chances de estudar e se aprimorar
culturalmente, aproximando-se mais do padrão culto de
linguagem.
Outro tipo importante e interessante de variação
linguística é aquele que aparece quando confrontamos
gerações diferentes: um grupo de idosos de 60 anos não
fala como um grupo de adolescentes de 16... Cada
geração tem sua maneira própria de se comunicar e isso
é fácil observar no dia a dia. Um importante fenômeno
linguístico que aparece quando estudamos as variações
entre gerações é a gíria. Cada geração adota um certo
número de expressões, uma certa maneira de falar, para
marcar uma diferença entre a sua e a geração anterior.
Para cada situação de expressão da nossa
linguagem, temos um certo nível linguístico. Ao nível que
utilizamos em situações em que não nos preocupamos
tanto em atingir a chamada norma culta, chamamos de
nível informal; ao nível que utilizamos em situações de
comunicação que exigem uma linguagem mais próxima
da norma culta, chamamos de nível formal. Entre o nível
formal e o informal, podemos ter vários níveis
intermediários.
Variação geográfica
Pessoas de diferentes regiões falam de maneiras
diferentes. A essas características próprias da fala de um
determinado lugar damos o nome de regionalismos. Os
regionalismos são próprios dos falares locais, dialetos e
sotaques. Geralmente, pessoas de uma determinada
região agrupam-se em torno de um centro populacional
economicamente ou politicamente mais relevante e
assumem o dialeto característico do local. Assim, um
carioca irá se expressar com o r chiado característico do
Rio de Janeiro, um piracicabano normalmente emitirá um
r que os estudiosos conhecem por retroflexo, e assim por
diante. Essas diferenças se estenderão ao vocabulário, à
estrutura das frases e até aos significados das palavras.
Com o passar dos anos e o avanço dos meios de
comunicação sobre todo o território brasileiro, as
diferenças regionais vão diminuindo cada vez mais. As
redes de televisão, por exemplo, atingem todo o país
com uma linguagem típica do Sudeste brasileiro,
principalmente São Paulo, o que acaba contribuindo para
uma uniformização dos dialetos em torno de um padrão
de linguagem que aos poucos apaga as diferenças entre
eles.
Variação histórica
Ao ler textos escritos em português há cem anos, por
exemplo, você certamente sentirá um certo
estranhamento e terá uma dificuldade de compreensão e
fluência maior do que teria se lesse um artigo de jornal
publicado na semana passada, por exemplo. Isso
acontece porque as línguas variam com o tempo. O
nosso você já foi vossa mercê e vosmecê, chegando, em
nossos dias, a ser ouvido como simplesmente cê.
Em boa hora tornou-se embora. É fácil percebermos
essas diferenças quando nos deparamos com livros
cujas edições são muito antigas. O vocabulário de há
cem anos não era o mesmo de hoje, a grafia de muitas
palavras também não, o mesmo ocorria com a sintaxe.
Norma culta e adequação da linguagem
Você deve ter notado, então, que a língua possui
diversas variantes. Mas, ao tomarmos contato com a
língua na escola, adotamos uma determinada variante
que serve como referência. Essa variante-padrão, ao
longo dos tempos e por diversos motivos, ficou sendo
conhecida como a norma culta da língua.
Norma culta da língua é a chamada variante-padrão
da língua; aquela variante de maior prestígio, utilizada
pelas pessoas que compõem a chamada elite da
sociedade. A norma culta, tradicionalmente, acaba
servindo como parâmetro e sendo adotada para o ensino
da língua nas escolas, além de ser utilizada como padrão
para situações formais e na comunicação escrita na
sociedade. Toda língua muda com o tempo, portanto a
norma culta também muda, de acordo com as
modificações que ela sofre no seu uso.
Convém, assim, que o falante saiba distinguir quais
são as situações em que ele deve seguir essa variante-
-padrão daquelas em que pode usar uma variante mais
popular.
Outros tipos de variação linguística
Além das variações linguísticas relacionadas a tempo
e espaço, existem outros tipos de variação, que podem
ocorrer tanto na língua-padrão quanto nas variedades
não padrão da língua. As principais variações dizem
respeito ao uso da língua em situações de
oralidade/escrita e de formalidade/informalidade.
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!* 
Para complementar o estudo deste Módulo,
utilize seu LIVRO DIDÁTICO.
Variação sociocultural, portanto, é aquela que se
manifesta quando o uso da língua é marcado por
diferenças conforme a classe socioeconômica, o grau
de instrução, a geração ou a situação de comunicação
em que se encontra o falante.
Variação geográfica é aquela marcada por diferenças
regionais: a dimensão do Brasil permite-nos perceber
diferentes sotaques, vocabulários, estruturas de frase e
sentidos das palavras nas diferentes regiões.
Variação histórica acontece porque a língua vai
recebendo transformações na forma de falar, novas
palavras, novas grafias e novos sentidos para palavras
já existentes.
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.1. (UEG-GO)
Folha de S. Paulo, 1/5/2007.
É correto afirmar que, na charge,
(A) a linguagem dos políticos é apropriada pelos
traficantes de drogas.
(B) a linguagem dos traficantes de drogas é apropriada
pelos políticos.
(C) o contexto dos políticos é apropriado pelos
traficantes de drogas.
(D) o contexto dos traficantes de drogas é apropriado
pelos políticos.
(E) não há apropriação nem da linguagem nem do
contexto.
.2. (ENEM-MEC)
Iscute o que tô dizendo,
Seu dotô, seu coroné:
De fome tão padecendo
Meus fio e minha muié.
Sem briga, questão nem guerra,
Meça desta grande terra
Umas tarefa pra eu!
Tenha pena do agregado
Não me dêxe deserdado
PATATIVA DO ASSARÉ. A terra é naturá. In: Cordéis
e outros poemas. Fortaleza: Universidade
Federal do Ceará, 2008 (fragmento).
A partir da análise da linguagem utilizada no poema,
infere-se que o eu lírico revela-se como falante de uma
variedade linguística específica. Esse falante, em seu
grupo social, é identificado como um falante
(A) escolarizado proveniente de uma metrópole.
(B) sertanejo morador de uma área rural.
(C) idoso que habita uma comunidade urbana.
(D) escolarizado que habita uma comunidade do interior
do país.
(E) estrangeiro que imigrou para uma comunidade do
Sul do país.
.3. (ENEM-MEC)
Antigamente
Acontecia o indivíduo apanhar constipação; ficando
perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois,
ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas
fedorentas. Doença nefasta era a phtísica, feia era o
gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações,
os meninos, lombrigas [...]
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa e prosa.
Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar, p. 1.184.
O texto acima está escrito em linguagem de uma época
passada. Observe uma outra versão, em linguagem
atual.
Antigamente
Acontecia o indivíduo apanhar um resfriado; ficando
mal, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à
farmácia para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas
fedorentas. Doença nefasta era a tuberculose, feia era a
sífilis. Antigamente, os sobrados tinham assombrações,
os meninos, vermes [...]
Comparando-se esses dois textos, verifica-se que, na
segunda versão, houve mudanças relativas a
(A) vocabulário.
(B) construções sintáticas.
(C) pontuação.
(D) fonética.
(E) regência verbal.
.4. (ENEM-MEC)
Venho solicitar a clarividente atenção de Vossa
Excelência para que seja conjurada uma calamidade que
está prestes a desabar em cima da juventude feminina
do Brasil. Refiro-me, senhor presidente, ao movimento
entusiasta que está empolgando centenas de moças,
atraindo-as para se transformarem em jogadoras de
futebol, sem se levar em conta que a mulher não poderá
praticar este esporte violento sem afetar, seriamente, o
equilíbrio fisiológico das suas funções orgânicas, devido
à natureza que dispôs a ser mãe. Ao que dizem os
jornais, no Rio de Janeiro, já estão formados nada menos
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de dez quadros femininos. Em São Paulo e Belo
Horizonte também já estão se constituindo outros. E,
neste crescendo, dentro de um ano, é provável que em
todo o Brasil estejam organizados uns 200 clubes
femininos de futebol: ou seja: 200 núcleos destroçados
da saúde de 2,2 mil futuras mães, que, além do mais,
ficarão presas a uma mentalidade depressiva e propensa
aos exibicionismos rudes e extravagantes.
Coluna Pênalti. Carta Capital, 28/4/2010.
O trecho é parte de uma carta de um cidadão brasileiro,
José Fuzeira, encaminhada, em abril de 1940, ao então
presidente da República Getúlio Vargas. As opções
linguísticas de Fuzeira mostram que seu texto foi
elaborado em linguagem
(A) regional, adequada à troca de informações na
situação apresentada.
(B) jurídica, exigida pelo tema relacionado ao domínio do
futebol.
(C) coloquial, considerando-se que ele era um cidadão
brasileiro comum.
(D) culta, adequando-se ao seu interlocutor e à situação
de comunicação.
(E) informal, pressupondo o grau de escolaridade de seu
interlocutor.
.5. (INEP-MEC)
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
ANDRADE, Oswald de. Obras completas.
5.ª ed. São Paulo: Globo, 1991, p. 80.
Ao explorar a emotividade da linguagem, o autor faz
referência às variantes linguísticas de natureza
(A) estilística, pois utiliza a escrita para, de certa forma,
marcar uma nova época literária.
(B) regional, pois há regiões em que essa variedade
linguística descrita no poema é aceita como padrão
oficial.
(C) de registro, já que as variantes são formadas pelo
processo de neologismo, típico em autores
modernistas.
(D) sociocultural, pois revela o conflito social entre as
variantes de uma mesma língua.
(E) temporal, pois marca a variação linguística de
diferentes épocas.
.6. (ENEM-MEC)
Veja, 7/5/1997.
Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à
mão que aborda a questão das atividades linguísticas e
sua relação com as modalidades oral e escrita da língua.
Esse comentário deixa evidente uma posição crítica
quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando
ser necessário
(A) implementar a fala, tendo em vista maior
desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da
língua.
(B) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral
para a obtenção de clareza na comunicação oral e
escrita.
(C) dominar as diferentes variedades do registro oral da
língua portuguesa para escrever com adequação,
eficiência e correção.
(D) empregar vocabulário adequado e usar regras da
norma-padrão da língua em se tratando da
modalidade escrita.
(E) utilizar recursos mais expressivos e menos
desgastados da variedade-padrão da língua para se
expressar com alguma segurança e sucesso.
.7. (ENEM-MEC)
Gerente – Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo?
Cliente – Estou interessado em financiamento para
compra de veículo.
Gerente – Nós dispomos de várias modalidades de
crédito. O senhor é nosso cliente?
Cliente – Sou Júlio César Fontoura, também sou
funcionário do banco.
Gerente – Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá
em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de
Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma.
BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua
materna. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).
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Na representação escrita da conversa telefônica entre a
gerente do banco e o cliente, observa-se que a maneira
de falar da gerente foi alterada de repente devido
(A) à adequação de sua fala à conversa com um amigo,
caracterizada pela informalidade.
(B) à iniciativa do cliente em se apresentar como
funcionário do banco.
(C) ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia
(Minas Gerais).
(D) à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu
nome completo.
(E) ao seu interesse profissional em financiar o veículo
de Júlio.
.8. (ENEM-MEC)
As dimensões continentais do Brasil são objeto de
reflexões expressas em diferentes linguagens. Esse tema
aparece no seguinte poema:
“[...]
Que importa que uns falem mole descansado
Que os cariocas arranhem os erres na garganta
Que os capixabas e paroaras escancarem
[ as vogais?
Que tem se o quinhentos réis meridional
Vira cinco tostões do Rio pro Norte?
Junto formamos este assombro de misérias e
[ grandezas,
Brasil, nome de vegetal! [...]”
ANDRADE, Mário de. Poesias completas. 6.ª ed.
São Paulo: Martins Editora, 1980.
O texto poético ora reproduzido trata das diferenças
brasileiras no âmbito
(A) étnico e religioso.
(B) linguístico e econômico.
(C) racial e folclórico.
(D) histórico e geográfico.
(E) literário e popular.
.9. (ENEM-MEC)
Vera, Sílvia e Emília saíram para passear pela
chácara com Irene.
— A senhora tem um jardim deslumbrante, dona
Irene! — comenta Sílvia, maravilhada diante dos
canteiros de rosas e hortênsias.
— Para começar, deixe o “senhora” de lado e
esqueça o “dona” também — diz Irene, sorrindo. — Já é
um custo aguentar a Vera me chamando de “tia” o tempo
todo. Meu nome é Irene.
Todas sorriem. Irene prossegue:
— Agradeço os elogios para o jardim, só que você vai
ter de fazê-los para a Eulália, que é quem cuida das
flores. Eu sou um fracasso na jardinagem.
BAGNO, M. A língua de Eulália: novela
sociolinguística. São Paulo: Contexto,
2003 (adaptado).
Na língua portuguesa, a escolha por “você” ou
“senhor(a)” denota o grau de liberdade ou de respeito
que deve haver entre os interlocutores. No diálogo
apresentado acima, observa-se o emprego dessas
formas. A personagem Sílvia emprega a forma “senhora”
ao se referir à Irene. Na situação apresentada no texto, o
emprego de “senhora” ao se referir à interlocutora ocorre
porque Sílvia
(A) pensa que Irene é a jardineira da casa.
(B) acredita que Irene gosta de todos que a visitam.
(C) observa que Irene e Eulália são pessoas que vivem
em área rural.
(D) deseja expressar por meio de sua fala o fato de sua
família conhecer Irene.
(E) considera que Irene é uma pessoa mais velha, com a
qual não tem intimidade.
.10. (ENEM-MEC)
A escrita é uma das formas de expressão que as
pessoas utilizam para comunicar algo e tem várias
finalidades: informar, entreter, convencer, divulgar,
descrever. Assim, o conhecimento acerca das variedades
linguísticas sociais, regionais e de registro torna-se
necessário para que se use a língua nas mais diversas
situações comunicativas.
Considerando as informações acima, imagine que você
está à procura de um emprego e encontrou duas
empresas que precisam de novos funcionários. Uma
delas exige uma carta de solicitação de emprego. Ao
redigi-la, você
(A) fará uso da linguagem metafórica.
(B) apresentará elementos não verbais.
(C) utilizará o registro informal.
(D) evidenciará a norma-padrão.
(E) fará uso de gírias.
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*Anotações*
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.11. (ENEM-MEC)
Dick Browne. O melhor de Hagar, o horrível, v. 2. L&PM pocket, p. 55-6 (com adaptações).
Assinale o trecho do diálogo que apresenta um registro
informal, ou coloquial, da linguagem.
(A) “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!”
(B) “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus
chifres cairão!”
(C) “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a
atravessar a rua...”
(D) “... e ela me deu um anel mágico que me levou a um
tesouro”
(E) “mas bandidos o roubaram e os persegui até a
Etiópia, onde um dragão...”
.12. (UNICAMP-SP)
O trecho abaixo foi extraído de uma crônica em que mãe
e filho conversam sobre o presente que ele pretendia lhe
dar no Dia das Mães.
[...]
— Posso escolher meu presente do Dia das Mães,
meu fofinho?
— Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora vai
ver. Compro um barato.
— Barato? Admito que você compre uma
lembrancinha barata, mas não diga isso a sua mãe. É
fazer pouco-caso de mim.
— lh, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não
sabe que barato é o melhor que tem, é um barato!
— Deixe eu escolher, deixe...
— Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado
que a senhora me deu no Natal!
— Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe
lhe deu um blazer furado?
— Viu? Não sabe nem o que é furado? Aquela cor já
era, mãe, já era!
[...]
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988.
Em que tipo de variação linguística o autor se apoia para
criar as situações humorísticas apresentadas nesse
diálogo? Justifique sua resposta.
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.13. (UFMA)
Folha de S. Paulo, 12/4/2003.
Considerando a fala dos interlocutores, pode-se concluir
que
(A) o uso de “excelência” denota desrespeito, pois o
depoente não reconhece no deputado uma
autoridade.
(B) o efeito humorístico é provocado pela passagem
brusca da linguagem formal para a informal.
(C) o uso da linguagem formal e da informal evidencia a
classe social a que pertencem as personagens.
(D) a linguagem empregada no texto serve apenas para
compor as imagens do deputado e do depoente.
(E) o pronome “seu” foi usado pelo depoente como sinal
de respeito para com o parlamentar ilustre.
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.14. (ENEM-MEC)
Há certos usos consagrados na fala, e até mesmo na
escrita, que, a depender do estrato social e do nível de
escolaridade do falante, são, sem dúvida, previsíveis.
Ocorrem até mesmo em falantes que dominam a
variedade-padrão, pois, na verdade, revelam tendências
existentes na língua em seu processo de mudança que
não podem ser bloqueadas em nome de um “ideal
linguístico” que estaria representado pelas regras da
gramática normativa. Usos como ter por haver em
construções existenciais (tem muitos livros na estante), o
do pronome objeto na posição de sujeito (para mim fazer
o trabalho), a não concordância das passivas com se
(aluga-se casas) são indícios da existência, não de uma
norma única, mas de uma pluralidade de normas,
entendida, mais uma vez, norma como conjunto de
hábitos linguísticos, sem implicar juízo de valor.
CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.;
BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso.
São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento).
Considerando a reflexão trazida no texto a respeito da
multiplicidade do discurso, verifica-se que
(A) estudantes que não conhecem as diferenças entre
língua escrita e língua falada empregam,
indistintamente, usos aceitos na conversa com
amigos quando vão elaborar um texto escrito.
(B) falantes que dominam a variedade-padrão do
português do Brasil demonstram usos que confirmam
a diferença entre a norma idealizada e a
efetivamente praticada, mesmo por falantes mais
escolarizados.
(C) moradores de diversas regiões do país que
enfrentam dificuldades ao se expressar na escrita
revelam a constante modificação das regras de
emprego de pronomes e os casos especiais de
concordância.
(D) pessoas que se julgam no direito de contrariar a
gramática ensinada na escola gostam de apresentar
usos não aceitos socialmente para esconderem seu
desconhecimento da norma-padrão.
(E) usuários que desvendam os mistérios e sutilezas da
língua portuguesa empregam formas do verbo ter
quando, na verdade, deveriam usar formas do verbo
haver, contrariando as regras gramaticais.
.15. (ENEM-MEC)
MANDIOCA — mais um presente da Amazônia
Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. As
designações da Manihot utilissima podem variar de
região, no Brasil, mas uma delas deve ser levada em
conta em todo o território nacional: pão-de-pobre — e por
motivos óbvios.
Rica em fécula, a mandioca — uma planta rústica e
nativa da Amazônia disseminada no mundo inteiro,
especialmente pelos colonizadores portugueses — é a
base de sustento de muitos brasileiros e o único alimento
disponível para mais de 600 milhões de pessoas em
vários pontos do planeta, e em particular em algumas
regiões da África.
O melhor do Globo Rural, fev. 2005 (fragmento).
De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de
nomes para a Manihot utilissima, nome científico da
mandioca. Esse fenômeno revela que
(A) existem variedades regionais para nomear uma
mesma espécie de planta.
(B) mandioca é nome específico para a espécie
existente na região amazônica.
(C) “pão-de-pobre” é designação específica para a
planta da região amazônica.
(D) os nomes designam espécies diferentes da planta,
conforme a região.
(E) a planta é nomeada conforme as particularidades
que apresenta.
.16. (ENEM-MEC)
Motivadas ou não historicamente, normas prestigiadas
ou estigmatizadas pela comunidade sobrepõem-se ao
longo do território, seja numa relação de oposição, seja
de complementaridade, sem, contudo, anular a
interseção de usos que configuram uma norma nacional
distinta da do português europeu. Ao focalizar essa
questão, que opõe não só as normas do português de
Portugal às normas do português brasileiro, mas também
as chamadas normas cultas locais às populares ou
vernáculas, deve-se insistir na ideia de que essas
normas se consolidaram em diferentes momentos da
nossa história e que só a partir do século XVIII se pode
começar a pensar na bifurcação das variantes
continentais, ora em consequência de mudanças
ocorridas no Brasil, ora em Portugal, ora, ainda, em
ambos os territórios.
CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.;
BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso.
São Paulo: Contexto, 2007 (adaptado).
O português do Brasil não é uma língua uniforme. A
variação linguística é um fenômeno natural, ao qual todas
as línguas estão sujeitas. Ao considerar as variedades
linguísticas, o texto mostra que as normas podem ser
aprovadas ou condenadas socialmente, chamando a
atenção do leitor para a
(A) desconsideração da existência das normas
populares pelos falantes da norma culta.
(B) difusão do português de Portugal em todas as
regiões do Brasil só a partir do século XVIII.
(C) existência de usos da língua que caracterizam uma
norma nacional do Brasil, distinta da de Portugal.
(D) inexistência de normas cultas locais e populares ou
vernáculas em um determinado país.
(E) necessidade de se rejeitar a ideia de que os usos
frequentes de uma língua devem ser aceitos.
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.17. (ENEM-MEC)
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br. Acesso em: 27/4/2010.
Calvin apresenta a Haroldo (seu tigre de estimação) sua
escultura na neve, fazendo uso de uma linguagem
especializada. Os quadrinhos rompem com a expectativa
do leitor, porque
(A) Calvin, na sua última fala, emprega um registro
formal e adequado para a expressão de uma criança.
(B) Haroldo, no último quadrinho, apropria-se do registro
Iinguístico usado por Calvin na apresentação de sua
obra de arte.
(C) Calvin emprega um registro de linguagem
incompatível com a linguagem de quadrinhos.
(D) Calvin, no último quadrinho, utiliza um registro
linguístico informal.
(E) Haroldo não compreende o que Calvin lhe explica,
em razão do registro formal utilizado por este último.
.18. (ENEM-MEC)
Maurício e o leão chamado Millôr
Livro de Flavia Maria ilustrado por cartunista nasce como um
dos grandes títulos do gênero infantil
Um livro infantil ilustrado por Millôr há de ter alguma
grandeza natural, um viço qualquer que o destaque de
um gênero que invade as livrarias (2 mil títulos novos,
todo ano) nem sempre com qualidade. Uma pegada que
o afaste do risco de fazer sombra ao fato de ser ilustrado
por Millôr: Maurício – O Leão de Menino (CosacNaify, 24
páginas, R$ 35), de Flavia Maria, tem essa pegada.
Disponível em: http://www.revistalingua.com.br.
Acesso em: 30/4/2010 (fragmento).
Como qualquer outra variedade linguística, a norma-
-padrão tem suas especificidades. No texto, observam-se
marcas da norma-padrão que são determinadas pelo
veículo em que ele circula, que é a revista Língua
Portuguesa. Entre essas marcas, evidencia-se
(A) a obediência às normas gramaticais, como a
concordância em “um gênero que invade as
livrarias”.
(B) a presença de vocabulário arcaico, como em “há de
ter alguma grandeza natural”.
(C) o predomínio de linguagem figurada, como em “um
viço qualquer que o destaque”.
(D) o emprego de expressões regionais, como em “tem
essa pegada”.
(E) o uso de termos técnicos, como em “grandes títulos
do gênero infantil”.
.19. (ENEM-MEC)
Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao
mercado, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral
dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a
pronúncia de cada um; os paulistas pensam que todo
nordestino fala igual; contudo as variações são mais
numerosas que as notas de uma escala musical.
Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí
têm no falar de seus nativos muito mais variantes do que
se imagina. E a gente se goza uns dos outros, imita o
vizinho, e todo mundo ri, porque parece impossível que
um praiano de beira-mar não chegue sequer perto de um
sertanejo de Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então,
até se orgulha do falar deles. Têm uns tês doces, quase
um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au
ou eu de todos os terminais em al ou el — carnavau,
Raqueu... Já os paraibanos trocam o I pelo r. José
Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer.
QUEIROZ, Raquel de. O Estado de S. Paulo,
9/5/1998 (fragmento adaptado).
Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de
variação linguística que se percebe no falar de pessoas
de diferentes regiões. As características regionais
exploradas no texto manifestam-se
(A) na fonologia.
(B) no uso do léxico.
(C) no grau de formalidade.
(D) na organização sintática.
(E) na estruturação morfológica.
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*Anotações*
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Literatura – Linguagem e contexto
A linguagem da literatura
*********** ATIVIDADES ***********
Leitura da imagem
.1. (EDM-SP)
Observe a fotografia.
DICK REED/CORBIS – LATINSTOCK
 Rota 66, a lendária estrada norte-americana que ligava Chicago a Los
Angeles tornou-se símbolo de aventura e liberdade
Faça uma breve descrição dos elementos presentes na
imagem.
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.2. (EDM-SP)
A posição em que a foto foi tirada chama a nossa
atenção para a estrada. Que efeito o fotógrafo pode ter
pretendido desencadear no espectador ao optar por essa
tomada?
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.3. (EDM-SP)
Leia uma declaração do fotógrafo suíço Robert Frank,
que percorreu a Rota 66 registrando imagens da
paisagem americana.
Quando as pessoas olham as minhas fotos, eu quero que
elas se sintam como quando desejam reler um verso de
um poema.
Observe mais uma vez a foto da abertura. Se ela fosse
vista como um “verso de um poema”, sobre o que falaria
esse verso?
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Da imagem para o texto
.4. (EDM-SP)
Vamos ver como a literatura explora possibilidades da
linguagem. Leia um trecho de On the road, de Jack
Kerouac.
A viagem
Cena 1
Num piscar de olhos estávamos de volta à estrada
principal e naquela noite vi todo o estado de Nebraska
desenrolando-se diante dos meus olhos. Cento e setenta
quilômetros por hora, direto sem escalas, cidades
adormecidas, tráfego nenhum, um trem da Union Pacific
deixado para trás, ao luar. Eu não estava nem um pouco
assustado aquela noite; me parecia algo perfeitamente
normal voar a 170, conversando e observando todas as
cidades do Nebraska — Ogallala, Gothenburg, Kearney,
Grand Island, Columbus — se sucederem com uma
rapidez onírica* enquanto seguíamos viagem. Era um
carro magnífico; portava-se na estrada como um navio no
oceano. Longas curvas graduais eram o seu forte. “Ah,
homem, essa barca é um sonho”, suspirava Dean.
“Pense no que poderíamos fazer se tivéssemos um carro
assim. [...] Curtiríamos o mundo inteiro num carro como
esse, você e eu, Sal, porque, na verdade, a estrada
finalmente deve conduzir a todos os cantos do mundo.
Não pode levar a outro lugar, certo? [...]”
* onírica: relativa aos sonhos.
Cena 2
“Qual é a sua estrada, homem? — a estrada do
místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a
estrada dos peixes, qualquer estrada... Há sempre uma
estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em
qualquer circunstância. Como, onde, por quê?”
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Concordamos gravemente, sob a chuva. “[...] Decidi abrir
mão de tudo. Você me viu quebrar a cara tentando de
tudo, me sacrificando e você sabe que isso não importa;
nós sacamos a vida, Sal — sabemos como domá-la, e
sabemos que o negócio é continuar no caminho,
pegando leve, curtindo o que pintar da velha maneira
tradicional. Afinal, de que outra maneira poderíamos
curtir? Nós sabemos disso.” Suspirávamos sob a
chuva. [...]
“E assim”, disse Dean, “vou seguindo a vida para
onde ela me levar. [...]”
KEROUAC, Jack. On the road (Pé na estrada).
Tradução de Eduardo Bueno. Porto Alegre:
L&PM, 2004, p. 281-2; 305-6 (fragmento).
a) Que elementos, presentes na cena 1, asseguram ao
leitor tratar-se da história de uma viagem?
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b) Identifique no texto as passagens que revelam ser
essa viagem a concretização de um desejo típico da
juventude: a busca da liberdade.
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.5. (EDM-SP)
No trecho a seguir, explique de que maneira a pontuação
contribui para dar ao leitor a sensação de velocidade do
carro em que viajam Sal e Dean.
Cento e setenta quilômetros por hora, direto sem
escalas, cidades adormecidas, tráfego nenhum, um trem
da Union Pacific deixado para trás, ao luar.
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.6. (EDM-SP)
Logo no início da cena 2, Dean pergunta a Sal: “Qual é a
sua estrada, homem?”. O que ele quer dizer com isso?
Que sentido atribui ao termo “estrada”?
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.7. (EDM-SP)
a) Identifique, na cena 2, uma passagem que permite
associar o comportamento das personagens a
valores próprios da juventude.
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b) Explique por que ela transmite valores associados à
juventude.
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.8. (EDM-SP)
a) Como Dean resume sua filosofia de vida?
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b) O que ela sugere, em termos de comportamento?
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Jack Kerouac tornou-se o ídolo de sua
geração quando o romance On the
road foi publicado em 1957. A viagem
de dois amigos, Sal Paradise e Dean
Moriarty, pelos Estados Unidos, boa
parte feita na Rota 66, estrada que liga
Chicago a Los Angeles, traduziu a
visão de mundo de uma juventude que
decidiu questionar os valores com os
quais tinha sido criada.
KEYSTONE / GLOBO.COM
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A essência da arte literária está na palavra. Usada por
escritores e poetas em todo o seu potencial significativo e
sonoro, a palavra estabelece uma interessante relação
entre um autor e seus leitores/ouvintes.
“Ah, homem, essa barca é um sonho”, afirma Dean no
texto de Jack Kerouac. Para compreender a imagem
criada pela personagem, nós precisamos realizar uma
série de decodificações. Sabemos que Dean e Sal viajam
de carro; sabemos que uma “barca” não trafega em
estradas. Com essas informações, procuramos
reconstruir o sentido da comparação implícita que está
na base da imagem criada: o carro em que viajam é tão
grande e confortável que parece uma barca.
Em seguida, reconhecemos que a afirmação de que o
carro “é um sonho” também foi criada a partir de outra
comparação entre nossos sonhos e todas as coisas que
desejamos muito. Reconstituída a comparação original,
podemos interpretar que Dean quer dizer que aquele é
um carro maravilhoso, objeto de desejo e fantasia dos
dois jovens.
No texto de Kerouac, palavras como barca e sonho
foram usadas em sentido conotativo (ou figurado), aquele
que as palavras e expressões adquirem em um dado
contexto, quando o seu sentido literal é modificado. Nos
textos literários, predomina o sentido conotativo. A
linguagem conotativa é característica de textos com
função estética, ou seja, que exploram diferentes
recursos linguísticos e estilísticos para produzir um efeito
artístico.
Época, 9/6/2008, p. 87.
 Na expressão monstros sagrados, a palavra monstros apresenta
sentido figurado, ou seja, conotativo
Em textos não literários, o que predomina é o sentido
denotativo (ou literal). Dizemos que uma palavra foi
utilizada em sentido literal quando é tomada em seu
significado “básico”, que pode ser apreendido sem ajuda
do contexto. A linguagem denotativa é típica de textos
com função utilitária, ou seja, que têm como finalidade
predominante satisfazer a alguma necessidade
específica, como informar, argumentar, convencer, etc.
O trabalho com o sentido conotativo ou figurado é
uma característica essencial da linguagem literária.
Quando a literatura explora a conotação, como no
fragmento de On the road, estabelece-se uma
interessante relação entre leitor e texto. Ao ler um
romance ou um poema ou ao ouvir uma história, o
leitor/ouvinte precisa reconhecer o significado das
palavras e reconstruir os mundos ficcionais que elas
descrevem. O leitor/ouvinte desempenha, portanto, um
papel ativo, já que também cria, em sua imaginação,
mundos ficcionais correspondentes àqueles propostos
nos textos ou vive, na fantasia, experiências semelhantes
às descritas.
Recursos expressivos
Dá-se o nome de figuras de linguagem aos recursos
utilizados com o fim de tornar mais expressiva a
linguagem. As figuras de linguagem compreendem:
 as figuras de palavra (ou tropos);
 as figuras de sintaxe (ou de construção);
 as figuras de pensamento; e
 as figuras de harmonia (ou sonoras).
Intertextualidade
Quantas vezes, ao ler um texto ou ver uma
determinada propaganda, você tem a sensação de já ter
visto o texto em algum lugar? Quer ver só?
No início de sua produção poética, Carlos Drummond
de Andrade escreveu um poema que viria a torná-lo
muito conhecido. O “sucesso” do poema foi provocado,
no início, pelo estranhamento por ele causado. Você
certamente já teve oportunidade de lê-lo.
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade)
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Mas, por que estamos falando de poesia e
Drummond, em uma seção destinada à apresentação do
conceito de intertextualidade? Porque muitos são os
textos que recuperam a imagem da “pedra”
drummondiana. Observe, por exemplo, a seguir, um
anúncio publicitário veiculado para a divulgação de um
projeto de educação ambiental, patrocinado pela
empresa de turismo Soletur e orientado pelo Ibama.
Não é preciso, lido o anúncio, dizer por que o
escolhemos. A intertextualidade é evidente, pois a
referência ao poema de Drummond é óbvia!
Intertextualidade é a relação que se estabelece entre
dois textos, quando um deles faz referência a elementos
existentes no outro. Esses elementos podem dizer
respeito ao conteúdo, à forma, ou mesmo à forma e ao
conteúdo.
 A propaganda
vale-se do recurso
da intertextualidade
para indicar a poluição
das praias. O trecho
intertextual é: “No
meio do caminho
tinha uma pedra...”.
No poema, a “pedra
no meio do caminho”
são os obstáculos,
as dificuldades,
os problemas.
A propaganda faz
uso do termo em
seu sentido literal
(rocha). Isso pode ser
percebido pela
enumeração das outras
“coisas” no meio do
caminho (uma ponta de
cigarro, uma lata, um
saco plástico, cacos de
vidro) que evidenciam a
poluição das praias
pelos banhistas.
Estilo de época
A constatação de traços comuns na produção de uma
mesma época identifica um estilo de época. O estudo da
literatura depende do reconhecimento dos padrões e das
semelhanças que constituem um estilo de época.
O uso particular que um escritor ou poeta faz dos
elementos que distinguem uma estética define o estilo
individual de um autor, sempre marcado pelo olhar
específico que dirige aos temas característicos de um
período e pelo uso singular que faz dos recursos de
linguagem associados a uma determinada estética
literária.
Literatura brasileira
A literatura brasileira tem sua história dividida em
duas grandes eras, que acompanham a evolução política
e econômica do país: a Era Colonial e a Era Nacional,
separadas por um Período de Transição, que
corresponde à emancipação política do Brasil. As eras
apresentam subdivisões chamadas de escolas literárias
ou estilos de época. Dessa forma, temos:
Era Colonial
(de 1500 a 1808)
 Quinhentismo (de 1500 a 1601)
 Seiscentismo ou Barroco (de 1601 a 1768)
 Setecentismo ou Arcadismo (de 1768 a 1808)
Período
de Transição
(de 1808 a 1836)
Era Nacional
(de 1836 até
nossos dias)
 Romantismo (de 1836 a 1881)
 Realismo/Naturalismo (de 1881 a 1893)
 Parnasianismo (de 1882 a 1893)
 Simbolismo (de 1893 a 1902)
 Pré-Modernismo (de 1902 a 1922)
 Modernismo (de 1922 a 1945)
 Pós-Modernismo (de 1945 até nossos dias)
As datas que indicam o início e o fim de cada época
têm de ser entendidas apenas como marcos. Toda época
apresenta um período de ascensão, um ponto máximo e
um período de decadência (que coincide com o período
de ascensão da próxima época). Dessa forma podemos
perceber, ao final do Arcadismo, um período de Pré-
-Romantismo; ao final do Romantismo, um Pré-Realismo,
e assim por diante. De todos esses momentos de
transição, caracterizados pela quebra das velhas
estruturas (apesar de “o novo sempre pagar tributo ao
velho”), o mais significativo para a literatura brasileira foi
o Pré-Modernismo (entre 1902 e 1922), em que se
destacaram Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro
Lobato e Augusto dos Anjos.
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!* 
Para complementar o estudo deste Módulo,
utilize seu LIVRO DIDÁTICO.
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*Anotações*
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As questões 9 e 10 referem-se ao poema.
A dança e a alma
A DANÇA? Não é movimento,
súbito gesto musical.
É concentração, num momento,
da humana graça natural.
No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança — não vento nos ramos:
seiva, força, perene estar.
Um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado...
Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir à forma do ser,
por sobre o mistério das fábulas.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 366.
.9. (ENEM-MEC)
A definição de dança, em linguagem de dicionário, que
mais se aproxima do que está expresso no poema é
(A) a mais antiga das artes, servindo como elemento de
comunicação e afirmação do homem em todos os
momentos de sua existência.
(B) a forma de expressão corporal que ultrapassa os
limites físicos, possibilitando ao homem a liberação
de seu espírito.
(C) a manifestação do ser humano, formada por uma
sequência de gestos, passos e movimentos
desconcertados.
(D) o conjunto organizado de movimentos do corpo, com
ritmo determinado por instrumentos musicais, ruídos,
cantos, emoções, etc.
(E) o movimento diretamente ligado ao psiquismo do
indivíduo e, por consequência, ao seu
desenvolvimento intelectual e à sua cultura.
.10. (ENEM-MEC)
O poema “A dança e a alma” é construído com base em
contrastes, como “movimento” e “concentração”. Em uma
das estrofes, o termo que estabelece contraste com solo
é
(A) éter.
(B) seiva.
(C) chão.
(D) paixão.
(E) ser.
Textos para as questões 11 e 12.
Texto 1 – Autorretrato
Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico* profissional.
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1983, p. 395.
* tísico: tuberculoso.
Texto 2 – Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
[...]
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo
mais vasto é o meu coração.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 53.
.11. (ENEM-MEC)
Esses poemas têm em comum o fato de
(A) descreverem aspectos físicos dos próprios autores.
(B) refletirem um sentimento pessimista.
(C) terem a doença como tema.
(D) narrarem a vida dos autores desde o nascimento.
(E) defenderem crenças religiosas.
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.12. (ENEM-MEC)
No verso “Meu Deus, por que me abandonaste”, do texto
2, Drummond retoma as palavras de Cristo, na cruz,
pouco antes de morrer. Esse recurso de repetir palavras
de outrem equivale a
(A) emprego de termos moralizantes.
(B) uso de vício de linguagem pouco tolerado.
(C) repetição desnecessária de ideias.
(D) emprego estilístico da fala de outra pessoa.
(E) uso de uma pergunta sem resposta.
.13. (ENEM-MEC)
Cidade grande
Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983.
Entre os recursos expressivos empregados no texto,
destaca-se a
(A) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem
referir-se à própria linguagem.
(B) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora
outros textos.
(C) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se
pensa, com intenção crítica.
(D) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em
seu sentido próprio e objetivo.
(E) prosopopeia, que consiste em personificar coisas
inanimadas, atribuindo-lhes vida.
.14. (ENEM-MEC)
Érico Veríssimo relata, em suas memórias, um episódio
da adolescência que teve influência significativa em sua
carreira de escritor.
Lembro-me de que certa noite — eu teria uns
quatorze anos, quando muito — encarregaram-me de
segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de
operações, enquanto um médico fazia os primeiros
curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia
Municipal haviam “carneado”. [...] Apesar do horror e da
náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando
assim: se esse caboclo pode aguentar tudo isso sem
gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta
lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e
salvar essa vida? [...]
Desde que, adulto, comecei a escrever romances,
tem-me animado até hoje a ideia de que o menos que o
escritor pode fazer, numa época de atrocidades e
injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer
luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre
ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos
assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a
despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma
lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou,
em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como
um sinal de que não desertamos nosso posto.
VERÍSSIMO, Érico. Solo de Clarineta. Tomo I.
Porto Alegre: Editora Globo, 1978.
Nesse texto, por meio da metáfora da lâmpada que
ilumina a escuridão, Érico Veríssimo define como uma
das funções do escritor e, por extensão, da literatura,
(A) criar a fantasia.
(B) permitir o sonho.
(C) denunciar o real.
(D) criar o belo.
(E) fugir da náusea.
.15. (ENEM-MEC)
Em muitos jornais, encontramos charges, quadrinhos,
ilustrações, inspirados nos fatos noticiados. Veja um
exemplo:
Jornal do Commercio, 22/8/1993.
O texto que se refere a uma situação semelhante à que
inspirou a charge é:
(A) Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela
— Foi poeta — sonhou — e amou na vida.
AZEVEDO, Álvares de. Poesias escolhidas. Rio
de Janeiro/Brasília: José Aguilar/INL,1971.
(B) Essa cova em que estás
Com palmos medida,
é a conta menor
que tiraste em vida.
É de bom tamanho,
Nem largo nem fundo,
É a parte que te cabe
deste latifúndio.
MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina e outros
poemas em voz alta. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967.
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(C) Medir é a medida
mede
A terra, medo do homem, a lavra;
lavra
duro campo, muito cerco, vária várzea.
CHAMIE, Mário. Sábado na hora da escutas.
São Paulo: Summums, 1978.
(D) Vou contar para vocês
um caso que sucedeu
na Paraíba do Norte
com um homem que se chamava
Pedro João Boa-Morte,
lavrador de Chapadinha:
talvez tenha morte boa
porque vida ele não tinha.
GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1983.
(E) Trago-te flores, — restos arrancados
Da terra que nos viu passar
E ora mortos nos deixa e separados.
ASSIS, Machado de. Obra completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 1986.
.16. (ENEM-MEC)
Quem não passou pela experiência de estar lendo um
texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros?
Os textos conversam entre si em um diálogo constante.
Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade.
Leia os seguintes textos:
I. Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1964.
II. Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim.
BUARQUE, Chico. Letra e Música.
São Paulo: Cia. das Letras, 1989.
III. Quando nasci um anjo esbelto
Desses que tocam trombeta, anunciou:
Vai carregar bandeira.
Carga muito pesada pra mulher
Esta espécie ainda envergonhada.
PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro:
Guanabara, 1986.
Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem
intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de
Andrade, por
(A) reiteração de imagens.
(B) oposição de ideias.
(C) falta de criatividade.
(D) negação dos versos.
(E) ausência de recursos.
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*Anotações*
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*MÓDULO 2*
A interpretação de textos
Introdução
Um dos tópicos mais cobrados nos vestibulares nos
últimos anos é a interpretação de textos, que será o tema
desta seção.
Acho a televisão muito
educativa. Toda vez que alguém
liga a TV, vou para o outro
quarto e leio um livro.
Groucho Marx (1890-1977),
comediante norte-americano
HULTON ARCHIVE / GETTY IMAGES
BRISTOL, Brian. Por que amamos ler? – Grandes escritores tentam
explicar nosso fascínio pela leitura. São Paulo: Novo Conceito, 2008.
Ler um texto não é difícil quando se domina uma
língua, mas compreendê-lo não é tão simples assim.
Cada leitor, de acordo com a sua história de leitura, ou
seja, de acordo com os textos que já tenha lido, sua
vivência no mundo, sua formação cultural etc., terá uma
forma de encarar um texto e de compreendê-lo.
Vejamos um exemplo:
Não tem jeito mesmo...
“Trinta palavras no máximo; não há espaço para
mais”, disse o chefe da redação ao jornalista. Por isso,
a notícia que apareceu no jornal foi:
Uma mulher escorregou numa casca de banana,
numa faixa de pedestres da Banhofstrasse. Foi
imediatamente transportada para a clínica da
universidade, onde lhe foi diagnosticada uma perna
quebrada.
A primeira reação surgiu imediatamente, numa
carta registrada em que um importador de bananas
escrevia: “Protestamos veementemente contra o
descrédito dado ao nosso produto. Considerando que,
nos últimos meses, vocês publicaram pelo menos 14
comentários negativos sobre os países produtores de
bananas, não podemos deixar de inferir uma intenção
de difamação deliberada de sua parte.”
Por sua vez, o diretor da clínica da universidade
também se pronunciou, alegando que a expressão “foi
transportada” poderia significar “o transporte de seres
humanos como se tratasse de carga”, o que
contrariava totalmente os hábitos de seu hospital.
“Além disso”, salientou, “posso provar que a fratura da
perna resultou da queda e não, como foi sugerido com
intenção malévola, do transporte para o hospital”.
Para finalizar, um membro do Departamento
Municipal de Engenharia Civil telefonou, informando
ao jornal que a causa do tombo não deveria ser
atribuída ao estado da faixa de pedestres. Além disso,
como o Comitê de Defesa das Faixas para Pedestres
estava prestes a concluir seu relatório, após seis anos
de trabalho, perguntava se seria possível — para
evitar possíveis consequências políticas — não fazer
qualquer alusão a tais passagens nos próximos
meses.
A notícia foi revista e, na manhã seguinte,
apareceu com o seguinte texto: Uma mulher caiu na
rua e quebrou a perna.
No dia seguinte, os editores receberam apenas
duas cartas a respeito. Uma, indignada, era da
Associação Não Lucrativa dos Direitos das Mulheres,
cuja porta-voz repudiava “vivamente e em definitivo” o
texto discriminatório uma mulher caiu, o qual evocava
uma associação infeliz com “mulheres caídas” e
constituía uma prova de que “mais uma vez, neste
mundo dominado pelo homem, a imagem da mulher
estava sendo manipulada da maneira mais pérfida e
chauvinista!” A carta ameaçava com um processo
judicial, boicote e outras medidas.
A outra reação veio de um leitor que cancelava sua
assinatura, alegando o número cada vez maior de
notícias triviais e sem interesse.
Seleções do Reader's Digest. Tomo XXXVI, n.° 217.
Junho de 1989, p. 109 e 110, apud I. Koch, Coerência
textual. São Paulo, Contexto, 1997.
Note que, neste caso, o texto foi compreendido de
maneira diferente pelos leitores. Cada um, a partir de sua
visão de mundo e de seu posicionamento neste, chegou
a um sentido diferente para o mesmo texto.
Mas, embora haja, então, a influência do
conhecimento de mundo e do posicionamento dentro
deste na compreensão de um texto, ler com
compreensão também se pode aprender se prestarmos
atenção a alguns pontos, dos quais trataremos nesta
seção. Infelizmente, não é possível esgotar o assunto,
uma vez que mesmo os estudiosos da leitura ainda não
conseguiram determinar todos os tópicos que serão
necessários à aprendizagem da leitura.
O conhecimento de mundo e a leitura
O nosso conhecimento de mundo nos permite
relacionar o assunto de um texto com coisas do mundo,
mas também nos permite perceber se a forma de um
texto é igual à de outro, se um texto retoma um outro, se
uma informação foi corretamente apresentada ou não. À
medida que vamos lendo, vamos aprendendo a nos deter
em determinados trechos ou passar mais rápido por
outros, de acordo com o nosso principal objetivo de
leitura, mas também conforme consigamos construir mais
facilmente ou não o sentido do texto.
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Dessa forma, constatamos que o conhecimento de
mundo vai nos ajudar a compreender o texto bem escrito
e até a inferir o significado correto de textos mal escritos.
Assim, se o conhecimento pode ajudar tanto na
compreensão de um texto, o melhor a fazer é procurar
ampliá-lo cada vez mais, lendo muito diferentes tipos de
textos e sobre diferentes assuntos. Além disso, nessas
leituras, é bastante importante prestar atenção ao gênero
de texto e à sua estrutura, aos objetivos do texto e à
linguagem empregada.
O gênero de texto e a sua estrutura
Conhecer, pelo menos um pouco, o gênero de texto
que se está lendo pode ajudar bastante na sua
compreensão. Afinal, se estamos lendo um editorial de
um jornal e sabemos que este é um gênero de texto em
que se defende a posição do jornal sobre um
determinado tema, constataremos a necessidade de
ficarmos atentos aos pontos de vista e argumentos que
serão apresentados. Mas se estivermos diante de um
trecho de um manual para instalação de videocassete,
teremos outra preocupação; o mesmo ocorrerá se o texto
for um e-mail de um amigo, uma piada, um poema ou um
conto. Note que cada gênero, dada a sua estrutura e o
conjunto de elementos que o compõem, impõe ao leitor
um certo olhar.
A linguagem
Além do gênero de texto, é importante estarmos
atentos também à linguagem empregada em cada texto e
aos efeitos de sentido que ela pode produzir, isto é: em
um bom texto, a escolha das palavras, das construções
sintáticas, do tamanho dos parágrafos etc. costuma
contribuir para expressar o sentido “desejado” pelo autor.
Fica bem visível tal ideia quando comparamos textos
sobre um mesmo assunto publicados por jornais
diferentes. Vejamos dois trechos retirados de notícias
publicadas pela Folha de S. Paulo e pelo O Estado de S.
Paulo a respeito de um atentado ocorrido em Israel e de
seus possíveis autores:
“O grupo islâmico Hamas assumiu o atentado e divulgou
foto e nome do suicida.” (O Estado de S. Paulo)
“O grupo extremista Hamas reivindicou a autoria do
atentado, o pior desde julho.” (Folha de S. Paulo)
Reflita sobre as diferenças de escolha de vocabulário:
“grupo islâmico” X “grupo extremista”; “assumiu o
atentado” X “reivindicou a autoria do atentado”. Estão os
dois jornais falando exatamente a mesma coisa? Parece
que não! Há ainda a informação a mais que cada jornal
trouxe: o jornal O Estado de S. Paulo reforçou a
assunção do atentado pelo grupo ao dizer que ele até
mostrou foto e nome do suicida; enquanto a Folha
qualificou a intensidade do atentado relacionando-o a
anteriores, uma vez que mostrou que este foi “o pior
desde julho”, deixando subentendida a ideia de que antes
houve outros piores.
Na finalização das duas notícias também
encontramos outro ponto de confronto:
“O governo israelense já estuda uma ‘resposta’ aos
terroristas.” (O Estado de S. Paulo)
“O governo israelense, porém, aprovou uma reação
militar.” (Folha de S. Paulo)
Os predicados de ambos os períodos trazem ideias
bem diferentes. Enquanto a Folha afirma a reação militar
por meio do verbo “aprovou”, o jornal O Estado de S.
Paulo diz que o governo israelense estaria pensando
sobre isso, como nos sugere o verbo “estuda”.
Você deve estar se perguntando: se a intenção dos
dois jornais é informar, por que tantas diferenças de
linguagem que levam a diferenças de sentido? Porque
cada jornal é produzido por homens diferentes que têm
visões/conhecimentos de mundo/interesses diferentes
uns dos outros, e isso acaba refletindo na linguagem que
empregam, mesmo quando tentam buscar a neutralidade
e a imparcialidade. Daí a necessidade de estar bem
atento à linguagem para que você perceba não só o
assunto que é tratado em um texto, mas também o modo
como este foi apresentado e consiga, assim, perceber a
intencionalidade que subjaz a cada texto.
Lendo com atenção, veremos que em todos os textos,
quando bem escritos, a linguagem serve — mais do que
para falar de um assunto — para mostrar também como
o autor se relaciona com tal assunto e como imagina
atingir o leitor.
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!* 
Para complementar o estudo deste Módulo,
utilize seu LIVRO DIDÁTICO.
*********** ATIVIDADES ***********
.1. (ENEM-MEC)
Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no
vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas.
O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui,
risonho e habilidoso. Pergunto: — Zé-Zim, por que é que
você não cria galinhas-d’angola, como todo o mundo faz?
— Quero criar nada não... — me deu resposta: — Eu
gosto muito de mudar... [...] Belo um dia, ele tora.
Ninguém discrepa. Eu, tantas, mesmo digo. Eu dou
proteção. [...] Essa não faltou também à minha mãe,
quando eu era menino, no sertãozinho de minha terra.
[...] Gente melhor do lugar eram todos dessa família
Guedes, Jidião Guedes; quando saíram de lá, nos
trouxeram junto, minha mãe e eu. Ficamos existindo em
território baixio da Sirga, da outra banda, ali onde o de-
-Janeiro vai no São Francisco, o senhor sabe.
ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro:
José Olympio, 1995 (fragmento).
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Na passagem citada, Riobaldo expõe uma situação
decorrente de uma desigualdade social típica das áreas
rurais brasileiras marcadas pela concentração de terras e
pela relação de dependência entre agregados e
fazendeiros. No texto, destaca-se essa relação porque o
personagem-narrador
(A) relata a seu interlocutor a história de Zé-Zim,
demonstrando sua pouca disposição em ajudar seus
agregados, uma vez que superou essa condição
graças à sua força de trabalho.
(B) descreve o processo de transformação de um meeiro
— espécie de agregado — em proprietário de terra.
(C) denuncia a falta de compromisso e a desocupação
dos moradores, que pouco se envolvem no trabalho
da terra.
(D) mostra como a condição material da vida do
sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de
homem livre e, ao mesmo tempo, dependente.
(E) mantém o distanciamento narrativo condizente com
sua posição social, de proprietário de terras.
.2. (ENEM-MEC)
A discussão sobre “o fim do livro de papel” com a
chegada da mídia eletrônica me lembra a discussão
idêntica sobre a obsolescência do folheto de cordel. Os
folhetos talvez não existam mais daqui a 100 ou 200
anos, mas, mesmo que isso aconteça, os poemas de
Leandro Gomes de Barros ou Manuel Camilo dos Santos
continuarão sendo publicados e lidos — em CD-ROM,
em livro eletrônico, em “chips quânticos”, sei lá o quê. O
texto é uma espécie de alma imortal, capaz de
reencarnar em corpos variados: página impressa, livro
em braile, folheto, “coffee-table book”, cópia manuscrita,
arquivo PDF... Qualquer texto pode se reencarnar nesses
(e em outros) formatos, não importa se é Moby Dick ou
Viagem a São Saruê, se é Macbeth ou O livro de piadas
de Casseta & Planeta.
TAVARES, Bráulio. Disponível em: http://jornaldaparaiba.globo.com.
Acesso em: 13/2/2011.
Ao refletir sobre a possível extinção do livro impresso e o
surgimento de outros suportes em via eletrônica, o
cronista manifesta seu ponto de vista, defendendo que
(A) o cordel é um dos gêneros textuais, por exemplo,
que será extinto com o avanço da tecnologia.
(B) o livro impresso permanecerá como objeto cultural
veiculador de impressões e de valores culturais.
(C) o surgimento da mídia eletrônica decretou o fim do
prazer de se ler textos em livros e suportes
impressos.
(D) os textos continuarão vivos e passíveis de
reprodução em novas tecnologias, mesmo que os
livros desapareçam.
(E) os livros impressos desaparecerão e, com eles, a
possibilidade de se ler obras literárias dos mais
diversos gêneros.
.3. (ENEM-MEC)
O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não
sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor
o acesso a um número praticamente ilimitado de outros
textos a partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo
real. Assim, o leitor tem condições de definir
interativamente o fluxo de sua leitura a partir de assuntos
tratados no texto sem se prender a uma sequência fixa
ou a tópicos estabelecidos por um autor. Trata-se de uma
forma de estruturação textual que faz do leitor
simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se
caracteriza, pois, como um processo de escritura/leitura
eletrônica multilinearizado, multissequencial e
indeterminado, realizado em um novo espaço de escrita.
Assim, ao permitir vários níveis de tratamento de um
tema, o hipertexto oferece a possibilidade de múltiplos
graus de profundidade simultaneamente, já que não tem
sequência definida, mas liga textos não necessariamente
correlacionados.
MARCUSCHI, L. A. Disponível em: http://www.pucsp.br.
Acesso em: 29/6/2011.
O computador mudou nossa maneira de ler e escrever, e
o hipertexto pode ser considerado como um novo espaço
de escrita e leitura. Definido como um conjunto de blocos
autônomos de texto, apresentado em meio eletrônico
computadorizado e no qual há remissões associando
entre si diversos elementos, o hipertexto
(A) é uma estratégia que, ao possibilitar caminhos
totalmente abertos, desfavorece o leitor, ao confundir
os conceitos cristalizados tradicionalmente.
(B) é uma forma artificial de produção da escrita, que, ao
desviar o foco da leitura, pode ter como
consequência o menosprezo pela escrita tradicional.
(C) exige do leitor um maior grau de conhecimentos
prévios, por isso deve ser evitado pelos estudantes
nas suas pesquisas escolares.
(D) facilita a pesquisa, pois proporciona uma informação
específica, segura e verdadeira, em qualquer site de
busca ou blog oferecidos na internet.
(E) possibilita ao leitor escolher seu próprio percurso de
leitura, sem seguir sequência predeterminada,
constituindo-se em atividade mais coletiva e
colaborativa.
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*Anotações*
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.4. (ENEM-MEC)
IMODESTO “As colunas do Alvorada podiam ser
mais fáceis de construir, sem aquelas curvas.
Mas foram elas que o mundo inteiro copiou”
Brasília 50 anos. Veja, n.º 2.138, nov. 2009.
Utilizadas desde a Antiguidade, as colunas, elementos
verticais de sustentação, foram sofrendo modificações e
incorporando novos materiais com ampliação de
possibilidades. Ainda que as clássicas colunas gregas
sejam retomadas, notáveis inovações são percebidas,
por exemplo, nas obras de Oscar Niemeyer, arquiteto
brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1907. No
desenho de Niemeyer, das colunas do Palácio da
Alvorada, observa-se
(A) a presença de um capitel muito simples, reforçando a
sustentação.
(B) o traçado simples de amplas linhas curvas opostas,
resultando em formas marcantes.
(C) a disposição simétrica das curvas, conferindo
saliência e distorção à base.
(D) a oposição de curvas em concreto, configurando
certo peso e rebuscamento.
(E) o excesso de linhas curvas, levando a um exagero
na ornamentação.
.5. (ENEM-MEC)
Conceitos e importância das lutas
Antes de se tornarem esporte, as lutas ou as artes
marciais tiveram duas conotações principais: eram
praticadas com o objetivo guerreiro ou tinham um apelo
filosófico como concepção de vida bastante significativo.
Atualmente, nos deparamos com a grande expansão
das artes marciais em nível mundial. As raízes orientais
foram se disseminando, ora pela necessidade de luta
pela sobrevivência ou para a “defesa pessoal”, ora pela
possibilidade de ter as artes marciais como própria
filosofia de vida.
CARREIRO, E. A. Educação Física na escola: implicações
para a prática pedagógica. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2008 (fragmento).
Um dos problemas da violência que está presente
principalmente nos grandes centros urbanos são as
brigas e os enfrentamentos de torcidas organizadas,
além da formação de gangues, que se apropriam de
gestos das lutas, resultando, muitas vezes, em
fatalidades. Portanto, o verdadeiro objetivo da
aprendizagem desses movimentos foi mal compreendido,
afinal as lutas
(A) se tornaram um esporte, mas eram praticadas com o
objetivo guerreiro a fim de garantir a sobrevivência.
(B) apresentam a possibilidade de desenvolver o
autocontrole, o respeito ao outro e a formação do
caráter.
(C) possuem como objetivo principal a “defesa pessoal”
por meio de golpes agressivos sobre o adversário.
(D) sofreram transformações em seus princípios
filosóficos em razão de sua disseminação pelo
mundo.
(E) se disseminaram pela necessidade de luta pela
sobrevivência ou como filosofia pessoal de vida.
.6. (ENEM-MEC)
O tema da velhice foi objeto de estudo de brilhantes
filósofos ao longo dos tempos. Um dos melhores livros
sobre o assunto foi escrito pelo pensador e orador
romano Cícero: A Arte do Envelhecimento. Cícero nota,
primeiramente, que todas as idades têm seus encantos e
suas dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da
humanidade. Todos sonhamos ter uma vida longa, o que
significa viver muitos anos. Quando realizamos a meta,
em vez de celebrar o feito, nos atiramos a um estado de
melancolia e amargura. Ler as palavras de Cícero sobre
envelhecimento pode ajudar a aceitar melhor a
passagem do tempo.
NOGUEIRA, P. Saúde & Bem-Estar Antienvelhecimento.
Época, 28/4/2008.
O autor discute problemas relacionados ao
envelhecimento, apresentando argumentos que levam a
inferir que seu objetivo é
(A) esclarecer que a velhice é inevitável.
(B) contar fatos sobre a arte de envelhecer.
(C) defender a ideia de que a velhice é desagradável.
(D) influenciar o leitor para que lute contra o
envelhecimento.
(E) mostrar às pessoas que é possível aceitar, sem
angústia, o envelhecimento.
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*Anotações*
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.7. (UNICAMP-SP)
Considere a tira a seguir:
Jornal da Tarde, 8/2/2001.
Nessa tira, a crítica ao “estrategista militar” não é
explícita. Para compreender a tira, o leitor deve
reconhecer uma alusão a um fato histórico e uma
hipótese sobre transmissão genética.
a) Qual é o fato histórico ao qual a tira faz alusão?
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b) Qual é a explicação para as qualidades profissionais
do estrategista?
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c) Explicite o raciocínio da personagem que critica o
estrategista.
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.8. (UNICAMP-SP)
Uma das últimas edições do jornal Visão de Barão
Geraldo trazia em sua seção “Sorria” esta anedota:
“No meio de uma visita de rotina, o presidente
daquela enorme empresa chega ao setor de produção e
pergunta ao encarregado:
— Quantos funcionários trabalham neste setor?
Depois de pensar por alguns segundos, o encarregado
responde:
— Mais ou menos a metade!”
a) Explique o que quis perguntar o presidente da
empresa.
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___________________________________________________
b) Explique o que respondeu o encarregado.
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c) Um dos sentidos de trabalhar é “estar empregado”.
Supondo que o encarregado entendesse a fala do
presidente da empresa nesse sentido e quisesse dar
uma resposta correta, que resposta teria que dar?
___________________________________________________
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.9. (FUVEST-SP)
Eu te amo
Ah, se já perdemos a noção da hora,
Se juntos já jogamos tudo fora,
Me conta agora como hei de partir...
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios,
Rompi com o mundo, queimei meus navios,
Me diz pra onde é que inda posso ir...
[...]
Se entornaste a nossa sorte pelo chão,
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu...
[...]
Como, se nos amamos como dois pagãos,
Teus seios inda estão nas minhas mãos,
Me explica com que cara eu vou sair...
Não, acho que estás só fazendo de conta,
Te dei meus olhos pra tomares conta,
Agora conta como hei de partir...
(Tom Jobim e Chico Buarque)
O sentimento de perplexidade expresso nas frases “como
hei de partir”, “pra onde é que inda posso ir” e “com que
cara eu vou sair” deve-se ao fato de que a relação
amorosa do sujeito:
(A) foi marcada por sucessivos desencontros, em virtude
da intensidade da paixão.
(B) constituiu uma radical experiência de fusão com o
outro, da qual não vê como sair.
(C) provocou a subordinação emocional da pessoa
amada, de quem ele já não pode se livrar.
(D) ameaça jamais desfazer-se, agravando-se assim
uma interdependência destrutiva.
(E) está-se esgotando, sem que os amantes saibam o
que fazer para reacender a paixão.
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Texto para as questões 10 e 11.
— Mandaram ler este livro...
Se o tal do livro for fraquinho, o desprazer pode
significar um precipitado mas decisivo adeus à literatura;
se for estimulante, outros virão sem o peso da obrigação.
As experiências com que o leitor se identifica não são
necessariamente as mais familiares, mas as que
mostram o quanto é vivo um repertório de novas
questões. Uma leitura proveitosa leva à convicção de que
as palavras podem constituir um movimento
profundamente revelador do próximo, do mundo, de nós
mesmos. Tal convicção faz caminhar para uma outra,
mais ampla, que um antigo pensador romano assim
formulou: Nada do que é humano me é alheio.
Cláudio Ferraretti, Inédito.
.10. (FUVEST-SP)
De acordo com o texto, a identificação do leitor com o
que lê ocorre sobretudo quando:
(A) ele sabe reconhecer na obra o valor consagrado pela
tradição da crítica literária.
(B) ele já conhece, com alguma intimidade, as
experiências representadas numa obra.
(C) a obra expressa, em fórmulas sintéticas, a sabedoria
dos antigos humanistas.
(D) a obra o introduz num campo de questões cuja
vitalidade ele pode reconhecer.
(E) a obra expressa convicções tão verdadeiras que se
furtam à discussão.
.11. (FUVEST-SP)
O sentido da frase “Nada do que é humano me é alheio”
é equivalente ao desta outra construção:
(A) O que não diz respeito ao Homem não deixa de me
interessar.
(B) Tudo o que se refere ao Homem diz respeito a mim.
(C) Como sou humano, não me alheio a nada.
(D) Para ser humano, mantenho interesse por tudo.
(E) A nada me sinto alheio que não seja humano.
.12. (UNICAMP-SP)
Marca-passo natural – Uma alternativa menos invasiva
pode substituir o implante do marca-passo eletrônico [...].
Cientistas do Hospital John Hopkins, nos EUA,
conseguiram converter células cardíacas de porquinhos-
-da-índia em células especializadas, que atuam como um
marca-passo, controlando o ritmo dos batimentos
cardíacos. No experimento, o coração dos suínos
recuperou a regularidade dos movimentos. A expectativa
é de que em alguns anos seja possível testar a técnica
em humanos.
lstoÉ, n.º 1720, 18/9/2002.
a) Alguém que nunca tivesse ouvido falar de marca-
-passo poderia dar uma definição desse instrumento
lendo este texto. Qual é essa definição?
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b) A ocorrência da expressão “a técnica”, no final do
texto, indica que ela foi explicada anteriormente. Em
que consiste essa técnica?
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c) Apesar do nome, o porquinho-da-índia é um roedor.
Sendo assim, há uma forma equivocada de referir-se
a ele no texto. Qual é essa forma e como se explica
sua ocorrência?
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.13. (UNICAMP-SP)
No folheto intitulado “Saúde da mulher – orientações”,
distribuído em consultórios médicos, encontramos estas
informações acerca de um produto que, aqui,
chamaremos “P”:
“A liberdade da mulher pode ficar comprometida
quando surge em sua vida o risco de uma gravidez
indesejada. Para estas situações, ela pode contar com P,
um método de Contracepção de Emergência, ou pós-ato
sexual, capaz de evitar a gestação com grande margem
de segurança. O ginecologista poderá orientá-la sobre o
uso correto desse método. [...] P é um método indolor,
bastante prático e quase sem efeitos colaterais. Deve ser
tomado num período de até 72 horas após o ato sexual
desprotegido, sendo mais efetivo nas primeiras 48 horas.
Age inibindo ou retardando a ovulação e torna o útero um
ambiente impróprio para que o óvulo se implante. Dessa
forma, não pode ser considerado um método abortivo, já
que, quando atua, ainda não houve implantação do óvulo
no útero.”
Variação linguística em contexto social
Variação linguística em contexto social
Variação linguística em contexto social
Variação linguística em contexto social
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Variação linguística em contexto social

  • 1. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 99 *MÓDULO 1* Noções de variação linguística Introdução Em boa parte dos vestibulares atualmente, há ênfase em verificar se o candidato conhece os diferentes usos possíveis de nossa língua. Discutiremos este assunto partindo da leitura do texto abaixo. No texto acima, notamos que os dois ladrões conhecem tanto as diferentes formas de falar o português como as implicações que cada forma traz. Eles sabem que certas formas são mais valorizadas que outras, por isso alteram o modo de falar na presença do guarda. Há diferentes formas de usar a língua portuguesa, por isso não podemos dizer que ela é homogênea. Assim, o importante para o falante será perceber em que contexto ele deve usar cada uma de suas variantes. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, espera-se que o falante opte por uma variante diferente daquela que ele usa para bater papo com seus amigos. A concepção moderna de língua, segundo Celso Cunha em sua Nova gramática do português contemporâneo, coloca-a “como instrumento de comunicação social, maleável e diversificado em todos os seus aspectos, meio de expressão de indivíduos que vivem em sociedades também diversificadas social, cultural e geograficamente”. Essa diversificação na sociedade faz com que surja na língua a variação linguística, ou seja, pode-se perceber que a situação (formal ou informal), o grupo social a que o falante pertence, a região e a época em que vive caracterizam o modo de um brasileiro expressar-se em português. De maneira bastante simplificada, podemos considerar a existência de três tipos gerais de variação, conforme mostra o quadro: TIPO ASPECTO AO QUAL SE RELACIONA Variação sociocultural idade, sexo, escolaridade, condições econômicas do falante e grupo social do qual ele faz parte Variação geográfica região em que o falante vive durante um certo tempo Variação histórica tempo (época) em que o falante vive Adão Iturrusgarai. Aline. Folha de S. Paulo, 31/8/2000.  O emprego das palavras vosmecê (você) e parvoíce (besteira), que estão totalmente fora de uso hoje em dia, evidencia que o personagem realmente é mais velho (bem mais velho...) que a filha do outro personagem. Variação sociocultural A maneira como utilizamos a linguagem (como nos expressamos) é formada no convívio com outras pessoas que fazem parte do nosso grupo social. Assim, normalmente nos expressamos de acordo com nossa formação sociocultural. Nossa linguagem será adequada ao meio em que fomos criados e à nossa classe social. É claro que, assim como existe uma certa mobilidade social no mundo em que vivemos, ao longo de nossa vida podemos incorporar modos de expressão diferentes, à medida que vamos mudando de ambiente e reconstruindo nossa história de vida. A variante social mais notável é a que existe entre pessoas de classes socioeconômicas distintas. Uma pessoa da classe A não falará como alguém da classe C. Aliás, normalmente, quanto mais elevada estiver na escala econômica, mais próxima a linguagem da pessoa estará do que conhecemos por norma culta. Isto se explica: no mundo em que vivemos, é claro que é a linguagem dos mais ricos e mais poderosos que é considerada a de maior “prestígio”..., concorda? Relacionada a esse tipo de variação está aquela que diz respeito ao grau de instrução do falante. É lógico que pessoas de classe social mais alta, do ponto de vista Sketch - Dois homens tramando um assalto — Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rendê o caixa bonitinho. Engrossou, enche o cara de chumbo. Pra arejá. — Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e pegá. — Tá com o berro aí? — Tá na mão. Aparece um guarda. — Ih, sujou. Disfarça, disfarça... O guarda passa por eles. — Discordo terminantemente. O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela fenomenologia de Feurbach. — Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do século 18... O guarda se afasta. — O berro, tá recheado? — Tá. — Então vamlá! VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Estado de S. Paulo, 8/3/1998.
  • 2. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 100 financeiro, terão mais chances de estudar e se aprimorar culturalmente, aproximando-se mais do padrão culto de linguagem. Outro tipo importante e interessante de variação linguística é aquele que aparece quando confrontamos gerações diferentes: um grupo de idosos de 60 anos não fala como um grupo de adolescentes de 16... Cada geração tem sua maneira própria de se comunicar e isso é fácil observar no dia a dia. Um importante fenômeno linguístico que aparece quando estudamos as variações entre gerações é a gíria. Cada geração adota um certo número de expressões, uma certa maneira de falar, para marcar uma diferença entre a sua e a geração anterior. Para cada situação de expressão da nossa linguagem, temos um certo nível linguístico. Ao nível que utilizamos em situações em que não nos preocupamos tanto em atingir a chamada norma culta, chamamos de nível informal; ao nível que utilizamos em situações de comunicação que exigem uma linguagem mais próxima da norma culta, chamamos de nível formal. Entre o nível formal e o informal, podemos ter vários níveis intermediários. Variação geográfica Pessoas de diferentes regiões falam de maneiras diferentes. A essas características próprias da fala de um determinado lugar damos o nome de regionalismos. Os regionalismos são próprios dos falares locais, dialetos e sotaques. Geralmente, pessoas de uma determinada região agrupam-se em torno de um centro populacional economicamente ou politicamente mais relevante e assumem o dialeto característico do local. Assim, um carioca irá se expressar com o r chiado característico do Rio de Janeiro, um piracicabano normalmente emitirá um r que os estudiosos conhecem por retroflexo, e assim por diante. Essas diferenças se estenderão ao vocabulário, à estrutura das frases e até aos significados das palavras. Com o passar dos anos e o avanço dos meios de comunicação sobre todo o território brasileiro, as diferenças regionais vão diminuindo cada vez mais. As redes de televisão, por exemplo, atingem todo o país com uma linguagem típica do Sudeste brasileiro, principalmente São Paulo, o que acaba contribuindo para uma uniformização dos dialetos em torno de um padrão de linguagem que aos poucos apaga as diferenças entre eles. Variação histórica Ao ler textos escritos em português há cem anos, por exemplo, você certamente sentirá um certo estranhamento e terá uma dificuldade de compreensão e fluência maior do que teria se lesse um artigo de jornal publicado na semana passada, por exemplo. Isso acontece porque as línguas variam com o tempo. O nosso você já foi vossa mercê e vosmecê, chegando, em nossos dias, a ser ouvido como simplesmente cê. Em boa hora tornou-se embora. É fácil percebermos essas diferenças quando nos deparamos com livros cujas edições são muito antigas. O vocabulário de há cem anos não era o mesmo de hoje, a grafia de muitas palavras também não, o mesmo ocorria com a sintaxe. Norma culta e adequação da linguagem Você deve ter notado, então, que a língua possui diversas variantes. Mas, ao tomarmos contato com a língua na escola, adotamos uma determinada variante que serve como referência. Essa variante-padrão, ao longo dos tempos e por diversos motivos, ficou sendo conhecida como a norma culta da língua. Norma culta da língua é a chamada variante-padrão da língua; aquela variante de maior prestígio, utilizada pelas pessoas que compõem a chamada elite da sociedade. A norma culta, tradicionalmente, acaba servindo como parâmetro e sendo adotada para o ensino da língua nas escolas, além de ser utilizada como padrão para situações formais e na comunicação escrita na sociedade. Toda língua muda com o tempo, portanto a norma culta também muda, de acordo com as modificações que ela sofre no seu uso. Convém, assim, que o falante saiba distinguir quais são as situações em que ele deve seguir essa variante- -padrão daquelas em que pode usar uma variante mais popular. Outros tipos de variação linguística Além das variações linguísticas relacionadas a tempo e espaço, existem outros tipos de variação, que podem ocorrer tanto na língua-padrão quanto nas variedades não padrão da língua. As principais variações dizem respeito ao uso da língua em situações de oralidade/escrita e de formalidade/informalidade.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. Variação sociocultural, portanto, é aquela que se manifesta quando o uso da língua é marcado por diferenças conforme a classe socioeconômica, o grau de instrução, a geração ou a situação de comunicação em que se encontra o falante. Variação geográfica é aquela marcada por diferenças regionais: a dimensão do Brasil permite-nos perceber diferentes sotaques, vocabulários, estruturas de frase e sentidos das palavras nas diferentes regiões. Variação histórica acontece porque a língua vai recebendo transformações na forma de falar, novas palavras, novas grafias e novos sentidos para palavras já existentes.
  • 3. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 101 *********** ATIVIDADES *********** .1. (UEG-GO) Folha de S. Paulo, 1/5/2007. É correto afirmar que, na charge, (A) a linguagem dos políticos é apropriada pelos traficantes de drogas. (B) a linguagem dos traficantes de drogas é apropriada pelos políticos. (C) o contexto dos políticos é apropriado pelos traficantes de drogas. (D) o contexto dos traficantes de drogas é apropriado pelos políticos. (E) não há apropriação nem da linguagem nem do contexto. .2. (ENEM-MEC) Iscute o que tô dizendo, Seu dotô, seu coroné: De fome tão padecendo Meus fio e minha muié. Sem briga, questão nem guerra, Meça desta grande terra Umas tarefa pra eu! Tenha pena do agregado Não me dêxe deserdado PATATIVA DO ASSARÉ. A terra é naturá. In: Cordéis e outros poemas. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2008 (fragmento). A partir da análise da linguagem utilizada no poema, infere-se que o eu lírico revela-se como falante de uma variedade linguística específica. Esse falante, em seu grupo social, é identificado como um falante (A) escolarizado proveniente de uma metrópole. (B) sertanejo morador de uma área rural. (C) idoso que habita uma comunidade urbana. (D) escolarizado que habita uma comunidade do interior do país. (E) estrangeiro que imigrou para uma comunidade do Sul do país. .3. (ENEM-MEC) Antigamente Acontecia o indivíduo apanhar constipação; ficando perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a phtísica, feia era o gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas [...] ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar, p. 1.184. O texto acima está escrito em linguagem de uma época passada. Observe uma outra versão, em linguagem atual. Antigamente Acontecia o indivíduo apanhar um resfriado; ficando mal, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à farmácia para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a tuberculose, feia era a sífilis. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, vermes [...] Comparando-se esses dois textos, verifica-se que, na segunda versão, houve mudanças relativas a (A) vocabulário. (B) construções sintáticas. (C) pontuação. (D) fonética. (E) regência verbal. .4. (ENEM-MEC) Venho solicitar a clarividente atenção de Vossa Excelência para que seja conjurada uma calamidade que está prestes a desabar em cima da juventude feminina do Brasil. Refiro-me, senhor presidente, ao movimento entusiasta que está empolgando centenas de moças, atraindo-as para se transformarem em jogadoras de futebol, sem se levar em conta que a mulher não poderá praticar este esporte violento sem afetar, seriamente, o equilíbrio fisiológico das suas funções orgânicas, devido à natureza que dispôs a ser mãe. Ao que dizem os jornais, no Rio de Janeiro, já estão formados nada menos
  • 4. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 102 de dez quadros femininos. Em São Paulo e Belo Horizonte também já estão se constituindo outros. E, neste crescendo, dentro de um ano, é provável que em todo o Brasil estejam organizados uns 200 clubes femininos de futebol: ou seja: 200 núcleos destroçados da saúde de 2,2 mil futuras mães, que, além do mais, ficarão presas a uma mentalidade depressiva e propensa aos exibicionismos rudes e extravagantes. Coluna Pênalti. Carta Capital, 28/4/2010. O trecho é parte de uma carta de um cidadão brasileiro, José Fuzeira, encaminhada, em abril de 1940, ao então presidente da República Getúlio Vargas. As opções linguísticas de Fuzeira mostram que seu texto foi elaborado em linguagem (A) regional, adequada à troca de informações na situação apresentada. (B) jurídica, exigida pelo tema relacionado ao domínio do futebol. (C) coloquial, considerando-se que ele era um cidadão brasileiro comum. (D) culta, adequando-se ao seu interlocutor e à situação de comunicação. (E) informal, pressupondo o grau de escolaridade de seu interlocutor. .5. (INEP-MEC) Vício na fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados ANDRADE, Oswald de. Obras completas. 5.ª ed. São Paulo: Globo, 1991, p. 80. Ao explorar a emotividade da linguagem, o autor faz referência às variantes linguísticas de natureza (A) estilística, pois utiliza a escrita para, de certa forma, marcar uma nova época literária. (B) regional, pois há regiões em que essa variedade linguística descrita no poema é aceita como padrão oficial. (C) de registro, já que as variantes são formadas pelo processo de neologismo, típico em autores modernistas. (D) sociocultural, pois revela o conflito social entre as variantes de uma mesma língua. (E) temporal, pois marca a variação linguística de diferentes épocas. .6. (ENEM-MEC) Veja, 7/5/1997. Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à mão que aborda a questão das atividades linguísticas e sua relação com as modalidades oral e escrita da língua. Esse comentário deixa evidente uma posição crítica quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando ser necessário (A) implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da língua. (B) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a obtenção de clareza na comunicação oral e escrita. (C) dominar as diferentes variedades do registro oral da língua portuguesa para escrever com adequação, eficiência e correção. (D) empregar vocabulário adequado e usar regras da norma-padrão da língua em se tratando da modalidade escrita. (E) utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da variedade-padrão da língua para se expressar com alguma segurança e sucesso. .7. (ENEM-MEC) Gerente – Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo? Cliente – Estou interessado em financiamento para compra de veículo. Gerente – Nós dispomos de várias modalidades de crédito. O senhor é nosso cliente? Cliente – Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do banco. Gerente – Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma. BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).
  • 5. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 103 Na representação escrita da conversa telefônica entre a gerente do banco e o cliente, observa-se que a maneira de falar da gerente foi alterada de repente devido (A) à adequação de sua fala à conversa com um amigo, caracterizada pela informalidade. (B) à iniciativa do cliente em se apresentar como funcionário do banco. (C) ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia (Minas Gerais). (D) à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu nome completo. (E) ao seu interesse profissional em financiar o veículo de Júlio. .8. (ENEM-MEC) As dimensões continentais do Brasil são objeto de reflexões expressas em diferentes linguagens. Esse tema aparece no seguinte poema: “[...] Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta Que os capixabas e paroaras escancarem [ as vogais? Que tem se o quinhentos réis meridional Vira cinco tostões do Rio pro Norte? Junto formamos este assombro de misérias e [ grandezas, Brasil, nome de vegetal! [...]” ANDRADE, Mário de. Poesias completas. 6.ª ed. São Paulo: Martins Editora, 1980. O texto poético ora reproduzido trata das diferenças brasileiras no âmbito (A) étnico e religioso. (B) linguístico e econômico. (C) racial e folclórico. (D) histórico e geográfico. (E) literário e popular. .9. (ENEM-MEC) Vera, Sílvia e Emília saíram para passear pela chácara com Irene. — A senhora tem um jardim deslumbrante, dona Irene! — comenta Sílvia, maravilhada diante dos canteiros de rosas e hortênsias. — Para começar, deixe o “senhora” de lado e esqueça o “dona” também — diz Irene, sorrindo. — Já é um custo aguentar a Vera me chamando de “tia” o tempo todo. Meu nome é Irene. Todas sorriem. Irene prossegue: — Agradeço os elogios para o jardim, só que você vai ter de fazê-los para a Eulália, que é quem cuida das flores. Eu sou um fracasso na jardinagem. BAGNO, M. A língua de Eulália: novela sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2003 (adaptado). Na língua portuguesa, a escolha por “você” ou “senhor(a)” denota o grau de liberdade ou de respeito que deve haver entre os interlocutores. No diálogo apresentado acima, observa-se o emprego dessas formas. A personagem Sílvia emprega a forma “senhora” ao se referir à Irene. Na situação apresentada no texto, o emprego de “senhora” ao se referir à interlocutora ocorre porque Sílvia (A) pensa que Irene é a jardineira da casa. (B) acredita que Irene gosta de todos que a visitam. (C) observa que Irene e Eulália são pessoas que vivem em área rural. (D) deseja expressar por meio de sua fala o fato de sua família conhecer Irene. (E) considera que Irene é uma pessoa mais velha, com a qual não tem intimidade. .10. (ENEM-MEC) A escrita é uma das formas de expressão que as pessoas utilizam para comunicar algo e tem várias finalidades: informar, entreter, convencer, divulgar, descrever. Assim, o conhecimento acerca das variedades linguísticas sociais, regionais e de registro torna-se necessário para que se use a língua nas mais diversas situações comunicativas. Considerando as informações acima, imagine que você está à procura de um emprego e encontrou duas empresas que precisam de novos funcionários. Uma delas exige uma carta de solicitação de emprego. Ao redigi-la, você (A) fará uso da linguagem metafórica. (B) apresentará elementos não verbais. (C) utilizará o registro informal. (D) evidenciará a norma-padrão. (E) fará uso de gírias. ________________________________________________ *Anotações*
  • 6. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 104 .11. (ENEM-MEC) Dick Browne. O melhor de Hagar, o horrível, v. 2. L&PM pocket, p. 55-6 (com adaptações). Assinale o trecho do diálogo que apresenta um registro informal, ou coloquial, da linguagem. (A) “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!” (B) “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus chifres cairão!” (C) “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a atravessar a rua...” (D) “... e ela me deu um anel mágico que me levou a um tesouro” (E) “mas bandidos o roubaram e os persegui até a Etiópia, onde um dragão...” .12. (UNICAMP-SP) O trecho abaixo foi extraído de uma crônica em que mãe e filho conversam sobre o presente que ele pretendia lhe dar no Dia das Mães. [...] — Posso escolher meu presente do Dia das Mães, meu fofinho? — Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora vai ver. Compro um barato. — Barato? Admito que você compre uma lembrancinha barata, mas não diga isso a sua mãe. É fazer pouco-caso de mim. — lh, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não sabe que barato é o melhor que tem, é um barato! — Deixe eu escolher, deixe... — Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado que a senhora me deu no Natal! — Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe lhe deu um blazer furado? — Viu? Não sabe nem o que é furado? Aquela cor já era, mãe, já era! [...] ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. Em que tipo de variação linguística o autor se apoia para criar as situações humorísticas apresentadas nesse diálogo? Justifique sua resposta. ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ ________________________________________________ .13. (UFMA) Folha de S. Paulo, 12/4/2003. Considerando a fala dos interlocutores, pode-se concluir que (A) o uso de “excelência” denota desrespeito, pois o depoente não reconhece no deputado uma autoridade. (B) o efeito humorístico é provocado pela passagem brusca da linguagem formal para a informal. (C) o uso da linguagem formal e da informal evidencia a classe social a que pertencem as personagens. (D) a linguagem empregada no texto serve apenas para compor as imagens do deputado e do depoente. (E) o pronome “seu” foi usado pelo depoente como sinal de respeito para com o parlamentar ilustre.
  • 7. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 105 .14. (ENEM-MEC) Há certos usos consagrados na fala, e até mesmo na escrita, que, a depender do estrato social e do nível de escolaridade do falante, são, sem dúvida, previsíveis. Ocorrem até mesmo em falantes que dominam a variedade-padrão, pois, na verdade, revelam tendências existentes na língua em seu processo de mudança que não podem ser bloqueadas em nome de um “ideal linguístico” que estaria representado pelas regras da gramática normativa. Usos como ter por haver em construções existenciais (tem muitos livros na estante), o do pronome objeto na posição de sujeito (para mim fazer o trabalho), a não concordância das passivas com se (aluga-se casas) são indícios da existência, não de uma norma única, mas de uma pluralidade de normas, entendida, mais uma vez, norma como conjunto de hábitos linguísticos, sem implicar juízo de valor. CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento). Considerando a reflexão trazida no texto a respeito da multiplicidade do discurso, verifica-se que (A) estudantes que não conhecem as diferenças entre língua escrita e língua falada empregam, indistintamente, usos aceitos na conversa com amigos quando vão elaborar um texto escrito. (B) falantes que dominam a variedade-padrão do português do Brasil demonstram usos que confirmam a diferença entre a norma idealizada e a efetivamente praticada, mesmo por falantes mais escolarizados. (C) moradores de diversas regiões do país que enfrentam dificuldades ao se expressar na escrita revelam a constante modificação das regras de emprego de pronomes e os casos especiais de concordância. (D) pessoas que se julgam no direito de contrariar a gramática ensinada na escola gostam de apresentar usos não aceitos socialmente para esconderem seu desconhecimento da norma-padrão. (E) usuários que desvendam os mistérios e sutilezas da língua portuguesa empregam formas do verbo ter quando, na verdade, deveriam usar formas do verbo haver, contrariando as regras gramaticais. .15. (ENEM-MEC) MANDIOCA — mais um presente da Amazônia Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. As designações da Manihot utilissima podem variar de região, no Brasil, mas uma delas deve ser levada em conta em todo o território nacional: pão-de-pobre — e por motivos óbvios. Rica em fécula, a mandioca — uma planta rústica e nativa da Amazônia disseminada no mundo inteiro, especialmente pelos colonizadores portugueses — é a base de sustento de muitos brasileiros e o único alimento disponível para mais de 600 milhões de pessoas em vários pontos do planeta, e em particular em algumas regiões da África. O melhor do Globo Rural, fev. 2005 (fragmento). De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de nomes para a Manihot utilissima, nome científico da mandioca. Esse fenômeno revela que (A) existem variedades regionais para nomear uma mesma espécie de planta. (B) mandioca é nome específico para a espécie existente na região amazônica. (C) “pão-de-pobre” é designação específica para a planta da região amazônica. (D) os nomes designam espécies diferentes da planta, conforme a região. (E) a planta é nomeada conforme as particularidades que apresenta. .16. (ENEM-MEC) Motivadas ou não historicamente, normas prestigiadas ou estigmatizadas pela comunidade sobrepõem-se ao longo do território, seja numa relação de oposição, seja de complementaridade, sem, contudo, anular a interseção de usos que configuram uma norma nacional distinta da do português europeu. Ao focalizar essa questão, que opõe não só as normas do português de Portugal às normas do português brasileiro, mas também as chamadas normas cultas locais às populares ou vernáculas, deve-se insistir na ideia de que essas normas se consolidaram em diferentes momentos da nossa história e que só a partir do século XVIII se pode começar a pensar na bifurcação das variantes continentais, ora em consequência de mudanças ocorridas no Brasil, ora em Portugal, ora, ainda, em ambos os territórios. CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. São Paulo: Contexto, 2007 (adaptado). O português do Brasil não é uma língua uniforme. A variação linguística é um fenômeno natural, ao qual todas as línguas estão sujeitas. Ao considerar as variedades linguísticas, o texto mostra que as normas podem ser aprovadas ou condenadas socialmente, chamando a atenção do leitor para a (A) desconsideração da existência das normas populares pelos falantes da norma culta. (B) difusão do português de Portugal em todas as regiões do Brasil só a partir do século XVIII. (C) existência de usos da língua que caracterizam uma norma nacional do Brasil, distinta da de Portugal. (D) inexistência de normas cultas locais e populares ou vernáculas em um determinado país. (E) necessidade de se rejeitar a ideia de que os usos frequentes de uma língua devem ser aceitos.
  • 8. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 106 .17. (ENEM-MEC) Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br. Acesso em: 27/4/2010. Calvin apresenta a Haroldo (seu tigre de estimação) sua escultura na neve, fazendo uso de uma linguagem especializada. Os quadrinhos rompem com a expectativa do leitor, porque (A) Calvin, na sua última fala, emprega um registro formal e adequado para a expressão de uma criança. (B) Haroldo, no último quadrinho, apropria-se do registro Iinguístico usado por Calvin na apresentação de sua obra de arte. (C) Calvin emprega um registro de linguagem incompatível com a linguagem de quadrinhos. (D) Calvin, no último quadrinho, utiliza um registro linguístico informal. (E) Haroldo não compreende o que Calvin lhe explica, em razão do registro formal utilizado por este último. .18. (ENEM-MEC) Maurício e o leão chamado Millôr Livro de Flavia Maria ilustrado por cartunista nasce como um dos grandes títulos do gênero infantil Um livro infantil ilustrado por Millôr há de ter alguma grandeza natural, um viço qualquer que o destaque de um gênero que invade as livrarias (2 mil títulos novos, todo ano) nem sempre com qualidade. Uma pegada que o afaste do risco de fazer sombra ao fato de ser ilustrado por Millôr: Maurício – O Leão de Menino (CosacNaify, 24 páginas, R$ 35), de Flavia Maria, tem essa pegada. Disponível em: http://www.revistalingua.com.br. Acesso em: 30/4/2010 (fragmento). Como qualquer outra variedade linguística, a norma- -padrão tem suas especificidades. No texto, observam-se marcas da norma-padrão que são determinadas pelo veículo em que ele circula, que é a revista Língua Portuguesa. Entre essas marcas, evidencia-se (A) a obediência às normas gramaticais, como a concordância em “um gênero que invade as livrarias”. (B) a presença de vocabulário arcaico, como em “há de ter alguma grandeza natural”. (C) o predomínio de linguagem figurada, como em “um viço qualquer que o destaque”. (D) o emprego de expressões regionais, como em “tem essa pegada”. (E) o uso de termos técnicos, como em “grandes títulos do gênero infantil”. .19. (ENEM-MEC) Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao mercado, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a pronúncia de cada um; os paulistas pensam que todo nordestino fala igual; contudo as variações são mais numerosas que as notas de uma escala musical. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí têm no falar de seus nativos muito mais variantes do que se imagina. E a gente se goza uns dos outros, imita o vizinho, e todo mundo ri, porque parece impossível que um praiano de beira-mar não chegue sequer perto de um sertanejo de Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então, até se orgulha do falar deles. Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au ou eu de todos os terminais em al ou el — carnavau, Raqueu... Já os paraibanos trocam o I pelo r. José Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer. QUEIROZ, Raquel de. O Estado de S. Paulo, 9/5/1998 (fragmento adaptado). Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de variação linguística que se percebe no falar de pessoas de diferentes regiões. As características regionais exploradas no texto manifestam-se (A) na fonologia. (B) no uso do léxico. (C) no grau de formalidade. (D) na organização sintática. (E) na estruturação morfológica. ________________________________________________ *Anotações*
  • 9. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 107 Literatura – Linguagem e contexto A linguagem da literatura *********** ATIVIDADES *********** Leitura da imagem .1. (EDM-SP) Observe a fotografia. DICK REED/CORBIS – LATINSTOCK  Rota 66, a lendária estrada norte-americana que ligava Chicago a Los Angeles tornou-se símbolo de aventura e liberdade Faça uma breve descrição dos elementos presentes na imagem. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .2. (EDM-SP) A posição em que a foto foi tirada chama a nossa atenção para a estrada. Que efeito o fotógrafo pode ter pretendido desencadear no espectador ao optar por essa tomada? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .3. (EDM-SP) Leia uma declaração do fotógrafo suíço Robert Frank, que percorreu a Rota 66 registrando imagens da paisagem americana. Quando as pessoas olham as minhas fotos, eu quero que elas se sintam como quando desejam reler um verso de um poema. Observe mais uma vez a foto da abertura. Se ela fosse vista como um “verso de um poema”, sobre o que falaria esse verso? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ Da imagem para o texto .4. (EDM-SP) Vamos ver como a literatura explora possibilidades da linguagem. Leia um trecho de On the road, de Jack Kerouac. A viagem Cena 1 Num piscar de olhos estávamos de volta à estrada principal e naquela noite vi todo o estado de Nebraska desenrolando-se diante dos meus olhos. Cento e setenta quilômetros por hora, direto sem escalas, cidades adormecidas, tráfego nenhum, um trem da Union Pacific deixado para trás, ao luar. Eu não estava nem um pouco assustado aquela noite; me parecia algo perfeitamente normal voar a 170, conversando e observando todas as cidades do Nebraska — Ogallala, Gothenburg, Kearney, Grand Island, Columbus — se sucederem com uma rapidez onírica* enquanto seguíamos viagem. Era um carro magnífico; portava-se na estrada como um navio no oceano. Longas curvas graduais eram o seu forte. “Ah, homem, essa barca é um sonho”, suspirava Dean. “Pense no que poderíamos fazer se tivéssemos um carro assim. [...] Curtiríamos o mundo inteiro num carro como esse, você e eu, Sal, porque, na verdade, a estrada finalmente deve conduzir a todos os cantos do mundo. Não pode levar a outro lugar, certo? [...]” * onírica: relativa aos sonhos. Cena 2 “Qual é a sua estrada, homem? — a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada... Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. Como, onde, por quê?”
  • 10. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 108 Concordamos gravemente, sob a chuva. “[...] Decidi abrir mão de tudo. Você me viu quebrar a cara tentando de tudo, me sacrificando e você sabe que isso não importa; nós sacamos a vida, Sal — sabemos como domá-la, e sabemos que o negócio é continuar no caminho, pegando leve, curtindo o que pintar da velha maneira tradicional. Afinal, de que outra maneira poderíamos curtir? Nós sabemos disso.” Suspirávamos sob a chuva. [...] “E assim”, disse Dean, “vou seguindo a vida para onde ela me levar. [...]” KEROUAC, Jack. On the road (Pé na estrada). Tradução de Eduardo Bueno. Porto Alegre: L&PM, 2004, p. 281-2; 305-6 (fragmento). a) Que elementos, presentes na cena 1, asseguram ao leitor tratar-se da história de uma viagem? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Identifique no texto as passagens que revelam ser essa viagem a concretização de um desejo típico da juventude: a busca da liberdade. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .5. (EDM-SP) No trecho a seguir, explique de que maneira a pontuação contribui para dar ao leitor a sensação de velocidade do carro em que viajam Sal e Dean. Cento e setenta quilômetros por hora, direto sem escalas, cidades adormecidas, tráfego nenhum, um trem da Union Pacific deixado para trás, ao luar. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .6. (EDM-SP) Logo no início da cena 2, Dean pergunta a Sal: “Qual é a sua estrada, homem?”. O que ele quer dizer com isso? Que sentido atribui ao termo “estrada”? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .7. (EDM-SP) a) Identifique, na cena 2, uma passagem que permite associar o comportamento das personagens a valores próprios da juventude. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Explique por que ela transmite valores associados à juventude. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .8. (EDM-SP) a) Como Dean resume sua filosofia de vida? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) O que ela sugere, em termos de comportamento? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ________________________________________________ Jack Kerouac tornou-se o ídolo de sua geração quando o romance On the road foi publicado em 1957. A viagem de dois amigos, Sal Paradise e Dean Moriarty, pelos Estados Unidos, boa parte feita na Rota 66, estrada que liga Chicago a Los Angeles, traduziu a visão de mundo de uma juventude que decidiu questionar os valores com os quais tinha sido criada. KEYSTONE / GLOBO.COM
  • 11. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 109 A essência da arte literária está na palavra. Usada por escritores e poetas em todo o seu potencial significativo e sonoro, a palavra estabelece uma interessante relação entre um autor e seus leitores/ouvintes. “Ah, homem, essa barca é um sonho”, afirma Dean no texto de Jack Kerouac. Para compreender a imagem criada pela personagem, nós precisamos realizar uma série de decodificações. Sabemos que Dean e Sal viajam de carro; sabemos que uma “barca” não trafega em estradas. Com essas informações, procuramos reconstruir o sentido da comparação implícita que está na base da imagem criada: o carro em que viajam é tão grande e confortável que parece uma barca. Em seguida, reconhecemos que a afirmação de que o carro “é um sonho” também foi criada a partir de outra comparação entre nossos sonhos e todas as coisas que desejamos muito. Reconstituída a comparação original, podemos interpretar que Dean quer dizer que aquele é um carro maravilhoso, objeto de desejo e fantasia dos dois jovens. No texto de Kerouac, palavras como barca e sonho foram usadas em sentido conotativo (ou figurado), aquele que as palavras e expressões adquirem em um dado contexto, quando o seu sentido literal é modificado. Nos textos literários, predomina o sentido conotativo. A linguagem conotativa é característica de textos com função estética, ou seja, que exploram diferentes recursos linguísticos e estilísticos para produzir um efeito artístico. Época, 9/6/2008, p. 87.  Na expressão monstros sagrados, a palavra monstros apresenta sentido figurado, ou seja, conotativo Em textos não literários, o que predomina é o sentido denotativo (ou literal). Dizemos que uma palavra foi utilizada em sentido literal quando é tomada em seu significado “básico”, que pode ser apreendido sem ajuda do contexto. A linguagem denotativa é típica de textos com função utilitária, ou seja, que têm como finalidade predominante satisfazer a alguma necessidade específica, como informar, argumentar, convencer, etc. O trabalho com o sentido conotativo ou figurado é uma característica essencial da linguagem literária. Quando a literatura explora a conotação, como no fragmento de On the road, estabelece-se uma interessante relação entre leitor e texto. Ao ler um romance ou um poema ou ao ouvir uma história, o leitor/ouvinte precisa reconhecer o significado das palavras e reconstruir os mundos ficcionais que elas descrevem. O leitor/ouvinte desempenha, portanto, um papel ativo, já que também cria, em sua imaginação, mundos ficcionais correspondentes àqueles propostos nos textos ou vive, na fantasia, experiências semelhantes às descritas. Recursos expressivos Dá-se o nome de figuras de linguagem aos recursos utilizados com o fim de tornar mais expressiva a linguagem. As figuras de linguagem compreendem:  as figuras de palavra (ou tropos);  as figuras de sintaxe (ou de construção);  as figuras de pensamento; e  as figuras de harmonia (ou sonoras). Intertextualidade Quantas vezes, ao ler um texto ou ver uma determinada propaganda, você tem a sensação de já ter visto o texto em algum lugar? Quer ver só? No início de sua produção poética, Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema que viria a torná-lo muito conhecido. O “sucesso” do poema foi provocado, no início, pelo estranhamento por ele causado. Você certamente já teve oportunidade de lê-lo. No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. (Carlos Drummond de Andrade)
  • 12. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 110 Mas, por que estamos falando de poesia e Drummond, em uma seção destinada à apresentação do conceito de intertextualidade? Porque muitos são os textos que recuperam a imagem da “pedra” drummondiana. Observe, por exemplo, a seguir, um anúncio publicitário veiculado para a divulgação de um projeto de educação ambiental, patrocinado pela empresa de turismo Soletur e orientado pelo Ibama. Não é preciso, lido o anúncio, dizer por que o escolhemos. A intertextualidade é evidente, pois a referência ao poema de Drummond é óbvia! Intertextualidade é a relação que se estabelece entre dois textos, quando um deles faz referência a elementos existentes no outro. Esses elementos podem dizer respeito ao conteúdo, à forma, ou mesmo à forma e ao conteúdo.  A propaganda vale-se do recurso da intertextualidade para indicar a poluição das praias. O trecho intertextual é: “No meio do caminho tinha uma pedra...”. No poema, a “pedra no meio do caminho” são os obstáculos, as dificuldades, os problemas. A propaganda faz uso do termo em seu sentido literal (rocha). Isso pode ser percebido pela enumeração das outras “coisas” no meio do caminho (uma ponta de cigarro, uma lata, um saco plástico, cacos de vidro) que evidenciam a poluição das praias pelos banhistas. Estilo de época A constatação de traços comuns na produção de uma mesma época identifica um estilo de época. O estudo da literatura depende do reconhecimento dos padrões e das semelhanças que constituem um estilo de época. O uso particular que um escritor ou poeta faz dos elementos que distinguem uma estética define o estilo individual de um autor, sempre marcado pelo olhar específico que dirige aos temas característicos de um período e pelo uso singular que faz dos recursos de linguagem associados a uma determinada estética literária. Literatura brasileira A literatura brasileira tem sua história dividida em duas grandes eras, que acompanham a evolução política e econômica do país: a Era Colonial e a Era Nacional, separadas por um Período de Transição, que corresponde à emancipação política do Brasil. As eras apresentam subdivisões chamadas de escolas literárias ou estilos de época. Dessa forma, temos: Era Colonial (de 1500 a 1808)  Quinhentismo (de 1500 a 1601)  Seiscentismo ou Barroco (de 1601 a 1768)  Setecentismo ou Arcadismo (de 1768 a 1808) Período de Transição (de 1808 a 1836) Era Nacional (de 1836 até nossos dias)  Romantismo (de 1836 a 1881)  Realismo/Naturalismo (de 1881 a 1893)  Parnasianismo (de 1882 a 1893)  Simbolismo (de 1893 a 1902)  Pré-Modernismo (de 1902 a 1922)  Modernismo (de 1922 a 1945)  Pós-Modernismo (de 1945 até nossos dias) As datas que indicam o início e o fim de cada época têm de ser entendidas apenas como marcos. Toda época apresenta um período de ascensão, um ponto máximo e um período de decadência (que coincide com o período de ascensão da próxima época). Dessa forma podemos perceber, ao final do Arcadismo, um período de Pré- -Romantismo; ao final do Romantismo, um Pré-Realismo, e assim por diante. De todos esses momentos de transição, caracterizados pela quebra das velhas estruturas (apesar de “o novo sempre pagar tributo ao velho”), o mais significativo para a literatura brasileira foi o Pré-Modernismo (entre 1902 e 1922), em que se destacaram Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. ________________________________________________ *Anotações*
  • 13. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 111 As questões 9 e 10 referem-se ao poema. A dança e a alma A DANÇA? Não é movimento, súbito gesto musical. É concentração, num momento, da humana graça natural. No solo não, no éter pairamos, nele amaríamos ficar. A dança — não vento nos ramos: seiva, força, perene estar. Um estar entre céu e chão, novo domínio conquistado, onde busque nossa paixão libertar-se por todo lado... Onde a alma possa descrever suas mais divinas parábolas sem fugir à forma do ser, por sobre o mistério das fábulas. ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 366. .9. (ENEM-MEC) A definição de dança, em linguagem de dicionário, que mais se aproxima do que está expresso no poema é (A) a mais antiga das artes, servindo como elemento de comunicação e afirmação do homem em todos os momentos de sua existência. (B) a forma de expressão corporal que ultrapassa os limites físicos, possibilitando ao homem a liberação de seu espírito. (C) a manifestação do ser humano, formada por uma sequência de gestos, passos e movimentos desconcertados. (D) o conjunto organizado de movimentos do corpo, com ritmo determinado por instrumentos musicais, ruídos, cantos, emoções, etc. (E) o movimento diretamente ligado ao psiquismo do indivíduo e, por consequência, ao seu desenvolvimento intelectual e à sua cultura. .10. (ENEM-MEC) O poema “A dança e a alma” é construído com base em contrastes, como “movimento” e “concentração”. Em uma das estrofes, o termo que estabelece contraste com solo é (A) éter. (B) seiva. (C) chão. (D) paixão. (E) ser. Textos para as questões 11 e 12. Texto 1 – Autorretrato Provinciano que nunca soube Escolher bem uma gravata; Pernambucano a quem repugna A faca do pernambucano; Poeta ruim que na arte da prosa Envelheceu na infância da arte, E até mesmo escrevendo crônicas Ficou cronista de província; Arquiteto falhado, músico Falhado (engoliu um dia Um piano, mas o teclado Ficou de fora); sem família, Religião ou filosofia; Mal tendo a inquietação de espírito Que vem do sobrenatural, E em matéria de profissão Um tísico* profissional. BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1983, p. 395. * tísico: tuberculoso. Texto 2 – Poema de sete faces Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. [...] Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo mais vasto é o meu coração. ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 53. .11. (ENEM-MEC) Esses poemas têm em comum o fato de (A) descreverem aspectos físicos dos próprios autores. (B) refletirem um sentimento pessimista. (C) terem a doença como tema. (D) narrarem a vida dos autores desde o nascimento. (E) defenderem crenças religiosas.
  • 14. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 112 .12. (ENEM-MEC) No verso “Meu Deus, por que me abandonaste”, do texto 2, Drummond retoma as palavras de Cristo, na cruz, pouco antes de morrer. Esse recurso de repetir palavras de outrem equivale a (A) emprego de termos moralizantes. (B) uso de vício de linguagem pouco tolerado. (C) repetição desnecessária de ideias. (D) emprego estilístico da fala de outra pessoa. (E) uso de uma pergunta sem resposta. .13. (ENEM-MEC) Cidade grande Que beleza, Montes Claros. Como cresceu Montes Claros. Quanta indústria em Montes Claros. Montes Claros cresceu tanto, ficou urbe tão notória, prima-rica do Rio de Janeiro, que já tem cinco favelas por enquanto, e mais promete. ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a (A) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem. (B) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos. (C) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica. (D) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo. (E) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida. .14. (ENEM-MEC) Érico Veríssimo relata, em suas memórias, um episódio da adolescência que teve influência significativa em sua carreira de escritor. Lembro-me de que certa noite — eu teria uns quatorze anos, quando muito — encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações, enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam “carneado”. [...] Apesar do horror e da náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando assim: se esse caboclo pode aguentar tudo isso sem gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida? [...] Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a ideia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto. VERÍSSIMO, Érico. Solo de Clarineta. Tomo I. Porto Alegre: Editora Globo, 1978. Nesse texto, por meio da metáfora da lâmpada que ilumina a escuridão, Érico Veríssimo define como uma das funções do escritor e, por extensão, da literatura, (A) criar a fantasia. (B) permitir o sonho. (C) denunciar o real. (D) criar o belo. (E) fugir da náusea. .15. (ENEM-MEC) Em muitos jornais, encontramos charges, quadrinhos, ilustrações, inspirados nos fatos noticiados. Veja um exemplo: Jornal do Commercio, 22/8/1993. O texto que se refere a uma situação semelhante à que inspirou a charge é: (A) Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nela — Foi poeta — sonhou — e amou na vida. AZEVEDO, Álvares de. Poesias escolhidas. Rio de Janeiro/Brasília: José Aguilar/INL,1971. (B) Essa cova em que estás Com palmos medida, é a conta menor que tiraste em vida. É de bom tamanho, Nem largo nem fundo, É a parte que te cabe deste latifúndio. MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina e outros poemas em voz alta. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967.
  • 15. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 113 (C) Medir é a medida mede A terra, medo do homem, a lavra; lavra duro campo, muito cerco, vária várzea. CHAMIE, Mário. Sábado na hora da escutas. São Paulo: Summums, 1978. (D) Vou contar para vocês um caso que sucedeu na Paraíba do Norte com um homem que se chamava Pedro João Boa-Morte, lavrador de Chapadinha: talvez tenha morte boa porque vida ele não tinha. GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983. (E) Trago-te flores, — restos arrancados Da terra que nos viu passar E ora mortos nos deixa e separados. ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 1986. .16. (ENEM-MEC) Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos: I. Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. II. Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim. BUARQUE, Chico. Letra e Música. São Paulo: Cia. das Letras, 1989. III. Quando nasci um anjo esbelto Desses que tocam trombeta, anunciou: Vai carregar bandeira. Carga muito pesada pra mulher Esta espécie ainda envergonhada. PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por (A) reiteração de imagens. (B) oposição de ideias. (C) falta de criatividade. (D) negação dos versos. (E) ausência de recursos. ________________________________________________ *Anotações*
  • 16. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 114 *MÓDULO 2* A interpretação de textos Introdução Um dos tópicos mais cobrados nos vestibulares nos últimos anos é a interpretação de textos, que será o tema desta seção. Acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém liga a TV, vou para o outro quarto e leio um livro. Groucho Marx (1890-1977), comediante norte-americano HULTON ARCHIVE / GETTY IMAGES BRISTOL, Brian. Por que amamos ler? – Grandes escritores tentam explicar nosso fascínio pela leitura. São Paulo: Novo Conceito, 2008. Ler um texto não é difícil quando se domina uma língua, mas compreendê-lo não é tão simples assim. Cada leitor, de acordo com a sua história de leitura, ou seja, de acordo com os textos que já tenha lido, sua vivência no mundo, sua formação cultural etc., terá uma forma de encarar um texto e de compreendê-lo. Vejamos um exemplo: Não tem jeito mesmo... “Trinta palavras no máximo; não há espaço para mais”, disse o chefe da redação ao jornalista. Por isso, a notícia que apareceu no jornal foi: Uma mulher escorregou numa casca de banana, numa faixa de pedestres da Banhofstrasse. Foi imediatamente transportada para a clínica da universidade, onde lhe foi diagnosticada uma perna quebrada. A primeira reação surgiu imediatamente, numa carta registrada em que um importador de bananas escrevia: “Protestamos veementemente contra o descrédito dado ao nosso produto. Considerando que, nos últimos meses, vocês publicaram pelo menos 14 comentários negativos sobre os países produtores de bananas, não podemos deixar de inferir uma intenção de difamação deliberada de sua parte.” Por sua vez, o diretor da clínica da universidade também se pronunciou, alegando que a expressão “foi transportada” poderia significar “o transporte de seres humanos como se tratasse de carga”, o que contrariava totalmente os hábitos de seu hospital. “Além disso”, salientou, “posso provar que a fratura da perna resultou da queda e não, como foi sugerido com intenção malévola, do transporte para o hospital”. Para finalizar, um membro do Departamento Municipal de Engenharia Civil telefonou, informando ao jornal que a causa do tombo não deveria ser atribuída ao estado da faixa de pedestres. Além disso, como o Comitê de Defesa das Faixas para Pedestres estava prestes a concluir seu relatório, após seis anos de trabalho, perguntava se seria possível — para evitar possíveis consequências políticas — não fazer qualquer alusão a tais passagens nos próximos meses. A notícia foi revista e, na manhã seguinte, apareceu com o seguinte texto: Uma mulher caiu na rua e quebrou a perna. No dia seguinte, os editores receberam apenas duas cartas a respeito. Uma, indignada, era da Associação Não Lucrativa dos Direitos das Mulheres, cuja porta-voz repudiava “vivamente e em definitivo” o texto discriminatório uma mulher caiu, o qual evocava uma associação infeliz com “mulheres caídas” e constituía uma prova de que “mais uma vez, neste mundo dominado pelo homem, a imagem da mulher estava sendo manipulada da maneira mais pérfida e chauvinista!” A carta ameaçava com um processo judicial, boicote e outras medidas. A outra reação veio de um leitor que cancelava sua assinatura, alegando o número cada vez maior de notícias triviais e sem interesse. Seleções do Reader's Digest. Tomo XXXVI, n.° 217. Junho de 1989, p. 109 e 110, apud I. Koch, Coerência textual. São Paulo, Contexto, 1997. Note que, neste caso, o texto foi compreendido de maneira diferente pelos leitores. Cada um, a partir de sua visão de mundo e de seu posicionamento neste, chegou a um sentido diferente para o mesmo texto. Mas, embora haja, então, a influência do conhecimento de mundo e do posicionamento dentro deste na compreensão de um texto, ler com compreensão também se pode aprender se prestarmos atenção a alguns pontos, dos quais trataremos nesta seção. Infelizmente, não é possível esgotar o assunto, uma vez que mesmo os estudiosos da leitura ainda não conseguiram determinar todos os tópicos que serão necessários à aprendizagem da leitura. O conhecimento de mundo e a leitura O nosso conhecimento de mundo nos permite relacionar o assunto de um texto com coisas do mundo, mas também nos permite perceber se a forma de um texto é igual à de outro, se um texto retoma um outro, se uma informação foi corretamente apresentada ou não. À medida que vamos lendo, vamos aprendendo a nos deter em determinados trechos ou passar mais rápido por outros, de acordo com o nosso principal objetivo de leitura, mas também conforme consigamos construir mais facilmente ou não o sentido do texto.
  • 17. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 115 Dessa forma, constatamos que o conhecimento de mundo vai nos ajudar a compreender o texto bem escrito e até a inferir o significado correto de textos mal escritos. Assim, se o conhecimento pode ajudar tanto na compreensão de um texto, o melhor a fazer é procurar ampliá-lo cada vez mais, lendo muito diferentes tipos de textos e sobre diferentes assuntos. Além disso, nessas leituras, é bastante importante prestar atenção ao gênero de texto e à sua estrutura, aos objetivos do texto e à linguagem empregada. O gênero de texto e a sua estrutura Conhecer, pelo menos um pouco, o gênero de texto que se está lendo pode ajudar bastante na sua compreensão. Afinal, se estamos lendo um editorial de um jornal e sabemos que este é um gênero de texto em que se defende a posição do jornal sobre um determinado tema, constataremos a necessidade de ficarmos atentos aos pontos de vista e argumentos que serão apresentados. Mas se estivermos diante de um trecho de um manual para instalação de videocassete, teremos outra preocupação; o mesmo ocorrerá se o texto for um e-mail de um amigo, uma piada, um poema ou um conto. Note que cada gênero, dada a sua estrutura e o conjunto de elementos que o compõem, impõe ao leitor um certo olhar. A linguagem Além do gênero de texto, é importante estarmos atentos também à linguagem empregada em cada texto e aos efeitos de sentido que ela pode produzir, isto é: em um bom texto, a escolha das palavras, das construções sintáticas, do tamanho dos parágrafos etc. costuma contribuir para expressar o sentido “desejado” pelo autor. Fica bem visível tal ideia quando comparamos textos sobre um mesmo assunto publicados por jornais diferentes. Vejamos dois trechos retirados de notícias publicadas pela Folha de S. Paulo e pelo O Estado de S. Paulo a respeito de um atentado ocorrido em Israel e de seus possíveis autores: “O grupo islâmico Hamas assumiu o atentado e divulgou foto e nome do suicida.” (O Estado de S. Paulo) “O grupo extremista Hamas reivindicou a autoria do atentado, o pior desde julho.” (Folha de S. Paulo) Reflita sobre as diferenças de escolha de vocabulário: “grupo islâmico” X “grupo extremista”; “assumiu o atentado” X “reivindicou a autoria do atentado”. Estão os dois jornais falando exatamente a mesma coisa? Parece que não! Há ainda a informação a mais que cada jornal trouxe: o jornal O Estado de S. Paulo reforçou a assunção do atentado pelo grupo ao dizer que ele até mostrou foto e nome do suicida; enquanto a Folha qualificou a intensidade do atentado relacionando-o a anteriores, uma vez que mostrou que este foi “o pior desde julho”, deixando subentendida a ideia de que antes houve outros piores. Na finalização das duas notícias também encontramos outro ponto de confronto: “O governo israelense já estuda uma ‘resposta’ aos terroristas.” (O Estado de S. Paulo) “O governo israelense, porém, aprovou uma reação militar.” (Folha de S. Paulo) Os predicados de ambos os períodos trazem ideias bem diferentes. Enquanto a Folha afirma a reação militar por meio do verbo “aprovou”, o jornal O Estado de S. Paulo diz que o governo israelense estaria pensando sobre isso, como nos sugere o verbo “estuda”. Você deve estar se perguntando: se a intenção dos dois jornais é informar, por que tantas diferenças de linguagem que levam a diferenças de sentido? Porque cada jornal é produzido por homens diferentes que têm visões/conhecimentos de mundo/interesses diferentes uns dos outros, e isso acaba refletindo na linguagem que empregam, mesmo quando tentam buscar a neutralidade e a imparcialidade. Daí a necessidade de estar bem atento à linguagem para que você perceba não só o assunto que é tratado em um texto, mas também o modo como este foi apresentado e consiga, assim, perceber a intencionalidade que subjaz a cada texto. Lendo com atenção, veremos que em todos os textos, quando bem escritos, a linguagem serve — mais do que para falar de um assunto — para mostrar também como o autor se relaciona com tal assunto e como imagina atingir o leitor.  *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  Para complementar o estudo deste Módulo, utilize seu LIVRO DIDÁTICO. *********** ATIVIDADES *********** .1. (ENEM-MEC) Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas. O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, risonho e habilidoso. Pergunto: — Zé-Zim, por que é que você não cria galinhas-d’angola, como todo o mundo faz? — Quero criar nada não... — me deu resposta: — Eu gosto muito de mudar... [...] Belo um dia, ele tora. Ninguém discrepa. Eu, tantas, mesmo digo. Eu dou proteção. [...] Essa não faltou também à minha mãe, quando eu era menino, no sertãozinho de minha terra. [...] Gente melhor do lugar eram todos dessa família Guedes, Jidião Guedes; quando saíram de lá, nos trouxeram junto, minha mãe e eu. Ficamos existindo em território baixio da Sirga, da outra banda, ali onde o de- -Janeiro vai no São Francisco, o senhor sabe. ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995 (fragmento).
  • 18. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 116 Na passagem citada, Riobaldo expõe uma situação decorrente de uma desigualdade social típica das áreas rurais brasileiras marcadas pela concentração de terras e pela relação de dependência entre agregados e fazendeiros. No texto, destaca-se essa relação porque o personagem-narrador (A) relata a seu interlocutor a história de Zé-Zim, demonstrando sua pouca disposição em ajudar seus agregados, uma vez que superou essa condição graças à sua força de trabalho. (B) descreve o processo de transformação de um meeiro — espécie de agregado — em proprietário de terra. (C) denuncia a falta de compromisso e a desocupação dos moradores, que pouco se envolvem no trabalho da terra. (D) mostra como a condição material da vida do sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de homem livre e, ao mesmo tempo, dependente. (E) mantém o distanciamento narrativo condizente com sua posição social, de proprietário de terras. .2. (ENEM-MEC) A discussão sobre “o fim do livro de papel” com a chegada da mídia eletrônica me lembra a discussão idêntica sobre a obsolescência do folheto de cordel. Os folhetos talvez não existam mais daqui a 100 ou 200 anos, mas, mesmo que isso aconteça, os poemas de Leandro Gomes de Barros ou Manuel Camilo dos Santos continuarão sendo publicados e lidos — em CD-ROM, em livro eletrônico, em “chips quânticos”, sei lá o quê. O texto é uma espécie de alma imortal, capaz de reencarnar em corpos variados: página impressa, livro em braile, folheto, “coffee-table book”, cópia manuscrita, arquivo PDF... Qualquer texto pode se reencarnar nesses (e em outros) formatos, não importa se é Moby Dick ou Viagem a São Saruê, se é Macbeth ou O livro de piadas de Casseta & Planeta. TAVARES, Bráulio. Disponível em: http://jornaldaparaiba.globo.com. Acesso em: 13/2/2011. Ao refletir sobre a possível extinção do livro impresso e o surgimento de outros suportes em via eletrônica, o cronista manifesta seu ponto de vista, defendendo que (A) o cordel é um dos gêneros textuais, por exemplo, que será extinto com o avanço da tecnologia. (B) o livro impresso permanecerá como objeto cultural veiculador de impressões e de valores culturais. (C) o surgimento da mídia eletrônica decretou o fim do prazer de se ler textos em livros e suportes impressos. (D) os textos continuarão vivos e passíveis de reprodução em novas tecnologias, mesmo que os livros desapareçam. (E) os livros impressos desaparecerão e, com eles, a possibilidade de se ler obras literárias dos mais diversos gêneros. .3. (ENEM-MEC) O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor o acesso a um número praticamente ilimitado de outros textos a partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo real. Assim, o leitor tem condições de definir interativamente o fluxo de sua leitura a partir de assuntos tratados no texto sem se prender a uma sequência fixa ou a tópicos estabelecidos por um autor. Trata-se de uma forma de estruturação textual que faz do leitor simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se caracteriza, pois, como um processo de escritura/leitura eletrônica multilinearizado, multissequencial e indeterminado, realizado em um novo espaço de escrita. Assim, ao permitir vários níveis de tratamento de um tema, o hipertexto oferece a possibilidade de múltiplos graus de profundidade simultaneamente, já que não tem sequência definida, mas liga textos não necessariamente correlacionados. MARCUSCHI, L. A. Disponível em: http://www.pucsp.br. Acesso em: 29/6/2011. O computador mudou nossa maneira de ler e escrever, e o hipertexto pode ser considerado como um novo espaço de escrita e leitura. Definido como um conjunto de blocos autônomos de texto, apresentado em meio eletrônico computadorizado e no qual há remissões associando entre si diversos elementos, o hipertexto (A) é uma estratégia que, ao possibilitar caminhos totalmente abertos, desfavorece o leitor, ao confundir os conceitos cristalizados tradicionalmente. (B) é uma forma artificial de produção da escrita, que, ao desviar o foco da leitura, pode ter como consequência o menosprezo pela escrita tradicional. (C) exige do leitor um maior grau de conhecimentos prévios, por isso deve ser evitado pelos estudantes nas suas pesquisas escolares. (D) facilita a pesquisa, pois proporciona uma informação específica, segura e verdadeira, em qualquer site de busca ou blog oferecidos na internet. (E) possibilita ao leitor escolher seu próprio percurso de leitura, sem seguir sequência predeterminada, constituindo-se em atividade mais coletiva e colaborativa. ________________________________________________ *Anotações*
  • 19. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 117 .4. (ENEM-MEC) IMODESTO “As colunas do Alvorada podiam ser mais fáceis de construir, sem aquelas curvas. Mas foram elas que o mundo inteiro copiou” Brasília 50 anos. Veja, n.º 2.138, nov. 2009. Utilizadas desde a Antiguidade, as colunas, elementos verticais de sustentação, foram sofrendo modificações e incorporando novos materiais com ampliação de possibilidades. Ainda que as clássicas colunas gregas sejam retomadas, notáveis inovações são percebidas, por exemplo, nas obras de Oscar Niemeyer, arquiteto brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1907. No desenho de Niemeyer, das colunas do Palácio da Alvorada, observa-se (A) a presença de um capitel muito simples, reforçando a sustentação. (B) o traçado simples de amplas linhas curvas opostas, resultando em formas marcantes. (C) a disposição simétrica das curvas, conferindo saliência e distorção à base. (D) a oposição de curvas em concreto, configurando certo peso e rebuscamento. (E) o excesso de linhas curvas, levando a um exagero na ornamentação. .5. (ENEM-MEC) Conceitos e importância das lutas Antes de se tornarem esporte, as lutas ou as artes marciais tiveram duas conotações principais: eram praticadas com o objetivo guerreiro ou tinham um apelo filosófico como concepção de vida bastante significativo. Atualmente, nos deparamos com a grande expansão das artes marciais em nível mundial. As raízes orientais foram se disseminando, ora pela necessidade de luta pela sobrevivência ou para a “defesa pessoal”, ora pela possibilidade de ter as artes marciais como própria filosofia de vida. CARREIRO, E. A. Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008 (fragmento). Um dos problemas da violência que está presente principalmente nos grandes centros urbanos são as brigas e os enfrentamentos de torcidas organizadas, além da formação de gangues, que se apropriam de gestos das lutas, resultando, muitas vezes, em fatalidades. Portanto, o verdadeiro objetivo da aprendizagem desses movimentos foi mal compreendido, afinal as lutas (A) se tornaram um esporte, mas eram praticadas com o objetivo guerreiro a fim de garantir a sobrevivência. (B) apresentam a possibilidade de desenvolver o autocontrole, o respeito ao outro e a formação do caráter. (C) possuem como objetivo principal a “defesa pessoal” por meio de golpes agressivos sobre o adversário. (D) sofreram transformações em seus princípios filosóficos em razão de sua disseminação pelo mundo. (E) se disseminaram pela necessidade de luta pela sobrevivência ou como filosofia pessoal de vida. .6. (ENEM-MEC) O tema da velhice foi objeto de estudo de brilhantes filósofos ao longo dos tempos. Um dos melhores livros sobre o assunto foi escrito pelo pensador e orador romano Cícero: A Arte do Envelhecimento. Cícero nota, primeiramente, que todas as idades têm seus encantos e suas dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da humanidade. Todos sonhamos ter uma vida longa, o que significa viver muitos anos. Quando realizamos a meta, em vez de celebrar o feito, nos atiramos a um estado de melancolia e amargura. Ler as palavras de Cícero sobre envelhecimento pode ajudar a aceitar melhor a passagem do tempo. NOGUEIRA, P. Saúde & Bem-Estar Antienvelhecimento. Época, 28/4/2008. O autor discute problemas relacionados ao envelhecimento, apresentando argumentos que levam a inferir que seu objetivo é (A) esclarecer que a velhice é inevitável. (B) contar fatos sobre a arte de envelhecer. (C) defender a ideia de que a velhice é desagradável. (D) influenciar o leitor para que lute contra o envelhecimento. (E) mostrar às pessoas que é possível aceitar, sem angústia, o envelhecimento. ________________________________________________ *Anotações*
  • 20. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 118 .7. (UNICAMP-SP) Considere a tira a seguir: Jornal da Tarde, 8/2/2001. Nessa tira, a crítica ao “estrategista militar” não é explícita. Para compreender a tira, o leitor deve reconhecer uma alusão a um fato histórico e uma hipótese sobre transmissão genética. a) Qual é o fato histórico ao qual a tira faz alusão? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Qual é a explicação para as qualidades profissionais do estrategista? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ c) Explicite o raciocínio da personagem que critica o estrategista. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .8. (UNICAMP-SP) Uma das últimas edições do jornal Visão de Barão Geraldo trazia em sua seção “Sorria” esta anedota: “No meio de uma visita de rotina, o presidente daquela enorme empresa chega ao setor de produção e pergunta ao encarregado: — Quantos funcionários trabalham neste setor? Depois de pensar por alguns segundos, o encarregado responde: — Mais ou menos a metade!” a) Explique o que quis perguntar o presidente da empresa. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) Explique o que respondeu o encarregado. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ c) Um dos sentidos de trabalhar é “estar empregado”. Supondo que o encarregado entendesse a fala do presidente da empresa nesse sentido e quisesse dar uma resposta correta, que resposta teria que dar? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .9. (FUVEST-SP) Eu te amo Ah, se já perdemos a noção da hora, Se juntos já jogamos tudo fora, Me conta agora como hei de partir... Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios, Rompi com o mundo, queimei meus navios, Me diz pra onde é que inda posso ir... [...] Se entornaste a nossa sorte pelo chão, Se na bagunça do teu coração Meu sangue errou de veia e se perdeu... [...] Como, se nos amamos como dois pagãos, Teus seios inda estão nas minhas mãos, Me explica com que cara eu vou sair... Não, acho que estás só fazendo de conta, Te dei meus olhos pra tomares conta, Agora conta como hei de partir... (Tom Jobim e Chico Buarque) O sentimento de perplexidade expresso nas frases “como hei de partir”, “pra onde é que inda posso ir” e “com que cara eu vou sair” deve-se ao fato de que a relação amorosa do sujeito: (A) foi marcada por sucessivos desencontros, em virtude da intensidade da paixão. (B) constituiu uma radical experiência de fusão com o outro, da qual não vê como sair. (C) provocou a subordinação emocional da pessoa amada, de quem ele já não pode se livrar. (D) ameaça jamais desfazer-se, agravando-se assim uma interdependência destrutiva. (E) está-se esgotando, sem que os amantes saibam o que fazer para reacender a paixão.
  • 21. LCP  Português  _________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________ SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português 119 Texto para as questões 10 e 11. — Mandaram ler este livro... Se o tal do livro for fraquinho, o desprazer pode significar um precipitado mas decisivo adeus à literatura; se for estimulante, outros virão sem o peso da obrigação. As experiências com que o leitor se identifica não são necessariamente as mais familiares, mas as que mostram o quanto é vivo um repertório de novas questões. Uma leitura proveitosa leva à convicção de que as palavras podem constituir um movimento profundamente revelador do próximo, do mundo, de nós mesmos. Tal convicção faz caminhar para uma outra, mais ampla, que um antigo pensador romano assim formulou: Nada do que é humano me é alheio. Cláudio Ferraretti, Inédito. .10. (FUVEST-SP) De acordo com o texto, a identificação do leitor com o que lê ocorre sobretudo quando: (A) ele sabe reconhecer na obra o valor consagrado pela tradição da crítica literária. (B) ele já conhece, com alguma intimidade, as experiências representadas numa obra. (C) a obra expressa, em fórmulas sintéticas, a sabedoria dos antigos humanistas. (D) a obra o introduz num campo de questões cuja vitalidade ele pode reconhecer. (E) a obra expressa convicções tão verdadeiras que se furtam à discussão. .11. (FUVEST-SP) O sentido da frase “Nada do que é humano me é alheio” é equivalente ao desta outra construção: (A) O que não diz respeito ao Homem não deixa de me interessar. (B) Tudo o que se refere ao Homem diz respeito a mim. (C) Como sou humano, não me alheio a nada. (D) Para ser humano, mantenho interesse por tudo. (E) A nada me sinto alheio que não seja humano. .12. (UNICAMP-SP) Marca-passo natural – Uma alternativa menos invasiva pode substituir o implante do marca-passo eletrônico [...]. Cientistas do Hospital John Hopkins, nos EUA, conseguiram converter células cardíacas de porquinhos- -da-índia em células especializadas, que atuam como um marca-passo, controlando o ritmo dos batimentos cardíacos. No experimento, o coração dos suínos recuperou a regularidade dos movimentos. A expectativa é de que em alguns anos seja possível testar a técnica em humanos. lstoÉ, n.º 1720, 18/9/2002. a) Alguém que nunca tivesse ouvido falar de marca- -passo poderia dar uma definição desse instrumento lendo este texto. Qual é essa definição? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ b) A ocorrência da expressão “a técnica”, no final do texto, indica que ela foi explicada anteriormente. Em que consiste essa técnica? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ c) Apesar do nome, o porquinho-da-índia é um roedor. Sendo assim, há uma forma equivocada de referir-se a ele no texto. Qual é essa forma e como se explica sua ocorrência? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ .13. (UNICAMP-SP) No folheto intitulado “Saúde da mulher – orientações”, distribuído em consultórios médicos, encontramos estas informações acerca de um produto que, aqui, chamaremos “P”: “A liberdade da mulher pode ficar comprometida quando surge em sua vida o risco de uma gravidez indesejada. Para estas situações, ela pode contar com P, um método de Contracepção de Emergência, ou pós-ato sexual, capaz de evitar a gestação com grande margem de segurança. O ginecologista poderá orientá-la sobre o uso correto desse método. [...] P é um método indolor, bastante prático e quase sem efeitos colaterais. Deve ser tomado num período de até 72 horas após o ato sexual desprotegido, sendo mais efetivo nas primeiras 48 horas. Age inibindo ou retardando a ovulação e torna o útero um ambiente impróprio para que o óvulo se implante. Dessa forma, não pode ser considerado um método abortivo, já que, quando atua, ainda não houve implantação do óvulo no útero.”