A ratinha vaidosa

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Uma história tradicional

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A ratinha vaidosa

  1. 1.
  2. 2. Todas as manhãs, a ratinha vaidosa varria as escadas de casa, enquanto cantarolava uma canção.<br /> A ratinha gostava de ter a sua casa sempre limpa pois, além de vaidosa, era muito asseada.<br />Estava tão entretida a varrer que quase não reparava na brilhante moeda caída no último degrau.<br /><ul><li>oh! – Exclamou a ratinha. – Hoje é o meu dia de sorte!
  3. 3. Recolheu a moeda e começou a pensar:
  4. 4. O que é que eu podia comprar com esta moeda? Não chega para um doce e muito menos para um vestido novo… já sei o que vou fazer! Vou à loja do Sr. Barnabé!</li></li></ul><li>O Sr. Barnabé tinha uma loja de tecidos e de artigos de retrosaria, com estantes cheias de carrinhos de linha de muitas cores, botões, colchetes e fechos. A ratinha vaidosa pousou a moeda sobre o balcão e perguntou:<br />— O que é que me pode vender por esta moeda, Sr. Barnabé?<br />O comerciante pensou um pouco e disse:<br />— Já sei! Acabei agora mesmo de receber uma fita de seda vermelha que é uma maravilha...<br />Mostrou a fita à ratinha que ficou logo encantada com o seu toque suave e a sua bonita cor.<br />— Levo-a! — exclamou toda contente.<br />
  5. 5. Quando chegou a casa, cortou a fita em três, e fez um lindo laço para o cabelo, outro para pôr à cinta e outro ainda para pôr na cauda. Assim enfeitada e com o seu bonito vestido estampado, a ratinha vaidosa estava mesmo elegante.<br />— Agora, vou com certeza encontrar um noivo! — disse ela entusiasmada.<br />E, sentando-se à porta de casa, ficou à espera. Ao vê-la tão bonita, e tão alegre, logo se aproximou o primeiro pretendente, um ratinho com um ar bastante simpático.<br />
  6. 6. — Gentil ratinha — disse o rato — casarias comigo se eu te pedisse?<br />A ratinha vaidosa olhou-o por cima do ombro e perguntou:<br />— Depende... O que é que farias à noite,<br />quando chegasses do trabalho?<br />O ratinho saltou no ar várias vezes, dando guinchinhos de alegria. A ratinha, ofendida, despediu-o com um gesto de mão.<br />— Que horror! — exclamou. — Não me casaria contigo por nada deste mundo! Lá se foi o ratinho, com o coração destroçado.<br />
  7. 7. Pouco depois, aproximou-se um elegante leão a retorcer os bigodes para os mostrar melhor.<br />Ao ver a ratinha, logo o coração se lhe encheu de paixão e, não podendo conter-se, perguntou-lhe:<br />— Formosa ratinha, casarias comigo se eu te pedisse?<br />
  8. 8. — Depende — respondeu a ratinha vaidosa. — Que farias à noite, quando chegasses do trabalho?<br />Como resposta, o leão lançou um rugido tão forte, que a ratinha fugiu para casa, fechando-se por dentro, cheia de medo. <br />Pouco depois, espreitando por trás da janela, disse ao leão:<br />— Não faltava mais nada! Morreria de susto logo à primeira vez! Nem pensar! Não me casaria contigo por nada deste mundo! O leão foi-se embora, chorando grossas lágrimas.<br />
  9. 9. Por tudo isto, a ratinha ia ficando cada vez mais vaidosa e convencida, à medida que os pedidos de casamento se repetiam. Ainda o leão não tinha desaparecido da vista, logo da casa ao lado surgiu um macaco muito bem vestido <br />que, ao reparar na beleza da vizinha, se atreveu a perguntar, suspirando:<br />- Linda ratinha, casarias comigo se eu te pedisse?<br />- depende — respondeu ela. — Que farias à noite, quando chegasses do trabalho?<br />
  10. 10. O macaco pendurou-se logo pela cauda na árvore que estava em frente, e começou a balouçar-se e a pular como se estivesse maluquinho.<br /> — Que horror! — exclamou a ratinha vaidosa. — Não deixarias nem um só candeeiro inteiro dentro de casa! Não me casaria contigo, nem que me pagassem!<br />Soltando grandes soluços de tristeza, lá se foi embora o macaco ante a recusa da ratinha vaidosa.<br />
  11. 11. Não tinha decorrido um instante quando, de regresso ao seu charco depois de visitar um parente, aconteceu passar diante da casa da nossa ratinha um grande sapo. Quando viu a ratinha, quase lhe saíam os olhos das órbitas.<br />— Mas que bela sois! — disse. — Casaríeis comigo se vos pedisse?<br />
  12. 12. A ratinha vaidosa achou muita graça à maneira tão esquisita de falar que o sapo tinha respondeu:<br /> - Depende... E o que farias à noite, quando chegasses do trabalho?<br /> E logo o sapo desatou a desfiar toda a sua ladainha de "Croac-Croac", quase ensurdecendo a Carochinha e toda a vizinhança.<br />— Basta! Basta! — disse a ratinha, com as mãos nos ouvidos. <br />— Não conseguiria dormir, contigo por perto! Nem por todo o ouro do mundo me casaria contigo! Como os anteriores pretendentes, lá se foi embora o sapo, triste e despeitado.<br />
  13. 13. A ratinha já começava a desesperar de vir a conhecer um marido que lhe conviesse, quando se aproximou um perfumado e elegantíssimo gato.<br /> — Que vêem os meus olhos? — exclamou o felino, exagerando as mesuras. — A criatura mais ,maravilhosa que jamais se viu sobre a terra!<br />Diz-me, ratinha, casarias comigo se eu te pedisse?<br />
  14. 14. A ratinha vaidosa, que ficou perdidamente apaixonada quando ouviu a voz do bichano, desatou a pestanejar, antes de responder:<br />— Isso depende... E que farias tu todas as noites, quando regressasses do trabalho?<br />Não foi preciso pedir duas vezes para o gato logo ali começar a miar uma melodiosa canção de amor, elevando os seus miados quase à lua.<br />
  15. 15. O seu canto foi direitinho ao coração da nossa ratinha, que pensou:<br />— Este é que é o marido que eu estava à espera! Que doce voz a sua! Que felizes seremos os dois!<br />E, sem pensar no perigo que corria, deu a sua mão ao gato.<br />— Volta amanhã, e logo nos casaremos! <br />disse.<br />O gato, como já deves ter percebido, estava longe de ter boas intenções pois, <br />como sabes, para os gatos não há melhor prato do que um bom rato. E a ratinha vaidosa, como já dissemos, estava apetitosíssima. E assim chegámos à manhã <br />seguinte, dia aprazado para a singular boda.<br />
  16. 16. Toda a vizinhança se reuniu ao Cortejo Nupcial. O ratinho, o leão, o macaco e o sapo, embora muito tristes, foram também apresentar os seus votos de muitas felicidades aos, recém-casados. A noiva estava mais linda que nunca e o noivo não perdia de vista a sua jovem esposa, aguardando, sem dúvida, a ocasião de se encontrar a sós com ela.<br /> - Vivam os noivos! — gritavam todos.<br /> - E casa-se graças ao belo laço lhe vendi!<br />— explicava o Sr. Barnabé à Sra. Opalina, muito orgulhoso.<br />
  17. 17. Quando os risos e o burburinho dos festejos terminaram, o gato e a ratinha vaidosa entraram por fim, na sua nova casa. A ratinha tirou o véu de noiva, e disse para o seu marido:<br />— Agora que já estamos casados, ficas a saber que eu gosto que na minha casa haja ordem e asseio. <br />As horas das refeições são sempre as mesmas e são para se cumprir; não permito que tragas os teus amigos para dentro de casa. Nem admito que me sujem o chão depois de o esfregar. Ah! E a louça será lavada à vez, um dia tu outro dia eu!<br />
  18. 18. Claro, meu amorzinho! — disse o gato estendendo os braços para a ratinha. — Mas, agora, não vais dar um beijinho ao teu querido esposo?<br />Ela aproximou-se e ficou logo presa nos fortes braços do gato reparando, finalmente, nos seus afiados dentes que pareciam estar a brilhar.<br /> — Até que enfim, valeu a pena esperar! — disse o gato disposto a, logo ali, devorar a ratinha.<br />Mas eis que, de repente, apareceu o ratinho que se tinha escondido debaixo da cama, pois desconfiava de uma traição deste género por parte do gato. <br />
  19. 19. E, agarrando na ponta da cauda do pérfido felino, introduziu-a numa tomada eléctrica que estava na parede. O gato soltou um uivo de dor e largou a ratinha! A casa converteu-se num autêntico fogo-de-artifício! Como saltava e miava o gato enquanto o pêlo da cauda se chamuscava e ficava esturricado! O choque eléctrico foi tão grande que o bichano, logo que se soltou, fugiu para nunca mais ninguém o ver.<br />
  20. 20. — Aprendi a lição — disse a ratinha vaidosa muito envergonhada. — Gatos e ratos jamais podem conviver em paz uns com os outros. E ainda outra coisa: ser convencida e vaidosa não nos leva a lado nenhum. Muito obrigada, ratinho.<br />— E se agora te perguntasse: "Queres casar comigo?“<br />— atreveu-se a propor o valente roedor — que responderias?<br />— Que sim! — respondeu a ratinha. — Mesmo que saltasses, rugisses, te pendurasses em árvores ou fizesses "Croac-Croac" a toda a hora ! Sim!<br />Nesse dia, a cidade onde vivia a ratinha vaidosa assistiu ao segundo casamento. E a noiva foi a mesma!<br />
  21. 21. Coisas que só acontecem nos Contos!...<br />
  22. 22. Adaptado de: CONTOS DE SEMPRE<br />Ilustrações de: AugustiAsenio<br />Edições EDINTER<br />

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