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ADOÇÃO: FATORES DE
RISCO E PROTEÇÃO À
ADAPTAÇÃO
PSICOLÓGICA
Profa. Ludmila de Moura
1
Pesquisas
• Últimas décadas – preocupação em descrever os
processos de adaptaçãopsicológica de indivíduos
diante de situações adversas ao desenvolvimento
sócioafetivo
• Adoção como situação de risco
2
Pesquisas
• Diversidade de resultados sobre a adaptação
psicológica dos adotivos
• Vulnerabilidade psicológica – similaridades nos
índices de adaptação de adotivos e não-adotivos
• Comportamento pró-social – adotados apresentam
melhores resultados
3
População clínica
•Relativa super-representação dos
adotivos na população clínica,
especialmente na adolescência
4
População não-clínica
• Crianças e adolescentes adotados - maior
risco de problemas emocionais e
comportamentais
5
Pesquisas: críticas
• limitações metodológicas:
• Intencionalidade e
• Não representatividade da amostra
Viés:
- Pais adotivos tem maior cautela em relação ao
ajustamento psíquico dos filhos
6
Pais adotivos
- São menos tolerantes e menos negligentes
ante as dificuldades – encaminham com mais
frequência a atendimento especializado
- Resultado de pressão social – senso comum
estabelece entre adoção e problemas?
7
Adaptação psicológica
• Steinberg (1999) = ausência de problemas
psicossociais, os quais podem ser classificados em 3
categorias:
• Problemas de internalização;
• Problemas de externalização;
• Abuso de substâncias.
8
Problemas de internalização
• São aqueles direcionados internamente e
manifestos por meio de perturbações emocionais e
cognitivas, tais como depressão, ansiedade, fobia,
queixas somáticas.
• são mais comuns na puberdade;
• + Baixa auto-estima (Fergusson, Lynskey e
Horwood, 1995)
9
Problemas de externalização
• São perturbações psicológicas voltadas para
o exterior e evidenciadas por problemas de
comportamento:
- agressividade, hiperatividade etc
• São mais comuns na infância.
10
Investigações dos processos
adaptativos
• Historicamente – diferentes perspectivas
• Primeiros estudos – análise dos fatores de risco que
agravavam a vulnerabilidade individual
• Pesquisas = ocorrência de eventos estressores,
como a negligência e a ausência dos membros
familiares
11
Adaptação: estudos atuais
• Visam não apenas à explicação das
psicopatologias e dos distúrbios evolutivos,
• Mas também os fatores protetivos que
moderam a relação entre os riscos e o
desenvolvimento dos sujeitos.
12
Fatores protetivos
• mecanismos descritos como processos que
alteram o comportamento dos indivíduos em
ambientes que predispõem a respostas mal
adaptativas, possibilitando a adequação à
situação adversa e a superação de prejuízos
decorrentes de eventos passados (Rutter,
1987, 1993)
13
Estudos sobre adoção
•EVENTOS ESTRESSANTES
• X
•FATORES DE PROTEÇÃO
14
Enfoque: Eventos Estressantes
• Pesquisas – objetivo de determinar as
psicopatologias relacionadas à adoção:
• O abandono e a perda de referências da
família de origem justificam, por si, a
classificação dos filhos adotivos como uma
população de risco.
15
Enfoque: Fatores de proteção
• Enfatizam, além da experiência de perda
vivenciada pelo adotado:
• Variáveis que desempenham um papel
protetivo sobre o desenvolvimento – o
autoconceito, as estratégias de coping
utilizadas, as relações familiares e as
condições socioculturais parentais.
16
coping
• Conjunto de esforços emocionais, cognitivos e
comportamentais que os indivíduos utilizam para
lidar com demandas internas ou externas que
surgem ante situações adversas (Antoniazzi,
Dell`Aglio e Bandeira, 1998)
• Exemplos: busca de suporte social, distração,
evitação cognitiva, busca de informação e
modificação do evento estressor.
17
Processos de proteção
• Qualidades pessoais dos indivíduos bem
adaptados = auto-estima e ausência de
depressão = índice de saúde emocional;
• Importância de elementos externos:
aspectos familiares (como o estilo parental)
e o apoio social.
18
Estudos sobre adaptação e
resiliência
• Têm supervalorizados as variáveis externas,
como condições sócioeconômicas e índices
comportamentais de competência, como
desempenho escolar.
• Resiliência refere-se à capacidade dos
indivíduos de superar as situações de risco
vivenciadas
19
Auto-estima
• Refere-se à apreciação que os sujeitos fazem
de seus próprios atributos
• Medida global de auto-representação que
implica um julgamento de valor afetivo do
indivíduo sobre seus predicados pessoais
• considerado com o principal indicador de
saúde mental
20
Auto-estima
•Embora no início da adolescência os
indivíduos sejam suscetíveis à maior
inconstância dos sentimentos sobre si,
a auto-estima tende à estabilidade ao
longo do ciclo vital.
21
Auto-estima: pesquisas
• Indivíduos de maior poder aquisitivo ou do
sexo masculino – apresentam níveis mais
elevados de auto-estima;
• Menor auto-estima entre o sexo feminino –
as meninas apresentam menor satisfação
com sua auto-imagem.
22
Antecedentes e Consequentes da
Auto-estima
•Na adolescência – a alta auto-
estima é vinculada principalmente à
aprovação social e ao desempenho
acadêmico
23
Adolescentes adotivos
•Dificuldades de adaptação de
adolescentes adotivos:
• relacionadas à questões de aprovação
social – experienciou a não- aceitação
da família biológica e, em muitos casos,
a discriminação por ser adotivo.
24
Preconceito sobre adoção
• 28% de 410 adultos – acreditam que os adotivos
sofrem preconceitos e que, “cedo ou tarde,
apresentarão problemas de ajustamento
psicológico” (Weber, 1999)
• 70 % das mães adotivas investigadas relataram já
ter vivenciados episódios de discriminação em
razão da situação adotiva de seu(s) filho(s)
(Reppold e Hutz, 2001)
25
Ajustamento psicológico e
adoção
•A exposição a situações estressantes
altera a auto-estima e a rede de apoio
familiar, tornando os indivíduos mais
vulneráveis a disfunções psicológicas
(Rutter, 1987)
26
Ajustamento psicológico e
adoção
• Pesquisas longitudinais – a maioria dos
adotados tem baixa auto-estima.
• A baixa auto-estima pode estar associada às
adversidades do processo de crise de
identidade inerente à adolescência;
• A falta de conhecimento sobre sua origem
genealógica dificulta o desenvolvimento da
auto-imagem e da auto-estima dos
adotados;
27
Ajustamento psicológico e
adoção
•Perda de auto-referência:
•troca do prenome na ocasião da adoção
– maior problema com crianças
adotadas tardiamente – negação da
história pregressa e necessidade de
reconhecer-se em uma nova
identidade.
•(Berry, 1992)
28
Ajustamento psicológico e
adoção
• Outros estudos;
• Não encontram diferenças significativas em relação
à auto-estima nos grupos adotados e não-
adotados.
• Adolescentes de 16 anos, criados só por um dos
pais biológicos, tem duas vezes menos auto-estima
do que adolescentes adotivos ou criados por
ambos os pais biológicos (Fergusson, Lynskey e
Horwood, 1995).
29
Ajustamento psicológico e
adoção
• Adoção internacional: os indivíduos
adotados por famílias estrangeiras, em geral,
desenvolvem uma auto-estima positiva.
• Indicações de que adotados apresentam
melhores índices de auto-estima do que
outros não-adotados (Groze, 1992)
30
Ajustamento psicológico e
adoção
•Estas pesquisas mostram que, em
alguns casos, a adoção modera o risco
de desadaptação psicológica que
poderia haver, em potencial, na história
pregressa do sujeito.
31
Estilos parentais
•Os comportamentos parentais
influenciam a auto-estima dos
adolescentes em geral, podendo atuar
como um fator de risco ou de proteção
ao desenvolvimento psicológico.
•Pais afetivos são mais propensos a
terem filhos com auto-estima positiva.
32
Efeitos da auto-estima
• a literatura descreve um impacto causal da
auto-estima sobre diversos problemas de
internalização, inclusive a depressão
(Grotevant, 1998).
• A auto-estima é um preditor dos sintomas
depressivos (Nolen-Hoeksema, Girgus e
Seligman, 1992)
33
Depressão
• Experiências estressoras, como o acúmulo de
perdas, a exposição a julgamentos
preconceituosos e os conflitos familiares,
promove a diminuição da auto-estima e a
emergência de sentimentos de desamparo e
rejeição.
34
Etiologia da depressão
•Diversidade de hipóteses:
•Modelos teóricos mais coerentes =
integrar adversidades contextuais
(eventos de vida estressores) a fatores
biogenéticos.
35
Depressão
•distúrbio psicológico de maior
prevalência na adolescência:
•- amostras não-clínicas:
•- meninos – 20 a 35 %
•- meninas – 25 a 40 %
36
Adolescentes adotados
•Aumento do índice de problemas de
comportamento e uma diminuição nos
aspectos relativos à competência,
contrário do que ocorre na população
em geral.
•Podem ser indício de uma “depressão
mascarada”
37
Adolescentes adotados
• Resultados controversos – vulnerabilidade
psicológica associada à adoção:
• Pesquisas = não encontrada diferença quanto à
depressão em adotivos e não-adotivos;
• Crianças e adolescentes criados por sua família de
origem apresentavam mais sintomas depressivos
do que os adotados;
38
Riscos de vulnerabilidade – dos
adotados
• Experiências de perda;
• Vivências pré-natais;
• História pregressa em instituições;
• Desconhecimento de sua origem genealógica;
• Problemas relacionados à identidade pessoal;
• Dificuldades no processo de revelação da adoção;
• Estigma social que envolve o processo adotivo.
39
Experiências prévias dos
adotivos
• Em geral – história difícil, com recursos e estímulos
escassos;
• Crianças institucionalizadas, adotadas até o
primeiro ano de idade, não apresentam problemas
de comportamento (Bohman e Sigvardsson, 1980)
• Diferenças no níveis de ajustamento psicológico
entre adolescentes adotados são minimizadas com
o passar do tempo;
40
Predisposição genética
• Pais adotivos tem menor propensão aos distúrbios
psíquicos do que pais biológicos – oferecem
melhores condições de adaptação aos adotados;
• Pais adotivos apresentam menores índices de
alcoolismo e criminalidade do que os pais
biológicos;
• Pesquisa com filhos adotivos - os efeitos congênitos
da depressão são menores do que os efeitos
ambientais;
41
Fatores protetivos de
depressão
• Autopercepção positiva,
• Competência social;
• Bom rendimento escolar;
• Apoio social percebido;
• Responsividade e atitudes disciplinares dos
pais.
42
Estilos parentais
• Características da interação entre pais e
filhos;
• Conjunto de expressões (comportamentos
verbais e não-verbais) emitidas pelos pais
durante as situações em que almejam a
socialização de seus filho.
43
Estilos parentais - duas
dimensões:
•Responsividade – oferta de assistência
emocional e o respeito à
individualidade do filho;
•Exigência – supervisão e disciplina
oferecidas pelos pais.
44
Quatro estilos parentais
• Autoritativo: alto grau de monitoramento e
aquiescência;
• Autoritário: disciplina rígida e pouco afetiva;
• Indulgente: baixo nível de controle parental
e alto nível de responsividade;
• Negligente: pouca atenção e apoio e baixa
imposição de regras ou limites.
45
Estilos parentais e adaptação
psicológica
•Reppold (2001) – novas perspectivas na
avaliação psicológica das famílias
adotivas ao propor os estilos parentais
como um fator moderador da
adaptação dos adolescentes adotados;
46
Avaliações psicodiagnósticas
• não supervalorizarem a condição adotiva,
mas considerarem a influência de outras
variáveis socioculturais, como a interação
familiar, as estratégias de socialização
utilizadas pelos pais, o histórico da
adoção, as experiências prévias e o apoio
social.
47
Padrões de socialização
parentais
•Filhos adotivos: percebem os pais
adotivos como mais indulgentes;
•Filhos biológicos: percebem os pais
biológicos como mais negligentes.
48
Pais adotivos
• Alta frequência de estilos indulgente ou
autoritativo:
• Grande investimento afetivo que envolve a adoção;
• Entrevistas de avaliação psicossocial – habilitação
legal – refletir sobre motivação e expectativas
quanto à parentalidade, às diferenças entre a
afiliação adotiva e a biológica, quanto à história
precedente da criança.
49
Famílias adotivas -
indulgentes
•Tentativa de compensação das
situações adversas vividas pelo
filho, ou fantasiadas pelos pais?;
50
Famílias adotivas -
indulgentes
•A permissividade parental pode ser
uma estratégia (não muito assertiva) de
(super)proteção dos pais, visando à
demonstração de apoio e aceitação do
filho no círculo familiar;
51
Famílias adotivas -
indulgentes
• Idéia de compensação – representação de que a
entrega à adoção implica necessariamente em falta
de afeto e rejeição por parte da família biológica.
• Doação do filho – motivos:
• Morte ou psicopatologia dos cuidadores;
• Falta de recursos econômicos;
• Ausência do companheiro para criar a criança.
52
Famílias adotivas -
indulgentes
• Insegurança parental – valorização social dos laços
consanguíneos;
• Pais não se sintam legitimados a assumir suas
funções de parentalidade e a determinar ordens
que contrariem a vontade do filho, sem temer que
este o abandone.
• fantasia de “roubo” do filho
53
Famílias adotivas -
indulgentes
•Características de adolescentes criados
sob um estilo indulgente: problemas de
comportamento, baixo rendimento
acadêmico; melhores índices de
comportamento pró-social = comum
também em adolescentes adotados;
54
Famílias adotivas -
indulgentes
• Super representação de adotivos em
amostras clínicas – baixo índice de
negligência dos pais, que oferecem atenção
e apoio aos problemas apresentados por
suas crianças e adolescentes.
• Os pais adotivos são menos omissos diante
das dificuldades dos filhos.
55
Conclusões
• Fornecer subsídios para que as famílias
adotivas possam qualificar suas estratégias
de ação, promover melhores índices de
adaptação, minimizar os receios, muitas
vezes infundados, sobre o ajustamento dos
filhos adotados e compreender que a
família é uma realidade social que interage
com a biologia, mas não se subjuga a esta.
56
Conclusões
•Encorajar os pais adotivos a assumir
suas funções de parentalidade (um
ambiente afetivo + um controle
protetivo) e preparados para apoiar os
filhos em tarefas importantes, como o
resgate de suas origens culturais e
biológicas.
57
Referência
• REPPOLD, C. T. E HUTZ, C.S. Adoção: Fatores de
Risco e Proteção à Adaptação Psicológica. In: HUTZ,
C.S. (org.) Situações de Risco e Vulnerabilidade na
Infância e na Adolescência – aspectos teóricos e
estratégias de intervenção. São Paulo: Casa do
Psicólogo, 2002.
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Adoção fatores de risco e proteção

  • 1. ADOÇÃO: FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO À ADAPTAÇÃO PSICOLÓGICA Profa. Ludmila de Moura 1
  • 2. Pesquisas • Últimas décadas – preocupação em descrever os processos de adaptaçãopsicológica de indivíduos diante de situações adversas ao desenvolvimento sócioafetivo • Adoção como situação de risco 2
  • 3. Pesquisas • Diversidade de resultados sobre a adaptação psicológica dos adotivos • Vulnerabilidade psicológica – similaridades nos índices de adaptação de adotivos e não-adotivos • Comportamento pró-social – adotados apresentam melhores resultados 3
  • 4. População clínica •Relativa super-representação dos adotivos na população clínica, especialmente na adolescência 4
  • 5. População não-clínica • Crianças e adolescentes adotados - maior risco de problemas emocionais e comportamentais 5
  • 6. Pesquisas: críticas • limitações metodológicas: • Intencionalidade e • Não representatividade da amostra Viés: - Pais adotivos tem maior cautela em relação ao ajustamento psíquico dos filhos 6
  • 7. Pais adotivos - São menos tolerantes e menos negligentes ante as dificuldades – encaminham com mais frequência a atendimento especializado - Resultado de pressão social – senso comum estabelece entre adoção e problemas? 7
  • 8. Adaptação psicológica • Steinberg (1999) = ausência de problemas psicossociais, os quais podem ser classificados em 3 categorias: • Problemas de internalização; • Problemas de externalização; • Abuso de substâncias. 8
  • 9. Problemas de internalização • São aqueles direcionados internamente e manifestos por meio de perturbações emocionais e cognitivas, tais como depressão, ansiedade, fobia, queixas somáticas. • são mais comuns na puberdade; • + Baixa auto-estima (Fergusson, Lynskey e Horwood, 1995) 9
  • 10. Problemas de externalização • São perturbações psicológicas voltadas para o exterior e evidenciadas por problemas de comportamento: - agressividade, hiperatividade etc • São mais comuns na infância. 10
  • 11. Investigações dos processos adaptativos • Historicamente – diferentes perspectivas • Primeiros estudos – análise dos fatores de risco que agravavam a vulnerabilidade individual • Pesquisas = ocorrência de eventos estressores, como a negligência e a ausência dos membros familiares 11
  • 12. Adaptação: estudos atuais • Visam não apenas à explicação das psicopatologias e dos distúrbios evolutivos, • Mas também os fatores protetivos que moderam a relação entre os riscos e o desenvolvimento dos sujeitos. 12
  • 13. Fatores protetivos • mecanismos descritos como processos que alteram o comportamento dos indivíduos em ambientes que predispõem a respostas mal adaptativas, possibilitando a adequação à situação adversa e a superação de prejuízos decorrentes de eventos passados (Rutter, 1987, 1993) 13
  • 14. Estudos sobre adoção •EVENTOS ESTRESSANTES • X •FATORES DE PROTEÇÃO 14
  • 15. Enfoque: Eventos Estressantes • Pesquisas – objetivo de determinar as psicopatologias relacionadas à adoção: • O abandono e a perda de referências da família de origem justificam, por si, a classificação dos filhos adotivos como uma população de risco. 15
  • 16. Enfoque: Fatores de proteção • Enfatizam, além da experiência de perda vivenciada pelo adotado: • Variáveis que desempenham um papel protetivo sobre o desenvolvimento – o autoconceito, as estratégias de coping utilizadas, as relações familiares e as condições socioculturais parentais. 16
  • 17. coping • Conjunto de esforços emocionais, cognitivos e comportamentais que os indivíduos utilizam para lidar com demandas internas ou externas que surgem ante situações adversas (Antoniazzi, Dell`Aglio e Bandeira, 1998) • Exemplos: busca de suporte social, distração, evitação cognitiva, busca de informação e modificação do evento estressor. 17
  • 18. Processos de proteção • Qualidades pessoais dos indivíduos bem adaptados = auto-estima e ausência de depressão = índice de saúde emocional; • Importância de elementos externos: aspectos familiares (como o estilo parental) e o apoio social. 18
  • 19. Estudos sobre adaptação e resiliência • Têm supervalorizados as variáveis externas, como condições sócioeconômicas e índices comportamentais de competência, como desempenho escolar. • Resiliência refere-se à capacidade dos indivíduos de superar as situações de risco vivenciadas 19
  • 20. Auto-estima • Refere-se à apreciação que os sujeitos fazem de seus próprios atributos • Medida global de auto-representação que implica um julgamento de valor afetivo do indivíduo sobre seus predicados pessoais • considerado com o principal indicador de saúde mental 20
  • 21. Auto-estima •Embora no início da adolescência os indivíduos sejam suscetíveis à maior inconstância dos sentimentos sobre si, a auto-estima tende à estabilidade ao longo do ciclo vital. 21
  • 22. Auto-estima: pesquisas • Indivíduos de maior poder aquisitivo ou do sexo masculino – apresentam níveis mais elevados de auto-estima; • Menor auto-estima entre o sexo feminino – as meninas apresentam menor satisfação com sua auto-imagem. 22
  • 23. Antecedentes e Consequentes da Auto-estima •Na adolescência – a alta auto- estima é vinculada principalmente à aprovação social e ao desempenho acadêmico 23
  • 24. Adolescentes adotivos •Dificuldades de adaptação de adolescentes adotivos: • relacionadas à questões de aprovação social – experienciou a não- aceitação da família biológica e, em muitos casos, a discriminação por ser adotivo. 24
  • 25. Preconceito sobre adoção • 28% de 410 adultos – acreditam que os adotivos sofrem preconceitos e que, “cedo ou tarde, apresentarão problemas de ajustamento psicológico” (Weber, 1999) • 70 % das mães adotivas investigadas relataram já ter vivenciados episódios de discriminação em razão da situação adotiva de seu(s) filho(s) (Reppold e Hutz, 2001) 25
  • 26. Ajustamento psicológico e adoção •A exposição a situações estressantes altera a auto-estima e a rede de apoio familiar, tornando os indivíduos mais vulneráveis a disfunções psicológicas (Rutter, 1987) 26
  • 27. Ajustamento psicológico e adoção • Pesquisas longitudinais – a maioria dos adotados tem baixa auto-estima. • A baixa auto-estima pode estar associada às adversidades do processo de crise de identidade inerente à adolescência; • A falta de conhecimento sobre sua origem genealógica dificulta o desenvolvimento da auto-imagem e da auto-estima dos adotados; 27
  • 28. Ajustamento psicológico e adoção •Perda de auto-referência: •troca do prenome na ocasião da adoção – maior problema com crianças adotadas tardiamente – negação da história pregressa e necessidade de reconhecer-se em uma nova identidade. •(Berry, 1992) 28
  • 29. Ajustamento psicológico e adoção • Outros estudos; • Não encontram diferenças significativas em relação à auto-estima nos grupos adotados e não- adotados. • Adolescentes de 16 anos, criados só por um dos pais biológicos, tem duas vezes menos auto-estima do que adolescentes adotivos ou criados por ambos os pais biológicos (Fergusson, Lynskey e Horwood, 1995). 29
  • 30. Ajustamento psicológico e adoção • Adoção internacional: os indivíduos adotados por famílias estrangeiras, em geral, desenvolvem uma auto-estima positiva. • Indicações de que adotados apresentam melhores índices de auto-estima do que outros não-adotados (Groze, 1992) 30
  • 31. Ajustamento psicológico e adoção •Estas pesquisas mostram que, em alguns casos, a adoção modera o risco de desadaptação psicológica que poderia haver, em potencial, na história pregressa do sujeito. 31
  • 32. Estilos parentais •Os comportamentos parentais influenciam a auto-estima dos adolescentes em geral, podendo atuar como um fator de risco ou de proteção ao desenvolvimento psicológico. •Pais afetivos são mais propensos a terem filhos com auto-estima positiva. 32
  • 33. Efeitos da auto-estima • a literatura descreve um impacto causal da auto-estima sobre diversos problemas de internalização, inclusive a depressão (Grotevant, 1998). • A auto-estima é um preditor dos sintomas depressivos (Nolen-Hoeksema, Girgus e Seligman, 1992) 33
  • 34. Depressão • Experiências estressoras, como o acúmulo de perdas, a exposição a julgamentos preconceituosos e os conflitos familiares, promove a diminuição da auto-estima e a emergência de sentimentos de desamparo e rejeição. 34
  • 35. Etiologia da depressão •Diversidade de hipóteses: •Modelos teóricos mais coerentes = integrar adversidades contextuais (eventos de vida estressores) a fatores biogenéticos. 35
  • 36. Depressão •distúrbio psicológico de maior prevalência na adolescência: •- amostras não-clínicas: •- meninos – 20 a 35 % •- meninas – 25 a 40 % 36
  • 37. Adolescentes adotados •Aumento do índice de problemas de comportamento e uma diminuição nos aspectos relativos à competência, contrário do que ocorre na população em geral. •Podem ser indício de uma “depressão mascarada” 37
  • 38. Adolescentes adotados • Resultados controversos – vulnerabilidade psicológica associada à adoção: • Pesquisas = não encontrada diferença quanto à depressão em adotivos e não-adotivos; • Crianças e adolescentes criados por sua família de origem apresentavam mais sintomas depressivos do que os adotados; 38
  • 39. Riscos de vulnerabilidade – dos adotados • Experiências de perda; • Vivências pré-natais; • História pregressa em instituições; • Desconhecimento de sua origem genealógica; • Problemas relacionados à identidade pessoal; • Dificuldades no processo de revelação da adoção; • Estigma social que envolve o processo adotivo. 39
  • 40. Experiências prévias dos adotivos • Em geral – história difícil, com recursos e estímulos escassos; • Crianças institucionalizadas, adotadas até o primeiro ano de idade, não apresentam problemas de comportamento (Bohman e Sigvardsson, 1980) • Diferenças no níveis de ajustamento psicológico entre adolescentes adotados são minimizadas com o passar do tempo; 40
  • 41. Predisposição genética • Pais adotivos tem menor propensão aos distúrbios psíquicos do que pais biológicos – oferecem melhores condições de adaptação aos adotados; • Pais adotivos apresentam menores índices de alcoolismo e criminalidade do que os pais biológicos; • Pesquisa com filhos adotivos - os efeitos congênitos da depressão são menores do que os efeitos ambientais; 41
  • 42. Fatores protetivos de depressão • Autopercepção positiva, • Competência social; • Bom rendimento escolar; • Apoio social percebido; • Responsividade e atitudes disciplinares dos pais. 42
  • 43. Estilos parentais • Características da interação entre pais e filhos; • Conjunto de expressões (comportamentos verbais e não-verbais) emitidas pelos pais durante as situações em que almejam a socialização de seus filho. 43
  • 44. Estilos parentais - duas dimensões: •Responsividade – oferta de assistência emocional e o respeito à individualidade do filho; •Exigência – supervisão e disciplina oferecidas pelos pais. 44
  • 45. Quatro estilos parentais • Autoritativo: alto grau de monitoramento e aquiescência; • Autoritário: disciplina rígida e pouco afetiva; • Indulgente: baixo nível de controle parental e alto nível de responsividade; • Negligente: pouca atenção e apoio e baixa imposição de regras ou limites. 45
  • 46. Estilos parentais e adaptação psicológica •Reppold (2001) – novas perspectivas na avaliação psicológica das famílias adotivas ao propor os estilos parentais como um fator moderador da adaptação dos adolescentes adotados; 46
  • 47. Avaliações psicodiagnósticas • não supervalorizarem a condição adotiva, mas considerarem a influência de outras variáveis socioculturais, como a interação familiar, as estratégias de socialização utilizadas pelos pais, o histórico da adoção, as experiências prévias e o apoio social. 47
  • 48. Padrões de socialização parentais •Filhos adotivos: percebem os pais adotivos como mais indulgentes; •Filhos biológicos: percebem os pais biológicos como mais negligentes. 48
  • 49. Pais adotivos • Alta frequência de estilos indulgente ou autoritativo: • Grande investimento afetivo que envolve a adoção; • Entrevistas de avaliação psicossocial – habilitação legal – refletir sobre motivação e expectativas quanto à parentalidade, às diferenças entre a afiliação adotiva e a biológica, quanto à história precedente da criança. 49
  • 50. Famílias adotivas - indulgentes •Tentativa de compensação das situações adversas vividas pelo filho, ou fantasiadas pelos pais?; 50
  • 51. Famílias adotivas - indulgentes •A permissividade parental pode ser uma estratégia (não muito assertiva) de (super)proteção dos pais, visando à demonstração de apoio e aceitação do filho no círculo familiar; 51
  • 52. Famílias adotivas - indulgentes • Idéia de compensação – representação de que a entrega à adoção implica necessariamente em falta de afeto e rejeição por parte da família biológica. • Doação do filho – motivos: • Morte ou psicopatologia dos cuidadores; • Falta de recursos econômicos; • Ausência do companheiro para criar a criança. 52
  • 53. Famílias adotivas - indulgentes • Insegurança parental – valorização social dos laços consanguíneos; • Pais não se sintam legitimados a assumir suas funções de parentalidade e a determinar ordens que contrariem a vontade do filho, sem temer que este o abandone. • fantasia de “roubo” do filho 53
  • 54. Famílias adotivas - indulgentes •Características de adolescentes criados sob um estilo indulgente: problemas de comportamento, baixo rendimento acadêmico; melhores índices de comportamento pró-social = comum também em adolescentes adotados; 54
  • 55. Famílias adotivas - indulgentes • Super representação de adotivos em amostras clínicas – baixo índice de negligência dos pais, que oferecem atenção e apoio aos problemas apresentados por suas crianças e adolescentes. • Os pais adotivos são menos omissos diante das dificuldades dos filhos. 55
  • 56. Conclusões • Fornecer subsídios para que as famílias adotivas possam qualificar suas estratégias de ação, promover melhores índices de adaptação, minimizar os receios, muitas vezes infundados, sobre o ajustamento dos filhos adotados e compreender que a família é uma realidade social que interage com a biologia, mas não se subjuga a esta. 56
  • 57. Conclusões •Encorajar os pais adotivos a assumir suas funções de parentalidade (um ambiente afetivo + um controle protetivo) e preparados para apoiar os filhos em tarefas importantes, como o resgate de suas origens culturais e biológicas. 57
  • 58. Referência • REPPOLD, C. T. E HUTZ, C.S. Adoção: Fatores de Risco e Proteção à Adaptação Psicológica. In: HUTZ, C.S. (org.) Situações de Risco e Vulnerabilidade na Infância e na Adolescência – aspectos teóricos e estratégias de intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. 58