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A expressão discípulo (=mathetés)
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  1. 1. Artigo faz paralelo entre democracia e espiritualidade cristã Página 12 Uriel Teixeira, pastor por vocação e metodista por opção Página 14 Crescendo com o Discipulado Liderança metodista compartilha a prática de ser e fazer discípulos Revista da Igreja Metodista no Estado do Rio de Janeiro Nº 38 • 3º Trimestre de 2013
  2. 2. Vivendo a prática do Discipulado Fazer discípulos é uma ordenança do Mestre Jesus. E a Igreja Metodista tem investido nessa prática. Na segunda edição do Congresso de Discipulado, realizado em junho, isso ficou mais evi- dente. Por ocasião desse evento, a revista Fé e Nexo decidiu trazer o assunto como capa desta edição. Além do bispo Paulo Lockmann, outros líderes compartilha- ram suas experiências nessa área. Em seu artigo, o bispo destacou já de início o investimento de Jesus nos discípulos, deixando um norte. “O Senhor agia a ensiná-los a viver segundo o propósito de Deus, tomava as mais diversas situa- ções da vida, e com simples figuras lhes ensinava o caminho a seguir”, declarou Lockmann em sua exposição. O foco é ter sempre Jesus como modelo. Segundo o coordenador re- gional de Discipulado, pastor Marcus Fraga, em artigo na página 6, o fato de a Igreja estar mais focada nessa tarefa nos últimos anos caracteriza, na verda- de, uma volta às origens. Ele, porém, observa que “o grande problema que enfrentamos neste processo vem sendo as distorções que têm acontecido no meio do povo de Deus”. Inclusive, ele destaca que o verdadeiro discipulado não está “no poder de fazer gente”, mas sim em transformar vidas, sociedades, cidades e nações. Ao compartilhar sua experiência com o discipulado, o pastor Ananias Lúcio da Silva, líder da IM em Barra Mansa, usou como base o princípio de transmissão de conhecimento e a prática cristã utilizados por Jesus e re- comendados pelo apóstolo Paulo ao jovem discípulo Timóteo. Segundo ele, se considerarmos o tema discipulado sob esse prisma, veremos que o desafio de discipular vidas está fundamentado na comunhão, convivência e comuni- cação do Evangelho. “O seu propósito deve ser a formação cristã daqueles que frequentam as igrejas, sem, contudo, descuidar-se dos desafios missionários que o envolvem, uma vez que a missão da Igreja é o resgate de vidas”, comen- tou o articulista. Para o pastor Rogério Oliveira, SD do Distrito de Macaé, o discipulado é uma tarefa de grande importância para o ministério pastoral. No entan- to, em sua experiência ministerial, ele percebeu, por onde passou, um certo desconhecimento das doutrinas e das organização básica da Igreja por parte da liderança local. Segundo o reveren- do, não resolver essa questão resultaria em conflitos na relação pastor-lideran- ça. Diante dessa constatação, ele sentiu a necessidade de fazer um trabalho de discipulado de lideranças. Nesta edi- ção, ele fala dos frutos dessa iniciativa. Aqui retratamos apenas algumas experiências com o discipulado. No entanto, sabemos que toda a Primeira Região, que tem uma meta de cresci- mento a alcançar, vem se dedicando à prática do ser e fazer discípulos. Que os trabalhos registrados nesta publicação sirvam de estímulos para que novas ini- ciativas focadas na geração de vidas em Cristo aconteçam. Sigamos o Mestre! Boa leitura! Nádia Mello Editora A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja O modelo de espiritualidade intimista que invade as livrarias e até mesmo a igreja é uma versão religiosa do individualismo narcisista da sociedade. Uma espécie de escapismo subjetivo que nos afasta da realidade e das verdades bíblicas. Publicado pela editora Ulti- mato, o livro traz quase 40 textos curtos, que levam o leitor a desenvolver o que há de mais verdadeiro no relacionamento com Deus, com o próximo e com nós mesmos. Em A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja, o pastor Ricardo Barbosa deixa claro que a espiritualidade cristã e bíblica reconhece a centralidade da cruz e encontra nos Evangelhos – na pessoa de Cristo – e na presença do reino de Deus sua forma e seu conteúdo. Uma preciosa coletânea de textos, organizados em três blocos temáticos – “Espiritualidade”, “Evangelho” e “Igreja” - que guiam o leitor pelos tortuosos caminhos da religiosidade dos nossos dias. Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília (DF). É colunista da revista Ultimato e autor de, entre outros, O Caminho do Coração e Identidade Perdida, ambos publicados pela Encontro Publicações. 2
  3. 3. Bispo da Primeira Região Eclesiástica Paulo Lockmann Conselho Editorial Coordenador Ronan Boechat de Amorim Selma Antunes da Costa Deise Marques, Nádia Mello Pablo Massolar Giselma Almeida Luiz Daniel do Nascimento Editora Nádia Mello (MT 19.333) Assistente de redação Camila Alves Carla Tavares Revisão Evandro Teixeira Fotos Arquivo pessoal Diagramação Estúdio Matiz Circulação: 11.000 exemplares Esta publicação circula como suplemento do Jornal Avante, não sendo, portanto, distribuída separadamente. Rua Marquês de Abrantes, 55, Flamengo, Rio de Janeiro – RJ – CEP 22230-061 Tel: (21) 2557-7999 / 3509-1074 / 2556-9441 Site: www.metodista-rio.org.br Twitter: @metodista1re Facebook: www.facebook.com/metodista1re 4 Condições bíblicas para o Discipulado 6 O Discipulado de que o mundo precisa 8 A prática do Discipulado na Igreja em Barra Mansa 10 MInistérip pastoral e Discipulado no Distrito de Macaé 12 O espírito democrático e a espiritualidade cristã 14 Uriel Teixeira, pastor por vocação e metodista por opção Calendário litúrgico: Tempo comum (2ª parte) Vivência do Reino A segunda parte do tempo comum, que também é o período mais longo, começa na segunda-feira após Pentecostes e dura até a véspera do Primeiro Domingo do Advento, quando tem início o Ciclo do Natal. Sua espiritualidade comemora o pró- prio ministério de Cristo em sua plenitude, principalmente aos domingos, e enfatiza a vivência do Reino de Deus e a compreensão de que os cristãos são o sinal desse Reino. Se na primeira parte do Tempo Comum a ênfase é o anúncio, na segunda é a concretização do Reino de Deus. Símbolos para o Segundo Tempo Comum Flores (sinalizando a Criação e a Nova Criação/consciência ecológica); Feixe de Trigo (sinalizando a colheita e os frutos da terra): a pesca / rede com peixes (sinalizando a mis- são do Reino); a mesa (representando a fartura e a comunhão); o triângulo (represen- tando o equilíbrio e a constância necessários ao cotidiano cristão); a coroa (sinalizando a consumação plena do Reino de Deus). Cor: verde 3
  4. 4. Condições bíblicas para o Discipulado A expressão discípulo (=mathetés) aparece nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos 269 vezes. Isso por si só nos dá um parâmetro de quão im- portante este tema é na vida e ministé- rio de Jesus. Não somente isso, Ele se dedicou à tarefa de formar discípulos. Veja o que Ele disse na oração sacer- dotal quando encerrava seu ministério: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti.” (Jo 17.6-7). Assim, desde o início do seu minis- tério, Jesus investiu nos 12 apóstolos e nos 70 discípulos (Lc 6.12-16; Lc 10.1). Sempre, com objetivo de ensi- ná-los a viver segundo o propósito de Deus, tomava as mais diversas situações da vida, e com simples figuras lhes en- sinava o caminho a seguir: “Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julga- mento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujei- to ao inferno de fogo.” (Mt 5.21-22); Ou mesmo: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as prati- ca será comparado a um homem pru- dente que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mt 7.24). Inclusive, Jesus fez severas exigências aos seus discípulos, as quais, hoje, andam meio esquecidas. Deixem-me recordar algumas delas. O discípulo irradia paixão por Cristo Nosso primeiro e decisivo compro- misso, como discípulos de Cristo, deve ser com Ele como Senhor e Salvador de nossas vidas. Devemos irradiar isso. Os sermões de Wesley e de Lutero são depoimentos e mensagens de corações apaixonados por Jesus e seu Evangelho. Paulo era radical quanto a isso. Veja- mos seu próprio depoimento: “Mas o que, para mim, era lucro, isso conside- rei perda por causa de Cristo. Sim, de- veras, considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimen- to de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, se- não a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte.” (Fp 3.7-10). Jesus mesmo deixou claro que Ele deve ser prioridade, ainda que nós, muitas vezes, não o coloquemos nesses termos. Ele mesmo disse: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26). Atenção, não significa que devamos ter animosidade contra nossos familia- res; ao contrário, ser discípulo é dever amor incondicional, até porque quere- mos imitar Cristo. Recordando que o maior obstáculo somos nós mesmos, nossos interesses pessoais. Para o discípulo Jesus é prioridade absoluta Vivemos em tempos de materialis- mo religioso. Explico. Trata-se de uma sociedade onde a grande prioridade é ter, possuir a corrida do consumo, é o grande anseio da alma das pessoas. O mercado tornou-se uma grande divin- dade; atender a suas exigências tornou- -se a grande cerimônia religiosa dos nossos dias. Alcançar o bem material desejado torna-se uma grande com- pensação. As igrejas se rendem a ele, a salvação é a prosperidade, é o possuir um negócio próprio, uma casa, um carro. Não consigo ouvir em nenhum dos testemunhos contemporâneos na televisão a genuína alegria de encon- trar Cristo, e a esperança da eternidade com Deus. Está tudo descrito em bens materiais. 4
  5. 5. Deus é instrumentalizado para o consumo, e, com isso, Ele, também, foi posto a serviço do mercado. Está certo isso? Estaria salva uma pessoa que tendo aceitado Jesus continuasse desempregada? Segundo algumas teo- logias, a resposta seria não. Mas qual é a teologia dos Evangelhos? Antes de responder, deixem-me citar o pastor David Wilkerson: “Acredite ou não, muitas pessoas de bem, que estão en- volvidas em realizar empreendimentos maravilhosos, não irão para o céu. Pior que isso. Muitos que se consideram cristãos e estão convencidos de que irão para o céu ficarão de fora, mesmo não estando envolvidos em pecados grosseiros como pornografia e outros moralmente condenáveis.”. O que tem a ver esta afirmação de David Wilker- son com o que falávamos? Simples, Jesus não é uma opção religiosa, entre diversas outras que o mercado oferece, quase sempre o con- ceito: O que eu ganho com isto? Jesus nos ensinou: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Por- ventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expeli- mos demônios, e em teu nome não fi- zemos muitos milagres? Então, lhes di- rei explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.22-23). A salvação no Evangelho pode ser a renúncia às posses, como foi no caso de Zaqueu (Lc 19.8-9). Aqui, fica cla- ro que é Jesus como autor da salvação que espera que tiremos do nosso cora- ção nossos ídolos. Aquilo que mais al- mejamos deve dar lugar a Ele. Zaqueu perdeu a riqueza para ganhar Cristo e a Salvação. O contrário do jovem rico (Lc 19.18-23). Por isso, a religião de Cristo rompe com o mercado e o con- sumo. Quantas vezes temos deixado de ofertar a missões e projetos sociais porque estamos economizando para comprar um vestido novo, um carro mais novo ou mesmo um aparelho de televisão? Ou como igreja local prio- rizamos uma guitarra nova a investir na congregação da periferia ou mesmo ajudar famílias mais carentes. Assim, o discípulo, sua salvação está relacionada à afirmação de Jesus no Ser- mão do Monte: “Buscai, pois, em pri- meiro lugar o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescen- tadas” (Mt 6.33). Sim, seguir o ensino de Jesus conforme viveu Paulo: “Logo já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20). O discípulo reconhece e escolhe a cruz A cruz é uma realidade. Ainda que alguns tentem escondê-la, ela é o maior símbolo do Cristianismo. Hoje, há tentativas de transformar a fé cristã numa religião da negação do sofrimen- to, exaltação, prazer e prosperidade. Mas o Cristianismo, embora considere alegria, prazer, prosperidade, frutos da vida cristã, não tem vergonha da cruz. Pelo contrário, a considera o poder de Deus. Não foge da cruz, mas a assu- me a cada dia. Afinal, foi esta a ordem de Jesus (Lc 9.23-24). Não escolher a cruz, nos termos das palavras de Jesus, é escolher o mundo, é perder a verda- deira vida. A expressão freqüente de Jesus aos discípulos foi segue-me. Somos segui- dores de Jesus, e isso significa andar com ele, andar nos seus caminhos e não nos nossos caminhos (Mt 11.29). Os discípulos estavam sempre em aprendizado com Ele. O verdadeiro discípulo nunca para de aprender de Jesus (Mt 5.1-2). Jesus deixa claro que segui-lo é andar em obediência à sua Palavra (Jo 8.31). Esse é também um caminho de bênção e de sentir o cui- dado do Senhor a nós: “Se permane- cerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” (Jo 15.7). Blibliografia: WILKERSON, David. Good Things That Keep People out of Heaven – Coisas boas que deixam as pessoas fora do Céu. Impressos: BONHOEFFER, Dietrich. Se não morrer, fica só. Lisboa: Editora Livraria Alegria, 1963. p. 90. Bispo Paulo Lockmann Bispo da Igreja Metodista no Estado do Rio de janeiro e presidente do Concílio Mundial Metodista Nosso primeiro e decisivo compromisso, como discípulos de Cristo, deve ser com Ele como Senhor e Salvador de nossas vidas. Devemos irradiar isso 5
  6. 6. O Discipulado de que o mundo precisa Graças a Deus, nesses últimos anos, nossa igreja tem voltado a cumprir o que Jesus nos ordenou: fazer discípulos. Isso nunca foi novidade para nós, metodistas. Simplesmente o que está acontecendo é a volta às origens. O grande problema que enfrentamos neste processo vem sendo as distorções que têm acontecido no meio do povo de Deus. Preste atenção! Quando Jesus diz que Ele é a videira e nós, os ramos, o que isso significa para nós? O que é ser frutífero para Jesus? Ou Infrutífe- ro? Muitos vão dizer que ser frutífero é juntar multidões, que está no poder de multiplicar pessoas, entendendo que isso é fazer “novos discípulos”. Fico pensando em Gálatas 5.22-26, que fala do fruto do Espírito. Vejamos: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bonda- de, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Es- pírito. Não sejamos cobiçosos de van- glórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.” Ah... Então, isso quer dizer que ser frutífero para Deus é ter as característi- cas de Jesus? Quero provocar essa refle- xão, meu irmão. Por que continuamos achando que discipulado está no poder de fazer gente? Muito pelo contrário, essa prática, na verdade, transforma gente, sociedades, cidades e nações. Não entendo discipulado, a não ser à luz da Palavra. Penso que é impossível discipular senão por meio da força e unção do Es- pírito Santo. Você pode me perguntar: “Mas como saber se estou sendo disci- pulado sob orientação do Espírito San- to?” Vejamos primeiro qual é a função do Espírito dita pelo próprio Senhor Jesus em João 16.7-8: “Todavia digo- -vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Conso- lador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.” Entendeu? Simples, não? Então, o verdadeiro discipulado que o mundo precisa não pode ficar somente no con- vencimento do pecado, mas também da justiça e juízo, porque sabemos que Jesus em breve buscará sua igreja. Unidade e parceria em torno do discipulado 6
  7. 7. Fico me perguntando se as mani- festações que vimos nas ruas por justi- ça não têm sido as pedras clamando... Cadê a justiça? O Espírito Santo mu- dou? Só se fala agora do pecado, da ri- queza e do poder? Misericórdia! Penso que nós, metodistas, temos uma heran- ça extraordinária a ser resgatada. E nestas linhas gostaria de compar- tilhar minha experiência a respeito do discipulado e sobre grupos pequenos e espero que seja útil. Ao refletir sobre o tema, fiz o seguinte questionamento: “Como vou falar para minha igreja que devemos abrir nossas casas para disci- pular se eu não abro a minha?” Procurei iniciar conforme aprendi: convidei três irmãos (trata-se de um discipulado para homens) para come- çar em minha casa, todas às segundas- -feiras, às 17h, um discipulado com café da tarde, onde tomamos um café e compartilhamos a Palavra. Que mo- mento simples e agradável! Bênção pura! Analisamos a mensagem pregada no domingo, verificamos em que ela pode nos afetar e como podemos ser melhores como servos de Deus. Você pode estar pensando: “Até aí tudo bem, nenhuma novidade...” Verdade, meu irmão. Mas quero compartilhar mi- nha alegria: em pouco tempo quatro homens se converteram, e passamos a reunir quase vinte! O mais impressio- nante que sem nenhum apelo emo- cional, promessas de riqueza, cura ou coisa parecida... Simplesmente por dar razão à Palavra de Deus. Simples as- sim... Depois de analisarmos a Palavra de Deus, volto-me para eles e pergunto se entenderam. Pergunto se tem algo que os impeçam de receber este Jesus Maravilhoso em suas vidas. Viva! A verdadeira conversão para mim vem de um coração que dá razão à Palavra de Deus e entende que não há outro caminho a não ser Jesus. Creio que a visão de crescimento do bispo Paulo Lockmann será uma realidade. E nada nem ninguém poderá nos parar! Mas lembrem-se: sem lavagem cere- bral, sem emocionalismo... Mas sim- plesmente por dar razão à Palavra. Foi assim com o eunuco, lembram? Como registra Atos 8.26-39: “E o anjo do SENHOR falou a Fi- lipe, dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta. E levantou-se, e foi; e eis que um ho- mem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração, regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro. E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse. E o lugar da Es- critura que lia era este: Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tos- quia. Assim não abriu a sua boca. Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; E quem contará a sua ge- ração? Porque a sua vida é tirada da ter- ra. E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o pro- feta? De si mesmo, ou de algum outro? Então Filipe, abrindo a sua boca, e co- meçando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus. E, indo eles caminhando, che- garam ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respon- dendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho.” O Evangelho do Senhor Jesus é sim- ples... O que o impede de falar da Pala- vra? O que o impede de dar razão à Pala- vra de Deus? Lembre-se: Tudo isso só vai surtir efeito se você estiver cheio do Espí- rito Santo de Deus. Ide e fazei discípulos! Marcus Fraga Pastor e coordenador regional do Discipulado O Evangelho do Senhor Jesus é simples... O que o impede de falar da Palavra? O que o impede de dar razão à Palavra de Deus? Lembre-se: Tudo isso só vai surtir efeito se você estiver cheio do Espírito Santo de Deus. Ide e fazei discípulos! Grupo de discipulado em confraternização 7
  8. 8. A prática do Discipulado na Igreja em Barra Mansa "E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros" (2 Tm 2.2). O princípio de transmissão de co- nhecimentos e a prática cristã, utiliza- dos por Jesus Cristo e recomendados pelo apostolo Paulo ao jovem discípulo Timóteo, nos últimos anos, vêm sendo largamente divulgados na Igreja Meto- dista. Ao longo desse tempo, tornaram- -se tema de estudos e reflexões, trazen- do desafios que, uma vez implantados, exigirão mudanças estruturais e com- portamentais, afetando ainda práticas e costumes enraizados em nossas igrejas e instituições. Se considerarmos o tema discipu- lado à luz dos ensinamentos de Jesus e na prática missionária dos apóstolos, veremos que o desafio de discipular vi- das está fundamentado na comunhão, convivência e comunicação do Evan- gelho. O seu propósito deve ser a for- mação cristã daqueles que frequentam as igrejas, sem, contudo, descuidar-se dos desafios missionários que o envol- vem, uma vez que a missão da Igreja é resgatar vidas. A prática do genuíno discipulado cristão sempre resultará na multiplicação de discípulos e discípulas. Para instruir e preparar os seus se- guidores, além de utilizar o método do discipulado, Jesus declarou o que espe- rava dos seus discípulos. Ele afirmou: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós tam- bém” (Jo 13.15). Se quisermos seguir os ensinamentos do Mestre, devemos fazer com que em nossas igrejas o prin- cipal objetivo seja tornar as pessoas se- melhantes ao Senhor. Seguir a Jesus e tornar-se seu discí- pulo não é uma opção, mas uma exi- gência do Senhor. Ele chamou e pre- parou discípulos para viver em comu- nidade, expressando de forma prática o Reino de Deus. O atendimento ao seu chamado resulta na produção de frutos de fé, amor, justiça e misericórdia, tudo à luz dos desafios propostos nos Evan- gelhos e exemplificados na caminhada missionária dos apóstolos. A prática do discipulado requer que o discípulo molde a sua vida de acordo com os padrões espirituais ensinados por Jesus. Isso exigirá um constante esforço para exercitar perdão e cami- nhar em obediência às ordenanças do Pai. Essa caminhada de aprendizado e dedicação à missão exigirá abnegação e priorização da causa cristã. Nesta li- nha de ensinamento, o Mestre alertou: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Na prática missionária da Igreja em Atos dos Apóstolos, percebemos que o discipulado, a intrepidez e a ousadia no anúncio do Evangelho foram algumas razões para o sucesso no cumprimento da Missão. O resultado desse método aprendido com Jesus foi um crescimen- to diário no número de seus discípulos (At 2.41; 5.14; 6.7). Os textos mostram que essa prática não se resume apenas em um programa a ser cumprido pela igreja local e, tampouco, um planeja- mento imposto a ela. Como ordenan- ça bíblica, o discipulado deve nortear todas as ações da Igreja, tornando-se A prática do discipulado requer que o discípulo molde a sua vida de acordo com os padrões espirituais ensinados por Jesus. Isso exigirá um constante esforço para exercitar perdão e caminhar em obediência às ordenanças do Pai. Essa caminhada de aprendizado e dedicação à missão exigirá abnegação e priorização da causa cristã 8
  9. 9. o seu “carro-chefe”, ou seja, principal razão de sua existência. Não se admite que a liderança das igrejas locais destine seus bens, patrimônio e força de traba- lho para fins que não sejam evangelísti- cos e missionários. Em geral, o discipulado na Igreja Metodista encontra-se em fase de con- solidação. A Igreja o reconhece como um método indispensável e eficiente, mas a execução ainda carece de unida- de e equalização. Os modelos utilizados pelas Regiões e igrejas locais se diversi- ficam, gerando uma infinidade de pos- sibilidades. Esse fato poderá ser visto como algo bom, se considerarmos que o processo depende de ajustes, até que chegue a um modelo aplicável à estru- tura da Igreja Metodista, respeitando, naturalmente, as experiências e diferen- ças regionais. A implantação do discipulado em uma igreja local passa por diversas etapas. No entanto, se não forem ob- servadas, poderá comprometer todo o processo. Quanto mais antiga for a comunidade local, maiores serão os desafios e dificuldades para a implan- tação do projeto. Isso porque seus pla- nejamentos, atividades, espaço físico e força de trabalho estão comprometi- dos com práticas e ações que há anos direcionam a sua caminhada. Assim, implantar as mudanças radicais que o discipulado exige será uma tarefa que demanda tempo para a transição, em- penho na formação de novos líderes e dedicação à nova visão e proposta de trabalho missionário. Na Metodista Central em Barra Mansa, Igreja atuante na cidade há 120 anos, não tem sido diferente. Estamos trabalhando há um longo período na implantação do projeto e formação de novos líderes, com objetivo de atender aos desafios de ser discípulo e discipu- lador. Para isso, elaboramos seminários, palestras, estudos semanais e mensa- gens sobre o tema. Promovemos tam- bém cursos e enviamos os interessados para encontros programados pelo Mi- nistério Regional de Discipulado além de criar na igreja local o Ministério de Discipulado. Como resultado dessas ações, im- plantamos os primeiros Grupos de Discipulado nos lares, que funcionam semanalmente em 12 pontos da cidade, e continuamos investindo na conscien- tização dos membros e na formação de novos líderes. No processo de im- plantação deste projeto missionário, as maiores dificuldades têm sido conse- guir a adesão dos membros e liderança, e conciliar a proposta com as demais atividades da igreja. O fato é que, salvo as exceções, a agenda das igrejas locais se encontra repleta de tarefas e compro- missos oriundos dos seus diversos ní- veis organizacionais. São programações que nem sempre privilegiam a missão da Igreja, ou seja, ganhar, consolidar, ensinar e enviar. Por fim, ressalto que, ao fazermos avaliações, não devemos comparar o discipulado praticado na Igreja Me- todista com experiências vividas por outros grupos religiosos. Tampouco importar modelos e costumes experi- mentados por outras comunidades sem considerar histórico, estrutura e con- texto em que o discipulado está sendo implantado. Sem dúvida, os resultados virão. Mas isso exigirá de todos - leigos e clérigos - cooperação mútua e trabalho árduo, até que alcancemos a promessa do Pai, que é de uma grande colheita de vidas. Ananias Lucio da Silva Superintendeste Distrital e pastor da IM em Barra Mansa Momento de aprendizado e crescimento por meio de um grupo de discipulado da Igreja Metodista em Barra Mansa 9
  10. 10. Ministério pastoral e Discipulado no Distrito de Macaé Sempre entendi, mesmo antes das decisões conciliares, que discipulado é uma tarefa importantíssima no minis- tério pastoral. Sem querer entrar no mérito da causa, na maioria das comu- nidades locais para onde fui designado, o desconhecimento das doutrinas e or- ganização básica da Igreja por parte da liderança local sempre foi uma lacuna no desenvolvimento das atividades pas- torais. Não resolver essa questão resul- taria em conflitos na relação pastor-li- derança, envolvendo, em sequencia, to- dos os demais membros da igreja local. Diante disso, surgiu a necessidade de discipular a liderança da igreja e de- mais interessados. Por conta disso, se- manalmente, todos os coordenadores e vice-coordenadores dos ministérios lo- cais são convocados para uma reunião com o pastor. Nesse encontro, temos a oportunidade, a partir dos documentos da Igreja, de discutir e aprofundar o modo metodista de pensar vários assun- tos do cotidiano religioso. Ao lado, unidade e parceria em torno do discipulado. Abaixo, alegria e festa por êxito no discipulado 10
  11. 11. A cada participante é distribuído uma pastoral do Colégio Episcopal, onde eles estudam e compartilham seu aprendizado. Nesse encontro, in- cluímos ainda noções de elaboração de sermão. Além disso, cada integrante fica responsável pela apresentação de um projeto pastoral para ser aplicado na igreja local a partir das necessida- des identificadas por eles próprios. No final do ano, além de estar apto a coordenar qualquer ministério local, o participante adquire conhecimento suficiente que o habilita a ser líder de pequeno grupo, professor da Escola Dominical e dirigente dos cultos regu- lares da igreja. Esse encontro tem a du- ração de um ano. A cada ano, porém, novas pessoas que apresentam carac- terísticas de liderança são convidadas para formar novos grupos. Para os membros que não com- põem a liderança, existem os grupos pequenos que se reúnem semanalmen- te para estudar. Os estudos são elabora- dos pelo pastor local e a coordenadora do Ministério de Ensino e Capacita- ção. Também utilizamos o material di- dático para discipulado oferecido pelas áreas nacional e regional. A liderança dos grupos pequenos se encontra toda a semana com o coordenador local do Ministério do Discipulado para análise e estudo dos temas que serão desenvol- vido nos grupos. IM Central em Macaé: três níveis de discipulado 1Discipulado do pastor com os lideres da igreja local ¬– Reunião se- manal com a liderança que compõe a Coordenação Local de Ação Missio- nária, onde tratamos de vários assuntos relacionados ao cotidiano da comuni- dade local e ministração de estudos com material fornecido pela área nacional. 2Discipulado dos líderes com os membros da igreja local – Reu- nião semanal, geralmente às quintas-feiras, onde 35 grupos, que variam de 10 a 30 pessoas, reúnem-se nos lares ou dependências da igreja local para estudos elaborados pelo pastor, Coordenação do Ministério de Ensino e Capacitação ou o material fornecido pela Sede Nacional ou Regional. 3Formação de leigos para o discipulado – Para a formação de discipuladores, o Ministério de Ensino e Capacitação recruta os inte- ressados, principalmente os que participaram do Encontro de Renovação Espiritual, e ministra um curso desenvolvido em três etapas: • Primeira etapa: São ministradas lições básicas do Cristianismo com ên- fase na formação do caráter do líder. O tempo de duração dessa fase é de quatro meses; • Segunda etapa: São ministradas lições básicas da Igreja Metodista com ênfase nos deveres e direitos do membro leigo. O tempo de duração dessa fase é de seis meses; • Terceira etapa: É ministrado o estudo sobre todas as pastorais emitidas pelo Colégio Episcopal com ênfase na formação de coordenadores de Mi- nistérios, professores da Escola Dominical, dirigentes de Células (grupos pequenos) e de culto. O curso é realizado todas às terças-feiras, com 40 participantes, onde cada um deles tem a oportunidade de estudar e com- partilhar entre si os assuntos pertinentes às Cartas Pastorais. Ainda é exigida a elaboração de um sermão bíblico e a apresentação de um projeto pastoral que seja viável na comunidade local a partir das dificuldades ministeriais apresentadas pelo próprio discipulando. Anualmente também é realizada a formatura desses leigos. Além disso, é acontece o encontro de todos os dirigentes e participantes das células para celebração e descoberta de talentos. Pastor Rogério Oliveira Superintendente Distrital de Macaé Na maioria das comunidades locais para onde fui designado, o desconhecimento das doutrinas e organização básica da Igreja por parte da liderança local sempre foi uma lacuna no desenvolvimento das atividades pastorais. Não resolver essa questão resultaria no conflito na relação pastor-liderança 11
  12. 12. O espírito democrático e a espiritualidade cristã 12
  13. 13. A democracia na civilização pós- -moderna vem se ajustando a novas formas e conceitos. Ela não está mais limitada apenas à esfera política e às re- lações entre o povo e seu governo, mas vem se expandindo em todas as áreas de relacionamentos. Ser democrático é saber respeitar e acolher as diferenças; não impor ne- nhuma forma de pensamento ou con- ceito; não ser absoluto em nenhuma afirmação; não exercer nenhum tipo de autoridade ou exigir qualquer forma de fidelidade. A nova democracia vem deixando de lado sua relação histórica com as grandes verdades públicas para se identificar com as opções privadas. Na sociedade pós-moderna cada um quer ter garantido seu direito à privacida- de. Este é o grande valor da democracia hoje. Isso significa não apenas que pode- mos escolher a forma como iremos viver (e isso não diz respeito a mais ninguém, apenas a mim). Cada um escolhe o que quer, como quer e quando quer. Isso sig- nifica que podemos escolher também um deus e uma forma particular de viver a fé que seja só minha e sobre a qual eu não tenha de dar satisfação a ninguém. Enquanto a democracia permane- ce circunscrita ao terreno das grandes questões públicas, dando forma ao Estado e às relações entre os poderes constituídos, ela permanece como um modelo político que garante a liberda- de e a soberania de um povo e uma na- ção. No entanto, quando ela se reduz a este espírito democrático individualis- ta, acaba promovendo uma espécie de zoológico social, cuja liberdade só se dá na jaula em que cada um vive sua priva- cidade. Com isso, privamos a sociedade das bênçãos da vida comunitária. O que aconteceria se permitíssemos que nossos filhos aprendessem na esco- la que 2+2=5 ou que a lei da gravidade é um conceito relativo que depende da fé de cada um? Esses conceitos não são privados, e dependemos deles. Para a nossa segurança. A bênção do conheci- mento nunca foi um privilégio restrito aos cientistas, mas compartilhada com toda raça humana. Contudo, por causa desse espírito democrático individualis- ta, somos tentados a pensar que a re- velação de Deus, seus propósitos para o ser humano e para toda a criação, os mandamentos espirituais e morais são privados e não devem ser compartilha- dos com a sociedade, mas cultivados apenas na jaula religiosa de cada um. Nada, porém, é mais social do que a fé. Os votos que fazemos diante de Deus no batismo, casamento ou ordenação têm profundas implicações sociais. A confissão de que Jesus Cristo é o Filho de Deus encarnado, que morreu pelos nossos pecados, ressuscitou no terceiro dia, e virá outra vez para estabelecer de- finitivamente seu Reino de paz e justiça tem profundas implicações sociais. Afir- mar que a Bíblia é a Palavra de Deus e a revelação do seu amor e propósitos para a raça humana também tem profundas implicações sociais. Ser democrático é reconhecer o direito que todos têm de compartilhar o conhecimento. E isso inclui compartilhar as verdades reden- toras do Evangelho de Cristo. Não crer em Deus e não amá-lo de todo coração e entendimento conduz o ser humano a um estado de solidão e alienação no qual ele acaba perdendo os referenciais. Sem Deus, o homem é entregue a si mesmo e caminha, lenta- mente, para a desilusão da sua insensa- tez. Se o sentido da existência humana permanece trancado na jaula do indi- vidualismo, que esperança pode haver para a humanidade? O narcisismo indi- vidualista tem produzido seus próprios deuses, como Mamon, que inspira a ambição; ou Afrodite, que inspira a sensualidade. São deuses que nascem nas jaulas do individualismo. A cultura pós-moderna clama por um Redentor que a redima das armadi- lhas que ela mesma criou. Um Salvador que a salve dos desejos egoístas, culti- vado na solidão ansiosa da privacidade, para uma vida de renuncia e doação. Um libertador que a livre da sedução de querer ser seu próprio Deus. Precisamos lutar por uma democracia que garanta a todos o direito de conhecer a verdade que liberta e por um Cristianismo cheio de paixão por Deus e pelo ser humano, criado à sua imagem e semelhança. Não crer em Deus e não amá-lo de todo coração e entendimento conduz o ser humano a um estado de solidão e alienação no qual ele acaba perdendo os referenciais. Sem Deus, o homem é entregue a si mesmo e caminha, lentamente, para a desilusão da sua insensatez Ricardo Barbosa de Sousa Pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto. Texto extraído do livro A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja 13
  14. 14. No dia 16 de julho de 1941, nas- cia, em Raul Soares (MG), Uriel Teixei- ra. Seus pais, evangelista João Teixeira da Silva e Augusta Rodrigues da Silva, eram metodistas e tiveram mais três filhos: João, Bárbara e Levingston Tei- xeira. A primeira menção sobre o pasto- rado em sua vida surgiu em resposta a uma promessa feita por sua mãe quan- do, aos 5 anos de idade, ele contraíra té- tano. “Se Deus o livrasse da doença, ele seria pastor”, disse ela. O Senhor ouviu a oração da serva de Deus. O tempo passou. E numa noite de 1958, quando frequentava a Igre- ja Metodista em Barra Mansa, Uriel, já adolescente, sentiu-se chamado por Deus quando o pastor Daniel Bonfim falava sobre o chamado de Abraão (Gn 12). Ali, ele decidiu fazer a profissão de fé e, no ano seguinte, ingressou no Instituto Metodista Granbery (MG) para iniciar os estu- dos. Em 1965, ele con- cluiu Faculdade de Teo- logia de São Paulo. No ano seguin- te, Uriel recebeu do bispo Natanael Ino- cêncio Nascimento (1ªRE) sua primeira nomeação pasto- ral. Ele passou pelas igrejas de Búzios, Manguinhos e Baía Formosa, esta na Região dos Lagos (RJ), onde perma- neceu por um ano. “Sempre que estou em Búzios sou apresentado nas igrejas como o primeiro pastor residente na ci- dade. Antes, os outros vinham de Cabo Frio”, comentou ele. Durante seu pastorado na Região dos Lagos, a Igreja Central de Búzios, que ficava na Praia dos Ossos, recebeu da Companhia Odeon a doação do terreno, onde ela funciona atualmente. Hoje, a igreja na Praia dos Ossos é con- siderada histórica. Uriel foi ainda um dos responsáveis pela fundação, anos mais tarde, do primeiro curso supleti- vo na colônia de pescadores da cidade, ao lado das professoras Osmara e Osni Massolar Chaves. Na época de sua nomeação para as igrejas de Itaocara, Laranjais, Vargem Alegre, Água Preta e Valão do Barro, Uriel sentiu que precisava aprofundar seus estudos teológicos. Com a reco- mendação do reverendo Nilton de Oli- veira Garcia, ele foi contemplado com uma bolsa de estudos em Buenos Ai- res. Ao retornar ao Brasil, em 1970, foi Uriel Teixeira, pastor por vocação e metodista por opção Uriel Teixeira: uma vida de dedicação ao ministério 14
  15. 15. então nomeado para a Igreja de Gua- rus, em Campos (RJ). Seis meses mais tarde, substituindo o missionário Ted Cowell, que saíra de férias, foi para a Igreja Central de Itaperuna. Na mesma época, auxiliou nos trabalhos da IM de Porciúncula. Um ano depois, Uriel pediu licen- ça. Durante o tempo em que ficou afastado, procurou avaliar seu chama- do para o ministério, permanecendo na casa de sua mãe, em Barra Mansa, até 1975. Na época, ele lecionava as maté- rias de Estudos Sociais, OSPB, Moral e Cívica e Sociologia na cidade. Nesse período, complementou sua formação em Filosofia e foi coadjutor do reveren- do James Tims em Volta Redonda e do pastor Eugênio Sias, na Igreja Central em Barra Mansa e na de Vila Nova. Em 1973, Uriel foi nomeado para as igre- jas Central de Resende e Macedônia e como capelão protestante dos cadetes da Academia Militar de Agulhas Ne- gras (Aman). Em 1974, Uriel precisou se afas- tar do magistério e do pastorado por problemas nas cordas vocais, sofrendo cinco intervenções cirúrgicas, sem êxito total. No ano seguinte, foi convidado para auxiliar na criação de um serviço de orientação religiosa no Bennett pelos reverendos Messias Amaral dos Santos, na ocasião diretor do Bennett, e Assir Goulart. Também ajudou na formação do Departamento de Teologia, sendo convidado pelo pastor Juracy Sias Mon- teiro para assumir as cadeiras de Histó- ria da Igreja e de Metodismo no Semi- nário Metodista César Dacorso Filho. De 1975 a 1984, Uriel Teixeira pas- toreou várias igrejas da 1ª RE, sendo cedido em 1985 apenas para o Semi- nário César Dacorso, que dirigiu em 1982 e no período de 1988 a 1994. Na década de 80 também trabalhou como obreiro no Instituto Metodista de Ação Social (Imas) com Livingstone dos Santos Silva e depois com o pastor Isaías Mendes, retornando ao Bennett em 1988 a convite de Livingstone. Participou ainda, como coordenador, da reestruturação do Departamento de Teologia e de Filosofia das Faculdades Integradas de Brasília (FIB). Em 1988, Uriel retomou o pastorado, na Igreja Metodista de Mutuá, onde permane- ceu por 13 anos. No Instituto Bennett, lecionou nos cursos de Economia, Artes, Adminis- tração, Direito e Arquitetura, dando aulas de Antropologia, Ética e Teologia e Cultura. Auxiliou também na criação dos cursos de Filosofia, na fundação da Faculdade de Cultura e Existencialida- de (Face), voltada para a terceira idade, e na transformação, em 1994, do anti- go Seminário Metodista em curso ba- charel de Teologia. Em nível regional, foi integrante da Comissão de Conva- lidação, que analisa academicamente os pedidos de ingresso no ministério pas- toral, e trabalhou junto aos Jovens. Uriel foi ainda conferencista de 1993 a 1995, na área de Ciências So- ciais e Filosofia da Universidade Esta- dual do Rio de Janeiro (Uerj), e tem sua última conferência sobre História do Protestantismo com enfoque no Brasil gravada no Museu da Imagem e do Som. Uriel é coautor, ao lado de Livingstone dos Santos Silva e Lincoln Araújo dos Santos, do livro Democra- cia, participação e voto distrital, so- bre Ciências Políticas. Ele é autor do compêndio sobre História da Teologia Metodista, usado nos Núcleos de Ca- pacitação. Ele escreveu o livro Teologia e História do Metodismo: Uma reflexão Latino-americana, publicado em 2011. E uma obra sobre a História das Reli- giões, está em fase de produção. Uriel também foi responsável pela tradução do livro Pelas trilhas do mundo, a ca- minho do Reino, do teólogo uruguaio, Júlio Santana. Casado com Ruth de Souza Teixei- ra, Uriel tem três filhos e cinco netos. Eles ainda criaram um casal de sobri- nhos. Uriel conheceu a esposa em Mata da Cruz, Campos (RJ). Metodista, mas de origem batista, Ruth é professora primária aposentada com formação em Educação Cristã. Atualmente Uriel está sem igre- ja local, mas integra há vinte anos os projetos do Núcleo de Capacitação, coordenando a área de História do Me- todismo, dando aulas no curso de Ensi- no Religioso. Ele é professor do Curso Teológico Pastoral (CTP) e do Curso de Diaconato e Práticas Pastorais. “Sou pastor por vocação e metodista por op- ção. Amo a Igreja Metodista, a quem devo tudo. Isso, para mim, é uma bên- ção permanente. Sou grato a Deus pelos meus companheiros de pastorado, por quem tenho grande apreço e amizade, pelas minhas igrejas e por meus alunos de teologia, com quem aprendo a cada dia. ‘E até aqui o Senhor tem me ajuda- do e o melhor de tudo é saber que Deus está conosco’. Maranata!”, concluiu ele. Reedição de matéria de Beatriz Rocha. 15

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