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12A Deus.A todas as pessoas que, assimcomo eu, são apaixonadas pordesign e pela fotografia.
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15RESUMOEste trabalho pretende estudar a fotografia desde o seu surgimento até os dias atuais,levando em consideração o se...
16ABSTRACTThis work intends to discuss photography from origin to nowadays, considering itmain purpose, its influences and...
17SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO........................................................................................................
18Sousa, Luciana SantosO Fotolivro e a mudança no paradigma da linguagem fotográfica/ Luciana Santos Sousa. – São Luís, 20...
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20No terceiro capítulo comentar-se-á sobre um grande marco na história da fotografia,que é o instante fotográfico e, també...
212 ORIGENS DA FOTOGRAFIADepois de séculos de tentativas e experimentos, a fotografia nasce com o objetivo deaperfeiçoar o...
22Quase dez anos mais tarde Louis-Jacques Mandé Daguerre lançou o daguerreótipo,processo em que uma placa de cobre pratead...
23fotografia, o enquadramento perfeito, realidade da pintura, deixou de existir, não se excluíamais componentes da cena qu...
24Segundo (BERNARDO, 2002),pesquisadores da Universidade Paris-Sud encontraram uma forma de produzir umfilme fotográfico d...
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26E como nesse tempo quase não existia recursos para impressão gráfica, Florencerealizou várias pesquisas para encontrar f...
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29até então usadas como acessórios do texto. Entre os principais nomes desse período estão JeanManzon, Luiz Carlos Barreto...
301981 – Sebastião Salgado é o único profissional a documentar a tentativa de assassinato dopresidente norte-americano Ron...
314 DA IMAGEM CONGELADA NO TEMPO AO INSTANTE FOTOGRÁFICODesde o surgimento da fotografia, sempre houve certa rivalidade co...
32Com isso, pintores como Tolouse-Lautrec (1864-1901) e Edgar Degas (1834-1917)aderiram a novidade e se destacaram inovand...
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40Talvez a maior contribuição da fotografia para o cinema tenha sido a prática dafotografia instantânea. Daí em diante, fo...
41do efeito foi até de certa forma simples, entretanto exigiu um pouco de trabalho parapassá-la do plano teórico ao plano ...
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44[...] não apenas quanto à aptidão da fotografia para a descrição topográfica efisionômica, mas também quanto à facilidad...
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52Semiconductor). Segundo (NOVACON, 2007), no CCD cada pic (sinal elétrico gerado noponto da “placa” sensível (substrato) ...
53- integrados (chips), sendo a decodificação inclusive mais fácil, pois o sinal já sai digital noprimeiro estagio;- propo...
54 A área de exibição de um monitor LCD é maior, já que nos monitores CRT a carcaçacobre as bordas do tubo de imagem. Iss...
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56pixels pode ter uma escala de cinza ou uma cor. Utilizando-se 24 bits de cor, cada pixel podeassumir qualquer uma das 16...
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58O formato GIF (Graphics Interchange Format) é muito usado na Internet para artes edesenhos. Armazena apenas imagens RGB ...
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O FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEM FOTOGRÁFICA
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Este trabalho pretende estudar a fotografia desde o seu surgimento até os dias atuais, levando em consideração o seu objetivo primordial, suas influências e suas evoluções, analisar temas como sua origem, o instante fotográfico, a fotografia como arte, como ela influenciou a sociedade no cotidiano, a fotografia como artefato e a natureza da imagem digital.

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O FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEM FOTOGRÁFICA

  1. 1. 9UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃOCENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIASCURSO DE DESENHO INDUSTRIALLUCIANA SANTOS SOUSAO FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEMFOTOGRÁFICASão Luís2007
  2. 2. 10LUCIANA SANTOS SOUSAO FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEMFOTOGRÁFICAMonografia apresentada ao Curso de DesenhoIndustrial da Universidade Federal doMaranhão, para obtenção do grau de Bacharelem Desenho Industrial.Orientadora: Prof. ª Raquel NoronhaCo-Orientador: Prof.° Dr. Anselmo CardosoPaivaSão Luís2007
  3. 3. 11LUCIANA SANTOS SOUSAO FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEMFOTOGRÁFICAMonografia apresentada ao curso de graduação deDesenho Industrial da Universidade Federal doMaranhão, para obtenção do grau de Bacharel emDesenho Industrial.Orientadora: Prof. Raquel NoronhaCo-Orientador: Prof. Dr. Anselmo PaivaAprovado em: / /BANCA EXAMINADORAProf.° Dr. Anselmo Cardoso de Paiva (Co-Orientador)Doutor em InformáticaProfº. Esp. Francisco de Assis LoboEspecialista do Departamento de Desenho e TecnologiaProfª. Raquel Gomes Noronha (Orientadora)Professora Especialista
  4. 4. 12A Deus.A todas as pessoas que, assimcomo eu, são apaixonadas pordesign e pela fotografia.
  5. 5. 13AGRADECIMENTOSAo autor da minha vida, Jesus Cristo, que tem me cercado diariamente com Suafidelidade, não me deixando desistir.Aos meus pais, Edmilson e Ana, pelo amor, incentivo e por tudo que fizeram para queeu chegasse aonde cheguei.Ao meu irmão, Ulysses, pelo apoio e companheirismo.Aos amigos: Marcelo, pelas dicas, Guto Carvalho, pela ajuda que chegou na horacerta, Maycon, pelos momentos que me socorreu, Denise, por toda força nas horas precisas.A todos os amigos que me incentivaram, apoiaram-me e lutaram junto comigo aolongo desses anos.À Prof.ª Raquel, minha orientadora, que me deu a maior força e me acompanhou nessafase tão importante da minha vida.Ao Prof.° Dr.Anselmo, meu co-orientador, pelos momentos de auxilio e aprendizado.
  6. 6. 14“A fotografia não apenas reproduz oreal, recicla-o – um procedimentofundamental numa sociedade moderna.Na forma de imagens fotográficas,coisas e fatos recebem novos usos,destinados a novos significados, queultrapassam as distinções entre o belo eo feio, o verdadeiro e o falso, o útil e oinútil , bom gosto e mau gosto.”Susan Sontag
  7. 7. 15RESUMOEste trabalho pretende estudar a fotografia desde o seu surgimento até os dias atuais,levando em consideração o seu objetivo primordial, suas influências e suas evoluções,analisar temas como sua origem, o instante fotográfico, a fotografia como arte, como elainfluenciou a sociedade no cotidiano, a fotografia como artefato e a natureza da imagemdigital.Abordar-se-á a mudança de paradigmas na linguagem fotográfica, desde os processoscom as chapas de prata até o advento da fotografia digital. A fotografia digital contribuiu paraque as pessoas aumentassem o número de cliques, deixando para trás o papel fotográfico einvadindo os computadores e sites pessoais, mas com a vantagem que qualquer pessoa domundo pode visualizá-las. Em contrapartida, com toda essa tecnologia, foi-se perdendo oantigo costume de manusear as imagens impressas.Mas o mercado fotográfico tem crescido muito nos últimos cinco anos, designers têminvestidos em produtos, já existentes, atribuindo a fotografia como elemento fundamental pararenovar a estética, torná-lo exclusivo, e até mesmo, abrir novos caminhos para fotografiadigital, além do computador. E o produto que vêm sendo mais requisitado pelos clientes é oFotolivro, o qual será alvo de discussão, observando seus aspectos semânticos, simbólicos eestéticos a partir do advento da fotografia digital e como ele tem sido a nova tendência nomercado fotográfico.Palavras-chave: fotografia, paradigmas, fotografia digital, fotolivro
  8. 8. 16ABSTRACTThis work intends to discuss photography from origin to nowadays, considering itmain purpose, its influences and its developments; to analyse themes like origin, moment ofclick, photo like art, how its influenced society in nowadays, photo like workmanship andnature of digital image.It will discuss changes of patterns in photo language, from process with silver foil to arrival ofdigital photo. Digital photo has been motivated increase of clicks, making people to forsakephoto paper and it entered on web and personal computer, with a advantage that people cansee them everywhere. On the other hand, because of this tecnology, people have abandonedold-fashioned customs of using primed image.Nevertheless, photo market improved so much last five years. Designers have been investedin products which existed before, giving photo main element to renew esthetics, becoming itexclusive and openning new ways to digital photo beside of computer. Between thereproducts, photobook is the most required by clients and it will be the subject of discussion,considering semantic, simbolic and esthetics aspects, from arrival of digital photo and how ithas been new tendency photo market.Word-key: photography, paradigms, digital photography, photobook
  9. 9. 17SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO........................................................................................................92 ORIGENS DA FOTOGRAFIA ............................................................................113 HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA NO BRASIL....................................................153.1 Dom Pedro II e Dumond .......................................................................................163.2 Cronologia do Advento da Fotografia no Brasil .................................................174 DA IMAGEM CONGELADA NO TEMPO AO INSTANTEFOTOGRÁFICO ...................................................................................................214.1 A Fotografia como Arte.........................................................................................235 INFLUÊNCIAS FOTOGRÁFICAS NA ESTÉTICA.........................................255.1 A Influência da fotografia no cotidiano ...............................................................255.2 A Influências da fotografia no Cinema ................................................................285.3 Álbuns de Fotos de Família e o Papel Social da Fotografia................................315.3.1 Instantâneo .............................................................................................................315.3.2 Crianças ..................................................................................................................325.4 A Fotografia como Artefato ..................................................................................336 A NATUREZA DA IMAGEM DIGITAL ...........................................................366.1 Resolução ................................................................................................................376.2 Cor...........................................................................................................................386.3 Captura ...................................................................................................................416.4 Visualização ............................................................................................................436.5 Armazenamento .....................................................................................................456.5.1 Compressão de Arquivos.......................................................................................466.5.2 Formatos de Arquivos ...........................................................................................476.6 Processamento ........................................................................................................497 A FOTOGRAFIA DIGITAL ................................................................................507.1 Analógica x Digital.................................................................................................557.2 Depoimentos de Fotógrafos...................................................................................578 O FOTOLIVRO E A MUDANÇA NA LINGUAGEM FOTOGRÁFICA .......598.1 Fotoprodutos...........................................................................................................628.2 Fotolivro..................................................................................................................639 CONCLUSÃO ........................................................................................................70
  10. 10. 18Sousa, Luciana SantosO Fotolivro e a mudança no paradigma da linguagem fotográfica/ Luciana Santos Sousa. – São Luís, 2007.75f.Impresso por computador (fotocópia).Orientador: Raquel Noronha.Co-Orientador: Anselmo Cardoso Paiva.Monografia (graduação) – Universidade Federal do Maranhão,Curso de Desenho Industrial, 2007.1. Fotografia – Paradigmas 2. Fotografia Digital 3. Fotolivro I.Título.CDU 77
  11. 11. 191 INTRODUÇÃOO homem sempre procurou alguma forma de reproduzir sua imagem. Mesmo na épocadas cavernas eles já traçavam alguns desenhos nas paredes para expressar suas idéias eanseios.Esse desejo de registrar imagens levou várias pessoas a tentarem inventar algum meioque capturasse a imagem humana, de maneira que pudessem registrar na lembrança, a suaprópria existência.Surgiu a pintura, técnica a qual poucas pessoas tinham acesso, por ser cara e pelademora no seu processo. Depois de séculos de experimentos, nasce a fotografia como umagrande novidade, para revolucionar os métodos de impressão no papel. A fotografia aparecepara provar que algo existe, para gravar uma cena real em imagem estática e, também, paraprojetar a imagem humana. Temos os famosos retratos de família da grande burguesia do finaldo século XIX e início do século XX como os paradigmas fotográficos de outrora. Foi, semdúvida, a primeira manifestação artística a surgir dentro do sistema industrial.Mas, com o passar dos anos, paradigmas foram sendo construídos, edificando umalinguagem fotográfica que, com o avanço da tecnologia, e conseqüentemente, com novasdescobertas, esses mesmos paradigmas vêm sendo quebrados e mudados de maneirasurpreendente.Este trabalho pretende, de modo analítico, contribuir para o estudo da fotografia desdea sua invenção até os dias de hoje, comparando essa mudança no modo de ver a fotografiacomo arte, como artefato e como objeto de trabalho. Com um mercado aquecido por essarevolução tecnológica, os produtos se multiplicam. Nosso caso de estudo é a análise de umproduto contemporâneo: o Fotolivro. Inserido neste “sistema de objetos”, o Fotolivro provocao desejo de ele próprio ser possuído, e aumenta a dinâmica da distribuição de imagens naatualidade.Para isso, analisar-se-á o produto Fotolivro em seus aspectos semânticos, simbólicos eestéticos a partir do advento da fotografia digital, discutindo o uso da fotografia na sociedadecontemporânea para que se possa entender as características mercadológicos da fotografiaenquanto um artefato.Assim, o trabalho se dividirá em sete capítulos obedecendo a uma ordem cronológica.No primeiro e segundo capítulos abordarão as origens da fotografia, analisando seusinventores e idealizadores, e também suas origens a nível nacional.
  12. 12. 20No terceiro capítulo comentar-se-á sobre um grande marco na história da fotografia,que é o instante fotográfico e, também, discutir um fato que vem sendo questionado até osdias de hoje: a fotografia como obra de arte, levando em consideração opiniões de escritoresque contribuíram significativamente para o tema, como Susan Sontag e Walter Benjamin.Já no quarto capítulo será estudado como a fotografia influenciou, e influencia, aestética e o cotidiano da sociedade, incluindo o fotojornalismo, o cinema, os álbuns de fotosde família e o papel social da fotografia, e ainda a fotografia como artefato, tópico no qualserá debatido os pontos de vista de autores com Jean Baudrillard, Vilém Flusser, entre outros.O surgimento da Imagem Digital será discutido no capítulo cinco, no qual serárelatado as informações relevantes para o tema em debate, como a sua natureza, resolução,cor, captura, visualização, armazenamento e processamento. Serão, ainda, abordadosconceitos importantes para o entendimento do advento da Fotografia Digital, cujascaracterísticas e conceituação serão tratadas no capítulo seis. Aqui, abordar-se-á, como afotografia tornou-se acessível, gerando um prazer em fotografar entre muitas pessoas, quais asvantagens que ela trouxe e as últimas novidades sobre fotografia. Também se verá asdiferenças entre a fotografia analógica e a digital, e pra finalizar, uma entrevista com trêsfotógrafos profissionais, daqui de São Luís (MA), falando de suas experiências na fotografia ecomparando esses dois tipos de tecnologia.E no último capítulo, far-se-á um estudo pormenorizado sobre a nova linguagemfotográfica, os paradigmas que foram quebrados, e outros que foram resgatados, como atransformação dos álbuns de fotografias tradicionais aos fotologs e os tipos de álbuns virtuaisna era digital. O estudo também mapeará os novos produtos que têm surgido com a integraçãoda fotografia a eles, e o Fotolivro, um livro de fotos personalizado ao gosto do cliente, sendoapontando como a nova tendência quando se fala em fotografia digital.
  13. 13. 212 ORIGENS DA FOTOGRAFIADepois de séculos de tentativas e experimentos, a fotografia nasce com o objetivo deaperfeiçoar os métodos de impressão no papel, o que até então só se conseguia através daxilogravura. Etimologicamente, a fotografia se define como “a arte de escrever com a luz”; “éa luz que determina a qualidade da foto, através do conceito de exposição, isto é, da relaçãoentre a quantidade de luz e o tempo de sua incidência sobre o material sensível. Definida pelafórmula “E=it”, a exposição (E) é igual ao produto da intensidade da luz (i) pelo tempo deincidência (t)”. (BERNARDO, 2002)Ao mesmo tempo, a fotografia surge como uma obra de arte, gerando umaconcorrência natural entre pintores e fotógrafos.Durante um século, a defesa da fotografia se identificou com a luta para estabelecê-la como uma bela-arte. Contra a crítica de que a fotografia era uma cópia mecânica esem alma da realidade, os fotógrafos alegavam que se tratava de uma revolta davanguarda contra os padrões comuns da visão, uma arte tão digna quanto a pintura.(SONTAG, 1977, p.143)Em meados de 1727 o alemão John H. Schullze descobriu que os sais de prata eramsensíveis à luz. Uma descoberta que, apesar de não ir muito longe, ajudou Joseph NicéphoreNiepce, que em 1826 na França, quase um século depois, conseguiu fixar uma imagem pormeio de uma câmara. Ele uniu dois fenômenos previamente conhecidos, um de ordem física(óptica, dispositivo de captação da imagem) e outro de ordem química (característicafotossensível dos sais de prata): a "câmera obscura". A câmara escura originalmente consistianum quarto totalmente sem luz com um orifício em uma das paredes através do qual seprojetava na parede oposta uma imagem invertida. Niepce produziu a primeira fotografia domundo, tirada da janela de sua casa, sendo exigidas cerca de oito horas de exposição à luzsolar.Figura 1: câmera obscura11Câmera obscura. Fonte: www.mnemocine.com.br/fotografia/historia_foto.htm
  14. 14. 22Quase dez anos mais tarde Louis-Jacques Mandé Daguerre lançou o daguerreótipo,processo em que uma placa de cobre prateada e polida, submetida a vapores de iodo, formavauma camada de iodeto de prata. Exposta à luz numa câmara escura, essa placa era reveladaem vapor de mercúrio aquecido, que aderia às partes onde a luz incidia e mostrava asimagens, fixadas por uma solução de tiossulfato de sódio, produzindo uma imagem bastantedetalhada, porém única. Este invento foi colocado gratuita e democraticamente à disposiçãodo público. Daguerre (apud SONTAG, 2004) definiu seu invento assim: “o daguerreótipo nãoé meramente um instrumento que serve para desenhar natureza; ele dá à natureza o poder dereproduzir a si mesma”.Perlman (apud Cardilli, 2007)Simultaneamente o inglês William Henry Fox Talbot, inventa o "desenho fotogênico”,um papel sensível à luz. Este papel era impregnado de iodeto de prata e exposto à luz numacâmara escura, a imagem era revelada com ácido gálico e fixada com tiossulfato de sódio.Surgia o primeiro sistema positivo-negativo, muito parecido com o processo fotográfico emuso hoje, podendo ser utilizado para gerar inúmeras imagens positivas. Deu-se o nome de ocalótipo (de kalos, ou seja, de “belo”).Figura 2: câmera usada por Daguerre2Apesar do método de Fox Talbot se aproximar mais da evolução posterior dafotografia, pois ele obedecia à natureza íntima da fotografia, foi o daguerreótipo que começoua ser explorado tornando-se mais popular, pois atendia à demanda por retratos exigida pelaclasse média durante a Revolução Industrial, lembrando, conceitualmente, a pintura por seucaráter de imaginação singular e rara.Com o tempo, percebe-se que tanto a pintura influenciou a fotografia - conhecimentossobre massa, linha, tom, contraste, profundidade e iluminação passaram a ser preocupação dosfotógrafos; como a fotografia influenciou a pintura: com o “instantâneo”, apresentado pela2Câmera usada por Daguerre. Fonte: www.mnemocine.com.br/fotografia/historia_foto.htm
  15. 15. 23fotografia, o enquadramento perfeito, realidade da pintura, deixou de existir, não se excluíamais componentes da cena que estava nos limites da “moldura”. (BALAN, 2007)Em 1901, com o surgimento da câmera Brownie-Kodak, e, em especial, com aindustrialização da produção e revelação do filme, a fotografia expande-se para o mercado emmassa. O nome Kodak, segundo (Focus, 2002), correspondia à onomatopéia do som doobturador, e sua pronúncia era quase idêntica em todos os idiomas do mundo.As primeiras fotografias eram em preto e branco. Mas isso sempre foi um dilema paraprofissionais e amantes da fotografia. André Borges Lopes, na revista Professional Publish,diz que “a arte de resumir em gradações de cinzas a infindável paleta de cores do mundo realrequer conhecimento técnico, habilidade e sensibilidade extrema”.Mas, com o progresso da química, tornou-se possível a produção de filmes coloridos.O físico James Clerk Maxwell foi quem tirou a primeira fotografia colorida permanente, noano de 1861. Em 1907, surge o primeiro processo industrial de produção de fotografiascoloridas, o Autochrome Lumière. Este era baseado em pontos tingidos de extrato de batata(1/3 de vermelho, 1/3 de azul e 1/3 de verde). Na década de 1930, a moderna fotografia emcores é lançada pelos filmes compostos Kodachrome (1935) e Agfacolor (1936).O filme colorido instantâneo foi introduzido pela Polaroid em 1963, permitindo queum positivo fosse obtido em 60 segundos após a exposição. Uma invenção totalmenterevolucionária, criado por Edwin Land nos EUA. O papel era revelado de dentro da própriacâmera, dando chance a uma correção rápida de erros ou imperfeições, vantagem ausente dafotografia durante quase um século.Há quem diga que as fotos em preto e branco sempre continuarão andando em paralelocom as coloridas. Muitos fotógrafos profissionais não abrem mão de produzir ensaiosmonocromáticos, mesmo que esses sejam casualmente. A verdade é que os registros em pretoe branco nunca desapareceram, diferindo a fotografia do cinema e, principalmente, datelevisão.Nos ensaios em preto e branco há uma carga de dramaticidade e uma carga emocionaldiferenciada do colorido, são resultados que quase não mostram o tempo, fazem desaparecertons de pele e dão mais seriedade aos olhares e gestos.De acordo com Vilém Flusser, em seu livro A Filosofia da Caixa Preta, “as fotografiasem preto-e-branco são a magia do pensamento teórico, conceitual, e é precisamente nisto quereside seu fascínio. Revelam a beleza do pensamento conceitual abstrato. Muitos fotógrafospreferem fotografar em preto-e-branco, porque tais fotografias mostram o verdadeirosignificado dos símbolos fotográficos: o universo dos conceitos”. (FLUSSER, 1983, p.23)
  16. 16. 24Segundo (BERNARDO, 2002),pesquisadores da Universidade Paris-Sud encontraram uma forma de produzir umfilme fotográfico dez vezes mais sensível que a luz, o que torna possível fotografarem lugares escuros sem necessidade de flash e sem prejuízo para as cores. Oprincípio da descoberta é o seguinte: a câmara fotográfica enfoca a luz refletida porum objeto numa película feita de plástico e revestida de uma capa química compostapor dois tipos diferentes de cristais fotossensíveis. Quando uma partícula de luzchamada fóton alcança um dos cristais, um elétron se desprende do cristal e secombina com o outro cristal. Quando o filme é revelado, os cristais que tomaram umelétron escurecem e se prendem ao plástico, enquanto o resto é levado pelo líquidorevelador – o resultado é o negativo. (BERNARDO, 2002)A partir daí outros aperfeiçoamentos foram acontecendo: o foco automático, aexposição automática... Outra revolução igual só aconteceria com o advento da câmaradigital.
  17. 17. 253 HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA NO BRASILSegundo (LEITE, 2002), a invenção de Daguerre chegou ao Brasil no ano de 1840,trazida por Abade Louis Compte. O francês foi o autor das três primeiras fotos tomadas emsolo brasileiro.O Jornal do Commércio da época registrou:“É preciso ter visto a cousa com os seus próprios olhos para se fazer idéia da rapideze do resultado da operação. Em menos de 9 minutos, o chafariz do Largo do Paço, aPraça do Peixe e todos os objetos circunstantes se achavam reproduzidos com talfidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a cousa tinha sido feitapela mão da natureza, e quase sem a intervenção do artista." (LEITE, 2002)Nessa época, o Brasil ainda era um país agrário e escravocrata. Sua principaleconomia era voltada para a cultura do café, que tinha como foco o mercado exterior, poisdependia dele para importações de outros produtos. Leite (2002) relata como era ocomportamento da sociedade nesse período.A sociedade dominante ainda cultuava padrões e valores estéticos arcaicos,puramente acadêmicos, já ultrapassados em seus países de origem, que só seriamquestionados e combatidos com a Semana de Arte Moderna de 1922. Os Senhoresdo Café e a sociedade como um todo, tinham uma visão de mundo infinitamenteestreita e só poderiam receber a fotografia como mágica divertida, mais umainvenção européia maluca. (LEITE, 2007)Segundo (FUJIFILM, 2007), Daguerre ficou conhecido mundialmente como inventorda fotografia. Mas, ironicamente, aqui no Brasil existe outra história. Hércules RomualdFlorence, francês, nasceu em Nice, em 1804, onde foi pintor autodidata e estudou artesplásticas. Aos 20 anos de idade resolveu vir para o Brasil à procura de emprego no Rio deJaneiro, dedicando-se a uma série de invenções e experimentos. Trabalhou como caixeiro deuma casa comercial e vendedor de livros e participou de uma das maiores expediçõescientíficas realizadas no Brasil, desenhando a Fauna e Flora brasileira.Figura 3: HérculesFlorense33Hércules Florense. Fonte: www.fotosombra.com.br/fotografia.htm
  18. 18. 26E como nesse tempo quase não existia recursos para impressão gráfica, Florencerealizou várias pesquisas para encontrar fórmulas alternativas de impressão usando a luz solar.Na década de 30, ele inventa seu próprio meio de impressão, a Polygrafie, onde imprimiafotograficamente diplomas maçônicos e rótulos de medicamentos. Em 1832, para ironia dahistória, ele faz uma descoberta isolada de um processo de gravação através da luz, quenomeia de Photographie. Apesar de ter descoberto três anos antes de Daguerre, seu processoera mais eficiente.No ano seguinte, Florence aperfeiçoa seu invento, passa a utilizar uma chapa de vidroem uma câmara escura, cuja imagem é transmitida por contato para um papel sensibilizado.Estreou a técnica “Negativo/Positivo”, aplicada até hoje na fotografia.Em (Leite, 2002) se vê que:O Nitrato de Prata, agente sensibilizante e princípio ativo da invenção de Florence,tinha um pequeno inconveniente: a imagem após revelada, passava por uma solução"fixadora" que removia os sais não revelados, mantendo a durabilidade da imagem.Constatou que a amônia além de ter essa função, também reagia com os saisoxidados durante a revelação, rebaixando o contraste da imagem final. Conformeseu diário, passou a usar a urina, rico em amônia como fixador "fiz isso por acaso"!De fato, um dia enquanto revelava, esqueceu de preparar o Fixador tradicional.Como a vontade de urinar apareceu de repente, não poderia abrir a porta de seulaboratório, com risco de velar seus filmes. Acabou urinando em uma banheira e naconfusão, acidentalmente passou suas chapas para lá. Além de descobrir a própriafotografia, descobriu também o processo mais adequado para a fixação da imagem,que atualmente foi substituído pelo "Tiossulfato de Amônia" utilizado atualmente nafotografia Preto & Branco, Colorida, Cinema, Artes Gráficas e Radiologia. (Leite,2002)Mas para Florence ficar internacionalmente conhecido, foi necessário um trabalhoincansável e irredutível de quatro anos do jornalista e professor Boris Kossoy, pesquisando erestituindo métodos e técnicas que o levou a publicar o livro “1833: a Descoberta Isolada daFotografia no Brasil" (editora Duas Cidades, 1980). Nele, Kossoy inseriu a reprodução dosmétodos registrados por Florence nos laboratórios do Rochester Institute of Technology.Ainda hoje é possível ver alguns exemplares de Florence no Museu da Imagem e doSom, SP. Trabalhos que só ficaram sendo conhecidos pelos habitantes de sua cidade, e poralgumas pessoas na Capital de São Paulo e Rio de Janeiro.3.1 Dom Pedro II e DumondCompte registrou alguns ângulos da fachada do Paço e algumas vistas ao seu redorpara uma apresentação especial para o Imperador D. Pedro II, o qual se apaixonou
  19. 19. 27profundamente pela fotografia, sendo o primeiro brasileiro a adquirir uma câmara, na épocacom menos de 15 anos de idade. Começou a produzir imagens e se dedicar a fotografiaDivulgou a nova técnica pelo Brasil, patrocinando grandes exposições e trazendo os melhoresfotógrafos da Europa.Outro que também se encantou pela fotografia foi o jovem Santos Dumond, que, emuma das suas viagens à Paris, comprou seu primeiro equipamento fotográfico. E logo montouseu laboratório no Brasil, começou registrando vôos dos pássaros até planejar os primeirosprincípios da aviação.3.2 Cronologia do advento da fotografia no BrasilSegue uma cronologia do advento da fotografia aqui no Brasil. Avanços queocorreram durante quase um século (ENCICLOPÉDIA BRASILEIRA, 2001):1860-1900 – Imigrantes europeus trazem as novas tecnologias fotográficas ao país, como ocolódio úmido (negativo feito sobre placas de vidro sensibilizadas com uma solução química).Proliferam estúdios de retratistas nas principais cidades brasileiras. O alemão AlbertoHenschel abre escritórios no Recife, em Salvador, no Rio e em São Paulo e transforma-se noprimeiro grande empresário da fotografia brasileira. Nessa época também se destacam WalterHunnewell, que faz a primeira documentação fotográfica da Amazônia, Marc Ferrez, queproduz imagens panorâmicas de paisagens brasileiras, e Militão Azevedo, o primeiro aretratar sistematicamente a transformação urbana da cidade de São Paulo.1900 – São publicadas as primeiras fotos da imprensa brasileira na Revista da Semana. Nosanos seguintes, outros jornais e revistas intensificam o uso de fotografias, entre eles O Malho,Kosmos, A Vida Moderna, Fon-Fon, Careta e Paratodos.1901 – O fotógrafo Castro Moura introduz no país o cartão-postal.1904 – Valério Vieira realiza pesquisas de montagens fotográficas com vários negativosdesde início do século XX. Seu auto-retrato Os 30 Valérios recebe medalha de prata na FeiraInternacional de Saint Louis (EUA). Em 1922, Vieira ganha medalha de ouro na mesma feirapela maior impressão fotográfica do mundo, uma panorâmica da cidade de São Paulo de 16 mx 1,4 m.1911 – Primeiro fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro, Augusto Malta registracenas do Carnaval carioca, dando início ao fotojornalismo.1928 – O engenheiro químico Conrado Wessel funda, em São Paulo, a primeira fábrica depapel fotográfico da América Latina. Posteriormente, ela é comprada pela Eastman Kodak,
  20. 20. 28quando a empresa norte-americana se instala no Brasil. A atividade de Wessel contribui para adifusão da fotografia no país entre as décadas de 30 e 50.1935 – Fundação da Revista São Paulo, publicação com projeto gráfico arrojado, que valorizao fotojornalismo e a fotomontagem, na qual se destacam o trabalho de Benedito JunqueiraDuarte e de Theodor Preissing.1939 – Fotógrafos de origem alemã imigram para o Brasil trazendo influências do movimentoBauhaus, como a ênfase nas formas e no grafismo e o uso de recursos como ampliação,montagem, dupla exposição e solarização, entre outros. Destacam-se os trabalhos deHildegard Rosenthal, Hans Gunter Flieg, Fredi Kleeman e Alice Brill.Década de 40 – Auge do fotoclubismo, movimento que reunia profissionais de diferentesáreas interessados na prática da fotografia como uma forma de expressão artística. Osprimeiros fotoclubes surgem no início do século XX, mas é a partir dos anos 30 que passam ater papel de destaque na formação e no aperfeiçoamento técnico dos fotógrafos brasileiros. Osprincipais são o Photo Club Brasileiro, fundado no Rio de Janeiro em 1923, e o Foto CineClube Bandeirante, criado em São Paulo em 1939, cuja atuação é fundamental para odesenvolvimento da fotografia de autor no país. Entre os expoentes do fotoclubismo estãoThomas Farkas, José Oiticica Filho, Eduardo Salvatore, Chico Albuquerque, José Yalenti,Grigóri Varchávchik, Hermínia de Mello Nogueira Borges, Nogueira Borges, Geraldo deBarros e Gaspar Gasparian.1946 – Geraldo de Barros e José Oiticica Filho impulsionam a fotografia de autor, que deixade se preocupar com o retrato da realidade e busca novas formas de expressão artística. Elesrompem com a tradição pictorialista predominante até os anos 40 e disseminada pelosfotoclubes.1947 – Lançamento da revista Iris, a mais antiga publicação brasileira especializada emfotografia [...].1948 – O fotógrafo Chico Albuquerque faz a primeira campanha publicitária fotográfica nopaís.1948-1950 – O Museu de Arte de São Paulo (Masp) realiza as primeiras exposições defotografia em museus brasileiros, com os trabalhos de Thomas Farkas (1948) e de Geraldo deBarros (1950). Nesse período, os dois criam no Masp um laboratório fotográfico e umprograma de cursos de fotografia, que contribuem para a formação de diversos profissionaisnos anos seguintes.Década de 50 – A revista O Cruzeiro e o Jornal do Brasil dão grande impulso aofotojornalismo brasileiro ao destinar um espaço destacado nas reportagens para as fotografias,
  21. 21. 29até então usadas como acessórios do texto. Entre os principais nomes desse período estão JeanManzon, Luiz Carlos Barreto, Indalécio Wanderley, Ed Keffel, Luciano Carneiro, JoséMedeiros, Peter Scheier, Flávio Damm e Marcel Gautherot.1952 – Lançamento da revista Manchete, que procura estabelecer uma narrativa visualindependente do texto em suas reportagens.Década de 60 – Período de auge da fotorreportagem no país, com o surgimento das revistasRealidade (1966) e Veja (1968) e do Jornal da Tarde (1966). Profissionais como MaureenBisilliat, David Drew Zingg, Claudia Andujar, Luigi Mamprin, George Love e Walter Firmofazem imagens informativas e de grande qualidade estética. Destaca-se ainda o trabalho deLuís Humberto, que consegue realizar fotos irônicas sobre a situação do Brasil sob regimemilitar apesar do controle da censura.1965 – A Fundação Bienal de São Paulo introduz a fotografia em suas exposições oficiais.Década de 70 – Surgem inúmeras oficinas e escolas de fotografia no país, como a Enfoco e aImagem e Ação, em São Paulo, que impulsionam a fotografia de autor. A falta de lugaresespecializados para exposições leva à criação de diversas galerias (como a Fotóptica e aÁlbum) e ao aparecimento de grupos como o Photogaleria, com atuação no Rio de Janeiro eem São Paulo, que busca inserir a fotografia no mercado de arte do país.1970-1975 – Claudia Andujar e George Love desenvolvem o workshop de fotografia noMuseu de Arte de São Paulo (Masp), que influencia a produção de dezenas de fotógrafospaulistas nas décadas seguintes.1976 – O historiador brasileiro Boris Kossoy divulga publicamente as experiências deHércules Florence no III Simpósio Internacional de Fotografia da Photographic HistoricalSociety of Rochester (EUA), comprovando seu pioneirismo.1979 – Criação do Instituto Nacional de Fotografia da Funarte (Fundação Nacional de Arte),órgão do Ministério da Cultura. A iniciativa marca o começo de uma política oficial para aárea, o que possibilita o mapeamento da produção fotográfica da época.Década de 80 – A imprensa intensifica o uso de fotos com a introdução do sistema digital detransmissão de imagens, que permite o envio através da linha telefônica. A fotografiabrasileira torna-se conhecida no exterior por meio da participação em exposiçõesinternacionais e da publicação do trabalho de fotógrafos brasileiros em revistas estrangeiras.Entre os principais nomes do período estão Sebastião Salgado, Cristiano Mascaro, Miguel RioBranco, Luiz Carlos Felizardo, Hugo Denizart, Cláudio Edinger, Mario Cravo Neto, ArnaldoPappalardo, Kenji Ota e Marcos Santilli.
  22. 22. 301981 – Sebastião Salgado é o único profissional a documentar a tentativa de assassinato dopresidente norte-americano Ronald Reagan, o que lhe dá grande destaque internacional.Radicado na França, Salgado é reconhecido mundialmente como um dos mestres da fotografiadocumental contemporânea. Nos anos 80 e 90 publica grandes fotorreportagens de denúnciasocial, em livros como Sahel: l’Homme en Détresse (1986), Trabalhadores (1993) e Terra(1997).Década de 90 – A fotografia deixa de ser utilizada apenas como imagem bidimensional eobjetiva e passa a fazer parte de instalações, representando elementos abstratos, comosensações, sentimentos e emoções. São seguidores dessa linha Rosângela Rennó, EustáquioNeves, Rubens Mano e Cássio Vasconcellos. Na fotografia documental, destacam-se ostrabalhos de Luiz Braga, Elza Lima, Tiago Santana, Gal Oppido, Ed Viggiani e EduardoSimões, entre outros.1996 – O Centro de Comunicações e Artes do Senac de São Paulo inicia acordo decooperação internacional com o Rochester Institute of Technology, nos Estados Unidos, o quepermite um intercâmbio maior entre fotógrafos dos dois países.1997 – O Instituto Cultural Itaú inaugura o setor Fotografia no Brasil no Banco de DadosCulturais/Informatizado. O banco fornece, além de nomes de profissionais brasileiros ouestrangeiros que trabalham no país, textos sobre técnicas fotográficas, críticas de exposições efotografias digitalizadas dos mais diversos temas.1999 – O Senac de São Paulo dá início ao primeiro curso superior de fotografia do Brasil.Do ano de 2000 até hoje foram muitos avanços que estarão sendo discutidos nodecorrer do trabalho. O mercado fotográfico cresceu tanto que surgiram outros meios decapturar uma imagem além da câmera fotográfica. Novas linguagens nasceram despertandonovos desejos e quebrando velhos paradigmas em relação à fotografia.
  23. 23. 314 DA IMAGEM CONGELADA NO TEMPO AO INSTANTE FOTOGRÁFICODesde o surgimento da fotografia, sempre houve certa rivalidade com a pintura. Esta,até então, era a arte mais requisitadas entre as famílias da época. Era o meio que eles tinhamde reproduzir a imagem do homem.Nessa época, levava-se muito tempo para concluir a “obra de arte”, tanto utilizando apintura como a fotografia. Walter Benjamin relata como era o tão exaustivo procedimentopara fotografar uma pessoa:“A fraca sensibilidade luminosa das primeiras chapas exigia uma longa exposição aoar livre. Isso por sua vez obrigava o fotógrafo a colocar o modelo num lugar tãoretirado quanto possível, onde nada pudesse perturbar a concentração necessária aotrabalho. [...] O próprio procedimento técnico levava o modelo a viver não ao sabordo instante, mas dentro dele; durante a longa duração da pose, eles por assim dizercresciam dentro da imagem, diferente do instantâneo [...]”. (BENJAMIN, 1994, p.96)As pessoas tinham que ficar “congeladas no tempo” até que a imagem se projetasse nacâmera. Mas com novos descobrimentos na fotografia, essa situação foi mudandopaulatinamente.Susan Sontag diz que quando a fotografia entrou em cena, entrou como uma atividadearrogante, pois parecia ultrapassar e rebaixar a pintura, sendo uma inimiga da outra.Ninguém jamais encontrou uma litografia ou gravura – métodos populares maisantigos de reprodução mecânica – de uma pintura que fosse mais satisfatória ouestimulante do que a própria pintura. Mas fotos, que transformam detalhesinteressantes em composições autônomas, que transformam cores naturais em coresfulgurantes, proporcionam satisfações novas e irresistíveis. (SONTAG, 1977, p.162)As pinturas da época tinham sempre o enquadramento perfeito. Mas a fotografiaexerceu uma enorme influência na pintura em relação a essa questão. Como se sabe,antigamente, para se obter a fotografia necessitava-se um grande tempo de exposição. Poressa razão, as fotos sempre registravam cenas sem idéia de ação e movimento. Porém, afotografia ganhou força e espaço, apresentando o “instantâneo”.Diferentemente da pintura, a máquina fotográfica registrava o centro de interessedentro de suas margens, mas não excluía componentes da cena que estavam noslimites da "moldura". Pessoas passavam a ser registradas pela metade, no limite dopapel fotográfico. (BALAN, 2007)
  24. 24. 32Com isso, pintores como Tolouse-Lautrec (1864-1901) e Edgar Degas (1834-1917)aderiram a novidade e se destacaram inovando em suas obras.Tolouse-Lautrec (1864-1901) que ganhou fama pela pintura, além de quadros, decartazes, caricaturas, cardápios de restaurantes, foi um dos primeiros a registrar emsuas telas o "instantâneo". Em suas obras, apesar dos traços impressionistas, oenquadramento passava a retratar o espaço enquadrado como se fosse umafotografia. (BALAN, 2007)Um exemplo é a tela "No Circo Fernando”, na qual no primeiro plano aparece oassunto principal e de fundo, as pessoas são cortadas ao meio.Figura 4: No Circo Fernando, por Tolouse-Lautrec4Edgar Degas também manifesta em suas obras a influência do enquadramento dafotografia.O desenvolvimento da câmara fotográfica exerceu influência nas composições deDegas. Suas imagens são sempre deliberadamente cortadas nas bordas do quadro,como se fosse uma foto mal enquadrada. (BALAN, 2007)Em (Foto Sombra, 2007) é comentado sobre o surgimento da Polaroid, câmera querevolucionou o conceito da fotografia.O ano de 1947 seria marcado pelo aparecimento de uma invenção totalmenterevolucionária: a fotografia instantânea, a Polaroid, criada por Edwin Land. Aopossibilitar a contemplação imediata da fotografia feita, a Polaroid fechava um cícloimportante, restando com a daguerreotipia, que também tinha revelação imediata,permitindo a correção rápida de erros ou imperfeições, vantagem ausente dafotografia durante quase um século. Em 1963, Land surpreenderia novamente omundo ao lançar o filme instantâneo colorido. (Foto Sombra, 2007)4No Circo Fernando, Tolouse-Lautrec. Fonte: http://www.willians.pro.br/fotogra.htm
  25. 25. 334.1 Fotografia como obra de arteDesde seu nascimento, a fotografia causou certa dúvida em relação à sua natureza: eraconsiderada uma obra de arte ou não?Como já foi mencionado, a fotografia surgiu com a intenção de reproduzir a imagemhumana. Ela nasceu como uma obra de arte, um dos motivos pelo qual foi comparada com apintura – pelo menos essa era a idéia primordial. Segundo Benjamin, algo para serconsiderada obra de arte precisava registrar o “aqui e agora”, capturando a mais intensa aurado momento, “uma figura singular, aparição única de uma coisa distante, pois mais perto queela esteja”.Escritores renomados – como Walter Benjamin, Susan Sontag, Roland Barthes, entreoutros – discutiram sobre esse fato, expressando suas idéias em um assunto que já foi tãopolêmico.Muito se escreveu, no passado, de modo tão sutil como estéril, sobre a questão desaber se a fotografia era ou não uma arte, sem que se colocasse se quer a questãoprévia de saber se a invenção da fotografia não havia alterado a própria natureza daarte. (BENJAMIN, 1994, pag. 176)Segundo Barthes (1984, p. 21), muitos não a consideram arte, por ser facilmenteproduzida e reproduzida, mas a sua verdadeira alma está em interpretar a realidade, e nãosomente copiá-la. Nela há uma série de símbolos organizados pelo artista e o receptor osinterpreta e os completa com mais símbolos de seu repertório.Benjamin (1994, p. 101) explica esse ponto em discussão falando sobre a necessidadede registrar o instante fotográfico, sugando a aura da realidade presente naquele momento: aemoção, a memória, a lembrança, a beleza do momento... E com a era da reprodutibilidadetécnica, a fotografia passa a ter esse ‘privilégio’ de ser reproduzida, com isso, ela perderiaessa aura do momento, deixando de ser obra de arte. “A obra de arte reproduzida é cada vezmais a reprodução de uma obra de arte criada para ser reproduzida”. (BENJAMIN, 1994, p.171)Mas Sontag (1977) diferencia a fotografia da pintura em relação a ser ou não obra dearte, já que vinham sendo comparadas. A fotografia sempre levou vantagem em cima dapintura. “Nada há de surpreendente no fato de os pintores, de Delacroix e Turner a Picasso eBacon, terem usados fotos como subsídio visual, mas ninguém espera que os fotógrafosrecebam auxílio da pintura”. (SONTAG, 1977, p. 162)A verdade é que ela sendo ou não obra de arte, teve uma incomparável influência, nãosó na pintura, como em diversas áreas que serão discutidas no próximo capitulo.
  26. 26. 34Contudo, Sontag ainda completa o assunto afirmando que a fotografia foi – aprincípio, de má vontade, depois, com entusiasmo – declarada como uma bela-arte,anunciando (e criando) ambições novas para a arte. E à medida que o tempo foi passando,esses valores de ser obra única foram desaparecendo, “a obra de arte depende cada vez menosde ser um objeto único, um original feito por um artista individual”.As fotos tornaram-se a tal ponto a experiência visual dominante. Atualmente “éinevitável que a arte esteja, cada vez mais, destinada a terminar como fotos. Um modernistateria de reescrever a máxima de Pater de que toda arte aspira à condição da música. Hoje, todaarte aspira à condição da fotografia”. (SONTAG, 1977, p. 165)E finalmente, um fato muito importante a ser comentado. Com o conceito do digital,as fotografias começaram a trilhar por um caminho diferente em relação à sua trajetória deprodução. Antes da era digital, a produção das obras de arte tinha um “começo” e o “fim”.Normalmente se sabia que uma obra estava pronta quando o autor a assinava. Hoje édiferente, ainda que o artista a considere acabada, ela nunca está acabada realmente, pois tudoé potencialmente um início para novas obras. Ainda mais com softwares de edição deimagem, como o conhecido photoshop, que possibilita a mudança parcial – ou até total daimagem original – deixando-a completamente diferente.É como relata April Greiman (1900) apud Lenara Verle (1996), uma das primeirasartistas a utilizar o computador Macintosh: “A tinta nunca seca no Universo do Mac. Vocêpode parar de trabalhar em uma peça a qualquer hora que quiser. Mas você pode também,anos depois, ressucitar um documento e trabalhar nele como se nunca tivesse parado. Tudoestá sempre vivo.” (Greiman 1990, p.57)
  27. 27. 355 INFLUÊNCIAS FOTOGRÁFICAS NA ESTÉTICANeste capítulo, abordar-se-ão questões relativas à influência da fotografia no cotidianoda sociedade, a sua importante função no cinema, o papel social das fotografias incluindoálbuns de fotos de família e as crianças em especial, o marco do instantâneo e a fotografiacomo artefato. Desenvolver-se-á análises a partir de autores como Christopher Phillips, TomGunning, Susan Sontag, Vilém Flusser, entre outros, com fins de se compreender como afotografia exerceu, e ainda exerce um papel fundamental na vida do ser humano, contribuindoem diversas áreas e em diversos objetivos.5.1 A influência da fotografia no cotidianoJá com 90 anos de existência, nos anos 20 do século passado, a fotografia torna-sesímbolo da nova era da máquina. Numa época em que há uma explosão de inventos - como otelefone, microscópio, lupa, microfone, automóvel, avião entre outros – “a fotografia encarnaos princípios (economia, precisão, objetividade, estandardização, reprodutibilidade) quepresidem a emergência de um universo tecnológico”. (PHILLIPS, 1994)O autor comenta que a fotografia aparece como um meio de aprender a nova realidadeda metrópole. Pelo fato de que a vida no meio urbano cada vez mais se distanciava do campoe das cidades do interior, com o formigamento de atividades, dinamismo da cidade, metrôs,bondes, etc., e com isso não se podia distinguir os detalhes da arquitetura, mas a extensão dosentido da vista oferecia a câmera fotográfica, que era acolhida como uma adaptaçãonecessária e útil.Przyblyski (2001) enfatiza o fato que a fotografia era vista, cada vez mais, como umaferramenta para registrar episódio em tempo “real”, e não apenas rostos e lugares. As pessoasqueriam que a câmera (incômoda e pesada) se voltasse à eventos contemporâneos e queestivesse presente nos momentos de acontecimentos significativos.Susan Sontag (1977) compara a câmera fotográfica de então a um carro ou uma arma,por ser muito simples manuseá-la e, porque são máquinas de fantasia cujo uso é viciante. O“fotografar” não requer nenhuma habilidade ou conhecimento especializado. “É tão simplescomo virar a chave de ignição ou puxar o gatilho”. (SONTAG, 1977, p.24)Mas a fotografia influencia também de outra forma, mostrando seu lado de horror.“Fotos chocam na proporção em que mostram algo novo”, afirma Sontag ao falar sobre omundo da fotografia que mostra os bastidores das guerras sangrentas ao deixarem pessoas,
  28. 28. 36inclusive crianças, marcadas pelo resto de suas vidas, isso quando continuam a viver. Imagensde explorados, oprimidos, famintos, massacrados e outros, dilacera os sentimentos dos que asolham, fazendo com que fiquem paralisados e anestesiados. Ela analisa ainda: “sofrer é umacoisa; outra coisa é viver com imagens fotográficas do sofrimento, o que não reforçanecessariamente a consciência e a capacidade de ser compassivo”. (1977, p.30)Um exemplo dessa realidade é foto, muito conhecida, Vulture (O Urubu), mostrandouma figura esquelética de uma pequena menina, totalmente desnutrida, recostando-se sobre aterra, esgotada pela fome, e a ponto de morrer, enquanto num segundo plano, a figura negraexpectante de um abutre se encontra espreitando e esperando o momento preciso da morte dagarota. (METAMOFORSE DIGITAL, 2006)Figura 5 Vulture (O Urubu), por Kevin Carter5Gunning (2001) relata as diversas áreas em que a fotografia foi de extremaimportância no século XIX, a qual se tornou um meio moderno e singular de representação,mudando o cotidiano da sociedade. Considerada produto da tecnologia moderna, a fotografia,sendo meio mecânico, é capaz de gerar uma imagem com apenas a mínima intervençãohumana.Uma das situações onde a fotografia desempenhou um papel incomparável foi noprocesso de investigação policial. Gunning (2001) comenta:A fotografia tornou-se a ferramenta ideal do processo de investigação policial, umindício moderno definitivo, em razão de três aspectos entrelaçados: sua condição deíndice, que deriva do fato de que, desde que uma fotografia resulta de umaexposição a uma entidade preexistente, ela mostra diretamente a marca da entidade epode portanto fornecer evidência sobre o objeto que retrata; seu aspecto icônico,pelo qual produz uma semelhança direta com seu objeto, o que permitereconhecimento imediato, e sua natureza separável, o que lhe permite referir-se a umobjeto ausente estando separada dele em espaço e tempo. Como um indício, a5Vulture (O Urubu), por Kevin Carter. Fonte: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=873
  29. 29. 37fotografia tornou-se parte de um novo discurso de poder e controle. (GUNNING,1995, p. 45)Na criminologia, a fotografia também mostrou – e ainda mostra – seu valor. Comomostra Gunning (2001) ao dizer que ela trabalhou em duas direções: uma demarcando suaousadia de capturar a evidência de um crime, o próprio ato desviante; e a outra, a fotografia éutilizada para marcar e não perder de vista o criminoso, exercendo uma função essencial emnovos sistemas de identificação.A fotografia influenciou também o fotojornalismo. Uma simples transposição dafotografia em forma de gravuras para as páginas de jornais e revistas fez toda diferença.A primeira fase do fotojornalismo tem como principal ponto um despertar para umanova possibilidade para o fotógrafo, que até então se dedicava a retratar paisagens efamílias. Este novo modo de ver e de atuar, traz para a fotografia uma força capaz deinfluenciar os seus leitores devido ao seu realismo. A esta fase também se deve adescoberta de duas características necessárias ao fotojornalismo, a primeira delas é avelocidade, que marca o tempo de revelação e publicação, quanto mais rápido oprocesso mais atual é a fotografia; e a distância, pois era preciso estar o maispróximo possível do objeto fotografado, ou acontecimento, o que tornava a fotomais “real”. (OLIVEIRA, 2005)Oliveira (2005) conta que o retrato começa a se de despedir em 1940 dos jornais erevistas, e substitui-se pelo flagrante.Como todas essas evoluções, “o trabalho do fotógrafo é cada vez mais respeitado, osjornais e revistas não querem só as fotos de agências especializadas, mas querem umfotojornalista permanente, qualificado, que possa muitas vezes fazer a reportagem, anotandoos dados e fotografando, quando o repórter não pode estar diante do fato, o mercado passa aexigir muito mais deste profissional”. (OLIVEIRA, 2005)Como exemplo de fotos que marcaram época, temos uma tirada por Steve McCurry,em 1985, dentro do acampamento de refugiados Nasir Bagh, no Paquistão, durante a guerracontra a invasão soviética. Sharbat Gula, a órfã que aos 12 anos (em 1985) se tornou a capamais famosa e mais vendida da National Geographic, em todos os seus 117 anos deexistência, com seus olhos verdes que cativaram o mundo e se tornaram um símbolo damiséria e do sofrimento do povo afegão. (CORREIOWEB, 2002
  30. 30. 38Figura 6: Sharbat Gula, por Steve McCurry65.2 Influências da fotografia no cinemaO cinema surgiu, tecnicamente, do princípio das fotografias animadas. De acordo com(BALAN, 2007), em 1896 na feira russa de Nizh.Novorod, aconteceu a primeira exibição decinema, à partir da idéia de exibição de fotografias seqüenciais desenvolvida pelos francesesIrmãos Lumière.Esse princípio de fotografias seqüenciais é bem conhecido, pois até hoje os desenhosanimados, animações e, até mesmo, em filmes o utiliza. Mas há uma grande diferença dosresultados daquele tempo. Pois o avanço tecnológico viabilizou, no cinema, a passagem de 24exposições de fotos paradas por segundo de movimento, permitindo, através do obturador,que cada fotograma seja projetado duas vezes.Ainda, sobre o processo de fotografias seqüenciais:Os estudos dos irmãos Lumière mostraram que a visão humana tem umacaraterística fundamental para viabilizar a impressão do movimento: a "persistênciada visão". A retina, superfície interna do globo ocular que tem a função detransformar a luz projetada em sua superfície em impulsos elétricos que são levadosao cérebro pelo nervo óptico, demora um determinado tempo para regeneração. Coma exibição seqüencial de 48 fotografias por segundo o tempo de mudança de quadroé mais rápido que o tempo de regeneração da visão. Com a apresentação sucessivade fotos, a seqüência é entendida, para o olho humano, como contínua, dando aimpressão do movimento. (BALAN, 2007)As fotos dessa época eram registros de cenas sem ação, sem movimento. Até mesmoporque para se tirar uma foto gastava-se muito tempo de exposição:A fotografia, para ser realizada, necessitava de um tempo de exposição de até umahora, para que o filme fosse sensibilizado pela luz. Este tempo de exposição foi6Sharbat Gula, por Steve McCurry. Fonte: www.backfocus.info
  31. 31. 39diminuindo para alguns segundos de exposição por volta de 1860 e finalmente nadécada de 1870 conseguiu-se que em apenas 1/60 de segundo de exposição, a luzficasse registrada na camada sensível do filme. Era o surgimento da fotografiainstantânea, o que viabilizou a invenção do cinema. (BALAN, 2007)Pode ser citado, também, outros avanços da fotografia e da pintura que influenciaramo cinema nessa época. Pintores impressionistas, como Degas e Toulouse Lautrec, destacaram-se por utilizarem “a fotografia para reproduzir, na pintura, o instante do movimento. Essamaneira de captar a imagem de forma inusitada, muito explorada pela arte fotográfica, acaboutambém por influenciar o cinema na exploração da perspectiva ou na composição da cena e, e,mais especificamente, no uso das nuances cromáticas”. (GUIMARÃES, 2007)Não se pode deixar de citar os fotógrafos Eadweard Muybridge (1830-1904) e ManRay (1890-1976), que também revolucionaram o modo de fotografar. Eadweard Muybridgeficou famoso para o movimento por capturar um cavalo galopando usando vinte quatrocâmeras e capturar o movimento dos homens e das mulheres. Já Man Ray, “estabeleceu comoo retrato e o fotógrafo da forma”. Ele revolucionou a arte da fotografia com suas fotosexperimentais com solarization. (FAMOZZ, 2007)Figura 7: Movimento de homem correndo, por Eadweard Muybridge7Figura 8: por Man Ray87Movimento de homem correndo, por Eadweard Muybridge.Fonte: http://pt.famozz.com/photographers/eadweard-muybridge8Por Man Ray. Fonte: http://pt.famozz.com/photographers/man-ray
  32. 32. 40Talvez a maior contribuição da fotografia para o cinema tenha sido a prática dafotografia instantânea. Daí em diante, foi só evolução, e ainda não paramos. A produçãocinematográfica se aperfeiçoa à medida que novas tecnologias vão surgindo, permitindoefeitos especiais jamais imaginados antes.Um exemplo demonstrado que os elementos da composição de imagem migraram dapintura para a fotografia, cinema e depois televisão é a abertura da novela “A Indomada” daRede Globo.Figura 9: Cenas da novela "A Indomada"9Percebe-se que a fotografia está presente em todas as áreas da sociedade atual. Comoconclui Carvalhal (2000), “a fotografia é muito importante no jornalismo, na publicidade, namoda, no design gráfico/de comunicação. A fotografia está indelevelmente ligada àarquitetura, à engenharia, às artes plásticas, ao restauro artístico, à arqueologia, astronomia,medicina, investigação científica...”.Hoje a fotografia está presente nos mais variados filmes, contribuindo de maneiraextraordinária para que os profissionais da parte técnica surjam com efeitos surpreendentes.Um exemplo clássico (e talvez o primeiro) desse efeito é o Bullet-Time, do filme Matrix.O efeito fez tanto sucesso que, segundo (PUGLIESE, 2003), “a utilização do Bullet-Time por outras produções gerou uma certa banalização incrível do efeito. Filmes como OsPicaretas, Todo Mundo em Pânico, Gigolô por Acidente e diversos outros acabaram porextrapolar demais nas brincadeiras e/ou satirizações”.O Bullet-Time é um efeito usado principalmente na cena em que Neo fica cara-a-cara com o agente Smith; a famosa cena do desvio das balas. A idéia para a criação9Cenas da novela "A Indomada". Fonte: http://www.willians.pro.br/cinema.htm
  33. 33. 41do efeito foi até de certa forma simples, entretanto exigiu um pouco de trabalho parapassá-la do plano teórico ao plano prático. Os irmãos Wachowski pegaram váriascâmeras (muitas!) e as posicionaram em círculo. Num estúdio de fundo azul, KeanuReeves treinou por várias vezes os movimentos que iria executar, e os fezrapidamente. Ai entra o pessoal da parte técnica: eles editaram a cena, adicionaramos efeitos das balas, deram uma lenta rotação de 360º à tomada e inseriram-na noambiente em que ela estava sendo executada.(PUGLIESE, 2003)Figura 10: Cenas do filme Matrix105.3 Álbuns de fotos de família e o papel social da fotografiaQuando se estuda o tema fotografia, os álbuns de família sempre foram referência paraanálises. Enfatiza-se o “instantâneo” e as “crianças nos álbuns familiares”.“Concebo os álbuns de fotos de família como uma verdadeira expressão dalembrança social. Eles evocam e transmitem a lembrança de elementos que merecemser conservados, respeitados e incorporados à memória familiar”. (JONAS, 1996,p.105)5.3.1 InstantâneoPrzyblyski (2001) comenta que, por meados de 1871, “as pessoas tinham que ficarimóveis para serem vistas pela câmera [...] ou não estavam em questão”. Foto que mostrava osdois exteriores da fotografia na época, sua força; e a sua limitação cada vez mais notável: “aincapacidade da fotografia para registrar movimento”. (PRZYBLYSKI, 2001, p. 356). Ela dizque o instantâneo só veio a existir, de fato, a partir da invenção da câmera caixote portátil.(2001, p. 359)10Cenas do filme Matrix. Fonte: pille.iwr.uni-heidelberg.de/~photo01/ch01.html
  34. 34. 42Antigamente, para se tirar as fotos de família precisavam de toda uma preparação.Reunia-se a família, colocavam-se todos na “posição certa” e se tirava a foto. Mas como citaIrène Jonas (1996), “Hoje, parece que, ‘sorria, olha o passarinho!’ deu lugar à espontaneidadedo ato fotográfico”. Novos princípios foram surgindo, e aquela história de que precisavavoltar-se somente para o fato de se fazer fotografar, ao sorriso obrigatório... a pose, a postura,perde o lugar para o instantâneo. “Surpreender o sorriso espontâneo, fotografar sem ser visto eser fotografado sem se dar conta, são as novas regras do jogo familiar”. (JONAS, 1996,p.107)Figura 11: Retrato de família, por Walter Salles Jr11Sontag faz uma relação da tecnologia e a fotografia quando ela cita os avançostecnológicos, que só afirmam que “o progresso da fotografia tornou-se ainda mais literal osentido em que uma foto permite o controle sobre a coisa fotografada”. Entre esses avançosestá o fato que surgiram...[...] meios de fotografar coisas inimaginavelmente pequenas, bem comoinimaginavelmente distantes, como as estrelas; tirar fotos independente da próprialuz (fotografia infravermelha) e libertou a imagem-objeto de seu confinamento aduas dimensões (holografia); reduziu o intervalo entre tirar a foto e poder segurá-lanas mãos (desde a primeira Kodak, quando revelar um rolo de filme e devolvê-lo àsmãos do fotógrafo amador demorava semanas, até a Polaroid, que ejeta a imagemem poucos segundos); não só pôs as imagens em movimento (cinema) mas tambémconseguiu seu registro e sua transmissão simultânea (vídeo) – essa tecnologia tornoua fotografia um instrumento incomparável para interpretar o comportamento, prevê-lo e nele interferir. (SONTAG, 1977, 173-174)5.3.2 CriançasPor muito tempo, as fotografias eram de adultos. Mas houve uma mudança brusca.Irène Jonas relata que “a representação da criança ocupa agora a maior superfície da imagemem detrimento do contexto no qual se encontra”. Segundo a autora, isso ocorreu devido aoaparecimento dos zooms e dos flashes integrados, as fotos de crianças sozinhas tornaram-se11Retrato de família, por Walter Salles Jr. Fonte: www.paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/editor10.htm
  35. 35. 43muito comum hoje em dia. Primeiros passos, primeiros sorrisos e choros, primeiro dentinhosão momentos indispensáveis que despertam nos pais a vontade de registrar para recordardepois. (1996, p.106)De acordo com Sontag, um estudo que foi feito na França mostrou que a maioria dascasas tem uma câmera, porém, casas que apresentam crianças têm a probabilidade duas vezesmaior de ter pelo menos uma câmera em relação às casas sem crianças. (SONTAG, 1977, p.19)5.4 A fotografia como artefatoBaudrillard escreve, em seu livro O sistema dos objetos, como as pessoas sãoapegadas a determinados objetos antigos, como se fossem “retratos de família”. Pegar umobjeto antigo faz lembrar-se de um passado ainda presente, e realmente é assim que acontececom as fotografias.Baudrillard diz que o objeto tem duas funções: “uma que é a de ser utilizado, e a outraa de ser possuído. A primeira depende do campo de totalização prática do mundo peloindivíduo, a outra um empreendimento de totalização abstrata realizada pelo indivíduo sem aparticipação do mundo”. (BAUDRILLARD, 1997, p.94)Ele ressalta a idéia que os objetos não são apenas “objetos”, mas espelhos que refletemas imagens, não as reais, mas aquelas desejadas. “O objeto é aquilo que melhor se deixa“personalizar” e contabilizar de uma só vez. E para uma contabilidade subjetiva dessanatureza não existe nada de exclusivo, qualquer um pode ser possuído, investido, ou, dentrodo jogo colecionador, ordenado, classificado, distribuído”. (BAUDRILLARD, 1997, p.98)O autor fala ainda sobre “objeto seqüestrado”: nos casos em que o indivíduo se vê “tãoapaixonado” pelo seu objeto, chegando a gerar ciúmes. Ele toma posse daquele objeto, não oempresta pra ninguém porque o tal objeto pode “se perder ou se deteriorar”. “Somos sempreciumentos de nós mesmos. É a nós que guardamos e vigiamos. Somos nós de queusufruímos”. (BAUDRILLARD, 1997, p. 106)Przyblyski (2001) coloca a fotografia como um artefato quando diz que “posicionar-sediante do olho da câmera, a fotografia parece surgir, pode ser um modo de ocupar a própriahistória, tornado-a visível e transformando-se em um artefato”. Mas deixa bem claro que essaafirmação tem uma ampla convicção cultural...
  36. 36. 44[...] não apenas quanto à aptidão da fotografia para a descrição topográfica efisionômica, mas também quanto à facilidade com que a fotografia, com base emsua propensão silenciosamente mecânica para “contar a verdade”, lidava comdemandas mais complexas relacionadas à posse e à presença. (PRZYBLYSKI, 2001,p. 353)Vilém Flusser comenta que, “grosso modo, há dois tipos de objetos culturais: os quesão bons para serem consumidos (bens de consumo) e os que são bons para produzirem bensde consumo (instrumento)”. E nesse contexto ele nos surpreende com uma dúvida, já que elediz que a intenção do aparelho fotográfico é produzir fotografias, por isso, ele parece serinstrumento. A dúvida é: “fotografias serão bens de consumo como bananas e sapatos? Oaparelho fotográfico será instrumento como o facão produtor de banana, ou a agulhaprodutora de sapatos?”. (FLUSSER, 1983, p.13)Flusser continua falando sobre a intenção dos instrumentos, que é a de “arrancarobjetos da natureza para aproximá-los do homem”. E quando isso ocorre, a forma dos objetosé modificada, e esse “produzir e informar” ele chama de “trabalho”. (1983, p.13)O escritor faz uma análise dos instrumentos em relação à Revolução Industrial:Quando os instrumentos viraram máquinas, sua relação com o homem se inverteu.Antes da revolução industrial, os instrumentos cercavam os homens; depois, asmáquinas eram cercadas por eles. Antes, o homem era a constante da relação, e oinstrumento era a variável; depois, a máquina passou a ser relativamente constante.Antes os instrumentos funcionavam em função do homem; depois grande parte dahumanidade passou a funcionar em função das máquinas. Podemos afirmar que osóculos (tomados como photo-aparelhos fotográficos) funcionavam em função dohomem, e hoje, o fotógrafo, em função do aparelho? (FLUSSER, 1983, p. 14)E conclui que os fotógrafos não trabalham, eles agem. “O fotógrafo produz símbolos,manipula-os e os armazena. Escritores, pintores, contadores, administradores sempre fizeramo mesmo. O resultado deste tipo de atividade são mensagens: livros, quadros, contas,projetos”. Sendo assim, não servem para serem consumidos, mas para informarem: “seremlidos, contemplados, analisados e levados em conta nas decisões futuras”. (FLUSSER, 1983,p. 14). Para o autor, o f ato da fotografia não necessitar de aparelhos para sua distribuição,esta se tornou arcaica.E verdade que existem dispositivos, e que recentemente foram inventadasfotografias eletrônicas, que exigem distribuição por aparelhos. Porém, o que contaem fotografias é a possibilidade de serem distribuídas arcaicamente. Por seremrelativamente arcaicas, as fotografias relembram um passado pré-industrial, o daspinturas imóveis e caladas, como em paredes de caverna, vitrais, telas. Ao contráriodo cinema, as fotografias não se movem, nem falam. Seu arcaísmo provém dasubordinação a um suporte material: papel ou coisa parecida. (FLUSSER, 1983,p.27)
  37. 37. 45O autor continua o pensamento fazendo uma diferença entre “objetos que têm valorenquanto objetos”.A fotografia é o primeiro objeto pós-industrial: o valor se transferiu do objeto para ainformação. Pós-indústria é precisamente isso: desejar informação e não maisobjetos. Não mais possuir e distribuir propriedades (capitalismo ou socialismo).Trata-se de dispor de informações (sociedade informática). (FLUSSER, 1983, p.27)Segundo ele, não tem muito sentido querer possuir a fotografia, pois enquanto objetotem valor desprezível, mas que seu valor está na informação que transmite.Será se, realmente, o valor da fotografia enquanto objeto é desprezível? Será queFlusser não levou em consideração que o fato das pessoas guardarem imagens de pessoasqueridas, de momentos memoráveis e únicos, não fazem da fotografia um objeto que despertanas pessoas a vontade de colecioná-las? O fato é que Baudrillard comenta que há umadiferença entre ‘coleção’ e ‘acumulação’ de objetos. Acumulação de objetos nada mais é queamontoamento de velhos papéis, armazenamento de alimentos, por exemplo; e coleção“emerge para a cultura: visa objetos diferenciados que têm freqüentemente valor de troca, quesão também “objetos” de conservação, de comercio, de ritual social, de exibição – talvezmesmo fonte de benefícios”. (BAUDRILLARD, 1997, p. 106)E quando se fala de fotografias, percebe-se que ela se encaixa entre esses objetos decoleção, não sendo somente “objetos de informação” e nem somente para reprodução daimagem humana.Hoje, com a tecnologia da imagem digital, tirar fotos passa a ser um desejo aindamaior. Mostrar fotos de viagens, casamentos, aniversários, formaturas e outros, para amigos econhecidos (ou até mesmo desconhecidos, tratando-se de fotos na internet) faz com que oscomputadores “transbordem” com o acúmulos de mega, giga bites de imagens armazenadas.Com a era da informação a todo vapor, paradigmas na linguagem fotográfica vêm sendoquebrados e ressurgindo de forma inovadora.
  38. 38. 466 A NATUREZA DA IMAGEM DIGITALO mercado da fotografia digital vem crescendo com uma grande intensidade nosúltimos dez anos. Para se entender melhor a fotografia digital, estudar-se-á, nesse capítulo, aimagem digital e alguns de seus conceitos.Imagem Digital é o resultado da partição de uma imagem em uma matrizbidimensional finita, cujas células (pixels) recebem valores correspondentes à intensidadeluminosa naquela região.Uma imagem pode ter variação contínua ou discreta. Na fotografia, por exemplo, ostons variam de claros a escuros e as cores variam de vermelho até azul, alcançando assim,“todo” o espectro de cores visíveis. Com isso, as cenas obtidas são reproduzidas fielmente acena original, pois as variações sempre se dão de forma contínua (sem variações abruptas ou“degraus”). Nesse caso, é uma imagem com variação contínua de tons e cores (imagemnatural).Figura 12: Exemplo amostragem e quantização12Já a imagem digital, é composta por pontos discretos de tons e/ou cores, ou brilho, enão por uma variação contínua. A imagem contínua é dividida em uma série de pequenospontos que irão conter uma determinada tonalidade (gray-scale) ou cor (colorido). Essespontos são chamados pixel (picture element), sendo a menor unidade de uma imagem digital.Junto a este processo, devem-se descrever cada ponto por um valor digital. Esses processos dedivisão da imagem contínua e de determinação dos valores digitais de cada ponto são12Exemplo amostragem e quantização.Fonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdf
  39. 39. 47chamados de amostragem e quantização, respectivamente. A combinação destes doisprocessos é o que se denomina de digitalização de imagens. (VIANNA, 2007)A disposição dos pixels em uma imagem digital se faz através de fileiras horizontais everticais, onde cada pixel se une a outro, como em um quadriculado. Quanto mais pixel tiveruma imagem, maior será a qualidade dela (fator também conhecido como resolução).Para compreender a natureza da Imagem Digital, precisam-se entender os conceitosque com ela se associam: resolução, cor, captura, visualização, armazenamento eprocessamento.6.1 ResoluçãoA resolução de uma imagem baseia-se na razão entre o número de pixels obtido e otamanho da imagem real. A medida pode se dá em pontos por polegada ou DPI (dots perinch), ou ainda em outra unidade equivalente.A resolução está diretamente relacionada com o número de pixels e linhas, e com agama de intensidades de brilho que se pode ter em uma imagem. Ambos os aspectos sãoconhecidos como resolução da imagem, podendo ser definida por dois fatores: a “resoluçãoespacial” e a “resolução de brilho” (ou “resolução de cores” ao se tratar de imagenscoloridas). O termo “resolução espacial” (nesse caso, espacial se refere ao espaço 2D) é usadopara descrever quantos pixels compõem a imagem digital, desse modo, quanto maior onúmero de pixels maior será a “resolução espacial”.Figura 13: Exemplo resolução espacial13Cada pixel em uma imagem digital significa a intensidade luminosa de umdeterminado ponto da imagem original. Sendo assim, o conceito de “resolução de brilho”13Exemplo resolução espacial.Fonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdf
  40. 40. 48refere-se à quão preciso é o brilho de cada pixel para representar a intensidade luminosa daimagem original. Como exemplo, adotando-se uma imagem digital que possua somente tonsde cinza, se forem utilizados 3 bits, o brilho pode ser convertido em somente 8 tons de cinza,ao passo que se forem utilizados 8 bits, este valor passará para 256 tons. A figura a seguirapresenta imagens com diferentes “resoluções de brilho”.Figura 14: Exemplo resolução de brilho14Existem dois tipos de resolução, a ótica e a interpolada. A resolução ótica é o númeroabsoluto de pixels que o sensor da imagem consegue adquirir fisicamente durante a captura(ETRONICS, 2007). Sendo assim, a resolução ótica equivale justamente à realidade. Mascom todo o avanço da tecnologia, existem softwares integrados nas câmeras, ou até mesmosqualquer programa editor de arquivos de imagens, que “criam” alguns pixels falsos. Essessoftwares escolhem a amostra mais próxima da posição desejada e toma o seu valor comovalor desta posição, ou seja, eles avaliam os pixels ao redor de cada pixel que o cerca“imaginando” como seria um novo pixel vizinho, em relação à cor e brilho. Este processo édenominado “interpolação”. Mas na verdade, esses “novos pixels” produzidos apresentaminúmeras deficiências, pois a interpolação nada mais é do que aumentar o tamanho doarquivo, e por conseqüência, a qualidade final da imagem fica comprometida.Outro ponto em relação ao número de pixel, como já foi comentado anteriormente, équando se amplia muito uma imagem digital, chega um momento que os pixels irão aparecermultifacetados, efeito chamado “pixelização”. Concluindo, dessa forma, que quanto maior foro número de pixel em uma imagem, mais ela aceitará ampliações com qualidade..14Exemplo resolução de brilhoFonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdf
  41. 41. 496.2 CorQuando se fala em cor, automaticamente lembra-se de luz. O branco é a presença daluz, já o preto, a ausência dela. Uma imagem com um bit é monocromática, normalmentepreto-e-branco. Com dois bits, tem quatro cores (22). Com quatro bits, tem 16 cores (24). Comoito bits, tem 256 cores (28).Figura 15: Exemplo de cores15Ao percorrer pelo espaço, a luz às vezes se comporta como uma onda, e outras comouma partícula. O processo de reprodução das cores se dá assim:A luz, vista pelos olhos humanos, constitui uma faixa relativamente estreita de suaenergia magnética irradiada, que se distribui aproximadamente entre 400 e 700 nm2.Esta faixa constitui o chamado espectro visível, e dentro dele cada comprimento deonda produz um estímulo diferente na parte posterior de nossos olhos – assim sãopercebidas as cores. A mistura de todos os comprimentos de onda do espectrovisível é o que chamamos de luz branca [...]Antes dos 400 nm¹ existe a chamada luz ultravioleta, invisível para a vista humana.A partir dos 400 nm, a luz passa a ser perceptível, e é de um violeta profundo,tornando-se azul na medida em que o comprimento da onda se aproxima de 450 nm.Esse azul vai cedendo lugar à um verde azulado por volta dos 500 nm, e a partir dos580 nm começa a surgir o amarelo. Já nos 600 nm o amarelo vai passando para ovista humana não consegue mais enxergar a luz, que passa ao infra-vermelho.(ETRONICS, 2007)Tudo o que vemos (ou fotografamos) reflete raios de luz. Quanto mais próximosestiverem de uma fonte de luz, mais perceptível será. Por isso é muito importante conhecer asensibilidade necessária para um sensor de imagem capturar as cores, como as fotocélulas quecompõem um sensor para perceberem a luz e, até mesmo, como o chip do sensor processaessas informações.15Exemplo de coresFonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdf
  42. 42. 50Quando se visualiza essas imagens no monitor do vídeo, vê-se nas cores diferentes dasnaturais. Pois elas são baseadas em três cores primárias – vermelho, verde e azul (em inglês;red, green and blue, ou RGB). Quando se mistura as cores primárias, duas a duas, produzem-se as cores secundárias, que são: magenta (R+B), amarelo (R+G) e ciano ou turquesa (G+B).O RGB são cores que se sobrepõe até formar a cor branca, sendo, por essa razão, chamadas decores aditivas. Mas há também outra classe de combinação de cores, onde as cores primáriasestão associadas aos pigmentos magenta, ciano e amarelo, que, quando combinadas, geram ascores secundárias vermelho, verde e azul. Em (MARQUES FILHO; VIEIRA NETO, 1999)diz que essas combinações são chamadas de cores subtrativas; pois quando cada pigmento, aoser depositado em fundo branco, subtrai parte da luz branca incidente, fazendo com que reflitasomente a cor correspondente ao pigmento. Diferenciando-se da combinação aditiva, nasubtrativa a junção das três cores primárias ou de uma secundária com sua primária opostageram o preto.Figura 16: Mistura de cores primárias e secundárias: (A) mistura aditiva; (B) mistura subtrativa16Segue abaixo quatro modelos de representação da cor, que permite a especificação decores em um formato padronizado e aceito por todos (MARQUES FILHO; VIEIRA NETO,1999):• Modelo RGB - em geral, os valores máximos de R, G e B estão normalizados na faixa de 0 a1. Este modelo é o mais utilizado por câmeras e monitores de vídeo.• Modelo CMY - baseado nos pigmentos ciano, magenta e amarelo (em inglês; cyan, magentaand yellow). Algumas pessoas usam o termo CMYK, acrescentando o preto (black, em inglês).Usado em impressoras, fotocopiadoras coloridas...• Modelo YIQ - basicamente, este modelo “foi desenvolvido sob o princípio da duplacompatibilidade, que norteou os projetos de TV colorida para garantir a convivência entre osistema colorido e o sistema preto e branco (P&B) já existente”. Possui como vantagem16Mistura de cores primárias e secundárias.Fonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdfA) B)
  43. 43. 51principal a capacidade de permitir a separação entre a componente de brilho (Y) e ascomponentes de cromaticidade (I e Q). Empregado no padrão NTCS de TV em cores.• Modelo HSI – permite separar os componentes de matiz, saturação e intensidade (em inglês;hue, saturation and intensity) da informação de cor em uma imagem, da forma como o serhumano as enxerga. Utilizada intensamente em sistemas de visão artificial baseados nomodelo de percepção de cor do ser humano.6.3 CapturaPara se capturar uma imagem é necessário, primeiramente, um sensor e umdigitalizador. Em (MARQUES FILHO; VIEIRA NETO, 1999) é explicado que o sensorconverte a informação óptica em sinal elétrico e o digitalizador transforma a imagemanalógica em imagem digital. O primeiro processo na conversão de uma cena realtridimensional em uma imagem eletrônica é a redução de dimensionalidade. Uma cena 3-D éconvertida, por meio de uma câmera digital, digitalizador de sinal de vídeo ou outrodispositivo, em uma representação 2-D apropriada. Mas há também aqueles dispositivos queconvertem uma imagem comum (2-D), normalmente são o papel e os filmes fotográficos, emuma imagem digital. O mais conhecido é o scanner.Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural Artes Visuais (2005), scanner é um aparelhoque converte os mais diferentes tipos de imagens realizadas em processos convencionais –fotografias, desenhos e mapas, ou até mesmo textos – em imagens digitais.Scanners coloridos trabalham criando imagens vermelhas, verdes e azuisseparadamente, e depois quando unidas, formam a imagem definitiva. Existem basicamentetrês tipos de scanner: manual, de mesa ou de cilindro. De acordo com (SCURI, 1999) osscanners dispõem de uma fonte de luz em forma de uma linha que varre a imagem impressa emede a quantidade de luz refletida ou transmitida em cada ponto. A luz capturada éconvertida em um sinal elétrico através de um conjunto de foto-detectores que tambémformam uma linha. O sinal elétrico é finalmente digitalizado e enviado ao computador.O objetivo do scanner se resume em três resultados: visualização somente emmonitores, edição e futura impressão, e análise científica. Isso implica na escolha da DPI a serutilizada, que é o fator mais crítico no uso do scanner. Para cada caso existe uma DPIapropriada.As câmeras digitais possuem dispositivos chamados CCD (Charge Coupled Device,ou seja, Dispositivo de Carga Acoplada) ou CMOS (Complementary Metal Oxide
  44. 44. 52Semiconductor). Segundo (NOVACON, 2007), no CCD cada pic (sinal elétrico gerado noponto da “placa” sensível (substrato) pela excitação de um fóton advindo da luz ambiente queforma a imagem) desloca um sinal de luz, convertido em um sinal elétrico (pixel), que quandodisposto em série, é armazenado num sistema (chip) de memória digital. Suas resoluçõesvariam de 640x480 à milhares de pixels. No caso do CMOS, cada pic é confundido com umpixel, já que eles possuem sua própria conversão carga-voltagem, que produz os sinaisdigitais.Em (ETRONICS, 2007) é exposto que o CCD contém diodos fotossensíveis, oufotocélulas. No curto espaço de tempo em que o obturador se abre, cada fotocélula grava aintensidade ou brilho da luz que a atinge por meio de uma carga elétrica; quanto mais luz,maior a carga. O brilho que é gravado por cada fotocélula se armazena como uma série denúmeros binários podendo ser usados para reconstruir a cor e o brilho dos pontos da tela ou datinta que imprimirão a imagem a partir de uma impressora.Em (SGARBI, 2007) se tem o processo do CCD numa captura de uma imagem:O CCD captura a luz em pequenas partículas em sua superfície chamadas defotosites; recebem este nome devido ao modo como a carga elétrica é lida após aexposição: Os fotosites absorvem a luz emitida em forma de carga elétrica. Cadadescarga elétrica irá representar um pixel. As descargas elétricas formam filas, sendoa primeira fila transferida para um dispositivo de leitura. Aí o sinal é levado a umamplificador e daí para um conversor de análogo para digital. Uma vez a fila tenhasido lida, sua carga elétrica no dispositivo de leitura é apagada e todas as filas semovem para a fila vazia. A próxima fila então entra no dispositivo de leitura. Asdescargas em cada fila estão "acopladas" aquelas da fila de cima de modos quequando se move, a próxima fila desce para preencher o vazio. Deste modo, cada filapode ser lida, uma de cada vez, capturando a imagem de cima para baixo.Conforme apresentado em (NOVACON, 2007) há algumas diferenças básicas entre osdois dispositivos:CCD- exige um chip extra para digitalização;- produz imagens mais uniformes, ainda que com mais consumo de energia;- por ser de mais simples execução torna-se apto a ser fabricado em formatos maiores;- para uso médico, científico e industrialCMOS- não é necessário, pois o substrato do mesmo é constituído do mesmo material que oscircuitos;
  45. 45. 53- integrados (chips), sendo a decodificação inclusive mais fácil, pois o sinal já sai digital noprimeiro estagio;- proporciona construção de aparelhos mais compactos e com mais economia de consumo deenergia;- por sua complexidade inicial limita o numero de pontos possíveis, pois pontos que setornarem defectivos no processo de fabricação inutilizam toda a “chapa” (transdutor);- aos custos de produção, estes crescem exponencialmente proporcionais à área do transdutor,com perdas e rejeitos também exponencialmente maiores para áreas maiores;- usados na segurança, de PC, e periféricos.Como foi visto, nenhum dos dois sistemas pode ser considerado superior ao outro,pois cada um deles possui melhor desempenho em funções divergentes.6.4 VisualizaçãoO monitor e a impressão são os dois modos mais comuns pra visualização. Os doistipos de monitores mais conhecidos são o CRT (Cathodic Ray Tubes), tubo de raioscatódicos, e o LCD (Liquid Crystal Display), monitores com uma película de cristal líquido.Figura 17: modelos de CRT x LCD17Segue algumas comparações entre um CRT e um LCD (ALECRIM, 2006): Um monitor LCD é muito mais fino que um monitor CRT, ocupando menos espaçofísico; Um monitor LCD é mais leve que um monitor CRT, facilitando seu transporte; porém,eles são mais frágeis; A tela de um monitor LCD é, de fato, plana. Os modelos CRT que possuem essacaracterística têm, na verdade, uma curvatura mínima;17Modelos de CRT x LCD. Fonte: http://i.dell.com/images/global/learnmore/crt_vs_lcd_b.jpg
  46. 46. 54 A área de exibição de um monitor LCD é maior, já que nos monitores CRT a carcaçacobre as bordas do tubo de imagem. Isso não ocorre em aparelhos com LCD; O consumo de energia de um monitor LCD é muito menor; Há pouca ou nenhuma emissão de radiação em um LCD; Os monitores LCD ainda não funcionam tão bem em múltiplas resoluções, já o CRT dáessa liberdade pra quem precisa mudar sua resolução para diferentes aplicativos, O preço dos monitores LCD ainda é superior aos monitores CRT.O tamanho da imagem nos monitores depende de três fatores – a resolução domonitor, o tamanho da tela, e o número de pixels na imagem. A resolução de um monitor élimitada por sua largura e altura em pixels. Normalmente as imagens apresentadas são embaixa-resolução, aproximadamente 72 DPI.As resoluções de tela são múltiplas de 4x3 (640x480, 800x600, 1024x768), resultandoem pixels quadrados. A melhor resolução pra ser utilizada vai depender do tamanho da tela domonitor. Em (ETRONICS, 2007) é explicado que se for usada uma imagem com a resoluçãode 800x600 pixels em dois monitores com tamanhos de 14” e outro de 21”, ela aparecerá comtamanho bem diferentes, pois os pixels (como não tem dimensão), irão se acomodar parapreencher todo o espaço da tela. Além da capacidade do próprio equipamento em apresentardeterminados modos de resolução, é a placa de vídeo do computador que determina aresolução do monitor.A qualidade das imagens geradas pelas impressoras depende de muitos fatores, entreos principais estão o papel, a tinta, a umidade do ar e o modelo da impressora, podendochegar a altíssimas resoluções.As impressoras são dispositivos que apresentam imagens definitivas em sua saída,normalmente em papel. Várias tecnologias de impressão estão disponíveis no mercado, porémas mais conhecidas são a matricial, a jato de tinta e a laser. A impressora matricial são as maisacessíveis financeiramente, mas são ruidosas e não possibilitam a reprodução de imagens dealta resolução. Na tecnologia a jato de tinta pode se obter imagens monocromáticas epolicromáticas de alta resolução, sem muito ruídos e com preço acessível. Já as impressoras alaser usam o mesmo princípio das maquinas fotocopiadoras, tendo como elemento deimpressão o toner (pó capaz de ser carregador eletrostaticamente). (MARQUES FILHO;VIEIRA NETO 1999, pag. 311).O tipo da impressora influenciará muito na resolução de uma boa impressão. Nasimpressoras jato de tinta serão necessários pelo menos uns 300 dpi para simular uma foto.Caso, a imagem tenha sido obtida por escaneamento a partir de uma revista ou folha impressa,
  47. 47. 55conterá pequenos pontos, chamados de retícula, e será mais difícil a imagem ficar correta(existe um filtro no Photoshop, o Gaussian Blur, para atenuar esse efeito).Segundo (SCURI, 1999), o sistema de cor usado na maioria das impressoras é CMYK.E como algumas impressoras operam apenas com quatro cores, há dois grandes problemasenvolvendo impressão de imagens. Trata-se da fidelidade da cor impressa, quenecessariamente se precisa converter de RGB para CMYK e o fato da grande maioria dasimpressoras imprimirem somente com quatro cores, sendo que estas não são combinadas.Com isso, “para capturar os milhões de cores de uma fotografia, a impressora tem que usarum recurso para enganar a vista humana, gerando um padrão aceitável de pontos paravisualização. Este processo é chamado de halftoning ou dithering (meio tom)”. (ETRONICS,2007)O processo de halftoning é feito arranjando os pontos imprimíveis em pequenosgrupos chamados células, e utilizando-se esses grandes pontos formados por célulasem unidades para a impressão dos pixels. Cada célula mede 5 por 5 ou 8 por 8pontos. As três ou quatro cores primárias são combinadas num determinado padrão,que a vista humana percebe como cores intermediárias. Para cores menos saturadas,a impressora deixa alguns pontos sem imprimir e simula assim brancos de cor. Esteprocesso é utilizado faz muito tempo em impressão industrial, e pode ser percebidose você olhar uma fotografia de revista com uma lupa. (ETRONICS, 2007)Ainda na mesma referência tem-se que existem também as impressoras porsublimação de tinta, que possuem esse nome “por utilizarem tinta sólida que, por um processoque é conhecido cientificamente como “sublimação”, é convertida em estado gasoso eaplicada no papel sem passar pela fase líquida”. Quando se imprime fotografias coloridas, nãoexiste nada parecido com o resultado obtido por este tipo de impressora. São produzidasimagens fotorealísticas com tons contínuos como as que são criadas pelo laboratório de fotos.Essas impressoras são recomendadas para profissionais de desktop publishing, agências ebureaus para provas, lay-outs e apresentações. (ETRONICS, 2007)6.5 ArmazenamentoAs imagens digitais são armazenadas em arquivos de bitmaps – pixels ordenadosindividualmente. Como exemplo da relação entre cor e pixel na hora da impressão, em(ETRONICS, 2007) se vê que quando uma pequena área de uma imagem de 640 x 480 pixelsé ampliada, os pequenos pixels misturam-se a tons contínuos do mesmo modo que fotosampliadas num jornal apresentam uma mistura de pontos indefinidos. Cada um dos pequenos
  48. 48. 56pixels pode ter uma escala de cinza ou uma cor. Utilizando-se 24 bits de cor, cada pixel podeassumir qualquer uma das 16 milhões de cores possíveis. Todas as fotografias e pinturasdigitais são em bitmaps, e qualquer tipo de imagem assim pode ser salva ou exportada. Defato, quando se imprime qualquer formato de imagem numa impressora laser ou jato de tinta,a imagem é primeiro convertida (rasterized) tanto pelo computador como pela impressora embitmap, de tal modo que seja impresso em forma de pontos.Ainda que os arquivos bitmaps, apesar de serem muito usados, sofrem de doisproblemas inevitáveis: o primeiro é que os bitmaps só podem ser impressos ou visualizadosno tamanho designado pelo número de pixels existentes na imagem. Caso imprima-se ouvisualize-se em outro tamanho pode resultar numa imagem totalmente distorcida. E o outroproblema é que para manter a qualidade, o arquivo salvo deve ter informações precisas sobrecada pixel e cores, gerando arquivos bitmaps muito grandes. “Para diminuir este problema,alguns formatos gráficos, como GIF e JPEG foram criados para armazenar imagens numformato comprimido”. (ETRONICS, 2007)6.5.1 Compressão de ArquivosA compressão ocorre quando se duplica a informação, eliminando tudo o que não tivervalor ou salvando de modo resumido, de forma que o tamanho do arquivo reduza. Quando aimagem é editada ou apresentada, o processo de compressão é revertido.No mundo da Imagem Digital existem dois tipos de compressão: com perda (lossycompresssion) e sem perda (lossless compression).Em (SCURI, 1999) é mencionado que os métodos com perdas são baseados no fato deque pequenos detalhes podem ser eliminados de forma que não serão notados de imediato. Ométodo que mais se sobressai entre as compressões com perdas é o JPEG (Join PhotographicExperts Group), que, de acordo com (MARQUES FILHO; VIEIRA NETO 1999), foiestabelecido em 1991, projetado para comprimir imagens naturais coloridas emonocromáticas com até 65536 x 65536 pixels.A maioria das câmeras digitais utiliza o sistema de compressão com perda devido opequeno espaço de armazenamento ser complicado e caro e, em geral, a qualidade é mantidapor meio do JPEG em qualidade máxima de compressão.A compressão sem perdas comprime uma imagem de tal maneira que a qualidade émantida. Ainda que pareça a ideal, não proporciona redução significativa do arquivo, quegeralmente fica reduzido a um terço do tamanho original.
  49. 49. 57Dentre os métodos sem perdas, existe o Código de Huffman, RLE (Run LenghtEncoding), LZW (Lempel-Ziv & Welch), JBIG (Join Bi-level Image Experts Group). Cada umdesses métodos utiliza uma técnica diferente que em geral lhe dá o nome, sendo que o maisempregado é o LZW (Lempel-Ziv-Welch), produzindo compressão de 50 a 90% tanto emarquivos GIF como TIFF, segundo (ETRONICS, 2007).6.5.2 Formatos de ArquivosConforme apresentado em (Scuri, 1999), apresenta-se aqui alguns dos formatos dearquivos padronizados que já estão bem estabelecidos no mercado e suas respectivascaracterísticas.Quadro 1: quadro comparativo entre os formatos de arquivos18Segue os formatos mais conhecidos e usados:JPEGPronunciado, aqui no Brasil, como “jota-peg”, é o formato mais conhecido e utilizadoatualmente. Em (ETRONICS, 2007) é citado duas características do JPEG: a primeira é queele apesar de utilizar um esquema de compressão que sofre perdas, “o grau de compressão (econseqüente perda de qualidade) pode ser ajustado. Em resumo, muita compressão, muitaperda, pouca compressão, pouca perda”. E a outra é que este formato suporta 24 bits de cores.Uma vantagem em relação ao GIF, o outro tipo de arquivo muito utilizado na Internet, quesuporta apenas 8 bits. O formato JPEG não possui transparência.GIF18Quadro comparativo entre os formatos de arquivos.Fonte: www.tecgraf.puc-rio.br/~rtoledo/cg1/apostila%20imagem%20digital.pdf.
  50. 50. 58O formato GIF (Graphics Interchange Format) é muito usado na Internet para artes edesenhos. Armazena apenas imagens RGB com 256 cores ou menos, apropriado para imagenscom baixa qualidade e imagens tons de cinza. Possui duas características importantes: aprimeira é que o fundo pode ser transparente, e a segunda é que suporta várias imagens nummesmo arquivo, dando a opção de criar uma animação capaz de simular um pequeno filme,possibilitando trabalhar com fotos, já que não é um formato adequado para fotografias, poréma resolução tem que ser baixíssima e com a qualidade muito ruim. Segundo (Scuri, 1999) esseformato usa compressão LZW para comprimir a imagem. Essa compressão é parecida com ausada no formato de arquivo compactado ZIP, gerando ótimos resultados.TIFFUm formato sem perdas de qualidade, levando vantagem a formatos com o JPEG e oGIF. O TIFF (Tag Image File Format) “é largamente aceito e praticamente reconhecido porqualquer software e sistema operacional, impressoras, etc. Além disso, é o formato preferidopara aplicações em editoração eletrônica”. (ETRONICS, 2007). O TIFF também é um modode cores de 24 bits.PNGÉ um formato gráfico para o qual muitos navegadores da web oferecem suporte. Deacordo com o (OFFICE.MICROSOFT, 2007), ele é adequado para compactar e armazenarimagens gráficas, sem perda de dados da imagem gráfica quando ela é descompactada. Oformato png oferece suporte para a transparência variável de imagens e controle do brilho daimagem em diversos computadores. Ele é usado para uma série de elementos gráficos, desdeimagens pequenas (como marcadores e faixas) até imagens complexas (como fotografias).CCD RAWSão arquivos econômicos, se tratando de memória, e não podem sofrer alterações, porisso servem como negativos digitais.Quando um sensor de imagem captura informação que gera uma imagem, algumascâmeras digitais permitem que se salve um arquivo não processado, ainda “cru” (porisso é chamado RAW). Este formato contém tudo o que a câmera digitalizou. O
  51. 51. 59motivo para seu uso é livrar o processador da câmera digital da tarefa de realizar oscálculos necessários para otimização da imagem digital, possibilitando que isso sejafeito no computador. Uma imagem em RAW terá, depois de aberta no computador eotimizada, de ser salva num formato qualquer para ser utilizada. (ETRONICS, 2007)Ainda em (ETRONICS, 2007), é explicado que esse formato apresenta a vantagem degerar um arquivo menor do que no formato TIFF (pelo menos 60%). Já que o computador temmuito mais capacidade de processamento que a câmera, a imagem final também terá melhorqualidade do que se for diretamente salva pela própria câmera em formatos JPEG ou TIFF.Mas é necessário que o usuário tenha domínio de técnicas de otimização de imagem parapoder aproveitar este formato.BMP - Windows BitmapFormato mais trivial dentro no Windows. Por não utilizar nenhum algoritmo decompressão, apresenta as imagens com maior tamanho.6.6 ProcessamentoA área de Processamento Digital de Imagens tem crescido notoriamente nos últimosanos. Muitas áreas vêm utilizando sistemas de processamento digital de imagens, tais como:reconhecimento de padrões (indústria), medicina, agricultura, pesquisas espaciais,meteorologia, etc.O fator qualidade é o fator comum em todas as classes de processamento. Ele diz queexistem duas subdivisões em qualidade de imagem. São elas: fidelidade e inteligibilidade.No primeiro caso estamos preocupados em aproximar a imagem processada daimagem original ou de um padrão estipulado que a melhor represente. No segundocaso, nos preocupamos com a informação que conseguimos extrair da imagem, sejapelo olho humano, seja por algum processamento. (SCURI, 1999)Ainda em (SCURI, 1999), há uma alerta para os programas direcionados paraeditoração eletrônica, pois necessitam ter um cuidado muito grande com a fidelidade narepresentação da cor da imagem; e os programas direcionados a processamento de imagenscientíficas em geral se preocupam com a informação contida na imagem, e não com afidelidade da cor.

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