ARTIGO DE PARASITOSES INTESTINAIS EM IDOSO

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ARTIGO DE PESQUISA DE CAMPO.

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ARTIGO DE PARASITOSES INTESTINAIS EM IDOSO

  1. 1. 1 ANALISE DE PREVALÊNCIA DE PARASITOSES INTESTINAIS EM IDOSOS DA ASSOCIAÇÃO CASA DO ANCIÃO DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO. ANALYSIS OF PREVALENCE OF INTESTINAL PARASITOSIS ELDERLY IN THE POOL HOUSE OLD MAN OF THE MUNICIPALITY OF PORTO VELHO. Angelucia Lima Tomé1 Adriana Mesquita2 1 Acadêmica do 9º período do curso de enfermagem da Faculdade de Rondônia - FARO 2 Professora orientadora docente do curso de Enfermagem da Faculdade de Rondônia - FARO PORTO VELHO / RO 2014
  2. 2. 2 RESUMO Objetivos: Avaliar a prevalência de parasitos intestinais em idosos que residem na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula”, no município de Porto Velho, mantido pelo estado de Rondônia. Metodologia: O exame parasitológico das fezes (EPF) foi realizado para diagnosticar a presença de parasitos nas fezes dos idosos. Os métodos utilizados para a avaliação dos parasitos intestinais nas fezes foram o exame macroscópico, a técnica de sedimentação espontânea (técnica de Lutz ou Hoffman, Pons e Janer). As condições higiênicas do ambiente bem como dos pacientes foram avaliadas. Resultados: Da amostra pesquisada, com idade média de 81,5 anos, as mulheres representaram 40% e os homens 60%. Pela análise realizada foi encontrada a prevalência de enteroparasitos em 27% das amostras para os idosos residentes na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula”. Discussão: A prevalência de enteroparasitos encontrada nos idosos estudados na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” em Porto Velho mostra que cada região geográfica tem suas peculiaridades socioeconômicas, ambientais e educacionais. Conclusão: Pesquisas coproparasitológicos devem continuar sendo realizados nos idosos dos diferentes municípios de Rondônia e do Brasil para identificar situações particulares, com o objetivo de propor medidas sanitárias e educativas para melhorar o estado de saúde da população como um todo, especialmente a dos idosos. Palavras-chave: Idoso, Saúde, Parasitoses Intestinais, Prevalência de Parasitoses. ABSTRACT Objectives: To evaluate the prevalence of intestinal parasites in the elderly residing in the elder's House "Casa São Vicente de Paula", in the city of Porto Velho, Rondonia State maintained by. Methodology: The parasitological examination of stools (EPF) was carried out to diagnose the presence of parasites in the stool of the elderly. The methods used for the evaluation of intestinal parasites in stool were the macroscopic examination, spontaneous sedimentation technique (Lutz technique or Hoffman, Pons and Janer). Environmental hygienic conditions as well as the patients were evaluated. Of the sample surveyed, with an average age of 81.5 years, women accounted for 40% and 60% men. The analysis found the prevalence of enters parasites in 27% of the samples for the elderly residents in the elder's House "Casa São Vicente de Paula". Discussion: The prevalence of enteroparasites found in the elderly studied in elder's House "Casa São Vicente de Paula" in Porto Velho show that each geographical region has its own peculiarities, socioeconomic and environmental education. Conclusion: coproparasitológicos Research should continue being conducted in the elderly of the different cities of Rondonia and the Brazil to identify particular situations, with the aim of proposing sanitary and educational activities to improve health status of the population as a whole, especially the elderly. Keywords: Elderly, Health, Intestinal parasites, Prevalence of Parasitic infections.
  3. 3. 3 INTRODUÇÃO Em razão do inevitável avanço tecnológico em vários setores do cotidiano da sociedade, acarretando uma melhoria na qualidade de vida da humanidade, através de tratamento de água e saneamento básico, muitos países do mundo, inclusive o Brasil, demonstram um significativo aumento na expectativa de vida de seu povo. (IBGE, 2014. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Estes fatores tendem a refletir uma melhor qualidade de vida da população, no entanto ainda há uma discrepância no que se refere à qualidade de vida entre as faixas etárias, em especial aos idosos, principalmente de regiões menos desenvolvidas como o Norte e o Nordeste do País. No Brasil, fontes de informação (IBGE, 2010) apontam que a população de idosos dobrou nos últimos 20 anos. Ainda segundo o IBGE, o município de Porto Velho possui um quantitativo de 24.153 idosos, representando 6% da população. O processo de envelhecimento é caracterizado pela perda gradual das funções orgânicas, onde o idoso retém sua capacidade intelectual e física em níveis aceitáveis. O ancião na maioria das vezes apresenta um aumento na suscetibilidade ao desenvolvimento de doenças tais como câncer, doenças autoimunes e infecções. Sabe-se que as doenças infecciosas e/ou causadas por parasitos em idosos ocorrem principalmente pelo envelhecimento do sistema imune (Wu et al., 2008, Peres et al., 2003). O envelhecimento vem acompanhado de fragilidades naturais, o que torna o idoso suscetível ao desenvolvimento de diversas doenças (Motta, 2007). As fragilidades naturais que aparecem no decorrer dos anos estão relacionadas a diversas alterações incluindo as: celulares, teciduais, sistema de colágeno, cardíacas, renais, pulmonares, nervosas, hepáticas, endócrinas e imunológicas (Minayo, et al, 2002). No Brasil, as enteroparasitoses ocorrem nas diversas regiões do país, tanto em zonas rurais, quanto em urbanas e em diferentes faixas etárias. Todavia, são mais prevalentes nas populações que dispõem de deficitárias condições sanitárias e de saúde. As parasitoses intestinais são universalmente distribuídas no Brasil como um todo e especificamente na Amazônia brasileira, apresentando variações inter e intrarregionais, dependendo dos seguintes fatores: constituição do solo; índice de
  4. 4. 4 aglomeração da população e de suas condições econômicas, sociais, sanitárias e educacionais; presença de animais na área em torno das residências; condições de uso e contaminação do solo, da água e dos alimentos; e da capacidade de evolução das larvas e ovos dos helmintos e de cistos de protozoários em cada um desses ambientes. As doenças parasitárias resultam em altos índices de morbidade e geralmente são associadas a quadros de diarreia crônica e desnutrição, comprometendo a saúde física e mental (Marques, 2003). São poucos os trabalhos sobre parasitoses intestinais na Amazônia brasileira, particularmente devido à sua grande extensão territorial, baixa densidade demográfica e difícil acesso. Essas doenças, além dos fatores propícios já mencionados, também são adquiridas através de alimentos contaminados e maus hábitos higiênicos. A população mais atingida inclui as crianças, idosos e imunocomprometidos. Os idosos desenvolvem diversas tarefas domésticas no seu dia-a-dia, tais como cultivo de hortas caseiras, limpeza do quintal, entre outras que podem favorecer esse tipo de contaminação (Hurtado-Guerrero et al., 2005, Silva et al., 2001). A capital do estado de Rondônia, Porto Velho, tem um problema grave com saneamento básico, é a capital com índice de saneamento próximo de zero. Apenas para ilustrar, segundo dados do IBGE, 2013, existiam em Porto Velho 116.863 domicílios particulares permanentes, destes apenas 19,3% tem saneamento adequado. Estudos sobre a ocorrência de parasitos intestinais na população anciã são poucos, entretanto existem dados relatando que grande parte da população idosa apresenta doenças parasitárias (Hurtado-Guerrero et al., 2005, Silva et al., 2001). Alguns estudos relatam dados sobre infecções parasitárias intestinais envolvendo a população idosa e sua relação com animais domésticos (Batchelor et al., 2008). A contaminação ocasionada por material fecal de animais, especialmente domésticos, está diretamente relacionada com os hábitos culturais da população. Através das fezes do cão, por exemplo, o homem pode adquirir principalmente a hidatidose, a larva migrans cutânea e a larva migrans visceral e ocular (Oliveira- Sequeira et al., 2002).
  5. 5. 5 As doenças infecciosas e parasitárias ainda constituem um dos principais problemas de saúde pública, as quais apresentam maior prevalência nas populações de nível socioeconômico baixo. A transmissão das parasitoses ocorre, na maioria dos casos, por via passiva oral pela ingestão de água e alimentos contaminados. A maior prevalência está vinculada a áreas que apresentam condições de higiênico-sanitárias precárias, associadas à falta de tratamento adequado de água e esgoto. Esses fatores, dentre outros já citados, facilitam a disseminação de ovos, cistos e larvas, sendo a transmissão, também, facilitada pelo aumento do contato pessoa a pessoa propiciados pelos ambientes fechados como: creches, escolas, asilos e presídios. Nesses ambientes, o grande número de indivíduos presentes não permite, muitas vezes, obedecer às normas de higiene, e assim, contribuem para o alto grau de enteroparasitismo. Os danos que os enteroparasitos podem causar a seus portadores incluem, entre outros, a obstrução intestinal, a desnutrição, a anemia ferropriva e quadros de diarreia e má absorção (Assis et al., 2003). Salienta-se que as enteroparasitoses são doenças frequentes no Brasil, em especial nas regiões menos favorecidas e em pleno século XXI ainda constituem um grave problema de saúde pública. Os idosos por apresentarem fragilidades peculiares à faixa etária se tornam focos do desenvolvimento de parasitoses intestinais, debilitando em muitos casos a saúde dessa população. Em função dos estudos, realizados pelos autores citados anteriormente, decidiu-se pela realização de uma pesquisa, com cunho acadêmico, com vistas a identificar parasitas intestinais e quantificar a incidência de parasitoses intestinais em idosos residentes na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” no município de Porto Velho-RO. Portanto, o objetivo da pesquisa foi identificar parasitas intestinais e conhecer a prevalência de parasitoses intestinais em idosos que residem na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” em Porto Velho, onde se verificou junto a esta população os hábitos alimentares e de higiene na rotina, confrontou-se os sintomas relatados pelos idosos com possíveis parasitoses intestinais e verificou-se, através das técnicas parasitológicas método de Lutz ou de Hoffmann, Pons e Janer a existência de parasitas intestinais nestes idosos.
  6. 6. 6 Considerando a carência de saneamento básico no município de Porto Velho-RO e as iminentes alterações causadas pelo processo biológico normal do envelhecimento, é relevante que se identifique quais possíveis parasitoses intestinais estão presentes nos idosos bem como se estabelecer a prevalência das mesmas nesta população. 1 METODOLOGIA O presente trabalho se refere a uma pesquisa de campo, quantitativa com perfil comparativo, que teve como alvo a população de idosos do município de Porto Velho – RO, residentes na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula”, mantido pelo estado de Rondônia. O critério de inclusão dos pesquisados foi para aqueles idosos que residem na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” e o critério de exclusão utilizado foi para dentre estes, os que não tenham concordado em se submeter à coleta de material (fezes). A pesquisa aqui referida foi fundamentada na coleta de material (fezes) para exames laboratoriais. Antes do início da pesquisa foi entregue ao diretor da Unidade um documento da Faculdade solicitando a permissão para a entrevista bem como para a coleta de amostras fecais junto aos idosos pesquisados. Feito a coleta de amostras coproscológicas (15 amostras) em seguida se realizou a analise das amostras fecais no laboratório de parasitologia da Faculdade de Rondônia-FARO, a identificação de possíveis parasitas. Para tal utilzou-se a técnica Método de Hoffman, Pons e Janer ou de Lutz que é utilizado para identificação das diversas infestações parasitárias (ovos e larvas de helmintos e cistos de protozoários) e na triagem das infecções intestinais. Fundamenta-se na sedimentação espontânea em água, sendo indicado para recuperação de ovos considerados pesados como os de Taenia spp, Schistosoma mansoni e ovos inférteis de Ascaris lumbricoides.
  7. 7. 7 1.1 POPULAÇÃO E AMOSTRA A população pesquisada foi composta dos idosos do município de Porto Velho – RO, residentes na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” em número de 25 (vinte e cinco pessoas). Não houve escolha para que os indivíduos fizessem parte da pesquisa, o único critério observado foi o da exclusão, já citado anteriormente. No estudo em questão tinha-se uma população de 25 (vinte e cinco) pessoas e para dar cientificidade ao resultado da pesquisa trabalhou-se com toda a população, obedecendo ao critério de exclusão, ou seja, retirando do foco da pesquisa aqueles que não concordaram em se submeter à coleta de material (fezes). Desta forma procedeu-se a pesquisa em 15 (quinze) anciãos. Após o levantamento e coleta dos dados, estes foram analisados, obedecendo a parâmetros bioestatísticos com o intuito de verificar se os objetivos propostos foram alcançados e se o problema formulado foi respondido. A pesquisa de campo foi realizada no mês de abril de 2014. A coleta de amostras fecais bem como a análise laboratorial do material coletado foi realizada pela própria autora do trabalho. 1.2 ASPECTOS ÉTICOS O estudo em questão envolveu procedimentos realizados diretamente com as amostras biológicas, no entanto não abrangeu riscos para os indivíduos pesquisados ou mesmo para o pesquisador, pois não se utilizou de nenhum método invasivo nos procedimentos de coleta coproscológica. Foram garantidos o sigilo, a privacidade e o anonimato dos indivíduos pesquisados, bem como a liberdade de recusar a participação na pesquisa ou desistir dela em qualquer momento, sem lhes acarretar nenhum prejuízo. 2 RESULTADOS DA PESQUISA A casa escolhida para a execução da pesquisa, Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” tem um grau de limpeza e asseio recomendável, visto que todo ambiente é higienizado desde a área de convivência, local mais vulnerável à infecção, visto que é um ambiente frequentado por todos, inclusive às visitas, passando pelos banheiros e sala de refeições até os quartos para dormir.
  8. 8. 8 Toda água consumida pelos residentes é água mineral e estes são instruídos e lembrados a fazerem a higiene pessoal em horários pré-estabelecidos pelos profissionais da instituição. A pesquisa, como já informada anteriormente, foi dividida em duas partes: (i) identificação do entrevistado e (ii) informações higiênicas. 2.1 IDENTIFICAÇAO DO ENTREVISTADO i. Sexo Nas 15 pessoas pesquisadas, o sexo predominante é o masculino com 60% e apenas 40% feminino, conforme pode ser visto na tabela 1 e gráfico 1, a seguir. Tabela 1 – Sexo, em números absolutos e percentuais. Sexo Qtde % Masculino 9 60% Feminino 6 40% TOTAL 15 100% Fonte: A autora 40% SEXO Masculino Feminino Gráfico 1 – Sexo dos entrevistados ii. Estado civil 60% Sobre o estado civil, 53% responderam que são solteiros e os demais, 47%, disseram serem viúvos. Vale a pena acrescentar que embora a maioria preponderante seja de solteiros quase todos têm famílias. Isto é mostrado na tabela 2 e gráfico 2, a seguir. Tabela 2 – Estado civil, em números absolutos e percentuais. Estado civil Qtde % Solteiro 8 53% Viúvo 7 47% TOTAL 15 100% Fonte: A autora
  9. 9. 9 Gráfico 2 – Sexo dos entrevistados iii. Idade Com relação à idade das pessoas pesquisadas foi constatada uma variação predominante entre 60 e 99 anos, encontrando-se pessoas com mais de 100 anos em torno de 13%, isto mostra a grande variação de idade das pessoas pesquisadas. Estas informações estão apresentadas na tabela 3 e no gráfico 3, a seguir. Tabela 3 – Idade, em números absolutos e percentuais Idade (anos) Qtde % De 60 a 69 anos 4 27% De 70 a 79 anos 3 20% De 80 a 89 anos 3 20% De 90 a 99 anos 3 20% De 100 ou mais anos 2 13% TOTAL 15 100% Fonte: A autora IDADE Gráfico 3 – Idade dos entrevistados 53% 47% ESTADO CIVIL Solteiro Viúvo 27% 20% 20% 20% 13% De 60 a 69 anos De 70 a 79anos De 80 a 89 anos De 90 a 99 anos De 100 ou mais anos
  10. 10. 10 iv. Tempo de residência Conforme a pesquisa registrou, o tempo de residência predominante dos entrevistados varia entre 4 e 5 anos com um percentual de 33%, entretanto existem pessoas residindo no abrigo com até 7 anos responsáveis por 13% dos entrevistados, como pode ser observado na tabela 4 e gráfico 4, a seguir. Tabela 4 – Tempo de residência, em números absolutos e percentuais Tempo de residência no abrigo (anos) Qtde % Até 02 anos 2 13% De 02 a 03 anos 3 20% De 04 a 05 anos 5 33% De 06 a 07 anos 2 13% De 08 ou mais anos 3 20% TOTAL 15 100% Fonte: A autora TEMPO DE RESIDÊNCIA 13% 20% 33% 13% 20% Até 02 anos De 02 a 03 anos De 04 a 05 anos De 06 a 07 anos De 08 ou mais anos Gráfico 4 – Tempo de residência dos entrevistados 2.2 INFORMAÇÕES HIGIÊNICAS DO ENTREVISTADO No exame parasitológico são pesquisadas formas diversas de vários parasitas que causam doenças em humanos. Alguns parasitas observados no exame não causam doenças, porém devem ser relatados, pois refletem o contato do paciente com alimentos, água e outros contaminados e indicam uma maior possibilidade de infecção futura por outras parasitas. Como já se relatou anteriormente, a Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” tem um grau de limpeza e asseio dentro dos padrões, recomendáveis a uma boa residência, principalmente se tratando de um público idoso. A água consumida é água mineral, com relação à higiene pessoal todos os idosos são orientados a lavar as mãos antes das refeições e após as necessidades fisiológicas, alguns
  11. 11. 11 confessaram esquecerem as recomendações, todos tomam banho diariamente, duas vezes ao dia e nenhum se queixou de dor de barriga, cansaço, falta de apetite ou fome exagerada, sintomas causados por parasitas. Embora nenhum tenha realizado exame de fezes no ano de 2013 todos foram medicados contra parasitoses. 2.3 RESULTADOS DOS EXAMES A avaliação de entoparasitoses humanas, por meio de exames parasitológicos, tem sido um parâmetro utilizado no sentido de se avaliar as condições sanitárias de populações que vivem em condições precárias no que tange ao saneamento básico e às baixas condições socioeconômicas. Neste trabalho, para que tais condições fossem analisadas, foi solicitado aos residentes da Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” que respondessem a um questionário com o intuito de se verificar os hábitos de higiene dos residentes, as condições sanitárias do ambiente bem como coleta de material (fezes) para a realização de exames parasitológicos. Com a realização dos exames, constataram-se os seguintes resultados, mostrados na tabela 5 e gráfico 5. Tabela 5 – Resultados obtidos nos exames de fezes, em números absolutos e percentual Resultado Qtde % Positivo 4 27% Negativo 11 73% TOTAL 15 100% Fonte: A autora RESULTADO DOS EXAMES 27% 73% Positivo Negativo Gráfico 5 – Resultado dos exames dos entrevistados
  12. 12. 12 A prevalência de enteroparasitos diagnosticada foi de 27%, sendo que o único parasita encontrado foi a Ascaris lumbricoides em forma de ovo, conforme demonstrado na figura 1, a seguir. Figura 1 – Ovo da ascaris lumbricoides Fonte: Atlas de parasitologia humana A espécie Ascaris lumbricoides, cujos indivíduos são popularmente conhecidos como lombrigas ou bichas é o agente etiológico da ascaridíase, ou ascaríase, ou ascaridiose. Trata-se de um representante do filo Nematódea, classe Secernentea, ordem Ascaridida, família Ascarididae. Os áscaris são vermes longos dioicos que apresentam dimorfismo sexual, sendo as fêmeas maiores e mais grossas tendo entre 30 e 40 cm e os machos entre 15 e 20 cm. Possuem o corpo revestido por uma fina cutícula esbranquiçada. Estes vermes parasitam o intestino delgado humano principalmente na região do jejuno, entretanto, nas infecções mais intensas, todo o intestino delgado pode estar povoado, não sendo rara a eliminação de vermes pela boca ou pela narina em indivíduos fortemente parasitados, especialmente crianças. A ascaridíase é a mais frequente verminose humana. É amplamente distribuída pelas zonas tropicais e temperada do globo, sendo mais comum nas regiões com clima quente e úmido e está relacionada às condições sanitárias precárias. Diante do exposto verifica-se que a Amazônia brasileira é o lugar propício à sua existência, tanto pelo clima como pela baixa existência de saneamento básico.
  13. 13. 13 3 DISCUSSÕES Devido a não existência de dados sobre a prevalência de enteroparasitos em idosos no estado de Rondônia, torna-se muito difícil estimar a repercussão do parasitismo intestinal sobre a saúde e a economia da população de idosos estudados em Porto Velho. Entretanto, estudo semelhante realizado em Porto Alegre-RS no Instituto de Geriatria e Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e publicado Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, em 2011, mostrou que a prevalência de enteroparasitos encontradas nos idosos estudados em Porto Alegre foi de 12,9%, tanto para os idosos institucionalizados quanto para os idosos que frequentavam o ambulatório geriátrico. Verifica-se, portanto que se encontrou um percentual significativamente maior de idosos infectados na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” em Porto Velho-RO, comparado ao encontrado no ambulatório geriátrico de Porto Alegre-RS. Embora a taxa de parasitose encontrada em idosos residentes na Casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” em Porto Velho-RO, tenha sido elevada, essa taxa de positividade foi menor do que em outros estudos realizados no Brasil e na América Latina. Hurtado-Guerreiro et al. (2005) encontraram, em Nova Olinda, estado do Amazonas, uma prevalência de 72,8% de enteroparasitoses em 81 idosos. Chen et al. (1998) estudaram a prevalência de enteroparasitos em 493 idosos chilenos e encontraram 37,8% da população parasitada. Araújo e Correia (1997) estudaram 365 idosos de João Pessoa, no estado da Paraíba, e verificaram a percentagem de 55,1% de parasitos intestinais. Esses resultados mostram que cada região geográfica tem suas peculiaridades socioeconômicas, ambientais e educacionais. É evidente, pois, que as populações que deram origem às amostras apresentam características diferentes, não oferecendo dados comparáveis. Com isso, sua significância se mostra limitada.
  14. 14. 14 4 CONCLUSÕES O estudo alcançou seus objetivos e demonstrou sua importância quanto à prevalência de parasitos intestinais na população idosa. Conforme pesquisas feitas para a conclusão deste estudo, provavelmente até o momento este é o único voltado à correlação de enteroparasitoses em idosos na casa do ancião “Casa São Vicente de Paula” em Porto Velho-RO. Não é correto, do ponto de vista científico, fazer comparações entre os resultados apresentados pelos diferentes trabalhos no Brasil e na América Latina, por terem sido feitos com amostras não padronizadas da população estudada e usando-se técnicas coproscológicas de exame tampouco padronizadas. Para a busca da prevenção das infecções parasitárias, se faz necessário a identificação da fonte e o modo como ocorre a infecção, que podem diferir em áreas geográficas e períodos sazonais. Entretanto, as pesquisas devem continuar sendo realizadas nos idosos na casa do Ancião “Casa São Vicente de Paula” em Porto Velho-RO bem como em outros locais de Rondônia e do Brasil, na busca de identificação de situações particulares. O objetivo é propor medidas sanitárias e educacionais para melhorar o estado de saúde das populações. Estudos de prevalência são necessários não só para se mensurar o problema das altas taxas de morbidade associadas a essas parasitoses, mas também para gerar dados para o planejamento de políticas públicas voltadas para melhoria na qualidade de vida da sociedade. Estas políticas públicas ou ações governamentais devem se basear na prevenção, através de saneamento básico, água tratada, uma boa educação levando à sociedade bons hábitos alimentares e de higiene. As parasitas intestinais estão normalmente relacionadas às condições socioeconômicas específicas da população.
  15. 15. 15 REFERÊNCIAS ARAÚJO CFF, Correia JS. Freq. de parasitoses intestinais em idosos dos núcleos da Pref. de João Pessoa. Rev Bras Análises Clínicas 1997; 29(4): 230-1. ASSIS M, Borges FP, Santos RCV, et al. Prevalência de enteroparasitos em moradores de vilas periféricas de Porto Alegre, RS. RBAC. Vol. 35, N° 4 (2003), http://www.pucrs.br/edipucrs/IVmostra/IV_MOSTRA_PDF/Gerontologia_Biomedica/7 0223-LUISA_SCHEER_ELY.pdf. Acesso em 02 de outubro de 2013. BATCHELOR DJ, Tzannes S, Graham PA, et al. Detection of Edoparasites with Zoonotic Potential in Dogs with Gastrointestinal Disease in the UK. Transbounday and Emerging Disease. Vol. 55 (2008), pp. 99-104. Disponível em http://www.pucrs.br/edipucrs/IVmostra/IV_MOSTRA_PDF/Gerontologia_Biomedica/7 0223-LUISA_SCHEER_ELY.pdf. Acesso em 02 de outubro de 2013. BOÁS PJFV, Ferreira ALA. Infecção em idosos internados em instituição de longa permanência. Rev Associação Méd Brasileira 2007; 53(2): 126-9. BRANDT LJ. Bloody Diarrhea in an Elderly Patient. Gastroenterology. Vol. 126 (2005), http://www.pucrs.br/edipucrs/IVmostra/IV_MOSTRA_PDF/Gerontologia _Biomédica/70223-LUISA_SCHEER_ELY.pdf. Acesso em 02 de outubro de 2013. CARDOSO, G.S prevalência e aspectos epidemiológicos da giárdia em creche no município de Aracaju, SE, Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v 28, p.25-31, 1995. Disponível em http://repositorio.ufu.br/bitstream /123456789/2786/1/PrevalenciaFatoresRisco.pdf. Acesso em 05 de outubro de 2013. DE CARLI G.A, et al. Prevalência das enteroparasitoses nas vilas periféricas da grande Porto Alegre, nos assentamentos de trabalhadores rurais e na cidade de Arroio dos Ratos, no Estado do Rio Grande do Sul. RBAC. Vol. 29, N° 3 (1997), pp. 185-189. Disponível em http://www.pucrs.br/edipucrs/IVmostra/IV_MOSTRA _PDF/Gerontologia_Biomedica/70223-LUISA_SCHEER_ELY.pdf. Acesso em 02 de outubro de 2013. HURTADO-GUERRERO, A. F.; ALENCAR, J. C.; Ocorrência de enteroparasitas na população geronte de Nova Olinda do Norte – Amazonas, Brasil. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/aa/v35n4/v35n4a13.pdf> Acesso em 04 de Outubro de 2013. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA Pesquisa (IBGE). Informação Demográfica e Socioeconômica. Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de Janeiro: IBGE; 2011. 164-83p. LUDWIG KM, Frei F, Álvares Filho F, et al. Correlação entre condições de saneamento básico e parasitoses intestinais na população de Assis. Rev Soc Bras Med Tropical 1999; 32(5): 547-55.
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