éTica na igreja

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Alguns conceitos de ética cristã

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éTica na igreja

  1. 1. ÉTICA NA IGREJA O que é Ética - Conforme a definição do dicionário Aurélio é o estudo dos juízos de apreciação referente à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal, ou seja, cada povo em sua cultura peculiar estabelece o conjunto de procedimento humano como certos ou errados. O Cristão, além do padrão Moral estabelecido pelos homens, deve submeter-se a um padrão mais alto, estabelecido nas Escrituras Sagradas. O comportamento do crente - Costumamos dizer que a Bíblia é a “única regra de fé e prática para o cristão”, mas geralmente ficamos apenas na “única regra de fé”. A “única regra de prática” fica no esquecimento. Os fariseus perguntaram: “MESTRE, QUAL É O GRANDE MANDAMENTO NA LEI? RESPONDEUS JESUS: AMARÁS O SENHOR, TEU DEUS, DE TODO O TEU CORAÇÃO, DE TODA A TUA ALMA E DE TODO O TEUENTENDIMENTO. ESTE É O GRANDE E PRIMEIRO MANDAMENTO. O SEGUNDO, SEMELHANTE A ESTE, É: AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO” Mt. 22:36-39. – Amar a Deus é a “Regra de Fé”; amar o próximo é a “Regra da prática da vida cristã”. Ética é a ciência dos deveres do homem - Isto é, uma ciência que nos ensina como proceder neste mundo. A ética cristã, baseada nas Escrituras Sagradas, nos ensina como andar neste mundo de acordo com a “vocação com que fomos chamados”. A ética cristã trata de fatos concernentes ao procedimento do homem em todas as suas relações. Tiago diz: “SE ALGUÉM SUPÕE SER RELIGIOSO, DEIXANDO DE REFREAR A LÍNGUA, ANTES, ENGANANDO O PROPRIO CORAÇÃO, A SUA RELIGIÃO É VÃ. A RELIGIÃO PURA E SEM MÁCULA, PARA COM O NOSSO DEUS E PAI, É ESTA: VISITAR OS ÓRFÃOS E AS VIÚVAS NAS SUAS TRIBULAÇÕES E A SI MESMO GUARDAR-SE INCONTAMINADO DO MUNDO” – Tg. 1:26, 27. A missão dada por Deus ao homem para cumprir-se aqui na terra é o assunto especial da Ética Cristã - Ela trata de todas as coisas que se relacionam com a descoberta e cumprimento de tal missão. Pelo estudo da ética vamos descobrir a nossa razão de ser; a razão de todos os poderes e faculdades da alma humana, e como utilizar esses poderes e faculdades em beneficio de uma coletividade. Paulo diz: “LEVAI AS CARGAS UNS DOS OUTROS E, ASSIM, CUMPRIREIS A LEI DE CRISTO” – Gl. 6:2. A missão do homem é, então, o grande assunto da ética cristã. A Ética Cristã comporta duas grandes divisões: a) Ética teórica – Trata dos princípios que devem governar a vida e o procedimento do homem. Na ética procura-se explicação e a compreensão dos princípios evangélicos envolvidos na arte do relacionamento humano. b) Ética prática – Trata da aplicação dos princípios estudados na ética teórica referente ao procedimento do homem. A ética prática tem por fim levar o homem ao cumprimento dos seus deveres: “TUDO QUANTO TE VIER À MÃO PARA FAZER, FAZE-O CONFORME AS TUAS FORÇAS”- Ec. 9:10a. LITURGIA DO CULTO: Ec. 5:1 – QUANDO VOCÊ FOR AO SANTUARIO DE DEUS, SEJA REVERENTE. QUEM SE APROXIMA PARA OUVIR É MELHOR DO QUE OS TOLOS QUE OFERECEM SACRIFICIOS SEM SABER QUE ESTÃO AGINDO MAL. Começa o culto. Durante a leitura Bíblica e os primeiros cânticos, a igreja permanece quase vazia, com meia-dúzia de gatos pingados nas primeiras filas. Enquanto os louvores prosseguem, vão chegando mais pessoas. Algumas se dirigem para frente, pedem licença e vão ocupar justamente aquele lugarzinho lá no canto, obrigando quem já estava sentado a um contorcionismo de pernas. Na hora do ofertório, é aquele recreio: enquanto o obreiro dá os avisos – aos quais ninguém presta atenção, claro -, os membros aproveitam para botar a conversa em dia, à boca miúda. Um burburinho toma conta do templo. A pregação começa e, ato continua, crianças choram, celulares tocam e parece que todo mundo sente vontade de ir ao banheiro ou beber água. Mas o Pastor também faz das suas – estende a mensagem e termina o culto quase duas horas depois do horário previsto.
  2. 2. Se você já viu esse filme na sua igreja, não se sinta culpado: ele é mais comum do que se pode imaginar. “O Culto é para Deus. Não se deve conversar, dar risada e muito menos falar ao celular”. Todavia, certos princípios de convivência aplicam-se perfeitamente à comunidade Evangélica. “Durante o culto, as pessoas precisam se comportar”. Os bons modos Agradam ao Senhor, mas costumam ser esquecido no meio Evangélico. As igrejas pentecostais enfrentam mais problemas nesta área do que as tradicionais. As Igrejas históricas vieram de umas formações mais rígidas, como os alemães, que são um povo formal. Já as pentecostais constituem uma mistura de pessoas e comportamentos. Além disso, é claro, está o temperamento do brasileiro, descontraído e nem sempre organizado. CELULAR, CHORO E CONVERSAS PARALELAS: O mau comportamento de muitos crentes, além de causar transtornos, é um péssimo testemunho. E o problema não acontece só durante os cultos. “Tem gente que larga o carro em fila dupla na porta do templo”. Outro problema é o ruído das reuniões. Além de incomodar quem esta dentro da igreja – “Causa até surdez nos mais velhos” – chama a atenção de quem está fora, e não exatamente de forma positiva. “Não é de hoje que os evangélicos são rotulados de barulhentos e insubordinados pelos vizinhos das congregações. Som alto e vigílias barulhentas são falta de educação e de respeito”. Nota zero em comportamento também leva os Pastores, obreiros e líderes que atrasam ou prolongam demasiadamente o culto. Muitas vezes, sob o pretexto de estarem sendo movidas por Deus, às reuniões ultrapassam horas além do previsto. (I Co. 14:32, 33 e 40 – O ESPIRITO DOS PROFETAS SÃO SUJEITO AOS PROFETAS. - POIS DEUS NÃO É DEUS DE DESORDEM, MAS DE PAZ. - MAS TUDO DEVE SER FEITO COM DECÊNCIA E ORDEM). Há pessoas que dependem de condução ou carona; quantas esposas que seus maridos não são crentes que acabam sendo prejudicadas. Certa ocasião fui convidado para estar em uma festividade de uma igreja juntamente com os departamentos de louvores da igreja que fazia parte, fique abismado ao ver a organização desta igreja. O grupo de louvor cantou tanto que os pastores e bandas convidadas não tiveram espaço. Foram embora sem receber a palavra. Isso depois de três horas e meio de culto. – “Uma desconsideração”. Quando uma igreja visita outra para ministrar louvores ou mensagem, ensina ela, o ideal é que os locais sejam breves e passem logo a direção da reunião para os visitantes. Nos cultos os celulares “às vezes, mais de um tocam ao mesmo tempo, E pior é que tem gente que ainda atende”, lembro-me certa feita estava em um congresso de jovens, sentado junto ao púlpito desta igreja na hora em que o Pastor estava ministrando, um pastor que estava ao meu lado o celular dele tocou e ele atendeu. E o pior é que as pessoas vão ao banheiro, nos quadro de avisos e boletim informativo da igreja é notificado acerca deste assunto, “para que desliguem o aparelhinho”. I Co. 14:26 – PORTANTO, QUE DIREMOS, IRMÃOS? QUANDO VOCÊS SE REUNEM, CADA UM DE VOCÊS TEM UM SALMO, OU UMA PALAVRA DE INSTRUÇÃO, UMA REVELAÇÃO, UMA PALAVRA EM LÍNGUA OU UMA INTERPRETAÇÃO. TUDO SEJA FEITO PARA A EDIFICAÇÃO DA IGREJA. “Essa historia dos hábitos nos cultos depende muito da visão e da linha da igreja. Em algumas, o culto é mais descontraído, o que favorece conversas paralelas”; no entanto, que em algumas congregações o que falta é estrutura, e não educação. “Muitas templos nem têm berçário, uma sala exclusiva para trabalho e culto para crianças”. Então, como impedir que um bebê chore no meio da reunião? Uma criança fique sentada 2 ou 3 horas em uma cadeira ou banco? Em outras, o problema é que muitos pastores não orientam suas ovelhas sobre etiqueta e boas maneiras no ambiente de culto. Ec. 5:1 – QUANDO VOCÊ FOR AO SANTUARIO DE DEUS, SEJA REVERENTE. QUEM SE APROXIMA PARA OUVIR É MELHOR DO QUE OS TOLOS QUE OFERECEM SACRIFICIOS SEM SABER QUE ESTÃO AGINDO MAL. Questão de Reverência Quando entrar na Casa de Oração não esqueça: 1. Coloque o celular no vibracall ou desligue; 2. Evite conversas paralelas durante o culto; 3. Não jogue papel ou copo descartável no piso da Casa de Oração, Use o Lixo.
  3. 3. 4. Evite entrar e sair desnecessariamente; 5. Não use boné ou bermuda na Casa de Oração; 6. Não dê canetas ou lápis para seus filhos, para que não risquem paredes ou cadeiras; 7. Orientem seus filhos à não brincarem com água ou copos descartáveis. Ética do comportamento cristão Texto básico: Romanos 12.9-11 Texto devocional: Mateus 5.43-48 Versículo-chave: “E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo” (Fp 1.9-10). Alvo da lição: Você conhecerá os passos para chegar à excelência da vida cristã sem “murmurações nem contendas”. Leia a Bíblia diariamente SEG Fp 1.27-30; TER Fp 2.1-4; QUA Fp 2.12-18; QUI Mt 5.38-42; SEX Mt 6.19-24; SÁB Mt 6.25-34; DOM Mt 7.1-5 Iniciamos esta lição com Provérbios 26.18-20: “Como o louco que lança fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz: Fiz por brincadeira. Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda”. Paulo começa a seção ética de sua carta aos Romanos com a excelência do “culto racional” e da diversidade dos dons espirituais que devem estar a serviço da igreja. Entre os dons espirituais e os degraus do comportamento cristão, exatamente no começo de Romanos 12.9, ele coloca a pedra angular da ética cristã: “o amor seja sem hipocrisia”. O amor, que é realmente o princípio governante da vida cristã, é mais do que uma emoção, e é de natureza mais firme do que mero sentimentalismo ou pura filantropia. Salomão poetiza esse amor sem hipocrisia, dizendo: “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura, o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas. As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor seria de todo desprezado” (Ct 8.6-7). A partir do “amor sem hipocrisia”, vêm os degraus da ética do comportamento cristão, que vamos estudar em lições seguintes. Nesta lição trataremos de seis desses degraus. I – DETESTAI O MAL Detestar o mal é o mesmo que odiá-lo. Paulo usa várias vezes a palavra “fugir” para significar a repulsa que o cristão deve ter das coisas que são más (1Co 6.18; 10.14 e 1Tm 6.11): “Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas”. Carlyle, escritor cristão, comentando esse texto, diz: “O que necessitamos é ver a infinita beleza da santidade, e a infinita maldição e o horror do pecado”. O apóstolo João, em sua primeira epístola, coloca esse “detestai o mal” da seguinte maneira: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo2.15). II – APEGAI-VOS AO BEM O verbo “apegar” sugere um desejo intenso de apropriar-se de alguma coisa. O salmista assim se expressa: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água.” (Sl
  4. 4. 63.1). O comportamento ético do cristão é uma busca constante e intensa do que é bom. As palavras usadas por Paulo são firmes: “detestai” e “apegai”. Elas podem ser ilustradas com dois versos de Colossenses, como veremos a seguir. 1. Detestai “Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem” (Cl 3.8 e 9). 2. Apegai-vos “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade” (Cl 3.12). Tudo isso nada mais é do que empurrar para longe de nós o mal e abraçar de corpo e alma o que é bom, o que edifica. III – AMAI-VOS CORDIALMENTE UNS AOS OUTROS Devemos ser afetuosos uns com os outros em amor fraternal. A palavra “cordialmente” é que qualifica esse amor. “Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos” (Hb 13.1-2). Esse degrau do comportamento ético do cristão é um dos muitos mandamentos da mutualidade. O amor cordial é recíproco: “uns aos outros”. Dentro da igreja não somos estranhos; muito menos unidades isoladas. Somos irmãos, porque temos o mesmo Pai. A igreja não é um clube onde as pessoas se associam; nem simplesmente uma reunião de amigos. A igreja é a família de Deus. A reciprocidade no amor é a marca mais visível no Corpo de Cristo. IV – NO ZELO, NÃO SEJAIS REMISSOS. O descuido da vida cristã acarreta sérios problemas. O cristão não pode tomar as coisas de qualquer maneira. O nosso cotidiano é sempre uma alternativa entre a vida e a morte. O tempo é curto e a vida terrena é uma preparação para a eternidade. O profeta Jeremias exorta-nos: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente!” (Jr 48.10). Costuma-se dizer que o cristão pode abrasar-se, porém nunca oxidar-se. Jesus, em carta à igreja de Laodicéia, exorta: “Eu repreendo e disciplino os quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te” (Ap 3.19). V – SEDE FERVOROSOS DE ESPÍRITO William Barclay, comentando esse degrau da ética do comportamento cristão, diz: “Devemos manter nosso espírito sempre em alta. Espírito fervoroso é espírito que transborda em amor por Deus e pelo próximo. Ilustra-se esse fervor com uma vasilha de água fervendo no fogo”. Foi exatamente nessa dimensão que Jesus advertiu a igreja de Laodicéia: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem deras fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar- te da minha boca” (Ap 3.15-16). O que se requer do verdadeiro cristão é que ele seja
  5. 5. “fervoroso de espírito”. Isto é, uma pessoa entusiasmada e apaixonada pela salvação das almas e pela santificação da Igreja. VI – SERVINDO AO SENHOR Quem serve ao Senhor, está servindo ao seu próximo, e quem serve ao seu próximo está servindo ao Senhor. Jesus coloca esse assunto da seguinte maneira: “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.40). O salmista, no hino de ingresso ao templo, declara: “Servi ao Senhor com alegria”. Esse sentimento deve ser constante no serviço cristão. O crente deve ter prazer no que faz servindo ao Reino de Deus. Por isso mesmo, aconselha o apóstolo: “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades” (Cl 4.5). “Quem não vive para servir, não serve para viver”. CONCLUSÃO Elisabeth Gomes, em seu livro “Ética nas pequenas coisas”, diz: “Deus espera de Seus filhos pecadores e redimidos pelo sangue de Jesus um padrão de excelência em tudo. Deste lado da glória não atingiremos perfeição no sentido de não pecarmos, mas somos aperfeiçoados a cada dia, à medida que nos achegamos Àquele que cumpre em nós o querer e o realizar”. Na carta aos Romanos, Paulo diz: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6.4). A vida cristã é uma experiência que se renova a cada dia em nosso relacionamento com Deus e com o nosso próximo. >> Autor da lição: Pastor João Arantes Costa >> Estudo publicado originalmente pela Editora Cristã Evangélica, na revista O Comportamento do Crente, da série Vida Cristã. Usado com permissão. IGREJAS E PASTORES SEM ÉTICA MINISTERIAL Há muitos anos enquanto liderava uma equipa missionária no sudeste asiático recebemos alguns missionários novos que chegaram com todo aquele entusiasmo natural dos missionários recém- chegados e ao mesmo tempo nós que ali estávamos já há algum tempo também éramos contagiados por este entusiasmo. No entanto, um mês após a chegada destes irmãos, um deles teve seu sustento abruptamente cortado por sua igreja, pois outro pastor havia passado naquela igreja e a convenceu de simplesmente repassar para seu projeto a ajuda missionária que era destina ao novel missionário, agora abandonado no campo. No desejo de ajudar, telefonei ao pastor da igreja que me ouviu em silêncio e simplesmente me disse ao final: "O que está feito, está feito!" Dando-me a impressão de um pastor e igreja irresponsáveis e sem ética ministerial. Numa outra ocasião, quando fazia parte de uma comissão que coordenava um determinado ministério, sendo eu na ocasião uma das figuras principais naquele movimento, fui procurado por um pastor que desejoso de pertencer a tal comissão ofereceu um determinado valor mensal para o ministério se eu o ajudasse a entrar na coordenação daquele trabalho.
  6. 6. Quando cheguei a Europa para trabalhar, há quase doze anos, ainda mantinha alguns vínculos ministeriais com a Ásia, coisa que fui deixando aos poucos, foiquando um pastor que viu o resultado do nosso trabalho na Ásia me fez a proposta de me desligar da minha igreja enviadora no Brasil, e então eu poderia escolher o país onde morar na Europa e sua igreja assumiria todas as minhas despesas com o acréscimo de outros benefícios desde que eu trabalhasse somente para eles. Eu poderia continuar aqui contando histórias como estas e outras que revelam o caráter deformado de pastores e igrejas. Se há algo pelo qual um pastor e igreja devem prezar é pela sua ética ministerial. Mas é impressionante a falta desta no meio protestante. A ética tem relação direta com o nosso caráter cristão e revela se estamos de fato seguindo a Cristo, servindo na sua causa ou se servimo-nos a nós mesmos e os nossos interesses. A Bíblia está repleta de histórias e advertências sobre a nossa responsabilidade de manter nossa ética ministerial como igreja e pastores sem mácula. Mas citarei apenas um verso: "Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo!" (1 Co 11:1). Uma igreja ou pastor que buscar ser um imitador de Cristo desenvolverá uma postura ética acima de qualquer acusação. No entanto, não é isto o que vemos, em todo lado, há sempre alguém preparado para causar escândalo desde que possa tirar alguma vantagem. Mas entre todos os sem éticas, imorais e vergonhosos os que mais me impressionam são aqueles que agem à surdina, na calada da noite, que sem piedade ao ministério de outro age de maneira a tirar vantagens de alguma forma. Como aqueles que vestidos de uma capa de falsa piedade e falsos camaradas de jugo, utilizam-se de oportunidades para pescar no aquário alheio, roubando com palavras doces as ovelhas de outro. Que acolhe aqueles que levados por satanás buscam denegrir a imagem de homens honestos e com eles compactuam, comem na mesma mesa e juntos tramam a perversidade. Confesso que este texto é um desabafo, muito mais que um texto para instrução geral, pois já estou cansado de lidar com este tipo de pastores e igrejas. Homens sem piedade, sem ética, sem sentido de respeito e cooperação que buscam de toda forma engordar seus rebanhos à custa do trabalho de outro. Tolos, pensam que por agirem nas trevas ninguém os vê, mas se esquecem que Deus é luz e nele não há trevas alguma. Nos encontros pastorais se esquivam, protagonizam pressa, andam pelos cantos, chegam depois e saem antes para não serem confrontados, na esperança de que sua atitude caia no esquecimento. Miseráveis, esquecem que dão contas a Deus. Que Deus nos livre destes pastores e destas igrejas, pois imitam muito mais a satanás do que a Cristo. A MISSÃO ÉTICA DA IGREJA A Igreja tem um comportamento distinto dos demais povos e que deve exceder em justiça tanto a judeus quanto a gentios. INTRODUÇÃO - Na sequência do estudo da “Eclesiologia prática”, estaremos estudando o que o ilustre comentarista denominou de “missão ética da Igreja”. Já vimos que um dos aspectos da adoração do cristão é o seu testemunho (“martyria”), ou seja, o seu “modus vivendi”. O cristão é identificado pela sua maneira distinta de viver, bem diferente da “vã maneira de viver que, por tradição, recebemos de nossos pais” (I Pe.1:18 “in fine”). - A Igreja está no mundo, mas não é do mundo e, portanto, não pode ter as mesmas atitudes e o mesmo comportamento que os demais seres humanos. Eis uma realidade que precisa estar sempre presente em nossas mentes, numa época em que muitos querem ser “cristãos”, mas totalmente conformados com o mundo. I – O CLAMOR ATUAL PELA ÉTICA E SEU SIGNIFICADO - Seja na política, seja nas artes, seja na ciência, seja na economia, todos os povos estão observando um
  7. 7. clamor, uma exigência por padrões de ética. Cada vez um maior número de pessoas está a exigir dos líderes, dos cientistas, dos empresários, dos trabalhadores, enfim, de todos os segmentos da população, que haja uma atitude ética nos relacionamentos humanos. - Este clamor por ética reflete o grande vazio espiritual que tem sido vivido pela humanidade, pois a discussão sobre a falta de ética que hoje se verifica em todos os setores da vida humana, nada mais é que uma universal constatação de que os homens perderam o rumo, o norte, que andam de um lado para outro, como ovelhas desgarradas que não têm pastor (Mt.9:36), exatamente porque se recusaram a seguir a Deus e a observar os Seus mandamentos. - Com efeito, quando se fala em ética, fala-se em "conduta ideal do indivíduo". A ética é o conjunto de padrões, de condutas, de atitudes que devem ser observados pelos indivíduos. Toda atividade humana tem um padrão a ser observado, tem a sua ética. - A discussão a respeito de como deve o homem se comportar é algo que vem sendo efetuado desde os primórdios da civilização humana, pois Deus fez o homem como um ser moral, ou seja, como um ser responsável, que tem consciência do que deve, ou não, fazer, porque e para que deve agir num determinado sentido. Tanto assim é que, logo após ser colocado no jardim do Éden, por Deus, o primeiro casal recebeu logo uma determinação de Deus : " De toda a árvore do jardim, comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente, morrerás." (Gn.2:16b,17). - Como se percebe, portanto, o homem foi feito um ser eminentemente moral, ou seja, um ser ético (pois a palavra "mos, moris"em latim nada mais é que a tradução da palavra grega "ethos") e, desde então, a história da humanidade tem refletido este embate entre o comportamento exigido por Deus e o comportamento que o homem escolhe, dentro de seu livre-arbítrio, para si, independentemente da vontade humana. - O resultado da desobediência do homem e da sua tentativa de construir para si padrões de conduta alheios à vontade de Deus resultou nos grandes dilemas que hoje, como em nenhum outro momento da história humana, vivemos nesta "grande aldeia global" em que se tornou o nosso planeta, dilemas estes que, não raro, abalam a fé de muitos servos de Deus que, à revelia da própria Palavra de Deus, acabam cedendo a padrões, princípios e procedimentos que são radicalmente contrários à vontade do Senhor. - O homem, imerso no pecado(Rm.3:9-12,23), separado de Deus (Is.59:2), cegado pelo deus deste século (II Co.4:4), não pode ter senão comportamentos e condutas que desagradam a Deus, estabelecendo-se, pela arrogância dos homens, um relativismo ético, ou seja, um conjunto de condutas e de regras de comportamento que se alteram conforme a conveniência e de acordo com as circunstâncias, a gerar uma tolerância ilimitada, um verdadeiro caminho largo, em que tudo é permitido (Mt.7:13). - O resultado disto é o surgimento de um vazio espiritual, de uma falta de orientação e de princípios, que deixa a humanidade perdida e sem qualquer direção, com funestas conseqüências, como as que temos visto nos nossos dias e que estão levando à indignação e a este clamor por uma ética mínima nos relacionamentos humanos. - Busca o homem uma referência, uma base, um fundamento, esquecido que somente um é absoluto neste universo, somente um tem o direito de impor uma conduta a todos os homens, que é o nosso Deus, o Criador dos céus e da terra, o Soberano Senhor. - Nesta busca pela ética, que nada mais é que uma sede de Deus, deve a Igreja, corajosamente, como agência do reino de Deus, clamar ao mundo que a ética tão desejada, que a conduta ideal tão almejada, não se encontra nos direitos humanos, na busca e maior justiça nas relações socioeconômicas, mas nAquele que, desde a criação do homem, tem querido determinar como devemos proceder. Em Deus se encontra a verdadeira ética e, portanto, para os diversos dilemas morais vividos pelo homem, existe uma única resposta: a Palavra de Deus. II – A ÉTICA E A ÉTICA CRISTÃ - "Ética" é palavra de origem grega, que vem de "ethos", que quer dizer costume, hábito, disposição. Em latim, a palavra usada para dar a mesma idéia é "mos, moris". Advém daí que, etimologicamente, temos que "ética" e "moral" se confundem, pois ambas dizem respeito ao conjunto de padrões e de atitudes que as pessoas devem
  8. 8. ter no seu dia-a-dia, no seu cotidiano. - A ética, portanto, preocupa-se com a conduta ideal do indivíduo, ou seja, qual deve ser o comportamento do indivíduo ao exercer uma determinada atividade, ao desempenhar uma determinada ação, ou seja, como o indivíduo deve agir enquanto vive. OBS: "...A ética é a ciência da conduta ideal. Aborda a conduta ideal do indivíduo, isto é, nossa responsabilidade primária. Os Evangelhos nos ensinam que a transformação moral nos conduz às perfeições de Deus Pai (Mt.5.48). E daí, parte-se para a transformação de acordo com a imagem do Filho de Deus (Rm. 8.29; Ii Co. 3.18). Precisamos cuidar de nosso próprio desenvolvimento espiritual como indivíduos. Essa transformação reflete em nossa conduta pessoal, pois a conversão cristã gera essa transformação na vida do ser humano direcionando-o à ética pessoal ( II Co. 5.17) ..." ( Pr. José Elias CROCE. Lição 1 - O cristão e a ética. Betel Dominical, jovens e adultos, 3º trim. 2001, p.8) - A Bíblia nos mostra que Deus fez o homem dotado de moralidade, pois feito à imagem e semelhança de Deus (Gn.1:26) e Deus é um ser eminentemente moral, de forma que o homem não poderia ser diferente. Como demonstração desta moralidade ínsita à natureza humana, Deus estabeleceu, já no jardim do Éden, uma regra a ser observada, referente à árvore da ciência do bem e do mal (Gn.2:16,17). Neste estabelecimento da regra, Deus denuncia não só a moralidade do homem como a sua liberdade. Assim, a vida do homem está envolvida, integralmente, com a ética, com a conduta que deve seguir. - Não é, portanto, desarrazoado que, desde as épocas mais antigas, tenha o homem se debruçado sobre a questão do comportamento que deve ser seguido no viver cotidiano, a ponto de uma das partes tradicionais da filosofia ser, exatamente, a ética, aqui concebida como a reflexão de como deve ser o agir humano, de qual a conduta ideal do indivíduo. - Desde a criação, portanto, ao homem tem sido proposta uma conduta ideal, qual seja, a obediência a Deus e a Seus mandamentos, que é a ética divina, a verdadeira ética que conduz o homem à comunhão com seu Criador e à vida eterna, mas o homem, desde a queda, tem enveredado por outros caminhos, buscando, dentro de sua capacidade e de seus pensamentos, outras condutas de vida, outras formas de comportamento, que dão ensejo às diversas éticas que têm sido criadas ao longo da história da humanidade. - Quando se fala, portanto, em conduta ideal do indivíduo, em forma de agir, em comportamentos adequados, sempre teremos, de um lado, o comportamento exigido por Deus, proposto pelo Criador, determinado pelo Soberano Senhor dos céus e da terra, como, também, de outro lado, as propostas humanas de conduta e de comportamento, fruto da rebeldia do ser humano e de seu estado pecaminoso. OBS: "...Todos nós tomamos diariamente dezenas de decisões, resolvendo aquilo que tem a ver com nossa vida, a vida da empresa e de nossos semelhantes. Ninguém faz isso no vácuo. Antigamente pensava-se que era possível pronunciar-se sobre um determinado assunto de forma inteiramente objetiva, isto é, isenta de quaisquer pré-concepções. Hoje, sabe-se que nem mesmo na área das chamadas ciências exatas é possível fazer pesquisa sem sermos influenciados pelo que cremos. Ao elegermos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores do que acreditamos é certo ou errado. É isso que chamamos de ética: o conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. Cada um de nós tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões...!) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciado decisivamente nossas opções. Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental. As chamadas ÉTICAS HUMANÍSTICAS tomam o ser humano como seu princípio orientador, seguindo o axioma de Protágoras, "o homem é a medida de todas as coisas". O hedonismo, por exemplo, ensina que o certo é aquilo que é agradável. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. O individualismo e o materialismo modernos são formas atuais de hedonismo. Já o
  9. 9. utilitarismo tem como princípio orientador o que for útil para o maior número de pessoas. O nazismo, dizimando milhares de judeus em nomes do que é útil, demonstrou que na falta de quem decida mais exatamente o sentido de "útil", tal princípio orientador acaba por justificar os interesses de poderosos inescrupulosos e o egoísmo dos indivíduos. O existencialismo, por sua vez, defende que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Seu principio orientador é que o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte. O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna, que tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual. A ÉTICA NATURALÍSTICA toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e desaparecer à medida em que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo. Numa sociedade dominada pela teoria evolucionista não foi difícil para esse tipo de ética encontrar lugar. Cresce a aceitação pública do aborto (em caso de fetos deficientes) e da eutanásia (elimina doentes, velhos e inválidos). (Rev. Augustus Nicodemus LOPES. A ética nossa de Cada dia.http://w w w .thirdmill.org/files/portuguese/14495~9_19_01_9-44- 44_AM~A_%C3%89tica_nossa_de_Cada_Dia.html) - Jesus, ao vir ao mundo para ser a suprema revelação do Pai (Hb.1:1; Jo.14:8-11; 17:3-7), igualmente nos mostrou qual a conduta que devemos ter neste mundo (Jo.17:14-23; Mt.7:24-27; I Co.11:1; I Pe.2:21-25), ou seja, qual a ética do servo de Deus. - É, portanto, imperioso que o cristão tenha um comportamento diferente do que não é cristão, pois somente o cristão genuíno está a se conduzir conforme a vontade de Deus, conforme a regra determinada por Deus. Não é possível que alguém seja considerado verdadeiro servo de Deus se não tiver este comportamento diferente, pois somos um povo separado e de boas obras (I Pe.2:9; Tt.2:11-14). É somente através deste comportamento que poderemos levar os homens a glorificar a Deus (Mt.5:13-16). - A ética cristã, portanto, em primeiro lugar, caracteriza-se por ser um comportamento assumido por um indivíduo que o faz exclusivamente pela fé. Sim, o cristão passa a ter um determinado comportamento porque crê que aquele comportamento, aquelas atitudes são agradáveis a Deus, que é o galardoador dos que O buscam (Hb.11:6). Cremos em Deus e na Sua Palavra e é por isso que passamos a agir conforme os Seus mandamentos. É por isso que Paulo afirma que "tudo que não é de fé é pecado"(Rm.14:23). - Cumprimos a Palavra de Deus, praticamos as ações e atitudes que a Bíblia nos determina, porque, antes, cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus e a única regra de fé e prática que deve ser seguida. Temos a convicção, que nasce em nós por dom de Deus (Ef.2:8), pela aceitação da ação de convencimento do Espírito Santo (Jo.16:8-11). - Destarte, quem não tem fé verdadeira e genuína, não pode, em absoluto, ter um comportamento ou conduta que esteja de acordo com a Palavra de Deus, ou seja, a ética cristão exige uma verdadeira conversão do indivíduo. É por isso que vemos com preocupação a constatação de que a ética tem sido relegada a um plano absolutamente secundário na pregação do evangelho nos nossos dias, tanto que o fenômeno tem sido observado até por sociólogos da religião, como Antonio Flávio Pierucci, que o denominou de "des-moralização religiosa", algo, aliás, que já tinha sido previsto nas Escrituras (II Pe.2:1-3) OBS: "...Os cristãos entendem que éticas baseadas exclusivamente no homem e na natureza são inadequadas, já que ambos, como os temos hoje, estão profundamente afetados pelos efeitos da entrada do pecado no mundo. A ÉTICA CRISTÃ, por sua vez, parte de diversos pressupostos associados com o Cristianismo histórico. Tem como fundamento principal a existência de um único Deus, criador dos céus e da terra. Vê o homem, não como fruto de um processo evolutivo (o que o eximiria de responsabilidades morais) mas como criação de Deus, ao qual é responsável moralmente. Entende que o homem pecou, afastando-se de Deus; como tal, não é moralmente neutro, mas naturalmente inclinado a tomar decisões movido acima de tudo pela cobiça e pelo egoísmo (por natureza, segue uma ética humanística ou naturalística). Um outro postulado é o de que Deus
  10. 10. enviou seu Filho Jesus Cristo ao mundo para salvar o homem. Mediante fé em Jesus Cristo, o homem decaído é restaurado, renovado e capacitado a viver uma vida de amor a Deus e ao próximo. A vontade de Deus para a humanidade encontra-se na Bíblia. Ela revela os padrões morais de Deus, como encontramos nos 10 mandamentos e no sermão do Monte. Mais que isso, ela nos revela o que Deus fez para que o homem pudesse vir a obedecê-lo. A ÉTICA CRISTÃ, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta nesse mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais o homem poderá chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são a vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas." (Rev. Augustus Nicodemus LOPES. A ética nossa de cada dia. http://w w w.thirdmill.org/files/portuguese/14495~9_19_01_9-44- 44_AM~A_%C3%89tica_nossa_de_Cada_Dia.html) - A existência de um comportamento distinto e de acordo com a Palavra de Deus foi algo que faltou na geração do êxodo entre os filhos de Israel, tanto que foi o responsável, ao lado da incredulidade (Hb.3:19), pelo fracasso e morte daquele povo no deserto. Deus não Se agradou daqueles que tomaram um comportamento semelhante aos dos outros povos, que assumiram as mesmas ações e condutas decorrentes de pensamentos humanos e rebeldes contra Deus. O resultado de tal atitude inconsequente foi a sua própria destruição e prostração no deserto (I Co.10:5). Quem quer agradar ao mundo, às éticas fundadas no pecado e na rebeldia, torna-se inimigo de Deus (Tg.4:4). - Sob um discurso de tolerância e de liberdade, o mundo, hodiernamente, defende a idéia do "relativismo ético", ou seja, nega que haja padrões de comportamento válidos para todos os homens, independentemente da época, da cultura ou da vontade de cada ser humano. Dentro deste pensamento, não é considerado exigível dos homens qualquer conduta estabelecida "a priori" por quem quer que seja. Deste modo, entende-se que não possa ser imposto qualquer comportamento a qualquer homem, sendo "fanáticos" e "intolerantes" aqueles que assim não entendem. - Entretanto, este tipo de pensamento é antibíblico, porquanto é mera conseqüência do pecado do homem, da sua recusa em obedecer a Deus e à ética estabelecida pelo Criador dos céus e da terra. Não negamos a liberdade de cada indivíduo de viver conforme a sua vontade, pois o livre-arbítrio foi dado ao homem pelo próprio Deus e, desta forma, é igualmente antibíblico agir de forma a negá-lo ou procurar massacrá-lo, mas não resta dúvida de que existe uma ordem universal instituída por Deus e que esta ordem deve ser observada pelo homem. - Portanto, existe, sim, uma conduta que deve ser perseguida pelo ser humano, que é a conduta determinada por Deus, por Ele revelada em Sua Palavra, que deve ser a nossa única regra de fé e prática. Ao contrário do que se diz no mundo, existe, sim, um padrão universal de conduta, que independe de cultura, de época ou da vontade de cada ser humano: o padrão bíblico, o padrão estabelecido por Deus e revelado ao homem por Sua Palavra. OBS: "...O Mestre Jesus, ensinador por excelência, inicia agora seu maravilhoso discurso, popularmente conhecido como Sermão da Montanha. Nunca um discurso foi tão universal. O Sermão da Montanha não proferido para judeus, mas era eficaz para tantos quanto ouvissem (Mt 7.24). Aqui, não há questões culturais. Aqui não há exteriorização. Aqui, são as profundezas do coração humano que são sondados. Jesus identificou em todo esse discurso que o primeiro alvo do evangelho genuíno é transformar o interior do homem. O resto, é de acordo com o querer do Espírito pela atuação da Palavra. O sermaõ do monte não é mandamento, é ideal, alvo a ser perseguido. Sabemos perfeitamente que ser humano algum pode alcançar tão altas exigências de amor e santidade pelo braço da carne, mas somente pelo poder do Espírito e pela graça de Deus. Se o sermão da montanha fosse mandamento, estaríamos em situação dificil, com certeza Jesus teria mentido quanto ao seu jugo suave e fardo leve (Mt 11.28). Mas todos os salvos almejam e procuram viver de acordo com esta ética do
  11. 11. reino. Aleluias!!! Sermos súditos do Reino implica empenharmo-nos resolutamente para viver o padrão ético de Deus para seu povo.... Existe uma ética, uma legislação vigente neste reino: A legislação vigente do reino é de uma simplicidade e de uma profundidade espiritual muito grande. "O Teu trono, oh Deus, é para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amas a justiça e odeias a iniquidade;" (Sl 45.6,7a).... Com o propósito de responder a todas as indagações e estabelecer o padrão de conduta dos cidadãos do reino, Jesus proferiu um discurso-chave popularmente conhecido como "Sermão do Monte". Este sermão nos mostra que a real vida em Cristo requer a substituição de nosso padrão de justiça. Ser um cidadão do reino independe do que temos ou fazemos, mas do que somos. É um estado interior. O Sermão do Monte é a base a todos os que desejam viver realmente o Cristianismo bíblico..." http://w w w.scriptura.hpg.ig.com.br/novo/mateus/mt005.htm). - A inobservância do padrão bíblico gera a ira de Deus sobre os desobedientes (Rm.1:18) e o resultado desta recusa à ética divina é o abandono de Deus, de forma que haja a concupiscência dos corações humanos à imundícia e toda a sorte de desordem, de desequilíbrio e de iniqüidade no seio da humanidade (Rm.1:26-32). OBS: "...01- A maldade humana tem gerado nas pessoas uma total falta de caráter quando diz respeito às coisas de Deus. Quase sempre os seres humanos estão dispostos a se tornarem bons conhecedores das verdades bíblicas, sem contudo, ter a intenção de se tornarem praticantes. 02 - Jesus quer não somente a nossa fé, mas também a nossa fidelidade. Fé é crença, enquanto fidelidade é prática da vontade de Deus. Fidelidade e obediência são a mesma coisa nesse sentido. Essa deve ser a marca ou o ponto distinto entre os discípulos de Jesus e os escribas e fariseus. Enquanto escribas e fariseus são excelentes professores de leis que só passam por seus livros e intelectos, os discípulos devem se tornar homens com o coração cheio de verdades para a vida diária..." (Rev. Ary Sérgio Abreu MOTA. Uma janela para o sermão do monte. http://w w w.ejesus.com.br/estudos/2000-01/uma_janela_para_o_sermao_do_monte.htm). - Por causa do "relativismo ético", é que se tem um vazio nas relações humanas, uma perplexidade quanto aos rumos e às orientações que se devam tomar no tratamento dos principais problemas morais, tentando o homem em vão buscar a solução para este vazio em técnicas de auto-ajuda ou em valores como os direitos humanos. A solução para o homem está em acolher a ética divina, constante da Palavra de Deus e exemplificada de forma ímpar na vida e no ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. - Ora, Deus, após ter revelado Sua ética na Sua Palavra e no exemplo de Jesus Cristo, constituiu um povo Seu para viver conforme a Sua vontade (Gl.6:15,16), a saber, a Sua Igreja, que tem um dever indeclinável sobre a face da terra, qual seja, o de pregar o evangelho, ou seja, anunciar aos homens que existe uma salvação e que é possível a transformação da vã maneira de viver que tem sido vivida pela humanidade (I Pe.1:18). - Como povo de Deus, como anunciadora das boas-novas da salvação, a Igreja tem de pregar, a todo momento, que o homem deve assumir o comportamento exigido por Deus, deve se reconciliar com seu Criador e isto impõe a assunção de uma vida de santidade e de agrado a Deus. É mister que, com desenvoltura, a Igreja proclame que o mundo deve " se arrepender e se salvar desta geração perversa" (At.2:37-40). - Mas, para fazer esta proclamação, a Igreja deve se comportar como Jesus, ou seja, deve pregar a ética divina com autoridade (Mt.7:29), ou seja, deve ter, ela própria, uma vida tal que faça com que todos lhe indiquem como sendo "cristã", ou seja, "parecida com Cristo"(At.11:26), pois, caso contrário, acabará repetindo o fracasso representado pelos escribas e fariseus (Mt.23:2-4), prestando, assim, enorme desserviço à obra de Deus, com graves conseqüências para os que assim agirem (Mt.7:20-23; 25:31-46). OBS: "...O propósito da doutrina de Cristo é a mudança da vida dos cristãos, pelo que o termo não deve subentender meros conceitos intelectuais e religiosos. E, para tanto, temos que entender aqueles ensinos usados pelo Espírito Santo a fim de transformar almas humanas, tornando-as semelhantes ao seu Mestre. As doutrinas dos credos religiosos tendem a estagnar a viva energia dos ensinamentos de Cristo. Quando Ele disse: " aprendei de mim" não estava pensando em alguma sistematização de idéias a Seu respeito e, sim, na capacidade transformadora de Sua doutrina e Espírito, capaz de transformar Seus discípulos. Portanto, a doutrina de Cristo não consiste somente naquilo em que cremos. Antes, trata-se de uma maneira de viver. De outra sorte, a fé cristã seria apenas outra filosofia e a comunidade cristã seria apenas mais uma religião. Em outras palavras: o propósito da doutrina de Jesus não é somente para que possamos crer em Suas palavras e
  12. 12. na Sua pessoa, mas também devemos viver o que Ele ensinou...Não é bastante crer, é necessário praticar, edificar a casa sobre a Rocha e, se necessário, cavar fundo, lançando os alicerces com segurança..." (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.5, p.77-8). - A Igreja é, portanto, um povo que, liberto do mal (Jo.17:15), bem como do pecado (Jo.8:32-36), tem o devido discernimento do que é certo ou errado, do que agrada e do que não agrada a Deus e, portanto, age com plena liberdade, pois não está mais escravizada pelo pecado. A liberdade do cristão, entretanto, sempre é responsável e segue a padrões estabelecidos por Deus, a Quem servimos e a Quem queremos agradar. Tudo é lícito ao cristão, vez que não tem ele mais malícia nem maldade, mas nem tudo lhe convém(I Co.10:23), vez que, agora, a vida que vive, vive-a em e para Cristo (Gl.2:20). - O cristão somente deve praticar o que seja bom para edificação, o que seja verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama e em que haja alguma virtude e algum louvor (Fp.4:8), coisas que correspondem ao fruto do Espírito e contra o que não há lei humana que possa querer evitar (Gl.5:22,23). - O objetivo do cristão deve ser, sempre, a glória de Deus, daí porque Jesus ter nos alertado de que as nossas obras farão os homens glorificarem a Deus (Mt.5:16). Aliás, foi este o propósito de todo o ministério terreno de Cristo (Jo.17:4). Tudo o que fizermos deve redundar na glorificação do Senhor ( I Co.10:31) e isto no relacionamento com todos os homens, indistintamente, pertençam eles a qualquer um dos três povos da terra (judeus, gentios e igreja) (I Co.10:33). - Quando se fala em escândalo ante judeus, gentios e igreja de Deus (I Co.10:33), devemos salientar que a Palavra de Deus assim considera aqueles que, dizendo-se cristãos, não estiverem sendo fiéis e forem apanhados em pecado, trazendo, assim, escândalo, ou seja, perplexidade resultante da discordância entre o que é dito e pregado e o que é vivido pelo suposto servo de Deus. Em hipótese alguma, poderemos considerar escândalo toda e qualquer calúnia ou injúria que for levantada contra um sincero servo de Deus, como fruto da oposição satânica a seu fiel proceder diante de Deus. Pelo contrário, antes de maldição, esta circunstância é, segundo a Palavra de Deus, uma bem-aventurança, uma bênção, um motivo para o regozijo do crente (Mt.5:11,12; I Pe.2:19-25) - Será que o nosso comportamento tem sido desta ordem no meio dos homens? Será que nossa conduta revela que somos sal da terra e luz do mundo, ou já estamos irremediavelmente comprometidos com os princípios, valores, crenças e comportamento mundanos? Será que nossa conduta tem servido para a glória de Deus, ou temos sido motivo de escândalo na igreja, entre os judeus ou entre os gentios? III – IGREJA: LUZ DO MUNDO E SAL DA TERRA - No sermão do monte, que já vimos ser o sermão ético de Jesus para a Sua Igreja, o Senhor mostra-nos precisamente o que devemos ser, em termos de conduta, entre judeus e gentios sobre a face da Terra. Cristo afirmou que temos de ser “luz do mundo” e “sal da terra”, duas figuras que sintetizam como devemos nos comportar enquanto não vem a nossa glorificação. - É muito interessante que venhamos a verificar estas duas figuras, pois elas são um ensino precioso para que saibamos estabelecer os parâmetros de nosso comportamento, para sabermos se, efetivamente, temos sido discípulos do Senhor ou se, ao contrário, temos sido apenas motivo de escândalo, obstáculos à propagação do Evangelho e à salvação das almas. - Por primeiro, cumpre observar, de pronto, que estas duas figuras mostram que os cristãos devem ser semelhantes a Cristo. Jesus disse que devemos ser a luz do mundo, mas Ele próprio disse que era a luz do mundo (Jo.8:12; 12:46). Ao dizer que somos o “sal da terra”, o Senhor também nos identificou a Ele, já que o sal era o elemento presente em todas as ofertas apresentadas ao Senhor (Lv.2:13), de modo que não se tratava de símbolo senão de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29). - Assim, ao apresentar estas duas figuras para indicar qual deve ser o comportamento da Igreja, Jesus simplesmente está a Se apresentar como o modelo desta Igreja. Por isso, como afirmou o escritor Charles M. Seldon em seu famoso livro, a principal diretriz da ética cristã é perguntar, antes de tomar qualquer atitude ou decisão: “Em seus passos, que faria Jesus?” - A segunda observação que vemos nas duas figuras apresentadas pelo Senhor é de que ser “luz” e ser “sal” é
  13. 13. afirmar que há uma contradição, uma oposição entre o modo de viver da Igreja e o modo de viver do mundo. “…A realidade é que o Reino de Deus e o mundo são distintos, é como luz e trevas, porém estão relacionadas uma com a outra: de um lado, a decomposição; do outro, a preservação; de um lado, a escuridão; do outro, a iluminação. O efeito preservador faz cessar a decomposição e a iluminação faz enxergar na escuridão.…” (BARRETO, Hermes. O maior sermão do mundo: a relevância do caráter cristão, p.30). - Dizer que a Igreja é a luz do mundo é afirmar que ela se opõe ao mundo, que é considerado como trevas (Is.9:2; 59:9; Jo.1:5; 3:19; Rm.13:12; II Co.6:14). Ser luz do mundo, como explica Jesus, é praticar boas obras, é conduzir-se com verdade (Jo.3:20,21). O mundo, porém, que está no maligno (I Jo.5:19), não pratica a verdade, pois está sob o domínio do pai da mentira (Jo.8:44) e, por isso, suas obras são más. - Esta oposição que existe entre a Igreja e o mundo não permite que haja qualquer possibilidade de comunhão, de contacto entre a luz e as trevas. Onde há luz, as trevas se dissipam; onde a luz se apaga, as trevas dominam. Não pode o cristão verdadeiro e genuíno ter a forma do mundo, portar-se como o mundo se porta, pois não é possível qualquer conciliação entre luz e trevas (II Co.6:14b). - Preocupante, portanto, o gesto de muitos sedizentes cristãos que, sob a justificativa de que “Deus só quer o coração”, procuram cada vez mais se assemelhar às outras pessoas, não ser “diferentes”, ser “iguais às outras”, inclusive alguns buscando basear-se numa falsa doutrina de evangelização, segundo a qual “é preciso ser fraco para ganhar os fracos; ser como os pecadores para ganhá-los para Cristo”. Tal ensino, completamente sem respaldo bíblico, não se coaduna com o ensinamento de Jesus: somos a luz do mundo e não há comunhão entre luz e trevas. Ter uma linguagem e uma estratégia de evangelização para se fazer compreendido pelos pecadores em absoluto significa viver como os pecadores, mas, sim, viver sóbria, pia e justamente no presente século, para que os homens incrédulos percebam a diferença que há entre a luz e as trevas (Tt.2:11,12). - A figura do “sal” também nos dá conta da oposição que existe entre a Igreja e o mundo. Enquanto o mundo é sempre caracterizado pela corrupção generalizada, pela degeneração de costumes e de hábitos (Gn.6:5; Ex.32:7-9; Jz.2:10-15; II Rs.17:7-23; 23:25,26; Ml.1), o sal é o elemento que simboliza a preservação, a conservação, mormente nos dias em que foi redigido o texto bíblico, quando ainda não havia os métodos atuais de conservação de alimentos, todos dependentes da energia elétrica. - O terceiro fator a que nos remete as figuras da luz e do sal é a circunstância de que, tanto uma quanto a outra não produzem seus efeitos se não vier à tona, se não se apresentar. A luz, como o próprio Jesus disse, não pode ser mantida escondida, tem de se manifestar para que possa iluminar, assim como o sal não pode ser mantido separado dos alimentos, mas tem de se misturar com eles para ter algum efeito. - A Igreja, portanto, não pode cumprir o seu papel sem que se misture no meio dos outros dois povos, sem que esteja no meio deles. Por isso, a Igreja está no mundo, embora não seja do mundo. As iniciativas sectárias, ou seja, que procuram separar os cristãos do meio da sociedade, colocar-lhes à parte, em comunidades totalmente separadas e alheias às outras pessoas são movimentos que não têm respaldo bíblico, pois caminham no sentido contrário do ensinamento de Jesus. Precisamos estar no meio de judeus e gentios, sem que compartilhemos os seus valores e crenças, sem que assumamos o seu modo de viver. Somos diferentes, mas temos de estar no meio destas pessoas, sem o que a Igreja não cumprirá o papel que lhe foi destinado pelo Senhor. - Manter o equilíbrio e estar no centro da vontade do Senhor tem sido um constante desafio da Igreja ao longo da sua história. Muitos se levantam no meio das igrejas locais e defendem uma posição sectarista, de total isolamento da comunidade, obrigando os crentes a viver “dentro das quatro paredes” dos templos e de suas residências, totalmente alheios ao mundo que os cerca. Este comportamento não tem base bíblica e é, na verdade, um farisaísmo que se implanta dentro das igrejas, cujo resultado é a total irrelevância dos cristãos no seio da comunidade. Escondendo-se a luz e não se salgando a alimentação, os cristãos passam a ser inúteis, totalmente dispensáveis, permitindo que, nos locais onde se encontram, haja predomínio das trevas e degeneração de costumes e hábitos cada vez mais intensa. - Outros, no extremo oposto, no afã de evitar o farisaísmo, acabam assumindo a forma do mundo, confundido “estar no mundo” com “ser do mundo”. Querendo ser “sociáveis”, acabam enveredando pelo caminho do
  14. 14. “nicolaísmo”, ou seja, do comprometimento com o pecado e com a corrupção do mundo(Ap.2:6,15). Apagam a sua luz, por causa do pecado que praticam, por causa da hipocrisia que passam a professar (pois não vivem mais como pregam), tornam-se escravos da mentira. Tornam-se um sal insípido, sem sabor, sem poder de conservação, para nada mais servindo senão para ser lançados fora e pisados pelos homens. O resultado é uma série de escândalos que servem para desacreditar a mensagem do Evangelho e, assim, aumentar, ainda mais, as trevas e a corrupção. - Ser “luz do mundo” é iluminar o mundo, ou seja, fazer resplandecer a luz do Evangelho de Cristo (II Co.4:4), o que somente se faz quando praticamos a verdade, quando temos um comportamento de total submissão às Escrituras (II Co.4:2). Quando vivemos conforme a Palavra de Deus, os homens vêem que estamos na luz e identificam que somos filhos de Deus e, por isso, glorificam ao nosso Pai que está nos céus, pois sabem que nossas obras são boas (Mt.5:16). - Ser “luz do mundo” é ter comunhão com Deus, o que significa que é viver sem pecar e, se pecarmos por acidente, pedirmos imediatamente perdão a Deus e a quem ofendermos, como também termos comunhão uns com os outros, com a “família de Deus”(Ef.2:19), pois só assim teremos condição de estar debaixo do poder purificador do sangue de Cristo (I Jo.1:5-7). - Ser “luz do mundo” é amarmos o próximo como a nós mesmos, não é apenas dizer que amamos, mas tomarmos atitudes reais que demonstram o nosso amor pelo outro (I Jo.3:17-19), guardando, assim, os mandamentos do Senhor (I Jo.3:24). - Ser “luz do mundo” é também trazer não só iluminação, mas também calor para o mundo. A luz também produz calor e é necessário que o cristão traga, ao mundo, fervor espiritual (Rm.12:11). Para termos fervor espiritual, faz-se mister que vivamos uma vida de santificação, de oração e de jejum, para que sejamos vasos de honra na casa do Senhor e nossas palavras possam “ferver”, atingindo os corações (Sl.45:1). Uma vida de separação do pecado é indispensável para que tenhamos “fervor”, que não se confunde com “barulho” nem tampouco com “emocionalismo” ou “movimentos carnais”. - Ser “luz do mundo” é produzir energia. O cristão verdadeiro traz ânimo e estimula os demais a buscar a Deus, a temer a Deus. Quando o cristão vive uma vida de sinceridade, todos que estão à sua volta percebem a sua condição de santo homem de Deus (II Rs.4:9) e, por isso, passam a desejar a sua companhia, ainda que inconscientemente, pois todo homem tem dentro de si um vazio do tamanho de Deus. Muitas vidas têm se rendido a Cristo por causa dos testemunhos destas “luzes do mundo” que estão a brilhar por este mundo afora (Fp.2:15). O verdadeiro cristão é um dínamo, uma testemunha de Cristo que, revestida de poder, leva multidões aos pés do Senhor com o seu exemplo (I Pe.2:21). - Ser “sal da terra” é conservar o ambiente onde se encontra, é preservar a sua qualidade. O cristão, onde quer que se encontre, precisa ser um instrumento da resistência do Espírito Santo contra a corrupção, contra a degeneração total deste mundo (II Ts.2:7). Se o mundo ainda não apodreceu de vez, se tudo ainda não “degringolou” definitivamente, é porque ainda existe um povo que é o “sal da terra”, a Igreja. - É muito triste quando percebemos que, em muitos ambientes, a presença de crentes nominais nada representa. A devassidão, a imoralidade, a prostituição e a corrupção predominam nestes lugares, apesar da presença de “sedizentes cristãos” (como, por exemplo, no Congresso Nacional na legislatura passada, onde, apesar de uma expressiva “bancada evangélica”, tivemos a mais corrupta de todas as legislaturas da história do país, tendo os “evangélicos”, lamentavelmente, sido protagonistas de alguns dos piores escândalos, como o da “máfia dos sanguessugas”). Isto é inadmissível, pois o verdadeiro crente, embora não possa impedir o aumento da iniqüidade, que está profetizado nas Escrituras (Mt.24:12), deve ser um bastião de resistência, pois é sal da terra. - Como se comportam as pessoas que conosco convivem quando vão entabular conversas imorais, chocarrices e outras más conversações? Será que se incomodam com a nossa presença? Será que nos respeitam? Ou será que somos os primeiros a nos assentar na roda dos escarnecedores? O ambiente aumenta de padrão moral com a nossa presença, ou não fazemos a menor diferença? Se somos “sal da terra”, evidentemente que somos um instrumento de resistência e, embora não possamos “consertar o mundo”, pelo menos um pouco de
  15. 15. moralidade, pureza e santidade levaremos ao ambiente, pois, se somos “sal da terra”, não permitiremos a deterioração total do ambiente. - Ser “sal da terra” é dar sabor ao ambiente onde vivemos. O sal dá sabor, faz com que o alimento se torne gostoso, temperado e agradável. Como crentes, devemos tornar o lugar onde estamos agradável, apetitoso, equilibrado. Como as pessoas se sentem quando estão conosco? Será que irradiamos paz, tranqüilidade, confiança, pureza, equilíbrio e moderação? Será que, com exceção daqueles que estão sob possessão maligna, nossa presença é um lenitivo espiritual para as pessoas que nos cercam? Ou será que nós, ao invés de sermos “sal da terra”, temos sido “vinagre”, azedando o ambiente, tornando-o ácido e de difícil convivência? Somos pacificadores ou, pelo contrário, por nosso intermédio é que se produzem as contendas e porfias nos relacionamentos? - Ser “sal da terra” é, também, trazer “calor humano”, solidariedade e amor ao lugar onde estamos. Com efeito, nos países temperados e frios, o sal é utilizado para impedir que o gelo e a neve se produzam nas estradas e ruas no rigor do inverno. O sal, portanto, impede que se consolide a frieza, que predomine o gelo. Temos sido instrumento para o aumento da amizade e do companheirismo entre as pessoas? Temos levado as pessoas a reavaliar a sua relação com Deus, ou somos os principais “refrigeradores” do ambiente onde estamos, levando as pessoas a se distanciar cada vez mais do “Sol da justiça” e do “fervor espiritual”? - Ser “sal da terra” é, muitas vezes, manter-se anônimo, invisível e imperceptível ao olho nu. Com efeito, o sal, no mais das vezes, não é visto embora esteja ali presente. O verdadeiro e genuíno cristão também não aparece, mas deixa que os efeitos da sua presença se apresentem, até porque não quer jamais a glória para si, mas, sim, para o Senhor. Por isso, muitos “aparecidos” não são “sal da terra”, mas pessoas que, por quererem aparecer, acabam fazendo a comida ficar “salgada demais” e imprestável para consumo. - Ser “luz do mundo”, também, é manter-se anônimo, pois, em verdade, quando brilhamos, não fazemos aparecer a nossa imagem, pois somos apenas espelhos (II Co.3:18), luzeiros(Fp.2:15 ARA), que estão a refletir a imagem de Cristo, o único que deve aparecer e ser glorificado. OBS: “…Mas a questão é: Qual rótulo nós queremos para a igreja nestes dias? O rótulo virá; cabe a nós trabalharmos para fazer com que as pessoas olhem para nós com simpatia, como olhava a sociedade que cercava a igreja primitiva (At. 2:47) ou com desprezo pelas discrepâncias entre nossa mensagem e nossa prática (que Deus nos livre!!!). Já partimos do princípio que há incontáveis cidadãos analisando as ações da noiva de Cristo, ávidos, observando seus passos e aguardando ansiosamente para dar sua opinião a nosso respeito. Colar um rótulo. Mas é dever da igreja preocupar-se com o que as pessoas pensam de nós? Sem dúvida! Nosso trabalho é ser reflexo de Cristo e é importante que todos consigam enxergar Jesus em nós de forma límpida, transparente e clara. Espelhos do Mestre.…” (BENTES, Fábio. O rótulo da igreja. Disponível em: http://w w w.bibliaw orldnet.com.br/ Acesso em 29 dez. 2006). - Temos tido esta conduta no nosso dia-a-dia? Pertencemos mesmo à Igreja? OBS: “…Os problemas que enfrentamos no Brasil hoje são muitos. A corrupção tem aumentado. A degradação moral também. Leis com objetivo de atacara Igreja estão surgindo. O que fazer? Apenas ficar parados, de mãos cruzadas, vendo as coisas acontecerem?(…). O mandato espiritual da Igreja é para ganhar vidas para Cristo e ‘salgar’ a sociedade, ser relevante, provocar transformações sadias. Que por meio da igreja brasileira brilhe a luz de Cristo, dissipando as trevas espirituais em que está imerso o nosso país.” (PROMOVER transformações na sociedade é o desafio das igrejas do século 21. Mensageiro da paz, ano 77, n. 1.460, jan. 2007, p.5). Ética cristã e liderança Ética é a ciência que estuda as normas de conduta moral que visam o bem comum. Ética tem a ver com o comportamento do ser humano nos seus relacionamentos. Não é um código de disciplina que estabeleça o que é certo e o que é errado, mas o estudo dos princípios sobre os quais se baseiam os conceitos de certo e errado. Os gregos legaram à civilização não apenas a palavra ética, derivada de ethos, costumes (Atos 16.21), mas também o estudo da ética como parte da filosofia. Para os gregos, o bem comum, objetivo da ética, era o bem da polis, da cidade, portanto os seus fundamentos eram políticos. Para os romanos, o bem comum estava subordinado aos interesses da
  16. 16. república (res publica), “coisa pública”, interesses do Estado. Para os judeus, a ética tinha fundamento religioso. O bem supremo era a obediência à lei de Deus. A conduta humana era centrada na vontade de Deus expressa na Lei, que prescrevia o mal que o indivíduo não devia fazer contra o seu próximo. A ética evangélica vai mais longe. Para Jesus, a ética determina não apenas o mal que não se deve fazer contra o próximo, mas o bem que se deve fazer em favor do próximo, ainda que o próximo seja um inimigo (Mateus 5.44; Romanos 12.20), ou ainda que esse bem custe a própria vida, segundo o exemplo do próprio Jesus. A ética evangélica entende que “é um mal não fazer o bem”, como diz Tiago: “Aquele que sabe fazer o bem e não faz, comete pecado” (Tg 4.17). Outra diferença notável está no fato de que, tanto para os gregos quanto para os judeus, a ética estudava as ações, enquanto Jesus olha para as intenções do coração (Mateus 5.27,28). Para nós, os cristãos evangélicos, os fundamentos da ética não estão na cultura ou nas leis de um povo, nem na autoridade da igreja, mas na vontade de Deus. Um viver ético, na conceituação evangélica é um viver de santidade conforme o caráter de Deus, como exalta Pedro: “Mas como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento porquanto está escrito: Sereis santos porque eu sou santo” (1 Pd 1.15,16). Em resumo: A fonte da ética cristã é o caráter de Deus, pois o homem é imagem e semelhança do seu Criador. A conduta moral dos filhos de Deus nos seus relacionamentos reproduz os atributos morais de Deus: A justiça, o amor, a bondade, a verdade, a pureza (ausência de qualquer contaminação moral). Para os cristãos evangélicos, Jesus Cristo é a encarnação perfeita do mais perfeito conceito de ética, que ele revelou em todo o seu ministério, cujo ápice está na cruz do Gólgota. Em Filipenses 2.14,15, Paulo demonstra entender essa verdade. Os líderes cristãos devem: Primeiro, Viver a ética cristã como opção pessoal na sua conduta em todos os seus relacionamentos com seus liderados, com os outros líderes e com o povo de fora. Segundo, instruir seus liderados a manterem uma atitude de autocrítica em face dos princípios éticos e a dependerem da ação do Espírito Santo para colocarem esses princípios em prática no seu cotidiano. Terceiro: Pela sua conduta exemplar e pela palavra, denunciar os desvios éticos da sociedade. A mais veemente denúncia contra a falta de ética na sociedade será sempre o viver do cristão conforme a ética de Jesus. É o que o Mestre afirma em Mateus 5.13-16: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo... Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”. A ética cristã, em última análise, é a consistência entre o ser e o saber. A conformação do ser ao saber pode representar uma intensa luta interior, como revela o apóstolo Paulo em Romanos 7:22,23: “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento e me levando à lei do pecado”. Sua exclamação diante desse paradoxo é surpreendente: “Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”. Aqui entra em ação a obra do Espírito Santo operando no ser interior dos salvos, dando-lhes a sabedoria e a força moral para praticarem o que é justo aos olhos de Deus e para, desse modo, viverem conforme a ética do evangelho. Concluímos, pois, que o viver conforme a ética de Jesus não depende do magistério da Igreja, nem do esforço do indivíduo, mas da atuação franca do Espírito Santo. Para que esse ideal se transforme em realidade, três condições se tornam indispensáveis: Primeira – Novo nascimento. A ética cristã começa com o sopro do Espírito que dá ao homem uma nova natureza espiritual. Não é possível esperar do indivíduo não regenerado, uma conduta coerente com os princípios éticos do evangelho, como não é possível esperar que uma árvore má produza fruto bom, ou que uma fonte salobra produza águas doces. Nunca haverá uma sociedade ética sem que os indivíduos que a compõe sejam nascidos de novo. Daí brota a primeira grande responsabilidade do líder cristão: ser, ele mesmo, um agente de transformação espiritual da sociedade pela proclamação do evangelho de Cristo visando à conversão dos pecadores para, em seguida, despertar e conduzir os santos na evangelização do mundo.
  17. 17. Segunda – Conhecimento da Bíblia. Se os salvos não se familiarizarem com os ensinos éticos da Bíblia, como poderão colocá-los em prática no seu viver? A Palavra de Deus continua sendo a arma do Espírito Santo para a transformação do homem e da sociedade. Não há sucedâneo para a Palavra de Deus na construção de uma sociedade segundo os padrões éticos de Jesus. Assim, torna-se um dever primordial do líder cristão conhecer e ensinar a Palavra de Deus. Os santos se reúnem como igreja para louvar a Deus, para celebrar a graça de Cristo, para estreitar seus laços de amor, para praticar a ação social, mas se todas essas ações não forem fundadas na Palavra de Cristo, será como a casa edificada sobre a areia: não resistirá aos ventos de doutrinas que não param de soprar dos quatro cantos da terra e cairá, deixará de ser a única agência que Cristo poderá usar para transformar o mundo que jaz nas trevas em um novo mundo iluminado pela sua graça. Terceira – Ação, capacitação dos santos para agir visando à transformação da sociedade que só produz os frutos da carne em uma sociedade na qual é produzido o fruto do Espírito (Gl 5.19-24), uma sociedade que vive os princípios éticos do evangelho. Essa é também uma tarefa essencial à natureza da liderança cristã. Os liderados não aprendem sozinhos. Precisam ser ensinados (mente), motivados (emoção) e impulsionados (vontade) na prática da ética cristã, que não consiste apenas em não causar o mal ao seu próximo, mas causar-lhe o bem, o bem maior, o bem supremo que é a salvação. Comportamento do Crente Uma vez que o crente recebe a justificação por meio de Jesus Cristo, deve andar “de modo digno da vocação a que fostes chamados”. Isso será demonstrado através de sua conduta, o seu viver diário.A Palavra de Deus nos fornece inúmeros modelos para aplicarmos em nossa vida. Devemos ser cidadãos dignos. A conduta do crente deve refletir a de uma pessoa transformada, que foi lapidada pelo poder do Espírito Santo. Somente por meio da Palavra de Deus é que iremos saber se o comportamento do crente é correto ou não. Baseados nisso, iremos verificar alguns princípios que, se forem seguidos, com toda certeza farão uma grande diferença na vida daquele que praticar, bem como na vida das pessoas que estão a sua volta. Há uma grande necessidade de mantermos uma conduta exemplar. Para tanto, é mister grande empenho para atingir tal objetivo. Somos exortados, pela Palavra de Deus, como deve ser a nossa conduta “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.15). I. O SERVIÇO CRISTÃO Paulo instrui princípios sadios de como deve ser o comportamento do cristão em várias áreas. O crente deve manter um padrão exemplar de conduta, para que em tudo, Cristo venha a ser glorificado. Primeiramente, somos instruídos de que o “Eu” (aquilo que realmente eu sou) deve ser sacrificado. Sacrifício é algo que por natureza, nós não estamos acostumados a fazer. Custa muito sacrificar. Mas é necessário. 1. Em Relação a Deus A conduta cristã está baseada em ter-se uma atitude certa para com Nosso Deus. A
  18. 18. atitude com que fazemos, realizamos, recebemos as coisas demonstra como está o nosso nível para com Deus. O crente fora justificado, no entanto, deve procurar viver uma vida de santidade. A primeira cláusula de importância nessa etapa da conduta cristã é “Apresentar-se a Si mesmo a Deus”. Isso significa que por meio de nossas próprias forças não somos capazes de realizar algo ou alguma coisa (Rm 12.1,2; comparação 1Co 6.19,20). “Como por um ato de rendição nossa, alcançamos o poder da cruz, para uma vida separada, assim agora, por um ato semelhante, entramos numa vida de serviço. Isto feito segue-se a atitude de prontidão para qualquer serviço que Ele requeira de nós. Assim o ato torna uma atitude constante, de toda a vida, sempre se rendendo, desejando e esperando fazer a vontade dELe”.[1] As implicações de se apresentar a Deus são várias, notemos: 1) é voluntária: Deus deseja que apresentemos nossos corpos, isso cabe a cada um de nós. Não é uma obrigação, mas isso implica necessariamente em viver de acordo com a Vontade de Deus. Se não se apresenta o corpo voluntariamente o resultado é derrota e falta de fruto. 2) é pessoal: cada um deve apresentar o seu próprio corpo, não o de seu amigo, não de sua amiga, namorada, esposa, pai ou mãe, mas, sim, o seu próprio corpo. 3) é sacrificial: sem sacrifício não há recompensas, sem um sacrifício vivo não existe conquistas e vitórias espirituais. 4) é racional: não é uma entrega insensata, mas uma entrega da razão, a pessoa sabe exatamente o que está fazendo. É um culto prestado pela mente e pelo coração. Com toda certeza o maior exemplo desta entrega total do corpo, sem reservas, fora a do Senhor Jesus Cristo, que quando estava nesta terra, fez exatamente aquilo que o Pai Se agradava, pois não procurou fazer a Sua vontade e, sim, a do Pai. 2. Em Relação a Nós Mesmos O crente não deve procurar estimar-se mais do que lhe é próprio. “Não pense de si mesmo, além do que convém” (Rm 12.3). É uma ordem! Caso uma pessoa pense de si mesma, além do lhe convém, com toda certeza, começará a causar problemas e atritos entre os irmãos e entre o corpo de Cristo, a Igreja. Pessoas assim se tornam orgulhosas, cheias de ambição e justiça própria, logo entrarão em desacordo com a liderança. Ao contrário, o crente que se submete ao poderio do Espírito Santo, sabe de suas forças e das suas limitações. Este procura sempre buscar o auxílio de Deus para exercer o seu dom e nunca o usará fora daquilo que lhe cabível ou concernente. “Nunca ficamos mais úteis por servirmos em trabalhos para os quais não somos idôneos”.[2] 3. Em Relação à Igreja A Igreja é um organismo e não uma organização. Aqui verificamos que os crentes prestam seus serviços na Igreja de Deus por meio de seus dons espirituais. Uma analogia feito com o corpo humano, que tendo muitos membros, cada um diferente do outro, no entanto é um, cada membro opera em conjunto para o perfeito funcionamento do todo (1Co 12). Assim, deste modo, deve ser o Corpo de Cristo, muitos membros, muitas pessoas com diferentes qualidades, dons, personalidades, mas todas devem agir para um só benefício, para um só bem comum, que é o aperfeiçoamento dos santos e a glorificação de Nosso Deus. Nenhum membro desse corpo deve procurar o que lhe é do agrado, mas, sim, aquilo que beneficia aos outros. “A marca das obras das mãos de Deus é a diversidade, não a uniformidade. Assim é com a natureza; é assim também com a graça, e em nenhum lugar mais do que na comunidade cristã. Nesta há muitos homens e mulheres das mais diversas espécies de origem, ambiente, temperamento e capacidade. E não só isso, mas, desde que se tornaram cristãos, são também dotados por Deus de uma grande variedade de dons espirituais. Entretanto, graças a essa diversidade e por meio dela, todos podem cooperar para o bem do todo”.[3]
  19. 19. Cada crente em Cristo Jesus possui um ou vários dons espirituais. Estes dons foram concedidos com o propósito de edificarmos a cada um, para fazermos com que o corpo funcione. Assim, desta forma, com a união de cada um em torno de Cristo, corpo funciona. Paulo nos apresenta neste trecho (Rm 12.4-8) sete destes dons, indicando assim uma perfeição. É claro que o número de dons concedidos pelo Espírito não é somente sete, mas estes são os que o apóstolo considerou na Epístola: 1) dom de profecia, a ministração das verdades espirituais. 2) dom do ministério se refere ao serviço prestado ao Mestre. 3) dom de ensino, explicação da Palavra para o povo. 4) dom de exortação, encorajamento para se fazer o que é certo, chamar a atenção para faltas. 5) dom de contribuição deveria exercer com liberalidade, sem interesses próprios. 6) dom de presidir, aquele que governa, chefia ou guia o povo de Deus. 7) dom de misericórdia, cuidar dos necessitados, com o intuito de confortar. II. EXORTAÇÕES PRÁTICAS Paulo apresenta uma série de exortações para os crentes. Esse modo de viver deve marcar a conduta do crente. Este é exortado a praticar o amor para com todos sem discriminação, somente assim, será capaz de ter uma conduta adequada perante as pessoas (Rm 12.9). Temos então uma oportunidade de servir na sociedade que vemos a nossa frente. 1. Conduta em Relação à Sociedade O crente tem um dever de viver uma vida digna perante os demais. “Vivei, acima de tudo, por modo digno do Evangelho de Cristo” (Fp 1.27). O Amor deve ser o elemento que governa as nossas atitudes (Rm 12.9) para com o nosso próximo. “Se não tiver amor, nada serei” (1Co 13.2). Esse amor em nossos corações deve fazer com amemos uns aos outros com amor fraternal (Rm 12.10), não buscando honras para si mesmo, mas sim honrando aos demais (Fp 2.3-5). “A razão por que é o amor de tão alta importância reside no fato de que o amor é o cumprimento de toda lei e a lei é o próprio fundamento do Estado. Nenhum crente está isento da lealdade; ... quem ama ao próximo não fará coisa alguma em detrimento do próximo, ao contrário, para com ele cumprirá tudo que a lei exige”.[4] Sendo zelosos (Rm 12.11), ou diligentes, em seus serviços, quer sejam espirituais, quer sejam materiais. O crente será fervoroso se praticar isso em sua vida (At 18.25). Uma vida frutífera leva a uma vida de esperança, a esperança da Vinda de Cristo (Rm 12.12). Trará um cultivo a paciência, seja em tribulações, seja em qualquer outra área da vida, pois uma vida direta com o Senhor em comunhão com Cristo na oração fará crentes mais maduros. O cristão não vacila, ao invés de dar lugar à aflição, ele descarrega suas preocupações em Deus por meio da oração (Fp 4.6). Compartilhar as necessidades (Rm 12.13) é muito mais do que simplesmente dar algo para nosso irmão, mas é, também, sentirmos o que ele sente, é sentirmos as suas necessidades (At 4.32). Devemos também demonstrar hospitalidade para com todos, indiscriminadamente de quem quer que seja. Uma exortação difícil de ser feita é a de abençoar os perseguidores (Rm 12.14). Não é qualquer que pode fazer isso, e não somente abençoar, mas também não amaldiçoar (Mt 5.44,45; Lc 6.28). Alegria deve andar com o crente (Rm 12.15). Ele se alegra com seus irmãos em Cristo, mas também chora com eles, participa com eles de seus sofrimentos.
  20. 20. Deve-se ter o mesmo sentimento (Rm 12.16; comp. Fp 2.2-8), ou seja, ninguém é superior a ninguém, deve-se procurar viver em harmonia com todos, não ser orgulhoso, mas sim humilde, um contraste notável. Sabedoria deve ser aplicada a cada situação e não se engrandecer ou achar que pode alguma coisa por si mesmo, não ser sábio aos próprios olhos. Não praticar mal por mal (Rm 12.17; comp. Mt 5.44; 1Pe 3.9), é seguir o exemplo de Cristo que não revidava com ultraje e nem injuriava a ninguém (1Pe 2.21-23). O crente deve ter uma vida exemplar, quer em costumes, vestimentas, negócios, palavras, por está sendo observado por outros. As pessoas do mundo podem não ler a Bíblia, mas certamente lerão a vida do crente, que deve ser uma carta viva a testemunhar de seu Criador. Em relação ao convívio do crente com aqueles que lhe são inimigos (Rm 12.18-20), o crente deve procurar viver em paz, se possível com todos. Caso não seja possível, não deve se vingar de ultrajes sofridos, mas sim, depender de Deus (Dt 32.35; Pv 25.21-22; Hb 10.30). Pelo amor, o crente vence o mal com o bem, ele não se deixa influenciar pelas artimanhas. O filho de Deus deve mostrar sempre o seu amor e a sua graça para com todos. 2. Conduta em Relação às Autoridades Para com as autoridades civis, o dever do cristão é obedecer. O crente não está isenta para com as suas responsabilidades perante o seu País. Somos exortados pelas Escrituras a nos submetermos as autoridades legalmente constituídas, pois a pessoa que resiste a tais autoridades está resistindo a Deus (Rm 13.1-2). “Os crentes cheios do Espírito, descritos em Romanos 13, vivem pela lei do amor e da fé. Portanto, o que vão dizer e fazer muitas vezes será superior à sociedade que os rodeia. Mas muitas vezes serão incompreendidos pela sociedade. Quando a humanidade é corrupta e os governos são injustos e egoísticos, a cristandade pode ser perseguida. É aqui que se concretiza a cruz diária do crente. A única solução para este problema é a eterna dívida de amor do homem para com Deus e o próximo”.[5] O cristão tem por consciência ser submisso a autoridade constituída (Rm 13.5). O governo humano é fundamental para a convivência do homem na sociedade e é perfeitamente aprovado por Deus. O cristão tem como obrigação garantir o cumprindo das leis. O cristão deve se submeter às autoridades, não somente por encargo de consciência, mas também devido ao castigo que é imposto àqueles que são infratores das leis estabelecidas pelo governo. É óbvio que não se torna um bom testemunho para o cristão que é achado em falta ou em estado de insubmissão para com o governo, pois primeiramente não está sendo insubmisso para com o governo, e sim, para com Deus, que foi Quem o constituiu (Rm 12.1; 13.1,2; Dn 4.25-35; 5.21; Tt 3.1). Nem toda autoridade é cristã. Há e certamente haverá muitos que são ímpios, tiranos, estes responderão pessoalmente a Deus (Ap 20.12). Agora, está também claro na Palavra de Deus que se a autoridade civil, legalmente constituída, for contra o que a Bíblia
  21. 21. ensina, o cristão deve antes, obedecer a Deus do que aos homens (At 5.29). “Podemos ver, então, que a submissão do crente às autoridades manifesta-se de quatro maneiras: a) a obediência às leis do país (ou do município). b) o civismo: ‘fazendo bem’ como cidadãos, respeitando os direitos dos outros, não sendo desordeiros nem estragando os jardins, os parques e as outras propriedades públicas (Rm 13.3). c) o pagamento de impostos e taxas legais; a pessoa que rouba o governo está roubando o ‘ministro de Deus’ (Rm 13.4-7). d) a honra (ou respeito) para com os oficiais do governo, conforme a sua posição (Rm 13.7)”.[6] Para que uma pessoa tenha uma vida bem sucedida nos dias de hoje, é fator importante verificar qual é a sua capacidade em verificar a mão de Deus nas atitudes, nas ações, bem como nas reações daqueles que estão investidos de autoridade sobre a nossa vida. Verdades absolutas a reconhecer em autoridade: 1) a autoridade dos pais exerce o mais forte impacto na vida de uma pessoa, quer seja positiva, quer seja negativa. A atitude do filho para com a autoridade dos pais no presente, ou quando este os deixa, influenciará fortemente o seu futuro (Pv 6.20-23). 2) é nosso dever reconhecer na autoridade a mão de Deus, quando esta está de acordo com os padrões do Mestre. Rebelar-se contra as autoridades que Deus colocou na vida trará frustrações intensas. A pessoa, portanto, tem que saber receber ordens, para então, depois poder vir a guiar e dar orientação também (Pv 30.17). 3) muitos pensam que a liberdade está em escapar da autoridade quando antes melhor. Porém, aprendemos de Deus que o segredo está em se estabelecer um relacionamento correto e procurar reagir positivamente para com a autoridade que Ele colocou sobre a nossa vida. Um princípio claro, portanto é: Resistir a autoridade é resistir a Deus. “O grande erro consiste em que o indivíduo não aceitar a verdade de que o próprio Deus está por trás da autoridade”.[7] 4) a autoridade dos pais advém de Deus. Ele é responsável pelos pais que lhe concedeu, e Deus é maior que seus pais (Pv 21.1). A autoridade dos pais é para obediência dos filhos, para que este venha a ter maturidade por meio dela (Cl 3.20). Quando os pais verificam que seu filho se submete à sua autoridade, sendo-lhes obediente, eles passam a verificar que já podem ter confiança em seu filho para deixar que este venha a tomar as suas próprias decisões. Por causa da maturidade que muitos jovens aceitam a autoridade de seus pais, como colocada por Deus, estes conquistam sua liberdade muito antes de casarem. 5) em todos os nossos relacionamentos existe a figura da autoridade, esta é claramente enfatizada pelas Escrituras Sagradas: Deus exerce autoridade sobre o homem (1Co 11.3); o homem sobre a mulher
  22. 22. (1Co 11.3; 1Pe 3.1-5); os pais exercem sua autoridade sobre os filhos (Ex 20.12; Ef 6.1-3); Deus exerce autoridade sobre os senhores empregadores (Ef 6.9); os servos devem obedecer a autoridade de seus patrões (Ef 6.5); os cidadãos devem obedecer a autoridade do Governo (Rm 13.1-7; Mt 22.21; 1Pe 2.13-18). 3. Conduta em Relação aos Cidadãos Como cidadãos, os cristãos também têm deveres em sua conduta para com todos aqueles com quem tem contato em sua vida diária. Ele deve, portanto, cumprir bem o seu papel de cidadão. A única dívida que o cristão pode ter é o amor para com todos (Rm 13.8). Muitas vezes, o emprestar dinheiro traz profundas mágoas, pode estragar amizades, arruinar a vida de uma pessoa. Deve-se tomar cuidado com essa prática. O amor do cristão para com seus semelhantes deve ser o mesmo, sem favoritismo ou exclusividade. “Se é verdade que esse amor crist ão deve caracterizar nossa atitude para com os demais crentes, não menos o é o fato de que temos de mostrar essa mesma disposição para com todos os homens”.[8] A Parábola do Bom Samaritano é uma ilustração belíssima do exemplo de amor para com o nosso próximo (Lc 10.30-37). A lei está resumida no amor para com Deus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” e no amor para com o próximo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37; Lc 10.27; Rm 13.9; Lv 19.18). Obviamente que quem ama a Deus amará a seu próximo (1Jo 2.10,11; 4.11,12). Além do amor, um outro motivo para sermos bons cidadãos é que a Vinda do Senhor está próxima (Rm 13.11; Lc 21.28). Com isso, a grande esperança do cristão está cada vez mais próxima, isto traz responsabilidade por parte do cristão, de viver uma vida digna e de acordo com os padrões divinos. Na sua vinda, seremos então tirados da atual conjuntura do pecado e das condições atuais, bem como do derramamento da ira vindoura (Rm 8.23,24; 1Ts 1.10; 4.13-17; 5.9). Por isso não devemos estar andando nas obras das trevas e sim, “revestindo-nos das armas da luz”. Quando Ele voltar, como nos achará? Andando nas trevas do pecado, ou como bons cidadãos dos céus, amando a Deus e ao nosso próximo? 4. Conduta em Relação aos Fracos na Fé Em se tratando da matéria moral, as suas dúvidas, o apóstolo Paulo estabelece três grandes princípios de grande valia: 1) não devemos julgar os outros (14.1-12); 2) não devemos tentar uns aos outros (14.13-23); 3) seguir o amor de condescendência e amor de Cristo (15.1-13). No capítulo 14 de Romanos, Paulo trata de questões duvidosas. Fala das responsabilidades do forte para com o irmão fraco, bem como do irmão fraco, para com o irmão forte. No entanto, deixa claro que cada um comparecerá perante Deus (v.12). “No idólatra Império Romano, faziam-se sacrifícios de animais aos deuses pagãos. Depois, a carne era vendida nos mercados e açougues (1Co 10.25). Sendo essa carne associada à idéia de culto pagão, alguns dos novos convertidos não conseguiam comê-la, sem sentirem profunda perturbação interior. Outros, porém, já criam que todas as coisas pertencem a Deus, e, assim sendo, comiam-na sem nenhum problema. Afinal, ‘ao Senhor pertence toda a terra’.[9] Aqui, o irmão “débil na fé”
  23. 23. estava escandalizado pela liberdade que o mais forte tinha. O problema é a falta de sabedoria quanto a liberdade que temos em Cristo. Essas pessoas não tinham convicção na aplicação de sua liberdade em Cristo. Nos dias de hoje seria o fato de alguém que se converteu do catolicismo para o cristianismo e não sabe com certeza se pode ou não comer carne da “sexta-feira santa”, pelo simples fato de ainda não entender muito bem a sua liberdade em Cristo. “O erro do irmão fraco consiste em julgar e condenar aos irmãos ‘fortes’, isto é, os que reconhecem que são livres dessas proibições ritualísticas acerca de dias e comidas; e os fortes podem errar também, em desprezarem a seus irmãos fracos, ofendendo-os desnecessariamente na ostentação da liberdade”.[10] O apóstolo Paulo faz uma alusão muito importante aqui, um princípio que deve ser seguido, o princípio do amor, ele fala que amar ao próximo é muito mais importante do que a nossa liberdade nestas coisas. “Também, é mais importante ser ‘conhecido’ por Deus do que ‘conhecer’ o que se refere a ídolos! Se não estamos interessados na maneira como nossa ‘sabedoria’ afeta a nosso irmão, então nosso conhecimento nos encheu de soberba. Se não nos preocupamos com os sentimentos de nosso irmão, provamos que, em vez de sermos sábios, realmente nada sabemos”.[11] Cabe aqui notar que os crentes de romanos eram oriundos do paganismo, estavam envoltos com uma cultura pagã. Por isso, tinham suas dificuldades em relação a estes assuntos controvertidos. Paulo fala da comida e da observância religiosa de certos dias. Para Paulo, e também outros irmãos, o comer qualquer alimento não havia problema algum, ao passo que para outros, os irmãos mais fracos na fé, isso era escândalo. Da mesma sorte, com relação aos dias, alguns consideravam que cada dia era igual ao outro, não faziam distinção entre os dias que eram mais ou menos sagrados, consideravam cada dia como sendo “santo ao Senhor”, ainda outros achavam que certos dias eram mais santos do que outros. O que é que deve ser feito, visto que na mesma comunidade havia cristãos com tão diferente pontos de vista? Cada qual deveria resolver em sua mente e em sua consciência. “Aquele que desfruta maior liberdade não deve menosprezar o outro julgando-o espiritualmente imaturo. Quem tem escrúpulos de consciência não deve criticar o seu irmão na fé por praticar o que aquele não pratica”.[12] Paulo “nos fornece o verdadeiro meio de decidir todas aquelas questões casuais que tão frequentemente aparecem na vida cristã, e que levam tantos crentes a ficarem embaraçados. Posso admitir a mim mesmo esta ou aquela diversão? Sim, caso possa desfrutá-la para o Senhor, ao mesmo tempo que possa agradecer-Lhe pela mesma. Não, se não puder
  24. 24. recebê-la como presente de Suas mãos e bendizê-lo por causa da mesma. Essa maneira de solucionar tais problemas respeita tanto os direitos do Senhor como a liberdade do indivíduo”.[13] III. PRINCÍPIOS ACERCA DE QUESTÕES DUVIDOSAS 1. Decisões Acertadas A Palavra de Deus é rica para com todas as questões, verificaremos, a seguir alguns princípios que cabem em situações duvidosas. Quando Deus dá um mandamento específico, torna-se fácil saber o que Ele quer de nós. Mas há muitos aspectos em que não existem mandamentos específicos. Deixar de agir coerentemente nesses assuntos duvidosos pode facilmente minar a dedicação da pessoa a Deus. As seguintes indagações podem ser usadas como teste ao fazer decisões difíceis: 1.1 Entrega Total Como primeiro e principal requisito deve-se perguntar a si mesmo: “Entreguei todos os aspectos da minha vida a Deus?” Para seguir nosso caminho diante de Deus, torna-se como fator essencial uma entrega total de nossa vida, de todos os aspectos, de todo o ser a Deus. “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. RECONHECE- O EM TODOS OS TEUS CAMINHOS, e Ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio a teus próprios olhos: teme ao Senhor e aparta-te do mal” (Provérbios 3.5-7 ). 1.2 Sacrificar Meus Desejos Será que eu estou pronto a sacrificar meus desejos em favor da vontade de Deus? Uma das condições básicas do discipulado é o sacrifício. Quando se tem uma escolha entre duas oportunidades é essencial verificar estes princípios já citados. Qual deve ser a escolha certa? Escolher entre uma atividade que irá oferecer oportunidade para a pessoa servir a Deus ou entre uma atividade pelo qual não lhe será permitido fazê-lo? “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará” (Lucas 9.23,24). 2.1 Será Deus Louvado? TUDO QUE EU FIZER DEVE GLORIFICAR A DEUS Glória significa “uma opinião, uma estimativa”. Podemos colocar como sendo uma opinião ou uma estimativa que as pessoas têm acerca de Deus, por causa da nossa atitude, da nossa vida exemplar ou não. Se formos servos fiéis a Deus, isso resultará na glorificação do nome de Nosso Grandioso Deus. “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Coríntios 10.31). 2.2 Posso Agradecer a Deus por esta Atividade? O PRÓPRIO JESUS APROVARIA MINHA DECISÃO? Quando faço algo devo verificar se isto agradaria ou não ao nosso Mestre. “E tudo o
  25. 25. que fizerdes, seja em palavras, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Colossenses 3.17). 2.3 Será que Pode me Advir Algum Resultado Espiritual desta Atividade? ELA DEVE MELHORAR MEU CARÁTER CRISTÃO? Posso crescer espiritualmente com esta atividade ou ela resultará em perdas para a minha pessoa, deve ser o nosso pensamento. “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém (é proveitoso, vantajoso). Sim, tudo me é permitido, mas nem tudo é edificante. (Contribui para o caráter espiritual e o crescimento)” (I Coríntios 10.23) 2.4 Eu Ficaria Aborrecido se não o Fizesse? “Tudo me é permitido, o que não significa que tudo seja bom. Tudo me é permitido, mas não devo ser escravo, seja do que for” (I Co 6.12). 2.5 Levarei um Crente mais Fraco a Pecar? SOU RESPONSÁVEL A DEUS POR CRENTES MAIS FRACOS O apóstolo Paulo declara que se o simples fato de eu vir a comer uma carne que o novo convertido em Cristo costumava oferecer aos ídolos, antes da sua conversão, irá levá-lo a se escandalizar com minha atitude, então eu devo abrir mão desse privilégio de comer aquele carne. A vida espiritual de meu irmão deve ser muito mais importante do que qualquer comida ou atividade que eu venha a desempenhar para o meu próprio benefício. Algo que deve ficar em nossa mente é que quando eu, por meus modos, ou por minhas atitudes, ou palavras, enfraqueço o meu irmão mais novo na fé, estou pecando contra Deus, por não estar edificando a este irmão. “Mas vede que essa liberdade não seja DALGUMA maneira escândalo para os fracos... pecando assim contra os irmãos, e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo. PELO QUE, SE O MANJAR ESCANDALIZAR a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize” (I Coríntios 8.9-13) 2.6 Estou em Dúvida? Não Devo Fazê-lo! PRECISO TER A CONVICÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NAQUILO QUE ESTOU FAZENDO É claro que o que não provém da fé é pecado, relacionado a isso está a dúvida, se ela existe não faça. “As vossas convicções pessoais são assunto de fé, entre vós e Deus, e podeis dar-vos por felizes se não tiverdes escrúpulos acerca daquilo que vos é permitido comer. Se não se come carne com a consciência tranqüila, não é bom sinal, porque tal procedimento não provém da fé, e o que é feito à parte da fé é pecado” (Rm 14.22,23). 2.7 Terei eu a Aprovação Final de Deus? PRECISO DAR CONTAS A DEUS DE TODAS AS MINHAS AÇÕES Cada ato que pratico, um dia prestarei contas a Deus por eles, por isso, devo procurar fazer o máximo possível para agradar a Ele. “Pela minha vida, diz o Senhor; que todo joelho se dobrará diante de mim,
  26. 26. e toda língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Romanos 14.11,12). Podemos sempre provar que estamos certos, mas estará o senhor convencido? (Pv 16.2). 2.8 O que os Outros Pensam é Importante? MEU COMPORTAMENTO DEVE EVITAR TODA A APARÊNCIA DO MAL “Abstende-vos de toda aparência do mal” (I Tessalonicenses 5.22). Raramente pensamos no que os demais pensam a respeito de tal coisa ou assunto, mais isso deve ser relevante da mesma forma. “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus” (Efésios 5.15,16). CONCLUSÃO A maneira de se comportar, a conduta do crente, é um fator de muita importância. Ela pode ou edificar ao irmão que nos rodeia ou até mesmo enfraquecê-lo. Portanto, torna-se necessário vigiarmos nossas atitudes para que possamos viver de vidas dignas. A conduta ideal é aquela que está permeada pelos princípios bíblicos. Uma vida que honra a Cristo e onde o Seu amor é derramado em nosso coração. O princípio do amor deve andar lado a lado conosco, para que com isso possamos edificar a nosso irmão. A conduta certa, o modo de viver certo, o comportamento correto, tudo isso depende única e exclusivamente de uma submissão de nosso próprio ser ao senhorio de Jesus Cristo. Só assim, seremos capazes de praticar os princípios contidos em Sua Palavra.

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