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  1. 1. Entrevista para Gazeta do Povo/ MaringáLuana Meneguetti- Antigamente a moda era ditada pelos veículos especializados que mostravamsonhos de consumo e um estilo, quase sempre, inacessível. Você acha que asblogueiras democratizaram o acesso ao que "é moda"? Entre os motivos, vocêacredita que existe uma relação de proximidade/identificação entre leitoras eblogueiras?LM: Acredito que o surgimento dos blogs contribuiu muito para o acesso de um grandepúblico`a informações de moda que antes somente pessoas que compravam revistasespecializadas, fossem muito antenadas para pesquisar tendências internacionais emsites gringos ou em viagens consumiam. Os blogs conseguiram atingir um público bemmaior e realmente democratizaram algumas informações. Mas claro, de uma formabem diferente. As revistam continuam MUITO importantes e sempre vão ser. Mas antes,comprar uma revista e ler uma informação de moda era sentido como umaimposição, algo quase hierárquico. Com o surgimento dos blogs, houve umaidentificação imediata, pois as blogueiras são pessoas "normais" exibindo uma opiniãode forma e linguagem diferente dos outros veículos. Muitas estudaram também, sendomoda ou outra coisa, outras apenas gostam de falar sobre. Mas ter alguém para"conversar" assuntos em comum e de igual pra igual, a meu ver foi o principal fatordesse BUMMM dos blogs. A proximidade, a relação da blogueira com a leitora é ofator mais importante.E é claro, como em qualquer outro segmento, com a disseminação dos blogs demoda, cabe as leitoras, consumidoras de informação que são, saber se aquilo queestão lendo advém de um veículo de credibilidade ou não.- Como e quando surgiu a sua ideia de ter um blog? Alguma inspiração especial?LM: Em 2010, percebi que estava infeliz com minha profissão, sou formada em direito eestava há quase 3 anos advogando aqui em Balneário. Fiquei naquela indecisão doque fazer da vida, e como sempre tive a vontade de fazer moda e sempre gostei deestudar fui buscar um curso bacana na área. Saí do escritório em fevereiro de 2010 eem março comecei a fazer produção de moda na faculdade daqui, a Univali, umcurso de 2 anos. Logo no início do curso resolvi montar o blog pra me aproximar maisdo universo da moda e para trocar informações de moda com outras blogueiras eleitoras. Nesses 2 anos o blog só me trouxe coisas boas e hoje faz parte da minha vida,é tipo um filhinho. Faço com o maior carinho do mundo!- Como é o seu processo de escolha dos assuntos publicados no blog? Existeinterferência das leitoras? Como?LM: Não tenho um processo, ou melhor, um procedimento padrão e adoro quando asleitoras sugerem posts, acontece muito! Eu anoto e se for algo que ache bacanapropavelmente vou fazer um post sobre. Procuro assuntos que acho interessantes ediferentes, mas sempre agrego muita pesquisa antes de dar a informação. Não gosto
  2. 2. muito de falar sobre assuntos que todos estão falando. Posts diferentes que realmentepossam acrescentar algo na vida de alguém são os preferidos. Posts pessoais acabamrolando também, é impossível separar o blog da minha vida pessoal. Assuntos ligadosa moda e tendências sempre, mas prefiro ao dar a dica, ajudar, explicar como usar taltendência, o porque usar, como surgiu, sei lá, não apenas soltar a informação no arentende? Ou copiar das revistas como muitos outros fazem...- Qual assunto mais pedido no site? Qual te dá mais retorno nos comentários?LM: Os assuntos mais pedidos são as dicas de como usar a tendência da vez,sugestões de roupas pra eventos, algo assim. O maior retorno nos comentáriosgeralmente são as tags de LOOK DO DIA e casamentos. Minhas leitoras adoram!hahaha Sobre o sucesso da tag "looks do dia" nos blogs em geral, entendo assim:existem blogs só de looks do dia, que são fotos mais pessoais da blogueira vestindosuas roupas ou das lojas parceiras, quase um diário do guarda - roupa, do estilo dablogueira, sem tanta informação, um blog mais inspirador e tal. E outros blogs quefalam de assuntos variados mas também possuem essa famosa e preferida tag.Acredito que as leitoras adoram pois se inspiram na blogueira de alguma forma, ou seidentificam com o estilo pessoal, seja fisicamente ou até mesmo com a personalidadeda blogueira, admiram mesmo, por isso o retorno da tag é grande. Mas confesso quepra nós blogueiras é bem mais fácil simplesmente postar o look que usamos, seminformação. Por isso, acredito que um blog realmente bom é aquele que consegue teros dois, personalidade nos looks e conteúdo bacana.Busco isso sempre, um equilíbrio!- Para você, o blog já pode ser encarado como um trabalho? Consegue serremunerada ou reconhecida por isso?LM: Meu blog começou como um hobby e foi tomando uma proporção que nãoimaginava. É claro que tenho meus parceiros e sou remunerada por isso, mas essa nãoé minha "única" profissão. Acho muito bacana o blog virar trabalho, empresa, sãomuitas meninas que começaram pequenas e hoje ganham muito dinheiro com seusblogs, empregam pessoas etc. Mas minha realidade é outra. Procuro fazer meu melhorsempre, ser profissional, e encarar como um trabalho, mas não posso ficar só emfunção dele. Sou produtora de moda e também adoro fazer trabalhos nessa área, oblog me ajuda muito a divulgar meu nome e fazer contatos e só agrega na minhaprofissão. Costumo dizer que ele não é minha vida, mas faz parte dela. Hoje, acumulomuitas funções, ajudo meu marido na administração da empresa dele, façoproduções de moda, trabalho no blog e tenho projetos de ter minha própria marcacom mais duas amigas.- Você tem planos que o projeto do blog cresça? Qual seu objetivo?LM: Claro que tenho! Quero muito que ele cresça, cada vez mais. Como eu disse,tento dar sempre meu melhor e procurar por um conteúdo bom, dar credibilidade ao
  3. 3. blog é um objetivo. Quero que ele dure e não seja mais um na rede. Uma fonte dereferência confiável que possa ajudar as pessoas.- Lembra de alguma história inusitada ou especial que te aconteceu por conta doblog?LM: História inusitada não, mas acho que nesses 2 anos é incrível ver como a visão daspessoas em relação aos blogs está mudando. Antes muitas amigas minhas nemsabiam o que era "isso" exatamente. Até hoje tem dúvidas sobre como se tornou umaespécie de trabalho. É engraçado ver essa evolução da era digital, das novasprofissões que vão surgindo, ou melhor, revolução! hahaha- Você lembra em que momento da vida despertou para moda? Pode contar algumfato/história como exemplo?LM: Já refleti muito sobre isso e cheguei a conclusão que minha vontade de trabalharcom moda começou muito antes do que eu pensava, devia ter uns 3, 4 anos. Minhamadrinha de batismo é costureira e quando meus pais viajavam sempre me deixavamcom ela, além dos fins de semana que eu batia o pé porque queria dormir lá. Isso tudotem um motivo, aquilo era um parque de diversões pra mim, tecidos, máquinas, linhase roupas... rsrsrs Lá eu aprendi a alinhavar, costurar na overlock, fazer roupinhas superdiferentes para minhas barbies, eu amava! Crescer entre tecidos e aviamentos foi omáximo. Ela sempre fazia minhas roupas com o maior carinho do mundo. Eu amavaver o processo todo, escolher cada detalhe, desenhar minhas roupas. Hoje vejo que avida sempre me deu dicas do que eu realmente queria fazer, mas nunca é tarde né...- Você acha que as pessoas estão mais ousadas em relação à moda? Ou, de formageral, elas precisam de uma inspiração/orientação para sentir segurança no quevestir?LM: Não é que as pessoas estão mais ousadas é que o acesso a moda econsequentemente as tendências e compras hoje é mais fácil e rápido. A geração Y,que cresceu com os avanços tecnológicos aprendeu a pesquisar na internet, comprarpela internet, buscar informação direto da fonte, está viajando ao exterior cada vezmais, tudo anda muito globalizado. Isso obviamente reflete na moda daqui, atornando cada vez mais universal, moderna. Mas de forma geral acredito que agrande maioria das pessoas precisa de orientação e não tem segurança ao se vestir.- Você acha que é possível ter um estilo próprio mesmo seguindo tendências?LM: Sim, claro. As tendências estão aí, mas não é por isso que você TEM que usar tudo,acatar tudo. Cada um usa o que bem entender. Eu sempre vejo dentro dastendências da estação o que combina ou não com meu estilo pessoal. Quando elassão lançadas eu já sei se vou querer usar ou não. Tem coisas que eu gosto outras euodeio. Tento ser tudo menos escrava da moda. Ela que tem que me servir, não eu aela!
  4. 4. - É possível, de verdade, estar bem vestida sem gastar muito? Pode nos dar umexemplo de como fazer isso?LM: Claro que é, basta ter bom gosto! Hoje com as chamadas "fast fashions", lojas dedepartamentos como Renner e C&A, é possível consumir tendências de moda sem irmuito longe e por um preço mínimo. As pessoas tem que adquirir consciênciacorporal, do que fica ou não bom nelas. Buscar usar aquilo que combina com suapersonalidade. Você pode usar o que quiser lógico, mas nem sempre vai funcionar!Depende muito do que cada um quer passar, quer comunicar. Moda é isso,comunicação, liberdade e comportamento.Minha dica é investir em peças básicas e eternas e se puderem comprem o livro AParisiense, de Ines de la Fressange – ícone de elegância na França – lá ela conta oque aprendeu sobre estilo e beleza durante décadas de experiência na indústria damoda. Dá conselhos de como se vestir com o encanto das parisienses e sugere umguarda-roupa a partir de apenas sete itens básicos e bons acessórios, é barato e superbacana! Eu adoro! rsrs

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