Rede vital

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O terceiro livro do escritor Luan Santos Figueiredo que já está disponível em sua versão gratuita para leitura prévia.

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Rede vital

  1. 1. Quem é ela? Estava de manhã. O Sol iluminava o local pela frestade sua janela, o que permitia criar uma dualidade luz-sombra naquele ambiente. A claridade queviolentamente batia em seus olhos o fez acordar. Ele acordou vagarosamente. No primeiro lentoimpulso, ainda tomado pela preguiça, olhou para orelógio sobre a mesa ao lado de sua cama. Ainda eram7 horas da manhã... O garoto decide voltar a dormir –ou pelo menos tentar dormir. Ela o estava provocando. Seduzindo-o com seu corporecém saído da piscina, que com a luz do Sol que aliestava, permitia uma visão nítida das gotículas de águadesenhando a silhueta de seu belo corpo. Então ela chegou perto – perto até demais – do seucorpo, e ele percebeu que seus lindos e grossos lábiosse mexiam, expelindo palavras que ele simplesmentenão conseguia decifrar, pois estava muito atentodesejando sentir o sabor daqueles lábios nos seus. Enquanto ela se curvava em sua frente, no seu maisárduo impulso masculino, seus olhos deslizaram doslábios, passando pelo pescoço da menina, chegandoaté os seios. Eles não eram exageradamente grandesnem pequenos, eram de um tamanho sedutor.
  2. 2. Ela percebeu que ele a observava com desejos noolhar. Notou um volume se formando na calça dogaroto e resolveu se entregar ao prazer que todamulher sente ao saber que é desejada. Foi então queela aproximou devagar seus lábios dos dele e... O despertador tocou. Ele acorda num súbito pulo desua cama. As perguntas rodeiam sua cabeça de umgaroto. Não é a primeira vez que sonha com essamenina, mas nem ao menos a conhece. O que estáacontecendo com ele? Quem é ela afinal? Ele vai ao banheiro e percebe que está um poucoexcitado ainda. Envergonhado, toma um banho geladopara despertar até perceber que toda a tensão se foi.Então, se arruma para ir à escola. Subindo as escadas, as lembranças do seu estranhosonho voltam. O garoto se sente estranho. Como elepode sonhar com uma pessoa que ele nem sabe quemé? Aliás, essa pessoa realmente existe ou é fruto deuma imaginação de menino e desejo de homem? Enfim, ele percebe que não há tempo para maisquestionamentos, pois o sinal tocou e o professor podechegar a qualquer momento e começar a aula. Para sua sorte, a primeira aula daquele dia é Filosofia.O professor com sua figura imponente e seu alto astralcontagiante entra em sala e vai logo tirando sarro domenino – como de costume. O garoto não descreveria
  3. 3. essa relação com seu professor como amizade, masdiria que existe um sentimento agradável. E, por 50 minutos ele tira aquele sonho de sua cabeçapara focar na aula extraordinária de Filosofia. O tempo passou, agora ele assiste a última aula dodia, Física. Apesar de sua paixão pelas matérias deexatas, se ele pudesse escolher qualquer aula paraencerrar aquele dia na escola, certamente não seriaessa. A verdade é que seu dia escolar acabou. Voltandopara casa, no carro de sua mãe, enquanto ele senteaquele ar fresco bagunçar seu cabelo que elemeticulosamente arrumou de manhã, as lembranças dagarota de seus sonhos – literalmente – o atormentam. Não foi a primeira vez que ele sonhou com ela, ecertamente não será a última. Mas tudo ali pareceu tãoreal. O corpo sexy daquela garota. A excitação quesentiu – e que não foi só no sonho. A vontade de beijaraqueles lábios que exalavam sedução... Tudo era realdemais para ser só um sonho. Ele almoçou e foi ao seu quarto. “Meu Deus, quem éessa menina?” pensou. A realidade é que ele sentia quetinha uma forte ligação com essa figura. De repenteele ouve o celular tocando. Era sua melhor amiga...- Oi André, como você está?
  4. 4. - Ah, oi Luiza. Estou com uma coisa que não sai daminha cabeça sabe? Um sentimento que ainda não seise é bom ou ruim...- O que foi menino?- Bem, é que eu sonhei com aquela garota de novo...- Você quer dizer, comigo? – Luiza disse sorrindo- Não, boba, com aquela menina que eu não conheço etenho sonhado constantemente com ela... Não sei omotivo disso- Relaxa Andrezinho... Logo você esquece isso...- Assim espero... Luiza, tenho que desligar agora... Vouestudar um pouco e depois eu acesso a internet pragente conversar... Beijos, te amo, se cuida- Tá bom André. Beijos, eu também te amo, se cuidavocê também com esses seus pensamentos... Ele desliga o celular e senta na cadeira da escrivaninhaem seu quarto e abre o livro de Literatura. Deveres emais deveres para fazer e, em seus pensamentos, tudo,menos a concentração que ele necessita. André simplesmente dorme sobre o livro. Ele estavaexausto, pois não conseguiu dormir nada na noiteanterior de tanto estudar para o teste de Química queele fez.
  5. 5. Lá estava ela de novo. Dessa vez na praça da cidade.Tomava água de coco enquanto André a observava delonge. O jeito com que ela chupava o líquido pelocanudinho fez com que ele a imaginasse em outracena, uma cena com forte conotação sexual. Ela se aproximava e sentava ao seu lado. Então os doiscomeçavam a conversar e ele percebia, de novo, aexcitação chegando. Ela também percebeu, ficou umpouco ruborizada de vergonha, mas foi lentamenteaproximando a sua delicada mão direita do volume noshort de André, e, quando a mão dela ficouperigosamente perto demais, ele acordou com obarulho da campainha do apartamento. Seus pais haviam chegado do trabalho. Então ficaramtodos reunidos na sala conversando sobre assuntosdiversos. No canto, seu irmão e sua irmã jogavamxadrez. Deitados no sofá, seus pais conversavam sobreas finanças da casa. André assistia a tudo meio delonge, sentado em frente ao computador. Dessa vez, ele conseguiu ver aquelas lindas mãos. Elasaparentavam serem bem cuidadas e delicadas, asunhas estavam perfeitamente pintadas com umesmalte de uma cor escura com um tom meioavermelhado.
  6. 6. Ele também pode notar o cabelo da garota. Ele erauma tonalidade de castanho escuro, meio onduladonas pontas de cor ruiva. O corpo dela estava delicadamente coberto por umacamiseta preta e um short jeans meio curto, o quedeixava aquelas belas e fartas coxas expostas. Em frente ao computador, André pegou uma folha eseu material de desenho, e começou a desenhar aquelamenina. Era incrível como ele lembrava ascaracterísticas ligadas a algo sexual dela, mas nãolembrava a simples cor da sandália que ela usava. Isso o deixava um pouco constrangido. Para evitar sertaxado de “tarado” pelos seus colegas de sala, eledesenhou ela com um tamanco preto que ele achouque caiu bem naqueles lindos pés. Pronto. Ele praticamente fez um retrato-falado dagarota de seus sonhos. Em seu desenho, ele a dava um beijo perdidamenteapaixonado. Um beijo eterno e infindável, como se emsuas bocas houvesse imãs que impediam os lábiosdaqueles dois corpos se separarem. Mas os questionamentos não cessavam em suacabeça. Quem era essa menina? Ele a conhecia? Elaexistia? Perguntas que ele não sabia responder.Respostas que ele estava disposto a achar.

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