TABU  e PRECONCEITO LINGUÍSTICO<br />VIVIAN ORSI<br />LORENA B. ZAMBON<br />
O LÉXICO DE UMA LÍNGUA PERMITE QUE NELE SE ENTREVEJA O MODO COMO A COMUNIDADE<br />VÊ O MUNDO  QUE O CIRCUNDA, EM SEUS DIF...
  JUSTIFICAR O MOTIVO PELO QUAL LEXIAS DESSE TIPO SE ENQUADRAM ENTRE OS TABUS LINGUÍSTICOS;
  MOSTRAR DE QUE MODO ESSES TABUS DISSEMINAM PRECONCEITOS E INSISTEM EM REPRESSÕES SOBRE O QUE SE REFERE A SEXUALIDADE.</l...
PARA BONA (2008: 21), “PALAVRÃO É UM ITEM QUE NÃO É ACEITO PELAS CONVENÇÕES SOCIAIS, CUJA UTILIZAÇÃO EM PÚBLICO É SOCIALME...
    PARA CALVINO (2009: 366), “NOS DISCURSOS QUE SÃO FEITOS ATUALMENTE SOBRE AS PALAVRAS OBSCENAS, PARECE-ME QUE SE ESQUEC...
<ul><li>      OS PALAVRÕES SÃO INSERIDOS EM ESTUDO SECUNDÁRIO, PRESCINDÍVEL E VULGAR PELO FATO DE SEREM CONCEBIDOS COMO TA...
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Tabu e preconceito

  1. 1. TABU e PRECONCEITO LINGUÍSTICO<br />VIVIAN ORSI<br />LORENA B. ZAMBON<br />
  2. 2. O LÉXICO DE UMA LÍNGUA PERMITE QUE NELE SE ENTREVEJA O MODO COMO A COMUNIDADE<br />VÊ O MUNDO QUE O CIRCUNDA, EM SEUS DIFERENTES ASPECTOS.<br />OBJETIVO DO ARTIGO:<br /><ul><li> DEFINIR O QUE É UM ITEM LEXICAL OBSCENO ( PALAVRÃO); SEU USO E IMPLICAÇÕES EXTRALINGUÍSTICAS;
  3. 3. JUSTIFICAR O MOTIVO PELO QUAL LEXIAS DESSE TIPO SE ENQUADRAM ENTRE OS TABUS LINGUÍSTICOS;
  4. 4. MOSTRAR DE QUE MODO ESSES TABUS DISSEMINAM PRECONCEITOS E INSISTEM EM REPRESSÕES SOBRE O QUE SE REFERE A SEXUALIDADE.</li></li></ul><li>1.PALAVRÕES E TABUS<br /><ul><li>OS PALAVRÕES SÃO UNIDADES LÉXICAS DISPARADAS, SÃO PROJÉTEIS VERBAIS, DE ACORDO TARTAMELLA (2006). ELES SÃO VISTOS TAMBÉM COMO ELEMENTO CATÁRTICO PARA ALIVIAR A TENSÃO SOCIAL.
  5. 5. PARA BONA (2008: 21), “PALAVRÃO É UM ITEM QUE NÃO É ACEITO PELAS CONVENÇÕES SOCIAIS, CUJA UTILIZAÇÃO EM PÚBLICO É SOCIALMENTE SANCIONÁVEL”.
  6. 6. PARA CALVINO (2009: 366), “NOS DISCURSOS QUE SÃO FEITOS ATUALMENTE SOBRE AS PALAVRAS OBSCENAS, PARECE-ME QUE SE ESQUECE DE UMA COISA: A TRADIÇÃO DE DESPREZO PELO SEXO QUE EXPRESSÕES POPULARES CARREGAM, POR ISSO AS DENOMINAÇÕES DOS ÓRGÃOS SEXUAIS SÃO USADOS COMO INSULTO”.</li></ul>O MUNDO INTEIRO DIZ PALAVRÃO: HOMENS, MULHERES, VELHOS, MOÇOS, CRIANÇAS, RICOS, POBRES, EM RUSSO, EM CHINÊS, EM CROATA, <br />EM TODOS OS IDIOMAS.<br />
  7. 7. <ul><li> OS PALAVRÕES SÃO INSERIDOS EM ESTUDO SECUNDÁRIO, PRESCINDÍVEL E VULGAR PELO FATO DE SEREM CONCEBIDOS COMO TABUS LINGUÍSTICOS. ARANGO (1991) AFIRMA QUE A LEXIA OBSCENA, ALÉM DE RETRATAR UMA CULTURA, REVELA A ESSÊNCIA DO SER HUMANO. </li></ul>“APRENDEMOS QUE O EROTISMO PODE INSINUAR-SE NA LINGUAGEM <br />MAS NÃO SE DECLARAR ABERTAMENTE” (1991: 11).<br /><ul><li> QUANDO O HOMEM PRECISA REVERTE AS IMPOSIÇÕES E USA OS PALAVRÕES E OUTRAS CONSTRUÇÕES LEXICAIS COMO FORMA DE EXPRESSÃO DE SEUS SENTIMENTOS E MEIO DE SUBVERSÃO DAS PROIBIÇÕES.</li></ul>CALVINO: VALOR INSUBSTITUÍVEL DO PALAVRÃO<br /> CRIAÇÃO DE UM EFEITO (IMPEDIR QUE A PALAVRA PERCA A FORÇA);<br /> VALOR DENOTATIVO DIRETO (RETIRA-LHE A “AURA SACRAL”);<br />SITUAÇÃO DO DISCURSO NO MAPA SOCIAL. (HIERARQUIA SOCIAL DA LINGUAGEM)<br />
  8. 8. <ul><li>“TAPU” (NATIVOS DA ILHA DE TONGA); JAMES COOK (1728-1779) “TABU” (EXPRESSÃO PARA REFERIR-SE AO SAGRADO E PROIBIDO, AO MESMO TEMPO).
  9. 9. O TABU CARACTERIZA-SE POR SER UM SISTEMA DE SUPERTIÇÕES RELACIONADO A VALORES MORAIS. É FRUTO DE PROIBIÇÃO, OBJETO DE DESEJO, É SINÔNIMO DE TRANSGRESSÃO; ESTIPULA O QUE É AUTORIZADO E O QUE NÃO SE PERMITE EM DETERMINADA SOCIEDADE.
  10. 10. A DESMISTIFICAÇÃO DO SEXO, AINDA QUE LENTA, TEM SE REFLETIDO NO EMPREGO DESSA LINGUAGEM, EM QUE LEXIAS DE BAIXO PRESTÍGIO SOCIAL TÊM SIDO ABSORVIDAS AO DISCURSO CULTO E PRESTIGIADO, VIA ORAL OU ESCRITA PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA. ELES POSSUEM UM TRÂNSITO RELATIVAMENTE NORMAL E COM ACEITABILIDADE SOCIAL EM DIÁLOGOS DE CINEMA, EM FILMES E CONVERSAS SOCIAIS. (PRETTI, 2003)
  11. 11. CARGA SEMÂNTICA = AFRONTA, DESACATO, ULTRAJE “O GRAU DE OFENSA EXPRESSO PELO INSULTO DEPENDE DA INTIMIDADE DAS PESSOAS IMPLICADAS, DO NÍVEL DE EDUCAÇÃO E TRAQUEJO SOCIAL, DAS CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE SE DÁ O DISCURSO” (BORBA, 2003:32)
  12. 12. SE O PALAVRÃO FOR USADO INDISCRIMINADAMENTE PODE PERDER SUA FORÇA ENFÁTICA (PAES, 1996).</li></li></ul><li>2. PRECONCEITO LINGUÍSTICO<br /><ul><li>A PALAVRA “PÊNIS” NOME DO ÓRGÃO SEXUAL MASCULINO, MUITOS SE ESCANDALIZAM E NÃO DIZEM EM PÚBLICO, ENTÃO USAM-SE SINÔNIMOS COMO “LINGÜIÇA”, “BANANA”, DEVIDO A ASSOCIAÇÃO METAFÓRICA COM O FORMATO DA GENITÁLIA MASCULINA.
  13. 13. O PRECONCEITO, PARA BAGNO, É FRUTO DA IGNORÂNCIA POIS É UM “NÃO-GOSTAR” SEM UMA EXPLICAÇÃO CONVICENTE E CLARA DO FATO REJEITADO.
  14. 14. O PRECONCEITO E A INTOLERÂNCIA REVELAM O COMPORTAMENTO DE UM FALANTE DIANTE DA LINGUAGEM DE OUTRO E É, POIS, UM FATO DE ATITUDE LINGUÍSTICA. COMO TUDO O QUE DIZ RESPEITO À LINGUAGEM, A ATITUDE LINGUÍSTICA NÃO PODE SER APENAS INTERPRETADA COMO UM ASSUNTO PURAMENTE PERTINENTE AO DOMÍNIO DA LÍNGUA. ANTES DE TUDO, A LINGUAGEM É SOCIAL, PLENA DE VALORES, É AXIOLÓGICA E, POR MEIO DELA, CONSCIENTE OU INCONSCIENTEMENTE, O FALANTE MOSTRA A SUA IDEOLOGIA. POR ISSO, É PRECISO DEIXAR CLARO QUE ESTUDAR O PRECONCEITO E A INTOLERÂNCIA É IR ALÉM DE FATOS E OPINIÕES QUE DIZEM RESPEITO À LÍNGUA E SUA REALIZAÇÃO (LEITE, 2008: 13-14)
  15. 15. BAGNO:“Então vale tudo?” Em termos de língua tudo vale alguma coisa. Falar gíria vale? E usar palavrão vale? Tudo vale no contexto adequado e com as pessoas certas.</li></li></ul><li>3. PALAVRÕES, LEXOGRAFIA E MATERIAL DIDÁTICO<br /><ul><li> 1º dicionário (1712 e 1728: Bluteau) definições eufemísticas para suavizar lexias consideradas obscenas e vulgares.
  16. 16. Não existe um consenso entre os lexicógrafos quanto ao registro das palavras nos dicionários.Em alguns uma rubrica delimita o uso em que o item lexical é empregado e o seu uso com aquele determinado significado: perereca, perseguida, pomba, xoxota, vulva / cacete, pinto, caralho, pau, banana, membro, mastro.
  17. 17. Livros didáticos para alunos da 3ª série do E.F. foram distribuídos pela SEE de São Paulo: chupava ela todinha / chupa rola / cu.
  18. 18. Para José Serra: seria muito menos sério o erro de impressão em que trazia o Estado do Paraguai duas vezes em um mapa da América do Sul, sem o Equador do que um livro com expressões chulas.
  19. 19. Pretti: Não cabe aos estudiosos da linguagem um papel crítico ante aos fenômenos linguísticos. Devemos registrá-lo, incluí-lo em nossas pesquisas, estudar-lhe as origens e acompanhar-lhe o desenvolvimento (....)</li>

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