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RESUMO:
O objetivo deste trabalho é verificar, no ano de 2010, em que situações, e de qual forma homens e mulheres negras, celebridades ou não, são apresentados em fotografias, histórias ou anúncios da linha editorial de revistas de segmento do Grupo Abril, analisando a conotação dos discursos e a proporção em que a aparição de negros na mídia faz-se presente. Para isso, foram selecionadas, no Brasil, quatro edições - uma por trimestre de revistas específicas de informação, feminina e masculina. As quais foram comparadas com edições norte-americanas dirigidas ao mesmo público : Respectivamente: Veja, / Time; Nova / Cosmopolitan, e Playboy Brasil / Playboy E.U.A.

Palavras-chave: discurso midiático, relações raciais, imagem do negro na mídia.

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  1. 1. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES LUNALVA DE OLIVEIRA MENDES SILVA A representação do negro e das relações raciais nos meios decomunicação: Um estudo comparativo em revistas de segmentos, doGrupo Abril, no Brasil e suas respectivas versões norte-americanas Apresentação de Trabalho de Conclusão de Curso como pré- requisito parcial para obtenção do titulo de bacharel em Comunicação Social – Relações Públicas. Área de Concentração: Comunicação e Cultura Orientador: Prof. Dr. Paulo Nassar Co-Orientador: Prof. Dr. Dennis de Oliveira SÃO PAULO 2011
  2. 2. Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meioconvencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte. SILVA, Lunalva de Oliveira Mendes. A representação do negro e das relações raciais nos meios de comunicação: Um estudo comparativo em revistas de segmentos, do Grupo Abril, e suas versões norte-americanas. Lunalva de Oliveira Mendes Silva; orientador Prof. Dr. Paulo Nassar e co- orientador Prof. Dr. Dennis de Oliveira - São Paulo, 2011. 53 f. Trabalho de Conclusão de Curso - Universidade de São Paulo, 2011.
  3. 3. Este trabalho é dedicado às duas Marias de Lourdes que me deram à luz...À primeira por seu amor, seu suporte e por sua incansável bravura na batalha por uma vida mais justa e mais digna. À segunda, in memoriam, pela sua determinação, pela sua ternura, pelos puxões de orelha, pela sua confiança em mim, e principalmente, pelo inestimável despertar dabusca interior pelo melhor que eu e muitos outros jovens, contemplados pelo programa Raça, Desenvolvimento e Desigualdade Social, tem para oferecer.
  4. 4. AGRADECIMENTOSÀ Profa. Dra. Luciene Cecília Barbosa, por despertar em mim o estudo da temática racial nos meios de comunicação. À Profa. Dra. Maria Immacolata Vassalo de Lopes, por me introduzir a vida Acadêmica. Ao Prof. Dr. Paulo Nassar, por me orientar prestativamente contribuindo para meu crescimento intelectual. Ao Prof. Dr. Dennis de Oliveira, por me ensinar e co-orientar com sabedoria e paciência, ao longo do processo de pesquisa, contribuindo para meu desenvolvimento científico e intelectual. Ao Prof. Dr. Richard Wright, pelo carinho, a completa atenção e disponibilidade durante o período internacional da pesquisa. Ao Prof. Dr. Carlos Roberto Azzoni e ao Dr.Charles L.Belsey, assim como aos demais responsáveis, pela consolidação e manutenção do Programa Raça, Desenvolvimento e Desigualdade Social.À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pela concessãoda bolsa e pelo apoio financeiro nos Estados Unidos para a internacionalização desta pesquisa. À Pró-Reitoria de Graduação pelo projeto Ensinar com pesquisa. À todos, meus professores e amigos incríveis que de alguma forma, compuseram um dos blocos que consolida esta realização pessoal, profissional e acadêmica.
  5. 5. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO..................................................................... 72. REVISÃO DA LITERATURA...............................................9 2.1 A branquidade normativa e as relações raciais............9 2.2 A identidade do sujeito e sua participação emcomunidades práticas..................................................................11 2.3 Ser negro ao longo dos séculos.....................................13 2.4 Cultura e Mídia.............................................................18 2.5 Negro nos meios de Comunicação................................19 2.6 Os meios de comunicação da população negra..............223. OBJETIVOS............................................................................254. JUSTIFICATIVA....................................................................265. PESQUISA..............................................................................28 5.1 Tema do trabalho............................................................28 5.2 Contexto do tema............................................................28 5.3 Problema do tema...........................................................29 5.4 Problema da pesquisa.....................................................29 5.5 Universo da pesquisa......................................................29 5.6 Amostra.......................................]...................................29 5.7 Hipóteses.........................................................................30 5.8 Objetivos específicos.......................................................306. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.............................30 6.1 A escolha do objeto.........................................................31 6.2 Coleta dos Dados no Brasil............................................31 6.3 Coleta de dados nos Estados Unidos da América...........32 6.4 Em campo........................................................................337. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS..................................34Gráfico 4.......................................................................................35Gráficos 5 .....................................................................................37Gráficos 6 .....................................................................................388. CONCLUSÃO..........................................................................39BIBLIOGRAFIA......................................................................... 43ANEXOS..................................................................................... 47
  6. 6. RESUMO:O objetivo deste trabalho é verificar, no ano de 2010, em que situações, e de qual formahomens e mulheres negras, celebridades ou não, são apresentados em fotografias,histórias ou anúncios da linha editorial de revistas de segmento do Grupo Abril,analisando a conotação dos discursos e a proporção em que a aparição de negros namídia faz-se presente. Para isso, foram selecionadas, no Brasil, quatro edições - umapor trimestre de revistas específicas de informação, feminina e masculina. As quaisforam comparadas com edições norte-americanas dirigidas ao mesmo público :Respectivamente: Veja, / Time; Nova / Cosmopolitan, e Playboy Brasil / PlayboyE.U.A.Palavras-chave: discurso midiático, relações raciais, imagem do negro na mídia.ABSTRACT:The objective of this study is verify, in 2010, what are the situations and how are thescenes in which black people, celebrities or not, have being showed in photography,histories or editorials advertisement in the Grupo Abril’s targeting magazines.In addition, this study analyzes the connotations discurses about black people and theproportion which they are showed in the media.Thus, four magazines issues were chosen, one for each trimester, from Brazil and theywere compared with their United States of America’s version, in the targeting publicmagazines: information, feminine and masculine. Respectively: Veja / Time; Nova /Cosmopolitan, e Playboy Brasil / Playboy U.S.AKeywords: connotation’s discourses, racial relations, black people image inthe media
  7. 7. 1. INTRODUÇÃO O objetivo deste estudo é analisar como são representadas pessoas negras, comuns oucélebres, e as relações raciais nos discursos existentes nas revistas segmentadas mais lidas noBrasil, publicadas pelo Grupo Abril. Além disso, a pesquisa realizará a análise de umapublicação voltada para o público étnico e irá comparar as edições brasileiras estudadas comsuas versões originais ou similares nos Estados Unidos. Uma sondagem que é de grande relevância, por ser realizada numa atmosfera demarcos políticos recentes no quadro de enfrentamento da desigualdade racial, o que temcolaborado para o ganho de visibilidade do problema na agenda pública, com a entrada dotema nos meios de comunicação de massa. Nos Estados Unidos da América, há dois anos, a eleição de Barack Obama - o primeiropresidente afro-americano da maior potência do mundo foi um dos avanços no quadro da lutados negros pela igualdade racial na sociedade. Segundo Thomas Brunell, professor de ciência política da Universidade do Texas,“mostra que superamos uma barreira que, há dez anos, parecia intransponível”1. Estecomentário justifica-se ao considerarmos o passado de segregação regulamentada por lei,cerca de 50 anos atrás com a supressão e opressão dos direitos dos negros nos Estados Unidosda América privilegiando brancos em detrimento de negros e determinando para cada raçaseus bairros, escolas, cinemas, transporte próprios e locais ou condições de trabalho. Seguindo esta mesma perspectiva, o Brasil também teve uma grande conquista nosavanços que pareciam inconcevíveis há dez anos. Neste caso, a vitória da comunidade negraocorreu com aprovação do Estatuto de Igualdade Racial pelo Senado, após uma década emdiscussão na Câmera, e a sanção do presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva. Este cenário representa alguma das conquistas dos movimentos sociais de negros, quevem atuando para formular e implantar políticas públicas para a equidade social entre brancose afrodescendentes, desde a redemocratização do país no final dos anos 80 e início dos anos90, do século passado. Nesse sentido, o estudo irá conferir em que medida a produção dos discursos nosmeios de comunicação de massa, especificamente de revistas segmentadas do Grupo Abril1 C.f. BUARQUE, D. In G1 - Eleições nos EUA põem em xeque passado de racismo dopaís. 7
  8. 8. (com excessão de uma destinada ao segmento étnico) e suas versões norte-americanas, ocorreconsiderando o quadro de avanços socioeconômicos e políticos da população afro-descendente. O estudo teve início com uma pesquisa exploratória das revistas de segmento, do anode 2010, que melhor representassem os nichos do mercado étnico, de informação, feminino emasculino. Em seguida, foram selecionadas quatro edições de revistas - uma por trimestre depublicações específicas de etnia, informação, juvenil, feminina e masculina. Respectivamente:Raça / Ebony; Veja / Time; Atrevida / Seventeen; Nova / Cosmopolitan, e Playboy Brasil /Playboy E.U.A. As revistas foram selecionadas em uma ordem trimestral, com uma escolha aleatóriadas edições antes da compra e com datas correspondentes as edições estadunidentesanalisadas. O conteúdo das publicações foi separados entre tipos: carta do leitor/comentário,crônica, declaração, depoimento, entrevista, notícia e quadrinho. As mensagens transmitidasforam classificadas por opinativa, informativa, interpretativa e distinguidas pelo teor dasconotações: positiva, neutra, negativa e ambivalente, sendo que a última permitia uma leituraambígua da conotação que a mensagem estava transmitindo. Os dados coletados foram utilizados na produção de gráficos ilustrativos para acomparação de milímetros quadrados do espaço conferido a negros em relação ao produtototal da revista; gráfico comparativo de revistas do mesmo nicho nas edições brasileiras eamericanas com datas correspondentes; gráfico representativo dos teores mais ocorrentes naanálise da revistas; e apresentação das categorias de estereótipos mais ocorrentes. 8
  9. 9. 2. REVISÃO DA LITERATURA 2.1 A branquidade normativa e as relações raciais Desde 1975, os estudos sobre as relações raciais já alertavam que o termo raça podenão se basear mais em nenhum suporte biológico para a diferenciação de grupos humanos aolongo das linhas raciais. Pelo contrário, como dizia (Banton e Harwood, 1975), ainda assim, adistinção racial ocorre revelando-se diariamente como um produto intencional de processossociais e históricos criados arbitrariamente para atribuir categorias de pessoas e hierarquizá-las. Um conceito que representa e simboliza os conflitos sociopolíticos e interesses dediferentes tipos de corpos humanos, que têm funções econômicas e políticas articuladas deacordo com relações de dominação e privilégio. Os métodos de determinação, definição e classificação de pessoas foram muitos esofreram transformações ao longo do tempo. Inicialmente, foi estabelecida a superioridadeeuropéia, baseada na identificação com o cristianismo. Posteriormente, um novo termo deidentificação apareceu – branco, criado através de métodos científicos (Eze, 1997). Desta forma, a “branquidade” durante os séculos foi construída como “adequada”,"normal" ou "neutra" e tem sido utilizada como o principal meio para a consolidação de podernas relações raciais, conferindo até os dias atuais a reprodução e sustentação de privilégios aosconsiderados brancos – norma da humanidade - e estabelecendo inferioridade emarginalização aos classificados como diferentes. Além disso, a branquidade sustenta as práticas mais sutis de racismo,institucionalizadas e, ou os atos individuais de discriminação, dando suporte acomportamentos e atitudes racistas em organizações, na sociedade e na mídia. Contudo, nem mesmo após a desmistificação das possíveis diferenças genéticasutilizadas para hierarquizar os considerados não-brancos, as práticas sociaisinstitucionalizadas de inferiorização e marginalização foram minadas. Além disso, novasestratégias de desvalorização foram adotadas para discriminação racial e foram adicionadasproposições econômicas aos critérios utilizados anteriormente para sustentar e reproduzir nocotidiano as hierarquias de privilégios dos séculos anteriores. O que (Wieviorka, 2000) chama de “novo racismo”, quando novas estratégias dedesvalorização, em geral mais sofisticadas, são utilizadas para a discriminação racial. 9
  10. 10. Portanto, enquanto o fato de ser branco ou possuir aparência mais parecida com a (norte)européia tem garantido a associação com qualidades e valores mais positivos, como ainteligência, a habilidade, a educação, a beleza, a honradez e a amabilidade. Esta mesmahiper-valorização de traços europeus, particularmente nórdicos como formas dehierarquização racial, há séculos desvaloriza principalmente indígenas e negros e confere ànegritude uma aproximação com o primitivo. A ‘negritude´ tem funcionado como signo de maior proximidade dos afro-descendentes com a natureza e, conseqüentemente, da probabilidade de que sejam preguiçosos e indolentes, de que lhes faltem capacidades intelectuais de ordem mais elevada, sejam impulsionados pela emoção e o sentimento em vez da razão, hipersexualizados, tenham baixo autocontrole, tendam a violência e etc. (Hall 1990, p.67) Deste modo, como já observou (Hall, 2003) o referente biológico privilegiamarcadores étnicos para conotar diferenças sociais e culturais, e quando o nível genético éimediatamente visível (como as diferenças genéticas supostamente escondidas na estruturados genes e “materializadas” em significantes corporais facilmente reconhecíveis), tais como acor da pele, características físicas do cabelo, feições do rosto e tipo físico, que sãosignificantes utilizados para hierarquização social e funcionam, também, como mecanismosde fechamento discursivo em situações cotidianas. O que explica modelos brancos seremfrequentemente associados à beleza, saúde e bem-estar, sendo os representantes universais daespécie humana nos diversos meios discursivos. Assim, é possível notar que o referente biológico nunca opera isoladamente e nuncaestá ausente, tanto no discurso de “raça”, quanto no de “etnia”, o registro biológico funcionaestabelecendo uma articulação discursiva ou uma “cadeia de equivalências” (Laclau e Mouffe,1984) com as condições sócio-culturais. Portanto, percebe-se que o racismo biológico e a discriminação cultural operam comodois registros de racismo que, na maioria das vezes, estão em jogo simultaneamente. Contudo,faz-se necessário considerar as variadas possibilidades identitárias do sujeito, que tem sidoarticuladas num processo em que membros sociais são enquadrados em diferentes espaçossocioeconômicos e políticos de acordo com características físicas. Para isso, partimos da premissa da relação dialógica do indivíduo, no sentido de suarelação com outro ser fundamentalmente constitutiva do sujeito, que passa a articular sua 10
  11. 11. “identidade” em relação com aquilo que o falta – seu outro, seu “exterior constitutivo”.(Lacan, 1977); (Laclau e Mouffe, 1985); (Butler, 1993). Haja vista, o postulado séculos atrás por Hegel de que as pessoas percebem ecompreendem a sociedade, primeiramente com base nas perspectivas de seus grupos sociais,perspectivas que são formadas pela localização dos grupos na cultura como um todo e tambémno modo como experienciam a realidade social. Em outras palavras, a vida em sociedade envolve relações de poder desiguais eimpossibilita haver uma única perspectiva sobre a vida social. Deste modo, a cultura expressao sentido de valores que nascem entre as classes e grupos sociais diferentes, com base emrelações e condições históricas pelas quais eles lidam com suas condições e respondem a elas,além de, as tradições e práticas vividas através das quais “entendimentos” são expressados. 2.2 A identidade do sujeito e sua participação em comunidades práticas é literalmente a nossa maneira de viver, o processo de comunicação, de fato, é o processo de comunhão, o compartilhamento de significados... comuns; a oferta, recepção e comparação de novos significados, que levam a tensões, ao crescimento e a mudança. (Hall, 2006, p. 126) De acordo com (Laclau, 1996), o ser humano adquire identidade interagindo com osoutros. Ou seja, a vida do sujeito ganha significados, incrustados nos contextos culturais como qual este se relaciona. Uma identidade diferencial não existe distinta de um contexto, e noprocesso de fazer a distinção afirma-se o contexto simultaneamente. Assim, os sistemas de significados operam a partir do sistema de representação socialpara produzir as formas nas quais nos utilizamos para apresentar o mundo para nós mesmos eos outros e no qual nos baseamos para constituir nossas práticas sociais. Como a linguagem, por exemplo, a mais poderosa representação de sistemas sociaisque coloca a interação com o outro no mundo social como processo de constituição daconsciência, criando significados e representações que na medida em que apresentamimagens, idéias e perspectivas, passa a refletir não apenas a realidade, mas também aconstrução das realidades em que acreditamos. 11
  12. 12. O ser humano, portanto, constitui-se na e por meio da alteridade, e todas as atividades e papéis por ele desempenhados, nas mais diversas esferas do mundo social, encontram-se impregnados do discurso de outrem. (Fairclough, 1992) Deste modo, o signo que é a união da imagem e do significado, torna-seinterdependente e inseparável na construção do sentido, ou seja, na representação mental deum objeto ou da realidade social em que nos situamos e com o qual se atribui significado aconceitos e idéias baseado nas condições de formação e construção sócio-cultural que noscerceia ao longo de nossas vidas. Por isso, o indivíduo depende dos signos para compreender o mundo, a si mesmo, aspessoas com as quais se relaciona, viver, interagir com o meio em que está inserido e construirseu universo, utilizando-se do significante e do significado, intimamente unidos, paraconstituir os signos, dar sentido as coisas e fazer-se compreender e ser compreendido. Portanto, ao considerarmos as visões de mundo em constante interação, visando oconflito e o engajamento discursivo, podemos entender como os discursos ideológicos dossujeitos interferem no processo de reflexão do indivíduo sobre a própria ação nas maisdiversas esferas da vida social e em processo ininterrupto de (re) construção de identidades.De acordo com Pinheiro, à medida que essas identidades entram em conflito, são questionadas e analisadas o diálogo pode se tornar um espaço para (re)construção de identidades para todos os participantes envolvidos. Sendo assim, a participação nas práticas de diferentes comunidades leva à construção de identidades em relação a essas comunidades. (Pinheiro, 2006) Neste contexto, é possível inferir que o pertencimento a uma comunidade influência oque fazemos, quem somos e a forma como interpretamos aquilo que fazemos. Todos nós pertencemos a diversas comunidades de prática: em casa, no trabalho, na escola, na Internet, comunidades essas que mudam no curso de nossas vidas. A forma como participamos dessas comunidades representa experiências de aprendizagem e, logo, de constituição de identidades. (Fairclouch, 1992) Além disso, como acrescenta (Fairclouch, 1992) é o processo de (re) construção deidentidades, por meio das sucessivas formas de participação nas comunidades de prática quedetermina nossa trajetória nessas comunidades, fazendo da identidade um processo de vir a 12
  13. 13. ser, um constante tornar-se. Por relacionar presente, passado e futuro, a noção de identidadeimplica a idéia de constante movimento, e não de “destino fixo”. Assim, é possível compreender que a identidade é constituída historicamente em umanegociação do presente, com a incorporação do passado e uma perspectiva de futuro com aqual lidamos para contribuir nas mudanças das comunidades de práticas com a qual nosengajamos. Sendo assim, é necessário compreender as mudanças pelas quais as construçõesraciais passaram ao longo dos séculos, as quais moldaram práticas perpetuadas até os diasatuais. 2.3 Ser negro ao longo dos séculos Nos séculos XVI e XVII, durante a expansão ibérica ultramarina, os argumentos dodiscurso religioso da Igreja Católica que visavam a restauração da supremacia cristã e difusãoda fé aos gentis foram fortemente utilizados para justificar a superioridade européia sobre osconsiderados pagãos e infiéis nos territórios dominados e sustentou por centenas de anos aescravização de nativos e, principalmente, de negros africanos. Os escravizados eram considerados bens imobiliários, mercadorias negociáveis etratados como animais, eram responsáveis por todo o trabalho executado, desde a produção ecultivo das terras, até a realização de serviços domésticos. Neste sentido, no século XVIII, quando os Estados Unidos da América conquistou suaindependência e a igualdade de direitos, foi conferida a todos os homens, esta conquista nãofoi estendida ao homem negro considerado como propriedade, destituído de humanidade,escravo. Contudo, as lutas dos africanos e afro-descendentes por liberdade e direitos humanosjá havia fecundado e, tanto nas colônias americanas quanto no cenário brasileiro, várias foramas práticas instituídas para coibir a mobilização de escravos e limitar a liberdade deles,proibindo-os de expressar sua língua, religiosidade e cultura.A exemplo, nos Estados Unidos criou-se uma legislação mais rigorosa, reforçaram-se oscontroles policiais e foram tomadas medidas com vistas a restringir a liberdade de movimentodos negros no país e impedir, entre muitas coisas, até mesmo a instrução de afro-descendentes,mesmo que livres. 13
  14. 14. Qualquer pessoa branca que se reunir com os escravos, [ou] negros livres com o objetivo de instruí-los a ler ou escrever, será punido com reclusão na cadeia...... e com multa... (Código Penal Virginia, 1847)No Brasil, podemos destacar a lei régia de 1741 que declarava: [...] todo o grupo com mais de cinco escravos fugidos, ou suspeitos de fuga, será considerado um quilombo, arriscando-se, desde logo a ser massacrado. (Alencastro, 2009) Em meados do século XVIII, os negros livres ou não, convertidos à religião imposta porseus senhores (cristãos na América e católicos no Brasil) eram destituídos da liberdade defreqüentar as igrejas dos brancos e quando permitidos ouviam nas pregações ensinamentos desubmissão e subserviência às regras que os oprimiam. Por isso, a construção de igrejas negras norte-americanas e irmandades brasileiras foiconsiderada o germe da representação social criada por negros nos dois países como forma deresistência, articulação e modificação da situação de repressão vigente. No século seguinte, com a saturação do processo de escravidão, devido aos crescentesenfrentamentos entre senhores e escravos que lutavam por liberdade, as dificuldades políticasna sustentação do sistema escravista e o declínio econômico das sociedades em que estesistema era aplicado tornaram inevitável o estouro de conflitos iguais aos que deram início àGuerra Civil Americana, quando os colonos do sul que enfrentavam as fugas de escravos, asrevoltas organizadas na luta pela liberdade, e o assassinato de rebeldes e senhores, declararamsecessão aos Estados Unidos da América e perderam completamente o controle das constantesbatalhas. Diante deste quadro, o exército nortista lançou mão da aceitação do alistamentovoluntário de negros e escravos fugidos das colônias rebeldes às tropas do Norte, combateramaos senhores rebelados das colônias do sul dos Estados Unidos, venceram e deram suporte àproclamação do Presidente Abraham Lincoln da abolição da escravatura nos Estados Unidos. O cenário de confronto e mudanças na América, tornou a questão da escravidão noBrasil ainda mais insustentável. No entanto, como a aristocracia sulista estadunidense,predominantemente branca a “sociedade de privilégios” brasileira (baseada na 14
  15. 15. agroexportação, na posse de latifúndios e na exploração de escravos) não queria perder seusprivilégios e retardou ao máximo a proclamação da libertação da escravatura. Enquanto, os Estados Unidos protagonizava o período da Reconstrução com aimplantação de emendas garantidoras dos direitos civis aos afro-americanos, no Brasilalgumas leis foram aplicadas, após diversas tentativas de aplacar o movimento abolicionistabrasileiro. Dentre as leis implantadas, é possível citar a Lei do Ventre Livre de 1871 que garantia aliberdade apenas aos filhos de escravos nascidos a partir daquela data com a condição de queeles permanecessem cativos até os 21 anos e a Lei do sexagenário de 1885, que libertava osescravos com mais de 65 anos de idade e eximia o proprietário de responsabilidades para comos poucos que conseguiam sobreviver àquelas condições de vida por tanto tempo. Na sociedade brasileira, mesmo depois que a Lei Áurea foi assinada libertando todos osescravos, as praticas e comportamentos que distanciavam os negros na hierarquia social e nadivisão do trabalho foram reforçadas. Após 1888, a sociedade (...) torna-se um corpo assentado, fechado. Suas camadas superiores assumem uma consciência, aguda como nunca antes, de tudo do que pode separar o homem branco do preto ou do mestiço. A cor da pele, antes esquecida, torna-se, entre ricos e pobres, uma fronteira nítida (...) Nas relações humanas fortalecem-se todas as regras da humildade, da obediência e da fidelidade dos séculos de escravidão. (Mattoso, 2003) Deste modo, percebe-se que com o fim da escravidão novas formas de discriminação emarginalização foram adotadas e projetos de reconstrução da nação passaram a ser traçados.Neste momento, as reflexões sobre as questões relativas à cor, à raça e a identidade nacionalbasearam-se numa nova estratégia que visava a transformação do quadro racial da sociedadeamericana e brasileira, as quais tinham ambas em seu bojo teorias baseadas na obra “Adesigualdade das raças” (Gobineau, 1855) que defendia a superioridade da raça branca sobreas demais, assumindo-a como o modelo apropriado a ser instituído. A teoria sustentava que o destino das civilizações é determinado pela composiçãoracial que os brancos e em particular as sociedades arianas forneciam desde que ficassemlivres dos pretos e amarelos, porque a perca da vitalidade, da criatividade, o mergulho nacorrupção e a imoralidade tornam-se mais prováveis quanto mais o caráter racial de umacivilização se dilui através da miscigenação. 15
  16. 16. Nesse sentido, nas colônias americanas do Sul foi aplicada pelos donos de escravos aregra na qual mesmo uma gota de sangue por menor que seja estabelecia a identidade étnico-racial da população escrava como negra. Ela era aplicada aos filhos de senhores e servia paradefiní-los racialmente na hierarquia social, ampliar o número de escravos e desobrigar ossenhores de maiores responsabilidades. One drop of Negro blood — (…) just one drop of black blood makes a man colored. One drop — you are a Negro!2 ( Hughes, 1953) Além disso, esta regra tão arraigada na concepção americana, mesmo após a Guerra deSecessão nos Estados Unidos e a libertação dos escravos, sustentava a crença de que cada raçapossui determinada no sangue a aparência física e o comportamento social. A partir deste ponto de vista, doutrinas como as de Jim Crow ganharam território e em1883 no sul dos Estados Unidos, a Suprema Corte derrubou a Lei dos Direitos Civis de 1875,que havia proibido a segregação racial em locais públicos. Assim, foram formadas instalações separadas para afro-americanos e brancos (emescolas, poltronas de bondes, entradas de edifícios públicos, banheiros, bebedouros, horáriosde visitação a museus, prisões e forças armadas. A segregação com base na raça foi apoiadapor lei, com a doutrina de “Separados mas iguais”. Em 1896, a separação foi instituída comoconstitucional e validada também para teatros, praias, e instalações desportivas. Enquanto isso, na sociedade brasileira tomou corpo a estratégia de estímulo às políticasde imigração européia (ver anexos) para transformar o cenário do país, no qual negros eindígenas compunham a maior parte da população da época. Nesse contexto, as leis de incentivo aplicadas a imigração, conhecidas como “Lei doEmbranquecimento”, utilizadas para promover a evolução da cor no país, garantiram otransporte, a acomodação e a contratação de milhões de imigrantes europeus no Brasil. Além disso, o novo sistema político não assegurou profícuos ganhos materiais, ousimbólicos para os ex-escravos, que não tiveram nenhum projeto de reintegração à sociedade.De acordo com (Andrews, 1991), a população negra foi marginalizada, seja politicamente sem2 Uma gota de sangue de negro – (...) uma só gota de sangue de negro é sufuciente para fazerde um homem um preto. Uma gota! 16
  17. 17. a implantação do sufrágio, seja economicamente devido às preferências em termos deemprego em favor dos imigrantes europeus. Deste modo, os negros que constituíram a mão-de-obra brasileira, e uma vez livres dotrabalho escravo, eram aproveitados apenas para os serviços esporádicos, normalmente braçaisengrossarando a camada de marginalizados. Esse quadro histórico, não só deixou sua marca indelével no passado das sociedadesbrasileira e americana, como também, deu suporte a atual sustentação de privilégios que temcolaborado substancialmente para a lentidão das mudanças sociais alcançadas. No século XX, o cenário de conflito racial na sociedade americana encontrava-seacirrado com a revogação das leis federais do período da Reconstrução que garantiam aproteção aos direitos dos ex-escravos e a aplicação das leis de Jim Crow formalizando asegregação racial estendida à confederação em poucas décadas. Diante deste quadro, os afro-descendentes mobilizam-se na batalha pelos direitos civismotivando-os a participarem das associações, agremiações e sociedades destinadas a unir osafro-americanos e a transformar o quadro de desigualdade. Sendo assim, por volta de 1945 paralelo ao fim da Segunda Guerra Mundial, oMovimento dos direitos Civis ganhou impulso e utilizou as cortes federais para atacar as leisde segregação na federação e como resultado de batalhas civis e sociais e da resistência deafro-americanos mobilizada. Em 1954, a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade dasegregação e, ainda com um atraso de dez anos, aprovou a Lei dos Direitos Civis de 64 à qualanulou as Leis Jim Crow. Nas décadas seguintes, foram registrados muitos casos coletivos e individuais deenfrentamento do cenário de desigualdade social, marginalização, e práticas severas depreconceito racial ao longo do país, além da reação da comunidade negra aos casos polêmicosde preconceito com o apoio de poucos simpatizantes brancos à luta, chamadospejorativamente de niggerlovers. Ao mesmo tempo em que no Brasil, os aspectos ligados à cor e a raça foramarticuladamente suprimidos, de acordo com as políticas governamentais vigentes. Assim, adefinição de uma identidade negra foi inibida, e como já afirmava (Nogueira, 1979) aconcepção de branco e não-branco, encontrou variações em função do grau de mestiçagem, deindivíduo para indivíduo, de classe para classe, de região para região. 17
  18. 18. Desta forma, no Brasil criou-se o preconceito de marca em que as nuanças cromáticasda pele passaram a contribuir para um futuro mais ou menos promissor nos moldes de umsistema sócio-econômico competitivo e excludente, no qual a rejeição aos negros podia operarde acordo com a tonalidade de sua cor, textura de cabelo e quanto mais distante do padrãobranco europeu de aparência, menor o número de oportunidades no sistema educacional e nomercado de trabalho. Portanto, os afro-descendentes passaram a vivenciar a luta contra uma barreira aindamais árdua que exige, não só, o enfrentamento do quadro social, para o êxito educacional,profissional e econômico. Como também, e, sobretudo, a luta contra a barreira racial queatribui desvantagem e inferioridade de prestígio, capacidade, habilidade, honradez,inteligência e poder do negro. Existem duas barreiras na sociedade brasileira que são muito fortes. Uma é social, é a barreira de classes, que o homem “branco” vence quando consegue uma oportunidade de se escolarizar, se profissionalizar, de subir socialmente. Já o “negro” tem a barreira social e a barreira racial, ele tem duas barreiras a enfrentar e a vencer. Por isso que classe e raça são tão interdependentes. E depois do negro conseguir êxito na profissão, ele ainda precisa lutar por sua auto-afirmação como pessoa. (Fernandes, 2004) Nesse contexto, nota-se que a igualdade racial na sociedade brasileira, como jáobservou o professor Kabengele Munanga é um mito: A democracia racial é um mito. Existe realmente um racismo no Brasil, diferenciado daquele praticado na África do Sul durante o regime do apartheid, diferente também do racismo praticado nos EUA, principalmente no Sul. Porque nosso racismo (...) é sutil, é velado. Pelo fato de ser sutil e velado isso não quer dizer que faça menos vítimas do que aquele que é aberto. Faz vítimas de qualquer maneira. (Munanga, 2009) 2.4 Cultura e Mídia Sendo assim, ao considerermos que o maior capital da mídia é a sua credibilidade, eque ela se propõe a ser um simulacro do espaço societário, a mudança em valores e pressõesde determinados segmentos sociais tem reflexos direto nos imaginários construídos no espaçomidiático. Com base nisso, Hall e outros autores dos Estudos Culturais propõem ao movimentonegro uma estratégia para fortalecer o reconhecimento da população negra, a busca constante 18
  19. 19. pela singularidade da cultura popular negra. O questionamento: - Quem sou? – De ondevenho? Pois, o processo de reconhecimento da identidade em um grupo e da identificação doindividuo são sempre marcados pela diferença e definidos pela inclusão e exclusão, porquequando eu afirmo o que eu sou, deixo subentendido o que eu não sou, ou seja, a identidade ediferença existem uma em relação a outra.Por isso, como afirma Sodré é necessário: Contornar esse desdobramento violento do mal-estar individualista, que é o racismo, implica engendrar lugares de trânsito (ético-políticos) entre as singularidades. Na prática, isto significa levar indivíduos e instituições a assumirem ou incorporarem o princípio da diversidade humana como uma anterioridade simbólica (e não como mera conseqüência) para os desenvolvimentos jurídicos, políticos e econômicos que possam intervir na espinhosa questão da diferença e da desigualdade entre os homens. (Sodré, 2000) Para tanto, é preciso assegurar o enfretamento das armadilhas presentes nadisseminação dos preconceitos, dos mecanismos utilizados na reprodução dos estereótipos degeração a geração, e evitar que a estigmatização negativa de um grupo em detrimento do outrose confunda com uma realidade “natural”. Nesse sentido, é preciso considerar que o campo da cultura é um espaço de conflitos,onde diversas possibilidades de interpelações atuam influenciando no nosso modo de percebero mundo, na construção do nosso universo simbólico e na nossa percepção sobre nós mesmos,que é articulada a partir da apropriação da realidade como ponto de partida para a reflexão econstrução do pensamento. Nas palavras de (Oliveira, 2009), a cultura desempenha o papel de novo ágora derepresentação das tipologias sociais com o esvaziamento do espaço público da sociedade civilcoincidindo com a crise da utopia do sujeito universal iluminista nas novas configurações dasociedade neoliberal globalizada. O que implica na seleção e reconstrução racial da realidadede forma hegemônica e co-participante, pelo aparelho midiático, sem a apresentação de umdiscurso de constetação sistêmica mesmo que minoritário. A mídia funciona, no nível macro, como um gênero discursivo capaz de catalisar expressões políticas e institucionais sobre as relações inter-raciais, em geral estruturadas por uma tradição intelectual elitista que, de uma maneira ou de outra legitima a desigualdade social pela cor da pele. (Sodré, 1999, p. 243) 19
  20. 20. 2.5 Negro nos meios de Comunicação Como já diz Oliveira, a mídia evoca para si o espaço dos conflitos político-ideológicose com isso transforma-se no palco central das representações políticas passando a atrair aexpectativa de apresentação das várias possibilidades interpelativas e assujeitamentos. No entanto, o discurso sobre o negro nos meios de comunicação é apontado como“natural” ocorrendo apenas o destaque de algumas pessoas negras com característicasreferendadas exclusivamente a determinados espaços, apresentando não só um pequenoespaço de visibilidade para negros, mas principalmente propostas que trazem estereótipos donegro e do relacionar-se inter-etnicamente. Em outras palavras, a grande mídia tende a abrir espaço para a temática racial, apenascobrindo alguns eventos com a participação de negros ou via o lançamento de produtossegmentados destinados a um pretenso mercado e dificilmente incorpora a problemáticaracial, suprimindo o discurso anti-racista (centrado na percepção dos mecanismos socialmentecriados para exclusão da população negra) e apontado para a superação dos mesmos.Nas palavras de (Oliveira, 2009), Outra estratégia na busca da “voz” no ágora midiático reside na construção de modelos de figuras olimpianas negras que “representariam” este segmento no ágora. Esta estratégia é cooptada pela mídia e, em geral, reforça a idéia de uma guetificação de espaços permitidos aos afrodescendentes – o espaço lúdico. Ao lado, disto, estas figuras são apresentadas como “vencedoras”, como pessoas que superam suas barreiras e estas qualificações servem tanto para a mídia legitimar-se como um simulacro de uma sociedade multi-étnica quanto para atender as expectativas dos grupos subalternos para encontrar representações suas no ágora midiatizado. (Oliveira, 2009) Cabe aqui, destacar que, em tratando-se de sociedades multirraciais, tanto no casonorte-americano, quanto no brasileiro os afro-descendentes correspondem a um númeroexpressivo, sendo cerca de 13,5% da população estadunidense e 51,1% da populaçãobrasileira – distribuída entre 6,9% pretos e 44,2% pardos3. Dentre os quais, de acordo com pesquisa realizada em meados de 2008 peloeconomista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas(FGV), 53,5% dos negros e 47,3% dos mestiços no Brasil pertencem às classes A, B e C.3 C.f. Sinopse do Censo Demográfico 2010. p.225-230. 20
  21. 21. Ainda segundo Neri, no Brasil negros e mestiços juntos são 48% da classe média,incluindo o quadro de 15% de afrodescendentes no recorte de 1% das famílias mais ricas dopaís – sendo respectivamente 1,8% pretos e 14,2% pardos, além de 52% de negrosdistribuídos nas classes D e E. Acrescenta-se a isso, dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domícilio (PNAD2009) os quais indicam um suave aumento de 2,3 anos no tempo de estudo dos afro-brasileiros, bem como o crescimento do número de negros que concluem o ensino superior,quando comparado à década passada. Além do mais, conforme o Census Bureau de julho de 2008, nos Estados Unidos osnegros compõem 10% das famílias com renda igual ou acima da casa dos 100.000 dólares,83% da população afro-americana tem, no mínimo, o ensino médio e 20% da população negraconcluiu o ensino superior (graduação ou pós) no país. Neste ponto, é imprescindível observar que embora o paradigma de consumo tenhaalterado o neoliberalismo para uma forma de organização a partir de pequenos “nichos” demercado - mobilizando grandes montantes de dinheiro, os meios de comunicação ainda nãooperam considerando o mercado já existente da população negra com altos níveis econômicose educacionais. Ao invés disso, apresenta corriqueiramente imagem do afro-descendente carregada deestereótipos negativos. O que se revela no fato de a mídia há décadas, freqüentemente, virexcluindo da arena dos conflitos político-ideológicos midiáticos a problemática racial queainda opera acirrando a falta de identificação, baixa auto-estima e, principalmente, reforçandoum quadro social em que negros e brancos no Brasil e nos Estados Unidos sustentam suasvidas desarticulados pela desigualdade.Esta desvantagem, entre negros em relação aos brancos, é apontada de forma natural noquadro brasileiro educacional, econômico e social. Em que a incidência de analfabetismoentre negros é de 26,7% contra brancos a 5,9% da população brasileira com a diferença emmédia de 57,4% entre os rendimentos-hora de negros e brancos na esfera econômica; e noâmbito social, a construção pela mídia da imagem de negros freqüentemente aludida àsexualidade, musicalidade, ausência de moralidade ou de bons costumes e precariedadeeconômica e educacional. Além disso, há ainda a disseminação da imagem da fé da populaçãoafrodescendente e de suas práticas, como a expressão do mal. 21
  22. 22. Nesse sentido, tem-se como resultado a participação de afro-descendentes com iniciativasadotadas há séculos para encontrar e produzir alternativas de comunicar o ponto de vista dapopulação negra e expressar seus pontos de vista. 2.6 Os meios de comunicação da população negra O Jornal da liberdade foi o primeiro jornal publicado por afro-descendentes e teve suaorigem em uma reunião na casa do Sr. Crummell, sob o comando de dois nomes proeminentesdo grupo – Rev. Samuel Cornish e John B.Russwurm, editores-chefes – a publicaçãoproclamou: " Agora é nossa vez ... Agora queremos defender nossa própria causa, há muitotempo que os outros falam de nós e sobre nós”. Portanto, o surgimento da imprensa negra nos Estados Unidos, em 1827, ocorreu comoalternativa de expressão dos conflitos político-ideológicos na arena midíatica, consistia naprocura de formas para confrontar questões sociais, políticas e econômicas, comunicando ospontos de vista e as opiniões da comunidade negra sobre questões gerais da sociedade. Isto porque, embora os afro-americanos tivessem em suas igrejas, fraternidades eassociações o meio de expressão coletiva e diálogo social entre os membros da comunidade, ouso dos habituais canais de comunicação, principalmente os jornais, era negado para osnegros, que constantemente tinham a integridade moral étnica questionada e muitas vezeseram difamados pela imprensa. Durante os últimos 180 anos, desde o surgimento do Jornal da Liberdade, a imprensanegra norte-americana tem registrado os acontecimentos e comentado sobre eles, sobre aforma que ocorreram e o impacto que tem causado à população negra, dando voz as batalhasdos afro-americanos para superação dos efeitos da escravidão e discriminação, buscandoigualdade social e colaborando para a continuidade da defesa da causa. Ao longo dos anos, foram muitos os contribuintes da imprensa negra que emprestaramseus talentos como editores, jornalistas, colunistas e cartunistas incluindo os maiores nomesda história americana. Dentre eles, estão Frederick Douglass, W.E.B. Dubois, Ida, B. BarnettWells, Langston Hughes, Bearden Romare, James Weldon Johnson, McLeod Bethune Maria eDaisy Bates. 22
  23. 23. Em 1914, sob o clamar de John Sengstacke do “Defensor de Chicago”, foi realizadauma reunião com os principais editores negros de toda a nação, sobre a qual Sengstackeafirmou ter sido realizada para sintonizar nossas energias em um objetivo comum para ojornalismo negro. Pelo menos um representante de cada uma das 22 publicações nacionais estavapresente e todos juntos decidiram por formar a Associação Negra Nacional de Editores que,por volta da década de 50, foi renomeada para Associação Nacional da Imprensa negra eeditores de jornais (RNAP). Ela é formada atualmente por mais de 200 jornais negros nosEstados Unidos e Ilhas Virgens, com um rendimento anual em torno de 15 milhões de euros. Assim, na era da comunicação do novo milênio a RNAP - a imprensa negraestadunidense continua a atuar de acordo com a missão estabelecida pelos editores fundadores" Defender sua própria causa". Já no Brasil, apesar do lançamento de o Pasquim O Homem de Côr, a primeirapublicação para afro-brasileiros ter ocorrido em setembro de 1814. Os momentos iniciais daimprensa negra brasileira foram marcados por inúmeros contratempos, dentre eles o próprioescravismo e seus instrumentos afins. Os afro-brasileiros enfrentaram grandes dificuldades para tornar pública sua própriavoz. Além disso, a falta de maquinário próprio foi um problema que afetou a produção dealgumas publicações. Por isso, até mesmo os impressos que nunca tiveram distribuiçãonacional são parte do esforço coletivo para controlar os códigos da dominação e subvertê-los. Um dos casos vingadouros da produção em meios de comunicação por afro-descendentes deu-se quando a partir do século XX passou a ser publicado o Alvorada -periódico de maior longevidade no país produzido com pequenas interrupções de 1907 à 1965no Rio Grande do Sul, retratando um momento histórico de luta, disseminação de modelos decomportamento da época e enfretamento das dificuldades sociais encontradas pela populaçãonegra, e de acordo com Domingues: Assim como outros jornais da população negra [grifo nosso] o Alvorada enfocava as mais diversas mazelas que afetavam os afro-descendentes nas áreas de trabalho, da habitação. Eles tornaram-se o espaço privilegiado para pensar e discutir alternativas para os problemas de desigualdade na educação, na saúde e no trabalho. Além disso, as páginas desses periódicos constituíram veículos de denúncia do regime de "segregação racial" que incidia em várias cidades do país, impedindo o negro de ingressar ou freqüentar determinados hotéis, clubes, cinemas, 23
  24. 24. teatros, restaurantes, orfanatos, estabelecimentos comerciais e religiosos, além de algumas escolas, ruas e praças públicas. (Domingues, 2009, p. 106) Com o passar do tempo, e principalmente durante o período de ditadura militar noBrasil a repressão à imprensa e aos movimentos sociais enfraqueceu e desarticulou a cobrançada cobertura de questões raciais na mídia. Assim, somente durante o processo deredemocratização no país a militância negra conseguiu um fortalecimento e uma mobilizaçãona busca por uma forma de resistência mais organizada e unida. O que também provocou ocrescimento da demanda por uma cobertura da grande mídia dos temas relacionados aosnegros. Deste modo, na década de 80, a imprensa recém liberta da ditadura ganhou força epassou a assumir uma postura diferente e a atuar de forma mais denunciativa e o negro passoua ganhar um modesto espaço na mídia. Em meados da década de 90, seguindo o modelo de algumas revistas norte-americanaslançadas na década de 70, especialmente para o público negro no Brasil, estreou em âmbitonacional a revista Raça Brasil que no seu lançamento, atingiu uma tiragem de 280 milexemplares. O que sucitou o questionamento sobre o quanto os afrodescendentes tem sidoconsiderados pelos meios de comunicação de massa, que normalmente adaptam-se à realidadedo mercado, segmentando suas ações e criando materiais impressos, radiofônicos e televisivospara nichos específicos de informação, homens, mulheres, grupos étnicos. Assim, faz-se necessário analisar a representação que os afro-descendentes tem aoconsiderarmos que a população negra não só forma um nicho que se mobiliza para existir narepresentação midiática, como também, intersecciona-se com diversos nichos de grandessociedades multirraciais.3. OBJETIVOS A pesquisa tem como objetivo principal verificar em que situações e como homens emulheres negras, famosos ou não, são representados em fotografias, anúncios produzidos pelalinha editorial ou histórias de revistas segmentadas de informação, feminina e masculina, doGRUPO Abril, assim como realizar a análise de uma publicação voltada para o público étnicoe comparar as edições brasileiras estudadas com suas versões originais ou similares 24
  25. 25. estadunidenses. Pois, constitui também, objetivo do trabalho conferir como é o discurso destasrepresentações no Brasil e nos Estados Unidos da América.4. JUSTIFICATIVA No cenário político brasileiro, após dez anos em discussão na Câmera, foi aprovadopelo Senado e sancionado pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva o Estatutode Igualdade Racial que representa uma conquista do movimento social de negros que duranteanos cobram a formulação e implantação de políticas públicas para a equidade social entrebrancos e afro-brasileiros desde a redemocratização do país no final dos anos 80 e início dosanos 90, do século passado. O estatuto apresenta em sua proposta políticas de promoção de igualdade deoportunidades definindo o que é discriminação racial, desigualdade racial e quem pode serconsiderado negro; tornando obrigatório o ensino de história geral da África e da populaçãonegra do Brasil nas escolas de ensino fundamental e médio, públicas e privadas; reiterando aliberdade do exercício dos cultos religiosos de origem africana; prevendo multa para quempraticar crime de racismo na internet, e também, a interdição da página da web que exibirirregularidades; garantindo às comunidades quilombolas direitos de preservar costumes sob aproteção do Estado; e estabelecendo para o poder público a responsabilidade de criarouvidorias permanentes em defesa da igualdade racial para acompanhar a implementação dasmedidas; além de certificar-se que o Estado está adotando medidas para coibir a violênciapolicial contra a população negra. Além disso, uma outra vitória para os afro-americanos, considerada um grande avançona luta pela igualdade racial na sociedade é o fato da maior potência do mundo ter elegido, hádois anos, seu primeiro presidente negro Barack Obama. Nas palavras do Professor de CiênciaPolítica da Universidade do Texas, Thomas Brunell: “mostra que superamos uma barreiraque, há dez anos, parecia intransponível”. Principalmente, ao considerarmos o passado recente de segregação regulamentada porlei, cerca de 50 anos atrás, que estabelecia a supressão e opressão do direito dos negros nosEstados Unidos da América, privilegiando brancos em detrimento de negros e determinandopara cada raça seus bairros, escolas, cinemas e transporte próprios. 25
  26. 26. Apesar dos avanços, como alertou o professor da Universidade Estadual de Michigan,Ronald Hall na véspera da eleição presidencial: “a vitória de Obama pode dar a impressão de que não há mais preconceito, não há mais racismo, o que é errado. Houve uma melhora, é verdade, mas ainda há muitos problemas”. “O racismo ainda está vivo. A diferença é que as pessoas não admitem que são racistas, por vergonha, mas elas demonstram isso nos seus atos. O racismo continua existindo de forma disfarçada”. (Hall, Ronald, 2008) A exemplo disso, no Brasil, onde políticas públicas para a equidade entre brancos enegros foram adotadas o racismo cordial foi observado, principalmente, pela significativaareação da mídia à agenda do debate político, quando vários colunistas e líderes de aparelhosmidiáticos vieram a público reforçar o discurso da "democracia racial", comprovando oargumento da linha de estudos culturais que afirma que o sistema de racismo “no Brasil”[grifo nosso] tenta homogeneizar a diferença e a desigualdade. Além disso, muitos foram os ataques às políticas específicas de combate ao racismo,criticando a luta contra a precariedade das condições socioeconômicas em que os negros temsido mantidos, e que dificulta para eles o acesso à educação de qualidade, saúde e boascondições de trabalho no mercado, entre outras desvantagens produzidas. Como (Magnolli, 2009), que em seu livro "Uma gota de sangue" defendeu que não hádistinção de raça, o conceito de raça é uma invenção dos movimentos sociais de negros paraseparar a sociedade. Ele criticou, também, questões como a reserva de cotas nas universidadespúblicas, ponto que foi retirado da versão final do Estatuto da Igualdade Racial, junto com areserva de cotas para negros em partidos políticos e trabalhos em publicidade. Diante disso, o estudo do discurso da mídia revela-se de extrema relevância, não sópara os profissionais de comunicação por fornecer material para a compreensão equestionamento sobre a linha das nomeações com as peculiaridades da realidade social, mastambém, para profissionais da educação por facilitar o acompanhamento das questões raciaisem revistas que constroem estilos de vida junto com a venda da informação. 26
  27. 27. 5. A PESQUISA 5.1 Tema do Trabalho A representação do negro e das relações raciais nos meios de comunicação: Um estudocomparativo em revistas de segmentos no Brasil e nos Estados Unidos. 5.2 Contexto do Tema O cenário de enfrentamento da desigualdade racial em sociedades multiétnicas temsofrido transformações, algumas delas acontecem de forma mais rápida, outras tem ocorridode forma gradual, lenta e sofrido resistência. Nesse sentido, questões como a reserva de cotas nas universidades públicas, partidospolíticos e trabalhos em publicidade são exemplos de avanços que não passaram imunes aodiscurso da meritocracia e, principalmente, aos argumentos da democracia racial. A exemplo, na sociedade brasileira pontos garantidores da equidade de direitos noespaço educacional, político e profissional foram retirados do Estatuto da Igualdade Racial enos Estados Unidos continua visível a desvantagem social, midiática e salarial que homens emulheres negras vem vivendo, assim como a manutenção da representações deafrodescendentes apresentandos separadamente de brancos, reforçando uma releitura dodogma de “separados mais iguais”. Tendo em vista este cenário, o objetivo do estudo é analisar o discurso da mídia sobrepessoas negras, comuns ou celebres e as relações raciais existentes nesse discurso das revistassegmentadas de maior representatividade no Brasil e nos Estados Unidos. 5.3 Problema do Tema A construção da imagem do negro nas revistas segmentadas do Brasil e dos EstadosUnidos. 5.4 Problema da pesquisa Verificar como é apresentada e representada a imagem de pessoas negras em revistasde segmento Brasil e dos Estados Unidos. 27
  28. 28. 5.5 Universo da pesquisa Revistas de segmento voltadas para os públicos específicos de informação, feminino emasculino no Brasil e nos Estados Unidos. Comparando-os com as publicações do públicoétnico. Respectivamente, Veja/Time, Nova/Cosmopolitan, Playboy Brasil/Playboy EstadosUnidos e Raça/Ebony; 5.6 Amostra No Brasil e nos Estados Unidos, foram escolhidas quatro edições - uma por trimestrede revistas específicas de informação, feminina, masculina e étnica. As publicações foram selecionadas em uma ordem trimestral, com uma escolhaaleatória das edições antes da compra. Nesse sentido, a amostra correspondeu respectivamentea: Primeiro trimestre de 2010 – a edição de janeiro das revistas mensais e uma daspublicações do mês de janeiro das revistas semanais. Segundo trimestre – a publicação escolhida deveria encerrar o segundo trimestre, ouseja, junho; Terceiro trimestre – a edição deveria corresponder também ao fim do trimestre, nocaso edições do mês de setembro. Quarto trimestre – neste caso a publicação escolhida deveria ser a primeira do últimomês do trimestre, propiciando um quadro mais geral do perfil de publicações do ano,dezembro. 5.7 HipótesesHipótese 1: Na mídia, o afrodescendente tem um espaço inferior a sua representação demográficanas sociedades brasileira e estadunidense. 28
  29. 29. Hipótese 2: A população negra apresentada nas revistas de segmentos sofre estereotipiacomportamental, sócio-cultural e econômica estabelecida ao longo dos séculos na sociedade.Hipótese 3: O discurso sobre as representações do negro nas revistas de segmento omite,desarticula ou esvazia o conflito racial existente na sociedade. 5.8 Objetivos específicos Verificar em que situações e como homens e mulheres negras, famosos ou não, sãorepresentados em fotografias, anúncios produzidos pela linha editorial ou histórias de revistassegmentadas de informação, feminina e masculina e etnia. Verificar a ocorrência de estereótipos na representação de pessoas negras; identificar aproporção estatística nas revistas de aparições de pessoas negras; e verificar a proporçãoestatística dos discursos positivos, negativos e meramente ilustrativos no conteúdo midiático. 29
  30. 30. 6. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICO Para realizarmos a pesquisa sobre a representação do negro nos meios de comunicaçãode massa, optamos por realizar uma pesquisa exploratória nas revistas de segmento de nichosde mercado que fornecessem uma abrangente perspectiva da sociedade. Deste modo, no Brasil e nos Estados Unidos da América foram selecionadas no ano de2010 quatro edições - uma por trimestre de revistas específicas de etnia, informação, juvenil,feminina e masculina,. Respectivamente: Raça / Ebony; Veja / Time; Atrevida / Seventeen;Nova / Cosmopolitan, e Playboy Brasil / Playboy E.U.A. No entanto, para um aprofundamento da pesquisa e uma contemplação mais objetivados resultados o estudo restringiu o foco a produções do Grupo Abril, comparando as comversões similares, muitas vezes originais, das produções brasileiras, preservando os dados daanálise de revistas do segmento étnico por entender que estas revelavam a discrepancia dosresultados das representações do negro em diferentes nichos. 6.1 A escolha do objeto A princípio, o estudo visava analisar quatro edições aleatórias de revistas segmentadasdo ano de 2010, com distribuição nacional e com maior representatividade no mercadobrasileiro. No entanto, por causa da possibilidade de internacionalização da pesquisa comextensão aos Estados Unidos, outra grande sociedade multirracial de imensa relevância nocenário de enfrentamento da desigualdade racial no mundo, o estudo incluiu ediçõesestadunidenses, correspondentes às revistas analisadas no Brasil e publicadas no mesmoperíodo selecionado para a pesquisa. 6.2 Coleta dos Dados no Brasil Sob a orientação do Prof. Dennis de Oliveira e sua linha de pesquisa, foram escolhidasas revistas Atrevida, Playboy e Veja, devido sua singularidade e liderança de share-of-mind na 30
  31. 31. sociedade brasileira4. Já as revistas Nova e Raça Brasil foram selecionadas, também sob osauspícios do Prof. Dennis, por serem as principais revistas na lista das melhores do Brasil erepresentarem muito bem seus nichos de mercado. Já a análise de categoria e teor do discurso foi realizada graças as orientações einstruções do Prof. Paulo Nassar que propiciou um esclarecimento claro e objetivo de gênerojornalístico e suas implicações na disciplina Produção de Periódicos Institucionais. Ainda, o estudo propociou um rico e imenso relatório de dados que pertinentementedeveriam ser considerados para a reflexão, e até mesmo readequação, da postura na produçãoe disseminação de conteúdos das revistas de segmentos específicos. Para tanto, foram escolhidas as revistas produzida pelo Grupo Abril para uma pesquisamais detalhada e análise de conteúdo mais aprofundada, por considerarmos que a iniciativa demudanças do quadro de desigualdade racial deve partir sobretudo de líderes do mercado eempresas pioneiras e inovadoras como também modelos de tradição, respeito e credibilidadena sociedade. Nesse sentido, foi conferido o contexto histórico destas publicações e na seqüência foirealizado o clipping dessas revistas. As publicações foram selecionadas em uma ordemtrimestral, com uma escolha aleatória das edições antes da compra. Devido ao fato das ediçõesnum.1 do ano de 2010 das revistas semanais norte-americana terem sido publicadas emdezembro do ano anterior e corresponderem ao contexto de 2009, foi escolhida para apesquisa a edição num.2 do mês de janeiro, para que a data de estudo continuasse condizente aanálise das revistas semanais brasileiras a seleção realizada foi extendida as publicações doBrasil. 6.3 Coleta de dados nos Estados Unidos da América Inicialmente, foi realizada virtualmente uma pesquisa sobre a missão das revistas, paragarantir que a extensão norte-americana da pesquisa obedecesse aos critérios aplicados àseleção do material de pesquisa brasileiro.4 Anexo relação do IVC – Instituto Verificador de Circulação no Brasil com relação de revistas com maiorcirculação em 2010. 31
  32. 32. As publicações que antes eram selecionadas em ordem aleatória, passaram a serescolhidas em uma ordem trimestral, com uma escolha aleatória das edições no trimestre antesda compra. Nesse sentido, a amostra corresponde a primeira do começo do ano de 2010 –janeiro; a segunda do final do segundo trimestre – junho; a terceira do final do terceirotrimestre – setembro e para a quarta revista foi escolhida a edição que iniciava o quartotrimestre – dezembro. 6.4 Em campo A pesquisa foi iniciada sob a orientação do Prof. Dr. Dennis de Oliveira, quando emmarço de 2010, o projeto de estudos foi contemplado por uma bolsa da Pró-reitoria daGraduação. Em algumas reuniões, foi realizada a seleção de revistas de segmentos de extratossociais específicos para que o resultado da análise da representação do negro na mídia e odiscurso sobre o negro construído nas revistas refletisse de forma abrangente as tendênciassociais. As revistas selecionadas tiveram sua missão e tiragem conferidos e após a definiçãodo número de exemplares a ser estudado, a compra no Brasil passou a ser feita diretamente embancas de jornais e livrarias pelo Prof. Dennis. No entanto, em meados de agosto de 2010, com a internacionalização do projeto deestudos aprovado pelo programa Raça, Desenvolvimento e Desigualdade do Ccint – FEA USPem parceria com a CAPES e a FIPSEP, a idéia da pesquisa expandiu-se e o universo daanálise passou a analisar versões estadunidenses, com relevância semelhante às edições jáestudadas no Brasil. Deste modo, em agosto, a pesquisa passou a ser realizada nos Estados Unidos daAmérica e as revistas passaram a ser compradas pela internet. A princípio, por causa danecessidade de edições anteriores ao mês de chegada ao exterior, segundo pela ausência debancas de jornal e a restrição da compra das revistas a livrarias, e, terceiro por causa doconstrangimento que a solicitação de edições específicas da revista Playboy provocavam aovendedor e a mim, pesquisadora, devido a questões culturais norte-americanas. 32
  33. 33. Inicialmente, foram compradas as edições anteriores ao mês de setembro de 2010, asquais necessitaram uma pesquisa minuciosa de termos, siglas e jargões para uma compreensãomais fluente das expressões. As edições restantes foram compradas em livrarias e farmácias norte-americanas,exceto as correspondentes ao mês de dezembro que, em meados da segunda semana do mêsnatalino - mais precisamente dia nove de dezembro, não estavam mais disponíveis para avenda. Por este motivo, as edições de fim de ano foram compradas on-line de assinantes quenão precisavam manter as revistas. Apesar dos contratempos, até o fim de dezembro todas asedições americanas já haviam sido compradas e mais da metade delas clippadas e mapeadas. No entanto, na volta ao Brasil, foi um verdadeiro desafio encontrar ediçõescorrespondentes ao início de 2010, com a busca em sebos, bancas de jornal e bibliotecas. Porestr motivo, uma das revistas analisadas só foi encontrada em versão on-line, após a busca atémesmo na própria editora, o que atrasou consideravelmente a mensuração dos resultados. Durante a análise, os textos foram separados entre os tipos: carta do leitor/comentário,crônica, declaração, depoimento, entrevista, notícia e quadrinho. Além disso, suas respectivasmensagens foram classificadas por opinativa, informativa, interpretativa e distinguidas peloteor das conotações: positiva, neutra, negativa e ambivalente, sendo que a última permitia umaleitura ambígua da conotação que a mensagem estava transmitindo. Por fim, foram produzidos gráficos ilustrativos para a comparação de milímetrosquadrados do espaço conferido a negros em relação ao produto total da revista; gráficocomparativo de revistas do mesmo nicho nas edições brasileiras e americanas referentes àmesma data; gráfico representativo dos teores mais ocorrentes na análise da revistas; eapresentação das categorias de estereótipos mais ocorrentes. 33
  34. 34. 7. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOSPrimeiramente, os dados foram tabulados em uma planilha geral, em CD anexo, na qual foifeito um breve resumo do recorte em que houve a aparição de pessoas ou aspectos da culturanegra, indicado a localização do recorte na revista, classificado o teor em que foi apresentadaa imagem ou citado algo diretamente relacionado a pessoa ou comunidade negra. Em seguida, foi apontada a medida em cm! da imagem, menção ou citação e realizadauma comparação métrica entre as aparições de afrodescendentes e o conteúdo total dasrevistas. Estes dados serviram de suporte para demonstrar que, na mídia, no caso revistas desegmentos para diversos grupos, o negro tem um espaço inferior a sua representaçãodemográfica tanto na sociedade brasileira, quanto na norte-americana. Como revelam os dados extraídos das revistas Veja, Time; Nova, Cosmopolitan; ePlayboy Brasil e Playboy E.U.A e a aparição de afrodescendentes em geral é bem inferior a10% do seu conteúdo, o que não correspondeu à proporção social de afrodescendentes em2010, sequer, nos Estados Unidos da América, onde este grupo étnico representa em torno de12% da população americana com representação na média na mídia de 40% do valorproporcional ao cenário demográfico da população norte-americana. Salvo duas exceções, aprimeira de uma edição da revista Times de janeiro que teve 22% de seu conteúdo voltado àaparição de negros, no entanto, grande parte ligada a uma imagem altamente negativa, poisabordava o atentado terrorista de um estudante nigeriano a um avião em Detroit. A segunda exceção foi da revista Ebony que, no mesmo período, garantiu por volta de55% do conteúdo de suas edições a apresentação de afro-americanos e à temática negra. Já no Brasil, a representação do negro no discurso das revistas de segmentos, similaresas analisadas nos Estados Unidos, também não alcançou sequer 10% do conteúdo total dasrevistas, o que significa uma exibição de 14% do valor proporcional ao quadro demográficode afro-descendentes no Brasil. Ou seja, o conteúdo das revistas de segmentos é 82% inferiorà representação proporcional da população negra no país. Neste caso, tem exceção apenas a revista segmentada voltada para o grupo étnicoafrodescendente a Raça Brasil, que destinou cerca de 75% do seu conteúdo à exibição evalorização dos afrodescendentes, da comunidade e da cultura negra, durante o ano de 2010. 34
  35. 35. Como mostra o gráfico 4 que traz a porcentagem da aparição de negros por revista dostrimestres de 2010, vê-se a possibilidade de comparação entre o espaço ocupado por negros namídia em produções segmentadas para diversos públicos.Graf.4 porcentagem da aparição de negros por revista dos trimestres do ano de 2010. Aparição de negros por revista dos trimestres do ano de 2010. 90,00 80,00 70,00 60,00 Jan 50,00 Jun Set 40,00 Dez 30,00 20,00 10,00 0,00 a l e sil . n a t si ej .A m Je ov ita ra ra V Ti U N y ol B B on E. op a oy Eb aç oy m yb R yb os a C a Pl PlFonte: SILVA, L. A representação do negro e das relações raciais nos meios de comunicação: Um estudocomparativo em revistas de segmentos, do Grupo Abril, no Brasil e suas respectivas versões norte-americanas. Deste modo, os dados revelam que, no caso americano, apesar de baixa a porcentagemda aparição de negros nas revistas de segmento para diversos grupos, a proporção de exibiçãoé próxima do número de afro-americanos, enquanto que a média brasileira de exposição erepresentação de afrodescendentes e temáticas da cultura negra chega a ser aproximadamentecinco vezes menor do que a representação deste grupo étnico-racial, que possui 48% da suapopulação distribuidas entre as classes A, B e C no Brasil. Contudo, apesar de representarem 35
  36. 36. expressivamente os grupos alvo dos segmentos estudados, apenas a revista voltadaespecificamente para os afrodescendentes traz uma aparição, não só perto da proporçãodemográfica de afro-brasileiros, como também ultrapassa cerca 20% o total de seu conteúdopara reafirmar a apresentação, exibição, discussão e possibilidades de valorzação dosafrodescendentes no país. Isto não promove a equidade da exposição do negro na mídia namesma proporção de sua representação no Brasil, o que se revela controverso, aoconsiderarmos que a sociedade americana até poucas décadas atrás era estritamentesegregacionista, enquanto que o Brasil há séculos hasteia a bandeira da democracia racial,revelada como um mito a partir da analise da disparidade existente na possibilidade deaparição de afrodescendentes em meios de comunicação, revistas, que não sejam osreservados para eles. 36
  37. 37. Graf.5 Média da porcentagem da aparição de negros por revista de acordo com a conotação apresentadano ano de 2010 Proporção da aparição de afrodescendentes por segmento Ebony Étnica Raça Masculina Playboy E.U.A Playboy Bra Feminina Cosmopolitan NOVA Estilo de vida Time Veja 0 10 20 30 40 50 60 Estilo de vida Feminina Masculina Étnica Veja Time NOVA Cosmopolitan Playboy Bra Playboy E.U.A Raça Ebony Conotação Positiva 1,3 3,30 0,10 0,80 9,30 1,30 56,60 23,00 Conotação Neutra 2,5 1,70 2,00 4,00 2,80 2,80 19,00 27,80 Conotação Negativa 1,6 3,70 0,00 0,20 1,00 0,10 0,80 2,00 Conotação Ambivalente 1,9 1,70 0,30 1,20 1,00 1,00 1,60 1,00Fonte: SILVA, L. A representação do negro e das relações raciais nos meios de comunicação: Um estudocomparativo em revistas de segmentos, do Grupo Abril, no Brasil e suas respectivas versões norte-americanas. Outro ponto importante, observado a partir da análise dos dados coletados é que, nasrevistas de segmento a maior parte da construção do discurso que envolve os afrodescendentese a temática negra é desarticulada, com a produção de um conteúdo com conotação neutra emque os pontos para a valorização étnico-racial não são abordados, apesar da tentativa dasrevistas de segmento étnico de promover a visibilidade da imagem dos afrodescendentes e dacomunidade negra de forma mais articulada, fomentando a luta contra a desigualdade, adiscussão da questão racial, o debate pela equidade social e a valorização do povo negro, 37
  38. 38. Graf.6. Conotação da imagem atribuída as aparições e menções a afrodescendentes nas revista desegmento do ano de 2010 Proporção de conotações atribuídas aos afrodescendentes nas revistas ambivalente 6% negativa 5% positiva 36% neutra 52% ambivalente negativa neutra positiva Em outras palavras, a imagem do negro, célebre ou não, quando é apresentada deforma positiva ou neutra, está na maioria das vezes como mercadoria associada à venda,promoção ou exibição de marcas, objetos, acessórios ou produtos de beleza. Assim, além do argumento sócio-econômico utilizado para manter pequeno o espaçodo negro na sociedade, é possível perceber que a construção do discurso a cerca da imagemdos afrodescendentes nas revistas de segmentos, que não as étnicas, dificilmente carregasignificados que transcendam a imagem do negro e incitem ao debate, seja sobre a questãoracial, a desigualdade da visibilidade deste grupo étnico ou as dificuldades de acesso acondições menos marginais, tanto na mídia quanto na sociedade. 38
  39. 39. 8. CONCLUSÃO A partir do clipping das revistas foi possível confirmar que as lógicas de racismoexistentes no Brasil e nos Estados Unidos persistem e são reforçadas de modos diferentes. Na mídia brasileira, a representação de afrodescendentes possui um infímo espaço esofre categorizações estereotipadas vísiveis, assim como a contínua exibição e disseminaçãoda imagem de negros em espaços reservados ou para celébres que alguram espaçospermitidos, para afrodescendentes expostos em contraposições hierárquicas desfavoráveis. Enquanto que nos Estados Unidos, além da imagem de afrodescendentes ser expostaem contraposições hierárquicas, ela foi exibida muitas vezes separadamente da imagem depessoas brancas. Além disso, foi perceptível que a articulação da população afrodescendente e oenfrentamento do preconceito racial são omitidos do discurso existente no conteúdo derevistas segmentadas destinadas a diversos públicos tanto na sociedade brasileira, quantonorte-americana. No mais, o estudo permitiu constatar no material analisado que as revistas desegmentos do Grupo Abril, assim como muitos outros meios de comunicação, possuem umnúmero baixíssimo de aparições de afrodescendentes em suas publicações. A análise, também, comprovou que a distinção racial ocorre nítidamente com base noreferente biológico por meio da adoção de práticas discursivas que hierarquizam,estereotipiam ou excluem os afrodescendentes no conteúdo produzido. O que só reforça amarginalização e estereotipia sócio-cultural e econômica sofrida pela população negra, porséculos, na sociedade. Além disso, a pesquisa possibilitou observar que a postura revelada na produção deconteúdo das revistas do Grupo Abril é a de naturalização das questões étnico-raciais,sustentação da hierarquização das representações dos negros e a estereotipização cultural,econômica e comportamental de afrodescendentes. Pontos, os quais ferem um dos pressupostos básicos do Grupo Abril que declara“repudiar qualquer tipo de discriminação por credo, raça, sexo, orientação sexual ouideológica e condição socieconômica”. O que se demonstra irônico, por referir-se na verdade aos princípios da mesmaempresa que emprega na produção de seus materiais uma das mais recentes práticas do 39
  40. 40. racismo. Na qual, a discriminação racial ocorre por meio de representações sociais negativasdos afrodescendentes sustentadas por inferências que desvalorizam os aspectos culturais,comportamentais e as condições sócioeconômicas da população negra. Neste sentido, é preciso ressaltar que a democracia racial ainda é uma barreira nãotransposta na sociedade e retificada por séculos pelos grupos dirigentes dos veículos decomunicação, principalmente, devido a manutenção de espaços pré-definidos de acesso donegro à mídia e pela preservação de construções sociais que visam manter privilégiosestabelecidos históricamente. Portanto, é imprescindível chamar a atenção para a necessidade da adequação daspráticas discursivas nas revistas de segmento da Abril com os valores e pressupostos adotadospelo Grupo. Para isso, a princípio, as linhas editoriais brasileiras devem reconhecer a existência domito da democracia racial e a gritante necessidade de medidas afirmativas para a abertura deespaço para os afrodescendentes nos meios de comunicação. Porque, sem uma iniciativa que promova a presença do negro na mídia será impossívelpara as publicações estudadas do Grupo Abril, mesmo com um reposicionamento equitativo,ao menos acompanhar a tendência de suas homônimas estadunidenses que possuem o númerode aparições de afrodescendentes na mídia próximo ao percentual proporcional da poluçãonegra nos Estados Unidos. Além disso, outro passo importante que deve ser considerado para a equiparação darepresentação da população afrodescendente nas revistas de segmento da sociedade brasileiraé a realização de um material do Grupo Abril que complemente o conteúdo dos outrossegmentos com o direcionamento de sua pauta à assuntos que atendam a demanda existenteem uma sociedade multirracial brasileira, majoritariamente afrodescendente. Pois, enquanto as linhas editoriais das revistas de diversos segmentos continuarem areforçar o mito da democracia racial e não implementarem ações afirmativas e reparativas naprodução de conteúdo e de representações do negro no Brasil, a imagem do afrodescendenteainda será apresentada de forma insuficiente e superficial, revelando a fragilidade que seinstaura na construção da identidade do negro em sociedades que continuam a reproduzir opreconceito. 40
  41. 41. Por isso, é necessário que a sociedade brasileira reveja a retirada de pontos como areserva de cotas para afrodescendentes em trabalhos de publicidade da versão final do Estatutoda Igualdade Racial. Tendo em vista, que isto no Brasil só fortalece o quadro de desigualdadenas representações de negros na mídia. Já, no caso dos Estados Unidos onde a elite negra compõe uma camada expressiva ealtamente considerada, é pertinete o aumento da presença de afrodescendentes em espaços quenão sejam só os vinculados diretamente ao consumo, à beleza, espaços categorizados ou emcontraposições hierárquicas. Afinal, estas são condições indispensáveis para promover as possibilidades dearticulação e do enfrentamento da discriminação e da luta diária contra o racismo nas duassociedades, luta que na mídia demonstra-se mais avançada no cenário norte-americano. 41
  42. 42. BIBLIOGRAFIAALBUQUERQUE, W.; FRAGA FILHO, W. In Uma história do negro no Brasil.Disponível em http://pt.scribd.com/doc/7108249/Historia-Do-Negro-No-Brasil. Acesso em:02 dez. de 2010.AMARAL, R.J. In Imprensa Negra. Disponível em http://www.assis.unesp.br/cedap/cat_imprensa_negra/biografias/raul_joviano_ amaral.html. Acesso em: 04 jan. 2011.ANDREWS, G. In. O protesto político negro em São Paulo (1888-1988). Estudos Afro-asiáticos, Rio de Janeiro, no. 21, 1991, p.27.BAKHTIN, M. In PINHEIRO, Petrilson. Bakhtin e as Identidades sociais: Uma possívelconstrução de conceitos, 2006 p. 3BARBOSA, L. C. In Identidade e Branquidade: Conflitos no universo infanto-juvenil.Artigo apresentado no XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Intercom –Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2007. p.7BANTON, M.; HARWOOD, J. In LARRY.A. SAMOVAR; RICHARD E. PORTER;EDWIN R. MCDANIEL, Intercultural Communication: A reader 12ª ed. Estados Unidos:Cenagebrain, 2009. p.315 tradução nossa.BERRY, M. In Black. Resistance, White Law: A History of Constitutional Racism inAmerica. New York: A. Lane, Penguin Press, 1994.BELELI, I. In Racismo discursivo, legislação e proposições para a Televisão públicabrasileira, 2005. p.3-4.BUARQUE, D. In Eleições nos EUA põem em xeque passado de racismo do país.Disponível em http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,M UL754162-16107,00-ELEICOES+NOS+EUA+POEM+EM+XEQUE+ PASSADO+DE+RACISMO+DO+PAIS.html. Acesso em: 30 set. 2009.DEURSEN, F. In Escravos: povo marcado. Disponivél em http://historia.abril.com.br/cultura/escravos-povo-marcado-491017.shtml. Acesso em: 13 nov. de 2010.DOMINGUES, P. In Movimento Negro Brasileiro: alguns apontamentos históricos. 2009,p.106EZE, E. C. In Introduction Race and the Enlightenment: A reader Cambridge, MA:Blackwell. 1997. p.1-9. 42
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