Proposta da rede estadual de avaliação formativa formatado 29 08-11

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Proposta da rede estadual de avaliação formativa formatado 29 08-11

  1. 1. PROFESSORES REGENTESCOORDENADORES PEDAGÓGICOS DAS UNIDADES EDUCACIONAIS EQUIPE GESTORA DAS UNIDADES EDUCACIONAIS EQUIPE PEDAGÓGICA DAS SUBSECRETARIAS EQUIPE PEDAGÓGICA DAS SUPERINTENDÊNCIAS PROPOSTA DE AVALIAÇÃO FORMATIVA Proposta discutida por toda a rede estadual de ensino de Goiás, sistematizada pela equipe pedagógica das Subsecretarias Regionais de Educação do Estado de Goiás e consolidada pelo Núcleo de Orientação Pedagógica. Estado de Goiás 2011
  2. 2. 1. Justificativa É consenso que o processo avaliativo deve ser realizado continuamente, com oobjetivo de garantir o acompanhamento das aprendizagens dos educandos. Talprocedimento é validado, no âmbito nacional, pela LDB, em seu Artigo nº 25, e, noâmbito estadual, pela Resolução nº 194/2005 do Conselho Estadual de Educação doEstado de Goiás. Ambos documentos versam sobre a pertinência de um processoavaliativo que seja contínuo e cumulativo, privilegiando os fatores qualitativos sobreos quantitativos e tendo como objetivo principal o acompanhamento dasaprendizagens dos educandos. Com o intuito primordial de garantir o cumprimentodas leis que regem a educação no Estado de Goiás, apresenta-se essa proposta deimplementação da avaliação formativa em todas as Unidades Educacionais da rede. O benefício desse tipo de avaliação se torna ainda maior quando levamos emconta o fato de que a provaé apenas um instrumento entre vários, e não deve serconsiderado como único instrumento de avaliação (da mesma forma que não pode serdeixada de lado). Quando se avalia continuamente, as conferências de aprendizagenssão realizadas a todo momento, possibilitando o acompanhamentodo processo deaprendizagem dos educandos e evitando que grande parte da nota do aluno sejaaferida em apenas um dia, com um único instrumento, a cada bimestre. Como a avaliação acompanha as aprendizagens e sabemos que estas ocorremde maneira variada em cada sujeito presente na sala de aula, torna-se necessário que acada elemento avaliado, também se tenha o elemento recuperado, para que aavaliação não recaia na punição, mas que o aluno tenha a oportunidade de rever o quefoi ensinado e, consequentemente, recuperar a nota do critério aplicado. A grande maioria das Unidades Educacionais da Secretaria de Estado daEducação, quiçá todas, possuem a avaliação e a recuperação contínua como processosrecorrentes e constantes de seus PPP’s. Entretanto, há ainda divergência no que refereà implementação efetiva desse tipo de avaliação. A maior dificuldade vê-se presentenos critérios passíveis de avaliação. Tornou-se senso comum que se dê nota paraassiduidade, participação, que se contem os vistos ao fim do bimestre, entre outrosprocedimentos que erroneamente consideram-se como pertinentes a um processo deavaliação contínua. Assiduidade, participação e realização de atividades são pré-requisitos do processo de ensino aprendizagem, por isso, deve-se questionar avalidade da mensuração de tais elementos. Esses pré-requisitos precisam ser 2
  3. 3. considerados e discutidos a todo o momento, afinal, o processo avaliativo deve levarem conta o sujeito como um todo. Mas a nota ou conceito deve ser conferido atravésdos instrumentos que percebam a aprendizagem do aluno e o método de ensino doprofessor. A avaliação formativa deve ser capaz de identificar os alunos que apresentemaprendizagens insatisfatórias e cabe ao professor, juntamente com o coordenadorpedagógico da Unidade Educacional, analisar tais resultados para identificar o realmotivo da dificuldade do aluno. “Ele não está se esforçando o suficiente?” “Faltaexplicação?” “Esse aluno precisa de mais atividades?” “O professor deve lançar mãode outro instrumento ou de outras metodologias?” “O problema está na base doaluno?”A avaliação diagnóstica nos auxilia a identificar essas especificidades noaprendizado de cada sujeito, e a partir dos resultados pode-se tomar providênciaspreventivas (no início do ano), tais quais: reenturmação 1 , nivelamento 2 , aulas dereforço3, motivação, incentivo à leitura, entre outras ações. Já durante o ano letivo, oacompanhamento individual do aluno, sem prejuízo para as aulas (ou seja, o alunonão deve ser retirado de sala para acompanhamento), é a melhor maneira de garantiraprendizagens significativas. Com relação à recuperação, que se quer como contínua, o que se tem comoconsenso é que seja realizada apenas ao fim do bimestre e, algumas vezes, apenas aofim do ano letivo. Dessa forma, tem-se a oportunidade de recuperar a nota doeducando, mas torna-se praticamente inviável a recuperação da aprendizagem. Uma1 Promover novos caminhos de aprendizagem para alunos com necessidades semelhantes. Organizar osalunos por critérios de dificuldades, em classes que têm uma semana de aulas de reforço ao final decada bimestre. Os alunos que precisam de maior apoio devem passar parte das aulas diárias – em geral,o período após o recreio – em uma única classe. Alcançado um nível satisfatório de rendimento, asturmas retomam sua formação original. Não podemos caracterizar a velha prática da “turma forte” e“turma fraca”, mas esse movimento esporádico muitas vezes, se bem planejado, reverte-se em bonsresultados. Sugere-se que na primeira fase do Ensino Fundamental este trabalho seja realizado commaior frequência.2 Dispor de aulas para retomar os conhecimentos básicos das séries posteriores, de modo a corrigir asdeficiências na base de aprendizado do aluno detectadas pela avaliação diagnóstica.3 Aulas de reforço ou aulões de revisão devem ser realizadas no horário de aula e, também, no turno deampliação ou até mesmo nos finais de semana. Cabe ao Gestor da Unidade Educacional asensibilização da comunidade e dos professores para que esse trabalho seja realizado de maneirasatisfatória. Temos depoimentos de experiências de sucesso em algumas unidades de nosso Estado.Umexemplo é o que acontece no Colégio Estadual Zico Monteiro, localizado na cidade de Uruana. Lá háampla mobilização de professores que se dispõem a desenvolver este trabalho. Nesta organização,sugere-se criar horário diferenciado, com aulas de maior duração e com turmas menores, de tal formaque a cada dia/semana, no máximo, dois professores sejam destacados para esta ação. Isso faz com quenão haja sobrecarga de trabalho e os resultados sejam positivos. 3
  4. 4. recuperação que não leve em conta as características específicas de cada educando,não poderá combater a dificuldade do aluno, reduzindo-se a apenas evitar areprovação. Desse modo, é preciso que fique claro o objetivo dessa proposta: não se tratade um procedimento que vise “dar chances” aos alunos para que eles tenham boa notae nenhum aprendizado. Pelo contrário, é necessário que se instigue nos educandos eem seus responsáveis a responsabilidade nesse processo, para que consigam avançarno desenvolvimento cognitivo, tendo a nota como a consequência natural e não o fim. E por entender que a escola é a instituição social responsável pela formação eo desenvolvimento do sujeito com foco na aprendizagem que se apresenta essaproposta de avaliação formativa, visando explanar de maneira objetiva e clara osprocedimentos a serem seguidos para que essa avaliação contínua verdadeiramentefavoreça ao aprendizado e não unicamente a nota do educando. 4
  5. 5. 2. Metodologia Em primeiro lugar, deve-se deixar claro para os alunos qual o objetivo de cadauma das aulas, para que se possa estabelecer precisamente quais os critérios daavaliação subsequente e, também, para que o aluno seja capaz de se autoavaliar,sabendo precisamente quais pontos ele deveria ter alcançado, bem como explanarsobre os motivos que acarretaram em uma aprendizagem insatisfatória. Aliás, apontarprecisamente o que é ensinado, e o que se espera que o aluno aprenda, deve se tornarrotina, inclusive documentada no Diário de Bordo4, pois, com esse procedimento, oprofessor, aluno e o coordenador pedagógico serão capazes de analisar precisamente odesempenho obtido/esperado. Cabem ao Gestor da Unidade Educacional e ao Coordenador Pedagógicogarantir que o processo avaliativo seja efetivamente formativo e cumulativo,resguardando o direito do aluno de ter uma avaliação que acompanhe suaaprendizagem e o recupere, tendo em vista a especificidade de sua dificuldade. Dessaforma, haverá a efetiva implementação da Resolução CEE Nº 194, de 19 de agosto de2005, que versa sobre a aplicação de uma avaliação contínua, formativa e cumulativa,que privilegie os fatores qualitativos aos quantitativos. Por isso, os gestoreseducacionais devem ter o cuidado de orientar/acompanhar o registro da realização daavaliação formativa em diários, atas, planilhas ou outros tipos de registros quedocumentem o trabalho da Unidade Educacional nesse sentido.4 O Caderno de anotação ou Diário de bordo é uma ferramenta simples de auxílio ao professor noregistro e acompanhamento do desempenho das atividades realizadas em cada turma. É um instrumentoque se destina a três finalidades:• Registro de tarefas (sala e casa), comportamento e algumas imposturas Procedimento: cria-se um código para registro de cada situação passível de acontecer em sala de aula. Constrói-se uma planilha com o número e nome dos alunos na primeira e segunda coluna, respectivamente, e espaço como os da chamada para serem colocados as aulas (1ª, 2ª , 3ª, 4ª, 5ª e 6ª) para cada dia. A planilha pode ser trocada a cada semana ou a cada quinze dias. Nestes espaços, o professor anota as inobservâncias de cada aluno em sua aula, de acordo com o código. Isso é interessante, pois o professor tem uma noção de como o aluno está nas outras disciplinas.• Registro de aula Procedimento: em uma outra planilha do mesmo caderno, o representante da turma fará a anotação do objetivo de cada uma das aulas no dia. Isso é interessante, pois o aluno passa a saber qual o objetivo de cada aula, podendo assim avaliar se aprendeu ou não.• Avaliação do dia Procedimento: o representante de turma realiza diariamente a avaliação simples e objetiva daquele dia específico. Isso é interessante, pois o professor tem a oportunidade de ter o feedback dos alunos praticamente de imediato, possibilitando a adoção de outras metodologias, caso necessário. 5
  6. 6. Uma planilha de avaliação pode ser usada para consolidar os resultadosobtidos pelos educandos nos instrumentos avaliativos implementados, o objetivo éque a cada conteúdo trabalhado, sejaprocedido deavaliação/mensuração. Dessa forma,sugere-se estabelecer uma diversidade de instrumentos avaliativos, de modo queacompanhe o processo de ensino aprendizagem. Esta planilha sistematiza osresultados alcançados e possibilita a identificação das falhas do processo, norteandoos pontos específicos de intervenção. Apresenta-se aqui um modelo de planilha, mas aUnidade Educacional tem a liberdade de adotar seu próprio documento, só aconselha-se que não sejam usados pesos, para que não se corra o risco de privilegiar certosinstrumentos avaliativos (prova/teste) em detrimento de outros. Mas apenas a planilha não é suficiente, os resultados dos alunos devem seranalisados pelo professor e coordenador pedagógico, de modo a estabelecer os pontosespecíficos de intervenção, visto que uma recuperação genérica, que não leve emconsideração a dificuldade específica do educando, não possui validade no que serefere ao aprendizado do mesmo. A avaliação possibilita alguns questionamentos:“Por que o meu aluno não aprende?” “São apenas pelos fatores externos?” “O queensino e como ensino é significativo?”. E tais questionamentos precisam de respostas,para que o processo de ensino aprendizagem efetivamente ocorra. A recuperação contínua deve, portanto, ser feita a partir de intervençõespedagógicas, a cada resultado negativo em um dos critérios, não devendo esperar ofim do bimestre para sua realização, para que se recupere a aprendizagem e não anota. Essas intervenções podem ser implementadas através de atividades individuais ecoletivas, orais e escritas, sempre se preocupando em retomar o conteúdo no qual oaluno está com dificuldade, acompanhando com bastante atenção aos educandos querecorrentemente apresentarem resultados ruins, para que se percebam asespecificidades de aprendizagem de cada um dos educandos. Os elementos socioafetivos não são mensuráveis, mas analisados e debatidosno Conselho de Classe ou em reuniões com o coordenador pedagógico, objetivando acompreensão das especificidades de aprendizagem/comportamento/interação de cadaeducando. O Vice-diretor também pode auxiliar na análise dos elementossocioafetivos, visto que convive diariamente com os educandos. Apenas com a visãoplena do sujeito para o qual se ensina, é possível identificar as dificuldadesapresentadas e saná-las em tempo hábil. O registro dos elementos socioafetivos de 6
  7. 7. cada educando deve ser efetivado pelo Professor Padrinho da Turma 5 e os dadoscoletados discutidos de forma coletiva, principalmente para que se tomem decisõesimportantes com relação a reenturmação, nivelamento, promoção etc.5 Aquele que ficará responsável por dar especial atenção a uma turma específica da escola. Seráatribuição dele, naquela turma, o acompanhamento, orientação e aconselhamento de cada educando, noque se refere ao aprendizado e às posturas positivas ou negativas em sala de aula. O professor padrinhoé o responsável pelo desempenho da turma e sua análise e discussão nos conselhos de classe. Essainiciativa facilita o acompanhamento dos alunos do 6º ano ao Ensino Médio, visto que nesse nível hávários professores por turma com tempo restrito em cada uma, dificultando, assim, o trabalhoespecializado do professor com cada aluno.Na cidade de Sobral - CE, esta prática ocorre com muitoêxito, sob a terminologia de Diretor de turma ao invés de Professor padrinho de turma, lá os índices deevasão foram reduzidos a praticamente zero. Ou seja, é uma iniciativa que deve ser reproduzida, paraque possamos também reduzir nossos índices de evasão e melhorar as aprendizagens significativas. 7
  8. 8. 3. Instrumentos avaliativos Cada instrumento avaliativo possui um objetivo específico e critérios diversos.Desse modo, para se atender a uma diversidade de sujeitos, deve-se implementar amaior variedade possível de instrumentos. Segue uma lista com os instrumentosavaliativos mais comuns e seus respectivos objetivos:• Prova objetiva: série de perguntas diretas para respostas curtas com apenas uma solução possível. Objetivo: avaliar o quanto o educando apreendeu sobre dados singulares e específicos do conteúdo.• Prova dissertativa: série de perguntas que exigem capacidade de estabelecer relações, resumos, análises e julgamentos. Objetivo: verificar a capacidade de analisar o problema central, formular ideias e redigi-las.• Seminário e exposições: exposição oral para um público, utilizando a fala e materiais de apoio próprios ao tema. Objetivo: identificar os conhecimentos apreendidos, a capacidade de síntese, a habilidade de uso da linguagem oral e a metodologia da exposição.• Debates: afere o conhecimento a partir da argumentação. Objetivo: identificar os conhecimentos apreendidos, a capacidade de síntese, a habilidade de uso da linguagem oral, as estratégias de convencimento e o respeito à diversidade de opiniões.• Auto avaliação: análise oral ou escrita que o aluno faz do próprio processo de aprendizagem. Objetivo: fazer o aluno adquirir a capacidade de analisar o que aprendeu e os motivos de aprendizagens insatisfatórias. 8
  9. 9. 4. Resultados esperados Espera-se que seja resgatado o objetivo primordial da avaliação, que é o deacompanhar as aprendizagens dos educandos, em detrimento da prática usual deapenas pontuar o aluno para encerrar o bimestre. Ao acompanhar as aprendizagensatravés da avaliação contínua, torna-se necessário intervir nos resultados alcançados,em especial aos estudantes que não tenham obtido aprendizagens significativas emcada um dos instrumentos aplicados, sendo necessário a recuperação, não ao final dobimestre, mas no momento imediato de cada um dos resultados consideradosinsatisfatórios, garantindo dessa forma a aprendizagem efetiva. 9
  10. 10. 5. Cronograma de execução • 04 a 11/07: construção coletiva da versão preliminar com a participação de gestores de algumas Unidades Educacionais do Estado. • 21/07: apresentação da versão preliminar da proposta aos coordenadores pedagógicos das Subsecretarias Regionais da Educação. • 1º a 15/08: discussão com toda a rede estadual de ensino (responsáveis: tutores e coordenadores pedagógicos das Unidades Educacionais). • 17/08: envio da sistematização das propostas das Unidades Educacionais ao Núcleo de Orientação Pedagógica (uma proposta por subsecretaria). • 18 a 25/08: finalização da proposta tendo em vista as contribuições da rede. • 26/08: divulgação da versão final da proposta no site da Secretaria de Estado da Educação de Goiás. 10
  11. 11. 6. Referências bibliográficasARAUJO, João Batista; CHADWICK, Oliveira Clifton. Aprender e ensinar. 9a Ed.Belo Horizonte: Instituto Alfa e Beto, 2008.BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação nacional – 9.394/96. Brasília, 1996.ESTADO DE GOIÁS. Conselho Estadual de Educação. “Resolução CEE Nº 194, de19 de agosto de 2005”. Goiás, 2005.MARTINS, João Carlos. “Vygotsky e o papel das interações sociais na sala de aula:reconhecer e desvendar o mundo”. Disponívelem:http://www.crmariocovas.sp.gov.br. Acesso em: 18/07/2011 às 18:00.Relatóriosenviadospelas 38 SubsecretariasRegionais da Educação. 11

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