Monog. proteção radiologica em pediartia

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Trabalhos acadêmicos na área de RADIOLOGIA

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  • ´Gostaria de ressaltar que qualquer foto de qualquer instituição para ser utilizada em trabalho científico deve ter autorização da direção da instituição. No presente trabalho as fotos tem que vir com o nome da instituição a que pertencem e não como arquivo pessoal. Arquivo pessoal representam fotos da própria pessoa e não de uma instituição, portanto, todas as fotos (Figuras 6 a 13) que aparecem nessa monografia pertencem ao Serviço de Radiologia do Instituto Fernandes Figueira - Fundação Oswaldo Cruz - Minisitério da Saúde
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Monog. proteção radiologica em pediartia

  1. 1. 1 1. INTRODUÇÃO Avaliar a quantidade das ações do serviço de saúde é fundamental, assim como conhecimento do desempenho dos seus serviços de saúde. Com o crescimento do uso da radiologia pediátrica nos serviços de saúde para fins de diagnóstico clínico envolvendo a utilização de radiações ionizantes, tornando uma realidade e seus benefícios inquestionáveis. De acordo com os princípios de proteção radiológica todas as exposições devem ser justificadas, considerando os benefícios que esta possa ser produzida e o detrimento associado àquela exposição. Uma vez justificada essa prática deve ser otimizada, isto é, garantir a qualidade (nitidez) e a visibilidade das estruturas atômicas de interesse, utilizando sempre a menor dose no paciente. Sendo essas diretrizes editadas por órgãos nacionais e internacionais. A obtenção de uma radiografia com qualidade para o diagnóstico requer o uso de técnicas adequadas, imobilização do paciente lactente, o controle de processamento do filme e adequadas condições de visualização das imagens. Justifique a utilização das radiações ionizantes em práticas médicas em razão do benefício que estas trarão para o paciente, devem receber a máxima atenção no intuito de minimizar a possibilidade de ocorrência de efeitos biológicos das exposições a esta radiação.
  2. 2. 2 2. EMBASAMENTOS TEÓRICOS 2.1. REVISÕES DA LITERATURA Alguns tópicos de maior importância serão aprofundados para o melhor entendimento sobre proteção radiológica em exames pediátricos. Neste capítulo serão abordados alguns conhecimentos básicos a respeito das radiações ionizantes, ambientes de radiologia pediátrica e de equipamentos de proteção individual. 2.2. FORMAÇÃO DOS RAIOS X 2.2.1. RAIOS X CARACTERÍSTICOS Radiação Característica: Se, ao invés de interagirem com elétrons das camadas externas dos átonos do alvo, os elétrons projetados interagem com elétrons das camadas mais internas, podem se produzidos raios X característicos. Raios X característicos ocorrem quando a interação é suficientemente violenta para ionizar os átomos do alvo por meio da remoção completa de um elétron de uma camada mais interna.
  3. 3. 3 Figura 1: Raios X Característicos. (Bushong, Stewart C. 2010) 2.2.2. RAIOS X DE FREAMENTO OU "BREMSSTRAHLUNG” Os raios X de freamento de baixa energia são produzidos quando elétrons projetados são pouco influenciados pelo núcleo. Raios X com energia máxima ocorrem quando o elétron projetado perde toda sua energia cinética e simplesmente se afasta do núcleo. Raios X de freamento com energias entre esses dois extremos ocorrem mais frequentemente.
  4. 4. 4 Figura 2: Raios X de Freamento ou "Bremsstrahlung”. (Bushong, Stewart C. 2010) Os raios X são emissões eletromagnéticas de natureza semelhante à luz visível. Seu comprimento de onda vai de 0,05 angström (5 pm) até centenas de angstrons (1nm) o que os torna bastante penetrante na matéria (Bushong, Stewart C, 2010). O aspecto de comprimento de onda utilizável corresponde a aproximadamente entre 1 mm picômetros. A energia dos fótons é de ordem do KeV (Kilo eletron-Volt), entre alguns KeV e algumas centenas de KeV. A geração desta emergia eletromagnética se deve à transição de elétrons nos átomos, ou da desaceleração de partículas carregadas. Como toda emergia eletromagnética de natureza ondulatória, os raios X sofrem interferência, polarização, refração, difração e reflexão, entre outros efeitos. Embora de comprimento de onda muito menor, sua natureza eletromagnética é idêntica à da luz (Bushong, Stewart C 2010). Uma das características dos raios X é juntamente a propagação retilínea, dentro da faixa de 20 KeV até 400 KeV, não podem ser acelerados ou desviados por campos magnéticos ou eletrostáticos. Movimentam-se em linha reta no vácuo. No ar de pouca densidade, somente uma porcentagem dos quantas interagem com as moléculas do ar. Os raios X saem em linha reta da pista focal do anodo para todas
  5. 5. 5 as direções, e também se afastando uns dos outros (divergência); atravessam um corpo tanto melhor quanto for sua energia; tanto são absorvidas quanto produzem radiações secundárias; radioluminescência: certas substâncias quanto irradiadas emitem luz visível; enegrecem emulsões fotográficas; ionizam gases e exercem efeitos biológicos. (AULA Mario Balthar, 2013). Os raios X e a luz visível têm muitas características em comum. Os raios X se propagam com a velocidade da luz – 299.792 km ⁄s. Ambos se propagam em linha reta na forma de energia elétrica e magnética relacionadas, denominadas ondas eletromagnéticas, e escurecem um filme fotográfico da mesma maneira. O comprimento de onda dos raios X é muito menor que o da luz. Por isso, eles penetram profundamente. O poder de penetração e outras características dos raios X os tornam extremamente útil na indústria, na medicina e na pesquisa cientifica. Os raios X causam transformações biológicas, químicas e físicas nos seres humanos, uma dose excessiva de raios X pode provocar câncer e queimaduras na pele, redução no fornecimento de sangue ou outras patologias sérias. Os radiologistas (especialistas em radiologia, estuda da energia radiante e suas aplicações, em especial os raios X) observam cuidados especiais para não expor inadequadamente os seus pacientes e a si próprio aos raios X. (Aula Mario Balthar, 2013). Observa-se que as aplicações dos raios X na medicina, são largamente utilizadas em radiografias dos ossos e órgãos internos do corpo. As radiografias auxiliam os médicos nos diagnósticos de doenças e patologias, como fraturas, e ainda na identificação de objetos estranhos presentes no organismo do paciente. As características dos raios X e as peculiaridades procedem do fato de a onda ser curta, embora dotada de muita energia. Pode-se estabelecer uma comparação entre o comportamento dos raios X e da luz visível. Por exemplo, os raios X penetram na matéria mais profundamente do que a luz, porque sua emergia é muito mais alta. Por outro lado, os raios X não são muito retratados (desviados) ao passar de um material para o outro. (AULA, 2013). 2.3. EFEITOS: FOTOELÉTRICO E COMPTON
  6. 6. 6 Na aquisição da imagem por raios X dois tipos de influência mutuam entre os raios X e a matéria é muito importante: o efeito fotoelétrico e feito Compton. O fóton que vai interagir com átomo do organismo que se quer estudar (ou melhor, produzir uma imagem). O efeito fotoelétrico ocorre quando um fóton de raios X interage por colisão com um elétron de átomo e o retira do átomo. Com a perda do elétron, o átomo fica ionizado. Nesta situação toda energia do fóton de raios X é utilizada para retirar o elétron orbital. (Aula Mário Balthar, 2013). Os elétrons que giram em volta do núcleo são mantidos por forças de atração. Se a estes for fornecida energia suficiente, eles abandonarão as suas órbitas. O efeito fotoelétrico implica que, normalmente sobre metais, se faça incidir um feixe de radiação com energia superior a energia de remoção dos elétrons do metal, provocando a sua saída das órbitas: sem energia cinética (se a energia da radiação for igual à energia de remição) ou com energia cinética, se a energia de radiação exceder a energia de remoção dos elétrons (NUSSENZVEIG, 2002). Em relação ao efeito Compton, observa-se que Arthur Compton ao estudar o espalhamento dos raios X, utilizando como um meio espalhador um bloco de carbono, observou que as frequências dos raios X espalhados diminuíam em certos ângulos. O efeito Compton neste caso o fóton aproxima-se do átomo, choca-se com um elétron orbitário pode ou não arrancá-lo da camada orbitária, dependendo da energia envolvida, mas o que é fundamental: não cede toda sua energia e neste caso o fóton dos raios X é desviado de sua trajetória. Nesta nova trajetória ele pode interagir com outros átomos e sofrer novo desvio de sua trajetória. No final, a trajetória deste fóton não é retilínea. Como a obtenção das imagens de raios X depende da diferença de densidade entre as diversas estruturas, e do arranjo linear entre a fonte e o objeto (PAUL, 1996). O efeito Compton ocorre principalmente com elétrons livres ou fracamente ligados e pode ser explicado como uma absorção do fóton incidente pelo elétron livre. A energia deste fóton aparece repartida entre o elétron de recuo e um outro fóton de energia menor. Na explicação deste fenômeno, utiliza-se a ideia de fótons virtuais, entendê-lo como uma radiação secundária ou espalhada. (NUSSENZVEIG, 2002).
  7. 7. 7 2.4. PROTEÇÃO RADIOLÓGICA O termo proteção radiológica foi estabelecido no início do projeto Manhattan, o esforço secreto de guerra incumbido de desenvolver a bomba atônica. Os primeiros profissionais de proteção radiológica foram as do grupo de físicos e médicos responsáveis pela segurança contra as radiações das pessoas envolvidas na produção de bombas atônicas. Assim, o profissional de proteção radiológica é um cientista que utiliza radiação ionizante e que está preocupado com a pesquisa, o ensino ou os aspectos operacionais da segurança radiológica. (Bushong, Stewart C. 2010). Os procedimentos de proteção radiológica ou de radioproteção têm como o objetivo proteger o ser humano dos efeitos nocivos da radiação ionizante para que ele possa usufruir dos benefícios dessa radiação com segurança. 2.5. RADIAÇÃO E SAÚDE Na virada do milênio, no ano de 2000, a Academia Nacional de Ciências norte-americana identificou as 20 maiores realizações e técnicas do século XX. A imaginologia médica foi o número 14 na lista. É importante informar isso aos pacientes, muitos dos quais continuam cautelosos quanto ao uso da radiação. Nunca se lê a palavra "radiação" em jornal ou revista sem o objetivo "perigosa", "mortal" ou "prejudicial". O princípio ALARA é adotado por causa do modelo linear sem limiar (LNT), que estabelece uma relação linear sem limiar mínima de dose para efeitos estocásticos – câncer, leucemia e efeitos genéticos. No entanto, deve-se também reconhecer que são utilizados valores baixos doses de radiação no diagnóstico por imagem. Inquestionavelmente, a aplicação desta radiação teve um grande impacto na melhoria da saúde e no aumento da longevidade. Se você tivesse nascido nos Estados unidos em 1900, sua expectativa de vida seria de 47 anos. Durante o primeiro século de diagnóstico por imagem com raios X, a expectativa de vida aumentou muito. A expectativa de vida agora é de 78 anos (Fig.37-1). No entanto, por causa do LNT, precisamos continuar atentos às doses de radiação recebidas pelos pacientes e pelos indivíduos ocupacionalmente expostos e
  8. 8. 8 tomar as medidas necessárias para implementar o princípio ALARA. (Bushong, Stewart C. 2010). 2.6. PRINCÍPIO DA JUSTIFICAÇÃO DA PRÁTICA. Segundo a CNEN e a Portaria 453/98, a proteção radiológica “é o conjunto de medidas que visam proteger o ser humano de seus descendentes de qualquer”. De acordo com a recomendação da ICRP, deve – se utilizar sempre os princípios básicos, otimização, justificação e limitação de dose, sendo esses as diretrizes a serem seguidas na proteção radiológica. “Qualquer atividade envolvendo radiação ou exposição deve ser justificada em relação a outras alternativas e produzir um benefício líquido positivo para sociedade (TAUHATA ET AL 2003)”. Os benefícios de vários processos que utilizam a radiação de ionização são bem estabelecidos e bem aceitos tanto pela profissão médica e da sociedade em geral. Quando um procedimento envolvendo radiação clinicamente justificável, os esperados benefícios são quase sempre identificáveis e às vezes são quantificáveis. Por outro lado, o risco de efeitos adversos, muitas vezes é difícil de estimar e quantificar. Em 1990 e 2007 recomendações, a Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP) afirmou como um princípio de justificação que "Qualquer decisão que altere a situação de exposição à radiação devem fazer mais bem do que prejudicar”. A posição mais forte sobre a justificação das exposições médicas é muitas vezes tomada no sentido de que o "bom" (ou seja, o benefício) tem que superar substancialmente eventuais riscos que podem ser efetuadas, em parte por causa da incerteza dos riscos. (Fonte: http://www.iaea.org/books; 2012). Conforme a citação acima, a utilização dos procedimentos adequados na exposição à radiação ionizante trás sempre benefícios aos pacientes. Sendo assim, toda exposição à radiação deve ser justificada. A ICRP identifica três níveis em que opera a justificação. Nível 1 lida com o uso da radiação na medicina em geral. Na prática, tais uso é aceito como fazer mais bem do que mal para o paciente e sua justificação é um dado adquirido. Nível 2 trata dos procedimentos especificados com um determinado objetivo (por exemplo, radiografias de tórax para os pacientes que apresentam sintomas relevantes). Finalmente, Nível 3 trata a aplicação do processo a um indivíduo (isto é, se o
  9. 9. 9 particular pedido é julgado de fazer mais bem do que mal para o paciente). Em prática, todas as exposições médicas individuais precisam ser justificadas previamente, tendo em conta os objetivos específicos da exposição e as características do paciente. (Fonte: http://www.iaea.org/books; 2012). 2.6.1. PRÍNCIPIO DA OTIMIZAÇÃO DA PRÁTICA. Segundo International Atomic Energy Agency (IAEA), uma vez que os exames são justificados, eles são obrigados a serem otimizados (Isto é, utilizar uma dose mais baixa, enquanto mantém a eficácia e precisão). A otimização tem que ser específica para cada tipo de exames, todos os equipamentos e processos envolvidos. Grande parte dos materiais podem ser vistos como contribuição para o processo de otimização, incluindo os níveis de referência de diagnóstico (DRL), a restrições de dose, boa técnica, boas práticas e equipamentos otimizados sujeitos a um programa de garantia de qualidade regular. Essas áreas precisam ter atenção especial em radiologia pediátrica, como as literaturas disponíveis são na sua maior parte, com base em estudos de radiologia em adultos. “Em relação a qualquer fonte dentro da prática, a magnitude das doses individuais, o numero de pessoas expostas, e a probabilidade de ocorrer exposições onde estas não eram para receber, deveriam ser mantidas tão baixas quanto exequível, levando em conta também os fatores sociais e econômicos (MS 1998)”. De acordo com a citação acima todo o procedimento que envolver a radiação ionizante deve ser justificado e otimizado utilizando os procedimentos e parâmetros (tempo, distancia e blindagem) adequados, e proteção radiológica em todas as situações onde possam ser controladas, evitando assim exposição desnecessária. 2.6.2. PRINCÍPIO DE LIMITAÇÃO DE DOSE INDIVIDUAL. “As exposições de indivíduos resultantes da combinação de todas as práticas devem estar sujeitas a limites de dose". (Aula Mário Balthar). Os limites de dose para trabalhadores profissionalmente expostos e da dose limites para os membros do público são fornecidos na Tabela abaixo. Em geral, com boa prática e boas instalações, não haverá dificuldade em cumprir os limites para
  10. 10. 10 trabalhadores, mesmo para procedimentos de intervenção e os procedimentos especiais. Tabela: Limites de doses previstos pela Portaria 453/98 (Figura 3): Grandeza IOE 18 anos IOE 16 à 18 anos Paciente Público Dose Efetiva (E) Corpo inteiro 50 mSv 20 mSv* 6 mSv Não tem limites 1 mSv Dose Equivalente (HT) Cristalino 150 mSv 50 mSv _ _ Extremidade 500 mSv 150 mSv _ _ Sup.do abdômen **2 mSv _ _ * média aritmética de cinco anos seguidos. ** 2 mSv na superfície do abdômen da IOE grávida. 2.7. EFEITOS DA RADIAÇÃO NO ORGANISMO Segundo (NOUAILHETAS; 2007) o principal efeito da radiação ionizante ao interagir com o organismo em nível celular é a ionização, gerando assim um impacto entre elas. A molécula de água é atingida em maior proporção gerando consequências como a radiólise, possibilitando a produção de radicais livres. Devido a sua grande reatividade os radicais livres podem causar danos nas células e moléculas, podendo resultar em sequelas da radiação ionizante. As lesões radioinduzidas forem resultantes do processo de ionização, essas são diretas e quando forem por consequência dos radicais livres passam a ser indiretas, como demonstra a figura 4: Efeitos na molécula de DNA (ácido desoxidorribonucleico).
  11. 11. 11 Figura 4: Consequência da irradiação na molécula de DNA (NOUAILHETAS, 2007). 2.8. PARAMETROS FISICOS DA PROTEÇÃO RADIOLÓGICA Toda atividade de proteção radiológica em radiologia diagnostica é voltada para minimizar a exposição à radiação de pacientes e dos trabalhadores. Os três princípios fundamentais da proteção radiológica desenvolvido para atividades nucleares – tempo, distância e blindagem – encontram aplicação igualmente úteis nesta área. Quando estes princípios fundamentais são atendidos, a exposição pode ser minimizada. (Figura 5).
  12. 12. 12 Figura 5: Expectativa de vida em função do ano de nascimento (BUSHONG, STEWART C. 2010) Minimizar o tempo A dose recebida por um indivíduo está diretamente relacionada à duração da exposição. Se o tempo durante o qual um indivíduo é exposto a radiação é dobrada, a dose será dobrada, ou seja, dose e tempo são grandezas diretamente proporcionais. Maximizar a distância À medida que a distancia entre a fonte de radiação e o indivíduo aumenta a exposição à radiação diminui rapidamente. Esta diminuição da exposição é calculada usando a lei do inverso do quadrado da distância, ou seja, quando se dobra distancia de uma fonte a dose diminuirá a quarta parte, se triplicar a distancia, a dose cairá a um nono. Usar a blindagem
  13. 13. 13 Posicionar blindagens entre a fonte de radiação e as pessoas expostas reduz muito o nível de exposição à radiação. As blindagens utilizadas em radiologia diagnostica, consistem geralmente em chumbo, apesar de materiais de construção convencionais também serem utilizados, como a argamassa baritada. (Bushong, Stewart C. 2010 pag. 576). 2.9. RADIOLOGIA PEDIÁTRICA A radiologia pediátrica teve inicio concomitantemente a radiologia geral, logo após a descoberta dos raios X. Todavia, apenas a partir da década de 60, e mais fortemente nos anos 90, com o desenvolvimento de novas técnicas de produção da imagem, cresceu a necessidade de especialistas nesta área, solidificando-a e tornando-a independente da radiologia geral (Oliveira, 2003). Há uma considerável evidencia de que muitos dos exames radiológicos são desnecessários. Logo, revela-se de extrema importância para a redução da exposição à radiação médica o fato de se garantir que somente os exames justificadamente indicados (Principio da Justificação) para o diagnóstico dos pacientes sejam realizados. O tecnólogo que atua na área pediátrica vê as crianças não apenas como um adulto em miniatura, mas como seres humanos muito especial que devem ter um tratamento cuidadoso e merecem especial compreensão. Isso exige paciência e tempo necessário para conversar e fazer amizade com as crianças. A explicação das instruções à criança de uma forma que ela possa compreender é muito importante no desenvolvimento de confiança e cooperação (Bontrager,1999). As crianças não alcançam um sentido de compreensão em uma idade especificada previsível. Isso varia muito de uma para outra, e o tecnólogo pediátrico não deve supor que a criança não possui esta capacidade. Entretanto, geralmente por volta de dois anos, a maioria das crianças normais pode ser submetida a um estudo radiológico diagnóstico sem imobilização ou auxilio dos pais. Mais importante é a confiança, que começa no primeiro encontro entre paciente e o tecnólogo; a primeira impressão que a criança tem deste estranho é permanente e forma a ligação de um relacionamento bem-sucedido. (Bontrager, 1999). 2.9.1. AMBIENTE DE RADIOLOGIA PEDIÁTRICA
  14. 14. 14 Lágrimas, medo e resistência combativa são reações perfeitamente normais em crianças. O tecnólogo deve levar um tempo explicando ao genitor e à criança, em uma linguagem que possam compreender exatamente o que vão fazer. Devem tentar construir uma atmosfera de confiança na sala de espera e exames. Devido a isso, existem atualmente muitas instituições voltadas para a assistência a crianças, com objetivo de fornecer o melhor atendimento. Essas instituições foram projetadas especialmente para lidar com as necessidades das crianças em diversos setores. As Figuras 6, 7 e 8 mostram o setor de radiologia voltada para pediatria, onde os desenhos nas paredes tiram a imagem do pesadelo e ajudam na distração das crianças antes e durante os procedimentos. Figura 6: Sala de espera no setor de radiologia pediátrica (ARQUIVO PESSOAL)
  15. 15. 15 Figura 7: Bucky horizontal setor de radiologia pediátrica (ARQUIVO PESSOAL) FIGURA 8: Biombo com vidro plumbífero (ARQUIVO PESSOAL)
  16. 16. 16 2.9.2. PROTEÇÃO RADIOLÓGICA EM PEDIATRIA Os fatores mais importantes na redução de doses de radiação em radiologia pediátrica são: A) seleção de conjunto filme, écran de alta velocidade B) evitar o uso de grade antidifusora C) uso de filtração adicional (absorve fótons de baixa energia, que não tem energia alta, logo comprimento de onda baixo o suficiente para poder penetrar o corpo do paciente e atingir o filme radiográfico) D) escolha da técnica de alta quilo voltagem e de curta exposição. (Cook, 2006). O principal risco associado a exames de radiodiagnóstico é a ocorrência de efeitos estocásticos, principalmente efeitos genéticos e carcinogênese, sendo muito raro o desencadeamento de efeitos determinísticos, como queimaduras. Uma vez que a probabilidade de ocorrência dos efeitos estocásticos é proporcional à dose, sem a existência de um limiar de dose seguro, faz-se necessidade especial atenção a proteção radiológica no que diz respeito à radiologia pediátrica, uma vez que as crianças são mais sensíveis à radiação e possuem uma expectativa de vida muito maior se comparando a um adulto, o que aumenta a probabilidade de apresentarem um efeito nocivo tardio relacionado a essa exposição. (Oliveira, 2003). Menores de 18 anos de idade não podem ser empregados em situações nas quais sofrem exposição ocupacional, podendo somente estagiar no radiodiagnostico. O limite de dose deles e menor do que do IOE maior de idade, (vide tabela acima), ou seja, (E 6mSv) por ano (Aula Mario Balthar, 2013). Para cada exame, a solicitação de alta resolução deve ser sempre ponderada em contrapartida à necessidade de limitação da dose. Na maioria dos casos, a resolução reduzida de sistema filme, écran rápidos. (Cook, 2006). É sempre aconselhável que se evite o uso de grade antidifusora em crianças. Deve ser sempre lembrado que o uso de um Bucky embaixo da mesa requer, normalmente, a utilização de uma grade. O mesmo pode ocorrer para mesas de crânio e estativas de tórax. Podem ser necessário a alterações simples no equipamento, de forma que o paciente possa ser fácil e confortavelmente imobilizado e posicionado diretamente sobre o chassi sem o uso da grade, a menos que especificamente recomendado. Todas as unidades de fluoroscopia devem ter grades facilmente removíveis. Técnicas de alta quilo voltagem (kV) que permitem redução da miliamperagem (mA) e do tempo de exposição (s) produzem reduções significativas na dose e no borramento por movimento. Recomenda-se também, o
  17. 17. 17 uso de filtração adicional, não apenas para aumentar a capacidade de um equipamento mais limitado, mas também para absorver a radiação de baixa energia, que não irá contribuir ara a qualidade da imagem. Filtros de terras raras não provaram fazer qualquer redução significativa de doses ou beneficio na qualidade de imagem em relação ao filtro de cobre. Com equipamentos que usam filtro de cerca de 2,5 mm Al, é aconselhável filtração adicional de 0,1 mm Cu ou equivalente (exceto em UTI neonatal e em técnicas de baixa quilo voltagem), com equipamento que tenha filtração total de cerca de 2,5 mm Al para maioria dos exames. (Cook, 2006). Deve se priorizar radiografias realizadas com alta quilo voltagem, densidade reduzida e menos contraste, a fim de possibilitar uma redução no mAs (miliamperagem/tempo) e, consequentemente, na dose do paciente. O protetor de chumbo, quando existe, frequentemente esta disforme, incorretamente posicionado ou é inadequado. (Cook, 2006). Deve ser lembrado que a proteção das gônadas é extremamente importante para as crianças, assim como a proteção das células formadoras da medula óssea, presente na maioria dos ossos em formação ou em processo de crescimento. O tecido mamário em desenvolvimento e a tireoide são órgãos também bastante radiossensíveis. Em radiografia de recém-nascidos, as técnicas que utilizam máscara de chumbo sobre as incubadoras devem ser sempre usadas. Recomenda-se que, quando a radiografia abdominal for executada, sejam protegidos as costelas, as mamas e o esterno. Tão logo a idade permita, são aconselháveis as projeções em PA, para reduzir a dose nos olhos em radiografias do seio da face, ou nas mamas, no caso das radiografias de tórax. A redução da repetição de exposição é fundamental, principalmente em crianças pequenas, cujas células em desenvolvimento são particularmente sensíveis aos efeitos da radiação. Imobilização apropriada e alto mA, técnicas com tempo de exposição curto reduzirão a incidência de borramento por movimento. As grades radiológicas só devem ser usadas quando a parte do corpo examinada tem espessura maior que 9 cm. (Bontrager,1999). Cada departamento de radiologia também deve ter uma relação de procedimentos específicos para pacientes pediátricos, incluindo incidências
  18. 18. 18 especiais e séries de exames limitados para assegurar a realização de incidências apropriadas e acabar com exposições desnecessárias. Proteções de chumbo de tamanhos variados, especificamente moldadas para proteger as gônadas (Figuras 9 e 10) são recomendadas por terem menor probabilidade de obscurecer informações vitais, como ocorre no caso de uso de pedaços de protetores de chumbo. Radiografias de abdômen de crianças do sexo masculino devem ter proteção adequada das gônadas. Figura 9: Protetor de gônadas masculino (ARQUIVO PESSOAL) Como os pais frequentemente solicitam proteção para as gônadas dos seus filhos, os mesmos deveriam conhecer outros procedimentos usados para proteção radiológica, tais como colimação rigorosa, técnicas de baixa dosagem e um número mínimo de exposições. Para aliviar os temores dos pais, o Tecnólogo deve explicar, em linguagem mais simples possível, as práticas de proteções utilizadas e o motivo pelo qual devem ser usadas. (Bontrager,1999).
  19. 19. 19 Procedimento correto para ser aplicado em exames radiográficos, o paciente usando o protetor de gônadas. IOE não deveria estar na sala de exame. Quem acompanha o paciente e o acompanhante e com os protetores devidos Anderson, seria mais ou menos assim, se vc estiver um ideia fique a vontade. Figura 10: Protetores para áreas específicas (ARQUIVO PESSOAL)
  20. 20. 20 Figura 11: Protetores de tireóide para pacientes pediátricos e acompanhantes (ARQUINO PESSOAL) Se os pais permanecerem na sala, devem receber aventais de chumbo (Figura 12). Se estiver imobilizando a criança e suas mãos se encontrarem no trajeto do feixe primário ou próximas dele, também devem receber luvas de chumbo (Figura 8).
  21. 21. 21 Figura 12: Aventais de chumbo (ARQUIVO PESSOAL) Figura 13: Luvas de chumbo (ARQUIVO PESSOAL)
  22. 22. 22 2.9.2.1. DISPOSITIVO DE IMOBILIZAÇÃO Um dos pontos mais importantes para se obter uma boa qualidade de imagem nos exames de radiologia pediátrica é a imobilização. De acordo com (BONTRAGER; 2010) “pacientes pediátricos incluem de lactentes até pacientes com 12 a 14 anos de idade”. Porém as crianças mais velhas realizam exames iguais aos adultos, sem a necessidade imobilização, pois já compreendem e obedece ao procedimento que foi dado, utilizando sempre cuidados especiais como a proteção de gônadas e a redução dos fatores de exposição devidos suas células estarem em processo de desenvolvimento, ou seja, estão mais a risco de efeitos a longo prazo. As crianças entre 1 a 2 anos de idade são as que mais utilizam os imobilizadores, prevenindo assim movimentos durante a exposição radiológica evitando então a exposição desnecessária. Na radiologia pediátrica são utilizados vários instrumentos para a imobilização, como por exemplo: a Prancha Tam-em (Figura 14). Equipamento de fácil utilização, usado para a imobilização de membros superiores e inferiores com faixas de velcro em pacientes lactentes. Seu material pode ser de fibra de vidro com espessura suficiente para proporcionar a rigidez necessária conforme a figura abaixo.
  23. 23. 23 Figura 14: Prancha Tam-em (BONTRAGER; 2010).
  24. 24. 24 2. CONCLUSÕES O presente trabalho tem a finalidade de mostrar os fatores necessários para obter uma boa qualidade de imagem utilizando a proteção radiológica nos exames pediátricos, principalmente, baseandose no trabalho do tecnólogo em radiologia, no Principio de Otimização, para a redução de dose dos pacientes. A obtenção de uma boa qualidade de imagem diagnóstica em exames pediátricos é difícil, pois as crianças nem sempre cooperam e suas frequências cardíacas e respiratórias são mais rápidas devido ao nervosismo aumentando borramento da imagem por causa da movimentação. Pensando neste fato, algumas instituições possuem salas dedicadas ao trabalho pediátrico com desenhos nas paredes e brinquedos que ajudam na distração desses pacientes e equipes especializadas com habilidades na realização dos exames e também para explicar aos pais como serão feitos os procedimentos, buscando assim a confiança dos mesmos. As formas de proteção relatadas no trabalho seja biombo de chumbo, protetores de chumbo de vários tamanhos, técnica de exposição adequada à crianças e imobilizadores que servirão como suporte de contenção e ajudara muito, reduzindo a dose de radiação desnecessária imposta a criança na realização do exame radiológico, evitando com isso uma nova exposição. Levando em consideração as características do processo de trabalho em saúde, sobretudo na radiologia, e considerando as peculiaridades do processo de trabalho nas unidades, envolvendo a exposição ionizante, seja nas salas de exames, nas enfermarias pediátricas e UTI neonatais, tendo em vista um pequena visita a uma unidade de pediatria observei que não existi essa preocupação em relação às crianças, com os possíveis danos ou detrimentos de efeitos biológicos que a exposição à radiação ionizante pode causar aos pequenos, ou seja, os profissionais devem passar por constantes treinamentos para a conscientização das necessidades de redução de doses dos pacientes. Assim sendo, a observância e a aplicação da Portaria 453/98 que corresponde aos princípios básicos: justificação, otimização e limitação de dose,
  25. 25. 25 tornam-se preponderantes, tanto dos profissionais de radiologia quando da instituição envolvida na radiologia pediátrica.
  26. 26. 26 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Aula Prof. MARIO BALTHAR, 2012. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Portaria 453/98 – Diretrizes de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico. Diário Oficial da União, Brasília, 2 jun. 1998. BONTRAGER, K.L. Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. Página 336. Editora: Elsevier, Ano 2010. BONTRAGER, K. L. Técnica radiológica e base anatômica. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. BUSHONG STEWART, C. 2010 Ciência Radiológica para tecnólogos, editora Elsevier, edição 9 pag.728. Disponível em http://www.cnen.gov.br/ensino/apostilas/rad_ion.pdf. Acesso 20 de setembro, 2014 Disponível em http://www.iaea.org/books; 2012). Acesso 20 de setembro, 2014 MELHOR PRÁTICA EM RADIOLOGIA PEDIÁTRICA: UM MANUAL PARA TODOS OS SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. Cook J.V., Pettett A., Shah K., Pablot S., Kyriou J., Fitzgerald M. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2006. 1001 pp. NOVAILHETAS: 2007 Yannic: Radiações ionizantes e a vida. CNEN apostila. NUSSENZVEIG, H Moysés. Curso de física básico v. 4. P. 249 Editora Edgard Blucher Ltda. São Paulo, 2002. OLIVEIRA, Mércie Liane; Helen influence of radiographic parameters on the entrance surface dose in x- rays of pectric partients. Radiologia Brasileira, 2003, vol.36, n.2. PAUL LW, Julh JH. Interpretação Radiológica 6ª edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara. 1996.
  27. 27. 27 TAUHATA, Luiz et. Al., Radioproteção e dosimetria: Fundamentos, Instituto de radioproteção e Dosimetria, Comissão Nacional de Energia Nuclear, Rio de Janeiro, 5ª Revisão-Agosto 2003.

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