Gabi, perdi a hora

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Livro: Gabi, perdi a hora, de João Basílio.
Conta a história da menina Gabi, de 5 anos, que ao ouvir o Pai dizer que havia perdido a hora, se depara com inusitadas e divertidas situações ao tentar achar a tal hora perdida.

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Gabi, perdi a hora

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  3. 3. é urna menina que tem cinco anos, muita curiosidade e um pai sernpre apressado. Certa manhã, Gabriela acordou corn urn grito desesperado de seu pai: / kRkAAAAA/ Ê/Á/ HHHHHH í. - Que foi, papai? - Perdi a hora, Gabi!
  4. 4. Gabriela, na rnesrna hora, pensou ern ajudar o pai a encontrar a hora que ele tinha perdido- lVIas não deu tenipo: ela piscou urna vez e ele estava trocando de roupa; piscou de novo e ele estava escovando os dentes; na terceira piscada, seu pai já estava na porta, de rnaleta na n1ão e falando:
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  6. 6. O pai saiu e Gabriela ficou encucada corn aquela história. Onde será que estava a tal hora perdida por ele? E por ser rnuito arnorosa, :nas tarnbéxn rnuito curiosa, ela decidiu ajudar o pai a aclíar , aquela hora fujona- Prirneiro Gabriela procurou ern casa. Debaixo da carna, dentro da geladeira, ern cirna da rnesa-. - 1VIas, corno é difícil procurar urna coisa que você nern sabe corno é! _ Qual será a cor da hora? 1Tão faço ideia-. . E cheiro, tern? Não sei tarnbérn. -. Gabi só sabia que urna hora tinha o tarnanho de 60 minutos, foi , sua tia Virgínia que contou urn dia. 1VIas isso não ajudava rnuito. .. Então ela pensou en: pedir ajuda pro
  7. 7. resto da família - sua rnãe, o irrnão rnais novo, a irrnã rnais Velha. .. lVIas era rnuito cedo, e todo rnundo ainda dorrnia. Foi a1' que ela teve uma ideia: se seu pai tinha saído correndo corn tanta pressa, e' porque devia estar indo atrás da hora perdida! Que dó que ela teve dele! Procurar sozinho, nurna cidade daquele tamanho, urna hora que podia estar ern tanto lugar. .. E então ela teve outra ideia: ia sair de casa e procurar tarnbérn! É, porque todo rnundo sabe que duas pessoas procurarn melhor que urna, né? _ Já pensou se eu encontro a hora? lVIeu pai vai ficar rnuito feliz! naun: : s¡
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  9. 9. Gabriela abriu a porta de casa bern devagarinho. .. e foi pra rua- Andou e andou, olhando por todo lado pra Ver se achava a danada' da hora. Quando chegou ao centro da cidade, parou ern frente a urn lugar que tinha tudo pra ajudá-la: urna loja de relógios. Gabriela entrou e ficou irnpressionada corn o barulho de tanto relógio, cada urn rnais diferente que o outro! Qual devia ser o soIn da hora do seu pai? Até que veio urn rapaz e perguntou:
  10. 10. H -- lvíeu pai perdeu a hora hoje! C) senhor sabe onde ela pode estar? - Glha, achar urna hora perdida é urna coisa rnuito cornplicada--. lVIas eu posso te vender urn relógio- despertador pro seu pai nunca rnais perder outras horas! Quer Ver corno funciona? Gabriela pensou, pensou-. - e achou que aquilo não ia resolver. Seu pai tirúria ficado triste por causa daquela hora que ele tirtha perdido, naquele dia. .. Vai Ver que era urna hora niuito querida dele, rnuito especial, né? E alérn do 111ais, ,lernbrou que não tinha dinheiro, e foi por causa desses dois pensarnentos que, ela saiu da loja para conti- nua: : S118 procura-
  11. 11. Andando Inais urn ápouco, Gabriela «descobriu que havia uIn relógio grandão no alto de urna igreja. Aquele parecia que era o Inaior relógio da cidade e tarnbénn o rnais irnportante- Ora, quern sabe, não era nele que ficavarn as horas que todo rnundo perdia por aí? Então ela resolveu conversar corn o cego que pedia esrnolas na "porta da igreja. e lVIoço, rneu pai perdeu a hora hoje e eu tô ajudando ele a procurar! Você acha que ela pode estar naquele relógio que fica ali no alto? _ lVIinha filha, Vou te contar urna coisa: corno sou cego, eu fico aqui o dia todo e não vejo a hora passar! 1/ Ias o que eu escuto todo rnundo dizer' por aí é que as horas passarn voando!
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  13. 13. Foi só ele falar isso e Gabriela olhou pra cirna. E sabe o que viu? Urn bando de passarinhos saindo voando de dentro da torre da igreja, justamente onde ficava o relógio! Nesse instante a rnenina botou o dedinho fura-bolo na testa e pensou urna coisa que parecia Inuito certa: - Aqueles passarinhos só podern ser as horas! Ela deu tchau pro cego rapidinho e saiu correndo pra seguir os passarinhos. Era só pegar urn deles e entregar pro pai! 1VIas aí. ..
  14. 14. ' -Aí aconteceu de Gabriela atravessar a avenida olhan- _do pra cirna e não para a avenida. E foi carro freando pra todo lado! Teve unr-"que" parou quase ern cirna da rnenina! C) rnotorista rneteu a rnão na buzina e gritou: - Cê perdeu_o juízo, garota? Gabriela ficou rnuito assustada# tanto pelas zsfreadas: nern pelo grito do Inoço, rnas por causa da notícia quejele tinha_ '_ dado pra 'ela-
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  16. 16. . .m-uam nunca 'mn- m. aum_um. mu_. ._. ___. , _ Era só o que faltava! (Quer dizer que agora, alérn de procurar a hora que rneu pai perdeu, vou ter que encontrar tarnbérn o rneu juízo? Tá ficando difícil, viu? E enquanto Gabriela pensava nisso, é claro que os passarinhos surnirarn pelo céu. -- E lá se foi de novo pela rua, procurando agora urna hora e urn juízo que ela não fazia nern ideia de onde estavarn- Então resolveu perguntar pra todo rnundo: - Você sabe onde eu encontro urna hora? E o juízo, onde é que rnora? lVIas urna coisa curiosa estava acontecendo: ninguérn a ajudava porque todo rnundo tinha rnedo de perder outras coisas!
  17. 17. _ Sinto muito, rnenina, rnas não posso te ajudar porque senão eu vou perder o ônibus! - Agora eu não posso! Se eu parar perco o ernprego! _ Outra hora, rninha filha, que eu não posso perder a novela! Puxa vida! Gabriela estava descobrindo que essa história de perda era urn problema que assustava todo rnundo, e não só a ela e seu pai. E do jeito que o pessoal falava, parecia que tudo que era perdido não tinha Inais jeito de ser encontrado. Que complicação!
  18. 18. ,' , j, f i4 i f ' É f: ., , j. ' E nessa . hora, pra Ãoniplicar ainda III/ ais, corneçou a 1 . _ I» ' j . M¡ , x e , _ _ V . . j» _ j. chover- E 1a. / estava Gãbrielansozryfí/ lyta, no/ rneio da rua, no “ .4- . 'y “ ' < , í -' ' 7 z v? rneio da chuva e no rrneio daqueles pensfarnentos todos. E lógico que, àquela! altura, tudo¡ ela queria era voltar pra cas/ a. lVIas adí/ vinhe/ z agot/ a ela tarnbérn tinha se perdido! ' . / r _ -2 ~ qr/ (Vl/ J _/ /
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  20. 20. Gabriela corrueçou a chorar, ,dprirneiro baixinho, depois : :nais forte, depois rnais forte, ?cornpelindo corn as nuvens 'para' Ver quern derrarnava irnais lágrjirnas, chão- hzías, cornlo sexnpre term al-geuérr¡ , quei a gente rnais precisa, nessa- rnão- lIão falou nada, ,só protegeu a: rnenina enquanto sorria pra ela- "Parece até ulfn anjoY', pensou Gabi, "quer dizer, urna anja! lvías_ e as asas? E' esses óculos, sera' que anjo usa óculos? " Perdida nesses pensaxnentos, quando percebeu já havia parado de chorar. E então, Inesrno antes da rrtoça perguntar, Gabriela contou tudinho q'ue aconteceu,
  21. 21. A anja, quer dizer, a moça, deu um abraço forte em Gabriela e falou pra ela a coisa mais importante de todo o dia: - Aconteça o que acontecer, meu bem, nunca / perca. . . a esperança!
  22. 22. 26 E foi assirn, agarrada à nioça corno se agarrasse à própria esperança, que Gabriela viu, junto COITI a rnoça, urna notícia urgente na televisão da loja ern frente: _ E atenção! Urna rnenina de norne Gabriela desapareceu de casa hoje de rnanhã! Sua faniília está desesperada! Quern souber algurna notícia, ligue para o telefone tal. .. Que alegria! lVIeia hora depois lá estavarn a rnoça e Gabriela tocando a carnpainha da casa dela. Gabi foi recebida COITI abraços, beijinhos, toalha, roupa lirnpa, lanchinho. .- E a rnoça, e' claro, ouviu rnilhares de "rnuito obrigado! " da aliviada farnília da rnenina.
  23. 23. Enquanto cornia, Gabriela contava nos rníninios detalhes sua aventura pela cidade. Só não entendia por que todo Inundo caía na gargalhada quando ela dizia que procurava a hora perdida. Pra falar a verdade, ficava até urn pouco chateada. Pensando assirn: 27
  24. 24. - "Eles estão rindo porque não sabem corno é difícil 'Il procurar urna hora. 1VIas uma hora eles aprendem
  25. 25. "CMM-muy wmv¡ . .'. _t___. ... . J-vwwm-r-nn-KFZTÍC. - . .. .ymm . / r E depois da festa, depois dos risos, depois da Inoçá i anjo ir ernbora, é claro que teve tarnbérn os puxões' de orelha. .. 'E aquele assunto de perder coisas, quern diria, acabou voltando! A rnãe reclarnava: - Vocêyrne' fez perder o sono, sabia? A irrnã agradecia: _ Por' sua* causa perdi rneio quilo, tava rnesrno precisando! E o pai -chorarningavaz - Você Inefez perder a calrna. .. Sono-. . lQuilo. .. Calrna. -- Nessa hora Gabriela deu boa - -noite e foi dorrnir: _ Tô tão cansada!
  26. 26. Sirn, tinha o cansaço- lVIas havia tarnbérn aí urna ansiedade rnalandrinha da rnenina, doida pro dia seguinte chegar logo. Afinal, já erain rnais três coisas pra ela procurar: _ Sono--- Quilo. .. Cali-na. .. Sua carreira de investigadora estava apenas TIC) COIÍIGÇO.
  27. 27. GABÍ perdi a hora! Copyxncnr 2009 © João 'Basílio ILUSTRAÇÕES © André Neves EDITÔRKA EXECUTIVA José de Alencar lvlayrink Lourdinha lvíendes PRODUÇÃO EDITORIAL Lílian Teixeira PRO] ETO GRÁFICO André Ileves DIAGRAIVIAÇÃÓ José Au gusto Barros REVISÃO Libério Neves IMPRESSÃO Gráfica Bandeirantes Direitos reservados à EDITORA Lí: LTDA. Rua Januária, 437 - Floresta 31110-060 - Belo I-Iorizonte - lVIG Tel. : (31) 3423-3200 - (31) 2517-3001 Fax: (31) 3421-5392 - (31) 2517-3003 wvvw. le. corn. br - E-xnail: editora@le. corn. br Proibida a reprodução parcial ou total desta obra, por qualquer processo, sern autorização por escrito da editora. Xrnpresso no Brasil - Printed in Brazil 1 “ Edição: 2009

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