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                AquECIMENTO GLOBAL
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Ellian Alabi Lucci




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Da Guerra Fria ao aquecimento global
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  1. 1. DA GuERRA FRIA AO AquECIMENTO GLOBAL From Cold War to the Global WarminG Elian Alabi Lucci* “Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro”. Provérbio indígena RESUMO: O presente artigo discute a problemática do aquecimento global e suas trágicas conseqüências para o planeta Terra. Os alarmantes níveis de poluentes emitidos desde o advento da era industrial coloca, segundo o IPCC, a ação antrópica como fator decisivo para as mudanças de temperaturas. Palavras-chave: Aquecimento global; desenvolvimento sustentável; benevolência; valores. ecológicos. ABSTRACT: This article discusses the problem of global warming and its tragic consequences for the planet Earth. The alarming levels of pollutants emitted since the advent of the industrial age raises, according to the IPCC, the anthropic as decisive factor for changes in temperature. Key words: Global warming; sustainable development; kindness; ecological values. * Geografo e autor de livros didádicos pela Editora Saraiva. Membro da Diretoria AGB/Bauru-SP Ciência Geográfica - Bauru - XII - Vol. XII - (2): Julho/Dezembro - 2007 17
  2. 2. Ellian Alabi Lucci Estamos vivendo hoje a sexta grande onda de O efeito estufa que nesta ocasião determinou o fim extinção em massa. Cientistas acreditam que estamos em dos dinossauros e o início da evolução dos mamíferos foi meio a uma grande onda de extinção até mais acelerada provocado por um fator natural: o impacto de um meteoro do que o colapso acorrido quando os dinossauros ou asteróide, no Golfo do México. Mas o efeito estufa que desapareceram, há cerca de 65 milhões de anos. gera o aquecimento global de hoje, é fruto não de um Sete entre 10 biólogos acreditam que o mundo fenômeno natural (vulcão, terremoto ou tsunami) e sim da esteja hoje em meio a mais acelerada extinção em massa queima de combustíveis fósseis e do exagerado consumo de seres vivos nos 4,5 bilhões de anos da história do da sociedade moderna. planeta, de acordo com a pesquisa realizada pelo Museu Americano de História natural e pela empresa de pesquisa Louis Harris. Contribuição dos gases efeito estufa ao aquecimento Isto a torna até mais acelerada do que o colapso global ocorrido quando os dinossauros desapareceram, há cerca de 65 milhões de anos. Diferentemente desta e de outra No dia 2 de fevereiro de 2007, o I.P.C.C. (Painel extinção em massa do passado pré-humano, a atual é Intergovernamental sobre Mudança Climática), reunido em causada pela atividade humana e não por fenômenos Paris, confirmou aquilo que já se sabia há muito tempo: o naturais, declaram os cientistas. grande responsável por esta nova onda não são problemas Aos cientistas consultados classificam a perda da de ordem natural ou geográfico, mas sim a ação antrópica, biodiversidade como um problema ambiental mais grave isto é, a ação nefasta do ser humano. que a destruição da camada de ozônio, aquecimento global No mais recente encontro, na Indonésia, em ou poluição e contaminação. A maioria (70 %) revelou dezembro de 2007 (COP – 13), com representantes de acreditar que nos próximos 30 anos, até um quinto de 190 países, esta conferência esteve próxima do fracasso. todas as espécies vivas hoje estará extinto, e um terço dos A reunião foi salva por vários acordos ou acertos mais consultados considerou que metade das espécies da Terra propriamente dito, alguns deles transparentes e outros não, estará morta no mesmo período. (www.wwiuma.org.br/ e também muitas jogadas diplomáticas. ext_emmassa.htm.) Desse encontro surgiu um documento chamado A onda anterior até crianças de quatro anos para “Um mapa do caminho de Bali” que se constituiu de cima conhece muito bem: ela se deu há aproximadamente diretrizes e intenções até 2009 para substituição do 65 milhões de anos quando desapareceram os dinossauros Protocolo de Kyoto. e os mamíferos começam sua escalada para o sucesso. O nosso planeta tem segundo cálculos da FUNUAP 18 Ciência Geográfica - Bauru - XII - Vol. XII - (2): Julho/Dezembro - 2007
  3. 3. Da Guerra Fria ao aquecimento global - (Fundo das Nações Unidas para Assuntos Populacionais), de pegada ecológica. A pegada ecológica – nosso impacto um grau de suportabilidade para 7 bilhões de habitantes. sobre a Terra – está muito forte. O seu tamanho médio é de Contudo, hoje com 6,5 bilhões nota-se que estamos próximos 2,2 hectares per capita. de atingirmos o limite do planeta. Mas, infelizmente, antes Esse número representa a área terrestre, e aquática mesmo de atingirmos este limite, é tal o descontrole na biologicamente produtiva, necessária para fornecer a uma relação homem natureza que já estamos arrancando do única pessoa, comida, fibra, madeira, terreno para construção planeta mais do que ele pode nos fornecer. e terra para absorver o carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis. Humanidade já excede capacidade da Terra Como o planeta só consegue regenerar apenas 1,8 hectares por ano, os seres humanos precisam mudar Os seres humanos já usam recursos naturais a urgentemente suas formas de consumir os recursos naturais. uma taxa de 25% maior que a capacidade do planeta de Os países desenvolvidos são os que apresentam regenerá-los. Se a tendência continuar, afirma um relatório maior pegada ecológica. divulgado ontem em 2050 a humanidade precisará de duas A pegada mais forte do planeta está nos países do Terras para prover suas necessidades. Hemisfério Norte – estadunidense: 9,6 hectares por pessoa, O documento chamado Living Planet Report, é devido especialmente ao consumo de combustíveis fósseis lançado todo ano pela ONG WWF. Ele se baseia em dois e do alto padrão de consumo que a sociedade dos Estados indicadores: o chamado índice planeta vivo, que mede a Unidos apresenta. tendência da biodiversidade da Terra, e a pegada ecológica, Como sua biocapacidade é de 4,7 hectares per capita, que calcula fatores como a biocapacidade (área produtiva os Estados Unidos apresentam um déficit (eco devedor de de pasto, lavoura e floresta necessárias à satisfação das 4,8 hectares por área / per capita). necessidades humanas) e a capacidade dos oceanos de Em comparação com a dos estadunidenses a pegada diluir a poluição humana. ecológica brasileira é bem menor: 2,1 per capita, devido O relatório de 2006, que captura esta tendência principalmente ao uso de matriz energética mais limpa, com global até 2003, indica que a humanidade superou a a participação de hidrelétricas e biocombustíveis. capacidade regenerativa do planeta por volta de 1980. O Mas ainda assim ela está acima da média dos países índice planeta vivo caiu 30% entre 1970 e 2003, o que indica emergentes, em 1,9 hectares. Isto se deve, sobretudo, a conversão que as extinções estão se acelerando. “A humanidade não de florestas para plantações e o emprego da queimada. está mais vivendo dos juros da natureza, mas esgotando seu Tendo uma biocapacidade de 9,9 hectares per capital”, afirma o relatório. “A esse nível de déficit ecológico, capita, nós somos ecos credores em relação aos países de a exaustão dos ativos ecológicos e o colapso em grande maior pegada. escala dos ecossistemas parece cada vez mais prováveis”. Esse déficit não é igual para todos os seres Quando isto começou e onde vamos parar? humanos. A maioria dos países desenvolvidos “deve” mais ao planeta por ter uma pegada ecológica maior. Os Estados O problema da devastação ambiental é tão antigo Unidos são o maior exemplo. Cada cidadão estadunidense quanto o homem. Mas foi a partir de 1750 (inicio da sociedade demanda 9,6 hectares para atender a seu padrão de industrial) que a relação homem x destruição ambiental se consumo, mas a biocapacidade dos Estados Unidos é de amplia cada vez mais. apenas 4,7 hectares por pessoa – um déficit ecológico de Ao chegarmos aos anos de 1970, o estado do planeta 4,8 hectares por pessoa. começa a dar sinais de que é preciso repensar nossa relação Já no Brasil pelo menos neste quesito, é (ainda) com a natureza. um credor: cada brasileiro usa 2,1 hectares, tendo o país A grande contribuição para este despertar do sentimento uma biocapacidade de 9,9 hectares por pessoa. (Folha de preservacionista do planeta foi dado pelo livro “Primavera S. Paulo 25/10/2006 p. A18). Silenciosa”, escrito em 1962 pela autora Rachel Carson. A relação entre o uso desse recurso e seu Apesar deste livro e outros transmitirem uma esgotamento passou a ser denominado a partir de 2006 de preocupação mais romântica em relação ao meio ambiente, Pegada Ecológica. eles foram muito importantes para a primeira grande reunião de 1972, em Estocolmo (Suécia) e que se constituiu em um A pegada ecológica marco quanto à preocupação de um grande número de países em relação às questões ecológicas. A relação entre o uso deste recurso e seu Depois deste encontro deve-se ressaltar o papel esgotamento passou a ser denominada a partir de 2006, da Eco-92,no Rio de Janeiro e que culminaria com o Ciência Geográfica - Bauru - XII - Vol. XII - (2): Julho/Dezembro - 2007 19
  4. 4. Ellian Alabi Lucci estabelecimento da Agenda 21. A Agenda 21 passou a ser parâmetros de valores de índole material e quantitativa. importante documento internacional de compromissos Curiosamente, hoje, é o homem que se apresenta atado ambientais contendo recomendações para um novo aos horários da máquina, e não o que seria correto uma modelo de desenvolvimento e enfatizando a importância situação inversa. Isto é altamente injusto, pois ataca o ser da educação ambiental. da pessoa, que é o fim e não o meio”. Com o advento da sociedade Pós-industrial a questão ambiental ultrapassa todos os limites e se sofistica. Tecnocracia e Valores Ecológicos A causa deste novo surto de devastação, entre outras a revolução tecnológica e a pobreza que assola o planeta, A tecnocracia corresponde ao poder de uma por conta desta mesma revolução, vem alargando ainda técnica que aprisionar o homem e a atitude prepotente de mais o fosso entre ricos e pobres apesar do crescimento da usá-la contra a natureza. economia mundial. Quatro são as esferas implicadas na questão “Por quase qualquer critério, e na maior parte ecológica que nos preocupa intensamente. do mundo nota-se uma tendência geral: a distância entre O movimento ecológico nos faz tomar consciência os ricos e pobres está aumentando. Nos Estados Unidos, dos perigos que a tecnocracia provoca na natureza e os 20% mais ricos conseguiram ampliar as suas riquezas propõe substituir os valores tecnocráticos. numa proporção 50% maior que a média nacional desde Como exemplo, apresentaremos um quadro que resume os anos de 1960. Com o aquecimento econômico na Ásia, parte desses valores tecnocráticos e parte dos valores milhões de pessoas passaram a desfrutar de maior conforto ecológicos. material. Mas outras centenas de milhões ainda continuam a viver na pobreza”. A desigualdade está presente em muitos aspectos do nosso mundo – entre países e, no interior destes, entre indivíduos, grupos, sexos e até gerações -, mas nada torna a tão evidente quanto uma única medida desse crescente distanciamento: em 2007, as duas pessoas mais ricas do mundo tinham mais dinheiro que a soma do PIB dos 45 países mais pobres. Revolução tecnológica e problemas ambientais O processo de crescimento da tecnologia se foi fazendo cada vez mais autônomo fugindo mais e mais do estado natural das coisas. O homem já não domina mais a técnica que ele criou, senão que é dominado por ela. Assim, a tecnologia e seus efeitos fogem da autoridade do homem, como por exemplo, o vírus na informática. Vejamos o que nos dizem os filósofos Ricardo Yepes e Javier Echevarria ao tratarem deste assunto sobre a ótica da Antropologia: “À medida que novas técnicas vão se desenvolvendo, parece que a ação da pessoa é cada vez menos relevante, até a pessoa transformar-se em um objeto a mais desta cadeia. O homem se converte apenas em um instrumento de produção; ele mesmo é transformando por este processo de possibilidades técnicas (...). O que importa o que o homem pensa, sinta ou diga? O único que conta é a função que ele desempenha no processo de produção objetiva. O homem como sujeito como um ser único e irrepetível, já não conta para nada. Desta perspectiva, o conflito entre humanismo e tecnologia aparece com toda a sua dureza. Efetivamente, o sistema de produtos de alta tecnologia impõe suas próprias exigências, submetidas a Uma das idéias básicas dos valores ecológicos é a de 20 Ciência Geográfica - Bauru - XII - Vol. XII - (2): Julho/Dezembro - 2007
  5. 5. Da Guerra Fria ao aquecimento global recuperar o ritmo natural, pôr em harmonia com a natureza. você mesma! A benevolência consiste assim em prestar A vida humana, para ser verdadeiramente humana, ajuda aos seres para que alcancem o seu fim: queremos não deve estar só em harmonia consigo mesma, senão que todos eles sejam como são que cada ser alcance o seu também com o habitat natural. E isto se obtém sincronizando melhor modo de ser. os ritmos humanos com os da natureza. O besouro não faria nada deitado de costas sobre Quando falta esta sincronia surgem dois problemas o solo: ele foi feito para caminhar como os demais animais ou duas patologias: a pressa – fenômeno exclusivamente caminham normalmente. Colocá-lo de volta na posição humano, produzido pelo aumento da velocidade no ritmo correta é uma atitude benevolente. A benevolência é, de nossas atividades, produzida pela tecnologia e o ruído portanto prestar ajuda ao ser, para que chegue a ser o que – desarmonia que só o homem pode produzir, derivado da deve ser em sua plenitude. Por isso é benevolente quem técnica. O silêncio da natureza está cheio de harmonia. sabe sair em socorro da vida ameaçada. O importante da benevolência é que com ela A benevolência com atitude fundamental diante da respeitamos e reconhecemos o valor do real em si mesmo, natureza e dos seres vivos. e não somente dele em relação a nós. Quem é benevolente sabe superar a relatividade nos interesses de uma visão Vamos usar aqui a palavra benevolência com um centrada na satisfação dos instintos para captar de um modo sentido diferente daquele que se emprega na linguagem absoluto o que são as coisas para, deste modo, poder querê- comum, em que ela significa um sentimento de compaixão las, respeitá-las e usá-las como são. Só assim poderemos para com o fraco e o desprotegido. O sentido em que prestar-lhe nossa ajuda para que alcance sua plenitude. empregaremos o termo benevolência se refere à atitude Diante disto que acabamos de ver pode se moral da qual o ser humano é capaz. afirmar que a natureza ou o meio ambiente não precisa de compaixão, mas, sim, de que nós os seres humanos a O que é a benevolência? vejamos como ela é: com sua capacidade de ser e de se recompor por si mesma, desde que assim permitamos. Dar consentimento ao real, dizer a natureza: seja você mesma! Seja o que és! Se eu encontro um besouro virado, eu logo o ponho na posição correta, para que prossiga seu caminho. Com isto estou lhe dizendo: seja Ciência Geográfica - Bauru - XII - Vol. XII - (2): Julho/Dezembro - 2007 21

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