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22- Ladomenou, F., Moschandreas J., Kafatos A., et al. Protective effect of exclusive breastfeedingagainst infections duri...
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  1. 1. Dra. Andréia MortensenRetorno ao trabalho: e o sono do bebê, como fica?Frequentemente ouvimos mães preocupadas com seu retorno ao trabalho e como será a reação do bebêque dorme sendo embalado ou amamentado. A verdade é que todas as crianças (e todas as mães)vivenciam um período difícil quando precisam separar-se por causa do trabalho. Neste artigo, seguemalgumas dicas que levam em consideração o estado emocional de ambos, mãe e filho, para lidar comessa separação.Fatos importantes a serem considerados quando o retorno ao trabalho está próximo:1) O desenvolvimento do ser humano no primeiro ano de vida é extraordinário, cada fase, umanecessidade.O bebê triplica de peso no primeiro ano, se desenvolve em todos os aspectos (motores, cognitivos),começa a andar! Então, não se deve comparar um bebê recém-nascido com um de 4 meses, nem umbebê de 4 meses com um de 1 ano, por exemplos, pois serão praticamente outros bebês.Cada fase, uma necessidade: bebê novinho precisa muito de colo, aconchego, contato íntimo,amamentação em livre demanda. É da natureza dos bebês quererem colo de suas mães; na verd adeesse é um ótimo hábito que foi desenvolvido em milhares de anos de evolução, pois os bebês que nãodemandavam atenção faleciam e, por isso, a seleção natural fez com que aqueles que viviam no colosobrevivessem e esse gene foi passado adiante. Essas ne cessidades vão diminuindo conforme suamaturidade.A dica é aproveitar essa fase inicial, em que temos disponibilidade, e ficar com o bebê no colo,amamentar em livre demanda, sem privar o bebê do carinho e do colo de mãe que ele tanto precisa e temdireito.2) Os bebês são inteligentes e têm uma capacidade enorme de adaptação e de distinção de seuscuidadores.Eles podem reagir totalmente diferente com a mãe e com a babá ou com a professora do berçário (queeles sabem que não é a mãe). A capacidade e a inteligência dos bebês de distinguir seus cuidadorespermite que eles criem modos de interação distintos com eles. Porém, é comum e esperado que o bebêdemande sempre mais da mãe, porque sabe que pode, porque confia mais nela.Então, o bebê criará laços afetivos com o novo cuidador e eles se entenderão na nova forma deadormecer. E, no final do dia e à noite, de volta aos braços da mãe, o bebê pedirá mais carinho, maisafago, e muito provavelmente pedirá para mamar para adormecer, mesmo que não o faça com o cuidadordurante o dia. Afinal de contas estarão com saudades e sabem que mamãe pode oferecer o peito ecurtem estar nos braços de sua referência em amor e confiança.3) Não compensa promover separação prévia para µacostumar¶ ou µpreparar¶ o bebê com o retornoao trabalho.Não sofram por antecedência achando que têm de acostumar o bebê desde cedo a adormecer sozinho.Bebês não têm maturidade neurológica e compreensão para tal, então essa é uma expectativa irreal. Elespodem ter vários sentimentos e sensações que os perturbem durante a noite e precisam de nossa ajuda.Bebês demandam a mãe, mesmo no período noturno, e, especialmente, se ficaram longe dela durante odia. A criança tem em sua mãe o referencial de segurança, estabilidade e afeto.Um bebê nunca fica µmal-acostumado¶ por ter colo, embalo, acalanto, pelo contrário, precisam disso paracontinuar a se desenvolver. Revisamos isso em meu artigo anterior µA natureza do sono dos bebês¶ (1).Portanto, não faz sentido promover um afastamento prévio entre vocês µpensando no futuro¶; isso sóacaba gerando sofrimentos desnecessários para ambos, mãe e bebê. Se a criança não tem colo quandopequeno, não tem no futuro, terá quando, então? Se seu marido tem uma viagem planejada para semanaque vem, para ficar um bom tempo fora, você, para se acostumar com a ausência dele, já vai sepreparando e deixa de dormir na mesma cama que ele, deixa de beijá-lo e de abraçá-lo? Ou faz o opostoe trata de aproveitar ao máximo os últimos dias antes da viagem?
  2. 2. A questão, portanto, não é fazer o bebê se desacostumar de colo, pois ninguém se desacostuma de umanecessidade física ou psicológica. A questão é, sim, ajudar o bebê a criar confiança em outro cuidador.4) "Treinar" ou condicionar o bebê a dormir sozinho vai contra sua natureza, e tem consequências.Condicionar o bebê a adormecer sozinho não vai ajudá no próximo período de afastamento entre -lovocês, pelo contrário. Para ajudá-lo, é necessário que exista acolhimento e apego entre vocês, contínuo eíntimo, assim seu estado emocional vai se fortalecendo, ele se sente acolhido, importante e atendido, evai lidar melhor com outras situações de separação.A maioria de planos de treinamento para bebês oferece o risco de dessensibilização dos sinais enviados,especialmente quando há choro sem consolo envolvido. Em outras palavras, ao invés de ajudar adescobrir o que os sinais enviados pelo seu bebê significam, esses métodos pedem que você os ignore.Nem você nem seu bebê aprendem nada de bom com isso. E, com a separação durante o dia entrevocês pelo retorno ao ao trabalho, a angústia do bebê tende a piorar (2).Um estudo recente mostrou que os bebês têm capacidade de prever respostas estressantes. Eles foramdivididos em dois grupos, no primeiro as mães interagiam com eles continuamente, enquanto que nosegundo bebês foram ignorados por elas por somente dois minutos. Os níveis de cortisol, hormônio doestresse, foram medidos após os experimentos. No dia seguinte, o grupo que foi ignorado teve níveis decortisol mais elevados do que o grupo controle, provando que eles têm capacidade de antecipar oestresse (3).O cortisol em níveis elevados no cérebro do bebê pode ser corrosivo. O cérebro do bebê está em plenodesenvolvimento e a exposição desse hormônio por períodos prolongados mpede a conexão entre ialguns nervos e provoca a degeneração de outros. É possível que bebês que são submetidos a muitasnoites de choro sem consolo sofram efeitos neurológicos prejudiciais que poderão ter implicaçõespermanentes no desenvolvimento neurológico. Para ler um compêndio de artigos científicos sobre o temacortisol e efeitos no desenvolvimento cerebral, veja a referência 4.É preciso ter senso crítico e usar de discernimento quando recebemos conselhos que prometem milagres.Esses métodos de condicionamento envolvem vários riscos; além dos efeitos neurológicos, podem criaruma distância entre você e seu bebê, e ele perde a oportunidade de construir confiança no seu ambiente.Algumas dicas práticas para mães preocupadas com retorno ao trabalho:- Busca de um novo cuidador: procure um novo cuidador que tenha disponibilidade emocional, quetenha chance de criar um laço afetivo com seu bebê, que tenha empatia e carinho, que o carregue nocolo, não o deixe chorar e que o embale para dormir. Não é qualquer pessoa que tem preparo emocionalpara cuidar, acolher e maternar um bebê. É importante que ele se apegue ao novo cuidador, pois édependente por natureza e precisa desse vínculo. A dependência natural é um fato biológico, e nãoresultado do excesso de mimo materno (5).Sendo creche, babá, parente ou outro cuidador, lembre-se sempre da disponibilidade emocional comorequisito para cuidar de seu filho, pois não é simplesmente suprir suas necessidades físicas, mas étambém dar amor, ter interesse e prover o afeto materno na ausência da mãe. Visite várias creches,procure locais onde dão colo, verifique se deixam os bebês o tempo todo em cadeiras, andadores ououtros aparatos. Se for esse o caso, é sinal que estão desprezando a importância do acolhimentoemocional no início de vida do bebê que é tão crítico e fundamental para o resto de nossas vidas.Para a criança não é suficiente que lhe troquem as fraldas e lhe deem comida. O mais necessário e nobrealimento é o afeto, acompanhado de carinho, prazer e paz (6).- Envolvimento de outra pessoa no ritual de sono: encoraje o pai, por exemplo, a participar do ritual desono do bebê desde cedo. Ele pode dar o banho e fazer uma massagem, por exemplo. Depois dos 3 -4meses, em média, se o bebê sempre adormece no peito, pode -se começar a alternar maneiras deadormecer para que ele não crie uma associação forte de sugar para dormir (7). Essa dica não éobrigatória considerando-se que os bebês têm capacidade de distinguir seus cuidadores (como citado noinício do texto) e vai aprender a adormecer de outra forma com quem µnão tem peitos¶. Existem criançasque dormem mamando com suas mães em casa e na escolinha adormecem de outra forma com ascuidadoras, sem problemas.
  3. 3. - Adaptação gradual: O bebê lidará melhor com essa separação se a adaptação for gradual, assim teráuma chance de criar um apego com o novo cuidador antes de separações longas de sua mãe. Para que onovo cuidador crie um bom apego com ele, criar chances de interação antes de deixá -los sozinhos éimportante.Recomendo sempre que a mãe vá junto com o bebê e fique com ele no novo ambiente o tempo todo, pelomenos no início. Assim ele vai se familiarizando com o local, mas com a segurança de ainda estar sob oscuidados da mãe. Depois a mãe pode ir se afastando um pouco, gradualmente, enquanto dá a chance deo bebê se apegar à nova cuidadora. Porém, não há receita pronta, é questão de observar a criança e tersensibilidade. A melhor qualidade que se pode esperar do cuidador é a empatia com o bebê. Novamente,oriente que lhe dê bastante colo, não o deixe chorar, mostre quais são os sinais de sono do bebê, deixeque ele durma as sonecas no colo para dar um consolo afetivo na ausência da mãe.- E se o bebê tem ansiedade da separação?Nos primeiros meses, a relação mãe e filho é altamente intuitiva, primitiva mesmo. O bebê não sabe quenasceu e acha que o corpo da mãe é continuidade do seu e que o seio que o alimenta e lhe dá carinho eprazer faz parte de um todo ao qual ele pertence. Então, gradualmente e após o sexto mês é que osbebês vão se dando conta de que são outros seres e essa percepção de individualidade fica mais clara eevidente. Assim, progressivamente, vai se estabelecendo o desenvolvimento psicoafetivo, motor,alimentar e cognitivo da criança (6).Algumas idéias práticas:Pratique separações rápidas e diáriasDurante seus dias juntos crie oportunidades de expor seu bebê a separações visuais breves, seguras erápidas (brincar de esconder o rosto e logo reaparecer é ótimo e eles adoram!). Incentive que seu bebêbrinque com um brinquedo interessante ou com outra pessoa e, quando ele estiver feliz e distraído com obrinquedo ou com a pessoa, caminhe calma e lentamente para outro quarto. Assobie, cante, murmureuma canção ou fale, de modo que seu bebê saiba que você ainda está por perto, mesmo que não possavê-la. Pratique essas separações breves algumas vezes ao dia numa variedade de situações diferentes.Evite a transferência de colo para coloÉ muito comum passar o bebê do colo de um cuidador para outro. O problema é que cria ansiedade nacriança sair da segurança dos braços da mãe e ser fisicamente transferido para os braços de outrapessoa que lhe é menos familiar. Essa separação física é a mais extrema na mente do bebê. Para reduziressas sensações de ansiedade faça a mudança com seu bebê num lugar neutro, como brincando nochão ou sentado numa cadeirinha, cadeirão de alimentação ou bebê conforto. Peça para o cuidadorsentar do lado de seu bebê e interagir com ele, enquanto isso você fala um µtchau¶ rápido, porém positivo,num tom feliz. Assim que você sair é um bom momento para o cuidador pegar seu bebê no colo, e avantagem é que o cuidador vai ser colocado na posição de µsalvador¶ e isso pode ajudá -los nessa relação.Entenda a ansiedade de separação como um sinal positivo!É perfeitamente normal - até maravilhoso - que seu filho tenha esse bom apego e que deseje essaproximidade com você e sua presença constante. Parabéns! Isso é a evidência de que o laço afetivo quevocê criou desde o início está seguro. Se for o caso, ignore educadamente as pessoas que te dizem ooposto.Relaxe em suas expectativas de independência, isso certamente irá ajudar seu bebê a relaxar também ea ter menos ansiedade nos momentos de separação entre vocês (8).- Lembre-se, o acolhimento na infância tem resultado positivo na vida adulta!Uma pesquisa recente (9) revelou que a afeição maternal dada aos bebês torna -os adultos mais bempreparados para enfrentar os problemas da vida. Cientistas compararam dados das relações de afeto eatenção e desempenho emocional de bebês de 8 meses com suas mães. Es as pessoas foram sacompanhadas e testadas aos 34 anos de idade sobre vários sintomas emocionais. Qualquer que fosse omeio social, ficou constatado que os bebês com bom apego emocional aos 8 meses tinham os níveis deansiedade, hostilidade e mal-estar mais baixos quando adultos. Isto confirma que as experiências naprimeira infância têm influências na vida adulta.D.W. Winnicot, um pediatra famoso que depois se tornou psicanalista diz que a capacidade de ser feliz deum ser humano depende, além de todos outros fatores, de um tempo (a infância até os seis anos, masprincipalmente o primeiro ano de vida), e de uma pessoa (uma mulher, a mãe). Se a mãe não está
  4. 4. presente, outro cuidador que entenda esses conceitos e que atenda as necessidades do bebê se faznecessário.É uma responsabilidade sim, de assustar! E é realmente intrigante que pessoas tenham filhos semsaberem nada disso, sem se darem conta da importância desse relacionamento profundo, do vínculonecessário que se forma nesse período, e quando as mães retornam ao trabalho fora de casa colocamcuidadores em seu lugar que somente cuidam da parte física (6).- Não ofereça mamadeira e nem desmame seu bebê: Com o retorno ao trabalho, muitas mães sepreocupam porque os bebês não aceitam a mamadeira e tentam todo tipo de bicos e leites artificiaisdiferentes. Às vezes até mesmo o pediatra sugere o desmame. É situação comum bebês que rejeitamveementemente a mamadeira, isso é sinal de inteligência, pois a primeira reação da natureza é mesmorejeitar outros tipos de alimentação que não o seio materno.Na verdade é um erro acreditar que o bebê precisa de uma mamadeira quando você retorna ao trabalho eque você deve acostumá-lo com antecedência. Se você treiná-lo a acostumar-se com uma mamadeira, oque provavelmente acontecerá é um desmame precoce por confusão de bicos. Sempre ouvimos umahistória ou outra de bebês que não desmamaram, mas esse risco é grande e não há como prever, então émelhor prevenir e alimentar seu bebê com um copinho.Além disso, é preciso citar que, mesmo com a oferta de leite materno ordenhado em uma mamadeira,muitos bebês rejeitam. Dr. González (10) explica esse fenômeno:³E a razão é que os bebês não são bobos. Se a mãe não está em casa e a avó vem com uma mamadeira(ou melhor ainda, com um copinho para evitar confusão de bicos), duas coisas podem acontecer.Primeiro, se o bebê não estiver com fome, ele provavelmente não aceitará nada. Ele vai compensar issoquando a mãe retornar. Muitos bebês dormem a maior parte do tempo quando estão distantes das mães,e então vão mamar à noite. A outra possibilidade é, se o bebê estiver com fome (e especialmente se tiverleite materno na mamadeira), ele poderá tomá-la e pronto. E ele deve estar pensando: µBem, ela não estáaqui, então é isso que eu tenho que fazer¶. Mas se a mãe está em casa e o bebê pode ver e sentir o peito,como ele vai aceitar um copinho ou mamadeira? Ele deve pensar: µMinha mãe deve estar louca, ela tem opeito aqui e quer me dar essa geringonça?¶ E ele insiste: µÉ o peito ou nada!¶ ´Se o bebê é novinho e não há possibilidade de ordenha de leite materno, pode tentar uma alimentação -semista, com a mãe amamentando antes e depois do trabalho e o bebê tomando leite artificial durante o dia.Muitas mães encontram soluções satisfatórias melhores que oferecer leite artificial: algumas levam seusbebês para o trabalho (se o ambiente permite), outras trabalham meio período, algumas conseguem queo bebê seja levado a elas para serem amamentados, outras ordenham e estocam seu leite. Se o bebê játiver mais de seis meses de idade, pode-se planejar que o bebê se alimente de comida na sua ausência,embora há de se ter cautela se forem os primeiros alimentos.A amamentação é parte essencial da vida do bebê até 2 anos no mínimo e auxilia na separação parcialentre mãe e filho quando ela retorna ao trabalho fora de casa. Pode-se planejar ordenha de leite maternoe continuação da amamentação nos períodos que mãe e filhos estão juntos. O desmame junto com oretorno ao trabalho pode ser bem traumático para o bebê (10):³Quando você sai para o trabalho (ou quando sai com o cachorro), o seu bebê não sabe onde você está equanto tempo você vai demorar. Ele ficará muito assustado e chorará como se você fosse deixá-lo parasempre. Vai levar alguns anos até que seu bebê seja capaz de ficar longe de você sem chorar e antesque ele entenda que a µmamãe vai voltar logo¶. Toda vez que você voltar, vai abraçá-lo, amamentá-lo e obebê pensará: µoutro alarme falso!¶. Mas se você retornar ao trabalho e tentar desmamá-lo abruptamentee ao mesmo tempo, quando você volta do trabalho, o bebê pede para mamar e você recusa, o que o bebêirá pensar? µEla me abandonou porque não gosta mais de mim.¶ Esse é o pior momento para odesmame.´- Então como fica a alimentação do bebê? Se você volta a trabalhar quando o bebê tiver menos de 1ano, planeje com antecedência como ordenhar (alugue ou compre uma bomba elétrica), estocar eoferecer o leite materno para o bebê. Veja orientações na referência 11. Use um copinho ou mamadeira-colher para oferecer o leite ordenhado e não mamadeira. Se ele tiver mais de 1 ano, pode alimentar-se desólidos e mamar quando estiverem juntos.- Tenha mente aberta para cama familiar: Alguns bebês passam a mamar à noite com mais frequênciapara compensar as mamadas perdidas durante o dia quando a mãe volta a trabalha fora. Isso é chamadoµamamentação em ciclo reverso¶ e é um mecanismo de sobrevivência de nossa espécie. Nesses casos,
  5. 5. praticar cama compartilhada e amamentar deitada pode ajudar a sacia as necessidade do bebê ao rmesmo tempo em que os hormônios da amamentação auxiliam mãe e bebê a adormecerem novamente(12-14). O bebê fica mais tranquilo ao saber que, mesmo passando o dia todo longe da mãe, à noiteestará com ela. A proximidade com o corpo materno sintoniza as pautas de sono do bebê com as da mãee regula o seu nível de excitação, temperatura corporal, o ritmo metabólico, níveis hormonais, ritmocardíaco, respiração e sistema imunológico, pois o efeito anti estresse do estreito contato físico libera -ocitocina, que fortalece o sistema imunológico do bebê (12-15).Nem todas as famílias adotam cama compartilhada por receio de ser difícil conseguir que a criança durmasozinha depois. A reflexão aqui é de que as necessidades mais intensas de pr ximidade se dão na oprimeira infância: bebês têm necessidade de proximidade com a mãe (15) e a cama compartilhadaresponderia a essas necessidades. Mais tarde, seria um outro momento, com o bebê com outra cognição,maturidade e evolução.Se a criança dorme longe dos pais à noite, fica longe durante o dia e, principalmente, se o bebê nãomama mais no peito (portanto não tem o contato íntimo da amamentação), precisa de algumacompensação afetiva e se beneficiaria da proximidade da cama familiar. O mesmo acontece se o bebêestiver em processo de angústia da separação, que se inicia entre 6 meses e vai até 2-3 anos, com -8altos e baixos.Quando os bebês sinalizam que precisam de contato corporal com os pais, mostrar empatia, entender eacolher é excelente, pois a criança que se recusa a dormir pode estar precisando de mais contatocorporal com o pai e a mãe. É uma necessidade primitiva da criança ter contato íntimo com a pele docorpo de outra pessoa enquanto adormece, mas isso se choca com todas as regras culturais que exigemque as crianças durmam sozinhas (16).- Procure seus direitos de licença maternidade de seis meses, negocie com o chefe, tire férias juntocom a licença, adie alguns planos, trabalhe meio período, procure um emprego mais flexível, procuretrabalhos que possa fazer em casa.Esses dois meses a mais fazem toda a diferença para a criança: a amamentação ex clusiva por 6 mesesdiminui o risco de alergias (17), dermatite atópica (18), asma (19), infecções gastrointestinais (20),doenças contagiosas (21), otite média, infecções respiratórias agudas, gastroenterite, infecções urinárias,conjuntivite e candidíase oral (22). A introdução de alimentos aos 6 meses é feita na hora ideal, quando obebê já tem capacidade fisiológica para assimilar os alimentos novos (23). Muitos bebês têm reaçõesindesejadas com a introdução de alimentos antes dos seis meses, como prisão de ventre, refluxo, cólicase é claro que tudo isso atrapalha o sono. Se não tem outra solução, invista na ordenha, estoque eoferecimento de leite materno para o bebê até os 6 meses. Veja na referência 11 como ordenhar eestocar o leite materno e utilize um copinho ou mamadeira-colher para oferecer ao seu bebê. Muitasmães que trabalham podem e devem investir na amamentação exclusiva por 6 meses e esse trabalhotodo compensa.- Lidando com a separação: entenda a reação do bebê e mostre empatia (apesar do cansaço): sua voltaao trabalho e afastamento é algo bem complicado para um bebê, porque é você a mãe dele, você éinsubstituível da forma que você é para seu filho. Outros cuidadores irão criar vínculos afetivos com seubebê, mas a mãe tem outro peso. Entenda a amamentação em ciclo reverso como uma forma decompensação afetiva. Entenda e acolha as necessidades do bebê (que são simples, mas são intensas,de muito contato íntimo, colo, peito). Esse acolhimento é essencial para o desenvolvimento de suaautoestima no futuro.O padrão de sono do bebê com outro cuidador pode mudar e essa mudança pode interferir no sononoturno. O bebê cansado (caso não tire boas sonecas na escolinha, por exemplo) está secretando maiscortisol, que causa agitação fisiológica, irritação e dificuldades de adormecer. A exaustão écontraproducente com o sono, pois quanto mais exausto, mais lutará contra o sono e mais acordará ànoite. Se as sonecas estão muito curtas na escola é comum que o sono noturno também sejainfluenciado. Orientar as cuidadoras a esticarem as sonecas, explicar a importância das sonecas durarempelo menos 1 hora para serem restauradoras, usar algum barulho estático ao fundo para ajudar nassonecas são atitudes que você pode tomar.Dra. Andréia C. K. MortensenReferências:1- A natureza do sono dos bebês:http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/a_natureza_do_sono_do_bebe.htm
  6. 6. 2- William Sears, Martha Sears, Robert Sears, James Sears. The Baby Sleep Book: The Complete Guideto a Good Nights Rest for the Whole Family. Little, Brown and Company; 1 edition, 2005.3- Haley DW, Cordick J, Mackrell S, Antony I, Ryan-Harrison M. Infant anticipatory stress. Biol Lett. 2010Aug 25.4- Sears, W. A ciência diz: choro prolongado no bebê pode ser prejudicial ao desenvolvimento cerebral -http://www.askdrsears.com/html/10/handout2.asp5- Bowlby, J. Attachment [Vol. 1 of Attachment and Loss]. London: Hogarth Press; New York, BasicBooks; Harmondsworth, UK: Penguin. 1982.6- José Martins Filho. A Criança Terceirizada. Os descaminhos das relações familiares no mundocontemporâneo. Editora Papirus, 2007.7- Pantley, E. Soluções para noites sem choro. Editora M Books, 2005.8- Pantley. E. No-Cry Separation Anxiety Solution: Gentle Ways to Make Good-Bye Easy from Six Monthsto Six Years. Editora McGraw-Hill, 2010.9- Maselko J, Kubzansky L, Lipsitt L, Buka SL. Mothers affection at 8 months predicts emotional distressin adulthood. J Epidemiol Community Health. 2010 Jul 26.10- Carlos González. My Child Wont Eat!: How to Prevent and Solve the Problem (La Leche LeagueInternational Book). 2005.11- Extração e Conservação do Leite Materno: http://www.aleitamento.com12- McKenna JJ, Why babies should never sleep alone: a review of the co-sleeping controversy in relationto SIDS, bedsharing and breast feeding, Paediatr Respir Rev. 2005 Jun;6(2):134-52.13- McKenna JJ, Mosko SS, Richard CA. Bedsharing promotes breastfeeding. Pediatrics. 1997 Aug;100(2Pt 1):214-9.14- Mosko S, Richard C, McKenna J, Drummond S, Mukai D.; Mosko S, Richard C, McKenna J. Maternalsleep and arousals during bedsharing with infants. Sleep. 1997 Feb;20(2):142-50.15- Margot Sunderland, The Science of Parenting. DK Publishing Inc. 2006.16- Freud, Anna: Infância normal e patológica: Determinantes do Desenvolvimento, 4ª. ed., Ed.Guanabara, RJ: 1987.17- Anderson J, Malley K, Snell R. Is 6 months still the best for exclusive breastfeeding and introduction ofsolids? A literature review with consideration to the risk of the development of allergies. Breastfeed Rev.2009 Jul;17(2):23-31. Review.18- Yang YW, Tsai CL, Lu CY. Exclusive breastfeeding and incident atopic dermatitis in childhood: asystematic review and meta-analysis of prospective cohort studies. Br J Dermatol. 2009 Aug;161(2):373-83. 2009 Feb 23. Review.19- Fiocchi A, Assaad A, Bahna S; Adverse Reactions to Foods Committee; American College of Allergy,Asthma and Immunology. Food allergy and the introduction of solid foods to infants: a consensusdocument. Adverse Reactions to Foods Committee, American College of Allergy, Asthma andImmunology. Ann Allergy Asthma Immunol. 2006 Jul;97(1):10-20; quiz 21, 77.20- Kramer MS, Kakuma R. Optimal duration of exclusive breastfeeding. Cochrane Database Syst Rev.2002;(1):CD003517. Review.21- Duijts L, Jaddoe VW, Hofman A, Moll HA. Prolonged and exclusive breastfeeding reduces the risk ofinfectious diseases in infancy. Pediatrics. 2010 Jul;126(1):e18-25. 2010 Jun 21.
  7. 7. 22- Ladomenou, F., Moschandreas J., Kafatos A., et al. Protective effect of exclusive breastfeedingagainst infections during infancy: a prospective. Study. Arch Dis Child. Published online September 27,2010.23- Kramer MS, Kakuma R. The optimal duration of exclusive breastfeeding: a systematic review. Adv ExpMed Biol. 2004;554:63-77.Esta página foi publicada em: 10/11/2010.A natureza do sono do bebêApós a leitura do artigo "O mau sono do filho pode ser culpa dos pais", publicado no site Guia do bebêem 03/03/2010, gostaria de fazer alguns comentários.O artigo ressaltou que a raiz de muitos problemas de sono estaria no fato de os pais auxiliarem seusbebês a adormecerem e concluiu que eles deveriam ser treinados a fazê-lo sozinhos.Tenho algumas críticas a esse raciocínio:PRIMEIRO, é importante entender que essa inabilidade do bebê de adormecer sozinho, sem ajuda, é desua natureza. Antes de 2 ou 3 anos não há maturidade neurológica para tal. Então, ao treinar um bebê aadormecer sozinho estamos passando por cima de sua natureza do desenvolvimento, que acontece emfases, em um aprendizado longo e complexo. A matéria parte do princípio de que é preciso condicionar osbebês a não solicitarem aconchego à noite mesmo quando tivessem necessidade, como se umaexigência para um bom sono bom seria apressar a independência do bebê.SEGUNDO, as funções do choro, do embalo e do apego devem ser levadas em consideração.O choro - No início da vida, o choro tem um amplo espectro de funções: bebês choram por fome,necessidade de contato físico, frustração, outras necessidades físicas e emocionais. O choro defrustração não pode ser considerado falso por não apresentar uma razão física visível. Experimentosclássicos mostraram que simplesmente pegar o bebê no colo funciona perfeitamente como uma forma deparar o choro, ainda que eles estivessem famintos (1,2). O choro atendido pelos pais tem importânciafundamental para a formação de vínculos e estabelecimento do laço afetivo familiar (3).O embalo - O bebê precisa ter confiança máxima, conforto, segurança e outros sentimentos maiscomplexos em quem lhe está adormecendo, que levam ao relaxamento relaxamento físico e mental. Amãe acalenta o bebê com um embalo ritmado, lento, afagos leves e ao som de uma melodia delicada esussurrante de sua voz, e com isso o bebê se entrega e adormece. Deve -se lembrar também queembalar o bebê lhe confere estímulos sensoriais necessários ao estabelecimento do tônus muscular.O apego - O colo e o apego, em conjunto com o embalo e a amamentação, são fatores críticos para acontinuação do desenvolvimento do bebê fora do útero materno. O bebê humano nasce em desamparo edependência quase absoluta e necessita ser visto e ouvido por sua mãe ou por outra figura de apegoprimário, de quem procura e espera uma relação recíproca, na qual seus próprios sentimentos iniciais sãoretribuídos (4). O bebê come amor como se fosse comida e também a sensação de estar rodeado,contido, visto e seguro (5).Uma criança que se agarra a um adulto não está sendo mimada nem querendo chamar atenção, mas simestá tentando reduzir o seu alto grau de excitação física e seus elevados níveis de substâncias químicasestressantes, como o cortisol e, ao mesmo tempo, tenta ativar as compostos químicos cerebrais queproduzem sentimentos de bem-estar, como a ocitocina. Sua mãe é sua base neuroquímica infalível.Obrigar a criança a ser independente antes de ela estar geneticamente madura para tal é uma provávelcausa do surgimento de um apego prolongado, enquanto que a criança que recebeu o cuidado amorosoprotetor com sua dependência natural reconhecida estará apta a aperfeiçoar suas potencialidadesprimitivas de crescer, integrar-se, adaptar-se às exigências do ambiente, desenvolver outras relaçõesinterpessoais, habilidades sociais, de convivência e aceitação do outro e de preservar a vida.TERCEIRO, técnicas conhecidas como choro controlado e variações em que o choro do bebê é ignoradonão oferecem garantias de noites de sono ininterruptas. Tal fato foi, inclusive, revelado em uma pesquisa
  8. 8. recente na qual, apesar de 69% dos pais acreditarem que essa técnica funcionaria, somente 1/6 dos paisdisseram que ela eliminou completamente os despertares noturnos. (6)Ainda, pesquisas revelam que quando a crian cumpre um ano, as mães que haviam atendido çarapidamente o seu choro, tinham filhos que choravam muito menos que aquelas que haviam optado pordeixá-los chorar (7).QUARTO, é mito que bebês que são treinados a dormir a noite toda nunca mais acordariam. O bebêmuda constantemente conforme seu desenvolvimento e isso interfere em seu sono. Então, é falaciosa aprescrição de soluções eternas para que a criança dormir a noite toda, porque sempre que há mudançasem sua vida (como entrada em escolinha ou mudança de professora, um atrito com amigo na escola,mudança para nova casa, férias, doença, saltos de desenvolvimento e outros) há provavelmente umacausa emocional para a mudança no padrão de sono. Nesses casos, é hora de direcionar todas asatenções a seu filho para que se sinta emocionalmente seguro de as boas noites de sono voltarão.QUINTO, a pesquisa citada (publicada originalmente em 2009 na revista "Child Development") tem falhasmetodológicas e erros de abordagem que não foram citados. Somente 85 famílias foram entrevistadas eisso torna a amostragem não significativa. Além disso, o texto não deixa claro qual foi a porcentagem realde casais que se adequaram às conclusões do grupo (se a margem de diferença for muito baixa, o estudodeve ser refeito com grupo de amostragem mais amplo).Os próprios autores concluem no final do artigo que, pelo fato de os dados serem baseados em amostrasnão-clínicas, todas as implicações clínicas devem ser melhor examinadas adiante, em condições clinicas.Os autores ainda discutem que os dados devem ser melhor explorados em outras culturas e em amostrascom mais variados status socioeconômicos para testar sua valia em ambientes que tenham diferentesexpectativas, filosofias e valores em se tratando de práticas de educação dos filhos em geral e do sonodos bebês em particular.Portanto, a abordagem dos pesquisadores passou por uma linha de pensamento que não consideradiferentes culturas, crenças e individualidades. Os pesquisadores concluem que todas essas sãocaracterísticas limitam a generalização dos resultados. Ainda mais, as associações relatadas entre o sonoe cognições maternas foram baseadas em percepções subjetivas e podem ter sido influenciadas pelavariância do método compartilhado.Esses aspectos não foram incluídos no artigo que, portanto, não relatou com acuidade o que foi descritona pesquisa.FINALMENTE, o artigo publicado continua a oferecer problemas na parte Avisos de hábitospossivelmente perniciosos ao sono.Alimentá-lo fora do horário? Não é possível, posto que o bebê pequeno precisa mamar em livre demandapara garantir que tenha todas suas necessidades de nutrição e também de sucção não nutritiva saciados.Não há conselho mais prejudicial para o estabelecimento e continuidade da amamentação e,consequentemente, para a saúde dos bebês, do que amamentar com horários predeterminados.O artigo condena que o bebê durma com seus pais. As conclusões do artigo não consideram basesantropológicas, culturais e tampouco fisiológicas.O co-leito ou cama compartilhada é algo praticado desde os primórdios da raça humana. A necessidadedo bebê humano de estar em contato físico com a mãe vem dos tempos em que o ambiente era perigosoe a sobrevivência dependia de contato direto com sua mãe. Somos parte dessa descendênci Além a.disso, a cama compartilhada é comprovadamente de auxílio para estabelecimento da amamentação etem efeitos positivos no estabelecimento de ritmos respiratórios, na regulação de padrões de sono, dataxa metabólica, de níveis hormonais, da produção enzimática (ajudando na habilidade do bebê de lutarcontra doenças), na taxa de batimentos cardíacos e no sistema imune (8, 9, 10). Pode também ajudar aatender necessidades emocionais do bebê e da criança mais facilmente, levando em consideração ospicos de crescimento, a crise de ansiedade de separação que se inicia por volta dos 8 meses e outrasfases que vão além do primeiro e segundo ano de vida, nas quais o contato íntimo com a mãe faz toda adiferença.Portanto, ter um conceito previamente fechado, contrário a um arranjo de sono, pode dificultar a família alidar com as necessidades que o bebê e a criança manifestem.
  9. 9. ALGUMAS RECOMENDAÇÕES QUE EU DARIA AOS PAIS SERIAM:- Investigue em que lugar o bebê dorme melhor: na mesma cama com os pais, no berço em outroquarto, no berço no mesmo quarto porém distante da cama do casal, no berço no mesmo quarto junto àcama? E onde você dorme melhor? Finalmente, onde você gostaria que seu bebê dormisse? A gama devariações possíveis é grande, pode-se tentar alguns dos arranjos até descobrir como toda a família dormemelhor.- Alterne maneiras de auxiliar o bebê a adormecer, nem sempre mamando (a não ser nas primeirassemanas quando é impossível manter um bebê acordado após as mamadas), nem sempre embalando,às vezes peça para papai entrar na jogada! Ao aprender que pode adormecer de várias formas, é menosprovável que o bebê faça associações fortes de sono que podem levá-lo a requerê-las no meio da noite.- Reconheça os sinais de sono do bebê: esfregar olhos, bocejar, diminuir atividades, ficar irritado, olharparado, chorar, em alguns casos, gritar. Crie rotinas de acordo com o cansaço e a necessidade de sonoda criança (que vai mudando conforme a maturidade), ou seja, uma sequência simples de eventos queajude a criança a identificar que a hora do sono está por vir.- As sonecas são importantíssimas para o desenvolvimento do bebê e para o sono noturno. Aocontrário do que se pode pensar, um bebê exausto luta contra o sono e tem dificuldades de permaneceradormecido. Para serem restauradoras, as sonecas diurnas devem durar pelo menos 1 hora, em média,para bebês maiores de 4 meses. Se o bebê não dorme espontaneamente esse tempo e acordaaborrecido, precisa de ajuda para prolongar as sonecas. Você pode usar um sling e deixar o bebê dormirnele. Se ele dorme em berço ou cama, preste atenção: quando acordar, tente colocá para dormir -lonovamente o mais rápido possível. Às vezes, ficar por perto para intervir antes de o bebê acordarcompletamente é aconselhável. Esse processo pode ser demorado, mas vale a pena, pois o bebê vaiaprendendo a emendar ciclos de sono e tirar sonecas mais longas, que são importantes para um bomsono noturno também.Dra. Andréia C. K. MortensenReferências1- Wolff, P.H. 1987. The development of behavioral states and the expression of emotion in early infancy:New proposals for investigation. Chicago: University of Chicago Press. (1987).2- Our Babies, Ourselves. How biology and Culture shape the way we parent. Meredith F. Small. AnchorBooks. (1998).3- Tocar: o Significado Humano da Pele. Ashley Montagu. Ed. Summus. (1988).4- Bowlby, J. (1969,1982) Attachment [Vol. 1 of Attachment and Loss]. London: Hogarth Press; New York,Basic Books; Harmondsworth, UK: Penguin (1971).5- Babies and Their Mothers : D.W. Winnicott. Merloyd Lawrence. ( 1996).6- Lynn Loutzenhiser, Regina Leader-Post. Have you been awake all night, trying desperately to put yourchild back to sleep, or does your little one sleep like a baby? The study is being done in collaboration witha contributing editor to Todays Parent magazine. The survey can be found athttp://uregina.ca/~loutzlyn/Research.html. (2009).7- Margot Sunderland, The science of parenting. DK Publishing Inc. (2006).8-J. McKenna et al., Bedsharing Promotes Breastfeeding, Pediatrics 100, no. 2: 214-219. (1997).9- J. McKenna et al., "Sleep and Arousal Patterns of Co -Sleeping Human Mother-Infant Pairs: APreliminary Physiological Study with Implications for the Study of the Sudden Infant Death Syndrome(SIDS)," American Journal of Physical Anthropology 82, no. 3, 331-347 (1990).10- A Reasonable Sleep. Evolution suggests that if we sleep with our babies, we might help some of themescape sudden infant death syndrome. By Meredith F. Small DISCOVER 13:4. Medicine. (1992).Esta página foi publicada em: 18/03/2010.
  10. 10. SaúdeA pior dor do mundo? EsqueçaMédico americano preconiza que a mulherpode e deve tomar anestesia desde o começodo trabalho de parto e ter seu bebê sem sofrimento Christina Simons/Corbis/Latin StockDepois de horas e horas de dor indescritível, o bebênasce, perfeito, e a mãe esquece tudo o que passou.Comovente, mas não obrigatório: segundo o anestesistaamericano Gilbert Grant, autor do livro Enjoy Your labor± A new approach to pain relief for childbirth (Aproveite oparto ± uma nova abordagem do alívio da dor nonascimento), o uso de anestesia peridural durante todo otrabalho de parto, em doses que aumentam junto com ador, é perfeitamente viável ± ele aplica o método háquinze anos ± e permite dar à luz com sofrimento zero.No Brasil, apesar do número recorde de cesáreas, aprática do parto normal realmente sem dor, comanestesia do princípio ao fim, é pouco aplicada. O temorà dor do parto é um dos motivos que incentivam aprática das cesarianas ± no sistema privado de saúde,elas chegam a 80% dos nascimentos. No outro extremo,persiste a idéia de que tudo o que é natural éobrigatoriamente desejável, o que leva à busca demétodos exóticos como o parto na água, à luz de velasou, como num caso recente no Rio de Janeiro, ao som dos trinados de um cantorlírico ± em geral sem uma gota de anestesia. "Ainda existe muito preconceito emrelação a fazer a analgesia da paciente assim que ela começa a sentir dor", dizMarcelo Torres, diretor médico da Pro Matre e professor da Faculdade de Medicinada Universidade de São Paulo, sobre o método preconizado por Gilbert Grant.Baseado no Langone Medical Center da Universidade Nova York, o anestesista falouà repórter Bel Moherdaui sobre o peso dos fatores culturais que associam o parto àdor e defendeu vigorosamente a sua especialidade.Como funciona ± Logo que a mulher chega ao hospital, aplicamos uma dose bemleve da anestesia; conforme a dor aumenta, damos doses extras. Mesmo que oparto demore várias horas, não há problema algum. A anestesia peridural pode seraplicada até ao longo de vários dias, tanto quanto for preciso. Acreditava -se que sea mulher fosse anestesiada antes de alcançar 4 centímetros de dilatação aprogressão do parto cairia. Mas há pelo menos três anos sabemos que, pelocontrário, a dilatação pode até aumentar com a anestesia. Acredito que no futurotodas as parturientes vão receber anestesia antes de sentir dor. Mas é difícil mudaralgo tão arraigado culturalmente. "O parto na água não é uma Floris Leeuwenberg/Corbis/Latin Stock boa idéia para humanos"
  11. 11. Herança atávica ± Ao longo de 25 anos de prática da medicina, pude observarque o desejo de enfrentar o parto sem anestesia decorre, principalmente, dacobrança cultural. Na origem disso, muitas vezes de forma inconsciente, está areferência religiosa, com a menção bíblica ao sofrimento no parto como castigocoletivo às mulheres porque Eva pecou no Jardim do Éden. Existe muita pressão dasociedade, dos amigos, dos parentes. Espera-se que elas agüentem a dor do parto,porque isso é natural. Tenho certeza de que, se os homens dessem à luz, essadiscussão nem existiria. No meu livro falo que, evidentemente, ninguém pensariaem fazer uma cirurgia de remoção do apêndice sem anestesia. Se todas asmulheres soubessem quanto podem se beneficiar da anestesia peridural no partonormal, um número muito maior optaria por ela. O maior problema é a falta deinformação, a ignorância. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi, depois do parto,a paciente dizer: "Se eu soubesse, não teria esperado tanto". Sabemos que a dordo parto é a pior que a mulher vai sentir em toda a sua vida e que a peridural écapaz de eliminar essa dor. Mas parece que há mulheres que não querem acreditarnisso.O tamanho da dor ± A comparação mais comum é com a dor da pedra nos rins.Para um homem, é muito difícil imaginar. Aliás, para a mulher também. O maispróximo nelas é a cólica menstrual, mas a dor do parto é 100 vezes mais forte,então não é uma comparação muito justa. Ressalve-se que a dor é um fenômenototalmente subjetivo. Depende da pessoa que está sentindo. Na Índia, há quemande sobre brasa e não sinta nada. Temos de deixar cada indivíduo decidir quandoa dor se torna desconfortável. Eu, pessoalmente, prefiro não senti r. Se entrasse emtrabalho de parto, não ia querer dor alguma. Mas muitas mulheres querem aexperiência completa, como era no começo dostempos. Divulgação
  12. 12. Benefício zero ± Sentir dor não tem vantagemnenhuma e ainda pode ser perigoso. Além dosofrimento em si, há efeitos fisiológicos e psicológicos.Quando se sente muita dor, as veias se estreitam, oque diminui o fluxo de sangue para a placenta;conseqüentemente, o bebê recebe menos sangue.Algumas pesquisas mostram que as mulheres sob dorintensa acabam desenvolvendo mais problemaspsicológicos depois do parto, como depressão e stresspós-traumático, a doença dos veteranos de guerra. Aexperiência pode deixar marcas profundas.Segurança ± A anestesia peridural é muito segura. Éclaro que podem acontecer problemas, como em tudona medicina. Mas existe maior probabilidade de algumacoisa dar errado quando a paciente está a caminho dohospital do que de haver algum problema co m a AMPLA E IRRESTRITAperidural. Cerca de 1% das pacientes tem dor de Grant: "Sentir dor não tem vantagem nenhuma"cabeça muito forte, mas isso é tratável. Também épossível ocorrer queda da pressão arterial da mãe, o que afeta o bebê, mas asprovidências são rápidas e eficientes. No hospital em que trabalho, jamaisaconteceu de mãe ou bebê morrerem por causa da anestesia.Experiência pessoal ± Tenho três filhas lindas. As três nasceram de cesariana. Setivesse sido parto normal, minha mulher teria recebido anestesia da mesmamaneira. Não deixo nenhuma mulher que eu conheça e ame ter filho sem peridural.Já vi milhares de mulheres dar à luz e conheço bem a diferença.Relaxamento perfeito ± Não existe melhor técnica de relaxamento do queeliminar a dor no processo. Sem dor, a parturiente consegue respirar, ler umarevista, sorrir. As celebradas técnicas de respiração até ajudam a relaxar umpouco, mas não se comparam ao alívio dado pela medicação. Sem falar que amulher que não consegue respirar como aprendeu no curso pré-natal por causa dador muitas vezes se sente frustrada consigo mesma. Recentemente, uma pacienteminha tentou o parto normal dur ante horas, inclusive com peridural a partir decerto ponto, mas não conseguiu e foi preparada para a cesariana. Quandoperguntei como se sentia, respondeu: "Eu sou um fracasso". Ela estava a minutosde ter um bebê lindo e não conseguia viver a beleza do momento pelo excesso derigor consigo mesma.Dose certa ± O grande passo aconteceu com o aperfeiçoamento da anestesiaperidural. Isso foi possível com o uso de diferentes drogas combinadas para tirar ador e manter a consciência. Pudemos dosar melhor a quantidade de cadamedicamento, aliviando a dor e reduzindo muito os efeitos colaterais. E a grandevantagem da peridural é que ela tira a dor, mas não a capacidade de fazer forçapara ajudar o bebê a sair, até porque a mulher não está totalmente exausta por terpassado horas e horas sofrendo.Na hora H ± Geralmente, a presença do pai ajuda a dar apoio emocional à mãe.Mas eles sofrem muito com a dor delas. Se a mulher opta pela anestesia desde ocomeço, o marido também se sente muito aliviado.Parto na água ± É fantástico para peixes. Para os humanos, não acho uma idéiatão boa.
  13. 13. PM Images/Getty Images "Quando se sente muita dor, as veias se estreitam, o que diminui o fluxo de sangue para a placenta. O bebê recebe menos sangue. Além disso, há o risco de mais problemas psicológicos no pós-parto"

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