Mediação em ação 97 2003

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Mediação em ação 97 2003

  1. 1. Mediação em AçãoANTUNES, Cláudia Rejane D. Modos de Ler In: Letras de Hoje,Porto Alegre, v.37. n.2. p. 11-23, junho 2002.Laelson José dos SantosEsta resenha é produzida baseada no ensaio da Doutora em Letras pela PUCRS,Cláudia R. D. Antunes em seu livro Letras de Hoje e descrita no capítulo Modos de Ler. Omesmo está distribuído em cinco tópicos nos quais a autora aponta suas reflexões sobre asformas modernas de leitura e escrita e compara com estudos de teóricos como Roger Chartier,Regina Ziberman e Marisa Lajolo.Dando início a sua produção, a autora apresenta aspectos históricos da oralidade,informando a ascendência da transmissão escrita até chegar à era tecnológica, ligando opensamento do desenvolvimento ao objeto em estudo: o interesse individual pelos meiosdisponíveis de leitura.No tópico sobre a “Materialização da leitura”, Antunes começa apresentando oabandono de um objeto de leitura tradicional usado até o início do século XVIII para aaquisição do novo, o impresso. A autora, também, aproxima-nos mais das novas formas deleitura que surgiram a partir do século XIX.É importante notar a maneira que ela trata o tema da leitura através de expressõescomo “... o ato de ler não se aplica apenas aos livros e a escrita tradicional, lemos o mundo, otempo inteiro.” (p.13) em que se entende a visão de leitura como “atribuição de sentidos”(Orlandi, p. 7). Essas atribuições são adquiridas em todas as nossas experiências de mundo etransmitidas através de termos catalogados por convenção que indicam o nome, ou signo,dessas percepções. A autora usa expressões de Chartier e diz: “... para o teórico, o mundoaparece sob a forma de texto (…) o leitor não é mero espectador passivo, pois interage numarelação dialética, com o discurso da sociedade, que o faz falar." (p.13).Não se pode deixar de concordar com a autora quando avaliamos seu pensamentosobre a maneira das novas tecnologias abrirem as oportunidades de encontrarmos objetos deleitura. Sobre isso ela diz: "Cada vez mais os espaços de leitura deixam os locais privados epassam a nos acompanhar nas vias públicas." Ela cita a expressão de Lajolo e diz: "... otranseunte da cidade passeia entre signos e símbolos que o advertem: ou me decifras ou tedevoro!".Não há como passar despercebido dessas impressões; o indivíduo da cidade realizatodo tipo de processo mental pelo qual se incorporam os dados das experiências aos esquemasde ação e aos esquemas existentes. Vemos isso, por exemplo, quando alguém pede parada aum motorista de ônibus, ao identificá-lo pela cor e às vezes, sem dominar o conhecimento daescrita ou da leitura de signos lingüísticos, os recursos atuais organizam todos os tipos deinformações de forma padronizada para facilitar o acesso a eles.Continuando, a autora também apresenta os instrumentos complementares surgidospara facilitar o hábito da leitura, ela cita Marshal McLuhan quando diz: “... cada tecnologia éuma extensão dos sentidos do homem; assim, a roda seria a extensão dos pés; os óculos, dosolhos;” (p.14), mas o mais interessante é a expressão sobre a mente: “... a última extensãoseria a simulação tecnológica da consciência, proporcionada hoje pela realidade virtual.”(p.14) Hoje sentiríamos muitas dificuldades se não houvesse essas extensões descritas porMcLuhan, principalmente com o ritmo de vida moderno.No tópico sobre a “Virtualização do texto”, Antunes inicia esclarecendo o termovirtual e atual mostra a semelhança deles e destaca suas diferenças, A autora apresenta Lévypara dizer que o texto sempre foi virtual, “O virtual existe em potência e não em ato; ele é
  2. 2. possível só lhe falta a existência (...) o texto sempre foi virtual, desde as suas origens, poistanto o autor quanto o leitor passam por processos de atualização de sentidos e significados."(p.15,16) Desta forma, entende-se que o indivíduo busca as percepções cotidianas paracodificar e comparar tudo a sua volta, assim recebendo muitas mensagens e realizandoleituras intrínsecas, ou virtuais, tornando-se mais proficiente que o leitor atual, ele precisa emum determinado momento se materializar, mostrando a necessidade de atualização. A autorachama este processo de "hipertexto informático", este sendo um processo de leitura, atravésde tecnologias, como o computador, complementa a leitura de mais signos. Neste ponto aensaísta reconhece a virtualização como uma nova forma de leitura que precisa ser maisdisseminada entre a comunidade e a sociedade.No tópico seguinte, Antunes discorre sobre as "Práticas leitoras" informando que asnovas formas de leitura já começam a apresentar diferentes comportamentos nos jovens, vistoque estes passam a ter uma nova forma de percepção de sentidos através da tela docomputador.A autora ressalta que pesquisas recentes realizadas pela instituição de sua formaçãoPUCRS, indicam alteração de comportamento dos jovens quando apresentado pela primeiravez ao uso do computador e afirma: “O processo cognitivo de leitura se constrói a partir dasseguintes variáveis: objeto de leitura, conhecimento prévio do conteúdo e das condições deprodução de texto, tipo de texto e estilo cognitivo do leitor." (p.17), mas, continua dizendo,são as metacognitivas que fazem parte do processo de domínio: "..pela consciência e pelaintenção de monitoramento sobre o processo por parte do leitor." (p.17). Sobre esta forma deleitura, passamos ao que diz a autora Magda Soares em entrevista a TV Escola:... o hipertexto começa onde o leitor decide, com um clic, começa a ler, etermina quando o leitor decide parar, por dar-se por satisfeito, ou por sesentir cansado... e é uma leitura multi-linear ou multi-seqüencial. o livro fazda escrita algo estável e controlado pelas instâncias produtoras: autor, editor,diagramador etc. No texto eletrônico, de certa forma volta-se a época dosmanuscritos, quando os escribas (indivíduo que tinha por profissão copiarmanuscritos; copistas) freqüentemente alteravam o que copiavam e leitoresacrescentavam texto nas margens... (p.38)Reconhecidamente a importância do computador precisa ser apresentada, todavia aorientação para a mediação deste objeto de leitura não pode ser excluída do sistema, pois setrata de mais uma estratégia metacognitiva, e conseqüentemente precisa ser conduzida.Todavia é necessária uma qualificação profissional dos condutores para intensificar apotencialidade dessa tecnologia nos alunos, pelo fato de eles estarem de frente a um mundo depossibilidades e, por vezes, deixadas no desuso já que não são dominadas pelos própriosmediadores do conhecimento.No ultimo tópico do seu ensaio, “Leituras para o imaginário”, Antunes procuraapresentar alguns teóricos que discutem o pragmatismo da escola tradicional. Informa o queGardner faz ao expor o poeta como o exemplo do domínio mais perfeito da linguagem emostra que esta, embora tenha uma clareza especial do seu funcionamento, não é a únicaforma de percepção da linguagem, as novas percepções podem com certeza individualizar opotencial e revolucionar o sistema educacional no Brasil.A autora conclui enfatizando a necessidade de capacitação do educador e diz que éprimordial para o processo, o preparo destes: "Para tanto, é preciso que os educadores seatualizem também nesse domínio." (p.21).Reconhecidamente a sociedade apresenta melhorias na aquisição de novas tecnologiase é importante ver as nossas escolas usufruindo delas. Entretanto, em meio a tantos recursospostos nas mãos dos educadores, observamos o despreparo destes para apresentá-los. O
  3. 3. mesmo processo vem de muito tempo, em que os responsáveis pela mediação do sabernegligenciam o compromisso com a sociedade. Entendemos que a diversificação de modos deinformação está deixando os indivíduos cada vez com o interesse mais profundo em conheceros segredos que envolvem o sistema atual. A juventude, principalmente, está descobrindonovas formas de comunicação e é nesse momento que o educador precisa intermediar oprocesso de aprendizagem entrando e entendendo essas novas formas de leitura para ter ummínimo de domínio dos códigos que os envolvem, só assim estará começando a participar doensino na nova era, a era tecnológica.ReferênciasORLANDI, Eni Pulcinelli. Discurso e literatura. São Paulo; Cortez, 1998.TV ESCOLA-nº 24-Agosto/setembro 2001 (Ministério da Educação-secretaria deEducação a Distância).http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/1825635http://estudandonarede.blogspot.com.br/2010/01/modos-de-ler-e-seus-suportes.html

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