Artigo hst md dp56 v.1

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Segurança e Saúde no Trabalho- MD

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Artigo hst md dp56 v.1

  1. 1. DENTALpro nº 5462 Artigo TécnicorVisitewww.dentalpro.pto E mbora o termo “burnout” possa ser des- conhecido para a maior parte das pesso- as, o seu significado com certeza não é estranho para ninguém. Esta expressão, que traduzida significa queimar por completo, é utilizada para definir situações em que o traba- lho põe em causa o bem-estar do trabalhador. Sendo um fenómeno comum às mais diversas profissões, o “burnout” resulta de uma crescen- te pressão profissional, aliada a um clima de insegurança e competitividade elevada. A psicó- loga social norte-americana Christina Maslach descreve-o como “uma síndrome patológica que resulta de um stress ocupacional prolonga- do. Esta síndrome do esgotamento profissional Higiene e Segurança no Trabalho
  2. 2. DENTALpro nº 54 63 rVisitewww.dentalpro.pto decorre de uma excessiva dedicação à ativi- dade profissional combinada com uma ele- vada obstinação para o sucesso e realização nesta área. Profissionais de saúde diversos, médicos, enfermeiros, polícias, bancários e professores são alguns dos profissionais mais afetados por este problema, por serem aque- les que mantêm uma interação constante com outras pessoas e que, muitas vezes, têm como função ajudar o próximo. Segurança e saúde no trabalho “Normalmente, estamos muito focados na- quilo que é urgente e esquecemo-nos daquilo que é importante”, explica a formadora Ma- nuela Domingues, alertando para a facilidade com que, no dia-a-dia, descuramos da saúde. Embora as matérias de segurança e saúde no trabalho sejam áreas de conhecimento gené- rico, é bastante frequente serem deixadas para segundo plano na organização quoti- diana. No entanto, a formadora da ??? alerta: “Se um colaborador não estiver bem, não pode reali- zar um bom trabalho”, pelo que “as matérias de segurança e saúde no trabalho são extre- mamente importante porque vão relem- brando estes pormenores que fazem a dife- rença em termos organizacionais”, sendo essencial haver essa perceção e proceder-se a essa reciclagem contínua. Foi com essa necessidade em mente que a Editora CódigoPro procurou alertar os seus trabalhadores para estas questões. Mas, é in- contornável colocar a questão: terão todas as empresas e mesmo os próprios colaboradores noção da importância de uma postura proac- tiva relativamente a esta temática? Ausência de prevenção Manuela Domingues nota que são muito pou- cas as ações de formação levadas a cabo sobre estes potenciais problemas. Embora durante das formações levadas a cabo nas empresas nacionais se refiram os acidentes de trabalho, as avaliações dos riscos, etc., geralmente não Sempre empenhada em manter a elevada qualidade dos seus serviços e zelar pelo bem-estar de todos os seus funcionários, a Editora CódigoPro organizou uma ação de formação em Higiene e Segurança no Trabalho, no sentido de alertar os seus trabalhadores para os perigos do trabalho em excesso e suas possíveis consequências. “Se um cola- borador não estiver bem, não pode realizar um bom traba- lho”
  3. 3. DENTALpro nº 5464 Artigo TécnicorVisitewww.dentalpro.pto é feita qualquer abordagem aos problemas psicossociais. “É sempre abordado tudo o que provoca aci- dente imediato e esquece-se aquilo que mata aos bocadinhos”, alerta a formadora. E são os problemas mais silenciosos, que atacam gra- dualmente, os mais difíceis de solucionar e os que deixam marcas mais profundas e frequen- temente irreversíveis. “Há depressões em que as pessoas caem de forma tão complicada, que depois não é fácil recuperarem e retoma- rem o seu trabalho”, explica. E as organizações também sofrem, porque depois “estes traba- lhadores não têm o desempenho e a produti- vidade que deveriam ter”. Consequências Manuela Domingues acredita que as empresas não têm noção dos efeitos causados pelo ex- cesso de trabalho e pressão porque “não con- seguem medir de forma fácil estes efeitos a nível económico”. Os responsáveis “não têm noção de que se um trabalhador teve um aci- dente de trabalho porque estava com stress ou não reagiu atempadamente porque estava esgotado, isso é culpa da organização porque não planeou e não fez uma boa gestão de todas as atividades”. É essencial, acrescenta, que haja essa perceção da responsabilidade face à saúde dos funcionários. Os próprios colaboradores normalmente só tomam consciência das consequências de tra- balharem até ao limite quando alguém pró- ximo é afetado. E todos perdem quando um elemento sofre com o excesso de trabalho e pressão. “Se não estivermos bem não conse- guimos desenvolver o nosso trabalho e a em- presa vai ter de funcionar com menos um trabalhador, ora porque este está de baixa ou porque teve um acidente de trabalho”, explica Manuela Domingues. Esta situação acarreta “custos elevados para as organizações, porque a formação de um bom trabalhador demora, em algumas situações, anos e a falta dele acaba por ter custos muitas vezes difíceis de medir”. Incidência na medicina dentária Em todos os estudos publicados sobre esta matéria, a classe médica é incontornavel- mente referida como uma das mais afetadas pelo “burnout”. Embora os pacientes muitas vezes encarem os seus médicos como infalí- veis, Manuela Domingues recorda que estes “sofrem todas as tensões ou mais que nós”, restantes profissionais. Hoje em dia, alguns fatores levam a que, den- tro desse grupo, haja cada vez mais médicos dentistas acometidos por estes sintomas. A formadora recorda a elevada concorrência entre as clínicas dentárias que, sendo cada vez mais, concorrem economicamente entre si, o que é mais um fator de stress para os médicos que exercem em clínicas privadas. Importa ainda lembrar, recorda, que as atuais reduções de custos no Sistema Nacional de Saúde implicam menos rendimentos por parte dos profissionais médicos, que assim procu- ram aumentar as suas receitas exercendo no privado. “Isso vai fazer com que haja uma competitividade elevadíssima que exija este esforço desmesurado dos profissionais da área”, conclui. Medidas preventivas Antes de mais, explica Manuela Domingues, é essencial “começar por cuidar o ambiente de trabalho e a organização do trabalho: são as duas questões essenciais”. O importante é que cada organização planeie as atividades e todas as tarefas sejam corretamente distribuídas pelos colaboradores. Adicionando uma boa cultura de comunicação, tudo o resto acaba por funcionar de forma mais harmoniosa. “Assim, os trabalhadores sentem-se motiva- dos, trabalham em equipa e as coisas resol- vem-se de forma muito mais fácil”, conclui a formadora. ●

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