SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 7
OS VALORES E A ACÇÃO: A QUESTÃO DA
OBJECTIVIDADE E VERDADE DAS NORMAS E
          DOS JUÍZOS MORAIS.


        O SUBJECTIVISMO MORAL
      A cada indivíduo a sua verdade
Subjectivismo Moral




                O Subjectivismo moral (SM)

        O subjectivismo moral também afirma que há verdades
morais mas rejeita o Relativismo Moral Cultural porque considera
que a verdade é relativa ao indivíduo, às suas crenças, sentimentos e
gostos. Ninguém pode dar lições de moral a ninguém. A cada qual a
sua verdade e assim deve ser. Uma vez que reina a discórdia entre os
seres humanos acerca de questões morais, o subjectivista não admite
que alguém tenha o direito de julgar no lugar dos outros o que é certo
e errado. Cada um de nós, baseado nos seus sentimentos e gostos é
capaz de distinguir o certo do errado. Ninguém é melhor do que os
outros em assuntos morais sendo ilegítimo querer impor a sua
perspectiva aos outros.
Subjectivismo Moral

  Pode assim perceber que o SM rejeita o RMC. Com efeito, este
consiste na ideia de que a maioria dos membros de uma sociedade é
que determina o certo e o errado em termos morais. Para o
subjectivista moral é inadmissível que a maioria dos membros de
uma cultura tente impor aos outros as suas concepções morais
porque nenhum de nós possui a verdade absoluta sobre estes
assuntos. Não há princípios e normas morais a não ser os que cada
indivíduo escolhe para si mesmo.
  O subjectivismo moral é uma forma de relativismo segundo a qual
cada indivíduo responde às questões morais baseado no seu código
moral pessoal e não pode estar errado se os seus juízos
corresponderem aos seus sentimentos. Os nossos juízos morais
baseiam-se nos nossos sentimentos e como os sentimentos são
subjectivos nenhum juízo moral é objectivamente certo ou errado. É
também denominado relativismo individual.
Subjectivismo Moral

Suponhamos que o João diz que é correcto matar
animais para comermos a sua carne e o Miguel diz
que esse acto é moralmente reprovável além de
desnecessário. Se adoptarmos o subjectivismo
ético, como avaliaremos estas duas teses? Segundo
o subjectivismo ambos os juízos morais são
verdadeiros porque cada um está em conformidade
com os princípios em que cada um dos indivíduos
acredita. Uma vez que João aceita o princípio de
que matar animais para os comer não é
incorrecto, o seu juízo é verdadeiro para ele. Como
Miguel tem como princípio moral pessoal que é
errado matar animais para esse fim, o seu juízo
também é verdadeiro. Para o subjectivismo moral
não tem sentido perguntar quem está errado acerca
da correcção ou incorrecção moral de matar
animais para os comer. A cada qual a sua opinião de
acordo com aquilo em que acredita e em nenhum
caso o juízo moral de uma pessoa é mais correcto
ou razoável do que o de outra.
Subjectivismo Moral


       Será esta uma boa resposta ao problema?

As principais críticas ao Subjectivismo Moral:

1. O subjectivismo ético é contraditório ou auto-refutante
O subjectivismo moral afirma que nenhuma perspectiva moral
é mais verdadeira ou melhor do que outra. Mas como o
subjectivismo é também uma perspectiva moral então não é
melhor do que qualquer outra. Contudo, os subjectivistas
acreditam que o absolutismo moral e a crença na existência de
verdades objectivas em ética são perspectivas erradas. Estamos
perante uma contradição.
Subjectivismo Moral


2. O subjectivismo moral torna inviável a discussão de
questões morais.
 O subjectivismo moral parece sugerir que não podemos dizer que
as opiniões e juízos morais dos outros estão errados. Se as verdades
morais dependem dos sentimentos de aprovação ou de
desaprovação de cada indivíduo basta que os nossos juízos morais
estejam de acordo com os nossos sentimentos para serem
verdadeiros. Um genuíno debate moral em que cada interlocutor
tente convencer o outro das suas razões acerca de algo em que
acredita perde qualquer sentido. Para o subjectivista será mesmo
sinal de intolerância.
Subjectivismo Moral

Imaginemos que João defende que o aborto é
errado e que Maria defende que o aborto é
moralmente        aceitável.     Segundo         o
subjectivista, eles não estão realmente em
desacordo sobre se o aborto é ou não moralmente
legítimo. Estão simplesmente a exprimir os seus
sentimentos sobre a moralidade do aborto. Será
perda de tempo que um tente convencer outro de
que     está   enganado.      Se    João    sente
verdadeiramente que o aborto é errado, ou seja, se
desaprova fortemente essa prática, então esse
juízo é verdadeiro. Se o seu ponto de vista
corresponde     ao    que     sente    então     é
subjectivamente certo. O mesmo se passa com
Maria. Não faz sentido debater ou discutir porque
será conversa de surdos. Cada qual exprime
gostos diferentes e julga que gostos não se
discutem. O que é verdade para ti é verdadeiro e o
que é verdade para mim é verdadeiro e ponto
final.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Relativismo e Subjetivismo Moral
Relativismo e Subjetivismo MoralRelativismo e Subjetivismo Moral
Relativismo e Subjetivismo MoralJorge Lopes
 
Será a ética relativa algumas actividades (2)
Será a ética relativa   algumas actividades (2)Será a ética relativa   algumas actividades (2)
Será a ética relativa algumas actividades (2)Luis De Sousa Rodrigues
 
Mandamentos Divinos
Mandamentos DivinosMandamentos Divinos
Mandamentos DivinosBruno Pedro
 
Subjectivismo Moral
Subjectivismo MoralSubjectivismo Moral
Subjectivismo MoralBruno Pedro
 
Rm vs objetivismo moral
Rm vs objetivismo moralRm vs objetivismo moral
Rm vs objetivismo moralIsabel Moura
 
Juízo de fato e Juízo de valor
Juízo de fato e Juízo de valorJuízo de fato e Juízo de valor
Juízo de fato e Juízo de valorDanilo Pires
 
Valores subjetivos objetivos
Valores subjetivos objetivosValores subjetivos objetivos
Valores subjetivos objetivosPedro Mota
 
Universalismo e relativismo cultural - Artigo
Universalismo e relativismo cultural - ArtigoUniversalismo e relativismo cultural - Artigo
Universalismo e relativismo cultural - ArtigoDJUERN
 
Filosofia: Quem precisa dela? - O Objetivismo de Ayn Rand
Filosofia: Quem precisa dela? - O Objetivismo de Ayn RandFilosofia: Quem precisa dela? - O Objetivismo de Ayn Rand
Filosofia: Quem precisa dela? - O Objetivismo de Ayn RandBreno Brito
 
Da acção aos valores1
Da acção aos valores1Da acção aos valores1
Da acção aos valores1Helena Serrão
 
Cruzadinha de Filosofia - Ética
Cruzadinha de Filosofia - Ética Cruzadinha de Filosofia - Ética
Cruzadinha de Filosofia - Ética Mary Alvarenga
 
Fundamentação da moral
Fundamentação da moral Fundamentação da moral
Fundamentação da moral Marco Casquinha
 

Mais procurados (20)

Relativiso Moral
Relativiso MoralRelativiso Moral
Relativiso Moral
 
Relativismo e Subjetivismo Moral
Relativismo e Subjetivismo MoralRelativismo e Subjetivismo Moral
Relativismo e Subjetivismo Moral
 
Será a ética relativa algumas actividades (2)
Será a ética relativa   algumas actividades (2)Será a ética relativa   algumas actividades (2)
Será a ética relativa algumas actividades (2)
 
Mandamentos Divinos
Mandamentos DivinosMandamentos Divinos
Mandamentos Divinos
 
Relativismo moral breve apresentação
Relativismo moral   breve apresentaçãoRelativismo moral   breve apresentação
Relativismo moral breve apresentação
 
Subjectivismo Moral
Subjectivismo MoralSubjectivismo Moral
Subjectivismo Moral
 
Rm vs objetivismo moral
Rm vs objetivismo moralRm vs objetivismo moral
Rm vs objetivismo moral
 
Relativismo e direitos humanos 1
Relativismo  e direitos humanos 1Relativismo  e direitos humanos 1
Relativismo e direitos humanos 1
 
Emotivismo
EmotivismoEmotivismo
Emotivismo
 
Juízo de fato e Juízo de valor
Juízo de fato e Juízo de valorJuízo de fato e Juízo de valor
Juízo de fato e Juízo de valor
 
Filosofia
FilosofiaFilosofia
Filosofia
 
Valores subjetivos objetivos
Valores subjetivos objetivosValores subjetivos objetivos
Valores subjetivos objetivos
 
Universalismo e relativismo cultural - Artigo
Universalismo e relativismo cultural - ArtigoUniversalismo e relativismo cultural - Artigo
Universalismo e relativismo cultural - Artigo
 
Filosofia valores
Filosofia   valoresFilosofia   valores
Filosofia valores
 
Filosofia: Quem precisa dela? - O Objetivismo de Ayn Rand
Filosofia: Quem precisa dela? - O Objetivismo de Ayn RandFilosofia: Quem precisa dela? - O Objetivismo de Ayn Rand
Filosofia: Quem precisa dela? - O Objetivismo de Ayn Rand
 
Da acção aos valores1
Da acção aos valores1Da acção aos valores1
Da acção aos valores1
 
Slide
SlideSlide
Slide
 
Cruzadinha de Filosofia - Ética
Cruzadinha de Filosofia - Ética Cruzadinha de Filosofia - Ética
Cruzadinha de Filosofia - Ética
 
éTica capitulo 6
éTica capitulo 6éTica capitulo 6
éTica capitulo 6
 
Fundamentação da moral
Fundamentação da moral Fundamentação da moral
Fundamentação da moral
 

Semelhante a Os valores e a acção o subjectivismo moral

A dimensão pessoal e social da Ética.pdf
A dimensão pessoal e social da Ética.pdfA dimensão pessoal e social da Ética.pdf
A dimensão pessoal e social da Ética.pdfjmapinho
 
Serão os valores morais relativos?
Serão os valores morais relativos?Serão os valores morais relativos?
Serão os valores morais relativos?Helena Serrão
 
Relativismo Cultural
Relativismo CulturalRelativismo Cultural
Relativismo CulturalBruno Pedro
 
Texto25 P7
Texto25 P7Texto25 P7
Texto25 P7renatotf
 
Filosofia apostila terceiro ano
Filosofia apostila terceiro anoFilosofia apostila terceiro ano
Filosofia apostila terceiro anoFabio Santos
 
Ética profissional (1ª e 2ª aula) turma gba
Ética profissional  (1ª e 2ª aula) turma gbaÉtica profissional  (1ª e 2ª aula) turma gba
Ética profissional (1ª e 2ª aula) turma gbaGis Viana de Brito
 
eqt10_ppt_5.pptx
eqt10_ppt_5.pptxeqt10_ppt_5.pptx
eqt10_ppt_5.pptxMartaCruz74
 
Convitea-Filosofia.pdf
Convitea-Filosofia.pdfConvitea-Filosofia.pdf
Convitea-Filosofia.pdfMarcioPrimac1
 
Convite a Filosofia - Marilena Chauí.pdf
Convite a Filosofia - Marilena Chauí.pdfConvite a Filosofia - Marilena Chauí.pdf
Convite a Filosofia - Marilena Chauí.pdfDennisClementino2
 
P. F. Strawson - Liberdade e ressentimento
P. F. Strawson - Liberdade e ressentimentoP. F. Strawson - Liberdade e ressentimento
P. F. Strawson - Liberdade e ressentimentoJaimir Conte
 
O que é filosofia e os problemas filosoficos
O que é filosofia e os problemas filosoficosO que é filosofia e os problemas filosoficos
O que é filosofia e os problemas filosoficosCleonice Jordão
 
Apontamentos cristianismo e cultura
Apontamentos cristianismo e culturaApontamentos cristianismo e cultura
Apontamentos cristianismo e culturaZé Santos
 
Tua medida (Renovando Atitudes)
Tua medida (Renovando Atitudes)Tua medida (Renovando Atitudes)
Tua medida (Renovando Atitudes)Candice Gunther
 

Semelhante a Os valores e a acção o subjectivismo moral (20)

A dimensão pessoal e social da Ética.pdf
A dimensão pessoal e social da Ética.pdfA dimensão pessoal e social da Ética.pdf
A dimensão pessoal e social da Ética.pdf
 
Serão os valores morais relativos?
Serão os valores morais relativos?Serão os valores morais relativos?
Serão os valores morais relativos?
 
Relativismo Cultural
Relativismo CulturalRelativismo Cultural
Relativismo Cultural
 
Filosofia
FilosofiaFilosofia
Filosofia
 
Texto25 P7
Texto25 P7Texto25 P7
Texto25 P7
 
Gui nadine
Gui nadineGui nadine
Gui nadine
 
Filosofia apostila terceiro ano
Filosofia apostila terceiro anoFilosofia apostila terceiro ano
Filosofia apostila terceiro ano
 
Ética profissional (1ª e 2ª aula) turma gba
Ética profissional  (1ª e 2ª aula) turma gbaÉtica profissional  (1ª e 2ª aula) turma gba
Ética profissional (1ª e 2ª aula) turma gba
 
eqt10_ppt_5.pptx
eqt10_ppt_5.pptxeqt10_ppt_5.pptx
eqt10_ppt_5.pptx
 
Valores morais
Valores moraisValores morais
Valores morais
 
Convitea-Filosofia.pdf
Convitea-Filosofia.pdfConvitea-Filosofia.pdf
Convitea-Filosofia.pdf
 
Convite a Filosofia - Marilena Chauí.pdf
Convite a Filosofia - Marilena Chauí.pdfConvite a Filosofia - Marilena Chauí.pdf
Convite a Filosofia - Marilena Chauí.pdf
 
P. F. Strawson - Liberdade e ressentimento
P. F. Strawson - Liberdade e ressentimentoP. F. Strawson - Liberdade e ressentimento
P. F. Strawson - Liberdade e ressentimento
 
Valor
ValorValor
Valor
 
1 - Ética
1 - Ética1 - Ética
1 - Ética
 
O que é filosofia e os problemas filosoficos
O que é filosofia e os problemas filosoficosO que é filosofia e os problemas filosoficos
O que é filosofia e os problemas filosoficos
 
Entre o bem e o mal
Entre o bem e o malEntre o bem e o mal
Entre o bem e o mal
 
Apontamentos cristianismo e cultura
Apontamentos cristianismo e culturaApontamentos cristianismo e cultura
Apontamentos cristianismo e cultura
 
Objetivos Filosofia
Objetivos FilosofiaObjetivos Filosofia
Objetivos Filosofia
 
Tua medida (Renovando Atitudes)
Tua medida (Renovando Atitudes)Tua medida (Renovando Atitudes)
Tua medida (Renovando Atitudes)
 

Mais de Luis De Sousa Rodrigues (20)

O essencial para os exames de filosofia
O essencial para os exames de filosofiaO essencial para os exames de filosofia
O essencial para os exames de filosofia
 
Unidade funcional do cérebro
Unidade funcional do cérebroUnidade funcional do cérebro
Unidade funcional do cérebro
 
Tipos de vinculação
Tipos de vinculaçãoTipos de vinculação
Tipos de vinculação
 
Tipos de aprendizagem
Tipos de aprendizagemTipos de aprendizagem
Tipos de aprendizagem
 
Teorias sobre as emoções
Teorias sobre as emoçõesTeorias sobre as emoções
Teorias sobre as emoções
 
Relações precoces
Relações precocesRelações precoces
Relações precoces
 
Raízes da vinculação
Raízes da vinculaçãoRaízes da vinculação
Raízes da vinculação
 
Processos conativos
Processos conativosProcessos conativos
Processos conativos
 
Perturbações da vinculação
Perturbações da vinculaçãoPerturbações da vinculação
Perturbações da vinculação
 
Perceção e gestalt
Perceção e gestaltPerceção e gestalt
Perceção e gestalt
 
Os processos emocionais
Os processos emocionaisOs processos emocionais
Os processos emocionais
 
Os grupos
Os gruposOs grupos
Os grupos
 
O sistema nervoso
O sistema nervosoO sistema nervoso
O sistema nervoso
 
O que nos torna humanos
O que nos torna humanosO que nos torna humanos
O que nos torna humanos
 
Maslow e a motivação
Maslow e a motivaçãoMaslow e a motivação
Maslow e a motivação
 
Lateralidade cerebral
Lateralidade cerebralLateralidade cerebral
Lateralidade cerebral
 
Freud 9
Freud 9Freud 9
Freud 9
 
Freud 8
Freud 8Freud 8
Freud 8
 
Freud 7
Freud 7Freud 7
Freud 7
 
Freud 6
Freud 6Freud 6
Freud 6
 

Os valores e a acção o subjectivismo moral

  • 1. OS VALORES E A ACÇÃO: A QUESTÃO DA OBJECTIVIDADE E VERDADE DAS NORMAS E DOS JUÍZOS MORAIS. O SUBJECTIVISMO MORAL A cada indivíduo a sua verdade
  • 2. Subjectivismo Moral O Subjectivismo moral (SM) O subjectivismo moral também afirma que há verdades morais mas rejeita o Relativismo Moral Cultural porque considera que a verdade é relativa ao indivíduo, às suas crenças, sentimentos e gostos. Ninguém pode dar lições de moral a ninguém. A cada qual a sua verdade e assim deve ser. Uma vez que reina a discórdia entre os seres humanos acerca de questões morais, o subjectivista não admite que alguém tenha o direito de julgar no lugar dos outros o que é certo e errado. Cada um de nós, baseado nos seus sentimentos e gostos é capaz de distinguir o certo do errado. Ninguém é melhor do que os outros em assuntos morais sendo ilegítimo querer impor a sua perspectiva aos outros.
  • 3. Subjectivismo Moral Pode assim perceber que o SM rejeita o RMC. Com efeito, este consiste na ideia de que a maioria dos membros de uma sociedade é que determina o certo e o errado em termos morais. Para o subjectivista moral é inadmissível que a maioria dos membros de uma cultura tente impor aos outros as suas concepções morais porque nenhum de nós possui a verdade absoluta sobre estes assuntos. Não há princípios e normas morais a não ser os que cada indivíduo escolhe para si mesmo. O subjectivismo moral é uma forma de relativismo segundo a qual cada indivíduo responde às questões morais baseado no seu código moral pessoal e não pode estar errado se os seus juízos corresponderem aos seus sentimentos. Os nossos juízos morais baseiam-se nos nossos sentimentos e como os sentimentos são subjectivos nenhum juízo moral é objectivamente certo ou errado. É também denominado relativismo individual.
  • 4. Subjectivismo Moral Suponhamos que o João diz que é correcto matar animais para comermos a sua carne e o Miguel diz que esse acto é moralmente reprovável além de desnecessário. Se adoptarmos o subjectivismo ético, como avaliaremos estas duas teses? Segundo o subjectivismo ambos os juízos morais são verdadeiros porque cada um está em conformidade com os princípios em que cada um dos indivíduos acredita. Uma vez que João aceita o princípio de que matar animais para os comer não é incorrecto, o seu juízo é verdadeiro para ele. Como Miguel tem como princípio moral pessoal que é errado matar animais para esse fim, o seu juízo também é verdadeiro. Para o subjectivismo moral não tem sentido perguntar quem está errado acerca da correcção ou incorrecção moral de matar animais para os comer. A cada qual a sua opinião de acordo com aquilo em que acredita e em nenhum caso o juízo moral de uma pessoa é mais correcto ou razoável do que o de outra.
  • 5. Subjectivismo Moral Será esta uma boa resposta ao problema? As principais críticas ao Subjectivismo Moral: 1. O subjectivismo ético é contraditório ou auto-refutante O subjectivismo moral afirma que nenhuma perspectiva moral é mais verdadeira ou melhor do que outra. Mas como o subjectivismo é também uma perspectiva moral então não é melhor do que qualquer outra. Contudo, os subjectivistas acreditam que o absolutismo moral e a crença na existência de verdades objectivas em ética são perspectivas erradas. Estamos perante uma contradição.
  • 6. Subjectivismo Moral 2. O subjectivismo moral torna inviável a discussão de questões morais. O subjectivismo moral parece sugerir que não podemos dizer que as opiniões e juízos morais dos outros estão errados. Se as verdades morais dependem dos sentimentos de aprovação ou de desaprovação de cada indivíduo basta que os nossos juízos morais estejam de acordo com os nossos sentimentos para serem verdadeiros. Um genuíno debate moral em que cada interlocutor tente convencer o outro das suas razões acerca de algo em que acredita perde qualquer sentido. Para o subjectivista será mesmo sinal de intolerância.
  • 7. Subjectivismo Moral Imaginemos que João defende que o aborto é errado e que Maria defende que o aborto é moralmente aceitável. Segundo o subjectivista, eles não estão realmente em desacordo sobre se o aborto é ou não moralmente legítimo. Estão simplesmente a exprimir os seus sentimentos sobre a moralidade do aborto. Será perda de tempo que um tente convencer outro de que está enganado. Se João sente verdadeiramente que o aborto é errado, ou seja, se desaprova fortemente essa prática, então esse juízo é verdadeiro. Se o seu ponto de vista corresponde ao que sente então é subjectivamente certo. O mesmo se passa com Maria. Não faz sentido debater ou discutir porque será conversa de surdos. Cada qual exprime gostos diferentes e julga que gostos não se discutem. O que é verdade para ti é verdadeiro e o que é verdade para mim é verdadeiro e ponto final.