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A QUESTÃO DA FUNDAMENTAÇÃO DA
MORAL:COMO DISTINGUIR O CERTO DO ERRADO.


    COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE
    KANT E A ÉTICA DE STUART - MILL
COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A
        ÉTICA DE STUART - MILL

                ESTRATÉGIA
• 1.ESTUDO DE DOIS CASOS CONCRETOS.
• 2.CLARIFICAÇÃO DOS PRESSSUPOSTOS
  TEÓRICOS INDISPENSÁVEIS À COMPREENSÃO
  DA POSIÇÃO DOS DOIS FILÓSOFOS SOBRE OS
  CASOS REFERIDOS.
COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A
         ÉTICA DE STUART - MILL
                        OS CASOS
                1.TRUMAN E A BOMBA ATÓMICA.
Harry Truman decidiu lançar a primeira bomba atómica
  sobre a cidade japonesa de Hiroxima, matando de uma
  vez só mais de cem mil pessoas (civis inocentes).
  Cometeu ou não um atentado contra a moral? Truman
  queria pôr fim à guerra o mais depressa possível e
  obrigar o governo japonês a render-se. Quis evitar a
  perda de muitos milhares de soldados e civis que teria
  lugar se a guerra se prolongasse.
COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A
       ÉTICA DE STUART - MILL
                            OS CASOS
              2.OS PESCADORES HOLANDESES E OS NAZIS
Durante a Segunda Guerra Mundial, os pescadores holandeses
transportavam, secretamente nos seus barcos, refugiados judeus
para Inglaterra, e os barcos de pesca com refugiados a bordo eram
por vezes interceptados por barcos patrulha nazis. O capitão nazi
perguntava então ao capitão holandês qual o seu destino, quem
estava a bordo, e assim por diante. Os pescadores mentiam e
obtinham permissão de passagem. Ora, é claro que os pescadores
tinham apenas duas alternativas, mentir ou permitir que os seus
passageiros (e eles mesmos) fossem apanhados e executados. Não
havia terceira alternativa. Os pescadores holandeses encontravam-
se então na seguinte situação: ou “mentimos” ou “permitimos o
homicídio de pessoas inocentes”. Os pescadores teriam de escolher
uma dessas opções.
COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A
        ÉTICA DE STUART - MILL
       O que se entende por necessidade de
             fundamentação da moral?
• Entende – se estabelecer um critério, uma base
  que distinga uma acção boa ou moralmente
  correcta de uma acção má ou moralmente
  incorrecta. A necessidade de fundamentar a
  moral é a necessidade de encontrar esse critério,
  essa forma de distinguir o que é certo do que é
  moralmente errado.
COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A
        ÉTICA DE STUART - MILL
O problema da fundamentação da moral
  costuma colocar – se mediante as seguintes
  questões:
1.Como distinguir o bem do mal?
2. Como distinguir o moralmente correcto do
  moralmente incorrecto?
3.Em que consiste o valor moral de uma acção?
COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A
        ÉTICA DE STUART - MILL
Os dois critérios mais frequentemente
 apresentados para distinguir o correcto do
 incorrecto:
1.A intenção.
2.As consequências ou resultados da acção.
As duas teorias que vamos estudar (a teoria
  deontológica de Kant e a teoria utilitarista de
  Mill) distinguem – se pelo valor que atribuem a
  cada um dos critérios.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

          MOMENTO 1 - UMA DISTINÇÃO IMPORTANTE

ACÇÕES CONFORMES AO DEVER VERSUS ACÇÕES FEITAS POR
                      DEVER.
                       Objectivo desta distinção


 Defender que o valor moral das acções depende unicamente da intenção
                         com que são praticadas.



Mostrar que duas acções podem ter consequências igualmente boas e uma
                         delas não ter valor moral.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

          ACÇÕES CONFORMES AO DEVER VERSUS ACÇÕES FEITAS POR DEVER.

EX: dois comerciantes praticam preços justos e não enganam os clientes. Estão a agir
    bem? Estão a cumprir o seu dever? Aparentemente sim.

Suponhamos que um deles - João - não aumenta os preços apenas porque tem receio de
   perder clientes. O seu motivo é egoísta: é o receio de perder clientes que o impede de
   praticar preços injustos. A sua acção é conforme ao dever mas não é feita por dever .

Suponhamos agora que o outro comerciante – Vicente - não aumenta os preços por julgar
   que a sua obrigação moral consiste em agir de forma justa. A sua acção é feita por
   dever.


As duas acções – exteriormente semelhantes – têm a mesma consequência – nenhum
   deles perde clientes – mas não têm o mesmo valor moral.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

 ACÇÕES CONFORMES AO DEVER VERSUS ACÇÕES FEITAS POR
                       DEVER.
            ACÇÕES CONFORMES AO DEVER

Acções que cumprem o dever não porque em si mesmo é
   correcto fazê – lo mas porque se evita uma má consequência
   – perder dinheiro, reputação – ou porque daí resulta uma
   boa consequência - a satisfação de um interesse. João não
   age por dever.
Ex: Não roubar por receio de ser castigado ou praticar preços
   justos para manter ou aumentar a clientela.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

 ACÇÕES CONFORMES AO DEVER VERSUS ACÇÕES FEITAS POR
                        DEVER.
              ACÇÕES FEITAS POR DEVER



Acções que cumprem o dever porque é correcto fazê – lo. O
   cumprimento do dever é o único motivo em que a acção se
   baseia. Vicente age por dever.
Ex: Não roubar porque esse acto é errado em si mesmo ou
   praticar preços justos simplesmente porque assim é que deve
   ser.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

Quando é que a intenção tem valor moral ou é
 boa?
Quando o propósito do agente é cumprir o dever
 pelo dever.

O cumprimento do dever é o único motivo em que
  a acção se baseia. Não há “segundas intenções”.
Ex: Não roubar porque esse acto é errado e não
  porque posso ser castigado.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

      CONCLUSÃO MAIS IMPORTANTE DO MOMENTO 1



    UMA ACÇÃO SÓ TEM VALOR MORAL SE FOR BOA EM SI
                           MESMA.
Considera – se que a ética kantiana é deontológica porque
  defende que o valor moral de uma acção reside em si mesma
  e não nas suas consequências.
É à intenção de cumprir o dever de forma imparcial e
  desinteressada que a acção deve o seu valor moral.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

     MOMENTO 2 – A DISTINÇÃO ENTRE IMPERATIVOS
       CATEGÓRICOS E IMPERATIVOS HIPOTÉTICOS.



                 Objectivos da distinção
1. MOSTRAR QUE AS OBRIGAÇÕES MORAIS SÃO DEVERES
   ABSOLUTOS
2. MOSTRAR POR QUE RAZÃO O CUMPRIMENTO DO DEVER –
   AS NOSSAS OBRIGAÇÕES MORAIS – É UMA OBRIGAÇÃO
   ABSOLUTA OU CATEGÓRICA?
A TEORIA ÉTICA DE KANT
O CUMPRIMENTO DO DEVER COMO       O CUMPRIMENTO DO DEVER COMO
IMPERATIVO CATEGÓRICO.            IMPERATIVO HIPOTÉTICO.

1. O cumprimento do dever é       1. O cumprimento do dever é
   uma                    ordem   uma ordem condicionada pelo
   nãocondicionada pelo que       que      de   satisfatório ou
   de      satisfatório      ou   proveitoso pode resultar do
   proveitoso pode resultar do    seu cumprimento.
   seu cumprimento.               2.A palavra “imperativo” quer
2.A palavra “imperativo” quer     dizer obrigação. Com a palavra
   dizer obrigação. Com a         “hipotético”, Kant está a
   palavra “categórico”, Kant     referir-se às obrigações que
   está    a     referir-se   a   adquirimos       apenas     na
   obrigações absolutas - que     condição – ou hipótese – de
   temos sempre.                  termos um certo desejo ou
                                  projecto, mas não sempre.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

O CUMPRIMENTO DO DEVER COMO                O CUMPRIMENTO DO DEVER COMO
IMPERATIVO CATEGÓRICO                      IMPERATIVO HIPOTÉTICO

3. A obrigação de salvar uma pessoa do     3.Só tenho a obrigação de estudar
afogamento, se estiver ao nosso alcance    medicina na condição de querer ser
fazê-lo, não é hipotética. Não depende     médico. Caso mude de ideias e abandone
de termos certos desejos, projectos ou     o projecto de vir a ser médico, também a
sentimentos particulares. O mesmo          obrigação      de     estudar     medicina
acontece com a obrigação de não tratar     desaparece. Apenas adquiro a obrigação
os outros apenas como meios e sim          de saber o código da estrada se quiser
como pessoas.                              tirar a carta de condução. Se não for esse
4.Praticar preços justos é uma obrigação   o meu projecto (ou não for esse o meu
absoluta.                                  desejo), esta obrigação deixa de existir.
                                           4. Praticar preços justos é um dever se for
                                           do meu interesse.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

Se cumprir o dever dependesse dos nossos interesses ou
  sentimentos, teríamos a obrigação, por exemplo, de
  cumprir a palavra dada apenas em certas condições,
  mas não sempre. Esta obrigação dependeria,
  digamos, do desejo de ficarmos bem vistos aos olhos
  de Deus ou aos olhos dos outros, do desejo de
  agradar a alguém, etc. Se agradar a Deus ou aos
  outros deixasse de nos preocupar, a obrigação de
  cumprir a palavra dada simplesmente desapareceria.
  Ora, não é isso que acontece. Continuamos a ter o
  dever de cumprir a palavra dada quer isso nos agrade
  quer não.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

        CONCLUSÕES IMPORTANTES DO MOMENTO 2



1.HÁ OBRIGAÇÕES MORAIS ABSOLUTAS.
   Deveres como não matar inocentes indefesos, não roubar ou
   não mentir devem ser cumpridos porque não os respeitar é
   absolutamente errado.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

      CONCLUSÕES IMPORTANTES DO MOMENTO 2
2.O CUMPRIMENTO DO DEVER NÃO PODE DEPENDER DOS
  NOSSOS INTERESSES, SENTIMENTOS, NEM DOS
  PREVISÍVEIS RESULTADOS DA ACÇÃO.

   Se cumprir o dever dependesse dos nossos interesses ou
  sentimentos, teríamos a obrigação, por exemplo, de cumprir a
  palavra dada apenas em certas condições, mas não sempre. Esta
  obrigação dependeria, digamos, do desejo de ficarmos bem vistos
  aos olhos de Deus ou aos olhos dos outros, do desejo de agradar a
  alguém, etc. Se agradar a Deus ou aos outros deixasse de nos
  preocupar, a obrigação de cumprir a palavra dada simplesmente
  desapareceria. Ora, não é isso que acontece. Continuamos a ter o
  dever de cumprir a palavra dada quer isso nos agrade quer não.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

     MOMENTO 3 – ANÁLISE DA SEGUNDA FÓRMULA DO
               IMPERATIVO CATEGÓRICO.

OBJECTIVO DESTA FORMULAÇÃO DO IMPERATIVO CATEGÓRICO
  Mostrar que a ética kantiana é a ética do respeito absoluto
   pelos direitos da pessoa humana e não simplesmente uma
                         ética do dever.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

           ANÁLISE DA SEGUNDA FÓRMULA
   Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua
          pessoa como na pessoa de outrem, sempre e
    simultaneamente como fim e nunca apenas como meio.

Segundo esta fórmula, cada ser humano é um fim em si e não
  um simples meio. Por isso, será moralmente errado
  instrumentalizar um ser humano, usá-lo como simples meio
  para alcançar um objectivo. Os seres humanos têm valor
  intrínseco, absoluto, isto é, dignidade.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

              ANÁLISE DA SEGUNDA FÓRMULA


Pense no modo como quem pede dinheiro emprestado
  sem intenção de o devolver está a tratar a pessoa que
  lhe empresta dinheiro. É evidente que está a tratá-la
  como um meio para resolver um problema e não como
  alguém que merece respeito, consideração. Pensa
  unicamente em utilizá-la para resolver uma situação
  financeira grave sem ter qualquer consideração pelos
  interesses próprios de quem se dispõe a ajudá-lo. Viola
  – se assim a primeira e também a segunda fórmula.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

               ANÁLISE DA SEGUNDA FÓRMULA
Para Kant, a pessoa tem de ser tratada sempre como um fim
  em si mesma e nunca somente como um meio, porque é o
  único ser de entre as várias espécies de seres vivos que pode
  agir moralmente. Se não existissem os seres humanos, não
  poderia haver bondade moral no mundo e, nesse sentido, o
  valor da pessoa é absoluto.
Assim, a fórmula da humanidade, também conhecida por
  fórmula do respeito pelas pessoas, exprime a obrigação
  moral básica da ética kantiana.
A TEORIA ÉTICA DE KANT

 CONLUSÃO IMPORTANTE DO MOMENTO 3
Como pessoa o ser humano tem direitos que,
 em circunstância alguma podem ser violados
   ou infringidos. A ética kantiana parece a
  ética de um fanático do dever mas mais do
   que isso é a ética dos direitos da pessoa
                    humana.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL

        A ideia central do utilitarismo
Devemos agir de modo a que da nossa acção
 resulte a maior felicidade ou bem - estar
 possível para as pessoas por ela afectadas.
 Uma acção boa é a que é mais útil, ou seja, a
 que produz mais felicidade global ou, dadas
 as circunstâncias, menos infelicidade.
 Quando não é possível produzir felicidade ou
 prazer devemos tentar reduzir a infelicidade.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL


                  O PRINCÍPIO DE UTILIDADE



O critério da moralidade de um acto é o princípio de utilidade.
  Uma acção deve ser realizada somente se dela resultar a
  máxima felicidade possível para as pessoas ou as partes que
  por ela são afectadas. O princípio de utilidade é por isso
  conhecido também como princípio da maior felicidade.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL

    FELICIDADE GERAL E FELICIDADE INDIVIDUAL

A felicidade de que fala o utilitarismo não é
 simplesmente a felicidade individual. Mas também
 não é a felicidade geral à custa da felicidade do
 agente. A minha felicidade é tão importante como a
 dos outros envolvidos, nem mais nem menos.

A minha felicidade não conta mais do que a felicidade
  dos outros.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL – O PRINCÍPIO
    DE UTILIDADE E AS NORMAS MORAIS COMUNS

 Normas morais comuns              Princípio de utilidade
Que valor têm normas morais      Nas nossas decisões morais
  como as que proíbem o            devemos ser guiados pelo
  roubo, o assassinato ou a        princípio de utilidade e não
  mentira para um utilitarista     simplesmente           pelas
  como Mill? Umas vezes            normas morais da nossa
  valem outras vezes não?          sociedade. Diz – nos como
                                   devemos agir para que das
                                   nossas acções resultem as
                                   melhores     consequências
                                   possíveis     em     termos
                                   globais.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL – O PRINCÍPIO
   DE UTILIDADE E AS NORMAS MORAIS COMUNS

 Normas morais comuns                Princípio de utilidade
   Não devem ser seguidas        1 - Reduz a diversidade das
  cegamente. Há situações em        normas morais concretas a
       que não seguir uma           um        princípio      geral,
   determinada norma moral          denominado         fundamento,
  terá melhores consequências       que nos diz como devemos
   globais do que respeitá-la.      agir .
O PRINCÍPIO DE UTILIDADE É A     2 – Procura orientar – nos em
 BASE EM QUE NOS DEVEMOS            casos de conflito moral
    APOIAR PARA RESOLVER            retirando       às      normas
      PROBLEMAS MORAIS.             socialmente aprovadas o seu
                                    carácter inviolável.
                                 3 – A melhor acção é a mais útil.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL – O PRINCÍPIO
    DE UTILIDADE E AS NORMAS MORAIS COMUNS
As normas morais comuns estão em vigor em muitas sociedades por
   alguma razão. Resistiram à prova do tempo e em muitas situações
   fazemos bem em segui-las nas nossas decisões.

Nas nossas decisões morais devemos ser guiados pelo princípio de
  utilidade e não pelas normas ou convenções socialmente
  estabelecidas.Dizer a verdade é um acto normalmente mais útil
  do que prejudicial e por isso a norma «Não deves mentir»
  sobreviveu ao teste do tempo. Segui - la é respeitar a experiência
  de séculos da humanidade.

Mas há situações como em que não respeitar absolutamente uma
  determinada norma moral e seguir o princípio de utilidade terá
  melhores consequências globais do que respeitá – la.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL – OS FINS E OS
                      MEIOS

Para Mill, o fim – a felicidade geral – justifica
  frequentemente os meios. Na teoria utilitarista, há um
  primado dos fins da acção em relação aos meios.
Para Mill, é suficiente que a felicidade produzida com a
  acção seja superior ao sofrimento eventualmente
  provocado com a sua realização para que a acção tenha
  valor moral.
É neste sentido que há um primado dos fins da acção (da
  maximização da felicidade para o maior número) sobre
  os meios (mesmo que a acção produza sofrimento a
  algumas pessoas).
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL


         UMA ÉTICA CONSEQUENCIALISTA


Considera – se que a ética de Mill é
consequencialista porque defende que o valor
moral de uma acção depende das suas
consequências.
É boa a acção que tem boas consequências ou
dadas as circunstâncias melhores consequências
do que acções alternativas.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL

        CONSEQUÊNCIAS E INTENÇÕES
A acção é avaliada pelas suas consequências e
  o motivo ou a intenção não são decisivos
  porque se referem ao carácter do agente e
  não à acção em si mesma.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL

      ACÇÃO COM BOAS                   ACÇÃO COM MÁS
      CONSEQUÊNCIAS                    CONSEQUÊNCIAS
• Acção cujos resultados       • Acção cujos resultados não
                                 contribuem para um aumento
  contribuem para um             da felicidade (bem – estar) ou
  aumento da felicidade          diminuição da infelicidade do
  (bem – estar) ou               maior número possível de
                                 pessoas por ela afectadas.
  diminuição da infelicidade   • Acção egoísta em que a
  do maior número possível       felicidade do maior número
  de pessoas por ela             não é tida em conta ou em
                                 que só o meu bem – estar ou
  afectadas.                     satisfação é procurado.
• Acção subordinada ao         • Acção que não se subordina
  princípio de utilidade.        ao princípio de utilidade.
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL

      Não há acções intrinsecamente boas.
Para o utilitarista, as acções são moralmente correctas
  ou incorrectas conforme as consequências: se
  promovem imparcialmente o bem-estar, são boas.
  Só as consequências as tornam boas ou más. Assim
  sendo, não há, para o utilitarista, deveres que
  devam ser respeitados em todas as circunstâncias.
        Não há deveres morais absolutos.
ANÁLISE DO CASO TRUMAN DE ACORDO COM
         AS DUAS PERSPECTIVAS
• Quando o presidente americano Harry Truman decidiu
  lançar a primeira bomba atómica sobre a cidade
  japonesa de Hiroxima, matando de uma vez só mais de
  cem mil pessoas (civis inocentes), cometeu ou não um
  atentado contra a moral? Truman queria pôr fim à
  guerra o mais depressa possível e obrigar o governo
  japonês a render-se. Quis evitar a perda de muitos
  milhares de soldados e civis que teria lugar se a guerra
  se prolongasse. Lançar a bomba sobre Hiroxima tinha
  previsivelmente melhores consequências do que não o
  fazer. Se o valor moral das acções depender apenas das
  consequências, Truman não cometeu qualquer crime.
  A sua acção foi a correcta.
ANÁLISE DO CASO TRUMAN DE ACORDO COM
       AS DUAS PERSPECTIVAS - KANT
• Para salvar a vida de muitos milhares de pessoas, Truman sacrificou a vida
  de outras pessoas inocentes. Será que é moralmente aceitável usar as
  pessoas como se fossem apenas coisas de que podemos dispor à vontade
  para os nossos fins – como se fossem instrumentos ou objectos? Se
  pensarmos que não são apenas as consequências que contam, se
  pensarmos que tratar as pessoas como pessoas – e não como simples
  meios – é a nossa obrigação moral básica, Truman agiu mal.
• Immanuel Kant, um filósofo alemão do século XVIII, é um defensor famoso
  de uma moral deontológica. Kant defendia que o valor moral das acções
  depende unicamente da intenção com que são praticadas. Além disso,
  pensava que a única intenção capaz de dar valor moral a uma acção é a de
  cumprir o dever pelo dever. O nosso dever é nunca tratar as pessoas como
  simples instrumentos. E é este dever que é necessário ter em mente
  quando escolhemos as nossas acções.
•       Kant teria pensado que Truman não reconheceu à população de
  Hiroxima a dignidade de pessoas; em vez disso, usou-as como um simples
  meio para obter o fim da guerra, e, portanto, agiu erradamente.
ANÁLISE DO CASO TRUMAN DE ACORDO COM
       AS DUAS PERSPECTIVAS - MILL
John Stuart - Mill, um filósofo inglês do século XIX, foi um
  crítico severo de Kant e um dos mais famosos
  defensores de uma moral consequencialista. Mill
  pensava que o que conta são as consequências das
  acções e que temos a obrigação moral de optar sempre
  pela acção que melhores consequências tenha para
  todos os envolvidos, ou que evite a maior quantidade
  de sofrimento possível. Ora, foi precisamente esta
  exigência que a decisão de Truman parece ter tido em
  conta.
      Se forem as consequências de uma acção que
  contam, poderemos condenar Truman por ter feito o
  que fez?

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Ética de Kant vs Ética de Mill

  • 1. A QUESTÃO DA FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL:COMO DISTINGUIR O CERTO DO ERRADO. COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A ÉTICA DE STUART - MILL
  • 2. COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A ÉTICA DE STUART - MILL ESTRATÉGIA • 1.ESTUDO DE DOIS CASOS CONCRETOS. • 2.CLARIFICAÇÃO DOS PRESSSUPOSTOS TEÓRICOS INDISPENSÁVEIS À COMPREENSÃO DA POSIÇÃO DOS DOIS FILÓSOFOS SOBRE OS CASOS REFERIDOS.
  • 3. COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A ÉTICA DE STUART - MILL OS CASOS 1.TRUMAN E A BOMBA ATÓMICA. Harry Truman decidiu lançar a primeira bomba atómica sobre a cidade japonesa de Hiroxima, matando de uma vez só mais de cem mil pessoas (civis inocentes). Cometeu ou não um atentado contra a moral? Truman queria pôr fim à guerra o mais depressa possível e obrigar o governo japonês a render-se. Quis evitar a perda de muitos milhares de soldados e civis que teria lugar se a guerra se prolongasse.
  • 4. COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A ÉTICA DE STUART - MILL OS CASOS 2.OS PESCADORES HOLANDESES E OS NAZIS Durante a Segunda Guerra Mundial, os pescadores holandeses transportavam, secretamente nos seus barcos, refugiados judeus para Inglaterra, e os barcos de pesca com refugiados a bordo eram por vezes interceptados por barcos patrulha nazis. O capitão nazi perguntava então ao capitão holandês qual o seu destino, quem estava a bordo, e assim por diante. Os pescadores mentiam e obtinham permissão de passagem. Ora, é claro que os pescadores tinham apenas duas alternativas, mentir ou permitir que os seus passageiros (e eles mesmos) fossem apanhados e executados. Não havia terceira alternativa. Os pescadores holandeses encontravam- se então na seguinte situação: ou “mentimos” ou “permitimos o homicídio de pessoas inocentes”. Os pescadores teriam de escolher uma dessas opções.
  • 5. COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A ÉTICA DE STUART - MILL O que se entende por necessidade de fundamentação da moral? • Entende – se estabelecer um critério, uma base que distinga uma acção boa ou moralmente correcta de uma acção má ou moralmente incorrecta. A necessidade de fundamentar a moral é a necessidade de encontrar esse critério, essa forma de distinguir o que é certo do que é moralmente errado.
  • 6. COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A ÉTICA DE STUART - MILL O problema da fundamentação da moral costuma colocar – se mediante as seguintes questões: 1.Como distinguir o bem do mal? 2. Como distinguir o moralmente correcto do moralmente incorrecto? 3.Em que consiste o valor moral de uma acção?
  • 7. COMPARAÇÃO ENTRE A ÉTICA DE KANT E A ÉTICA DE STUART - MILL Os dois critérios mais frequentemente apresentados para distinguir o correcto do incorrecto: 1.A intenção. 2.As consequências ou resultados da acção. As duas teorias que vamos estudar (a teoria deontológica de Kant e a teoria utilitarista de Mill) distinguem – se pelo valor que atribuem a cada um dos critérios.
  • 8. A TEORIA ÉTICA DE KANT MOMENTO 1 - UMA DISTINÇÃO IMPORTANTE ACÇÕES CONFORMES AO DEVER VERSUS ACÇÕES FEITAS POR DEVER. Objectivo desta distinção Defender que o valor moral das acções depende unicamente da intenção com que são praticadas. Mostrar que duas acções podem ter consequências igualmente boas e uma delas não ter valor moral.
  • 9. A TEORIA ÉTICA DE KANT ACÇÕES CONFORMES AO DEVER VERSUS ACÇÕES FEITAS POR DEVER. EX: dois comerciantes praticam preços justos e não enganam os clientes. Estão a agir bem? Estão a cumprir o seu dever? Aparentemente sim. Suponhamos que um deles - João - não aumenta os preços apenas porque tem receio de perder clientes. O seu motivo é egoísta: é o receio de perder clientes que o impede de praticar preços injustos. A sua acção é conforme ao dever mas não é feita por dever . Suponhamos agora que o outro comerciante – Vicente - não aumenta os preços por julgar que a sua obrigação moral consiste em agir de forma justa. A sua acção é feita por dever. As duas acções – exteriormente semelhantes – têm a mesma consequência – nenhum deles perde clientes – mas não têm o mesmo valor moral.
  • 10. A TEORIA ÉTICA DE KANT ACÇÕES CONFORMES AO DEVER VERSUS ACÇÕES FEITAS POR DEVER. ACÇÕES CONFORMES AO DEVER Acções que cumprem o dever não porque em si mesmo é correcto fazê – lo mas porque se evita uma má consequência – perder dinheiro, reputação – ou porque daí resulta uma boa consequência - a satisfação de um interesse. João não age por dever. Ex: Não roubar por receio de ser castigado ou praticar preços justos para manter ou aumentar a clientela.
  • 11. A TEORIA ÉTICA DE KANT ACÇÕES CONFORMES AO DEVER VERSUS ACÇÕES FEITAS POR DEVER. ACÇÕES FEITAS POR DEVER Acções que cumprem o dever porque é correcto fazê – lo. O cumprimento do dever é o único motivo em que a acção se baseia. Vicente age por dever. Ex: Não roubar porque esse acto é errado em si mesmo ou praticar preços justos simplesmente porque assim é que deve ser.
  • 12. A TEORIA ÉTICA DE KANT Quando é que a intenção tem valor moral ou é boa? Quando o propósito do agente é cumprir o dever pelo dever. O cumprimento do dever é o único motivo em que a acção se baseia. Não há “segundas intenções”. Ex: Não roubar porque esse acto é errado e não porque posso ser castigado.
  • 13. A TEORIA ÉTICA DE KANT CONCLUSÃO MAIS IMPORTANTE DO MOMENTO 1 UMA ACÇÃO SÓ TEM VALOR MORAL SE FOR BOA EM SI MESMA. Considera – se que a ética kantiana é deontológica porque defende que o valor moral de uma acção reside em si mesma e não nas suas consequências. É à intenção de cumprir o dever de forma imparcial e desinteressada que a acção deve o seu valor moral.
  • 14. A TEORIA ÉTICA DE KANT MOMENTO 2 – A DISTINÇÃO ENTRE IMPERATIVOS CATEGÓRICOS E IMPERATIVOS HIPOTÉTICOS. Objectivos da distinção 1. MOSTRAR QUE AS OBRIGAÇÕES MORAIS SÃO DEVERES ABSOLUTOS 2. MOSTRAR POR QUE RAZÃO O CUMPRIMENTO DO DEVER – AS NOSSAS OBRIGAÇÕES MORAIS – É UMA OBRIGAÇÃO ABSOLUTA OU CATEGÓRICA?
  • 15. A TEORIA ÉTICA DE KANT O CUMPRIMENTO DO DEVER COMO O CUMPRIMENTO DO DEVER COMO IMPERATIVO CATEGÓRICO. IMPERATIVO HIPOTÉTICO. 1. O cumprimento do dever é 1. O cumprimento do dever é uma ordem uma ordem condicionada pelo nãocondicionada pelo que que de satisfatório ou de satisfatório ou proveitoso pode resultar do proveitoso pode resultar do seu cumprimento. seu cumprimento. 2.A palavra “imperativo” quer 2.A palavra “imperativo” quer dizer obrigação. Com a palavra dizer obrigação. Com a “hipotético”, Kant está a palavra “categórico”, Kant referir-se às obrigações que está a referir-se a adquirimos apenas na obrigações absolutas - que condição – ou hipótese – de temos sempre. termos um certo desejo ou projecto, mas não sempre.
  • 16. A TEORIA ÉTICA DE KANT O CUMPRIMENTO DO DEVER COMO O CUMPRIMENTO DO DEVER COMO IMPERATIVO CATEGÓRICO IMPERATIVO HIPOTÉTICO 3. A obrigação de salvar uma pessoa do 3.Só tenho a obrigação de estudar afogamento, se estiver ao nosso alcance medicina na condição de querer ser fazê-lo, não é hipotética. Não depende médico. Caso mude de ideias e abandone de termos certos desejos, projectos ou o projecto de vir a ser médico, também a sentimentos particulares. O mesmo obrigação de estudar medicina acontece com a obrigação de não tratar desaparece. Apenas adquiro a obrigação os outros apenas como meios e sim de saber o código da estrada se quiser como pessoas. tirar a carta de condução. Se não for esse 4.Praticar preços justos é uma obrigação o meu projecto (ou não for esse o meu absoluta. desejo), esta obrigação deixa de existir. 4. Praticar preços justos é um dever se for do meu interesse.
  • 17. A TEORIA ÉTICA DE KANT Se cumprir o dever dependesse dos nossos interesses ou sentimentos, teríamos a obrigação, por exemplo, de cumprir a palavra dada apenas em certas condições, mas não sempre. Esta obrigação dependeria, digamos, do desejo de ficarmos bem vistos aos olhos de Deus ou aos olhos dos outros, do desejo de agradar a alguém, etc. Se agradar a Deus ou aos outros deixasse de nos preocupar, a obrigação de cumprir a palavra dada simplesmente desapareceria. Ora, não é isso que acontece. Continuamos a ter o dever de cumprir a palavra dada quer isso nos agrade quer não.
  • 18. A TEORIA ÉTICA DE KANT CONCLUSÕES IMPORTANTES DO MOMENTO 2 1.HÁ OBRIGAÇÕES MORAIS ABSOLUTAS. Deveres como não matar inocentes indefesos, não roubar ou não mentir devem ser cumpridos porque não os respeitar é absolutamente errado.
  • 19. A TEORIA ÉTICA DE KANT CONCLUSÕES IMPORTANTES DO MOMENTO 2 2.O CUMPRIMENTO DO DEVER NÃO PODE DEPENDER DOS NOSSOS INTERESSES, SENTIMENTOS, NEM DOS PREVISÍVEIS RESULTADOS DA ACÇÃO. Se cumprir o dever dependesse dos nossos interesses ou sentimentos, teríamos a obrigação, por exemplo, de cumprir a palavra dada apenas em certas condições, mas não sempre. Esta obrigação dependeria, digamos, do desejo de ficarmos bem vistos aos olhos de Deus ou aos olhos dos outros, do desejo de agradar a alguém, etc. Se agradar a Deus ou aos outros deixasse de nos preocupar, a obrigação de cumprir a palavra dada simplesmente desapareceria. Ora, não é isso que acontece. Continuamos a ter o dever de cumprir a palavra dada quer isso nos agrade quer não.
  • 20. A TEORIA ÉTICA DE KANT MOMENTO 3 – ANÁLISE DA SEGUNDA FÓRMULA DO IMPERATIVO CATEGÓRICO. OBJECTIVO DESTA FORMULAÇÃO DO IMPERATIVO CATEGÓRICO Mostrar que a ética kantiana é a ética do respeito absoluto pelos direitos da pessoa humana e não simplesmente uma ética do dever.
  • 21. A TEORIA ÉTICA DE KANT ANÁLISE DA SEGUNDA FÓRMULA Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre e simultaneamente como fim e nunca apenas como meio. Segundo esta fórmula, cada ser humano é um fim em si e não um simples meio. Por isso, será moralmente errado instrumentalizar um ser humano, usá-lo como simples meio para alcançar um objectivo. Os seres humanos têm valor intrínseco, absoluto, isto é, dignidade.
  • 22. A TEORIA ÉTICA DE KANT ANÁLISE DA SEGUNDA FÓRMULA Pense no modo como quem pede dinheiro emprestado sem intenção de o devolver está a tratar a pessoa que lhe empresta dinheiro. É evidente que está a tratá-la como um meio para resolver um problema e não como alguém que merece respeito, consideração. Pensa unicamente em utilizá-la para resolver uma situação financeira grave sem ter qualquer consideração pelos interesses próprios de quem se dispõe a ajudá-lo. Viola – se assim a primeira e também a segunda fórmula.
  • 23. A TEORIA ÉTICA DE KANT ANÁLISE DA SEGUNDA FÓRMULA Para Kant, a pessoa tem de ser tratada sempre como um fim em si mesma e nunca somente como um meio, porque é o único ser de entre as várias espécies de seres vivos que pode agir moralmente. Se não existissem os seres humanos, não poderia haver bondade moral no mundo e, nesse sentido, o valor da pessoa é absoluto. Assim, a fórmula da humanidade, também conhecida por fórmula do respeito pelas pessoas, exprime a obrigação moral básica da ética kantiana.
  • 24. A TEORIA ÉTICA DE KANT CONLUSÃO IMPORTANTE DO MOMENTO 3 Como pessoa o ser humano tem direitos que, em circunstância alguma podem ser violados ou infringidos. A ética kantiana parece a ética de um fanático do dever mas mais do que isso é a ética dos direitos da pessoa humana.
  • 25. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL A ideia central do utilitarismo Devemos agir de modo a que da nossa acção resulte a maior felicidade ou bem - estar possível para as pessoas por ela afectadas. Uma acção boa é a que é mais útil, ou seja, a que produz mais felicidade global ou, dadas as circunstâncias, menos infelicidade. Quando não é possível produzir felicidade ou prazer devemos tentar reduzir a infelicidade.
  • 26. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL O PRINCÍPIO DE UTILIDADE O critério da moralidade de um acto é o princípio de utilidade. Uma acção deve ser realizada somente se dela resultar a máxima felicidade possível para as pessoas ou as partes que por ela são afectadas. O princípio de utilidade é por isso conhecido também como princípio da maior felicidade.
  • 27. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL FELICIDADE GERAL E FELICIDADE INDIVIDUAL A felicidade de que fala o utilitarismo não é simplesmente a felicidade individual. Mas também não é a felicidade geral à custa da felicidade do agente. A minha felicidade é tão importante como a dos outros envolvidos, nem mais nem menos. A minha felicidade não conta mais do que a felicidade dos outros.
  • 28. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL – O PRINCÍPIO DE UTILIDADE E AS NORMAS MORAIS COMUNS Normas morais comuns Princípio de utilidade Que valor têm normas morais Nas nossas decisões morais como as que proíbem o devemos ser guiados pelo roubo, o assassinato ou a princípio de utilidade e não mentira para um utilitarista simplesmente pelas como Mill? Umas vezes normas morais da nossa valem outras vezes não? sociedade. Diz – nos como devemos agir para que das nossas acções resultem as melhores consequências possíveis em termos globais.
  • 29. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL – O PRINCÍPIO DE UTILIDADE E AS NORMAS MORAIS COMUNS Normas morais comuns Princípio de utilidade Não devem ser seguidas 1 - Reduz a diversidade das cegamente. Há situações em normas morais concretas a que não seguir uma um princípio geral, determinada norma moral denominado fundamento, terá melhores consequências que nos diz como devemos globais do que respeitá-la. agir . O PRINCÍPIO DE UTILIDADE É A 2 – Procura orientar – nos em BASE EM QUE NOS DEVEMOS casos de conflito moral APOIAR PARA RESOLVER retirando às normas PROBLEMAS MORAIS. socialmente aprovadas o seu carácter inviolável. 3 – A melhor acção é a mais útil.
  • 30. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL – O PRINCÍPIO DE UTILIDADE E AS NORMAS MORAIS COMUNS As normas morais comuns estão em vigor em muitas sociedades por alguma razão. Resistiram à prova do tempo e em muitas situações fazemos bem em segui-las nas nossas decisões. Nas nossas decisões morais devemos ser guiados pelo princípio de utilidade e não pelas normas ou convenções socialmente estabelecidas.Dizer a verdade é um acto normalmente mais útil do que prejudicial e por isso a norma «Não deves mentir» sobreviveu ao teste do tempo. Segui - la é respeitar a experiência de séculos da humanidade. Mas há situações como em que não respeitar absolutamente uma determinada norma moral e seguir o princípio de utilidade terá melhores consequências globais do que respeitá – la.
  • 31. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL – OS FINS E OS MEIOS Para Mill, o fim – a felicidade geral – justifica frequentemente os meios. Na teoria utilitarista, há um primado dos fins da acção em relação aos meios. Para Mill, é suficiente que a felicidade produzida com a acção seja superior ao sofrimento eventualmente provocado com a sua realização para que a acção tenha valor moral. É neste sentido que há um primado dos fins da acção (da maximização da felicidade para o maior número) sobre os meios (mesmo que a acção produza sofrimento a algumas pessoas).
  • 32. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL UMA ÉTICA CONSEQUENCIALISTA Considera – se que a ética de Mill é consequencialista porque defende que o valor moral de uma acção depende das suas consequências. É boa a acção que tem boas consequências ou dadas as circunstâncias melhores consequências do que acções alternativas.
  • 33. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL CONSEQUÊNCIAS E INTENÇÕES A acção é avaliada pelas suas consequências e o motivo ou a intenção não são decisivos porque se referem ao carácter do agente e não à acção em si mesma.
  • 34. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL ACÇÃO COM BOAS ACÇÃO COM MÁS CONSEQUÊNCIAS CONSEQUÊNCIAS • Acção cujos resultados • Acção cujos resultados não contribuem para um aumento contribuem para um da felicidade (bem – estar) ou aumento da felicidade diminuição da infelicidade do (bem – estar) ou maior número possível de pessoas por ela afectadas. diminuição da infelicidade • Acção egoísta em que a do maior número possível felicidade do maior número de pessoas por ela não é tida em conta ou em que só o meu bem – estar ou afectadas. satisfação é procurado. • Acção subordinada ao • Acção que não se subordina princípio de utilidade. ao princípio de utilidade.
  • 35. A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA DE MILL Não há acções intrinsecamente boas. Para o utilitarista, as acções são moralmente correctas ou incorrectas conforme as consequências: se promovem imparcialmente o bem-estar, são boas. Só as consequências as tornam boas ou más. Assim sendo, não há, para o utilitarista, deveres que devam ser respeitados em todas as circunstâncias. Não há deveres morais absolutos.
  • 36. ANÁLISE DO CASO TRUMAN DE ACORDO COM AS DUAS PERSPECTIVAS • Quando o presidente americano Harry Truman decidiu lançar a primeira bomba atómica sobre a cidade japonesa de Hiroxima, matando de uma vez só mais de cem mil pessoas (civis inocentes), cometeu ou não um atentado contra a moral? Truman queria pôr fim à guerra o mais depressa possível e obrigar o governo japonês a render-se. Quis evitar a perda de muitos milhares de soldados e civis que teria lugar se a guerra se prolongasse. Lançar a bomba sobre Hiroxima tinha previsivelmente melhores consequências do que não o fazer. Se o valor moral das acções depender apenas das consequências, Truman não cometeu qualquer crime. A sua acção foi a correcta.
  • 37. ANÁLISE DO CASO TRUMAN DE ACORDO COM AS DUAS PERSPECTIVAS - KANT • Para salvar a vida de muitos milhares de pessoas, Truman sacrificou a vida de outras pessoas inocentes. Será que é moralmente aceitável usar as pessoas como se fossem apenas coisas de que podemos dispor à vontade para os nossos fins – como se fossem instrumentos ou objectos? Se pensarmos que não são apenas as consequências que contam, se pensarmos que tratar as pessoas como pessoas – e não como simples meios – é a nossa obrigação moral básica, Truman agiu mal. • Immanuel Kant, um filósofo alemão do século XVIII, é um defensor famoso de uma moral deontológica. Kant defendia que o valor moral das acções depende unicamente da intenção com que são praticadas. Além disso, pensava que a única intenção capaz de dar valor moral a uma acção é a de cumprir o dever pelo dever. O nosso dever é nunca tratar as pessoas como simples instrumentos. E é este dever que é necessário ter em mente quando escolhemos as nossas acções. • Kant teria pensado que Truman não reconheceu à população de Hiroxima a dignidade de pessoas; em vez disso, usou-as como um simples meio para obter o fim da guerra, e, portanto, agiu erradamente.
  • 38. ANÁLISE DO CASO TRUMAN DE ACORDO COM AS DUAS PERSPECTIVAS - MILL John Stuart - Mill, um filósofo inglês do século XIX, foi um crítico severo de Kant e um dos mais famosos defensores de uma moral consequencialista. Mill pensava que o que conta são as consequências das acções e que temos a obrigação moral de optar sempre pela acção que melhores consequências tenha para todos os envolvidos, ou que evite a maior quantidade de sofrimento possível. Ora, foi precisamente esta exigência que a decisão de Truman parece ter tido em conta. Se forem as consequências de uma acção que contam, poderemos condenar Truman por ter feito o que fez?