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FILOSOFIA 11.º ano
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Todas as coisas sensíveis – incluindo o meu corpo – podem não
passar de realidades que só existem em sonho. Mas existo, e disso
não posso duvidar. Se não preciso do corpo para existir, então a alma
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Se duvido e nada conheço a não ser que existo e sou um ser
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FILOSOFIA 11.º ano
Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
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FILOSOFIA 11.º ano
Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
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FILOSOFIA 11.º ano
Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
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FORMULACÃO DO PRINCÍPIO DE CAUSALIDADE PARA DECIDIR QUAL
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Em termos gerais, o princípio de causalidade diz que tudo tem
uma causa. Em termos mais específicos, este princípio diz que no
efeito não pode haver mais realidade do que na causa, ou seja, a
causa não pode ser inferior ao efeito.
FILOSOFIA 11.º ano
Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
A existência de Deus como ser perfeito
O SUJEITO PENSANTE NÃO PODE SER A CAUSA DA IDEIA DE PERFEITO.
Se o sujeito pensante fosse a causa da ideia de ser perfeito (a ideia
de Deus), teria de ser causa dos predicados que constituem a ideia de
Deus. Como os predicados do ser perfeito (predicados como
omnipotência, omnisciência, etc.) são perfeições, o sujeito pensante
teria de ser perfeito para ser o seu autor. Ora, isso não acontece.
Logo, sujeito pensante não pode ser a causa da ideia de perfeito.
FILOSOFIA 11.º ano
Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
A existência de Deus como ser perfeito
DEUS, O SER PERFEITO, É A CAUSA NECESSÁRIA DA IDEIA DE PERFEITO.
O sujeito tem de reconhecer que a causa da ideia de perfeito só
pode ser uma realidade perfeita. Esse ser perfeito é Deus. Só assim se
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Se a ideia de um ser perfeito existe, necessariamente existe o ser
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ideia de perfeito.
FILOSOFIA 11.º ano
Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
A existência de Deus como ser perfeito
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FILOSOFIA 11.º ano
Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
Os objetivos da prova
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FILOSOFIA 11.º ano
Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
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FILOSOFIA 11.º ano
Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
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A dedução de verdades

  • 1. FILOSOFIA 11.º ano FFILOSOFIA 11.º anoILOSOFIA 11.º ano Luís Rodrigues Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
  • 2. ANÁLISE COMPARATIVA DE DUAS TEORIAS DO CONHECIMENTO O RACIONALISMO DE DESCARTES FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
  • 3. VERDADES INDUBITÁVEIS QUE SE DEDUZEM DA PRIMEIRA VERDADE FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
  • 4. A distinção entre alma e corpo Não posso duvidar de que existo. Descobri que existo no ato de pensar porque duvidar é uma forma de pensar. Mas será que dizer «Penso, logo, existo» é igual a dizer que é suficiente pensar para existir? FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
  • 5. «Examinando o que somos, nós, que pensamos agora estamos persuadidos de que fora do pensamento não há nada que seja ou exista verdadeiramente, e concebemos claramente que, para ser, não temos necessidade de extensão, de figura, de estar em qualquer lugar, nem de outra coisa que se possa atribuir ao corpo, e que existimos apenas porque pensamos.» René Descartes, Princípios da Filosofia, Lisboa, Edições 70, p. 29 FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A distinção entre alma e corpo
  • 6. É impossível duvidar da nossa existência enquanto pensamento, embora seja possível duvidar da existência do nosso corpo. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A distinção entre alma e corpo
  • 7. Não sabendo se existem realmente corpos nem se tenho um, sei, contudo, que existo enquanto penso, existo como substância pensante. Portanto, a existência da alma ou do pensamento é totalmente independente do corpo. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A distinção entre alma e corpo
  • 8. Para dizer «Eu penso, logo, existo», Descartes não teve necessidade de falar da existência do corpo. Podemos conhecer a alma (a substância pensante) sem que para afirmar a sua existência seja necessário que o corpo, a substância corpórea, exista. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A distinção entre alma e corpo
  • 9. Todas as coisas sensíveis – incluindo o meu corpo – podem não passar de realidades que só existem em sonho. Mas existo, e disso não posso duvidar. Se não preciso do corpo para existir, então a alma – o que eu sou – é distinta do corpo e mais fácil de conhecer do que este. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A distinção entre alma e corpo
  • 10. A existência de Deus como ser perfeito Ponto de partida da prova – A descoberta da ideia de perfeito Se duvido e nada conheço a não ser que existo e sou um ser pensante, então sou imperfeito. Mas de onde veio esta ideia? Comparei as minhas qualidades com as que caraterizam um ser perfeito. Logo, sem a ideia de um ser perfeito – do que é ser perfeito –, não saberia que sou imperfeito. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
  • 11. O problema • Qual a causa ou o autor da ideia de perfeito? • A questão não é saber se essa ideia existe, mas saber qual a razão de ser ou causa da sua existência no sujeito pensante. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A existência de Deus como ser perfeito
  • 12. DUAS HIPÓTESES DE RESOLUÇÃO DO PROBLEMA A causa da existência da ideia de perfeito ou é o sujeito pensante ou uma realidade diferente dele. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A existência de Deus como ser perfeito
  • 13. FORMULACÃO DO PRINCÍPIO DE CAUSALIDADE PARA DECIDIR QUAL DESTAS HIPÓTESES É VERDADEIRA Em termos gerais, o princípio de causalidade diz que tudo tem uma causa. Em termos mais específicos, este princípio diz que no efeito não pode haver mais realidade do que na causa, ou seja, a causa não pode ser inferior ao efeito. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A existência de Deus como ser perfeito
  • 14. O SUJEITO PENSANTE NÃO PODE SER A CAUSA DA IDEIA DE PERFEITO. Se o sujeito pensante fosse a causa da ideia de ser perfeito (a ideia de Deus), teria de ser causa dos predicados que constituem a ideia de Deus. Como os predicados do ser perfeito (predicados como omnipotência, omnisciência, etc.) são perfeições, o sujeito pensante teria de ser perfeito para ser o seu autor. Ora, isso não acontece. Logo, sujeito pensante não pode ser a causa da ideia de perfeito. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A existência de Deus como ser perfeito
  • 15. DEUS, O SER PERFEITO, É A CAUSA NECESSÁRIA DA IDEIA DE PERFEITO. O sujeito tem de reconhecer que a causa da ideia de perfeito só pode ser uma realidade perfeita. Esse ser perfeito é Deus. Só assim se evita que haja mais realidade no efeito do que na causa. Se a ideia de um ser perfeito existe, necessariamente existe o ser perfeito que a «pôs» no sujeito pensante. Deus existe como causa da ideia de perfeito. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade A existência de Deus como ser perfeito
  • 16. Os objetivos da prova 1. Afastar a desconfiança no funcionamento correto do nosso entendimento. Provado que Deus – por ser perfeito – não pode enganar, podemos confiar nas operações do nosso entendimento/razão. O critério da evidência é fundamentado de modo que aquilo que considero claro e distinto – evidente – é claro e distinto, absolutamente indubitável. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
  • 17. Os objetivos da prova 2. Superar, em parte, o solipsismo. O termo solipsismo designa a possibilidade de, para além do Cogito e dos seus pensamentos, nada mais existir. Deus é o ser cuja existência que não depende do sujeito pensante. Logo, este não está sozinho. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade
  • 18. 3. Mostrar que Deus é o fundamento metafísico das crenças verdadeiras e que sem ele não há verdade objetiva. Garante-as absolutamente, porque garante que as evidências atuais são realmente indubitáveis, como também que o serão sempre. O conhecimento torna-se assim um conjunto de verdades objetivas, independentes do sujeito pensante. FILOSOFIA 11.º ano Verdades indubitáveis que se deduzem da primeira verdade Os objetivos da prova