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Graduado em História pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)e Especialista em Docência do Ensino Superiorpelo
Instituto Superiorde Ensino Programus(ISEPRO).
CONCEPÇÕES FILOSOFICAS
Leonardo Rodrigues da Silva*
INTRODUÇÃO.
Filosofia (do grego Φιλοσοφία, philosophia, literalmente «amor pela sabedoria» é o estudo das
questões gerais e fundamentais relacionadas com a natureza da existência humana; do
conhecimento; da verdade; dos valores morais e estéticos; da mente; da linguagem, bem como
do universo em sua totalidade. O termo foi cunhado por Pitágoras (570 – 495 a.C). Ao
examinar tais questões, a filosofia se distingue da mitologia e da religião por sua ênfase em
argumentação racional; por outro lado, diferencia-se também das pesquisas científicas por
geralmente não recorrer a procedimentos empíricos em suas investigações. Entre seus métodos,
estão a argumentação racional, a análise conceitual, a dialética, a hermenêutica, a
fenomenologia, as experiências de pensamento e outros métodos investigativos a priori. A
Filosofia é o saber mais abrangente – na medida em que ocupa-se com os grandes temas da
humanidade. A partir dela, são fundamentadas e desenvolvidas teorias, metodologias,
pesquisas, projetos educacionais, bem como elabora-se, inclusive, a própria fundamentação
racional das instituições do conhecimento humano, i.e., as instituições científicas, artísticas,
religiosas e culturais.
Por razões de conveniência e especialização, as disciplinas filosóficas foram classificadas em
várias subáreas temáticas ou campos de estudo e investigação, entre os quais destacam-se
principalmente a Metafísica (cujo ramo basilar é conhecido como Ontologia); a Epistemologia,
a Lógica, a Ética (ou filosofia moral), a Estética (ou filosofia da arte), filosofia da mente,
filosofia das ciências naturais e sociais, filosofia da religião, filosofia da matemática, filosofia
da linguagem,filosofia da educação, filosofia da física e filosofia política.
CONCEITO DE FILOSOFIA
Para os eruditos o conceito de "filosofia" sofreu, no transcorrer da história, várias alterações e
restrições em sua abrangência. As concepções do que seja a filosofia e quais são os seus objetos
de estudo também se alteram conforme a escola ou movimento filosófico. Essa variedade
presente na história da filosofia e nas escolas e correntes filosóficas torna praticamente
impossível elaborar uma definição universalmente válida de filosofia. Definir a filosofia é
realizar uma tarefa metafilosófica. Em outras palavras, é fazer uma filosofia da filosofia. O
sociólogo e filósofo alemão Georg Simmel ressaltou esse ponto ao dizer que um dos primeiros
problemas da filosofia é o de investigar e estabelecer a sua própria natureza. Talvez a filosofia
seja a única disciplina que se volte para si mesma dessa maneira. O objeto da física não é,
certamente, a própria ciência da física, mas os fenômenos ópticos e elétricos, entre outros. A
filologia ocupa-se de registros textuais antigos e da evolução das línguas, mas não se ocupa de
si mesma.
2
A filosofia, no entanto, move-se neste curioso círculo: ela determina os pressupostos de seu
método de pensar e os seus propósitos através de seus próprios métodos de pensar e propósitos.
Não há como apreender o conceito de filosofia fora da filosofia; pois somente a filosofia pode
determinar o que é a filosofia.
Disciplinas filosóficas
A filosofia é geralmente dividida em áreas de investigação específica. Em cada área, a pesquisa
filosófica dedica-se à elucidação de problemas próprios, embora sejam muito comuns as
interconexões. As áreas tradicionais da filosofia são as seguintes:
 METAFÍSICA: ocupa-se da elaboração de teorias sobre a realidade e sobre natureza
fundamental de todas as coisas. O objetivo da metafísica é fornecer uma visão abrangente
do mundo – uma visão sinóptica que reúna em si os diversos aspectos da realidade. Uma
das subáreas da metafísica é a ontologia (literalmente, a ciência do "ser"), cujo tema
principal é a elaboração de escalas de realidade. Nesse sentido, a ontologia buscaria
identificar as entidades básicas ou elementares da realidade e mostrar como essas se
relacionam com os demais objetos ou indivíduos - de existência dependente ou derivada.
 EPISTEMOLOGIA OU TEORIA DO CONHECIMENTO: é a área da filosofia que
estuda a natureza do conhecimento, sua origem e seus limites. Dessa forma, entre as
questões típicas da epistemologia estão: “O que diferencia o conhecimento de outras
formas de crença?”, “O que podemos conhecer?”, “Como chegamos a ter conhecimento de
algo?”.
 LÓGICA: é a área que trata das estruturas formais do raciocínio perfeito – ou seja,
daqueles raciocínios cuja conclusão preserva a verdade das premissas. Na lógica são
estudados, portanto, os métodos e princípios que permitem distinguir os raciocínios
corretos dos raciocínios incorretos.
 ÉTICA OU FILOSOFIA MORAL: é a área da filosofia que trata das distinções entre o
certo e o errado, entre o bem e o mal. Procura identificar os meios mais adequados para
aprimorar a vida moral e para alcançar uma vida moralmente boa. Também no campo da
ética dão-se as discussões a respeito dos princípios e das regras morais que norteiam a vida
em sociedade, e sobre quais seriam as justificativas racionais para adotar essas regras e
princípios.
 FILOSOFIA POLÍTICA: é o ramo da filosofia que investiga os fundamentos da
organização sociopolítica e do Estado. São tradicionais nessa área, as hipóteses sobre o
contrato original que teria dado início à vida em sociedade, instituído o governo, os
deveres e os direitos dos cidadãos. Muitas dessas situações hipotéticas são elaboradas no
intuito de recomendar mudanças ou reformas políticas aptas a aproximar as sociedades
concretas de um determinado ideal político.
 ESTÉTICA OU FILOSOFIA DA ARTE: entre as investigações dessa área, encontram-
se aquelas sobre a natureza da arte e da experiência estética, sobre como a experiência
estética se diferencia de outras formas de experiência, e sobre o próprio conceito de belo.
3
 METAFILOSOFIA: é a "filosofia da filosofia". Procura determinar, entre outras coisas, o
que é, suas limitações e o objetivo da filosofia enquanto ramo do saber humano.
PRINCIPAIS FILÓSOFOS.
1. FRIEDRICH NIETZSCHE
Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de outubro de 1844 — Weimar, 25 de agosto de
1900) foi um filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão do século XIX. Ele
escreveu vários textos críticos sobre a religião, a moral, a cultura contemporânea, filosofia e
ciência, exibindo uma predileção por metáfora, ironia e aforismo.
Suas ideias-chave incluíam a crítica à dicotomia apolíneo/dionisíaca, o perspectivismo, a
vontade de poder, a "morte de Deus", o Übermensch (Além-Homem, ver: Novo Homem) e
eterno retorno. Sua filosofia central é a ideia de "afirmação da vida", que envolve
questionamento de qualquer doutrina que drene uma expansiva de energias, não importando o
quão socialmente predominantes essas ideias poderiam ser. Seu questionamento radical do
valor e da objetividade da verdade tem sido o foco de extenso comentário e sua influência
continua a ser substancial, especialmente na tradição filosófica continental compreendendo
existencialismo, pós-modernismo e pós-estruturalismo. Suas ideias de superação individual e
transcendência além da estrutura e contexto tiveram um impacto profundo sobre pensadores do
final do século XIX e início do século XX, que usaram estes conceitos como pontos de partida
para o desenvolvimento de suas filosofias. Mais recentemente, as reflexões de Nietzsche foram
recebidas em várias abordagens filosóficas que se movem além do humanismo, por exemplo, o
transumanismo.
Obras:
O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem
Geiste der Musik, 1872
 A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (Philosophie im tragischen Zeitalter der
Griechen - provavelmente os textos que o compõem remontam a 1873 - publicado
postumamente)..
 Sobre a verdade e a mentira em sentido extramoral[25] (Über Wahrheit und Lüge im
außermoralischen Sinn, 1873 - publicado postumamente; edição brasileira, 2008). —
4
 Considerações Extemporâneas ou Considerações Intempestivas (Unzeitgemässe
Betrachtungen, 1873 a 1876). — Série de quatro artigos (dos treze planejados) que criticam
a cultura européia e alemã da época de um ponto de vista antimoderno, e anti-histórico, de
crítica à modernidade.
 David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauss, der Bekenner und der
Schriftsteller, 1873)
 Dos Usos e Desvantagens da História Para a Vida (Vom Nutzen und Nachteil der Historie
für das Leben, 1874);
 Schopenhauer como Educador (Schopenhauer als Erzieher, 1874);
 Richard Wagner em Bayreuth (Richard Wagner in Bayreuth, 1876).
 Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches,
Allzumenschliches, Ein Buch für freie Geister, versão final publicada em 1886);
 Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die
moralischen Vorurteile, 1881).
 A Gaia Ciência, traduzida também com Alegre Sabedoria, ou Ciência Gaiata (Die
fröhliche Wissenschaft, 1882).
 Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also Sprach Zarathustra,
Ein Buch für Alle und Keinen, 1883-85).
 Além do Bem e do Mal, Prelúdio a uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse.
Vorspiel einer Philosophie der Zukunft,
 Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, Eine Streitschrift, 1887.
 O Crepúsculo dos Ídolos, ou como Filosofar com o Martelo (Götzen-Dämmerung, oder
Wie man mit dem Hammer philosophiert, agosto-setembro 1888). Obra onde dilacera as
crenças, os ídolos (ideais ou autores do cânone filosófico), e analisa toda a gênese
da culpa no ser humano.
 O Caso Wagner, um Problema para Músicos (Der Fall Wagner, Ein Musikanten-Problem,
maio-agosto 1888).
 O Anticristo - Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist. Fluch auf das Christentum,
setembro 1888) -.
 Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, Wie man wird, was
man ist, outubro-novembro 1888)
 Nietzsche contra Wagner (Nietzsche contra Wagner, Aktenstücke eines Psychologen,
dezembro 1888).
Crítico mordaz da ideia da existência de Deus, Nietzsche era um niilista – pessoa que, em
princípio, não vê sentido na existência humana. Ele criou o termo “super-homem” para
designar um homem superior, que seja capaz de transformar os valores estabelecidos e elevar a
humanidade. Foi muito combatido no seu tempo, mas acabou inspirando diversos movimentos,
entre eles o existencialismo, de Jean-Paul Sartre
5
2. SANTO AGOSTINHO
Agostinho de Hipona (em latim: Aurelius
Augustinus Hipponensis), conhecido
universalmente como Santo Agostinho, foi um
dos mais importantes teólogos e filósofos dos
primeiros anos do cristianismo cujas obras foram
muito influentes no desenvolvimento do
cristianismo e filosofia ocidental. Ele era o bispo
de Hipona, uma cidade na província romana da
África. Escrevendo na era patrística, ele é
amplamente considerado como sendo o mais importante dos Padres da Igreja no ocidente. Suas
obras-primas são "A Cidade de Deus" e "Confissões", ambas ainda muito estudadas
atualmenAgostinho é considerado uma figura muito influente na história da educação e uma de
suas primeiras obras, De Magistro ("Do Professor"), contém muitos de seus pensamentos sobre
o tema. Durante sua vida, suas ideias foram mudando conforme foi encontrando novas direções
ou formas melhores de expressa-las. Finalmente, já nos seus anos finais, escreveu as
"Retratações" (ou "Reconsiderações"), revisitando suas obras mais antigas e melhorando alguns
textos. A partir dela, fica claro que Agostinho acreditava que a educação era uma busca
incansável por compreensão, significado e verdade que sempre deixa aberto o espaço para a
dúvida, o desenvolvimento e a mudança
Gary N. McCloskey identificou quatro "encontros de aprendizado" ("aulas") na abordagem
agostiniana à educação: as experiências transformadoras; a jornada em busca da compreensão,
significado e verdade; o aprendizado com os outros em comunidade; e a criação dos hábitos de
aprendizado. Segundo ele, Agostinho acreditava ainda que o diálogo, a dialética e a discussão
eram as melhores formas de aprender e que este método deveria servir de modelo para as aulas
te.
PRINCIPAIS OBRAS: As Confissões e A Cidade de Deus
6
3. DAVID HUME
David Hume (Edimburgo, 7 de maio (ou 26 de abril-
Antigo) de 1711 – Edimburgo, 25 de Agosto de
1776) foi um filósofo, historiador e ensaísta britânico
nascido na Escócia que se tornou célebre por seu
empirismo radical e seu ceticismo filosófico. Ao lado
de John Locke e George Berkeley, David Hume
compõe a famosa tríade do empirismo britânico,
sendo considerado um dos mais importantes
pensadores do chamado iluminismo escocês e da
própria filosofia ocidental.David Hume opôs-se
particularmente a Descartes e às filosofias que
consideravam o espírito humano desde um ponto de
vista teológico-metafísico. Assim David Hume abriu
caminho à aplicação do método experimental aos
fenômenos mentais.[3] Sua importância no desenvolvimento do pensamento contemporâneo é
considerável. Teve profunda influência sobre Kant, sobre a filosofia analítica do início do
século XX e sobre a fenomenologia.
O estudo da sua obra tem oscilado entre aqueles que colocam ênfase no lado cepticista (tais
como Reid, Greene, e os positivistas lógicos) e aqueles que enfatizam o lado naturalista (como
Kemp Smith, Stroud e Galen Strawson). Por muito tempo apenas se destacou em seu
pensamento o ceticismo destrutivo. Somente no fim do século XX os comentadores se
empenharam em mostrar o caráter positivo e construtivo do seu projeto filosófico. Teorizava
sobre questões epistemológicas – aquelas que tratam da natureza do conhecimento. Toda
hipótese que não pudesse ser comprovada, segundo ele, seria inválida. Cético, não acreditava
em milagres e dizia ser impossível provar a existência de Deus. Foi um dos maiores expoentes
do Iluminismo, movimento surgido na Europa no fim do século 18 que defendia a razão como
alicerce da sociedade
David Hume foi um leitor voraz. Entre suas fontes, incluem-se tanto a Filosofia antiga como o
pensamento científico de sua época, ilustrado pela física e pela filosofia empirista. Fortemente
influenciado por Locke e Berkeley mas também por vários filósofos franceses, como Pierre
Bayle e Nicolas Malebranche, e diversas figuras dos círculos intelectuais ingleses, como
Samuel Clarke, Francis Hutcheson (seu professor) e Joseph Butler (a quem ele enviou seu
primeiro trabalho para apreciação), é entretanto a Newton que Hume deve seu método de
análise, conforme assinalado no subtítulo do Tratado da Natureza Humana – Uma Tentativa de
Introduzir o Método Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais.
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PRINCIPAL OBRA Investigação sobre os Princípios da Moral
4. LUDWIG WITTGENSTEIN
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (Viena, 26 de Abril
de 1889 — Cambridge, 29 de Abril de 1951) foi um
filósofo austríaco, naturalizado britânico. Foi um dos
principais atores da virada linguística na filosofia do
século XX. Suas principais contribuições foram feitas
nos campos da lógica, filosofia da linguagem, filosofia
da matemática e filosofia da mente. Interessado desde
cedo em matemática e lógica, centrou seus estudos na
função da linguagem. Para ele, os problemas filosóficos
eram fruto de confusões nos modos de se comunicar.
“Os limites da minha linguagem significam os limites
do mundo”, escreveu. Para compreender o mundo,
portanto, há de se analisar a linguagem, disse
Muitos o consideram o filósofo mais importante do
século passado. O único livro de filosofia que publicou em vida, o Tractatus Logico-
Philosophicus, de 1922, exerceu profunda influência no desenvolvimento do positivismo
lógico. Mais tarde, as ideias por ele formuladas a partir de 1930 e difundidas em Cambridge e
Oxford também impulsionaram um outro movimento filosófico - a chamada "filosofia da
linguagem comum".
Seu pensamento é geralmente dividido em duas fases. Para identificá-las, muitos autores
recorrem ao artifício de atribuir os escritos da juventude ao Primeiro Wittgenstein e a obra
posterior ao Segundo Wittgenstein, como se designassem autores distintos. A cada um desses
períodos corresponde uma obra central na história da filosofia do século XX. À primeira fase,
pertence o Tractatus Logico-Philosophicus, livro em que Wittgenstein procura esclarecer as
condições lógicas que o pensamento e a linguagem devem atender para poder representar o
mundo. À segunda fase, pertencem as Investigações Filosóficas, publicadas postumamente em
1953. Nesse livro, Wittgenstein trata de tópicos similares aos do Tractatus (embora sob uma
perspectiva radicalmente diferente) e avança sobre temas da filosofia da mente ao analisar
conceitos como os de compreensão, intenção, dor e vontade.
PRINCIPAIS OBRAS Investigações Filosóficas e Tratado Lógico-Filosófico
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5. SÃO TOMÁS DE AQUINO
Tomás de Aquino, em italiano Tommaso d'Aquino
(Roccasecca, 1225 — Fossanova, 7 de março de
1274), foi um frade da Ordem dos Pregadores
(dominicano) italiano[3][4] cujas obras tiveram
enorme influência na teologia e na filosofia,
principalmente na tradição conhecida como
Escolástica, e que, por isso, é conhecido como
"Doctor Angelicus", "Doctor Communis" e "Doctor
Universalis". "Aquino" é uma referência ao condado
de Aquino, uma região que foi propriedade de sua
família até 1137. Considerado o maior teólogo da
Igreja Católica, foi profundamente influenciado por
Aristóteles, que, ironicamente, fora acusado de
ateísmo. Em sua obra, investiga uma série de
questões que não se limitam ao período medieval,
época em que viveu. Ele refletiu sobre ética e
metafísica e contribuiu para dar novo significado às noções de causa e ser, sobretudo para
justificar como a realidade é constituída
Ele foi o mais importante proponente clássico da teologia natural e o pai do tomismo. Sua
influência no pensamento ocidental é considerável e muito da filosofia moderna foi concebida
como desenvolvimento ou oposição de suas ideias, particularmente na ética, lei natural,
metafísica e teoria política. Ao contrário de muitas correntes da Igreja na época, Tomás abraçou
diversas ideias de Aristóteles - a quem ele se referia como "o Filósofo" - e tentou sintetizar a
filosofia aristotélica com os princípios do cristianismo. As obras mais conhecidas de Tomás são
a "Suma Teológica" (em latim: Summa Theologiae) e a "Suma contra os Gentios" (Summa
contra Gentiles). Seus comentários sobre as Escrituras e sobre Aristóteles também são parte
importante de seu corpus literário. Além disso, Tomás se distingue por seus hinos eucarísticos,
que ainda hoje fazem parte da liturgia da Igreja.
Tomás é venerado como santo pela Igreja Católica e é tido como o professor modelo para os
que estudam para o sacerdócio por ter atingido a expressão máxima tanto da razão natural
quanto da teologia especulativa. O estudo de suas obras há muito tempo tem sido o cerne do
programa de estudos obrigatórios para os que buscam as ordens sagradas (como padres e
diáconos) e também para os que se dedicam à formação religiosa em disciplinas como filosofia
católica, teologia, história, liturgia e direito canônico. Tomás foi também proclamado Doutor
da Igreja por Pio V em 1568.
PRINCIPAL OBRA Suma Teológica
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6. GEORG HEGEL
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (Stuttgart, 27 de
agosto de 1770 – Berlim, 14 de novembro de 1831)
foi um filósofo alemão. É unanimemente
considerado um dos mais importantes e influentes
filósofos da história. Pode ser incluído naquilo que
se chamou de Idealismo Alemão, uma espécie de
movimento filosófico marcado por intensas
discussões filosóficas entre pensadores de cultura
alemã (Prússia) do final do século XVIII e início do
XIX. Essas discussões tiveram por base a publicação
da Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant. Hegel,
ainda no seminário de Tübingen, escreveu,
juntamente com dois renomados colegas, os
filósofos Friedrich Schelling e Friedrich Hölderlin, o
que chamaram de "O Mais Antigo Programa de
Sistema do Idealismo Alemão". Posteriormente
Hegel desenvolveu um sistema filosófico que denominou "Idealismo Absoluto", uma filosofia
capaz de compreender discursivamente o absoluto (de atingir um saber do absoluto, saber cuja
possibilidade fora, de modo geral, negada pela crítica de Kant à metafísica). Apesar de ser
notavelmente crítica em relação ao Iluminismo, a filosofia hegeliana é tida por muitos como,
para usar a expressão de Habermas, a "filosofia da modernidade por excelência" Um dos
expoentes do idealismo alemão, estabeleceu um sistema que resultou em outro significado para
as noções de liberdade e história. Utilizou o método dialético (focado na contraposição de
ideias) para explicar aquilo que constitui o mundo real.
Hegel descreve sua concepção filosófica, no prefácio a uma de suas mais célebres obras, a
Fenomenologia do Espírito, da seguinte forma: "Segundo minha concepção – que só deve ser
justificada pela apresentação do próprio sistema –, tudo decorre de entender e exprimir o
verdadeiro não como substância, mas também, precisamente, como sujeito. Ao mesmo tempo,
deve-se observar que a substancialidade inclui em si não só o universal ou a imediatez do saber
mesmo, mas também aquela imediatez que é o ser, ou a imediatez para o saber. [...] A
substância viva é o ser, que na verdade é sujeito, ou – o que significa o mesmo – que é na
verdade efetivo, mas só na medida em que é o movimento do pôr-se-a-si-mesmo, ou a
mediação consigo mesmo do tornar-se outro. Como sujeito, é a negatividade pura e simples, e
justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a
negação dessa diversidade indiferente e de seu oposto. Só essa igualdade reinstaurando-se, ou
só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que são o verdadeiro; e não uma unidade
originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si
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mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, que o tem como princípio, e que só é
efetivo mediante sua atualização e seu fim. PRINCIPAL OBRA A Fenomenologia do
Espírito
7. RENÉ DESCARTES
René Descartes (La Haye en Touraine, 31 de março de
1596 – Estocolmo, 11 de fevereiro de 1650) foi um
filósofo, físico e matemático francês.Durante a Idade
Moderna, também era conhecido por seu nome latino
Renatus Cartesius.
Notabilizou-se sobretudo por seu trabalho
revolucionário na filosofia e na ciência, mas também
obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão
da álgebra com a geometria - fato que gerou a
geometria analítica e o sistema de coordenadas que
hoje leva o seu nome. Por fim, foi também uma das
figuras-chave na Revolução Científica. Autor da
máxima “Penso, logo existo”, defendia que o melhor
caminho para adquirir conhecimento era o raciocínio matemático. Segundo ele, a fim de
descobrir algo “firme e constante nas ciências”, era necessário estabelecer princípios sobre os
quais não houvesse dúvidas. Por isso, o filósofo precisava, antes de tudo, ser um cético.
Matemático brilhante, é considerado o fundador da filosofia moderna
Descartes, por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática
moderna", é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do
Pensamento Ocidental. Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores; boa
parte da filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores
supostamente influenciados por ele. Muitos especialistas afirmam que, a partir de Descartes,
inaugurou-se o racionalismo da Idade Moderna. Décadas mais tarde, surgiria nas Ilhas
Britânicas um movimento filosófico que, de certa forma, seria o seu oposto - o empirismo, com
John Locke e David Hume.
PRINCIPAL OBRA Discurso do Método
8.G. K. CHESTERTON
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Gilbert Keith Chesterton, conhecido como G. K. Chesterton,
(Londres, 29 de maio de 1874 — Beaconsfield, 14 de junho de
1936) foi um escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista,
historiador, biógrafo, teólogo, filósofo, desenhista e
conferencista britânico. Igualmente trilhou pelo campo da
economia. É conhecido como o "príncipe do paradoxo" pelo
conteúdo argumentativo brilhante de sua obra. amília era
Anglicana, mas em 1922 Chesterton se converteu ao
Catolicismo por influência do escritor Hilaire Belloc com quem
mantinha grande amizade. Sua obra mais conhecida do público
é Ortodoxia na qual faz uma apologia impressionante do
Cristianismo contra linhas de pensamento modernistas como o
cientificismo, o ateísmo, o reducionismo, o determinismo e o
relativismo. A sua retórica chama a atenção pela clareza e
precisão nos argumentos, sendo fonte de inspiração para muitos
pensadores e autores Cristãos. Outro livro apologético de grande
importância é Hereges.
Chesterton também ficou conhecido em sua época pelos debates com George Bernard Shaw, H.
G. Wells, Bertrand Russell e Clarence Darrow, nos quais sua lógica de pensamento e bom
humor conquistavam o público.
Faleceu em 14 de Junho de 1936, deixando todos os seus bens para a Igreja
É reconhecido por, juntamente com os outros católicos (Hilaire Belloc, Cecil Chesterton,
Arthur Penty), haver previsto o sistema sócio-económico do distributismo.
PRINCIPAL OBRA: Ortodoxia e O Homem Eterno
9. PLATÃO
(em grego antigo: Πλάτων, transl. Plátōn,
"amplo",Atenas, 428/427 – Atenas, 348/347 a.C.) foi um
filósofo e matemático do período clássico da Grécia
Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador
da Academia em Atenas, a primeira instituição de
educação superior do mundo ocidental. Juntamente com
seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão
ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da
ciência e da filosofia ocidental. Acredita-se que seu nome
verdadeiro tenha sido Arístocles. Teve grande influência
na teologia cristã e na filosofia ocidental. Para ele, o
homem vivia preso num mundo de sombras, sem
conseguir ver a realidade. Foi o primeiro filósofo a produzir uma obra substancial que
12
sobreviveu ao tempo. A Academia fundada por ele – e considerada a primeira instituição de
ensino superior do Ocidente – sobreviveu por mais de 800 anos
Platão era um racionalista, realista, idealista e dualista e a ele tem sido associadas muitas das
ideias que inspiraram essas filosofias mais tarde.
PRINCIPAIS OBRAS Apologia e República
10. IMMANUEL KANT
Immanuel Kant (Königsberg, 22 de abril de 1724 —
Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo
prussiano. Amplamente considerado como o principal
filósofo da era moderna, Kant operou, na epistemologia,
uma síntese entre o racionalismo continental (de René
Descartes e Gottfried Wilhelm Leibniz, onde impera a forma
de raciocínio dedutivo), e a tradição empírica inglesa (de
David Hume, John Locke, ou George Berkeley, que valoriza
a indução). Nascido de uma modesta família de artesãos,
depois de um longo período como professor secundário de geografia, Kant veio a estudar
filosofia, física e matemática na Universidade de Königsberg e em 1755 começou a lecionar
ensinando Ciências Naturais. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da Universidade de
Königsberg, cidade da qual nunca saiu, levando uma vida monotonamente pontual e só
dedicada aos estudos filosóficos. Realizou numerosos trabalhos sobre ciências naturais e
exatas.Kant é famoso sobretudo pela elaboração do denominado idealismo transcendental:
todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não vêm da experiência) para a
experiência concreta do mundo, os quais seriam de outra forma impossíveis de determinar. A
filosofia da natureza e da natureza humana de Kant é historicamente uma das mais
determinantes fontes do relativismo conceptual que dominou a vida intelectual do século XX.
Kant é também conhecido pela filosofia moral e pela
proposta, a primeira moderna, de uma teoria da
formação do Sistema Solar, conhecida como a
hipótese Kant-Laplace.
PRINCIPAL OBRA Crítica da Razão Pura
1. ARISTÓTELES
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Aristóteles (em grego clássico: Ἀριστοτέλης; transl.: Aristotélēs; Estagira, 384 a.C. — Atenas,
322 a.C.) foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande.[2] Seus
escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a metafísica, as leis da poesia e do drama, a
música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia. Juntamente com Platão e
Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores da filosofia
ocidental. Em 343 a.C. torna-se tutor de Alexandre da Macedónia, na época com treze anos de
idade, que será o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em 335 a.C. Alexandre assume o
trono e Aristóteles volta para Atenas onde funda o Liceu. Considerado por muitos o fundador
da ética, Aristóteles defendeu que os sentidos devem ser o ponto de partida da filosofia. A
busca pelo conhecimento, segundo ele, é mais eficaz quando recorremos à observação e
podemos fazer experimentações. Ele criou uma escola (o Liceu) e influenciou com suas ideias
vários campos do saber (física, política, meteorologia, lógica etc.). No fim da vida, acusado de
ser ateu, fugiu de Atenas para não ter o mesmo destino de Sócrates (469-399 a.C.), obrigado a
matar-se tomando veneno
PRINCIPAL OBRA: Ética a Nicômaco
12. MICHEL FOUCAULT
Michel Foucault; Poitiers, 15 de outubro de 1926 —
Paris, 25 de junho de 1984) foi um filósofo, historiador
das ideias, teórico social, filólogo e crítico literário.
Suas teorias abordam a relação entre poder e
conhecimento e como eles são usados como uma forma
de controle social por meio de instituições sociais.
Embora muitas vezes seja citado como um pós-
estruturalista e pós-modernista, Foucault acabou
rejeitando esses rótulos, preferindo classificar seu
pensamento como uma história crítica da modernidade.
Seu pensamento foi muito influente tanto para grupos
acadêmicos, quanto para ativistas. Foucault é
conhecido pelas suas críticas às instituições sociais,
especialmente à psiquiatria, à medicina, às prisões, e
por suas ideias sobre a evolução da história da
sexualidade, suas teorias gerais relativas ao poder e à complexa relação entre poder e
conhecimento, bem como por estudar a expressão do discurso em relação à história do
pensamento ocidental.Têm sido amplamente discutidas a imagem da "morte do homem",
anunciada em As Palavras e Coisas, e a ideia de subjetivação, reativada no interesse próprio de
uma forma ainda problemática para a filosofia clássica do sujeito. Parece então que mais do que
em análises da "identidade", por definição, estáticas e objetivadas, Foucault centra-se na vida e
nos diferentes processos de subjetivação.
PRINCIPAL OBRA: História da loucura na idade clássica (1961) e Arqueologia do saber
(1969).
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A Filosofia para a Sala-de-Aula
O que o homem moderno precisa compreender é simplesmente que toda a argumentação
começa com uma afirmação ponto-de-partida; isto é, com algo de que não se duvida. Pode-se, é
claro, duvidar da afirmação base, mas, nesse caso, já estaria dando início a outra argumentação
diferente, propondo que se parta de outra suposição. Todo argumento inicia por um dogma
infalível, e esse dogma absoluto, por sua vez, só pode ser discutido, se recorrermos a outro
dogma infalível: nunca se pode provar o primeiro ponto-de-partida (senão não seria ponto-de-
partida).
Este é o be-a-bá do raciocínio lógico. E tem esta vantagem especial de que pode ser ensinado
na escola, como qualquer outro be-a-bá. Não dar início a qualquer discussão sem antes declarar
abertamente os postulados de cada um, é uma regra a ser ensinada tanto na filosofia, quanto na
matemática de Euclides, ou em qualquer aula comum, usando giz e lousa. E penso que esse
princípio poderia ser ensinado de forma simples e racional até mesmo ao jovem, antes de
aventurar-se pelo mundo, à mercê da "lógica" e da filosofia imposta pela mídia.
Muitas das desorientações e dúvidas no campo religioso, surgem pelo fato de os céticos de hoje
começarem sempre, falando sobre tudo aquilo em que eles não acreditam. Mas, mesmo de um
cético, o que queremos saber primeiro é em que ele realmente acredita. Antes de começar a
discutir, é preciso saber o que é que não se discute. Essa confusão aumenta infinitamente pelo
fato de que todos os céticos de nosso tempo são céticos em diferentes graus dessa dissolução
que é o ceticismo.
Agora, nós temos (espero), uma vantagem sobre todos esses novos filósofos sabidos: mantemo-
nos em sã consciência. Acreditamos que existe, de fato, a catedral de São Paulo; e grande parte
de nós acredita em São Paulo. É preciso deixar bem claro que acreditamos em muitas coisas
que, embora façam parte de nossa existência, não podem ser demonstradas. Nem é preciso
meter religião na história. Diria até que todos os homens de bom senso, acreditam firme e
invariavelmente em umas quantas coisas que não foram provadas e que nem sequer podem ser
provadas.
De forma resumida, são elas:
a. Todo ser humano em sã consciência acredita que o mundo e as pessoas ao redor dele são
reais e não um produto da sua imaginação ou de um sonho. Ninguém começa a incendiar
Londres, se está convencido de que seu criado logo o acordará para o café da manhã. Mas não
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temos provas, em nenhum momento, de que tudo não passa de um sonho. Que algo exista além
de mim é uma afirmação que não está comprovada (nem se pode comprovar...).
b. Todo homem em sã consciência, acredita não somente que este mundo existe, mas
também que ele tem importância. Todo homem acredita que há, em nós, um tipo de
obrigação de nos interessarmos por esta visão da vida. Não concordaria com alguém que
dissesse, "Eu não escolhi esta farsa e ela me aborrece. Fiquei sabendo que uma senhora idosa
está sendo assassinada no andar de baixo, mas eu vou é dormir ". O fato de que há um dever de
melhorar coisas não feitas por nós é algo que não foi provado e não se pode provar.
c. Todos os homens em sã consciência acreditam que existe uma certa coisa chamada eu, self
ou ego e que é contínua. Não há nenhum centímetro de meu cérebro igual ao que era há dez
anos atrás. Mas se eu salvei a vida de um homem numa batalha há dez anos atrás, fico
orgulhoso; se me acovardei, sinto-me envergonhado. A existência desse "eu" axial nunca foi
comprovada e não pode ser comprovada. Trata-se de uma questão mais do que "improvável" e
que é muito debatida entre os metafísicos.
d. Finalmente, a maioria dos homens em sã consciência acredita, e todos o admitem na
prática, que têm um poder de escolha e responsabilidade por suas ações.
Seguramente é possível elaborar algumas afirmações simples como as acima, para que as
pessoas possam saber a que se ater. E se os jovens do futuro não vão ter formação em religião,
pode-se-lhes ensinar, pelo menos, de forma clara e firme, um pouco de bom senso, três ou
quatro certezas do pensamento humano livre.
CONCEITOS FILOSOFICOS E A EDUCAÇÃO.
Cada corrente teórica-pedagógica possui uma visão sobre cada um destas concepções.
1) Escola Tradicional
a) Concepção do homem:
 É universal – todos têm a mesma potencialidade;
 Ouvinte;
 Receptivo;
 Passivo;
 Obediente.
b) Concepção epistemológica:
 Dava-se ênfase na memória;
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 Na formação de elementos intelectuais;
 Ensino livresco e enciclopédico (desvinculada da realidade).
 A única preocupação era a transmissão do saber acumulado, levando a um
distanciamento da realidade dos alunos.
c) Concepção axiológica:
 Maniqueístas;
 Moralista;
 Puritana;
 Conservadora.
A concepção dos valores na escola tradicional é dualista, distinguindo o que é bom e o que é
ruim. Exigem um exagerado moralismo, pois as regras não deixam as pessoas mudarem de
opinião, sendo a moral única e todos têm que adequarem a elas.
d) Concepção política:
 Conservadora;
 Autoritária;
 Niveladora;
 Hierárquica.
São as normas que garantem a submissão do aluno, levando-os a obediência que é considerada
a primeira virtude.
Por ser hierárquica, não se permitia que se passasse sobre ela e não podia tão pouco questioná-
las.
A pedagogia tradicional é uma proposta de educação centrada no professor, cuja função define-
se por vigiar os alunos, aconselhá-los, ensinar a matéria e corrigi-la. A metodologia decorrente
de tal concepção tem como princípio a transmissão dos conhecimentos através da aula do
professor, frequentemente expositiva, numa sequ repetição de exercício, ência predeterminada
e fixa, enfatiza a repetição de exercícios com exigências de memorização. Valoriza o conteúdo
livresco e a quantidade. O professor fala, o aluno ouve e aprende. Não propicia ao sujeito que
aprende um papel ativo na construção dessa aprendizagem, que é aceita como vinda de fora
para dentro. Muitas vezes não leva em consideração o que a criança aprende fora da escola,
seus esforços espontâneos, a construção coletiva.
A figura do professor como detentor do saber é uma força motriz nessas escolas. A função
primordial da escola, nesse modelo, é transmitir conhecimentos disciplinares para a formação
geral do aluno, formação que o levará, ao inserir-se futuramente na sociedade, a optar por uma
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profissão valorizada. Na maioria das escolas essa prática pedagógica se caracteriza pela
sobrecarga de informações que são veiculadas aos alunos, o torna o processo de aquisição de
conhecimento, muitas vezes burocratizado e destituído de significação.A postura da escola se
caracteriza como conservadora. No processo de alfabetização, apóia-se principalmente nas
técnicas para codificar/decodificar a escrita. A escrita espontânea da criança em fase de
alfabetização não é levada em conta, sendo a cartilha sequencialmente seguida, a base do
processo de alfabetização.
2) Escola Nova
a) Concepção de Homem:
 O sujeito não é universal;
 É individual;
 Sua dimensão é psicológica;
 Não nasceu com a essência pronta;
 livre, ativo e social.
b) Concepção epistemológica:
 Aprendizagem por interesse(curioso);
 Saber e prazer;
 Experiências concretas;
 Conhecimento a ser construído progressivamente;
O aluno é o sujeito principal da aula e norteador, ao professor, cabe estimulá-lo, dando ênfase
à aprendizagem como apreensão da metodologia de pesquisa e tendo como objetivo estimular
os interesses inatos de seus alunos e obedecendo a ordem psicológica de cada um, que é
definido durante o processo.
c) Concepção axiológica:
 Aversão às normas;
 Responsabilidade individual pela existência;
 Autonomia;
 Rejeição de padrão e rótulos.
Os modelos ético e moral, baseiam em que nenhuma regra vai atender a todos , as normas
sempre aprisionam o sujeito não o deixando expressar-se da maneira que quer. O conhecimento
assimilado é o produzido pelo aluno, o bem e o mal são coisas relativas, dependendo de cada
um.
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O conhecimento para ser verdadeiro tem que ser feito a experiência humana, fazendo a própria
pessoa pensar em sua existência, compreendendo-a melhor.
d) Concepção política:
 Sem projeto de hegemonia política;
 Auto-gestão
 Pouca ênfase em questões sociais.
O modelo político é de uma sociedade fragmentada, o positivo da escolanovista é ir contra a
ditadura, a disciplina trabalha com o discurso de “trabalhar com a liberdade”, sendo ele
democratizante.
Em oposição à Escola Tradicional, a Escola Nova destaca o princípio da aprendizagem por
descoberta e estabelece que a atitude de aprendizagem parte do interesse dos alunos que, por
sua vez, aprendem fundamentalmente pela experiência, pelo que descobrem por si mesmos. O
professor é visto, então, como facilitador no processo de busca de conhecimento que deve partir
do aluno. Cabe ao professor organizar e coordenar as situações de aprendizagem, adaptando
suas ações às características individuais dos alunos, para desenvolver suas capacidades e
habilidades intelectuais.
A idéia de um ensino guiado pelo interesse dos alunos acabou, em muitos casos, por
desconsiderar a necessidade de um trabalho planejado, perdendo-se de vista o que deve ser
ensinado e aprendido. Essa tendência, que teve grande penetração no Brasil na década de 30, no
âmbito do ensino pré-escolar , até hoje influencia muitas práticas pedagógicas.
3) Escola Tecnicista
a) Concepção do Homem:
 Universal;
 Passivo;
 Receptivo;
 Desenvolvimento de habilidades lógicas;
 Disciplinável.
b) Concepção Epistemológica:
 Objeto mais importante que o sujeito;
 Pragmática (educação);
 Formação para o mercado (mão-de-obra qualificada);
 Transmissão;
 Treinamento:
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 Desenvolvimento sensório-motor e intelectual.
O objeto tem que ser conhecido para que se possa colocá-lo em prática, ensinava-se a fazer as
coisas e não a pensar, todos os alunos tinham que desenvolver habilidades principalmente
lógicas (aprender para fazer),
O saber, é o saber técnico que deve ser organizado e transmitido para tornar o aluno apenas
uma força produtiva (saber para fazer), privilegiando a dimensão técnica,enfatizava o aspecto
pragmático do conteúdo, proclamando-se uma pseudoneutralidade.
c) Concepção Axiológica:
 Tradição;
 Hierarquia;
 Pragmatismo;
 Moralista;
 Ordem mecânica e natural;
d) Concepção Política:
 Autoritária;
 Visão pragmática;
 Frieza nas relações interpessoais;
 Anonimato;
 Relações interpessoais descaracterizadas e desumanizadas;
 Economista.
 Existe uma contradição onde você quer uma sociedade modernizada porém,em
um país autoritário.
Na escola tecnicista o homem é visto como produto do meio altamente controlado pela
sociedade com atividades mecânicas inseridas numa proposta educacional rígida programada
em detalhes. E o seu comportamento é modelado através de técnicas específicas, produzindo
individualmente, tornando-se competente para o mercado de trabalho, transmitindo as
informações precisas, objetivas e rápidas.
O mundo é construído evidenciando a tecnologia, manipulando o meio em favor do
crescimento técnico, a sociedade planejada, organizada, rígidas pelas leis.Seguindo um
planejamento, o conhecimento é planejado pelos especialistas e seu resultado direto da
experiência.
A educação é baseada na transmissão cultural manipulando e controlando o mundo.
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O professor é um mero transmissor na aplicação de manuais, apenas passa as técnicas utilizadas
nas fábricas.Centralizando a escola (produção) às vezes o ensino distanciado.A escola é um
modelo empresarial dividindo-se entre planejamento e execução.O ensino visa os
comportamentos adequados e úteis a produtividade, é dado instrução como objetivo a ser
alcançado.
Ao professor cabe selecionar, organizar e aplicar técnicas eficientes e de muita eficácia, na
verdade o professor é um técnico que ensina a prática da técnica.O aluno é um elemento
preparado, eficiente, pronto a produzir para seu bem estar. Os objetivos educacionais são
operacionalizados dando “Educação e Instrução”, controlando o comportamento e exigindo
produtividade.O conteúdo geral, estruturado nos objetivos a serem alcançados.A metodologia
dá ênfase aos recursos audiovisuais, instrução programada, tecnologia de ensino, ensino
individualizado, máquinas de ensinar (fazer fazendo).
A avaliação é feita baseada na produtividade do aluno, e também do seu comportamento desde
a entrada até a saída da escola.Tudo é planejado e executado pelo professor, visando melhor
desempenho, sendo a relação professor- aluno meramente profissional e fria, isto é, o aluno
recebe as informações e aprende fixando-as durante o processo de aprendizagem, sem muito
questionar o aprendizado.
4) Teoria Antiautoritária:
a) Concepção de homem:
 Ativo;
 Dotado de vontade;
 Autônomo;
 Liberdade individual e coletiva;
 Condutor de seu conhecimento.
b) Concepção epistemológica:
 Não dogmático;
 A concepção do conhecimento se dá de forma autônoma e coletiva;
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 Atividades livres em busca do pessoal ( conhecimento cognitivo);
 Ligado à realidade e experiência do aluno;
 Na interação com o mundo, é o responsável pela direção e significado do aprendido;
 Não-diretivo;
 Auto-gestão.
c) Construção axiológica
 As regras são construídas coletivamente;
 As regras não são universais;
 Autonomia (liberdade de escolha).
d) Concepção política
 Livre expressão dos ideais libertários ( contrários a toda burocracia);
 Nega a delegação de poder a representantes;
 Anarquista;
 Socialista.
As Teorias antiautoritárias rompem com a submissão e obediência e instauram um novo
modelo pedagógico, defendendo a liberdade individual e coletiva. Os conteúdos livres, não
uniformes, são menos importantes que a personalidade e o caráter do aluno, não é imposto,
ensina-se às crianças os que elas solicitam.
Ultilizam-se de métodos não impositivos, não coercitivos, baseados nas investigações livres
dos aprendizes, em sua atividade na busca do pessoal. Os professores dão liberdade às crianças
por estarem convencidos que sua natureza é fundamentalmente boa e se orienta por si mesma
em direção positiva, não exigindo a avaliação através dos exames clássicos e sim a auto-
avaliação, que parte da aprendizagem da autocrítica e da responsabilidade. O planejamento
parte das decisões tomadas em assembléia de alunos e transformados em matérias de interesse
comum.
As teorias antiautoritárias surgem principalmente a partir dos trabalhos do psicólogo norte-
americano Carl Rogers ,que rejeita o ensino autoritário, considerado inibidor da espontaneidade
da criança. Para ele o professor deve ser entendido como coordenador do aprendizado. Rogers
transpõe para a educação sua concepção de terapia, introduzindo nas salas de aula a dinâmica
de grupo.
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Nela, os alunos integram sob a observação do professor, que só interfere quando solicitado pelo
grupo, para solucionar conflitos ou questões de conteúdo. O método cria um ambiente que
estimula os alunos a desenvolverem suas próprias interpretação de mundo.
5) TEORIA CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS:
a) Concepção de homem:
 Ativo;
 Multiplicador de ideias
 Questionador
 Tem em potencial muitas habilidades, mas vai se desenvolvendo ( intencionista);
b) Concepção epistemológica:
 Conhecimento construído a partir dos interesses da realidade dos alunos;
 Por meio cultural;
 Transforma a natureza em cultura ( criatividade);
c) Concepção axiológica:
 Reprodução de idéias da classe dominante;
 Não universal;
 Interiorização das normas
d) Concepção política:
 Rejeição das idéias políticas impostas;
 Sistema capitalista.
As teorias crítico-reprodutivistas, bastante em voga na década de 70, não chegaram a apresentar
uma proposta para a educação, limitando-se a denunciar a reprodução das mazelas sociais no
interior do processo de ensino. A escola é um aparelho difusor da ideologia dominante para
Althusser; desencadeia uma violência simbólica segundo Bordieu e Passeron; é uma escola
dualista, de acordo com Baudelot e Establet, ao ministrar um tipo de ensino privilegiado nas
escolas de rede secundária-superior, acessível apenas às elites e um ensino de segunda ordem,
empobrecido, na rede primária-profissional para as classes subalternas.
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Essas teorias as quais denunciam os mecanismos de dominação as sociedade pelas elites
dirigentes utilizando-se do aparelho escolar como reprodutor de sua ideologia. De outra parte
reconhece no pensamento intelectual marxista Antonio Gramsci a possibilidade da escola
propor uma ideologia que seja contra-hegemônica. Esta se instaura a partir do momento que
educandos e educadores aproveitam os espaços ou lacunas permitidas pelos sistema e
contribuem para a superação da marginalidade social articulando uma escola que trabalha os
conteúdos a partir dos interesses dos dominados.
A impotência das teorias críticos-reprodutivistas e superada a partir da síntese dialética que
coloca a capacidade de luta e transformação na mão dos educadores. Fica descoberto assim, no
seio do processo educativo, um poder real, embora limitado. Este poder se desvela na medida
em que se capta a tarefa específica da educação, inserida no contraditório da sociedade
capitalista.
6) Teorias Construtivistas:
a) Concepção de homem:
 Ativo e criador;
 Universal;
 Potencialidades inatas;
 Autônomo;
 Construído através de sua interação social;
 Dotado de vontade própria.
b) Concepção epistemológica:
 Está na interação do sujeito com o objeto ( interacionista);
 Construção contínua ;
 Produz-se a partir do desenvolvimento por etapas ou estágios sucessivos;
c) Concepção axiológica:
 Construção das normas de forma coletiva;
 A responsabilidade é construída a partir do senso individual e coletivo;
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 Sociedade mutável (constantes transformações)
d) Concepção política:
 Liberdade de expressão;
 Poder descentralizado;
 Busca caminhos para a complexidade dos processos;
Método de aprendizagem baseado nos trabalhos do biólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget,
criador da psicologia genética. Para Piaget, aprender é agir e, por isso, cabe ao professor
colocar os alunos diante de situações variadas para que eles próprios busquem soluções e
construam seu conhecimento.Piaget observa que o desenvolvimento mental da criança passa
por diversas fases e, a cada uma delas, deve corresponder o ensino de determinados conteúdos.
O professor, além de transmitir os conteúdos formais, precisa estimular o diálogo e o
pensamento crítico. As escolas que seguem essa linha evitam aplicar provas para verificar a
memorização dos conteúdos e costumam construir os materiais didáticos com os alunos.
Seguidora de Piaget, a Argentina Emília Ferreiro, analisa o processo de alfabetização segundo
os pressupostos do construtivismo. Ela acredita que os alunos também aprendem a ler e
escrever fora das salas de aula. Assim, ao ensinar, o professor deve considerar as interpretações
que os próprios alunos têm sobre a escrita. Sua teoria combate cartilhas tradicionais, pois
considera que elas restringem a alfabetização.
A contribuição mais significativa que o construtivismo já ofereceu à alfabetização (foi)
auxiliar as alfabetizadoras na tarefa de compreender as produções da criança e saber respeitá-la
como construções genuínas, indicadoras de progresso, e não como erros absurdos. Nesse
sentido, podem-se destacar dois momentos em alfabetização: antes e depois dos trabalhos de
Emília Ferreiro.
7) Teorias Progressistas:
a) Concepção de homem:
 Sujeito ativo;
 Não se isola do contexto social;
 Livres frente ao professor.
b) Concepção epistemológica:
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 A cada atividade que vai sendo feita, o sujeito coloca o seu ser ( construção como
instrumento de transformação);
 O conhecimento é construído socialmente;
 Ação conjugada com a reflexão ( propulsores da práxis).
 Admiti um conhecimento relativamente autônomo.
 Processo de aprendizagem grupal ( participação em discussões, assembléias, votações);
 Codificador – decodificador;
 Grau de envolvimento na aprendizagem depende tanto da prontidão e motivação do
aluno quanto do professor e do contexto;
 Interação conteúdos-realidade.
c) Concepção axiológica:
 Normas construídas em grupo;
 Solidariedade ( respeitadores das regras do grupo);
 Autonomia.
d) Concepção Política:
 Democrática;
 Participação popular;
 Negação de toda forma de repressão;
Snyders usou o termo progressista para designar as tendências que partindo de uma análise
crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da
educação. Evidentemente a pedagogia progressista não tem como institucionalizar-se numa
sociedade capitalista; daí ser ela um instrumento de luta dos professores ao lado de outras
práticas sociais.
A educação ao cumprir seu papel de formar cidadão crítico, que possam influenciar no meio em
que vive, continuando o que é coerente e rompendo com o que não é conveniente à sua
realidade e assim poder problematizar sua realidade e trabalhar as contradições sociais, estará
sendo coroado o esforço da pedagogia progressista que é tornar a escola o local onde as
camadas populares aumentam o seu saber e de posse dele, possam se organizar socialmente
para reivindicar o seu direito à educação.
As teorias progressistas querem formar o homem pelo e para o trabalho,
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Descartando no entanto o trabalho como higiene mental como desejam algumas escolas, se
contrapondo também as escolas profissionalizantes que só desejam formar mão-de-obra
qualificada reduzindo o trabalho somente a aquisição de técnicas.
É o desejo da pedagogia progressista que o trabalho possa construir numa atividade essencial
para a formação do homem. Podendo assim transformar a si e a natureza a partir do
entendimento do processo como um todo. Possa compreender o processo intelectual assim
como o processo manual.
A educação dada ao povo favoreça a transmissão aos saberes necessários para formação da
consciência crítica das práticas sociais que permitem a construção do mundo, com igualdade e
respeito.
Os teóricos progressistas resistem a ideia de ser a escola a solução dos problemas sociais ao
mesmo tempo que não aceitam entregar os pontos acreditando que a luta deve continuar. O
professor deve ser consciente de seu papel como peça fundamental na engrenagem social. Sua
posição frente aos problemas reais dos alunos, fará com que direcione seus conteúdos para a
formação da consciência crítica e através dessa consciência, possa o aluno despertar para a
importância de sua participação política na sociedade, exigindo a atuação efetiva dos órgão
públicos no cumprimento das obrigações do estado. Para a pedagogia progressista é esse o fim
da educação e não um mero aparelho de reprodução ideológica a serviço do estado.
Concepções fundamentais de Filosofia da Educação segundo
Dermeval Saviani
1. Concepção Humanista Tradicional.
A concepção humanista tradicional está marcada pela visão essencialista de homem. O homem
é entendido como constituído por uma essência imutável, cabendo à educação conformar-se à
essência humana. A concepção humanista tradicional se distingue em duas vertentes. Temos a
vertente religiosa, que tem suas raízes na Idade Média e cuja manifestação mais característica
tem como base as correntes do tomismo e do neotomismo. A outra é a vertente leiga, que é
centrada na ideia de “natureza humana”. Essa vertente que inspirou a construção dos “sistemas
públicos de ensino” com as características de laicidade, obrigatoriedade e gratuidade.
2. Concepção Humanista Moderna
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A concepção humanista moderna abrange corretes como o Pragmatismo, Vitalismo,
Historicismo, Existencialismo e Fenomenologia. Se difere da concepção tradicional, com uma
visão de homem centrada na existência, na vida e na atividade. Na visão tradicional dá-se um
privilégio do adulto, considerado o homem acabado, completo, em oposição à criança, ser
imaturo, incompleto. Na visão moderna, sendo o homem considerado completo desde o
nascimento e inacabado até morrer. Admite-se a existência de formas descontínuas da
educação, em dois sentidos. No primeiro sentido considera-se que a educação segue o ritmo
vital que évariado, determinado pelas diferenças existenciais ao nível dos indivíduos. No
segundo sentido, na medida em que os momentos verdadeiramente educativos são considerados
raros, passageiros, instantâneos. São momentos de plenitude, porem fugazes e gratuitos.
3. Concepção Analítica
Essa concepção de Filosofia da Educação não pressupõe explicitamente uma visão de homem
nem um “sistema filosófico” geral. Ela diz que a tarefa da Filosofia da Educação é efetuar a
análise da lógica da linguagem educacional. O método que mais se presta à tarefa proposta é o
da chamada análise informal ou lógica informal. Não se pode esquecer que se trata do contexto
linguístico e não do contexto sócio-econômico-político.
4. Concepção Dialética
A concepção dialética também se recusa a colocar no ponto de partida determinada visão de
homem. Ela se interessa pelo homem concreto, que seria o homem como “síntese de múltiplas
determinações”. Entende-se que os problemas educacionais não podem ser compreendidos
senão por referência ao contexto histórico em que estão inseridos. A concepção dialética
defende que o movimento segue leis objetivas que não só podem, mas devem ser conhecidas
pelo homem. Encarando a realidade como essencialmente dinâmica, não se vê necessidade de
negar o movimento para admitir o caráter essencial da realidade, nem de negar a essência para
admitir o caráter dinâmico do real.
ATIVIDADE I
Leia o texto a seguir e faça uma analise
“É um erro supor que o avanço dos anos traga opiniões retrógradas. Em outras palavras, não é verdade
que o aumento dos anos implique no aumento do reacionarismo. Algumas das dificuldades dos tempos
recentes são devidas ao otimismo dos velhos revolucionários. Magníficos homens de idade como o
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revolucionário russo Peter Kropotkin, o poeta Walt Whitman e William Morris foram para o túmulo
esperando a Utopia, ainda que não esperassem o Paraíso. Mas a falsidade, como tantas falsidades, é uma
versão falsa de uma meia verdade. A verdade, ou meia verdade, não é que os homens devam aprender
com a experiência a serem reacionários; mas que eles devam aprender com a experiência a esperarem
reações. E quando digo reações, quero dizer reações; devo desculpar-me, na cultura atual, por usar a
palavra em seu sentido correto.
Se um menino dispara uma arma, seja numa raposa, num proprietário de terras ou no soberano reinante,
ele será repreendido segundo o valor relativo desses objetos. Mas se ele dispara uma arma pela primeira
vez, é provável que ele não espere o coice da arma, que ele não espere o forte golpe que ela pode dar-
lhe. Ele pode passar a vida atirando nesses e em objetos similares; mas ficará cada vez menos surpreso
com coice; isto é, pela reação. Ele pode até dissuadir sua pequena irmã de seis anos de atirar com rifles
pesados, usados para matar elefantes; e, assim, dará a impressão de que está se tornando um reacionário.
O mesmo princípio se aplica no disparo das grandes armas da revolução. Não é o ideal do homem que
muda; não é sua Utopia que se altera; o cínico que diz, “Você esquecerá todo o brilho da lua do
idealismo quando envelhecer”, diz o exato oposto da verdade. As dúvidas que chegam com a idade não
são sobre o ideal, mas sobre o real. E uma das coisas que é inegavelmente real é a reação; isto é, a
probabilidade prática de alguma reversão de direção, e de nosso sucesso parcial em fazer o oposto do
pretendido. O que a experiência realmente nos ensina é: que há algo na estrutura e no mecanismo da
espécie humana, pelo qual o resultado da ação sobre ela é sempre inesperada, e quase sempre mais
complicada do que antecipamos.
Esses são os empecilhos da sociologia; e um deles está relacionado com a Educação. Se você me
pergunta se penso que a população, especialmente a sua parte pobre, deve ser reconhecida como
composta de cidadãos que podem governar o estado, respondo, com uma voz de trovão, “Sim”. Se você
me pergunta se penso que eles devam ter educação, no sentido de uma cultura ampla e uma
familiaridade com os clássicos da história, respondo novamente, “Sim”. Mas há, na consecução desse
propósito, um tipo de empecilho ou coice que só pode ser descoberto pela experiência e não aparece
impresso em papel, como acontece com o coice de uma arma. Mesmo assim, ele é, neste momento
crucial, uma parte precipuamente prática de política prática; e, apesar de estar sendo um problema há
bastante tempo, ele tem sido, sob condições recentes, um pouco mais enfatizado (se me permitem
colorir essas páginas serenas e imparciais com uma sugestão política) de forma a trazer para o front,
tantos socialistas altamente respeitáveis e tantas autoridades sindicais tão amplamente respeitadas.
O empecilho é este: que os educados pensam excessivamente em educação. Devo adicionar que os
meio-educados consideram a educação como o ideal supremo. Esse não é um fato que apareça na
superfície do ideal ou plano social; é o tipo de coisa que só pode ser descoberto pela experiência.
Quando disse que desejava que o sentimento popular encontrasse expressão política, falei sobre o
sentimento popular, real e autóctone que pode ser encontrado nos meios de transporte de terceira classe,
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nas festas folclóricas, nas festas nos feriados; e especialmente, claro (para o mais rígido investigador
social da verdade), nos bares. Pensei, e ainda penso, que essas pessoas estão certas num vasto número
de coisas em que os líderes populares estão errados. O empecilho é que quando uma dessas pessoas
começa a “aprimorar-se”, este é exatamente o momento em que começo a duvidar se aquilo é um
aprimoramento. Esse indivíduo parece coletar com impressionante velocidade um número de
superstições, das quais a mais cega e ignorante pode ser chamada de Superstição da Escola. Ele
considera a Escola, não como uma instituição social normal, como o Lar, a Igreja, o Estado; mas como
um tipo inteiramente supernormal e milagroso de fábrica moral, em que são fabricados, por mágica, os
homens e as mulheres perfeitas. A essa idolatria da Escola ele está pronto a sacrificar o Lar, a História e
a Humanidade, com todos seus instintos e possibilidades, imediatamente. A esse ídolo ele fará qualquer
sacrifício, especialmente sacrifício humano. E no fundo da mente, especialmente da mente dos melhores
homens desse tipo, há quase sempre uma de duas variantes da mesma concepção concentrada: ou “Se
não fosse a Escola, eu não teria sido o grande homem que sou agora”, ou “Se eu tivesse freqüentado a
Escola, eu seria maior ainda do que sou agora”. Que ninguém diga que estou zombando de pessoas que
não tiveram educação; não zombo de sua “deseducação”, mas de sua educação. Que ninguém tome isso
como um desprezo pelos meio-educados; desgosto da metade educada. Mas desgosto deles, não porque
desgosto da educação, mas porque, dada a filosofia moderna ou a ausência dela, a educação está sendo
voltada contra si própria, destruindo o próprio sentido de variedade e proporção que é o objeto da
educação.
Ninguém que adora a educação aproveitou o máximo dela; ninguém que sacrifica tudo pela educação é
sequer educado. Não preciso mencionar aqui os muitos exemplos recentes dessa monomania, que
rapidamente se torna uma perseguição louca, como a absurda perseguição das pessoas que vivem em
barcos. O que está errado é o desprezo de um princípio; e o princípio é que sem um gentil desprezo pela
educação, nenhuma educação de um gentil-homem está completa.” (Gilbert Keith Chesterton)
Atividade II
“Nos dias atuais o professor de Filosofia se depara com realidades bastante adversas àquelas
vividas em sua vida acadêmica. É inocente pensar que o mesmo se confrontará com alunos
com competência leitora e escritora apuradas, ou que estejam prontos a discutir textos
filosóficos complexos. Por isso é que caberá a esse docente se preparar para esses desafios e
pensar
como os seus conteúdos e discussões irão fazer sentido para aquele grupo de educandos.
Pensando numa sociedade onde o imediatismo e o consumismo são as palavras de ordem do
momento, cabe ao educador uma tarefa inerente ao objetivo principal da filosofia, que é
estabelecer uma conexão entre pensar – refletir – agir. Discussões filosóficas riquíssimas
30
podem ser exploradas e vividas se o professor fizer uma análise de sua clientela e souber
aplicar as
teorias filosóficas, de modo que essa clientela possa entender que a Filosofia não é mais uma
matéria que simplesmente preenche a grade curricular, mas que ela pode fazê-lo pensar em
sua condição e lhe dar suporte para conviver e melhorar a comunidade na qual está inserido.
Não podemos nos ater em passar biografias ou conceitos filosóficos sem sentido, por vezes
complexos e enfadonhos. Cópias de textos e questionários que são mais uma tortura do que um
aprendizado, que são mais um castigo do que a verdadeira essência da Filosofia que é o
desenvolvimento do pensamento crítico e também uma emancipação individual. Nos dias em
que vivemos estas são causas urgentes e que devem ser exploradas no ambiente escolar, pois
devemos preparar nossos
educandos para a vida e os desafios pertinentes a ela. Em tempos de grandes desafios sociais ,
econômicos e, porque não dizer educacionais é que o ensino e a discussão dessa disciplina se
tornam tão desafiadores. Devemos repensar a prática docente em relação à aplicabilidade da
disciplina, que não pode ser entendida como um saber irreal e complexo para os nossos
educandos do ensino médio, um desafio que tem que ser superado somente pelos teóricos da
educação, pedagogos e licenciados em filosofia, mas sim pela comunidade educacional que
agora precisa demonstrar a necessidade da filosofia e a sua inter - relação com as demais
áreas do conhecimento de forma a garantir e suscitar nos educandos competências para que
possam responder aos enormes desafios colocados pela sociedade contemporânea.”
Como podemos então ensinar filosofia nas escolas? Como mostrar a sua importância em
sala de aula ?
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Concepções filosoficas-s

  • 1. 1 Graduado em História pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)e Especialista em Docência do Ensino Superiorpelo Instituto Superiorde Ensino Programus(ISEPRO). CONCEPÇÕES FILOSOFICAS Leonardo Rodrigues da Silva* INTRODUÇÃO. Filosofia (do grego Φιλοσοφία, philosophia, literalmente «amor pela sabedoria» é o estudo das questões gerais e fundamentais relacionadas com a natureza da existência humana; do conhecimento; da verdade; dos valores morais e estéticos; da mente; da linguagem, bem como do universo em sua totalidade. O termo foi cunhado por Pitágoras (570 – 495 a.C). Ao examinar tais questões, a filosofia se distingue da mitologia e da religião por sua ênfase em argumentação racional; por outro lado, diferencia-se também das pesquisas científicas por geralmente não recorrer a procedimentos empíricos em suas investigações. Entre seus métodos, estão a argumentação racional, a análise conceitual, a dialética, a hermenêutica, a fenomenologia, as experiências de pensamento e outros métodos investigativos a priori. A Filosofia é o saber mais abrangente – na medida em que ocupa-se com os grandes temas da humanidade. A partir dela, são fundamentadas e desenvolvidas teorias, metodologias, pesquisas, projetos educacionais, bem como elabora-se, inclusive, a própria fundamentação racional das instituições do conhecimento humano, i.e., as instituições científicas, artísticas, religiosas e culturais. Por razões de conveniência e especialização, as disciplinas filosóficas foram classificadas em várias subáreas temáticas ou campos de estudo e investigação, entre os quais destacam-se principalmente a Metafísica (cujo ramo basilar é conhecido como Ontologia); a Epistemologia, a Lógica, a Ética (ou filosofia moral), a Estética (ou filosofia da arte), filosofia da mente, filosofia das ciências naturais e sociais, filosofia da religião, filosofia da matemática, filosofia da linguagem,filosofia da educação, filosofia da física e filosofia política. CONCEITO DE FILOSOFIA Para os eruditos o conceito de "filosofia" sofreu, no transcorrer da história, várias alterações e restrições em sua abrangência. As concepções do que seja a filosofia e quais são os seus objetos de estudo também se alteram conforme a escola ou movimento filosófico. Essa variedade presente na história da filosofia e nas escolas e correntes filosóficas torna praticamente impossível elaborar uma definição universalmente válida de filosofia. Definir a filosofia é realizar uma tarefa metafilosófica. Em outras palavras, é fazer uma filosofia da filosofia. O sociólogo e filósofo alemão Georg Simmel ressaltou esse ponto ao dizer que um dos primeiros problemas da filosofia é o de investigar e estabelecer a sua própria natureza. Talvez a filosofia seja a única disciplina que se volte para si mesma dessa maneira. O objeto da física não é, certamente, a própria ciência da física, mas os fenômenos ópticos e elétricos, entre outros. A filologia ocupa-se de registros textuais antigos e da evolução das línguas, mas não se ocupa de si mesma.
  • 2. 2 A filosofia, no entanto, move-se neste curioso círculo: ela determina os pressupostos de seu método de pensar e os seus propósitos através de seus próprios métodos de pensar e propósitos. Não há como apreender o conceito de filosofia fora da filosofia; pois somente a filosofia pode determinar o que é a filosofia. Disciplinas filosóficas A filosofia é geralmente dividida em áreas de investigação específica. Em cada área, a pesquisa filosófica dedica-se à elucidação de problemas próprios, embora sejam muito comuns as interconexões. As áreas tradicionais da filosofia são as seguintes:  METAFÍSICA: ocupa-se da elaboração de teorias sobre a realidade e sobre natureza fundamental de todas as coisas. O objetivo da metafísica é fornecer uma visão abrangente do mundo – uma visão sinóptica que reúna em si os diversos aspectos da realidade. Uma das subáreas da metafísica é a ontologia (literalmente, a ciência do "ser"), cujo tema principal é a elaboração de escalas de realidade. Nesse sentido, a ontologia buscaria identificar as entidades básicas ou elementares da realidade e mostrar como essas se relacionam com os demais objetos ou indivíduos - de existência dependente ou derivada.  EPISTEMOLOGIA OU TEORIA DO CONHECIMENTO: é a área da filosofia que estuda a natureza do conhecimento, sua origem e seus limites. Dessa forma, entre as questões típicas da epistemologia estão: “O que diferencia o conhecimento de outras formas de crença?”, “O que podemos conhecer?”, “Como chegamos a ter conhecimento de algo?”.  LÓGICA: é a área que trata das estruturas formais do raciocínio perfeito – ou seja, daqueles raciocínios cuja conclusão preserva a verdade das premissas. Na lógica são estudados, portanto, os métodos e princípios que permitem distinguir os raciocínios corretos dos raciocínios incorretos.  ÉTICA OU FILOSOFIA MORAL: é a área da filosofia que trata das distinções entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Procura identificar os meios mais adequados para aprimorar a vida moral e para alcançar uma vida moralmente boa. Também no campo da ética dão-se as discussões a respeito dos princípios e das regras morais que norteiam a vida em sociedade, e sobre quais seriam as justificativas racionais para adotar essas regras e princípios.  FILOSOFIA POLÍTICA: é o ramo da filosofia que investiga os fundamentos da organização sociopolítica e do Estado. São tradicionais nessa área, as hipóteses sobre o contrato original que teria dado início à vida em sociedade, instituído o governo, os deveres e os direitos dos cidadãos. Muitas dessas situações hipotéticas são elaboradas no intuito de recomendar mudanças ou reformas políticas aptas a aproximar as sociedades concretas de um determinado ideal político.  ESTÉTICA OU FILOSOFIA DA ARTE: entre as investigações dessa área, encontram- se aquelas sobre a natureza da arte e da experiência estética, sobre como a experiência estética se diferencia de outras formas de experiência, e sobre o próprio conceito de belo.
  • 3. 3  METAFILOSOFIA: é a "filosofia da filosofia". Procura determinar, entre outras coisas, o que é, suas limitações e o objetivo da filosofia enquanto ramo do saber humano. PRINCIPAIS FILÓSOFOS. 1. FRIEDRICH NIETZSCHE Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de outubro de 1844 — Weimar, 25 de agosto de 1900) foi um filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão do século XIX. Ele escreveu vários textos críticos sobre a religião, a moral, a cultura contemporânea, filosofia e ciência, exibindo uma predileção por metáfora, ironia e aforismo. Suas ideias-chave incluíam a crítica à dicotomia apolíneo/dionisíaca, o perspectivismo, a vontade de poder, a "morte de Deus", o Übermensch (Além-Homem, ver: Novo Homem) e eterno retorno. Sua filosofia central é a ideia de "afirmação da vida", que envolve questionamento de qualquer doutrina que drene uma expansiva de energias, não importando o quão socialmente predominantes essas ideias poderiam ser. Seu questionamento radical do valor e da objetividade da verdade tem sido o foco de extenso comentário e sua influência continua a ser substancial, especialmente na tradição filosófica continental compreendendo existencialismo, pós-modernismo e pós-estruturalismo. Suas ideias de superação individual e transcendência além da estrutura e contexto tiveram um impacto profundo sobre pensadores do final do século XIX e início do século XX, que usaram estes conceitos como pontos de partida para o desenvolvimento de suas filosofias. Mais recentemente, as reflexões de Nietzsche foram recebidas em várias abordagens filosóficas que se movem além do humanismo, por exemplo, o transumanismo. Obras: O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872  A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (Philosophie im tragischen Zeitalter der Griechen - provavelmente os textos que o compõem remontam a 1873 - publicado postumamente)..  Sobre a verdade e a mentira em sentido extramoral[25] (Über Wahrheit und Lüge im außermoralischen Sinn, 1873 - publicado postumamente; edição brasileira, 2008). —
  • 4. 4  Considerações Extemporâneas ou Considerações Intempestivas (Unzeitgemässe Betrachtungen, 1873 a 1876). — Série de quatro artigos (dos treze planejados) que criticam a cultura européia e alemã da época de um ponto de vista antimoderno, e anti-histórico, de crítica à modernidade.  David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauss, der Bekenner und der Schriftsteller, 1873)  Dos Usos e Desvantagens da História Para a Vida (Vom Nutzen und Nachteil der Historie für das Leben, 1874);  Schopenhauer como Educador (Schopenhauer als Erzieher, 1874);  Richard Wagner em Bayreuth (Richard Wagner in Bayreuth, 1876).  Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, Ein Buch für freie Geister, versão final publicada em 1886);  Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile, 1881).  A Gaia Ciência, traduzida também com Alegre Sabedoria, ou Ciência Gaiata (Die fröhliche Wissenschaft, 1882).  Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also Sprach Zarathustra, Ein Buch für Alle und Keinen, 1883-85).  Além do Bem e do Mal, Prelúdio a uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse. Vorspiel einer Philosophie der Zukunft,  Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, Eine Streitschrift, 1887.  O Crepúsculo dos Ídolos, ou como Filosofar com o Martelo (Götzen-Dämmerung, oder Wie man mit dem Hammer philosophiert, agosto-setembro 1888). Obra onde dilacera as crenças, os ídolos (ideais ou autores do cânone filosófico), e analisa toda a gênese da culpa no ser humano.  O Caso Wagner, um Problema para Músicos (Der Fall Wagner, Ein Musikanten-Problem, maio-agosto 1888).  O Anticristo - Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist. Fluch auf das Christentum, setembro 1888) -.  Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, Wie man wird, was man ist, outubro-novembro 1888)  Nietzsche contra Wagner (Nietzsche contra Wagner, Aktenstücke eines Psychologen, dezembro 1888). Crítico mordaz da ideia da existência de Deus, Nietzsche era um niilista – pessoa que, em princípio, não vê sentido na existência humana. Ele criou o termo “super-homem” para designar um homem superior, que seja capaz de transformar os valores estabelecidos e elevar a humanidade. Foi muito combatido no seu tempo, mas acabou inspirando diversos movimentos, entre eles o existencialismo, de Jean-Paul Sartre
  • 5. 5 2. SANTO AGOSTINHO Agostinho de Hipona (em latim: Aurelius Augustinus Hipponensis), conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do cristianismo cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e filosofia ocidental. Ele era o bispo de Hipona, uma cidade na província romana da África. Escrevendo na era patrística, ele é amplamente considerado como sendo o mais importante dos Padres da Igreja no ocidente. Suas obras-primas são "A Cidade de Deus" e "Confissões", ambas ainda muito estudadas atualmenAgostinho é considerado uma figura muito influente na história da educação e uma de suas primeiras obras, De Magistro ("Do Professor"), contém muitos de seus pensamentos sobre o tema. Durante sua vida, suas ideias foram mudando conforme foi encontrando novas direções ou formas melhores de expressa-las. Finalmente, já nos seus anos finais, escreveu as "Retratações" (ou "Reconsiderações"), revisitando suas obras mais antigas e melhorando alguns textos. A partir dela, fica claro que Agostinho acreditava que a educação era uma busca incansável por compreensão, significado e verdade que sempre deixa aberto o espaço para a dúvida, o desenvolvimento e a mudança Gary N. McCloskey identificou quatro "encontros de aprendizado" ("aulas") na abordagem agostiniana à educação: as experiências transformadoras; a jornada em busca da compreensão, significado e verdade; o aprendizado com os outros em comunidade; e a criação dos hábitos de aprendizado. Segundo ele, Agostinho acreditava ainda que o diálogo, a dialética e a discussão eram as melhores formas de aprender e que este método deveria servir de modelo para as aulas te. PRINCIPAIS OBRAS: As Confissões e A Cidade de Deus
  • 6. 6 3. DAVID HUME David Hume (Edimburgo, 7 de maio (ou 26 de abril- Antigo) de 1711 – Edimburgo, 25 de Agosto de 1776) foi um filósofo, historiador e ensaísta britânico nascido na Escócia que se tornou célebre por seu empirismo radical e seu ceticismo filosófico. Ao lado de John Locke e George Berkeley, David Hume compõe a famosa tríade do empirismo britânico, sendo considerado um dos mais importantes pensadores do chamado iluminismo escocês e da própria filosofia ocidental.David Hume opôs-se particularmente a Descartes e às filosofias que consideravam o espírito humano desde um ponto de vista teológico-metafísico. Assim David Hume abriu caminho à aplicação do método experimental aos fenômenos mentais.[3] Sua importância no desenvolvimento do pensamento contemporâneo é considerável. Teve profunda influência sobre Kant, sobre a filosofia analítica do início do século XX e sobre a fenomenologia. O estudo da sua obra tem oscilado entre aqueles que colocam ênfase no lado cepticista (tais como Reid, Greene, e os positivistas lógicos) e aqueles que enfatizam o lado naturalista (como Kemp Smith, Stroud e Galen Strawson). Por muito tempo apenas se destacou em seu pensamento o ceticismo destrutivo. Somente no fim do século XX os comentadores se empenharam em mostrar o caráter positivo e construtivo do seu projeto filosófico. Teorizava sobre questões epistemológicas – aquelas que tratam da natureza do conhecimento. Toda hipótese que não pudesse ser comprovada, segundo ele, seria inválida. Cético, não acreditava em milagres e dizia ser impossível provar a existência de Deus. Foi um dos maiores expoentes do Iluminismo, movimento surgido na Europa no fim do século 18 que defendia a razão como alicerce da sociedade David Hume foi um leitor voraz. Entre suas fontes, incluem-se tanto a Filosofia antiga como o pensamento científico de sua época, ilustrado pela física e pela filosofia empirista. Fortemente influenciado por Locke e Berkeley mas também por vários filósofos franceses, como Pierre Bayle e Nicolas Malebranche, e diversas figuras dos círculos intelectuais ingleses, como Samuel Clarke, Francis Hutcheson (seu professor) e Joseph Butler (a quem ele enviou seu primeiro trabalho para apreciação), é entretanto a Newton que Hume deve seu método de análise, conforme assinalado no subtítulo do Tratado da Natureza Humana – Uma Tentativa de Introduzir o Método Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais.
  • 7. 7 PRINCIPAL OBRA Investigação sobre os Princípios da Moral 4. LUDWIG WITTGENSTEIN Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (Viena, 26 de Abril de 1889 — Cambridge, 29 de Abril de 1951) foi um filósofo austríaco, naturalizado britânico. Foi um dos principais atores da virada linguística na filosofia do século XX. Suas principais contribuições foram feitas nos campos da lógica, filosofia da linguagem, filosofia da matemática e filosofia da mente. Interessado desde cedo em matemática e lógica, centrou seus estudos na função da linguagem. Para ele, os problemas filosóficos eram fruto de confusões nos modos de se comunicar. “Os limites da minha linguagem significam os limites do mundo”, escreveu. Para compreender o mundo, portanto, há de se analisar a linguagem, disse Muitos o consideram o filósofo mais importante do século passado. O único livro de filosofia que publicou em vida, o Tractatus Logico- Philosophicus, de 1922, exerceu profunda influência no desenvolvimento do positivismo lógico. Mais tarde, as ideias por ele formuladas a partir de 1930 e difundidas em Cambridge e Oxford também impulsionaram um outro movimento filosófico - a chamada "filosofia da linguagem comum". Seu pensamento é geralmente dividido em duas fases. Para identificá-las, muitos autores recorrem ao artifício de atribuir os escritos da juventude ao Primeiro Wittgenstein e a obra posterior ao Segundo Wittgenstein, como se designassem autores distintos. A cada um desses períodos corresponde uma obra central na história da filosofia do século XX. À primeira fase, pertence o Tractatus Logico-Philosophicus, livro em que Wittgenstein procura esclarecer as condições lógicas que o pensamento e a linguagem devem atender para poder representar o mundo. À segunda fase, pertencem as Investigações Filosóficas, publicadas postumamente em 1953. Nesse livro, Wittgenstein trata de tópicos similares aos do Tractatus (embora sob uma perspectiva radicalmente diferente) e avança sobre temas da filosofia da mente ao analisar conceitos como os de compreensão, intenção, dor e vontade. PRINCIPAIS OBRAS Investigações Filosóficas e Tratado Lógico-Filosófico
  • 8. 8 5. SÃO TOMÁS DE AQUINO Tomás de Aquino, em italiano Tommaso d'Aquino (Roccasecca, 1225 — Fossanova, 7 de março de 1274), foi um frade da Ordem dos Pregadores (dominicano) italiano[3][4] cujas obras tiveram enorme influência na teologia e na filosofia, principalmente na tradição conhecida como Escolástica, e que, por isso, é conhecido como "Doctor Angelicus", "Doctor Communis" e "Doctor Universalis". "Aquino" é uma referência ao condado de Aquino, uma região que foi propriedade de sua família até 1137. Considerado o maior teólogo da Igreja Católica, foi profundamente influenciado por Aristóteles, que, ironicamente, fora acusado de ateísmo. Em sua obra, investiga uma série de questões que não se limitam ao período medieval, época em que viveu. Ele refletiu sobre ética e metafísica e contribuiu para dar novo significado às noções de causa e ser, sobretudo para justificar como a realidade é constituída Ele foi o mais importante proponente clássico da teologia natural e o pai do tomismo. Sua influência no pensamento ocidental é considerável e muito da filosofia moderna foi concebida como desenvolvimento ou oposição de suas ideias, particularmente na ética, lei natural, metafísica e teoria política. Ao contrário de muitas correntes da Igreja na época, Tomás abraçou diversas ideias de Aristóteles - a quem ele se referia como "o Filósofo" - e tentou sintetizar a filosofia aristotélica com os princípios do cristianismo. As obras mais conhecidas de Tomás são a "Suma Teológica" (em latim: Summa Theologiae) e a "Suma contra os Gentios" (Summa contra Gentiles). Seus comentários sobre as Escrituras e sobre Aristóteles também são parte importante de seu corpus literário. Além disso, Tomás se distingue por seus hinos eucarísticos, que ainda hoje fazem parte da liturgia da Igreja. Tomás é venerado como santo pela Igreja Católica e é tido como o professor modelo para os que estudam para o sacerdócio por ter atingido a expressão máxima tanto da razão natural quanto da teologia especulativa. O estudo de suas obras há muito tempo tem sido o cerne do programa de estudos obrigatórios para os que buscam as ordens sagradas (como padres e diáconos) e também para os que se dedicam à formação religiosa em disciplinas como filosofia católica, teologia, história, liturgia e direito canônico. Tomás foi também proclamado Doutor da Igreja por Pio V em 1568. PRINCIPAL OBRA Suma Teológica
  • 9. 9 6. GEORG HEGEL Georg Wilhelm Friedrich Hegel (Stuttgart, 27 de agosto de 1770 – Berlim, 14 de novembro de 1831) foi um filósofo alemão. É unanimemente considerado um dos mais importantes e influentes filósofos da história. Pode ser incluído naquilo que se chamou de Idealismo Alemão, uma espécie de movimento filosófico marcado por intensas discussões filosóficas entre pensadores de cultura alemã (Prússia) do final do século XVIII e início do XIX. Essas discussões tiveram por base a publicação da Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant. Hegel, ainda no seminário de Tübingen, escreveu, juntamente com dois renomados colegas, os filósofos Friedrich Schelling e Friedrich Hölderlin, o que chamaram de "O Mais Antigo Programa de Sistema do Idealismo Alemão". Posteriormente Hegel desenvolveu um sistema filosófico que denominou "Idealismo Absoluto", uma filosofia capaz de compreender discursivamente o absoluto (de atingir um saber do absoluto, saber cuja possibilidade fora, de modo geral, negada pela crítica de Kant à metafísica). Apesar de ser notavelmente crítica em relação ao Iluminismo, a filosofia hegeliana é tida por muitos como, para usar a expressão de Habermas, a "filosofia da modernidade por excelência" Um dos expoentes do idealismo alemão, estabeleceu um sistema que resultou em outro significado para as noções de liberdade e história. Utilizou o método dialético (focado na contraposição de ideias) para explicar aquilo que constitui o mundo real. Hegel descreve sua concepção filosófica, no prefácio a uma de suas mais célebres obras, a Fenomenologia do Espírito, da seguinte forma: "Segundo minha concepção – que só deve ser justificada pela apresentação do próprio sistema –, tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas também, precisamente, como sujeito. Ao mesmo tempo, deve-se observar que a substancialidade inclui em si não só o universal ou a imediatez do saber mesmo, mas também aquela imediatez que é o ser, ou a imediatez para o saber. [...] A substância viva é o ser, que na verdade é sujeito, ou – o que significa o mesmo – que é na verdade efetivo, mas só na medida em que é o movimento do pôr-se-a-si-mesmo, ou a mediação consigo mesmo do tornar-se outro. Como sujeito, é a negatividade pura e simples, e justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a negação dessa diversidade indiferente e de seu oposto. Só essa igualdade reinstaurando-se, ou só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que são o verdadeiro; e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si
  • 10. 10 mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim. PRINCIPAL OBRA A Fenomenologia do Espírito 7. RENÉ DESCARTES René Descartes (La Haye en Touraine, 31 de março de 1596 – Estocolmo, 11 de fevereiro de 1650) foi um filósofo, físico e matemático francês.Durante a Idade Moderna, também era conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius. Notabilizou-se sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência, mas também obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria - fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome. Por fim, foi também uma das figuras-chave na Revolução Científica. Autor da máxima “Penso, logo existo”, defendia que o melhor caminho para adquirir conhecimento era o raciocínio matemático. Segundo ele, a fim de descobrir algo “firme e constante nas ciências”, era necessário estabelecer princípios sobre os quais não houvesse dúvidas. Por isso, o filósofo precisava, antes de tudo, ser um cético. Matemático brilhante, é considerado o fundador da filosofia moderna Descartes, por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna", é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do Pensamento Ocidental. Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores; boa parte da filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores supostamente influenciados por ele. Muitos especialistas afirmam que, a partir de Descartes, inaugurou-se o racionalismo da Idade Moderna. Décadas mais tarde, surgiria nas Ilhas Britânicas um movimento filosófico que, de certa forma, seria o seu oposto - o empirismo, com John Locke e David Hume. PRINCIPAL OBRA Discurso do Método 8.G. K. CHESTERTON
  • 11. 11 Gilbert Keith Chesterton, conhecido como G. K. Chesterton, (Londres, 29 de maio de 1874 — Beaconsfield, 14 de junho de 1936) foi um escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, teólogo, filósofo, desenhista e conferencista britânico. Igualmente trilhou pelo campo da economia. É conhecido como o "príncipe do paradoxo" pelo conteúdo argumentativo brilhante de sua obra. amília era Anglicana, mas em 1922 Chesterton se converteu ao Catolicismo por influência do escritor Hilaire Belloc com quem mantinha grande amizade. Sua obra mais conhecida do público é Ortodoxia na qual faz uma apologia impressionante do Cristianismo contra linhas de pensamento modernistas como o cientificismo, o ateísmo, o reducionismo, o determinismo e o relativismo. A sua retórica chama a atenção pela clareza e precisão nos argumentos, sendo fonte de inspiração para muitos pensadores e autores Cristãos. Outro livro apologético de grande importância é Hereges. Chesterton também ficou conhecido em sua época pelos debates com George Bernard Shaw, H. G. Wells, Bertrand Russell e Clarence Darrow, nos quais sua lógica de pensamento e bom humor conquistavam o público. Faleceu em 14 de Junho de 1936, deixando todos os seus bens para a Igreja É reconhecido por, juntamente com os outros católicos (Hilaire Belloc, Cecil Chesterton, Arthur Penty), haver previsto o sistema sócio-económico do distributismo. PRINCIPAL OBRA: Ortodoxia e O Homem Eterno 9. PLATÃO (em grego antigo: Πλάτων, transl. Plátōn, "amplo",Atenas, 428/427 – Atenas, 348/347 a.C.) foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental. Acredita-se que seu nome verdadeiro tenha sido Arístocles. Teve grande influência na teologia cristã e na filosofia ocidental. Para ele, o homem vivia preso num mundo de sombras, sem conseguir ver a realidade. Foi o primeiro filósofo a produzir uma obra substancial que
  • 12. 12 sobreviveu ao tempo. A Academia fundada por ele – e considerada a primeira instituição de ensino superior do Ocidente – sobreviveu por mais de 800 anos Platão era um racionalista, realista, idealista e dualista e a ele tem sido associadas muitas das ideias que inspiraram essas filosofias mais tarde. PRINCIPAIS OBRAS Apologia e República 10. IMMANUEL KANT Immanuel Kant (Königsberg, 22 de abril de 1724 — Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo prussiano. Amplamente considerado como o principal filósofo da era moderna, Kant operou, na epistemologia, uma síntese entre o racionalismo continental (de René Descartes e Gottfried Wilhelm Leibniz, onde impera a forma de raciocínio dedutivo), e a tradição empírica inglesa (de David Hume, John Locke, ou George Berkeley, que valoriza a indução). Nascido de uma modesta família de artesãos, depois de um longo período como professor secundário de geografia, Kant veio a estudar filosofia, física e matemática na Universidade de Königsberg e em 1755 começou a lecionar ensinando Ciências Naturais. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da Universidade de Königsberg, cidade da qual nunca saiu, levando uma vida monotonamente pontual e só dedicada aos estudos filosóficos. Realizou numerosos trabalhos sobre ciências naturais e exatas.Kant é famoso sobretudo pela elaboração do denominado idealismo transcendental: todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não vêm da experiência) para a experiência concreta do mundo, os quais seriam de outra forma impossíveis de determinar. A filosofia da natureza e da natureza humana de Kant é historicamente uma das mais determinantes fontes do relativismo conceptual que dominou a vida intelectual do século XX. Kant é também conhecido pela filosofia moral e pela proposta, a primeira moderna, de uma teoria da formação do Sistema Solar, conhecida como a hipótese Kant-Laplace. PRINCIPAL OBRA Crítica da Razão Pura 1. ARISTÓTELES
  • 13. 13 Aristóteles (em grego clássico: Ἀριστοτέλης; transl.: Aristotélēs; Estagira, 384 a.C. — Atenas, 322 a.C.) foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande.[2] Seus escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a metafísica, as leis da poesia e do drama, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia. Juntamente com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores da filosofia ocidental. Em 343 a.C. torna-se tutor de Alexandre da Macedónia, na época com treze anos de idade, que será o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em 335 a.C. Alexandre assume o trono e Aristóteles volta para Atenas onde funda o Liceu. Considerado por muitos o fundador da ética, Aristóteles defendeu que os sentidos devem ser o ponto de partida da filosofia. A busca pelo conhecimento, segundo ele, é mais eficaz quando recorremos à observação e podemos fazer experimentações. Ele criou uma escola (o Liceu) e influenciou com suas ideias vários campos do saber (física, política, meteorologia, lógica etc.). No fim da vida, acusado de ser ateu, fugiu de Atenas para não ter o mesmo destino de Sócrates (469-399 a.C.), obrigado a matar-se tomando veneno PRINCIPAL OBRA: Ética a Nicômaco 12. MICHEL FOUCAULT Michel Foucault; Poitiers, 15 de outubro de 1926 — Paris, 25 de junho de 1984) foi um filósofo, historiador das ideias, teórico social, filólogo e crítico literário. Suas teorias abordam a relação entre poder e conhecimento e como eles são usados como uma forma de controle social por meio de instituições sociais. Embora muitas vezes seja citado como um pós- estruturalista e pós-modernista, Foucault acabou rejeitando esses rótulos, preferindo classificar seu pensamento como uma história crítica da modernidade. Seu pensamento foi muito influente tanto para grupos acadêmicos, quanto para ativistas. Foucault é conhecido pelas suas críticas às instituições sociais, especialmente à psiquiatria, à medicina, às prisões, e por suas ideias sobre a evolução da história da sexualidade, suas teorias gerais relativas ao poder e à complexa relação entre poder e conhecimento, bem como por estudar a expressão do discurso em relação à história do pensamento ocidental.Têm sido amplamente discutidas a imagem da "morte do homem", anunciada em As Palavras e Coisas, e a ideia de subjetivação, reativada no interesse próprio de uma forma ainda problemática para a filosofia clássica do sujeito. Parece então que mais do que em análises da "identidade", por definição, estáticas e objetivadas, Foucault centra-se na vida e nos diferentes processos de subjetivação. PRINCIPAL OBRA: História da loucura na idade clássica (1961) e Arqueologia do saber (1969).
  • 14. 14 A Filosofia para a Sala-de-Aula O que o homem moderno precisa compreender é simplesmente que toda a argumentação começa com uma afirmação ponto-de-partida; isto é, com algo de que não se duvida. Pode-se, é claro, duvidar da afirmação base, mas, nesse caso, já estaria dando início a outra argumentação diferente, propondo que se parta de outra suposição. Todo argumento inicia por um dogma infalível, e esse dogma absoluto, por sua vez, só pode ser discutido, se recorrermos a outro dogma infalível: nunca se pode provar o primeiro ponto-de-partida (senão não seria ponto-de- partida). Este é o be-a-bá do raciocínio lógico. E tem esta vantagem especial de que pode ser ensinado na escola, como qualquer outro be-a-bá. Não dar início a qualquer discussão sem antes declarar abertamente os postulados de cada um, é uma regra a ser ensinada tanto na filosofia, quanto na matemática de Euclides, ou em qualquer aula comum, usando giz e lousa. E penso que esse princípio poderia ser ensinado de forma simples e racional até mesmo ao jovem, antes de aventurar-se pelo mundo, à mercê da "lógica" e da filosofia imposta pela mídia. Muitas das desorientações e dúvidas no campo religioso, surgem pelo fato de os céticos de hoje começarem sempre, falando sobre tudo aquilo em que eles não acreditam. Mas, mesmo de um cético, o que queremos saber primeiro é em que ele realmente acredita. Antes de começar a discutir, é preciso saber o que é que não se discute. Essa confusão aumenta infinitamente pelo fato de que todos os céticos de nosso tempo são céticos em diferentes graus dessa dissolução que é o ceticismo. Agora, nós temos (espero), uma vantagem sobre todos esses novos filósofos sabidos: mantemo- nos em sã consciência. Acreditamos que existe, de fato, a catedral de São Paulo; e grande parte de nós acredita em São Paulo. É preciso deixar bem claro que acreditamos em muitas coisas que, embora façam parte de nossa existência, não podem ser demonstradas. Nem é preciso meter religião na história. Diria até que todos os homens de bom senso, acreditam firme e invariavelmente em umas quantas coisas que não foram provadas e que nem sequer podem ser provadas. De forma resumida, são elas: a. Todo ser humano em sã consciência acredita que o mundo e as pessoas ao redor dele são reais e não um produto da sua imaginação ou de um sonho. Ninguém começa a incendiar Londres, se está convencido de que seu criado logo o acordará para o café da manhã. Mas não
  • 15. 15 temos provas, em nenhum momento, de que tudo não passa de um sonho. Que algo exista além de mim é uma afirmação que não está comprovada (nem se pode comprovar...). b. Todo homem em sã consciência, acredita não somente que este mundo existe, mas também que ele tem importância. Todo homem acredita que há, em nós, um tipo de obrigação de nos interessarmos por esta visão da vida. Não concordaria com alguém que dissesse, "Eu não escolhi esta farsa e ela me aborrece. Fiquei sabendo que uma senhora idosa está sendo assassinada no andar de baixo, mas eu vou é dormir ". O fato de que há um dever de melhorar coisas não feitas por nós é algo que não foi provado e não se pode provar. c. Todos os homens em sã consciência acreditam que existe uma certa coisa chamada eu, self ou ego e que é contínua. Não há nenhum centímetro de meu cérebro igual ao que era há dez anos atrás. Mas se eu salvei a vida de um homem numa batalha há dez anos atrás, fico orgulhoso; se me acovardei, sinto-me envergonhado. A existência desse "eu" axial nunca foi comprovada e não pode ser comprovada. Trata-se de uma questão mais do que "improvável" e que é muito debatida entre os metafísicos. d. Finalmente, a maioria dos homens em sã consciência acredita, e todos o admitem na prática, que têm um poder de escolha e responsabilidade por suas ações. Seguramente é possível elaborar algumas afirmações simples como as acima, para que as pessoas possam saber a que se ater. E se os jovens do futuro não vão ter formação em religião, pode-se-lhes ensinar, pelo menos, de forma clara e firme, um pouco de bom senso, três ou quatro certezas do pensamento humano livre. CONCEITOS FILOSOFICOS E A EDUCAÇÃO. Cada corrente teórica-pedagógica possui uma visão sobre cada um destas concepções. 1) Escola Tradicional a) Concepção do homem:  É universal – todos têm a mesma potencialidade;  Ouvinte;  Receptivo;  Passivo;  Obediente. b) Concepção epistemológica:  Dava-se ênfase na memória;
  • 16. 16  Na formação de elementos intelectuais;  Ensino livresco e enciclopédico (desvinculada da realidade).  A única preocupação era a transmissão do saber acumulado, levando a um distanciamento da realidade dos alunos. c) Concepção axiológica:  Maniqueístas;  Moralista;  Puritana;  Conservadora. A concepção dos valores na escola tradicional é dualista, distinguindo o que é bom e o que é ruim. Exigem um exagerado moralismo, pois as regras não deixam as pessoas mudarem de opinião, sendo a moral única e todos têm que adequarem a elas. d) Concepção política:  Conservadora;  Autoritária;  Niveladora;  Hierárquica. São as normas que garantem a submissão do aluno, levando-os a obediência que é considerada a primeira virtude. Por ser hierárquica, não se permitia que se passasse sobre ela e não podia tão pouco questioná- las. A pedagogia tradicional é uma proposta de educação centrada no professor, cuja função define- se por vigiar os alunos, aconselhá-los, ensinar a matéria e corrigi-la. A metodologia decorrente de tal concepção tem como princípio a transmissão dos conhecimentos através da aula do professor, frequentemente expositiva, numa sequ repetição de exercício, ência predeterminada e fixa, enfatiza a repetição de exercícios com exigências de memorização. Valoriza o conteúdo livresco e a quantidade. O professor fala, o aluno ouve e aprende. Não propicia ao sujeito que aprende um papel ativo na construção dessa aprendizagem, que é aceita como vinda de fora para dentro. Muitas vezes não leva em consideração o que a criança aprende fora da escola, seus esforços espontâneos, a construção coletiva. A figura do professor como detentor do saber é uma força motriz nessas escolas. A função primordial da escola, nesse modelo, é transmitir conhecimentos disciplinares para a formação geral do aluno, formação que o levará, ao inserir-se futuramente na sociedade, a optar por uma
  • 17. 17 profissão valorizada. Na maioria das escolas essa prática pedagógica se caracteriza pela sobrecarga de informações que são veiculadas aos alunos, o torna o processo de aquisição de conhecimento, muitas vezes burocratizado e destituído de significação.A postura da escola se caracteriza como conservadora. No processo de alfabetização, apóia-se principalmente nas técnicas para codificar/decodificar a escrita. A escrita espontânea da criança em fase de alfabetização não é levada em conta, sendo a cartilha sequencialmente seguida, a base do processo de alfabetização. 2) Escola Nova a) Concepção de Homem:  O sujeito não é universal;  É individual;  Sua dimensão é psicológica;  Não nasceu com a essência pronta;  livre, ativo e social. b) Concepção epistemológica:  Aprendizagem por interesse(curioso);  Saber e prazer;  Experiências concretas;  Conhecimento a ser construído progressivamente; O aluno é o sujeito principal da aula e norteador, ao professor, cabe estimulá-lo, dando ênfase à aprendizagem como apreensão da metodologia de pesquisa e tendo como objetivo estimular os interesses inatos de seus alunos e obedecendo a ordem psicológica de cada um, que é definido durante o processo. c) Concepção axiológica:  Aversão às normas;  Responsabilidade individual pela existência;  Autonomia;  Rejeição de padrão e rótulos. Os modelos ético e moral, baseiam em que nenhuma regra vai atender a todos , as normas sempre aprisionam o sujeito não o deixando expressar-se da maneira que quer. O conhecimento assimilado é o produzido pelo aluno, o bem e o mal são coisas relativas, dependendo de cada um.
  • 18. 18 O conhecimento para ser verdadeiro tem que ser feito a experiência humana, fazendo a própria pessoa pensar em sua existência, compreendendo-a melhor. d) Concepção política:  Sem projeto de hegemonia política;  Auto-gestão  Pouca ênfase em questões sociais. O modelo político é de uma sociedade fragmentada, o positivo da escolanovista é ir contra a ditadura, a disciplina trabalha com o discurso de “trabalhar com a liberdade”, sendo ele democratizante. Em oposição à Escola Tradicional, a Escola Nova destaca o princípio da aprendizagem por descoberta e estabelece que a atitude de aprendizagem parte do interesse dos alunos que, por sua vez, aprendem fundamentalmente pela experiência, pelo que descobrem por si mesmos. O professor é visto, então, como facilitador no processo de busca de conhecimento que deve partir do aluno. Cabe ao professor organizar e coordenar as situações de aprendizagem, adaptando suas ações às características individuais dos alunos, para desenvolver suas capacidades e habilidades intelectuais. A idéia de um ensino guiado pelo interesse dos alunos acabou, em muitos casos, por desconsiderar a necessidade de um trabalho planejado, perdendo-se de vista o que deve ser ensinado e aprendido. Essa tendência, que teve grande penetração no Brasil na década de 30, no âmbito do ensino pré-escolar , até hoje influencia muitas práticas pedagógicas. 3) Escola Tecnicista a) Concepção do Homem:  Universal;  Passivo;  Receptivo;  Desenvolvimento de habilidades lógicas;  Disciplinável. b) Concepção Epistemológica:  Objeto mais importante que o sujeito;  Pragmática (educação);  Formação para o mercado (mão-de-obra qualificada);  Transmissão;  Treinamento:
  • 19. 19  Desenvolvimento sensório-motor e intelectual. O objeto tem que ser conhecido para que se possa colocá-lo em prática, ensinava-se a fazer as coisas e não a pensar, todos os alunos tinham que desenvolver habilidades principalmente lógicas (aprender para fazer), O saber, é o saber técnico que deve ser organizado e transmitido para tornar o aluno apenas uma força produtiva (saber para fazer), privilegiando a dimensão técnica,enfatizava o aspecto pragmático do conteúdo, proclamando-se uma pseudoneutralidade. c) Concepção Axiológica:  Tradição;  Hierarquia;  Pragmatismo;  Moralista;  Ordem mecânica e natural; d) Concepção Política:  Autoritária;  Visão pragmática;  Frieza nas relações interpessoais;  Anonimato;  Relações interpessoais descaracterizadas e desumanizadas;  Economista.  Existe uma contradição onde você quer uma sociedade modernizada porém,em um país autoritário. Na escola tecnicista o homem é visto como produto do meio altamente controlado pela sociedade com atividades mecânicas inseridas numa proposta educacional rígida programada em detalhes. E o seu comportamento é modelado através de técnicas específicas, produzindo individualmente, tornando-se competente para o mercado de trabalho, transmitindo as informações precisas, objetivas e rápidas. O mundo é construído evidenciando a tecnologia, manipulando o meio em favor do crescimento técnico, a sociedade planejada, organizada, rígidas pelas leis.Seguindo um planejamento, o conhecimento é planejado pelos especialistas e seu resultado direto da experiência. A educação é baseada na transmissão cultural manipulando e controlando o mundo.
  • 20. 20 O professor é um mero transmissor na aplicação de manuais, apenas passa as técnicas utilizadas nas fábricas.Centralizando a escola (produção) às vezes o ensino distanciado.A escola é um modelo empresarial dividindo-se entre planejamento e execução.O ensino visa os comportamentos adequados e úteis a produtividade, é dado instrução como objetivo a ser alcançado. Ao professor cabe selecionar, organizar e aplicar técnicas eficientes e de muita eficácia, na verdade o professor é um técnico que ensina a prática da técnica.O aluno é um elemento preparado, eficiente, pronto a produzir para seu bem estar. Os objetivos educacionais são operacionalizados dando “Educação e Instrução”, controlando o comportamento e exigindo produtividade.O conteúdo geral, estruturado nos objetivos a serem alcançados.A metodologia dá ênfase aos recursos audiovisuais, instrução programada, tecnologia de ensino, ensino individualizado, máquinas de ensinar (fazer fazendo). A avaliação é feita baseada na produtividade do aluno, e também do seu comportamento desde a entrada até a saída da escola.Tudo é planejado e executado pelo professor, visando melhor desempenho, sendo a relação professor- aluno meramente profissional e fria, isto é, o aluno recebe as informações e aprende fixando-as durante o processo de aprendizagem, sem muito questionar o aprendizado. 4) Teoria Antiautoritária: a) Concepção de homem:  Ativo;  Dotado de vontade;  Autônomo;  Liberdade individual e coletiva;  Condutor de seu conhecimento. b) Concepção epistemológica:  Não dogmático;  A concepção do conhecimento se dá de forma autônoma e coletiva;
  • 21. 21  Atividades livres em busca do pessoal ( conhecimento cognitivo);  Ligado à realidade e experiência do aluno;  Na interação com o mundo, é o responsável pela direção e significado do aprendido;  Não-diretivo;  Auto-gestão. c) Construção axiológica  As regras são construídas coletivamente;  As regras não são universais;  Autonomia (liberdade de escolha). d) Concepção política  Livre expressão dos ideais libertários ( contrários a toda burocracia);  Nega a delegação de poder a representantes;  Anarquista;  Socialista. As Teorias antiautoritárias rompem com a submissão e obediência e instauram um novo modelo pedagógico, defendendo a liberdade individual e coletiva. Os conteúdos livres, não uniformes, são menos importantes que a personalidade e o caráter do aluno, não é imposto, ensina-se às crianças os que elas solicitam. Ultilizam-se de métodos não impositivos, não coercitivos, baseados nas investigações livres dos aprendizes, em sua atividade na busca do pessoal. Os professores dão liberdade às crianças por estarem convencidos que sua natureza é fundamentalmente boa e se orienta por si mesma em direção positiva, não exigindo a avaliação através dos exames clássicos e sim a auto- avaliação, que parte da aprendizagem da autocrítica e da responsabilidade. O planejamento parte das decisões tomadas em assembléia de alunos e transformados em matérias de interesse comum. As teorias antiautoritárias surgem principalmente a partir dos trabalhos do psicólogo norte- americano Carl Rogers ,que rejeita o ensino autoritário, considerado inibidor da espontaneidade da criança. Para ele o professor deve ser entendido como coordenador do aprendizado. Rogers transpõe para a educação sua concepção de terapia, introduzindo nas salas de aula a dinâmica de grupo.
  • 22. 22 Nela, os alunos integram sob a observação do professor, que só interfere quando solicitado pelo grupo, para solucionar conflitos ou questões de conteúdo. O método cria um ambiente que estimula os alunos a desenvolverem suas próprias interpretação de mundo. 5) TEORIA CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS: a) Concepção de homem:  Ativo;  Multiplicador de ideias  Questionador  Tem em potencial muitas habilidades, mas vai se desenvolvendo ( intencionista); b) Concepção epistemológica:  Conhecimento construído a partir dos interesses da realidade dos alunos;  Por meio cultural;  Transforma a natureza em cultura ( criatividade); c) Concepção axiológica:  Reprodução de idéias da classe dominante;  Não universal;  Interiorização das normas d) Concepção política:  Rejeição das idéias políticas impostas;  Sistema capitalista. As teorias crítico-reprodutivistas, bastante em voga na década de 70, não chegaram a apresentar uma proposta para a educação, limitando-se a denunciar a reprodução das mazelas sociais no interior do processo de ensino. A escola é um aparelho difusor da ideologia dominante para Althusser; desencadeia uma violência simbólica segundo Bordieu e Passeron; é uma escola dualista, de acordo com Baudelot e Establet, ao ministrar um tipo de ensino privilegiado nas escolas de rede secundária-superior, acessível apenas às elites e um ensino de segunda ordem, empobrecido, na rede primária-profissional para as classes subalternas.
  • 23. 23 Essas teorias as quais denunciam os mecanismos de dominação as sociedade pelas elites dirigentes utilizando-se do aparelho escolar como reprodutor de sua ideologia. De outra parte reconhece no pensamento intelectual marxista Antonio Gramsci a possibilidade da escola propor uma ideologia que seja contra-hegemônica. Esta se instaura a partir do momento que educandos e educadores aproveitam os espaços ou lacunas permitidas pelos sistema e contribuem para a superação da marginalidade social articulando uma escola que trabalha os conteúdos a partir dos interesses dos dominados. A impotência das teorias críticos-reprodutivistas e superada a partir da síntese dialética que coloca a capacidade de luta e transformação na mão dos educadores. Fica descoberto assim, no seio do processo educativo, um poder real, embora limitado. Este poder se desvela na medida em que se capta a tarefa específica da educação, inserida no contraditório da sociedade capitalista. 6) Teorias Construtivistas: a) Concepção de homem:  Ativo e criador;  Universal;  Potencialidades inatas;  Autônomo;  Construído através de sua interação social;  Dotado de vontade própria. b) Concepção epistemológica:  Está na interação do sujeito com o objeto ( interacionista);  Construção contínua ;  Produz-se a partir do desenvolvimento por etapas ou estágios sucessivos; c) Concepção axiológica:  Construção das normas de forma coletiva;  A responsabilidade é construída a partir do senso individual e coletivo;
  • 24. 24  Sociedade mutável (constantes transformações) d) Concepção política:  Liberdade de expressão;  Poder descentralizado;  Busca caminhos para a complexidade dos processos; Método de aprendizagem baseado nos trabalhos do biólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget, criador da psicologia genética. Para Piaget, aprender é agir e, por isso, cabe ao professor colocar os alunos diante de situações variadas para que eles próprios busquem soluções e construam seu conhecimento.Piaget observa que o desenvolvimento mental da criança passa por diversas fases e, a cada uma delas, deve corresponder o ensino de determinados conteúdos. O professor, além de transmitir os conteúdos formais, precisa estimular o diálogo e o pensamento crítico. As escolas que seguem essa linha evitam aplicar provas para verificar a memorização dos conteúdos e costumam construir os materiais didáticos com os alunos. Seguidora de Piaget, a Argentina Emília Ferreiro, analisa o processo de alfabetização segundo os pressupostos do construtivismo. Ela acredita que os alunos também aprendem a ler e escrever fora das salas de aula. Assim, ao ensinar, o professor deve considerar as interpretações que os próprios alunos têm sobre a escrita. Sua teoria combate cartilhas tradicionais, pois considera que elas restringem a alfabetização. A contribuição mais significativa que o construtivismo já ofereceu à alfabetização (foi) auxiliar as alfabetizadoras na tarefa de compreender as produções da criança e saber respeitá-la como construções genuínas, indicadoras de progresso, e não como erros absurdos. Nesse sentido, podem-se destacar dois momentos em alfabetização: antes e depois dos trabalhos de Emília Ferreiro. 7) Teorias Progressistas: a) Concepção de homem:  Sujeito ativo;  Não se isola do contexto social;  Livres frente ao professor. b) Concepção epistemológica:
  • 25. 25  A cada atividade que vai sendo feita, o sujeito coloca o seu ser ( construção como instrumento de transformação);  O conhecimento é construído socialmente;  Ação conjugada com a reflexão ( propulsores da práxis).  Admiti um conhecimento relativamente autônomo.  Processo de aprendizagem grupal ( participação em discussões, assembléias, votações);  Codificador – decodificador;  Grau de envolvimento na aprendizagem depende tanto da prontidão e motivação do aluno quanto do professor e do contexto;  Interação conteúdos-realidade. c) Concepção axiológica:  Normas construídas em grupo;  Solidariedade ( respeitadores das regras do grupo);  Autonomia. d) Concepção Política:  Democrática;  Participação popular;  Negação de toda forma de repressão; Snyders usou o termo progressista para designar as tendências que partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. Evidentemente a pedagogia progressista não tem como institucionalizar-se numa sociedade capitalista; daí ser ela um instrumento de luta dos professores ao lado de outras práticas sociais. A educação ao cumprir seu papel de formar cidadão crítico, que possam influenciar no meio em que vive, continuando o que é coerente e rompendo com o que não é conveniente à sua realidade e assim poder problematizar sua realidade e trabalhar as contradições sociais, estará sendo coroado o esforço da pedagogia progressista que é tornar a escola o local onde as camadas populares aumentam o seu saber e de posse dele, possam se organizar socialmente para reivindicar o seu direito à educação. As teorias progressistas querem formar o homem pelo e para o trabalho,
  • 26. 26 Descartando no entanto o trabalho como higiene mental como desejam algumas escolas, se contrapondo também as escolas profissionalizantes que só desejam formar mão-de-obra qualificada reduzindo o trabalho somente a aquisição de técnicas. É o desejo da pedagogia progressista que o trabalho possa construir numa atividade essencial para a formação do homem. Podendo assim transformar a si e a natureza a partir do entendimento do processo como um todo. Possa compreender o processo intelectual assim como o processo manual. A educação dada ao povo favoreça a transmissão aos saberes necessários para formação da consciência crítica das práticas sociais que permitem a construção do mundo, com igualdade e respeito. Os teóricos progressistas resistem a ideia de ser a escola a solução dos problemas sociais ao mesmo tempo que não aceitam entregar os pontos acreditando que a luta deve continuar. O professor deve ser consciente de seu papel como peça fundamental na engrenagem social. Sua posição frente aos problemas reais dos alunos, fará com que direcione seus conteúdos para a formação da consciência crítica e através dessa consciência, possa o aluno despertar para a importância de sua participação política na sociedade, exigindo a atuação efetiva dos órgão públicos no cumprimento das obrigações do estado. Para a pedagogia progressista é esse o fim da educação e não um mero aparelho de reprodução ideológica a serviço do estado. Concepções fundamentais de Filosofia da Educação segundo Dermeval Saviani 1. Concepção Humanista Tradicional. A concepção humanista tradicional está marcada pela visão essencialista de homem. O homem é entendido como constituído por uma essência imutável, cabendo à educação conformar-se à essência humana. A concepção humanista tradicional se distingue em duas vertentes. Temos a vertente religiosa, que tem suas raízes na Idade Média e cuja manifestação mais característica tem como base as correntes do tomismo e do neotomismo. A outra é a vertente leiga, que é centrada na ideia de “natureza humana”. Essa vertente que inspirou a construção dos “sistemas públicos de ensino” com as características de laicidade, obrigatoriedade e gratuidade. 2. Concepção Humanista Moderna
  • 27. 27 A concepção humanista moderna abrange corretes como o Pragmatismo, Vitalismo, Historicismo, Existencialismo e Fenomenologia. Se difere da concepção tradicional, com uma visão de homem centrada na existência, na vida e na atividade. Na visão tradicional dá-se um privilégio do adulto, considerado o homem acabado, completo, em oposição à criança, ser imaturo, incompleto. Na visão moderna, sendo o homem considerado completo desde o nascimento e inacabado até morrer. Admite-se a existência de formas descontínuas da educação, em dois sentidos. No primeiro sentido considera-se que a educação segue o ritmo vital que évariado, determinado pelas diferenças existenciais ao nível dos indivíduos. No segundo sentido, na medida em que os momentos verdadeiramente educativos são considerados raros, passageiros, instantâneos. São momentos de plenitude, porem fugazes e gratuitos. 3. Concepção Analítica Essa concepção de Filosofia da Educação não pressupõe explicitamente uma visão de homem nem um “sistema filosófico” geral. Ela diz que a tarefa da Filosofia da Educação é efetuar a análise da lógica da linguagem educacional. O método que mais se presta à tarefa proposta é o da chamada análise informal ou lógica informal. Não se pode esquecer que se trata do contexto linguístico e não do contexto sócio-econômico-político. 4. Concepção Dialética A concepção dialética também se recusa a colocar no ponto de partida determinada visão de homem. Ela se interessa pelo homem concreto, que seria o homem como “síntese de múltiplas determinações”. Entende-se que os problemas educacionais não podem ser compreendidos senão por referência ao contexto histórico em que estão inseridos. A concepção dialética defende que o movimento segue leis objetivas que não só podem, mas devem ser conhecidas pelo homem. Encarando a realidade como essencialmente dinâmica, não se vê necessidade de negar o movimento para admitir o caráter essencial da realidade, nem de negar a essência para admitir o caráter dinâmico do real. ATIVIDADE I Leia o texto a seguir e faça uma analise “É um erro supor que o avanço dos anos traga opiniões retrógradas. Em outras palavras, não é verdade que o aumento dos anos implique no aumento do reacionarismo. Algumas das dificuldades dos tempos recentes são devidas ao otimismo dos velhos revolucionários. Magníficos homens de idade como o
  • 28. 28 revolucionário russo Peter Kropotkin, o poeta Walt Whitman e William Morris foram para o túmulo esperando a Utopia, ainda que não esperassem o Paraíso. Mas a falsidade, como tantas falsidades, é uma versão falsa de uma meia verdade. A verdade, ou meia verdade, não é que os homens devam aprender com a experiência a serem reacionários; mas que eles devam aprender com a experiência a esperarem reações. E quando digo reações, quero dizer reações; devo desculpar-me, na cultura atual, por usar a palavra em seu sentido correto. Se um menino dispara uma arma, seja numa raposa, num proprietário de terras ou no soberano reinante, ele será repreendido segundo o valor relativo desses objetos. Mas se ele dispara uma arma pela primeira vez, é provável que ele não espere o coice da arma, que ele não espere o forte golpe que ela pode dar- lhe. Ele pode passar a vida atirando nesses e em objetos similares; mas ficará cada vez menos surpreso com coice; isto é, pela reação. Ele pode até dissuadir sua pequena irmã de seis anos de atirar com rifles pesados, usados para matar elefantes; e, assim, dará a impressão de que está se tornando um reacionário. O mesmo princípio se aplica no disparo das grandes armas da revolução. Não é o ideal do homem que muda; não é sua Utopia que se altera; o cínico que diz, “Você esquecerá todo o brilho da lua do idealismo quando envelhecer”, diz o exato oposto da verdade. As dúvidas que chegam com a idade não são sobre o ideal, mas sobre o real. E uma das coisas que é inegavelmente real é a reação; isto é, a probabilidade prática de alguma reversão de direção, e de nosso sucesso parcial em fazer o oposto do pretendido. O que a experiência realmente nos ensina é: que há algo na estrutura e no mecanismo da espécie humana, pelo qual o resultado da ação sobre ela é sempre inesperada, e quase sempre mais complicada do que antecipamos. Esses são os empecilhos da sociologia; e um deles está relacionado com a Educação. Se você me pergunta se penso que a população, especialmente a sua parte pobre, deve ser reconhecida como composta de cidadãos que podem governar o estado, respondo, com uma voz de trovão, “Sim”. Se você me pergunta se penso que eles devam ter educação, no sentido de uma cultura ampla e uma familiaridade com os clássicos da história, respondo novamente, “Sim”. Mas há, na consecução desse propósito, um tipo de empecilho ou coice que só pode ser descoberto pela experiência e não aparece impresso em papel, como acontece com o coice de uma arma. Mesmo assim, ele é, neste momento crucial, uma parte precipuamente prática de política prática; e, apesar de estar sendo um problema há bastante tempo, ele tem sido, sob condições recentes, um pouco mais enfatizado (se me permitem colorir essas páginas serenas e imparciais com uma sugestão política) de forma a trazer para o front, tantos socialistas altamente respeitáveis e tantas autoridades sindicais tão amplamente respeitadas. O empecilho é este: que os educados pensam excessivamente em educação. Devo adicionar que os meio-educados consideram a educação como o ideal supremo. Esse não é um fato que apareça na superfície do ideal ou plano social; é o tipo de coisa que só pode ser descoberto pela experiência. Quando disse que desejava que o sentimento popular encontrasse expressão política, falei sobre o sentimento popular, real e autóctone que pode ser encontrado nos meios de transporte de terceira classe,
  • 29. 29 nas festas folclóricas, nas festas nos feriados; e especialmente, claro (para o mais rígido investigador social da verdade), nos bares. Pensei, e ainda penso, que essas pessoas estão certas num vasto número de coisas em que os líderes populares estão errados. O empecilho é que quando uma dessas pessoas começa a “aprimorar-se”, este é exatamente o momento em que começo a duvidar se aquilo é um aprimoramento. Esse indivíduo parece coletar com impressionante velocidade um número de superstições, das quais a mais cega e ignorante pode ser chamada de Superstição da Escola. Ele considera a Escola, não como uma instituição social normal, como o Lar, a Igreja, o Estado; mas como um tipo inteiramente supernormal e milagroso de fábrica moral, em que são fabricados, por mágica, os homens e as mulheres perfeitas. A essa idolatria da Escola ele está pronto a sacrificar o Lar, a História e a Humanidade, com todos seus instintos e possibilidades, imediatamente. A esse ídolo ele fará qualquer sacrifício, especialmente sacrifício humano. E no fundo da mente, especialmente da mente dos melhores homens desse tipo, há quase sempre uma de duas variantes da mesma concepção concentrada: ou “Se não fosse a Escola, eu não teria sido o grande homem que sou agora”, ou “Se eu tivesse freqüentado a Escola, eu seria maior ainda do que sou agora”. Que ninguém diga que estou zombando de pessoas que não tiveram educação; não zombo de sua “deseducação”, mas de sua educação. Que ninguém tome isso como um desprezo pelos meio-educados; desgosto da metade educada. Mas desgosto deles, não porque desgosto da educação, mas porque, dada a filosofia moderna ou a ausência dela, a educação está sendo voltada contra si própria, destruindo o próprio sentido de variedade e proporção que é o objeto da educação. Ninguém que adora a educação aproveitou o máximo dela; ninguém que sacrifica tudo pela educação é sequer educado. Não preciso mencionar aqui os muitos exemplos recentes dessa monomania, que rapidamente se torna uma perseguição louca, como a absurda perseguição das pessoas que vivem em barcos. O que está errado é o desprezo de um princípio; e o princípio é que sem um gentil desprezo pela educação, nenhuma educação de um gentil-homem está completa.” (Gilbert Keith Chesterton) Atividade II “Nos dias atuais o professor de Filosofia se depara com realidades bastante adversas àquelas vividas em sua vida acadêmica. É inocente pensar que o mesmo se confrontará com alunos com competência leitora e escritora apuradas, ou que estejam prontos a discutir textos filosóficos complexos. Por isso é que caberá a esse docente se preparar para esses desafios e pensar como os seus conteúdos e discussões irão fazer sentido para aquele grupo de educandos. Pensando numa sociedade onde o imediatismo e o consumismo são as palavras de ordem do momento, cabe ao educador uma tarefa inerente ao objetivo principal da filosofia, que é estabelecer uma conexão entre pensar – refletir – agir. Discussões filosóficas riquíssimas
  • 30. 30 podem ser exploradas e vividas se o professor fizer uma análise de sua clientela e souber aplicar as teorias filosóficas, de modo que essa clientela possa entender que a Filosofia não é mais uma matéria que simplesmente preenche a grade curricular, mas que ela pode fazê-lo pensar em sua condição e lhe dar suporte para conviver e melhorar a comunidade na qual está inserido. Não podemos nos ater em passar biografias ou conceitos filosóficos sem sentido, por vezes complexos e enfadonhos. Cópias de textos e questionários que são mais uma tortura do que um aprendizado, que são mais um castigo do que a verdadeira essência da Filosofia que é o desenvolvimento do pensamento crítico e também uma emancipação individual. Nos dias em que vivemos estas são causas urgentes e que devem ser exploradas no ambiente escolar, pois devemos preparar nossos educandos para a vida e os desafios pertinentes a ela. Em tempos de grandes desafios sociais , econômicos e, porque não dizer educacionais é que o ensino e a discussão dessa disciplina se tornam tão desafiadores. Devemos repensar a prática docente em relação à aplicabilidade da disciplina, que não pode ser entendida como um saber irreal e complexo para os nossos educandos do ensino médio, um desafio que tem que ser superado somente pelos teóricos da educação, pedagogos e licenciados em filosofia, mas sim pela comunidade educacional que agora precisa demonstrar a necessidade da filosofia e a sua inter - relação com as demais áreas do conhecimento de forma a garantir e suscitar nos educandos competências para que possam responder aos enormes desafios colocados pela sociedade contemporânea.” Como podemos então ensinar filosofia nas escolas? Como mostrar a sua importância em sala de aula ?
  • 31. 31