narracao-e-descricao-textos-e-exercicios

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  1. 1. 1 DESCRIÇÃO - NARRAÇÃO Tudo o que se escreve recebe o nome genérico de redação. Neste Caderno estudaremos três tipos de redação: descrição, narração e dissertação. É importante que você consiga perceber a diferença entre eles. Leia, primeiramente, as seguintes definições: DESCRIÇÃO: É o tipo de redação na qual se apontam as características que compõem um determinado objeto, pessoa, ambientes ou paisagem. NARRAÇÃO: É a modalidade de redação na qual contamos um ou mais fatos que ocorreram em determinado tempo. DISSERTAÇÃO: É o tipo de composição na qual expomos idéias gerais, seguidas da apresentação de argumentos que as comprovem. Veja agora três exemplos dessas modalidades: DESCRIÇÃO: Sua estatura era alta e seu corpo esbelto. A pele morena refletia o sol dos trópicos. Os olhos negros e amendoados espalhavam a luz interior de sua alegria de viver e jovialidade. Os traços bem desenhados compunham uma fisionomia calma, que mais parecia uma pintura. NARRAÇÃO: Em uma noite chuvosa do mês de agosto, Paulo e o irmão caminhavam pela rua mal-iluminada que conduzia à sua residência. Subitamente foram abordados por um homem estranho. Pararam, atemorizados, e tentaram saber o que o homem queria, receosos de que se tratasse de um assalto. Era, entretanto, somente um bêbado que tentava encontrar, com dificuldade, o caminho de sua casa. DISSERTAÇÃO: Tem havido muitos debates sobre a eficiência do sistema educacional brasileiro. Argumentam alguns que ele deve ter por objetivo despertar no estudante a capacidade de absorver informações dos mais diferentes tipos e relacioná- las com a realidade circundante. Um sistema de ensino voltado para a compreensão dos problemas sócio-econômicos e que despertasse no aluno a curiosidade científica seria por demais desejável. I - DESCRIÇÃO Podemos descrever pessoas, objetos, ambientes... Para fazermos uma descrição, devemos observar as características (traços) próprias daquilo que queremos descrever. Vejamos. * Pessoa - Traços físicos - (externos) alta, baixa, gorda, magra, loira, morena, cor dos olhos, dos cabelos, etc. - Traço psicológicos - (internos) bondosa, maldosa, egoísta, solidária, honesta, etc. * Ambiente Se for uma casa, observar os cômodos, os móveis, tapetes, decoração, lustres, etc... Se for um jardim, uma campo, uma rua, observar as flores, o gramado, a iluminação, lagos, etc. * Objeto Observar as características: Tamanho, utilidade, forma, cor, detalhes, etc... Leia alguns exemplos abaixo: Descrição de pessoa Era de vinte anos, tipo do Norte, franzino, amorenado, pescoço estreito, cabelos crespos, olhos vivos e penetrantes, se bem que alterados por um leve estrabismo. Vestia casimira clara, tinha uma alfinete de esmeralda na camisa, um brilhante na mão esquerda e uma grossa cadeia de ouro sobre o ventre. Os pés, coagidos em apertados sapatinhos de verniz, desapareciam-lhe casquilhamente nas amplas bainhas da calça. (Aluísio Azevedo, Casa de pensão, Rio de Janeiro. Edições de Ouro.p.13-14.) Descrição de ambiente " A rua da Vitória, olhada a princípio, parece não ter fim. É comprida e incerta como uma estrada. De dia, o sol cai furioso sobre a areia preta, arranca pequenos raios das pedras e dos cacos de vidro espalhados no chão, brilha nas vidraças das casas menos pobres - a rua da Vitória, sob o sol forte, é todo um lantejoular que incendeia os olhos. As casas são humildes e raquíticas... (Silveira, Joel) Descrição de objeto A bolsa amarela Lygia Bojunga Nunes Era amarela. Achei isso genial: pra mim amarelo é a cor mais bonita que existe. Mas não era uma amarelo sempre igual: às vezes era forte, mas depois ficava fraco: não sei se porque ele já desbotado um pouco, ou porque já nasceu assim mesmo, resolvendo que ser sempre igual é muito chato. Ela era grande; tinha até mais tamanho de sacola do que de bolsa. Mas vai ver ela era que nem eu: achava que ser pequena não dá pé. A bolsa não era sozinha: tinha uma alça também. Foi só pendurar a alça no ombro que a bolsa arrastou no chão. Eu então dei um nó bem no meio da alça. Resolveu o problema. E ficou com mais bossa também. Não sei o nome da fazenda que fez a bolsa amarela. Mas era uma fazenda grossa, e se a gente passava a mão arranhava um pouco. Olhei bem de perto e vi os fios da fazenda passando um por cima do outro; mas direitinho; sem fazer bagunça nem nada. Achei legal. Mas o que eu ainda achei mais legal foi ver que a fazenda esticava: "vai dar pra guardar um bocado de coisa aí dentro".
  2. 2. 2 1. Copie as frases abaixo do texto " A Bolsa Amarela", no plural (não esqueça de fazer as alterações necessárias nos outros termos). a. Achei isso genial. b. Foi só pendurar a alça no ombro que a bolsa arrastou no chão. c. Ele já tinha desbotado um pouco. 2. Procure no texto " A Bolsa amarela" (a) as principais características da bolsa, os adjetivos que a definem. (b) uma frase negativa. 3. Copie do texto " A Bolsa Amarela" todas as palavras acentuadas. II - Narração Narrar é contar um fato, uma história, um "causo". Pode ser real, isto é, acontecido conosco ou com alguém que conhecemos, ou pode ser criado, inventado Em uma Narração destacamos: 1. FATO (o que se vai narrar); 2. TEMPO (quando o fato ocorreu); 3. LUGAR (onde o fato se deu); 4. PERSONAGENS (quem participou do ocorrido ou o observou); 5. CAUSA (motivo que determinou a ocorrência); 6. MODO (como se deu o fato); 7. CONSEQÜÊNCIAS. Além desses elementos, também fazem parte da narração: * apresentação ou orientação - é quando o narrador apresenta a idéia principal, as personagens e o ambiente, isto é, o palco onde os fatos vão se desenrolar. * desenvolvimento - é a parte mais significativa da narração, pois é nele que o narrador apresenta detalhes sobre a idéia principal. Dentro do desenvolvimento temos o conflito, que é o momento mais importante da narrativa. É quando as coisas se complicam. É o desequilíbrio. A partir daí, a narrativa diminui o seu ritmo, encaminhando-se para o final, para a volta ao equilíbrio. Resumindo: em uma narração a história começa calma, o narrador apresenta as personagens, o ambiente, esclarece o tempo. Depois vem o conflito, em que acontece algum fato inesperado que desequilibra a narração. Então temos o desfecho. * desfecho- é a volta ao equilíbrio (diferente ou não do equilíbrio inicial). É o final da história, é a solução do conflito, conduzido pelas ações das personagens, que pode acabar bem, como acabar de modo desagradável. Não se esqueça disto: Se em sua narração não houver conflito, você não fez uma narração. Fez, simplesmente, o relato de um acontecimento. Foco Narrativo Uma narração pode ser feita em: * 1a. pessoa - eu que é quando o narrador participa da história. Ele é personagem. - Exemplo de narração em 1a. pessoa. Estava andando pela rua quando, de repente, tropecei em um pacote embrulhado em jornais. Peguei-o vagarosamente, abri- o e vi, surpreso, que lá havia uma grande quantia em dinheiro. *3a. pessoa - ele - que é quando o narrador é observador. Ele conta o que se passou com outras personagens. - Exemplo de narração em 3a. pessoa. João estava andando pela rua quando, de repente, tropeçou em um pacote embrulhado em jornais. Pegou-o vagarosamente, abriu-o e viu, surpreso, que lá havia uma grande quantia de dinheiro. Discurso Direto/Discurso Indireto Veja estes exemplos: Discurso indireto O rapaz, depois de estacionar seu automóvel em um pequeno posto de gasolina daquela rodovia, perguntou a um funcionário onde ficava a cidade mais próxima. Ele respondeu que havia um vilarejo a dez quilômetros dali. Discurso direto O rapaz, depois de estacionar seu automóvel em um pequeno posto de gasolina daquela rodovia, perguntou: - Onde fica a cidade mais próxima? - Há um vilarejo a dez quilômetros daqui - respondeu o funcionário. Veja agora um exemplo de como podemos introduzir o discurso direto em uma narração. O PRIMEIRO DIA NO CURSINHO
  3. 3. 3 Maria Helena acabava de matricular-se em um famoso cursinho, desses que preparam alunos para os exames vestibulares. Logo no primeiro dia de aula, depois de subir os seis lances de escadas que a conduziam à sua classe de duzentos e quarenta alunos, entrou na sala espantada com a quantidade de colegas. Assistiu às três primeiras aulas (ou conferências), que os professores deram com o auxílio de microfones. Quando bateu o sinal do intervalo, tentou encontrar a lanchonete que ficava no térreo. Maria Helena então começou a descer os seis lances de escadas, acompanhada por uma quantidade incontável de pessoas, ou seja, os colegas das outras quinze salas de aula existentes em cada andar. Sentia-se como uma torcedora saindo do Morumbi depois de um clássico. Após algum tempo, chegou ao térreo e avistou uma aglomeração comparável ao público que compareceu aos comícios das "Diretas". Olhou para todos os lados e não viu lanchonete alguma. Pouco tempo depois, descobriu que a lanchonete era lá mesmo, mas não dava para ver a caixa registradora, situada a alguns metros dela, de tanta gente que havia. Ela já estava na fila da caixa e não sabia. Leia agora a mesma redação, depois de introduzidos alguns trechos de discurso direto. O PRIMEIRO DIA NO CURSINHO Maria Helena acabava de matricular-se em um famoso cursinho, desses que preparam os alunos para os exames vestibulares. Logo no primeiro dia de aula, depois de subir os seis lances de escadas que a conduziam à sua classe de duzentos e quarenta alunos, entrou na sala, espantada com a quantidade de colegas. Assistiu às três primeiras aulas (ou conferências), que os professores deram com o auxílio de microfones. Quando bateu o sinal do intervalo, Maria Helena perguntou a um colega de classe: - Você, por acaso, sabe onde fica a lanchonete? - Fica no térreo - respondeu-lhe o colega gentilmente. Ela então começou a descer os seis lances de escadas, acompanhada por uma quantidade incontável de pessoas, ou seja, os colegas de outras quinze salas de aulas existentes em cada andar. Sentia-se como uma torcedora saindo do Morumbi depois de um clássico. Após algum tempo, chegou ao térreo e lá avistou uma aglomeração comparável ao público que comparecia aos comícios das "Diretas". - Por favor, você sabe onde fica a lanchonete? Disseram que ficava no térreo - perguntou Maria Helena para uma moça que estava a seu lado. - Mas você já está na lanchonete! Descobriu então que estava no lugar procurado, mas não dava para ver a caixa registradora, situada a alguns metros dela, de tanta gente que havia. Ela já estava na fila da caixa e não sabia. OBS: Além do discurso direto, você pode, também, usar descrições (de pessoas, de ambientes) em sua narração. Ela ficará mais rica, mais bonita. No texto " O primeiro dia de Cursinho", a palavra público tem acento. Sem ele, ela muda de significado. Escreva pelo menos uma frase utilizando a palavra público. 6. Observe o período "Quando bateu o sinal do intervalo, tentou encontrar a lanchonete que ficava no térreo." Está na ordem inversa porque o autor quer dar mais importância ao fator tempo. Tenha o mesmo procedimento com o que segue: a) Entrou na sala depois de subir seis lances de escadas. b) Descobriu a lanchonete pouco tempo depois. c) Maria Helena acabava de matricular-se em um famoso cursinho. d) ...a caixa registradora estava a alguns metros dela. 7. Reescreva as frases dando significado oposto com o uso do antônimo. a) Depois de subir os lances de escadas. b) A caixa registradora estava a alguns metros. c) Pouco tempo depois, descobriu a lanchonete. Leia o texto abaixo. Observe como o narrador usa descrições para caracterizar as personagens e as barracas. COM A FÚRIA DE UM VENDAVAL Em uma certa manhã, acordei entediada. Estava em minhas férias escolares do mês de julho. Não pude viajar. Fui ao portão e avistei, três quarteirões ao longe, a movimentação de uma feira livre. Não tinha nada para fazer, e isso estava me matando de aborrecimento. Embora soubesse que uma feira livre não constitui exatamente o melhor divertimento do qual um ser humano pode dispor, fui andando, a passos lentos, em direção àquelas pequenas e simples barracas. Não esperava ver nada de original, ou mesmo interessante. Como é triste o tédio. Logo que me aproximei, vi uma senhora alta, extremamente gorda, discutindo com um feirante.
  4. 4. 4 O homem, dono da barraca de tomates, um senhor magro, franzino, meio careca, porém sempre com um sorriso nos lábios, tentava em vão acalmar a nervosa senhora. Não sei por que brigavam, mas sei o que vi: a mulher, imensamente gorda, mais do que gorda (monstruosa), erguia seus enormes braços e, com os punhos cerrados, gritava contra o feirante. Comecei a me assustar, com medo de que ela destruísse a barraca (talvez o próprio homem) devido à sua fúria incontrolável. Ela ia gritando e se empolgando com sua raiva crescente e ficando cada vez mais vermelha, assim como os tomates, ou até mais. De repente, no auge de sua ira, avançou contra o homem já atemorizado e, tropeçando em alguns tomates podres que estavam no chão, caiu, tombou, mergulhou, esborrachou-se no asfalto. Algumas pessoas interferiram na cena, acalmaram a senhora e a conduziram a sua casa. E a feira continuou em seu ritmo normal. Agora que você já leu o texto " Com a fúria de um vendaval" , faça o seguinte: 1. Sublinhe as partes em que há descrição; 2. Indique onde começa o conflito e onde ele chega no seu ponto máximo. VAMOS TREINAR UM POUCO Escolha um dos temas abaixo e faça sua narração. Não se esqueça do que foi estudado nas páginas anteriores. 1. Narre um fato interessante que tenha acontecido na sua rua, em sua sala de aula, contigo ou com algum(a) amigo(a). 2. Narre um acontecimento em que a personagem, após passar por apuros, saiu vitoriosa. Lembrete: Não é preciso que o fato seja real. Tanto pode ser algo acontecido com você ou com algum conhecido, como você pode " criar" uma história. Afinal... você tem inteligência e criatividade!! Mãos a obra!! PISCINA Fernando Sabino Era uma esplêndida residência na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e tendo ao lado uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem. Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras, lata d'água na cabeça. De vez em quando, surgia sobre a grade a carinha de uma criança, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes, eram as próprias mulheres que se detinham e ficavam olhando. Naquela manhã de sábado, ele tomava seu gim-tônica no terraço, e a mulher um banho de sol, estirada de maiô à beira da piscina, quando perceberam que alguém os observava pelo portão entreaberto. Era um ser encardido, cujos molambos em forma de saia não bastavam para defini-la como mulher. Segurava uma lata na mão, e estava parada, à espreita, silenciosa como um bicho. Por um instante as duas mulheres se olharam, separadas pela piscina. De súbito, pareceu à dona da casa que a estranha criatura se esgueirava, portão a dentro, sem tirar dela os olhos. Ergueu-se um pouco, apoiando-se no cotovelo, e viu com terror que ela se aproximava lentamente: já transpusera o gramado, atingia a piscina, agachava-se junto à borda de azulejos, sempre a olhá-la, em desafio, e agora colhia água com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça e em pouco sumia-se pelo portão. Lá no terraço o marido, fascinado, assistia a toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de silêncio e de paz que antecedem um combate. Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa. 1. Podemos resumir cada parágrafo numa frase sem verbo (frase nominal) que representa as idéias principais. Resumimos alguns e você fará os outros. a) 1º. parágrafo: A localização da mansão próxima à favela. b) 2ºparágrafo:________________________________________________________ c) 3o. parágrafo: O descanso dos donos da casa e a chegada da mulher favelada. d)4oparágrafo:---------------------------------------------------- ---- e)5ºparágrafo:-------------------------------------------------------- f)6ºparágrafo:-------------------------------------------------------- g) 7o. parágrafo: A reação do dono da casa. 2. Responda, com suas palavras, de acordo com o texto. a) Qual a intenção do narrador ao usar a palavra "pena", na linha 2? b) Construa uma frase com a palavra "pena', com sentido diferente do empregado no texto. c) Copie a expressão do 5o. parágrafo que nos mostra que a mulher da favela não agiu com humildade. 3. Explique a frase: " Era um ser encardido, cujos molambos em forma de saia não bastavam para defini-la como mulher." Nas questões de 4 a 6, assinale com um (x) a única opção que está de acordo com o texto. 4."... e agora colhia água com a lata", o narrador quer demonstrar que a mulher da favela era a) ( ) solidária. b) ( ) ousada, atrevida.
  5. 5. 5 c) ( ) simpática. d) ( ) simples. 5. O narrador não faz qualquer referência à mulher da favela como ser humano, apenas como um ser indefinido, ou sujo, ou estranho. Observe, no texto: " alguém" (linha 12), " ser encardido" (linha 13) e " estranha criatura" (linha 17). Com essas expressões a intenção do narrador seria mostrar que o a) ( ) pobre não tem realmente aparência humana. b) ( ) pobre não tem sentimento. c) ( ) rico não vê o pobre como um ser humano, como seu semelhante. d) ( ) pobre será sempre uma ameaça à vida do rico. 6. " Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras ... " O trecho acima quer dizer que a) ( ) da mansão, assistia-se aos desfiles das escolas de samba do morro. b) ( ) as pessoas do morro passavam uma após outras, para irem buscar água. c) ( ) as crianças gostavam de participar dos desfiles. 7. Escolha mais de uma resposta, assinalando-as com um (x) Com a venda da mansão, os moradores demonstraram a) ( ) egoísmo e falta de solidariedade. b) ( ) que são incapazes de desenvolver uma convivência fraterna com vizinhos pobres. c) ( ) que não queriam perturbar os favelados. d) ( ) que sabem repartir seus pertences com os mais carentes. As questões de 8 a 12 são para você pensar, analisar, depois responder. 8. O que nos mostra que a cena não agradou ao dono da casa? Comente a atitude dele após a invasão da casa. 9. Diante da "invasão" da favelada, o que você faria se fosse os donos da casa? Por quê? 10. Imagine a seguinte situação: você mora numa favela, em seu barraco não há água e ao lado existe uma mansão com piscina. O que você faria para conseguir água? Justifique. 11. Dê outro título ao texto, que você considere mais sugestivo. 12. Dê outro desfecho (final) para a história. 13. Sublinhe as descrições que há no texto. 14. Indique onde começa o conflito e onde ele chega no seu ponto máximo. Relendo o texto 1. No primeiro parágrafo, há um trecho descritivo e um dissertativo. Localize-os e responda: 1. O que é descritivo? 2. Que comentários faz o narrador? 2. Pelos comentários feitos pelo narrador, percebemos que ele fala sobre a paisagem a partir de que ponto de vista? 3. No segundo parágrafo, há trechos narrativos e trechos descritivos. Localize-os e responda: 1. Que personagens são mostradas nesse parágrafo? 2. Como são elas descritas? 3. O que a vista da mansão despertava nessas personagens? 4. Que fato, na manhã de um sábado, chamou a atenção do casal da mansão? 5. Como é descrita a mulher que espiava o casal? 6. " Por um instante as duas mulheres se olharam, separadas pela piscina. " Nesse momento, a piscina passa a ser símbolo de quê? 7. A água da piscina tinha significado diferente para as duas mulheres? Explique. 8. Por que a dona da mansão sentiu terror ao perceber que a outra mulher se aproximava? 9. Para o dono da mansão, o que significou a atitude da mulher da favela?
  6. 6. 6 10. Por que ele resolveu vender a casa depois disso? 11. Damos o nome de clímax ao momento de maior emoção ou impacto de uma narrativa. No caso desse texto, qual é o clímax? Refletindo sobre o texto 1. Que item abaixo resume, na sua opinião, o objetivo principal do texto? Justifique sua resposta. 1. Destacar o trabalho sacrificado das pessoas pobres. 2. Denunciar o luxo e a ostentação dos ricos. 3. Destacar o contraste entre a riqueza de alguns e a miséria de outros. 2. O que você acha da decisão do homem de vender a casa? 3. Que outro título você daria a esse texto? 4. Que pontos em comum podemos destacar entre esse texto e o texto " Tudo mais barato" , estudado na unidade anterior? Criação de texto 1. Imagine a seguinte situação: a dona da mansão, assustada, telefona a uma amiga contando-lhe o que aconteceu. - Como seria essa conversa? Qual seria o diálogo entre as duas? 2. Imagine, agora, esta outra situação: a mulher da favela, com a lata de água na cabeça, chega ao barraco onde mora e conta para uma vizinha o que aconteceu. - Como seria essa conversa? - Qual seria o diálogo entre as duas? Explorando o vocabulário 1. Dê sinônimos para as palavras destacadas nestas expressões: 1. esplêndida residência 2. barracos grotescos 3. ser encardido 4. cena sinistra 5. bela piscina 6. cautelosa retirada 2. " Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem." 1. O verbo alastrar está sendo usado no sentido próprio ou figurado nessa passagem do texto? Por quê? O que quis destacar o autor com esse verbo? 2. Que sentido tem o verbo comprometer nessa passagem? 3. Observe alguns sentidos que a palavra retirada pode ter: 1. A mulher iniciou uma cautelosa retirada. 2. Vou ao banco fazer uma retirada. 3. Ele mora numa casa muito retirada. Reescreva essas frases, substituindo a palavra retirada por outra de sentido equivalente. 2. Justifique o uso da pontuação numerando a 2ª. coluna de acordo com a 1ª. (a) Você sabe onde fica a lanchonete? ( ) Aposto (b) Assistiu as três primeiras aulas ( ) Discurso Direto (c) "...caiu, tombou, mergulhou, esborrachou- ( ) Enumeração se no asfalto." (d) " Aquele Deus, amigo das crianças, ( ) Explicação que tem uma bola branca. 3. Escreva nos parênteses a que se referem os pronomes em negrito: a. Maria Helena acabava de matricular-se em um famoso cursinho. “Ela” estava na fila do caixa e não sabia. b. De súbito pareceu a dona da casa que a estranha criatura se esgueirava, portão a dentro. Viu que “ela” se aproximava. c. Lá no terraço o marido, fascinado, assistia a toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas “lhe” pareceu sinistra. Veja como Martim Cererê não pára, nesse poema que narra de forma bastante dinâmica o que o personagem faz com a bola.
  7. 7. 7 Martim Cererê, jogador de futebol O pequenino vagabundo joga bola e sai correndo atrás da bola, que salta e rola. Já quebrou quase todas as vidraças, inclusive a vidraça azul daquela casa, onde o sol parecia um arco-íris em brasa. Os postes estão hirtos de tanto medo. (O pequenino vagabundo não é brinquedo...) E, quando o pequenino vagabundo, cheio de sol, passa correndo entre os garotos, de blusa verde-amarela e sapatos rotos, aparece de pronto um guarda policial, o homem mais barrigudo deste mundo, com os seus botões feitos de ouro convencional, e zás! carrega-lhe a bola! " Estes marotos precisam de escola..." O pequenino vagabundo guarda nos olhos, durante a noite toda, a figura hedionda do guarda metido na enorme farda com aquele casaco comprido todo chovido de botões amarelos. E, a sua inocência improvisa os mais lindos castelos; e vê, pela vidraça, a lua redonda, que passa, imensa, como uma bola jogada no céu. " É aquele Deus, com certeza, de que a vovó tanto fala. Aquele Deus, amigo das crianças, que tem uma bola branca cor de opala e tem outra bola vermelha cor do sol; que está jogando noite e dia futebol, e que chutou a lua agora mesmo por trás do muro; e, de manhã, por trás do morro, chuta o sol... " Cassiano Ricardo.Martim Cererê. 11.ed.São Paulo, Saraiva, 1962. Vamos entender o texto 1) O que o garoto faz quando joga a bola? 2) Pela descrição do menino que há no texto, como ele se veste? 3) Quem aparece para acabar com a brincadeira do menino? 4) Pela descrição que há no texto, como o guarda é fisicamente? 5) Qual a atitude do guarda que desagrada ao menino? 6) Qual o comentário que o guarda faz dos meninos? 7) Como o guarda se veste? 8) Como é caracterizado o guarda do texto (uma figura compreensiva, brava, carinhosa, etc.)? 9) O garoto compara a lua redonda a que objeto? 10) O que o menino pensa de Deus? 11) O que ele pensa que Deus tem? 12) O que ele pensa que Deus faz?
  8. 8. 8 13) Com quantas bolas o garoto acredita que Deus joga futebol? E quais são elas? 14) O menino pensa que Deus joga bola. Isso acontece mesmo? explique por quê? 15) Compare a atitude do guarda com a que o menino imagina da atitude de Deus? A ação no texto narrativo pode ser estática (parada) ou dinâmica (movimentada). A ação é estática, geralmente, quando há o predomínio de descrições e os verbos são estáticos (verbos estáticos são os verbos de ligação: ser, estar, permanecer, continuar, ficar, parecer...). Ela é estática também quando não há participação direta dos personagens através de diálogos. A ação é dinâmica quando o texto apresenta a participação direta dos personagens e verbos que mostram movimento, ação. Vamos escrever com esquema Criança não deveria ter direitos respeitados por todos? pense nisso e desenvolva o esquema dissertativo abaixo. Toda Criança gosta de é vista pelos adultos como porque acha que deveria ser tratada porque proporciona aos adultos Vamos escrever livremente Tente transformar o poema de Cassiano Ricardo em prosa, ou seja, conte a história de Martim Cererê, o menino jogador de futebol. Você fará uma narração, pois a poesia é de caráter narrativo. 01) No trecho" ... com aquele casaco comprido todo chovido de botões amarelos", o significado da palavra chovido é: a) ( ) respingado b) ( ) molhado c) ( ) enfeitado d) ( ) com pingos de chuva 02) Numere as orações abaixo de acordo com estes significados do verbo guardar: 1. Conversar, manter, gravar na memória 2. Colocar 3. Decorar 4. Economizar ( ) " O pequeno vagabundo guarda nos olhos, durante toda a noite..." ( ) Guardei de cor aqueles versos. ( ) Guardei os livros no armário. ( ) Guardei o dinheiro para comprar este objeto. ( ) Guardei no coração a figura do jogadorzinho. A ordem dos parênteses acima é a seguinte: a) ( ) 1 - 2 - 1 - 4 - 3 b) ( ) 2 - 4 - 1 - 3 – 3 c) ( ) 3 - 1 - 4 - 1 - 2 d) ( ) 1 - 3 - 2 - 4 - 1 03) Numere as orações abaixo de acordo com o que segue: 1. fatos que acontecem durante o dia. 2. fatos que acontecem durante a noite. ( ) O menino brinca. ( ) O menino lembra-se do guarda. ( ) O menino pensa em Deus. ( ) O guarda carrega a bola. ( ) O menino compara a lua com uma bola. A ordem dos parênteses acima é a seguinte: a) ( ) 1 - 2 - 2 - 1 - 2 b) ( ) 2 - 1 - 1 - 2 - 1 c) ( ) 1 - 1 - 2 - 2 - 1 d) ( ) 2 - 2 - 1 - 1 - 2 04) Leia o trecho abaixo: " E, a sua inocência improvisa os mais lindos castelos;
  9. 9. 9 e vê, pela vidraça a lua redonda, que passa, imensa." As palavras sua/que referem-se, respectivamente, às palavras. a) ( ) castelo e lua b) ( ) garoto e vidraça c) ( ) garoto e lua d) ( ) inocência e garoto 05) Para o garoto o guarda... a) ( ) é igual a Deus. b) ( ) é diferente de Deus. c) ( ) joga bola com Deus. d) ( ) é igual à avó. 06) Coloque (V) ou (F) conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmativas abaixo. a) ( ) O guarda tem paciência com as crianças. b) ( ) O garoto pensa no guarda com certo medo. c) ( ) O garoto tem uma boa impressão de Deus. d) ( ) O garoto viu Deus jogando futebol. e) ( ) O garoto é cuidadoso quando joga futebol na rua. A ordem dos parênteses acima é a seguinte: a) ( ) V/ V/ F/ V/ F b) ( ) F/ F/ V/ F/ V c) ( ) V/ F/ F/ V/ V d) ( ) F/ V/ V/ F/ F 07) A expressão " cheio de sol", (linha 09) significa que: a) ( ) o garoto se parece com o sol. b) ( ) o garoto é cheio de vida, de vigor. c) ( ) o sol ilumina o garoto. d) ( ) o garoto vive queimado de sol. 08) (" O pequeno vagabundo não é brinquedo...) Temos aqui um verso entre parênteses que indica uma explicação: a) ( ) do narrador do texto. b) ( ) da mãe do garoto. c) ( ) do guarda. c) ( ) dos habitantes da rua. O Filho Prodígio Millôr Fernandes Era um desses meninos modelos. Desses, é o modo de dizer, pois nunca existiu outro igual. O seu primeiro choque com o mundo foi com o próprio pai. Estava um dia brincando com o seu trenzinho, fazendo barulho, enquanto o pai lia. De repente o pai gritou: " - Pára com isso, menino!" . Ele parou. Olhou para o pai e disse: " - Talvez, meu pai, outro menino de minha idade perguntasse por que o senhor dá essa ordem. Eu não. Obedeço e pronto!" Outra feita subiu numa escada-de-mão para tirar mangas de uma mangueira. A escada escorregou no tronco da árvore molhada e lá veio ele ao chão, num tombo perigoso. Ficou caído, todo machucado, enquanto a mãe se aproximava chorando e gritando. Levantou-se e disse; " - Minha mãe, espero que isto me sirva de lição." Às visitas ele se apresentava rapidamente sempre que sua mãe o chamava. Para não embaraçá-las, dizia logo: " - Realmente estou muito crescido, não estou? Agora posso retirar-me para brincar lá fora e não perturbar a conversa das senhoras?" Certa vez saía de casa para ir ao cinema. Sua mãe ajeitou-lhe o laço do sapato. Ele disse, olhando a expressão do rosto dela: " - Realmente, a gente tem um filho, cria-o com tanto carinho e logo ele tem atitudes e vontades próprias. Isso é muito triste, a senhora não acha?" Quando falavam qualquer coisa de mais sério ou picante à sua frente, ele se levantava, pedia licença para se retirar: " - Os senhores, sabem, eu ainda não tenho idade para ouvir certas coisas." Quando o pai lhe dava dinheiro para comprar livros ou se divertir-se, comentava invariavelmente: " - Na minha idade o senhor já ganhava a vida sozinho." Se surpreendia a mãe trabalhando fora de horas, não se esquecia de dizer: " - Oh! a senhora trabalha como uma escrava para sustentar-me e a verdade é que eu jamais saberei reconhecer isso." Quando se esquecia e discutia um problema, voltava logo a si e ordenava: " - Bem, e agora creio que a senhora não quer ouvir mais nem uma palavra sobre esse assunto!
  10. 10. 10 Se errava, dizia ao pai: " - Na verdade não sei o que está acontecendo com os meninos da minha idade. No seu tempo não era assim." Ou então: " - Realmente eu já tenho idade para não fazer mais isso!" Ou ainda: " - Nunca serei nada na vida se continuar assim." Quando entrou na faculdade, disse ao pai: " - O senhor nunca teve as oportunidades que está me dando." Quando teve o seu primeiro amor, falou a ambos, pai e mãe: " - Acho que estou numa idade crítica." Quis casar cedo, mas reconheceu-o diante da progenitora: " - Sim senhora, depois de todos os sacrifícios que a senhora fez por mim!" Era um cínico ou era um sábio. Interpretação de Texto 01) Uma coisa é certa. O garoto prodígio deixava todos a) revoltados b) frustrados d) arrependidos d) aborrecidos e) atormentados 02) Diante dele, os mais velhos não tinham palavras. E não tinham mesmo, porque: a) ficavam boquiabertos b) não ousariam contrariar uma criança tão esperta. c) as palavras já tinham sido ditas por ele. d) não gostavam da maneira pouco delicada com que ele lhes respondia. e) não queriam desapontá-lo em sua precocidade. 03) No seu primeiro choque com o mundo, o filho prodígio agiu a) como a pai esperava b) como qualquer criança. c) como um bom filho. d) como nenhuma criança. e) como o pai. 04) Se o filho prodígio agisse como qualquer criança , que lhe responderia o pai? a) Porque brincar de trenzinho não é para garoto de sua idade! b) Porque você está se cansando à toa! c) Porque eu mandei e você tem de obedecer! d) Porque está na hora de jantar! e) Porque sua mãe está descansando! 05) Vemos assim que a) o pai zela pela saúde do filho. b) a vontade paterna está acima de qualquer lógica. c) há um constante receio dos pais de que seus filhos se machuquem. d) os pais devem se preocupar sempre com os tipos de brincadeiras dos filhos. e) os filhos não devem fazer brincadeiras barulhentas dentro de casa. 06) Em vez de dizer: " Espero que isto lhe sirva de lição", a mãe também poderia dizer: a) Logo a escada da cozinha, menino! b) Viu!? Da próxima vez você não faz mais isso! c) Eu não disse!? Manga faz mal a você, menino! d) Viu!? Da próxima vez você sobe na árvore em vez de pegar a escada! e) Eu já sabia! por que é que você não trepou na goiabeira, que é mais seguro? 07) Ao ajeitar-lhe o laço do sapato, a mãe fatalmente faria o comentário a) carinhoso b) malévolo c) ingênuo d) absurdo e) egoísta 08) Ao descrever o que a mãe pensa/diz ajeitando o sapato do garoto, o narrador quis mostrar como as mães são a) incapazes b) compreensivas c) possessivas d) românticas e) desleixadas. 09) Ao encerrar uma discussão com a mãe, o garoto usava as mesmas palavras adultas que revelam a) bom-senso e amor materno. b) irritação e desprezo. c) compreensão da ingenuidade filial. d) falta de lógica e coação. e) censura carinhosa e maturidade. 10) Como se fosse adulto, o filho prodígio justifica seus erros atribuindo-os a) ao desleixo paterno. b) à diferença entre gerações. c) ao excessivo cuidado dos pais. d) às influências perniciosas dos amigos. e) à sua inexperiência e pouca idade.
  11. 11. 11 11) Para os adultos, a idade sempre crítica é a a) infância. b) maturidade. c) adolescência. d) velhice. e) fase escolar. 12) O filho prodígio parecia um robô, programado para, qualquer que fosse a situação, agir como um adulto, isto é, agir a) educadamente. b) Sensatamente. c) convencionalmente. d) infantilmente. e) imprevisivelmente. 13) As palavras do filho são, portanto, a) hipócritas formas de cortesia. b) lugares-comuns, frases-feitas muitas vezes desprovidas de lógica. c) demonstrações sinceras de afeto e obediência aos mais velhos. d) reações comuns de criança, que os adultos bondosamente compreendem. e) exaltadas contestações à tradicional educação familiar. 14) Era, pois, um cínico ou um sábio? a) Um sábio, pois na sua idade as crianças comuns jamais agiriam de maneira tão sensata. b) Um cínico, pois não gostava dos pais e agia de modo contrário. c) Um sábio, pois sabia reconhecer os erros numa autocrítica honesta. d) Um cínico, pois, em todas as situações, agia conselheira e superior, como os adultos gostam de agir. e) Um sábio, pois reconhecia sua posição de dependência e inferioridade na sociedade familiar. 15) Coloque, nos parênteses, (1) para situações e (2) para comentários. ( ) " Na minha idade o senhor já ganhava a vida sozinho." ( ) " Certa vez ele saía de casa para ir ao cinema." ( ) " Se surpreendia a mãe trabalhando fora de hora..." ( ) " Nunca serei nada na vida se continuar assim." ( ) " Os senhores sabem, eu ainda não tenho idade para ouvir certas coisa." A ordem do preenchimento dos parênteses acima é a seguinte: a) ( ) 2/1/1/2/2 b) ( ) 1/2/2/1/2 c) ( ) 1/1/1/2/1 d) ( ) 2/1/2/1/1

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