UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO                ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES   DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E ...
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULOESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTESDEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E TURISMOLÍNGUA PORTU...
SumárioA linguagem a partir de Leontiev e Vigotski____________________________________________04 Os elementos da linguagem...
A linguagem a partir de Leontiev e Vigotski      O enfoque geral dos nossos estudos universitários é a comunicação, que po...
A palavra dirigida de uma pessoa a outra, que se constitui em sujeito, cria uma relação. Epara que a palavra não ressoe co...
domínio do pensamento. A verdadeira comunicação requer significado – isto é, generalização –,tanto quanto signos. O mundo ...
Os elementos da linguagem e a intrigante figura de Kaspar Hauser      A linguagem, através do desenvolvimento cognitivo, s...
que “o referente é um evento cognitivo, produto de nossa percepção” e que “o descarte doreferente foi expulsar a dimensão ...
As atribuições sociais da liguagem – o estudo sociolinguístico          O estudo das funções superiores e a inevitável res...
referente. A referência ao deficiente auditivo foi utilizada apenas como recurso ilustrativo. Anecessidade do referente é ...
A análise do discurso       Dominique Maingueneau nos apresentou uma diferenciação entre os termos discurso,enunciado e te...
Referências bibliográficasBACCEGA, Maria Aparecida. Mediação organizativa: o campo da produção. Comunicação & Educação.   ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A Linguagem a Cultura e a Comunicação de Vigostki a Silverstone - LP I

2.257 visualizações

Publicada em

Trabalho realizado na disciplina de Língua Portuguesa - Redação e Expressão Oral I, orientado pela Profa. Dra. Roseli Fígaro, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.257
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
32
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A Linguagem a Cultura e a Comunicação de Vigostki a Silverstone - LP I

  1. 1. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E TURISMOA LINGUAGEM, A CULTURA E A COMUNICAÇÃO DE VIGOSTKI A SILVERSTONE Guilherme Iwegawa Sugio Heitor Begliomini Tolisano Isabela Pagliari Brun Janaina de Azevedo Adão Júlia Isabel Miranda Travaglini Em cumprimento às exigências da disciplina “Língua Portuguesa, Redação e Expressão Oral I” ministrada pela Professora Dra. Roseli A. Fígaro Paulino São Paulo MAIO / 2011
  2. 2. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULOESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTESDEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, PROPAGANDA E TURISMOLÍNGUA PORTUGUESA, REDAÇÃO E EXPRESSÃO ORAL IPROFESSORA DRA. ROSELI A. FÍGARO PAULINO A LINGUAGEM, A CULTURA E A COMUNICAÇÃO DE VIGOSTKI A SILVERSTONE Trabalho referente à disciplina de Língua Portuguesa, Redação e Expressão Oral I do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Orientado pela Profa. Dra. Roseli A. Fígaro Paulino.Realizado pelos alunos Guilherme Iwegawa Sugio (Publicidade e Propaganda), Heitor Begliomini Tolisano (Relações Públicas), Isabela Pagliari Brun (Publicidade e Propaganda), Janaina de Azevedo Adão (Relações Públicas), Júlia Isabel Miranda Travaglini (Publicidade e Propaganda). MAIO / 2011 2
  3. 3. SumárioA linguagem a partir de Leontiev e Vigotski____________________________________________04 Os elementos da linguagem e a intrigante figura de Kaspar Hauser__________________________07As atribuições sociais da linguagem – o estudo sociolinguístico_____________________________09 A análise do discurso______________________________________________________________11 Referências bibliográficas__________________________________________________________12 3
  4. 4. A linguagem a partir de Leontiev e Vigotski O enfoque geral dos nossos estudos universitários é a comunicação, que pode ser descritacomo o complexo processo em que emissor e receptor realizam uma troca de informações atravésde meios e mensagens. Dentro do grande campo da comunicação, existem os estudos dalinguagem e da produção de discursos. Estes dois elementos, orbitados pela sociolinguística, asexperiências pessoais cotidianas e o conteúdo apresentado em aula, serão os norteadores dasanálises contidas na presente contribuição acadêmica. O psicólogo e professor russo Lev Vigotski foi o grande pioneiro dos estudos da linguagem.Em sua obra, o autor firma o conceito de funções, que foi determinante para estruturação de seuestudo. Tais funções podem indicar tanto uma estrutura, ou um órgão, ou algo parecido quepossibilitaria desempenhar a atividade a que corresponde, quanto indicar a própria atividade.Função, enquanto entidade, é “uma espécie de eixo em torno do qual giram as principais idéiasque constituem sua importante contribuição ao conhecimento do ser humano”, como descreveAngel Pino no ensaio “Linguagem, cultura e cognição”. Uma importante característica das funçõesé que elas são de natureza semiótica. Isso significa que elas são operadoras de signos, o qual tem opapel de converter as significações sociais que eles representam em significações especiais. Vigotski define dois tipos de funções, as superiores e as elementares. A contraposição entreesses dois tipos tem um sentido diferente, de oposição, sim, mas também de relação lógica. Asfunções superiores não são originadas pelas funções elementares e não estão ligadas a entidades dequalquer tipo como órgãos ou estruturas, porém, indiretamente se relacionam a eles. As funçõessuperiores servem-se das funções biológicas para funcionar e estas estão ligadas a órgãos docorpo. Alexis Leontiev, em sua obra “O desenvolvimento do psiquismo”, explica que os órgãos dossentidos estão igualmente aperfeiçoados sob a influência do trabalho e em ligação com odesenvolvimento do cérebro. Assim, é possível concluir que as funções superiores também estãorelacionadas com o desenvolvimento do cérebro e com o crescimento do ser humano perante asociedade. Esse desenvolvimento vai do concreto para o abstrato, do objeto particular para arelação com o mundo. As funções superiores são relações sociais internalizadas, ou seja, aquelas traduzem nomundo privado ou no mundo da subjetividade a significação que estas relações têm no mundopúblico, ou seja, a razão ou lei social que as constitui. 4
  5. 5. A palavra dirigida de uma pessoa a outra, que se constitui em sujeito, cria uma relação. Epara que a palavra não ressoe como eco de si mesma, é necessário que produza outra palavra quese contraponha a ela, fazendo com que seja possível o diálogo que origina essa relação. “Existeuma relação sólida entre a variação dos modos de funcionar dos seres humanos e a multiplicidadede sentidos que eles atribuem às suas ações em razão da necessidade de interpretar ascircunstâncias ou contexto em que elas são realizadas”, explica Pino. Segundo Leontiev, a linguagem e a palavra surgem a partir da obrigação da comunicação apartir da realização do trabalho pelos homens. No trabalho, os homens entram forçosamente emrelação, em comunicação uns com os outros. Assim Pino e Leontiev estão falando da mesmacoisa, com abordagens diferentes e concordam entre si quando afirmam que a linguagem surge danecessidade da comunicação entre duas ou mais pessoas. A comunicação é necessária visto que oshomens estão inseridos em uma sociedade, seja pelo trabalho ou não. A linguagem é produto daatividade de trabalho e criadora de cultura, ou seja, a cultura surge da evolução fisiológica e atépsíquica humana. Leontiev afirma ainda que a consciência individual do homem só poderia existir nascondições em que existe a consciência social. A consciência é o reflexo da realidade, refratadaatravés do prisma das significações e dos conceitos lingüísticos, elaborados socialmente e Pinoexplica que as funções, defendidas por Vigotski, são relações sociais que traduzem no mundoprivado ou no mundo da subjetividade a significação que estas relações têm no mundo público,assim como a consciência de Leontiev. O desenvolvimento da consciência é considerado determinado pelo desenvolvimentoautônomo das funções isoladas. A relação entre duas funções determinadas nunca varia. Porexemplo, a percepção está ligada de maneira idêntica à atenção, a memória à percepção, opensamento à memória. A consciência, estudada por Leontiev, se compara ao pensamento, estudado por Vigotski.Esse autor, afirma que o pensamento é “fala menos som”, ou seja, uma fala internalizada, assimcomo a consciência individual é uma relação internalizada. Vigotski afirma, então, que a união viva de som e significado é o que constitui a palavra.Essa união é fragmentada em duas partes que se mantém unidas apenas pelas conexõesassociativas automáticas. É no significado da palavra que o pensamento e a fala se juntam empensamento verbal. A palavra é, portanto, uma operação do pensamento. É no significado onde seencontram as respostas às questões sobre a relação entre o pensamento e a fala. Cada palavra é uma generalização. A generalização é um ato verbal do pensamento e refletea realidade de modo diferente daquele da sensação e da percepção. O significado é parteinalienável da palavra como tal e dessa forma pertence tanto ao domínio da linguagem quanto ao 5
  6. 6. domínio do pensamento. A verdadeira comunicação requer significado – isto é, generalização –,tanto quanto signos. O mundo da experiência precisa ser extremamente simplificado egeneralizado antes que possa ser traduzido em símbolos. A experiência do indivíduo encontra-seapenas em sua própria consciência e não é comunicável. A linguagem é intercessora entre o homem e a realidade. A fala é a atualização da linguageme sua função é a comunicação, o intercâmbio social. A linguagem é uma unidade verbal e mental,já que é indispensável à fala e ao pensamento. A transmissão racional e intencional de experiênciae pensamento a um receptor requer um sistema mediador, cujo modelo é a fala humana,proveniente da obrigação de troca de informações durante o trabalho, assim como defendeLeontiev. A relação pensamento-linguagem é complexa. A linguagem tem papel ativo no processo dopensamento, um pensamento conceitual é irrealizável sem um tipo de linguagem, portanto aexistência de um sistema de signos é condição necessária ao pensamento. A linguagem constitui ofundamento social dado no pensamento individual, ou seja, a linguagem transmitida socialmenteao indivíduo forma a base necessária do seu pensamento conceitual. A linguagem verbal (oral eescrita) categoriza e estrutura o pensamento. “A linguagem é um aprendizado e uma experiência contraída na sociedade e em seusestabelecimentos. Através de sua introdução na sociedade, o homem não aprende a falar, mastambém a pensar” (Figaro, 2011). 6
  7. 7. Os elementos da linguagem e a intrigante figura de Kaspar Hauser A linguagem, através do desenvolvimento cognitivo, social e político da comunidadehumana assume o papel de principal mediadora da cultura, sem deixar de se influenciar por ela, oque é importante destacar. Compreende-se por cultura todos os valores intangíveis, mitológicos ounão, científicos ou não, racionais ou não que contribuem para a evolução da consciência coletivaao ponto de promover identificação individual. Essa relação é aprofundada mais adiante, com oestudo da sociolinguística, mas é imprescindível para desenvolvimento da análise a seguir quetrata da intrigante figura de Kaspar Hauser. Kaspar Hauser foi um jovem encontrado nas ruas de Nuremberg em 1828. Sem nenhumcontato verbal anterior, Kaspar acabou se tornando um riquíssimo objeto de estudo para alinguística. Izidoro Blikstein, no livro “Kaspar Hauser ou a Fabricação da Realidade” trata daquestão do aparelho perceptivo-cognitivo do homem, o qual consiste o principal problema deKaspar. O modo como ele decifra o mundo, mesmo com a apropriação do uso dos signos,convenções linguísticas previamente acordadas numa sociedade sob a forma do idioma, aperspectiva crítica da figura em questão não deixa de ser moldada pela cognição empírica dealguém que viveu até a fase adulta isolado da sociedade. Charles S. Peirce, um dos fundadores da semiótica, afirma que “para que algo possa ser umsigno, esse algo deve ‘representar’, como costumamos dizer, alguma outra coisa”. Ferdinand deSaussure, um importante personagem da semiologia, diz que “o signo não liga uma coisa e umnome, mas um conceito e uma imagem acústica”. Ambas as definições apontam o modo como arelação signo-referente se estabelece. As relações com o referente aparecem, pela primeira vez, notriângulo proposto por Ogden e Richards, que é formado pelos vértices “significante”,“significado” e “referente”. Para os autores, no triângulo, o significante se ligava ao significadopor meio de um contrato social, e que não havia nenhuma relação direta entre o significante e oreferente, o que determinava que a ‘realidade extralinguística não seria decisiva para a articulaçãodo significado dos signos’, culminando na exclusão do referente. Outro linguistas partiram destemesmo princípio de eliminar o referente, como por exemplo S. Ullmann, que afirma que “olingüista terá, portanto, o cuidado de limitar a sua atenção ao lado esquerdo do triângulo”, ou seja,apenas ao lado que é formado pelo significante e significado. Assim a semiologia não consegue se livrar do referente, partindo dos conceitos expostosanteriormente que fazem parte da dimensão perceptivo-cognitiva. Dessa forma Blikstein conclui 7
  8. 8. que “o referente é um evento cognitivo, produto de nossa percepção” e que “o descarte doreferente foi expulsar a dimensão perceptivo-cognitiva”. Todas essas ideias levam ao ponto principal do mistério sobre Kaspar Hauser, a relaçãolíngua-cultura, a incorporação do referente no estudo da língua. A realidade transforma-se emreferente por meio da percepção/cognição, que é a interpretação humana das relações no mundosocial, e recorta-se a realidade ao ponto de termos a tal realidade fabricada. Segundo Sausurre, “oponto de vista cria o objeto”. Esse é o motivo pelo qual Kaspar não consegue captar o mundocomo os outros a sua volta, pois por ter vivido isolado tanto tempo, seu sistema perceptual ficoudesemparelhado de uma prática social, o qual fabrica o referente. Agora, resta entender como se dão as diferenças de percepção, pois sem elas haveria umreferente universal, o qual acabaria com as variações linguísticas em torno do globo. Partimos doprincípio de que o individuo se baseia em critérios discriminatórios e seletivos, que podem sermelhorativos ou pejorativos, e mais tarde se transformam em traços ideológicos, que logo virampadrões perceptivos ou ainda os ‘‘óculos sociais’’, como diz Schaff: “o indivíduo percebe o mundoe o capta intelectualmente através de ‘óculos sociais’”. Esses “óculos sociais” finalmente se transformam em estereótipos de percepção, além degerarem um campo semântico, não são aplicados apenas na área da linguística, para criar oreferente, mas também como gerador de ideias e opiniões, que se transformam em convençõessociais que se tornam regra em determinado grupo, terminando em ditar padrões e criar a polêmicado mundo atual acerca do aborto ou homossexualidade, por exemplo. No âmbito dos estereótipos, o referente, e essas questões citadas acima se interpõe entrenós e a realidade, fingindo ser o real. Logo, assim como condicionados a criação dos referentespara compor nossa linguagem, é por causa deles que se criam estereótipos. Essa relaçãoconflituosa será estudada pela sociolinguística. A formação dos estereótipos também pode serexplicada, em parte, pela advenção das mídias, como trabalhado no texto “Mediação organizativa:o campo da produção”, de Maria Aparecida Baccega. A mídia pode ser considerada o instrumentoda mediação, que é o movimento de significado de um discurso para o outro. As mídias de massatêm como objetivo atingir o maior público possível, levando a uma homogeneização da produção ea formação de um senso comum e de estereótipos. 8
  9. 9. As atribuições sociais da liguagem – o estudo sociolinguístico O estudo das funções superiores e a inevitável ressignificação da língua, do âmbito socialpara o individual, a lacuna entre o que se ouve e o que se entende e as perdas e ganhos durante oprocesso de comunicação lançam luz a uma nova perspectiva do estudo da linguagem. Adescrição da realidade e a simples troca de informações deixam de ser as únicas faces dacomunicação. Quando Angel Pino introduz a cognição no processo de comunicação, uma novavariável é acrescentada ao estudo da linguagem. Nesse momento, nota-se a necessidade de umanova vertente dentro do estudo lingüístico, algo que se dedique a explicar os valores intangíveis dalíngua. A sociolinguística corresponde à associação dos fatores sociológicos aos fenômenoslingüísticos. Ao afirmar que a consciência individual do homem só poderia existir dentro dascondições da consciência social, Leontiev, reconhece claramente, mesmo sem registros oficiais, oobjeto de estudo da sociolinguística. Mesmo que até então não houvesse demanda para o estudodas implicações sociais da linguagem, tal necessidade já se fazia sentir. Cumprindo o papel de suporte da interação social, a língua passa a assumir uma sérieincontável de valores conforme se desdobra em diferentes contextos, dando origem ao fatosociolingüístico. Dino Pretti, na obra “Sociolinguística - Os Valores da Fala” exemplifica como osistema de códigos, signos e referentes vai de encontro direto com a realidade da sociedade pelaqual é utilizado, ao citar o sistema lingüístico de povos nômades que possui grande ocorrência deverbos de movimento. Assim, sem diminuir os méritos da pesquisa de Dino Pretti, recaímos naquestão já levantada por Schaff: “Os esquimós vêem trinta espécies de neve, e não a neve ‘emgeral’, não porque o queiram ou assim o tenham convencionado, mas porque já não podemperceber a realidade de outro modo”. Finalmente é definido o papel do referente na linguística. Depois de ser subestimado ejulgado desnecessário nos estudos de Ogden, Rchards e Ullman, a sociolinguística compreende oreferente como a realidade e a realidade como circunstância moldatória da língua. Não é apenas a sociedade que define os padrões da linguagem, cada indivíduo,internamente ressignifica o fato sociolingüístico, conforme suas necessidades. Retomemos aafirmação de Vigotsky de que “o pensamento é a consciência menos o som”, e partamos daperspectiva de uma pessoa que nasceu sem audição, ora, ela não poderá associar o som ao signoexclusivamente sonoro e, portanto, acaba por estabelecer outra correlação que lhe permitacompreender e ser compreendida. Essa nova correlação passa, impreterivelmente pelo vértice do 9
  10. 10. referente. A referência ao deficiente auditivo foi utilizada apenas como recurso ilustrativo. Anecessidade do referente é inquestionável em qualquer fórmula linguística. A língua assume o papel de caracterizar o indivíduo, assim como suas atribuições físicas. Osotaque, o ritmo da fala, a entonação, o vocabulário, todos esses aspectos são capazes de transmitirinformações sobre aquele que os verbaliza e assim, passa a língua também a assumir maior oumenor valor social. 10
  11. 11. A análise do discurso Dominique Maingueneau nos apresentou uma diferenciação entre os termos discurso,enunciado e texto. Texto é a produção oral ou escrita, o enunciado é o produto verbal de umacontecimento, sendo algo mais momentâneo, e o discurso é toda contextualização, caracterizaçãoe significação. Para o autor o discurso reside além da frase. É orientado, interativo, contextualizado,regido por normas e faz parte de uma rede maior de outros discursos, chamada de interdiscurso. Alinguagem, como objeto de estudo, não deve ser tratada apenas como uma miscelânea de regrasgramaticais. Ela não é apenas o lado esquerdo do triângulo de Ogden e Richards, que remete aosignificante e significado. Ela envolve toda uma contextualização temporal, espacial, física esemântica, envolvendo assim, o lado direto do triângulo de Ogden e Richards, que remete aoreferente. A principal corrente de estudo que levou em consideração essa característica foi aanálise do discurso. Essa corrente traz uma interpretação do pensamento do autor de um discurso,aprofundando-se cada vez mais nos níveis de sentido. A análise do discurso trabalha basicamentecom as funções mentais superiores de Vigotski, ou seja, engloba a tríade linguagem, cognição ecultura. Podemos dizer que a análise do discurso é fundamentada a partir da sociolinguística e dascondições de enunciação descritas no livro “Análises dos textos de comunicação”, de DominiqueMaingueneau. Na primeira parte do livro “Terra à vista”, seu autor Eni Pulcinelli Orlandi nos traz umainteressante análise do discurso sobre uma das mais célebres frases da língua portuguesa: “terra àvista”. Talvez tenha sido o discurso que inaugurou o sentido do povo brasileiro. A autora propõe-nos uma análise da identidade brasileira, apontando que o brasileiro não é apenas um ser cultural,formulado por um discurso científico do senso comum, mas também um ser históricofundamentado por um discurso criado a partir de documentos históricos. Na segunda parte, temosum capítulo em que a autora traz observações sobre a corrente que fundamentou o livro, a análisedo discurso. A autora coloca que análise do discurso é um lugar entre o social/histórico e olinguístico, ou seja, que um determinado discurso não é apenas formulado por uma combinação determos linguísticos, mas também pelo contexto em que o próprio discurso se insere. Em outraspalavras, o discurso verbal vai além dos eixos sintagma e paradigma propostos por Saussure, elepossui um terceiro eixo, o eixo que se refere à semântica. 11
  12. 12. Referências bibliográficasBACCEGA, Maria Aparecida. Mediação organizativa: o campo da produção. Comunicação & Educação. Nº17. São Paulo: CCA – ECA – USP; Moderna, jan/abr de 1998. p. 7-12.BLIKSTEIN, Izidoro. Kaspar Hauser ou a fabricação da realidade. São Paulo, Cultrix, 1990. p. 11-64.LEONTIEV, Alexis. O desenvolvimento do psiquismo. São Paulo: Centauro, 2004. p. 75-94.MAINGUENEAU, Dominique. Análise de textos de comunicação. São Paulo: Cortez, 2001. p. 50-57; e 71-83.ORLANDI, Eni P. Terra à Vista. Discurso do Confronto: velho e novo mundo. São Paulo: Cortez, 1990. p. 13-37.PETTER, Margarida. Linguagem, língua e lingüística. In: FIORIN, J. Luis (org). Introdução à Linguística. São Paulo: Contexto, 2007. p. 11-24.PINO, Angel. Linguagem, Cultura e Cognição. Palestra proferida no II Congresso Internacional Linguagem, Cultura e Cognição: reflexões para o ensino, 2003, Belo Horizonte – MG. Anais... Campinas: Gráfica Central – Faculdade de Educação – Unicamp, 2003.PRETI, Dino. Sociolingüística: os níveis de fala (um estudo sociolingüístico do diálogo na Literatura Brasileira). 8ª Ed. São Paulo: Edusp, 1997. p. 11-71.SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de lingüística geral. São Paulo, Cultrix, 1973.SILVERSTONE, Roger. Por que estudar mídia? São Paulo: Loyola, 2002. cap. 2.TARALLO, Fernando. A pesquisa sociolinguística. São Paulo: Ática, 1985. p. 17-32.VIGOTSKI, Lev S. Pensamento e linguagem. São Paulo, Martins Fontes, 2005. p. 1-10. 12

×