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MAT1154
ANÁLISE QUALITATIVA DE PONTOS DE EQUILÍBRIO DE
SISTEMAS NÃO-LINEARES
VERSÃO 1.0.2
Resumo. Este texto resume e complementa alguns assuntos dos Capí-
tulo 9 do Boyce–DiPrima.
1. Sistemas autônomos de 1a ordem
Um sistema de EDO’s de 1a ordem de dimensão n é um sistema da forma



dx1
dt
= F1(x1, . . . , xn, t)
. . .
dxn
dt
= Fn(x1, . . . , xn, t)
Uma solução do sistema é um conjunto de funções x1 = x1(t), . . . , xn = xn(t)
que satisfaz identicamente as equações acima. Impostas condições iniciais
x1(t0) = a1, . . . , xn(t0) = an fica determinada uma única solução (salvo em
casos patológicos raros).
O sistema é chamado autônomo se as funções F1,. . . , Fn acima não de-
pendem da variável t. Neste caso o sistema pode ser reescrito como
(1)



dx1
dt
= F1(x1, . . . , xn)
. . .
dxn
dt
= Fn(x1, . . . , xn)
Observação 1. Uma propriedade dos sistemas autônomos é a seguinte: se (x1(t), . . . , xn(t))
é solução, então a translação temporal (x1(t − t0), . . . , xn(t − t0)) também é solução.
Observação 2. Um sistema de EDO’s autônomo ou não e de ordem qualquer pode ser
reduzido a um sistema autônomo de 1a
ordem através da introdução de variáveis extras –
veja exemplos em uma planilha de Maple.
Os sistemas autônomos de 1a ordem têm a vantagem de poder ser re-
presentados geometricamente (pelo menos em dimensões até 3) através de
campos de vetores – veja exemplos em uma planilha de Maple.
Date: 25 de Maio de 2011.
1
PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 2
2. Pontos de equilíbrio: alguns tipos especiais
Em toda esta seção vamos considerar um sistema autônomo geral da forma
(1).
Dizemos que a lista de valores (a1, . . . , an) é um ponto de equilíbrio1
do
sistema se as funções constantes
x1(t) = a1, , x2(t) = a2, , . . . , xn(t) = an
formam uma solução do sistema. Isto é equivalente a pedir que



F1(a1, . . . , an) = 0
. . .
Fn(a1, . . . , an) = 0
Suponha que (a1, . . . , an) é um ponto de equilíbrio, e (x1(t), . . . , xn(t))
é uma solução do sistema. Dizemos que a solução converge ao ponto de
equilíbrio no futuro se
lim
t→+∞
x1(t) = a1, , . . . , lim
t→+∞
xn(t) = an.
Dizemos que a solução converge ao ponto de equilíbrio no passado se
lim
t→−∞
x1(t) = a1, , . . . , lim
t→−∞
xn(t) = an.
Observação 3. É claro que se uma solução converge no futuro ou no passado a um ponto
(com coordenadas finitas) então este ponto deve ser de equilíbrio. . .
Vamos definir alguns tipos especiais de pontos de equilíbrio:
1. ponto de equilíbrio tipo atrator2
;
2. ponto de equilíbrio tipo repulsor3
;
3. ponto de equilíbrio tipo sela;
4. ponto de equilíbrio tipo centro.
Advertência: nem todo ponto de equilíbrio se enquadra em um desses
tipos; porém na maioria dos exemplo práticos caímos em um desses casos.
2.1. Atratores e repulsores. Um ponto de equilíbrio (a1, . . . , an) será cha-
mado atrator se a seguinte situação ocorrer: para todo ponto (b1, . . . , bn) su-
ficientemente próximo de (a1, . . . , an) a solução (x1(t), . . . , xn(t)) do sistema
que satisfaz as condições iniciais x1(0) = b1, . . . , xn(0) = bn converge ao
ponto (a1, . . . , an) no futuro.
Um ponto de equilíbrio é chamado repulsor se vale a condição análoga
trocando “futuro” por “passado”.
Exemplo 1. Pêndulo com atrito – ver planilha de Maple; ver também pág. 388, 398–399
do Boyce–DiPrima.
Os pontos da forma (0, kπ) com k inteiro par são atratores. Isso é fácil de justificar
fisicamente.
1Boyce–DiPrima chamam isto de ponto crítico.
2também chamado assintoticamente estável ou poço
3também chamado fonte
PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 3
Observação 4. Um ponto de equilíbrio atrator pode ser do “tipo espiral” ou não. . . Não
nos preocuparemos com esta distinção.
Observação 5. Dado um ponto de equilíbrio atrator a, o conjunto das condições iniciais
cujas soluções convergem para o a no futuro é chamado bacia de atração do ponto a. Veja
um exemplo na página 399 do livro.
2.2. Selas. O conceito de sela é um pouco mais complicado e será dado
apenas apenas em dimensão n = 2.
Um ponto de equilíbrio a = (a1, a2) é chamado sela se a seguinte situa-
ção ocorrer: existem duas curvas γ1, γ2 no plano x1x2 que se intersectam4
transversalmente (isto é, formando ângulo não-nulo) no ponto a tais que:
• toda solução do sistema que passa por um ponto de γ1 converge a a
no futuro (e reciprocamente, se uma solução converge a a no futuro
então ela passa por γ1);
• toda solução do sistema que passa por um ponto de γ2 converge a a no
passado (e reciprocamente, se uma solução converge a a no passado
então ela passa por γ2).
Exemplo 2. Pêndulo com atrito – ver planilha de Maple; ver também pág. 388, 398–399
do Boyce–DiPrima.
Os pontos da forma (0, kπ) com k inteiro ímpar são selas. Isso é fácil de justificar
fisicamente.
2.3. Centros. Lembre que uma função f(t) é chamada periódica se existe
uma constante T > 0 (chamada período) tal que f(t + T) = f(t) para todo
t. (Note que o período não é único: 2T, 3T, . . . também são períodos).
Uma solução (x1(t), . . . , xn(t)) de um sistema de EDO’s será chamada
de periódica se todas as funções x1(t), . . . , xn(t) são periódicas e têm um
período comum T,
Os pontos de equilíbrio do tipo centro só são definidos em dimensão 2.
Um ponto de equilíbrio (a1, a2) será chamado de tipo centro se a seguinte
situação ocorrer: para todo ponto (b1, b2) suficientemente próximo de (a1, a2)
a solução (x1(t), x2(t)) do sistema que satisfaz as condições iniciais x1(0) =
b1, . . . , xn(0) = bn é periódica (mas não constante).
Exemplo 3. Pêndulo sem atrito – ver planilha de Maple; ver também pág. 388.
Os pontos da forma (0, kπ) com k inteiro par são centros. Isso é fácil de justificar
fisicamente (conservação da energia).
Advertência: Os períodos das diversas soluções não são os mesmos.5
A maneira mais
simples de ver isso é considerar uma solução que parte da condição inicial (α, 0) onde α é
menor mas muuuuito próximo a π, e ver que o período desta solução será grande. Uma
fórmula geral para o período é dada no Exerc. 29 do § 3.3 do B–DiP.
3. Determinando o tipo de um ponto de equilíbrio
**Revisar o caso linear.**
4Intersectar: Ter interseção não-vazia; cruzar. (Do inglês intersect).
5
Dizemos que o pêndulo sem atrito não é isócrono. Já o sistema massa-mola sem atrito
é isócrono.
PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 4
Suponha que (a1, . . . , an) é um ponto de equilíbrio de um sistema autô-
nomo da forma (1).
3.1. Usando a matriz jacobiana: Atratores, repulsores e selas. Uma
maneira de tentar determinar o tipo do ponto de equilíbrio é usando a cha-
mada matriz jacobiana do sistema nesse ponto:
J =






∂F1
∂x1
(a1, . . . , an) · · ·
∂F1
∂xn
(a1, . . . , an)
...
...
∂Fn
∂x1
(a1, . . . , an) · · ·
∂Fn
∂xn
(a1, . . . , an)






Teorema. Suponha que J é a matriz jacobiana do sistema (1) em um ponto
de equilíbrio fixado. Então
1. Se todos os autovalores de J têm parte real negativa então o ponto de
equilíbrio é atrator.
2. Se todos os autovalores de J têm parte real positiva então o ponto de
equilíbrio é repulsor.
3. Supondo que a dimensão n é 2, se um autovalor de J for negativo e o
outro for positivo então o ponto de equilíbrio é sela.
**Pseudo-explicação: dominância da parte linear. . . **
Se algum autovalor tiver parte real zero (isto é, for zero ou imaginário
puro) então a determinação do tipo de equilíbrio é mais delicada e depende
de outras informações que não apenas a matriz J.
Observação 6. Uma maneira útil de descobrir se estamos em algum dos casos do teorema
sem necessariamente calcular os autovalores é a seguinte:
• Calcule o determinante de J; se for negativo então necessariamente um autovalor
é positivo e o outro é negativo (e pelo Teorema o ponto é sela).
• Se o determinante for positivo então calcule o traço de J. Aí:
– Se o traço é negativo então necessariamente os autovalores têm ambos parte
real negativa (e pelo Teorema o ponto é atrator).
– Se o traço é positivo então necessariamente os autovalores têm ambos parte
real positiva (e pelo Teorema o ponto é repulsor).
Exercício: Prove que isto está correto!
Exemplo 4. Resolver os exercícios do § 9.3 do B–DiP.
Exemplo 5. Espécies em competição: § 9.4 do B–DiP.
3.2. Centros. Se os autovalores de J são imaginários puros então o ponto e
equilíbrio tem chance de ser centro. . . Porém isso depende de outras coisas.
Vamos considerar o sistema da forma (1) com n = 2; para simplificar a
escrita, vamos trocar x1, x2, F1, F2 por x, y, F, G, respectivamente, de
PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 5
modo que o sistema fica:
(2)



dx
dt
= F(x, y)
dy
dt
= G(x, y)
Seja (x(t), y(t)) uma solução fixada do sistema acima. Suponha que, por
muita sorte, podemos isolar t em função de x; aí substituindo na expressão
de y temos y como função de x. Neste caso, a função y = y(x) será solução
da seguinte EDO:
dy
dx
=
G(x, y)
F(x, y)
.
Essa EDO pode ser reescrita como:
G(x, y) − F(x, y) ·
dy
dx
= 0.
Lembre (da matéria da P1) que a equação acima é chamada exata se
(3)
∂G
∂y
=
∂(−F)
∂x
.
Nesse caso, podemos encontrar6
uma função Φ(x, y) tal que
(4)



∂Φ
∂x
= G
∂Φ
∂y
= −F
e as soluções da EDO serão dadas em forma implícita como Φ(x, y) = c. As
trajetórias das soluções do sistema (2) ficam contidas nas curvas de nível da
função Φ.
Esta discussão serve para motivar o seguinte resultado geral:
Teorema. Se uma função Φ(x, y) satisfaz as relações (4) então a trajetória
de qualquer solução do sistema (2) ficam contidas em uma curva de nível da
função Φ.
Em outras palavras, a quantidade Φ(x, y) é conservada. Dizemos que
encontramos uma lei de conservação do sistema.
Demonstração. Regra da cadeia . . .
Exemplo 6. Pág. 391 (final § 9.2) do B–DiP.
Exemplo 7. Pêndulo sem atrito:
8
>><
>>:
dx
dt
= y
dy
dt
= −ω2
sin x
6localmente
PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 6
O ponto (0, 0) é de equilíbrio, e os autovalores da jacobiana são imaginários puros; este
é um caso onde o Teorema anterior não consegue decidir o tipo do ponto de equilíbrio.
Porém, já tínhamos visto de considerações físicas que o ponto de equilíbrio era do tipo
centro.
Note que o sistemas passa no teste (3): 0 = 0. Fazendo as contas, conseguimos encon-
trar uma função conservada Φ(x, y) = ω2
cos x + y2
2
. Obs: Esta função nada mais é do
que um múltiplo da energia total (potencial + cinética).
Parece claro que se um ponto é do tipo centro então deve haver uma
quantidade7
conservada. Assim, estabelecemos a seguinte:
Regra. Suponha que:
• a matriz jacobiana do sistema em um ponto de equilíbrio tem autova-
lores imaginários puros;
• o sistema tem uma lei de conservação.
Então o ponto de equilíbrio é do tipo centro.
Exemplo 8. Sistema predador–presa: § 9.5 do B–DiP.
Observação 7. A existência de ponto de equilíbrio do tipo sela não impede a existência
de uma lei de conservação. (Isto pode ser visto no exemplo do pêndulo sem atrito.)
Porém dado um ponto de equilíbrio atrator ou repulsor, não pode existir nenhuma lei de
conservação não-trivial. (Mais precisamente, qualquer função conservada será constante
ao redor do ponto de equilíbrio.)
Observação 8. É possível que o sistema tenha uma lei de conservação mesmo falhando o
teste (3) (veja os exemplo no final do § 2.6 do B–DiP). O que acontece é que se o sistema
passar no teste (3) então uma lei de conservação existe e é fácil de ser encontrada.
7
não-constante

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  • 1. MAT1154 ANÁLISE QUALITATIVA DE PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES VERSÃO 1.0.2 Resumo. Este texto resume e complementa alguns assuntos dos Capí- tulo 9 do Boyce–DiPrima. 1. Sistemas autônomos de 1a ordem Um sistema de EDO’s de 1a ordem de dimensão n é um sistema da forma    dx1 dt = F1(x1, . . . , xn, t) . . . dxn dt = Fn(x1, . . . , xn, t) Uma solução do sistema é um conjunto de funções x1 = x1(t), . . . , xn = xn(t) que satisfaz identicamente as equações acima. Impostas condições iniciais x1(t0) = a1, . . . , xn(t0) = an fica determinada uma única solução (salvo em casos patológicos raros). O sistema é chamado autônomo se as funções F1,. . . , Fn acima não de- pendem da variável t. Neste caso o sistema pode ser reescrito como (1)    dx1 dt = F1(x1, . . . , xn) . . . dxn dt = Fn(x1, . . . , xn) Observação 1. Uma propriedade dos sistemas autônomos é a seguinte: se (x1(t), . . . , xn(t)) é solução, então a translação temporal (x1(t − t0), . . . , xn(t − t0)) também é solução. Observação 2. Um sistema de EDO’s autônomo ou não e de ordem qualquer pode ser reduzido a um sistema autônomo de 1a ordem através da introdução de variáveis extras – veja exemplos em uma planilha de Maple. Os sistemas autônomos de 1a ordem têm a vantagem de poder ser re- presentados geometricamente (pelo menos em dimensões até 3) através de campos de vetores – veja exemplos em uma planilha de Maple. Date: 25 de Maio de 2011. 1
  • 2. PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 2 2. Pontos de equilíbrio: alguns tipos especiais Em toda esta seção vamos considerar um sistema autônomo geral da forma (1). Dizemos que a lista de valores (a1, . . . , an) é um ponto de equilíbrio1 do sistema se as funções constantes x1(t) = a1, , x2(t) = a2, , . . . , xn(t) = an formam uma solução do sistema. Isto é equivalente a pedir que    F1(a1, . . . , an) = 0 . . . Fn(a1, . . . , an) = 0 Suponha que (a1, . . . , an) é um ponto de equilíbrio, e (x1(t), . . . , xn(t)) é uma solução do sistema. Dizemos que a solução converge ao ponto de equilíbrio no futuro se lim t→+∞ x1(t) = a1, , . . . , lim t→+∞ xn(t) = an. Dizemos que a solução converge ao ponto de equilíbrio no passado se lim t→−∞ x1(t) = a1, , . . . , lim t→−∞ xn(t) = an. Observação 3. É claro que se uma solução converge no futuro ou no passado a um ponto (com coordenadas finitas) então este ponto deve ser de equilíbrio. . . Vamos definir alguns tipos especiais de pontos de equilíbrio: 1. ponto de equilíbrio tipo atrator2 ; 2. ponto de equilíbrio tipo repulsor3 ; 3. ponto de equilíbrio tipo sela; 4. ponto de equilíbrio tipo centro. Advertência: nem todo ponto de equilíbrio se enquadra em um desses tipos; porém na maioria dos exemplo práticos caímos em um desses casos. 2.1. Atratores e repulsores. Um ponto de equilíbrio (a1, . . . , an) será cha- mado atrator se a seguinte situação ocorrer: para todo ponto (b1, . . . , bn) su- ficientemente próximo de (a1, . . . , an) a solução (x1(t), . . . , xn(t)) do sistema que satisfaz as condições iniciais x1(0) = b1, . . . , xn(0) = bn converge ao ponto (a1, . . . , an) no futuro. Um ponto de equilíbrio é chamado repulsor se vale a condição análoga trocando “futuro” por “passado”. Exemplo 1. Pêndulo com atrito – ver planilha de Maple; ver também pág. 388, 398–399 do Boyce–DiPrima. Os pontos da forma (0, kπ) com k inteiro par são atratores. Isso é fácil de justificar fisicamente. 1Boyce–DiPrima chamam isto de ponto crítico. 2também chamado assintoticamente estável ou poço 3também chamado fonte
  • 3. PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 3 Observação 4. Um ponto de equilíbrio atrator pode ser do “tipo espiral” ou não. . . Não nos preocuparemos com esta distinção. Observação 5. Dado um ponto de equilíbrio atrator a, o conjunto das condições iniciais cujas soluções convergem para o a no futuro é chamado bacia de atração do ponto a. Veja um exemplo na página 399 do livro. 2.2. Selas. O conceito de sela é um pouco mais complicado e será dado apenas apenas em dimensão n = 2. Um ponto de equilíbrio a = (a1, a2) é chamado sela se a seguinte situa- ção ocorrer: existem duas curvas γ1, γ2 no plano x1x2 que se intersectam4 transversalmente (isto é, formando ângulo não-nulo) no ponto a tais que: • toda solução do sistema que passa por um ponto de γ1 converge a a no futuro (e reciprocamente, se uma solução converge a a no futuro então ela passa por γ1); • toda solução do sistema que passa por um ponto de γ2 converge a a no passado (e reciprocamente, se uma solução converge a a no passado então ela passa por γ2). Exemplo 2. Pêndulo com atrito – ver planilha de Maple; ver também pág. 388, 398–399 do Boyce–DiPrima. Os pontos da forma (0, kπ) com k inteiro ímpar são selas. Isso é fácil de justificar fisicamente. 2.3. Centros. Lembre que uma função f(t) é chamada periódica se existe uma constante T > 0 (chamada período) tal que f(t + T) = f(t) para todo t. (Note que o período não é único: 2T, 3T, . . . também são períodos). Uma solução (x1(t), . . . , xn(t)) de um sistema de EDO’s será chamada de periódica se todas as funções x1(t), . . . , xn(t) são periódicas e têm um período comum T, Os pontos de equilíbrio do tipo centro só são definidos em dimensão 2. Um ponto de equilíbrio (a1, a2) será chamado de tipo centro se a seguinte situação ocorrer: para todo ponto (b1, b2) suficientemente próximo de (a1, a2) a solução (x1(t), x2(t)) do sistema que satisfaz as condições iniciais x1(0) = b1, . . . , xn(0) = bn é periódica (mas não constante). Exemplo 3. Pêndulo sem atrito – ver planilha de Maple; ver também pág. 388. Os pontos da forma (0, kπ) com k inteiro par são centros. Isso é fácil de justificar fisicamente (conservação da energia). Advertência: Os períodos das diversas soluções não são os mesmos.5 A maneira mais simples de ver isso é considerar uma solução que parte da condição inicial (α, 0) onde α é menor mas muuuuito próximo a π, e ver que o período desta solução será grande. Uma fórmula geral para o período é dada no Exerc. 29 do § 3.3 do B–DiP. 3. Determinando o tipo de um ponto de equilíbrio **Revisar o caso linear.** 4Intersectar: Ter interseção não-vazia; cruzar. (Do inglês intersect). 5 Dizemos que o pêndulo sem atrito não é isócrono. Já o sistema massa-mola sem atrito é isócrono.
  • 4. PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 4 Suponha que (a1, . . . , an) é um ponto de equilíbrio de um sistema autô- nomo da forma (1). 3.1. Usando a matriz jacobiana: Atratores, repulsores e selas. Uma maneira de tentar determinar o tipo do ponto de equilíbrio é usando a cha- mada matriz jacobiana do sistema nesse ponto: J =       ∂F1 ∂x1 (a1, . . . , an) · · · ∂F1 ∂xn (a1, . . . , an) ... ... ∂Fn ∂x1 (a1, . . . , an) · · · ∂Fn ∂xn (a1, . . . , an)       Teorema. Suponha que J é a matriz jacobiana do sistema (1) em um ponto de equilíbrio fixado. Então 1. Se todos os autovalores de J têm parte real negativa então o ponto de equilíbrio é atrator. 2. Se todos os autovalores de J têm parte real positiva então o ponto de equilíbrio é repulsor. 3. Supondo que a dimensão n é 2, se um autovalor de J for negativo e o outro for positivo então o ponto de equilíbrio é sela. **Pseudo-explicação: dominância da parte linear. . . ** Se algum autovalor tiver parte real zero (isto é, for zero ou imaginário puro) então a determinação do tipo de equilíbrio é mais delicada e depende de outras informações que não apenas a matriz J. Observação 6. Uma maneira útil de descobrir se estamos em algum dos casos do teorema sem necessariamente calcular os autovalores é a seguinte: • Calcule o determinante de J; se for negativo então necessariamente um autovalor é positivo e o outro é negativo (e pelo Teorema o ponto é sela). • Se o determinante for positivo então calcule o traço de J. Aí: – Se o traço é negativo então necessariamente os autovalores têm ambos parte real negativa (e pelo Teorema o ponto é atrator). – Se o traço é positivo então necessariamente os autovalores têm ambos parte real positiva (e pelo Teorema o ponto é repulsor). Exercício: Prove que isto está correto! Exemplo 4. Resolver os exercícios do § 9.3 do B–DiP. Exemplo 5. Espécies em competição: § 9.4 do B–DiP. 3.2. Centros. Se os autovalores de J são imaginários puros então o ponto e equilíbrio tem chance de ser centro. . . Porém isso depende de outras coisas. Vamos considerar o sistema da forma (1) com n = 2; para simplificar a escrita, vamos trocar x1, x2, F1, F2 por x, y, F, G, respectivamente, de
  • 5. PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 5 modo que o sistema fica: (2)    dx dt = F(x, y) dy dt = G(x, y) Seja (x(t), y(t)) uma solução fixada do sistema acima. Suponha que, por muita sorte, podemos isolar t em função de x; aí substituindo na expressão de y temos y como função de x. Neste caso, a função y = y(x) será solução da seguinte EDO: dy dx = G(x, y) F(x, y) . Essa EDO pode ser reescrita como: G(x, y) − F(x, y) · dy dx = 0. Lembre (da matéria da P1) que a equação acima é chamada exata se (3) ∂G ∂y = ∂(−F) ∂x . Nesse caso, podemos encontrar6 uma função Φ(x, y) tal que (4)    ∂Φ ∂x = G ∂Φ ∂y = −F e as soluções da EDO serão dadas em forma implícita como Φ(x, y) = c. As trajetórias das soluções do sistema (2) ficam contidas nas curvas de nível da função Φ. Esta discussão serve para motivar o seguinte resultado geral: Teorema. Se uma função Φ(x, y) satisfaz as relações (4) então a trajetória de qualquer solução do sistema (2) ficam contidas em uma curva de nível da função Φ. Em outras palavras, a quantidade Φ(x, y) é conservada. Dizemos que encontramos uma lei de conservação do sistema. Demonstração. Regra da cadeia . . . Exemplo 6. Pág. 391 (final § 9.2) do B–DiP. Exemplo 7. Pêndulo sem atrito: 8 >>< >>: dx dt = y dy dt = −ω2 sin x 6localmente
  • 6. PONTOS DE EQUILÍBRIO DE SISTEMAS NÃO-LINEARES . . . 6 O ponto (0, 0) é de equilíbrio, e os autovalores da jacobiana são imaginários puros; este é um caso onde o Teorema anterior não consegue decidir o tipo do ponto de equilíbrio. Porém, já tínhamos visto de considerações físicas que o ponto de equilíbrio era do tipo centro. Note que o sistemas passa no teste (3): 0 = 0. Fazendo as contas, conseguimos encon- trar uma função conservada Φ(x, y) = ω2 cos x + y2 2 . Obs: Esta função nada mais é do que um múltiplo da energia total (potencial + cinética). Parece claro que se um ponto é do tipo centro então deve haver uma quantidade7 conservada. Assim, estabelecemos a seguinte: Regra. Suponha que: • a matriz jacobiana do sistema em um ponto de equilíbrio tem autova- lores imaginários puros; • o sistema tem uma lei de conservação. Então o ponto de equilíbrio é do tipo centro. Exemplo 8. Sistema predador–presa: § 9.5 do B–DiP. Observação 7. A existência de ponto de equilíbrio do tipo sela não impede a existência de uma lei de conservação. (Isto pode ser visto no exemplo do pêndulo sem atrito.) Porém dado um ponto de equilíbrio atrator ou repulsor, não pode existir nenhuma lei de conservação não-trivial. (Mais precisamente, qualquer função conservada será constante ao redor do ponto de equilíbrio.) Observação 8. É possível que o sistema tenha uma lei de conservação mesmo falhando o teste (3) (veja os exemplo no final do § 2.6 do B–DiP). O que acontece é que se o sistema passar no teste (3) então uma lei de conservação existe e é fácil de ser encontrada. 7 não-constante