Lúcifer e Prometeu:
Irmãos de Fogo
JOSÉ FELIPE RODRIGUEZ DE SÁ
PSICÓLOGO JUNGUIANO
CRP: 03/8040
  
IRMÃOS DE FOGO
Introdução
O poema épico Paraíso Perdido, de Milton,
é uma obra essencial para o Cânone literário
Ocidental...
IRMÃOS DE FOGO
Introdução
Num ensaio literário clássico publicado em 1952, Werblowsky (2007)
utilizou conceitos da Psicolo...
IRMÃOS DE FOGO
Introdução
Werblowsky (2007/1952) fala como Jung sempre insistiu em trazer à tona
o problema do Diabo e a s...
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Prometeu
Prometeu (“premeditação”) era o sábio titã que criou a humanidade e
transmitiu-lhes a arquitetura,...
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Prometeu
Ao perceber que foi enganado por
Prometeu, Zeus o castiga privando os
humanos de fogo
Revoltado co...
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Prometeu
Como punição extra, Zeus cria uma bela e malévola mulher chamada
Pandora e dá-lhe de presente para...
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Prometeu
Na literatura, Prometeu é figura ambígua: ao
mesmo tempo que é valorizado por favorecer
os homens ...
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“Herói-Vilão”
No levantamento etimológico de Link (1998),
Satã deriva da palavra hebraica satan (‫ט(ן‬ָ‫ ,(...
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“Herói-Vilão”
O Satanás de Milton é o herdeiro literário dos
grandes heróis-vilões de William Shakespeare,
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“Herói-Vilão”
Na Bíblia Hebraica Satã é um anjo
acusador, não tendo a mesmo status de
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“Herói-Vilão”
O “soberbo e infeliz” Satã de Paraíso Perdido é um “usurpador muito
malsucedido”, cheio de re...
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Drama Familiar
O Satã do Novo Testamento foi moldado pela
ideia de Angra Mainyu ou Ahriman, o Espírito
do M...
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Drama Familiar
No início de Paraíso perdido Deus proclama
que Cristo é seu único filho gerado, o que leva
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O Jardim do Éden
Nos capítulos 2 e 3 de Gênesis, o primeiro livro do Velho Testamento, é
descrita a históri...
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O Jardim do Éden
Depois de Adão dar nome aos animais, Deus o
fez cair num sono profundo para tirar uma
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O Jardim do Éden
Ao ouvir Deus se aproximar no jardim, Adão e Eva se escondem com
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Hermenêutica
Quanto à interpretação da Bíblia, Robertson (1994) advoga um ponto de
vista diferente dos segu...
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“Psicologismo”
Essa hermenêutica do texto bíblico não
significa cair no “psicologismo”, que é dar
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Amplificação
Jung (2005) advoga o método da “amplificação”, que é fazer uma análise
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Amplificação
O fogo, elemento central no mito de Prometeu,
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Há também uma analogia entre o fogo e a
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Considerações Finais
O “êxito estético” do Satã de Paraíso Perdido é
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Considerações Finais
Jung (2005) salienta a dificuldade de lidar com a sombra, a parte inferior
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Referências Bibliográficas
• Bíblia de Jerusalém. (2002). São Paulo: Paulus.
• Bloom, H. (2008). Anjos caíd...
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• Jung, C. G. (2000). Os arquétipos e o inconsciente coletivo (2º ed.).
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• Jung, C. G. (2011). Símbolos da transformação: análise dos prelúdios de
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O tema deste trabalho é a associação entre o Lúcifer do poema épico "Paraíso perdido" (1667), clássico da literatura mundial, e o mito de Prometeu. Explora-se as semelhanças arquetípicas entre estas duas figuras ambíguas; o simbolismo do fogo e sua relação com o surgimento da consciência; o desenvolvimento do ego e o sentimento de solidão e culpa que acompanha o afastamento do inconsciência; entre outros temas.

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Lúcifer e Prometeu: Irmãos de Fogo

  1. 1. Lúcifer e Prometeu: Irmãos de Fogo JOSÉ FELIPE RODRIGUEZ DE SÁ PSICÓLOGO JUNGUIANO CRP: 03/8040   
  2. 2. IRMÃOS DE FOGO Introdução O poema épico Paraíso Perdido, de Milton, é uma obra essencial para o Cânone literário Ocidental (Bloom, 2010) Bloom (2010) inclui “as grandes tragédias de Shakespeare, Canterbury Tales [Contos de Cantuária] de Chaucer, a Divina Comédia de Dante, a Torá, os Evangelhos, Dom Quixote de Cervantes” e “os épicos de Homero” na lista de obras canônicas (p. 42)
  3. 3. IRMÃOS DE FOGO Introdução Num ensaio literário clássico publicado em 1952, Werblowsky (2007) utilizou conceitos da Psicologia Analítica para fazer uma comparação entre Prometeu e Lúcifer / Satã de Paraíso Perdido: (i) Consciência: é quem gere o pensamento e a vontade (Jung, 2000) (ii) Projeção: processo automático de transferência de conteúdos inconscientes para um objeto, seja no par amoroso ou em fenômenos da natureza (Jung, 2000) (iii) Inconsciente Coletivo: memória coletiva da espécie humana, é um camada arcaica do inconsciente que é fonte de mitos, lendas, contos de fada e religiões (Jung, 2000) (iv) Arquétipos: imagens universais presentes no inconsciente coletivo, a exemplo da mãe, do renascimento, da criança divina e do Trickster (Jung, 2000)
  4. 4. IRMÃOS DE FOGO Introdução Werblowsky (2007/1952) fala como Jung sempre insistiu em trazer à tona o problema do Diabo e a sua conexão com a sombra, tanto na psicoterapia quanto na pesquisa teórica O arquétipo da “sombra” é o lado inferior e obscuro da personalidade humana (Jung, 2000) Os poetas e escritores românticos como Percy Bysshe Shelley (1792-1822) e Lord Byron (1788-1824) foram os primeiros a fazer uma analogia entre Lúcifer e Prometeu, porque os dois ofereceram uma resistência heroica à ordem divina (Werblowsky, 2007/1952)
  5. 5. IRMÃOS DE FOGO Prometeu Prometeu (“premeditação”) era o sábio titã que criou a humanidade e transmitiu-lhes a arquitetura, astronomia, matemática, navegação, medicina, metalurgia e outros ofícios úteis Zeus, soberano do Olimpo, se irritava com os homens devido ao seu talento e poder crescente e queria exterminá-los; foram as súplicas de Prometeu que impediram isso de acontecer Prometeu um dia foi chamado para ser árbitro do sacrifício de um touro, onde ia se decidir quais partes iriam ser reservadas para os homens e para os deuses Prometeu fez duas bolsas com a pele do animal e induz Zeus ao erro, fazendo-o pegar a bolsa com ossos no lugar da bolsa com carne
  6. 6. IRMÃOS DE FOGO Prometeu Ao perceber que foi enganado por Prometeu, Zeus o castiga privando os humanos de fogo Revoltado com a atitude de Zeus, Prometeu entra furtivamente no Olimpo e com a permissão de Atena rouba o fogo do Olimpo e o entrega novamente aos homens Zeus, indignado com Prometeu, o condena a eternidade para o seu fígado ser devorado durante o dia por um abutre e durante a noite ser regenerado, tendo de enfrentar no processo frio e geadas insuportáveis
  7. 7. IRMÃOS DE FOGO Prometeu Como punição extra, Zeus cria uma bela e malévola mulher chamada Pandora e dá-lhe de presente para o seu irmão Epimeteu, cujo nome significa “reflexão” Prometeu deu um pote a Epimeteu onde tinha confinando todos os males mortais e advertiu o irmão para nunca abri-lo Pandora imprudentemente abriu o pote e dele saíram a Velhice, Trabalho, Doença, Loucura, Vício, Paixão e atacam Pandora, Epimeteu e depois infestaram toda raça humana A última a sair da caixa é a elusiva Esperança, que convenceu a todos com as suas mentiras a não cometerem suicídio coletivo
  8. 8. IRMÃOS DE FOGO Prometeu Na literatura, Prometeu é figura ambígua: ao mesmo tempo que é valorizado por favorecer os homens contra os deuses, Prometeu trouxe ruína ao humano por desconectá-lo do divino Frankenstein: ou o Prometeu Moderno de Mary Shelley (1797-1851) é uma crítica romântica do materialismo científico e sua busca egocêntrica por aumento de conhecimento A criatura de Frankenstein aprende a ler com o Paraíso Perdido; o monstro, inclusive, se compara com o Adão do livro, um “anjo caído”
  9. 9. IRMÃOS DE FOGO “Herói-Vilão” No levantamento etimológico de Link (1998), Satã deriva da palavra hebraica satan (‫ט(ן‬ָ‫ ,(ן‬ ‫ָש‬ָּ‫ ,(ן‬ׂ ), “adversário” e Lúcifer vem da expressão latina luxem ferre, “portador da luz” (p. 25) “Lúcifer” é originalmente usada, no Velho Testamento, para identificar o planeta Vênus, mas eventualmente “Satã” e “Lúcifer” viraram termos intercambiáveis (Link, 1998) No épico de Milton (2006), Lúcifer era o nome original de Satã, caindo em desuso depois de sua rebelião
  10. 10. IRMÃOS DE FOGO “Herói-Vilão” O Satanás de Milton é o herdeiro literário dos grandes heróis-vilões de William Shakespeare, a exemplo de Iago (Otelo, o Mouro de Veneza), Edmundo (Rei Lear) e os protagonistas homônimos de Hamlet e MacBeth (Bloom, 2010) Em contrapartida Cristo e Deus, no épico de Milton, são “personagens [...] empobrecidos”, o último retratado como “pomposo, defensivo e hipócrita” (Bloom, 2010, p. 222)
  11. 11. IRMÃOS DE FOGO “Herói-Vilão” Na Bíblia Hebraica Satã é um anjo acusador, não tendo a mesmo status de figura maligna suprema que assumiria posteriormente na teologia cristã (Bloom, 2008) Jung (2003) também aponta essa evolução da figura do Diabo na tradição cristã: da aparição relativamente inócua dele no Velho Testamento até chegar à doutrina do summum malum, o princípio do mal, em contraposição à Deus, o summum bonum
  12. 12. IRMÃOS DE FOGO “Herói-Vilão” O “soberbo e infeliz” Satã de Paraíso Perdido é um “usurpador muito malsucedido”, cheio de remorso e desesperado por ter sido lançado dos domínios da luz para a escuridão do Inferno (Bloom, 2012) Milton faz de Satã um filho pródigo universal que paga o mais alto preço por ser ele mesmo (Bloom, 2012) Bloom (2008) também observa que o “trágico vilão de Paraíso Perdido” tem um característica singular: apesar da identificação de anjos caídos com diabos e demônios, eles conservam uma certa dignidade por ainda serem anjos
  13. 13. IRMÃOS DE FOGO Drama Familiar O Satã do Novo Testamento foi moldado pela ideia de Angra Mainyu ou Ahriman, o Espírito do Mal zoroastrista (Bloom, 2008) Nessa religião persa, o demônio Ahriman era o irmão gêmeo de Deus (Ahura Mazda), uma ideia que o cristianismo não herdou (Bloom, 2008) Algumas tradições esotéricas retomam essa concepção de um vínculo fraterno entre o mal (Satã) e o bem (Cristo), o que seria um retorno à visão de Zoroastro (Bloom, 2008)
  14. 14. IRMÃOS DE FOGO Drama Familiar No início de Paraíso perdido Deus proclama que Cristo é seu único filho gerado, o que leva Satã à rebelião por deixar de ser o favorito do pai (Bloom, 2012) De acordo de Jung (2011d), se Satanás e Cristo são ambos filhos de Deus, isso os enquadra no arquétipo dos irmãos inimigos Ainda segundo Jung (2011d) há um outro par de irmãos adversários na Bíblia, Caim e Abel; o primeiro é rebelde e progressista (luciferino) e o outro é o bom pastor
  15. 15. IRMÃOS DE FOGO O Jardim do Éden Nos capítulos 2 e 3 de Gênesis, o primeiro livro do Velho Testamento, é descrita a história de Adão e Eva e a sua expulsão do jardim do Éden Depois de criar a terra, os céus e os seres vivos, Deus plantou um jardim no lado oriental do Éden e pôs ali o homem que tinha formado do pó da terra (Adão) No meio do jardim, entre as várias árvores que Deus fez brotar, estavam a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal Deus proíbe Adão de comer o fruto da Árvore do Conhecimento, pois no dia que comesse morreria
  16. 16. IRMÃOS DE FOGO O Jardim do Éden Depois de Adão dar nome aos animais, Deus o fez cair num sono profundo para tirar uma costela dele e fazer a mulher – Eva – mãe da humanidade, a quem acompanharia o homem A serpente, a mais astuta dos animais do campo, seduziu Eva e a convence a provar o fruto proibido para “abrir os olhos” e ser versada no bem e o mal Eva ofereceu o fruto à Adão e depois de o comerem, perceberam que estavam nus e se cobriram com folhas de figueira
  17. 17. IRMÃOS DE FOGO O Jardim do Éden Ao ouvir Deus se aproximar no jardim, Adão e Eva se escondem com medo entre as árvores; ao perguntar o motivo, Deus percebe a vergonha deles de estarem nus e descobre que comeram o fruto proibido À partir daí Deus institui a hostilidade entre homem e mulher e sua linhagem, e o domínio do masculino sobre o feminino Deus também diz que o homem ira se nutrir com o pão produzido com “o suor do teu rosto” por “todos os dias de tua vida” Deus expulsou o homem do Éden e colocou querubins diante do jardim para guardar o caminho até a árvore da vida, cujo fruto dá vida eterna
  18. 18. IRMÃOS DE FOGO Hermenêutica Quanto à interpretação da Bíblia, Robertson (1994) advoga um ponto de vista diferente dos seguintes: (i) Um fundamentalismo religioso que ignora fatos históricos conhecidos (ii) Uma rejeição da Bíblia via uma lógica materialista / racionalista que não pode comprovar literalidade da Bíblia como documento histórico Robertson (1994) cita como exemplo o Livro do Apocalipse, que trata de uma mudança de estado de consciência coletivo usando a mesma linguagem simbólica dos sonhos, visões, mitos e contos de fada
  19. 19. IRMÃOS DE FOGO “Psicologismo” Essa hermenêutica do texto bíblico não significa cair no “psicologismo”, que é dar explicações racionalistas no intuito de desvalorizar questões metafísicas, o que seria um preconceito tipicamente ocidental (Jung, 2011c) Jung (2011a) não nega nem menospreza uma “ordem transcendental das coisas”, apenas não acha que está em condições para dar uma explicação racional para elas, pois são fatos que estão fora do campo científico
  20. 20. IRMÃOS DE FOGO Amplificação Jung (2005) advoga o método da “amplificação”, que é fazer uma análise comparativa de imagens oníricas mediante a associação delas com símbolos da mitologia, religião, folclore e história da arte, com o objetivo de tornar o conteúdo do sonho “acessível à interpretação” (p. 351) Há alguns paralelos entre o mito de Prometeu e o livro de Gênesis: (i) uma ato de subversão que afasta a humanidade da ordem divina (ii) a conscientização e as dores psíquicas que ela traz, pela realização que o homem tem de suas limitações e pela imposição de regras morais e éticas (iii) um afastamento da eternidade e da animalidade da inconsciência (iv) o vínculo entre a consciência e o processo civilizatório
  21. 21. IRMÃOS DE FOGO Amplificação O fogo, elemento central no mito de Prometeu, era símbolo da consciência e do pensamento na Grécia Antiga (Werblowsky, 2007/1952) O fogo transforma o homo sapiens em homo faber, coroando-o no mestre do mundo, a custo de uma desunião com o mundo interno e o com mundo externo (Werblowsky, 2007/1952) O aumento da consciência traz tanto a inflação do ego e o aumento do sentimento de culpa, e a sensação de solidão que persegue a consciência (Werblowsky, 2007/1952)
  22. 22. IRMÃOS DE FOGO Amplificação Há também uma analogia entre o fogo e a libido, considerada por Jung (2011e) como energia psíquica revestida de, mas não limitada à, sexualidade No monoteísmo judaico-cristão a libido pode ser tanto “divina” como “demoníaca”: uma força em prol da consciência ou metáfora para a paixão e a sexualidade (Jung, 2011e) Satanás simboliza o componente animal do homem e também representa o instinto sexual (Jung, 2011e)
  23. 23. IRMÃOS DE FOGO Amplificação tentador adj.s.m. (sXV) s.m. 2 fig. o diabo tentar v. (sXIII) 1 empregar meios para conseguir (algo); 4 t.d. pôr experiência; provar, testar 6 t.d. despertar vontade (em alguém) para fazer algo t.d. 10 procurar conhecer; sondar, tatear tentativa s.f. (1619) ato ou efeito de tentar; tentação 1 ação que tem por fim pôr em execução um projeto ou uma ideia 2 teste experimental; ensaio, prova Investigando os diferentes sentidos da palavra “tentar” e seus termos associados é uma forma de revelar o impulso prometéico do diabo
  24. 24. IRMÃOS DE FOGO Considerações Finais O “êxito estético” do Satã de Paraíso Perdido é nas palavras de Bloom (2012) um “quebra- cabeças moral” (p. 123) Uma possível explicação para isso é a negação de Milton do dualismo (Bloom, 2012), o que implica que Lúcifer não é total escuridão e nem o Deus é inteiramente luz O processo de unificar os contrários, de fazer uma ponte entre o consciente e a inconsciência é chamado por Jung (1989) de “função transcendente” (p. 72)
  25. 25. IRMÃOS DE FOGO Considerações Finais Jung (2005) salienta a dificuldade de lidar com a sombra, a parte inferior da personalidade do sujeito que precisa ser integrada Na concepção de Jung (2005) a sombra também tem um aspecto coletivo, identificada como o arquétipo do inimigo perpétuo, a fonte do mal O Lúcifer de Paraíso Perdido não é o Satã do Novo Testamento, imagem da maldade absoluta: o maior dos anjos caídos é poderoso, mas pode ser derrotado; é rebelde, porém saudoso do lar divino; é heroico, mas se revela em certos momentos frágil e vulnerável O antidualismo de John Milton resignifica o espaço simbólico ocupado por Lúcifer no drama cósmico da Criação; assim como a sombra, quando integrada, amplia a consciência, o reconhecimento que o anjo caído tem um importante papel a cumprir relativiza o seu poder negativo
  26. 26. IRMÃOS DE FOGO Referências Bibliográficas • Bíblia de Jerusalém. (2002). São Paulo: Paulus. • Bloom, H. (2008). Anjos caídos. Rio de Janeiro: Objetiva. • Bloom, H. (2010). O cânone ocidental. Rio de Janeiro: Objetiva. • Bloom, H. (2012). Abaixo as verdades sagradas: poesia e crença desde a Bíblia até nossos dias. São Paulo: Companhia das Letras. • Hinds, A. (Produtor), & Francis, F. (Diretor). (1964). O monstro de Frankenstein [Filme]. Reino Unido: Hammer Horror Productions. • Graves, R. (2008). O grande livro dos mitos gregos. São Paulo: Ediouro. • Houaiss, A., & Villar, M. S. (2009). Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva. • Jung, C. G. (1989). Psicologia do inconsciente. Petrópolis, RJ: Vozes.
  27. 27. IRMÃOS DE FOGO Referências Bibliográficas • Jung, C. G. (2000). Os arquétipos e o inconsciente coletivo (2º ed.). Petrópolis, RJ: Vozes. • Jung, C. G. (2003). Escritos diversos. Petrópolis, RJ: Vozes. • Jung, C. G. (2005). Memória sonhos reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 23º reimpressão. • Jung, C. G. (2011). A vida simbólica: Vol. 1 (5º ed.). Petrópolis, RJ: Vozes. • Jung, C. G. (2011). Estudos alquímicos (2º ed.). Petrópolis, RJ: Vozes. • Jung, C. G. (2011). Interpretação psicológica do Dogma da Trindade (8º ed.). Petrópolis, RJ: Vozes.
  28. 28. IRMÃOS DE FOGO Referências Bibliográficas • Jung, C. G. (2011). Símbolos da transformação: análise dos prelúdios de uma esquizofrenia (7º ed.). Petrópolis, RJ: Vozes. • Link, L. (1998). O Diabo: a máscara sem rosto. São Paulo: Companhia das Letras. • Milton, J. (2006). Paraíso perdido (3º ed.). Cotovia: Lisboa. • Robertson, R. (1994). Introdução ao apocalipse: uma interpretação Junguiana. São Paulo: Cultrix. • Shelley, M. (2013). Frankenstein. Porto Alegre: L&PM. • Werblowsky, R. J. Z. (2007). Lucifer and Prometheus. New York: Routledge. (Original publicado em 1952).

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