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  1. 1. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           1 de 93      AULA 1 SUMÁRIO PÁGINA 1. Primavera Árabe 1 1.2. Síria 14 1.3. Egito 22 1.4. Líbia 30 2. Palestina 35 3. China 41 4. Coreia do Norte 46 5. Crise no Mali 49 6. Violência contra a mulher: estupros na Índia 53 Questões comentadas 56 Lista de Questões 79 Gabarito 93      1. Primavera Árabe 1.1. Introdução Em dezembro de 2010 um jovem tunisiano, desempregado, ateou fogo ao próprio corpo como manifestação contra as condições de vida no país. Ele não sabia, mas aquele ato desesperado, que culminou com a sua própria morte, foi o início do que viria a ser chamado mais tarde de Primavera Árabe. Protestos se espalharam por toda a Tunísia, o que levou o então presidente Zine el-Abdine
  2. 2. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           2 de 93  Ben Ali a fugir para a Arábia Saudita apenas dez dias depois. Ben Ali estava no poder da Tunísia desde novembro de 1987. Inspirados no aparente sucesso dos protestos na Tunísia, os egípcios também foram às ruas. A saída do presidente Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos, demoraria um pouco mais. Enfraquecido, ele renunciou dezoito dias depois após o início das manifestações populares, concentradas na praça Tahrir (ou praça da Libertação, em árabe), no Cairo, capital do Egito. Mais tarde, Mubarak seria internado e, mesmo em uma cama hospitalar, seria levado a julgamento e condenado. Esta decisão, no entanto, no início de 2013, foi anulada pela Corte Suprema do Egito, mas deixarei para comentar essa situação no tópico específico sobre o Egito. Um novo julgamento foi marcado para 13 de abril, portanto em data posterior à postagem dessa aula. Fiquemos atentos ao resultado, pois poderá ser cobrado em aula. Não podemos nos esquecer de que o mundo árabe fora historicamente marcado pelo predomínio de regimes autocráticos, ou seja, regimes de governo nos quais uma só pessoa ou um só partido concentra e detém todo o poder. Dessa forma, praticamente não havia espaço para a participação popular na política e a contestação/oposição foi, e ainda é, reprimida de maneira coercitiva e muito violenta. Quem é que nunca se impressionou com os inúmeros casos de violência ocorridos no mundo árabe? A mídia nos “bombardeia” diariamente com inúmeros desses casos. Além de enfrentar os governos ditatoriais, os povos árabes sofrem também com altas taxas de desemprego e alto custo de
  3. 3. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           3 de 93  vida, que se agravaram desde o início da crise mundial. Mesmo nos países cuja economia é mais forte, como a Arábia Saudita, a sociedade sofre com o custo altíssimo de vida. Outro problema que aumentou os protestos é a falta de liberdade religiosa, sobretudo para as minorias como, por exemplo, os cristãos da região. Uma observação: embora os cristãos da região sofram enquanto minoria, na Síria a situação é um pouco diferente. Nesse país, os cristão apoiam o regime de Bashar al Assad, em razão das práticas laicas do governo, bem como por causa da construção histórica do modo pelo qual se dá a sustentação política do regime de Bashar al Assad. O início da chamada Primavera Árabe trouxe, para o mundo árabe, momentos de esperança e euforia. A queda de Ben Ali na Tunísia foi um marco histórico; pois, pela primeira vez, um ditador na região foi retirado do poder pelas forças do povo. Depois a renúncia de Mubarak, no Egito, incendiou ainda mais os protestos na região. Acontece que a Primavera Árabe tomou rumos diferentes em cada um dos países – o que torna esse evento muito mais complexo de ser compreendido. Os governos aumentaram a repressão aos movimentos populares, provocando conflitos armados e mesmo intervenções militares externas. Em 2011, as quedas de Muammar Kadafi, na Líbia, e de Ali Abdullah Saleh, no Iêmen, se deram em um contexto de sangrentos conflitos entre as forças militares do governo, e as parcelas governistas da população, contra as forças populares de oposição, normalmente identificados pelo nome de rebeldes.
  4. 4. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           4 de 93  O problema atual é que esses conflitos instauraram uma enorme instabilidade política na região, demonstrando que a simples deposição de velhos governos autocráticos não é suficiente para a instauração de novos modelos democráticos, que sejam capazes de atender às demandas da população. Ou seja, o processo de mudança de um regime ditatorial para um democrático não se dá de forma automática. Outro problema comum a esses países é que em todos eles há a divisão da sociedade em diversos grupos conflitantes. Esses grupos são diferenciados historicamente por razões religiosas, políticas, econômicas e étnicas. Devemos entender, pessoal, que a Primavera Árabe não se trata de um fato isolado no tempo e no espaço. Na realidade, a Primavera Árabe se trata de um processo dinâmico que ainda está em curso – e que, na verdade, não sabemos onde irá desembocar. Esse processo tem dado sinais de ser um tanto que frágil, pois as relações entre os Estados árabes e a sociedade civil são bastante conflituosas. Apesar disso, em alguns países já começam a surgir instituições democráticas. O pesquisador da Universidade de Stanford, Hicham Ben Abdallah Alaoui, especialista no mundo árabe, lembra, em artigo publicado na revista Le Monde Diplomatique, de janeiro de 2013, que a institucionalização da democracia implica em uma convergência da vida política, basicamente, em torno de três fatores: Constituição, Parlamento e eleições. Quando esses fatores são estáveis e rígidos, os governos geralmente ficam protegidos dos grupos mais extremistas e radicais – típicos da região. O eminente
  5. 5. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           5 de 93  professor ressalta que instituições democráticas fortalecidas afastam ainda os grupos reacionários e o autoritarismo. Na Tunísia, na Líbia e no Egito o processo de democratização está em curso também de forma instável. Nesses países houve eleições que, por sua vez, foram marcadas por um pluralismo que jamais haveria nos tempos de ditadura. Na Tunísia, país cuja população é mais escolarizada do que nos demais países da região, a Assembléia Constituinte está a finalizar a elaboração da nova Constituição. Segundo Alaoui, nesse país a crise possui duas dimensões: a passividade do novo governo diante da violência salafista e a demora na realização de reformas econômicas, principalmente nas áreas mais pobres do país. Não nos esqueçamos de que boa parte do mundo árabe enfrenta problemas econômicos e sociais. Na Tunísia, os salafistas fundaram o partido da Frente da Reforma, em maio de 2012, e lideraram diversos protestos, incluindo importantes protestos na cidade de Sidi Bouzid. Os salafistas se notabilizaram ainda por ataques repetidos contra símbolos da nova liberdade de expressão tunisiana, saqueando galerias e impedindo músicos e outros artistas de se apresentarem. Vejam a que ponto o radicalismo salafista chegou: proibiram músicos e artistas de se apresentarem. Os salafistas passaram décadas na penumbra, sufocados por ditaduras laicas. Assim que caíram os regimes de Egito, Tunísia e Líbia, vieram à tona dispostos a recuperar o tempo perdido. Os movimentos salafistas são grupos sunitas que pregam uma visão
  6. 6. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           6 de 93  purista e populista do Islã. O envolvimento nos ataques contra as missões diplomáticas americanas no Cairo e em Benghazi colocou- os em xeque, transformou-os numa ameaça – também para o Ocidente. E expôs contradições: eles participam da vida política, ao contrário, por exemplo, da al-Qaeda. Em geral, preferem as urnas e não as armas. Mas o ardor com o qual defendem suas visões religiosas ultraconservadoras deixa brechas à ação de uma minoria que, como Osama bin Laden, acredita que vale tudo para alcançar seus objetivos. Embora a primeira opção dos salafistas seja as urnas, o desempenho deles tem variado. Na Tunísia, depois de ignorar as eleições que deram a um partido islamista, o al-Nahda, 42% das cadeiras do Parlamento, os ultrarreligiosos parecem ter despertado tarde para a política. Somente em maio o primeiro partido salafista, a Frente da Reforma, foi licenciado. Desde então aqueles protestos contra artistas e músicos acabaram em confusão, gerando fortes tensões. Em setembro de 2012, cerca de cem radicais atacaram um hotel em Sidi Bouzid porque ali se vendiam bebidas alcoólicas. No Egito, os salafistas saíram da obscuridade e criaram partidos, conquistando 25% dos assentos no Parlamento - ficando em segundo lugar, perdendo apenas para a Irmandade Muçulmana (partido do presidente eleito). A influência dos salafistas é cada vez mais forte na rebelião da Síria. Na Líbia, o desempenho salafista nas urnas foi fraco: 17 das 200 cadeiras do Parlamento. Mas ataques recentes aos escritórios da Cruz Vermelha e do consulado britânico em Benghazi já enviavam um sinal de alerta e um desafio ao
  7. 7. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           7 de 93  governo de Trípoli: ali ainda se busca uma verdadeira face política ao Islã. Os salafistas são uma parte do espectro islamista que está evoluindo rapidamente. Hoje alguns islâmicos são mais prejudiciais para os interesses e valores ocidentais do que outros, de modo que os salafistas são os mais avessos aos direitos das mulheres e das minorias na região. Um denominador comum entre os diferentes grupos é a inspiração e o apoio dos wahhabi - uma seita puritana do Islã sunita da Arábia Saudita. Nem todos os sauditas pertencem a essa seita. E não são todos os salafistas que a adotam. Mas, basicamente, os wahhabi são todos salafistas. E muitos árabes, particularmente fora do pouco povoado Golfo Pérsico, suspeitam que os wahhabi estejam tentando se apoderar do Estado, auxiliando e incitando os salafistas politizados da região - como fizeram há 30 anos, financiando as madrassas da Ásia Central que criaram o Taleban do Afeganistão. Essas madrassas são instituições características do mundo islâmico. São lugares destinados ao ensino das ciências religiosas e da jurisprudência, ou seja, instituições de formação educacional dos jovens. Os salafistas são mais rigorosos na restrição da vida pessoal e política do indivíduo do que os partidos islâmicos mais modernos que conquistaram votos no Egito, Tunísia e Marrocos. Para muitos árabes, a palavra de ordem é a justiça, tanto econômica quanto política e social. Já para os salafistas, tudo tem a ver com uma
  8. 8. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           8 de 93  espécie de virtude religiosa e de comportamento, que seria inflexível e imposta. Dessa maneira, podemos dizer que os salafistas fazem um fervoroso julgamento de valores a partir de uma ótica radical islâmica. Outros islamistas mais modernos temem o salafismo. "os salafistas procuram nos pressionar", disse Rachid al-Ghannouchi, fundador do Ennahda, partido islâmico no poder na Tunísia. Os dois grupos (salafistas e o Ennahda) são rivais. "Os salafistas são contrários a uma Constituição. Acham que ela é contra o Alcorão", colocou Merhezia Labidi, vice-presidente da Assembleia Constituinte da Tunísia e membro do Ennahda. Os salafistas vêm aprofundando as divisões entre muçulmanos xiitas e sunitas e desafiam o "Crescente Xiita", termo cunhado pelo rei Abdullah da Jordânia em 2004, durante a guerra no Iraque, para definir um arco de influência que vai do Irã dominado pelos xiitas aos seus aliados no Iraque, Síria e Líbano. Dessa maneira, os salafistas têm se apresentando como um complexo e crescente problema para o Ocidente. Seus objetivos são mais antiocidentais do que qualquer outro partido islâmico. Procuram empurrar tanto secularistas como outros islâmicos para um passado nem sempre virtuoso. Uma observação: o secularismo, pessoal, é um princípio da separação entre instituições governamentais e as pessoas que devem representar o Estado a partir de instituições religiosas e dignitários religiosos. Em certo sentido, o secularismo pode afirmar o direito de ser livre do
  9. 9. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           9 de 93  ensinamento religioso, bem como o direito à liberdade da imposição governamental de uma religião sobre o povo dentro de um estado que é laico. Em outro sentido, refere-se à visão de que as atividades humanas e as decisões, especialmente as políticas, devem ser imparciais em relação à influência religiosa. Na Líbia, a ordem política que nasceu nos escombros do regime de Muamar Kadafi está fragilizada em razão da existência conflituosa entre diversos grupos armados. A deposição de Kadafi não foi suficiente para aplacar os ânimos dos diversos grupos rivais. No Egito, a eleição presidencial foi ganha pelo candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi. Morsi tem tentado afirmar o poder civil acima dos militares – claro que enfrentando forte resistência destes. Morsi, inclusive, afastou o poderoso e influente marechal Hussein Tantawi do governo. O professor Alaoui lembra que os democratas da Primavera Árabe não pretendem igualar as suas sociedades às sociedades ocidentais – ideia essa muitas vezes perpassada por veículos de comunicação ocidentais. Para ele, nesses Estados em transição, a prioridade não está na luta ideológica, mas no processo de tornar permanentes as instituições das quais a população possa participar. Assim, a normalização da democracia não implicaria necessariamente a adesão de cada cidadão e partido a um mesmo quadro ideológico. O que esse processo estaria pressupondo é que as leis sejam respeitadas, tornando-se regras definitivas do sistema político.
  10. 10. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           10 de 93  Ainda de acordo com Alaoui, as recentes manifestações contra um filme islamófobo norte-americano ilustraria a normalização crescente dos atores políticos do islamismo. Em parte, isso teria se dado porque muitos líderes árabes que protestaram contra o filme se utilizaram de argumentos de direito comum e não do Alcorão. O filme “Inocência dos Muçulmanos" foi dirigido e produzido por Nakoula Basselet Nakoula, sob o pseudônimo de Sam Bacile, que afirmou que o Islã é "uma religião do ódio".  Documentos judiciais confirmaramm que Nakula Basseley Nakula foi condenado a 21 meses de prisão em 2010 por fraude bancária e que morava na localidade de Cerritos, ao sul de Los Angeles. Ele foi preso em 27 de setembro de 2012, por violar as condições de sua liberdade condicional. Em entrevista logo após o filme chamar a atenção, ele disse que a produção foi financiada com US$ 5 milhões (cerca de R$ 10,1 milhões na época) levantados a partir de doações de judeus, os quais ele não quis identificar. Ele afirma ter trabalhado com 60 atores e uma equipe de 45 pessoas na Califórnia, durante três meses, no filme de duas horas. "O filme é político. Não religioso", disse. Os atores afirmaram terem sido "enganados" durante a produção e que, em nenhum momento, o nome de Maomé era citado no set de filmagem. Cenas do filme – de péssimo gosto cinematográfico - mostram uma produção desconexa, retratando o profeta muçulmano Maomé várias vezes como um mulherengo, homossexual, molestador de crianças, um falso religioso e sanguinário. Para muitos muçulmanos, qualquer representação do profeta é uma blasfêmia. Caricaturas ou outras caracterizações feitas no passado e consideradas insultuosas enfureceram
  11. 11. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           11 de 93  muçulmanos em todo o mundo, provocando protestos e a condenações por parte de funcionários, pregadores, muçulmanos comuns e mesmo muitos cristãos. Em outras cenas, Maomé é retratado como um líder sanguinário, incentivando seus seguidores a saquear lugares que eles atacam e dizendo que eles podem usar as crianças da maneira que quiserem. No fim de 2012, o autor do filme foi condenado a um ano de prisão por violação de sua liberdade condicional naquele caso de fraude bancária datado de 2010, por um tribunal de Los Angeles. Nakula Basseley Nakula, de 55 anos, reconheceu ter utilizado diversos pseudônimos, violando sua liberdade condicional. Ele admitiu culpa em quatro das oito acusações - nenhuma das oito é relacionada ao filme. Outro destaque da Primavera Árabe é que, em boa medida, foi a juventude mobilizada, formada majoritariamente por jovens urbanos, saídos das classes médias e em grande parte não pertencentes a grupos islamitas, que esteve a frente dos protestos e do movimento revolucionário, utilizando-se intensamente de redes sociais da internet para organizar e divulgar os protestos. Entretanto, atualmente, essa juventude tem se encontrado marginalizada no processo contínuo da Primavera Árabe. A visão mais secular e democrática dos jovens fracassou em construir uma frente política coerente quando os regimes autoritários foram derrubados. De outra maneira, os islamitas souberam aproveitar o vácuo gerado pelo fim desses regimes. Acontece que a juventude tem se mostrado relutante em entrar na disputa eleitoral. Percebam duas coisas distintas: os jovens foram extremamentes importantes
  12. 12. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           12 de 93  nos protestos, porém eles não têm se mostrado tão participantes na arena “formal” da política (partidos políticos e instituições). Conforme o professor Alaoui, essa ausência da juventude na disputa eleitoral tem provocado sérias consequências. A juventude árabe privilegia a rua enquanto espaço de expressão política, focalizando o protesto direto em detrimento das vias normais e estruturadas da política eleitoral. Dessa forma, os jovens privam-se de qualquer poder e representação nas instituições democráticas que começam a surgir – como os novos parlamentos e conselhos populares. Além dos regimes ditatoriais, as monarquias também têm sofrido com as manifestações populares pró-democracia. No Barein, um levante de grande parte da população só pôde ser contido com a intervenção violenta das Forças Armadas e das tropas do Conselho de Cooperação do Golfo. No Marrocos também passaram a ocorrer grandes manifestações. A promessa de uma revisão constitucional aplacou a ira da população, mas a ausência continuada de reformas profundas prenuncia um futuro bastante turbulento no país. Concordando em formar um governo sem uma contrapartida real por parte do rei Mohamed VI, os islamitas do Partido da Justiça e Desenvolvimento correm o risco de perder a credibilidade, assim como o restante da classe política marroquina. Por sua vez, na Arábia Saudita, a dinastia no poder reina pesadamente sobre a sociedade. Favorecida pela imensa quantidade
  13. 13. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           13 de 93  de petróleo existente em seus campos, a Arábia Saudita utiliza-se de suas imensas riquezas para sufocar qualquer possibilidade de oposição. Por meio de uma enxurrada de petrodólares e programas de desenvolvimento, o regime consegue adiar as reformas estruturais que se fazem necessárias. Na Jordânia, a monarquia está sendo sufocada pela convergência de duas dinâmicas distintas, porém complementares. Os islamitas querem preservar o rei, pois temem que a queda da tutela hachemita dê a Israel um álibi para designar a margem leste do Rio Jordão como pátria natural dos palestinos – e, assim, justificar a anexação completa da Cisjordânia. Atualmente os hachemitas estão dispersos por muitos países islâmicos ou com importantes minorias muçulmanas. As duas dinastias hachemitas mais importantes são a do Iraque e da Jordânia, sendo que a dinastia desta última é da família que reina o país, comandado pelo rei Abdullah II. Portanto, pessoal, podemos dizer que a Primavera Árabe, que inicialmente teve ressonância apenas local, com manifestações pró-democracia na Tunísia, transformou-se em um processo de escala regional, alatrando-se pelo mundo árabe, e mesmo internacional, com a participação de organismos internacionais e países ocidentais, levando a um conjunto de exigências e valores para além das fronteiras daqueles países. Ampliado pelas redes sociais, e também pela mídia tradicional, esse movimento retira parte de sua fundamentação do conceito de unidade pan-árabe e de participação popular.
  14. 14. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           14 de 93  O pan-arabismo é um movimento político tendente a reunir os países de língua árabe e de civilização árabe numa grande comunidade de interesses. É um movimento para unificação entre as populações e nações árabes do Oriente Médio, possuindo estreita vinculação com o nacionalismo árabe. Pessoal, eu sei que esse tema é extremamente complexo e confuso – pois possui muitas variáveis. São muitos grupos, etnias e países – situações que tornam difícil nosso aprendizado. Por se tratar de uma realidade bastante distante de nós, irei colocar agora os principais tópicos da Primavera Árabe, em termos de concurso público, para que tenhamos um estudo mais completo e mais claro. Até aqui dei apenas uma pincelada no panorama geral, destacando fatos e o processo. Agora vamos ver situações mais específicas. Fiquem atentos, sobretudo, em relação à Síria. 1.2. Síria Atualmente, na Síria ocorre o maior conflito no mundo árabe. A crise síria é uma importante ameaça ao regime ditatorial dos Al- Assad (uma família que detém o poder na Síria desde os anos 70). O país é hoje governado por Bashar al-Assad, mas foi seu pai, Hafiz al-Assad, quem deu um golpe em 1970, tomando para si o controle estatal da Síria. Nesse momento, foi estabelecido um complexo e pragmático sistema de alianças com os militares, a fim de garantir a manutenção dos Al-Assad no poder. Os Al-Assad são um clã alauíta, que representam, aproximadamente, 10% da população
  15. 15. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           15 de 93  síria. Os alauítas são, portanto, uma minoria dentro dos xiitas. Complicou? Então vamos com calma. No mundo árabe destacam-se duas principais correntes dentro da religião islâmica: os sunitas e os xiitas – que divergem basicamente por possuírem diferentes interpretações sobre a sucessão do profeta Maomé. Os xiitas são mais identificados politicamente como radicais, enquanto os sunitas são reconhecidamente mais moderados. Assim, os xiitas e os sunitas são duas correntes da religião islâmica, mas não as únicas, que se diferenciam em relação ao entendimento sobre o profeta Maomé e sua descendência. Enquanto os sunitas consideram os sucessores diretos do profeta Muhammad Maomé, os xiitas não concordam, pois, para eles, o sucessor deveria ser Ali, genro do profeta. Por sua vez, os alauítas formam um ramo minoritário dentro dos xiitas e é a esse ramo que pertence o clã Al-Assad. A doutrina alauíta - uma variante heterodoxa do xiismo - foi elaborada no Iraque no século IX por Mohammad ben Nusseir, discípulo do 10º imã Ali Hadi, que entrou em dissidência com os outros grupos. Assim como os xiitas, que veneram Ali, primo e genro do profeta Maomé, os alauítas o idolatram. Para eles, Maomé não é mais do que um véu que esconde "a essência" encarnada por Ali. O terceiro personagem desta trindade é Salman Pak, um companheiro de Maomé considerado a "porta" do conhecimento. Seus seguidores acreditam na reencarnação, em geral carecem de mesquitas, ignoram o jejum e a peregrinação a Meca, toleram o álcool e suas mulheres não utilizam véu. Celebram as festas muçulmanas e
  16. 16. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           16 de 93  também as cristãs. A minoria alauíta é considerada herética e mesmo como não-muçulmana por diversas correntes sunitas. Na década de 1920, a França estabeleceu a Síria como seu protetorado - uma espécie de colônia moderna. Na tentativa de enfraquecer a unidade árabe no Oriente Médio, tentou instaurar microestados na região, que seriam autogovernados por diferentes grupos étnicos, inclusive as minorias alauíta, cristã e drusa. A preocupação da França era a de evitar o fortalecimento da maioria sunita em um país tão diverso em termos étnicos e religiosos. Ainda assim, as minorias se mantiveram relativamente sufocadas politicamente até a década de 1960, quando dois golpes de estado finalmente colocaram os alauítas no poder. Sob o império Otomano, os únicos alauítas tolerados nas cidades eram os empregados domésticos. Até o início do século, a maior parte deles era de montanheses que serviam à burguesia sunita. Só nos anos 1950 é que parte deles passou a integrar academias militares e na década de 1970, aderindo à ideologia pan-arabista e laica do partido Baath - atualmente no poder. Em 1971, o alauíta Hafiz al-Assad - pai do atual governante, Bashar al-Assad - se tornou presidente, permanecendo como tal por longos 30 anos. Desde então, os alauítas, que representam apenas cerca de 10% dos quase 23 milhões de sírios, passaram a privilegiar outras minorias, fortalecendo sua relação com os cristãos ortodoxos (10% da população) e os drusos (3%) e ofuscando a importância dos sunitas, majoritários (74%) - o que despertou a ira destes. Com o passar do tempo, as minorias se tornaram mais ricas, ganharam um
  17. 17. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           17 de 93  papel de relevância nas forças armadas e ocuparam postos importantes no estado – enfraquecendo a maioria sunita. Aos poucos, foi sedimentada uma imensa rede de favorecimentos, que funcionou ao longo das últimas décadas apesar da insatisfação da maioria. Até que esse sistema se transformou em uma verdadeira ditadura, levando os sunitas ao limite da tolerância. Temendo uma revolta sunita, os Assad se armaram com um sistema "antigolpe de estado", com ênfase no Exército e nos serviços secretos. Foi criado um aparato de segurança para controlar a população, o Mukhabarat (Agência de Inteligência, em árabe). No país, há diferentes agências de inteligência que vigiam umas às outras, o que dificulta a formação de um golpe de estado. Além disso, os serviços secretos estão sempre de olho em forças de oposição, ainda que incipientes. Recentemente, com a repressão violenta do regime alauíta contra os opositores, a luta se tornou identitária: cada um luta por sua própria preservação e existência. Para se manter no poder, Assad se apoia em alianças internacionais: as potências orientais se negam a condenar o regime apesar da crescente pressão internacional. Do ponto de vista político, para a Rússia e a China, a Síria é como o último bastião de resistência à influência dos Estados Unidos no Oriente Médio. Por priorizar o comércio com as potências orientais em detrimento das ocidentais, o governo sírio se tornou um contraponto estratégico na região. Vejam bem, não estou dizendo que o governo sírio é bom ou mau – o que estou colocando é que, como sempre, há sempre interesses geopolíticos e econômicos por de trás dos panos.
  18. 18. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           18 de 93  “Há certo grau de oportunismo político por parte das elites políticas dentro da própria Síria e das potências orientais que apoiam o país. Se a briga fosse apenas em torno das etnias e religiões, provavelmente a Rússia e a China não iriam vetar as punições aprovadas por outros países da comunidade internacional. Para eles, a disputa é política: entre ocidentais e orientais”, explica Zahreddine – um analista de política internacional. Lembro-lhes de que Rússia e China tentam ampliar sua influência política e econômica na região. Enquanto isso, aqueles que aprovam uma intervenção ocidental têm motivações que não são apenas humanitárias, mas estratégicas - como enfraquecer o Irã na região. Além disso, Bashar al-Assad tem se utilizado de uma governança identificada com o laicismo, o que vem possibilitando o convívio com os demais grupos religiosos. Apesar de disputar com a Síria o posto de grande liderança antiamericana e anti-israelense no Oriente Médio, o Irã teme que a Turquia participe de uma campanha encabeçada pelos EUA, juntamente com a Arábia Saudita, o Catar e outros países, para derrubar Assad e isolar ainda mais os iranianos na região. O fim do regime de Assad abriria espaço para a ação liderada pelos Estados Unidos com o objetivo de diminuir consideravelmente a influência geopolítica do Irã. O atual governo de Damasco parece a única esperança para os aiatolás iranianos manterem essa influência. Além dos iranianos, o Hezbollah libanês também é um aliado local da Síria. O grupo recebeu apoio durante sua criação e agora - já praticamente independente - serve como apoio terrorista.
  19. 19. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           19 de 93  Kofi Annan e Ban Ki-moon, líderes da ONU, já alertaram o governo sírio sobre sua responsabilidade diante de uma guerra civil que, na verdade, já está acontecendo e de forma bastante violenta. A pressão mundial sobre a Síria é cada vez maior e, até agora, o governo de Assad apenas tentou realizar pequenas reformas que de nada adiantaram. O regime ainda não deu um passo para resolver a principal questão síria: a distribuição de poder – e sequer se mostra com vontade de resolvê-la. O controle repressor da minoria, que abafa as demais facções políticas e étnicas, parece insustentável. Enquanto uma solução política se mostra distante, a União Europeia e os Estados Unidos se encontram diante do dilema de negociar com uma Síria cada vez mais orientada pela aliança com o Irã (outro país que se mostra radical quanto à influência ocidental, sobretudo a norte-americana, na região). Quando Bashar al Assad assumiu o governo em 2000, havia uma grande expectativa de que ocorreria o início de um processo de abertura política, já que ele estudou na Inglaterra e teria uma visão de mundo mais aberta do que a de seu pai. Contudo, essa expectativa não se confirmou. Com as revoluções da Tunísia e do Egito, a Síria viu os protestos ganharem as ruas em março de 2011. Desde então, Bashar al-Assad envia tropas militares para reprimir as manifestações e acusa os manifestantes de terrorismo. Com a violenta repressão do governo, parte da população pega em armas a fim de derrubar a ditadura dos al-Assad e, nesse
  20. 20. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           20 de 93  movimento, os rebeldes sírios têm conseguido o apoio de governos no exterior. Com a criação do Exército Livre da Síria (ELS), por um ex-coronel desertor do Exército de Bashar al-Assad, no fim de 2011, a rebelião armada consolidou-se. Vários soldados do Exército de al- Assad também desertaram e, assim como milhares de ativistas, passaram a integrar o ELS. É claro que, diante de tais circunstâncias, o governo ampliou sua repressão e, inclusive, tornou-a mais violenta. O governo sírio de Bashar al-Assad forma com o Irã e com o grupo radical Hezbollah, do Líbano, o chamado “arco xiita”, que possui na forte oposição a Israel e na disputa com os sunitas pela hegemonia no Oriente Médio seus principais objetivos. Os Estados Unidos e a União Europeia apoiam Israel e as monarquias sunitas, enquanto China e, principalmente, Rússia apoiam a Síria. A Rússia tenta ampliar sua influência na região e, inclusive, possui uma base naval na região do Mar Mediterrâneo, cultivando fortes laços com o governo sírio. Por sua vez, Estados Unidos, União Europeia e Liga Árabe – cujo comando é da Arábia Saudita e do Catar – não chegaram a um consenso em relação a realização ou não de uma intervenção militar na Síria. Resta, por enquanto, a esses atores políticos o pedido de renúncia de Bashar al-Assad e a decretação de sanções econômicas à Síria.
  21. 21. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           21 de 93  No Conselho de Segurança da ONU, os três atores políticos supracitados fazem forte pressão para que seja aprovada uma resolução de condenação ao regime sírio e o embargo internacional. Acontece que o texto foi barrado no Conselho, em razão dos vetos da Rússia e da China. Ressalto que a Rússia é o principal vendedor de armas para o regime de Bashar al-Assad e os carregamentos russos continuam a chegar pelos portos sírios, apesar das críticas internacionais. Por outro lado, os rebeldes contam cada vez mais com o apoio da Turquia, que oferece apoio e abrigo em seu território para o ELS e para os refugiados sírios. Se de um lado a Rússia fornece armas para as tropas de al-Assad, de outro a Turquia vem fornecendo cada vez maiores quantidade de armas e munições para as tropas do ELS. Arábia Saudita e Catar também fornecem armas para o ELS. Essa situação tem agravado a relação da Síria com a Turquia, acirrando os ânimos dos países vizinhos desde junho de 2012, quando a Síria abateu um caça turco sobre o Mediterrâneo. A Turquia ameaçou mandar forças militares para o Sul de seu território para confrontar as tropas sírias. De outra maneira, as potências ocidentais ainda relutam em armar a oposição síria, isso porque ela se encontra extremamente fragmentada e sem um comando central. A oposição síria basicamente é formada por dois grupos que não atuam em coordenação com o movimento armado: o Conselho Nacional Sírio e o Conselho da Coordenação Nacional - dois grupos que divergentes
  22. 22. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           22 de 93  em diversas questões políticas. Já o braço armado da oposição fica mesmo por conta do ELS, formado por desertores do Exército e por membros de diversas milícias, sem um comando único. Atualmente o ELS é formado por cerca de 15 mil homens, enquanto o Exército sírio possui aproximadamente 200 mil – o que evidencia a superioridade bélica do regime sírio. O número de pessoas mortas no conflito entre as forças do ditador sírio Bashar Al-Assad e os opositores ao ditador teriam superado 60 mil ao final de 2012, segundo levantamento realizado a pedido da Alta- Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay. O estudo, que tomou como base dados do governo e dos opositores, enfatizou que, embora os rebeldes que fazem oposição a Assad tenham controle de grandes territórios da Síria, o conflito ainda parece estar longe de uma solução. Um relatório da ONU classificou a guerra civil na Síria de “violência interconfessional”, pois essa se dá basicamente entre a minoria alauíta e a maioria sunita. Interconfessional significa “aquilo que se dá entre duas ou mais seitas religiosas”. Trago esse conceito para nossa aula a fim de que não sejamos pegos de surpresa na hora prova. Esta dimensão do conflito é hoje evidente no plano regional, com o regime xiita iraniano apoiando Damasco, enquanto o principal poder sunita da região, a Arábia Saudita, se coloca ao lado da oposição – conforme já conversamos.
  23. 23. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           23 de 93  1.3. Egito Com a queda do presidente da Tunísia, Zine El-Abidine Ben Ali – o que ocorreu após inflamadas manifestações populares e protestos contra o governo ditatorial que já durava 23 anos -, os egípcios iniciaram, em de janeiro de 2011, um forte movimento de manifestações e protestos populares contra o presidente ditador Mohammed Hosni Mubarak, que já estava há 30 anos no poder do Egito. Vários fatores contribuíram para a insurreição popular no Egito, como o reavivamento de conflitos religiosos no país após a morte de 21 cristãos na explosão de uma igreja na cidade de Alexandria. Os egípcios também reivindicavam o fim da ditadura de 30 anos e desejavam a transição do governo para a democracia, ou seja, a abertura política e a participação popular. A sociedade egípcia estava subjugada à força política e à repressão militar exercida pelo governo Mubarak. Somavam-se a isso, como importantes motivos que levaram às manifestações populares egípcias, altos índices de desemprego, o autoritarismo do regime, os altos índices de corrupção, a violência policial, a falta de moradia, a censura à liberdade de expressão, as precárias condições de vida e o baixo salário mínimo. A insurreição visava à derrubada do ditador Hosni Mubarak, que era um aliado histórico dos Estados Unidos e de outros países ocidentais, como a Inglaterra e a França. Mubarak havia anunciado
  24. 24. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           24 de 93  que deixaria o poder somente a partir das eleições para sucessão presidencial. Com isso, a população se rebelou e continuou o movimento pela deposição do ditador - fato que somente veio a acontecer em 11 de fevereiro de 2011. Antes da renúncia de Mubarak, o então ditador pretendia concorrer às eleições presidenciais previstas para setembro de 2011 ou colocar seu filho como sucessor. Contudo, essas manifestações populares evitaram que os planos de Mubarak fossem colocados em prática, já que a principal exigência dos manifestantes era a retirada imediata de Mubarak, bem como seus possíveis sucessores, do poder. Ainda em janeiro de 2011, houve uma grande manifestação no Egito, chamada de “Dia da revolta”, na qual milhares de pessoas foram às ruas reivindicando direitos em diversas cidades do país, como Cairo e Alexandria. Os manifestantes tiveram a preocupação de articular e organizar as manifestações pela internet, o que aliás é uma característica marcante da Primavera Árabe. Com isso houve uma grande e veloz difusão das informações propagadas pelos manifestantes. Após quatro dias de conflitos, nos quais o governo usou de violenta repressão, os serviços de internet e celular do país foram cortados a fim de que se evitasse a comunicação entre os manifestantes; além disso, o governo tentava impedir a veiculação de notícias sobre mortes de civis. As nações ocidentais que viam no Egito um aliado na conflituosa região tentaram intervir no conflito. Os Estados Unidos solicitaram ao Egito uma ‘transição democrática’; da mesma forma
  25. 25. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           25 de 93  Inglaterra e França queriam que o governo egípcio atendesse às reivindicações populares. Após duas semanas de conflito, o presidente Hosni Maburak renunciou ao governo, deixando um saldo de mais de 42 pessoas mortas e cerca de 3000 feridos. Os militares assumiram o poder, anunciando a instalação de uma junta militar provisória no governo egípcio até as eleições para presidente do país, o que deveria se dar em setembro de 2011. Posteriormente, Mubarak foi julgado e condenado. Acontece que no início de 2013, a justiça egípcia definiu que o ex-presidente Hosni Mubarak deve ser julgado novamente, em decisão que possivelmente reabrirá as feridas recentes do país e aumenta a volatilidade social e política. O juiz Ahmed Ali Abdel Rahman anunciou que "a corte aceitou o recurso dos réus e determina um novo julgamento". Simpatizantes de Mubarak logo comemoraram a decisão, mas seu desfecho é incerto até mesmo para o ex-presidente; isso porque, com o julgamento voltando ao início, Mubarak voltará a ser julgado por acusações mais sérias envolvendo seu regime, além de acusações de corrupção, pelas quais foi absolvido em junho de 2012. À época de sua condenação, muitos críticos do regime consideraram sua pena muito branda, fazendo com que até o novo presidente egípcio, o islâmico Mohammed Morsi, levantasse a bandeira de um novo julgamento. Além disso, o novo julgamento de Mubarak pode influenciar as campanhas para as eleições parlamentares egípcias de abril de 2013. Na análise do New York Times, isso pode fortalecer candidatos islâmicos, que tentarão capitalizar sobre a "punição branda" dada ao ex-presidente na sentença inicial. Ao mesmo tempo, o Egito tenta acalmar as tensões políticas para reavivar sua
  26. 26. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           26 de 93  economia, mas o novo governo de Morsi também tem sido alvo de distúrbios. Para que vocês entendam melhor o contexto do Egito, um problema que houve foi que transcorridos os meses de agosto a outubro de 2011, nenhum indício de processo eleitoral estava sendo observado. Os militares afirmavam que esperavam uma maior estabilidade social e primavam pela segurança, atrasando cada vez mais as eleições. A partir daí, constantes manifestações populares se desencadearam no Egito. Alguns analistas políticos desconstruíram a ideia de “Primavera Árabe”, argumentando que o movimento insurrecional tinha caráter de Golpe de Estado, realizado pelo exército, e nenhum caráter popular. Porém, no dia 28 de novembro do mesmo ano foi realizada a 1ª etapa das eleições parlamentares. Milhões de pessoas foram às urnas, a grande maioria votando pela primeira vez na vida. Os resultados finais se efetivaram somente no mês de janeiro de 2012, depois de realizadas outras etapas do processo eleitoral. Lembro que, durante esse processo, coube à junta militar governar o país. O primeiro presidente eleito democraticamente na história do Egito, Mohamed Morsi, assumiu o governo do país em 30 de junho de 2012. Dessa maneira, ele substituiu Hosni Mubarak, deposto em 2011 – como vimos. Morsi inicialmente prometeu um "novo Egito" e, para isso, prometeu fazer a economia do país deslanchar e reorganizar o governo.
  27. 27. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           27 de 93  Morsi foi candidato pelo partido Irmandade Muçulmana. Ele estava sendo observado de perto pelos militares que governaram o Egito desde a queda de Mubarak. Segundo a rede de televisão inglesa CNN, o discurso de Morsi, durante a posse, focou no crescimento econômico e no não conflito contra as correntes militares. Em seu discurso de posse, Morsi disse que “hoje, o povo do Egito estabeleceu uma nova vida de completa liberdade e com uma legítima democracia. Prometo defender o sistema republicano e respeitar a Constituição em favor dos interesses da população”. Contudo, a expectativa de que a eleição de Morsi daria continuidade à Primavera Árabe e ampliaria a democracia no país não se confirmou totalmente. A decisão do presidente do Egito, Mohammed Morsi, em novembro de 2012, de aprovar um decreto que ampliava seus poderes levou muitos analistas a criticarem o mandatário egípcio e o acusarem de "matar" a revolução que estava em curso no país. De acordo com especialistas, ao aprovar a medida que impedia que qualquer pessoa desafiasse seus decretos, leis e decisões, o presidente Morsi "traiu os ideais da Primavera Árabe" e poderia se transformar em um novo ditador, como o era Mubarak. A medida de Morsi gerou um conflito entre os poderes Executivo e Judiciário no país. Juízes do Conselho Superior de Magistratura do Egito acusaram o presidente de praticar um "ataque sem precedentes" contra o Poder Judiciário. Foi quando diversas manifestações tomaram conta das ruas das principais cidades do país, incluindo a capital, Cairo. Em um só fim de semana após o
  28. 28. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           28 de 93  decreto, confrontos entre opositores e simpatizantes de Morsi provocaram a morte de uma pessoa e deixaram cerca de 60 feridas. Segundo o cientista político Hassan Nihan, em entrevista ao site Terra, em ocasião da aprovação do referido decreto, "foi difícil para alguém imaginar o presidente Morsi fazer o que ele fez. Mas a realidade é que agora o presidente está acima de todas as autoridades. E todas as leis, decretos e declarações não podem ser canceladas por qualquer corpo governamental ou político". Porém, segundo Morsi, seus poderes presidenciais seriam limitados a "assuntos soberanos" e de proteção das instituições egípcias. Ele disse também que o decreto seria mantido para "proteger a revolução", apesar de várias lideranças da oposição, entre eles o Nobel da Paz, Mohamed El Baradei, organizações de ativistas de direitos humanos e democracia terem protestado para que o decreto fosse cancelado. Para o analista egípcio Mohamed Maher, os últimos meses de 2012 foram marcados pelo nascimento de um "novo tipo regime" no Egito, com poderes quase absolutos para o presidente Morsi. "Morsi não completou nem cinco meses no cargo e, sem qualquer evento provocativo, enterrou a revolução egípcia e deu um tiro certeiro no coração da Primavera Árabe", enfatzou Maher. "A impressão que fica é que tudo vinha sendo planejado, desde quando o presidente dispensou o Conselho Militar que governava o país até então e, aos poucos, manipulou os eventos para um golpe de Estado, um golpe suave, que pegou todos de surpresa", completou o analista.
  29. 29. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           29 de 93  Imediatamente manifestações anti-Morsi aconteceram no Cairo, Alexandria, Suez, Minya e outroas cidades ao longo do delta do Nilo. Na praça Tahrir, berço da revolução e protestos contra Mubarak, comícios contra o presidente continuaram. A Irmandade Muçulmana, partido de Morsi, por sua vez, organizou manifestações em apoio ao presidente. Se Morsi não revertesse sua decisão em pouco tempo, o Egito poderia até mesmo entrar em um período de tensões com sua jovem democracia chegando ao fim. Analistas apontavam que se a tensão prosseguisse por um longo período, os egípcios poderiam testemunhar decretos do governo para intimidar e controlar a mídia, a remoção de juízes e administradores e o controle mais intenso de empresas estatais. Teríamos, então, um novo regime ditatorial no Egito. Contudo, a fim de diminuir as tensões políticas ocasionadas pelo decreto, Morsi defendeu uma nova Constituição e esta acabou mesmo sendo aprovada em um referendo em 25 de dezembro de 2012. O presidente colocou que realizaria esforços para fortalecer a economia egípcia, que enfrenta enormes desafios, mas que também possuiria grandes oportunidades de crescimento. Apesar da aprovação da Constituição por quase dois terços do eleitorado, os problemas no sistema político do Egito surgidos com a posse do presidente Mohammed Morsi continuaram. E a população permanece receosa quanto ao futuro do país. Eleitores a favor e contrários à nova legislação reclamam do processo de elaboração e votação, feito às pressas e contrariando orientações do Judiciário.
  30. 30. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           30 de 93  Os resultados da apuração da votação no referendo, para aprovação da nova Constituição, mostraram que 63,8% dos egípcios aprovaram a Constituição islamita. Como consequência, haveria uma eleição parlamentar no início de 2013 – que acabou remarcada para outubro desse ano. A vitória dá aos islamitas sua terceira conquista eleitoral seguida desde a derrubada do poder do ditador Hosni Mubarak, na revolução de 2011. Eles também foram os vencedores das eleições parlamentares e presidenciais, que levaram Mohamed Morsi ao poder. Para os opositores, a nova Carta abrirá caminho para que clérigos intervenham no processo legislativo e deixará os grupos minoritários sem adequada proteção legal. Mas Morsi, levado ao poder graças ao apoio de seus aliados islamitas, acredita que a adoção do texto seja peça fundamental para acabar com as incertezas que têm destruído a economia local. Para o presidente, a Constituição garantiria proteção suficiente para todos os grupos e a maioria dos egípcios estaria cansada de protestos de rua, o que tem impedido o retorno à normalidade. Entretanto, a nova Constituição tem sido severamente criticada por ativistas de direitos humanos e pela oposição secular do país. Segundo eles, o documento fracassou em não garantir direitos às mulheres e possuiria potencial para limitar a liberdade de expressão e religiosa, além de não garantir direitos às minorias. 1.4. Líbia A primeira eleição na Líbia, que aconteceu em julho de 2012, após mais de quarenta anos de ditadura do Muamar Kadafi, foi
  31. 31. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           31 de 93  marcada por protestos envolvendo homens armados, incêndios em postos de votação e até o cancelamento do pleito em duas cidades do leste do país, região que concentra grupos separatistas interessados na independência da região. As autoridades consideraram, apesar dos problemas, que a adesão dos eleitores foi razoável. A votação, que estava prevista inicialmente para 19 de junho de 2012, foi adiada por diversas razões técnicas e logísticas, segundo a comissão eleitoral líbia. Dos seis milhões de habitantes, 2,7 milhões estavam inscritos para votar. Muitos fizeram isso pela primeira vez. A última ocasião em que os líbios haviam ido às urnas em uma eleição nacional foi em 1965 – e ainda assim, partidos políticos não eram permitidos. Lembro que Kadafi entrou no poder em 1969. Uma matéria publicada em O Globo em outubro de 2012, caracterizou Kadafi como um ditador obcecado por sexo e por abusos. Trago para vocês essa matéria que traz fortes e interessantes relatos de libanesas. Vejam só a reportagem do correspondente de O Globo Fernando Eichenberg: “Numa manhã de abril de 2004, em Sirta, no litoral mediterrâneo da Líbia, a jovem Soraya, então com 15 anos, soube em sala de aula, por seu professor, que fora escolhida para entregar flores ao líder do país, Muamar Kadafi, na visita do presidente à escola de sua cidade natal. Superado o choque, mas ainda tomada pela excitação, Soraya vestiu para a ocasião especial o traje vermelho tradicional líbio - túnica, calça, véu e um pequeno chapéu. Ansiosa, se perguntava como saudar o grande Guia da Revolução: beijar sua mão? O que dizer?
  32. 32. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           32 de 93  Deveria recitar algo? (…) Chegado o tão esperado momento, tudo se passou muito rápido. Kadafi recebeu o buquê de flores, examinou-a com o olhar de alto a baixo, e passou a mão na cabeça dela. O anódino gesto, ela foi saber mais tarde, tratava-se de um sinal ao seu entourage. No dia seguinte, por volta das 15h, três guardas femininas do chamado Comitê da Revolução, uma delas vestindo uniforme militar e exibindo uma pistola na cintura, foram buscar a jovem no salão de cabeleireiro de sua mãe. Sem saber, Soraya acabara de se tornar uma das escravas sexuais de Muamar Kadafi, prisoneira do subsolo de Bab al-Azizia, a sede do governo, na capital, Trípoli. Sua história é descrita em um cru e longo depoimento a Annick Cojean, repórter especial do jornal “Le Monde”, no recém-lançado livro “O harém de Kadafi” (que foi lançado no Brasil pela editora Verus ). A obra traz uma detalhada investigação sobre a utilização do sexo e do estupro como arma de guerra pelo ditador líbio em seus anos no poder. Em sua apuração, na qual encontrou outras vítimas sexuais e também integrantes do regime kadafista, a autora revela como o autoproclamado Guia da Revolução estuprava jovens virgens e depois as mantinha por anos sob tutela; sodomizava jovens homens de sua guarda pessoal; recrutava meninas do exterior; se empenhava em seduzir advogadas, diplomatas, mulheres e filhas de seus ministros - e mesmo de outros chefes de Estado africanos. Soraya foi estuprada, desvirginada, golpeada com violência, ameaçada, forçada a fumar haxixe ou a cheirar cocaína com Kadafi antes de ser submetida a suas sevícias. De seu quarto só podia sair para os aposentos do Guia, quando requisitada, ou para fazer as refeições no refeitório do subsolo, onde estavam alojadas outras jovens do harém presidencial. “Muamar Kadafi destruiu a minha vida”, resume a jovem em seu relato.
  33. 33. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           33 de 93  Annick Cojean, que desembarcou na Líbia para inquirir sobre o papel das mulheres líbias nas revoltas contra o governo, acabou descobrindo os horrores da alcova de Bab al-Azizia e encontrou Soraya pela primeira vez em outubro de 2011, dias após a execução de Kadafi pelos rebeldes. ‘Descobri que centenas de jovens foram sequestradas por uma hora, uma noite, uma semana ou por anos, e obrigadas, pela força ou pela chantagem, a se sujeitar às fantasias e violências sexuais de Kadafi. Que pais e maridos trancavam suas filhas e mulheres para preservá-las do olhar e da cobiça do Guia. Descobri que o tirano, nascido numa família de beduínos muito pobres, governava pelo sexo, obcecado pela ideia de possuir um dia as mulheres e as filhas de ricos e poderosos, de seus ministros e generais, de chefes de Estado e de soberanos’, escreve. As célebres ‘amazonas’ de Kadafi, acobertadas no chamado ‘serviço especial’ do governo, serviam à propaganda revolucionária, mas eram na verdade objetos sexuais de seu líder. E a utilização do estupro excedia os limites do bunker presidencial. Numa prisão de Misurata, Annick entrevistou dois soldados kadafistas, de 22 e 29 anos. ‘Por vezes estuprávamos toda uma família. Meninas de oito, nove anos, jovens de 20 anos, sua mãe, às vezes diante de seu avô. Elas gritavam, nós batíamos forte. Mas o líder da tropa insistia: ‘Violem, batam e filmem! Vamos enviar isto para os homens delas. Sabemos como humilhar esses imbecis’, conta um deles. − Vimos isso de forma semelhante no Kosovo, no Congo, mas na Líbia era algo muito bem orquestrado. Era tudo filmado, havia distribuição de Viagra para os soldados, com ordens vindo de cima. O sexo era, para Kadafi, uma forma de governar o país - afirma Annick.
  34. 34. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           34 de 93  − Soraya, hoje aos 23 anos, é uma jovem desamparada, aniquilada por seu passado, renegada pela família e ameaçada - tanto por kadafistas como pelos ex-rebeldes agora no poder. A morte do Guia foi, ao mesmo tempo, um alívio e uma frustração. Seu desejo era o de que fosse julgado e condenado por todos os seus crimes, incluindo os sexuais. E para isso estaria disposta a revelar sua identidade e testemunhar diante de uma corte penal internacional. Mas o destino decidiu de outra forma. − Soraya foi extremamente corajosa em contar a sua história. Pensava que, depois dela, muitas mulheres falariam também. Mas não foi o que aconteceu. O peso do tabu em torno disso, nesta sociedade extremamente conservadora, é enorme. Tidas como prostitutas, são ameaçadas pelos extremistas religiosos, e também por revolucionários zelosos, que sem piedade as condenam por terem, de uma certa forma, pertencido à gangue de Kadafi. Também por isso decidi fazer este livro (que será lançado na Líbia no final de outubro, em árabe), para que essas mulheres, impedidas de falar, possam ser vistas como devem ser: como vítimas, e não como culpadas - diz a autora”. A revolta que retirou Kadafi – o mais antigo ditador do mundo árabe - do poder foi um dos momentos de maior destaque da Primavera Árabe. Durante vários meses, as forças de Kadafi resistiram aos avanços dos rebeldes e aos bombardeios da OTAN. A declaração de libertação líbia só viria a ocorrer em agosto de 2011, quando o ditador foi morto pelas forças rebeldes. O Conselho Nacional de Transição (CNT), que liderava a oposição, assumiu o governo em seguida, até que um novo governo fosse eleito. Em agosto, o CNT entregou o poder à Assembleia eleita. Com
  35. 35. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           35 de 93  a eleição, a Assembleia passou a ser integrada principalmente pela Aliança das Forças Nacionais (AFN), coalizão de mais de 40 pequenos partidos liberais liderada pelos artífices da revolta contra Kadafi, com 39 cadeiras, e pelo Partido da Justiça e Construção (PJC), derivado dos Irmãos Muçulmanos, com 17 cadeiras. Com 6,5 milhões de habitantes, a Líbia se divide em três grandes regiões, controladas por clãs familiares que estabelecem núcleos próprios de poder, assim como culturas e reivindicações distintas. Para as autoridades líbias, um dos principais desafios é obter o consenso unificando os desejos e as demandas desses clãs. A Líbia é um país multicultural, criado a partir das colonizações grega, romana e egípcia. O país mescla ainda a cultura dos povos nômades que lá estavam quando chegaram os estrangeiros. Até os dias atuais os resquícios dos séculos anteriores estão presentes no cotidiano dos líbios, que oficialmente falam árabe, mas mantêm numerosos dialetos. A Líbia é dona da 9ª maior reserva de petróleo do mundo e da 25ª reserva de gás natural. O país também registra um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 100 bilhões (dados de 2008 a 2010). Só com o Brasil há uma carteira de projetos e negócios estimada em US$ 5,8 bilhões. Porém, em meio a dados positivos da economia, os líbios vivem dificuldades concretas no seu dia a dia. Dependentes de comércio exterior para alimentos e produtos básicos de subsistência, eles sofrem também com as limitações causadas por anos de isolamento e conflitos.
  36. 36. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           36 de 93  2. Palestina e Israel O conflito entre palestinos e israelenses dura mais de seis décadas e se agravou de tal forma que, atualmente, os dois lados não concordam sequer em se reunir para discutir um acordo. Em abril de 2012, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, enviou uma carta ao primeiro-ministro israelense, reiterando as condições para que os palestinos retomassem as negociações sobre a paz. Entre essas condições está a interrupção de construções nos assentamentos judaicos erguidos na Cisjordânia e na parte oriental de Jerusalém – territórios palestinos ocupados por Israel desde 1967. Em resposta, o primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, afirmou que não aceitaria nenhuma condição prévia para negociação – prolongando os impasses. Ainda em abril de 2012, Netanyahu autorizou, pela primeira vez em vinte anos, o início da construção de outros assentamentos na Cisjordânia. Mesmo o presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou que a construção desses assentamentos não é boa para a paz. O atual conflito entre palestinos e israelenses foi deflagrado pela proposta da ONU em 1947 de criar dois Estados na região da Palestina. A partir de então, o mapa da região foi redesenhado várias vezes por uma sucessão de guerras. No dia seguinte à fundação do Estado de Israel, em maio de 1948, eclodiu a primeira guerra entre árabes e judeus. Com a vitória israelense no ano seguinte, o território previsto pelo plano de partilha da ONU para formar o Estado Árabe da Palestina foi retalhado: diversas áreas
  37. 37. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           37 de 93  foram anexadas por Israel, a Cisjordânia foi incorporada à Jordânia e a Faixa de Gaza ficou sob responsabilidade do Egito. A guerra deixou um saldo de cerca de 700 mil palestinos refugiados e representou uma grande derrota para os países árabes da região. A crescente tensão nas fronteiras entre Israel, Síria, Egito e Jordânia a partir dos anos 60, culminou na Guerra dos Seis Dias. Em junho de 1967, Israel triplicou seu território em menos de uma semana. Ocupou os territórios árabes da Palestina, além da Península do Sinai, até então área pertencente ao Egito, e as Colinas de Golã, fronteira com a Síria. Em 1978, os israelenses se retiraram da Península do Sinai, mas até hoje continuam ocupando as demais regiões anexadas em 1967. Em 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina, Yasser Arafat, assinaram um acordo de paz em Oslo, segundo o qual Israel passava a reconhecer a soberania da Autoridade Palestina sobre alguns territórios autônomos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O processo de paz, contudo, sofreu um forte retrocesso com o assassinato de Rabin em 1995 e foi definitivamente abandonado em 2000, quando palestinos e israelenses retomaram os conflitos mais hostis. Com o estancamento do processo de paz, em 2000, num momento em que os países estavam discutindo o futuro do Estado Palestino, os conflitos se tornaram mais gravosos. O processo já tratava de questões complexas como a devolução aos palestinos da Cisjordânia, a situação de Jerusalém e a questão dos refugiados. O
  38. 38. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           38 de 93  impasse nas negociações levou a um levante palestino, conhecido com a “segunda intifada”. O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon (2001-2006) esfriou ainda mais as negociações de paz, consolidando o domínio israelense sobre a Cisjordânia. Após lançar uma violenta ofensiva militar contra os palestinos em 2002, Sharon determinou a construção de muros de concreto e de cercas na Cisjordânia, a fim de separar a população israelense da árabe. O muro aumentou a segregação entre palestinos e israelenses, limitando a circulação de pessoas e mercadorias na região. Além disso, essas construções permitiram que Israel controlasse áreas que, conforme o acordo de Oslo, deveriam ser entregues aos palestinos. Em 2005, Ariel Sharon executou um plano de retirada de todos os oito mil colonos israelenses da Faixa de Gaza, bem como as tropas que os protegiam. O plano também previa que Israel continuaria a controlar o espaço aéreo de Gaza, seu mar territorial e todas as passagens de fronteira – o que acabou isolando a região. A situação na Faixa de Gaza começou a se deteriorar depois que o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas, obtendo 76 das 132 cadeiras do Parlamento Palestino, em janeiro de 2006. No entanto, as profundas divergências políticas entre o presidente Mahmoud Abbas da Autoridade Nacional Palestina, pertencente ao Fatah, e o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, do Hamas, resultaram em violentos confrontos entre militantes das duas facções rivais na Faixa de Gaza, em 2006 e no início de 2007, com um grande número de mortos e feridos.
  39. 39. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           39 de 93  Dois eventos na política internacional impactaram a relação entre Palestina e Israel: a eleição do presidente norte-americano Barack Obama e a Primavera Árabe. Em maio de 2011, Obama fez um pronunciamento histórico no qual defendeu um Estado palestino desmilitarizado ao lado de Israel, com base nas fronteiras definidas em 1967. Obama ressaltou que qualquer mudança deveria ser acordada entre os dois lados e que poderia haver uma troca de territórios baseando-se nas fronteiras de 1967. Contudo, o primeiro-ministro israelense logo rejeitou a ideia do presidente norte-americano. Segundo Netanyahu, considerar as fronteiras de 1967 é uma ideia indefensável, por deixar fora de Israel mais de 120 assentamentos na Cisjordânia, onde moram mais de 330 mil judeus. Com o impasse gerado, o palestino Abbas solicitou em setembro de 2011 a entrada da Palestina como membro observador (sem direito a voto) da Organização das Nações Unidas. O gesto foi condenado pelos Estados Unidos e por Israel. Apesar disso, a ONU atendeu à solicitação palestina. A Palestina ainda conseguiu aderir à UNESCO, que passou, assim, a ser a primeira agência da ONU integrada pela Palestina. No início de 2013, milhares de palestinos participaram de uma rara manifestação em Gaza do movimento Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, à medida que diminuem as tensões com os rivais do Hamas, que governam o enclave desde 2007. "Logo nós iremos recuperar nossa unidade", disse Abbas em um discurso
  40. 40. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           40 de 93  televisionado para os milhares de manifestantes que marcharam em Gaza. Assim, a tendência é que a cisão entre os grupos Fatah e Hamas diminua nos próximos meses. Um longo hiato nas negociações de paz entre o governo palestino de Abbas e Israel aproximaram as diferenças ideológicas entre as duas principais facções palestinas. A solidariedade aumentou desde o ataque de Israel a Gaza em novembro de 2012, na qual o Hamas, apesar de agredido, declarou vitória contra o Estado judaico. A manifestação marcou os 48 anos desde a fundação do Fatah para comandar os palestinos na luta contra Israel. Seu antigo líder, Yasser Arafat, assinou um acordo de paz provisório em 1993, que ganhou para os palestinos uma determinação para se autogovernarem. O movimento radical Hamas, que não reconhece o direito de existência de Israel, rejeitou o acordo e venceu a eleição parlamentar palestina de 2006. O Hamas formou uma turbulenta coalizão com o Fatah, até sua separação violenta um ano mais tarde. Embora afastado do Ocidente, o Hamas se sente amparado pelos ganhos eleitorais de movimentos políticos islâmicos no vizinho Egito e em outros países da região - confiança que pode ser vista pelo fato de a manifestação do Fatah ter sido autorizada pelo Hamas. O Egito já tentava há muito tempo negociar a reconciliação entre Hamas e Fatah, mas os esforços anteriores fracassaram por questões de partilha de poder, controle de armas e até que ponto Israel e outras potências aceitariam uma administração palestina
  41. 41. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           41 de 93  incluindo o Hamas. Porém, os dois grupos parecem estar caminhando gradativamente para uma unidade nacional. No fim de 2012 e início de 2013, os conflitos entre palestinos e israelenses se intensificaram na região da Cisjordânia. Israel chegou a aumentar as detenções de suspeitos palestinos para tentar evitar que estes confrontos localizados se tornem uma terceira Intifada. Enquanto isso, Israel segue construindo novos assentamentos – o que vem sendo condenado pela comunidade internacional. A partir de 2013, Obama passou a demonstrar mais claramente sua posição em relação ao conflito, inclusive visitando a região e reunindo-se com os líderes palestino e israelense. A visita à região é uma tentativa de fortalecimento dos laços entre Estados Unidos e Israel, além de uma tentativa de abrandar as tensões na região. Acontece que tanto Abbas quanto Netanyahu impõem condições para retomar as negociações. Abbas exige o congelamento dos assentamentos israelenses no território palestino e Israel quer manter a política de expansão das colônias. Para Obama, "nem a ocupação nem a expulsão são a resposta". Em Ramallah, ao lado do líder palestino, o americano criticou os assentamentos judaicos e disse que as colônias representavam um impasse na causa da paz. Mas também criticou a política de Abbas. Segundo Obama, a expansão das ocupações não deveria impedir as negociações. Posteriormente, em uma entrevista coletiva, Obama disse não estar em posição de pedir o
  42. 42. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           42 de 93  congelamento da expansão dos assentamentos israelenses dentro de território palestino. 3. China Após a enorme expansão econômica que a China obteve nos últimos trinta anos, quando o PIB chinês cresceu em média 10% ao ano, o ano de 2012 decepcionou e 2013 deverá repetir a decepção do ano anterior. Maior exportadora do mundo, a economia chinesa mostrou significativa queda nas vendas externas e redução na atividade industrial, refletindo o momento de dificuldades econômicas da União Europeia e dos Estados Unidos. Nos últimos 30 anos, a economia chinesa passou de um sistema de planejamento centralizado e, em grande parte, fechado ao comércio internacional, para uma economia mais orientada ao mercado, com um setor privado em acelerado crescimento. A renda per capita da China tem crescido cerca de 8% ao ano em média nos últimos 30 anos. Porém, este rápido crescimento econômico trouxe grandes desigualdades na distribuição de renda. A renda per capita do país está classificada como mediana a baixa, se comparada com os padrões mundiais. Apesar da diminuição no ritmo de crescimento chinês, essa situação não chega a ameaçar contundentemente o país. O maior problema, na verdade, está relacionado com o tamanho alcançado pela economia do país e a sua integração às demais economias do planeta. Atualmente, os chineses correspondem a aproximadamente
  43. 43. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           43 de 93  10% do PIB mundial e a diminuição do crescimento de sua economia importa o desaquecimento do mercado mundial. Em 2011, a China ultrapassou o Japão e se tornou a segunda maior economia do mundo. Assim, como segunda maior economia do mundo, a desaceleração de sua economia consequentemente enfraquece a economia dos demais países. Nos últimos 30 anos, a China deixou de ser um país periférico para se tornar protagonista na economia mundial. Ao se tornar protagonista durante o século XXI, a China retomou um papel que já fora seu, em uma longa história, iniciada há quase quatro mil anos. O contato com o Ocidente começou com o fim da Idade Média. A partir dos anos XIX, os europeus, buscando ampliar seus mercados, aumentaram seu contato com os chineses – que tentavam resistir por meio de um forte e centralizador governo. Essa situação gerou duas guerras entre chineses e europeus: a Guerra do Ópio (1839-1842) e Guerra dos Boxers (1898-1900). Nesses dois eventos, os chineses acabaram derrotados e essa situação levou à necessidade de fazer concessões econômicas aos europeus. Assim, o fracassado contato com o Ocidente levou à queda da dinastia Qing, em 1912, e à divisão da república em dois grupos principais: o Partido Nacionalista e o Partido Comunista Chinês. Esses partidos tinham uma posição comum no que se refere à situação de dominação externa, mas eram conflitantes sobre os assuntos internos.
  44. 44. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           44 de 93  Mesmo com o enfraquecimento dos países imperialistas ao fim da Primeira Guerra Mundial, a China não resistiria aos interesses econômicos estrangeiros, principalmente dos japoneses e britânicos. Com isso, os membros do Partido Nacionalista (Kuomintang) enfrentaram o descontentamento dos militares e do Partido Comunista Chinês, que fora criado com nítida influência da Revolução Russa. Em 1925, o governo chinês foi assumido por Chiang Kai-shek, iniciando um intenso movimento contra os líderes comunistas. Nesse momento, os comunistas foram obrigados a recuar politicamente e, a partir daí, estabeleceram um projeto revolucionário que pudesse transformar a China. Em 1934, sob a liderança de Mao Tsé-tung, os camponeses foram mobilizados para realizarem a chamada “Longa Marcha”, que pretendia impor a distribuição de terras e a luta às forças imperialistas. Após a Segunda Guerra Mundial e a derrota dos japoneses, o governo de Chiang Kai-shek tentou novamente realizar uma perseguição aos comunistas. Entretanto, por ter sido considerado aliado do imperialismo estrangeiro, o governo chinês foi sendo gradativamente derrotado pelos exércitos do Partido Comunista Chinês. Invadindo a cidade de Pequim em janeiro de 1949, o exército revolucionário impôs a criação da República Popular da China. Sob a liderança de Mao Tsé-tung, os chineses reorganizaram o país sob a orientação das ideias comunistas. O novo governo traçou um plano econômico cuja pretensão era impulsionar a agricultura e
  45. 45. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           45 de 93  a indústria. Ao mesmo tempo as tropas comunistas impuseram uma violenta perseguição contra todos aqueles que não aderiram às políticas revolucionárias. No plano político internacional, os chineses optaram pela formação de um Estado socialista independente da orientação soviética. Com a morte de Mao, em 1976, o caminho para o processo de abertura econômica do país, estava aberto. Foi então que o governo chinês criou as chamadas Zonas Econômicas Especiais, que permitiram a entrada de empresas multinacionais e a produção de produtos direcionados ao mercado externo. As empresas internacionais eram atraídas por incentivos fiscais e por uma mão de obra extremamente abundante, disciplinada e barata. Tal modelo de desenvolvimento é conhecido como socialismo de mercado, pois combina características do comunismo, como o controle de setores considerados estratégicos pelo governo, com características do capitalismo, como a abertura às empresas estrangeiras e a possibilidade de propriedade privada em alguns casos. Com a entrada do país na economia de mercado e o vertiginoso aumento nas exportações, o país viu sua economia ser fortemente impulsionada, levando ao mundo inteiro os produtos “made in China”. Assim, a China acumulou consideráveis reservas financeiras, que em 2012 chegaram ao patamar de 3 trilhões de dólares. Essa situação possibilitou que a China mantivesse sua moeda desvalorizada em relação ao dólar, fazendo com que os produtos chineses permanecessem muito baratos para exportação e
  46. 46. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           46 de 93  tornassem o país extremamente competitivo frente aos demais países. 4. Coreia do Norte Um território divido entre extremos. Ao norte da península, a Coreia do Norte: o país mais fechado do mundo. Ao sul, a Coreia do Sul: uma aliada dos Estados Unidos, o país símbolo do liberalismo. Enquanto a Coreia do Sul aplica sanções contra a vizinha, esta insiste em investir em seu programa nuclear e sobrevive ao total isolamento econômico e cultural às custas da miséria de sua população. O país ficou sob a influência da União Soviética após a II Guerra. A divisão oficial do território veio em 1948: o norte como comunista e o sul, capitalista. Em 1950, o norte invadiu o sul, sob o argumento de ter a fronteira violada. Queria unificar os dois países sob o regime comunista, ofensiva contida pelas intervenções militares americanas. Em 1953, um acordo estabelecia uma zona desmilitarizada entre as Coreias. A então União Soviética continuou ajudando a Coreia do Norte em seu programa nuclear. Na década de 1980, o país assinou tratado de não proliferação nuclear, mas não o cumpriu. Em 2009, deixou o mundo em atenção, após vários testes com mísseis nucleares. Como disse, a Coreio do Norte é considerado o país mais fechado do mundo, conforme apontam comumente especialistas. O governo ditatorial divide a população em três: entre 20% e 30% são leais; aproximadamente 60% são considerados neutros, e entre
  47. 47. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           47 de 93  10% e 20% são tidos como reacionários ou hostis. As autoridades se utilizam desta classificação para decidir quem pode cursar a universidade ou quanto alimento irá receber, por exemplo. Os norte-coreanos não podem ler jornais, revistas, ou livros estrangeiros, e jornalistas apenas podem entrar no país com a autorização do governo, uma tarefa praticamente impossível. O inviável sistema comunista do país matou de fome cerca de 3 milhões de pessoas no fim dos anos 1990, já na gestão de Kim II- sung. Responsável pelos dois testes nucleares neste século, ameaçou “varrer” os Estados Unidos e a Coreia do Sul, sob a justificativa de que poderia ser atacada por eles. Em 2002 confessou que mantinha seu projeto nuclear. Os Estados Unidos suspenderam a ajuda e mesmo assim mantém testes com artefatos nucleares com frequência. O país quase não mantém relações exteriores, apesar de receber ajuda financeira e humanitária. No último mês, a ONU exigiu que Pyongyang prossiga com as negociações diplomáticas com a Coreia do Sul, Japão, EUA, Rússia e China. A China, aliada da Coreia do Norte, condenou formalmente o país pela realização de testes nucleares, mas não deve aceitar medidas mais duras contra o vizinho, mesma posição que deve adotar a Rússia. No fim de 2011, a Coreia do Norte proclamou Kim Jong-un, filho do dirigente Kim Jong-il, seu novo líder supremo. O filho de Kim Jong-il se torna o terceiro governante da única dinastia comunista da história. A partir de agora, ele será o novo chefe de Estado, mas também do exército e do partido único.
  48. 48. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           48 de 93  Dos 24 milhões de habitantes da Coreia do Norte, 1,2 milhões são militares. As forças armadas têm um papel central nesse país. A questão agora é saber como Kim Jong-un, que tem cerca de 30 anos, vai dar continuidade ao legado de seu avô, que criou a Coreia do Norte comunista em 1948, e de seu pai, que dirigiu o país com mão de ferro por 17 anos. Apesar de sua pouca idade e da ausência de experiência política, Kim Jong-un é chamado de “grande sucessor” e “grande camarada” pelas autoridades de Pyongyang. As duas Coreias estão, tecnicamente, em estado de guerra desde a metade do século passado. Contudo, a tensão entre esses países e entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos se agravou em 2013 – após uma nova série de sanções da ONU em resposta a testes nucleares realizados por Pyongyang em fevereiro desse ano. Segundo um comunicado divulgado pela agência de notícias oficial da Coreia do Norte, a KCNA, em abril desse ano, o exército norte-coreano “informou formalmente Washington” que “as ameaças imprudentes” dos americanos seriam “esmagadas por armas nucleares com tecnologia de ponta, menores, mais leves e diversificadas”. “A operação impiedosa das nossas Forças Armadas revolucionárias com este objetivo [atacar os EUA] foi finalmente aprovada”, lê-se no comunicado, que adverte ainda os EUA a “ponderar melhor a grave situação”. O comunicado acrescenta que “o momento da explosão está próximo”, avisando que a guerra na península coreana pode começar “hoje ou amanhã” [3 ou 4 de abril]. A Coreia do Norte teria deslocado um míssil de médio alcance, capaz de atingir alvos na Coreia do Sul e no Japão, para a sua costa leste, informou a agência
  49. 49. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           49 de 93  noticiosa sul-coreana Yonhap. O movimento foi detectado tanto pelos serviços de inteligência sul-coreanos como pelos americanos. Pessoal, em relação a esse tópico importantíssimo, eu irei esperar as próximas cenas. Há uma grande possibilidade de que ocorra um conflito. Dessa maneira, durante as próximas aulas irei atualizando vocês sobre essa questão. 5. Crise no Mali O Mali está enfrentando uma crise política sem precedentes, a mais grave desde que o país do oeste da África conseguiu a independência da França, em 1960. A República do Mali vive uma crise interna desde março de 2012, quando militantes islâmicos tomaram conta do norte do país e o dividiram em dois. O conflito no Mali levanta uma série de riscos elevados para todo o continente, de uma violenta reação dos islamitas a um potencial desastre humanitário. Os países do oeste africano enfrentam a dura realidade de que uma falta de resposta poderia conduzir a uma expansão da presença dos extremistas e de grupos criminosos capazes de criar maior caos, mas o uso da força militar também envolve riscos complexos. Alguns países que participam da força de cerca de 3.000 africanos prevista para ajudar o Mali a recuperar o controle no norte, tomado pelos islamitas, podem sofrer represálias de extremistas similares em seu próprio território, afirmaram alguns
  50. 50. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           50 de 93  analistas. Ao mesmo tempo, não está garantido que a operação militar no vasto deserto no norte do Mali tenha êxito. Ela também pode provocar uma avalanche de mais refugiados em direção aos países vizinhos, que já lutam para atender às necessidades de sua própria população. O avanço dos rebeldes tuaregues sobre o norte do Mali ocorreu depois que dissidentes do Exército derrubaram o governo do país. O Exército tomou o poder acusando o governo eleito de não ser severo o bastante com os rebeldes. Mas, enquanto os militares cuidavam de outros problemas, os rebeldes avançaram rapidamente. O Mali é um dos países mais pobres do mundo e os países vizinhos ainda ameaçaram impor um bloqueio econômico ao país depois do golpe do mês passado. Amadou Toumani Touré é visto por muitos como o homem que resgatou o Mali da ditadura militar e estabeleceu a democracia no país. Ele foi deposto da Presidência em março de 2012, quando ocorreu o golpe militar. O golpe militar de março de 2012 parece ter surgido de um motim no acampamento militar de Kati, a cerca de dez quilômetros do Palácio Presidencial em Bamako. O golpe foi liderado por um oficial de média patente do Exército, capitão Amadou Sanogo, um dos poucos que não fugiu do acampamento de Kati quando o motim começou. Sanogo, que tem mais de 35 anos, é de Segou, a segunda maior cidade do Mali, a cerca de 240 quilômetros ao norte de Bamako, é descrito como um homem carismático, porém de atitudes bastante bruscas.
  51. 51. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           51 de 93  O Movimento Nacional para LIbertação da Azawad (MNLA) e o grupo Ansar Dine Islâmico são os dois maiores grupos tuaregues envolvidos na ocupação do norte do Mali. Apesar de ter objetivos diferentes, o MNLA e o Ansar Dine se unem de vez em quando e isto aconteceu na captura da cidade de Timbuktu, na região norte. Mas segundo especialistas, existem fortes tensões entre os grupos. Entre os membros do MNLA estão tuaregues malineses que, durante a rebelião na Líbia, lutaram junto com as forças de Muamar Khadafi, quando ele tentava se manter no poder. Depois da queda e morte de Khadafi, estes tuaregues voltaram para o Mali, bem treinados e carregando armamentos pesados. O outro grande grupo tuaregue, o Ansar Dine Islâmico, é liderado pelo ex-líder tuaregue Iyad Ag Ghali. O grupo tem ligações com o braço da Al-Qaeda no norte da África, conhecido como a Al-Qaeda do Maghreb Islâmico. O Ansar Dine afirma que não luta pela independência, pois quer que a região norte do país continue sendo parte do Mali, mas também quer introduzir a Sharia (lei islâmica) em todo o país, que é, em sua maioria, muçulmano. No início de 2013, esse grupos islamitas levaram a França a entrar no conflito depois que eles avançaram de seu reduto, no norte do Mali, para regiões até então controladas pelo governo. A França e seus aliados planejavam dedicar os primeiros meses de 2013 à reconstrução do Exército do Mali, decomposto pelo golpe, pois se acreditava que não haveria nenhuma ofensiva islamita antes de setembro. Entretanto, a França fez uma repentina intervenção no dia 11 de janeiro de 2013, com a mobilização de soldados em Bamako, e fortes
  52. 52. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           52 de 93  bombardeios nos dias seguintes em uma vasta área desértica dominada pela aliança islâmica. O presidente da França, François Hollande, disse que o objetivo do seu governo é apenas dar apoio a uma missão militar do bloco regional Ecowas para recuperar o norte do Mali, conforme prevê uma resolução de dezembro do Conselho de Segurança da ONU. O bloco regional autorizou a mobilização de tropas. Além da França, Reino Unido e Canadá também se envolveram nos combates, enviando aviões cargueiros para o governo do Mali. Apesar do agravamento das tensões, autoridades têm afirmado que conseguiram reconquistar o norte do país. O governo francês está determinado a acabar com o domínio islâmico no norte da sua ex-colônia, devido aos temores de que essa região se torne uma base de lançamento para ataques contra o Ocidente e para uma coordenação com a Al-Qaeda em Iêmen, Somália e norte da África. A França pede um envolvimento mais rápido das forças da Comunidade Econômica dos Países do Oeste da África (Cedeao, siglas em francês). Paris chegou a propor para a ONU e para Bamaco manter "permanentemente" no Mali "uma força de apoio" de mil soldados franceses encarregados da luta contra grupos armados islâmicos. A França começará no final de abril a retirada precoce de seus 4.000 soldados enviados ao Mali desde janeiro, e uma operação de manutenção da paz da ONU paz com 11.OOO soldados deverá assumir em julho a responsabilidade da missão.
  53. 53. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           53 de 93  6. Violência contra a mulher: estupros na Índia. Falemos de um assunto bastante pesado, mas que, por seu aumento de visibilidade, poderá cair na prova. Como em diversos países, na Índia, o silêncio, na maior parte das vezes, segue juntamente com o estupro, principalmente nas aldeias, onde uma vítima de estupro costuma ser considerada uma vergonha, ou seja, uma mulher imprópria para o casamento. Mas as queixas contra uma série de estupros recentes quebraram o silêncio, chamando a atenção do país para o número crescente de agressões sexuais na Índia, e ao mesmo tempo expondo a estrutura de poder conservadora dominada por homens, na qual as vítimas de estupro são frequentemente tratadas com desprezo e indiferença. Num país em rápida mudança, os casos de estupro aumentaram a uma taxa alarmante, cerca de 25% em seis anos. Na verdade, esse aumento reflete o crescimento das denúncias por parte das vítimas. Mas a dinâmica de gênero em processo de mudança na Índia também é um fator importante, pois mais mulheres estão frequentando a escola, entrando na força de trabalho ou escolhendo com quem vão se casar – tendências que alguns homens indianos consideram uma ameaça. A imprensa indiana publica regularmente relatos horríveis de estupros em grupo, ataques que antes eram raramente vistos. Em alguns casos, gangues chegaram a encontrar um jovem casal, agredir o homem e depois estuprar a mulher. Analistas também apontam para as tendências demográficas: a Índia tem um excesso
  54. 54. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           54 de 93  de homens jovens, muitos desempregados, abusando de álcool ou drogas e irritados com a nova visibilidade da mulher na sociedade. As mulheres mais vulneráveis são as dalits pobres, da camada mais baixa da estrutura social. Dos 19 casos recentes de estupros em Haryana, estado da Índia, pelo menos seis vítimas eram dalits. Uma adolescente dalit em Haryana cometeu suicídio, atendo fogo ao próprio corpo, depois de ter sido estuprada por um grupo. Outra menina dalit, 15, deficiente mental, foi estuprada em Rohtak, de acordo com relatos da mídia indiana, mesmo bairro onde uma menina de 13 anos foi supostamente estuprada por um vizinho. Haryana é um dos locais no qual o patriarcado feudal é mais intenso na Índia. A preferência social por filhos homens tem contribuído para o problema de alguns casais abortarem fetos do sexo feminino, deixando Haryana com a proporção de gênero mais desequilibrada na Índia, 861 mulheres para cada mil homens. Politicamente, a casta superior Jat controla em grande parte de uma rede estadual de conselhos de homens, não eleitos, conhecidas como “khap panchayats”, que dominam muitas regiões rurais do Estado. Os líderes eleitos relutam em confrontar os khaps, dada a capacidade destes em convencer os eleitores, e, muitas vezes, endossam sua agenda social conservadora - na qual as mulheres devem ser subservientes aos homens. Os khaps têm tentado proibir as mulheres de usar calças jeans ou telefones celulares. Um membro do khap, Jitender Chhatar, culpou a comida fast food pelo aumento dos casos de estupro, argumentando que ela causa
  55. 55. Atualidades para IBAMA Teoria e exercícios comentados Prof. Rodrigo Barreto – Aula 1 Prof. Rodrigo Barreto                   www.estrategiaconcursos.com.br                           55 de 93  desequilíbrios hormonais e desejos sexuais nas mulheres jovens. Singh, que sugeriu reduzir a idade legal para o casamento legal, pois assim, segundo ele, elas teriam maridos para satisfazê-las mais cedo, também é um líder khap. Os sobrecarregados tribunais indianos podem levar até dez anos para julgar casos de estupro, segundo advogados e policiais. Apenas 26% dos processos por estupro concluídos em 2011 resultaram em condenações, segundo o Departamento Nacional de Registros Criminais. Alguns advogados dizem que não é incomum que a polícia pressione vítimas e suas famílias a aceitarem acordos extrajudiciais. Outros relatos dão conta de que os policias demoram a atender ou simplesmente ignoram denúncias de estupro. No entanto, a revolta da população está claramente aumentando. Protestos já foram realizados em diversos locais do país, incluindo um este mês na cidade de Meham, onde cerca de 100 homens e mulheres fizeram piquetes na sede da polícia do distrito por conta do estupro de uma menina de 17 anos de idade. Eles mostravam cartazes dizendo "Prisão aos estupradores!" e "Justiça para as Mulheres". A morte de uma outra jovem após ser violentada em um ônibus indignou a Índia, onde muitos se perguntam se o crime poderia levar realmente a uma mudança positiva em uma sociedade em que a mulher é muito vulnerável. O gigante asiático, membro do Brics, já pôde se orgulhar de ter sido uma das primeiras nações a ter uma primeira-ministra (Indira Gandhi), e de que hoje, por exemplo, sua capital e duas de suas regiões mais importantes -

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