Como jogou o Campeão Cruzeiro VERSÃO GRATUITA

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Como jogou o Campeão Cruzeiro VERSÃO GRATUITA

  1. 1. Como Jogou o Campeão Cruzeiro João Vítor Assis
  2. 2. VERSÃO GRATUITA
  3. 3. Sumário Introdução ..................................................................................................................................... 5 1- Cruzeiro no Brasileirão e na temporada ............................................................................... 6 1.1- O Cruzeiro em números ......................................................................................................... 7 2- O que é modelo de jogo ........................................................................................................ 9 2.1- Sistema de Jogo.................................................................................................................... 11 2.2- Momentos/Fases de Jogo .................................................................................................... 12 2.3- Princípios de Jogo................................................................................................................. 14 2.4- Subprincípios e sub dos subprincípios ................................................................................. 15 2.5- Modelo de jogo e a Periodização Tática .............................................................................. 18 Modelo de Jogo do Cruzeiro E.C. ................................................................................................ 20 3.1 – Sistema de Jogo Cruzeiro E.C. ............................................................................................ 21 3.2- Fase Ofensiva ....................................................................................................................... 23 3.3- Fase transição Ataque-Defesa.............................................................................................. 31 3.4- Fase Defensiva ..................................................................................................................... 35 3.5- Fase transição Defesa-Ataque ............................................................................................. 43 3.6 Bolas Paradas .............................................................................Erro! Indicador não definido. 3.6.1- Ofensivas ................................................................................Erro! Indicador não definido. 3.6.2- Defensivas ..............................................................................Erro! Indicador não definido. Referências .......................................................................................Erro! Indicador não definido.
  4. 4. Introdução Após 10 anos o Cruzeiro Esporte Clube volta a conquistar o Campeonato Brasileiro. Diferentemente do último título em que também levou a Tríplice Coroa, o time mineiro em 2013 conquistou o brasileirão de forma histórica com um desempenho muito acima dos seus adversários. Mais vitórias, mais gols, título com várias rodadas de antecedência, etc. O detalhe é que a equipe foi praticamente toda remontada de 2012 para 2013 e ganhou destaque pelo futebol mostrado por um time organizado em menos de um ano sob o comando de um treinador que ainda vinha crescendo no cenário brasileiro, Marcelo de Oliveira. Esta obra pretende mostrar como jogou o time do Cruzeiro. Como foi organizada a equipe que encantou os torcedores e todos os críticos com um estilo de jogo moderno, ofensivo e objetivo. Dividido em três capítulos, o primeiro aborda o que o Cruzeiro conseguiu neste ano, com o seu elenco e os números no Brasileirão e na temporada. O segundo explica o que se entende por Modelo de Jogo e organização de uma equipe de futebol, tratando das organizações coletivas assumidas por um time durante a partida. Por fim o terceiro capítulo mostra em detalhes como jogou o Cruzeiro, como foi organizado o time para a conquista desse título de uma forma tão merecida e convincente.
  5. 5. 1- Cruzeiro no Brasileirão e na temporada O time montado pelo técnico Marcelo Oliveira possui um modelo de jogo que agradou a todos pelo futebol envolvente, dinâmico, criativo e vitorioso. A forma coesa e coletiva de jogar favoreceu para que a equipe celeste conseguisse o título nacional de forma histórica. Embora tenha sido eliminado no Campeonato Estadual e na Copa do Brasil, o time celeste se comportou em todo ano de 2013 com uma forma específica de jogar. E o diferencial da raposa, além do título nacional, é a coletividade do elenco e a união de um grupo mesclado com bons jogadores experientes e jovens atletas de alto potencial. O que mais impressionou no time de Marcelo Oliveira é a rapidez como o modelo de jogo do treinador deu “liga” na equipe, que foi praticamente remontada de 2012 para 2013, foram 16 contratações, e em menos de um ano a equipe conseguiu se organizar de tal forma que parecia que já estavam juntos há um bom tempo. Em todos os jogos do cruzeiro no Campeonato brasileiro foi possível identificar que Marcelo Oliveira e seus comandados são fiéis ao seu estilo e à sua ideia de jogo. O treinador, por sua vez, tem um histórico em montar equipes compactas com modelo de jogo bem definidos. Em sua última equipe, o Coritiba em 2011 e 2012, conseguiu criar uma forma de jogar capaz de levar a equipe paranaense a duas finais de Copa do Brasil consecutivas. O bom entrosamento e o modo de jogar ofensivo e direto, fez a equipe ser muito forte jogando em casa, situação em que foi derrotada apenas duas vezes na temporada jogando em seus domínios, sendo 1 derrota (para o Bahia) após já ter conquistado o título nacional. A força fora de casa também foi importante, o equilíbrio de jogar da mesma forma dentro e fora de Belo Horizonte possibilitou a boa campanha com a conquista dos dois turnos do Campeonato e o título de campeão com quatro rodadas de antecedência igualando ao recorde do São Paulo campeão em 2007.
  6. 6. 1.1- O Cruzeiro em números Em números o Cruzeiro conseguiu no Campeonato Brasileiro 76 pontos, 23 vitórias, 7 empates e 8 derrotas em 38 jogos, sendo 2 derrotas já após o título do campeonato conquistado na 33ª rodada. Foram marcados os incríveis 77 gols o melhor ataque disparado, com 47 marcados em casa e 30 gols marcados fora, média de 2,03 gols por jogo. Marcou gols em 33 das 38 rodadas. Sofreu apenas 37 gols ficando entre as melhores defesas. Conseguiu 8 vitórias consecutivas e chegou a ficar 12 jogos seguidos sem perder. Foi a equipe que mais venceu por 3 ou mais gols de diferença, no total foram 9 goleadas. Foi um time disciplinado tomou apenas 3 cartões vermelhos durante o campeonato. Liderou o Brasileirão por 27 rodadas, sendo 23 rodadas seguidas na liderança, a partir da 16ª rodada o Cruzeiro se manteve até o fim na ponta da tabela. Terminou o campeonato há 11 pontos de distancia do vice-campeão, diferença que chegou a ser de 16 pontos. Foi campeão do turno e do returno, fazendo 40 pontos no turno e 36 no returno. (GloboEsporte.com, 2013) O sucesso só não foi maior durante a temporada porque o Cruzeiro foi eliminado da Copa do Brasil e do Estadual por detalhes, perdendo apenas 1 partida em cada competição. Mesmo assim conseguiu o feito de 42 vitórias, 8 empates e 10 derrotas em 60 jogos no ano. Marcou 132 gols e sofreu 53. Em apenas 8 jogos no ano o cruzeiro não marcou gols e dos 60 jogos, 52 o time mineiro balançou as redes. (Ogol.com, 2013) Tecnicamente a raposa mostrou ser uma equipe que finaliza muito, no Brasileirão foi o time que mais finalizou a gol com 266 finalizações certas. Dos 77 gols da equipe celeste 64 foram marcados dentro da área. O Cruzeiro em quase todos os jogos deteve a maior posse de bola que o adversário, um time com atletas de potencial que se destacaram muito pelo excelente entrosamento. Taticamente o Cruzeiro se superou como uma equipe envolvente, rápida no setor ofensivo, com um quarteto diferenciado e habilidoso. Um time forte nas bolas paradas, ótima marcação no meio campo e nas alas, laterais muito ofensivos e
  7. 7. volantes que deram força e consistência ao meio campo, além de ter uma defesa sólida com muita força na bola área. Everton Ribeiro além de eleito o craque do campeonato foi o jogador que deu mais assistências no Brasileirão com 11, enquanto Egídio foi um dos melhores ‘roubadores’ com 82 roubadas de bola. (Footstats, 2013) A ajuda da torcida foi também importante para a conquista. No Campeonato Brasileiro o Cruzeiro teve a melhor média de publico com 28.851 torcedores em casa, bem acima da média do campeonato que foi de 14.969 torcedores. Em um campeonato tão longo como o Brasileirão, a montagem de um elenco com jogadores que potencial para suprir as necessidades da equipe principal como lesões, suspensões e desgastes foi um fator importantíssimo para vencer um campeonato de pontos corridos. Na sequencia abordaremos o que necessariamente se entende por modelo de jogo dentro de uma equipe e posteriormente como foi o modelo de jogo vitorioso implantado por Marcelo Oliveira no Cruzeiro que ficou evidente durante as partidas do clube mineiro no Campeonato Brasileiro 2013.
  8. 8. 2- O que é modelo de jogo Uma equipe de futebol precisa ter uma atitude coletiva que lhe permita executar de forma eficiente e conjunta as adversidades de uma partida em todos os momentos durante o jogo. Essa organização é necessária, pois cria uma identidade na forma de jogar, e o treinador é o responsável pela criação desse modelo. Segundo Oliveira Apud Silva (2008), o modelo de jogo é um aspecto fundamental de todo o processo de treino na orientação e direcionamento do que o treinador quer para sua equipe, e deve ser feito dia a dia para os jogadores desenvolverem essa forma de jogar. Ele ainda afirma que se um treinador reunir um grupo de jogadores e colocá-los para jogar, mesmo se ele não disser nada, com o tempo os atletas criam as suas próprias rotinas e um entrosamento natural. Mas essa identidade natural pode não ser natural, isto é, o treinador pode fazer com que eles criem uma identidade conjunta, específica e melhor o mais cedo possível de acordo as ideias de jogo do comandante. Esse é o trabalho de um treinador, criar na sua equipe um modelo de jogo capaz com que os jogadores reconheçam e consigam colocá-los em prática de forma coletiva. A criação de um modelo de jogo faz parte também da análise do ambiente do clube, das características do elenco e da filosofia interna da instituição. Alguns treinadores tem liberdade para montar seus elencos, optando por atletas que venham a se encaixar à sua ideia de jogo. Outros treinadores chegam a equipes no meio da temporada onde já possui elencos já definidos e tem o trabalho de criar um modelo a partir do atual momento da equipe e de todo o universo em que se encontra o clube. Tamadarit (2007) afirma que o modelo de jogo é um conjunto de comportamentos que o treinador pretende que sua equipe manifeste de forma regular sistemática nos quatro momentos reconhecidos do jogo (Organização ofensiva, Organização defensiva, e as fases de transição) Pivetti (2012) define o modelo de jogo como o sentido de orientar as decisões dos jogadores ao propósito de jogo estabelecido, fazendo que as suas ações contribuam para gerir de boa maneira a imprevisibilidade relacionada às características de um jogo de futebol.
  9. 9. A seguir um esquema da complexidade de situações que formam a criação do modelo de jogo de uma equipe.
  10. 10. 2.1- Sistema de Jogo A organização do sistema de jogo dentro de um modelo de jogo adotado se caracteriza como um processo estrutural. Segundo Silva (2008) o sistema de jogo é o ponto de partida na configuração dinâmica do jogar, mas a funcionalidade compreende as características dos jogadores, os princípios de ação em determinados momentos do jogo e as estratégias de resolução em determinados contextos. O sistema de jogo está presente no sentido organizacional do time na esquematização do posicionamento do setor de defesa, meio campo e ataque. E serve para iniciar a modelagem de como estará disposta a equipe na execução dos princípios de jogo durante os momentos que regem a partida de futebol. Pivetti (2012) afirma que a organização de um jogo tem como ponto de partida o sistema de jogo, mas que vai muito além, pois uma mesma estrutura gera dinâmicas, evoluções e padrões diferentes. Existem equipes que jogam no mesmo sistema estrutural, mas a organização se diferencia em relação aos jogadores e a execução de seus princípios em vários momentos da partida. Ou seja, apenas a distribuição tática dos jogadores seja ela no sistema 1-4-4-2; 14-3-3; 1-3-5-2; 1-4-3-2-1, com linhas de 4, linhas de 3, losangos ou quadrados, etc., não esclarece a funcionalidade da equipe, mas apenas a sua disposição estrutural em campo.
  11. 11. 2.2- Momentos/Fases de Jogo Mais importante que o sistema de jogo, é criar na equipe a consciência dos princípios de jogo a serem aplicadas dentro das Fases/Momentos de jogo. Segundo Oliveira (2003) existe quatro grandes fases/momentos de jogo e todas essas fases/ momentos devem ter relações muito estreitas entre si. São classificadas em: Fase Ofensiva, Fase Defensiva, Fase de Transição AtaqueDefesa, Fase de Transição Defesa-Ataque. Mendonça (2013) defende que ainda há de se considerar a importância de outro momento que podemos incluir como esquemas estratégicos defensivos e ofensivos, como as Bolas Paradas. Silva (2008) complementa afirmando que apesar de ser possível diferenciar os momentos de jogo, eles se sucedem continuamente sem uma ordem prédefinida. Vamos caracterizar cada Fase/Momento de Jogo. A Fase Ofensiva é caracterizada pelo momento de organização em que a equipe detém a posse de bola e possui seus jogadores dispostos para o ataque. (Pivetti, 2012) A Fase de Transição Ataque-Defesa segundo Pivetti (2012) se dá no momento em que a equipe perde a posse de bola e nesse intervalo deve criar uma transição de jogo que proporcione mudar de atitude, saindo do momento ofensivo entrando no momento defensivo. O objetivo nesse contexto de jogo é disponibilizar ações defensivas imediatas no intuito de recuperar a posse de bola da maneira mais rápida e eficiente. A Fase Defensiva precede o momento de transição, e é condicionada pela necessidade urgente de recuperação da posse de bola, pois nesse momento a equipe adversária adquire a posse e passa a assumir a iniciativa ofensiva de jogo. (Pivetti, 2012) A Fase de Transição Defesa-Ataque como afirma Pivetti (2012) se dá no momento em que a equipe recupera a posse de bola e inicia as ações ofensivas. Durante esse período a equipe deve mudar seu pensamento saindo da situação defensiva transitando para a atitude ofensiva, em que irá novamente se organizar para iniciar o ataque.
  12. 12. Esses quatro momentos regem a funcionalidade dinâmica do jogo de futebol e partir deles é possível criar uma forma de jogar para atuar dentro dessas situações. A seguir exemplificamos essas quatro fase/momentos em um modelo Adaptado (Mendonça, 2013) de jogo.
  13. 13. 2.3- Princípios de Jogo Segundo Campos (2008) qualquer que seja o modelo de jogo criado, ele será constituído sempre pelos quatro momentos/fases do jogo e dentro desses momentos a organização através de princípios que ditam a forma de alcançar o que é esperado pela equipe. Ou seja, dentro de cada situação ou momento de jogo, a equipe deve se desenvolver de uma forma através de um principio estabelecido. A definição de princípios de jogo, segundo Oliveira (2003) afirma ser o inicio de um comportamento que um treinador quer que a equipe assuma de forma coletiva e os jogadores em termos individuais dentro de um momento do jogo. Um exemplo, uma equipe na Fase Ofensiva tem como característica o princípio de manter a posse de bola circulando entre o setor defensivo-médio até criar espaços no setor de ataque. Pivetti (2012) define os princípios de jogo como linhas orientadoras do pensamento tático dos jogadores da equipe na resolução operacional, táticotécnico das diversas situações de jogo. Os princípios de jogo permitem ao treinador desenvolver determinadas maneiras de organizar as relações e as interações dos diferentes jogadores do grupo, de modo que tudo esteja referenciando o modelo de jogo proposto. Faria apud Campos (2008) defende que a repetição sistemática de forma específica dos princípios de Jogo é fundamental para conseguir a organização e o sucesso, pois quanto mais organizada for a equipa mais probabilidade de sucesso haverá na execução dos princípios durante a partida. Por fim Oliveira apud Silva (2008) entende o Modelo de Jogo como uma ideia de jogo constituída por princípios, subprincípios, subprincípios dos subprincípios, representativos dos diferentes momentos / fases do jogo, que se articulam entre si, manifestando uma organização funcional própria, ou seja, uma identidade.
  14. 14. 2.4- Subprincípios e sub dos subprincípios Ainda dentro dos Princípios de jogo, existe a necessidade da criação dos subprincípios e dos sub dos subprincípios. Que são hierarquizados segundo as diversas possibilidades de funcionamento da equipe a partir de determinado tipo de principio em um momento/fase de jogo. Segundo Campos (2008) os subprincípios e os sub dos subprincípios dão corpo aos grandes princípios e devem reger-se por regras de continuidade e na definição de cada um deles devam estar presentes os demais. Um exemplo é a equipe que na Fase de Transição Defesa-Ataque, tem o Principio de recuperar a posse de bola de forma mais rápida possível. Dentro desse principio, um dos subprincípios é o da pressão intensa no homem da bola, e ao mesmo tempo uma marcação individual intensa em todos os jogadores próximos para que a equipe recupere a posse de bola ainda no seu campo ofensivo. E o sub do subprincípio é que a equipe deve realizar uma marcação próxima à zona da bola que não permita ser ultrapassado pelo adversário. Pivetti (2012) classifica os subprincípios como partes intermediárias que suportam e dão corpo aos princípios de jogo. Já os sub dos subprincípios dão aspectos referentes aos pormenores desconhecidos, pois surgem pela dinâmica do processo e emergem sobre os níveis de maior complexidade sem a perda de identidade do modelo de jogo da equipe. Mas o modelo de jogo não é algo estanque, o treinador deve entender que os jogadores devem atuar de forma livre aproveitando suas características individuais, mas sempre respeitando os princípios que regem a forma de jogar da equipe. Como defende Campos (2008), a intervenção do treinador tem que ser baseada no plano macro do modelo de jogo, ou seja, mediante os princípios e subprincípios estabelecidos e treinados, e deve deixar o jogador a liberdade de saber agir de acordo com isso. Pois na constituição da equipe os jogadores assumem funções diferenciadas, mas reconhecemos que os comportamentos nos momentos defensivos, ofensivos e nas transições dependem da forma de como é o modelo de jogo da equipe. Em concordância Oliveira apud Silva (2008) afirma que em circunstância alguma devemos esquecer que os padrões de comportamento dos jogadores e da equipe não devem limitar a criatividade
  15. 15. individual e coletiva, mas incentivar comportamentos criativos que se enquadrem nos padrões de comportamento desejados. MODELO DE JOGO Estrutura Organizacional SISTEMA DE JOGO Estrutura Funcional MOMENTOS DO JOGO Organização Transição Organização Transição Ofensiva Ataque/Defesa Defensiva Defesa/Ataque PRINCÍPIOS DE JOGO SUBPRINCÍPIOS DE JOGO SUB – SUBPRINCÍPIOS DE JOGO estrutura na criação de modelo de jogo. Resumo de uma
  16. 16. Organização de um modelo de jogo de uma equipe de futebol. (Oliveira, 2003)
  17. 17. 2.5- Modelo de jogo e a Periodização Tática A ideia de modelo de jogo muito se aplica à metodologia de organização e treinamento criada por Vítor Frade, a Periodização Tática, que tem como base a modelação de toda equipe e suas condicionantes de acordo com o jogar da equipe centralizando a tática como conceito a ser seguido. A Periodização Tática é uma concepção metodológica que regula o desenvolvimento do jogar de uma equipe, se pautando pela organização do modelo de jogo em razão da dimensão tática que coordena o processo de treino. (Pivetti, 2012). Tamaradit (2007) defende a Periodização tática como uma metodologia de treinamento cuja preocupação está no jogar que a equipe pretende e pelo modelo de jogo que se assume como guia de todo processo. Produzindo uma modelação através dos Princípios, subprincípios e sub dos subprincípios de jogo, respeitando o modo de jogar da equipe. É uma concepção de treino focado na operacionalização de um “jogar” através da criação e desenvolvimento. Neste contexto a periodização e programação do processo confere primazia à tática, ou seja, regula-se no desenvolvimento de uma organização coletiva que sobre condiciona a variável física, técnica e psicológica. O processo centra-se na aquisição de determinadas regularidades no “jogar” da equipa através da operacionalização dos princípios de jogo. Mendonça (2013) define esse método em Periodização, como a ideia de jogo idealizada pelo treinador e irá levar o seu tempo a ser adquirida pelos jogadores (através do treino e jogo) e a definição de Tática, onde tudo deve ser feito tendo em conta a Ideia de Jogo pretendida e a sua operacionalização. A criação do modelo de jogo de uma equipe pode ser desenvolvida e trabalhada pelo treinador a partir de qualquer metodologia de treinamento. O mais importante é a equipe criar um jogar coletivo voltado para os mesmos objetivos e organizados de uma forma sequencial que permita desenvolver as situações de jogo de forma mais eficiente possível.
  18. 18. Modelo de Jogo do Cruzeiro E.C. Baseado nos jogos do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro de 2013, acerca dos princípios de jogo do clube mineiro, será detalhado o modelo de jogo que Marcelo Oliveira aplicou no sucesso da conquista do histórico título nacional de acordo com o jogar da equipe. Independentemente da metodologia utilizada pelo treinador, este estudo teve como referencia os jogos da equipe mineira, em que foi possível identificar o perfil e a maneira pela qual a equipe foi direcionada a jogar durante o Brasileirão e em toda temporada. Os princípios de jogo adotados pelo time celeste durante o campeonato ficaram bem visíveis em todas as partidas da competição. E dentro dos quatro momentos de jogo (Fase ofensiva, Fase defensiva, Fase de Transição AtaqueDefesa e Fase de Transição Defesa-Ataque) analisaremos a forma como atuou o time do Cruzeiro para conseguir o título no Campeonato Brasileiro de 2013.
  19. 19. 3.1 – Sistema de Jogo Cruzeiro E.C. Organização no esquema 1-4-2-3-1, com alas bem ofensivos, ‘meias’ abertos fazendo a função de pontas no setor ofensivo e dois volantes que auxiliam o meia central. Em alguns momentos a equipe fazia o 1-4-4-2, com o recuo dos ‘pontas’ e o adiantamento do ‘meia’ central. 1-4-2-3-1
  20. 20. 1-4-4-2
  21. 21. 3.2- Fase Ofensiva O principio de jogo: Manter a posse de bola com circulação pelos 3 corredores tendo apoio sempre ao homem da bola, passes rápidos e objetivos para conseguir finalizar. Utilizar bolas longas apenas em situações de pressão intensa do adversário com objetivo de ganhar as “segundas bolas”. Subprincípios :  Saída de bola com volantes, laterais bem abertos e avançados. Em situações em que a equipe adversária se encontrava recuada a saída de jogo era com os volantes saindo com qualidade no passe.
  22. 22.  Passes em circulação no setor defensivo para atrair a marcação e jogar bola no espaço vazio no meio campo. Passes em circulação com a presença dos laterais e volantes, para poder atrair a equipe adversária a subir no campo de jogo e com isso criar espaços no setor de meio campo para a equipe sair jogando.
  23. 23.  Apostar em bolas longas para pivô ou meia central em situação de pressão adversária. Aproveitar as segundas bolas em caso de pressão intensa do adversário.
  24. 24.  Criação de apoio com triângulos no setor de criação no meio campo Característica principal da equipe, o próprio esquema celeste ajuda na formação de triângulos e losangos com apoio de pelo menos 2 jogadores ao homem da bola garantindo a manutenção e velocidade na posse de bola.
  25. 25.  Linhas próximas Facilitou a circulação de bola e também permitiu uma boa recuperação em caso da perda da posse.
  26. 26.  Boa mobilidade no setor ofensivo com trocas de posicionamento Grande movimentação do setor ofensivo, um quarteto ofensivo muito habilidoso e inteligente garantia um ataque mortal com a boa movimentação.
  27. 27.  Passes rápidos, tabelas e infiltração dentro da área. Qualidade principal e responsável pela maioria dos gols celestes. A equipe utiliza ataques rápidos com tabelas e jogadas individuais pelo interior da defesa adversária.
  28. 28.  Lançamentos na paralela ou em diagonais para pontas e laterais, utilizando bolas cruzadas com bom posicionamento dentro da área. Aproveitamento de situações de bola no fundo e bom posicionamento na área. A velocidade e habilidade individual dos “pontas” e alas fizeram muita diferença.
  29. 29. 3.3- Fase transição Ataque-Defesa Princípio: Sempre roubar a bola do adversário pressionando o homem com bola e os jogadores próxima à zona de jogo. E ao mesmo tempo fechando todos os espaços defensivamente. Subprincípios:  Pressão no homem da bola ao perder a posse. Evitar ser ultrapassado pelos jogadores adversários próximos ao setor onde se encontra a bola.
  30. 30.  Ganhar 2ª bolas forçando o adversário jogar longo Aproveitou a boa qualidade aérea do setor defensivo da equipe para recuperar a posse de bola.
  31. 31.  Rápido retorno de marcação no lado inverso fechando espaços Fechando espaços também no lado contrário onde se encontra a bola com a equipe fazendo a flutuação.
  32. 32.  Reorganização defensiva mesmo acontecendo troca de posicionamento dos jogadores. Independentemente de quem perca a bola, os espaços são fechados com pressão intensa ainda no setor ofensivo, no setor lateral e na ocupação do fechamento do meio campo.
  33. 33. 3.4- Fase Defensiva Principio: Manutenção dos jogadores organizados todos atrás da linha da bola, compactados sempre mantendo equilíbrio e realizando em alguns momentos pressão na saída de bola. Subprincípios:  Evitar bolas atrás da última linha de defesa. Evitar com que os zagueiros e laterais sejam ultrapassados pelos atacantes adversários em lançamentos.
  34. 34.  Bom posicionamento da defesa em bola vindas do fundo. O sucesso se deu pela qualidade do setor defensivo e ao mesmo tempo a rapidez em recuperar a sobra com volantes e meias.
  35. 35.  Pressão desde a primeira linha de ataque com 1 jogador e com 2 em alguns momentos. A pressão intensa aconteceu em jogos principalmente em casa, ou em momentos que a equipe necessitava reverter o placar. O quarteto ofensivo sempre marcando de forma rápida e organizada.
  36. 36.  Marcação intensa no corredor lateral, criando dobras nesse setor no campo de defesa. Qualidade que muitas equipes vitoriosas detêm são as marcações intensas dos alas que recuam para fazer a marcação do setor lateral. No campo de defesa a dobra de marcação e a recuperação nas alas foi fator importante para o time celeste recuperar a posse de bola.
  37. 37.  Ganhar segundas bolas em lances longos. Em caso de insucesso na recuperação de bola no setor ofensivo, forçar a equipe adversária a jogar longo fazia com que a equipe recuperasse a bola devido ao bom posicionamento para ganhar as segundas bolas.
  38. 38.  Forte compactação no meio campo com volantes. Volantes e meio campos marcadores e bons no desarme garantiam o sucesso defensivo na zona próxima a grande área.
  39. 39.  Manter a equipe toda organizada como referência a linha da bola, até mesmo o centro avante. A organização defensiva da equipe se dava através de uma linha de 4 na defesa, uma linha com 2 volantes e outra com 3 meias e alas alternando para uma linha de 4 com a participação do centro avante. A equipe flutuava pelo campo de jogo com uma boa aproximação das linhas de marcação.
  40. 40.  Adiantar a equipe no terreno de jogo, fechando espaços forçando o adversário ao erro. A pressão na saída de bola forçava o erro do adversário e a rápida recuperação da bola.
  41. 41. 3.5- Fase transição Defesa-Ataque Princípio: Criar amplitude pelo campo de jogo retirando a bola da zona de pressão, utilizando também passes em profundidade com ultrapassagens e movimentações pelos 3 corredores do campo rapidamente. Subprincípios:  Bolas roubadas no setor ofensivo, criação de ataque rápido com tabelas em velocidade com ultrapassagem de jogadores a frente da linha do homem da A velocidade nos contra-ataques foi importante em muitas situações de ataque.
  42. 42.  Ataque sempre com 5 jogadores, os meias, centro avante e um dos laterais, sempre tendo como unidade ofensiva a linha de volantes. A participação de um lateral e mais o quarteto ofensivo se deu na maioria dos ataques rápidos da equipe.
  43. 43.  Saída da Zona de Pressão em Profundidade buscando o meio central. No setor de defesa a bola que chegava aos volantes ou ao meia central era condição para rápida criação de jogadas em contra-ataque.
  44. 44.  Ocupação de todos os corredores do campo criando amplitude e profundidade no esquema estrutural do time. Velocidade na abertura de jogo e ocupação de espaços vazios no terreno de jogo.
  45. 45.  Retirar bola da Zona de Pressão para o lado fraco do adversário. Quando não conseguia fazer a bola chegar ao setor de meio campo, a equipe girava a bola mantendo a posse até chegar ao corredor contrário.
  46. 46. PARA ADQUIRIR O LIVRO NA ÍNTEGRA ACESSE: http://www.amazon.com.br/Jogou-Campe%C3%A3o-Cruzeiro-V%C3%ADtor-Assisebook/dp/B00H87RC90/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1389987406&sr=81&keywords=como+jogou+o+campe%C3%A3o+cruzeiro

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