Stevejobsabiografia libro

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Stevejobsabiografia libro

  1. 1. As pessoas que são loucas o sufi- ciente para achar que podem mudar o mundo são aquelas que o mudam. Comercial “Pense diferente” da Apple, 1997
  2. 2. Sumário Introdução — Como nasceu este livro Personagens 1. Infância — Abandonado e escolhido 2. Um estranho casal — Os dois Steves 3. O abandono — Se ligue, sintonize 4. Atari e a Índia — Zen e a arte do design de jogos 5. O Apple i — Ligue, inicie, conecte 6. O Apple ii — O alvorecer de uma nova era 7. Chrisann e Lisa — Aquele que é abandonado 8. Xerox e Lisa — Interfaces gráficas do usuário 9. Abrindo a empresa — Um homem rico e famoso 10. Nasce o Mac — Você diz que quer uma revolução 11. O campo de distorção da realidade — Jogando com suas próprias regra 12. O design — Os verdadeiros artistas simplificam 13. Construindo o Mac — A viagem é a recompensa 14. Entra Sculley — O Desafio Pepsi 15. O lançamento — Uma marca no universo
  3. 3. 16. Gates e Jobs — Quando as órbitas se cruzam 17. Ícaro — O que sobe 18. NeXT — Prometeu desacorrentado 19. Pixar — A tecnologia encontra a arte 20. Um sujeito comum — O amor é só uma palavra de quatro letras 21. Toy Story — Buzz e Woody vêm resgatar 22. A segunda vinda — Que besta feroz, sua hora enfim chegada 23. A restauração — Para o perdedor, agora é tarde para ganhar 24. Pense diferente — Jobs como iPresidente executivo 25. Princípios de design — O estúdio de Jobs e Ive 26. O iMac — Olá (de novo) 27. Presidente executivo — Ainda maluco, depois de tantos anos 28. Lojas da Apple — Genius Bar e arenito Siena 29. O hub digital — Do iTunes ao iPod 30. A iTunes Store — Eu sou o Flautista de Hamelin 31. Homem musical — A trilha sonora da vida de Jobs 32. Pixar — Amigos... e inimigos 33. Os Macs do século xxi — Fazendo a Apple se destacar 34. Primeiro round — Memento mori 35. O iPhone — Três produtos revolucionários num só 36. Segundo round — O câncer volta 37. O iPad — Entrando na era pós-pc 38. Novas batalhas — E ecos das antigas 39. Ao infinito — A nuvem, a nave espacial e mais além 40. Terceiro round — A luta crepuscular 7/982
  4. 4. 41. O legado — O mais brilhante paraíso de invenções Fontes Notas Créditos das imagens Agradecimentos Sobre o autor 8/982
  5. 5. Um portfólio de fotos de Diana Walker Durante quase trinta anos, a fotógrafa Diana Walker teve acesso especial a seu amigo Steve Jobs. Eis uma seleção de seu portfólio 1. Em sua casa, em Cupertino, em 1982. Era tão perfeccionista que tinha di- ficuldade para comprar móveis.
  6. 6. 2. Em sua cozinha: “Quando voltei, depois de sete meses em aldeias indianas, vi a loucura do mundo ocidental, e também sua capacidade para o pensamento racional”. 11/982
  7. 7. 3. Em Stanford, em 1982: “Quantos de vocês são virgens? Quantos já tomaram LSD?”.
  8. 8. 4. Com o Lisa: “Picasso tinha um ditado: ‘artistas bons copiam, grandes artis- tas roubam’, e nós nunca sentimos vergonha de roubar grandes ideias”.
  9. 9. 5. Com John Sculley, no Central Park, em 1984: “Você quer passar o resto da vida vendendo água com açúcar ou quer ter uma chance de mudar o mundo?”.
  10. 10. 6. Em seu escritório na Apple, em 1982. Perguntado se queria fazer pesquisa de mercado, respondeu: “Não, porque os consumidores não sabem o que querem até que mostremos a eles”. 16/982
  11. 11. 7. Na NeXT, em 1988. Livre dos constrangimentos da Apple, entregou-se a seus melhores e piores instintos.
  12. 12. 8. Com John Lasseter, em agosto de 1997. O rosto e o comportamento angelical de Lasseter escondiam um perfeccionismo artístico que rivalizava com o de Jobs. 19/982
  13. 13. 9. Em casa, trabalhando em seu discurso do Macworld em Boston, depois de re- tomar o comando da Apple, em 1997: “Naquela loucura, vemos genialidade”. 21/982
  14. 14. 10. Fechando acordo com a Microsoft, por telefone, com Bill Gates: “Bill, muito obrigado por seu apoio a esta companhia. Acho que o mundo é um lugar mel- hor por isso”. 23/982
  15. 15. 11. No Macworld de Boston, enquanto Gates discute o acordo entre eles: “Aquela foi a minha pior e mais estúpida montagem de um evento. Fiquei pare- cendo pequeno”. 25/982
  16. 16. 12. Com a esposa, Laurene Powell, no quintal da casa deles, em Palo Alto, em agosto de 1997. Ela foi uma âncora sensata na vida de Jobs.
  17. 17. 13. No escritório de sua casa, em Palo Alto, em 2004: “Gosto de viver na inter- secção entre humanidades e tecnologia”.
  18. 18. Do álbum da família Jobs Em agosto de 2011, quando Jobs estava muito doente, sentamos em seu quarto e repassamos fotos do casamento e de férias para usar neste livro 14. A cerimônia de casamento, em 1991. Kobun Chino, mestre de Soto Zen de Steve, sacudiu uma vara, bateu num gongo, acendeu incenso e cantou.
  19. 19. 15. Com seu orgulhoso pai, Paul Jobs: depois que a irmã, Mona, localizou seu pai biológico, Steve recusou-se a conhecê-lo. 30/982
  20. 20. 16. Cortando o bolo em forma de Meia Cúpula com Laurene e Lisa Brennan, sua filha de um relacionamento anterior. 32/982
  21. 21. 17. Laurene, Lisa e Steve. Lisa mudou-se pouco depois para a casa deles e lá permaneceu durante os anos em que cursou o ensino médio. 34/982
  22. 22. 18. Steve, Eve, Reed, Erin e Laurene em Ravello, Itália, em 2003. Mesmo em férias, ele frequentemente mergulhava no trabalho. 36/982
  23. 23. 19. Segurando Eve de cabeça para baixo no Foothill Park, Palo Alto: "Ela é uma pistola, e mais cabeça -dura do que qualquer criança que eu tenha conhecido. É como se eu estives se recebendo o troco". 38/982
  24. 24. 20. Com Laurene, Eve, Erin e Lisa, no canal de Corinto, Grécia, em 2006: “Para os jovens, todo este mundo é o mesmo agora”.
  25. 25. 21. Com Erin, em Kyoto, em 2010. Assim como Reed e Lisa, ela ganhou uma viagem especial ao Japão com o pai. 41/982
  26. 26. 22. Com Reed, no Quênia, em 2007: “Quando fui diagnosticado com câncer, fiz um acordo com Deus, ou seja lá quem for, que era que eu realmente queria ver Reed se formar”. 43/982
  27. 27. 23. E apenas mais uma de Diana Walker: um retrato de 2004 na casa de Palo Alto.
  28. 28. Introdução Como nasceu este livro No início do verão de 2004, recebi um telefonema de Steve Jobs. Ao longo dos anos, se aproximou amistosamente de mim de maneira intermitente, com arroubos ocasionais de intensidade, em especial quando lançava um novo produto que queria na capa da Time ou em programa da cnn, lugares em que eu trabalhava. Mas, agora que eu já não estava em nenhum desses lugares, não tinha notícias dele com fre- quência. Conversamos um pouco sobre o Aspen Institute, no qual eu acabara de ingressar, e o convidei para falar no nosso campus de verão
  29. 29. no Colorado. Ele disse que adoraria ir, mas não queria subir no palco. Na verdade, preferia caminhar comigo para conversar. Isso me pareceu um pouco estranho. Eu ainda não sabia que dar uma longa caminhada era sua forma preferida de ter uma conversa séria. No fim das contas, ele queria que eu escrevesse sua biografia. Eu havia publicado recentemente uma biografia de Benjamin Franklin e estava escrevendo outra sobre Albert Einstein, e minha reação inicial foi perguntar, meio de brincadeira, se ele se considerava o sucessor natural nessa sequência. Supondo que ele estava no meio de uma car- reira oscilante, que ainda tinha muitos altos e baixos pela frente, hes- itei. Não agora, eu disse. Talvez dentro de uma década ou duas, quando você se aposentar. Eu o conhecia desde 1984, quando ele foi ao edifício da Time-Life, em Manhattan, para almoçar com editores e exaltar seu novo Macin- tosh. Já então era petulante, e atacou um correspondente da Time por tê-lo atingido com uma história que era muito reveladora. Mas, con- versando com ele depois, acabei cativado, como tantos outros o foram ao longo dos anos, por sua intensidade envolvente. Ficamos em con- tato, mesmo depois que foi expulso da Apple. Quando ele tinha algo novo para vender, como um computador da NeXT ou filme da Pixar, o raio de seu charme voltava de repente a cair sobre mim, e ele me levava a um restaurante japonês do sul de Manhattan para me contar que o produto que estava divulgando era a melhor coisa que já havia produzido. Eu gostava dele. Quando Jobs foi restaurado no trono da Apple, nós o pusemos na capa da Time, e logo depois ele começou a me oferecer suas ideias para 46/982
  30. 30. uma série que estávamos fazendo sobre as pessoas mais influentes do século. Ele havia lançado a campanha “Pense diferente”, com fotos icônicas de algumas das mesmas pessoas que estávamos examinando, e achou fascinante o trabalho de avaliar a influência histórica. Depois que me esquivei da sugestão de escrever sua biografia, tive notícias esporádicas dele. A certa altura, enviei-lhe um e-mail para perguntar se era verdade, como minha filha me havia dito, que o logo- tipo da Apple era uma homenagem a Alan Turing, o pioneiro britânico da computação que decifrou os códigos alemães durante a guerra e de- pois se suicidou mordendo uma maçã envenenada com cianeto. Ele re- spondeu que gostaria de ter pensado nisso, mas não tinha. Isso deu in- ício a uma troca de mensagens sobre o começo da história da Apple, e me vi reunindo informações sobre o assunto, caso decidisse um dia fazer o tal livro. Quando saiu minha biografia de Einstein, Jobs foi a um lançamento em Palo Alto e voltou a sugerir que ele seria um bom tema. Sua persistência me deixou perplexo. Jobs era conhecido por de- fender sua privacidade, e eu não tinha motivo para crer que ele lera qualquer um dos meus livros. Talvez um dia, continuei a dizer. Mas em 2009 sua esposa, Laurene Powell, disse sem rodeios: “Se você pre- tende fazer um livro sobre Steve, é melhor fazer agora”. Ele havia acabado de tirar uma segunda licença médica. Confessei-lhe que, quando Jobs aventara a ideia pela primeira vez, eu não sabia que ele estava doente. Quase ninguém sabia, ela disse. Ele havia me chamado pouco antes de ser operado de câncer, e ainda estava mantendo isso em segredo, explicou. 47/982
  31. 31. Decidi então escrever este livro. Jobs surpreendeu-me ao admitir prontamente que não teria controle sobre a obra, nem mesmo o direito de vê-la com antecedência. “O livro é seu”, disse. “Não vou nem lê-lo.” Porém, mais tarde, naquele outono, ele me pareceu ter reconsiderado a cooperação e, embora eu não soubesse, fora atingido por outra rodada de complicações do câncer. Parou de retornar minhas ligações, e eu deixei o projeto de lado por um tempo. Então, inesperadamente, ele me telefonou no fim da tarde da véspera do Ano-Novo de 2009. Estava em sua casa, em Palo Alto, apenas com a irmã, a escritora Mona Simpson. A esposa e os três fil- hos haviam saído numa rápida viagem para esquiar, mas sua saúde não permitia que os acompanhasse. Estava reflexivo e falou por mais de uma hora. Começou por recordar como queria construir um conta- dor de frequência quando tinha doze anos e foi capaz de procurar na lista telefônica o nome de Bill Hewlett, o fundador da hp, e ligar para ele para obter peças. Jobs disse que seus últimos doze anos, desde o retorno para a Apple, haviam sido os mais produtivos na criação de novos produtos. Mas seu objetivo mais importante, disse, era fazer o que Hewlett e seu amigo David Packard haviam feito, a saber, criar uma companhia tão imbuída de criatividade inovadora que sobreviv- eria a eles. “Quando garoto, sempre pensei em mim como alguém ligado em humanidades, mas eu gostava de eletrônica”, contou. “Então li algo que um dos meus heróis, Edwin Land, da Polaroid, disse sobre a im- portância de pessoas capazes de estar na interseção entre as humanid- ades e as ciências, e decidi que era isso o que eu queria fazer.” Era 48/982
  32. 32. como se ele estivesse sugerindo temas para a biografia (e, nesse caso, pelo menos, o tema acabou por se mostrar válido). A criatividade que pode surgir quando o talento para as humanidades se une ao talento para as ciências em uma personalidade forte foi o tema que mais me interessou em minhas biografias de Franklin e Einstein, e creio que será fundamental para a criação de economias inovadoras no século xxi. Perguntei a Jobs por que queria que fosse eu o autor de sua bio- grafia. “Acho que você é bom em fazer as pessoas falarem”, ele ex- plicou. Foi uma resposta inesperada. Eu sabia que teria de entrevistar dezenas de pessoas que ele havia demitido, maltratado, abandonado ou enfurecido, e temia que ele não se sentisse confortável com o fato de eu fazê-las falar. E, com efeito, ele ficava inquieto quando tinha notícia de quem eu estava entrevistando. Mas, depois de alguns meses, começou a incentivar as pessoas a conversar comigo, até mesmo in- imigos e ex-namoradas. Também não tentou interditar nada. “Fiz um monte de coisas de que não me orgulho, como engravidar minha namorada quando tinha 23 anos e o jeito como lidei com isso. Mas não tenho nenhum esqueleto no armário que não possa ser autorizado a sair”, resumiu. Acabei fazendo cerca de quarenta entrevistas com Jobs: algumas formais em sua sala de estar em Palo Alto; outras durante longas cam- inhadas e viagens de automóvel, ou por telefone. Durante meus dezoito meses de visitas, ele se tornou cada vez mais íntimo e reve- lador, embora, às vezes, eu tenha testemunhado o que seus colegas veteranos da Apple costumavam chamar de seu campo de distorção da 49/982
  33. 33. realidade. Às vezes, era a inadvertida falha de células da memória que acontece com todos nós; em outros momentos ele torcia sua versão da realidade, tanto para mim como para si mesmo. Para verificar e com- provar sua história, entrevistei mais de uma centena de amigos, par- entes, concorrentes, adversários e colegas. Sua esposa, Laurene, que ajudou a facilitar este projeto, também não impôs nenhuma restrição ou controle, nem pediu para ver de antemão o que eu iria publicar. Na verdade, ela me estimulou muito a ser honesto sobre as falhas de Jobs, bem como sobre seus pontos for- tes. Ela é uma das pessoas mais inteligentes e equilibradas que já con- heci. “Há partes da vida e da personalidade dele que são extrema- mente confusas, e essa é a verdade”, ela me disse logo no início. “Você não deve encobrir isso. Ele é bom em torcer os fatos, mas também tem uma história notável, e eu gostaria que tudo fosse contado honestamente.” Deixo para o leitor avaliar se obtive sucesso nessa missão. Tenho certeza de que existem atores nesse drama que se lembrarão de alguns dos acontecimentos de forma diferente ou pensarão que fiquei às vezes preso no campo de distorção de Jobs. Tal como aconteceu quando es- crevi um livro sobre Henry Kissinger, que de certa forma foi uma boa preparação para este projeto, descobri que as pessoas tinham emoções positivas e negativas tão fortes em relação a Jobs que o efeito Rashomon* ficou muitas vezes evidente. Mas fiz o melhor que pude para tentar equilibrar as narrativas conflitantes de forma justa e ser transparente sobre as fontes que utilizei. 50/982
  34. 34. Este é um livro sobre a vida de altos e baixos e a personalidade in- tensa e abrasadora de um empreendedor criativo, cuja paixão pela perfeição e cujo ímpeto feroz revolucionaram seis indústrias: com- putadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital. Pode-se até acrescentar uma sétima: lojas de varejo, que Jobs não chegou bem a revolucionar, mas que repensou. Além disso, ele abriu o caminho para um novo mercado de conteúdo digital com base em aplicativos e não apenas em websites. Ao longo do caminho, não somente criou produtos transformadores, mas também, em sua segunda tentativa, uma empresa duradoura, dotada de seu dna, que está cheia de designers criativos e engenheiros intrépidos que poderiam levar adiante sua visão. Espero que este seja também um livro sobre inovação. No mo- mento em que os Estados Unidos buscam maneiras para sustentar sua vantagem inovadora, e quando as sociedades de todo o mundo tentam construir economias criativas da era digital, Jobs se destaca como o ícone máximo da inventividade, imaginação e inovação sustentada. Ele sabia que a melhor maneira de criar valor no século xxi era con- ectar criatividade com tecnologia, então construiu uma empresa onde saltos de imaginação foram combinados com notáveis façanhas de en- genharia. Ele e seus colegas da Apple foram capazes de pensar de forma diferente: não desenvolveram apenas avanços modestos de produtos focados em certos grupos, mas toda uma série de aparelhos e serviços de que os consumidores ainda não sabiam que precisavam. Jobs não era um modelo de chefe ou ser humano, bem empaco- tado para emulação. Impulsionado por demônios, era capaz de levar 51/982
  35. 35. as pessoas próximas à fúria e ao desespero. Mas sua personalidade, suas paixões e seus produtos estavam todos inter-relacionados, assim como tendiam a ser os hardwares e os softwares da Apple, como se fizessem parte de um sistema integrado. Desse modo, sua história é tanto instrutiva quanto admonitória, cheia de lições sobre inovação, caráter, liderança e valores. Henrique V, de Shakespeare — a história de um príncipe teimoso e imaturo que se torna um rei apaixonado mas sensível, cruel mas sen- timental, inspirador mas falho —, começa com uma exortação: “Que uma musa de fogo aqui pudesse/ ascender ao céu mais brilhante da in- venção!”. Para o príncipe Hal, as coisas eram mais simples: ele só tinha de lidar