Ideário arminiano

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Ideário arminiano

  1. 1. Ideário arminiano.Ideário arminiano. Abordagens sobre a teologia clássica de Jacó Armínio: suassimilaridades, vertentes, ambivalências e divergências.sábado, 13 de outubro de 2012O conceito de Brunner sobre a eleição não soa armínio-wesleyano?O conceito de Brunner sobre a eleição não soa armínio-wesleyano?(apontamento do Bispo Ildo Mello)
  2. 2. Ele diz:É Seu livre propósito que coloca-nos pecadores, por meioda fé, na realidade do Filho do Seu Amor, como é Seupropósito enviar-nos Seu Filho, revelar-nos a nós epartilhar a Si mesmo conosco (...). Em si mesmo, o Filhosignifica Eleição. Onde o Filho está há eleição. Mas ondeo Filho não está não há eleição. Mas o Filho só estápresente onde há fé, por isso no Novo Testamento oseleitos e apenas eles são aqueles que crêem. Por esta causasó a fé é decisão na qual o prêmio é a salvação ou a ruína.Não é uma decisão falsa onde tudo já foi decidido deantemão. As conseqüências podem ser sérias, se a fim deescapar da doutrina da dupla predestinação tomarmos ocaminho errado e acabarmos no Universalismo [1].Alguém de fato lê na Bíblia como um todo, como tambémem Paulo, muito acerca daqueles a quem Deus rejeita ourejeitou (por ex. Rm 11.15), mas nunca sobre aqueles aosquais Ele rejeitou desde a eternidade. Alguém encontraque Deus endurece os homens (Rm 9.18),mas nunca queEle os predestinou desde a eternidade para a dureza docoração. Está escrito na Epístola aos Romanos que Deustem o direito de fazer com sua criatura o que desejar – e sedesejar, pode também fazer vasos de ira (Rm 9.22), masnão diz que Ele predestinou homens desde a eternidadepara serem vasos de ira e os tenha criado como tais. Pelocontrário, é precisamente aqueles a quem Paulo descreveno nono capítulo como vasos de ira (9.22) de quem elediz, no décimo primeiro capítulo que já estãosalvos(11.23ss) (...) por um lado, ninguém se aproxima tãointimamente do pensamento de um “duplo decreto dapredestinação, um para a salvação e outro para a perdição”
  3. 3. como o nono capítulo da Epístola aos Romanos. Por outrolado, ninguém se aproxima mais da doutrina da salvaçãouniversal como o final do capítulo onze. (...). Seperguntarmos a razão disso, então estes são justamente oscapítulos que nos fornecem uma resposta: apenas o fielpode saber a respeito da eleição. A fé, porém, emborasendo dom de Deus é requerida de nossa parte. Nóstambém devemos crer (1 Co 16.13; Cl 2.7; Ef 6.16), APalavra de Cristo está sendo proclamada em todas asnações, com a exigência da obediência (Rm 15.18). O quemais importa é a decisão da fé (Rm 11.20) [2].______[1] BRUNNER Emil. Dogmática I, p. 412.[2] BRUNNER Emil. Romanos, p.257-258.Fonte: http://escatologiacrista.blogspot.com.br/2012/10/uma-consideracao-sobre-doutrina-da.html.Postado por Lailson Castanha - às 12:24 Nenhum comentário: Links para estapostagemsábado, 21 de julho de 2012A dialética teológica e a teologia da inversão de valores A DIALÉTICATEOLÓGICA E A TEOLOGIA DA INVERSÃO DEVALORESIntrodução
  4. 4. No extenso percurso histórico, desde o início dos registrosdas manifestações humanas, vários movimentos culturais eintelectuais foram se transformando. Como havia ditado ogrande filosofo sistemático Hegel, dialeticamente osmovimentos foram se transformando como síntese dochoque entre velhas e novas ideias. Ao longo da históriapuderam-se testemunhar mudanças no modo de vidasocial. Fazendo uma comparação investigativa, facilmentese observará que os contornos culturais de hoje sãodiversos, e na maioria dos casos, muito diferente do que osde outrora. Se a dialética traça os rumos arquitetados porHegel, nem sempre a nova arquitetura é feita de novoselementos, pois no choque entre o velho e o novo, muitacoisa dantes usadas, ou, muitos elementos e ideias atéentão dispensados podem novamente vir a tona. Portanto,a síntese entre tese e antítese, entre o velho e o novo,poderá, com novas formas e variações, reaproveitar muitacoisa ou ideia, tida como antiquada.A filosofia e a teologia não fogem desse movimento queobservamos. Em muitas obras que versam sobre essasmanifestações intelectuais leem-se registros das mudançasna ordem das ideias – mudanças essas, que vez por outra,reafirmam o que remotamente fora rejeitado. Detendo-sena Teologia, pode-se perceber sem muito esforço essarealidade dialética, e é sobre aspectos dessa realidadedialética na teologia que timidamente passaremos aabordar.1. Aspectos de uma dialética teológica.Comentar sobre aspectos de uma dialética teologia é ter aprincípio um leque de possibilidades, coisa que por suaextensão, impossibilitaria nossa pretensão de desenvolverum simples e específico comentário. Por isso, para realizar
  5. 5. nossa pretensão, a saber, de construir, não um exaustivocomentário, mas uma abordagem parcial e simples -buscamos desenvolver um comentário que, mesmobeirando o superficial, não se configure como supérfluo.Tendo assumida a hipótese da dialética teológica,podemos apresentar superficialmente algumasmanifestações que entendemos se configurar como matériaprima da perpetuação dessa dialética.A Teologia Cristã tem nos Escritos Bíblicos a fonte de suamovimentação dialética, porém, apesar da fonte comum,os movimentos teológicos cristão são destoantes. Porexemplo, os evangelhos e os escritos do apóstolo Pauloque tem servido como inspiração para uma série desistemas, direcionam os aderentes de cada sistema aconclusões opostas. Se voltarmos nossa atenção apenaspara os sistemas soteriológicos perceberemos que essahipótese ganha ainda mais força. Nessa investigação,apontamos para o fato de que as mesmas fontes e ideiasusadas para legitimar um sistema, são usadas paralegitimar outro destoante.Na Soteriologia Católica, temos como fundamento os Paisda Igreja, principalmente a fonte agostiniana, queavançando, gera a vertente tomista – apresentando-se emoutra forma, que por sua vez ganha outra curso no afluentemolinista, continuando nos contemporâneos, em váriosmodos, a movimentar o curso dialético das ideias. Já aSoteriologia Protestante tem como fonte os já citadoscatólicos, canalizados em Lutero e Calvino, que engendrao afluente Arminius que, por sua vez, gera o afluenteWesley e demais, em diversidade de conteúdos,interpretações e ênfases. Porém tanto na primeira como nasegunda, o lençol de água é as Escrituras. É importanteressaltarmos que os sistemas que citamos não seguem uma
  6. 6. ordem estrita, tal como apresentamos, ademais, a grandemaioria de nomes ou sistemas foram omitidos, o quepretendemos em nossa apresentação, é apenas mostrar queexiste uma dialética teológica.Através de um grande número de sistemas várias ideiasforam discutidas. Temas como: soberania de Deus, eleiçãoe predestinação (absoluta e inflexível ou, restrita eflexível); conhecimento de Deus (positivo, semprediretamente atuante, passivo ou impassivo; oucircunstancialmente atuante etc.); livre-arbítrio humano(como coisa irreal, ou, existente apenas antes da queda;enfraquecido depois da queda – mais, ainda existente; sópossível com a intervenção da graça preveniente; etc.)foram dialeticamente ganhando novos contornos, passandode uma rigidez ideologia à flexibilidade, ou inversamente.Como prevíamos nossa intenção nesse simples comentárionão é tratar com profundidade os principais aspectos dadialética teológica, o que demandaria maior trabalho, e,por consequência, exigir-nos-ia mais tempo de dedicação,coisa que atualmente indispomos, além de fugir de nossocampo de intenções. Pretendemos abordar apenas umaspecto marginal dessa dialética.Apesar de entender que quando se fala em dialéticateológica o assunto predominante deva ser as construçõese reformas propriamente teológicas, agarrar-nos-emos aoutra questão, a saber, a inversão de valores - realizadacom o intuito de manter firme algumas construçõesteológicas.2. A teologia da inversão de valores e as mudanças deênfases.
  7. 7. Se até agora nossa tarefa foi a de destacar que de temposem tempos ocorreram várias transformações nas teoriasteológicas, doravante, passaremos a destacar uma questãoespecífica, ou seja, a inversão de valores, principalmenteem relação aos valores morais e potenciais atribuídos aDeus, assumida por algumas vertentes teológicas – e emseus defensores, tendo como fim, como já apontamos,manter intacta a consistência e coerência teórica davertente teológica que defendem.2.1 O enfraquecimento de valores morais em prol daperpetuação de alguns sistemas teológicos.Para se configurar como uma genuína Teologia Cristã,independentemente do caminhar dialético, algumas ideiasdevem ser assumidas como inamovíveis. Umas dessasideias basilares se referem ao caráter reto, santo, justo eamoroso de Deus, fonte de todos os bons valores, de todaboa dádiva e de todo o dom perfeito(Tg 1.17). Portando, cristãmente crer em Deus, entreoutras coisas, é crer que nEle residem, sem sombra nemvariação, esses valores ideais. Apesar de verbalizada econfessada por todas as teologias cristãs, naengenhosidade de suas teorias, a palavra verbalizada eassumida sobre os valores que nos referimos não encontraassentamento em alguns sistemas teológicos.Percebe-se o afloramento do calvinismo no Brasil. O quedantes era uma teologia quase que confinada a redutosespecíficos, hoje, sua influência se estende até mesmo emambientes que tinha no arminianismo o seu principalafluente teológico. Na Internet, além da divulgaçãoproduzida por já tradicionais figuras e veículos calvinistas,essa nova camada também ostenta ferozmente sua teologiarecém-absorvida através de sites, blogs pessoais ou
  8. 8. institucionais, como também, atacando páginas quedivulgam outras teologias, principalmente a TeologiaArminiana.Independentemente do grau de profundidade que essesseminovatos calvinistas têm em relação à teologia queabraçaram, ou de outra teologia contrária que ferozmenteatacam, percebe-se em suas posturas uma ousadia que porpouco alcança as raias do delírio, reforçando práticas defiguras já institucionalmente situadas e estabelecidas. Naânsia de proteger a pseudológica de seu sistema teológico,não se constrangem a diminuir o que é de mais valoradonas Escrituras, a saber, o caráter reto, santo e justo deDeus, passando a construir, ou mesmo, perpetuar commais explicitude, a teologia de inversão de valores.O que vem a ser a teologia da inversão de valores? - Não éoutra coisa, que uma teologia que diminui a importânciados valores morais, com o fim de supervalorizar o poder,por eles titulado como, soberania. É uma teologia quemuda a ênfase das Escrituras, do amor, caráter, santidade,e justiça para o poder ou soberania. Na tentativa degarantir uma sobriedade teológica - até mesmo à ênfaseevangélica do Novo tentamento é manipulada. Enquantoque a Bíblia registra a preocupação de Cristo em favorecera humanidade, através de um tão grande amor por todos,que o levou a uma morte vil, os inversores, procuramdirecionar esse favor gracioso Deus em prol dahumanidade, diminuindo a extensão de sua doaçãobenévola - apenas a um grupo ao qual chamam de eleitos.Se, se afirmava que o preço que pagou Cristo foi ocaríssimo preço do pecado do mundo inteiro, a teologia dainversão de valores, apresentando a expiação de Cristocomo preparada só para o grupo dos eleitos, com issotorna menor a extensão do sacrifício de Cristo do que é
  9. 9. apresentado pelas Escrituras. Vejamos como as Escriturasnos apresenta a extensão do sacrifício e favor de Cristo:“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu oseu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crênão pereça, mas tenha a vida eterna.Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para quecondenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvopor ele.” (João 3. 16, 17)“Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobretodos os homens para condenação, assim também, por umsó ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens paraa justificação que dá a vida” (Rm 5.18.)“Porque Deus encerrou a todos debaixo dadesobediência, para com todos usar de misericórdia.”(Rm 1.32)“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto:um morreu por todos; logo todos morreram.” (2Co 5.14) .Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendosalvação a todos os homens... (Tt 2.11)E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somentepelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. (1 João2. 2).É muito claro nas Escrituras que o sacrifício e favor deCristo e de extensão Universal, porém, os inversoresdiminuem consideravelmente essa dimensão.Se a ênfase evangélica através da teologia de inversão devalores ganha novos realces, a moralidade também.
  10. 10. Nesses contornos teológicos algumas expressõesaxiológicas passam a ser tratadas como quimeras.Quando falamos na integridade de Deus, apontando que ohomem, com o seu livre-arbítrio é realmente culpado porseu pecado -, assumindo o ousado sistema teológicoinversivo, toda a retidão de Deus, apresentado nasescrituras como julgador de cada um segundo as suasobras, é desprezada, pois implicitamente ou em casos atéexplicitamente, afirmam que próprio Deus impediu queesses homens fizessem o bem. Deus já havia, indicam,escolhido positivamente os que seriam salvos e os queseriam condenados. Sobre esse pressuposto, JacobusArminius já advertia que afirmar que Deus estabeleceupositivamente os atos dos réprobos, é torná-lo autor dopecado:“Embora o pecado não possa ser cometido por ninguémexceto por uma criação racional, e, por isso, deixa de serum pecado, por esta mesma circunstância, se sua causafor atribuída a Deus; no entanto, parece possível, porquatro argumentos, fixar essa acusação sobre o nossosteólogos. ’Segue-se de sua doutrina de que Deus é o autordo pecado’". (Jacobus Arminius. Works of Arminius VlI).John Wesley problematiza a questão da incoerência emjulgar alguém incapaz de fazer o que fez.“Se o homem é capaz de escolher entre o bem e o mal, elese torna um objeto próprio da justiça de Deus que oabsolve ou o condena, que o recompensa ou pune. Mas seele não é, não se torna objeto daquela. Uma simplesmáquina não capaz de ser absolvida nem condenada.” Econtinua, “(...)A justiça não pode punir uma pedra porcair ao chão, nem, no nosso plano, um homem por cair nopecado, ele não pode senti-la mais do que a pedra, se ele
  11. 11. está, de antemão, condenado... Será este homemsentenciado a ir para o fogo eterno preparado para odiabo e os seus anjos por não fazer o que ele nunca foicapaz de evitar?”Defender que positivamente Deus estabeleceu os réprobos,é de alguma forma, além de torná-lo autor do pecado,apontar um traço de injustiça e de não retidão no caráterde Deus. Com muita propriedade o Rev. Amos Binneyafirma: “Se o castigo é justo, é porque o castigado podiater obrado de outro modo.” Portanto, segue-se que se ocastigado não poderia ter obrado de outro modo, o castigoé injusto e injusto é o castigador.Invertendo os valores tão zelosamente defendidos nasEscrituras, a teologia da inversão de valores, abandona adefesa do caráter reto de Deus, colocando nele um caráterobscuro – que faz dele, um julgador que não leva emconsideração nenhuma ação humana, e pior ainda, que fazcom que a maioria dos homens seja intrinsecamenteimpedida de desejar qualquer bem, qualquer salvação,oferecendo caprichosamente seu favor apenas a um grupo,tão pecador quanto o reprovado, independentemente dequalquer resposta humana. Ou seja, prática da acepção depessoas que as Escrituras afirmam não existir em Deus, ateologia da inversão de valores assume como natural açãode um Deus soberano.Defendendo, também, que algumas práticas pecaminosasforam incitadas por Deus independentemente do caráter jácorrupto de alguns homens, a teologia da inversão devalores faz de Deus um corruptor de homens, coisaexplicitamente rejeitada nas Escrituras, principalmentecomo lemos na clara assertiva de Tiago: Ninguém, sendotentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não podeser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. (Tg 1.13).
  12. 12. Se apropriando de textos de linguagem antropomórficas,os famigerados reversores teológicos fazem de Deus umser imoral, que além de tentar alguém a práticaspecaminosas, o pune. É muito clara à percepção de quemse envolve em controvérsias soteriológias com defensoresda teologia da inversão de valores o desprezo pelosconceitos morais que a Bíblia ciosa da reputação divinaapresenta como traços do caráter divino. Diante dessaquestão, a resposta a algumas indagações se fazempertinentes, a saber:Qual é a grande ênfase das Escrituras, o amor e a justiçade Deus, associada ao seu reto caráter -, ou uma soberaniaque julga a cada um de acordo com obras estabelecidaspelo próprio soberano?O que as Escrituras mais explicitamente falam sobre Deus,sobre o seu amor pelo mundo, sua santidade, sua retidão eintegridade, sua JUSTIÇA, - ou sobre sua soberaniaabsoluta que impede intrinsecamente a possibilidade desalvação a muitos, ao passo, que intrinsecamente temgarantida a salvação a alguns, independente de suas ações?O que mais as Escrituras exortam, a prática do autoexame,a necessidade de vigilância por conta da possibilidade donaufrágio da fé e para não receber em vão a graça deDeus, a necessidade do arrependimento -, ou o conforto deum grupo estabelecido de eleitos por conta daimpossibilidade de que caiam da fé?Conclusão.Nessas poucas linhas, fizemos alguns apontamentosdirecionados a praticas de defensores de uma vertente, quena ânsia de garantir seu principal pressuposto teológico, a
  13. 13. saber, a soberania absoluta de Deus, cometem excessosque terminam por descaracterizar o Ente que visadefender. Apontamos para o problema vivenciado pelosdefensores, por nós chamados, da teologia da inversão devalores, destacando que alguns valores que são colocadosem alta estima nas Escrituras, por destacar a santidade deDeus -, na vertente teológica inversora, e nas mentes queassumem essa inversão, são relegados, na ânsia devalorizarem uma pretensa soberania absoluta, emdetrimento a ética bíblica que direciona a Deus valoresmorais que não se harmonizam com o modelo desoberania absoluta que defendem.É certo que a soberania divina é um fato bíblico. É certotambém, em acordo com essa soberania, que nada ocorresem a Divina Providência, até mesmo o livre-arbítrio dohomem é manifestação da providência de Deus. Comotambém, é certo que não podemos omitir em qualquermanifestação intelectual essa realidade, e isso,implicitamente nos faz defender que a ocorrência de tudoestá ligada a essa soberania e providência de Deus. Porém,o que não pode ser defendido, sob pena de apresentarDeus como um ser imoral, injusto e odioso, é inferir queessa soberania e providência de Deus que possibilita aocorrência de todas as coisas, é a feitora positiva,intencional de todos os males do mundo, incluindo opecado particular de cada ser, como inferem muitoscalvinistas aqui tratados como inversores.Teologizar sem reparar os caminhos que nossasinferências estão a nos levar é correr o risco de fazerteologia irresponsável e agressiva e de defender ideias epráticas contrárias aos atributos e valores que a Bíblicadireciona para Deus.Lailson Castanha
  14. 14. ______Referências bibliográficas.AGOSTINHO, Santo. O Livre-arbítrio. 2ed. São Paulo: Paulus, 1997.ARMINIUS, Jacobus. Works of Arminius VlI.PDFBINNEY, Amos. Compendio de Teologia. Campinas: Editora Nazarena.LANE, Tony. Pensamento Cristão (Volume I); traduzido por Elizeu Pereira. 4ed.São Paulo: Abba Press, 2007.LANE, Tony. Pensamento Cristão (Volume II); traduzido por Elizeu Pereira. 4ed.São Paulo: Abba Press, 2007.OLSON, Roger. A história da Teologia Cristã – 2000 anos de tradição e reformas;tradução Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 2001.BURTNER, R.W. e CHILES, R.E., compiladores. Coletânea de Teologia de JohnWesley; 2ed. Rio de Janeiro: Instituto Metodista Bennett, 1995.Postado por Lailson Castanha - às 06:57 11 comentários: Links para esta postagemMarcadores: A dialética teológica e a teologia da inversão de valoressegunda-feira, 16 de julho de 2012SOBRE O ARREPENDIMENTO PELO QUAL OSHOMENS RESPONDEM À VOCAÇÃO DIVINADISPUTA XLIIISOBRE O ARREPENDIMENTO PELO QUAL OSHOMENS RESPONDEM À VOCAÇÃO DIVINAJacobus Arminius
  15. 15. Como, em matéria de salvação, aprouve a Deus tratar como homem pelo método de um pacto, ou seja, por umaestipulação, ou uma exigência e uma promessa, e comoainda considera a vocação de uma participação na aliança;é instituído, em ambas as partes e em separado, que ohomem pode cumprir a requisição ou ordem de Deus, peloqual ele pode obter [o cumprimento] de sua promessa.Mas esta é a relação mútua entre os dois - a promessa éequivalente a um argumento, empregado por Deus, que elepode obter junto ao homem o que ele exige, e ocumprimento da demanda, por outro lado, é a condição,sem o qual o homem não pode obter o que foi prometidopor Deus, e através do [do desempenho] qual elecertamente obtém a promessa. II. Por isso, é evidente queo primeiro lugar que acolhe esta vocação é a fé, pela qualo homem crê que, se ele está em conformidade com aexigência legal, ele irá desfrutar da promessa, mas que seele não cumpri-la, não será colocado em posse das coisasprometidas, ou melhor, que os males contrários serãoinfligidos a ele, de acordo com a natureza da aliançadivina, em que não há nenhuma promessa, sem umapunição oposta a ela. Esta fé é o fundamento sobre o qualrepousa a obediência que deve ser rendida a Deus, e é,portanto, o fundamento da religião. III. Mas os teólogosgeralmente colocam três partes nesta obediência. Aprimeira é o arrependimento, pois é o chamado depecadores para a justiça. A segunda é a fé em Cristo e emDeus através de Cristo, pois, vocação é feita por meio doevangelho, que é a palavra da fé. A terceira é aobservância dos mandamentos de Deus, em que consiste asantidade de vida, para qual os crentes são chamados, esem a qual ninguém verá a Deus. IV. O arrependimento éo pesar ou tristeza por conta dos pecados conhecidos e
  16. 16. reconhecidos, a dívida da morte contraída pelo pecado, epor conta da escravidão do pecado, com o desejo de serlibertado. Por isso, é evidente, que as três coisasconcorrem em penitência - a primeira como umantecedente, a segunda como uma consequência, e aterceira como corretamente e mais plenamentecompreendendo sua natureza. V. O que equivale a umantecedente é o conhecimento ou reconhecimento dopecado. Este consiste de um conhecimento duplo: (1.) Umconhecimento geral pela qual se sabe o que é o pecadouniversal e de acordo com a prescrição da lei. (2). Umconhecimento particular, pelo qual se reconhece que opecado havia sido cometido, tanto a partir de umalembrança das más ações cometidas e do bem omitido e daanálise deles de acordo com a lei. Este reconhecimentotem, unido com ele, a consciência de um duplo demérito,da condenação ou morte, e da escravidão do pecado,"porque o salário do pecado é a morte," e "ele que cometepecado é escravo do pecado. “Este reconhecimento éinterno e feito na mente, ou é externo, e recebe adenominação de “confissão.” VI. O que intimamentecompreende a natureza do arrependimento é, o pesar porconta do pecado cometido, e de seu demérito, que é muitomais profundo, como o reconhecimento do pecado é maisclaro, e mais abundante. Também é produzido a partirdeste reconhecimento, por meio de um temor duplo depunição:. (1). Um temor não só de corpo e puniçãotemporal, mas também daquilo que é espiritual e eterno.(2). O temor de Deus, pelo qual os homens temem ojulgamento desse bom e reto ser, a quem ofenderam porseus pecados. Este temor pode ser corretamente chamadode "inicial", e acreditamos que há alguma esperança a eleanexada. VII. O que se segue como consequência, é o
  17. 17. desejo de libertação do pecado, isto é, a partir dacondenação do pecado e do seu domínio, qual desejo étanto mais intenso, por quanto maior é o reconhecimentode miséria e tristeza por causa do pecado. VIII. A causadesse arrependimento é Deus por sua palavra e Espíritoem Cristo. Pois é um arrependimento que tende a não sedesesperar, mas para a salvação, mas tal não pode ser,exceto com relação a Cristo, em quem, só, o pecador podeobter livramento da condenação e do domínio do pecado.Mas a palavra que ele usa no início é a palavra da lei, masnão sob a condição jurídica peculiar à lei, mas sob o queestá anexa a pregação do Evangelho, do qual a primeirapalavra é que a salvação é declarada a penitentes. OEspírito de Deus pode, não impropriamente, serdenominado "o Espírito de Cristo", assim como émediador, e exorta primeiro o homem pela palavra da lei,e, em seguida, revela-lhe a graça do evangelho. A ligaçãoda palavra da lei e do evangelho, que é, assim, habilmentefeita, remove toda a autossegurança, e proíbe o desespero,que são as duas pragas da religião e das almas. IX. Nósnão reconhecemos a satisfação que os papistas fazem ser aterceira parte de arrependimento, ainda não negamos que ohomem que é um verdadeiro penitente procurará darsatisfação a seu próximo contra quem ele confessa quepecou, e a igreja que ele feriu pela sua ofensa. Mas asatisfação, de forma alguma, pode ser prestada a Deus, porparte do homem, pelo arrependimento, tristeza, acontrição, a esmola, ou pela recepção voluntária eimposição de punições. Se tal curso foi prescrito por Deus,as consciências dos homens devem necessariamente seratormentadas com a angústia contínua de um infernoameaçador, não menos do que se nenhuma promessa degraça tinha sido feita para os pecadores. Mas Deus
  18. 18. considera esse arrependimento, que já descrevemos, sendoele verdadeiro, digno de uma libertação graciosa dopecado e da miséria; e tem a fé como consequência, sobreo qual iremos tratar na disputa subsequente.COROLÁRIO: Arrependimento não é um sacramento,seja com relação a si próprio, ou em relação aos seussímbolos externos.Tradução: Lailson Castanha______Works of Arminius Vol. 2Postado por Lailson Castanha - às 02:45 2 comentários: Links para esta postagemMarcadores: arrependimento, Jacobus ArminiusSOBRE A FÉ EM DEUS E CRISTODISPUTA XLIVSOBRE A FÉ EM DEUS E CRISTOJacobus ArminiusNa disputa anterior, temos tratado na primeira parte daobediência que se rendeu à vocação de Deus. A segundaparte segue agora, que é chamado de "obediência da fé".II. Fé, em geral, é o acolhimento dado à verdade e fédivina é a que é dada a verdade revelada por Deus. A base
  19. 19. sobre a qual repousa a fé divina é dupla - uma externa e defora ou além da mente - a outra interna e na mente. (1.) Ofundamento externo da fé é a veracidade de Deus, que faza declaração, e que nada pode declarar que é falso. (2.) Abase interna da fé é dupla - tanto a ideia geral por quesabemos que Deus é verdadeiro - e do conhecimento pelaqual sabemos que é a palavra de Deus. Fé é também dupla,de acordo com o modo de revelação, sendo legal eevangélica, da qual esta última está sob nossaconsideração presente, e se inclina a Deus e a Cristo. III. Afé evangélica é um assentimento da mente, produzida peloEspírito Santo, por meio do evangelho, nos pecadores,que, através da lei, conhecem e reconhecem seus pecados,e são penitentes por conta deles, por que eles não estãoapenas totalmente convencidos dentro de si que JesusCristo foi constituído por Deus, o autor da salvaçãoàqueles que lhe obedecem, e que ele é seu própriosalvador se eles crerem nele, e pelo qual tambémacreditam nele como tal, e através dele em Deus como oPai benevolente nele, para a salvação dos crentes e para aglória de Cristo e de Deus. IV. O objeto da fé não é apenaso Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, mas também opróprio Cristo constituído por Deus, o autor da salvaçãopara aqueles que lhe obedecem. V. A forma é oconsentimento que é dado a um objeto dessa descrição,que o parecer favorável não é adquirido por um curso deraciocínio a partir de princípios conhecidos por natureza,mas é um assentimento infundido acima da ordem danatureza, que, no entanto, é confirmado aumentando osexercícios diários de oração e mortificação da carne, e pelaprática de boas obras. O conhecimento é antecedente à fé,porque o Filho de Deus é contemplado antes de umpecador crer nele. Mas confiar ou confiança é consequente
  20. 20. a ela, pois, por meio da fé, a confiança é colocada emCristo, e através dele em Deus. VI. O autor da fé é oEspírito Santo, a quem o Filho envia do Pai, como seuadvogado e suplente, que pode reger sua causa no mundoe contra ele. O instrumento é o evangelho, ou a palavra dafé, contendo o significado a respeito de Deus e de Cristoque o Espírito apresenta ao entendimento, obrando umapersuasão. VII. O sujeito no qual reside, é a mente, não sócomo ela reconhece esse objeto sendo verdadeiro, mastambém sendo bom, qual a palavra do evangelho declara.Portanto, pertence, não só a compreensão teórica, masigualmente ao dos afetos, que é prático. VIII. O sujeito aoqual [é dirigido], ou o objeto sobre o qual [é ocupado], é ohomem pecador, reconhecendo seus pecados, e penitentepor causa deles. Pois que esta fé é necessária para asalvação de quem crê, mas é desnecessária para quem nãoé pecador, e, portanto, ninguém, exceto um pecador, podeconhecer ou reconhecer a Cristo por seu salvador, pois eleé o salvador dos pecadores. O fim, o que pretendemos parao nosso próprio benefício, é a salvação em sua natureza.Mas o fim principal é a glória de Deus através de JesusCristo.COROLÁRIO: "Foi a fé dos patriarcas nas alianças dapromessa, a mesma que a nossa, sob o Novo Testamento,no que diz respeito a essência?" Nós respondemosafirmativamente.Tradução: Lailson Castanha______Works of Arminius Vol. 2Postado por Lailson Castanha - às 02:39 Nenhum comentário: Links para estapostagemMarcadores: Jacobus Arminius, Sobre a fé em Deus e Cristoquinta-feira, 24 de maio de 2012
  21. 21. O servo e o soberanoO servo e o soberanoJosué Oliveira Gomes*Matutando comigo mesmo sobre a questão de servir aDeus, me lembrei que sou também um filho dele. Mas,como seria isso? Sou filho ou sou servo? Sou um servoque é filho ou um filho que serve? Sei lá! Uma coisa pensoser verdade. Não creio que me seja exigido umaobediência cega, ainda que leve em conta minhaignorância e sua soberania. Creio na soberania de Deus,mas não o vejo como os soberanos antigos (ou modernos),déspotas inatingíveis e inalcançáveis. Quando leio a bíbliapercebo que Deus, consegue abdicar de sua soberania como firme propósito de se colocar ao nível dos sereshumanos, aliás, ele se rebaixa ainda mais e lava os pés dequem ama. E, a quem ele se recusa amar? Quandodescubro isso como verdade libertadora, me vejo nacondição de filho amado que se dispõe a servir. Não comoum servo encabrestado. Apesar da preferência ou únicacondição (cabresto) de tantos, Deus não parece desejar serservido à base da imposição ou à custa de cabresto. Deusnão nos chama para sermos soldadinhos bemarrumadinhos que sabem do dever de obediência. Foi
  22. 22. Jesus quem ensinou que deveríamos chamá-lo Abba,também disse que o Pai, melhor do que nós, sabe comotratar seus filhos. O que me faz obediente (quando o sou)não é o poder de sua soberania, mas o seu terno e doceamor que liberta. Falando nisso, não quero ser reconhecidocomo um servo de Deus como se isso fosse umaimposição de um soberano intocável, assentado em umtrono esperando receber todo louvor e toda honra e todaglória. Prefiro ser percebido por aquele a quem possochamar Abba-Pai e, percebendo-o como tal, me sentir livrepara servi-lo. Vocês lembram do escravo de orelha furadaamostrado no Pentateuco? Tal escravo tem em suas mãosa alforria que lhe garante a liberdade, o ser dono de seunariz, cuidar de sua vida se lixando pro que acontece ounão na casa e ambiência de seu senhor. Mas, digamos queo sentimento e consciência do escravo fosse de que agoraque conhece o valor da liberdade, se vê livre para poderservir. Ali estão as pessoas que fazem parte de suahistória. Ali estão as pessoas caras de suas relações. Ficarem casa não seria ficar escravo, mas se ver livre paraservir, o que equivale a amar. O amor exige por si esforço.A consciência do amor libera disposição para se doar. Foiisso que aconteceu (creio) no coração e cabeça de Jesusem relação ao Pai. E é isso que deve refletir em nossasrelações com o Pai e com os outros. Então pega a sovela efura a orelha, pois isso é sinal da voluntariedade e dodespojamento de todas as individualidades. Também ésinal de não aceitar o comodismo da auto-suficiência. Poisquando sou livre para servir, a isso me proponho ou não.Feliz é aquele que se vê livre e, por ser livre serve. E,servindo, se parece mais com o Filho de Deus que não seaproveitando da glória do ser filho, serviu em amor até ofim, o que foi isso que o identificou como verdadeiro filho
  23. 23. digno de toda honra.*Josué Oliveira Gomes.Pastor na Igreja Betesda em Maceió.______Fonte:http://reavendoavida.blogspot.com.br/Postado por Lailson Castanha - às 12:43 3 comentários: Links para esta postagemMarcadores: Servo, soberanosegunda-feira, 13 de fevereiro de 2012ASPECTOS DA VONTADE DE DEUS. ASPECTOS DAVONTADE DE DEUS.Introdução.Lendo as Escrituras, em alguns momentos, nos deparamoscom passagens que não se mostram claras a nossapercepção. Na tentativa de elucidá-las, recorremos amanuais teológicos e comentaristas, principalmente,aqueles ligados a tradição teológica que mais nosaproximamos ou com que mais simpatizamos. Porém, nosmanuais em que pesquisamos, nem sempre alcançamosêxito em elucidar a questão em que nos deparamos. Porvezes as ideias apresentadas não satisfazem o nosso desejode ter o problema solucionado. Diante de tal situação,
  24. 24. podemos ser incitados a tomar algumas atitudes. A saber:1. Resignar-nos diante do problema não procurandosolucioná-lo.2. Buscar esclarecimento em outros manuais ecomentaristas, mesmo naqueles que desafiam o sistemateológico que abraçamos.3. Buscar nas próprias páginas das Escrituras umaexplicação à questão levantada.4. Buscar compreensão ao texto através de outros textosbíblicos e com o reforço de manuais teológicos ecomentários bíblicos.A adoção da primeira opção leva o leitor a se assemelhar aalguém que engole um alimento sem saboreá-lo. Ou seja,deixa de sentir o prazer de uma leitura compreendida. Lerum texto, e abandoná-lo sem a devida compreensão não éum gesto coerente de quem busca conhecimento. Asdemais atitudes mostram que o leitor tem interesse peloconhecimento ao buscar alternativas a fim de sanar oproblema que se levantou.As vezes alcançamos soluções a problemas bíblicos naspróprias páginas das Escrituras, porém, existem momentosem que sentimos a necessidade de nos valer de auxíliosinterpretativos para conseguirmos compreender um textoque não se mostra claro a nossa razão. Não são somentetextos que se mostram obscuros a nossa mente, por vezes,alguns termos fazem nossa mente trabalhar quase queinfecundamente em busca de compreensão para problemasque a adoção do termo engendra. Por exemplo, os termosabordados nas Escrituras como: eleição, predestinação,escolha, justiça, equidade, acepção de pessoas, etc. Sobreeles os diversos sistemas teológicos e filosóficos muitas
  25. 25. vezes apontam para soluções irreconciliáveis e distantesuma das outras. Problemas ainda maiores encontraremosse pensarmos na interpretação de algum texto bíblicousando termos não literalmente bíblicos, como: livre-arbítrio, graça irresistível, graça preveniente, etc. Lendo osmanuais, ou obras de grandes pensadores e comentaristas,encontramos informações interessantes sobre os termosainda obscuros. Por exemplo, o termo graça prevenientepode ser encontrado em Anselmo da Cantuária, Tomás deAquino, Jacobus Arminius e John Wesley. A abordagemde termos já desenvolvida pelos grandes pensadores ecomentarias pode contribuir para a nossa compreensão enos auxiliar na interpretação de textos que só farão sentidosomente com a adoção de alguns conceitos extra-bíblicos,porém, implicitamente bíblicos.Apesar da grande ajuda dos manuais e comentaristasbíblicos para uma maior compreensão das Escrituras eauxílio para a resolução de problemas encontrados emleituras bíblicas, muitas vezes conseguimos encontrar naspróprias páginas sacras soluções para os problemas quepodem surgir a partir da leitura das Escrituras. Assumindoessa possibilidade, faz-se necessário, buscar acompreensão do texto, tendo em vista a visão panorâmicadas Escrituras, ou interpretando cada passagem levando-seem consideração a coerência com os demais temasbíblicos. Com isso, nenhuma passagem deve serinterpretada isoladamente. Deve-se levar em consideraçãoo macroambiente bíblico.Por agora, faremos um esforço para compreender algumasquestões de ordem soteriológica surgidas a partir doexame bíblico, buscando respostas nas próprias páginasdas Escrituras.
  26. 26. 1. A questão da graça, eleição e da irresistibilidade dagraça.A questão da eleição e da livre escolha do homem temconturbado ao longo de séculos os debates teológicos.Apesar de as disputas em torno a temas soteriológicosserem mais brandas na hodiernidade, se comparado comas disputas travadas na ambiência medieval e tambémrenascentista ou mesmo na era das luzes, elas ainda sãointensas. Percebe-se com muita clareza a intensidade eatualidade desses temas na grande variedade depublicações editoriais e nos diversos sítios teológicos naInternet.Quando se fala em eleição, alguns sistemas teológicosprocuram definir esse termo se apropriando do termosoberania divina. Com isso, tencionam conceituá-lo comouma escolha direta e definitiva de Deus, e que, porconseqüência, não leva em conta a ação humana. Alémdisso, por conta de ser a eleição, uma escolha soberanaDeus, é sempre certo, pensam, que o eleito a receberá semrestrições e jamais fará resistência a ela. Ao comentarmossobre eleição, não podemos ignorar outro vocábuloimportante: a graça. Da mesma forma que a eleição é umaescolha soberana e absoluta de Deus a finalidade última desua graça, acredita-se, será absolutamente concretizada.Sendo a graça uma manifestação do favor de Deus aoshomens tendo por fim último a redenção e salvação eterna,segundo essa linha de pensamento, fica evidente o fato deque, aqueles que não alcançaram ou não alcançarão asalvação, jamais foram alvo do gracioso favor de Deus,pois, se Deus tencionasse salvá-los, logo, sendo soberano,seu desejo se concretizaria.
  27. 27. Como qualquer afirmação, essa asserção deve passar poruma investigação. Sendo a boa investigação construída apartir de indagações, iniciaremos nossa averiguação comalgumas perguntas.Será que os conceitos graça e eleição estão sempreimplicados nas Escrituras ao exercício de uma soberaniaabsoluta que elimina qualquer possibilidade de açõescontrárias a vontade de Deus?Em absoluto, as Escrituram negam que a vontade de Deuspode ser resistida, ou é possível encontrar indícios bíblicosque apontam para o fato de que Deus, em muitos casos,permite que sua vontade seja resistida?Comentávamos a pouco sobre a possibilidade deremovermos problemas que se levantam a partir da leiturade textos bíblicos, ou de termos, usando as própriaspáginas bíblicas para elucidá-los. Por exemplo, podemoscompreender as advertências que faz o apóstolo Paulo e oescritor da carta aos Hebreus, orientando os destinatáriosde suas epístolas a perceberem e compreenderem anecessidade de se manterem vigilantes na caminhadaespiritual, lendo o êxodo israelita do Egito à Canaã. Oapóstolo Paulo e o escritor da epístola aos Hebreusensinam o leitor bíblico a usar alguns textos doTestamento Antigo como figuras, ou sombras ou comoexemplos de coisas que poderiam nos ocorrer (1Co 10.11);(Hb 3.11). Tanto o apóstolo Paulo, no capítulo 10 daepístola aos Coríntios, tanto o remetente da epistola aosHebreus, nos capítulos 3 e 4, usam o fracasso do povo deIsrael no deserto e a falta de êxito da maioria que saiu doEgito na tentativa de entrar na Terra Prometida, comoexemplo e advertência aos destinatários de suas epístolas.
  28. 28. Assim adverte o escritor da epístola aos Hebreus:“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós umcoração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante otempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós seendureça pelo engano do pecado;Porque nos tornamos participantes de Cristo, seretivermos firmemente o princípio da nossa confiança atéao fim.Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Nãoendureçais os vossos corações, como na provocação.Porque, havendo-a alguns ouvido, o provocaram; masnão todos os que saíram do Egito por meio de Moisés.Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foiporventura com os que pecaram, cujos corpos caíram nodeserto?E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senãoaos que foram desobedientes?E vemos que não puderam entrar por causa da suaincredulidade.” (Hb 3.12 – 19)E continua:“Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa deentrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica paratrás.Porque também a nós foram pregadas as boas novas,como a eles, mas a palavra da pregação nada lhesaproveitou, porquanto não estava misturada com a fénaqueles que a ouviram.(...)Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para queninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.” (Hb4.1, 2 e 11)
  29. 29. Esta passagem bíblica ajuda-nos na elucidação dosconceitos bíblicos eleição e graça. Percebemos ao ler asadvertências que o escritor não leva em consideração apossibilidade de uma graça e eleição absolutas. Ele se valedos exemplos do passado, justamente por não se apegar aideia de eleição pessoal pré-determinada e graçairresistível. A advertência do rementente pressupõe, aexemplo dos israelitas, a possibilidade de um não alcanceda promessa por conta dos contados entre os escolhidos.Pode-se, sem forçar o texto, substituir Israel (que aqui éusado como figura) pela Igreja. Pode-se comparar o seuexemplo e as suas possibilidades com as da Igreja. Cadamembro da comunidade de Israel é um tipo, um arquétipode cada membro da comunidade da Igreja. Assim, como acada israelita foi-lhes prometida a Terra de Canaã, a cadamembro da Igreja, é prometido o acesso à JerusalémCelestial. Assim como individualmente muitos israelitasnão alcançaram a promessa, sendo que Israel a alçançou,mesmo a Igreja alçançando a promessa, muitos que estãocontados entre o resgatados não a alçançarão. (2Pe 2.2).Nas advertências dadas tanto por Paulo, como peloremetende da espítola direcionada aos Hebreus, percebe-seuma preocupação em poupar os crentes do extravio. Essapreocupação, destaca a possibilidade de crentes seperderem e apesar disso, não existe o desejo por parte dosapóstolos de que se percam. Se os apóstolos eram homensinspirados por Deus, logo, podemos pensar que o desejoque deixaram explícito, implícito em seus cuidados, deque aqueles que poderiam cair, não caíssem, também era odesejo do Senhor. E, se o era o desejo de Deus, que oscrentes não caíssem, fica evidente através da advertênciados apóstolos, de que crentes os quais Deus não deseja quecaiam, cairão. Logo podemos pensar, com base bíblica,
  30. 30. que nem toda vontade de Deus é estabelecida. É sobre essaquestão que por agora abordaremos.2. Vontade absoluta e vontade flexível de Deus.É consenso entre boa parte de grupos cristãos o juízo sobresoberania de Deus. Apesar de o pensamento a respeito dasoberania ser aceito por boa parte dos cristãos, aconceitualização ou noção dessa ideia não é tãohomogênia. Enquanto boa parte dos cristãos implicamsoberania divina em total e absoluto domínio sobre todosos eventos, outra parte não envolve o conceito desoberania de Deus na ideia de domínio absoluto.Apesar de alguns textos parecerem corroborar a tese deque um Deus soberano tem sua vontade cumprida sobretodos os aspectos, a visão holística das Escrituras nãoatesta esse pressuposto. Podemos perceber nas Escriturasaspectos distintos da vontade de Deus, a saber:Vontade absoluta, vontade última ou vontade definitiva.Podemos tratá-la também como vontade estrita; ou comqualquer termo que denota determinação rigorosa eirremovível.Vontade flexível, vontade condicional ou vontade nãoabsoluta. Podemos tratá-la também com qualquer termoque denota condições; (p.ex.: liberdade sob condições, ousalvo se; uma vez que, conquanto que...)A afirmação de Jó nenhum dos seus planos podem serfrustrados (Jó 42.2) está relacionada ao aspecto absoluto,estrito, exato da vontade de Deus. Ele fala sobre a vontadeúltima de Deus que não sofre interferências nem mesmodo próprio Deus. Quando Moisés afirma que Deusprometeu uma terra ao povo de Israel e o apóstolo Pedro
  31. 31. afirma que a Igreja é a nação Eleita - relacionamos odesejo de Deus em dar a Terra Prometida a Israel e deeleger a Igreja como seu povo Santo a vontade definitivade Deus, ou seja, é um desejo definitivo e isso significadizer que nada mudará esse seu desejo e, por conseguinte,ele se realizará. Porém, o desejo de Deus, de que,exatamente, todos sejam salvos, tanto a totalidade deIsrael, quanto da igreja está relacionado a vontade flexívelde Deus, não sendo apresentado como vontade rigorosa.Quando lemos “Quantas vezes eu quis reunir os seusfilhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo dassuas asas, mas vocês não quiseram” (Mateus 23.37)percebemos claramente a vontade flexível de Deus. Deusgostaria que seu povo acolhesse seu desejo, porém,permitiu que o povo exercesse seu livre arbítrio para nãoacolher a sua vontade.A vontade Flexível de Deus ainda pode ser percebida nasseguintes passagens:“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.”(João 1.11).“Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe nãotenha feito? Por que, esperando eu que desse uvas boas,veio a dar uvas bravas?"(Is 5.4).“Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma sementeinteiramente fiel; como, pois, te tornaste para mim umaplanta degenerada como vide estranha?” (Jeremias 2:21).“Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração eouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vóssois como vossos pais.” (At 7.51)Percebe-se nas passagens bíblicas citadas que apesar do
  32. 32. desejo de Deus e de seu empenho em torná-lo concreto,sua vontade não foi realizada. Ele deseja, porém, não fezde seu desejo um imperativo categórico.2. 1. Visão holística da vontade flexível de Deus nasEscrituras.Interpretando cada passagem bíblica levando emconsideração a integralidade holística das Escrituras, commuita clareza perceberemos a realidade de um Deus queem muitas situações manifesta vontades flexíveis,vontades que em muitas situações podem ser resistidaspelo homem.O Antigo Testamento ilustra-nos com muitos fatos edetalhes a relação flexível entre Deus e Israel. Narra-nosas calamidades e os castigos sofridos pelo povo israelitapor conta dos seus constantes e intencionais desvios dopropósito de Deus. Conta-nos também, a trajetória deprofetas humilhados pelo povo, que insistia em rejeitar amensagem de Deus, e a consequente punição de Deuscontra aqueles que o resistiam e o desobedeciam. Diantedisso, podemos questionar: se Deus punia aqueles que lhesdesobedecia, sua vontade pode ser considerada flexível?Se pensarmos por vontade flexível como a aceitaçãopassiva e resignada a toda e qualquer manifestaçãocontrária, a afirmação faz sentido. Porém, se entendermoso termo vontade flexível, como permissão a resistibilidadeda vontade, a objeção não se mantém.Apesar do desejo de Deus, muitas de suas orientações nãoforam acolhidas. A própria aproximação de Deus com opovo de Israel, firmada por uma aliança, deixa-nos bemclaro a realidade da vontade flexível de Deus, pois opróprio conceito de aliança evidencia a possibilidade de
  33. 33. desacato, ou seja, a possibilidade da quebra do pacto ou daaliança, como bem esclarece Dr. Vic Reasoner em seuartigoAn arminian covenant theology (Uma teologiaarminiana do pacto). (1)Como já destacamos, não é necessário maiores esforçospara perceber nas Escrituras a vontade flexível de Deus.Por tão explícita, dispensa-nos do trabalho de rigorosas ediretas citações textuais, bastando-nos lembrar queconceitos como prêmio, ameaça, punição, quandopronunciados na relação Deus e homem só fazem sentidodiante da vontade flexível, pois, se toda vontade de Deusfosse vontade absoluta, logo seu desejo seria por si só,concretude, dispensando prêmios, ameaças e punições,que pressupõem, respectivamente, obediência edesobediência voluntária.Em poucas palavras tentamos esclarecer a realidade davontade flexível de Deus, mostrando biblicamente que hádesejos de Deus que não são integralmente realizados,porém, não podemos nos dar por satisfeitos deixando detratar biblicamente o também bíblico, conceito de vontadeabsoluta de Deus. Doravante, é sobre essa questão queiremos abordar.2.2. Visão holística da vontade absoluta de Deus nasEscrituras.Se as Escrituras atestam como fato de que é possível quealgumas vontades de Deus não se realizem, o que significadizer, que existe uma disposição em Deus em permitir quealgumas de suas vontades sejam resistidas, ou seja, queexiste o que tratamos como vontade flexível de Deus, issonão significa, ou melhor, está longe de significar que emDeus não existe vontade absoluta, ou em outras palavras,
  34. 34. vontade definitiva ou rigorosa. Sim, as Escrituras tambémapontam para a realidade de uma vontade absoluta deDeus, uma vontade que pelo seu caráter não poderá deixarde se realizar.Nas Escrituras vemos em várias passagens o fato de Deusfirmou uma aliança com alguns homens ou povos. Porexemplo, a partir de Abraão, através de uma aliança, Deusestabeleceu um pacto com os patriarcas estabelecendo quesuas sementes seriam abençoadas entre todas as nações daterra. À Abraão, Deus prometera que ele sereia pai denações, e em Isaque, seu filho estabeleceria uma aliançaperpétua para a sua descendência e depois dele (Gn17:19). Reafirmando o pacto, através de um anjo disse oSenhor a Abraão:Que deveras te abençoarei, e grandissimamentemultiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus,e como a areia que está na praia do mar; e a tuadescendência possuirá a porta dos seus inimigos;E em tua descendência serão benditas todas as nações daterra; porquanto obedeceste à minha voz. (Gn 22. 17,18)Podemos observar, que o pacto entre Deus e Abrão, só foiefetivamente firmado porque ele se comportou da maneiraem que Deus desejava, ou seja, Abraão obedeceu sua voz.A partir daí, a aliança finalmente é firmada. A partir daobediência do patriarca, ficou estabelecido que através desua descendência todas as nações da terra seriam benditas.Quando Deus refaz a promessa a Isaque, filho de Abraão,de que ele teria uma numerosa descendência que iriapossuir terras, e que através dela, os demais povos seriamabençoadas, ele coloca como lembrete que a benesse queele herdará é uma confirmação de seu juramento à Abraão,
  35. 35. porquanto, disse Deus: “Abraão obedeceu à minha voz, eguardou o meu mandado, os meus preceitos, os meusestatutos, e as minhas leis.” (Gn 26.5)Quando observamos a aliança, passamos a conhecer seustermos, regras estabelecidas das quais os patriarcas e suadescendência deveriam seguir. A aliança deveria serguardada, deveria ser observada, como bem podemosobservar:Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e atua descendência depois de ti. (Gn 17.10)Continuando a odisséia patriarcal, chegamos a Jacó, que setornaria Israel. Mais uma vez Deus relembra de suaaliança, agora destacando que essa promessa está ligada aaliança estabelecida com Abraão e Isaque.Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te;uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reisprocederão dos teus lombos;E te darei a ti a terra que tenho dado a Abraão e a Isaque, eà tua descendência depois de ti darei a terra. (Gn 35.11,12).Em um dado momento, já sob a liderança de Moises, Deuspropõe o extermínio do povo para fazer de Moises umagrande nação. Diante dessa proposta, o Israelita que viveuno Egito afirma:Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, os teusservos, aos quais por ti mesmo tens jurado, e lhes disseste:Multiplicarei a vossa descendência como as estrelas doscéus, e darei à vossa descendência toda esta terra, de quetenho falado, para que a possuam por herança
  36. 36. eternamente. (Êx 32.13)Por mais que Deus partisse do zero, fazendo de Moisés paide uma grande nação (Ex 32.10), não estaria quebrandosua aliança com os patriarcas, pois Moisés, filho de Anrão,tinha por raiz Levi, portanto filho de Israel. Porém,independente disso, lutando pela continuidade dos filhosde Israel ele evoca a aliança de Deus estabelecida com ospatriarcas Abraão, Isaque e Israel.Por que recorremos à odisséia patriarcal de Israel numtópico que visa demonstrar biblicamente a realidade davontade absoluta de Deus?Na evocação de Moises à Aliança Patriarcal – percebe-seclaramente a vontade absoluta de Deus que jamais serádesfeita. Recorrendo a Aliança, Moisés tinha essa ideiacomo pressuposto. Ou seja, se Deus prometeu firmandosua promessa através de uma aliança, essa promessa serácumprida. Como vontade absoluta de Deus vê nesse pacto,que um povo deveria ser estabelecido sendo o abençoadorde todas as nações. A culminância da aliança já estácumprida em Jesus Cristo, filho de Judá, luz para arevelação aos gentios e para a glória do teu povo deIsrael.(Lc 2. 32).Sem nenhuma dúvida – a vontade de Deus estabelecidacomo promessas jamais será desfeita. Esse é um dos traçosda vontade absoluta que podemos compreender. O queDeus prometeu será; Sua palavra de é irrevogável.3.0 Harmonizando os conceitos.Apesar do uso de termos complexos que tentam teorizar avontade de Deus, não existe em Deus uma desarmonia de
  37. 37. sentimentos. Não há em Deus um aspecto que se separa dotodo. Tudo em Deus está em harmonia com seu caráteramoroso, justo, reto e santo. Nada em Deus é dissociado,Ele não pode negar-se a si mesmo.Os conceitos abordados servem apenas para entendermosque apesar de que nem tudo está rigidamente estabelecidonada está fora do controle de Deus. Com isso queremosdizer, que até a desobediência a sua vontade ocorre porsua permissão, instaurada por uma vontade prévia deestabelecer com sua criação um relacionamento verdadeirobaseado no amor, que dispensa o domínio sobre a vontadedo outro.Não existe choque de vontades. A vontade absoluta deDeus será e sempre será, e a sua vontade flexível ocorrerásob certas condições que Ele mesmo absolutamentedesejou. Por exemplo, desejou que todos se salvassem,porém, absolutamente desejou que só se salvariam pela fé,em Cristo Jesus.Pode parecer contradição o fato de que alguns de Israelnão herdarem a Terra prometida, ou seja, não receberemas bênçãos da posse de terras, prometido aos patriarcas anação que sairia de suas sementes. Porém não é umacontradição, vemos aqui a dualidade harmônica davontade de Deus. Percebemos que sua vontade absolutafoi estabelecida, ou seja, uma nação, da semente dospatriarcas herdou Canaã. Porém, apesar da vontadeabsoluta, vemos a restrição, em todos participariamindividualmente da alegria da posse da Terra. Apesar dodesejo de salvar o povo (Ex 6.8), cada indivíduo aexemplo dos patriarcas deveria observar a aliança para nãoviolá-la. Os que violaram não herdaram. Apesar da
  38. 38. vontade de Deus de que entrassem - essa vontade não eraabsoluta, seria concretizada pelos mesmos termos queDeus estabeleceu ao patriarca Abraão, ou seja, aobediência (Gn 26.06).O mesmo ocorre com a Igreja. Deus estabeleceu que aIgreja, a nação santa, a raça eleita, alcançaria a Jerusalémcelestial. Esse estabelecimento é a vontade absoluta deDeus, porém, isso não significa que todos que participamdela, alcançarão, mesmo sendo vontade de Deus. Essavontade é uma vontade flexível para que seja realizadaintegralmente, faz-se necessário que as partes cumpram ostermos estabelecidos. (Ap 2.5; 3.20).Conclusão.Antes de concluir nossa linha argumentativa, não podemosdeixar de explicitar nosso limite em relação aoconhecimento. Tudo o que falamos são conjecturas, talvezdesenvolvidas como fruto da influenciem da culturaocidental, que após os gregos, a tudo tenta sistematizar.Somos filhos dessa herança. Porém, não podemos fazerdessa sistematização uma verdade absoluta. Não devemosde forma alguma nos arrogar alcançadores da realidade,pois como Paulo - percebemos que “agora vemos porespelho em enigma, mas então veremos face a face; agoraconheço em parte, mas então conhecerei como tambémsou conhecido. “(1 Co 13.12).Em sintonia com o apóstolo, apesar de, como filhosculturais da Grécia, conjecturarmos e especularmossabemos que tudo o que conceituamos enquanto não forrealmente esclarecido, está no campo apenas hipóteses esob essa realidade nos mantemos humildes, sabendo quenosso entendimento e a adoção dele não é fundamental
  39. 39. para a vivência de uma vida cristã autentica. Mas, mesmodiante dispensabilidade de nossa visão, por outro lado, nãodevemos negar a satisfação de nossas dúvidas e de nossacarência pelo conhecimento. Crendo que Deu dará a cadaum segundo as suas obras, entendo que se fartará derespostas aquele que muito pergunta sobre Deus e suarealidade tendo como norte as Escrituras e como impulso amente, sempre sintonizada com o Espírito Santo, quegradualmente nos levará ao fundamento da verdade.Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor eSalvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assimagora, como no dia da eternidade. Amém. (2 Pedro 3:18)Lailson Castanha______(1) http://teologiaarminiana.blogspot.com/2009/01/uma-teologia-arminiana-do-pacto.htmlGravura: Cristo Bizantino, mosaico do século XII, na catedral de Palermo, originário da catedral de Cefalu.Postado por Lailson Castanha - às 05:13 2 comentários: Links para esta postagemMarcadores: vontade de Deussegunda-feira, 16 de janeiro de 2012Os planos de Deus podem ser frustrados? Os planos de Deus podem serfrustrados?Márcio Rosa da Silva*Será que é possível frustrar algum plano de Deus? Será
  40. 40. que é possível Deus desejar algo para alguém e isso nãoacontecer? Será que os planos de Deus podem serfrustrados? A resposta é sim. A Bíblia está cheia de relatosde algo que Deus desejou para alguém, mas aquilo acabounão acontecendo.Alguém pode objetar perguntando‫ ׃‬Mas Deus não temtodo o poder? É evidente que sim, mas a vontade de Deusnão se impõe pela força e sim pelo amor.Uma vez, Jesus contemplou Jerusalém e disse: “Jerusalém,Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os quelhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seusfilhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo dassuas asas, mas vocês não quiseram” (Mateus 23.37). Ora,esse texto deixa bem claro que o Senhor quis algo para osseus filhos, mas eles não quiseram. Frustraram os planosde Deus para eles naquele momento.Ou acreditamos que Deus realmente nos dá liberdade,inclusive de rejeitá-lo, ou de fato não há liberdade algumae somos marionetes, sem nenhum poder de decisão.O que vejo na Bíblia é um Deus amoroso, sempretomando a iniciativa, sempre nos cercando, mas sempreesperando, nunca se impondo. Quando nos voltamos paraele, a esperança de Deus se concretiza, quando orejeitamos, sua esperança fica frustrada.Por isso que a figura do pai do filho pródigo é tãoimportante para mostrar o caráter de Deus. Que libera ofilho rebelde, mas está sempre esperando sua volta, equando ele volta, o recebe com festa.Assim é Deus, ele espera ser amado por quem ele é, não
  41. 41. porque ele nos obriga. Se ele nos obrigasse a amá-lo esseamor não teria valor algum, porque amor sem liberdadenão é amor. Amor com base na força e na ameaça não éamor. Amor com base no medo não é amor, porque noamor não há medo.Pensemos juntos: será que é plano de Deus que um jovemdestrua sua própria vida nas drogas? Que uma jovemvenda seu corpo, se prostituindo pelas ruas? Será que Deusdeterminou que um criminoso estuprasse e matasse umacriança inocente? Isso era plano de Deus? Claro que não!O plano de Deus, o desejo de Deus é que toda pessoa oconheça e desfrute do seu amor. O plano de Deus é que apaz e a justiça sejam estabelecidas na Terra. O chamadode Deus é que queiramos ser participantes de seus planos,para que estes não restem frustrados.Por mais que haja pessoas que frustrem os planos de Deus,agindo muito diferente daquilo que ele espera e deseja,creio que sempre haverá pessoas que compartilharão dossonhos de Deus e serão parceiros dele no estabelecimentode seu Reino. Espero estar fazendo parte desse grupo depessoas.*Márcio Rosa da Silva:Casado com Viviane.Pastor na Igreja Betesda da cidade de Boa Vista, Estado de Roraima.Formado em Direito.Membro do Ministério Público do Estado e professor de Direito em Boa Vista.Gerecia o Blog Inquietações de um aprendiz noendereço: http://marciorosa.wordpress.com/
  42. 42. Foto: Marcio Rosa da Silva.______Fonte: http://marciorosa.wordpress.com/2009/03/21/os-planos-de-deus-podem-ser-frustrados/#comment-667Postado por Lailson Castanha - às 13:31 3 comentários: Links para esta postagemMarcadores: Os planos de Deus podem ser frustrados?quinta-feira, 29 de dezembro de 2011A DIVERSIDADE DA SOTERIOLOGIAARMINIANA. A DIVERSIDADE DA SOTERIOLOGIAARMINIANA.THOMAS GRANTHAM, JOHN GOODWIN, E, JACOBUSARMINIUSDe J. Matthew PinsonIntroduçãoThomas Grantham, o mais ilustre Batista Geral inglês dasegunda metade do século dezessete, é o representante porexcelência da Teologia Arminiana Batista, combinando asoteriologia clássica arminiana com uma uma visãodistintamente Batista da igreja e Estado.(1) Dizer, noentanto, que Grantham ou a soteriologia Batista Geral era
  43. 43. arminiana, exigiu muita análise não porque diferia muitoda soteriologia do próprio Arminius, mas por causa daforma que a teologia arminiana tomou, no início do séculoXVII e nos séculos que se seguiram. Um estudo dasoteriologia de Grantham serve não só para nos permitirentender as nuances dessa corrente única da teologiaBatista Arminiana, mas também ajuda-nos a compreendera diversidade do Arminianismo (ou, como alguns dizem,“Arminianismos”) como um fenômeno teológico. Estudaro Arminianismo de Grantham, no contexto de toda ateologia arminiana anterior a ele seria uma tarefa difícil.Mas para examiná-lo no contexto de um representativoarminiano inglês no meio século que precedeu Grantham,serviria pelo menos a dois propósitos: descobriria nãosomente a posição intermediária original de Granthamentre o Calvinismo ortodoxo e o que veio ser conhecidocomo o Arminianismo desde a época de Arminius, mastambém, serviria como um ponto de partida para o examedo Arminianismo doutrinal no século dezessete eseguintes. Este estudo será composto por uma exposiçãoda soteriologia de Grantham com referênciaprincipalmente à John Goodwin (morto em 1665), oarminiano independente, e Jacobus Arminius (morto em1609), o primeiro arminiano.(2)Thomas Grantham: um Esboço HistóricoThomas Grantham nasceu em 1634 em Halton, perto deSpilsby, em Lincolnshire oriental, filho de agricultor ealfaiate.(3) Grantham ganhava a vida, como seu pai, comoalfaiate e agricultor. Grantham lembrou que o "Senhoroperou fé e arrependimento" em seu coração quando eletinha cerca de catorze ou quinze anos de idade, e aosdezenove anos (1653), juntou-se a uma pequena Igreja
  44. 44. Batista Geral em Boston, Lincolnshire, sendo batizado porimersão, como era costume dos Batistas Gerais desdeaproximadamente 1640. Três anos depois, em 1656,Grantham foi escolhido como pastor, que o implicou napregação em sua própria cidade, bem como nas aldeiasvizinhas. Esta atividade trouxe a perseguição sobreGrantham e outros.Em 1660, após a restauração da monarquia, Grantham eum irmão, Joseph Wright, apresentou um apelo àtolerância ao rei Charles II. Este fundamento incluía umadeclaração de lealdade Batista Geral à coroa, assim comouma confissão de fé, que mais tarde ficou conhecida comoa Confissão Standard, 1660. (Grantham posteriormentereeditou com anotações seu Christianismus Primitivus). Acoroa não foi receptiva, e muitos líderes Batistas Geraislogo se viram aprisionados. O próprio Grantham estevedentro e fora da prisão durante os anos 1660, queocasionou o seu tratado, The Prisoner Against the Prelate(1662) - (o Prisioneiro contra o Prelado).Em 1666 ele foi eleito um mensageiro “peloconsentimento de muitas congregações, e ordenado, pelosque estavam no mesmo ofício antes [dele],” em essênciaum pregador itinerante que recomendaria e ajudaria nosnegócios de igrejas locais.Grantham, em seguida, começou a estabelecer-se comoum autor, debatedor, e panfletário. Ele rebateu católicosromanos, conformistas, Quakers, Presbiterianos, e osBatistas Particulares, e ganhou uma reputação como comoum orador capaz e articulado para os Batistas Gerais. Suaobra mais monumental foi Christianismus Primitivus, ou,a antiga religião cristã, publicado em 1678, da qual o
  45. 45. historiador da igreja Adam Taylor disse: ". A partir daaprovação universal que recebeu, [ele] pode serconsiderado quase que um documento público" Nestetrabalho em maciço, Grantham apontou a restauração docristianismo primitivo, que segundo ele havia sidoabusado e negligenciado durante séculos. Como outrasobras de Grantham, Christianismus Primitivus é o produtode um teólogo bem lido que citou numerosos autorescontemporâneos, mas que se baseou principalmente naBíblia e nos primeiros pais cristãos.O trabalho de Grantham como autor, mensageiro, eplantador de igrejas fizeram dele o líder mais importanteda Batista Geral na segunda metade do século XVII, e,igualmente, ganhou o respeito de muitos, fora dacomunidade Batista Geral. Morreu janeiro no dia 17 deJaneiro de 1692. Grantham seria enterrado na jarda dacatedral do St. Stephen em Norwich. Após rumores de queo corpo seria desenterrado, John Connould, o vigário deSt. Stephen, que com Grantham havia debatido e setornardo amigo, sepultou o corpo de Grantham “antes doWest Doors, no Middle Aisle” do edifício. Connouldconduziu o serviço de enterro. Uma placa na capela doBatista Geral em Norwich contém a seguinte inscrição:Quando no fechamento do livro ele [Connould] adicionouEste dia um grande homem caiu em nosso Israel:Após a sua discussão epistolar em sessenta cartas,terminadasAquele Vigário muito erudito conservou,A mais alta estima e amizade por ele enquanto vivo,E foi por seu próprio desejo enterrado por ele, MaioMDCCVIII.
  46. 46. A Forma da Teologia de GranthamA Teologia de Grantham pode ser exatamente descritacomo arminiana porque era quase idêntica à soteriologiade Jacobus Arminius. Mas Grantham não gostava dorótulo "arminiano", assim como ele não gostava do títulode "anabatista", não porque ele era antipático a qualqueruma destas posições doutrinais, mas por causa de asconotações negativas ligadas a esses nomes. Enquanto"anabatista" evocava imagens de revolucionáriosdesvairados em Munster, "arminiano" invocava noções desemi-pelagianismo (se não pelagianismo definitivo), obrasde justiça, sinergismo, romanismo, o racionalismo, emesmo socinianismo. Grantham lamentou ter sido acusadode pregar "Arminianismo, a vida e a alma dopapado,contudo, em outro lugar em uma polêmica contraas "Doutrinas perigosas e ímpias da maneira de Calvino",ele afirmou a pureza "da doutrina dos chamadosarminianos, concernente aos atos pecaminosos doshomens ".(4)Gantham havia lido calvinistas contemporâneos e muitosteólogos arminianos, incluindo John Goodwin, mas suasoteriologia Batista Geral foi a única entre os pensadoresde sua época. Grantham diferia dos calvinistas em suadoutrina da eleição, a extensão da expiação, aresistibilidade da graça e da perseverança dos santos.Sobre estes assuntos, ele concordou com seuscompanheiros arminianos. No entanto, ele diferiasubstancialmente com os seus homólogos arminiano sobreas doutrinas do pecado e da depravação, incapacidadehumana, a natureza da expiação e da justificação mediantea fé e a perseverança dos santos. Granthamestridentemente evitou um semi-pelagianismo que tira o
  47. 47. foco da graça soberana de Deus colocando-o como méritopróprio da humanidade. Daí ele diferia da teologiareformada tradicional em sua visão da predestinação e daresistibilidade de graça, mas não em sua compreensão decomo a redenção é realizada por Deus em Cristo eaplicada ao crente.Uma comparação entre Grantham e o Calvinismo e as suasdiferenças com o Arminianismo de seus dias desafia asclassificações artificiais, geralmente atribuídas a posiçõessoteriológicas protestantes e dá uma visão sobre ascomplexidades do pensamento soteriológico no período dapós-reforma. Consequentemente, eles se move para alémdo debate simplista "calvinismo-arminianismo" tantasvezes discutidos em estudos da teologia histórica.John Goodwin: Um esboço históricoA particuliaridade da soteriologia Grantham se torna maisevidente quando comparada com a do mais conhecidoinglês arminiano, John Goodwin. Embora Grantham eGoodwin fossem ambos conhecidos como arminianos,eles se distanciavam em muitas questões. Grantham foimais radical do que Goodwin em matéria de eclesiologia,porém Goodwin se moveu muito mais da ortodoxiacalvinista do que fez Grantham. Goodwin foi o principaldefensor do que tem sido referido como o "NovoArminianismo" ou "Arminianismo Radical" que seenraizou durante a época de Cromwell. Embora algunsestudiosos têm assumido que a soteriologia Goodwinexerceu grande influência sobre outros sectáriosarminianos, como os Batistas Gerais, uma comparação dopensamento de Grantham e Goodwin demonstra aimprecisão deste pressuposto.(5)
  48. 48. Goodwin foi educado no Queens College, Cambridge, etinha em 1633 tornado-se vigário de St. Stephen, ColemanStreet, Londres. Por esta altura, Goodwin tornou-seindependente, sob a influência de John Cotton, e do seupúlpito de Santo Estêvão, Goodwin proclamou seuevangelho de inconformismo combinado com oArminianismo. Precisamente quando anti-calvinismoabraçado por Goodwin tornou-se uma questão de debate,seu magistral Imputatio Fidei (1642) traiu a compreensãode expiação e justificação movendo-se em grandedistância da ortodoxia reformada e até além de próprioArminius - sendo muito semelhante ao de Hugo Grotius.Se Goodwin não era um arminiano pleno quandoescreveu Imputatio Fidei, ele certamente foi tratado assimpelos calvinistas mais estridentes do período. Na verdade,Thomas Edwards, em seu Gangraena (1646), descreveuGoodwin como "um sectário monstruoso, um composto desocinianismo, Arminianismo, antinomianismo,indepedência, papado e de ceticismo." De qualquer forma,Goodwin delineou um anti-calvinismo totalmentedesenvolvido - na sua obra 1651, Redemption Redeemed.Goodwin é mais conhecido como um polemista, emmatéria não só teológica e eclesial, mas também política.Como disse o historiador Edmund Calamy, Goodwin "eraum homem só, foi contra todos, e tinha todos contra ele".(6) A posição eclesiológica de Goodwin foi radical osuficiente para resultar na expulsão de seu ambiente emmaio 1645 por se recusar à administrar o batismo decrianças indiscriminadamente (embora tenha continuado aservir uma congregação que se reunia na Coleman Street).Seus pontos de vistas políticos foram talvez ainda maisradicais. Estes pareceres foram refletidos em obrascomo Anti-Cavalierisme (1642) e Ossorianum (1643), que
  49. 49. atacou o direito divino dos reis. Ele era um defensorrigoroso de Cromwell, e aplaudiu Pride‟s Purge naobra Right and Might Well Met, em 1648. Por causa de suaafiliação política, Goodwin foi preso em junho de 1660,mas logo foi indenizado. Goodwin continuou a suaatividade como pregador vibrante e escritor prolífico atésua morte em 1665.Grantam sobre o pecado original, depravação e aincapacidade humanaA visão de Grantham sobre o pecado original e adepravação era a que tinha sido articulada pelos mestresreformadores, bem como por Arminius. Arminius tinhadito (ao contrário da crença popular) que todo ser humano"já existia em Adão, e [foi] por [Adão] envolvido empecado e culpa" e que "todo este pecado [original]. . . nãoé peculiar aos nossos primeiros pais, mas é comum a todaa raça e de toda a sua posteridade, que, no momento emque este pecado foi cometido, estavam em seus lombos, eque desde então, desce com eles pelo modo natural depropagação ". (7) Esta é essencialmente a visão deGrantham sobre o pecado original. Grantham acreditavaque toda a humanidade pecou em Adão, e que o pecado deAdão foi atribuído a toda a raça humana. Ele articulou:que o pecado da humanidade ou é original ou real(existente). O primeiro há de vir sobre todos, mesmo oestado muito infantil humanidade estão sob ele, dos quaisverdadeiramente diz em Rm. 5.(v.14) Eles não pecaram àsemelhança da transgressão de Adão. A Morte aindareinante sobre eles, prova a transgressão de Adão à sersobre eles. Esta é a raiz do pecado, chamado de pecado doMundo, João 1,29, do qual ninguém está livre .... Podemos
  50. 50. também dizer, Nosso Pai pecou, e nós carregamos suainiquidade .(8)Assim, o pecado original consiste na transgressão de Adãosendo imputada a toda a humanidade, o resultado final éque nenhum ser humano é livre da "raiz" do pecado eculpa de Adão. Em outro lugar, respondendo a quem disseque sua doutrina da salvação infantil era uma negação dopecado original, Grantham, declarou: "Eu não nego opecado original, pois eu sei que há de vir à todaposteridade de Adão, e que a morte passa sobre eles,porque todos pecaram nele ".(9)Não só a humanidade é culpada do pecado original em si,mas o pecado original, para Grantham, é a raiz que faz ahumanidade totalmente depravada e morta no pecado e,portanto, incapaz do desejo de realizar as coisas de Deussem o auxílio divino. Na seção sobre a depravaçãoem Christianismus Primitivus, Grantham diz:"Nem é conveniente atenuar ou diminuir este pecado[original], quer na sua natureza, ou na punição que trazcom ela; Ele que é, de fato filum certissimum, ou fiocondutor de todas outras iniquidades da humanidadelevando-a a ser corrupta, e, sem a misericórdia daintervenção de um Salvador, totalmente privada da glóriade Deus. E, portanto, encontramos Davi, quandoreclamava de seu estado pecaminoso, olha de volta parasua corrupção original, Sl. 51.5. Eis que eu nasci eminiquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.Sabendo (como se diz) não pode vir uma coisa pura deuma coisa imunda." (10)O pecado original é a raiz ou o fio de todos os outrospecados e traz a corrupção e depravação sobre a alma
  51. 51. humana, certamente, a privação da glória de Deus, e,finalmente, exceto na intervenção da misericórdia doSalvador, a morte eterna. O resultado do pecado original,para Grantham é uma depravação, que é total e completa.O ser humano é depravado, desgraçado, e totalmentecorrupto, incapaz de se subordinar à vontade de Deus. "Avontade do homem", diz Grantham, está corrompida e,como tal, é feita a regra de suas ações." Granthamardentemente discordou com a doutrina de que a razãohumana não é caída. Embora Deus deseja que a vontadehumana deva estar sujeita à razão e à lei de Deus, "oshomens são movidos pelo impulso de seus desejos, semlevar em conta a vontade de Deus, ou princípios racionais,como regulado pela Vontade de Deus."(11) Embora asdoutrinas Grantham do pecado original e da depravaçãoresultante da humanidade são, basicamente, reformadas eem concordância essencial com Arminius, elas diferemradicalmente do Arminianismo Inglês de sua época, bemcomo do Arminianismo mais tardio, o que revela umanotável saída, da "Teologia Reformada Arminiana" deArmínius.Goodwin sobre o Pecado Original, depravação e aincapacidade humanaGoodwin não deriva tanto da costa Reformada comoalguns arminianos antes e depois dele (na verdade, suateologia era bastante conservadora comparada a de algunsarminianos do século XVII), mas ele, no entanto, partiu dopensamento reformado na sua compreensão sobre aimputação do pecado de Adão. Em seu Imputatio Fidei,Goodwin afirmou inequivocamente que o "pecado deAdão, em nenhum lugar nas Escrituras, é dito serimputado à sua posteridade. (12) Ele continua, "as
  52. 52. Escrituras, onde quer que fala de pecado Adão, e a relaçãodele com sua posteridade, abstém-se totalmente do termoimputação, ou qualquer outra palavra ou frase nestaargumentação de significação semelhante.” (13) Apesar deGoodwin não negar que a posteridade de Adão estava emAdão quando ele cometeu o seu pecado, ele esclarece que"pecado de Adão, se relaciona ou tem referência a suaposteridade, em matéria de poluição e corrupção". (14)O que é confirmado da carne (corrompida e enfraquecidapelo pecado) é (pelo curso da natureza, para a qual opróprio Deus justamente consentiu) carne, uma criaçãoou coisa da mesma natureza pecaminosa e fraca e nacondição dela .... O Apóstolo em Rm. 5.19. expressamenteafirma, que pela desobediência de um só (o que significaAdão) muitos foram feitos pecadores: não pela imputaçãodo ato de seu pecado à eles. . . mas se corrompendo econtaminando-se a si próprio, em virtude da qual, todosque são nascidos de uma forma de dissidência natural epropagação, devem necessariamente ser pecadores. (15)A teoria Goodwin sobre o pecado original é única em suaalegação de que, embora a humanidade pecou em Adão,não tinha, como Grantham declarou: "carregado suainiquidade." A razão para essa interpretação parece ser apreocupação de Goodwin para criar uma disjunção entre ométodo da formação de alguém pecador e o método do serredimido: "Embora a justificação e salvação veio aomundo por Cristo o segundo Adão, à condenação e àmorte veio pelo primeiro Adão, ainda existem muitasconsiderações e circunstâncias diferentes, entre o ir etrazer a salvação por um e de condenação pelo outro ".(16) Goodwin gasta uma grande quantidade de tempo emdetalhes, mas o resultado final de sua doutrina do pecado é
  53. 53. algo menor do que a depravação total de que trataram osreformadores. Embora as diferenças entre Grantham e asdoutrinas Goodwin sobre o pecado original e depravaçãopode parecer sutis, os contrastes entre os dois sobre anatureza da redenção-expiação e justificação são gritantes.Grantham sobre a Expiação e JustificaçãoDesnecessário será dizer que Grantham e Goodwin, comoarminianos, detiveram-se com paixão a uma expiaçãogeral; esse tema ressoa durante todo o trabalho de ambos.No entanto, as diferenças cruciais surgem com relação ànatureza da expiação e, consequentemente, a natureza dajustificação. Grantham novamente se alinha com osreformadores e com Arminius. Como os reformistas e comArminius acreditava que Deus deve punir o pecado com amorte eterna, a menos que alguém satisfizesse a exigênciada total retidão. Deus é retratado como um juiz que devesentenciar indivíduos à morte eterna, se não atender suasexigências justas. Na típica maneira reformada, Arminiusemprega a analogia de "um juiz que faz uma estimativa emsua própria mente da ação e do autor da mesma, e deacordo com essa estimativa forma um juízo e pronuncia asentença". (17) A sentença proferida ao pecador que nãopode cumprir as exigências da justiça de Deus é a morteeterna. No entanto, uma vez que ninguém tem essa justiça,deve ser originária de outra pessoa. Ela só pode vir deCristo, que sofre a penalidade do pecado na cruz, pagando"o preço da redenção dos pecados pelo sofrimento e apunição devida a eles". (18) Para Armínio, essa ênfase najustiça não milita contra a misericórdia de Deus, comoalguns arminianos mais tarde defenderam. Deus nuncateve que oferecer Cristo para a redenção da humanidade,em primeiro lugar. Se Deus não tivesse feito uma forma de
  54. 54. satisfação para a sua justiça (pela misericórdia), logo, dizArmínio, a humanidade teria sido verdadeiramente julgadade acordo com "estimativas severas e rígidas" de Deus.(19) Este ponto de vista tem sido chamado de teoriasatisfação penal da expiação, e foi exatamente ossentimentos Grantham.No St. Paul’s Catechism, Grantham, em uma discussãosobre a justificação, explica a natureza da expiação paraesclarecer por que a justiça de Cristo deve ser imputada aoindivíduo para que este seja salvo. Seu raciocínio é quaseidêntico ao de Armínius: "Deus, tendo feito uma lei justa,ela deve ser cumprida; e ninguém foi capaz de fazer isso,mas Cristo, a fez cumpri-la em nosso favor. Hb. 10.5, 6, 7,8, 9, 10; Sl. 4.5, 6, 7. e assim a justiça da lei se cumpre noFilho de Deus, porque crendo, a justiça de Cristo é feitadeles. Rm. 10.3, 4. Fl 3.9 ". (20) Grantham ensinou que,uma vez que ninguém poderia satisfazer a Deus aexigência da justiça absoluta, a única maneira deindivíduos serem liberados da penalidade do pecado ejustificados diante de Deus, foi por Deus, paraproporcionar uma justiça pela qual as pessoas poderiamser salvas. "A justiça de Deus gritou contra nós do pecadocometido, e o pecado deve ser removido pelo o Sangue deCristo, Ele revela os nossos pecados, isto é, o castigo dosnossos pecados, no seu corpo, sobre o madeiro, I Pd. 2.24". (21)A Teoria de Grantham da expiação é resumida no título daSeção V no livro dois, capítulo três do ChristianismusPrimitivus, que diz: "Segundo a Vontade de Deus e suaSabedoria Eterna, Cristo fez, no lugar e lugar dahumanidade, cumprir essa Lei, pela qual o mundo inteiroficou culpado diante de Deus”.(22) Nesta seção, explica
  55. 55. Grantham, “quão profundamente a humanidade estava emdívida para com o Deus Justo do Céu e da Terra, e comoela era incapaz de pagar essa conta; e comoconsequentemente, ela deveu inevitavelmente passar pelodescontentamento eterno de Deus, com a maldição de suaJusta Lei". [23] A humanidade está sujeita ao julgamentosevero e a ira de Deus, diz Grantham, por causa da" quedabrusca "da lei de Deus. No entanto, Deus em sua sabedoriatem "concebido ampliar sua misericórdia em Cristo, comoo único médico para curar a doença da Humanidade",provendo um curativo comensurável com a ferida, da qualninguém pode gritar e dizer: Estou perdido, estou feridocom a ferida inevitável da humanidade: E não há bálsamopara mim, o médico fez o curativo tão limitado, quemilhares e dez milhares, não podem ser curados por ele,ou melhor, ele tem determinado a nos ver perecer semremédio. Ai! não há ninguém para nos salvar, nempodemos ficar sãos por inteiro no Mundo; nós nascemospara ser destruídos, e devemos ser destruídos. Para acabarcom a horrível (e certamente mais justa) queixa. . . somosconvidados a contemplar o Cordeiro de Deus.(24)Para Grantham, Cristo, o Cordeiro de Deus, é a únicapessoa que pode "pagar o preço ou a dívida” do pecadoque homens e mulheres têm para com Deus.Grantham sustentou que há dois aspectos da expiação,obediência passiva e ativa. Obediência passiva refere-se asubmissão de Cristo à ira de Deus pelos pecados dahumanidade, satisfação da pena para o pecado, enquantoobediência ativa refere-se a satisfação de Cristo da justiçade Deus no cumprimento das normas da justa lei de Deus.Cristo obedece a Deus, o Pai, passivamente através da suamorte na cruz para satisfazer a pena para a violação da lei
  56. 56. de Deus. Cristo obedece a Deus, o Pai ativamente,cumprindo a lei justa em uma vida sem pecado. Granthamobservou que "verdadeiramente, ele nasceu sob a Lei, eassim ficou obrigado a manter a Lei, mas por nossa causaé que foi assim nascido, e, consequentemente, tudo o queele fez nessa qualidade [obediência ativa], foi em nossacausa também, assim como seus sofrimentos [obediênciapassiva]: Para as transgressões cometidas contra a Lei, elefoi crucificado em nosso lugar. (25) A Teoria de satisfaçãoda expiação penal de Grantham resultou em uma visão dasatisfação da justificação penal. Esta doutrina dajustificação, como a dos reformadores, mantida, comoLutero asseverou que o crente é justificado pela graça,mediante a fé, na justiça imputada de Jesus Cristo. Esta foia doutrina da justificação de Arminius, ou seja, que ajustiça de Cristo é “feita a nossa pela imputação graciosa".(26)Grantham explica no Catecismo de São Paulo que há doistipos de justiça, uma "imputativa," e outra “prática”. Aprimeira, diz ele, "é chamada a Justiça de Deus, (Mt. 6.33)ou justiça de Deus (Rom. 10.3). . . . É uma justiça para nóssem a lei .... É a justiça de Cristo, que é o Senhor, nossaJustiça (Is. 45,24, 25). Cristo feito de Deus para nósjustiça, (ICor.1.30).(27) Esta" justiça imputativa "deve serclaramente distinguida de" justiça prática": Embora sejaverdade, que a justiça prática realizada pelo Povo de Deus,é graciosa, sim, e um ornamento necessário. . . No entanto,além disso digo, que não é tão imediatamente significada. .. como justiça imputativa, porque a Justiça nãomencionada, é dita ser concedida aos santos (enquantoJustiça prática é adquirido por diligência) "(28) a justiçaprática, por Grantham, está associada com a santificação,e, portanto, é de natureza progressiva, mas justiça
  57. 57. imputativa é a justiça que salva os crentes. Uma vez queos homens e mulheres não podem por suas próprias obrasde justiça se salvarem, eles só podem ser salvos pelajustiça de Deus em Cristo.Que Deus imputa justiça aos homens sem as obras, é tãoevidente, que nunca pode ser negado. O que assim éimputado, não é atuado por nós, mas expressamentereconhecido como uma questão de dom gratuito, ou Graça,e de ninguém pode ser esta Justiça, senão de Cristo,porque de nenhuma outra maneira pode a retidão de Deusser feita nossa.... não há nenhum justo, nem um sequer.Exceto, assim sendo, apegados a justiça de Cristo, não hánenhuma justiça a ser imputada aos pecadores. (29)A Teoria Grantham da obediência ativa e passiva comoaspectos essenciais da expiação é levada diretamente paraligar-se a sua doutrina da justificação: "Agora, se somentea justiça passiva de Cristo, ou se também sua justiça ativa,é imputada aos pecadores, é duvidoso para alguns, mas deminha parte eu as considero ambas... A Justiça de Cristointeiramente, ativa e passiva, crendo, é contado como onossa ". (30)Outro elemento-chave na doutrina de Grantham dajustificação é a identificação com Cristo. Granthampregava que o indivíduo que exerce a fé salvadora écolocada em união com Cristo, e é, portanto, identificadocom Cristo. Nesta identificação, a obediência ativa deCristo torna-se a obediência ativa do crente, e a morte deCristo, o pagamento da pena para o pecado, torna-se amorte do crente. Por sua vez, o pecado do crente torna-seCristo. Como Grantham explica: "Cristo foi feito pecadopor nós apenas por imputação, pois ele não tinha pecado, e
  58. 58. como ele foi feito pecado, por isso estamos feitos justiçade Deus nele, o que deve acontecer pela imputação livrede sua justiça por nós "(31) Assim, para Grantham, ajustificação é concluída pela justiça imputada de JesusCristo, apreendida por meio da fé; a justiça de Cristo é abase da justificação, e a fé é a condição. Contra osromanistas por um lado e muitos arminianos, por outro, amarca de Grantham foi sola fide. Não por nossas obras,mas pela imputação graciosa de Deus da justiça de Cristoque é feita nossa pela fé. (32)Goodwin sobre a Expiação e JustificaçãoAs Doutrinas Goodwin de expiação e justificação diferemamplamente de Grantham. Goodwin carrega a influênciada teoria do governamental de Hugo Grotius de expiação,que sustentava que Deus poderia livremente perdoar ospecadores sem qualquer satisfação da violação da leidivina, porque tal perdão estava dentro do critério de Deuscomo governador ou soberano. (33) Assim, o sacrifício deCristo é aceito por Deus como governador ou soberano, enão como juiz. A morte de Cristo, nessa visão, é umsímbolo da pena que o pecado pode causar. Deus usa essesímbolo como uma dissuasão. A pena para o pecado é,assim, deixada de lado ao invés de paga. Portanto, sobre afé, o crente é perdoado como governador deseja perdoarum criminoso culpado, e todos os pecados passados sãoesquecidos.Goodwin articulou tal visão da expiação e justificação noseu Imputatio Fidei, um livro de mais se quatrocentaspáginas cujo único propósito era refutar a doutrina de quea justiça de Cristo é imputada ao crente da sua aceitaçãoeterna com Deus. O repúdio de Goodwin a teoria
  59. 59. satisfação penal da expiação é explícito. Ele argumenta:"A sentença ou maldição da lei, não foi devidamenteexecutada em Cristo na sua morte, mas, a morte de Cristofoi um motivo ou consideração para Deus, quanto adispensar a sua Lei, e para deixar cair ou suspender aexecução da pena ou maldição por ela ameaçados ". (34)Considerando que toda a explicação de Granthampara Cur Deus Homo é atender às demandas da" justa leide Deus ", a razão de Goodwin para a vinda de Cristo foipara que Deus pudesse dispensar a sua lei. Não até queDeus dispensasse a sua lei, disse Goodwin, ele poderiaperdoar homens e mulheres e perdoar os seus pecados:“Mas Deus em dispensar e abster os transgressores (que deacordo com o teor da Lei deveria ter punido)manifestamente dispensa com a Lei, e acaso não aexecuta.” (35) Não era absolutamente necessário, deacordo com Goodwin, Cristo morrer na cruz para perdoaros pecadores, mas foi o método que Deus escolheu em seugoverno. Goodwin explica: Nem Deus exige a morte e ossofrimentos de Cristo como um ônus para dispensar a suaLei para aqueles que creem, mais (se tanto) de uma formade satisfação para a sua justiça, do que à sua sabedoria. Jáque Deus (também), poderia com tanta justiça, comosabedoria (se não muito mais) passar pela transgressão dasua lei, sem consideração ou satisfação. Para ele, que tema autoridade e o poder legítimo, seja em impor uma lei, ounão, no caso de ele impor, um tanto concerne do ponto dasabedoria e discrição em não ver a sua lei desprezada eespezinhada, sem satisfação, seguido em ponto de justiça.A morte de Cristo era para Goodwin, portanto, umaexposição de justiça pública, não uma satisfação penal,como mantida em Grantham.
  60. 60. A Goodwin a doutrina da justificação está enraizada emsua doutrina da expiação. Visto que o Deus pode, e, emseu governo, anulou a pena para o pecado, uma vez quenão necessariamente deva ser sofrida -, Deus pode perdoarlivremente homens e mulheres, e a imputação da justiça deCristo não é necessária. Nem é desejável; imputar a justiçade Cristo ao crente seria admitir que Deus não anulou alei, depois de tudo. Assim Goodwin conclui que ajustificação consiste primariamente no perdão ou remissãodos pecados (anonimputation dos pecados - não imputaçãodos pecados). (37) Goodwin afirmou que "as Escriturasconstantemente fala do ato de Deus de justificar umpecador, não de tal ato pelo qual ele deseja fazê-lo oudeclará-lo legalmente justo, ou declará-lo não ofensor dalei, e com isso, justificá-lo, mas de tal ato, no qual elelivremente o perdoa de tudo o que ele fez contra a Lei, eabsolve-o de todas as culpas e o castigo devido pela Lei”.(38)Consequentemente, para Goodwin seria errôneo afirmarque a justiça de Cristo é imputada ao crente, pois isso seriaadmitir que absolvição gratuita de Deus ou perdão dopecador não é suficiente. Assim Goodwin gasta toda aprimeira parte de seu livro argumentando contra aimputação da justiça de Cristo para o crente. Não é a suajustiça, que é creditada ou imputada ao crente, mas a fé écontada como justiça. (39) A ênfase de Goodwin, emúltima análise, é sobre a liberdade de Deus em dispensar alei e livremente dar o perdão ou perdoar o pecador.As doutrinas da expiação e da justificação são asdisparidades mais evidentes entre os modelos dearminianismo de Grantham de Goodwin. A diferença maisprática é que, para Grantham, a salvação consistetotalmente na justiça de Cristo, enquanto que para
  61. 61. Goodwin, parece depender mais sobre a fé do indivíduo.Esta distinção tem consequências dramáticas para asdoutrinas da santificação e da perseverança dos Santos.Gratham, sobre a Perseverança e apostasia.Na Teologia da Reforma e Pós-Reforma, nossa visão daperseverança, ou resistência na fé, foi condicionada àoutras doutrinas. A Teologia Reformada tinhatradicionalmente ensinado que, porque a graça éirresistível, o eleito ou o indivíduo predestinadonecessariamente perseverará na fé, ao passo que a teologiaarminiana postula que Deus havia concedido ahumanidade a liberdade de resistir à graça. (40) Écompreensível, então, porque uma teoria arminiana daresistibilidade da graça resultaria em sua resistibilidadecontínua após a conversão. A doutrina de Grantham daperseverança dos santos, foi consequência de suasdoutrinas da resistibilidade da graça e da justificação.Como a graça de Deus é resistível, ensinou Grantham, eladeve necessariamente continuar assim ao longo da vida.(41) No entanto, não se pode compreender o seuentendimento de perseverança fora do contexto de suadoutrina da justificação. O ensino de que o crente éjustificado somente pela justiça de Cristo, apreendida pelafé, exigiu uma visão de perseverança consistente com oprincípio sola fide: Não se pode cair da graça por causa dafalta de ser justo ou fazer obras de justiça, porque o crenteesteve justificado diante de Deus baseado unicamente najustiça de Cristo ao invés de seus próprios méritos.Enquanto a fé salvadora esteja intacta, o crente permanecejustificado devido a justiça de Cristo. A ênfase deGrantham na perseverança firmou-se na fé e, portanto, em

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