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USO DE ANÁFORAS EM PRODUÇÕES TEXTUAIS DE ALUNOS DO PRIMEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO

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Artigo das professoras Maria José Morais Honório (UERN) E Crígina Cibelle Pereira (UERN), apresentado no II SIMPÓSIO NACIONAL DE TEXTO E ENSINO (II SINATE) -
Pau dos Ferros, 12 a 14 de dezembro de 2012.

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USO DE ANÁFORAS EM PRODUÇÕES TEXTUAIS DE ALUNOS DO PRIMEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO

  1. 1. USO DE ANÁFORAS EM PRODUÇÕES TEXTUAIS DE ALUNOS DO PRIMEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO Maria José Morais Honório Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) Crígina Cibelle Pereira Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)1Considerações iniciais Nos últimos anos, temos presenciado o surgimento de vários estudosvoltados para as questões textuais como (FÁVERO & KOCH, 1983, KOCH, 1999,APOTHÉLOZ, 2003, dentre outros), os quais abrangem diversos assuntos acerca daprodução escrita, entre eles podemos citar a referenciação e a anáfora consideradosaspectos coesivos. Nesse contexto, investigamos o uso de anáforas em produções textuais donível médio, objetivando, especificamente, identificar anáforas em produçõestextuais escritas, bem como descrever o modo que os alunos utilizam essasanáforas. Para tanto, subsidiamos nossa pesquisa em Andrade (1993), Antunes(2005), Apothéloz (2003), Berti (2006), Costa Val (2000), Diógenes (2006), Fávero(2002), Koch (2004), dentre outros. Nosso trabalho caracteriza-se como umapesquisa documental, de cunho qualitativo e quantitativo. Analisamos dezesseisproduções textuais escritas, nas quais encontramos cinquenta e nove ocorrênciasanafóricas distribuídas em vários tipos de anáforas tais como: vinte e seis anáforaspronominais; onze anáforas associativas; dez anáforas fiéis; três anáforasconceituais; duas anáforas conceituais e uma anáfora rotuladora. Efetivamente compreendemos que esse trabalho servirá de auxílio nasatividades de produção e interpretação textual, por considerarmos de fundamentalimportância a referenciação anafórica nos textos escritos.2 Considerações teóricas2.1 O recurso da anáfora na produção textual
  2. 2. Discutiremos a questão da anáfora, iniciando por algumas noções essenciaisao entendimento desse processo, sejam elas, a noção de antecedente, decorreferente e de co-significação. Posteriormente, conceituamos tipos de anáforas etecemos um breve comentário acerca da atividade de produção escrita no ambienteescolar à luz de diversos autores da área, a saber: Apothéloz (2003), Haag e Othero(2003), Zamponi (2003), Diógenes (2006), Silva (2004), Silva (2008), Sant’anna(2000) Koch (2004b), Koch (2006). No contexto da referenciação, destacamos, em particular, o caso da anáforaque será analisada no último capítulo do presente trabalho, nas produções textuaisde alunos do ensino médio. Segundo Apothéloz (2003), a anáfora abrangepropriedades diferentes quanto ao fato da ocorrência do antecedente. Segundo ele aanáfora pode ser controlada sintaticamente por um antecedente, ganhando, dessaforma, status de interpretação sintática, ou então depender de fatores contextuais epragmáticos. Apothéloz (2003) afirma que, quando um pronome é sintaticamente ligado,não necessariamente ele será uma expressão referencial e dois fatores corroboramcom essa afirmação. O primeiro diz que em um pronome ligado sintaticamente a seuantecedente pode ser uma expressão não referencial. O outro é que em situaçãosemelhante o pronome não poderá ser substituído por uma palavra sinônima semdestruir o processo anafórico. Por isso, para que um pronome possua o caráterreferencial é preciso que haja a possibilidade dele ser substituído por outraexpressão que identifique o mesmo referente. Nessa linha de pensamento,Apothéloz (2003) complementa que os pronomes reflexivos são sempresintaticamente ligados ao seu antecedente, por isso, não referênciais, ao passo queos pessoais, possessivos e relativos comportam os dois funcionamentos. No geral, aidéia de anáfora designa alguma forma de retomada, seja a um antecedentelingüístico, ou a um antecedente presente no contexto. Nos dois casos de ocorrênciado pronome podemos obter o processo anafórico. De acordo com Apothéloz (2003), em se tratando da anáfora vale ressaltarduas noções básicas à sua conceituação. A primeira é a de correferência, entendidacomo a relação entre duas expressões que no discurso representam o mesmoreferente. A segunda é a co-significação, quando uma expressão designa o mesmoconceito, porém não possui o mesmo referente. Assim, podemos ter co-significaçãosem correferência. Estas noções são de fundamental importância na construção e
  3. 3. recepção de textos, pois, no momento em que elas são utilizadas no processamentotextual fica mais fácil reconstruir o sentido do texto. Nas palavras de Haag e Othero (2003), o termo anáfora provém do grego esignifica carregar para trás. Segundo Haag e Othero (2003), um elemento coesivoque auxilia na construção do sentido do texto é o processo da anáfora, pois omesmo funciona mostrando ou sinalizando o local em que devemos encontrar oreferente indispensável à compreensão do texto. Com relação à anáfora, Silva (2008) complementa que no início a anáfora foivista como uma espécie de substituta de uma expressão antecedente que faziaretomada no texto, mas, ao longo dos estudos percebeu-se que há casos deanáforas que não possuem referentes já inseridos no texto. A partir daí passou-se ater uma visão mais abrangente sobre a anáfora. Apothéloz (2003) define cinco tipos de anáfora, fiel, infiel, por nomeação, porsilepse e associativa: (i) a anáfora fiel é aquela em que uma expressão introduzidaanteriormente no texto é repetida e antecedida por um definido ou demonstrativo; (ii)a anáfora infiel, na qual a expressão que retoma o antecedente não se repeteliteralmente, é utilizado um sinônimo ou hiperônimo; (iii) a anáfora por nomeaçãoocorre quando um sintagma nominal transforma uma seqüência de enunciadosprecedentes ao item anafórico em referente. Esse tipo de anáfora não se resume aretomada de informação, mas aos aspectos específicos do discurso; (iv) a anáforapor silepse consiste em adequar a concordância das expressões segundo o sentidoe não segundo a gramática; (v) a anáfora associativa é aquela em que osconhecimentos compartilhados são de fundamental importância para a retomada,pois, como o próprio nome diz, o sentido será construído com base nas associaçõessemânticas e inferências supostamente realizáveis pelo interlocutor. Com relação à anáfora associativa Zamponi (2003) expõe que ela tem asseguintes características: os objetos-de-discurso são criados devido às informaçõesque já constam no contexto anterior; não são expressões correferentes a umantecedente e inserem um objeto novo como se ele já fosse conhecido. Zamponi (2003) argumenta que a relação existente entre anáfora associativae anáfora indireta ocorre sob duas visões conceituais: a anáfora indireta se configuracomo um processo mais abrangente e a anáfora associativa faria parte desseprocesso, sendo assim, a interpretação depende de inferenciação, transformando ostermos relacionados em quase sinônimos.
  4. 4. Segundo Koch (2006, p. 107) nos traz a seguinte definição sobre anáforasindiretas: “trata-se de uma configuração discursiva em que se tem um anafórico semantecedente literal explícito cuja ocorrência pressupõe um denotatum implícito, quepode ser reconstruído, por inferência, a partir do co-texto precedente”. Assim,percebemos que o antecedente que será o referente no discurso está na situaçãoextralingüística, configurando a referência exofórica. A questão associativa seriauma estratégia referencial, na qual as expressões anafóricas que não contém oreferente explícito no texto, passam a ser compreendidas graças inferenciaçãopossibilitada pelos elementos explícitos no texto Koch (2006) vai ao encontro do posicionamento de que a anáfora associativaé um subtipo das anáforas indiretas. No entanto, nos diz que as anáforas indiretastêm recebido denominações diversificadas e de certa forma desconexa quanto aosconceitos que postulam. Segundo Koch (2006) esse tipo de anáfora também échamada de inferenciais, mediatas, profundas e semânticas Diógenes (2006) é tributária da concepção de anáfora associativa comosubtipo das anáforas indiretas e expõe que nas anáforas associativas há umarelação de “ingrediência” entre os termos que se associam. Segundo ela, na anáforaassociativa é preciso localizar expressões que pertençam ao mesmo camposemântico, e a partir disso os referentes poderão ser construídos. Outro tipo de anáfora é a anáfora conceitual. De acordo com Silva (2004, p.44) “entendemos anáfora conceitual como aquela que não se refere diretamente aum antecedente textual, mas cujo referente é estabelecido a partir de uma relaçãoconceitual, entre ela e seu antecedente”. Nesses termos, Silva (2004) nos apresentaque a resolução dessa anáfora acontece quando os leitores realizam inferências ebuscam reconhecer o referente que estar presente no co-texto, ou no conhecimentode mundo que o produtor do texto julgou compartilhado entre ele e seu interlocutor. Silva (2004) aponta as propriedades que essa anáfora deve apresentar.Segundo a autora deve ser representada por um pronome em número plural; tercomo base um sintagma nominal antecedente no singular que permita aointerlocutor relacionar os conceitos necessários à interpretação; não ter umcorreferente. Nas conceituações de anáfora pronominal, Haag e Othero (2003, p. 68)afirmam que esse é o tipo de anáfora mais comum. De acordo com eles, “elaacontece quando um pronome (pessoal ou demonstrativo) retoma um sintagma
  5. 5. nominal”. Dessa forma, sempre que um pronome retomar um sintagma nominal,independente de sua extensão, estaremos diante de uma anáfora pronominal. Sobre esse tipo de anáfora Sant’anna (2000) esclarece que pronomespessoais, e pronomes possessivos por serem descrições definidas têm comopossibilidade preferencial de antecedente os sintagmas nominais. No tocante àsanáforas pronominais demonstrativas além dessa possibilidade, elas podem tambémreferir ao predicado de uma sentença, a sentença inteira, a uma junção desentenças ou até mesmo ao texto na íntegra. Por esse motivo, as anáforaspronominais demonstrativas possuem um grau de dificuldade maior para suaresolução com relação aos outros tipos de pronomes. Encontramos em Koch (2004b) a anáfora rotuladora definida pela utilizaçãode uma forma nominal para recategorizar seqüências lingüísticas precedentes notexto, resumindo-as sob um determinado rótulo. Dessa forma a autora expõe queesse processo mobiliza tanto a informação dada como a informação nova. Koch (2004b) também discorre acerca das anáforas metadiscursivas que nãosumariza a informação precedente, mas centraliza a enunciação, caracterizando ainformação precedente como uma forma de atividade metadiscursiva. Charaudeau e Mainguneau (2004 apud DIÓGENES 2006) postulam adefinição da anáfora adverbial, realizada quando uma palavra do texto é referidaatravés de um advérbio. O recurso da anáfora é utilizado na atividade de produção escrita. Nessesentido, acreditamos que o trabalho de produção escrita quando bemorientado/direcionado influencia diretamente na qualidade da produção escrita e nouso adequado da anáfora. Nossas discussões ajudaram a compreender asdificuldades vivenciadas pelos alunos nas produções, principalmente no tocante aouso anafórico.3 Anáforas em produções textuais: análise dos dados Gostaríamos de, inicialmente destacar que as anáforas retiradas dasproduções textuais foram analisadas observando a seguinte característica: (i)freqüência da ocorrência e tipo de anáfora. Foi criado um código para cadaprodução, o qual é composto pela letra P que representa o termo produção, pelaletra A que significa aluno, e por um número em ordem crescente que indica a
  6. 6. ordem de análise dos textos. Nesse sentido teremos: PA1, PA2, PA3, etc. Quanto aogênero a produção é inserida no relato pessoal. Apresentamos os diferentes tipos de anáforas encontradas no nosso corpus. QUANTIDADES DE ANÁFORAS 30 26 ANÁFORA PRONOMINAL 25 ANÁFORA ASSOCIATIVA 20 15 ANÁFORA FIEL 11 10 10 ANÁFORA ROTULADORA 5 3 2 ANÁFORA CONCEITUAL 1 0 ANÁFORA ADVERBIAL Gráfico 01: Quantidades de anáforas Em nossa pesquisa foram localizadas cinqüenta e três anáforas, divididasentre tipos diferentes. Nesses termos, nossa escolha pelas anáforas pronominal,associativa e fiel deu-se em virtude do número de ocorrências nas produçõestextuais dos alunos.4.1 Anáfora pronominal Nesse primeiro momento, analisamos as anáforas pronominais, apresentandoas ocorrências desse tipo de anáfora. Percebemos que as anáforas pronominaisocorrem com a utilização de dois tipos de pronome: o pessoal e o demonstrativo. Opronome pessoal refere à pessoa no discurso e o demonstrativo refere porçõesmaiores do texto. Isso significa que os alunos que produziram os textos utilizaram osdois tipos de pronomes, escolhendo o que no momento mais se aproximava da suaintenção comunicativa. A presença frequente da anáfora pronominal pode ser atribuída àscaracterísticas do próprio pronome. Por ser uma classe de palavra vista comocategoremática, o seu entendimento depende da referência que deve ser realizadaentre o pronome e o significado lexical presente no contexto. Por essa característica,
  7. 7. constatamos que a utilização do pronome configura-se como processo anafórico pornatureza. Vale destacar que nem todos os pronomes são utilizados anaforicamente, oupelo menos em todas as situações. Nesse contexto, relembremos as palavras deKoch (2008) que nos expõe que a referência pode ser realizada sob três aspectos:pessoal, demonstrativa e comparativa. Diante desse posicionamento, percebemosque os pronomes citados são propícios ao uso anafórico, e ao relacionarmos ànossa análise, percebemos que foram os mesmos que ocorreram nas produções. As anáforas pronominais ocorrem com o uso de diferentes pronomes.Observamos a presença de pronomes pessoais (ele, ela, nós, elas, elas) epronomes demonstrativos (isso, aquela, naquele, esse, desse, dele) realizando oprocesso anafórico. Percebemos também, que há produções escritas quecontemplam um ou outro tipo de pronome, ao passo de outras produções quecontemplam os dois tipos, pessoal e demonstrativa. Há também as que nãoapresentam uso delas. Diante desse fato, observamos que o relato pessoal facilita autilização de pronomes pessoais de primeira e de terceira pessoa do singular e doplural. Há produções que uma única pessoa discorre sobre um fato vivido, mastambém teve produções que contemplaram pronomes de terceira pessoa do pluralpor estar envolvido em vários relatos a presença de outras pessoas que viveram ofato relatado. Nos relatos pessoais analisados não há a ocorrência de pronomes de outranatureza, além do pessoal e demonstrativo. No texto, esse fato implica namanutenção das características do relato, ou seja, as informações do texto estãointerligadas apenas as pessoas que participaram da ação e aos lugares nos quais aação ocorreu. Constatamos que 100% dos alunos referem pronominalmente identificando oreferente. Isso significa que no tocante as anáforas pronominais os alunos do 1º anodo Ensino Médio souberam realizar a referência de maneira adequada. Isso significaque os alunos no momento da escrita utilizaram adequadamente a função sintáticado pronome. Compreendemos, conforme Koch (2008), que os pronomes pessoais edemonstrativos podem ter funções diferentes dentro do texto e é isso que acontecenas produções analisado.
  8. 8. A anáfora pronominal com o uso de pronome pessoal acontece quando opronome refere a sintagmas nominais que representavam pessoas. Observemos osexemplos abaixo retirados de PA4 e de PA6: Exemplo 1Que fui para uma festa e voutei muito tarde meu pai brigou muito e não gostou do que eufiz, ele começou a da bronca em mim [...] Exemplo 2Uma vez Quando eu era muito pequeno ia segurando do lado do carro da minha mãe numabicicleta e ela no carro [...] No exemplo 1, o pronome ele se refere ao termo pai. No exemplo 2, opronome ela se refere ao termo mãe. As anáforas pronominais referiram a umsintagma nominal do contexto precedente. Como já vimos, o pronome tem essafunção de retomar sintagmas nominas que representam pessoas, mesmo porque elenão possui significado lexical, nesses termos os pronomes pessoais referemdiretamente às pessoas envolvidas no discurso. Os pronomes demonstrativos sempre se referem a porções maiores do texto,não apenas a uma palavra. Comprovamos essa afirmação com os seguintesexemplos retirados da PA1 e PA6 respectivamente. Exemplo 03Tem dias que se acordo disposto, mas tem dias que não da vontade nem de se levantar dacama. Minha mãe diz que isso faz mal, [...] Exemplo 04Uma vez Quando eu era muito pequeno ia segurando do lado do carro da minha mãe numabicicleta e ela no carro [...] Então esse é o meu relato.
  9. 9. No exemplo 03, percebemos que o pronome isso se refere ao fato da pessoaacordar-se com vontade de não levantar da cama. No exemplo 04, esse se refere atodo o texto construído, que seria o fato de uma pessoa viajar segurando ao lado deum carro e ter acontecido um imprevisto, a pessoa ter caído, quebrado o nariz e tersido levado para um hospital. Nesses exemplos, percebemos que o referente decada pronome não se resume a uma palavra, mas a uma proposição anterior ou aopróprio texto completo. O uso do pronome seja ele pessoal ou demonstrativo nos textos analisadoscontribuíram para tornar o texto mais conciso e aceitável pelo fato de não haverrepetições exagerada de termos. Os referentes são sintagmas retomados pelo usodo pronome, o que origina a anáfora pronominal.4.2 Anáfora associativa Descrevemos as ocorrências anafóricas associativas, realizando a análise desuas ocorrências. As anáforas associativas ocorrem quando um termo é retomadoa partir de outros termos que se associam semanticamente no decorrer do texto.Nesse sentido, percebemos que são vários os contextos que ocorrem as anáforasassociativas. Os textos analisados nos mostram que as anáforas associativas são bastantecontempladas nas produções textuais. Os alunos fazem uso de diversas palavrasque se associam semanticamente para efetuar esse tipo de retomada anafórica.Percebemos que os produtores dos textos relatam múltiplas situações de seucotidiano e para tanto se utilizam de anáforas associativas para manter a progressãotextual, reavivando de forma indireta os referentes do texto. Esse fato tambémpossibilita a coesão nos textos analisados, pois ao buscar resgatar o referente ointerlocutor percebe as relações existentes entre os enunciados. O uso frequente da anáfora associativa deve-se ao fato da necessidade que oprodutor de texto tem de certa forma relembrar de que se estar falando. Nossosposicionamentos vão ao encontro de Koch (2006) que nos diz que as anáforasindiretas são formas nominais que possuem dependência interpretativa em relação aoutras expressões no texto e seus referentes são ativados através de processosinferenciais, possibilitando a utilização dos conhecimentos armazenados na memóriado interlocutor.
  10. 10. Nesse sentido as anáforas associativas se configuram como um processo queexige certo grau de inferências para a percepção da associação entre os termos queestão distribuídos nas sequências textuais. Percebemos que uma expressão linguística desencadeia a ocorrência deoutras expressões que se associam semanticamente. Constatamos também que ascircunstâncias ou contextos que as anáforas associativas ocorrem são variados(escola, festa, menstruação, jogo de futebol, etc) e esse tipo de anáfora favorece aintrodução de novos objetos-de-discurso. Como já dissemos anteriormente, as anáforas associativas ocorrem com autilização de um termo (um nome) que serve de base para a interpretação semânticados termos que ao longo do texto vão lhe fazer referência. Nesse sentido,observamos a ocorrência de um determinante, expressão que acompanha o nomefornecendo-lhes informações. Observamos que foram variados os tipos dedeterminantes encontrados nas produções dos alunos (de, os, a, as, no, deu, ao,uma, o, do, da, minhas, meu). Por se relacionarem a contextos diferentes osdeterminantes são também diversificados. Vimos que a anáfora associativa acontece quando os chamados objetos-de-discurso são introduzidos no texto com uma acepção de novo, porém é consideradocomo conhecido por referir associativamente a elementos já introduzidos no texto.Essa característica possibilitou nos textos analisados os dois movimentos deconstrução textual: a progressão e a retroação. Nestes termos, os textos sedesenvolveram quando os objetos-de-discurso foram introduzidos com caráter denovo, enquanto que a retroação se realizou pela retomada através de palavraspertencentes ao mesmo campo semântico. Como já mencionamos anteriormente 20,75 % das ocorrências encontradasnos textos analisados foram anáforas associativas, ocupando o segundo lugar emquantidade das ocorrências. Percebemos várias situações em que um termo serelaciona com outros termos no decorrer da produção escrita. Vejamos algunsexemplos de anáforas extraída da PA2 em que o produtor utiliza anáforasassociativas. Exemplo 05Em um certo dia de festa, namorado e amigos combinaram de beber, comprar litros elitros de wisck [...].
  11. 11. Exemplo 06[...] De noite em plena festa minha menstruação simplesmente desceu, me deu cólicas eeu estava revoltada, contra tudo e contra todos. Um dos motivos era que eu estavaajudando meu irmão no bar e o namorado não chegava, depois de muito tempo, tentei curtira festa, mas não consegui pois a cólica falava mais alto naquele momento. Fui dar umavolta, e por incrível que pareça uma coisa absurda me aconteceu, fui queimada com umcigarro. Bom, como eu já não agüentava de dor fui ao hospital tomar uma injeção e pravariar meu dedo já estava enxado e roxo da queimadura, mas no final deu tudo certo! Esses exemplos nos mostram que o referente festa no exemplo 05 emenstruação no exemplo 06 dão margem interpretativa aos elementos anafóricos,ou seja, a partir da informação semântica contida em uma determinada expressãointroduzida no início do discurso, podemos relacionar e compreender outras que seseguem por pertencerem ao mesmo campo semântico. Em festa temos beber, litros,wisck; relacionando-se semanticamente, em menstruação temos cólicas, dor,hospital, e injeção realizando a associação. O uso de mais de uma anáfora associativa na mesma produção atribuiu aotexto um caráter de informações diferentes desenvolvidas em paralelo. Observamosque o produtor do texto conseguiu conduzir duas temáticas ao mesmo tempo. Enessa circunstância as associações semânticas conduziam ao leitor a distinção dostemas que foram tratados nas produções. Nesses termos, percebemos que de maneira geral o termo anafórico nãocorrefere a nenhum antecedente e são instruções novas tidas como dadas, fatocoerente com o posicionamento de Zamponi (2003) em relação às anáforasassociativas. Essa estratégia de construção do sentido através do uso de palavras quepertencem ao mesmo campo semântico é pertinente nas produções de textos noambiente escolar. No momento que os alunos do Ensino Médio nos textosanalisados utilizaram a anáfora associativa, conseguiram construir sentido para aprodução escrita, pois essas anáforas realizaram as ligações necessárias entre asseqüências linguísticas.4.3 Anáfora fiel
  12. 12. Analisamos a anáfora fiel, considerando a ocorrência da anáfora. Vimos queesse tipo de anáfora também foi significativa nas produções escritas dos alunos.Esse fato pode ser relacionado à intenção que o produtor de texto tem em reativarno desenvolver do discurso o mesmo referente. Assim como nas anáforaspronominais e associativas, as fiéis também possibilitam elos coesivos entreseqüências do texto porque reafirmam frequentemente o referente do texto.Percebemos uma semelhança nos motivos que desencadearam as anáforasassociativas e fiéis, que é a necessidade de relembrar o referente o qual se fala,configurando o movimento de retomada textual e, por conseguinte, fazer o textoprosseguir. No entanto, se diferenciam pelo uso de nomes diferentes que seassociam semanticamente nas anáforas associativas e pelo uso do mesmo nomenas anáforas fiéis. A anáfora fiel ocorre com a repetição do mesmo item lexical, apresentandovariação de determinante, palavra que acompanha o termo anafórico passando-lhesinformações de número e gênero. Nos textos analisados esse tipo de anáfora geroufacilidade em compreender o sentido do que se estar falando, pois a repetição literalpossibilitou a retomada a referentes explícitos previamente de modo muito claro (ocampinho – do campinho, o pé – meu pé, do carro - o carro, dentre outros) e semresoluções anafóricas complexas. As anáforas fiéis, segundo Apothéloz (2003), se configuram pela repetição domesmo item lexical antecedido por um determinante que geralmente varia. Diantedessa afirmação, constatamos que o fato da anáfora fiel estar bastante presente nasproduções dos alunos se deve a própria repetição de termo, correspondendo a18,86 % do total das anáforas encontradas. Essa porcentagem revela que asanáforas fiéis são formas de referir e produzir coesão nos textos dos alunos do 1ºano do Ensino Médio e esse fato deve ser visto como uma possibilidade deaprimorar os estudos de referencia dos alunos porque elas já usam esse tipo deretomada. Torna-se mais compreensível e simplificado a resolução anafórica queapresenta o mesmo item lexical. Esse fato não se aplica apenas a quem produz otexto, mas também, a quem vai recebê-lo. Nessa anáfora não há necessidade deinferências ou cálculos mentais complexos para entender quem é o referente, pois,ele já estar dito literalmente, como podemos observar nos exemplos que seguem e
  13. 13. apresentam também a necessidade que os produtores do texto tiverem em resgatara informação principal do texto. Exemplo 09Eu estudo, quando estou em casa eu assisto televisão ou vou para o campinho jogar bolaquando eu chego do campinho [...] Exemplo 10Aconteceu que eu furei o pé, com um toquo, e esse acontecido, furou o meu pé e pegou 6pontos [...] O exemplo 09, apresenta-nos as expressões o campinho e do campinho.Podemos observar que o termo que se repete (campinho) tem apenas umamudança de determinante, a primeira expressão campinho no exemplo 09 éacompanhada pelo determinante o e a segunda expressão campinho éacompanhada pelo determinante do. E nesse caso a referência é feita através darepetição literal. No exemplo 10, constatamos o mesmo fenômeno. A primeiraexpressão pé é acompanhada pelo determinante o e a segunda expressão pé éacompanhada pelo determinante meu. A referência é feita por meio de repetições.Nossos exemplos, bem como, as ocorrências que não destacamos na análiseseguem essa mesma característica. No contexto do ensino de língua a resolução anafórica pode ser um temapara ser desenvolvido em sala de aula. A anáfora quando empregadaadequadamente contribui para o desenvolvimento e compreensão do texto, aopasso que se for utilizada de maneira inadequada prejudica a coerência do texto.Dessa forma, a anáfora tem sua aplicabilidade ao ensino de língua por estarpresente na produção escrita. Nas produções analisadas percebemos que todas as anáforas analisadasforam utilizadas adequadamente. Nesses termos, o uso de anáfora pelos alunoscontribuiu para a coesão do texto e conseqüentemente, no que diz respeito aosprocessos de referenciação anafóricos, contribuíram para a coerência textual. Almejamos que nossa pesquisa possa acrescentar qualitativamente ao ensinode língua materna, ao disponibilizar aos profissionais da área um estudo detalhado
  14. 14. sobre o uso da anáfora. Nossa contribuição se relaciona diretamente com aprodução e interpretação de textos, fato que inclui a questão da referenciação. Deposse dos nossos resultados os profissionais da área poderão encontrar auxílio naexploração da atividade textual.4 Considerações finais Considerando a problemática do estudo da anáfora na presente pesquisa,buscamos investigar o uso de anáforas em produções textuais do primeiro ano doEnsino Médio. Para tanto, identificamos nas produções o uso das anáforaspronominais, associativas, fiéis, rotuladora, conceitual e adverbial. Quanto a recorrência, obtivemos como resultado que a anáfora pronominal foia mais freqüente nas produções textuais escritas dos alunos. As anáforasassociativas também foram bastante presentes, como também houve a presençasignificativa das anáforas fiéis, por serem as anáforas que mais ocorreram asanalisamos. Com base nesses posicionamentos, observamos a ocorrência de vários tiposde anáforas e analisamos o uso dessas anáforas dentro das produções textuaisescritas, atendendo dessa forma aos objetivos propostos. Nossa pesquisa apresentou algumas limitações como o fato de termospesquisado somente uma turma do Ensino Médio e não termos analisados asanáforas menos ocorrentes dos textos analisados. Nesse sentido, seria tambéminteressante um estudo mais abrangente, contemplando mais turmas analisadas edesenvolvendo uma análise que contemplasse todas as anáforas encontradas.Outra possibilidade seria comparar as ocorrências anafóricas nos gêneros relatopessoal e outro gênero textual, buscando refletir se há diferenças nas ocorrênciasanafóricas entre os dois gêneros. A problematização da anáfora está relacionada à produção e compreensãotextual. Nesse sentido, entendemos que nossas discussões sobre a anáfora podemcontribuir qualitativamente com a prática docente na atividade de produção textualescrita, visando explorar nos alunos o mecanismo de referenciação anafórica, paraque possam produzir textos escritos com qualidade. Os dados aqui obtidos eanalisados devem servir de base para direcionamentos de trabalhos com textos,
  15. 15. pois ao conhecer as regularidades e usos de anáforas, as práticas de ensinoganham qualitativamente.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAPOTHÉLOZ, D. Papel e funcionamento da anáfora na dinâmica textual. In.:CAVALCANTI, M. M.; RODRIGUES, B. B.; CIULLA, A. (org.) Referenciação. SãoPaulo: Contexto, 2003. p. 53-84.DIÓGENES, L. de M. Referencação anafórica: as anáforas não-correferenciais nolivro didático de Língua Portuguesa. 2006. 208 f. Dissertação (Mestrado em Letras).Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2006.HAAG, C. R.; OTHERO, G. de A. O processamento anafórico: um experimentosobre a resolução de ambigüidades em anáforas pronominais. Linguagem em(Discurso). Tubarão V, 4. N, 1. jul/dez. 2003. p. 65-79.KOCH, I. G. V. Desvendando os segredos do texto. 5. ed.. São Paulo: Cortez,2006._______. Sobre a seleção do núcleo das formas nominais anafóricas na progressãoreferencial. In: NEGRI, L.; FOLTRAN, M. J.; OLIVEIRA, R. P. Sentido esignificação. Em torno da obra de Rodolfo Ilari. São Paulo: Contexto, 2004b. pp.244-262.SANT’ANNA, V. M. Cálculo de referencias anafóricas demonstrativas na línguaportuguesa escrita. 2000. 89 f. Dissertação (Mestrado). Pontifícia Universidadecatólica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2000.SILVA, A. A leitura e a compreensão da anáfora conceitual. 2004. 163 f. Tese(Doutorado). Universidade estadual de campinas, São Paulo. 2004._______. A leitura e o processamento da anáfora conceitual. Linguagem em(Dis)curso. V, 8. N, 2. Maio/ago. pp. 265-287. Unisul, 2008.ZAMPONI, G. Processos de referenciação: anáforas associativas enominalizações. 2003. Tese (Doutorado). Universidade estadual de campinas, SãoPaulo. 2003.

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