Tiago Leifert

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Matéria para Revista Poder 33 Nov. 2010

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Tiago Leifert

  1. 1. Bola cheia ELE é o CARA O rapaz bem-humorado, que mudou o jeito da TV Globo falar de esporte e roubou a cena na Copa do Mundo, não se rende ao sucesso imediato. Já faz planos para novos voos. Ainda mais altos por joão carlos assumpção fotos roberto setton30 poder joyce pascowitch
  2. 2. Bola cheia Q uem gosta de futebol ou conhece alguém Mas Leiterf não reclama. Faz o que, como costuma dizer, que goste – ou seja, praticamente toda está no seu DNA. “Cresci vendo TV, porque minha mãe a população brasileira – muito prova- (Leninha) adorava e de alguma forma me influenciou. Gra- velmente já ouviu um dos bordões mais ças a ela acho que nasci audiovisual.” Ele também credita à falados entre os boleiros brasileiros: “Aí mãe o fato de começar sua carreira televisiva com apenas sim fomos surpreendidos novamente!”. 16 anos, como repórter do programa Desafio ao Galo, que O autor da frase, o ex-técnico Zagallo, certamente não exibia torneios de futebol amador nas manhãs de domingo imaginava que ela viraria um verdadeiro lema, mais de na TV Gazeta. A paixão pela bola também tem a influência 30 anos depois de tê-la dito. O pai da façanha é um rapaz de dona Leninha, cujo pai, César Rodrigues, foi jogador de muito solto e descontraído, que instituiu o bom humor e futebol no interior paulista e chegou ao time titular do São as pérolas engraçadas como linguagem oficial da hora do Paulo. Outra figura importante na sua “formação futebo- almoço de milhões de espectadores que o acompanham lística” foi seu Waldemar, o avô por parte do pai, o execu- de segunda a sábado na tela da Globo. Ele também mobi- tivo Gilberto Leifert, um dos homens fortes da TV Globo liza outros tantos milhares de admiradores que o seguem há mais de 20 anos e atual diretor da Central Globo de Re- incansavelmente pelas redes sociais. Mais do que um co- lações com o Mercado. Leifert faz questão de esclarecer municador, Tiago Leifert virou, definitivamente, o “cara” que o cargo do pai, contrariando as línguas mais ferinas, do esporte no Brasil. “Eu também sou fã dele. Quando nunca lhe rendeu benefícios na emissora. Pelo contrário. machucou o joelho (numa pelada interna da Globo) Fez com que muita gente torcesse o nariz quando ele che- mandei até mensagem”, diz Ronaldo Fenômeno. “O gou à empresa, quatro anos atrás. Ele relembra que não foi Tiago é um sujeito brilhante, rápido no gatilho. O um período fácil. “Costumo dizer que quem torce contra Globo Esporte revolucionou o formato. Nas folgas sempre torce com mais força.” Mas também revela que se dele o programa despenca”, palpita Sérgio Xavier, beneficiou de alguma forma da larga experiência televisiva que comanda a revista Placar. do pai. “O fato de ter quase que crescido na Globo ajudou Mas, pra chegar lá, não bastaram bordões bem- porque acabou trazendo a TV para o meu dia a dia.” humorados. Por trás do apresentador com a partici- O garoto que começou cedo na TV entrou em jornalis- pação no vídeo mais leve e solta que a TV Globo já exibiu, mo na PUC em São Paulo, mas, no segundo ano, abando- está um workaholic que controla com mão de ferro o pro- nou o curso e, aproveitando o inglês afiado em anos de grama que leva a sua cara. Porque Leifert é bem mais que prática intensiva de videogame, seguiu para Miami. Ele apresentador. Viciado em trabalho, ralou muito até con- lembra que a experiência por lá não foi moleza. Como seguir alcançar o cargo de editor-chefe do Globo Esporte, a os créditos das disciplinas cursadas na PUC não foram figura que decide absolutamente tudo o que vai ao ar e que aceitos nos Estados Unidos, teve de suar a camisa para manda na equipe. “Perder é muito ruim para mim. Talvez recuperar o tempo perdido. Estudava tanto que chegou à por isso me jogue de cabeça no trabalho. O programa de nota 3,7 – quem alcança 4 é chamado pelos americanos de quarta, eu já penso na segunda. Começo a trabalhar às sete, “mente brilhante”. “Não podia relaxar, porque o estágio dependia da nota da faculdade. Se quisesse um bom está-Leifert faz questão de esclarecer que o cargo do pai, contrariando gio, precisava de uma boa nota, então estudava das 7h àsas línguas mais ferinas, nunca lhe rendeu benefícios na Globo. Pelo 22h todos os dias.” A “overdose” de estudo era tamanha que, em quatro anos de Miami, garante ter ido à praia umacontrário. “Quem torce contra, sempre torce com mais força”, diz única vez. “E mesmo assim não era fácil, porque os ameri- canos são muito competitivos entre si também.” oito da manhã e sigo até o fim da rodada da noite, vendo O esforço foi recompensado. As altas notas garantiram quatro jogos ao mesmo tempo”, conta ele. “Minha namo- um estágio na rede de TV NBC. Na volta ao Brasil, Leifert rada sabe que quando chega o fim de semana geralmente seguiu o caminho natural de bater à porta da Globo. Mas estou ocupado. Mais do que apresentar o programa, tenho o profissional que é hoje enaltecido na emissora levou de decidir o que colocar no ar e de que forma, comandar um não na ocasião. “Naquela época ninguém me quis. uma equipe de oito pessoas, conversar com o jurídico, o Faz parte do jogo e coloquei na minha cabeça que um financeiro, o RH, discutir orçamento...” dia ia conseguir.” Seguiu então para São José dos Cam-
  3. 3. Bola cheiapos, onde arrumou emprego como produtor e repórterda editoria de geral da TV Vanguarda, retransmissora daTV Globo que pertence a José Bonifácio de Oliveira So- Apesar do sucesso, ele já sebrinho, o Boni. Em pouco tempo se destacou e ganhou o preocupa em saber até quandoposto de apresentador do Vanguarda Mix. Nascia aí o “es-tilo Tiago Leifert” de fazer televisão. O programa, que era o formato do Globo Esportevoltado para o público jovem e mostrava shows, baladas,videogames (sua paixão), deu a chance de mostrar sua dará certo. “Quem é que vai medescontração à frente das câmeras. Fez tanto sucesso que dizer que está um lixo?”pôde começar a exercitar outra faceta, a de chefe. Passoua editar o programa e a participar do núcleo de especiaisda emissora. Tinha apenas 24 anos. A sobrecarga de trabalho teve seu preço e ele decidiu ti-rar o pé do acelerador e voltar a estudar. Iniciou um cursode formação executiva em cinema e TV na FGV-SP e pas-sou a ir para São José apenas para apresentar o VanguardaMix. Foi quando recebeu proposta para trabalhar no Spor-tv, canal a cabo de esportes da Globo. Aceitou e voltou àorigem, como repórter esportivo, em 2006, época em quecruzou com a antipatia dos incomodados com o fato de eleser filho de um alto executivo da casa. Alguns amigos detrabalho que o acompanham desde aquela época revelam porte, mas salienta que “uma dose equilibrada de humor ma do esporte global, foi alvo de Leifert na época da Copaque muitos dos que torceram o nariz para Leifert, hoje, de- pode ser mais devastadora para os desmandos no esporte do Mundo. Mas Bueno leva na boa e, para amigos da emis-pois que ele virou “o cara”, o tratam com pompa e circuns- do que muito discurso irado”. sora, elogia a competência do “garoto”. A bolsa de apostastância. Ele diz que não liga para isso. “Não sou vingativo”, Sua desenvoltura não só chamou a atenção dos executi- dos corredores da Globo dá conta de que, em alguns anos,garante. “Fico pensando: se fosse eu talvez tivesse feito a vos da Globo como virou uma grande aposta na emissora. o grande nome do esporte da emissora será Leifert. Os co-mesma coisa, não sei.” Aprendeu algo com isso? “Que todo Em 2008, Leifert foi convidado a assumir o Globo Esporte, legas rasgam elogios. “É muito bom trabalhar com ele, é ummundo merece o benefício da dúvida”, diz. que não ia muito bem de audiência. “Quando recebi a no- cara generoso, deixa quem está ao lado dele crescer, além de tícia foi um susto. Chorei quando saí da reunião e meu pai saber tratar o futebol com leveza, fazendo brincadeira sem“Eu também sou fã dele. Quando machucou o joelho, também, porque, como eu, não sabia de nada.” Teve 20 dias tirar a seriedade do programa”, diz Caio Ribeiro, comenta- para pensar em alguma coisa e formatar o novo programa. rista que trabalha com ele.mandei até mensagem”, diz Ronaldo Fenômeno “Queria nos aproximar do torcedor, desligar o teleprompter Mas, como é de se esperar de pessoas irreverentes, os (equipamento acoplado à câmera que exibe o texto lido pe- planos dele surpreendem. Apesar de ter apenas 30 anos, diz O tal “estilo próprio” de se colocar no vídeo rapida- los apresentadores), colocar videogame no programa, senão que já se questiona sobre quando parar. Não, não que já es-mente despontou – vencendo a ciumeira de alguns incon- a molecada iria continuar apenas no computador ou vendo teja pensando em aposentadoria. A preocupação é saber atéformados com o jeito descontraído que adotava em suas a concorrência, e tinha de atrair o público que não acompa- quando o formato do Globo Esporte dará certo, quando irá sereportagens – e foi mandado para cobrir o Pan de 2007, no nhava o esporte também.” Ele diz que sua experiência como cansar do programa, quando o público vai começar a recla-Rio, e para a Olimpíada de 2008, em Pequim. Mandou tão DJ ajudou. “No Globo Esporte tudo tem sua hora. Tenho de mar... “Quem é que vai me dizer que está um lixo?”, indagabem que emplacou algumas matérias na TV Globo quan- tomar muito cuidado para não perder audiência, acertando a si próprio. Ele conta que, no Brasil, não se vê em outro ve-do estava na China e, graças ao bom trabalho, ao retornar na sequência das matérias e dos comentários, brincando na ículo de comunicação que não na Globo. Mas não descarta,para o Brasil, conseguiu o passaporte para ser efetivado hora certa. É como o trabalho de DJ. Se erra uma música, a no futuro, uma mudança para o exterior e um possível tra-na emissora. “Ele trouxe uma informalidade que faz fal- galera que estava dançando acaba deixando a pista.” balho numa emissora americana. Pensa, inclusive, em abrirta na Globo”, diz o jornalista Juca Kfouri, embora faça Ele segue a fórmula à risca. Com um tato excepcional mão da carreira em frente às câmeras para virar executivoquestão de dizer que discorda radicalmente de Leifert para entender o público, conduz o programa sem ler ne- de TV. E então revela o que nós, telespectadores, não con-“quando ele diz que esporte na TV deva ser mais entrete- nhum texto, falando apenas de improviso. Brinca o tempo seguimos imaginar quando vemos um apresentador tãonimento do que jornalismo”. Antero Greco, colunista do todo e não poupa das piadas nem a si mesmo ( já apareceu talentoso e desenvolto como ele. “O que eu realmente maisjornal O Estado de S. Paulo e apresentador e comentarista em várias ocasiões dançando desengonçadamente), nem gosto de fazer é ficar nos bastidores pensando a TV.” Aí simda ESPN/Brasil, sente falta de senso crítico no Globo Es- aos colegas de emissora. Até Galvão Bueno, a estrela máxi- fomos surpreendidos novamente, Tiago! n34 poder joyce pascowitch poder joyce pascowitch 35

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